sábado, 27 de maio de 2017

27/5 - Pragmatismo Político DE 23/5

Pragmatismo Político


Posted: 23 May 2017 07:20 PM PDT
aécio neves vídeo propina
O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou nesta terça-feira (23) seu primeiro vídeo após ser alvo de abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigação de crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.
No vídeo, publicado na página de Aécio no Facebook, o senador aparecendo lendo um teleprompter e se declara inocente diante das acusações da PGR (Procuradoria-Geral da República), que solicitou a abertura de inquérito com base nas delações premiadas de sete executivos da empresa JBS.
Andrea Neves, irmã de Aécio, foi presa na última quinta-feira, durante operação da PF, acusada de pedir dinheiro a Joesley Batista em nome do irmão Aécio. No mesmo dia, Frederico, primo do senador, também foi detido por ter sido filmado recebendo os R$ 2 milhões acordados entre o empresário e o político.
O conteúdo já recebeu mais de 30 mil comentários no Facebook, a maioria deles em tom de indignação e deboche. Confira algumas da reações mais curtidas:
— Um colunista de O Globo soltou uma nota dizendo que o digníssimo senador nos últimos dias só ‘bebia e chorava’. Noto que entre uma crise e outra de choro, passou a contar ‘causos’ também.
— Deu vontade de chorar. Um homem tão sério, tão inocente, tão ingênuo. Pobrezinho. Quanta maldade com ele.
— Não tem imobiliária nem corretores em Minas? Senador, o senhor conhece ao menos a OLX? Em 30 anos de vida pública não aprendeu a negociar um apartamento?
— É por isso que esse país não vai pra frente. Essa população injusta que fica acusando políticos injustamente…
— Por que o senador precisa fazer essa cara de cachorrinho pedindo comida? De onde tira toda essa criatividade para inventar histórias?
— Aproveita a amizade com o Luciano Huck e descola um papel numa novela da Globo! Afinal, sua atuação tá nota 10.
— Eu queria só mandar um abraço pra minha mãe, meu pai, e especialmente pra você! Você que está lendo isso e acredita no coelhinho da Páscoa!
— Meu presidente Aécio Neves, eu acredito em você e na sua inocência. Mas agora vem cá. To precisando de uma grana ai, tem como dar um suporte? Chama no inbox.
— Aécio, tu tá precisando contratar mais gente pra trabalhar pra você na internet. Quase ninguém te defendendo aqui, na sua própria página. O negócio tá tão cômico que se alguém começa falando que acredita em você, a gente já sabe que é ironia
— Apesar de ter votado em você nos dois turnos da última eleição, acredito em você atualmente tanto quanto em papai noel e saci pererê.
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Posted: 23 May 2017 04:01 PM PDT
Andrea Neves Reinaldo Azevedo grampos
Andrea Neves e Reinaldo Azevedo
Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, pediu demissão da revista nesta terça-feira (23) depois da divulgação de áudios em que criticava o veículo.
Os áudios foram gravados pela Polícia Federal a partir do telefone grampeado de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves. Andrea encontra-se presa.
Na conversa com Andrea, Reinaldo chamou uma reportagem de capa da Veja sobre Aécio de “nojenta”. A matéria a que o colunista se referia foi publicada no mês passado e apresentava denúncias diversas contra o senador tucano (relembre aqui).
A gravação foi feita depois da meia-noite do último dia 13 de abril, quinta-feira. A conversa entre Reinaldo Azevedo e Andrea foi anexada pela Procuradoria-Geral da República aos áudios do inquérito que investiga o senador e a irmã.
Durante a conversa, eles também falaram da Lava Jato e de Rodrigo Janot. Na imprensa, o grampo foi inicialmente divulgado pelo site BuzzFeed. Logo após a divulgação, o colunista pediu demissão da Veja.
Confira trechos da conversa abaixo.

(Críticas à Veja após delação de Henrique Valladares, citada na reportagem de capa da revista)

Andrea Neves – Agora, que está acontecendo na Veja, o que o pessoal fez…
Reinaldo Azevedo – Ah, eu vi. É nojento, nojento. Eu vi.
Andrea Neves – Assinaram todos os jornalistas e vão pegar a loucura desse cara para esquentar a maluquice contra mim.
Reinaldo Azevedo – Tanto é que logo no primeiro parágrafo, a Veja publicou no começo de abril que não sei o que, na conta de Andrea Neves. Como se o depoimento do cara endossasse isso. E ele não fala isso.
Andrea Neves – Como se agora tivesse uma coleção de contas lá fora e a minha é uma delas.
Reinaldo Azevedo – Eu vou ter de entrar nessa história porque já haviam me enchido o saco. Vou entrar evidentemente com o meu texto e não com o deles. Pergunto: essas questões que você levantou para mim, posso colocar como se fosse resposta do Aécio?
Andrea Neves – Nós mandamos agora para a Veja uma nota para botar nessa matéria.
Reinaldo Azevedo – Não quer mandar para mim também?
Andrea Neves – Mando.

(Críticas à Lava Jato)

Andrea Neves – Você tem vários casos, todos juntados. Como eles queriam que o Aécio aparecessem como campeão de inquéritos…
Reinaldo Azevedo – Sim, esse era o objetivo.
Andrea Neves – […] É inacreditável, é uma covardia.
Reinaldo Azevedo – […] É incrível, a Odeberecht agora virou a grande selecionadora de quem sobrevive e morre na política. A Odebrecht nunca teve tanto poder. É asqueroso. Me manda esse levantamento, me interessa, sim.

(Crítica à Rodrigo Janot)

Reinaldo Azevedo – A gente precisa ter elementos objetivos de um certo senhor mineiro aí, cuidando da candidatura dele ou à presidência ou ao governo do Estado.
Andrea Neves – Como assim?
Reinaldo Azevedo – O nosso procurador-geral.
Andrea Neves – Você está achando?
Reinaldo Azevedo – Ôxi.. fiquei sabendo que está tendo conversas. Eu só preciso ter gente que endosse isso de algum jeito. Ter um pouco mais de elementos concretos. Que ele está, está. Presidência talvez não, mas o governo de Minas, sim.

(Chacota à Cármen Lúcia)

Andrea Neves – Vai disputar com a Carminha (risos).
Reinaldo Azevedo – Ah, deve ser né. Sua prima (risos).

(No dia seguinte, a Polícia Federal registra novo diálogo. Dessa vez, a gravação está mais inaudível. Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro)

Reinaldo Azevedo cita o poeta Cláudio Manoel da Costa — É um poema lindíssimo que ele fala justamente de uma coisa que eu constatei quando fui a Belo Horizonte. A cidade cercada de montanhas. E aí ele diz assim: essas montanhas poderiam ter endurecido o coração. Mas não, tiveram efeito contrário.
Andrea Neves declama então um trecho que havia decorado na infância — “Bárbara bela, do Norte estrela, que o meu destino sabes guiar, de ti ausente, triste, somente as horas passo a suspirar”
De repente, Andrea Neves corta o papo: — Reinaldo, posso te ligar num segundo? É que nós estamos com um problemão agora com o Jornal Nacional…”
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Posted: 23 May 2017 03:15 PM PDT
terrorista ataque manchester identificado polícia inglaterra
A polícia britânica confirmou a identidade do homem por trás do ataque suicida que deixou ao menos 22 pessoas mortas em Manchester (Inglaterra) após o show da cantora Ariana Grande: Salman Abedi.
A informação foi divulgada pela polícia britânica no Twitter e confirmada pelos jornais britânicos The Guardian, The Daily Telegraph, The Independent e pela rede de notícias americana CNN.
As autoridades ofereceram poucos detalhes sobre Abedi, informando apenas que ele tinha 22 anos de idade. Segundo o jornal The Guardian, ele nasceu em Manchester, era filho de país líbios que buscaram refúgio no Reino Unido para fugir do regime de Muammar Kadafi e tinha mais três irmãos e uma irmã.
De acordo com o jornal The Daily Telegraph, o jovem vivia nos arredores da mesma escola em que estudaram as jovens Zahra e Salma Halane, que nos idos de 2014 fugiram de Manchester para se juntar ao grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. A polícia não confirma oficialmente, mas o EI reivindicou o ataque da noite de ontem.
A polícia agora tenta entender se Abedi agiu sozinho. No entanto, outro homem, esse de 23 anos, foi preso na manhã dessa terça-feira em conexão com o episódio.

Ataque em Manchester

A explosão conduzida por Abedi, que morreu no local, ocorreu às 22h30 (horário local) na Manchester Arena, instantes depois do final do show da cantora americana. Até o momento, 22 pessoas, em sua maioria crianças, morreram e cerca de 60 estão feridas, algumas em estado grave.
Autoridades calculam que 21 mil pessoas estavam no local do show no momento do atentado. Vídeos feitos que estavam dentro do estádio mostram o desespero do público quando a explosão ocorreu.
A cantora Ariana Grande se manifestou no Twitter sobre o episódio, dizendo estar devastada e sem palavras.

Histórico de ataques

Esse é o pior ataque terrorista em solo britânico desde os atentados de 2005, quando uma série de explosões atingiu a capital Londres, deixando 56 mortos e mais de 700 feridos.
Gabriela Ruic, Exame
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Posted: 23 May 2017 12:36 PM PDT
brasil rato pariu temer corrupção ódio classe
Felipe Pena*, Contra a Corrente
Tem que manter isso aí, viu?
São onze horas da noite e um presidente da república está comprando o silêncio de um ex-deputado. O encontro acontece no porão do palácio, após o interlocutor ultrapassar a cancela de segurança usando um nome falso como senha. O interlocutor é um dos maiores empresários do país e carrega um gravador no bolso.
Tem que manter isso aí, viu?
O empresário informa ao presidente que faz pagamentos mensais ao ex-deputado e a um doleiro responsável por suas operações financeiras, ambos presos em uma carceragem de Curitiba. Também conta que comprou dois juízes e conseguiu infiltrar um procurador na equipe do ministério público que o investiga.
Ótimo. – responde o presidente.
O empresário precisa resolver pendências junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, onde trava batalha contra uma estatal sobre o preço do gás que é fornecido à sua empresa. Está disposto a pagar 5% de propina. Pergunta quem pode ajudá-lo. O presidente indica um deputado cujo gabinete funciona no Palácio do Planalto.
Posso falar tudo com ele? – pergunta o empresário.
Pode. Ele é da minha estrita confiança. – responde o presidente.
O empresário deixa o palácio após conversar 36 minutos com o presidente. O gravador registra o começo e o fim do diálogo marcando o horário da rádio CBN. Não há cortes, não há edições.
Joesley Batista, dono do grupo JBS, sabe o poder do material que tem nas mãos. Nos próximos dias, ele negociará o acordo de delação premiada que acabará com o governo golpista de Michel Temer. Também levará à lona o senador Aécio Neves, articulador dos primeiros movimentos do golpe, logo após perder as eleições presidenciais de 2014; e o deputado Rodrigo Rocha Loures, o tal homem da estrita confiança do presidente.
Outra equipe seguirá o primo de Aécio Neves, Frederico Medeiros, que também recebe 500 mil reais. O senador tem um motivo claro para a escolha de Frederico: “tem que ser um que a gente mata eles antes dele fazer delação“.
Frederico continua vivo.
A carreira de Aécio vira pó.
No dia 17 de maio de 2017, às sete e meia da noite, o jornalista Lauro Jardim revela toda a história. Faz exatamente um ano que Temer demitiu o copeiro do Palácio do Planalto, José da Silva Catalão. Agora é o próprio Michel que assina o aviso prévio.
Na cadeia, o ex-deputado Eduardo Cunha olha para a imagem de Temer na TV e lembra-se da frase de Danton quando ia para guilhotina: “O que me consola, Robespierre, é que atrás de mim virá você“.
No dia seguinte, 18 de maio, o presidente convoca a imprensa para dizer que não vai renunciar. Inconscientemente, repete o gesto de Richard Nixon, quatro décadas antes. Está nervoso, tenso. Não contesta as informações, apenas parte para o ataque.
Ao ouvir a gravação, Temer minimiza seu conteúdo e diz que a montanha pariu um rato. Mas parece o contrário.
O rato pariu a montanha. E é uma imensa montanha de crimes.
O Sindicato dos Jornalistas de MG decreta o dia 18 de maio como “dia da liberdade de imprensa em Minas Gerais” por causa da prisão da irmã de Aécio, Andréa Neves, que perseguiu diversos profissionais durante os governos da famiglia no estado. Frederico, o primo, também é preso. O senador é suspenso do cargo.
Vejo isentões e coxinhas envergonhados em todos os lugares. Fotos de artistas e jogadores de futebol ao lado de Aécio desaparecem das redes sociais. Lembro-me dos motivos que os levaram às ruas para pedir o golpe.
Nunca foi pela corrupção.
Foi ódio de classe mesmo. Com pitadas de misoginia.
As pedaladas serviram apenas como pretexto para derrubar Dilma. Nunca serviram para condenar Temer, que fez o mesmo. Talvez porque a presidenta fosse vista constantemente numa bicicleta e Temer nunca tenha andado em outro veículo que não fosse um carro importado.
Mas agora é diferente. O crime existe e foi gravado. Os ratos começam a abandonar a montanha. Leio o “Discurso sobre a servidão voluntária“, de Étienne La Boétie, escrito na primeira metade do século XVI. O jovem Étienne diz que o tirano só governa porque há pessoas que aceitam ser governadas por ele, mas quando esta obediência voluntária cessa, cessa também o poder do tirano.
Os coxinhas se cansaram do tirano.
Não tenho a mesma certeza sobre Sérgio Moro.
Nos três anos em que a operação lava jato foi comandada por Moro e a república de Curitiba, nenhum tucano foi atingido. E, entre os caciques do PMDB, apenas Eduardo Cunha foi preso. No final do ano passado, Cunha fez 21 perguntas a Michel Temer. Elas antecipariam em muitos meses a sua queda, mas Sérgio Moro barrou todas. O dono da JBS procurou o MP de Brasília porque talvez acreditasse que Moro, mais uma vez, blindaria Aécio e Temer. E, principalmente, não deixaria que o primo e a irmã do senador, que não têm foro privilegiado, fossem presos.
Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal julga o recurso do presidente para suspender o processo. Logo saberemos o que mudou no grande acordo nacional. Podemos apostar na queda do tirano que alterou o currículo do ensino médio por decreto, sem consulta à população? Podemos apostar na queda dos que defendem o neofascismo do projeto Escola Sem Partido? Podemos apostar no fim das contrarreformas que retiram direitos dos trabalhadores?
Sim e não.
O tirano cai, mas o golpe continua.
Este é o país que liberta um branco milionário condenado por corrupção e mantém preso um negro pobre condenado por porte ilegal de pinho sol.
Este é o país do rato que pariu a montanha.
E só há uma maneira de escalar:
Diretas já!
Diretas!
Já!
*Felipe Pena é jornalista e escritor. Doutor em Literatura pela PUC, com pós-doutorado pela Sorbonne, é autor de 15 livros, entre eles o romance “Fábrica de Diplomas”.
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Posted: 23 May 2017 12:29 PM PDT
Marco Antonio Villa Jair Bolsonaro
Marco Antonio Villa e Jair Bolsonaro
Marco Antonio Villa, da rádio Jovem Pan, afirmou, na última semana, que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) era um ‘embusteiro’, ‘farsante’ e incapaz de debater temas importantes para o Brasil com a devida profundidade.
O parlamentar rebateu, alegando que Villa só era homem para dizer essas coisas “atrás de um microfone”.
Na manhã desta terça-feira (23) eles ficaram frente a frente nos estúdios da rádio, em São Paulo.
Villa, que é ligado ao PSDB, bateu na tecla de que era preciso um conhecimento do Brasil para ser um candidato à Presidência, ao que Bolsonaro respondeu: “Dilma tinha perfeito conhecimento? Lula também? Você não governa sozinho. Se governar sozinho você vai ser ditador”.
Em outro momento, Bolsonaro foi questionado sobre o dinheiro ilícito que teria recebido da JBS-Friboi e chegou a assumir que todos os partidos políticos do Brasil recebem propina, inclusive o seu.
Nas redes sociais, os internautas se dividiram sobre as impressões do debate.
Os defensores de Bolsonaro acusaram Villa de ser um péssimo entrevistador, não permitindo que o parlamentar concluísse seus raciocínios, enquanto os simpatizantes do apresentador afirmaram que o deputado é mesmo muito fraco e evasivo em suas respostas. Ou seja, um oportunista.
No geral, o debate foi marcado por falas atravessadas, baixo nível e um abraço no final.
VÍDEO:
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Posted: 23 May 2017 12:04 PM PDT
governo barrar memes michel temer
Imagem: Rafael Miguel – Capinaremos
Páginas do Facebook foram notificadas pelo Departamento de Produção e Divulgação de Imagem do Palácio do Planalto pela reprodução de memes com imagens do presidente Michel Temer.
De acordo com o jornal Zero Hora, a alegação do Planalto é que, embora as fotos feitas por canais oficiais estejam disponíveis para fins jornalísticos ou de divulgação, seria necessária a autorização prévia para o uso destes imagens para “outras finalidades“.
A notificação recebida pelas páginas ainda diz que as imagens podem ser reproduzidas somente a com citação dos créditos do autor da foto original.
O objetivo da ação seria evitar que a imagem de Temer seja associada a conteúdos humorísticos. Na última edição do programa Fantástico, da TV Globo, foram exibidos memes que fazem piadas com a atual crise política.
A página Capinaremos, uma das que apareceram no programa, foi notificada na segunda-feira. Seu criador, Sandro Sanfelice, afirmou que ficou apreensivo com a mensagem, e que tentou entrar em contato com o Palácio do Planalto. Mesmo assim, Sandro pretende continuar com os memes, e fez postagens criticando a notificação recebida pelo governo.
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Posted: 23 May 2017 11:47 AM PDT
empresa ganhou dinheiro ativos brasileiros caíram mercado financeiro
Rodrigo Vianna, Escrevinhador 
JGP Gestão de Recursos é o nome da empresa que, na contramão das principais gestoras de fundos multimercados do país, teve ganhos espetaculares ao investir pesado em dólares, poucas horas antes de a delação da JBS ser divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, em “O Globo”.
Reportagem do jornal “Valor” (que, curiosamente, também pertence à família Marinho) dá informações mais detalhadas sobre o fato, destacando que “a JGP ganhou dinheiro no dia em que os ativos brasileiros derreteram” – confira aqui o link: http://www.valor.com.br/financas/4976796/jgp-foi-destaque-de-ganho-em-meio-panico-nos-mercados
Levantamento realizado junto aos maiores fundos Multimercado do Brasil mostra que, dos 24 analisados, apenas dois (ambos operados pela JGP) tiveram ganhos no fatídico dia 18. O JGP Strategy rendeu 3,32% num único dia. O JGP Max teve ganhos de 1,68%.
A espetacular operação de compra de dólares teria ocorrido diretamente no chamado “mercado de balcão” das corretoras, já no início da noite de quarta-feira (dia 18); naquele momento, o pregão já havia sido encerrado, mas a nota de Lauro Jardim (em parte equivocada, lembremos, já que atribuía a Temer uma frase que ele não havia dito sobre Eduardo Cunha) ainda não havia sido publicada.
No mercado financeiro, circulam desde então boatos e informações desencontradas sobre supostos vazamentos de informações privilegiadas.
Operadores experientes dizem estranhar a atuação da JGP: “virou a mão no exato dia da notícia. Ou é gênio, ou então…” – é o comentário de um operador que prefere manter o anonimato.
Outros, mais maldosos, vinculam diretamente o nome de um jornalista à operação: este jornalista teria vazado informações sigilosas ao mercado. Não há por hora nenhum indício comprovado nesse sentido.
Segundo o jornal “Valor” (da Globo, repetimos), os gestores da JGP dizem que seguiram estratégia própria de empresa, e ameaçam com processos aqueles que espalham “informações falsas” sobre informações privilegiadas que possam ter municiado a milionária operação.
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Posted: 23 May 2017 11:35 AM PDT
lava jato pf moro protegeu aécio neves michel temer corrupção
Aécio Neves (reprodução)
Em 18 de outubro de 2014, no Facebook, acima de diversas fotos do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, rodeado de vistosas mulheres, o delegado de Polícia Federal, Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia Regional do Combate ao Crime Organizado (DRCOR) no Paraná, apontado pelo agente Dalmey Fernando Werlang como autor da ordem para instalar um grampo ilegal na cela que receberia o doleiro Alberto Yousseff, postou em um grupo fechado:
Este é o cara!”.
Dias depois, às vésperas do segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff, do PT, o delegado federal encarregado das investigações da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano, comentou a notícia na qual Luiz Inácio Lula da Silva dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Márcio Anselmo escreveu:
O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser”.
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Não demorou muito e o delegado Mauricio Moscardi Grillo, que em sindicância concluiu que o grampo na cela de Alberto Yousseff era inoperante, apesar de ele ter registrado 263 horas e 41 minutos de conversas – leia em Armação Federal II: “indisciplinas” do DPF Moscardi -, também deixou sua digital na campanha de Aécio. Abaixo do comentário de Márcio Anselmo, postou uma propaganda eleitoral do tucano segundo a qual Lula e Dilma sabiam de toda a corrupção do esquema da Petrobras, acrescentando:
Acorda!”.
pf lava jato protegeu aécio neves
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As postagens vieram a público em 13 de novembro daquele ano, já com a eleição definida. Foram reveladas na reportagem de Júlia Duailibi, em O Estado de S. Paulo: Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede.
Elas, mais do que possíveis transgressões disciplinares previstas na Lei 4878-65 (regime jurídico dos funcionários policiais civis da União e do Distrito Federal), demonstraram que os responsáveis pela Operação Lava Jato tinham um lado político definido. Não apenas torciam por um candidato. Faziam propaganda do mesmo.
Muito provavelmente, por conta desta falta de isenção a Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba jamais descobriu os pedidos de dinheiro, via caixa dois, feitos a empresários por Aécio Neves e/ou pela sua irmã, Andréa Cunha Neves, atualmente presa.
Não foram apenas os delegados que se denunciaram a simpatia pelo senador tucano. O próprio juiz do caso, Sérgio Moro, como registraram os fotógrafos, não se furtou em demonstrar intimidades ao cochichar com Aécio, no evento festivo em que a revista Isto É – que faz questão de se intitular Independente -, premiou o presidente golpista como “Brasileiro do Ano”, em dezembro de 2016, no Citibank Hall, na Zona Sul de São Paulo.
lava jato protegeu aécio neves sergio moro
Sérgio Moro em companhia de Aécio Neves e Michel Temer (Imagem: Pragmatismo Político)
Da mesma forma como não pareceu mero cumprimento protocolar o aperto de mão com largo sorriso no rosto com que Moro cumprimentou o presidente golpista Temer.
Foi em 19 de abril passado, na solenidade no Quartel General do Exército, em Brasília, ao receber uma condecoração militar. Ao que parece, o juiz, há muito apontado como símbolo da moralidade e honestidade no país, pouco se importou com o fato de exatamente uma semana antes, em 11 de abril, Temer ter aparecido em dois pedidos de inquérito encaminhados pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foram gerados a partir das delações dos executivos da Odebrecht.
É certo que, na época, não houve pedido de investigação contra o presidente por conta da imunidade que o cargo lhe reserva para possíveis crimes cometidos antes do exercício do mandato. Mas, desde que as delações dos executivos da Odebrecht começaram a circular, todos ficaram sabendo que o presidente golpista aparecia em episódios cujas conversas giravam em torno de Caixa 2 ou pedidos de propina, puro e simplesmente.
O presidente que Moro cumprimentou com largo sorriso no rosto é ainda o mesmo que levou ao cargo de ministro – portanto, garantiu o foro especial que o juiz condena -, oito políticos envolvidos em possíveis casos de corrupção, como demonstram investigações e/ou processos em curso no STF e também na Vara Federal de Curitiba presidida por Moro.
Apesar de todas estas evidências, a Força Tarefa da Lava Jato, que durante os últimos três anos fez e desfez, não se importou com estes casos. Esteve mais preocupada em criar teses mirabolantes, baseadas não em provas, mas em convicções, através das quais acusam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos políticos, políticos e funcionários públicos com a nomeação, enquanto presidente da República, de diretores da Petrobras orientados para a prática de crimes em benefício das empreiteiras Odebrecht e OAS”.
Provas? Não foram encontradas, mas está ai um apartamento que um dia a família pode ter pensado em comprar. Na prática, jamais houve registro de mudança na escritura, tampouco foi usado por Lula e seus familiares. Isto, porém, não importa.
Restou ainda o sítio em Atibaia, pertencente à família de Jacó Bittar, velho companheiro de sindicalismo do ex-presidente,. Este sim, frequentado pela família Lula da Silva. Ali, a corrupção que tentam impor ao ex-presidente consiste “em obras e benfeitorias (…) custeadas ocultamente pelas empresas Schahin, Odebrecht e OAS”. Ou seja, as empreiteiras que se beneficiaram de contratos na gestão de Lula, retribuíram-lhe os favores com reformas no sítio.
Obras estas, lembre-se, que foram realizadas após a saída de Lula do cargo de presidente e que, como diz a denúncia apresentada na segunda-feira (22/05) pelo Ministério Público Federal do Paraná, foram avaliadas, ao final, em R$ 1.020.500,00, incluindo os gastos das duas construtoras e do amigo de Lula, José Carlos Bumlai. Nestes benefícios estão, é claro, os pedalinhos…
Ao contrário do que se tem visto com outros políticos, incluindo Aécio e Temer, não há dinheiro em conta, não há político recebendo mala com notas de R$ 50,00, como ocorreu com o deputado Rodrigo Loures (PMDB-PR), tampouco algum primo de Lula levando dinheiro para a empresa de algum suplente de senador que ficou conhecido por conta de um helicóptero apreendido com cocaína.

O que há são convicções.

Certamente alegarão que nos casos de Aécio e Temer os envolvidos têm direito a foro especial, junto aos ministros do STF. É uma escapatória, mas foi a um deles que os delegados da Lava Jato deram apoio na disputa pela presidência da República. Sem falar no cumprimento, aparentemente efusivo, do juiz, bastião da moralidade. Isto, talvez, eles queiram esquecer.
Basta ler o texto que reproduzimos ao lado após recebê-lo de um juiz federal, para se verificar a quem os delegados apoiaram e quem foi o interlocutor dos cochichos do juiz, apontado por muitos como símbolo da moralidade.
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Posted: 23 May 2017 11:04 AM PDT
necessidade rebelar apologia critica revolução
Ramon T. Piretti Brandão*, Pragmatismo Político
A trajetória histórica padrão: revolução (à direita ou à esquerda), reação, traição e re-fundação de um governo ainda mais forte e opressivo (por favor, não compreendam a palavra opressivo apenas como sinônimo de tanques de guerra nas ruas, toques de recolher e militares carniceiros em nossas casas). Falo de algo tanto mais complexo quanto mais imperceptível. Trata-se de algo que se atualiza, que se desenvolve; trata-se do que se chama um “eterno retorno da história”, cada vez mais aprimorado, cada vez mais preciso, cada vez mais invisível e, por isso mesmo, cada vez mais presente. A regra, única regra neste eterno renascer da humanidade são as botas marchando sobre nossos corpos.
Aceitemos: o chamado “ciclo do progresso” não passa de um vício. As revoluções, por mais – ou menos – virtuosas que sejam suas ideias, não passam de uma armadilha do destino, de um pesadelo no qual, não importa o quanto lutemos, sempre seremos capturados e submetidos ao infinito ciclo da roda cármica de um eterno retorno que incuba Estados e governos.
A História nos diz que o Estado existe para garantir a permanência da cultura, das tradições e dos hábitos. No entanto, foram os levantes, as insurreições, os motins, enfim, esses movimentos que não chegam a se tornar um ciclo, os responsáveis pelas transformações estruturantes da vida cotidiana. Que seria da escravidão se não fossem os rebeldes e os inconformados transgressores da lei? Que seria da inclusão feminina na vida pública se não fossem as rebeldes e as inconformadas transgressoras da lei? A rebeldia, a rebelião, a desobediência e a transgressão das normas possuem um espaço fundamental no desenvolvimento da humanidade. Sem eles, que seríamos nós?
Se o Estado é história, então os movimentos rebeldes são o “momento proibido”, são a interrupção de uma maquinaria violenta que nos congela enquanto potência de transformação. São, portanto, esses motins os viabilizadores de uma espécie de fresta, de um rasgo, de uma rachadura que nos possibilita a busca por novas realidades possíveis; são, enfim, uma espécie de manobra xamanística que se realiza num espaço improvável, num ângulo impossível.
O Estado, através da História, busca permanência. Esses movimentos proibidos, por sua vez, são temporários. São como que “experiências de pico” quando comparadas aos padrões de normalidade da consciência e de experiência no mundo. Tal como os grandes festivais, esses movimentos não podem acontecer a todo tempo; se assim o fosse, não seriam extraordinários. Ademais, em seus relâmpagos, tais experiências proporcionam vitalidade, intensidade e potência de maneira a transformar toda uma vida individualmente. Creio, aliás, que seja este um dos motivos de a humanidade ainda permanecer viva.
É aí, então, que aquela maquinaria com suas botas bem lustradas retornam – afinal, o eterno retorno é implacável – e percebem que algo mudou, que trocas e interações ocorreram nas experiências cotidianas e que isso, efetivamente, constituiu alguma diferença.
A revolução, que muitos aguardam ainda hoje, jamais nos levou a lugar algum. Aliás, que é a revolução? Qual é sua cara, sua forma, sua cor, seu cheiro? No que foram transformados os sonhos revolucionários? Onde está o sonho anarquista? Onde estão a sociedade e a cultura livres?
Assumamos que a equação homem deu errado ou transformemos, de uma vez por todas, o mundo.
As transformações somente ganham vida nos momentos de motim. E são destruídas no instante mesmo em que o motim se torna revolução, em que a derrubada de um governo lança ao topo um “novo” governo. Quero lhes dizer, com isto, que o sonho e o ideal revolucionário já estão capturados, apropriados e, por isso mesmo, traídos. Todo o aparato bélico do Estado está apontado para o centro de nossos crânios e somente a consciência rebelde nos trará algum vigor.
Gilles Deleuze, filósofo francês, foi preciso ao analisar a figura caricata de Adolf Hitler, dizendo que ele representava algo que estava acima da própria instituição ou Estado nazista. Diz ele:
Se Hitler conquistou o poder mais do que o Estado Maior Alemão, foi porque dispunha em primeiro lugar de micro-organizações que lhe davam um meio incomparável, insubstituível de penetrar em todas as células da sociedade”.
Assim, a maquinaria moderna do Estado e dos governos, sempre sedentas e abertas a incorporar algo que a aperfeiçoe, compreendeu muito bem a experiência nazista. Com isso, transformou um Estado que se manifestava exclusivamente através de governos e instituições em algo ultra sofisticado. Hoje, o Estado sou eu, você, seus pais, filhos e todos os agentes sociais.
Você deve estar se perguntando: o que fazer, então? Bem, primeiro, assumir que a luta é desigual. O Estado nos esmaga com o mesmo esforço que nós esmagamos a uma barata. Assim, talvez, possamos nos rebelar, insurgir de modo a não confrontar o Estado frontalmente, mas pelas frestas, pelas rachaduras deixadas em aberto por Ele.
Tal como uma guerrilha, liberemos espaços de terra, de tempo, de imaginação e dissolvamo-nos entre as vísceras desde aparato para, depois, nos re-fazermos em outros espaços, antes que sejamos descobertos e que nos esmaguem. Deixemos de pensar em limites geográficos e passemos a pensar em zonas, em círculos, em becos. Que nos tornemos invisíveis tais como os mecanismos de poder contemporâneos, passando-nos desapercebidos justamente por não nos relacionarmos com o espetáculo, por não nos expormos a ele e por conduzirmos uma vida que, real, não se faz visível aos agentes da simulação.
Nosso grande trunfo estará em nossa invisibilidade. Ocultação que não se fará ver pelo Estado exatamente por não se permitir definir pela História. O instante em que aparecemos é o mesmo em que nos fazemos desaparecer, deixando um invólucro de vazio até que brotemos em outro espaço, sob outra forma e outra linguagem. Eis uma tática possível num contexto onde o Estado, que nos agride, é onipresente mas, ao mesmo tempo, repleto de fendas e rachaduras. Que sejamos, então, uma espécie de microcosmo ativo dos antigos sonhos de liberdade.
Que os levantes nômades ganhem força. Levantes que, na maioria dos casos, serão radicais a ponto de se recusarem a participar da carnificina promovida pelo espetáculo, se retirando deste território de simulação e desaparecendo.
Que os nossos ataques sejam direcionados às zonas de controle, sobretudo às ideias. Que nossa defesa resida na arte marcial, na arte oculta das artes marciais, que não se faz visível. Essa máquina de guerra nômade e praticamente incorpórea da qual lhes conclamo a fazer uso conquista sem ser notada e se move antes de ser descoberta.
Quanto ao futuro, bem, apenas o autônomo consegue planejar a autonomia, a cria-la e a se organizar para e por ela. Digamos que o primeiro passo reside na constatação de que tudo isso nasce a partir de um simples ato de percepção.
Uma postura realista e sólida frente à nossa atualidade exige que não somente desistamos de esperar pela revolução, mas, igualmente, que paremos de deseja-la.
*Ramon T. Piretti Brandão é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e colabora para Pragmatismo Político
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O post Sobre a necessidade de se rebelar: apologia ao motim, crítica à revolução apareceu primeiro em Pragmatismo Político.
Posted: 23 May 2017 10:15 AM PDT
redes de corrupção patrimônio público hospital belo horizonte
Prédio do antigo Hospital Hilton Rocha fica em área de preservação da Serra do Curral (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Karina Ribeiro*, Pragmatismo Político
Uma cirurgia para reparar um descolamento de retina pode desencadear um processo de corrupção contra o patrimônio cultural, paisagístico e ambiental de uma cidade inteira que perdura no tempo e lesa um sem número de seres. Foi o que aconteceu em 1976 em Belo Horizonte, um atentado contra a Serra do Curral.
Patrimônio tombado desde 1960, a parcela da Serra do Curral que contorna Belo Horizonte – responsável pelo nome da capital mineira – é o principal símbolo da cidade desde a sua construção. Devido às práticas predatórias das mineradoras no século XX a existência da Serra ficou comprometida, gerando assim a necessidade de preservá-la pela sua importância cultural e paisagística.
Sendo assim, quando da cirurgia dos olhos do Gen. Golbery C. e Silva, em 1976, pelo médico oftalmologista Hilton Rocha, essa área já era protegida por lei que proibia qualquer construção no terreno. Entretanto, o já citado médico, desejando a construção de um Hospital oftalmológico em região privilegiada da capital, usou de suas influências com o poderoso General e conseguiu que este acionasse o prefeito em exercício, Luiz Verano, para que ele, atropelando todas as leis vigentes no que se referia a essa área, possibilitasse a construção do Hospital. Assim, sem nenhuma autorização do IPHAN e ignorando as leis de tombamento, o médico teve seu capricho atendido por um sistema governamental corrompido que ignorava a legislação para beneficiar poucos privilegiados que tinham acesso direto aos governantes.
Com as preocupações concernentes ao meio ambiente entrando cada vez mais em pauta, a Serra do Curral, além de patrimônio cultural e paisagístico, se tornou também patrimônio ambiental. Em 1996 a região onde se insere o Instituto Hilton Rocha foi classificada como Zona de Proteção Ambiental (ZPAM). “ZPAMs são regiões que (…) destinam-se à preservação e à recuperação de ecossistemas, visando garantir espaço para a manutenção da diversidade das espécies e propiciar refúgio à fauna, proteger as nascentes e as cabeceiras de cursos d`água e evitar riscos geológicos.” [1]
A Serra do Curral é parte fundamental do corredor ecológico entre a Mata da Baleia e o Parque do Rola Moça existindo ali nascentes, vegetação e fauna nativas que dependem desse corredor para sua existência, sem ele o equilíbrio ecológico fica comprometido podendo levar à falência desse ecossistema. A conservação ambiental da região é também de extrema importância visto que a permeabilidade de suas frágeis encostas íngremes é fundamental para a alimentação de aquíferos e para o escoamento das águas de chuvas.
Essa reserva ambiental ameniza também o calor que se concentra na capital. Ela garante a circulação, a filtragem e a melhoria do ar da cidade.
Entretanto, apesar de toda a legislação que a protege, a região foi se tornando cada vez mais atrativa, tanto para as mineradoras quanto para a expansão imobiliária. Um exemplo disto é o bairro Belvedere III. “Este loteamento foi requerido e efetivado em 05/12/1988 e não obteve a anuência do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do município de Belo Horizonte.” [2] Contrariando tal indeferimento, as construções de prédios prosseguiram sem levar em consideração o tombamento da área, ultrapassando limites de altura, ignorando os aspectos das fachadas e ocupando terreno que não poderia ser ocupado.
Para além das ocupações na cidade de Belo Horizonte, os ataques a esse patrimônio seguem também nos municípios vizinhos, principalmente em Nova Lima, em bairros visados pelas classes A e B, como Vila da Serra e Vale do Sereno, onde as edificações ultrapassam a crista da Serra e modificam o seu contorno. [3]
As mineradoras também ultrapassaram limites, conseguindo de alguma forma influenciar governos para legislarem em seu favor. Por exemplo, nos anos 1970, as atividades da empresa MBR em um projeto chamado Mina de Águas Claras adentrou região antes tombada e deformando a fisionomia da Serra que passou a apresentar um rebaixamento do relevo em sua encosta voltada para Nova Lima. [4]
As antenas de telecomunicações também deixaram suas marcas a despeito do tombamento da região. Várias delas se espalharam pelo local transfigurando a silhueta da Serra.
A despeito de toda essa devastação que vem acontecendo com o consentimento do poder público, em 2017 a Serra do Curral consegue ainda se mostrar como símbolo da nossa capital e cumprir sua função de reserva ambiental, amenizando o calor e melhorando o ar para os cidadãos da região.

Mas os riscos continuam.

Começamos essa análise falando do jogo de corrupção que permitiu a construção do Hospital Hilton Rocha na área de preservação em 1976. Entretanto, após a morte de seu fundador, o Instituto entrou numa espiral de dívidas que levou ao seu fechamento. O prédio, hoje, encontra-se em ruína. Este seria o momento onde dizemos: “Ufa, agora poderemos recuperar o terreno, certo?” Errado… Mais uma vez uma rede manobras está conseguindo colocar dentro da lei um projeto que não só se instalará nesse edifício como também quase duplicará sua estrutura.
Trata-se de um centro de tratamento de câncer a ser construído pela ONCOMED que, em leilão, arrematou o antigo Hospital Hilton Rocha. Gostaria de deixar claro que não existe oposição em relação à construção desse novo centro. Um polo de tratamento de câncer seria motivo de comemoração, não fosse a infeliz ideia de incrustá-lo no meio de um patrimônio tombado e protegido por lei, além de historicamente tão fragilizado, a Serra do Curral. Os danos causados por tal empreendimento nesse local de vulnerável harmonia seriam imensuráveis.
Apesar das características inovadoras e ecológicas do projeto arquitetônico para o novo Hospital, em uma região de tão frágil equilíbrio não existe nenhuma construção de tal porte que possa ter impacto zero (estamos falando de uma reserva ambiental já extremamente degradada, que precisa na verdade de ser recuperada). Trata-se de uma obra de 36.844,88m2, 18.266,11m2 a mais que a atual ruína do Instituto. Em altura, teríamos um prédio de 18,95m: 6 pavimentos, mais cobertura. Ainda que o novo edifício seja feito nas mais modernas normas de mimetismo com a paisagem é impossível uma obra de tal envergadura não descaracterizar a visibilidade da Serra do Curral e todo o valor cultural e paisagístico que ela agrega.
Ou seja, aquilo que já estava irregular desde 1970 será ampliado e consolidado.
Lembrando que para isto os negociadores da empresa se valeram de várias alterações na legislação para que esta se adaptasse aos anseios do projeto, senão este nunca teria sido aprovado. [5]
Quanto aos impactos ambientais, estes seriam ainda mais graves. Ainda que a obra se desenvolva nos mais modernos padrões de sustentabilidade, o abalo causado por um Hospital de tal porte no meio ambiente são enormes.
Existem equipamentos que estarão em operação ininterrupta gerando ruído constante. Se analisarmos ainda aspectos básicos como o descarte do lixo feito pelos clientes fora da área hospitalar concluiremos que a forma com que procedem nas adjacências não é do controle do Hospital.
Esse tipo de obra desencadeia também alteração do coeficiente de escoamento superficial do terreno, supressão da vegetação existente, afugentamento da fauna existente, assoreamento de cursos d’água, emissão de gases etc. [6]
Os problemas ambientais relativos especificamente a hospitais são ainda mais grave. Existe uma enormidade de produtos químicos tóxicos que serão descartados ininterruptamente, em um hospital para tratamento de câncer, existem ainda produtos radioativos e teratogênicos que estarão sempre presentes no meio ambiente. Hoje a ONCOMED diz garantir o correto descarte de todo esse material, mas não podem nos garantir risco zero de acidentes. Não podem nos garantir que no futuro a manutenção seja tão eficiente como a do momento da inauguração e não sabemos nem mesmo se será a mesma empresa que administrará o centro. Qualquer irregularidade ou descuido na manipulação, uso, descarte ou armazenamento desses materiais representa uma grave ameaça a esse meio ambiente que é importante zona de recarga de aquíferos que abastecem tanto a capital mineira como outros municípios com o bem mais precioso à vida: água.
E os problemas desse empreendimento não terminam por aí. Como foi visto acima, essa região sofre há décadas com a ocupação irregular. A chegada de um polo hospitalar levará esse drama ao seu ápice. Toda a região, incluindo as áreas adjacentes também tombadas e protegidas, será alvo de especulação imobiliária, ocupações clandestinas, desmatamento etc. que estarão completamente fora do controle e da responsabilidade da ONCOMED. Atividades hospitalares fomentam a economia da região com a chegada de uma série de indústrias, instituições comerciais, entre outras atividades que se estabelecerão no local trazendo consigo o consumo e descarte de produtos danosos tais como mercúrio, cloretos etc. Inclua-se a esses impactos o excessivo e ininterrupto transito de pessoas e automóveis, a poluição, o barulho etc. que esse polo econômico trará consigo prejudicando toda a fauna, flora e meio ambiente em geral. O estabelecimento desse centro de tratamento do câncer na Serra do Curral será o elemento catalisador que faltava para levar à destruição esse patrimônio tão caro aos belo-horizontinos e a toda Minas Gerais.
Concluo então, que a única medida que poderá preservar esse patrimônio tombado será a demolição do atual Instituto Hilton Rocha – medida aconselhada pelo ex-diretor do Iphan, C. Magalhães Alves – permitindo uma real revitalização dessa área em consonância com a legislação vigente e com o direito dos cidadãos a um meio ambiente equilibrado.
Quanto ao Hospital de tratamento do câncer, anseio sinceramente que ele venha existir com as mesmas características sustentáveis que o norteiam hoje, mas em alguma localidade adequada a sua implementação. E por que não fora da capital, descentralizando o acesso ao tratamento de saúde de ponta e fomentando o desenvolvimento de novas áreas do estado de Minas Gerais? A descentralização é hoje uma realidade internacional que incentiva a redistribuição de renda e avanços sociais de uma maneira mais igualitária e justa. A ONCOMED poderia, então, reforçar esse compromisso social e se instalar em regiões que ofereceriam a ela espaço adequado e uma infinidade de possibilidades que a capital já asfixiada não pode lhe prover.
*Karina Ribeiro é historiadora e colaborou para Pragmatismo Político.
Referências:
[1] ACP Serra do Curral – Construção em área tombada. p.5
[2] NOVAIS, Andrea L. M.; GUIMARAES, Gerusa G. Fragilidade do instrumentode tombamento da Serra do Curral. 3 ̊ Colóquio Ibero-americano: Paisagem cultural, patrimônio e projeto, 2014. p. 13.
[3] NOVAIS, Andrea L. M.; GUIMARAES, Gerusa G. Fragilidade do instrumentode tombamento da Serra do Curral. 3 ̊ Colóquio Ibero-americano: Paisagem cultural, patrimônio e projeto, 2014. p. 14
[4] Idem. p. 4
[5] ACP Serra do Curral – Construção em área tombada. p.10.
[6] Idem
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