sexta-feira, 26 de maio de 2017

26/5 - Ministro das Finanças da Arábia Saudita

FONTE:Castor Filho <castorfilho@yahoo.com>


Ministro das Finanças da Arábia Saudita
"Em 2030, não nos preocupará q o preço do petróleo chegue a zero"
23/5/2017, Haley Zaremba,
OilPrice

"Reproduzo esse postado na esperança de que atraia comentários do público bem informado, especialmente à luz do que parece não ser mais que pensamento desejante [wishful thinking] sobre a rapidez com que o país pode(ria) mudar toda a configuração da própria economia"
 (Yves Smith, in
Naked Capitalism, 25/5/2017)

"Se não presta para a Arábia Saudita, não presta pro Brasil dos Meirellesianos e Goldfajnianos, que é tudo a lesma lerda. Quem mandou a Arábia Saudita baixar os preços do petróleo foram "Obama e suas Harpias", porque acharam ou q, com isso, facilmente quebrariam Rússia e Venezuela e, com sorte, também o pré-sal do Brasil. Proposta EXCELENTE, a de Obama! [risos] Só até agora já quebrou os EUA e pode quebrar até a Arábia Saudita. Rússia vai muito bem e, no Brasil e na Venezuela, a luta continua." (Entreouvido no lixão da Vila Vudu)

O vice-príncipe coroado saudita Mohammed bin Salman expôs a ambiciosa "Visão 2030" da economia nacional, em abril, numa entrevista à rede Al-Arabiya. O mapa do caminho deixa ver ampla variedade de reformas econômicas que se espera que completem a transição da Arábia Saudita para longe do petróleo e na direção de quadro mais amplo de investimentos.

Com a economia da Arábia Saudita já sofrendo com até aqui 18 meses de declínio nos preços do petróleo e taxas de desemprego sempre crescentes, os governantes sauditas planejam com vistas a um futuro no qual não tenham de preocupar-se com preços de petróleo. Comentando os planos delineados na Visão 2030, o ministro das finanças saudita Mohammed Al Jadaan
disse à CNN: "Na verdade não nos preocupamos muito com o preço de 40, 45, 50, 55 naquele momento, porque já estaremos bem avançados na trilha rumo à independência em relação ao preço do petróleo... Estamos planejando pôr fim, completamente, àquela dependência sob a qual vivemos nos últimos 40, 50 anos. Esperamos que, em 2030, já pouco nos preocuparemos se o preço do petróleo chegar a zero."

Essa "Visão 2030" propõe uma restruturação da economia que em 2030, em teoria, já teria criado 6 milhões de empregos fora do petróleo e em 2020 já estaria gerando $100 bilhões ao ano de renda adicional à do petróleo reduzindo subsídios para gasolina, eletricidade e água e introduzindo um novo imposto sobre valor agregado e iniciativas para promover indústrias distantes do petróleo, como mineração e produção de armas e equipamentos militares em geral. Há também ideias grandiosas para o que seria a maior Initial Public Offering (IPO) do mundo para a Aramco (a maior empresa de petróleo do mundo) e para que se estabeleça o maior fundo soberano do mundo, com mais de $2 trilhões para investir em ampla variedade de iniciativas (sobre isso ver
Kuwait: Deeper Cuts Are On The Table).

Essas propostas, já notáveis pelas dimensões, são especialmente radicais num país no qual o petróleo responde por
90% do PIB. Mas permanece o problema de verificar se seriam propostas realistas para a Arábia Saudita, cujo déficit fiscal deve chegar esse ano a 13,5% do PIB, depois de mais de um ano de preços do petróleo sempre em queda.

O príncipe bin Salman, de 30 anos, também disse acreditar que o plano poderia até ser cumprido em menos tempo, com a dependência do petróleo já eliminada em 2020 em seu país (em entrevista que The Economist descreveu como mais uma manifestação do "otimismo maníaco, que caracteriza a 'jovem guarda' encarregada de propor políticas na corte saudita" [no Brasil é velha guarda, velhíssima]).

A Visão 2030 vem carregada de sugestões políticas vagas e declarações de intenções pró-empreendimentos, mas não traz nem diretivas claras nem estratégias detalhadas. Os estrategistas políticos sauditas prometem já há meses melhores indicações logísticas, mas até agora nada se viu nessa direção.

Já há décadas todos os esforços para separar a economia saudita e o petróleo como única fonte têm encontrado oposição, que vai do total desinteresse ao total desdém. Para poder aspirar a algum sucesso, a Visão 2030 só pode contar com a capacidade de bin Salman para mobilizar a juventude saudita e instilar ali algum desejo de explorar novos campos. Como o mais jovem secretário da Defesa em todo o mundo com ares 'jovens' e forte presença nas mídias sociais, bin Salman talvez tenha os atributos necessários para essa empreitada.

Diversificar a economia da Arábia Saudita é também a resposta para o crescente desemprego que se observa nas faixas mais jovens da população. Timothy Callen, diretor-assistente do Departamento para Oriente Médio e Ásia Central do FMI, diz que reduzir o desemprego entre a população saudita mais jovem
é um dos principais desafios da economia esse ano, com os números chegando já a 12% em termos de desemprego nacional, e a 33,5% entre jovens – e aumentando sempre, na medida em que mais e mais jovens sauditas chegam à idade de precisar trabalhar.

Autoridades sauditas já disseram que as 'reformas' propostas em Visão 2030 só conseguirão fazer o desemprego baixar no máximo 7%, com o número de mulheres na força de trabalho já crescendo, dos iniciais 22% para 30%, por resultado de melhor formação e novas oportunidades. O Centro Al-Bayan para Planejamento e Estudos criticou a timidez desses objetivos, na comparação com a desmedida ambição de Visão 2030 como projeto em geral: "o tanto que resistem a promover as reformas sociais e políticas realmente indispensáveis como base para reformas econômicas faz duvidar da capacidade da Arábia Saudita para diversificar a economia e atrair o indispensável investimento estrangeiro."

Para 2030, o mesmo ano em que bin Salman diz que a Arábia Saudita terá alcançado a 'independência do petróleo', especialistas preveem que o desemprego já terá chegado a
mais de 42% dado o continuado aumento da população. São duas visões muito diferentes para a mesma Arábia Saudita, mas uma coisa não muda: o país precisará de mais do que 'visões', para poder cogitar de futuro melhor.*****

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