sexta-feira, 26 de maio de 2017

26/5 - Altamiro Borges DE 22/5

Altamiro Borges


Posted: 22 May 2017 08:03 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

A Folha bem que tentou sustentar um pouco Temer, abrindo a sua primeira dissidência contra o chefão da máfia midiática, a Globo, na história da imprensa brasileira. Não durou muito. A contratação de uma perícia frágil, facilmente ridicularizada pela Globo, fez o jornal ceder. Em editorial de hoje, o jornal agora diz que Temer está por um fio e que “as gravíssimas suspeitas levantadas contra Temer são plausíveis o bastante para comprometer a capacidade de governar”.

O editorial traz trechos em que tenta contemporizar, provavelmente para fazer a transição entre a sua defesa de Temer e sua nova posição, de começar a largá-lo, paulatinamente, na estrada.

Há um trecho que é uma pequena jóia de farisaísmo: “Esta Folha, acrescente-se, há muito manifesta sua preocupação com a prudência jurídica, o direito à plena defesa e a presunção da inocência, que correm o risco de ser violados no turbilhão diário de escândalos e em meio à indignação da opinião pública.”

Rá! Desde quando? Só quando o acusado é do PSDB ou Michel Temer. Com os petistas, ou com quem pode ser ligado às narrativas antipetista, a Folha tem surfado em todas as ondas de linchamento midiático, desde 2004.

*****

Na Folha

Por um fio

Passado o impacto inicial -e arrasador- da delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) dedica-se a convencer uma audiência restrita de que tem condições de permanecer no cargo.

Impopular desde a origem de seu governo, Temer não se dirige ao público geral quando apresenta sua defesa, como fez no pronunciamento deste sábado (20). Fala, principalmente, às instituições do Judiciário e aos partidos de sua base de sustentação no Legislativo.

Sua tarefa, dificílima, é contestar os indícios e procedimentos que motivaram um inquérito contra si e, mais relevante de um ponto de vista pragmático, evitar a debandada de sua coalizão parlamentar.

O presidente não deixa de ter razão ao apontar inconsistências, de forma e conteúdo, na gravação de sua conversa com o empresário Joesley Batista. Também procede o raciocínio de que a manobra contribuiu para que o delator, criminoso confesso, hoje viva em liberdade nos Estados Unidos.

Esta Folha, acrescente-se, há muito manifesta sua preocupação com a prudência jurídica, o direito à plena defesa e a presunção da inocência, que correm o risco de ser violados no turbilhão diário de escândalos e em meio à indignação da opinião pública.

Sob o prisma político, entretanto, as gravíssimas suspeitas levantadas contra Temer são plausíveis o bastante para comprometer a capacidade de governar -ainda que o inquérito em curso não revele de pronto novas complicações.

O presidente recebeu na residência oficial um empresário investigado (a este jornal, disse que ignorava tal condição); passivamente, ouviu-o discorrer sobre intenções de subornar procuradores.

Designou ainda a Batista um interlocutor privilegiado, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), afastado do posto após flagrante de receptação de dinheiro.

Na arena parlamentar, Temer depende de manter uma coalizão que não apenas contenha investidas por seu impedimento, mas que respalde a agenda de estabilização econômica -esteio básico, talvez único, de sua gestão.

Político reconhecidamente habilidoso, o peemedebista fez avançar reformas cruciais. Aprovaram-se o teto para os gastos públicos e o programa de socorro a Estados falidos; há pela frente as reformas previdenciária e trabalhista, sem as quais a retomada econômica torna-se ainda mais incerta.

A própria hipótese de que Temer venha a ser deposto, aliás, basta para provocar a retração de consumidores e empresas. À Folha, o presidente descarta a renúncia: “Se quiserem, me derrubem”.

Vislumbra-se, assim, um círculo vicioso em que fragilidades do mandatário, de sua base e da economia acentuam umas às outras. É ameaça que o governo, por um fio, terá de debelar em questão de dias.
Posted: 22 May 2017 10:37 AM PDT
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:



Flagrado pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista, da JBS, o senador tucano Aécio Neves foi afastado do mandato, mas continua solto. É inegável a contundência das provas contra Aécio, ao contrário do que se tem até agora em relação à ex-presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citados em delações, mas sem nenhum áudio ou vídeo que os comprometa.

Neste momento, os brasileiros precisam ter vívido na memória que Aécio era o candidato de toda a mídia em 2014. Se dependesse da Globo, da Folha, do Estadão, da Bandeirantes, da Record, da Rede TV!, do SBT, das revistas Veja, IstoÉ e Época, ele seria hoje presidente da República. Um político capaz de pedir dinheiro a um empresário a tal ponto que Joesley fala, na delação, que pediu “pelo amor de Deus” para ele parar.

Era este homem que a mídia queria que governasse o Brasil. Quando Aécio passou para o segundo turno, o Estadão, por exemplo, comemorou no editorial Alívio e esperança.

“‘Ufa!’ A exclamação do leitor, estampada no Fórum dos Leitores na edição de ontem do Estado, resume o sentimento de alívio com que a maioria dos brasileiros conheceu o resultado da votação de domingo, que, ao colocar no segundo turno do pleito presidencial um candidato de oposição com reais possibilidades de ser eleito no próximo dia 26, demonstra que foi dado o primeiro passo para dar um fim à nefasta sequência de governos lulopetistas”, celebrava o jornal dos Mesquita, como se falasse em nome “da maioria dos brasileiros”.

Às vésperas do segundo turno, como havia feito no primeiro, o Estadão recomenda o voto em Aécio Neves para a presidência. “Hoje, cada brasileiro tem a oportunidade de conter essa ameaça, votando no candidato que se propõe -e está credenciado para a tarefa- a reconciliar o Brasil consigo mesmo: Aécio Neves”, diz o jornal, no editorial Um voto para a reconciliação nacional, de 26 de outubro de 2014.

Ninguém vai esquecer também o papel a que se prestou a revista Veja, o panfleto da Abril que há tempos não sabe o que é fazer jornalismo. Às vésperas da eleição, a Veja tentou interferir no julgamento dos eleitores, manipulá-los, publicando uma capa absolutamente mentirosa acusando Dilma e Lula, enquanto Aécio apareceu como super-homem.



O que dizer então das organizações Globo, que nos últimos anos tudo o que tem feito é atacar Lula e o PT 24 horas por dia enquanto as notícias envolvendo Aécio e o PSDB viram notas em seus telejornais? Detalhe: mesmo após as denúncias, o senador do PSDB não saiu na capa de nenhuma das revistas semanais.

Em 2014, até uma revista estrangeira, a britânica The Economist, resolveu se meter na eleição brasileira e recomendar voto no tucano, dizendo que seu histórico fazia dele um candidato “confiável”. “Mr. Neves merece ganhar”, dizia a revista no editorial Por que o Brasil necessita de mudança.



Ao ganhar a eleição, Dilma derrotou ao mesmo tempo Aécio e a mídia. Daí a sanha furiosa dos jornais contra ela desde o começo de seu segundo mandato.

Quem a imprensa irresponsável, corrupta, sem amor pelo país, que queria Aécio na presidência apenas para lucrar (como está lucrando com Temer) vai tentar impor agora aos brasileiros? Temos razão de sobras para rejeitar qualquer nome que venha deles.
Posted: 22 May 2017 07:51 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e seu afilhado político, o prefeito paulistano João Doria (PSDB), começaram o domingo cedo. Ainda antes das 7 horas, estiveram na região central de São Paulo conhecida como Cracolândia. Junto com eles, mais de 600 policiais, sendo 450 da Polícia Civil e 200 policiais militares. Havia helicópteros sobrevoando a área. E veículos de imprensa previamente avisados posicionados no local.

Em sua página nas redes sociais, Alckmin postou um vídeo gravado no Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), fazendo balanço do que ele chamou de megaoperação: 26 traficantes da região detidos, outros 10 de fora, 10 quilos de crack, armas e outras drogas.

"Retirar as drogas e as armas e, de outro lado, atendimento médico para ajudar essas pessoas a saírem das drogas", disse Alckmin, no vídeo.

O governador, no entanto, não respondeu perguntas de voluntários que prestam assistência aos moradores. "Esta é a cidade linda de Doria, governador? Esse massacre?", questionaram ativistas.

O coordenador geral do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, condenou a ação. "Inadmissível tamanha violência."

Temer

Em entrevista concedida após a ação, Alckmin afirmou que, para ele, nada mudou a partir das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer.

"Temos de ter responsabilidade neste momento. A crise é grave, o desdobramento, nós temos de acompanhar. O PSDB vai ter nos próximos dias uma reunião de avaliação. Nós estávamos começando a recuperar a economia. Os indicadores econômicos começando a melhorar. Vai ter que redobrar o trabalho, redobrar o esforço, para poder manter esse rumo".

Doria, que tem defendido "bom senso de parlamentares para aprovar as reformas", declarou ao jornal Folha de S.Paulo que "o PSDB não deve romper com o Brasil. Deve ter equilíbrio. Numa situação como essa, bom senso, equilíbrio, serenidade são fundamentais".

* Com informações de Jornalistas Livres.
Posted: 22 May 2017 07:45 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Nunca antes na história deste país viu-se uma exibição pública de jornalista defendendo seu patrão com a que fez hoje, no Twitter, Ricardo Noblat.

O Globo quer um presidente escolhido sem o voto do povo porque os seus donos sempre desprezaram o voto popular, a vontade de quem consideram uma malta de incapazes.

O que não obriga seus jornalistas a assumirem a posição patronal, embora alguns possam até fazê-lo, como não é raro.

Mas quem fala pela empresa, formalmente, são seus editoriais e não seus profissionais, embora todos saibamos que frequentemente o fazem, de maneira informal.

Quando se assumem arautos da vontade do patrão, a coisa vai muito mal.

Mesmo deixando de lado o aspecto do caráter de quem faz isso, a traição é, sobretudo, ao leitor, a quem se apresenta uma falsidade.

Não é a “esquerda” que deseja eleições diretas, é a maioria da população que as quer, todas as pesquisas de opinião o revelam.

Até Ronaldo Caiado – Caiado é de esquerda, Noblat? – as defende.

E mais: “para o país não parar”? Onde, Noblat, você é capaz de ver o país andando. Com muito boa vontade e óculos cor-de-rosa poder-se-ia (falo com as mesóclises para ver se Noblat, por isso, estende-me a condescendência que tinha com Temer, que era “até bonito” tempos atrás) dizer que “parou de piorar”, embora nem isso seja exato.

Vai se comprovando que o anúncio da renúncia de Temer que fez não era notícia, mas uma advertência “da casa”. Afinal, Noblat assume que fala por ela.

Noblat já foi um dos mais respeitáveis analistas políticos da imprensa brasileira.

Presta-se, porém, em sua fase outonal, a ser um mero porta-voz dos donos do jornal.

Até o Merval é mais discreto, Noblat.
Posted: 22 May 2017 07:39 AM PDT
Por Emir Sader, no site Vermelho:

Quem tem medo da democracia, tem medo de que o povo seja solução e não problema
Diante do fracasso do governo Temer, a democracia reaparece no horizonte como a forma pela qual o Brasil pode se reencontrar consigo mesmo, pode se reunificar como país, pode encontrar os espaços para a convivência de todos os pontos de vista e interesses em um marco institucional.

Mas nessa hora a democracia assusta aos que têm medo do povo. Apela-se até para a história de que retomar eleições direitas para presidente seria um golpe, da forma mais paradoxal. Democracia seria golpe e golpe seria o que?

Instaura-se o pânico nas elites dominantes. Depois do golpe, mesmo diante da falta de resultados econômicos positivos e da falta total de apoio popular, as elites estavam dispostas a seguir com Temer, como o mal menor. Depois de se pronunciar pela impossibilidade de um Congresso povoado de parlamentares comprometidos com a corrupção eleger um novo presidente e que nesse caso só mesmo eleições diretas poderiam definir um novo presidente legitimo, a FSP e FHC, entre outros, preferiram retroceder e lutar, como seja, pela manutenção do Temer, mesmo ferido de morte.

Porque não encontram alternativa que possa recompor o consenso que lograram para o golpe e se apavoram diante da possibilidade do povo intervir na crise e votar para presidente. Têm medo da democracia.

Porque um governo antipopular como este, apoiado por toda a direita, promoveu a popularidade de quem fez governo radicalmente oposto e fez de Lula, de novo, o favorito para se tornar presidente do Brasil. Lula é o nome do pânico das elites, do medo à democracia.

Porque só governos escolhidos pelo povo têm legitimidade, credibilidade, força, apoio, para enfrentar os problemas do país, mesmo os mais graves. E o governo do golpe só aumentou os problemas existentes e introduziu vários outros. Hoje o Brasil vive uma profunda depressão econômica, com alto nível de desemprego, uma crise social como não se conhecia há tempos, uma falta de legitimidade do governo e uma crise de credibilidade da política.

O governo golpista foi instalado para retomar o modelo neoliberal de Collor e FHC, derrotado em quatro eleições. Foi a via que a direita conseguiu de derrotar os governos do PT. Para isso teria que fazer aprovar o pacote de medidas regressivas e antipopulares que mandou ao Congresso e avançar na privatização, antes de tudo da Petrobras.

Enquanto avançava nessa direção, a direita unida o apoiava, não importavam as acusações de corrupção que envolviam a cada vez maior número de membros do governo e ao próprio Temer. Os fins justificavam os meios. Não era para acabar com a corrupção que o golpe havia sido dado, mas para acabar com o governo.

Mas conforme as mobilizações populares, o enfraquecimento da base parlamentar do governo, a inviabilização da aprovação do pacote de projetos do governo se tornava uma realidade, Temer foi se tornando um estorvo. As denúncias contra ele retornaram e ganharam vulto, primeiro pelo TSE, depois pelas delações da JBS. A mídia abandonava Temer e partidos da base do governo iniciavam uma deserção em massa.

Aí voltou o pânico: fim do governo Temer, sem amadurecimento de uma alternativa dentro do golpe. E risco de um novo golpe gerar um governo ainda mais frágil. FHC, FSP, que haviam pedido a renúncia de Temer, voltaram atrás, junto a outras vozes dentro do golpe. O mal menor ainda tem possibilidade de ter vigência ou a deslegitimação do governo golpista é irreversível.

O fantasma da democracia, o fantasma das eleições, o fantasma do Lula reapareceram e o pânico se instaura. O medo do retrocesso em relação às medidas antipopulares já aprovadas, o medo do estancamento da privatização da Petrobras, o medo do retorno de um governo que retome o desenvolvimento econômico e seus programas de distribuição de renda – tudo isso tira o sono da direita brasileira, que enveredou por um caminho que a divide e lhe coloca desafios que talvez não saiba resolver.

Um Brasil democrático será, antes de tudo, um Brasil que seja governado por quem o povo escolheu. O governo do golpe deu errado porque violou a vontade popular, porque governou conforme os interesses da minoria, do grande empresariado, do capital financeiro.

A democracia é o lado certo da história, porque respeita o direito da maioria, porque submete os governos ao voto popular, porque elege representantes conforme a decisão autônoma do povo e não conforme o poder do dinheiro.

Quem tem medo da democracia, tem medo do povo, tem medo da maioria, tem medo das eleições, tem medo do controle popular sobre os governos, tem medo de que o povo seja solução e não problema.
Posted: 22 May 2017 07:29 AM PDT
Por Aldo Fornazieri, no Jornal GGN:

O arranjo do golpe ruiu. Se não vierem eleições diretas e Temer continuar no governo, o que se verá nos próximos meses será um semimorto se arrastando, com as carnes rasgadas e dilaceras, empunhando um bastão, ainda tentando fazer algum mal ao povo brasileiro. A história foi justa, rápida, implacável e severa para com os líderes do golpe e suas respectivas quadrilhas. Aécio, Temer e Cunha lideraram o impeachment para se apossar do poder, barrar a Lava Jato e continuar cometendo crimes, o último, inclusive, da cadeia.
Quis a história ou a deusa Fortuna retirar o debate acerca do caráter golpista do impeachment do terreno acadêmico e especulativo para colocá-lo no terreno dos fatos, pronunciando uma sentença irrevogável e definitiva: o impeachment foi golpe e, a cada dia que passa, novas revelações comprovam o seu caráter conspirativo. Com isso, foi julgada também a conduta de vários intelectuais, analistas consultores e jornalistas que se acovardaram diante dos acontecimentos e da pressão dos interesses opressivos e criminosos que agrediram a democracia.

A história carimbou a conduta do Supremo Tribunal Federal com a marca de omisso e conivente. A questão era simples: não se pode tirar um governo eleito, em nome do combate à corrupção, para colocar em seu lugar as piores e mais especializadas quadrilhas que vinham assaltando o poder público há décadas. Tal artimanha das elites estava destinada ao fracasso e a abrir feridas de um conflito político que se prolongará pelos próximos anos. Se quisessem uma saída razoável para os impasses do governo Dilma teriam que buscá-la em outro lugar e por outros métodos, não pela violência contra a democracia e a Constituição.

O golpe caminhou para a ruína pelas seguintes razões: ficou cada vez mais evidente o caráter delinquente do governo e dos seus principais chefes; as promessas de uma retomada rápida da economia não ocorreu, agravando o desemprego e a recessão; as contas públicas não foram saneadas; buscou-se jogar o peso brutal da crise sobre os ombros dos mais pobres e dos trabalhadores com as reformas retrógradas e conservadoras, liquidadoras de direitos; os índices de apoio a Temer caíram próximos de zero; criou-se uma cisão interna no arranjo golpista tendo, de um lado, o Partido do Estado (Procuradoria Geral da República, parte do Judiciário, PF, Lava Jato e parte da grande mídia) e, de outro, o bloco político articulado em torno do Planalto, no Congresso e em partidos, tendo apoio de outros setores da grande mídia.

Rearticulação das elites

O motivo principal da cisão foi o risco das punições de políticos, de desgraça de suas carreiras políticas, de perda de mandatos e de prisões. O bloco político do golpe começou a jogar contra a Lava Jato, retirando-lhes recursos humanos e financeiros, buscando saídas escapistas no Congresso e o controle da PGR e da PF. O capital também começou a se dividir em torno desta cisão. Os setores mais corruptos do capital - notadamente as construtoras, a JBS e ao que tudo indica o capital financeiro - temendo prisões e prejuízos, começaram a fazer acordos com o Partido do Estado.

Com estas encrencas todas, Temer foi perdendo a condição de articular uma alternativa de poder para 2018, ameaçando arrastar para o abismo o seu principal sustentáculo: o PSDB. O constante crescimento de Lula nas pesquisas, mesmo com o massacre diário contra ele, fez com que o Partido do Estado e parte das elites começassem a perceber os riscos que corriam acerca de suas ambições futuras de poder.

Lula foi se tornando um grande problema para eles. Como deixá-lo de fora das eleições liderando as pesquisas? Isto poderia convulsionar o país, ainda mais com Temer na presidência investindo contra os direitos do povo. E como condená-lo, deixando impunes figuras como Temer, alguns de seus ministros, caciques do PMDB e do PSDB, notadamente Aécio Neves? Os movimentos sociais e parcela crescente da sociedade jamais aceitariam esta solução e o Brasil agravaria seu descrédito internacional. Com as divisões internas e com a situação ameaçando fugir do controle tornou-se necessário buscar outra saída, com a degola do principal problema: Temer e seu governo.

Se Temer e o bloco político do golpe estão sendo derrotados, qual é a saída que o Partido do Estado e seus aliados constroem? Aparentemente, existem duas variáveis: 1) a escolha de um presidente pela via indireta que possa articular uma alternativa de poder para o próximo ano, inclusive, podendo ele mesmo ser esta alternativa. Para isto, as reformas da previdência e trabalhistas seriam amenizadas não se descartando, inclusive, a sua retirada de pauta. Apostar-se-ia na retomada do crescimento e do emprego, com um presidente e um ministério isentos de acusações; 2) se o presidente eleito indiretamente não vier a ser candidato, supondo-se as condições políticas e econômicas do ponto anterior, ele criaria condições para eleger um candidato novo, um Dória ou um empresário.

A questão de o que fazer com Lula ainda fica em aberto. A decisão será tomada a partir dos desdobramentos da atual crise e à luz da evolução da conjuntura. Em síntese: além das divisões internas do arranjo golpista, a tentativa de derrubar Temer visa aumentar o controle sobre o processo eleitoral de 2018. Se ele cair, tudo indica que buscarão um presidente e um ministério com perfis desvinculados de participação direta no golpe e de acusações da Lava Jato.

A crise de longo prazo e as forças progressistas

Diante deste cenário ou de outro mais convincente que se apresentar, já que este é hipotético, o que as forças democráticas e progressistas devem fazer? Não deve haver nenhuma vacilação quanto às iniciativas de colocar abaixo o governo ilegítimo de Temer, buscando acumular força. Este embate deve vir associado com a exigência de "Diretas Já" e a paralisação das reformas conservadoras. É preciso apostar todas as fichas nas mobilizações de rua, visando estabelecer uma nova correlação de forças e construindo a unidade popular e progressista a partir da luta e da definição de uma plataforma, de um programa em comum.

Note-se que a presente crise é uma crise de longo prazo, pois ela tem uma face política e outra econômica e social. A face política diz respeito a quem controlará o governo, os orçamentos, os fundos públicos e quem financiará o Estado. A face econômica e social diz respeito ao grave desequilíbrio distributivo entre o capital e o trabalho, os ricos e os pobres, a desigualdade e a justiça. Pelo fato de as duas crises se entrelaçarem, os embates e a polarizações se prolongarão no tempo.

Se Lula não puder concorrer, um possível futuro presidente conservador eleito terá que ser confrontado pela petição de ilegitimidade. Se Lula concorrer e vier a ser derrotado por um presidente conservador, este se sentirá legitimado para cometer atrocidades contra os direitos do povo e terá que sofrer dura oposição dos movimentos sociais. Se Lula concorrer e vencer, não será aceito pela direita e terá que ser defendido nas ruas. Além disso, a natureza de seu governo teria que ser disputada pelos movimentos sociais, impedindo a conciliação da era petista anterior.

Em suma: a crise e as lutas são de longo prazo porque o Brasil entrou num período de sua história no qual não haverá paz social e política enquanto o equilíbrio econômico e social, fundado na justiça e na igualdade, não for estabelecido e enquanto a democracia não se tornar efetiva. Afinal de contas o golpe ensinou que não se pode confiar nas elites que se servem do Estado pela corrupção e pela apropriação dos fundos públicos, que querem perpetuar a injustiça e a desigualdade e não titubeiam e violar a democracia.

* Aldo Fornazieri é professor da Escola de Sociologia e Política.
Posted: 22 May 2017 07:19 AM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                            

É certo que não se deve esperar nada de positivo vindo de um veículo de comunicação que emprestou carros para Operação Oban transportar opositores da ditadura militar para as masmorras do regime. E o que pensar de um jornal que repete a dose 52 anos depois apoiando o golpe de estado de 2016 e participando da linha de frente do jornalismo de guerra posto em prática para sabotar o governo Dilma?

Estamos falando do jornal Folha de São Paulo. É bem verdade que, no tempo em que seu jornalismo foi dirigido pelo brilhante jornalista Cláudio Abramo, o jornal viveu tempos mais arejados, abrindo espaço para as novas ideias e atores que emergiam da luta pela redemocratização do país.

Mas durou pouco. Logo a Folha retornaria ao seu leito natural, ao vale tudo para servir à plutocracia do país. Até que, no episódio em que Temer é flagrado em vários crimes ao ser gravado por um dos donos da JBS, a Folha se supera no quesito canalhice. Diante do desmascaramento do conspirador que assaltou a cadeira presidencial, o que faz a Folha? Simplesmente providencia uma gambiarra, um arranjo para salvar a pele de Temer.

Contratado pela Folha, entra em cena um perito pago pelo jornal para inventar falhas e edições fraudulentas na fita. Na sequência, são dissipadas todas as dúvidas de que tratava-se de uma ação de submundo conjunta entre a Folha e o golpista-mor do Planalto. O segundo pronunciamento de Temer se baseia integralmente na patranha da Folha. A boia de salvação do presidente ilegítimo passa a ser a tentativa de desmoralizar a fita.

Para tentarmos entender os motivos que levaram o jornal paulista a assumir esse protagonismo canalha em defesa de Temer, é preciso analisar as digitais da Globo no caso. Quando repentinamente a Globo detonou a bomba atômica na última quinta-feira à noite, ela não fez mais do que expor seu firme propósito de operar um golpe dentro do golpe, defenestrando Temer e elegendo por via indireta, através do Congresso mais picareta da história da República, alguém de sua total confiança. A Globo cansou de intermediários pouco confiáveis. Ela mesma quer governar o Brasil. E qual o momento mais propício do que o atual para dar o bote, com a classe política completamente desmoralizada ?

Contudo, por que dessa vez seus irmãos siameses do monopólio midiático, como Folha, Estadão, Veja e Band, não a acompanharam? Acertou quem imaginou que o vil metal está por trás desse racha momentâneo entre os barões da mídia. Temer vem cumprindo religiosamente a promessa de empanturrar a mídia de verba publicitária como recompensa pelo apoio ao golpe. E quem garante que um testa de ferro da Globo no poder vai seguir honrando esses acordos ? Quem garante que a Globo não vai ficar com parte ainda maior desse botim, ela que já abocanha hoje infinitamente mais do que os outros veículos?

Só a mais absoluta falta de apreço pelo Brasil e a luta pela sobrevivência a qualquer preço podem explicar a cegueira da Folha diante das revelações aterradoras do áudio de Temer. Como um presidente ouve um empresário relatar subornos, chantagens, corrupção ativa, cala-bocas, obstrução de justiça e não vê nada demais no conteúdo escabroso de uma conversa extra-agenda, ocorrida tarde da noite, na sua residência oficial ? Se isso não é uma mistura de crime de responsabilidade com crime comum, o que mais seria?

Ninguém debocha da inteligência das pessoas impunemente. Por isso, o destino da Folha é sair ainda mais desmoralizada e desacreditada dessa história.

Fora Temer, Diretas Já!
Posted: 22 May 2017 07:12 AM PDT
Do blog Viomundo:



Acabar com a “carreira” de Aécio Neves. Literalmente. É este o potencial de uma delação premiada de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador afastado da presidência do PSDB que está preso em Minas Gerais.

Primeiro, um alerta. Leia tudo o que vem a seguir com uma ponta de sal. É comum que se anunciem “delações premiadas” na mídia apenas para atingir objetivos obscuros. A IstoÉ, por exemplo, já antecipou como seria uma delação de Antonio Palocci. Pode ser mentira, pode ser uma forma de extorsão, pode ser um alerta a aliados, pode ser um pedido de socorro…

O delator Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, primeiro disse que havia doado por fora R$ 1 milhão à campanha Dilma-Temer, em 2014. Depois, quando Dilma demonstrou que o cheque havia sido destinado ao vice-presidente, Otávio mudou sua versão, livrando Temer de qualquer embaraço.

José Antonio Sobrinho, da Engevix, disse que havia entregue R$ 1 milhão ao coronel João Baptista Lima Filha, o coronel Lima, amigão de Temer, como forma de agradecimento pela obtenção de com contrato em Angra 3. Depois de sair da cadeia, em Curitiba, Sobrinho afirmou, sem esclarecer os detalhes, que não teria havido interesse das autoridades em sua delação premiada.

Ou seja, o mercado das delações premiadas parece — insistimos, parece — contaminado por interesses políticos. Ou, simplesmente, pela força do dinheiro. O ex-braço direito do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de nome Marcelo Miller, simplesmente bandeou-se para a advocacia e participou do acordo de delação premiada do dono da JBS, Joesley Batista.

Deveria ser um escândalo alguém atuar nas duas pontas de uma investigação, mas estamos no Brasil…

Frederico Pacheco de Medeiros, o primo de Aécio, é uma pessoa importante.

O Lupa fez um resumo da carreira dele:

FREDERICO PACHECO DE MEDEIROS

Pacheco foi preso na quinta-feira (18) em sua casa, no condomínio Morro do Chapéu, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em seu currículo, desde 2003, acumula diversas passagens por cargos públicos. Em janeiro de 2003, Fred - como é conhecido - foi nomeado como secretário adjunto do governo mineiro de Aécio Neves.

Permaneceu no cargo até outubro de 2006.

A informação vem da gestão atual do Estado de Minas Gerais.

No período eleitoral de 2006, entre julho e setembro, ele trabalhou na campanha de reeleição de Aécio.

Em seguida, com a vitória do primo, em outubro daquele ano, reassumiu o cargo de secretário adjunto e lá ficou até junho de 2008.

No mês seguinte, virou secretário geral do governo de Minas Gerais e lá permaneceu até março de 2010, quando retornou ao seu cargo antigo, como secretário adjunto do governo mineiro.

Em 2011, quando Antonio Anastasia assumiu o governo com apoio de Aécio Neves, Fred foi nomeado diretor de Gestão Empresarial da Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig).

Em 2014, Fred trabalhou como administrador financeiro da campanha de Aécio Neves à Presidência da República.

Fred deixou a Cemig em 2015.

Fonte graduada do Viomundo em Minas Gerais diz que Frederico foi o articulador da venda de 1/3 das ações da estatal Cemig - a Companhia Energética de Minas Gerais - à empreiteira Andrade Gutierrez.

Conforme denúncia publicada por nós, aqui, foi um negócio da China para a empreiteira:

Para viabilizar o negócio, a Cemig comprou, em 2009, a participação da Andrade Gutierrez na Light do Rio de Janeiro por R$ 785 milhões, pagos à vista.

A Andrade Gutierrez, por sua vez, deu R$ 500 milhões de entrada na compra de 33% das ações ordinárias da estatal mineira, ficando o restante do valor da compra, no total de R$ 1,6 bilhão, para pagamento em 10 anos com a emissão de debêntures a serem adquiridos pelo BNDES, a juros e taxas facilitadas.

Na prática, a Andrade Gutierrez fez um negócio da China. De 2010 a 2013, recebeu mais de R$ 1,7 bilhão em dividendos da Cemig.

O poder da empreiteira na estatal não se restringe à participação nesse item.

No acordo de acionistas a Andrade Gutierrez garantiu, por meio de artifícios embutidos no documento, o direito de indicar seu representante na Diretoria de Desenvolvimento de Negócios e Controle Empresarial das Controladas e Coligadas, que simplesmente é quem conduz os investimentos da Cemig, em especial as grandes construções.

Trocando em miúdos, a Andrade conduzia os investimentos da Cemig nas construções que ela, Andrade, era capacitada para fazer!

Pelas gravações divulgadas pela Operação Patmos, Frederico Pacheco de Medeiros foi um homem da mala relutante de Aécio Neves. Ele parecia pressentir que daria confusão.

Em conversa com Ricardo Saud, o homem da mala da JBS, Frederico disse:

“Outro dia estava pensando. Acordei à meia noite e meia, o que estou fazendo? O que tenho com isso? Eu não trabalho para o Aécio, eu não sou funcionário público, sou empresário. Trabalho para sobreviver. Eu tenho com o Aécio um compromisso de lealdade que o que precisar eu tenho de fazer. Eu falei, olha onde eu tô me metendo”,

As informações de que ele considera fazer uma delação premiada nos foram dadas por uma fonte de Minas Gerais que diz ter contato com integrantes do Judiciário local.

Esta fonte diz que uma mensagem do pai de Frederico foi divulgada na rede interna dos desembargadores da ativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

“Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo. Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar , não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ‘um mínimo de cerimônia com os escrúpulos’. Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício que disputou de Presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada. Lauro Pacheco de Medeiros Filho, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais”.
Segundo nossa fonte, Lauro foi indicado para o TJ por Tancredo Neves. Mas, Frederico não seria exatamente a pessoa idealizada pelo pai: “Cobrava, quando diretor da Cemig, até por audiências com empresários”.
Posted: 22 May 2017 07:04 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Prever o que pode acontecer no tobogã político nacional esta semana é exercício de alto risco, exceto para médiuns e adivinhos. Certo é que há muitas variáveis fora de controle desde que a delação da JBS detonou Michel Temer e rachou a antes unida coalizão golpista que derrubou Dilma e sustentava o governo. Uma destas variáveis que parecem ter saído do script é o próprio Temer, que mesmo tendo levado um tiro de canhão, resolveu resistir no cargo e agora desafia a que o derrubem. Talvez tenha faltado, no estouro da bomba da JBS, quem colocasse o guiso no gato, tarefa que no passado costumava ser assumida pelos militares. São remotas as chances de que consiga escapar mas isso significa que sua remoção vai dar mais trabalho. O fato que será decisivo esta semana será a decisão do STF, marcada para quarta-feira, sobre o pedido de Temer para que seja suspenso o pedido de investigação contra ele apresentado pelo procurador-geral Rodrigo Janot.

O ministro Luiz Fachin, relator da Lava Jato, acolheu o pedido de perícia na gravação de Joesley Batista com Temer mas remeteu ao plenário a decisão sobre a suspensão da investigação. O presidente é acusado de corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução da Justiça. A defesa de Temer questiona a gravação e a própria competência de Fachin para atuar como relator de um caso que não tem conexão com o Petrolão. Logo, fugiria ao escopo da Lava Jato.Mas, como todo mundo já entendeu, Lava Jato agora é apenas um apelido genérico para duas operações distintas, a de Curitiba, dirigida por Sergio Moro, e que tem o PT e Lula como alvos preferenciais, e a de Janot, que mira o poder central e resvalou para Temer, tucanos e quejandos.

Ainda que alguns ministros possam discordar dos termos do acordo de delação generosamente firmado com a JBS, dificilmente vão barrar as investigações. Se o plenário der o sinal verde, autorizando a continuidade delas, Temer estará mais perto de deixar o Planalto. PSDB e DEM, por exemplo, resolveram esperar pela decisão antes de decidirem se abandonam o governo ou não, cancelando a reunião que teriam no domingo para traçar conjuntamente o rumo. Se as investigações forem mantidas, o mais provável é que os dois partidos pulem do barco, tentando salvar alguma coisa depois da péssima aposta que fizeram derrubando Dilma. O programa do golpe fracassou, em parte porque Temer é desprovido das condições para o papel que lhe foi dado. Entre elas, não ter rabo preso. PSDB e DEM são a espinha dorsal daquela base ampla, fisiológica e imoral que apoiou o golpe e sustenta o governo. Sem eles, a resistência de Temer vira delírio. Mas houve algo também pouco compreensível, o telefonema de FHC a Temer. Não foi de apoio mas soou como estimulo à resistência. “Fique firme”.

Se as investigações continuam, Temer pode teimar em ficar no cargo mas dele será afastado pelo STF tão logo Janot apresente uma denúncia que o transformará em réu. Esta pode ser uma solução até melhor que a do TSE. Embora o tribunal possa concluir o julgamento da chapa Dilma-Temer entre os dias 6 e 9, concluindo por sua cassação, haverá recurso ao próprio TSE, depois ao STF...Enfim, tempo correndo. E o impeachment, já sabemos, é solução demorada demais para o ponto a que chegou a crise.

Enquanto não vem a decisão do STF sobre a investigação de Temer, afora as bombas inesperadas que sempre podem explodir em nossa cara, veremos seguir a disputa dentro do condomínio do golpe. Atuam pela rápida remoção de Temer da Presidência - não para que o povo vote mas para que um síndico mais eficiente venha tocar a agenda golpista - uma parte do sistema de Justiça, especialmente a Lava Jato em sua versão nacional (leia-se Rodrigo Janot) e as Organizações Globo, com sua descarga diária de artilharia pesada contra o presidente que deixou de apoiar. Já os dois grandes jornalões paulistas, Folha e Estadão, parecem sintonizados com outras forças econômicas paulistas que preferem evitar uma disputa pela Presidência agora, engolindo Temer até 2018 apesar de sua corrupção tão escandalosamente revelada. O “mercado”, este apelido do grande capital? Este contempla, dizendo que não importa quem seja o presidente, desde que ele toque a política econômica de Meirelles e aprove as reformas. Meirelles presidente por eleição indireta? Seria maravilhoso... O que estas forças querem é o “pacto pelo alto”, um acordo das elites que deixa o povo em seu lugar, nada de diretas-já.

As manifestações deste domingo não tiveram a força esperada. Pelo menos em São Paulo foram prejudicadas pela chuva. Se elas não ganharem impulso nos próximos dias, o golpe dentro do golpe será exitoso, com a troca de Temer por um presidente “indireto”, mais vistoso, menos vulgar, mais eficiente para tocar as reformas e o programa neoliberal. De Nova York, Wesley Batista dará gargalhadas olhando a terra arrasada aqui no Bananão. A JBS firmará um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (com anuência de Janot), passando a ser empresa americana.

Uma coisa pelo menos o povo aprendeu com este episódio. Lula não é o dono da Friboi, como tanta gente simples, vitima da lavagem cerebral, acreditava até a semana passada.
Posted: 22 May 2017 06:48 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

No sábado pela manhã escrevi um artigo no blogue que você pode ler aí embaixo no qual ponderava que se o perito da Folha estivesse certo, Joesley Batista deveria ser preso imediatamente e Rodrigo Janot afastado da Procuradoria Geral da República. E como o caso ainda não se encerrou, mantenho esta tese. Mesmo que não sejam 50 pontos de edição, mas apenas um, para preservar quem quer que seja, o áudio estará ferido de morte.

Isso não significa que a investigação contra Temer deva ser interrompida. Ao contrário, há inúmeros elementos para que ela continua e o presidente ilegítimo seja afastado do cargo. A cada dia que passa fica mais claro que Temer se comporta como um gangster na política há muito tempo. E que se comportou assim na presidência, o que justifica seu afastamento.

Neste mesmo artigo também escrevi o seguinte trecho:

“Eu, sinceramente, ficarei surpreso se a montagem for comprovada. Não porque ache que o MP é um convento, mas porque isso seria algo absolutamente infantil. Nem um completo imbecil acreditaria que um áudio com esse potencial de mudar os destinos do país não seria periciado.

Ou seja, ainda é cedo para dar crédito total à matéria da Folha, que, aliás, na insignificante opinião deste blogueiro, deveria ter pedido para que outros peritos fizessem análise completa do áudio antes de publicar sua reportagem.

De qualquer maneira um capítulo novo da crise acaba de ser aberto com esta matéria. E se ela estiver correta será o fim da República dos Procuradores. Caso contrário, enterrado estará o que restou da credibilidade da Folha, pois ficará claro que ela tentou jogar uma boia de salvação para Temer.”


Ao que parece a Folha jogou a última pá de cal sobre aquilo que ainda restava de razoável da sua história. O Fantástico de ontem revelou que o perito Ricardo Caires dos Santos assumiu ter feito um trabalho precário e com equipamentos amadores. E informou que, ao contrário do que disse a Folha, ele não teria vínculos com o Tribunal de Justiça de São Paulo.

Caires, que também seria figura frequente em programas sensacionalistas e de celebridades, relativizou à Globo suas bombásticas declarações à Folha.

Ele negou a existência de 53 pontos de edição e disse que seriam “14 pontos de edição e entre 15 e 20 pontos de corte de diversos trechos de ruído”.

Hoje em uma matéria na Folha, o perito dá nova marcha ré e diz que não mudou sua versão, apenas procurou acrescentar detalhes à análise. Ou seja, a história se tornou um pântano.

E como em terra de cego quem tem um olho é rei, há uma tendência a se premiar quem vencer este braço de ferro. Um absurdo completo, porque ambos estão fazendo o que de pior se pode fazer em episódios jornalísticos como este.

Pelo seu blogueiro Lauro Jardim, O Globo reproduziu com erros factuais primários um áudio envolvendo o presidente da República. Reproduziu, aliás, sem que o jornalista tivesse sequer ouvido o áudio.

A Folha contratou um único perito e bancou a partir dele a hipótese que já aventava um dia antes em todas as suas manchetes do jornal e do portal UOLL, de que o “áudio era inconclusivo”.

Depois de dar um google na vida do perito, o Globo sai atirando no áudio dizendo que o cara já trabalhou fazendo pontas em programas sensacionalistas.

Ou seja, ambos os veículos vão disputando o espólio do país a partir de eu acho daqui e você dali, sem o mínimo rigor jornalístico. Cada um defendendo o lado político que escolheu neste episódio. A Folha faz o jogo de Temer e do PSDB. A Globo quer dar o golpe dentro do golpe, elegendo rapidamente por via indireta ou Meirelles ou Carmem Lúcia, fortalecendo o pacto com o Partido do Judiciário e juntando a ele o sistema financeiro.

De lambuja, a Globo ainda ganharia a prisão de Lula. E é principalmente por isso que rifou Aécio e Temer. Ela percebeu que precisava entregar uns anéis do outro lado, para justificar levar o dedo principal do outro.

O fato é que o Brasil está vivendo um ciclo histórico sem precedentes. A Folha parece ter capotado seu carro numa das curvas deste ciclo. E talvez não se recupere mais. De qualquer maneira, a Globo teve que acelerar muito. E pode ficar sem motor para completar a prova.

Anotem, esse racha no espectro midiático não é demonstração de força, mas de fraqueza. Não é só o sistema político brasileiro que entrou em parafuso. A aliança midiática também. Pela pior via. Mas isso pode ser bom. O consenso midiático pode entrar em crise e isso pode abrir frestas para um novo pacto democrático.
Posted: 22 May 2017 06:36 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Há uma conjunção astral em torno do fato de Temer ter baseado sua defesa no STF numa perícia cascateira feita por um cidadão que não sabe escrever, paga por um jornal amigo dele.

É a fábula de um governo que nasceu com uma farsa, a das pedaladas, e se transformou numa outra.

O pedido de suspensão do inquérito aberto contra ele tem como argumento central a suposta edição que teria sido feita na gravação de sua conversa com Joesley Batista, dono da JBS, na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu.

No desespero de salvar Michel, a Folha se meteu num dos maiores vexames jornalísticos de sua história e ainda forneceu a Michel uma prancha furada para se apegar.

Ricardo Caires dos Santos é bacharel em Direito pela Unifig, de Guarulhos, e diz ter especialização em Direito Penal.

Segundo o Globo, entre seus trabalhos, “coube a ele determinar se havia ou não um fantasma numa foto da internet divulgada pela atriz americana Jéssica Alba no ano passado”.

Caires desmentiu a Folha e negou que o áudio tivesse 50 cortes. Na verdade, seriam catorze e ele “não tem condições de apontar onde estão os pontos de edição”.

Usou um programa de mídia chamado Audacity, gratuito, e errou nomes — a presidente do BNDES Maria Sílvia Bastos virou Marina Silva e a A CVM, Comissão de Valores Mobiliários, CDN.

O laudo ainda tem erros grotescos de português, como mostrou o DCM.

A Folha de S.Paulo, em carta ao Globo, teve que enfiar o rabo entre as pernas. “Em nome da transparência, marca de seu jornalismo, a Folha voltará ao profissional para que ele esclareça o teor das declarações dadas a ‘O Globo’, a quem Santos ofereceu outra conclusão”, diz em nota.

Assistimos, portanto, a uma guerra de facções para ver quem fica com o que restou de um país. Um grupo quer manter Michel para continuar se locupletando com seu saque.

O outro quer que outro cidadão complete o serviço das reformas.

Esse é o resultado do golpe dado por Temer e seu colega de bandidagem Aécio. Deus nos proteja.
Posted: 22 May 2017 04:55 AM PDT
Por Altamiro Borges

As bombásticas delações dos chefões do grupo JBS não estão abalando somente o mundo político. Elas também caíram como um petardo entre os barões da mídia. A famiglia Marinho, dona da poderosa Rede Globo, está desesperada com os efeitos do escândalo – que podem desgastar os planos ultraliberais dos golpistas e ainda secar os milhões em publicidade oficial. Já no caso da famiglia Abravanel, do vulgo Silvio Santos, os estragos são ainda mais diretos e podem até resultar em inquérito da Justiça. As delações flagraram o envolvimento da filha do arrogante dono do SBT em negociatas por propina.

Segundo matéria postada no site UOL neste sábado (20), o desgaste na imagem da emissora e da herdeira – que adora posar de defensora da ética, da moral e dos bons costumes, já são enormes. “Um dia após ser divulgado o vídeo da delação de Ricardo Saud, diretor do grupo empresarial JBS, em que afirma que Patricia Abravanel participou de um jantar para negociar propina em favor de Robinson Faria (PSD-RN), atual governador do Rio Grande do Norte e pai do marido dela, o deputado Fabio Faria (PSD-RN), a apresentadora foi alvo de críticas em sua foto mais recente compartilhada no Instagram. ‘Para que foi se meter nessa sujeirada toda?’. perguntou um. ‘Manchou a imagem do pai e da família’, disse outro. ‘Vamos boicotar o SBT’, sugeriu mais um. ‘E as propinas, fia? Tudo certo’, ironizou outra”.

Segundo Ricardo Saud, a filha de Silvio Santos participou do encontro do seu então noivo (eles se casaram em abril deste ano numa festança milionária) para arrecadar fundos para a campanha ao governo potiguar. “Foi um jantar muito elegante. Foi o Fábio Faria com a noiva dele, Patrícia Abravanel, filha do Silvio Santos, o Robinson Faria com a esposa dele, nós todos com as nossas esposas para tratarmos de propina... Até bacana, né? Todo mundo com as esposas junto”, ironizou o lobista da JBS em seu depoimento ao Ministério Público Federal. Bem “bacana” mesmo. Tudo gente fina, metida a vestal da ética. Silvio Santos, que vigia todos os passos da filha, foi um dos barões da mídia que mais se empolgou com o "golpe dos corruptos" que derrubou Dilma Rousseff. 

Em tempo: A delação da JBS não atingiu apenas a filha do Silvio Santos. A apresentadora Ticiana Villas Boas, que estrearia a nova edição do programa culinário no SBT – “Bake off Brasil– Mão na Massa" – é casada com Joesley Batista, o dono da poderosa empresa. Agora, segundo o noticiário, a estreia está suspensa. Segundo Keila Jimenez, do site R-7, “com toda essa confusão, as redes sociais da apresentadora ficaram lotadas de agressões e insultos. O SBT diz que ela permanece no ar no comando do reality "Duelo de Mães" programado para ter 16 episódios... No entanto, já tem gente na emissora querendo cancelar a exibição do programa. Já a nova temporada do "Bake off" está em aberto. A produção teme que a emissora cancele a atração”.


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Posted: 21 May 2017 08:16 PM PDT
Por Altamiro Borges

Luciano Huck, o queridinho da TV Globo e “bom-moço” da Veja, é amigão de baladas de Aécio Neves. Ele sempre elogiou sua carreira política e participou de todas as campanhas eleitorais do cambaleante. Uma foto que bombou na internet foi a da sua cara de bebê chorão, de nádega, quando do anúncio da derrota do tucano no pleito presidencial de 2014. Agora, porém, ele simplesmente decidiu deletar todas as fotos com o amigo das suas redes sociais. Uma ingratidão, uma covardia! A notícia foi postada pela jornalista Keila Jimenez, do site R-7. Vale conferir para dar gargalhadas:

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Huck apaga fotos com Aécio Neves

O apresentador Luciano Huck, que sempre apoiou o senador Aécio Neves (PSDB), apagou de seu perfil no Instagram todas as suas fotos com o político.

Internautas fizeram uma verdadeira limpa nas redes sociais do apresentador da Globo e o acusam de ter apagado toda e qualquer foto dele ao lado de Aécio.

Huck teria apagado as imagens após as revelações de que Aécio Neves estaria no meio de um escândalo de corrupção revelado nesta quarta-feira pelo jornal O Globo, onde o político teria sido gravado pedindo dinheiro à empresa JBS.

Nas redes sociais, os internautas não perdoaram e fizeram muitas críticas ao apresentador.

“Cadê as fotos com o Aécio?”, questionou um internauta.

“Que feio apagar as fotos do seu melhor amigo!!”, comentou um seguidor. “Oi Luciano, vi que apagou as fotos com o Aécio. Está tudo bom?”, brincou outro.


*****

Em entrevista recente, Luciano Huck sinalizou que gostaria de “ingressar na política” e até aventou a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2018. Entre outras besteiras, o apresentador da TV Globo falou da sua “indignação” diante da corrupção e elogiou o velho amigo Aécio Neves. A patética entrevista foi levada a sério por alguns políticos velhacos, inclusive pelo ex-presidente FHC. Com o estouro do escândalo envolvendo o presidente nacional do PSDB, o plano da celebridade global foi abalado. Daí a decisão de deletar a fotos – que os internautas, sempre atentos, foram buscar e fizeram questão de republicar. Pelo jeito, não é só Aécio Neves quem virou pó. A carreira – política – de Luciano Huck também parece que deu chabu!

Outras figurinhas midiáticas pelo menos foram menos desonestas. O decadente humorista Marcelo Madureira, ex-integrante do programa “Casseta & Planeta” da TV Globo, jurou em seu comentário na rádio Jovem Pan, na quinta-feira (18), que estava arrependido por ter feito campanha para Aécio Neves. Em resposta às críticas dos ouvintes, ele choramingou – também com cara de nádega: "Vocês não imaginam o tamanho da minha decepção, da minha desilusão política. Fui iludido, fui enganado. Para mim, é chocante ver o candidato que eu apoiei estar envolvido nessas negociatas em plena vigência das investigações... Podem me criticar, mas eu jamais tirarei o corpo fora de participar da vida política do meu país”.

O seu remorso, porém, não convenceu muita gente. Afinal, Marcelo Madureira é hoje um reacionário convicto que estimula o ódio fascista na sociedade. Ele foi um dos ícones dos “midiotas” nas marchas golpistas pelo impeachment de Dilma. Agora, ele se traveste de ingênuo e diz que foi “enganado” pelo tucano ladrão. O decadente humorista, porém, não deletou as fotos do seu velho amigo e teve a coragem de se penitenciar publicamente. Já outras estrelas midiáticas não se pronunciaram – viraram pó! Os fãs do ex-craque Ronaldo, da atriz Regina Duarte e da cantora Fafá de Belém – entre tantos outros falsos moralistas da mídia – ainda aguardam algum pedido de desculpa.

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Posted: 21 May 2017 08:12 PM PDT
Por João Sicsú, na revista CartaCapital:

Nos últimos anos se conformaram três correntes políticas no Brasil, que fazem articulações, propaganda, agitação e tentam formar bases sociais. Mas só há dois projetos. Primeiro, existe o partido da Globo e dos maiores bancos privados com parte do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. Segundo, o partido integrado pelos políticos fisiológicos e patrimonialistas filiados ao PMDB, PSDB, DEM e a outros penduricalhos menores. E, por último, há a corrente dos partidos políticos de esquerda, centrais sindicais e movimentos sociais.

Embora tenhamos três correntes, temos apenas dois projetos. O partido dirigido pela Globo defende os interesses das multinacionais, dos banqueiros e dos rentistas. A frente de esquerda, sindical e de movimentos sociais defende um projeto de crescimento econômico, com geração de empregos, distribuição de renda e inclusão social. Tal projeto é nítido quando está na oposição e impreciso quando é governo. O partido dos políticos fisiológicos e patrimonialistas é acéfalo, não tem projeto próprio, aderiu implacavelmente ao projeto do partido da Globo.

O PSDB fisiológico dos dias de hoje é muito diferente do PSDB pensante dos anos 1990. E o PMDB fisiológico de hoje é mais diferente ainda do que era o autêntico PMDB dos anos 1980. O partido dirigido pela Globo tem caminhado junto com os políticos fisiológicos e patrimonialistas. Sempre estarão unidos para combater a esquerda através de tentativas de cooptação, perseguição, criminalização ou prisão de seus quadros, líderes e movimentos. E sempre estarão unidos para dar golpes chamados de impeachment (em 2016) ou de revolução (em 1964).

O projeto do partido da Globo tem sido bem-sucedido nos últimos anos. Conseguiram disseminar a ideia de que sempre é preciso conter gastos públicos (o objetivo é que sobrem recursos para serem transferidos aos bancos e aos rentistas). Essa ideia parecia adormecida ao final do ano de 2010. Mas voltou com força a partir do ano seguinte. Ao longo dos anos posteriores foi ganhando mais força, até que começou a derrubar os investimentos públicos e a reduzir direitos sociais.

O partido da Globo fez grandes jogadas políticas especialmente desde 2013, passando pelo o golpe de 2016, até os dias de hoje. Ampliou ao máximo o leque de alianças e constituiu bases sociais. Todos cabiam dentro do projeto do golpe: Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Aécio Neves, os patos da Fiesp, classe média com camisa da CBF, evangélicos e muito mais. Todos unidos contra o modelo do governo Dilma que até podia entregar parte do que era requerido (e que não era pouco), mas sempre deixava a porta aberta para o projeto da esquerda, das centrais sindicais e dos movimentos sociais.
"Quem dirige o golpe é o partido da Globo. O seu projeto é antinacional e antidesenvolvimentista"

O partido da Globo apostou no golpe e venceu. Quem dirige o golpe é o partido da Globo. O seu projeto é antinacional, antissocial e antidesenvolvimentista. Cunha, Temer, Aécio, Maia, os patos da Fiesp e tantos outros são marionetes acéfalas. Manda quem comanda o judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal e o maior veículo de comunicação do País.

O partido da Globo apostava em Temer, mas sempre com desconfiança. Afinal, o presidente ilegítimo pertence a um agrupamento que tem interesses considerados menores e é reconhecidamente frágil pelo passado que lhe é inerente. Embora funcione como um partido, a Globo desmoralizou os partidos políticos que têm formato tradicional e achincalhou a política porque uma organização antidemocrática não pode conviver com a política que somente é exercida, em sua plenitude, na democracia.

No mundo real nem todas as variáveis estão sob pleno controle. Um movimento do partido da Globo, embora controlado, atingiu Temer. A gravação de Temer com o dono da JBS é arrasadora, fere, possivelmente, de morte o presidente ilegítimo. Cada passo desse processo foi elaborado e organizado pelo partido da Globo. Dentro do mesmo processo, o PSDB foi desmoralizado. Desnorteado, tentou deixar Temer sozinho no governo, mas percebeu que ficaria sozinho também. O partido da Globo não lhe acolheria, pelo menos agora.

Abriu-se, então, o caminho para que o projeto do partido da Globo atingisse o seu auge colocando na cadeira da presidência um tecnocrata, um dos seus. O partido da Globo não emplacaria um tecnocrata defendendo o seu projeto em eleições diretas. O voto popular rejeitaria as reformas e a limitação de gastos reais nas áreas da saúde e educação, por exemplo. O caminho do partido da Globo é o colégio eleitoral e a retomada da votação das reformas por parte das marionetes.

No momento, o partido da Globo quer alguém do seu agrupamento para sentar na cadeira da presidência da República – piloto e carro, ambos, da mesma equipe. Henrique Meirelles é o grande operador do projeto do partido da Globo dentro do governo. Atualmente, está na cadeira de ministro. Mas poderá ocupar um superministério ou, até mesmo, a presidência da República. A outra opção da Globo é Cármen Lúcia, que é do braço do judiciário do partido. Devidamente autorizado, Meirelles já anunciou ao mercado financeiro que continuará neste ou no próximo governo.

O partido da Globo já aprovou o congelamento real de gastos públicos pelos próximos 20 anos. Já aprovou a terceirização irrestrita. E avançava nas reformas da Previdência e trabalhista. Entretanto, o projeto do partido da Globo sofre fortes resistências da esquerda. Portanto, continuarão os enfrentamentos e ataques contundes à esquerda, às centrais sindicais e aos movimentos sociais.

Nas próximas semanas e meses, ficará ainda nítido que só existem, de fato, dois agrupamentos sólidos, dois projetos e um bando de marionetes desnorteadas. E os embates serão: eleições diretas versus colégio eleitoral, condenação de Lula versus defesa de Lula, reformas engavetadas versus retomada das votações. As marionetes voltarão a sobreviver tão logo sejam úteis ao partido da Globo.

Não deixarão, porém, de ser apenas marionetes.
Posted: 21 May 2017 07:56 PM PDT
Fortaleza, 21/5/17. Foto: Edgard Góes/Mídia Ninja
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

I.

O Brasil foi sacudido, desde a última quinta-feira (18/5), por uma nova série de abalos políticos. O governo Temer, que se empenhava em aprovar as contra-reformas da Previdência e Trabalhista por meio de compra de votos de parlamentares, foi ferido, talvez de morte. Eclodiram, no mesmo dia, manifestações de rua, que cresceram na 6ª feira) e terão um grande teste neste domingo. Elas são a esperança de uma saída democrática. Mas trata-se de algo que ainda precisa ser construído, e exigirá grande esforço.

O protagonismo, no momento, não é das forças que resistem há um ano ao golpe, mas de alguns dos setores que mais se empenharam em consumá-lo e mais têm interesse em aprofundar a agenda de retrocessos a que o país está submetido. Desde quarta-feira à noite, a Rede Globo e a Procuradoria Geral da República afastaram-se do governo Temer e tentam claramente obrigá-lo à renúncia.

II.

Este movimento significa uma cisão grave e perigosa – ainda que calculada – na frente que sustenta o golpe. O governo Temer resiste a abandonar o posto – inclusive porque se o fizer, nas condições atuais, poderá escorregar de Brasília ao cárcere. A defesa do Palácio do Planalto é composta por linhas distintas, cujo grau de compromisso varia segundo seus respectivos interesses. À frente estão os ministros responsáveis pela articulação política: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência). Dependem, tanto quanto Temer, de foro privilegiado para conservar a liberdade.

Num ponto um pouco mais recuado postam-se o DEM (neste momento, a agremiação mais fiel ao Planalto), o PMDB (cujas divisões reemergem), o PSDB (que já recolocou-se à beira do muro) e as demais legendas da base governista. A fidelidade destes partidos é duvidosa. Já no sábado, o PSB anunciou sua defecção. Além disso, o próprio presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM), por exemplo, cedeu sua casa oficial para as articulações pró-Temer; mas já estuda as providências regimentais para uma evental eleição indireta. Numa terceira linha está a mídia extra-Globo. O Estado de S.Paulo (que viu, em editorial na 6ª feira, uma conspiração contra o presidente). A Folha (cujo proprietário, Otávio Frias Filho, escreveu no domingo, que o governo “ainda não acabou). Colunistas cuja opinião pesa no campo conservador, como Reinaldo Azevedo.

Desde 6ª feira à tarde, quando vieram à tona os vídeos da delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, o Palácio do Planalto recolheu-se, certamente mergulhado em múltiplas articulações. A única aparição de Temer foi pífia: uma entrevista coletiva às 15h do sábado, em que atacou a Procuradoria Geral da República (sem ter a coragem de nomeá-la) e pediu perícia nos áudios comprometedores – sem, no entanto, criar nenhum fato novo capaz de reforçar sua posição. Mas seu poder de fogo não pode ser desprezado. Se resistir à renúncia, Temer pode transformar o esforço por seu afastamento numa operação longa e desgastante. Além disso, ele dispõe de armas ofensivas. Na 5ª feira, horas após a eclosão da crise, mandou suspender a verba de R$ 200 milhões que abasteceria uma campanha publicitária “comemorativa” de seu primeiro ano de “mandato”. A principal beneficiária era, previsivelmente, a Globo.

III.

O consórcio Globo-Procuradoria Geral da República (PGR) conta, porém, com alguns trunfos inigualados. Como a PGR maneja a Lava Jato, e como a opinião pública encontra-se obcecada por fatos ligados à corrupção, há um enorme arsenal de “novidades” a produzir. Elas podem chegar a todo o país instantaneamente, graças ao poder quase-monopólico da Globo e a sua capacidade comunicativa. Desde a época do impeachment, sucedem-se, com êxito repetido, as edições (às vezes quilométricas) em que o Jornal Nacional pinça, da montanha de denúncias produzidas pela Lava Jato, aquelas que deseja repercutir. Destaca, em letras ampliadas por zoom, as frases que constroem sua interpretação dos fatos. Eletriza audiências, convoca mobilizações e neutraliza versões contrárias.

A aliança Globo-PGR é responsável direta pela deflagração da crise que ameaça Temer. Os acordos de delação premiada dos irmãos-JBS foram fechados em março. Mas as gravações de seus depoimentos foram feitas apenas no início de maio. A emissora colocou-as no ar no exato momento em que Temer pareceia crescer junto aos setores empresariais. O jornalista Lauro Jardim teve acesso privilegiado ao material. Seu primeiro texto, publicado na quarta-feira, fantasiava o áudio da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer. Na quinta-feira, Michel Temer aceitou o desafio (“Não renunciarei! Repito: não renunciarei!”). Mas o estrago estava feito: as bolsas haviam despencado, o dólar disparara, a confiança no governo estava no chão. E no dia seguinte, a constatação de que Jardim mentira foi rapidamente sepultada pelos vídeos da delação premiada da JBS, que têm potencial para devastar todo o sistema político.

IV.

Que quer a aliança Globo-PGR? Sua aposta é alta. Está em xeque um governo que era visto, até há muito pouco, como o sonho de consumo dos conservadores brasileiros: por não ter aspirações políticas futuras, podia dar-se a todas as impopularidades. Em algum momento, este governo precisaria ser descartado: sua popularidade, já antes dos episódios mais recentes, reduzia-se a 4%; em 2018, nenhum candidato poderá apresentar-se como seu herdeiro. Mas por que livrar-se dele agora?

Por enquanto, há apenas pistas. Elas conduzem, em primeiro lugar, a uma disputa entre o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot e Gilmar Mendes, o ministro mais influente do STF. Janoté condutor principal da Lava Jato. Gilmar tem feito críticas seguidas à operação. Tornou-se, provavelmente, o pivô de um acordo para salvar a classe política – agora que todos os partidos graúdos estão implicados. Foi decisivo na votação em que o STF libertou José Dirceu e parece participar do movimento, até agora frustrado, para livrar também Antonio Palocci.

Ao lado de Janot, parece colocar-se outro ministro-chave do STF: Edson Fachin, o relator da Lava Jato. Na libertação de Dirceu, decidida pela 2ª Turma do Supremo, Fachin foiderrotado por Gilmar. Mas deu o troco em seguida: como relator, jogou o caso de Palocci para a reunião plena do tribunal, onde votam todos os ministros e a influência de Gilmar é um pouco mais matizada. E na última quinta-feira, atendeu prontamente a um pedido do Procurador Geral, quebrou o sigilo sobre as delações da JBS e voltou a escancarar um sistema político no bolso do grande poder econômico.

Mas sem a Globo, o poder da PGR, mesmo em aliança com Fachin, é pequeno. Por que o império dos Marinho assumiu o risco de desafiar o governo que encanta as elites? Possivelmente, aposta em construir o “governo livre de políticos” – uma tendência global, em tempos de neoliberalismo extremo. E quer colher o prêmio por ser o promotor deste “passo adiante”.

V.

Cindida em dois blocos, a frente golpistatorna-se vulnerável. A divisão não pode prolongar-se por muito tempo – do contrário, a agenda de retrocessos, que interessa a todo o arco de forças no poder, desandará. O derretimento da Bovespa e a disparada do dólar, na quinta-feira, foram um primeiro sinal de alarme. As mobilizações sociais são algo ainda mais grave, do ponto de vista das elites. E se as maiorias, há um ano caladas, despertarem? Como superar as divergências entre os de cima sem correr risco de por tudo a perder?

Duas opções sintetizam a resposta. Primeiro: eleições indiretas. Só por meio delas será possível superar Temer e aprofundar a agenda de contra-reformas. Os conservadores não resistiriam, por exemplo, a um debate nacional sobre o desmonte das aposentadorias e da CLT – rejeitadas pela grande maioria dos brasileiros. A transição precisa ser a seco, sem democracia, rápida.

Mas isso não basta. Por que a sociedade, que aceitou Temer há um ano, mas rapidamente compreendeu o que ele significava, acolherá outro político conservador? Seria trocar seis por meia dúzia. Por isso, a opção preferencial das elites, em eventuais eleições indiretas, é alguém com aparência “técnica”. São possíveis candidatos, por isso, a presidente do STF, Carmem Lúcia; o ex-ministro (de Fernando Henrique e Lula) Nelson Jobim; e, acima destes, o ex-banqueiro Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda.

Os conservadores pensam em pintar Meirelles como uma versão brasileira do novo presidente francês Emmanuel Macron,uma resposta capitalista ao desencanto das sociedades com a política. Exatamente como Macron, Meirelles não aparece, para o público, como “velha raposa”. Nunca disputou eleições nacionais; é provável que não figure nas listasde agraciados por propina dos grandes grupos econômicos.

Ao mesmo tempo, à diferença de um Donald Trump, não é nem um novato, nem um outsider. Tem amplo trânsito num vasto espectro da política institucional. Eleito deputado federal peloPSDB (em 2002), renunciou para ser presidente do Banco Central com Lula, por oito anos (2003-11). Manteve, neste período, amplo diálogo com a oposição de direita. Sob Temer, tornou-se ainda mais poderoso, como ministro da Fazenda.

Sua fidelidade ao programa neoliberal é extrema. Nos mandatos de Lula, à frente do BC, agiu permanentemente para que o governo mantivesse política monetária ortodoxa e destinasse parte gorda do Orçamento para alimentar, via pagamento de juros, a aristocracia financeira. Sob Temer, é o ministro que pressiona de modo mais brutal pelas contra-reformas da Previdência e Trabalhista. Chega a ponto de sabotar as tentativas do Planalto para amenizar pontos das PEC-287, e torná-la menos indigiesta ao Congresso.

VI.

Dezenas de cidades brasileiras terão, neste domingo, manifestações pela saída de Temer e eleições diretas. São convocadas pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular. Expressam uma alternativa ao atual governo e também ao arranjo cosmético que levaria à escolha, pelo Congresso, de um presidente encarregado de manter ou aprofundar a agenda de retrocessos. A importância e o peso do movimento podem crescer nos próximos dias e semanas – em especial, se o campo conservador continuar dividido e incapaz de resolver a crise aberta em 18/5.

Por isso mesmo, talvez valha a pena refletir sobre uma debilidade essencial da resistência ao golpe de 2016 e, de maneira mais ampla, da própria ação da esquerda brasileira, nos últimos anos. Ela parece incapaz de considerar, ou mesmo de enxergar o sentimento global de desconforto com a velha política, e de busca de alternativas.

É uma enorme defasagem, porque esta procura espalha-se pelo mundo, e assume diversas formas. Em países como a Espanha, partidos-movimentos como o Podemos surgem do nada e crescem rapidamente. Nos Estados Unidos e Inglaterra, eclodem, no próprio seio dos velhos partidos, movimentos rebeldes, como os que empurraram a candidatura de Bernie Sanders e a chegada de Jeremy Corbyn à liderança trabalhista. Há dias, a França Insubmissa, de Jean-Luc Melenchon, alcançou 19,58% dos votos na eleição presidencial. Soube combinar a defesa de um programa claramente anticapitalista com a crítica aguda à democracia de fachada. Até no vizinho Chile, de tradição conservadora, surge e cresce a Frente Ampla, com características muito semalhantes.

No Brasil, ainda não – provavelmente por dois motivos. Antes do golpe, a esquerda institucional estava no governo. Suas conquistas são inegáveis; mas seus limites, também. Ao longo de treze anos, adaptou-se, como é notório, às práticas centenárias de fisiologismo da vida brasileira. Julgou desnecessário transformar o sistema político – um déficit que é parte de sua conhecida tendência à conciliação e inapetência por reformas estruturais. Após 2016, a possibilidade da candidatura Lula, e sua força eleitoral, exercem, simultaneamente, papel de alívio e de freio –de paralisia. Seria melhor ter um presidente com sensibilidade social. Mas o debate de projetos é quase invisível. Conta-se com a volta ao Planalto – e se espera que o resto possa ser resolvido depois.

A existência da Lava Jato agudiza o problema. A operação é, desde o início, partidarizada. Foi decisiva para alimentar o impeachment e levar a direita ao poder. Até há muito pouco, voltava-se exclusivamente contra os partidos de esquerda. Por isso, é vista apenas como uma conspiração das elites. Olhá-la assim impede de reconhecer seu outro viés. Foi a partir dela que, pela primeira vez, os corruptores foram punidos; e que se tornou evidente o sequestro da democracia pelo poder econômico, em conluio com uma casta política cujo caráter ficou claro na noite tenebrosa da votação do impeachment.

A visão parcial sobre a Lava Jato leva a desperdiçar oportunidades em série. As delações premiadas da Odebrecht e, mais recentemente, da JBS, desvendam a podridão a que se reduziu o Congresso Nacional. Mas a esquerda resiste a explorar os fatos, porque também parte de seus líderes está envolvida nas denúncias. Isso reduz a própria capacidade de resposta diante de crises como a atual. A bandeira das diretas já é justa e necessária – por ser o antídoto contra a transição antidemocrática. Mas é insuficiente, porque os fatos que emergiram revelam a necessidade de uma transformação muito mais profunda. É óbvio que um presidente eleito sob as regras atuais seria prisioneiro de um sistema corrupto, que sequestra a democracia e sempre favorecerá o grande poder econômico. É evidente, também, que enquanto não houver resposta efetiva à esquerda, o sentimento de revolta diante da falsidade da política será capitalizado pelos que desejam destruir a democracia: os Moro, os Bolsonaro ou… os Marinho.

Como a esquerda, que é vista (com motivos…) pela população como parte de um sistema desprezível, poderá enfrentar este sistema? A equação é de fato difícil – porém, incontornável. Uma saída possível é lembrar que a origem das práticas que a sociedade abomina não está em homens malévolos – mas num sistema que obriga a todos, independentemente de suas convicções, a se corromper. Hoje, é rigorosamente impossível governar o Brasil sem receber dinheiro dos grandes grupos empresariais e prestar favores a eles. Que desejamos: mudar o sistema ou extirpar alguns bodes expiatórios para, ao final, mantê-lo intocado?

*****

A janela de oportunidades surgida em 18/5 permanecerá aberta por algum tempo – ainda mais se a disputa entre os dois blocos em choque se prolongar, como hoje parece mais provável. O decisivo, agora, é ir às ruas: são elas a principal escola política. Oxalá uma nova onda de mobilizações desarranje a agenda de retrocessos e bloqueie a saída elitista da crise. Oxalá ele estimule, também, a emergência, cada vez mais indispensável, de uma nova esquerda.

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