segunda-feira, 12 de junho de 2017

12/6 - Mídia não consegue animar o consumidor

Altamiro Borges


Posted: 08 Jun 2017 10:00 PM PDT
Por Altamiro Borges

A mídia chapa-branca, cevada com o aumento das verbas publicitárias, até que tentou convencer a sociedade de que o país estaria superando a crise econômica e voltando a crescer. Antigos urubólogos, como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg – da Rede Globo – viraram os otimistas de plantão. Antes, durante os governos Lula e Dilma, até as notícias positivas eram acompanhadas do alerta: “mas vai piorar”. Agora é o contrário. O desemprego cresce, as empresas falem, a renda das famílias despenca, mas “o Brasil vai melhorar” – juram os mercenários da imprensa. Toda esta propaganda, porém, não está conseguido ludibriar a sociedade. Até parece que o covil golpista de Michel Temer está desperdiçando dinheiro público com os seus anúncios milionários!

Reportagem publicada na Folha golpista nesta terça-feira (6) confirma o clima de desânimo no país. “Um dos principais motores da economia brasileira, o consumo interno continua exibindo sinais de fraqueza, o que deve dificultar a saída da recessão em que o país afundou há mais de dois anos. O consumo das famílias representa quase 65% do PIB (Produto Interno Bruto) e encolhe desde o início da recessão. Indicadores colhidos por diferentes pesquisas sugerem que o humor dos consumidores sofreu um novo baque com a eclosão da crise política. Segundo o IBGE, a economia voltou a crescer no primeiro trimestre, puxada pelo agronegócio e pelas exportações. Mas o consumo das famílias continuou em queda no período”, relata a jornalista Flavia Lima.

“Os dados divulgados pelo instituto mostram que houve um recuo de 0,1% em relação ao último trimestre do ano passado, e de 1,9% na comparação com o primeiro trimestre do ano. Estatísticas sobre a produção industrial sugerem que outra queda pode ter ocorrido em abril. Embora a produção de bens de consumo duráveis, como geladeiras e carros, tenha apresentado alta de 0,6% em relação a abril de 2016, o desempenho de produtos como vestuário, calçados e alimentos registrou declínio de quase 10%. Para os economistas, com desemprego em alta e famílias ainda muito endividadas, nem a inflação baixa nem a liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS foram capazes até agora de reanimar os consumidores de forma consistente”.

Ainda de acordo com o jornal, “após a delação dos donos da JBS vir a público, os índices que procuram medir a confiança do consumidor registraram quedas expressivas. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Federação do Comércio de São Paulo, que capta o humor dos paulistanos para as compras, já vinha oscilando desde o início do ano e teve uma performance sofrível de abril para maio, com queda de 7%. A Fecomercio repetiu a pesquisa uma semana após a divulgação da delação da JBS, e nova queda foi identificada, de 2,3%. Com isso, o indicador voltou a cair abaixo de 100 – um nível de pessimismo que não era atingido desde julho do ano passado. O Índice Nacional de Confiança do Consumidor da CNI (Confederação Nacional da Indústria) também acusou o golpe. Colhido entre os dias 18 e 22 de maio, caiu 2,7% sobre abril”.

A Folha tucana até tenta jogar a culpa pelo desânimo na nova crise institucional aberta com as delações dos donos da JBS. É como se o jornal da famiglia Frias – que apostou todas suas fichas na instabilidade política durante os governos petistas – agora tentasse isentar o usurpador Michel Temer de qualquer culpa. É certo que a turbulência política afeta a economia – como afetou a gestão de Dilma Rousseff, que não teve um minuto de tranquilidade. Mas a perda de confiança dos brasileiros com os rumos da economia já vem de antes das delações da JBS. Ela decorre das medidas recessivas adotadas pelo covil golpista, que resultaram no aumento brutal do desemprego e na piora da renda familiar. Ela também deriva das maldades das “reformas” trabalhista e previdenciária formuladas pela quadrilha que assaltou o poder. Só a mídia chapa-branca tentava esconder este triste cenário.

Reproduzo abaixo artigo da economista Laura Carvalho, uma das poucas vozes críticas que ainda restam na Folha golpista:

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Números da economia desmentem Temer

Por Laura Carvalho - 08/06/2017

A divulgação dos números do PIB na quinta-feira passada (1º) apontou um crescimento de 1% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2017 em relação ao último trimestre do ano passado.

Após oito trimestres consecutivos de queda, o resultado positivo foi suficiente para lançar o presidente Michel Temer em mais uma incursão ao país das maravilhas.

"Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda", celebrou Temer nas redes sociais.

A pílula de sobriedade foi ministrada pelo "Financial Times" ao comentar sobre os mesmos dados: "Brasil rasteja da recessão após supersafra de soja", acalmou o jornal. E o crescimento de 13,4% no setor agropecuário, que explica o resultado agregado positivo do trimestre, dificilmente poderia ser atribuído a medidas tomadas pelo governo. A não ser que o tal grande acordo nacional também tenha envolvido são Pedro e os grandes mercados mundiais.

Os números que expressam a situação da demanda interna do país frustraram todas as projeções.

Após oito trimestres de queda, os economistas esperavam uma retomada do consumo das famílias de 0,4%, mas o IBGE indicou nova retração, de 0,1%. Os investimentos decepcionaram ainda mais: caíram 1,6%, enquanto as projeções giravam em torno de uma redução muito menor —de 0,3%.

Embora o governo tenha seguido à risca o programa econômico desejado pelos analistas do mercado financeiro, a economia real tratou de mostrar que funciona de forma diferente.

Os erros de projeção chegam a ser chocantes: após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, a média das expectativas de crescimento do PIB de 2017 reunidas no Boletim Focus subiu de 0,24% em abril de 2016 para 1,34% em setembro.

Hoje, gira em torno de 0,5%, e muitos analistas já descartam qualquer crescimento para este ano. Isso com a ajuda de são Pedro e da alta no mercado internacional dos preços das commodities que exportamos durante os primeiros meses do ano.

Os números de abril da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE sinalizam que a situação não melhorou após o fim do primeiro trimestre: houve retração de 4,5% em relação a abril de 2016.

A queda maior se deu nos setores de bens de consumo semi e não duráveis, cuja produção caiu 9,8% -a contração mais acentuada desde maio de 2015-, e de bens de capital, que recuou 5,5% e interrompeu cinco meses de taxas positivas.

Não sabemos ainda o impacto sobre a economia real da incerteza gerada pelas delações da JBS e a perda de governabilidade de Michel Temer. Mas o fato de o presidente tentar segurar-se nos péssimos números da economia para angariar apoio só desnuda o que já sabíamos: que a tragédia é ainda maior em outros âmbitos.

Infelizmente, os setores que apoiaram a derrubada de Dilma Rousseff ainda oscilam entre empurrar o governo com a barriga até 2018 ou substituir Michel Temer por outro Michel Temer.

Dão para a estratégia a mesma justificativa que cansamos de ouvir em 2016: seriam esses os melhores caminhos para a estabilidade econômica e política. Vai ficando cada dia mais difícil convencer alguém disso.


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Posted: 08 Jun 2017 09:59 PM PDT
Por Altamiro Borges

Silvio Santos, o bilionário proprietário do SBT, adora contratar fascistoides e outras figuras exóticas para trabalhar na sua emissora de televisão. Esta opção, porém, começa a dar dores de cabeça ao patrão e pode até resultar no questionamento legal sobre a concessão pública para as suas empresas. Na semana passada, o pseudo-humorista Danilo Gentili, que exibe o programa "The Noite", sofreu duas surras na Justiça em decorrência dos seus comentários que estimulam o ódio e o preconceito. Já nesta semana, a jornalista Rachel Sheherazade, âncora do principal telejornal da emissora, finalmente foi punida por suas declarações racistas. Vale conferir a informação postada no site "Notícias da TV" nesta quinta-feira (8):

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Ministério Público pede retratação do SBT por comentário de Rachel Sheherazade

A jornalista Rachel Sheherazade no SBT Brasil: polêmica pode custar caro a Silvio Santos

O MPF (Ministério Público Federal) entrou nesta semana com um recurso na Justiça Federal em que pede que o SBT se retrate publicamente por um comentário de Rachel Sheherazade. Na edição de 4 de fevereiro de 2014 do SBT Brasil, a jornalista defendeu a agressão a um adolescente que foi amarrado nu a um poste após furto no Rio de Janeiro.

O processo corre na Justiça desde setembro de 2014. No ano passado, o SBT obteve uma vitória em primeira instância. O caso foi considerado improcedente pelo juiz José Carlos Francisco, da 14ª Vara Cível Federal de São Paulo, para quem o comentário de Rachel está amparado no direito à liberdade de expressão e opinião.

Na última quarta-feira (7), o procurador regional da República Walter Claudius Rothenburg contestou a sentença e alegou que a emissora teria extrapolado o direito de livre expressão e informação ao exibir mensagens que incitam a violência.

"A ação civil foi proposta pelo MPF com o objetivo de salvaguardar a integridade física e psíquica de um adolescente vítima de violência, assim como de proteger o público em geral de mensagens que incitam a violência em um contexto social tão fortemente marcado pelo desrespeito aos direitos fundamentais", diz Rothenburg.

A PRDC (Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão) exige que o SBT veicule um quadro com a retratação dos comentários da jornalista, com multa de R$ 500 mil por dia de descumprimento. A mensagem precisará esclarecer aos telespectadores que a incitação à violência não é legítima e constitui crime ainda mais grave que as infrações cometidas pelo adolescente.

O SBT também precisaria pagar R$ 532 mil por dano moral coletivo. A quantia foi calculada com base nos valores das inserções comerciais veiculadas pelo canal.

Ataque como defesa

Na exibição da reportagem sobre o infrator adolescente, Rachel defendeu o grupo de pessoas que o agrediu. "O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite", disse ela, que ironizou: "Aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido".

Em 2014, por ordem de Silvio Santos, Rachel Sheherazade foi proibida de emitir seus comentários no principal telejornal da emissora. Curiosamente, foi justamente um vídeo em que a jornalista criticava o Carnaval em uma afiliada do SBT na Paraíba que fez com que ela caísse nas graças de Silvio. Bastante compartilhada na internet, a mensagem antifolia dividiu internautas, mas fez o dono do SBT convocar a jornalista para atuar na cabeça-de-rede.


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Posted: 08 Jun 2017 09:57 PM PDT
Do site do FNDC:

Realizada no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB), no dia 28 de maio, a 20ª Plenária Nacional do FNDC aprovou a agenda prioritária da entidade contendo seis principais pontos: fortalecer a Campanha Calar Jamais!, denunciar o desmonte e lutar pelo fortalecimento da radiodifusão pública; monitorar as outorgas de rádio e televisão; combater a entrega da infraestrutura de telecomunicações, defender a universalização do acesso à internet e a privacidades nas redes; fortalecer a comunicação alternativa, comunitária, popular e as mídias livres e articular estratégias de diálogo com movimentos sociais e centrais sindicais.

Renata Mielli, coordenadora-geral do FNDC, explica que a agenda foi estabelecida a partir da luta política mais geral de defesa da democracia e da liberdade de expressão. "O golpe que destituiu Dilma Rousseff fortaleceu as forças mais reacionárias da política nacional, que ganharam espaço institucional no Executivo Federal e nos demais poderes da República. Com isso, a violência contra as manifestações populares de combate ao projeto derrotado nas eleições tem se dado por todas as vias e de várias formas", contextualiza. Assim, explica Mielli, "a luta em defesa da democracia nas comunicações é sobretudo a luta por democracia, em defesa da liberdade de expressão e de organização, e nesse contexto, precisamos estar ao lado das lutas populares que denunciam e combatem a crise político-institucional em curso no país, como o movimento pelas Diretas Já, entre outras iniciativas do campo popular. Nossa agenda de lutas reflete exatamente esse entendimento".

A plenária encerrou o 3º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (3ENDC), realizado entre 26 e 28 de maio, na UnB. Confira a agenda na íntegra (baixe aqui a versão para impressão).

1. Fortalecer a Campanha Calar Jamais!

- Realizar atividades de lançamento da campanha nos estados, com debates, seminários e exposições;
- Ampliar a divulgação das denúncias recebidas;
- Preparar um documento, para ser encaminhado às autoridades nacionais e internacionais, com um histórico das denúncias recebidas em um ano da Campanha. Este documento será base para uma publicação a ser lançada durante a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação (outubro de 2017);
- Organizar atos nos estados pra denunciar a violência policial e do Estado contra manifestantes, que viola a liberdade de expressão, articulando as duas frentes de mobilização social (Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular).

2. Denunciar o desmonte e lutar pelo fortalecimento do campo público de radiodifusão
- Fortalecer a articulação do Conselho Curador cassado e dos trabalhadores da EBC;
- Pressionar os partidos políticos para ingressarem com a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a MP 744, que alterou a lei 11.652 que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC);
- Fazer um balanço, em forma de publicação, do desmonte da EBC e da comunicação pública promovido pelo governo Temer;
- Organizar audiências públicas nos Estados para discutir o fortalecimento da comunicação pública e denunciar tanto o desmonte da EBC quanto das emissoras públicas estaduais (RTV Cultura, Fundação Piratini, TV Pernambuco etc.);
- Acompanhar a luta contra o desmonte das emissoras públicas estaduais;
- Lutar pela liberação da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, hoje acumulada em R$ 3 bilhões;
- Denunciar ao MPF o uso dos juros do Fistel pela EBC, recurso que está sendo usado apenas pela Empresa e não esta sendo revertido para todo o campo público de comunicação.

3. Monitorar as outorgas de rádio e televisão
- Acompanhar e denunciar as irregularidades na expedição e exploração das concessões de rádio e televisão, bem como dos arrendamentos, das violações de Direitos Humanos e do controle de emissoras por políticos, visando criar subsídios para os debates das renovações das concessões que vão acontecer em 2022, considerando as mudanças estabelecidas recentemente na legislação pelo governo Temer.

4. Combater a entrega da infraestrutura de telecomunicações, defender a universalização do acesso à internet e a privacidade nas redes
- Combater a privatização da infraestrutura das telecomunicações (PLC 79/16), do novo satélite geoestacionário e as mudanças propostas pelo governo Temer na Lei Geral de Telecomunicações;
- Defender o caráter multissetorial do Comitê Gestor da Internet e a importância das políticas de participação popular no CGI;
- Defender a aprovação da Lei de Proteção de Dados Pessoais;
- Combater as violações da privacidade e vigilância em massa na internet, praticadas tanto pelas empresas quanto pelo Estado brasileiro.

5. Fortalecer a comunicação alternativa, comunitária, popular e as mídias livres
- Acompanhar o processo de liberação dos Canais da Cidadania, pressionando para que haja efetivação, com participação social, destes canais;
- Defender a elaboração de um Plano Nacional de Outorgas (PNO) para os Canais da Cidadania;
- Incentivar que os comitês do FNDC produzam um mapeamento dos/as comunicadores e iniciativas de comunicação popular em sua região;
- Compartilhar as estruturas de comunicação entre as entidades que fazem parte do FNDC nos estados, para fortalecer a estratégia de articulação da comunicação popular, alternativa, sindical, etc.;
- Orientar que os ativistas que atuam na radiodifusão comunitária integrem os comitês contra o golpe em todo o país;
- Pressionar o governo federal a publicar os editais de rádios comunitárias e educativas previstos no PNO;
- Exigir a publicação de um novo PNO para rádios comunitárias em territórios tradicionais, quilombolas, indígenas e assentamentos da reforma agrária;
- Incentivar a constituição de um fundo para financiar as mídias alternativas e livres a partir de projetos de lei já em tramitação no Congresso Nacional;
- Chamar os movimentos sociais para ajudar no financiamento da mídia alternativa;
- Lutar pela descentralização das verbas publicitárias governamentais em âmbito municipal e estadual;
- Discutir a ocupação do canal comunitário DTH em audiências públicas;
- Ampliar a luta pela criação dos conselhos estaduais de comunicação.

6. Estratégias de articulação, diálogo e engajamento com movimentos sociais e centrais sindicais
- Definir calendário de mobilização e orientações que sejam articuladas nos estados;
- Participar e fortalecer a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular nacionalmente e nos Estados;
- Construção do FSM 2018 em Salvador na Bahia, pautando a democratização da comunicação como eixo estratégico central.
- Realizar ações de formação para fortalecer a comunicação popular e a luta pela democratização das comunicações junto aos movimentos sociais;
- Organizar uma estratégia de comunicação entre comitês do FNDC para dar mais visibilidade às ações e às principais lutas que travamos;
- Indicativo para que os comitês locais do FNDC realizem treinamentos práticos e técnicos sobre uso das redes sociais;
-Tentar produzir um documento comparativo sobre a cobertura das ações dos movimentos sociais pré e pós-crescimento da mídia alternativa.
Posted: 08 Jun 2017 09:55 PM PDT
Por Norma Odara, no jornal Brasil de Fato:

A Aliança ACT, uma coalizão internacional composta por 145 igrejas, lançou uma carta em repúdio aos retrocessos no Brasil, pedindo a saída do presidente golpista, Michel Temer (PMDB), do poder e a convocação de eleições diretas.

O Conselho Diretivo da Aliança ACT Global se reuniu nos dias 1 e 2 de junho, em Genebra, e expressou"profunda preocupação com a crise política brasileira". Para os religiosos, "a situação no Brasil exige cuidadosa atenção, compromisso e solidariedade permanentes".

No texto, eles ressaltam ainda que "com a escalada da violência, diminuem os espaços de participação democrática, sendo que as populações de baixa renda e marginalizadas são as mais afetadas" e pedem a revogação das reformas constitucionais, como o congelamento de investimentos sociais por vinte anos, a terceirização total da mão-de-obra, a reforma trabalhista, que extingue a mediação dos sindicatos e vulnerabiliza os trabalhadores, bem como o fim da reforma da Previdência.

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), que compõe a coalizão, expressou o compromisso de se empenhar “contra todos e todas as parlamentares eleitos em nome da fé, que compuseram a base do governo ilegítimo de Temer e que cometeram tantas atrocidades contra o povo".

Leia a íntegra da carta:

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Em seu encontro nos dias 1 e 2 de junho de 2017, realizado em Genebra, na Suíça, o Conselho Diretivo da Aliança ACT Global expressou a sua profunda preocupação com a atual crise política brasileira, caracterizada por violência e agressão contra as pessoas em situação de maior vulnerabilidade do país.

Desde que a crise política se instalou, a escalada de violência tem aumentado consideravelmente, principalmente em áreas remotas e contra os povos indígenas. Somente neste ano, 35 camponesas/es, indígenas e defensoras/es ambientais e dos direitos humanos foram assassinadas/os no Brasil; uma dolorosa evidência da hostilidade demonstrada contra grupos vulneráveis e pessoas que os defendem.

Embora os pesares políticos e a violência sejam comuns no país, a impunidade e a sua ligação com atividades policiais devem alarmar a toda população brasileira e a comunidade internacional, conforme expresso na recente declaração da ONU.

A situação no Brasil exige a nossa cuidadosa atenção, compromisso e solidariedade permanentes. Com a escalada da violência, diminuem os espaços de participação democrática, sendo que as populações de baixa renda e marginalizadas são as mais afetadas.

As medidas de austeridade sem precedentes, que levam ao crescimento da desigualdade e das divisões sociais acentuadas, estão contribuindo para uma crise exponencial. Este cenário convoca o movimento ecumênico para a ação. Como afirmado na declaração do FE ACT Brasil (o Fórum ACT no Brasil – leia em http://bit.ly/2sAsWSz), é essencial que provisões sociais do Estado sejam restauradas e que as instituições democráticas sejam revitalizadas e fortalecidas para a garantia da inclusão social, revertendo assim a tendência para uma maior desigualdade. Deve-se buscar a distribuição de renda, a arrecadação justa de impostos para os mais ricos, os processos políticos de transparência e a aplicação justa e imparcial da lei (para aderir à nota, acesse https://goo.gl/QkVdvQ)

Nós reafirmamos o nosso compromisso de caminhar ao lado das pessoas diretamente afetadas pelas decisões injustas que estão sendo tomadas. Nós, representantes do movimento ecumênico mundial, convocamos, portanto, para uma restauração dos princípios e processos democráticos, levando em consideração as vozes das pessoas mais excluídas.

Todos os setores da sociedade estão convocados para assumir responsabilidade e ajudar a revirar a atual onda de intimidação e violência. É tempo para uma reflexão ativa, para levantar vozes proféticas e dar-nos as mãos em solidariedade.

"Que haja tanta justiça como as águas de uma enchente e que a honestidade seja como uma corrente que não para de correr!" (Amós 5:24)

A Aliança ACT é uma coalizão internacional de 145 igrejas e organizações baseadas na fé, que trabalham nas áreas de ajuda humanitária, desenvolvimento e incidência em mais de 100 países. http://actalliance.org/

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