segunda-feira, 8 de maio de 2017

7/5 - Pragmatismo Político DE 5/5

Pragmatismo Político


Posted: 05 May 2017 12:37 PM PDT
Ex-ministra condenada pagar alexandre frota estupro
Ex-ministra condenada a pagar ao ator Alexandre Frota (Imgaem: Pragmatismo Político)
A juíza Juliana Nobre Correia, de São Paulo, condenou a ex-ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres Eleonora Menicucci a indenizar, em R$ 10 mil, o ator Alexandre Frota por danos morais. Em maio do ano passado, Eleonora criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por ter recebido Frota em audiência no ministério. Na ocasião, ela disse que o ator “não só assumiu ter estuprado, mas também faz apologia ao estupro”.
No comentário, a ex-ministra de Dilma se referia a uma declaração feita pelo artista em um programa de TV, em 2015, de que havia feito sexo sem consentimento com uma mãe de santo. Em entrevista ao apresentador Rafinha Bastos, do extinto programa “Agora é tarde”, da Band, ele contou que a mulher chegou a desmaiar com a força com a qual ele pegou o pescoço dela.
Na ação, Alexandre Frota pedia R$ 35 mil da ex-ministra para “alentá-lo” do “sofrimento atroz” gerado pelas críticas feitas por Eleonora. Segundo o ator, a história era apenas uma “anedota em tom jocoso”. Pelo episódio, Frota também entrou com ação contra a Folha de S.Paulo e um colunista do jornal.
“Não me calará”
Amiga de Dilma e ex-companheira de prisão da ex-presidente, Eleonora disse que a condenação não é somente contra ela, mas contra todas as mulheres que lutam contra o estupro. Cabe recurso contra a decisão da juíza.
Tal sentença assinada por uma mulher, me condenando a pagar 10 mil reais com correção, revolta a todas as mulheres, pois o estupro é crime hediondo e inafiançável”, escreveu a ex-ministra no Facebook. “Lamentavelmente a condenação não atinge só a mim, mas as mulheres que lutam há séculos contra o estupro, contra as violências de gênero e hoje em nosso país contra as perdas de direitos que o governo golpista tem imposto, sobretudo a nós mulheres. Não será esta sentença, proferida por esta juíza que me calará, nem tampouco as mulheres brasileiras. Tolerância zero com a violência contra as mulheres!!! Tolerância zero com o estupro!!!!”, reforçou (leia a íntegra do desabafo dela após o vídeo).
Veja o vídeo com as declarações do ator:
Veja a íntegra do desabafo da ex-ministra:
“Hoje recebi a sentença proferida pela juíza Juliana Nobre Correia referente ao processo que trata de indenização moral , aberto contra mim por Alexandre Frota;
Por ter me manifestado contra a fala dele no Programa de TV, fato este de conhecimento da sociedade brasileira, caracterizada por mim, como apologia ao estupro.
Tal sentença assinada por uma mulher, me condenando a pagar 10 mil reais com correção, revolta a todas as mulheres, pois o estupro é crime hediondo e inafiançável.
Lamentavelmente a condenação não atinge só a mim, mas as mulheres que lutam hã séculos contra o estupro, contra as violências de gênero e hoje em nosso pais contra as perdas de direitos que o governo golpista tem imposto, sobretudo a nós mulheres.
Não será esta sentença, proferida por esta juíza que me calará, nem tampouco as mulheres brasileiras.
Tolerância zero com a violência contra as mulheres!!!
Tolerância zero com o estupro!!!!”
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Posted: 05 May 2017 12:28 PM PDT
Deltan Dallagnol ataca stf josé dirceu prisão
Deltan Martinazzo Dallagnol, procurador do Ministério Público Federal (reprodução)
O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal para a Lava Jato, em Curitiba, expressou nas redes sociais a frustração com a decisão do Supremo Tribunal Federal. Por 3 votos a 2, o STF decidiu, nesta terça (2), conceder a José Dirceu o direito de aguardar a conclusão de processos em liberdade. Em uma postagem no Facebook, Dallagnol citou decisões do STF sobre outros casos de “menor gravidade“, envolvendo traficantes e um ex-prefeito, e insinuou que, ao contrário desses réus, Dirceu conseguiu o habeas corpus no STF porque tem dinheiro e influência.
Gostaria de poder entender o tratamento diferenciado que recebeu José Dirceu“, disse Dallagnol. “A mudança do cenário, dos morros para gabinetes requintados, não muda a realidade sangrenta da corrupção“, comentou.
Após usar trechos das decisões de Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes (todos concordaram com o HC de Dirceu) em outros casos onde os réus não tiveram decisões favoráveis, Dallagnol argumentou que a corrupção descoberta pela Lava Jato é muito grande para não pesar na decisão do STF.
Enquanto o tráfico ocupa territórios, a corrupção ocupa o poder e captura o Estado, disfarçando-se de uma capa de falsa legitimidade para lesar aqueles de quem deveria cuidar. A mudança do cenário, dos morros para gabinetes requintados, não muda a realidade sangrenta da corrupção.”
Em seu voto em favor de Dirceu, Gilmar Mendes chamou de “brincadeira juvenil” a denúncia que o time de Dallagnol apresentou às pressas, nesta terça, contra Dirceu, com a intenção de pressionar o STF a manter a prisão preventiva do petista, decretada por Sergio Moro. Gilmar disse que foi um erro tentar intimidar os ministros da Suprema Corte, além de reafirmar que o papel da instituição é julgar de acordo com as leis, não com o que sai na imprensa.
O Supremo Tribunal Federal é a mais alta Corte do país. É nela que os cidadãos depositam sua esperança, assim como os procuradores da Lava Jato. Confiamos na Justiça e, naturalmente, que julgará com coerência, tratando da mesma forma casos semelhantes. Hoje, contudo, essas esperanças foram frustradas“, disse Dallagnol.
O procurador ainda apontou que tem “receio” de ver a soltura de outros réus da Lava Jato, como os políticos Pedro Correa, André Vargas e Luiz Argolo, além de João Vaccari Neto, Marcelo Odebrecht, Renato Duque e Jorge Zelada. “Todos [estão presos] há mais tempo do que José Dirceu. Isso porque sua liberdade representa um risco real à sociedade. A prisão é um remédio amargo, mas necessário, para proteger a sociedade contra o risco de recidiva, ou mesmo avanço, da perigosa doença exposta pela Lava Jato.”
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Posted: 05 May 2017 12:15 PM PDT
Sérgio Moro Antônio Palocci ação inédita quebra sigilo lava jato
Sérgio Moro e Antônio Palocci (Imagem: Pragmatismo Político)
O juiz Sergio Moro ampliou a devassa da Polícia Federal sobre o ex-ministro Antonio Palocci, autorizando que a quebra de sigilo do petista atinja os últimos 13 anos, abrangendo o período de 1 de janeiro de 2005 a 5 de abril de 2017. Nos últimos anos, a Lava Jato só trabalhava com dados de um ano de interceptação, também com autorização de Moro: de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2010.
Segundo reportagem do Estadão, o despacho de Moro foi assinado no dia 11 de abril, no âmbito de um processo que está em segredo de Justiça. Seu número do inquérito é 5031082­05.2016.4.04.7000/PR, e o acusado aparece como “a apurar”.
O advogado de Palocci, Roberto Batochio, criticou a decisão do juiz. “Não encontra respaldo no ordenamento jurídico, nem na racionalidade, uma quebra de sigilo de dados telefônicos ou telemáticos que regride ad infinitum“, disse ao Estadão. “Dias virão em que se estenderá esse período até os bancos escolares do ensino elementar para que se saiba o que ocorreu com a borracha ou a caixa de lápis do infante escolar”, ironizou.
Na mesma decisão, Moro autorizou a quebra de sigilo da secretária de Palocci, Rita de Cássia dos Santos, no período de 1 de janeiro de 2008 a 5 de abril de 2017. Isso porque Rita era a responsável pela agenda de Palocci, e a Lava Jato quer investigar comunicações feitas pelo petista com a Odebrecht.
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Posted: 05 May 2017 12:06 PM PDT
bancada ruralista nilson leitão psdb escravidão congresso
Nilson Aparecido Leitão, deputado federal pelo PSDB/MT conhecido como um dos principais porta-vozes dos ruralistas (reprodução)
Após a votação da reforma trabalhista na Câmara, a bancada ruralista se movimenta para alterar as leis que tratam da proteção dos direitos do trabalhador rural. A intenção é restringir o poder da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho e alterar normas para permitir, por exemplo, que o empregador deixe de pagar salário ao empregado do campo. Nesse caso, a remuneração poderá ser feita por “qualquer espécie”, como alimentação e moradia. As informações são do Valor Econômico.
Para não aumentar ainda mais a resistência à sua proposta, o relator da reforma trabalhista, Rogério Marinho (PSDB-RN), deixou de fora 192 mudanças legislativas reivindicadas pela bancada ruralista. Esses itens, agora, serão rediscutidos em um projeto do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), coordenador da frente parlamentar.
Segundo o Valor, o texto aumenta para até 12 horas a jornada diária por “motivos de força maior” e permite a substituição do repouso semanal dos funcionários por um período contínuo, com até 18 dias de trabalho seguidos. Autoriza, ainda, a venda integral das férias dos empregados.
Existe preconceito muito grande da Justiça do Trabalho com o trabalhador rural”, diz Nilson Leitão. Para ele, as leis trabalhistas e os regulamentos expedidos pelo Ministério do Trabalho são elaborados com base nos conhecimentos adquiridos no meio urbano, desprezando “usos, costumes e a cultura do campo”.
Deputados e entidades ligados à agricultura familiar, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados (Contar) Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), classificam a proposta como ataque ainda maior aos direitos trabalhistas.
As normas existentes são esparsas e em grande medida, subjetivas, dependentes das interpretações dadas pelos auditores fiscais do Trabalho e da própria Justiça do Trabalho em determinados casos, o que põe o produtor rural em situação de insegurança jurídica, tornando os altos gastos efetuados para o atendimento destas normas, um investimento de risco”, alega o tucano na justificativa do projeto de lei.

Indígenas

Nilson Leitão é conhecido como um dos principais porta-vozes dos ruralistas no Congresso. No ano passado, foi um dos autores do pedido de criação da CPI da Funai, comissão que relatou. Também foi o presidente da comissão especial que aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC 215) que transfere, do Executivo para o Legislativo, a palavra final sobre o reconhecimento das terras indígenas.
Conforme reportagem da Pública, Nilson angariou R$ 1,43 milhão do setor agropecuário dos R$ 2,46 milhões investidos na campanha.
O deputado é investigado no STF por suspeita de envolvimento com outra quadrilha, acusada de invadir reiteradamente a terra indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso. Em setembro, 13 pessoas do grupo foram denunciadas pelo Ministério Público Federal do estado pelos crimes de invasão de terras públicas, resistência, associação criminosa, incêndio, roubo, corrupção ativa, incitação ao crime e crime de dano. “É terceiro falando pro quarto sobre um quinto”, diz Nilson Leitão, sobre as escutas telefônicas nas quais integrantes do grupo afirmam haver um pedido do deputado por 30 lotes da invasão. “Eu nunca fui lá, nunca pisei lá. Aliás, fui numa comissão externa da Câmara, com outros deputados, ficamos duas horas em cima de um caminhão e voltamos.”
Nota enviada pela Frente Parlamentar da Agricultura sobre PL 4662/2016:
Sobre notícia publicada nesta terça-feira (02/05) pelo jornal Valor Econômico, “Leis do trabalho rural devem mudar”, é preciso esclarecer, em nome da verdade, que o Projeto de Lei 6442/2016 nunca levantou a hipótese de diminuir o salário em troca de casa e comida. Ao contrário, o que o projeto prevê são acréscimos beneficiando o trabalhador por conta de acordos previamente firmados. Ou seja, só há benefícios ao trabalhador acordados antecipadamente.
Não se mexe no salário. Ele é sagrado. O texto do projeto em nenhum momento prevê a possibilidade de o trabalhador passar a ser remunerado tão somente com o fornecimento de sua habitação e alimentação necessária à sua sobrevivência. Tal possibilidade é fantasiosa.
Observe-se no § 4º, do art. 16 que “a cessão pelo empregador, de moradia e de sua infraestrutura básica, assim como, bens destinados à produção para sua subsistência e de sua família, não integram o salário do trabalhador”. Ou seja, qual é a dúvida que o salário está preservado? E mais, que uma coisa não tem nada a ver com a outra?
Algumas pessoas por incompreensão do texto, ou mesmo por total desconhecimento decorrente da falta de leitura, têm levantado hipóteses que definitivamente não são verdadeiras, como, por exemplo, no possível estabelecimento de jornada de 12 horas diárias. O tema jornada de trabalho está descrito no art. 6º que assim diz: “A duração do trabalho normal não será superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais”. Observe-se ainda que a jornada semanal, por exemplo, está definida na Constituição Federal, logo, seria impossível alterá-la por meio de lei ordinária. Ou seja, faltam com a verdade essas pessoas que se manifestam nesse sentido.
Sobre o trabalho contínuo, conforme consta do projeto, a fim de possibilitar melhor convívio familiar e social, o trabalhador rural que desenvolva sua atividade laboral em local distante de sua residência poderá, mediante solicitação e sujeito à concordância do empregador, usufruir dos descansos semanais remunerados em uma única vez, desde que o período trabalhado consecutivamente não ultrapasse 18 (dezoito) dias. Observe-se que não há supressão alguma do direito atualmente existente, o texto apenas permite que o trabalhador escolha a forma como prefere gozá-lo.
Não se trata de uma premissa impositiva do empregador, mas sim de um benefício que pode estar amparado pela legislação, e só pode ser exercido desde que seja requerido pelo trabalhador, que muitas vezes perde muito tempo – chegando a dias em alguns casos – no deslocamento até sua residência. Hoje, no meio urbano, essa hipótese é socialmente aceita, basta ver o caso dos trabalhadores em plataformas petrolíferas, cruzeiros marítimos, dentre outros.
As propostas legislativas apresentadas por parlamentares, além de serem uma forma de sua legítima atuação mandatária para propor ou mesmo rever determinada legislação que afeta a sociedade, consiste em verdadeiro convite para a promoção do diálogo social dentro do Congresso Nacional, por todos os atores sociais envolvidos ou interessados.
No que se refere ao PL 6442/2016 não é diferente, vários são os dispositivos em que se busca uma necessária atualização ou adequação às necessidades do campo, já que boa parte da legislação aplicável ao setor decorre de normas tipicamente urbanas.
Eventuais ajustes em propostas legislativas complexas, como é o caso, são absolutamente normais, todavia, o que não se pode admitir é a prática de um “terrorismo social” por parte de pessoas que sequer leram o texto, ou por aquelas que dolosamente o desvirtuam como forma de promoção pessoal ou de promoção de discursos de conveniência.”
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Posted: 05 May 2017 11:47 AM PDT
renan calheiros pmdb senado michel temer
Michel Temer e Renan Calheiros (reprodução)
Leonel Rocha, Congresso em Foco
Um jantar da bancada do PMDB no Senado marcado para a próxima terça-feira (9), na casa da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), servirá como ultimato do partido para enquadrar o líder da bancada na Casa, Renan Calheiros (AL), que está em rota de colisão com o governo Michel Temer. Duas vezes presidente do Congresso e um dos nomes mais importantes do partido desde o início de sua trajetória no Parlamento, como deputado federal na década de 1990, Renan será intimado a cumprir normas e procedimentos para seguir continuar liderando os outros 21 colegas de bancada. A possibilidade de destituição de Renan – acompanhada de perto por Temer, presidente de honra do PMDB – foi adiantada pelo Congresso em Foco em 12 de abril.
Entre as normas e procedimentos exigidos pela bancada peemedebista está o encaminhamento, em votações no plenário do Senado, a favor da aprovação da reforma trabalhista e da emenda que muda as regras para as aposentadorias. O projeto que muda a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), já aprovado pelos deputados e em discussão pelos senadores, e a emenda da reforma previdenciária são prioridades do governo do presidente Michel Temer. Renan é contra as duas proposições nos termos em que estão formuladas. E mais: se aliou às centrais sindicais e aos partidos de oposição para barrar a aprovação de ambos os textos.
De 31 de janeiro, quando assumiu a liderança, até hoje Renan já comparou Temer ao ex-treinador da seleção brasileira Dunga, mal-sucedido no comando do time; classificou a atual gestão de “errática”; divulgou documento, com o apoio de oito colegas, pedindo (em vão) que o presidente não sancionasse o projeto de terceirização de mão de obra; e disse que não participava nem queria participar do governo. Também disse que Temer é vingativo, como o ex-presidente conservador Arthur Bernardes, ao propor as reformas trabalhista e previdenciária. Com isso, rompeu, na prática, com o Palácio do Planalto.

Caminho sem volta para 2018

Se quiser romper formalmente com o governo e, obrigatoriamente, deixar a liderança, Renan conta com o apoio certo de outros três colega de partidos: Roberto Requião (PR), já contabilizado pelo Palácio do Planalto como senador de oposição; Kátia Abreu (TO), que está negociando sua transferência para o PDT; Hélio José (DF), o suplente recém-chegado ao PMDB e egresso do Partido da Mulher Brasileira; e o ex-ministro de Minas e Energia no governo Dilma Rousseff Eduardo Braga (AM), o amigo que, na quarta-feira (3), fracassou com Renan na articulação de um abaixo assinado para tentar evitar a destituição do líder pelos colegas. Braga esteve nesta quinta-feira (4) com Temer para tentar encontrar uma saída honrosa tanto para o governo quanto para o colega de Senado.
Acusado de crimes como corrupção e improbidade administrativa pela Procuradoria-Geral da República, Renan responde a 11 inquéritos no Supremo Tribunal Federal e é réu em uma ação penal na corte por peculato, além de ser citado por delatores da Operação Lava Jato. O líder do PMDB é pré-candidato à reeleição em 2018 e sonha reeleger o filho Renan Filho governador de Alagoas.
Em Alagoas, defender as reformas propostas pelo governo Temer tira votos, e Renan já captou essa tendência. O senador pode ter encontrado um discurso para a sua campanha à reeleição – mas, para tanto, terá que sacrificar o cargo de líder no Senado. E já avisou: entre defender os direitos dos trabalhadores – e o projeto eleitoral da família – e a liderança, fica com a primeira opção. Os governistas do PMDB dizem publicamente que esperam superar a crise, mas sabem que não há esperança de acordo, uma vez que seria humilhante para Renan engolir o que disse até agora.
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Posted: 05 May 2017 11:27 AM PDT
Zygmunt Bauman entrevista última morreu filosofo
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês (reprodução)
Antônio Martins, Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho
As nove décadas de Zygmunt Bauman foram vividas próximo à medula da história. Nascido em 1925 de pais judeus poloneses não-praticantes em Poznan, sua família foi para União Soviética em 1939, quando os tanques nazistas invadiram a Polônia. Tendo servido no Exército Vermelho com distinção, retornou à Polônia depois da Segunda Guerra Mundial para estudar sociologia na Universidade de Varsóvia. Mas, com o comunismo tendo há muito perdido seu brilho e sua carreira impedida pelo antissemitismo, ele emigrou para a Grã Bretanha em 1968, onde assumiu uma cadeira de sociologia na Universidade de Leeds.
Mas foi depois de sua aposentadoria, em 1990, que sua inteligência inquisidora, pela qual ele é tão renomado, começou a gerar livro após livro. “O Mal Estar da Pós-modernidade” (1992); “Ética pós-moderna” (1993), “Globalização: as Consequências Humanas” (1998), “Modernidade Líquida” (2000), “Amor Líquido” (2003); “Ensaios sobre o conceito de Cultura” (2012)… A lista é enorme. De fato, no último quarto de século ele publicou cerca de 40 livros, não por escrever, mas porque o mundo como ele é não é como ele sente que deveria ser. Ou, como afirmou em 2003: “Por que escrevo livros? Por que eu penso? Por que eu deveria ser apaixonado? Porque as coisas poderiam ser diferentes, deveriam ser melhores.”
A conversa abaixo aconteceu no ano passado. Instigada por uma questão sobre o Brexit, acabou levando a um diálogo sobre o futuro, o passado e o destino do projeto iluminista.
Você falou sobre a desilusão popular com a política nacional num mundo globalizado, e o sentimento popular de que políticos nacionais não têm poder para influenciar mudanças. Suas posições mudaram à luz do referendo sobre a União Europeia na Inglaterra, e a perspectiva do Brexit?
Acredito que o colapso da confiança na capacidade de todo o establishment político, em todo o mundo desenvolvido, para realizar as mudanças desejadas (ou qualquer mudanças prometida) é o que, paradoxalmente, sedimentou o fenômeno Brexit.
Com a completa frustração dos eleitores com a elite política, e sua recusa total de investir confiança em qualquer segmento da elite política, o referendo ofereceu uma oportunidade sem precedentes para as escolhas em votação coincidissem com os sentimentos que precisavam exprimir-se. Foi uma ocasião única, nesse sentido, e tão diferente das eleições parlamentares de rotina!
Numa eleição geral, você pode expressar sua frustração e raiva contra o mais recente de uma longa linhagem de detentores de poder e fazedores de promessas. Mas o preço que se paga por esse alívio emocional é meramente convidar a Oposição, parte inseparável do establishment político, a assumir os gabinetes ministeriais como o Governo. Nesse infinito jogo de cadeiras, você não chega nem perto de expressar a natureza geral da sua discordância.
A oportunidade oferecida pelo referendo sobre o Brexit foi completamente diferente. Com quase todos os setores do establishment político posicionados em favor da permanência na União Europeia, podia-se usar um único voto, Sair, para descarregar, de uma só vez, a raiva contra todos eles. Quanto mais abrangente a frustração, mais tentador torna-se fazer exatamente isso — agarrar essa oportunidade única para desabafar.
Você tem escrito sobre o fim do progresso e a perda da crença na ideia de que o futuro será melhor que o passado. Há algo no fenômeno do Brexit (e, por certo, em outros movimentos populistas do continente) que promete uma era nova, talvez melhor, para a Europa?
Nós ainda acreditamos em “progresso”, mas agora o vemos tanto como bênção quanto como uma maldição — com o aspecto de maldição crescendo progressivamente, enquanto o lado bênção fica menor. Compare isso com a atitude de nossos ancestrais mais recentes – eles ainda acreditavam que o futuro seria o espaço mais promissor para as esperanças. Nós, contudo, tendemos a projetar nossos medos, ansiedades e apreensões no futuro: um futuro de crescente escassez do emprego; de queda da renda e portanto também de declínio das oportunidades de vida, nossas e dos nossos filhos; de crescente fragilidade das nossas posições sociais e da provisoriedade de nossas realizações na vida; de uma fenda que aumenta desenfreadamente entre as ferramentas, os recursos e as competências à nossa disposição e a enormidade dos desafios colocados pela vida; do controle de nossas vidas, que escapa das mãos. É como se nós, indivíduos, estivéssemos sendo rebaixados ao status de peões, à margem de um jogo de xadrez entre pessoas desconhecidas. Elas são indiferentes às nossas necessidades e sonhos, quando não francamente hostis e cruéis, e estão todas completamente prontas a nos sacrificar para alcançar seus próprios objetivos.
O que o pensamento do futuro tende a trazer à mente hoje, portanto, é a crescente ameaça de ser descoberto e rotulado como inapto para a tarefa, com seu valor e dignidade negados, marginalizados, excluídos e banidos.
Uma crescente maioria de pessoas já aprendeu, a essa altura, pela própria experiência e pela dos que lhe são próximos e caros, a desacreditar de um futuro desigual, instável, imprevisível e notoriamente decepcionante, como o lugar para investir esperanças. Meu último livro, Retrotopia, aborda precisamente essas questões. Permita-me citar um trecho de sua introdução:
Eis o é o que Walter Benjamin tinha a dizer em suas Teses da Filosofia da História, escritas no início dos anos 40, sobre a mensagem transmitida por Angelus Novus (renomeado Anjo da História), uma pintura de 1920 de Paul Klee:
A face do Anjo da História está voltada para o passado. Onde nós percebíamos uma cadeia de eventos, ele vê uma catástrofe única que continua empilhando destroços e jogando-os diante dos seus pés. O anjo gostaria de ficar, acordar os mortos, e tornar inteiro o que foi esmagado. Mas uma tempestade está soprando do paraíso; o anjo ficou preso em suas asas com tal violência que não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impulsiona irresistivelmente em direção ao futuro, para o qual ele dá as costas, enquanto a pilha de escombros cresce, diante dele, rumo ao céu. A tempestade é o que chamamos progresso.”
Fosse alguém olhar de perto a pintura de Klee, um século, quase, depois que Benjamin produziu seu insight insondável e incomparavelmente profundo, poderia mais uma vez capturar o Anjo da História em pleno voo. O que mais pode impactar, a ele ou a ela, é o anjo mudando de direção – o Anjo da História apanhado no momento de uma volta de 180º. Sua face está girando do passado para o futuro, suas asas sendo puxadas para trás pela tempestade, golpeando esse tempo do futuro imaginado, precipitado e antecipadamente temido em direção ao paraíso do passado (ele próprio imaginado retrospectivamente, depois de ter sido perdido e reduzido a ruínas). E as asas estão agora sendo pressionadas, como eram pressionadas antes, com violência igualmente poderosa, de modo que agora, como então, “o anjo não pode mais fechá-las”.
Passado e futuro, pode-se concluir, estão no processo de trocar seus respectivos vícios e virtudes, relacionados – como sugeriu Benjamin – por Klee há cem anos. Agora, o futuro é que está marcado no lado do débito, denunciado inicialmente por sua não-confiabilidade e por ser incontrolável, com mais vícios que virtudes; enquanto a volta ao passado, com mais virtudes que vícios, é marcada na coluna do crédito – como um lugar ainda de livre escolha e do investimento ainda não-desacreditado de esperança.
Penso que o episódio Brexit, assim como “outros movimentos populistas no continente” são manifestações da “tendência à retrotopia” discutida acima. Na ausência de ferramentas efetivas de ação capazes de enfrentar os problemas de nossa presente situação, e dado o crescente desapontamento trazidos por sucessivos futuros creditados com o desenvolvimento dessas ferramentas de ação, não surpreende que a proposta de exploração do giro de 180º pareça ilusoriamente atrativa. A possibilidade de “uma nova, talvez ainda melhor era para a Europa” que emerge do resultado do Brexit, pode ainda aparecer, como sua consequência não-antecipada, embora plausível. Mas isso ocorrerá porque nos frustramos com o uso de tribalismos antiquados para lidar com os desafios do presente, gerados pela emergente condição humana de interdependência mundial.
Faz sentido a ideia de uma tendência retrotópica, dado o medo generalizado do futuro. Mas como você considera a tendência coexistente de ver o passado como uma moral absolutamente negativa, um tipo de moralidade, se você quiser, que orienta o presente dizendo “sabemos que somos contra aquilo” ou “nunca mais”? Estou aqui pensando na centralidade do Holocausto na política contemporânea e no discurso histórico, nos últimos 20 anos. E estou também pensando no recente, mas contínuo foco nos crimes sexuais históricos do Reino Unido, onde frequentemente parece que o passado relativamente recente está se transformando numa visão de corrupção e imoralidade difíceis de acreditar, e contra o qual nos afirmamos no presente. O futuro certamente parece desacreditado, hoje, mas o passado não o é igualmente?
Isaac Newton insistiu em que cada ação dispara uma reação… E Hegel apresentou a história como um conflito/fricção entre oposições, que provocam e reforçam mutuamente oposições (o processo interconectado de dissolução e absorção conhecido por “dialética”). Se vocês fossem partir de Newton ou Hegel, chegariam à mesma conclusão: ou seja, de que seria de fato bizarro se a tendência retrotópica não fosse alimentada por e alimentadora da entronização e destronamento do futuro (sua pergunta, aliás, é um bom exemplo dessa dialética).
A retrotopia, assim como a utopia-Futura ortodoxa, refere-se a uma terra estrangeira: um território desconhecido, não-visitado, não-testado e, em suma, não-experimentado. Essa é precisamente a razão pela qual se recorre a retrotopias e utopias, de forma intermitente, sempre que se procura uma alternativa ao presente. Ambas são, por essa razão, visões seletivas, e em ambos os casos são visões seletivas passivamente e obedientemente suscetíveis de manipulação. Em ambos os casos, os holofotes da atenção são focalizados em alguns aspectos de, para citar Leopold von Ranke, como era realmente (wie es ist eigentlich gewesen), mas numa densa sombra. Isso possibilita a ambos ser territórios ideais (imaginados) onde localizar o estado de coisas (imaginado) ideal, ou ao menos uma versão corrigida do presente estado de coisas.
Até aqui, utopia e retrotopia não diferem – pelo menos em seus processos e na parcialidade dos resultados. O que realmente separa os dois é a mudança de lugar entre confiança e desconfiança: a confiança sendo movida do futuro para o passado, a desconfiança na direção oposta. Seu próprio exemplo captura esse processo, implicando que a inevitabilidade da “tendência retrotópica” coincide com a popularidade do “nunca mais”. Afinal, a retrotopia deriva sua atração, entre outros fatores, do senso de que o futuro pode “nunca mais”, e é provável que “faça isso novamente”. Aquela “centralidade do Holocausto na política contemporânea e no discurso histórico, que realmente manifestou-se nos últimos 20 anos”, como você notou tão corretamente, de outra forma não teria acontecido. Ela testemunha o colapso da confiança na capacidade do futuro elevar os padrões morais.
Você fala corretamente, acredito, dessa intensa desconfiança do futuro, que por sua vez gera esses sonhos retrotópicos de um passado que nunca foi. Mas, por que o futuro deixou de ser o lugar de nossas esperanças, o espaço em que imaginamos e prevemos as coisas como deveriam ser? Você responde a isso parcialmente, quando nota que “uma grande e crescente maioria de pessoas… aprendeu… a desacreditar do futuro desigual, inconstante, imprevisível e notoriamente desapontador”. Mas a história europeia está marcada pela experiência de diversos eventos horrendos, que não necessariamente resultaram numa perda de fé generalizada no futuro. Por exemplo, a Guerra dos Trinta Anos foi seguida pelas primeiras inspirações do Iluminismo, um dos momentos culturais mais otimistas e orientados ao futuro. Até mesmo depois da catástrofe das Guerras Mundiais e do Holocausto, no período pós-guerra, até os anos 1970, foi seguramente marcado por um grau de otimismo, de que as coisas estavam melhorando, de fato, “de que você nunca esteve tão bem”. Então, é claro, houve os anos sessenta, um momento de grande experimentação social e política.
Então, o que acontece na vida em sociedade hoje que transformou o futuro em algo a se desconfiar, a temer?
Pensar no futuro “como alguma coisa suspeita, a ser até mesmo temida”, não é de forma alguma novo na história humana. De fato, remonta aos tempos pré-socráticos, mais precisamente ao século 8 AC – ao Trabalhos e os Dias de Hesíodo, particularmente à sua história “Idades dos Homens”. É uma história de contínua decadência, corrupção e degradação, do pico dos “anos de ouro” aos “anosde ferro”, o fundo dos fundos, no qual Hesíodo se coloca junto com seus contemporâneos. Sua descrição da condição e dinâmica dos habitantes dos anos de ferro era marcantemente reminiscente das características que nossos próprios contemporâneos imputam às condições do nosso próprio século 21, quando embarcamos na jornada retrotópica; ou seja, era atroz, horripilante e repulsiva.
Na visão de Hesíodo, a “raça do ferro” estava destinada a “nunca descansar do trabalho e da tristeza durante o dia, e da destruição à noite”. Na idade do ferro, “o pai não concordará com seus filhos, nem seus filhos com seus pais, nem hóspedes com seu anfitrião, nem companheiros com companheiros” e “não haverá privilégio para o homem que mantém seu juramento ou para o justo ou para o bom; mas, ao contrário, os homens vão louvar os malfeitores e seus negócios violentos. A força será certa, e não haverá mais reverência. E os ímpios ferirão o homem digno, falando falsas palavras contra ele, e jurarão infâmias sobre eles”. Na idade do ferro, aidos (a palavra grega para o sentimento de reverência, e também para a vergonha que coíbe as pessoas de cometerem malfeitos) será cada vez mais notória, apenas por sua ausência.
Em sua reação à herança da Grécia pagã, a Europa cristã introduziu um terceiro elemento ao ciclo Hesiodíaco de declínio e queda: a redenção, a perspectiva de reversão cronológica das eras de ouro e de ferro. Santo Agostinho, por exemplo, introduziu um conceito linear de tempo que fluía da Cidade do Homem inferior, devorada por traços indeléveis de pecado original e, como a era de ferro de Hesíodo, endemicamente corrupta, à perfeição da Cidade de Deus, guiada pela igreja cristã, a vanguarda e a praça das armas. Da Idade Média até a Idade Moderna, contudo, o modelo predominante do fluxo de tempo estava mais próximo de Hesíodo do que de Santo Agostinho.
Durante a Renascença, as coisas mudam. Francis Bacon ousou visualizar a casa da lei de Salomão, a faculdade ideal em seu trabalho utópico New Atlantis, como a culminação da longa, vacilante e espinhosa escalada ascendente da humanidade a uma nova era de ouro. E numa tentativa de ir além da disputa entre antigos e modernos (querelle des anciens et des modernes), Isaac Newton tentou colocar varas em dois formigueiros em guerra, proclamando, numa carta a Robert Hooke em 5 de fevereiro de 1675: “Se vi mais longe, foi por me colocar sobre ombros de gigantes”.
Interessados em simplificar esta complicada história de entrecruzamentos, geminação, linhas de pensamento mutuamente inspiradoras e reciprocamente depreciativas, sugiro o ano de 1755 como o marco que separa as duas visões em competição. De um lado, a de declínio apocalítico, desde o início, de uma história projetada e guiada pelos homens. De outro, a emergência, isto é, a visão de progresso contínuo, essencialmente incontrolável. Naquele ano, a combinação de um terremoto, seguido de fogo e sucedido por um tsunami apagou a cidade de Lisboa da face da terra. Àquela altura, Lisboa era admirada e reverenciada como uma das cidadelas mais ricas e poderosas econômica e culturalmente daquilo que, por sua própria definição, constituía a vanguarda do mundo civilizado. Em poucas palavras, a natureza, agora acusada por sua indiscriminação endêmica, entorpecimento e estupidez moral, bem como indiferença à ética e valores humanos – aquela ordem estabelecida por Deus precisava ser tomado sob nova gestão humana.
A nova administração olhava à frente firme e resolutamente. “Novo” transformou-se na tautologia de “maior” e “melhor”, da mesma forma que “velho” tornou-se um pleonasmo para “fora de moda” e “ultrapassado”. No processo, isso transformou o vigente e vir-a-ser velho no reino da imperfeição condenável, destinado à deposição de lixo. E expandiu o espaço de novidades desejáveis e bem-vindas até que os mercados consumidores fizessem tudo instantaneamente. A vida tornou-se orientada para o futuro e ainda mais apressada.
Mas progressivamente, os sintomas sugerem que aquela era de gestão humana é mais uma aberração temporária do que um novo paradigma. Eu me sinto tentado a sugerir que quando percebida com o benefício da retrospecção, a “vida voltada ao futuro”, como posto por Ernst Block, entrará para os anais da história humana como um episódio na verdade pouco usual e por certo atípico – uma aventura romântica, fervorosamente apaixonada, mas breve.
Você está certo sobre quão significativo foi o terremoto de Lisboa. Talvez a resposta mais famosa – e que ecoa sua afirmação de que a resposta ao terremoto era para tomar a natureza abandonada por Deus sob gestão humana – é o Cândido, de Voltaire. A linha final, uma resposta aos apóstolos do progresso panglossiano, ressoa aqui: “Precisamos cultivar nosso jardim.” Ela exprime bem a ideia do Iluminismo, seugndo a qual a humanidade pode emergir de sua “tutela autorrealizada”, como colocado por Kant, a noção de que por meio de nossa própria razão (e não há/havia maior autoridade que nossa própria razão!) podemos agarrar as leis do mundo natural e social, e modelar o mundo de acordo com os nossos objetivos racionalmente escolhidos. Por que, então, no século 21, num tempo em que é nossa habilidade de administrar a natureza “para cultivar nosso jardim” para “viver voltados ao futuro” é mais forte que nunca, o projeto do Iluminismo (se é que posso chamá-lo assim) aparece como um “breve” interlúdio?
George Steiner disse certa vez que o privilégio de Voltaire, Diderot, Rousseau, Holbach, Condorcet e sua turma era sua ignorância: eles não sabiam o que sabemos e não podemos esquecer. A descendência da “Nova Jerusalém” de Isaias – relutantemente e não sem resistência – do futuro paradisíaco, fará isso a partir de Auschwitz, Kolyma e Hiroshima. Tudo isso foi fruto do cultivo entusiasmado e engenhoso do “nosso jardim”.
Você mesmo compara a relação progressiva com o tempo, e com a natureza, a um caso apaixonado. Você acha que, depois desse caso, estamos retornando à nossa prolongada relação com a temporalidade, o antigo, concepção de tempo quase teológica e alegórica, de queda e apocalipse, de decadência e redenção? Afinal, tanto ao ambientalismo quanto ao radicalismo islâmico, não falta a ideia de Fim dos Tempos.
Repito o que disse antes: o futuro (outrora a aposta segura para o investimento de esperanças) tem cada vez mais sabor de perigos indescritíveis (e recônditos!). Então, a esperança, enlutada, e desprovida de futuro, procura abrigo num passado outrora ridicularizado e condenado, morada de equívocos e superstições. Com as opções disponíveis entre ofertas de Tempo desacreditadas, cada qual carregando sua parte de horror, o fenômeno da “fadiga da imaginação”, a exaustão de opções, emerge. A aproximação do fim dos tempos pode ser ilógica, mas por certo não é inesperada.
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Posted: 05 May 2017 11:09 AM PDT
mal michel temer fazer governo medidas impopulares direitos
Confira abaixo trechos da coluna mais recente de Eliane Brum ao jornal El País:
Se o impeachment foi uma ruptura na medida em que tirou Dilma Rousseff e o PT do poder que haviam alcançado pelo voto, o governo Temer é uma continuidade bem piorada e representa a aceleração do desmonte de direitos que se iniciou quando PMDB, PT e o que há de mais nefasto no espectro partidário ainda se abraçavam pelos corredores do Planalto e do Congresso em nome de uma obscenidade que nomearam como “governabilidade”.
No Brasil nada é simples e muito menos binário, como apontam com tanta precisão as flechas dos indígenas. Apagar a memória, assim como as contradições, nunca nos levou a um país melhor.
Aqueles que se anunciam no presente como “novidade” dão show do velho autoritarismo ao chamar trabalhadores em greve de “vagabundos”
E assim chegamos ao que chamamos de presente. Um governo com 9% de aprovação e 8 ministros investigados pela Lava Jato, um presidente apontado pelo executivo de uma empreiteira como negociador de uma propina de 40 milhões de dólares – e cada dia mais um direito a menos. Diante deste cenário, na sexta-feira, 28 de abril, grande parte do Brasil parou em greve geral contra as reformas trabalhistas e da previdência. Um dos principais articuladores das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, o Movimento Brasil Livre (MBL), chamou os trabalhadores exercendo o seu direito legítimo de greve de “vagabundos”.
O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), a cada dia mais presidenciável, também chamou os trabalhadores exercendo o seu direito constitucional de greve de “vagabundos”. Seu diligente colaborador, o prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, superou todas as expectativas ao enaltecer em vídeo um grupo de servidores que dormiu no serviço para não faltar ao trabalho com a paralisação do transporte. Em seguida, colocou todos os neurônios para trabalhar no dia da greve e revolucionou o pensamento lógico: “Sou a favor do direito à greve, mas não em dia de trabalho”.
Quando aqueles que se esforçam para se vender como “novidade” chamam trabalhador em greve de “vagabundo”, o discurso mais mofado e decrépito do autoritarismo, o “novo” já não disfarça o cheiro na prateleira. Porta-voz do governo no 28 de abril, o ministro-da-justiça-para-mim-e-meus-amigos-ruralistas, Osmar Serraglio, também invocou uma expressão do passado autoritário ao chamar a greve geral de “baderna generalizada”.
Mas sempre há o futuro logo ali, depois da curva. No domingo (30/4), pesquisa do DataFolha mostrou que Jair Bolsonaro, do PSC, o partido que é “dono da Funai”, disputa o segundo lugar na eleição presidencial de 2018 na preferência dos eleitores ansiosos por mudar o Brasil.
Bolsonaro não disfarça seu autoritarismo com nenhum nome photoshopado como “gestor”. É franco defensor da ditadura e dos torturadores, assim como homofóbico declarado. Réu por incitação ao crime de estupro, na mira do Ministério Público Federal por discriminação racial, ele também já anunciou que, se eleito, “não vai ter um centímetro demarcado para terra indígena ou quilombola”. Com os indígenas acontece primeiro, mas, não custa lembrar, “índio é nós”.
O que apontam as flechas dos indígenas?
As flechas dos indígenas apontam que no Brasil o passado não passa e o futuro já passou.
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Posted: 05 May 2017 10:56 AM PDT
porque como estados brasileiros falidos dívida pública
José Álvaro de Lima Cardoso, Outras Palavras
O Brasil atravessa a mais grave recessão da história, no contexto da maior crise da história do capitalismo, e em plena execução de um golpe de Estado. O impacto desta conjuntura sobre a arrecadação pública, em todos os níveis, é dramático e inevitável. O debate é bastante complexo, pois, além da queda da arrecadação, em si, nele está presente com muita força a questão político ideológica, que leva a uma leitura de que o Estado brasileiro estaria quebrado em função dos salários e dos direitos sociais. Assim, além da queda da arrecadação em si, decorrência da mais grave recessão da história do país, temos uma narrativa, dada de barato pelos “formadores de opinião”, de que o déficit público decorre dos direitos trabalhistas e sociais. O desdobramento do raciocínio é automático: a solução do problema passa pela liquidação dos salários, demissões, implosão da Previdência Pública, redução de gastos com saúde e educação, e assim por diante. Essa leitura, equivocada e calcada no senso comum, é hegemônica no interior da sociedade.
A crise fiscal afetou todos os níveis da administração pública. Em vários municípios, que também vivem o drama da queda da arrecadação, os prefeitos vêm tentando resolver a crise com o desmonte de direitos conquistados a duríssimas penas, e ao longo de décadas. Em alguns dos principais municípios catarinenses, não fosse a organização sindical e a disposição de luta dos servidores, os direitos já teriam sido completamente raspados, o que abriria a “temporada de caça aos direitos” nos demais (essa possibilidade não está descartada, aliás, pois o jogo está em andamento).
Em alguns estados a situação beira a insolvência, com salários atrasados e elevadas dívidas, com grave crise política e institucional. Mas há razoável heterogeneidade na situação dos estados, que devem ser consideradas, sob pena de uma “nivelação por baixo” dos salários e direitos existentes. Por exemplo, no referente à dívida pública, o problema é grave em quatro estados: Rio de Janeiro (232% da Receita Corrente Liquida – RCL), Rio Grande do Sul (213%), Minas Gerais (203%) e São Paulo (175%). Nesses casos, os três primeiros já possuem dívidas acima do limite legal de 200% da Receita Corrente Líquida, definido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas esta situação não é a de todos os estados. No ano passado, dos 27 entes federados, 22 encerraram o ano com dívida inferior a 100% da Receita Corrente Líquida, portanto, muito abaixo do limite permitido para endividamento (200% da RCL). Obviamente, é central o fato de que a crise se faz mais grave em estados com grande peso no PIB nacional e na população nacionais, fenômeno que aumenta o impacto sobre o problema, ao nível nacional, tanto econômica quanto politicamente.
Com exceção de alguns estados, pode-se afirmar que o problema das contas públicas estaduais, não é o estoque da dívida. A rigor a questão central é a de que a recessão afetou a arrecadação em geral, e o cobertor ficou curto para muitos estados e municípios. Há um crescimento vegetativo das despesas, inclusive de pessoal, e, num momento de queda significativa na receita as contas se agravam. Um dos efeitos da queda da arrecadação real dos estados, foi a queda nos investimentos, bastante grave. Frente a 2014, ano em que teve início a trajetória de queda da atividade econômica, os estados reduziram os investimentos em R$ 34,8 bilhões em 2016, queda de 53,4% em termos reais. O resultado foi que, em 2016, o investimento médio dos estados chegou ao menor patamar dos últimos nove anos, 5,3% da RCL (dados do estudo da Firjan: Situação Fiscal dos Estados Brasileiros, abril de 2017).
Apesar do problema fiscal ser muito grave apenas em alguns estados, como vimos, (ainda que sejam os grandes estados), acabou de ser aprovada na Câmara Federal o PLP 343/2017, que trata da renegociação da dívida dos estados. O PLP 343 foi enviado pelo governo golpista, após ter sido derrotado em diversos pontos do PLP 257/016, em dezembro de 2016. Com o PLP 343/17 os golpistas reintroduziram uma série de condições, que foram retiradas do projeto anterior, para renegociação das dívidas dos estados com a União. Para os estados que renegociarem suas dívidas através desse PLP, haverá uma série de contrapartidas, como:
1) Proibição, por dois anos, de reajustes salariais acima da inflação e de novas contratações;
2) Aumento de 11% para 14% da contribuição previdenciária dos funcionários públicos (com possibilidade de mais 8% e 6% extraordinárias);
3) Possibilidade de redução da jornada dos servidores estaduais, com corte nos salários (medida que depende do aval do STF);
4) Privatização das empresas de saneamento, energia e bancos estaduais.
A lógica do PLP 343 é a mesma do conjunto de ações do governo como um todo: aproveitar para privatizar o filé das estatais, reduzir salários reais e direitos. A ideia embutida nesses projetos é a de que os direitos atuais não cabem no orçamento. Daí os programas de privatizações, concessões e venda de ativos. Está se tentando repassar o ônus da crise para os trabalhadores, empurrando goela abaixo do povo um programa ultraliberal, fundamentalista, que não foi praticado em parte nenhuma do mundo. As medidas têm objetivos bastante ousados e definidos: a) reduzir salários reais nos setores público e privado; b) implodir a Carta Magna de 1988; c) transformar direitos sociais em serviços pagos; d) destruir a CLT (o projeto de reforma trabalhista não deixa dúvidas); e) privatizar o que restou de patrimônio público (CEF, BB, BNDES, Petrobrás); f) reduzir ao mínimo a Seguridade Social (de preferência, acabar); g) entregar o mais importante, a jazida do pré-sal, o passaporte do Brasil para o desenvolvimento.
Atribui-se a crise fiscal à existência dos direitos, e se promove um ataque inédito aos mesmos, sem sequer mencionar o principal problema fiscal do Brasil, que é a dívida pública. É como se o ganho dos rentistas estivesse escrito nas estrelas, e em detrimento dos direitos de toda a população. Para exemplificar, segundo trabalho recente da Subseção do DIEESE no Setor Público, Santa Catarina fez um empréstimo de R$ 5,42 bilhões, pagou até dezembro de 2016 R$ 13,26 bilhões e terminou 2016 com uma dívida de R$ 10,21 bilhões. Essa é a característica geral das dívidas estaduais e da dívida pública brasileira. São impagáveis, servindo apenas de mecanismo de dragagem de dinheiro público, para os bolsos de uma elite rentista. Este é o verdadeiro problema fiscal brasileiro. Se sacrifica toda uma população para pagar serviços de uma dívida que não tem legitimidade, e que não resistiria a uma auditoria.
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Posted: 05 May 2017 10:43 AM PDT
mujica prender lula eleições 2018 presidente esquerda
Lula e Mujica (reprodução)
O ex-presidente do Uruguai e atual senador José Mujica analisou, em entrevista concedida à revista semanal Caras & Caretas, o panorama geral da esquerda na América Latina e falou especificamente sobre o Brasil e a Argentina. Para ele, em ambos os países há perspectiva de vitória de candidatos do campo da esquerda nos próximos processos eleitorais.
O governo argentino está perdendo prestígio rapidamente e apela para a repressão. E Cristina (Kirchner) é astuta, está buscando reunificar o peronismo e, quando conseguir, Macri acaba, já que ele não ganhou, foi o peronismo que perdeu por suas divisões. Se isso é solucionado, adeus“, acredita Mujica. “No Brasil, sabem que ou prendem Lula ou vão perder, já estão convencidos disso”, pontua, fazendo referência aos opositores do ex-presidente brasileiro.
Ele reafirma ainda que não será candidato à presidência após o término do mandato de Tabaré Vázquez. “Podem apostar dinheiro se quiserem“, diz. Mujica fez uma crítica à atuação da esquerda no continente. “Temos de aprender com os erros que tivemos. Confundimos progressismo com esquerda. E na América Latina começamos a parecer bastante com a social-democracia europeia, que, de tanto ser pragmática e racional, deixou de ser esquerda”, reflete.
Não podemos prescindir da batalha cultural, perdemos aí. Nós crescemos e nos convencemos de que a mudança das relações de produção traria como consequência imediata uma humanidade diferente e melhor. Não, fomos ingênuos. A cultura dura muito mais que a economia, se prolonga mais, se projeta adiante. Essa mudança é mais difícil e mais profunda do que qualquer mudança econômica”, pondera o ex-presidente.
Para Mujica, os trabalhadores devem assumir um papel de protagonismo em sua própria trajetória. “O que a história deixou deve ser estudado. Os trabalhadores nunca governaram, por mais que tenham sido feitas revoluções em seu nome. E a burguesia não está capacitada para liderar processos de mudança a longo prazo”, afirma. “Os trabalhadores devem aprender a governar a si próprios. E não devem depender do ‘papai’ Estado para se proteger porque o ‘papai’ Estado estará cooptado pela burguesia e vai se converter em burocracia. (Isso) Depende da classe que está no comando, e a classe trabalhadora não está.”
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Posted: 05 May 2017 10:32 AM PDT
cia assassinar Kim Jong-un coreia do norte sul eua
Kim Jong-un, líder Supremo da Coreia do Norte (reprodução)
A Coreia do Norte acusou nesta sexta-feira a CIA de traçar, junto com os serviços de inteligência sul-coreanos, um plano para matar seu líder, Kim Jong-un, com substâncias químicas durante as comemorações de abril passado no país asiático.
O Ministério de Segurança Estatal assegurou que tinham detectado um grupo infiltrado pela Agência Central de Inteligência (CIA) e o Serviço Nacional de Inteligência de Seul para realizar “preparativos encobertos e meticulosos” para realizar um atentado contra seu líder “através do uso de substâncias químicas”.
Em um comunicado, publicado pela agência oficial de notícias norte-coreana “KCNA”, o Ministério afirmou que a CIA e os serviços de inteligência sul-coreanos “subornaram” em 2014 um norte-coreano de sobrenome Kim que trabalhava em um complexo industrial no território russo de Khabarovsk para que realizasse um “atentado terrorista” contra o líder supremo do país.
O objetivo era assassinar Kim durante os atos em março no Palácio do Sol de Kumsusan (onde estão embalsamados seu avô e seu pai, Kim Il-sung e Kim Jong-il, respectivamente) e no desfile militar.
Disseram a ele que o assassinato com substâncias químicas, incluindo substâncias radiativas e nanovenenos, era o melhor método, que não requer acesso ao alvo”, com resultados após seis ou 12 meses, segundo o texto.
Os serviços de inteligência de Seul assumiram o custo dos fornecimentos e fundos necessários para a operação e o homem recebeu dois pagamentos de US$ 20.000, bem como um transmissor-receptor via satélite.
Ao longo de 2016, quando o homem morava em Pyongyang, foi-lhe dadas instruções para ter acesso ao local das comemorações e US$ 200.000 para estabelecer um centro de contato no estrangeiro com o fim de introduzir as equipes e materiais necessários para “subornar cúmplices”.
Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou lançar um “ataque antiterrorista” contra as agências de inteligência de ambos os países pela conspiração.
Vamos rastrear e destruir sem piedade até o último terrorista da CIA e da inteligência de Seul” , segundo a “KCNA”
EFE
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