quarta-feira, 31 de maio de 2017

31/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 31 May 2017 12:05 PM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Desde que o Brasil entrou neste desvão des-democratizante, como disse a Chauí lá em Paris, fala-se na frente de esquerdas mas ela não sai. Diferenças aqui, ressentimentos ali, e a crise vai cavando seu fosso. Agora, quando o governo ilegítimo literalmente apodrece e as oligarquias políticas tramam uma “saída pelo alto” conservadora, com a escolha indireta de um síndico substituto, um passo foi dado, com a criação de uma frente parlamentar suprapartidária pró-diretas. Aliás, isso aconteceu com o bom impulso dado pelo povo do Rio de Janeiro, ao realizar no domingo, 28, aquele grande ato pelas diretas em Copacabana. As centrais sindicais, de sua parte, estão programando nova greve greve geral para o final de junho.

A Frente Parlamentar Mista pelas “Diretas-já”, criada na segunda-feira, poderia ser um embrião da frente de esquerda mais estratégica, que considere a unidade em torno de um só candidato a presidente, seja este ano ou seja em 2018. Mas ainda que não chegue a tanto, será um avanço se conseguir funcionar como comitê unitário para impulsionar o movimento Fora Temer e por Diretas este ano, não para eleger presidente-tampão, mas como antecipação do pleito do ano que vem.

A Frente Parlamentar Mista Pelas Diretas reúne deputados e senadores do PSB, PT, PDT, PCdoB, PSOL e REDE, que criaram a Frente Parlamentar Mista Pelas “Diretas Já”. Seu propósito é contribuir e impulsionar iniciativas da própria sociedade para a criação de uma campanha massiva em favor das eleições diretas para presidente ainda este ano, o que exige mudança constitucional. A campanha de 1984 só deslanchou quando foi criada uma coordenação nacional suprapartidária, com integrantes do PMDB, PT, PDT, que eram os partidos mais importantes da resistência à ditadura naquele momento. Agora, esta frente parlamentar pode evoluir no sentido de criar uma coordenação parecida, para organizar os atos e nacionalizar a campanha. 

Em 1984, os governadores da oposição, como Franco Montoro, Brizola, José Richa, entre outros, foram fundamentais. Eles garantiram a infraestrutura necessária nos estados. Hoje, são em número bem menor mas é importante que sejam integrados a esta frente governadores como Flavio Dino (PC do B-MA), Tião Viana (PT-AC), Wellington Dias (PT-PI), Ricardo Coutinho (PSB-PB), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Rui Costa (PT-BA).

Na reunião, foi aprovado o símbolo da campanha, que será o mesmo utilizado na memorável campanha de 1984, criado pelo artista plástico Henfil, agora nas cores verde, amarelo e azul.

Participaram do encontro inaugural os presidentes do PT, Rui Falcão; do PDT, Carlos Lupi; do PCdoB, deputada Luciana Santos; do PSOL, Luís Araújo e Bazileu Margarido e José Gustavo, representando a direção da REDE; e o senador João Capiberibe, representando o PSB. Estiveram presentes, também, os senadores Lídice da Mata, do PSB; Acir Gurgacz, do PDT; Vanessa Graziotin, do PCdoB; e Paulo Rocha e José Pimentel, do PT; e os deputados Carlos Zaratini, José Guimarães e Márcio Macedo, do PT.
Posted: 31 May 2017 11:53 AM PDT
Do site do FNDC:

Liberdade de expressão não é salvaguarda para discursos de ódio, disseminação de preconceito e crimes de qualquer natureza. Por isso, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação vem a público prestar solidariedade à deputada Maria do Rosário, histórica defensora dos direitos humanos, e repudiar o discurso misógino, autoritário e criminoso do pseudo-comediante Danilo Gentili em vídeo publicado no Facebook nesta segunda-feira (29/5).

No vídeo, Gentili rasga uma notificação enviada pela deputada, esfrega os retalhos de papel na genitália, coloca de volta no envelope e orienta a parlamentar a "abrir a bunda e enfiar". Antes do espetáculo de mau gosto, Gentili destaca a parte da palavra "deputada", deixando à mostra somente "puta", numa clara adjetivação misógina. Em seu Twitter, a deputada informou que processará o "humorista", qualificando-o como "machista e autoritário".

Ao idealizar e propagar a campanha Calar Jamais!, de denúncias às violações à liberdade de expressão, o FNDC se coloca ao lado de jornalistas, comunicadores, blogueiros, intelectuais, estudantes, professores, militantes e ativistas de causas populares que enfrentam as mais diversas formas de censura e ataques à sua liberdade de expressão por parte do Estado e suas instituições, nas três esferas de poder, e também por parte da iniciativa privada, especialmente após o golpe articulado com ajuda dos setores mais obscuros da sociedade.

A defesa da liberdade de expressão e a luta por uma comunicação democrática são essenciais para a democracia. O FNDC reitera, no entanto, que não há nada de democrático em usar espaços em emissoras de rádio e televisão, que são concessões públicas, ou aproveitar a projeção destes meios, para incitar o ódio, ofender publicamente quem quer que seja. O exercício da liberdade de expressão e de imprensa requer responsabilidade.

A atitude de Danilo Gentili comprova a nocividade de uma mídia partidária e tendenciosa, que ano após ano faz florescer na população um sentimento de ódio e desprezo a todos os que atuam no campo da defesa dos direitos humanos e das minorias. Atitudes que não guardam qualquer relação com a liberdade de expressão. Esperamos que o poder Judiciário e o próprio Executivo não façam vistas grossas ao crime cometido por ele.

#CalarJamais
#MachistasFascistasNãoPassarão

Brasília, 30 de maio de 2017
Posted: 31 May 2017 11:46 AM PDT
Por Bjarke Skærlund Risager, no site Outras Palavras:

Autor de numerosas outras obras, o geógrafo britânico David Harvey publicou em 2005 o livro Uma Breve História do Neoliberalismo [1], que marcou época pela análise desse novo modo de dominação capitalista. A entrevista que reproduzimos aqui foi realizada pela Jacobin.

Um excerto de sua Breve História do Neoliberalismo, portanto do Estado neoliberal, pode ser lido em Contretemps. Podemos igualmente consultar este artigo [em francês] de Razmi Keucheyan, que lembra a trajetória e originalidade intelectual do geógrafo marxista estadunidense.

Neoliberalismo é um termo maciçamente utilizado em nossos dias. Mas aquilo que as pessoas projetam nele é bastante turvo. Em seu uso mais sistemático, ele se refere a uma teoria, uma paleta de ideias, uma estratégia política ou um período histórico. Você poderia começar dando sua interpretação de neoliberalismo?

Sempre disse que o neoliberalismo era um projeto político lançado pela classe capitalista quando ela se sentiu muito ameaçada, política e economicamente, do fim dos anos 1960 até os anos 1970. Eles queriam desesperadamente apresentar um projeto político que reduzisse a força da classe operária.

A classe capitalista ficou então verdadeiramente com medo e se perguntou o que fazer. Ela não era onisciente, mas sabia que havia um certo número de frentes nas quais devia lutar: o front ideológico, o front político e acima de tudo a necessidade de reduzir por todos os meios possíveis o poder da classe trabalhadora. É a partir de lá que emergiu o projeto político que chamarei de neoliberalismo.

Poderia nos dizer um pouco mais a propósito dos fronts político e ideológico, assim como os ataques contra o mundo do trabalho?

No front ideológico, isso consistia em seguir o conselho de um cara chamado Lewis Powell, que havia escrito um memorando dizendo que as coisas haviam ido longe demais e que o capital precisava de um projeto coletivo. Essa nota ajudou a mobilizar a Câmara de Comércio e a Távola Redonda dos negócios. As idéias tinham então sua importância. Essa gente pensava que era impossível organizar as universidades porque elas eram muito progressistas; e o movimento estudantil, forte demais. De repente, eles montaram todos esses grupos de reflexão, think tanks como o Instituto Manhattan, as fundações Ohlin ou Heritage. Esses grupos levaram adiante as idéias de Friedrich Hayek, de Milton Friedman e da economia da oferta.

O plano era que esses think tanks fizessem pesquisas sérias […] que seriam publicadas de maneira independente, influenciariam a imprensa e fariam pouco a pouco o cerco das universidades. Esse processo tomou um tempo. Penso que eles estão agora num ponto em que não têm mais necessidade de coisas como a fundação Heritage. As universidades foram amplamente penetradas pelos projetos neoliberais que as cercam.

No que diz respeito ao trabalho, o desafio consistia em tornar competitivo o custo do trabalho local em relação ao custo do trabalho globalizado. Uma solução teria sido demandar mão de obra imigrante. Nos anos 1960, por exemplo, os alemães apelaram aos turcos, os franceses aos magrebinos e os ingleses aos trabalhadores originários de suas antigas colônias. Mas isso havia criado muito descontentamento e agitação social.

Desta vez, os capitalistas escolheram outra via: exportar o capital de onde havia uma força de trabalho mais cara. Mas para que a globalização funcionasse, era preciso reduzir as tarifas e reforçar o capital financeiro, pois esta é a forma de capital mais móvel. O capital financeiro e o fato de tornar as moedas flutuantes tornaram-se essenciais para conter a classe operária. Ao mesmo tempo, os projetos de privatização e de desregulação criaram desemprego. Portanto, desemprego no interior do país e deslocalizações para fora, assim como um terceiro componente, as mudanças tecnológicas, a desindustrialização por meio da automação e da robotização. Esta foi a estratégia para triturar a classe operária.

Depois da publicação, em 2005, da Breve história do neoliberalismo, muito foi escrito sobre esse conceito. Parece haver principalmente dois campos: os pesquisadores que estão mais interessados na história intelectual do neoliberalismo e as pessoas que são sobretudo preocupadas com o “neoliberalismo realmente existente”. Onde você se situa?

Existe uma tendência nas ciências sociais, à qual eu tento resistir, que consiste em procurar uma fórmula mágica para explicar um fenômeno. Há assim uma série de pessoas dizendo que o neoliberalismo é uma ideologia e que escrevem uma história idealizada sobre ela. Um exemplo é o conceito de Foucault de “governabilidade” [designando uma presumível racionalidade própria à função de governar – nota do tradutor] que vê tendências neoliberais já presentes no século XVIII. Mas se vocês tomam o neoliberalismo unicamente como uma ideia ou um pacote de práticas limitadas de “governabilidade”, encontrarão numerosos precursores.

O que falta aqui é a maneira como a classe capitalista desenvolveu seus esforços durante os anos 1970 e o início dos anos 1980. Penso que é justo dizer que nessa época, ao menos no mundo anglo-saxão, ela se unificou de modo suficiente. Os capitalistas se colocaram de acordo sobre muitas coisas, como a necessidade de forças políticas que realmente os representem.

Esse período caracteriza-se por uma grande ofensiva em várias frentes, ideológicas e políticas, e a única maneira de explicá-la é reconhecer o alto nível de solidariedade da classe capitalista. O capital reorganizou seu poder numa tentativa desesperada de reencontrar sua prosperidade econômica e sua influência, que havia sido seriamente enfraquecido do fim dos anos 1960 até os anos 1970.

Houve várias crises desde 2007. Como o conceito e a história do neoliberalismo podem nos ajudar a compreendê-las?

Houve muito poucas crises econômicas entre 1945 e 1973. Nesse período, atravessamos problemas sérios mas não grandes crises. A virada para as políticas neoliberais operou-se no decorrer dos anos 1970 no quadro de uma crise severa, e todo o sistema sofreu depois uma série de outras crise. Bem entendido, estas produzem, a cada vez, todas as condições para crises futuras.

Entre 1982 e 1985, houve também a crise da dívida no México, no Brasil, no Equador e, no fundo, de todos os países em desenvolvimento, inclusive a Polônia. Em 1987-1988, vimos nos Estados Unidos uma grande crise de empresas de poupança e empréstimo; depois uma enorme crise em 1990 na Suécia, onde todos os bancos tiveram de ser nacionalizados; e por certo a Indonésia e o Sudeste asiático em 1997-1998, antes que a crise se espalhasse para a Rússia e depois para o Brasil e a Argentina em 2001-2002. Houve enfim problemas nos Estados Unidos em 2001, que foram tirando dinheiro na Bolsa de Valores para injetar no mercado imobiliário. Em 2007-2008, o mercado imobiliário implodiu, e isso foi uma grande crise. Você pode olhar um mapa do mundo e visualizar as crises percorrendo o planeta.

O conceito de neoliberalismo é útil para compreender esses fenômenos. Uma das grandes mudanças do neoliberalismo, em 1982, foi livrar o Banco Mundial e o FMI todos seus keynesianos. Eles foram substituídos por teóricos neoclássicos da oferta e a primeira coisa que estes decidiram é que doravante o FMI seguiria, em face de todas as crises, uma política de ajuste estrutural.

Em 1982, o México viveu uma crise da dívida. O FMI disse “nós vamos salvá-los”. De fato, eles salvaram os bancos de investimento novaiorquinos e impuseram políticas de austeridade. Como resultado das políticas de ajuste estrutural do FMI, a população mexicana sofreu uma perda de poder de compra da ordem de 25% nos quatro anos que se seguiram a 1982. Depois, o México sofreu quatro outros ajustes estruturais. Numerosos países conheceram mais de um. Essa prática tornou-se clássica.

O que fazem hoje na Grécia? É quase uma cópia do que fizeram no México em 1982. E é também o que se passou nos Estados Unidos em 2007-2008. Eles resgataram os bancos e fizeram a população pagar a conta através das políticas de austeridade.

Haverá qualquer coisa, nas crises recentes e no modo como elas foram geradas pelas classes dirigentes, que o faria hoje rever sua teoria do neoliberalismo?

Bem, não creio que a solidariedade da classe capitalista seja hoje o que era então. Em nível geopolítico, os Estados Unidos não estão mais na posição de conduzir a dança como faziam nos anos 1970.

Penso que assistimos a uma regionalização das estruturas globais de poder no seio do sistema dos Estados, com hegemonias regionais como a da Alemanha na Europa, do Brasil na América Latina ou da China no Leste da Ásia. Evidentemente, os Estados Unidos conservam uma posição dominante, mas os tempos mudaram. Trump pode comparecer ao G20 e dizer “devemos fazer isso”, e Angela Merkel lhe responder “não o faremos”, o que era inimaginável nos anos 1970. A situação geopolítica está, portanto, regionalizada, e há mais autonomia. Penso que é em parte um resultado do fim da guerra fria. Países como a Alemanha não dependem mais da proteção dos Estados Unidos.

Aliás, isso que chamamos “a nova classe capitalista” de Bill Gates, da Amazon e do Vale do Silício têm uma política que difere da dos gigantes tradicionais do petróleo e da energia. O resultado é que cada um tenta seguir seu próprio caminho, o que leva a conflitos entre por exemplo a energia e as finanças, a energia e o Vale do Silício etc. Existem sérias divergências sobre temas tais como as mudanças climáticas, por exemplo.

Um outro aspecto que me parece crucial é que o impulso neoliberal dos anos 1970 não foi imposto sem fortes resistências. Houve importantes reações da classe trabalhadora, dos partidos comunistas na Europa etc. Mas eu diria que ao final dos anos 1980 a batalha havia sido perdida. E como a classe trabalhadora não tem mais o poder de que dispunha àquela época, a solidariedade no seio da classe dirigente não é mais também necessária. Não há mais uma séria ameaça vindo de baixo. A classe dirigente se vira muito bem e não tem muita coisa a mudar.

Se a classe capitalista se arranja bem, em contrapartida o capitalismo vai bastante mal. As taxas de lucro se recuperaram, mas as taxas de reinvestimento são extremamente baixas. Por isso, um monte de dinheiro não retorna para a produção mas é dedicado à conquista de terras ou à compra de ativos.

Falemos um pouco mais das resistências. Em seu trabalho, você insiste no fato, aparentemente paradoxal, de que a ofensiva neoliberal se desenvolveu paralelamente a um declínio na luta de classes, pelo menos no Norte, em favor de “novos movimentos sociais” pela liberdade individual. Poderia explicar como o neoliberalismo gerou certas formas de resistência?

Aqui está uma questão a meditar: o que faz com que cada modo de produção dominante, com sua configuração politica particular, crie um modo de oposição que se constitui em seu reflexo? À época da organização fordista da produção, o reflexo era um movimento sindical centralizado e partidos políticos baseados no centralismo democrático. À época neoliberal, a organização da produção para uma acumulação flexível produziu uma esquerda que é também, na verdade, seu reflexo: trabalho em redes decentralizadas, não hierarquizados. Penso que é muito interessante. E até certo ponto, o reflexo do espelho valida o que tentava destruir. O movimento sindical, assim, sustentou o fordismo.

Penso que neste momento muita gente à esquerda, sendo muitos autônomos e anarquistas, reforçam na verdade o neoliberalismo em seu jogo final. Muita gente de esquerda não quer saber dessa afirmação. Mas a pergunta que se coloca é, evidentemente: haverá um meio de se organizar que não seja no espelho do neoliberalismo? Podemos quebrar esse espelho e organizar qualquer outra coisa, que não jogue o jogo do neoliberalismo?

A resistência ao neoliberalismo pode assumir diversas formas. No meu trabalho, ressalto o fato de que o lugar de realização do valor é também um ponto de tensão. O valor é produzido no processo do trabalho, e é um aspecto muito importante da luta de classes. Mas o valor se realiza no mercado através da venda, e uma boa parte da política tem aí seu lugar. Uma grande parte da resistência à acumulação do capital se exprime não somente no lugar de produção, mas também através do consumo, na esfera da realização do valor.

Tome a indústria de automóveis: grandes fábricas podiam antes empregar cerca de 25 mil pessoas, e hoje empregam 5 mil porque a tecnologia reduziu a necessidade de trabalhadores. O trabalho encontra-se assim cada vez mais deslocado da esfera da produção para a esfera da vida na cidade. O principal centro de insatisfação, no quadro das dinâmicas capitalistas, desloca-se para a esfera de realização do valor, para as políticas que têm impacto na vida cotidiana na cidade. Os trabalhadores evidentemente preocupam-se com um monte de coisas. Se nos encontramos em Shenzhen, na China, as lutas no quadro do processo de trabalho são dominantes. E nos Estados Unidos teríamos apoiado a greve de Verizon [2] por exemplo.

Mas em vários pontos, o que domina são as lutas em torno da qualidade da vida cotidiana. Vejam as grandes lutas dos dez a quinze últimos anos. Um conflito como o do Parque Gezi, em Istambul, não foi uma luta trabalhista. O descontentamento tinha a ver com a política cotidiana, a falta de democracia e o modo de tomar decisões. Nos levantes ocorridos das cidades brasileiras, em 2013, foram também os problemas da vida cotidiana os detonadores: os transportes e as despesas suntuosas para a construção de grandes estádios em detrimento de escolas, hospitais e moradias acessíveis. Os levantes a que assistimos em Londres, em Paris ou em Estocolmo não estavam ligados ao processo de trabalho, mas à vida cotidiana.

Nesse terreno, a política é muito diferente daquela que é implementada no local de produção. Na produção, o conflito opõe claramente o capital ao trabalho. As lutas pela qualidade de vida são menos claras em termos de configuração de classe. As políticas claramente de classe, que procedem em geral de uma compreensão do processo de produção, tornam-se teoricamente mais vagas à medida que se tornam mais concretas. Elas expressam uma disputa entre classes, mas não no sentido convencional.

Você acha que se fala demais de neoliberalismo e não o suficiente de capitalismo? Quando é mais apropriado usar um ou outro desses termos, e quais são os riscos de confundi-las?

Muitos liberais clássicos dizem que o neoliberalismo foi longe demais em termos de desigualdade de renda, que todas essas privatizações foram longe demais e que há numerosos bens comuns a proteger, como o meio ambiente. Há também modos de falar do capitalismo, como quando falamos de uma economia de partilha, que na verdade acaba por ser extremamente capitalista e exploradora.

Há a noção de capitalismo ético, que significa apenas ser razoavelmente honesto ao invés de roubar. Algumas pessoas pensam que é possível uma reforma da ordem neoliberal em direção a uma outra forma de capitalismo. Penso que talvez haja uma forma de capitalismo melhor que essa que existe hoje – mas não tão melhor. Os problemas fundamentais tornaram-se agora tão profundos que, sem um vasto movimento anticapitalista, será de fato impossível chegar até eles. Gostaria então de colocar as questões atuais em termos de anticapitalismo, em vez de antineoliberalismo. E quando ouço as pessoas falarem sobre neoliberalismo, me parece que o perigo é acreditar que não é o próprio capitalismo, de uma forma ou de outra, que está em questão.

Notas

[1] Publicado pela Oxford University Press. https://www.amazon.com.br/Brief-History-Neoliberalism-David-Harvey/dp/0199283273

[2] Sete semanas de greve nessa gigante das telecomunicações possibilitaram obter 10,5% de aumento de salários em três anos para 36 mil assalariados e a contratação de 1.400 pessoas até 2019.

* Publicado originalmente na Jacobin. Tradução de Inês Castilho.
Posted: 31 May 2017 11:38 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

Na segunda-feira (29) foi lançado em São Paulo o Plano de Emergência da Frente Brasil Popular, baseado em dez pontos que envolvem a redemocratização do país e a retomada do desenvolvimento.

É um programa emergencial que destaca as dimensões fundamentais da crise, e que foi reforçado com a apresentação, no Congresso Nacional, da Frente Parlamentar Mista pelas Diretas Já formada por representantes do PT, PSB, PDT, PCdoB, Psol e Rede. São as dimensões política e econômica da luta em curso no cenário brasileiro.

São iniciativas muito importantes nesta conjuntura de grande agravamento da crise política, e do enorme crescimento do reconhecimento da ilegitimidade do governo golpista, chefiado pelo usurpador Michel Temer, que é desaprovado por mais de 86% dos brasileiros, mostram as pesquisas de opinião.

A agenda antinacional e antipovo do governo ilegítimo de Michel Temer levou o Brasil a um retrocesso de décadas. Ele se traduz na multidão de desempregados que criou e na paralisia de empresas brasileiras, entre elas a indústria de construção naval e pela paralisia das encomendas do governo que incentivam e fortalecem empresa brasileira.

Na pauta do governo e de sua base o Congresso Nacional continuam as reformas antipopulares, com destaque para a trabalhista e a previdenciária. É um escárnio, mas estes setores desconsideram o fato do governo oriundo do golpe ser alvo do mais pofundo desprezo da população e das reformas em questão serem amplamente rechaçadas.

Os dez pontos são muito importantes, porque vão cumprindo o papel de unir os setores progressistas, conformando uma agenda capaz de tirar o país do caos econômico e social no qual o golpe nos jogou.

Para além deste debate que vai esboçando um programa é preciso ampliar a luta pelas diretas. Nela devemos buscar agrupar todos, independentemente de suas posições programáticas. A questão nodal desta batalha se resume a um ponto: é decisivo que povo se pronuncie em um novo pleito, que dote o regime político da legitimidade perdida com o golpe de 2016.

Hoje, independentemente do balanço que se tenha do que ocorreu no último período, cresce a percepção de que o governo atual e mesmo um sucedâneo que não seja fruto do voto popular não tem legitimidade para realizar qualquer tipo de reforma.

Convocadas as novas eleições, cada força política e social, cada frente de partidos que se forme, terá a oportunidade de apresentar as suas proposições para o povo, que poderá decidir o futuro do país de forma soberana.
Posted: 31 May 2017 11:29 AM PDT
Por Augusto C. Buonicore, no site da Fundação Maurício Grabois:

A Paula Beiguelman

“Em São Paulo só não ganha dinheiro quem não trabalha, só é pobre quem é vadio.” (Correio Paulistano, junho/1917)

Um operário morreu, e agora?

A situação era tensa. Um grupo de operários chegou à porta do cotonifício Crespi e conclamou os trabalhadores a aderirem ao movimento grevista, que tinha se iniciado havia dias. A polícia, decidida a não permitir piquetes, interveio violentamente. O saldo do conflito: um morto. A vítima chamava-se José Ineguez Martinez, era sapateiro e tinha apenas 21 anos. Depois deste dia São Paulo não seria mais a mesma.

Numa fria manhã de julho, dia 11, uma multidão de cerca de 10 mil pessoas caminhou lentamente pelas principais ruas da cidade paralisada, numa última homenagem ao operário assassinado. As bandeiras vermelhas e negras tremulavam entre choros e sentimentos de vingança. A São Paulo proletária estava nas ruas, nunca se tinha visto aquilo antes.

O cortejo fúnebre seguiu lento pelo aterro do Carmo – hoje continuação da Avenida Rangel Pestana –, tentando se dirigir ao Palácio do Governo, mas foi impedido pela polícia. Seguiu então pela Rua Floriano Peixoto até a praça XV de Novembro. De repente, a multidão parou e só se ouviu um grito: “Libertem Nalepinsk! Libertem Nalepinsk!”.

Nalepinsk, outro sapateiro, preso por ter denunciado o assassinato de Martinez. Uma comissão se deslocou até a Secretaria da Justiça estadual para exigir a sua libertação. O delegado-geral, acuado, prometeu soltá-lo logo após o enterro. Uma vitória. A primeira. A multidão avançou e chegou à Praça da Sé. Agora era a vez dos discursos. O cortejo então seguiu para o cemitério do Araçá, sua última parada.

Ali, diante do túmulo de Martinez, os oradores se revezavam. Eram homens e mulheres do povo. Na voz traziam a indignação e a revolta. “Soldados, não deveis perseguir vossos irmãos de miséria. A fome reina em nossos lares, e os nossos filhos nos pedem pão. Os perniciosos patrões contam, para sufocar as nossas reclamações, com as armas de que vos armaram (...). Soldados! Recusai-vos ao papel de carrascos.”. Parte da assistência chorava. Nem mesmo os soldados, escalados para vigiar o movimento, contiveram-se. Notava-se que alguns deles enxugavam os olhos com as mangas de suas fardas. Um operário morreu, e agora?

Produzir, produzir, deve ser o lema dos paulistas

Ser operário naqueles dias não era nada fácil, nunca foi. Trabalhava-se em média 14 horas diárias, sem férias, sem descanso semanal remunerado e sem nenhum tipo de assistência pública. Para eles apenas o trabalho. “Produzir, produzir, deve ser o lema dos paulistas”, afirmava a imprensa burguesa. Mas, produzir para quem? Começavam a se perguntar os operários.

Por todo este trabalho, recebiam parcos salários que não eram o suficiente para o sustento de suas famílias – o que levava mulheres e crianças a se empregarem nas fábricas, submetendo-se às mesmas condições de trabalho dos homens e recebendo menores salários. Os locais de trabalho eram insalubres, as jornadas longas, sem horário para as refeições, que eram feitas ao lado das máquinas. Afinal, São Paulo não podia parar. “Oh! Pobre dos proletários!”, dizia uma canção anarquista.

Em 1912, 67% dos trabalhadores têxteis eram mulheres. Em 1918, mais de 50% do operariado fabril eram constituídos de menores de idade, como podemos constatar neste trecho de artigo publicado em um jornal da época: “Assistimos a entrada de cerca de 60 menores, às 7 horas da noite (...). Essas crianças saem às 6 horas da manhã. Trabalham, pois, 11 horas a fio em serviço noturno, apenas com um descanso de 20 minutos (...). O pior é que elas se queixam de serem espancadas pelo mestre de fiação (...). Alguns apresentam mesmo ferimentos produzidos por uma manivela. Trata-se de crianças de 12, 13 e 14 anos.”.

O custo de vida aumentava dia a dia. Em 1916, os gêneros alimentícios subiram mais de 60%, sem que houvesse qualquer reajuste salarial. Começavam a faltar alimentos e toda a produção nacional era vendida à Europa, que estava em guerra. A fome batia às portas das famílias dos trabalhadores. É neste contexto dramático que teve início a onda da greve que abalaria o país.

Em julho de 1917, o que parecia mais uma simples greve – como outras tantas que já haviam ocorrido desde o começo do século – acabou por desembocar no maior movimento de contestação operária da historia do Brasil até aquele momento.

E os operários disseram não!

Uma comissão de operários do Cotonifício Crespi se dirigiu à direção da empresa exigindo um aumento salarial de 20%, baseado na elevação do custo de vida. O dono da empresa não aceitou o pedido. Os operários o ameaçaram com uma greve. A resposta patronal foi fechar a fábrica. A paralisação então se ampliou estendendo-se a outras categorias.

No dia 8 de julho ocorreu o primeiro incidente na porta da fábrica. Um choque entre operários e policiais deixou inúmeros feridos, e os ânimos se acirraram. Na manhã do dia seguinte, novo conflito, agora na porta da Companhia Antártica. Trabalhadores enfurecidos tomaram de assalto um caminhão da empresa de bebida e destruíram as garrafas por ele transportadas. A massa seguiu em passeata pelo Brás até a fábrica de tecelagem Mariângela. Ali ocorreu um novo e mais grave confronto com a polícia. O jovem Martinez caiu mortalmente ferido. Um operário morreu, e agora?

Saindo do enterro do sapateiro, a multidão dirigiu-se à Praça da Sé para um grande comício de protesto. Ali exigiu-se a reabertura das ligas operárias, proibidas de funcionar no dia anterior, a libertação dos grevistas presos e a punição dos assassinos de Martinez.

O Comitê de Defesa Proletária, formado no dia anterior, assumiu a direção do movimento e apresentou a sua pauta de reivindicações: aumento de 35% nos salários; proibição do trabalho de menores de 14 anos; abolição do trabalho noturno para menores de 14 anos e mulheres; jornada de trabalho de 8 horas; respeito ao direito de associação; congelamento de preços dos alimentos e redução dos aluguéis.

Nos bairros operários cresceu o descontentamento. Milhares de populares saquearam lojas e armazéns, especialmente os que estocavam alimentos. O número de grevistas crescia dia a dia. De 10 mil subiu para 20 mil – mais de quarenta mil trabalhadores entrariam em greve durante o movimento. Eram sapateiros, eletricitários, trabalhadores das companhias de gás, mecânicos e a quase totalidade dos operários de pequenas oficinas, que compunham o grosso do proletariado do período.

A repressão recrudesceu e a resposta popular foi imediata: ergueram-se barricadas. Os grevistas tomaram os bondes da cidade. Alguns foram destruídos pela fúria popular. “Uma multidão de garotos”, afirmou o jornal O Estado de S. Paulo, “se entregou a todos os excessos, escolhendo para alvo de suas loucuras os carros elétricos (...). E o que é mais deplorável, é que um bando de mocinhas, infelizes operárias de fábricas, imitou os gestos da garotada, tomando conta de três elétricos no Largo da Sé.”. Os grevistas tentaram ocupar a 5ª delegacia, localizada no Brás, mas não conseguiram. O posto policial passou a ser defendido por tropas de Infantaria e a Cavalaria.

No largo da Estação Norte, os policiais tentaram invadir um Café, onde se reuniam alguns líderes grevistas. Foram recebidos à bala. No tiroteio que se seguiu, vários caíram feridos. Novamente, apareceram as barricadas com sacos de mantimentos e veículos tombados. As ruas do Brás e da Mooca transformaram-se, instantaneamente, num labirinto, que ninguém ousava percorrer. No dia 13 de julho, os jornais publicaram uma nota da Delegacia Geral: “Pedimos ao povo pacífico que se recolha às suas casas para não ser recolhido no meio dos desordeiros (...), pois a polícia (...) vai manter a ordem, para isso empregando os meios mais enérgicos.”.

Frente aos constantes casos de insubordinação da Força Pública e da Guarda Civil, que se recusavam a reprimir os grevistas, foram solicitadas tropas do interior. Navios de guerra aportaram no porto de Santos. Marinheiros foram destacados para reprimir alguns populares que saqueavam os armazéns da cidade. “A polícia não permitirá reuniões nas praças e ruas, dissolverá pela força os que pretenderem ir contra esta resolução”, afirmava um novo comunicado do governo. Tropas de Infantaria e a Cavalaria percorriam as ruas dispersando aglomerações.

Na sexta-feira, faltavam pão, gás e transporte. Um grupo de operários tentou parar os poucos bondes que ainda teimavam em circular, escoltados por policiais fortemente armados. Novo tiroteio, nova vítima fatal: uma menina de apenas 12 anos. A fuzilaria prosseguiria. Outro morto, o pedreiro Nicola Salermo. O que era uma simples greve por aumento salarial e melhoria de condições de trabalho estava se transformando numa insurreição operária.

Diante do impasse nas negociações entre operários e patrões, formou-se uma comissão de jornalistas de diversas publicações da capital paulista. O seu objetivo era mediar o conflito. Desse esforço nasceu uma proposta de aumento geral de salários de 20%, respeito ao direito de associação e não dispensa dos grevistas. O governo, por sua vez, comprometeu-se a libertar os presos e reconhecer o direito de reunião. Afirmou também que “o poder público intercederá (...) para que sejam estudadas e votadas medidas que protejam os trabalhadores menores de 18 anos e as mulheres no trabalho noturno.”. Propostas que foram aceitas prontamente pelo Comitê de Defesa Proletária.

O Comitê decidiu, então, comunicar a proposta em três grandes comícios: no Largo da Concórdia, na Lapa e no Ipiranga. Em todos eles foi aceita a contraproposta patronal e decidida a volta ao trabalho, sob a condição de se retornar à greve caso os patrões descumprissem o acordo. “Com a volta de alguns milhares de operários ao trabalho, a cidade retomou ontem o aspecto que tinha antes de se iniciar o movimento grevista”, noticiou aliviado O Estado de S. Paulo. Mas, a calma era apenas aparente. Depois destes dias turbulentos, a cidade de São Paulo não seria mais a mesma. A paisagem urbana havia mudado com a entrada em cena de um novo personagem: o proletariado.

As lições da greve (ou um novo ator à procura de outro roteiro)

Embora os acontecimentos de julho de 1917 tenham representado uma das mais belas páginas da luta do proletariado brasileiro, apresentou também suas limitações. Pouco a pouco a maioria das conquistas foi sendo retirada pelos patrões. As perseguições e prisões dos líderes não só continuaram como aumentaram. As promessas da burguesia, pouco a pouco, transformaram-se em pó. Por que isso ocorreu?

Primeiro, apesar de combativos, os operários constituíam-se em minoria da população e se encontravam dispersos em pequenas oficinas, existindo, assim, uma fragilidade nas suas organizações de classe. Segundo, esta fragilidade deu lugar à proliferação de ideias anarquistas, típicas dos pequenos artesãos. O anarquismo era a força hegemônica no setor mais combativo do movimento sindical brasileiro. Eles recusavam-se a organizar os operários de forma mais centralizada, negavam a necessidade de o proletariado constituir um partido classista e revolucionário – única maneira de travar uma luta política consequente contra a burguesia e o seu Estado.

Esta concepção da luta operária os prendia, fundamentalmente, aos marcos da luta estritamente econômico-corporativa. Questões-chave – como ampliação da democracia (eleições livres, voto secreto, direito de voto aos analfabetos, a mulheres e estrangeiros residentes no país, legalização dos partidos de esquerda), a luta pela reforma agrária e contra o imperialismo – passavam ao largo das reivindicações anarquistas. Num país dependente, composto por uma população majoritariamente camponesa, dirigido por uma oligarquia agrária, que excluía grande parte do povo da efetiva participação política, estas seriam bandeiras que poderiam trazer aliados importantes aos operários em luta.

Somente assim poderiam se constituir em força político-social autônoma, e disputar efetivamente a hegemonia da sociedade brasileira e garantir as condições indispensáveis à consolidação e à ampliação das conquistas do conjunto dos trabalhadores.

Se, por um lado, a greve de 1917 representou o ápice do anarquismo no movimento operário brasileiro, por outro, mostrou todas as suas limitações, que em pouco tempo acabariam por reduzir e mesmo eliminar a sua influência. A Revolução Russa de outubro de 1917 mostrou outro caminho: O da organização do proletariado enquanto partido independente, como instrumento de luta pela conquista do poder político e construção de um Estado socialista de caráter proletário. Coisas então incompreensíveis para os anarquistas. Uma das consequências da greve geral de 1917 – e de outros embates que se seguiram – foi a fundação do Partido Comunista do Brasil, ocorrido em março de 1922. Este foi o marco da crise geral do anarquismo e representou o início de uma nova fase na história da luta dos trabalhadores brasileiros rumo à sua libertação.

* Artigo publicado originalmente na revista Debate Sindical, n. 12, de set/out de 1992.

* Augusto Buonicore é historiador, presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros, Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas e Linhas Vermelhas: marxismo e os dilemas da revolução. Todos publicados pela Editora Anita Garibaldi.

Bibliografia

BANDEIRA, M.; MELO, C.; ANDRADE, A. T. O ano vermelho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967 (há uma edição atual da editora Expressão Popular).

BEIGUELMAN, Paula. Os companheiros de São Paulo: Ontem e hoje. São Paulo: Cortez, 2002.

KHOURY, Yara Aun. As greves em São Paulo. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1981.
Posted: 31 May 2017 10:23 AM PDT

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