quarta-feira, 14 de junho de 2017

14/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 14 Jun 2017 11:26 AM PDT
Por Altamiro Borges

O Judas Michel Temer não sabe se dura até o final do mandato ilegítimo e nem se vai direto para a cadeia. A base aliada está afundando, com várias siglas ameaçando desembarcar do covil golpista. O PSDB decidiu manter o apoio à quadrilha do PMDB para salvar o cambaleante Aécio Neves, mas está sangrando. Mesmo assim, a cloaca empresarial, que financiou o “golpe dos corruptos”, segue impondo sua pauta regressiva no parlamento. Nesta terça-feira (13), a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou a proposta de “reforma” trabalhista do tucano Ricardo Ferraço. Desta forma, a “assembleia dos bandidos”, conforme definição de um renomado jornalista português, deu mais um passo para extinguir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Após oito horas de sessão, o relatório do senador capixaba foi aprovado sem qualquer destaque. Paulo Paim (PT-RS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Lídice da Mata (PSB-BA) ainda tentaram barrar a votação, mas foram atropelados pela bancada patronal. Além da CAS, a contrarreforma já foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de ir à votação no plenário do Senado. O covil golpista, que corre contra o tempo para manter o apoio da cloaca empresarial, promete enterrar a CLT até o final de junho. Para que o texto não retorne à Câmara Federal, onde já foi aprovado, o Senado precisa aprovar a matéria sem alterações.

Em seu entusiasmo, a própria Folha não esconde mais os propósitos desta maldade. “A reforma, amplamente apoiada pelas entidades empresariais, traz a prevalência, em alguns casos, de acordos entre patrões e empregados sobre a lei, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, obstáculos ao ajuizamento das ações trabalhistas, limites às decisões do Tribunal Superior do Trabalho, possibilidade de parcelamento de férias em três períodos e flexibilização de contratos de trabalho”. Em outro artigo, o jornal reconhece que a aprovação da maldade é uma questão de sobrevivência para o covil golpista. “Em meio à crise política, o governo quer manter o calendário das reformas para dar a impressão de ‘normalidade’”.

Se depender do Congresso Nacional, o mais conservador e fisiológico dos últimos tempos, a contrarreforma trabalhista será aprovada sem choro nem vela. Os parlamentares venais inclusive contam com sua aprovação para garantir apoio financeiro dos empresários para a reeleição em 2018. Só mesmo a pressão das ruas poderá barrar este retrocesso. A segunda greve geral convocada pelas centrais sindicais para o final de junho terá papel decisivo nesta verdadeira guerra de classes. Ou os trabalhadores ocupam a cena política, com maior amplitude e radicalidade, ou voltarão aos tempos da escravidão escancarada!

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Posted: 14 Jun 2017 08:09 AM PDT
Por Altamiro Borges

Sem dar maiores detalhes sobre sua decisão, o ministro Edson Fachin, relator da midiática Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (13) a transferência do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures do presídio da Papuda para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. A decisão foi motivada pela informação sobre a suposta ameaça de morte do ex-deputado e assessor especial do Judas Michel Temer. Em petição enviada ao STF, a defesa do homem-bomba, que pode devastar o covil golpista, disse que o pai de Rocha Loures recebeu ligação telefônica de um conhecido que alertou a família sobre a possibilidade do presidiário estar correndo “risco de vida”.

A solicitação pode até ser uma manobra do ex-deputado, já que “os advogados pediram a concessão de prisão domiciliar e uma escolta de agentes da PF para garantir a segurança de Rocha Loures e de sua família”, segundo relato do Jornal do Brasil. Mas ela não vingou, já que o ministro manteve a prisão. “Ao analisar o caso, apesar de determinar a transferência, Edson Fachin negou os dois pedidos dos advogados até que a Procuradoria-Geral da República apure o caso. ‘Os fatos narrados, ainda que não estejam desde logo embasados em elementos probatórios que lhes deem suporte, são graves o suficiente para que se dê ao menos notícia ao Ministério Público a quem incumbe, no âmbito de suas atribuições, deflagrar instrumentos voltados à respectiva apuração’, decidiu o ministro”. O temor, porém, é que também esteja em curso uma operação de queima de arquivo!

Afinal, Rocha Loures conhece os podres do usurpador Michel Temer. Era seu homem de confiança, seu assessor especial – a pessoa encarregada de pegar uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS. Após a sua prisão, em 3 de junho, o ex-deputado tem dado sinais de fragilidade, ameaçando abrir o bico em uma “delação premiada”. Em sua primeira audiência realizada na Polícia Federal, na última sexta-feira (9) em Brasília, ele ficou em silêncio. Constrangido, ele foi filmado com a cabeça raspada, dentro da viatura da polícia. A sua defesa havia implorado “que lhe seja assegurado o máximo respeito aos seus direitos e garantias fundamentais, especialmente que não lhe seja imposto tratamento desumano e cruel, respeitando e assegurando a sua integridade física, especialmente que não lhe raspe o cabelo”. Mas não foi atendida.

O mortífero porto de Santos


Com o passar do tempo, novas denúncias surgem sobre a sinistra atuação do “homem da mala” e que complicam ainda mais a vida do Judas. Nesta segunda-feira (12), a revista Época ligou o ex-deputado as maracutaias no porto de Santos – o calcanhar de Aquiles do usurpador que pode ter consequências mortíferas. Segundo a matéria, assinada pelo jornalista Aguirre Talento, “em depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga o presidente Michel Temer (PMDB), o executivo da Rodrimar Ricardo Mesquita afirmou que o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) era o interlocutor de Temer com o setor privado e que pediu ajuda de Loures para resolver problemas do setor portuário... O depoimento de Ricardo Mesquita corrobora a informação de que Loures falaria como representante do presidente”.

De acordo com a reportagem, a Rodrimar solicitou ao governo federal a prorrogação da concessão de exploração de áreas no Porto de Santos, reduto de influência política do golpista. “Em maio, Temer assinou decreto com mudanças em regras do setor portuário, mas a principal demanda da Rodrimar, a prorrogação de concessões obtidas antes de 1993, ainda não foi atendida. Em seu depoimento, Ricardo Mesquita adiantou ter informações de que o assunto será resolvido. ‘Segundo o declarante tomou conhecimento, será editada uma Medida Provisória ou um Projeto de Lei visando suprir especificamente essa lacuna do marco regulatório quanto aos terminais pré-93’, afirmou. Mesquita relatou à PF que conheceu Rocha Loures em 2013, quando este era assessor de Relações Institucionais da Vice-Presidência, ocupada à época por Temer”.

“No depoimento, Mesquita conta que o setor portuário estava com dificuldades para discutir com o governo federal ‘algumas questões relacionadas à nova lei dos portos, editada em junho de 2013, seguida de decreto que a regulamentou’. Prossegue em seu depoimento: ‘Diante da dificuldade de acesso ao Palácio do Planalto e demais órgãos da estrutura do governo federal, o setor foi orientado a procurar por Rodrigo da Rocha Loures, uma vez que ele realizava a interlocução entre a Vice-Presidência da República e representantes do setor privado; que o declarante não sabe de quem recebeu a orientação para procurar por Rodrigo da Rocha Loures’. Após essa orientação, Ricardo Mesquita contou à PF que ‘passou a ter contatos esporádicos com Rodrigo da Rocha Loures, sempre motivados pelo mesmo tema’”. 

“Um desses encontros uniu, durante as investigações da Lava Jato, a delação da JBS com a Rodrimar. Rocha Loures chamou Mesquita para encontrá-lo em uma cafeteria em São Paulo onde estava reunido com Ricardo Saud, diretor da JBS – antes de o executivo da Rodrimar chegar, Loures e Saud discutiam sobre o pagamento de propina. Era 24 de abril de 2017. Mesquita encontrou os dois e conversaram sobre amenidades. Em seguida, Ricardo Saud, da JBS, os deixou a sós. Esta é a versão de Mesquita para a conversa que teve com Rocha Loures então: “Limitou-se à questão que envolvia o marco regulatório do setor portuário”. Será que foi apenas um papo de “amenidades”?

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Posted: 14 Jun 2017 07:25 AM PDT
Por Altamiro Borges

A mídia chapa-branca bem que tentou criar um clima de otimismo para o Dia dos Namorados – uma data comercial criada pelo publicitário João Doria, pai do atual "prefake" de São Paulo. Na véspera do 12 de junho, os jornalões e as emissoras de televisão divulgaram que o comércio teria uma alta nas vendas como decorrência da tão alardeada – e falsa – "recuperação da economia". A realidade, porém, mais uma vez jogou a credibilidade da imprensa no lixo. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (13) pelo Serviço de Proteção ao Consumidor (SPC-Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (CNDL), as vendas caíram 9,61% na comparação com a mesma data do ano passado. 

Os dados comprovam que a economia segue em declínio acelerado, apesar dos discursos otimistas do moribundo Michel Temer e da mídia venal. Para a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti, a queda nas vendas mostra que o varejo ainda não se recuperou dos efeitos da grave crise. "Embora os juros estejam diminuindo e a inflação esteja em patamar abaixo da meta, o comércio só deverá sentir os efeitos positivos do fim da recessão quando a recuperação econômica se refletir em aumento da renda e da empregabilidade, fato que ainda não aconteceu”. Com o desemprego batendo recordes e com a renda das famílias despencando, os namorados não tiveram muito o que comemorar.
Em tempo: a mercenária revista IstoÉ – também conhecida nos meios jornalísticos como "QuantoÉ" – aproveitou a data para bajular o atual prefeito paulistano. Em tom de propaganda, ela lembrou que "neste dia 12 de junho, milhares de apaixonados comemoram o Dia dos Namorados. Mas, por que no Brasil a data é comemorada em 12 de junho e não no dia 14 de fevereiro, como na maior parte dos países do mundo? Apesar de haver uma explicação religiosa para o dia, já que ele ocorre 24 horas antes do dia do 'santo casamenteiro' Santo Antônio, tudo indica que a data foi estabelecida por conta de um motivo comercial. Desde 1948, ao menos, o 12 de junho tornou-se o Dia dos Namorados após o publicitário João Dória, pai do atual prefeito de São Paulo, criar uma campanha para alavancar as vendas no mês de junho".

"Como era um período fraco para os negócios, a rede de lojas Clipper queria atrair os consumidores e Dória decidiu criar uma data para os casais apaixonados. E, novamente, o 'santo casamenteiro' aparece: como era (e ainda é) comum fazer promessas para encontrar o amor ao santo católico, o publicitário pensou em utilizar o dia anterior para a celebração. O slogan para a campanha não poderia ser mais comercial: 'Não é só com beijos que se prova o amor'. E a criação foi um sucesso tamanho que outras lojas começaram a adotar o dia nos anos seguintes". O filho, que transformou a prefeitura em uma operação lucrativa de marketing, teve a quem seguir.


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Posted: 14 Jun 2017 07:04 AM PDT
Por Altamiro Borges

Enquanto Aécio Neves segue livre e solto – inclusive desrespeitando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que pediu o seu afastamento do Senado –, sua irmã Andrea Neves vai continuar na cadeia por mais algum tempo. Por três votos a dois, a Primeira Turma do STF rejeitou nesta terça-feira (13) o pedido de habeas-corpus apresentado por seus advogados. A influente tucana, que comandava as campanhas do cambaleante e mandava e desmandava na mídia venal, está presa desde 18 de maio por ordem do relator da Operação Lava-Jato, ministro Edson Fachin. O tucano Alexandre de Moraes e o polêmico Marco Aurélio Mello votaram por sua libertação; Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux votaram pela manutenção da prisão.

Em sua sentença, Luís Roberto Barroso lembrou que as gravações das conversas entre Andrea Neves e o dono da JBS, Joesley Batista, comprovaram o uso recorrente do Caixa-2 mesmo após as primeiras denúncias da midiática Lava-Jato. “Tudo isso em meio à maior operação de corrupção jamais deflagrada no país. Depois do 'mensalão', depois de três anos de operação Lava-Jato, ainda com a Lava-Jato em curso, o ‘modus operandi’ continuava da mesma forma, como se nada tivesse acontecido e como se o risco de serem alcançados pela justiça inexistisse”, argumentou. Já o ministro Marco Aurélio Mello alegou que a manutenção da prisão preventiva só se justificaria caso a investigada tentasse destruir provas ou atrapalhar as apurações. Sua argumentação, porém, não convenceu os demais integrantes da Primeira Turma do STF e Andrea Neves segue na cadeia.

Diante do resultado inesperado, Aécio Neves se mostrou ainda mais desesperado com o seu futuro próximo. Em nota, ele até tentou proteger a irmã, afirmando que ela “não oferece qualquer tipo de prejuízo às investigações em curso" e "que jamais foi responsável por algum tipo de iniciativa ilícita... Minha irmã é vítima de um plano criminoso montado minuciosamente por Joesley Batista para conseguir junto à PGR o benefício da impunidade penal... Mantenho minha confiança na Justiça brasileira e tenho certeza de que a verdade prevalecerá”. O cerco ao ex-presidente do PSDB continua se fechando. Ele já não conta mais com o apoio da mídia – inclusive da TV Globo – e foi abandonado até por celebridades globais que sempre o paparicaram.

Pedido de prisão preventiva

Na sexta-feira passada (9), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reiterou o pedido de prisão preventiva do senador tucano e de manutenção na cadeia de Andrea Neves. O chefe da PGR enviou ao STF documento em que destaca a abundância das provas materiais concretas contra ambos. “São muitos os precedentes do Supremo Tribunal Federal que chancelam o uso excepcional da prisão preventiva para impedir que o investigado, acusado ou sentenciado torne a praticar certos delitos enquanto responde a inquérito ou processo criminal, desde que haja prova concreta do risco correspondente”, argumentou.

Rodrigo Janot ainda acusou Aécio Neves de adotar, “constante e reiteradamente, estratégias de obstrução de investigações da Operação Lava Jato, seja por meio de alterações legislativas para anistiar ilícitos ou restringir apurações, seja mediante interferência indevida nos trabalhos da Polícia Federal, seja através da criação de obstáculos a acordos de colaboração premiada relacionados ao caso". Para ele, a prisão do tucano é a única maneira de salvaguardar a ordem pública e a própria instrução criminal. “Isso porque, além da possibilidade concreta de prática de novos delitos por parte dos requeridos, há o risco grave e concreto de que ações criminosas já iniciadas pelo senador Aécio Neves, para embaraçar as investigações em curso no âmbito do STF – relacionadas à organização criminosa da Operação Lava Jato - atinjam seu objetivo".

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Posted: 14 Jun 2017 06:56 AM PDT
Por Altamiro Borges

Em seu blog no jornal O Globo, a colunista Míriam Leitão – famosa por sua raivosa militância antipetista – postou nesta terça-feira (13) que foi vítima de agressões verbais desferidas por filiados da sigla durante um voo da Avianca na semana retrasada. De imediato, todas as pessoas que se opõem a onda de ódio que assola o país – em boa parte, estimulada pela própria mídia golpista, em especial pela Rede Globo – declararam seu repúdio ao alardeado ataque e prestaram solidariedade à jornalista. Alguns passageiros da mesma viagem de Brasília ao Rio de Janeiro, porém, contestaram a versão da global, afirmando que ela exagerou nos relatos e tentou se passar como vítima. Até um vídeo postado na internet relativiza o estardalhaço no caso.

Em seu texto, Míriam Leitão garante que “sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo... Por coincidência, estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns à minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos me dirigiram olhares de ódio ou risos debochados, outros lançavam ofensas”.

O seu relato teve a rápida acolhida das entidades patronais – e de suas congêneres. Em nota conjunta, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revista) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) esbravejaram: "Atitudes como essa refletem autoritarismo, intolerância e desconhecimento do papel da imprensa – o de informar a sociedade sobre assuntos de interesse público”. Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou o ataque como "covarde e intolerante" e alertou que “a violência, a intolerância e a incompreensão do papel da liberdade de expressão podem ferir de morte o regime democrático”.

Diante da repercussão do episódio, a presidenta recém-eleita do PT, senadora Gleisi Hoffmann, também se manifestou – mas de forma altiva e corajosa, o que motivou um novo ataque hidrófobo do Grupo Globo contra a legenda. Vale conferir:

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Nota oficial

O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Míriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje. Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem.

Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático. Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.

Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT.

Senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores.


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Durante o dia, porém, outras versões do episódio foram sendo postadas na internet. O petista Rodrigo Mondego foi explícito ao afirmar: “Cara Míriam Leitão, a senhora está faltando com a verdade”. E explicou os motivos. “Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo. Ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso. Se a carapuça serviu com os gritos de ‘golpista’, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples. E seja sincera: a senhora odeia o Partido dos Trabalhadores e o atacou das mais diversas formas na última década, aceitando inclusive se aliar com os que antes foram seus algozes na ditadura militar”.

Outra militante petista, Lucia Capanema, também contestou a versão da jornalista da famiglia Marinho: “Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa... Durante as duas horas de voo nada houve de forma a ameaçá-la, achincalhá-la ou mesmo citá-la nominalmente. Por duas ou três vezes entoou-se os já consagrados cânticos ‘o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo’ e ‘a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura’; cânticos estes que prescindem da sua presença ou de qualquer pessoa relacionada a empresa em que você trabalha, como se pode notar em todas as manifestações populares de vulto no país”.

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Posted: 14 Jun 2017 06:54 AM PDT
Do site Justificando:

O curso 'Estado de Exceção na Contemporaneidade' faz uma análise sistêmica de como se operam as formatações de controle na sociedade. O tema é abordado sob a perspectiva latino-americana e analisa essencialmente o cenário atual brasileiro. A pesquisa é inovadora em apresentar uma análise crítica ao sistema de justiça como um dos agentes da exceção no Brasil. O tema é ponto central para o debate político e jurídico no país.

Os estudos de Pedro Estevam Serrano são peças chaves para desvendar a crise política do momento presente. O renomado professor também é advogado, doutor e mestre em Direito do Estado, pela PUC de São Paulo e professor de Direito Constitucional da mesma faculdade. O curso é fruto de um aprofundado estudo desenvolvido pelo autor no seu pós-doutorado pela Universidade de Lisboa sobre as novas formas de autoritarismo e ameaças à democracia, a partir do século XXI, como as ocorridas em 2009, em Honduras; há quatro anos, no Paraguai; e, atualmente, no Brasil.

Este estudo também deu origem ao livro Autoritarismo e Golpes na América Latina: Breve ensaio sobre jurisdição e exceção.

Este curso é destinado para todos aqueles que queiram aprofundar sua análise crítica acerca do tema Estado de Exceção, essencialmente advogados, jornalistas, pesquisadores e estudantes. As aulas deverão ser ministradas no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé no dia 22 e 23 de junho e as vagas são limitadas a apenas 50 pessoas. Este evento é uma iniciativa do Justificando com a revista Carta Capital e Barão de Itararé.

Inscrever-se no curso

Veja o conteúdo programático:

Soberania Estatal

O poder político e o direito na Idade Média;
A Soberania do Estado Moderno: a teoria de Jean Bodin
O contrato social em Hobbes e em Locke;
O Estado de Direito na modernidade: revoluções gloriosa, americana e francesa;
O conceito de pessoa e sua securalização;
Os grandes sistemas jurídicos do Ocidente na modernidade: o da tradição nacional e o da positivação (instauração);

O Estado de Exceção

As Medidas de Exceção no Século XXI

Professor: Pedro Estevam Serrano
Carga horária: 6 horas
Local: Rua Rego Freitas, 454 – República, São Paulo – SP, 01220-010
Dias e horário: 22 e 23 de Junho das 19hs às 22hs
Valor: R$300,00 (Inteira) R$150,00 (Meia Entrada – Estudantes)
Certificado: Ao final do curso o aluno poderá requerer um certificado
Método de pagamento: 6 x sem juros ou 12 x no cartão.
Posted: 13 Jun 2017 03:25 PM PDT
Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

O abraço de afogados que o PSDB decidiu dar no moribundo governo Temer desmascara completa e inapelavelmente o único verdadeiro objetivo dos tucanos em sua atuação política: aumentar a margem de lucro dos grandes empresários e os ganhos do capital especulativo por meio do ataque à combalida renda das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.

Há pouco tempo o PSDB levantava, com o peito inflado, a bandeira do combate à corrupção, comandado pelo impoluto Aécio Neves, para disfarçar sua agenda de retirada de direitos da população.

A decisão de permanecer no governo de Michel Temer – aquele senhor que foi pego falando placidamente sobre crimes com um megaempresário e cujo assessor pessoal foi flagrado com uma mala de dinheiro destinada ao chefe – é uma grande chutada de balde do partido. O recado é explicitado pelos próceres do tucanato sem que se perceba qualquer rubor de vergonha nas faces.

“O que importa são as reformas”, dizem eles. Todo o teatro de Aécio, Dória, Alckmin, etc. sobre corrupção era apenas isso: um patético teatro.

Os “cabeças pretas”, a ala mais jovem do partido, foi contra o desembarque decidido pelos “cabeças brancas” (Dória é o líder dos cabeças brancas apesar do impecável tingimento negro das madeixas).

Entretanto, no essencial, na convicção que repousa inabalável no coração de cada tucano, não há discordância.


Seja qual for a cor da cabeça, seja partidário da saída do governo Temer ou não, todo bom soldado do PSDB defende a continuidade do ataque brutal aos direitos trabalhistas e previdenciários de quem luta arduamente pela sobrevivência todo dia, faça chuva ou faça sol, Brasil afora.

Para completar o quadro de absoluta falta de vergonha na cara, a permanência do PSDB no governo Temer foi articulada por Aécio Neves – aquele senhor que foi gravado falando em mandar matar um possível delator -, que tenta garantir o apoio do PMDB à sua tentativa desesperada de sobrevivência política. O apoio do PMDB aos tucanos na eleição de 2018 também entrou na negociação republicaníssima.

Mais um detalhe bizarro: o PSDB foi o autor da ação que pediu a cassação da chapa pela qual Temer foi eleito, recém julgada pelo TSE. Tasso Jereissati, presidente do partido, questionado sobre permanecer em um governo que ele mesmo reconhece ter sido eleito por meio de ilicitudes, disse que “com certeza existe uma incoerência que a história nos colocou”.

Não coloque a culpa na história, senador. Foi a sanha tucana pelas reformas anti povo quem os colocou nesta situação deplorável.

Dar suporte a bandidos em nome de reformas rejeitadas por mais de 90% da população demonstra um descolamento da realidade além de qualquer limite razoável.

Como explicar um negócio desses em uma campanha eleitoral? Dizer “o nosso inimigo é o PT”, como repete alucinadamente João Doria, não vai tornar a falta de escrúpulos mais palatável.

Podemos estar presenciando o fim de qualquer pretensão presidencial do PSDB. O monopólio midiático vai ter que produzir um milagre para reverter um estrago desta magnitude.
Posted: 13 Jun 2017 02:04 PM PDT
Posted: 13 Jun 2017 03:22 PM PDT
Editorial do site Vermelho:

Há quase três milhões de crianças, entre 5 e 16 anos, que trabalham no Brasil. Este número é um escândalo. Ele contraria a lei, a Constituição de 1988, e acordos internacionais aos quais o Brasil aderiu, que proíbem o trabalho de crianças e adolescentes e se comprometem a erradicá-lo.

O número foi divulgado pelo IBGE no Dia Internacional contra o Trabalho Infantil, segunda-feira, 12 de junho. Esse número vinha caindo – discretamente, é certo – desde 2000, passando de 3,9 milhões para 3,4 milhões em 2010. Mas voltou a crescer desde 2013, revelando a face cruel da crise econômica, que interrompe avanços sociais que beneficiam os brasileiros.

Essa situação pode piorar devido aos cortes em investimentos sociais feitos pelo governo golpista de 2016. Cortes que já se materializaram na mudança constitucional que criou o teto de gastos do governo, durante 20 anos, e atinge diretamente as áreas de saúde e educação.

Para piorar, tramitam na Câmara dos Deputados nada menos que seis Propostas de Emendas à Constituição para reduzir a idade mínima para o trabalho.

Tudo isso se junta à perspectiva de agravamento da pobreza e da precarização do trabalho que poderão vir no rastro das contra-reformas trabalhista e previdenciária reacionárias que o governo usurpador de Michel Temer quer impor ao povo e aos trabalhadores.

O trabalho infantil é o retrato desumano da renitente pobreza brasileira. São crianças obrigadas a atuar em semáforos e lixões, feiras-livres, restaurantes, no campo (onde estão 60% dessas crianças), indústrias ou dentro de casa. Há denúncias ainda piores, que descrevem situações de trabalho escravo, tráfico de drogas e exploração sexual. E tornam a agressão contra crianças e adolescentes ainda mais criminosa e aviltante.

São crianças que tem seu direito à infância e à educação negado, obrigadas a ganhar a vida e a ajudar a compor o orçamento doméstico.

E, pior, as crianças são vítimas da grave precarização do trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, desde 2007 quase 40 mil crianças e adolescentes sofreram acidentes do trabalho, envolvendo desde a amputação de mãos e braços e até mortes.

Contra essa grave violação dos direitos humanos a Organização Internacional do Trabalho (OIT) está lançando, este ano, a campanha mundial "100 milhões por 100 milhões". São 100 milhões de crianças afetadas no mundo, e a OIT quer reunir 100 milhões de pessoas contra esse abuso. Lugar de criança é em brincadeiras ou na escola – este é o mote que deve ser respeitado num mundo – e no Brasil – que seja mais civilizado.

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