domingo, 7 de maio de 2017

7/5 - Altamiro Borges DE 6/5

Altamiro Borges


Posted: 06 May 2017 09:43 AM PDT
Por Igor Felippe Santos

A disputa de projetos para a agricultura brasileira se apresentou para a sociedade brasileira na realização na mesma semana de duas grandes feiras. Na cidade de São Paulo, maior centro urbano do país, os acampados e assentados da reforma agrária, organizados pelo MST, promovem a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. Em Ribeirão Preto, berço do agronegócio no interior paulista, associações dos grandes latifundiários realizaram uma das maiores feiras do segmento, a 24ª Agrishow.

A feira da reforma agrária, que envolve mais de 800 camponeses e camponesas de 23 estados, comercializa 280 toneladas alimentos para os paulistanos: arroz, feijão, tomate, mandioca, cebola, banana, abacaxi, queijos, leite, mel, suco de uva, produzidos em pequenas propriedades, a maior parte sem a utilização de agrotóxicos.

O evento do agronegócio exibe inovações tecnológicas para a produção em latifúndios, como tratores, colheitadeiras, podadoras, trituradores, escavadeiras, aeronaves, pulverizadores, voltados para a produção em grandes propriedades voltados para exportação, como soja, milho, carnes, algodão e etanol.

Enquanto uma feira expõe a produção de famílias de trabalhadores rurais de todas as regiões do país, que conquistaram a terra em um programa público de reforma agrária, a outra exibe máquinas modernas fabricadas por grandes empresas privadas, inclusive estrangeiras. (link: http://agrishow.infoexpo.com.mx/2017/ae/web/plano/public?lan=pt&view=1) .

Se uma tem como público-alvo pessoas comuns, famílias que vivem em São Paulo e querem comprar uma variedade de alimentos diretamente dos produtores, a segunda é voltada para médios e grandes empresários que pagam em torno de 30 reais de ingresso (https://www.agrishow.com.br/pt/visitar/ingresso-agrishow.html) para conhecer as novidades tecnológicas para renovar seus bens de produção e sobreviver em um mercado altamente competitivo.

Independente do juízo de valor que qualquer um possa fazer em relação às mostras, o caráter público da feira da reforma agrária é mais do que evidente.

No entanto, o Jornal da Band, apresentado na noite desta sexta-feira (5/5), usa tom de denúncia para reportar a “polêmica” sessão de um parque público e acusa o apoio do governo municipal, estadual e federal à feira promovida por trabalhadores rurais que atuam no MST. (link http://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/ultimos-videos/16209342/parque-publico-e-usado-para-realizacao-de-evento-do-mst.html )

E logo em seguida, sem demonstrar nenhum constrangimento, apresenta uma “reportagem”, na realidade uma propaganda explícita, da mostra de tecnologia do agronegócio.

A sessão de um parque público pelo governo estadual para uma feira aberta de camponeses de todo o país e o apoio institucional para a promoção da produção de assentados por meio do programa público de reforma agrária geram “polêmica” para a Band.

No entanto, não gera qualquer polêmica o governo federal, governo estadual e prefeitura de Ribeirão Preto bancarem a Agrishow, que atende interesses eminentemente privados e ainda cobra ingressos para a entrada. Inclusive, não gera polêmica alguma o evento acontecer no chamado Centro da Cana, do Instituto Agronômico da secretaria de Agricultura e Abastecimento do governo estadual (http://www.iac.sp.gov.br/areasdepesquisa/cana/).

Ou seja, o governo do estado atuou com isonomia e cedeu espaços públicos tanto para a feira dos assentados como para os latifundiários.

O procurador de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa, secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, atuou de forma republicana. Já o secretário do Meio Ambiente, Ricardo Salles, indicado pelo PP e ex-diretor da Sociedade Rural Brasileira, agiu como cão de guarda dos segmentos mais reacionários do latifúndio.

A reportagem claramente encomendada da Band tem objetivos claros: queimar o secretário Marcio Fernando, criar constrangimentos para o poder público e impor dificuldades para a realização das próximas feiras da reforma agrária.

A Agrishow está na sua 24ª edição, mas a família Saad e os segmentos mais atrasados do agronegócio não querem uma terceira feira nacional da reforma agrária no Parque da Água Branca, no coração da cidade de São Paulo.

Não admitem que os assentados tenham a oportunidade de mostrar à população a produção da reforma agrária. Não querem desvelar o potencial da pequena agricultura, que produz em quantidade e qualidade com apenas 15% do crédito investido pelo governo federal no Plano Safra.

Não têm serenidade em acompanhar, com um raro sentimento de impotência, que milhares de pessoas que visitam a feira possam ver com os próprios olhos não apenas a farta produção, mas o rosto, as mãos, o cuidado e a dedicação de um povo trabalhador que costuma ser chamado nos noticiários de invasores, baderneiros e bandidos.

Não suportam que aqueles que “invadem terra” melhoram de vida, obtém conquistas e, por meio da luta e do suor do próprio trabalho sem patrão, ocupem um parque no centro de São Paulo com a sua produção de alimentos, cultura, cara e coragem.

Não aguentam ver que a realidade fabricada pelos latifundiários e seus braços ideológicas na grande mídia cair por terra, diante da contradição imposta pela experiência concreta que a feira da reforma agrária proporciona a milhares de paulistanos desejosos de alimentos saudáveis de qualidade quando se deparam com os resultados da luta do MST e da reforma agrária popular.

Os cães ladram e a caravana passa. Até a próxima feira nacional da reforma agrária em 2018!
Posted: 06 May 2017 09:34 AM PDT
Do site Lula:

Na abertura do 6º Congresso Estadual do PT de São Paulo, na noite desta sexta-feira (5), em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está com mais disposição em disputar as eleições presidenciais em 2018 do que jamais esteve, inclusive a primeira vez em que concorreu ao cargo, em 1989. Alvo de uma perseguição jurídico e midiática que já dura mais de dois anos, Lula desabafou:

"Eles conseguiram aflorar em mim, aos 72 anos, uma coisa que eu pensei que já havia passado. Agora, que resolveram tentar destruir uma biografia, que eu não devo a eles, que só devo ao povo, terão que me enfrentar outra vez nas ruas deste país", disse o ex-presidente, que completou: "Não vou permitir que continuem mentindo. Tudo o que eu desejo na vida é disputar as eleições contra o candidato da Rede Globo de Televisão", anunciou Lula.

Ainda dentro da mesma temática, o ex-presidente concluiu: "Não foram poucos os almoços e conversas que tive com a família Marinho (dona da Rede Globo). Eles nunca nos respeitaram. Quero que eles tenham um candidato que tenham um plim plim no peito, para nós dizermos com todas as letras: nós vamos regulamentar a comunicação neste país. Não é possível que existam nove famílias que sejam donas de todos os maiores meios de comunicação da nação".

Aproveitando a presença do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, Lula falou dos desafios que envolvem não só o Brasil, mas toda a América Latina: "É verdade que a direita está assumindo uma postura de retomar à força o espaço perdido para a esquerda neste século, inclusive com o golpe vergonhoso dado em cima do PT e da presidenta Dilma Rousseff. O que a gente percebe é um avanço internacional da extrema direita e da direita, e é preciso resistir."

Falando a uma plateia de filiados petistas, Lula afirmou: "Eu agradeço por acordar vivo, pelo dia que tive e quando, vou deitar, peço a Deus que me deixe acordar de novo, porque tenho que ver vocês todo santo dia. E eu, com toda esta fé, nunca estive com tanto tesão para concorrer à Presidência". O ex-presidente Mujica também falou durante o evento do PT.

O ex-presidente do Uruguai, em sua fala, destacou os traços comuns existentes em todos os países da América Latina. "Somos o continente mais rico em recursos naturais, mas o mais injusto que há em cima da Terra. Temos que nos dar conta que há uma batalha continental, e a responsabilidade do Brasil também é continental."

De acordo com o líder do país vizinho, "há uma direita fascistoide que quer confrontação com as forças progressistas em todo o mundo, para reduzir os direitos conquistados por meio da luta de classe". "É preciso tomar cuidado para não cair no ódio", alertou o uruguaio, que passou 14 anos como preso político em seu país antes de se tornar presidente.
Posted: 06 May 2017 09:02 AM PDT
Posted: 06 May 2017 08:44 AM PDT
Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

Acuado por várias federações sindicais e por inúmeros movimentos sociais, o presidente-tampão Michel Temer gravou, pouco antes da greve geral, algumas palavras sobre o 1º de Maio. Naquele dia, ele ficou frente a frente com o bicho-papão. Ou seja, a condenação do seu governo Brasil afora. A voz de Temer, em busca de apoio às medidas repudiadas pelos trabalhadores e pela maioria da sociedade, foi sufocada pelo barulho das manifestações expressivas em número de participantes.

A coincidência puniu Temer. Um dia antes foi anunciado o número de desempregados no país. A conta, mais de 14 milhões, formou a moldura das reações das ruas. Além do mais, dava-se o primeiro aniversário do golpe. Será que os golpistas, Temer à frente, se habilitam a entender que botaram o Brasil em ebulição?

Diante disso, podem ser ainda mais perturbadores os resultados sociais, caso sejam aprovadas no Congresso as transformações na legislação trabalhista e na Previdência. Temer pode ser um dos algozes dos benefícios sociais. O outro é Fernando Henrique Cardoso, que chegou a apregoar o fim da Era Vargas.



Acobertado pela mídia, Michel Temer mesmo assim preferiu se refugiar em um YouTube multiplicado na sequência pelas redes sociais. Nele, o presunçoso presidente da República afirmou a seus “amigos e amigas” que o Dia do Trabalho, neste ano, marca “um momento histórico”. Pode ser. Não pelas razões vendidas por ele, e sim por imprevisíveis resultados do confronto comandado pelo Palácio do Planalto.

Três das afirmações do discurso: “Vai dar maior segurança jurídica para o empregador e o empregado. Estamos fazendo isso para reformar o Brasil e gerar emprego”. Ainda ele: “Quero ser conhecido como o presidente que melhorou as condições econômicas, que fez as grandes reformas”. E por fim garantiu: “Além de mais empregos, o resultado será mais harmonia na relação de trabalho”.

Quantos “amigos e amigas” de Temer comprariam “carros usados” vendidos por ele? A resposta, talvez já superada pelo tempo, está em números da pesquisa CNI/Ibope feita no fim de março. Apenas 17% dos brasileiros confiam nele. Uma esmagadora maioria, 79%, não confia. Surpreende, de certa forma, que a maior desconfiança venha das classes mais abastadas, considerando as respostas dos entrevistados do Ensino Superior e da Renda Familiar (tabela).

A desconfiança, nesses casos, ultrapassa a marca dos 80%. Temer e aliados como o PSDB, por exemplo, julgavam que a “dor” do golpe passaria rapidamente porque, enganosamente, ficaria restrito aos gabinetes e corredores do Congresso. Grande engano. Os números abrem um abismo entre a esperança de alguns, no Brasil de cima, e o desespero outros, no Brasil de baixo.
Posted: 06 May 2017 08:39 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

A sensação de impunidade, mais a falta de civilidade e o desrespeito à democracia, têm tudo para transformar Curitiba numa praça de guerra no dia 10.

Grupos como Vem Pra Rua e o recém criado Lava Togas, de críticos ao STF, pagaram por mais de 30 outdoors contra Lula, alusivos a seu depoimento a Moro, espalhados pelas ruas principais.

Com desenhos diferentes, eles têm dizeres como “A ‘República de Curitiba’ te espera de grades abertas”.

É o estilo Felipe Melo conquistando os corações.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná havia adiado a audiência por causa, oficialmente, do esquema de segurança. Foi o que a Polícia Federal alegou, ao menos, a Sergio Moro.

Deltan Dallagnol assinou um documento com seus colegas do MPF querendo impedir que a audiência seja filmada pela defesa. A intenção era “proteger Lula”.

A gravação, diz ele, “poderia vir a revelar, de modo indesejável, conversas sigilosas mantidas entre advogados ou entre advogados e seus clientes, o que pode acabar por publicizar indevidamente estratégias adotadas no ato.”

Ora, Dallagnol e amigos poderiam dirigir esse zelo no sentido de evitar provocações baratas. Ou o quase linchamento de José Dirceu não é suficiente?

Militantes do PT e de movimentos sociais preparam caravanas. Segundo organizadores, fala-se em pelo menos 10 mil pessoas.

O prédio da Justiça Federal, onde ocorrerá o encontro, não terá expediente no dia do depoimento e será isolado por um perímetro de segurança de 150 metros.

Se a preocupação das autoridades é com ambos os lados, os painéis deveriam ser retirados imediatamente.

Além de tudo, nem todo curitibano é um coxinha sem noção e merece ver sua capital transformada num vilarejo do Velho Oeste que prepara emboscada para os inimigos enquanto bolas de feno rolam ao vento.

Quem vai responder se o pior ocorrer por causa desse tipo de desafio vagabundo? A canalha que assina esses paineis com #SomosTodosLavaJato?

Ou o prefeito da República de Curitiba, Sergio Moro?
Posted: 06 May 2017 08:26 AM PDT
Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

A enxurrada de notícias falsas na internet, que é motivo de preocupação de observadores e agentes da comunicação, mistura descuido, interesses e más intenções. Em debate realizado na manhã de hoje (5), o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil, disse que os divulgadores das chamadas fake news, que ele chamou de "submundo", já se tornaram fontes de informação. "A parte invisível da internet, os sites anônimos, que não têm expediente, que não tem quem assina, já formam opinião tanto quanto a parte visível", afirmou.

O evento foi promovido pela Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (Facom/Faap). Foi a primeira edição de uma parceria com o jornal espanhol El País – outras duas já estão programadas para este ano. "A gente está vivendo um momento tão complicado no Brasil que qualquer motivo é motivo para virar fake news", comentou a editora-executiva do El País Brasil, Carla Jimenez, citando caso ocorrido ainda ontem, sobre uma informação a respeito de emenda para prorrogar o mandato do atual governo.

"Antes do desmentido, já tinha ido pros blogs de esquerda e essa notícia pegou fogo. Essa ansiedade, a insatisfação e o estado emocional do país favorecem também essa disseminação de informações." Carla contou ter se assustado quando um jornalista catalão disse a ela estar espantado com o grau de polarização no Brasil. "A Catalunha (região da Espanha) vive esse dilema da separação há muitas décadas, e ouvir isso dele me chocou."

Autor de livro com título autoexplicativo (O que aprendi sendo xingado na internet), Sakamoto citou três casos em que foi envolvido em divulgação de falsas notícias. Contou que foi xingado e agredido na rua, além de alvo de uma cuspida (que não o acertou). "Na internet, o ônus da prova é do acusado. Você tem de provar que você não fez alguma coisa que alguém acabou colocando."

Há também aqueles que ajudam a espalhar essas notícias por identificação. "Pouco importa pra muita gente se aquilo é verdade ou mentira, o que importa é que aquilo pode ser usado como munição na guerra virtual. Você começa a usar aquilo à exaustão. Mesmo portais verdadeiros acabam caindo também nesse processo", diz Sakamoto, para quem a preocupação principal deve ser "qualificar o debate público".

Como se faz isso? Por exemplo, não dando likes (a imagem em que o polegar aparece levantado, sinal de que gostou da publicação) para coisas absurdas que se espalham na redes. "A partir daí, você tem a construção de uma verdade", afirma o jornalista, para quem a trollagem "é uma ciência".

O caso da figurinista Su Tonani, que recentemente denunciou o ator José Mayer por assédio, também levou a uma notícia falsa, de que eles teriam sido amantes. Isso a motivou a novamente se pronunciar, em um texto publicado hoje no blog #AgoraÉQueSãoElas, no portal UOL.

Segundo a coordenadora do curso de Jornalismo da Faap, a jornalista e cientista social Mônica Rugai Bastos, uma preocupação básica do profissional deve ser buscar as fontes, de preferência as que originaram a informação. Ela destaca a responsabilidade da mídia, mas também chama a atenção do leitor, do receptor da notícia. "Os veículos de comunicação também têm responsabilidade. (Devem) checar a informação, para uma produção de qualidade. Se a sociedade quiser, terá notícia de qualidade", afirmou. Mas muitas vezes, observou, à preocupação é de "repercutir o próprio ódio".

Uma falsa notícia sobre o fim do programa Bolsa Família chegou a ter mais de 400 mil compartilhamentos. Sobre a "prisão" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nove em 10 notícias compartillhadas eram fakes. Às vezes, uma simples consulta ao Google pode resolver o problema, diz o jornalista e cientista político André Rossi, sócio-fundador da Veto, empresa de inteligência de redes.

Ele também sugere desconfiar de sites com nomes que tentam "imitar" veículos conhecidos, citando a Folha Política. Rossi lembra que Google e Facebook começam a adotar medidas para tentar barrar a multiplicação de falsas informações. Também começa a aumentar o número de organizações que fazem checagem – segundo Carla Jimenez, chegam a 115, um número que o fundador da Veto ainda acha pequeno.

O debate lembrou a influência das notícias falsas nas recentes eleições norte-americanas. Em entrevista ao El País em novembro do ano passado, o diretor da Escola da Jornalismo da Universidade de Columbia, Steve Coll, via um ambiente contaminado por esse tipo de notícia e citou o exemplo da informação inverídica de que o Papa Francisco apoiava Donald Trump – 1 milhão de compartilhamentos.

Para Sakamoto, as notícias falsas já influenciaram a eleição brasileira em 2014. Ele citou a informação espalhada nas redes de que o doleiro Alberto Youssef tinha sido envenenado e estava à beira da morte em Curitiba. Não adiantaram nem sequer os desmentidos da própria Polícia Federal. "Acho que isso só tende a piorar. (Há) desde estruturas estruturas armadas para isso, mas também tem muita gente que é paga", afirmou, destacando a criação de perfis falsos, mas aparentemente convincentes. "Pra muita gente, confiável é quem fala aquilo que ela quer ouvir."

A uma pergunta sobre o caso Escola Base, sempre lembrado em escolas de Jornalismo, a coordenadora do curso da Faap observou que o repórter sempre deve questionar, entre outras coisas, por que algumas autoridades falam sobre determinados assuntos quando a investigação ainda está em curso. "Muitas vezes elas querem aparecer, e a mídia é uma das melhores formas pra isso." Mas ela ressalva que, naquele caso, a notícia original saiu de um delegado. "Tinha fonte."

O diretor da Repórter Brasil avalia que um dos problemas é a "falta de pluralidade" no espectro ideológico, em relação aos meios de comunicação. "Há espaço para todo mundo. O ideal seria que a gente tivesse veículos contemplando todo o espectro político, para que a população pudesse escolher." Em um momento em que todos podem ser "produtores" de notícias, ele disse esperar que "a gente esteja vivendo apenas uma adolescência da internet", à espera da maturidade.
Posted: 06 May 2017 08:17 AM PDT
Por Mauro Santayana, em seu blog:



Com a substituição da CLT pela CPPT - a Consolidação dos Privilégios de Previdência e Trabalho, o Brasil vai cumprindo, pouco a pouco, o ideal clássico e fascista de sua transformação em uma pseudo Nova Roma.

A invasão do parlamento por carcereiros, mostra o empenho de certos estratos da plutocracia de não ficar de fora do trem da alegria previdenciário que, covardemente, o sistema assegura aos servidores armados do estado e aos ligados ao poder de "justiça", ambos já beneficiados por altíssimos salários e toda classe de benesses, e continuará negando cada vez mais aos cidadãos comuns, de segunda classe, aprofundando a falta de isonomia e a desigualdade de destino que caracteriza, desde o nascimento, a sociedade brasileira.
Daqui pra frente, estaremos cada vez mais divididos, quanto ao futuro e às condições de vida, entre os centuriões, os acusadores e os juízes, a plebe e os servos feudais dos sonhos do Deputado Nilson Leitão, do PSDB do Mato Grosso, que, trabalhando por até 12 horas por 24, 18 dias ininterruptos, em troca apenas de teto e comida, serão rapidamente reduzidos à condição de escravos, sendo expulsos dos limites da propriedade quando seus braços já não aguentarem o batente, rumo à miséria ou ao cemitério.

Se tivessem um mínimo de coerência e vergonha, os deputados e senadores que estão aprovando essa reforma deveriam renunciar às suas aposentadorias, abraçando e adotando, para si mesmos, o modelo que pretendem impor à maioria dos brasileiros, que poderíamos chamar, "tout court", de FÉ EM DEUS E PÉ NA COVA.

Enquanto isso, a mídia que serve ao governo, bate, "didaticamente", ao modo do professor Goebbels, e dos técnicos do Ministério da Verdade de "1984", nos dados do déficit da Previdência, negando-se deliberadamente a informar à população que a maior parte da sangria do orçamento público é causada pelos juros mais altos do mundo, pagos a bancos particulares que lucram bilhões de reais - confiram os balanços e os jurômetros - por trimestre, em um país mergulhado no caos institucional, na paralisia e sucateamento - quando não na simples entrega aos estrangeiros, a preço de banana, - de obras e projetos importantíssimos, e no desemprego.
Posted: 06 May 2017 08:12 AM PDT
Por Gustavo Marinho, no site do MST:

Chovia em São Paulo quando jovens do MST e do Levante Popular da Juventude, em coro, repetiram diversas vezes: “é um tempo de guerra, é um tempo sem sol”, tomando a frente do palco principal da Feira Nacional da Reforma Agrária. A intervenção serviu para lançar um manifesto contra a criminalização dos movimentos sociais e contra a violência no campo, que foi lindo pelo cantor Tico Santa Cruz na noite desta última sexta-feira (5).

A chuva na cidade, o anúncio do “tempo sem sol” e as lágrimas de emoção dos muitos que assistiam a intervenção, fizeram do lançamento do manifesto um momento de denúncia, reflexão e afirmação da resistência em defesa da vida e da luta dos povos do campo.

“O golpe liberou as forças mais reacionárias e violentas do latifúndio e do agronegócio. As vítimas? Os camponeses, os indígenas, os quilombolas e os trabalhadores em geral”, destaca um trecho do manifesto.

O manifesto responsabiliza o governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB), aliado à imprensa golpista e ao Congresso Nacional, pelos assassinatos de indígenas, trabalhadores rurais e quilombolas. Somente em 2016, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), 61 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo, além das várias famílias que vivem ameaçadas de despejo.

A intervenção lembrou os casos em Colniza, no Mato Grosso, onde 9 camponeses foram assassinados, a morte de um militante do MST em Minas Gerais e o ataque criminoso contra 13 indígenas no Maranhão, todos no mês de abril.

O ato de lançamento do manifesto, que aconteceu durante as atividades culturais do segundo dia de feira, finalizou com a cobrança da resolução dos conflitos e com a reivindicação da realização da Reforma Agrária e a demarcação das terras indígenas e quilombolas como um caminho a ser percorrido.

Confira abaixo a íntegra do documento:

*****

Manifesto Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais e a Violência no Campo
O Governo Golpista é responsável pelo assassinato de indígenas, quilombolas e sem-terras. O golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff, promovido pela Rede Globo e o Congresso Nacional, com a conivência do Supremo Tribunal Federal (STF), não apenas rasgou a Constituição Federal de 1988 e colocou uma quadrilha para comandar o Poder Executivo. O Golpe liberou as forças mais reacionárias e violentas do latifúndio e do agronegócio.

As vítimas? Os camponeses, os indígenas, os quilombolas e os trabalhadores em geral. No Congresso eleito pela maracutaia legalizada das empresas, a bancada ruralista busca aprovar sem debater com a sociedade leis que atacam os direitos sociais e trabalhistas, que promovem a destruição ambiental, acobertam o trabalho escravo e retardam a demarcação das terras indígenas e dos quilombolas. Agora querem tirar a previdência das pessoas do campo e transformar o salário dos assalariados, no pagamento em comida e casa.

No campo, os latifundiários e o agronegócio contratam pistoleiros e jagunços para matar, prender, torturar, amedrontar e expulsar os pobres das terras.

Em Colniza/MT, dia 19/4, na semana que se completou 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, nove camponeses foram amarrados, torturados e assassinados a golpes de facão e com tiros de espingarda calibre 12.

No dia 24/4, o militante do MST de Minas Gerais Silvino Nunes Gouveia, foi assassinado com dez tiros na porta de sua casa. Dia 30/4, em Viana/MA, 13 indígenas ficaram feridos pela ação criminosa dos jagunços do latifúndio.

Será coincidência que essa violência ocorreu justamente no mesmo mês em que, no dia 3/4, o deputado federal Jair Bolsonaro, em palestra no Clube Hebraica/RJ, destilou sua verborragia criminosa para atacar as comunidade indígenas e quilombolas? Ele defendeu acabar com as reservas indígenas e os quilombos. Antes, na Paraíba havia prometido chumbo aos Sem Terra.

Há uma escalada de violência que, desde o ano passado, vem aumentando em números e em intensidade. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), somente em 2016 foram assassinados 61 pessoas em conflitos do campo, o maior numero desde 2003. Nesse momento, há varias áreas sob ameaça de despejos e em permanente tensão.

Denunciamos a situação das famílias que reocuparam suas próprias terras que haviam sido roubadas pela dupla Cabral/Eike em Batista, em São João da Barra/RJ.

Em Limoeiro no Ceará, há um projeto de irrigação do DNOCS ocupado por 400 famílias sob ameaça de despejo do próprio DNOCS. Na região de Montes Claros/MG, centenas de famílias são acoçadas por jagunços armados pelo fazendeiro, denunciado por corrupção pelo MPF.

Em diversos estados, temos companheiros presos injustamente pelo "crime" de lutar pela terra, sem nenhum julgamento, e outros resistentes à prisão, sem direito a viver em liberdade. Responsabilizamos o governo golpista por esse crimes cometidos. Em vez de tomar providências para punir os criminosos, o governo Temer se preocupa em perdoar as dívidas dos latifundiários para não perder o apoio no Congresso e o cargo que usurpou e para não sentar no banco dos réus da lava-jato. Ameaça, ainda, com projeto que autoriza a venda de nossas terras ao capital estrangeiro.

Responsabilizamos a mídia sob liderança da Rede Globo que criminaliza os movimentos populares do campo e indígenas, criando um clima que legitime a repressão policial e das milícias armadas dos latifundiários. Esse comportamento também provoca a violência contra movimentos populares urbanos, como aconteceu em Goiânia, Rio de janeiro e São paulo, durante a Greve Geral.

Responsabilizamos o Poder Judiciário e o Ministério Público, como classistas, seletivos em suas ações, partidarizados e com nítido viés elitista e preconceituoso contra a população pobre do campo.

Continuaremos lutando pela Reforma Agrária em nosso país e em defesa da demarcação das terras indígenas e da população quilombola.

Por uma Reforma Agrária Popular que garanta terra para trabalhar, respeito à natureza e alimentos saudáveis para todo povo!

Maio de 2017

2ª Feira Nacional da Reforma Agrária
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Posted: 06 May 2017 07:57 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

A questão da “reforma” da Previdência, que o rejeitado governo Temer quer impor aos brasileiros, esconde, por trás da difusão de uma fraude (o chamado deficit da Previdência), o necessário debate da realidade fiscal injusta que existe no Brasil.

O governo tenta justificar os ataques aos direitos dos trabalhadores alegando que o deficit da Previdência é insustentável, sendo a causa principal das dificuldades financeiras do governo.
Encontra dificuldades – que cresceram desde a greve geral do dia 28 de abril – mesmo em sua base parlamentar e tropeça na busca dos necessários 308 votos para aprovar a PEC 287/2016 que dificultará, e muito, o acesso dos trabalhadores à aposentadoria.

A grande ameaça do governo contra a Previdência afronta a Constituição de 1988, segundo a qual a Seguridade Social inclui a Previdência Social, assistência social e saúde. E relaciona as regras para seu financiamento.

Mas o governo golpista não cumpre a Constituição e apresenta as contas da Previdência de maneira truncada.

Esta é a essência da fraude, baseada na alegação de que, em 2016, teria ocorrido um deficit no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), de R$ 149 bilhões (cerca de 2% do PIB). Este número resulta de uma conta que a Constituição não autoriza, e que compara a arrecadação feita por patrões e empregados sobre a folha de pagamento, com os gastos com aposentadorias e demais benefícios pagos pela Previdência.

É uma conta ilegal e fraudulenta pois não leva em conta outras fontes importantes de financiamento da Previdência determinadas pela Constituição, que devem ser somadas às contribuições de patrões e empregados, como contribuições sobre Cofins, PIS, a Contribuição para a Seguridade Social (CSLL) e outras receitas recebidas pela União, destinadas ao financiamento da Seguridade Social.

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) mostra que em 2015 o superavit chegou a R$ 11 bilhões. A receita previdenciária foi de R$ 379,4 bilhões, a Cofins arrecadou R$ 266,4 bilhões, a CSLL chegou a R$ 183,5 bilhões; a receita da total da Seguridade Social chegou assim a R$ 829,4 bilhões.

O governo sonega esta montanha de dinheiro à destinação constitucional e a desvia ao atendimento da especulação financeira. O objetivo é reforçar o chamado superavit primário destinado ao pagamento de juros e parcelas da dívida pública exigido por banqueiros e especuladores.

Por isso a fraude. Para legitimar esta operação de pilhagem dos recursos públicos o governo apresenta números manipulados que simulam a existência de um deficit, uma mentira que a análise criteriosa dos números da Seguridade Social desautoriza.

Esta não é, contudo, a única maneira pela qual o governo Temer favorece a especulação financeira. Numa ponta o governo favorece o pagamento dos juros e parcelas da dívida, que tem ficado nos últimos anos com a inimaginável fatia de cerca de 45% do orçamento da União, beirando, em 2015, a quantia de R$ 1 trilhão!

Na outra ponta, os banqueiros são favorecidos pela reserva de mercado da Previdência privada, que pretende substituir (e mal) as obrigações que a Seguridade Social deixa de cumprir.

Tem razão a economista Denise Gentil (UFRJ) quando denuncia que a deturpação de informações é chave para incutir uma ideia depreciativa do sistema, de insolvência e de precariedade generalizada, sem correspondência na realidade.

É a descrição da fraude cometida pelo governo e difundida pela mídia patronal.

Fraude que esconde o desvio de recursos para o pagamento de juros ao sistema financeiro. “O problema mais importante das contas públicas não é a Previdência, mas uma conta de juros extremamente elevada”, diz o economista Amir Khair, que foi secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo.

A “reforma” da Previdência é rejeitada por sete em cada dez brasileiros. Este número, apurado por pesquisas de opinião, indica o tamanho da ampla mobilização de trabalhadores e setores progressistas e democráticos perfilados na resistência a esta “reforma” que ameaça o futuro dos brasileiros e só favorece a especulação financeira desenfreada que se abateu sobre o país com sob o governo golpista e ilegítimo de Michel Temer.
Posted: 06 May 2017 07:53 AM PDT
Por José Álvaro de Lima Cardoso, no site Outras Palavras:

O Brasil atravessa a mais grave recessão da história, no contexto da maior crise da história do capitalismo, e em plena execução de um golpe de Estado. O impacto desta conjuntura sobre a arrecadação pública, em todos os níveis, é dramático e inevitável. O debate é bastante complexo, pois, além da queda da arrecadação, em si, nele está presente com muita força a questão político ideológica, que leva a uma leitura de que o Estado brasileiro estaria quebrado em função dos salários e dos direitos sociais. 

Assim, além da queda da arrecadação em si, decorrência da mais grave recessão da história do país, temos uma narrativa, dada de barato pelos “formadores de opinião”, de que o déficit público decorre dos direitos trabalhistas e sociais. O desdobramento do raciocínio é automático: a solução do problema passa pela liquidação dos salários, demissões, implosão da Previdência Pública, redução de gastos com saúde e educação, e assim por diante. Essa leitura, equivocada e calcada no senso comum, é hegemônica no interior da sociedade.

A crise fiscal afetou todos os níveis da administração pública. Em vários municípios, que também vivem o drama da queda da arrecadação, os prefeitos vêm tentando resolver a crise com o desmonte de direitos conquistados a duríssimas penas, e ao longo de décadas. Em alguns dos principais municípios catarinenses, não fosse a organização sindical e a disposição de luta dos servidores, os direitos já teriam sido completamente raspados, o que abriria a “temporada de caça aos direitos” nos demais (essa possibilidade não está descartada, aliás, pois o jogo está em andamento).

Em alguns estados a situação beira a insolvência, com salários atrasados e elevadas dívidas, com grave crise política e institucional. Mas há razoável heterogeneidade na situação dos estados, que devem ser consideradas, sob pena de uma “nivelação por baixo” dos salários e direitos existentes. Por exemplo, no referente à dívida pública, o problema é grave em quatro estados: Rio de Janeiro (232% da Receita Corrente Liquida – RCL), Rio Grande do Sul (213%), Minas Gerais (203%) e São Paulo (175%). Nesses casos, os três primeiros já possuem dívidas acima do limite legal de 200% da Receita Corrente Líquida, definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas esta situação não é a de todos os estados. No ano passado, dos 27 entes federados, 22 encerraram o ano com dívida inferior a 100% da Receita Corrente Líquida, portanto, muito abaixo do limite permitido para endividamento (200% da RCL). Obviamente, é central o fato de que a crise se faz mais grave em estados com grande peso no PIB nacional e na população nacionais, fenômeno que aumenta o impacto sobre o problema, ao nível nacional, tanto econômica quanto politicamente.

Com exceção de alguns estados, pode-se afirmar que o problema das contas públicas estaduais, não é o estoque da dívida. A rigor a questão central é a de que a recessão afetou a arrecadação em geral, e o cobertor ficou curto para muitos estados e municípios. Há um crescimento vegetativo das despesas, inclusive de pessoal, e, num momento de queda significativa na receita as contas se agravam. Um dos efeitos da queda da arrecadação real dos estados, foi a queda nos investimentos, bastante grave. Frente a 2014, ano em que teve início a trajetória de queda da atividade econômica, os estados reduziram os investimentos em R$ 34,8 bilhões em 2016, queda de 53,4% em termos reais. O resultado foi que, em 2016, o investimento médio dos estados chegou ao menor patamar dos últimos nove anos, 5,3% da RCL (dados do estudo da Firjan: Situação Fiscal dos Estados Brasileiros, abril de 2017).

Apesar do problema fiscal ser muito grave apenas em alguns estados, como vimos, (ainda que sejam os grandes estados), acabou de ser aprovada na Câmara Federal o PLP 343/2017, que trata da renegociação da dívida dos estados. O PLP 343 foi enviado pelo governo golpista, após ter sido derrotado em diversos pontos do PLP 257/016, em dezembro de 2016. Com o PLP 343/17 os golpistas reintroduziram uma série de condições, que foram retiradas do projeto anterior, para renegociação das dívidas dos estados com a União. Para os estados que renegociarem suas dívidas através desse PLP, haverá uma série de contrapartidas, como:

1) Proibição, por dois anos, de reajustes salariais acima da inflação e de novas contratações;
2) Aumento de 11% para 14% da contribuição previdenciária dos funcionários públicos (com possibilidade de mais 8% e 6% extraordinárias);
3) Possibilidade de redução da jornada dos servidores estaduais, com corte nos salários (medida que depende do aval do STF);
4) Privatização das empresas de saneamento, energia e bancos estaduais.

A lógica do PLP 343 é a mesma do conjunto de ações do governo como um todo: aproveitar para privatizar o filé das estatais, reduzir salários reais e direitos. A ideia embutida nesses projetos é a de que os direitos atuais não cabem no orçamento. Daí os programas de privatizações, concessões e venda de ativos. Está se tentando repassar o ônus da crise para os trabalhadores, empurrando goela abaixo do povo um programa ultraliberal, fundamentalista, que não foi praticado em parte nenhuma do mundo. As medidas têm objetivos bastante ousados e definidos: a) reduzir salários reais nos setores público e privado; b) implodir a Carta Magna de 1988; c) transformar direitos sociais em serviços pagos; d) destruir a CLT (o projeto de reforma trabalhista não deixa dúvidas); e) privatizar o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás); f) reduzir ao mínimo a Seguridade Social (de preferência, acabar); g) entregar o mais importante, a jazida do pré-sal, o passaporte do Brasil para o desenvolvimento.

Atribui-se a crise fiscal à existência dos direitos, e se promove um ataque inédito aos mesmos, sem sequer mencionar o principal problema fiscal do Brasil, que é a dívida pública. É como se o ganho dos rentistas estivesse escrito nas estrelas, e em detrimento dos direitos de toda a população. Para exemplificar, segundo trabalho recente da Subseção do DIEESE no Setor Público, Santa Catarina fez um empréstimo de R$ 5,42 bilhões, pagou até dezembro de 2016 R$ 13,26 bilhões e terminou 2016 com uma dívida de R$ 10,21 bilhões. Essa é a característica geral das dívidas estaduais e da dívida pública brasileira. São impagáveis, servindo apenas de mecanismo de dragagem de dinheiro público, para os bolsos de uma elite rentista. Este é o verdadeiro problema fiscal brasileiro. Se sacrifica toda uma população para pagar serviços de uma dívida que não tem legitimidade, e que não resistiria a uma auditoria.
Posted: 06 May 2017 07:34 AM PDT
Do site da UJS:

Uma onda de ódio assola o país a algum tempo. Detectamos suas consequências e diariamente somos bombardeados com notícias desse tipo. Apenas para citar casos recentes, dessa semana, podemos lembrar o atleta do Palmeiras, Felipe Melo, que ao declarar seu apoio ao xenófobo e preconceituoso, Bolsonaro, ainda chamou os grevistas de “vagabundos” e incitou a violência contra os trabalhadores que lutam pelos seus direitos. Alguns dias depois, na última terça (2), durante manifestação contra a imigração no país, integrantes de um grupo de extrema direita saudaram a brutalidade da PM contra um grupo de refugiados que reside no país, e gritaram coisas como “comunistas tem que morrer”.

Cenas e atitudes que em um passado recente eram inimagináveis em nosso país, como atos xenófobos, por exemplo, passam a fazer parte do nosso cotidiano. Mas de onde vem todo esse ódio? Esse comportamento já estava em gestação de alguma forma que parte da esquerda e dos que lutam por direitos humanos não perceberam?

Os fatores que apontam para os rumos que o Brasil tomou são muitos. Para Renata Mielli, do Barão de Itararé e coordenadora do FNDC, “a mídia hegemônica, os meios de comunicação de massa, as principais emissoras de televisão comercial, algumas revistas e jornais, e os portais de Internet ligados a esses meios de comunicação, tem adotado nos últimos anos uma postura não jornalística na cobertura dos fatos. É uma postura politizada, sem isenção, sem busca de uma objetividade jornalística. A cobertura que tem sido feita por esses meios de comunicação é amplamente seletiva e impregnada de preconceitos e com focos de criminalização tanto da política quanto dos movimentos sociais, mas em particular de um setor da política, que é o setor da esquerda. Ao adotar essa cobertura seletiva e politizada, sem isenção, ela vai contribuindo e sendo determinante para radicalizações de visões na sociedade, uma radicalização que leva a extremos e que alimenta o discurso do ódio e a intolerância que temos visto frequentemente na sociedade brasileira”.

E para detectarmos essa seletividade da mídia apontada por Mielli, basta pararmos em uma banca de jornal ou zapearmos os principais noticiários de TV aberta no país. A manipulação é escancarada. Ainda segundo Renata, a mídia cumpre um papel de intermediação nas sociedades atuais, construindo uma “narrativa a partir de uma visão única de sociedade e que não contribui para a formação de um senso crítico, para ponderações de posições, não contribui para o diálogo e nesse contexto acaba sendo instrumento de disseminação do discurso do ódio e intolerância”, completa a coordenadora do FNDC.

Falando na perspectiva da luta pela emancipação das mulheres, nesse contexto de grandes retrocessos e conservadorismo, Maria das Neves, dirigente feminista da UJS, aponta que “ainda somos uma sociedade machista, fruto da cultura patriarcal. A misógina, o ódio as mulheres, é um dos reflexos do momento político que vive o país. O fascismo avança e com ele todas as formas de opressão. Nós, mulheres, somos as primeiras a sofrer as consequências. A Reforma da Previdência, Trabalhista e a terceirização são a prova concreta. Lutar é a única opção!”.

Segundo a antropóloga urbana, Keyllen Nieto, colombiana que vive no Brasil, “a crescente onda de ódio, manifestada cada vez mais violentamente pela extrema direita tem diversas manifestações e repercussões. A intolerância religiosa, a transfobia, homofobia, xenofobia, o cerceamento das práticas democráticas nas escolas e muitas outras pautas sociopolíticas e econômicas passaram a ser escancaradas com a ascensão mundial dá ultra direita e o Brasil não escapa disto. A agenda política do atual governo é um claro exemplo e, contrário ao que um governo democrático e progressista faria, não mostra nenhuma intenção mediadora, pedagógica ou preventiva destas violências. Ao deixar forças sociais polarizadas e cada vez mais antagônicas não se promove o diálogo mínimo e nem as políticas públicas que contemplem as populações mais vulneráveis”.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, coloca alguns dos motivos que acredita serem causadores desse cenário “vivemos um período de crise econômica onde as tensões de classe se acirram e isso acontece no mundo todo. A eleição do Trump, o Brexit, o golpe no Brasil e outras demonstrações no mundo todo, mostram que a crise recrudesce as nações”. Como forma de nos contrapormos a essa situação, a antropóloga Keyllen aponta que “como sociedade civil organizada, devemos promover as práticas de diálogo, resolução pacífica de conflitos e solidariedade com as causas que contemplem os direitos humanos”.

Como podemos perceber atualmente, estamos aparentemente caminhando para o lado oposto em todas as esferas e longe das soluções apontadas pelas entrevistadas, e com a crise econômica se aprofundando, o receituário neoliberal, como sempre, é extinguir direitos e promover retrocessos para a população, mas se o cenário não apresenta perspectivas otimistas para nosso campo, as ruas se tornam o espaço onde devemos lutar pelo Brasil que acreditamos e de lá não devemos sair.
Posted: 06 May 2017 07:30 AM PDT
Por Rafael Tatemoto, no jornal Brasil de Fato:

Em comparação com os mesmos períodos de 2016, os meses de janeiro e março deste ano foram melhores para a indústria nacional. No entanto, outros métodos de medição do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a fragilidade do setor continua, contrariando o discurso do governo em relação à retomada do crescimento. Comparando, por exemplo, março e fevereiro de 2017, a produção recuou 1,8%.

Segundo especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, a política econômica do governo impede uma retomada da industrialização e, consequentemente, de um crescimento vigoroso da economia.

"O atual governo não tem nenhuma preocupação nesse sentido, já que seu projeto é primário exportador", afirma Marcio Pochmann, professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para Ruy Braga, professor de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), a agenda de Michel Temer (PMDB) altera o projeto econômico que o país vinha seguindo: "A sociedade brasileira está passando por um ajuste muito profundo. Ela passa do modelo chamado neodesenvolvimentista - cujo cerne era um regime de acumulação apoiado sobre a exploração do trabalho, ainda que barato - para o modelo neoliberal - no qual o regime de acumulação se apoia na espoliação".

Retomada?

O setor pareceu ter dado sinais de fôlego em janeiro de 2017 ao apresentar uma alta de 1,4%, quando comparada ao mesmo período de 2016, quebrando uma série ininterrupta de 34 meses. Em fevereiro voltou a cair (-0,8%), para em março subir novamente (1,1%). Quando analisados outras séries históricas, a tendência de crescimento da indústria não se concretiza.

Em termos de rendimento real, o primeiro trimestre de 2017 apresentou queda de 6,7% em comparação com o ano passado. Em março deste ano, o acumulado dos últimos 12 meses ainda indicava retração de 3,8%. Diante do contexto, a maior parte dos analistas de mercado entende ser precipitado anunciar uma retomada.

A situação acentua a queda da participação da produção industrial na economia brasileira. Em 2016, a indústria passou a representar 11,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o menor patamar desde o início da série histórica, em 1947. A atual situação, na perspectiva histórica, parece ser o ponto mais baixo de uma trajetória de cerca de três décadas. O patamar da atividade industrial é um dos fatores para o atual contexto social, em que o país apresenta o dobro do número de desempregados registrados em 2014.

Importância

A indústria é vista por parte dos economistas como principal fator de desenvolvimento econômico sustentado ao longo do tempo. Pochmann defende que o setor tem "trabalhadores melhor remunerados", amplia a "capacidade de arrecadação do Estado", já que é a "grande geradora de valor adicionado".

O economista cita dados para fortalecer sua visão. Na indústria, o salário médio anual de um trabalhador é de R$ 80 mil. Nos outros setores - agricultura e serviços - este valor cai para R$ 12 mil e R$ 20 mil, respectivamente.

"Não há notícia que tenha se desenvolvido sem indústria. Ela é um elemento central para viabilizar a produtividade e o crescimento econômico com expansão do emprego", resume.

Declínio

Pochmann diz que o grave cenário é justamente a conjunção de um processo que vem ocorrendo nas últimas décadas e a crise atual: "Há um movimento convergente entre mudança estrutural da economia brasileira e o impacto conjuntural, que resulta da recessão e da ausência de medidas de combate a ela".

"Desde a década de 1990, há praticamente um encerramento de um ciclo da industrialização brasileira. Nos anos 2000, ela resistiu um pouco. Na trajetória de longo prazo, entretanto, é de redução sensível da participação da indústria no PIB brasileiro", aponta ele.

Para explicar sua análise em relação à mudança nos regimes de acumulação, Braga reforça as peculiaridades da década passada, indicando que "[desde o início dos anos 2000] até por volta de 2012, a parcela dos setores industriais no PIB não teve uma queda tão acentuada. O que aconteceu foi uma reacomodação dos setores no interior da indústria: se na década de 80 a indústria de transformação - metalúrgica, química etc. - era a mais importante, o que aconteceu na década de 2000 outras áreas surgem como mais vigorosas, por exemplo, a construção civil e a agroindústria".

Agora, segundo o sociólogo, há uma forte tendência rumo à "multiplicação do subemprego" e à "deterioração da capacidade de consumo", marcadas por "uma queda muito brusca no investimento, fechamento dos postos de trabalho e uma quebradeira mais ou menos generalizada".

Pochmann, mesmo ressaltando o processo contínuo de desindustrialização, concorda: "Em 2015, a recessão atingiu de forma centrada a indústria. Se nós analisarmos o comportamento do setor, ele sofreu muito em 2015 e a partir do primeiro semestre de 2016 ele vinha em um movimento de redução da situação recessiva. Com a ascensão de Temer, a indústria voltou a ser impactada".

"Apesar de tudo, os anos 2000 produziram emprego, ainda que empregos que remuneram pouco. Era uma média de mais de dois milhões de postos formais por ano. É evidente que algum emprego é melhor que nenhum emprego", resume o sociólogo.

É nessa mudança - da exploração para a espoliação - que Braga vê impeditivos para a retomada da economia com vigor.

"O conceito de espoliação busca cobrir uma variedade de fenômenos. A que estamos testemunhando neste exato momento, com as votações no Congresso, é a espoliação dos direitos do trabalho. Ou seja, a regressão da proteção trabalhista. A tendência é que haja uma compressão do valor do trabalho e, consequentemente, um excedente maior para as empresas. Isto gera um aumento de lucratividade", aponta.

É justamente esse impacto sobre a classe trabalhadora um dos obstáculos ao desenvolvimento:"A espoliação é uma estratégia de fôlego muito curto. Ao atacar, por exemplo, direitos trabalhistas e previdenciários, o governo está dando um tiro no pé da arrecadação. Isso comprime a massa salarial, deprimindo parte da demanda agregada e, consequentemente, a retomada que se desenha é bastante tímida, que nunca ultrapassará um patamar, nos melhores momentos, de 2% ao ano".

Saída

O processo de desindustrialização, para Pochmann, é um desafio cada vez maior. Segundo ele, as medidas para tanto são conhecidas. O problema, entretanto, é de ordem política.

"Na verdade, nós não temos atores que possam colocar essa agenda, exceto os trabalhadores, mas que não são suficientes nesse sentido. Mais que um programa, na minha opinião, faltam atores que pautem o tema", lamenta, mencionando o desinteresse de empresários e políticos pela questão.

Ele aponta que a pauta da produção nacional tem sido apropriada por movimentações conservadoras ao redor do mundo: "A Inglaterra não apenas saiu da União Europeia como apresentou um plano de recuperação da indústria. O programa de Trump [também] coloca isso como um elemento importante".

"Com o passar do tempo sem que o país tenha uma ação organizada para a reindustrialização, ela se torna cada vez mais difícil", alerta, por fim.
Posted: 06 May 2017 07:23 AM PDT
Por Bajonas Teixeira, no blog Cafezinho:



É muito conhecido o dito de Nietzsche de que se deus morreu tudo é permitido. Sem perder um pingo de verdade, pode-se dizer que se a justiça está morta nada é proibido. Esse é o caso dos outdoors que brotaram como cogumelos em Curitiba. São trinta outdoors em áreas movimentadas da cidades incitando a ira da população contra Lula. Coisa bem organizada, feita com o intuito óbvio de insuflar ondas de ódio, e certamente de alto custo. Quem permite uma coisa dessas? Por que Sérgio Moro não manda retirar esses outdoors e investigar os responsáveis?

De fato, se Sérgio Moro, o responsável pelo julgamento de Lula, não der ordens para a retirada dos outdoors nem punir os responsáveis, muitas perguntas ficarão no ar. Por exemplo: Por que adiou o depoimento de Lula, alegando necessidades da polícia de preparar a segurança, mas permite que outdoors altamente ultrajantes sejam espalhados por toda Curitiba? Quem deixa que provocações destinadas a provocar confrontos, capazes mesmo de começar uma pequena guerra civil (ou, quem sabe, até uma grande guerra civil), sejam usadas sem nenhum respeito pelos direitos do acusado? E mais: se outdoors não caem do céu, mas custam caro, quem seria o responsável por esse milagre da multiplicação dos outdoors? Quem pagou por eles e com recursos saídos de onde?

Se é permitido num país livre, em que ninguém deve ser culpado antes de ser condenado em última instância, que um inocente, e Lula é até agora tão inocente quanto eu ou você, seja objeto do mais vil tratamento, uma afronta à Constituição do país, o que se pode esperar?

O que está acontecendo se um país, em que os poderes estão obrigados pela Constituição a pautarem-se pelo estado democrático de direito, uma campanha pode espalhar outdoors inteiramente difamatórios como se estivéssemos no Velho Oeste, em que um xerife afixava onde bem entendia seus cartazes de “Procura-se, Vivou ou Morto”, e mandava enforcar sem maiores embaraços?

É um país ou uma terra sem leis? Voltamos ao antigo “homo homini lupus”, isto é, o homem é o lobo do homem? Estamos agora na pura e simples guerra de todos contra todos?

Qualquer um perguntará: o depoimento foi adiado por uma semana para preparar a segurança ou para que as provocações pudessem ser espalhadas para acirrar os riscos para o acusado e para os que o apoiam? Que louco não vê que provocações num momento desses, em que uma fagulha pode atear o incêndio, só podem ser a atitude de delinquentes e psicopatas?

As peguntas ficam no ar. E devem servir como um aviso e um alerta. Se o pior acontecer, ninguém terá dúvidas sobre quem são os responsáveis pela tragédia.
Posted: 06 May 2017 07:13 AM PDT

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