sábado, 10 de junho de 2017

10/6 - Sucesso de Corbyn revitalizará a social-democracia europeia

FONTE:Castor Filho <castorfilho@yahoo.com>
Sucesso de Corbyn revitalizará a social-democracia europeia
9/6/2017,
Moon of Alabama

Minhas congratulações profundamente sinceras a Jeremy Corbyn e à ala social-democrata do Partido Trabalhista Britânico. Vocês são os grandes vencedores da eleição de junho de 2017, contra enorme resistência do establishment, ainda que, por enquanto, Theresa May continue à frente do governo.

AP: Jogada que May tentou nas eleições britânicas saiu-lhe pela culatra: Tories perderam a maioria

Espetacularmente castigada pelos eleitores que lhe tiraram a maioria no Parlamento, uma Theresa May politicamente ferida tentava mostrar-se senhora da situação na 6ª-feira como primeira-ministra britânica, resistindo à pressão para renunciar depois do fracasso da jogada arriscada que tentou nas eleições tornou ainda mais complicado e incerto o desafio de tirar a Grã-Bretanha da União Europeia.

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Com 649 das 650 cadeiras da Casa dos Comuns já declaradas, os escalavrados conservadores de May tinham apenas 318 eiras com votos – menos que as 326 necessárias para maioria absoluta e bem abaixo das 330 que tinham antes de May jogar os dados eleitorais. Os Trabalhistas tinham 261.
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Os resultados confundiram os que disseram que [o líder dos Trabalhistas Jeremy] Corbyn seria eleitoralmente tóxico. Descartado por muitas pesquisas eleitorais, o Partido Trabalhista cresceu nas semanas finais da campanha. Obteve forte apoio dos eleitores jovens, que parece que compareceram às urnas em números maiores que os esperados.

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Muitos preveem que [May] sairá em breve.

"Claramente, se ela tem resultado ainda pior que o de há dois anos, e é praticamente incapaz de formar um governo, nesse caso, duvido que sobreviva por muito tempo como líder do Partido Conservador" – disse à ITV o Conservador e ex-chefe do Tesouro George Osborne.

May agora se unirá numa coalizão com a União Democrática conservadora da Irlanda do Norte (Democratic Union, DUP) que obteve 12 cadeiras no Parlamento. Mesmo assim, terá maioria muito apertada. A DUP é maculada por envolvimento nebuloso com dinheiro saudita. Podemos ter outra eleição de emergência, ainda esse ano.

Os Trabalhistas atraíram o voto de eleitores jovens, que acorreram às urnas em números maiores que os previstos. A maioria dos eleitores mais idosos votaram com os Tories. Como esse dado se converterá em percentagens de cada partido, daqui a dez anos?

Corbyn obteve o melhor resultado para os Trabalhistas desde, pelo menos, 1997. Isso, apesar de o próprio establishment Trabalhista e seus órgãos de imprensa terem-no atacado sem trégua desde que foi eleito líder do Partido em 2015. Considerem o colunista falso-esquerdista e sionista Nick Cohen, um dos vários do mesmo tipo no grupo de colunistas fixos do Guardian. Há apenas três meses, Cohen escreveu:

Os Tories foram mais simpáticos a Corbyn e seu grupo pelo menos até agora, pela razão óbvia de desejarem que continuassem à frente dos Trabalhistas.

Numa eleição, os Tories destroçarão Corbyn e seu grupo. Exporão o currículo da extrema esquerda que vive de justificar o imperialismo do estado-gângster de Vladimir Putin, opressor de mulheres e assassino de gays no Irã, o IRA e todos os tipos de movimentos islamistas inquisitoriais e assassinos, ao mesmo tempo em que se autoapresentam com seu igrejismo hipócrita como se fossem uma força moral. Haverá 150, 125, 100 deputados do Partido Labour ao final da apuração? Meu conselho é pensar num número qualquer e dividi-lo pela metade.

Para as estatísticas: os Trabalhistas conquistaram pelo menos 261 assentos 31 a mais do que na última eleição. Os Tories obtiveram 42,5% dos votos, os Trabalhistas 40% – 10 pontos percentuais a mais que da última vez. O sistema eleitoral britânico converte a pequena vantagem dos Tory em número de votos, numa diferença bem maior no número de assentos no Parlamento.

A vitória de Corbyn dá esperanças de desenvolvimentos futuros em outros países europeus. (As tendências de longo prazo são muito mais importante que as escaramuças em torno do Brexit.) Corbyn provou que partidos social-democráticos podem novamente ser competitivos se deixam de lado o dogma neoliberal e volta às próprias raízes de política com base na classe realmente dos trabalhadores. A lição vem tarde demais para as eleições na França e para as já próximas eleições na Alemanha.

Naqueles dois países, o establishment ainda comanda os partidos social-democratas que só fazem perder eleição após eleição. Como o Labour na Grã-Bretanha, eles precisam de renovação pela qual políticos autenticamente mais à esquerda voltem às posições protagonistas. (Os EUA teriam provavelmente feito movimento semelhante, se o establishment Democrata não sabotasse Bernie Sanders em favor de uma inelegível Hillary Clinton. Infelizmente, Sanders foi uma chance em um milhão, que tão cedo não se repetirá.)

Será necessário ainda algum tempo, para que a vitória de Jeremy Corbyn seja repassada para o continente, em temos de renascimento mais amplo de políticas social-democratas. Mas até aqui o passo já foi gigantesco, e o movimento e a tendência correspondentes evoluem hoje também muito bem, na mesma direção.*****

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