quinta-feira, 4 de maio de 2017

4/5 - Altamiro Borges DE 2/5

Altamiro Borges


Posted: 02 May 2017 11:17 AM PDT
Por Altamiro Borges

No mês passado, na entrega do “Troféu Imprensa”, a jornalista Rachel Sheherazade foi humilhada ao vivo pelo dono do SBT. Num tom agressivo e machista, Silvio Santos disse que ela não fora contratada para expressar suas opiniões, mas apenas para “mostrar sua beleza” e difundir as visões da emissora. Na ocasião, a apresentadora ficou caladinha e acuada, numa postura bastante servil. Já na véspera da histórica greve geral de 28 de abril, Rachel Sheherazade voltou a esbanjar valentia e reacionarismo, insultando os manifestantes. Nas redes sociais, ela postou uma fotomontagem do ex-presidente Lula ao lado de um jumento e disparou: “O senhor das greves manda e os asnos obedecem”.

A âncora do SBT – tão servil diante de Silvio Santos e tão valente diante dos trabalhadores – ainda rosnou em outra postagem: “Pegue seu abadá vermelho, sua bandeira comunista, mande seu patrão às favas, estique o feriadão e venha se divertir na MicaCUT, o carnaval fora de época das centrais sindicais! Junte-se aos idiotas úteis”. As agressivas mensagens da fascistoide – que apoiou entusiasticamente o “golpe dos corruptos” que depôs a presidenta Dilma e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer – geraram imediata revoltas nas redes sociais. Um internauta reagiu ironicamente: “Sim, dia 28 você vai trabalhar. Mas não esqueça: seu patrão mandou você ler o teleprompter”.

Rachel Sheherazade precisa ficar esperta com as suas maluquices. O seu reacionarismo talvez já não sirva ao dono do SBT, que acompanha as pesquisas de opinião pública e teme pela queda da já baixa audiência e credibilidade da emissora. Há vários relatos que indicam que a situação da apresentadora não é das mais tranquilas – o que talvez explique o seu último chilique. Vale conferir duas notinhas publicadas recentemente na chamada grande imprensa:

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“Censurada” por Silvio Santos, Sheherazade preocupa e irrita colegas no SBT

Por Keila Jimenez, no portal R7, em 24/04/2017

Rachel Sheherazade até finge que não liga para as determinações e indiretas de Silvio Santos, mas, nos bastidores do SBT, a postura da apresentadora é outra e assusta os colegas do jornalismo.

Desde que Silvio Santos disse no ar, no Troféu Imprensa, que não contratou Rachel para ela dar suas opiniões sobre política, a âncora mudou seu comportamento na emissora.

Segundo fontes do jornalismo do SBT, Rachel tem chegado no SBT cada vez mais perto do horário de entrar no ar. Dá tempo somente de ir para a maquiagem, e já está na hora de começar o "SBT Brasil".

Antes, Rachel chegava bem mais cedo, como é de costume entre os âncoras, que participam de reuniões de pauta e se inteiram mais sobre o noticiário que apresentam antes de entrarem ao vivo no ar.

Colegas da apresentadora dizem que ela tem chegado na emissora em cima da hora, deixando editores e jornalistas tensos, e sem dar muita explicação.

Com essa atitude, Rachel se tornou apenas uma leitora de TP (teleprompter, equipamento acoplado às câmeras de vídeo que exibe o texto a ser lido pelo apresentador), quase não opinando mais sobre os assuntos abordados no noticiário.

Os atrasos e a displicência da apresentadora tem preocupado e irritado seus colegas de jornal.

Logo após a patada de levou do patrão no Troféu Imprensa, Rachel saiu dizendo que se tratava de uma brincadeira.

"Patrão, há de haver um mínimo de inteligência para entender nossas brincadeiras! Obrigado pela chance de fazer brilhar o meu intelecto!", escreveu.

Na ocasião, Silvio deixou claro para ela e para Danilo Gentili que não queria saber de suas opiniões políticas no ar. "Mas quando você me chamou foi para dar a minha opinião", rebateu a jornalista na premiação, visivelmente constrangida com a 'bronca' pública do chefe.

"Não, eu te chamei para você continuar com a sua beleza, com a sua voz, foi para ler as notícias e não para dar a sua opinião. Se quiser falar sobre política, compre uma estação de TV e faça por sua própria conta", respondeu Silvio Santos.

Para quem conhece o dono do SBT, sabe que esse tipo de "brincadeira" é a forma dele de dar recados aos seus contratados.

O SBT nega que haja problemas com Sheherazade ou no jornalismo do canal.


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Rachel Sheherazade vira (também) "moça do tempo" no "SBT Brasil"

Do site UOL - 29/04/2017

Rachel Sheherazade apresentou a previsão do tempo, pela primeira vez, durante a edição deste sábado (29) do "SBT Brasil", principal telejornal exibido pelo SBT. A partir de agora, a jornalista irá dividir as duas funções no noticiário: será âncora e também a "moça do tempo".

Segundo UOL apurou, Rachel Sheherazade havia gravado a meteorologia, gostou e pediu para fazer mais.

Sheherazade foi contratada por Silvio Santos, em 2011, depois de fazer um comentário na TV Tambaú, afiliada do SBT no Nordeste, no qual ela protestou contra a realização do Carnaval na Paraíba. Depois de assistir à revolta da jornalista, o empresário a trouxe para comandar o jornal de sua emissora em rede nacional.

De lá para cá, Sheherazade se envolveu em algumas polêmicas ao emitir opiniões, quando, por exemplo, ela afirmou que a ação de "justiceiros", que prenderam um suposto assaltante a um poste na zona sul do Rio, era "compreensível".

Na época, a declaração culminou com a revolta de políticos, artistas, internautas, pessoas que defendem os direitos humanos e jornalistas.

Recentemente, Silvio chegou a dizer no "Troféu Imprensa" que havia a contratado "para continuar com sua beleza, com sua voz, foi para ler notícias, e não para dar a sua opinião”.


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Posted: 02 May 2017 10:42 AM PDT
Por Altamiro Borges

O empresário Alexandre Correa só ganhou alguma fama após se casar com a apresentadora Ana Hickmann, da Record. Mas na sexta-feira (28), dia em que o Brasil parou na greve geral, ele voltou a se projetar, revelando todo seu reacionarismo. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele chamou os grevistas de “cornos”, mostrou o dedo do meio e disse que perdeu R$ 25 mil reais devido aos protestos. Numa prova da sua total imbecilidade, ele ainda afirmou: “As pessoas precisam entender que um país parado em uma sexta-feira inteira é prejuízo. Isso é baderna, é coisa de gente vermelha”. No Instagram, o boçal rosnou: “Tem muita gente que ficou ofendida porque chamei manifestante de corno. Manifestante não é corno, é filho da p***. Por que não vai fazer manifestação no dia 1º de maio?”.

A colossal besteira disparada pelo marido de Ana Hickmann virou motivo de piada nas redes sociais. Após apanhar um bocado dos internautas, inclusive dos seguidores da sua esposa, o empresário-babaca até se apressou em fingir arrependimento. Ele gravou um novo vídeo: "Fui egoísta". Em tom mais ameno, temendo pelos danos causados à imagem da rica apresentadora da Record, ele pediu desculpas: “Minhas declarações foram patéticas e egoístas”, postou no Instagram no sábado (30). Em mais este episódio grotesco, que revela todo o reacionarismo e a ignorância da elite nativa, o melhor comentário foi escrito pelo ator Gregorio Duvivier. Vale conferir e dar risadas:

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Só no Brasil mesmo pra fazer greve em dia útil

Por Gregorio Duvivier, Folha, 01/05/201

Tem certas coisas que só existem no Brasil mesmo. Sexta-feira vimos surgir um novo fenômeno bem brasileiro: a greve em pleno dia de trabalho. Greve, como todos sabem, é algo que se faz no feriado, pra não atrapalhar ninguém. O marido da Ana Hickmann calcula que perdeu R$ 25 mil. Vocês já viram a sala da casa dele? Aquilo precisa de 15 pessoas pra limpar. Deve tá uma nojeira.

Claro que o trabalhador pode protestar. Mas primeiro tem que pensar na sociedade. Tem que escolher um dia bom. Feriado serve pra isso: você pode ir à praia, ao sítio ou fazer greve. Vai do gosto de cada um.

Jesus, por exemplo, poderia ter nascido em qualquer dia. Mas nasceu no Natal. Por quê? Porque era feriado. Ele sabia que quando nascesse ia parar tudo, daí ele escolheu uma data em que já tá tudo parado, pra não atrapalhar o marido da Ana Hickmann. E ainda nasceu uma semana antes do Réveillon, numa época que todo o mundo já tá mais tranquilo, dá pra emendar as duas datas, ir pra Bahia. E vamos combinar que ele morreu numa época ótima, também. Mas isso a gente deve aos romanos. Os romanos sabiam tudo de calendário. Podiam ter matado Jesus em qualquer época, mas escolheram a Páscoa, pra não atrapalhar o trânsito nem a vida de ninguém.

D. Pedro foi outro que arrasou: declarou a independência num feriado, o Sete de Setembro, pra não atrapalhar a vida de ninguém. Tem dia melhor pra declarar a independência que o Dia da Independência? Matou dois coelhos com um feriado só.

O problema é que o pessoal quer fazer baderna. Desse jeito ninguém consegue nada. O que falta nesse povo é gentileza. Quer alguma coisa? Pede com jeitinho. E para de falar mal da pessoa pra quem você tá pedindo. É indelicado.

Na última pesquisa só 4% de vocês disseram que o governo do Temer era bom ou ótimo. Se vocês ficarem falando mal do presidente, por que é que ele iria ajudar vocês? Tem que respeitar pra ser respeitado.

Uma ideia pra vocês: os sindicalistas, como todos sabem, estão entre os homens mais ricos do país (ver "Forbes"). Por que não fazem uma vaquinha pra mandar flores pro presidente? Um patinete pro Michelzinho? Uma limpeza espiritual no Alvorada? Tem que pensar no outro. Não deve tá fácil pro Temer, nem os fantasmas deixam ele trabalhar. Tem um pessoal ótimo que faz esse trabalho de limpeza, chama Ghostbusters. Um pouquinho mais de gentileza, por favor.


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Posted: 02 May 2017 08:57 AM PDT
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:

Os notáveis colonistas Ataulpho Merval de Paiva e a Cegonhóloga da Globo Overseas Investment BV já viram que a canoa virou: como diz o Renan, essa reforma não passa no Senado nem...

"Essa reforma" tanto pode ser a trabalhista quanto a da Previdência - porque, em 2018, haverá eleição para DUAS cadeiras do Senado e o ansioso blogueiro quer ver quem vai votar com o MT, da lista de alcunhas da Odebrecht, esse que tem 4% de aprovação popular.

Como se sabe, desses 4%, 3,99999% são a Globo Overseas.

E, depois da Greve Histórica, do Lula Volto Já! no Datafalha, os dois piguentos começaram a agasalhar a derrota:

- "A avaliação feita entre defensores (ou seja, ela com o Ataulpho - PHA) da reforma (da Previdência) é que o Governo (sic) errou na comunicação (quem mandou depender do Gilberto Freire com “i”...) e apresentou um projeto duro (sic) demais, que aumentou a rejeição" - diz a sábia Cegonhologa, a do é um colosso!

Diz o Ataulpho, esse jênio:

- "Mais do que as manifestações sindicais (é a Greve, estúpido!, diria o James Carville - PHA) e ontem, 1o. de maio, a pesquisa do Datafolha que mostra o ex-presidente à frente da corrida presidencial ("Volto Já" ! - PHA) tem capacidade (jura? - PHA) de influir na decisão de deputados e senadores sobre as reformas trabalhista e da Previdência... Ganha reforço o argumento do Senador Renan Calheiros (aquele do "isso não passa no Senado nem..." - PHA)..., que diz que Lula vai dar 'um passeio' em 2018 e, especialmente, no Nordeste, onde tem uma popularidade em torno de 50% (muito mais que isso, Ataulpho... - PHA).

Os canalhas, canalhas, canalhas, na acepção do Requião e do Lindbergh, são canalhas, mas não são burros.
Posted: 02 May 2017 08:40 AM PDT
Posted: 02 May 2017 08:29 AM PDT
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:


(A “nuvem” de comentários da esquerda no twitter. Fonte: DAPP/FGV)

Uma análise das redes sociais elaborada pela Fundação Getúlio Vargas no dia 28 de abril, dia da greve geral, indica que a esquerda está ganhando a disputa narrativa sobre a reforma trabalhista e conseguindo convencer os brasileiros de que ela é sinônimo de perda de direitos. Trata-se de uma importante guinada na narrativa política, dominada pela direita desde 2014, após a vitória da petista Dilma Rousseff na eleição ser questionada pelo candidato derrotado, Aécio Neves, do PSDB.

De acordo com a publicação, o movimento de apoio à greve geral nas redes sociais foi a maior ação da oposição ao governo Temer até agora, com mais de 1,1 milhão de menções relacionadas à paralisação. “O volume faz do evento o maior nas redes dos últimos anos, superando inclusive os maiores atos em favor do impeachment”, entre março de 2015 e março de 2016. Criada pela esquerda, a hashtag #BrasilEmGreve dominou o twitter, com 326 mil menções até as 17 h. Para comparação, a tag da direita, #AGreveFracassou, mesmo utilizando robôs, teve 28 mil menções apenas.

“É possível afirmar que a greve geral inaugura um novo momento na disputa política, em que a oposição ao governo adquire nas redes proporções similares ao movimento que, iniciado em 2015, culminou com o afastamento de Dilma”, diz o relatório elaborado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da fundação. O mapa de interações nas redes sociais do debate sobre os protestos evidencia, segundo o estudo, que os partidários do governo Temer encontram-se na “defensiva”.

Esta disputa de narrativas também se mostra dissociada da mídia comercial, que está “marginalizada”, sem nenhum perfil de destaque participando do debate. Entre os perfis no twitter que mais se destacaram do lado dos “Vermelhos” estão a Mídia Ninja, o jornalista Xico Sá, a atriz Leandra Leal, o repórter do Intercept George Marques, o perfil de humor progressista Dilma Bolada e a jornalista Cynara Menezes, deste blog. Do lado “Azul” aparecem, bem distanciados em termos de interações, o BlogdoPim, do site da Veja, o perfil de humor reacionário JOAQUINVOLTOU, e o roqueiro Roger, do Ultraje a Rigor.


(Fonte: DAPP/FGV)

Outra “nuvem”, produzida pelo professor Fabio Malini, do Labic (Laboratório de Estudos de Imagem e Cibercultura) da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra com nitidez como os pró-Temer ficaram encurralados nas redes no dia da greve geral: na parte escura, os perfis que defenderam a greve dos trabalhadores contra as reformas e, em amarelo, os que a atacaram.



“Os Vermelhos ganharam a guerra na comunicação ao relacionar as propostas com perdas de direitos. Desorganizados, os Azuis não foram capazes até o momento de demonstrar vantagens das duas propostas (reformas da Previdência e trabalhista) para a sociedade”, diz o texto da FGV. Um ano após o impeachment, o debate em torno da greve geral mostra que “as forças pró e contra o impeachment continuam dominando as discussões nas redes. Os chamados Vermelhos (pró-Dilma e pró-Lula) estavam acossados por meses pelas investigações da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato e pela recessão de 2015. A mobilização em torno da greve geral mostra uma inflexão na relação entre Azuis e Vermelhos.”

Uma das razões para essa reviravolta acontecer foi o fato de a “lista de Fachin” ter comprovado o que a esquerda dizia: que a corrupção brasileira é sistêmica, está na forma como se faz campanha no país, e por isso atinge políticos de todos os partidos, não apenas do PT. “A inclusão de nomes como o do senador Aécio Neves nas delações tirou dos Azuis a primazia do discurso anticorrupção”, conclui o estudo. Confira aqui a íntegra.
Posted: 02 May 2017 06:09 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Maio começa com duas notas tristes, mas com uma promessa consistente e animadora: a resistência ao golpe e aos retrocessos vai aumentar e as votações desta semana da reforma previdenciária devem ser adiadas. No Norte, onde a luta pela terra segue derramando sangue, houve mais um ataque selvagem de brancos armados contra índios deserdados. Em seu auto-exílio no Sul, morreu Belchior, que traduziu em sua obra poética e musical a busca dos jovens que encontraram o sinal fechado nos anos 70 e abriram as portas da democracia nos 80. O sinal está novamente fechado mas os atos do Primeiro de Maio, depois da greve geral de sexta-feira, 28, mostraram uma nova unidade no sindicalismo. A Marcha sobre Brasília foi planejada e da base governista vêm os primeiros vacilos em relação à reforma previdenciária rejeitada por 71% dos brasileiros, segundo o Datafolha.

Por mais que o governo tenha minimizado a greve, ela mostrou a quem quis ver a grande contrariedade social com as reformas em curso. Ajudou a encher os atos de hoje pelo Primeiro de Maio, que tiveram como ponto de unidade um manifesto assinado pelas seis principais centrais sindicais.

Nesta terça-feira, o governo planejava encerrar a discussão do relatório substitutivo da reforma previdenciária na comissão especial, presidida pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS). A votação começaria na quarta para terminar na quinta-feira. Este cronograma dificilmente será cumprido, depois da greve geral, do Primeiro de Maio e da repercussão altamente negativa da aprovação da reforma trabalhista. Marun quer manter o tema em pauta, mas tanto o relator, Arthur Maia (PPS-BA), quando alguns líderes da coalizão governista acham que não há clima. 

Maia sustenta, em sintonia com o Planalto, que novas mudanças estão descartadas mas tem dito que acha melhor distanciar a votação destes últimos acontecimentos nefastos para o governo, que incluem o aumento da rejeição ao presidente captado pela pesquisa Datafolha. O governo já não contará com partidos dissidentes como o PSB e o Solidariedade. Líderes de outrass siglas, como PTB, PR, PHS e similares chegarão a Brasília esta semana defendendo o adiamento da votação.

Para quem considerou a greve um grande fracasso, aí estão seus primeiros efeitos políticos. Maio promete um aumento da resistência nas ruas que se traduzirá em alterações na correlação de forças dentro do Congresso. É esperar para ver. Promete uma Marcha sobre Brasília para forçar o governo a negociar a reforma previdenciária. Negociar honestamente, em cima dos números reais da Previdência e de medidas que contribuam para seu equilíbrio financeiro mas sem sacrificar exclusivamente os direitos dos trabalhadores.
Posted: 02 May 2017 06:00 AM PDT
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Um balanço dos números do primeiro Datafolha deste ano mostra mudanças no cenário eleitoral para 2018, no sentido inverso ao esperado pelos partidos que se uniram no processo de impeachment, um ano atrás, no bojo da Operação Lava Jato.

As delações da Odebrecht acabaram derrubando PSDB e PMDB e ampliando a vantagem do ex-presidente Lula, o principal alvo das operações, réu em cinco processos, que subiu para 29% das intenções de voto. Algo deu muito errado.

Na mesma pesquisa, o governo Lula foi considerado o mais corrupto (32%) e o de Dilma o que mais combateu a corrupção (48%).

Com o governo do peemedebista Michel Temer aprovado por apenas 9% da população, quem mais cresceu no cenário com todos os presidenciáveis foi o deputado Jair Bolsonaro, que chegou a 11%, empatado com a ex-senadora Marina Silva.

Em quarto lugar, com 9%, aparece pela primeira vez o juiz Sergio Moro, que não é candidato nem filiado a partido político.

Empatados com 5% das intenções de voto, os tucanos mais bem avaliados, Aécio Neves e João Doria, surgem a seguir, ao lado de Joaquim Barbosa, que também não é candidato, e Ciro Gomes.

Na rabeira, estão o governador tucano Geraldo Alckmin, padrinho de Doria, e o apresentador Luciano Huck, com três pontos. O senador José Serra, outro pré-candidato do PSDB, não aparece na lista.

Numa projeção de segundo turno, Lula está tecnicamente empatado com Moro e Marina, na faixa de 40%. Em rejeição, Lula (45%) ficou empatado com Aécio Neves (44%).

O efeito reverso pode ser explicado pela nova rodada da pesquisa sobre a avaliação das reformas do governo divulgada nesta segunda-feira.

Defendidas pelo PSDB e condenadas pelo PT de Lula, as reformas previdenciária e trabalhista foram rejeitadas pela maioria dos entrevistados na pesquisa.

Sete em cada dez brasileiros (71%) declararam-se contra a reforma da Previdência; para 64%, a reforma trabalhista, já aprovada na Câmara, só beneficia os patrões.

Mais do que a greve geral de sexta-feira, os números desta pesquisa podem influenciar a posição de deputados e senadores, que ainda vão votar as reformas, pois eles não costumam contrariar a opinião pública quando estão em busca de reeleição.

Vamos ver como se comportam suas excelências quando voltarem de suas bases eleitorais depois de mais um feriadão. Sem números confiáveis divulgados até o momento, só será possível avaliar o alcance da greve quando se fizer um levantamento sobre as perdas econômicas.

Os pesquisadores do Datafolha ouviram 2.731 eleitores em 172 municípios entre quarta e quinta-feira - antes, portanto, da greve geral.

Vida que segue.
Posted: 02 May 2017 05:54 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – a fluidez dos movimentos políticos

O quadro politico evoluiu substancialmente nos últimos dias. De um lado, a greve geral, com a maior abrangência em décadas. De outro, os últimos movimentos em torno da Lava Jato, com o STF (Supremo Tribunal Federal) finalmente deliberando sobre a libertação de pessoas detidas com o objetivo de serem pressionadas a delatar. Finalmente, a Lava Jato entrando nas horas decisivas sem conseguir cumprir com seu objetivo maior, de levantar provas para sustentar as delações contra Lula.

Leve em conta que os movimentos políticos são fundamentalmente fluidos.

Em momentos de catarse, há um curto-circuito geral não apenas nas informações, mas no rumo dos ventos políticos.

Em relação a esses movimentos tectônicos, há duas espécies de personagens públicos: os radares e as birutas.

Radares são que se movem em torno de valores e, por isso mesmo, são as figuras referenciais que orientam o país, percebem os movimentos das ondas e permitem ao barco não perder o rumo, mesmo em meio à tempestade.

Birutas (de birutas de aeroporto) são os que seguem as ondas. Em momentos de vento brando, assumem uma determinada personalidade pública; em momentos de catarse, outra totalmente distinta, seguindo o que consideram os movimentos pontuais das marés.

Na história do país, mesmo no campo conservador estão consolidadas personalidades-radares como Sobral Pinto, Ulisses Guimarães, Paulo Brossard e o saudoso Mário Covas.

No grupo dos birutas de aeroportos, caminham para se transformar em personagens simbólicos os Ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e grupos de deputados e senadores.

Não se deve buscar previsibilidade em suas atuações, isto é, avaliar o que serão com base no que já foram. A análise deverá levar em conta a maneira como julgam que a situação política será, para, só aí, então, definirem o que serão.

Tudo isso torna extremamente complexo o desenho de cenários futuros.

Não é mais A + B + C = X, porque a mudança de A irá provocar alterações em B afetando o resultado em X.

Mas permite, por outro lado, conferir a devida relevância aos movimentos maiores de opinião pública, dos quais a greve geral da última sexta-feira foi um ponto de corte, atrapalhando o controle total do processo pelos donos do poder.

Antes, um pequeno diagnóstico do momento atual, à luz dos ensinamentos de Raymundo Faoro, o notável autor de “Os Donos do Poder”.
Peça 2 – o patrimonialismo, de Collor a Barroso

Desde que apresentou seu trabalho no evento da Universidade de Harvard – qualificando como ensaio uma leitura tosca de Raymundo Faoro – o Ministro Barroso tornou-se um bom exemplo de como a superficialidade analítica impede o autor de se enxergar no próprio desenho que ele está delineando em seu trabalho.

O trabalho de Barroso mencionou o “patrimonialismo”, de acordo com as definições de Raymundo Faoro.

É o mesmo Barroso que se tornou um defensor intransigente da nova ordem, da restauração que será comandada pelo Poder Judiciário, um modelo claramente englobado por Faoro no conceito de patrimonialismo.

Diz o inacreditável Barroso, o advogado das Organizações Globo, com seu peculiar entendimento do conceito de corrupção, e sua invejável capacidade de relacionar temas históricos:

Acho que estamos refundando o País. Assim como em 1808 [quando a família real portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro] o Brasil começou, acho que estamos tentando refundar um País, ensinando as novas gerações que ser honesto é melhor do que ser desonesto. E que, se for desonesto, vai ter consequências negativas.

Barroso não tem a menor noção sobre os pontos em comum entre a vinda da família real portuguesa e o momento atual. O principal ponto em comum é a criação/fortalecimento de um estamento público que desenvolve e passa a controlar o Estado, implantando definitivamente o predomínio da plutocracia sobre a Nação. Da mesma maneira que o Congresso definindo o desenho dos gastos públicos para os próximos 20 anos, independentemente do que decidirem as eleições.

O que diz Barroso, o patrimonialista, sobre a PEC 35, enfiada goela abaixo da sociedade por um governo provisório, empossado no bojo de um golpe parlamentar.

Desrespeitá-la significa predeterminar o futuro com déficits, inflação, juros altos, desemprego e todas as consequências negativas que dessas disfunções advêm. A democracia, a separação de Poderes e a proteção dos direitos fundamentais decorrem de escolhas orçamentárias transparentes e adequadamente justificadas, e não da realização de gastos superiores às possibilidades do Erário, que comprometem o futuro e cujos ônus recaem sobre as novas gerações.
Vamos ver como Faoro analisaria o momento, baseado no trabalho “As reflexões de Raymundo Faoro sobre a transição política brasileira nos anos 1989 e 1990”, de Maria José de Rezende.

Não há definição melhor desse tipo de comportamento, do que a de Faoro sobre o início do governo Collor:

“[...] a eternidade tem muitas encarnações, a do século passado e a de hoje” (FAORO, 1989f, p. 23). A do presente, ou seja, a da Nova República, reproduzia o estilo burocrático emoldurado na “[...] insensibilidade, dissimulada em termos técnicos, incompreensíveis [...]. O jogo não é inocente. Os interesses favorecidos [...] nada perdem e alguma coisa ganham.

Essa idéia de que podem tudo já expressa, certamente, uma mentalidade patrimonialista, para a qual não há limites políticos, éticos ou jurídicos para as suas ações. O despotismo impera. “E se a Constituição não permitir? Lixe-se a Constituição [...]


É o mesmo modelo de hoje:

Todas as ações daqueles agentes que se empenhavam em destruir o jogo democrático se mostravam completamente voltadas a esvaziar qualquer potencialidade da sociedade civil ao exaltarem medidas irracionais, magias e milagres. (...)

As mudanças políticas controladas pelos setores preponderantes, as quais se iam processando na denominada transição democrática, eram sempre de cima para baixo, reafirmando o seu caráter estamental; estavam sempre postas a serviço dos mesmos interesses.

Políticos e países subdesenvolvidos são faces de uma mesma moeda, já que se reafirmavam através de mudanças negociadas e conciliadas. A chamada Nova República (1985–1990) era o exemplo mais acabado disso.


Barroso não aprendeu uma lição magistral, que Faoro recebeu de Neemias Gueiros:

Então, apareceu um velho advogado, um homem curtido em lutas políticas, que era o Neemias Gueiros, a quem transmiti minha insegurança. Ele me respondeu que haveria uma coisa em que eu sempre haveria de ganhar dos políticos: se eu me mantivesse sincero sempre.

Falou a Barroso a coerência para se firmar como referência. Como declarou o advogado e cientista político Victor Pimenta, “a decisão de Barroso em PEC 241 nos faz sentir saudades dos tempos em que ele era constitucionalista, ante a diferença abissal entre o “Barroso Professor de Direito Constitucional” e o “Barroso Ministro”.

Collor e o momento atual

O que está em andamento, hoje em dia, é um processo em tudo similar à aliança que gerou Fernando Collor. A descrição de Faoro sobre o governo Collor se aplica integralmente ao momento atual, mas passou desapercebido do nosso brasilianista de boutique.

Primeiro, a falsa visão de conferir desimportância ao Estado, ao mesmo tempo em que se apropriava dele:

Ações como as de Fernando Collor de Mello não sufocavam o patrimonialismo ao tentar agir como se o Estado não tivesse qualquer importância. O governo daquele último, num processo de rechaçamento do Estado, acabou por potencializar as ilusões de que um ente iluminado poderia tudo resolver mesmo passando por cima de qualquer compromisso com os ideais republicanos e democráticos. De fato, a exclusão social e política, a qual é a seiva que nutre a política patrimonial, continuava a correr nas veias da sociedade.

As apostas sucessivas do Poder em Marina, Dória, Bolsonaro repete, à perfeição, as apostas sucessivas em Quércia, Covas até bater em Collor, e as tentativas atuais de Aécio e Alckmin, até bater em Dória:

A transição procurou, (...) um caminho que convencesse mais em termos de centro. Abriu todas as oportunidades para Orestes Quércia, pois era ele o homem. De certa maneira, acenou também para que o nome fosse o de Mário Covas, mas não se chegou nem a um e nem a outro. Chegou-se a um que é inesperado, porém não indesejado dentro do projeto.

Assim como as semelhanças entre 1964, e o 1964 modernizado que se tenta hoje em dia:

Politicamente, 89 moderniza 64, com um instrumento tirado dentro do sistema, disciplinado pelo sistema, apoiado pelos financiadores que se fizeram dentro do sistema e apoiado pelos agentes que manipulam a opinião.

Em ambos os casos, há a necessidade da criação de um populista de direita:

E por que um sistema que se encontrava esgotado continuava ainda fazendo valer suas estratégias? O extenuamento do sistema podia ser detectado na necessidade de um candidato de direita, como Fernando Collor de Mello, apresentar-se como que ligado diretamente às massas. (...) O sistema se renovava tanto com aquele que foi eleito diretamente em 1989 quanto com aquele que foi indiretamente eleito em 1984. O sistema se inovava, o que não significava que ele havia entrado em colapso.

Faoro tirava lições definitivas sobre as instituições brasileiras, sob a pressão dos fatos:

A lição que o momento ensina tem o mérito de desvendar o miolo das instituições brasileiras, antes e depois da Carta de 1988. Elas podem ser resumidas em duas palavras: constitucionalismo de fachada e democracia falsificada e falsificadora.

A defesa do Estado de Exceção em nome do combate à corrupção, por Barroso, também foi claramente explicada por Faoro:

Estabelecia-se, no início de 1990, uma espécie de ditadura hipócrita. A hipocrisia estava no fato de ela negar a sua própria identidade, tentando mascarar um exercício obstinadamente abusivo da autoridade.

Faoro fez essa discussão em vista da prisão da família Temporal (empresários) por dívidas com o Fisco. Naquela ocasião, o governo Collor apresentava-se como aquele que jogaria duro com o empresariado. Restaurava-se, assim, a inconstitucional prisão administrativa.


Também se deu conta – ao contrário de seu débil intérprete – a sucessão de ilegalidades, que se segue à ilegalidade maior:

Desarticulou-se, de um golpe, toda a estrutura jurídica, para que medrasse, à sua ilharga, uma economia com regras próprias. A ilegalidade maior gerou, como necessariamente acontece, as ilegalidades menores, decorrentes daquela, existentes porque aquela existe.

A criação de figuras midiáticas para o jogo político é nítida no modelo Collor e no atual. Sempre se sonhou com os Collors, Dorias, Hulks e similares fabricados pela mídia:

Entre as diversas formas de precarização cotidiana da democracia e da cidadania, estava, por exemplo, o veto à “[...] Lei das Inelegibilidades que prolongou a desincompatibilização do pessoal da mídia. E por que era esse um ato que tinha um significado importante? Bastava ater-se ao fato de que o presidente Collor estava agindo para garantir que um número significativo de indivíduos chegasse ao Congresso Nacional em razão de suas imagens mediáticas. Em relação a ele próprio, a mídia havia tido um papel central na construção de uma imagem de vitorioso, de vencedor, de arrojado e de decididamente capaz de mudar o Brasil em favor dos “descamisados”, isto é, dos mais pobres.

Finalmente, aborda a importância do nascimento de uma nova direita, como condição fundamental para uma esquerda renovada:

O florescimento de uma nova direita era condição fundamental para que ocorresse, no Brasil, a constituição de uma esquerda que deveria renovar continuamente os procedimentos na vida pública brasileira. Se esta última continuasse tendo como adversária a velha direita, haveria uma tendência de petrificação de ações políticas que ficariam essencialmente no registro do modo de agir que se havia processado ao longo da história do país.

A contínua e íntima relação – através de alianças e de conciliações – da esquerda com a velha direita se constituía num fator de emperramento da democracia no Brasil. Reafirmavam-se, assim, de diversas maneiras, práticas e hábitos fundados na não transparência de atitudes e de ações. Uma vez no poder, através dessas alianças, se teria a continuidade e a manutenção do mesmo padrão de domínio baseado em privilégios estamentais.

Peça 3 – os efeitos políticos da greve

A extensão da greve joga novos fatos no jogo político. E explicita de vez o jogo entre a nova direita – um arco em que entra o MBL, a Procuradoria Geral da República, a camarilha de Temer e o PSDB – e a nova esquerda, que ainda não nasceu.

Uma greve ampla fez a reação contra Michel Temer e o Congresso transbordar dos movimentos sociais e sindicatos para outros setores, com adesão de 83 bispos da Igreja Católica, dezenas de colégios particulares de São Paulo, inúmeras igrejas evangélicas, artistas, intelectuais, praticamente toda a Justiça do Trabalho, funcionários e parte dos procuradores do Ministério Público e funcionários da Polícia Federal.

A greve expôs o racha nacional se alastrando por setores até agora à margem da disputa, e cravou na testa das reformas o estigma de antissocial. Coloca em curto-circuito todo o jogo de contrainformação da mídia. Somem-se as pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias, dando um placar massacrante contra as reformas, contra Michel Temer e a favor das eleições diretas, para se perceber o fracasso do golpe: a política se despiu do manto diáfano da fantasia.

No curto prazo, haverá uma ampliação das pressões sobre os políticos, judiciário e mídia, às vésperas de um ano eleitoral.

No médio prazo, a consolidação de uma frente ampla contra o modelo de país que o golpe tenta enfiar goela abaixo dos cidadãos e que agora está desnudado.

O castelo retórico criado pela mídia se esboroou, incluindo as ameaças terroristas, do suposto fim do país sem as reformas.
Peça 4 – o novo posicionamento do Supremo

Durante o processo do impeachment, o Supremo jamais foi desafiado a analisar o mérito, graças à não-estratégia jurídica do advogado José Eduardo Cardozo. Só após o impeachment resolveu representar junto ao Supremo com uma solicitação de liminar incomum, de mais de 400 páginas.

Só recentemente, após o fato novo – a entrevista de Temer à Band admitindo o jogo político de Eduardo Cunha - reiterou o pedido. O caso está com Alexandre Moraes, que deveria - mas não vai - se declarar suspeito para analisar.

Na semana passada, no entanto, a 2ª Turma do STF ordenou o fim da prisão provisória de João Carlos Genu (ex-tesoureiro do PP) e de Eike Baptista. Votaram a favor da libertação os Ministro Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski; contra, Celso de Mello e Luiz Edson Fachin.

Antes disso, por razões humanitárias a 2a Turma ordenou a libertação do pecuarista José Carlos Bumlai. Votaram a favor Celso de Mello, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Edson Fachin e Ricardo Lewandowski votaram a favor da manutenção da prisão domiciliar –uma condição mais humana do que as prisões temporárias perenes.

Na 4a feira será o julgamento do habeas corpus de José Dirceu, preso há meses sem julgamento de 2a instância. Quase certamente será ordenada a sua libertação, embora Dirceu continue respondendo à condenação da AP 470. Nâo descarte alguma manobra de Moro, uma nova medida, para manter Dirceu enjaulado.

O que importa é que, finalmente, o STF ganhará coragem para revogar o mais absurdo instrumento de arbítrio desses tempos nebulosos: o uso da prisão preventiva como forma de pressão para obter a delação nos termos que o juiz e os procuradores querem.

De fato, há uma maioria sólida e não circunstancial na 2a Turma contra esse instrumento de arbítrio: Gilmar, por agora estar atingindo os seus; Toffolli por seguir Gilmar e Lewandowski por convicção garantista. Celso de Mello é um garantista com uma excepcionalidade: o PT. E Fachin é um neo-linha dura.

Agora, toda a pressão da Lava Jato sobre os delatores se concentrará no fator Lula.
Cena 5 – o adiamento do depoimento de Lula

Para adiar o depoimento de Lula do dia 3 para 10 de maio, o juiz Sérgio Moro alegou pedidos da Polícia Federal e da Secretaria de Segurança do Paraná. Mas o motivo central foi a falta de provas contra Lula.

Tanto assim, que a Lava Jato convocou reunião dos advogados da OAS para os dias 2 e 3 de maio, para discutir as delações da empresa. No dia 4, mais dois executivos, Roberto Moreira e Agenor Medeiros, ainda vão depor na ação que apura o tal "Tríplex do Guarujá".

Também se reuniu com advogados especializados em delação, como Antônio Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef e Adriano Bretas. Os rumores são de que estaria propenso a aceitar a delação de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que há mais de um ano tenta a delação. E também a de Antônio Palocci. Desde que versassem sobre Lula.

A última encenação, com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, foi um tiro pela culatra. Léo entregou a encomenda pedida – a afirmação de que Lula seria o dono do tríplex, mas sem apresentar provas. A Força Tarefa reforçou com provas ridículas, comprovantes de que, durante um ano, um carro do Instituto Lula passou por duas vezes no pedágio de Guarujá. O que motivou gozações nas redes sociais: passe pelo pedágio e ganhe um apartamento.

Ocorre que o ciclo de acusações a Lula já entrou na fase correspondente à curva de Lafer na economia – conforme boa imagem da senadora Gleise Hofmann. A curva de Lafer mostra que, a partir de determinado nível de tributação, o efeito é negativo.

A Lava Jato entrou em uma enrascada onde, cada tentativa adicional de criminalizar Lula sem provas concretas, provoca um efeito inverso na sua popularidade.
Cena 6 – o imprevisível cenário futuro

Há nítidos sinais de que o monstro saiu do controle dos donos do poder.

A tentativa de fabricar um novo Collor, com João Dória, esbarra no amplo amadorismo do candidato. Na ânsia de explorar a radicalização contra Lula, vai gerando um personagem complicado, dono de uma retórica pobre, repetitiva e agressiva. É corredor de 50 metros.

Para falar para os MBLs da vida, assume uma retórica vagabunda (termo que faz parte do repertório dessa direita pedestre), incompatível com um homem de estado. A sucessão de grosserias, vai moldando – por baixo do macho alfa grosseiro – uma personalidade antipática, uma espécie de Aécio Neves com uma jovialidade de plástico – Dorian Gray? -, playboy mal-educado que choca a elite pela falta de modos e os populares, pelo excesso de arrogância.

No período Collor, o tempo político corria mais devagar e permitia uma construção lenta – e sob controle – da Globo. Nesses tempos de redes sociais, não existe mais esse controle.

Além disso, a mídia já havia sentido o desgaste de anos de jornalismo militante, de pós-verdade, de manipulação das informações. Nos últimos tempos, com dez anos de atraso, caiu a ficha que a única maneira de se diferenciar da miscelânea das redes sociais seria voltar a praticar um simulacro de jornalismo.

A recaída com a greve, porém, mostra que a síndrome do escorpião é invencível.

Entram em uma cilada complicada.

Se continuam a apostar no jogo da desinformação, aprofundarão o buraco em que se meteram. Se vacilam, há o fator Lula. E foi tão forte a radicalização política da mídia na última década, que a bandeira central da campanha de Lula certamente será o da regulação da mídia e do combate implacável à rede Globo.

Manter o jogo atual, portanto, é questão de sobrevivência para a Globo. O que significa que apostará todas suas fichas em Dória, ou em um pacto de ditadura com Bolsonaro ou abolindo as diretas. De qualquer modo, jogará todas suas fichas na condenação de Lula e sua inabilitação para 2018.
Posted: 02 May 2017 05:41 AM PDT
Por Roberto Amaral, em seu blog:

A greve geral do dia 28 de abril - a primeira, na vigência do governo antipopular e antinacional - foi amplamente vitoriosa.

Seu sucesso excedeu as melhores expectativas das forças populares, constituindo-se numa das mais expressivas manifestações políticas da nossa História, porque nacional, abrangente, unitária, madura e democrática. Nada a ver, portanto, com a versão tendenciosa dos grandes meios de comunicação.

Setores até aqui silenciosos, como a Igreja Católica e outros credos, passam a se contrapor a seitas pentecostais comprometidas, no púlpito e na atividade parlamentar, com a pauta conservadora e reacionária.

Apesar de voltada para a defesa de interesses objetivos dos assalariados (repúdio a uma terceirização perversa e a uma reforma da previdência que mantém privilégios e só prejudica os mais necessitados), trata-se de uma greve política, com apoio popular.

Este é o fato novo e a partir de hoje, portanto, podemos vislumbrar uma nova correlação de forças, apta a alterar a atual luta política.

O protesto, ademais, valeu por seu significado simbólico e como processo de politização e organização dos trabalhadores, levando-os à ação para além dos seus interesses imediatos, a etapa superior da batalha sindical. Neste ponto se dá a transição da reivindicação econômica corporativa para a afirmação política.

Tratou-se da afirmação de um sonoro “não” ao governo de fato. Foi este, igualmente, um dos fatores do apoio popular.

A greve já seria um sucesso pelo simples fato de haver-se realizado na esteira da captura do poder pelas forças do atraso, com características desconhecidas pela História recente da República, tal o somatório de intervenientes adversos: monopólio ideológico dos meios de comunicação de massa, donde a deslavada manipulação da informação; governo reacionário e repressor, ademais de ilegítimo; e Congresso que, não obstante a ausência de representatividade, enceta, sob o comando da súcia que ocupa o poder, o criminoso processo de revogação de direitos e garantias conquistados desde os anos 40 do século passado e consolidados pela Constituição de 1988.

Agindo em uma razia, o Governo, sem origem na soberania popular, rejeitado pelo país (segundo pesquisa IPSOS, 92% da população dizem que o governo está no rumo errado), manobrando a peso de ouro (e cargos) a vontade parlamentar, intenta destruir a ordem constitucional democrática, os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional.

A greve ecoou o sentimento das ruas. Mais que isso, como disse, percorreu o país de Norte a Sul, foi abrangente, unitária e democrática, cimentando o apoio que logrou na sociedade.

Também foi pedagógica, ao deixar claro para certas forças da esquerda brasileira que o caminho da vitória passa pela política de Frente, tão ampla quanto possível, articulando – independentemente de filiações partidárias e outras – todas as correntes de pensamento e ação que se disponham a dar sua mão aos trabalhadores e aos democratas e progressistas na luta contra o desmonte do país, ameaçado por um retrocesso de décadas.

Do ponto de vista do sindicalismo, constituiu importante instrumento de consciência de classe, conditio sine qua non para a intervenção política. De outra parte, haverão de ter aprendido as direções sindicais esta lição primária: a liderança não pode afastar-se do ‘chão de fabrica’.

O antídoto da alienação é o diálogo permanente, assim como é a organização que assegura a ação. A adesão massiva à greve foi o resultado de meses de preparação, de debates, de assembleias e de muita ‘porta de fábrica’.

Esta greve – e eis outro grande mérito seu – foi também um sucesso como política de Frente na ordem sindical, reunindo todas as centrais sindicais, reunindo, por exemplo, CUT-CTB e Força Sindical (tão antípodas do ponto de vista estratégico) e reunindo essas forças aos camponeses do MST, à Frente Brasil Popular, ao MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) e à CMT (Central dos Movimentos Populares). E, a partir daí, a um sem número de organizações sociais-populares espalhadas por todo o país.

A greve precisa ser comemorada como momento importante da resistência ao governo antinacional: pôs em patamar elevado a luta contra suas políticas e a defesa da Constituição agredida diariamente pelo presidente e sua trupe, pelo Congresso e por setores do Poder Judiciário, desde o piso aos tribunais superiores.

Para as forças populares não há alternativa de combate fora da democracia e, na democracia, não há alternativa às crises políticas fora das eleições. A organização do povo, ponto de partida para a ação, é a única garantia para a restauração constitucional/democrática.

O que nos cabe é insistir em mais do mesmo: mobilizar, unir e organizar as forças populares, em aliança com setores liberais e o capital produtivo, para isolar e derrotar o governo antipopular e antinacional, oferecendo ao país um novo pacto, que assegure a democracia, o desenvolvimento e a soberania, no rumo de uma sociedade mais justa, sonho do qual não abrimos mão.
Posted: 02 May 2017 05:37 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



A atitude de João Dória, nas manchetes dos sites, atirando fora, pela janela do carro, as flores que uma ciclista lhe deu pelo crescimento das mortes nas marginais tem certamente outras razões além dos eu desprezo pela vida humana. Não, claro, que ele não as mereça, depois que liberou o aumento de velocidade nas vias – veja aqui o gráfico da Folha sobre o número de atendimentos do Samu naquelas rodovias .

Mas o que mexeu com os nervos do rapaz quase sessentão, foi o resultado do Datafolha, divulgado hoje.

Tocou no ponto G da sua existência.

Doria é um homem que se nutre da própria vaidade e aparecer como um quase nada na corrida presidencial, depois de sua entrada triunfal no cenário político, foi um bater de frente com a realidade de sua pouca significação política.

Afinal, depois de por de joelhos, na mídia, os “seniores” Aécio Neves e Geraldo Alckmin, aparecer estatisticamente tão mal quanto eles é de atirar fora o suéter de cashmère, o macacão de gari e o de pedreiro.

Surgir léguas atrás daquele bronco do Jair Bolsonaro, um Doria que limpa a boca na toalha e palita os dentes depois de comer comunistas, então, é mortal para seu ego.

O lugar onde dói ao Doria é a sua razão de viver: a vaidade, a egolatria.

É por isso que ele dá chiliques.

Doria é uma piada tão ridícula quanto aquilo que a elite paulistana – que não é um lugar geográfico mais, mas um stupid way of life, que se reproduz em todos os estados – se tornou.

Eles se acham, creem que o dinheiro e os chavões primários que repetem os tornam admiráveis, modelos incontestáveis.

São todos patos da Fiesp, a demonizar o Estado, justo o Estado que querem dirigir e controlar, por uma única razão: a de não permitir que alguém o controle em benefício público.

Afinal, não precisamos mais que a caridade, do que algumas doações de empresa em troca de merchandising, para alcancemos a justiça social, não é?

A política brasileira não é apenas podre. É uma podriça onde os vermes usam black-tie.

Comprado em Miami, naturalmente.
Posted: 02 May 2017 05:30 AM PDT
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Michel Temer é um fenômeno. Comanda um governo com aprovação de um dígito e oito ministros investigados por corrupção. É alvo de duas acusações graves por delatores da Odebrecht. Para a larga maioria dos brasileiros, o País está no rumo errado e deveria haver novas eleições. Apesar de tudo, ele aprova medidas impopulares no Congresso. Como? Fácil entender.

O presidente entregou-se ao “semiparlamentarismo”, governa em comunhão com deputados e senadores, como ele diz desde os primeiros dias no poder. Ou seja, o Congresso ajuda o peemedebista.

Os congressistas foram eleitos, em regra, com grana doada por empresários, e estes festejam as impopularidades. Quer dizer, a turma do PIB não tem do que reclamar.

Além disso, a grande mídia apoia o governo, e seu noticiário parece tentar acalmar a população, ao contrário de atiçar, como nos tempos de Dilma Rousseff.

Temer estreou o discurso do “semiparlamentarismo” ao apresentar as linhas gerais de sua política econômica, em uma reunião com aliados e ministros no Palácio do Planalto em 24 de maio de 2016, doze dias após assumir. “Muitas vezes eu leio e ouço a afirmação que de que eu estou instituindo uma espécie de semiparlamentarismo. Isso naturalmente me envaidece”, disse.

Foi um truque retórico, na verdade era Temer quem colocava na praça a ideia “envaidecedora”. De lá para cá, repetiu-a em cinco discursos, conforme registros do Planalto. Um almoço com ruralistas (julho de 2016), um ato de medidas econômicas (dezembro de 2016), a posse de dois ministros (março de 2017), uma reunião com empresários (idem) e um evento do Bank of America (idem).

O “semiparlamentarismo” de Temer é puro fisiologismo. Distribuição de cargos federais e dinheiro do orçamento para obras indicadas por parlamentares, as chamadas “emendas”, em troca de apoio no Congresso. Nada a ver com disposição para negociar votações. “Esse governo é autoritário, não dialoga”, dizia no fim de 2016 o deputado pernambucano Tadeu Alencar, então líder do PSB.

Na volta das férias dos congressistas, Alencar perdeu a liderança do PSB para a ruralista Tereza Cristina, do Mato Grosso, tida como mais dócil ao Planalto. Uma troca, comenta-se nos bastidores, resultante de intervenção do Planalto no PSB, cuja direção acaba de declarar posição oficial contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Um exemplo claro de fisiologia escondida sob o véu de “semiparlamentarismo” foi uma negociação de Temer com o nanico PTN. Berço de 13 deputados, anunciou em 5 de abril sua saída da base aliada. Às vésperas da reforma da Previdência, cada voto conta, e o presidente não titubeou. Deu ao PTN o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), orçamento anual de 2 bilhões. Pronto. O PTN voltou ao seio governista.

Mais um exemplo. O presidente resolveu mandar embora o ocupante de cargos federais indicado por deputados que votaram contra a reforma trabalhista, conforme notícia da Folha de S. Paulo do sábado 29 de abril. A prometida degola busca amedrontar deputados hesitantes na reforma da Previdência, a próxima batalha governista na Câmara.

A aprovação da reforma trabalhista pelos deputados na quinta-feira 27 é ilustrativa da força da grana no Congresso, uma das razões para Temer triunfar com suas impopularidades até aqui. No dia da votação, o deputado André Figueiredo, do PDT do Ceará, subiu à tribuna para criticar e disparou: “Temos de prestar contas a quem nos elege e não a quem nos financia em campanhas milionárias”.

A imensa maioria dos deputados dependeu de grana de empresa para fazer campanha, uma espécie de captura da democracia pelo poder econômico. Um do PMDB, voto favorável à reforma, costuma dizer: “Voto de opinião não elege mais ninguém, o que elege é dinheiro”. Um quadro que talvez mude em 2018, já que por ora está proibida a contribuição empresarial na próxima eleição.

O perfil dos deputados também explica o sucesso da reforma. Dos 513 eleitos em 2014, a bancada empresarial tem 221, conforme o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), constituindo-se na maior tropa temática da Câmara. Muitos ali legislaram em causa própria.

E ainda houve lobby empresarial na veia. O site The Intercept, do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, investigou os arquivos eletrônicos das 850 emendas à reforma apresentadas por deputados. E descobriu, com base nos “metadados”, informações sobre a origem dos arquivos, que 292 foram redigidas em computadores das confederações nacionais do transporte, dos bancos, da indústria e da associação nacional de logística.

A troco de quê os deputados encamparam tais ideias? O Ministério Público Federal podia investigar. O presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), é campeão de inquéritos na Operação Lava Jato, ao lado do tucano Aécio Neves, por comercializar emendas, entre outras coisas.

Como estão em comunhão com o Planalto e o empresariado, os deputados parecem não ter dado a mínima para o fato de que, no dia da votação da reforma, uma pesquisa revelou que o governo Temer tem uma das mais baixas, se não a menor, aprovação da história brasileira. Somente 4%, segundo o instituto Ipsos. Mais: 92% vêem o País no rumo errado.

A última leva de pesquisas foi um desastre para Temer. CUT/Vox Populi de 12 de abril: 5% aprovam o governo, 65% desaprovam, 93% rejeitam a reforma da Previdência. Datafolha de 30 de abril: 9% aprovam o governo, 61% reprovam, 85% querem eleição direta para presidente.

Essa leva de pesquisas foi inaugurada pelo Ibope em 31 de março e dali saiu uma pista da importância do empresariado no respaldo a Temer. A aprovação do governo era de 10% e a desaprovação, de 55%. Ao analisar o resultado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), contratante da pesquisa, disse que “o custo político de promover as reformas necessárias para impulsionar o crescimento do país reduziu a popularidade do presidente Michel Temer”.

Blindado pelo empresariado, blindado pelos órgãos de comunicação. A cobertura jornalística da greve geral de 28 de abril, convocada contra as reformas trabalhista e da Previdência, deixou isso claro, quando se compara com a postura da mídia estrangeira.

O jornal New York Times noticiou assim: “Cidades brasileiras paralisadas por greve nacional contra a austeridade”. A BBC de Londres: “Brasil atingido por sua primeira greve geral em 20 anos”. O Le Monde francês: “Uma greve geral histórica, mas menor do que o esperado”. O El País da Espanha: “Greve geral desafia as reformas do governo brasileiro”.

Por aqui, o noticiário minimizou o fato ao questionar se era mesmo uma greve “geral”, privilegiou os transtornos de trânsito causados pela greve e os confrontos entre black blocs e policiais, entre outras. Um ponto de vista favorável ao governo e contrário aos grevistas.

O apoio dos grandes órgãos de comunicação ao governo Temer é numérica e qualitativamente evidente, segundo o Manchetômetro, site que acompanha o jornalismo no Brasil e é feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

De acordo com o Manchetômetro, a grande mídia trocou a postura “cão de guarda” adotada com Dilma Rousseff por uma “lua de mel” com Temer. De janeiro de 2015, início do segundo governo Dilma, a abril de 2016, mês em que a Câmara abriu o impeachment, havia em média 16 notícias mensais favoráveis ao governo. A partir da posse de Temer, maio de 2016, a média subiu a 69.

Outro comparativo midiático favorável a Temer pôde ser visto em um levantamento do site Poder 360 sobre o produto jornalístico de maior alcance no Brasil.

O site examinou o noticiário do Jornal Nacional, da Rede Globo, entre 11 e 17 de abril, período iniciado com a divulgação dos políticos que seriam investigados na Operação Lava Jato em consequência das delações de executivos da Odebrecht. Conclusão: Temer e o PMDB foram personagens de apenas 5 minutos do JN.

O campeão de aparição foi o ex-presidente Lula, com 33 minutos. Em seguida, Dilma, com 18. Depois, os senadores tucanos Aécio Neves, com 16, e José Serra, com 9. Antes de Temer, surgiram ainda o petista Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, e Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil, com 7 minutos cada.

O presidente da República não será investigado pois, pela Constituição, só pode ser processado por fatos praticados durante o mandato. De qualquer forma, é alvo de duas acusações sérias.

Um delator, Claudio Melo Filho, ex-lobista da Odebrecht, diz que Temer realizou em maio de 2014 um jantar no Palácio do Jaburu, casa do peemedebista desde 2011, para captar 10 milhões de reais em dinheiro sujo da empresa para desfrute de correligionários em campanha, caso de Paulo Skaf, que concorreu ao governo paulista na eleição daquele ano.

Outros dois delatores, Marcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industria, e Rogério Araújo, ex-diretor de Novos Negócios da mesma unidade, dizem que o escritório de Temer em São Paulo foi palco em julho de 2010 do acerto final de uma falcatrua de 40 milhões de dólares a envolver fraude na Petrobras. A tramoia também teria fins eleitorais – 2010 foi ano de campanha. Uma planilha entregue ao Ministério Público Federal pelos dois delatores mostra que o pagamento de propina começou seis dias depois da reunião no escritório.

Impopular e delatado, não importa. Michel Temer segue firme.
Posted: 02 May 2017 05:24 AM PDT
Por Jeferson Miola

“Governo não tem alternativa a não ser prosseguir com sua agenda”, editorial da FSP de 29/4/2017.

“Nenhuma boquinha terminou no Brasil sem certa dose de esperneio e gás lacrimogêneo. A sexta-feira que passou foi dedicada a isso. Vida que segue”. Gustavo Franco, desastroso presidente do BC de FHC, hoje banqueiro, no artigo “Reforma trabalhista: só o começo”, em O Globo de 30/4/2017.


O 28 de abril de 2017 entra para a história como o dia da mais contundente demonstração de resistência do conjunto do povo brasileiro ao pacto antinacional e escravocrata que as classes hegemônicas tentam impor com o golpe de Estado.

Mais de quarenta milhões de trabalhadores fizeram a maior greve geral da história do país e, possivelmente, do mundo moderno, pois o Brasil é o quinto país mais populoso do planeta. Praticamente toda a produção industrial foi interrompida, quase todo o comércio, transportes e serviços ficaram paralisados, e as igrejas estimularam o engajamento dos seguidores à greve.

A greve foi geral, nacional e unitária. Preparada unificadamente pelas centrais sindicais, afetou todos os setores e categorias econômicas, se espalhou por todo o território nacional e ampliou a consciência do povo a respeito dos retrocessos e sofrimentos impostos pela oligarquia golpista. Foi notável, também, a adesão das mesmas classes médias que estiveram associadas ao golpe e que hoje, envergonhadas, se opõem à cleptocracia golpista.

Em que pese a magnitude, a greve só foi noticiada como greve geral na imprensa estrangeira. A mídia nacional produziu uma narrativa manipulada e criminalizadora. A Globo proibiu seus veículos de mencionarem greve geral no noticiário: adotou o sofisma “protesto das centrais sindicais”, enfoque que diminui a potência e o significado deste extraordinário acontecimento.

A greve representa uma inflexão na conjuntura política do país; muda a correlação de forças e instala o impasse político. O bloco dos subalternos se uniu, recuperou forças, radicalizou-se e sinaliza que não vai recuar do estágio [defensivo] em que se encontra.

O bloco golpista, por outro lado, cada vez mais debilitado por escândalos e pelo desemprego de quase 15 milhões, enfrentará crescentes dificuldades para a continuidade da sua estratégia [ofensiva] de dominação destrutiva e de restauração ultra-neoliberal.

A greve não alterou a natureza do período – é um período de derrota, que segue sendo defensivo e de resistência ao mais brutal ataque antipopular e antinacional que se conhece; mas a greve alterou a qualidade da luta e da resistência democrática das classes subalternas – radicalizada, unitária e intransigente, que poderá se expandir e derrotar o golpe.

Este parece ser o sentido do impasse instalado pela greve geral; conseguiu criar um momento de imobilidade transitória no tabuleiro da luta de classes, ainda que a supremacia política, é necessário sublinhar, siga sendo do bloco golpista, que conta com o suporte da ditadura jurídico-midiática Globo-Lava Jato e com o apoio da maioria corrupta do Congresso e do grande capital nacional e internacional.

É uma incógnita a influência da greve no posicionamento dos parlamentares da cleptocracia golpista na votação das reformas trabalhista e previdenciária. É muito provável que a base do governo sofra forte pressão das parcelas significativas dos seus eleitores que aderiram à greve.

Em março de 2016, no auge dos “protestos dominicais” da Globo, da Fiesp e das entidades da direita fascista [MBL, Vem pra rua] que pediam o impeachment fraudulento da Presidente Dilma, não mais que dois milhões de pessoas das classes médias e ricas saíram às ruas, e isso – chamado ironicamente como a “voz das ruas” [sic] – foi o argumento cínico para o apoio ao processo criminoso presidido pelo hoje presidiário Eduardo Cunha.

É de se supor, em vista disso, que uma mobilização verdadeiramente popular e 20 vezes maior, influencie o voto dos parlamentares. O problema para o empreendimento golpista, porém, é que se Temer não entregar esta agenda exigida pelo grande capital, a cleptocracia chega ao fim; se tornará irrelevante aos propósitos do golpe.

O 28 de abril inaugura uma nova etapa da luta de classes no Brasil. Não estivesse o país em pleno regime de exceção, sob um golpe de Estado e submetido à ditadura Globo-Lava Jato, depois dos eventos de 28 de abril o governo Temer seria encerrado e o Congresso aprovaria uma emenda constitucional convocando eleições diretas já para a Presidência da República.

Não há sinais, por enquanto, de recuos do bloco golpista. A FSP e o banqueiro tucano, vozes golpistas epigrafadas no início do artigo, reforçam a opção de endurecimento autoritário e fascista do regime.

O conflito, por isso, está nitidamente estabelecido. O povo unido nas ruas aos milhões exibiu sua força e vitalidade, e indicou claramente que não aceita nenhum direito a menos; nenhum retrocesso patrocinado pelo governo ilegítimo.

O 28 de abril evidencia a radicalização da luta e da resistência do campo democrático e popular. O enorme êxito da greve geral prenuncia a disposição do povo de resistir de todas as formas e, inclusive, com novas greves gerais, para pôr fim ao golpe e à cleptocracia golpista.

A consciência uníssona das [verdadeiras vozes das] ruas grita “Fora Temer” e “diretas já”; palavra de ordem que indica a única saída estável para o grave impasse do país. Caso, todavia, o arbítrio fascista decida eliminar Lula da cédula eleitoral, o país poderá ser jogado no caos.
Posted: 02 May 2017 05:00 AM PDT
O estudante Mateus Ferreira, Goiânia, 28/4/17
Por Altamiro Borges

No clima do estado de exceção que impera no país desde o "golpe dos corruptos" do ano passado, as forças policiais têm agido de forma violenta e arbitrária contra os movimentos sociais. Na histórica greve geral de sexta-feira passada (28), a PM voltou a esbanjar covardia em vários Estados. No Rio de Janeiro, bombas foram lançadas contra o palanque dos manifestantes durante o ato que transcorria em absoluta tranquilidade. Em Goiás, um comandante da PM revelou toda a sua crueldade ao atingir um jovem com seu cassetete. O estudante, que teve traumatismo craniano, segue internado em estado grave. Em São Paulo, a Polícia Militar também disparou bombas e balas de borracha e três ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) estão detidos como presos políticos. 

Diante desta cavalgada de repressão, as forças democráticas precisam urgentemente tomar atitudes. Além do pedido de abertura de processos para investigar os abusos policiais, é necessário denunciar os governadores truculentos destes Estados - Luiz Pezão (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Geraldo Alckmin (PSDB-SP). É urgente também acionar os organismos internacionais, como a ONU e a OEA, para condenar a escalada autoritária no país. Nas próximas duas semanas, o Comitê de Direitos Humanos da ONU analisará a situação política do Brasil. Será uma ótima oportunidade para denunciar as violações em curso no país governado ilegitimamente pela quadrilha de Michel Temer.

Bombas e tocais no Rio de Janeiro

Sobre os três casos citados, há inúmeras provas disponíveis. No Rio de Janeiro, lembra o Jornal, "um vídeo mostra o momento exato em que a PM lança uma bomba de gás lacrimogêneo contra um palco montado na Cinelândia. A bomba foi lançada pela PM no instante em que o deputado estadual Flavio Serafini (Psol) pedia que os agentes não fossem violentos e não lançassem mais bombas, enquanto a multidão se dispersava. 'É importante que todos vejam a forma arbitrária como a tropa de choque agiu ontem. Pedíamos paz e fomos alvejados', afirmou o deputado em uma postagem no Facebook. Além de Flávio Serafini, estavam no palco outros parlamentares e representantes de movimentos sociais. Os participantes do ato contra as reformas trabalhista e da Previdência cantavam o Hino Nacional pouco antes da ação da polícia".

Diante da selvageria, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção do Rio de Janeiro, divulgou nota em que "repudia veementemente a violenta ação da PM contra milhares de manifestantes que participavam de ato no fim da tarde desta sexta, dia 28, na Cinelândia... Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. Se houve excessos por parte de alguns ativistas, a Polícia deveria tratar de contê-los na forma da lei. Mas o ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que tão-só exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito... O Brasil passou mais de duas décadas sob o jugo do autoritarismo. Não podemos admitir qualquer ensaio de retorno a aqueles tempos sombrios. É o alerta que a OAB/RJ, em seu papel institucional, faz nesse preocupante momento de nossa história. Democracia, sempre".

Ação covarde e assassina em Goiás

Já em Goiás, governada pelo truculento tucano Marconi Perillo, as cenas de violência são chocantes e também foram registradas em vídeos e fotos. Sem qualquer motivo, os policiais desferiram golpes de cassetete e dispararam várias bombas e balas de borracha. No meio da confusão, o estudante Mateus Ferreira foi covardemente atingido por um comandante da PM, que já foi identificado e afastado do cargo. Segundo relato do site Sputinik, "o estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiânia (UFG), Mateus Ferreira, participou da manifestação da greve geral em Goiânia na última sexta-feira (28). Ele sofreu um traumatismo cranioencefálico e diversas fraturas após um policial o golpear com um cassetete na cabeça".

"Segundo o boletim médico divulgado, o estudante está internado em estado grave no Hospital de Urgências de Goiânia e respira por aparelhos. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou o momento exato da agressão policial. Mateus foi agredido enquanto corria junto com a dispersão do ato após a polícia jogar bombas de gás lacrimogênio. As imagens mostram claramente os policiais agredindo os manifestantes de forma deliberada". A Universidade Federal de Goiânia publicou nota condenando a ação policial. "Mateus sofreu uma agressão unilateral, criminosa e irracional por parte de um profissional que, investido em suas funções segundo o regime artigo 144, parágrafo  da Constituição para manter a ordem, promoveu a ilicitude e a barbárie na manhã do dia 28 de abril, incorrendo arbitrária e imotivadamente contra os direitos fundamentais e a integridade físico-corporal de um cidadão", diz a nota.

Os presos políticos de São Paulo

Já em São Paulo, o reino dos tucanos bicudos há duas décadas, a PM barbarizou durante todo o dia da greve geral. Foram várias cenas de truculência nas estradas bloqueadas, nas estações de trem e metrô e no centro da capital paulista. Babando ódio, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, dois fascistoides convictos, deram declarações estimulando a violência policial e estigmatizando os manifestantes. No final do dia, o governo tucano ainda contabilizou três presos políticos. O MTST divulgou uma nota repudiando a ação repressiva:

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Neste sábado (29/4), no fim do dia, a juíza Marcela Filus Coelho rejeitou pedido dos advogados do MTST e, “em nome da ordem pública”, manteve presos arbitrariamente os ativistas Juraci Alves dos Santos, Luciano Antonio Firmino e Ricardo Rodrigues dos Santos. Não há nenhuma prova contra eles. Há apenas o “relato” dos policiais militares.

Os três estão na carceragem do 63º DP e podem ser encaminhados a qualquer momento para presídio. Pelo que sabemos, são os únicos manifestantes detidos na sexta que permanecem presos. São os presos políticos da Greve Geral.

O MTST irá reagir com mobilizações nos próximos dias. E nossos advogados entrarão com habeas corpus nesta segunda-feira buscando reverter esta arbitrariedade. Segue relato do advogado do Movimento, com mais detalhes sobre o caso.

Relato do advogado do MTST, Dr. Felipe Vono:

Juraci Alves dos Santos, Luciano Antonio Firmino e Ricardo Rodrigues dos Santos, os três militantes do MTST presos em Itaquera no dia 28 em manifestação contra as reformas, estão sendo acusados por incitação ao crime, incêndio criminoso e explosão. Os fundamentos das prisões são nitidamente políticos.

O delegado considerou como “incitação” as palavras de ordem dirigidas pelos militantes contra o Governo Temer, as reformas trabalhistas e previdenciária. Luciano está sendo acusado pela suposta prática de incêndio, quando na verdade nenhum pneu chegou a ser queimado na pista ao longo desta manifestação, que ocorreu na Radial Leste.

Importante mencionar que o país vivenciou no dia 28 a maior greve nos últimos trinta anos, tendo ocorrido em todo país milhares de travamentos em avenidas, estradas e rodovias. Não há notícias de manifestantes presos. O fato só evidencia portanto a desproporção e ilegalidade da prisão.

Juraci e Ricardo, por sua vez, estão sendo falsamente acusados de explosão pois teriam atirado rojões na direção dos polícias. A única “prova” que fundamenta esta versão é a palavra dos próprios policiais. Apesar de os polícias terem vasculhado todo o local, entrado de maneira ilegal na Paróquia de um Padre e averiguado o carro de Juraci a procura de provas, nenhum rojão foi encontrado. Um vídeo apresentado pela defesa dos militantes demonstra ainda que o ato corria pacificamente no momento em que os policiais decidem atirar bombas contra os manifestantes.

Não há, portanto, nenhuma prova que confirme a acusação dos polícias. Tampouco de que apenas por serem militantes de movimentos sociais representam algum tipo de ameaça à ordem pública, argumento típico de regimes de exceção. A prisão de Juraci, Luciano e Ricardo é uma forma de transformar a luta contra o governo gemer e as Reformas Previdenciária e Trabalhista em crimes. Liberdade imediata aos presos políticos da Greve Geral!

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Posted: 01 May 2017 05:44 PM PDT
Por Altamiro Borges

Na histórica greve geral de 28 de abril, que teve a adesão de mais de 40 milhões de trabalhadores em todo o país, a Igreja Católica cumpriu um papel de relevo. Após vários anos de omissão e até de cumplicidade com as forças reacionárias e golpistas, arcebispos, bispos e padres voltaram a clamar pelos fracos e oprimidos – o que prova a influência redentora do Papa Francisco. Vídeos dos sermões criticando as “reformas” trabalhista e previdenciária do “satanás” Michel Temer bombaram nas redes sociais. A presença dos religiosos nos atos e passeatas de sexta-feira emocionou as pessoas – crentes ou não – que aprenderam a admirar a Teologia da Libertação e seus corajosos difusores. A mensagem aprovada neste final de semana na Assembleia Ordinária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada no Santuário de Aparecida (SP), só confirma esta mudança de postura da cúpula da Igreja. Vale conferir:

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Mensagem da CNBB aos trabalhadores (as) do Brasil:

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos.

O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência).

É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília

Presidente da CNBB


Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ

Arcebispo São Salvador da Bahia

Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário-Geral da CNBB


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