sábado, 17 de junho de 2017

17/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 17 Jun 2017 11:49 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



A entrevista de Joesley Batista à revista Época, é evidente, foi a razão da súbita mudança de posição de Fernando Henrique Cardoso que, três dias depois de abençoar o “fico” dos tucanos no Governo Temer, passou a defender “um gesto de grandeza”, a renúncia de Michel Temer e antecipação das eleições.

Ou alguém acha que a Globo, tal como fez Joesley, não negociou lucrativamente o conhecimento prévio da “bomba” que tinha para detonar?

Depois do desastre Temer e do afundamento de Aécio Neves, ela precisa do que resta dos “cabeças brancas” do PSDB.

Fernando Henrique está disponível para assumir a rearticulação tucana. É confiável, respeitável (ao menos entre as elites) e dócil.

Por isso, é certo que a nitroglicerina da Época vazou antes para Higienópolis.

Entre a Globo e Temer não é difícil adivinhar a opção de Fernando Henrique.
Posted: 17 Jun 2017 11:41 AM PDT
Posted: 17 Jun 2017 11:37 AM PDT
Por Patrícia Faermann, no Jornal GGN:

O Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) de propriedade do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve mais um de seus patrocínios envolvidos em polêmicas. Além dos casos já revelados há mais de três anos pelo GGN, o Instituto recebeu R$ 2,1 milhões do grupo J&F, investigado no esquema da Operação Lava Jato, e que tem processos que podem ser analisados pelo próprio Gilmar, que insiste em não se declarar impedido.

No dia 27 de maio deste ano, uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo já introduzia as relações do ministro com a JBS, frigorífico controlado pelo grupo e dos quais os donos, Wesley e Joesley Batista, prestam delações premiadas contra Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros políticos.

Á época, soube-se que a família do ministro do Supremo vendia gado no Mato Grosso para a JBS. Em resposta, Gilmar disse que seu irmão é que conduzia o negócio e, por isso, não haveria motivos para ele se declarar impedido de participar de votações envolvendo o frigorífico.
Entretanto, Gilmar chegou a reunir-se com Joesley Batista, supostamente a pedido do advogado do grupo, Francisco de Assis e Silva, que também está envolvido em irregularidades e passou a delatar para as investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo ele, o encontro tratava-se de um julgamento do STF sobre o setor do agronegócio e Joesley teria aparecido "de surpresa". Alguns dias antes, a Corte julgava tema sobre o fundo de previdência de produtores rurais, Funrural.

Entre outros temas de interesse da JBS no Supremo também está a homologação do acordo da empresa, que já foi efetivado pelo ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, mas foi contestado pelo governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB). E, portanto, será levado ao plenário do STF, do qual Gilmar faz parte.

Agora, a relação da J&F com o ministro é ainda mais escancarada pelas revelações de nova reportagem da Folha. O grupo doou R$ 2,1 milhões para a realização de eventos ao Instituto de Gilmar, nos últimos dois anos. Questionado, o IDP respondeu que já fez a devolução de R$ 650 mil no dia 29 de maio deste ano.

Segundo o próprio IDP, com o dinheiro, a instituição financiou cinco eventos e sustentou um grupo de estudos com bolsas a estudantes, e tinha um contrato assinado desde junho de 2015 com o grupo. A JBS calculou uma quantia de R$ 1,45 milhão, desde 2015, ao Instituto para patrocinar três congressos. Não se incluíram nessa conta os patrocínios da Vigor, também controlada pela JBS.

Somente o último destes congressos, realizado em abril, em Portugal, foi fruto de R$ 650 mil da empresa investigada na Lava Jato. Coincidentemente, o principal delatado de seus executivos, Michel Temer, teve seus ministros e aliados políticos convidados a participar do evento, que ainda ocorreu alguns dias depois de os empresários firmarem o acordo com a PGR.

2012: Contrato sem licitação com a TJBA

Em fevereiro de 2014, o Jornal GGN já denunciava a suspeita sobre um incomum contrato celebrado pela Tribunal de Justiça da Bahia com o IDP, repassando milhões ao Instituto. Á época, o TJBA estava na mira das investigações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por supostas vendas de sentenças e contratos que nunca seguiram a lei de licitações (leia aqui, aqui e aqui).

Após uma investigação no Diário do Tribunal de Justiça da Bahia, o GGN encontrou o contrato assinado pelo TJBA, no dia 20 de abril de 2012, no valor de R$ 10.520.754,54 com o IDP e um aditamento de mais R$ 2.446.057,00, totalizando quase R$ 13 milhões. Para justificar a ausência de uma licitação para o serviço, o Tribunal justificou que o projeto não precisaria de abertura de concorrência, porque supostamente o serviço prestado não teria concorrência além do IDP.

Evento do IDP

No ano seguinte, em coluna publicada em novembro de 2015, Luis Nassif alertou para a gama de patrocinadores dos eventos do Instituto Brasiliense de Direito Público. Realizado naquele mês, o 18o Congresso de Direito Constitucional, por exemplo, contava com o financiamento de empresas como a Cemig, a Febraban, Itaipu, CNT (Confederação Nacional do Transporte), da CNI (Confederação Nacional da Indústria), entre outras que demandavam grandes ações junto ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro atua.

Destacando que o simples financiamento de eventos por multinacionais ou empresas do governo federal, por si só, não caracteriza a prática de interesses terceiros ou atos de influências sobre julgamentos, o GGN fez um levantamento sobre os grandes eventos já realizados pelo Instituto que contaram com a participação de diversos nomes do meio jurídico e políticos, e que foram financiados por grandes empresas, sejam privadas ou públicas, nos anos de 2015 e 2016:

Eventos IDP 2015 e 2016 de Patricia Faermann

Mais recentemente, Temer foi convidado a participar de um seminário do IDP de Gilmar patrocinado pelo próprio governo federal. O "7º Seminário Internacional de Direito Administrativo e Administração Pública-Segurança Pública a Partir do Sistema Prisional" terá o mandatário peemedebista na grade de abertura, que ocorrerá no dia 20 de junho.

A Caixa Econômica Federal irá financiar R$ 90 mil para as palestras. E apesar de recentemente o ministro ter sido um dos responsáveis pela absolvição de Temer da cassação do mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tanto Temer, quanto Gilmar negam conflitos de interesses.

Em resposta ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro Gilmar Mendes afirmou que, apesar de ser sócio, ele "não é, nem nunca foi, administrador do IDP". "Sendo assim, não há como se manifestar sobre questões relativas à administração do instituto", disse, por meio de sua assessoria de imprensa.
Posted: 17 Jun 2017 11:31 AM PDT
Por Miguel Enriquez, no blog Diário do Centro do Mundo:

Aos 67 anos de idade, o jornalista Augusto Nunes foi contratado pela rádio Jovem Pan no início deste ano para uma espinhosa missão: preencher a vaga aberta com a demissão do repórter investigativo de direita Claudio Tognolli no programa matinal de variedades da emissora, o Morning Show.

Biógrafo oficial de personalidades impolutas como o delegado Romeu Tuma Jr. e o cantor Lobão, Tognolli caíra em desgraça, supostamente, como ele mesmo revelou, por ter se indisposto com Reinaldo Azevedo, hoje na Bandeirantes, à época a estrela maior da guinada ultraconservadora da rádio, aprofundada a partir de 2014 pelo herdeiro e atual presidente da Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o “Tutinha”.

Ironicamente, Nunes, que também dá seus pitacos no noticioso Jornal da Manhã, foi apresentado aos ouvintes do Morning Show como uma voz que iria reforçar a diversidade ideológica do programa (pausa para uma gargalhada).

Afinal, quem acompanha suas múltiplas carreiras (blogueiro da Veja, âncora do Roda Viva e apresentador do programa Os Livres, da TV Cidade Verde, afiliada da Bandeirantes, no Mato Grosso) acostumou-se com as raivosas diatribes antipetistas e obscurantistas do personagem.

Por sua vez, numa emissora que abrigou e/ou abriga, profissionais do calibre de Rachel Sheherazade, Marco Antonio Villa e do próprio Azevedo, Nunes sentiu-se em casa para emitir barbaridades e massacrar a informação, sem compromisso com a verdade ou preocupação com o ridículo.

Um dos pontos altos de sua trajetória nestes poucos meses a serviço da Jovem Pan foi seu posicionamento de absoluto apoio à brutal intervenção policial promovida pelo governador Geraldo Alckmin e pelo prefeito João Dória na cracolândia, no domingo, 21 de maio, um dos pilares da política higienista da dupla tucana, a internação compulsória dos usuários de drogas da região, criticado por 10 entre 10 autoridades em saúde pública, à frente o médico Drauzio Varella.

Ao deitar falação sobre o tema, Nunes criticou os opositores dessas medidas, acusando-os de completo desconhecimento desse grave problema de saúde pública. Ao mesmo tempo, apresentou-se como uma espécie de autoridade no assunto, esgrimindo o fato de residir nas vizinhanças da cracolândia, isto é, na avenida São Luiz, um dos endereços mais caros da capital paulista (seria o mesmo que alguém que morasse nas imediações de um quartel se arvorasse em autoridade na arte da guerra ou do vizinho de um hospital que pretendesse sair receitando tratamentos a seus amigos e parentes).
Outra pérola da figura, desta vez uma demonstração de seu descompromisso com os fatos, aconteceu na edição desta quarta feira, 14, no Morning Show, por conta da denúncia da jornalista Miriam Leitão, que supostamente teria sido vítima de assédio e ofensas de militantes do Partido dos Trabalhadores num voo da Avianca.

Ao comentar o episódio, os integrantes do programa, Nunes entre eles, atribuíram a responsabilidade ao ex-presidente Lula, que teria insuflado a militância contra Miriam, em um discurso durante o Congresso do PT na semana passada – na verdade, Lula ridicularizou a funcionária da Globo, criticando-a pelas sucessivas bolas fora em seus comentários sobre economia.

Para reforçar o que acredita ser um viés antidemocrático do ex-presidente, Nunes, do alto de sua ignorância bem posta, mencionou o caso da analista Sinara Polycarpo, demitida pelo Santander, após Lula pedir sua cabeça, por enviar aos clientes do banco um relatório com projeções pessimistas para a economia brasileira diante de uma eventual vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais.

Detalhe: tratava-se, na verdade, da reeleição de Dilma e a demissão de Sinara ocorreu em julho de 2014, quatro anos depois de Lula ter deixado a presidência da República.

Além de cometer esse erro crasso, Nunes foi mais longe: depois de sustentar que o falecido Emilio Bottin, então presidente do banco espanhol, foi obrigado a colocar a funcionária no olho da rua, propôs que a indenização de R$ 450 mil obtida por ela na Justiça do Trabalho fosse bancada por Lula.
Posted: 17 Jun 2017 11:21 AM PDT
Por Antônio Augusto de Queiroz, no site do Diap:

A situação do presidente Michel Temer está ficando de tal modo insustentável que, ou ele renuncia por vontade própria ou será “renunciado” no sentido de que o Congresso irá conduzir as ações do governo ou será forçado a renunciar por pressão da sociedade, do mercado e da mídia. Nem mesmo a absolvição no processo de cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conseguiu aliviar ou distensionar o ambiente político.

Vamos às causas. Duas dimensões foram determinantes para o afastamento da presidente Dilma e a assunção e efetivação de Michel Temer na Presidência da República: a ético-moral e a econômico-fiscal.

A primeira, pelo menos do ponto de vista da mobilização popular, foi a que motivou o apoio ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma. Esse foi o pretexto utilizado: 1) pelos veículos de comunicação para denunciar, 2) pela população para se mobilizar, e 3) pelo Congresso para afastá-la da Presidência da República.

A segunda, essa restrita ao interesse do mercado e seus defensores, foi a que motivou o setor empresarial e alguns órgãos de fiscalização e controle do Estado a apoiar a derrubada da presidente, que era vista como intervencionista na economia, especialmente nos marcos regulatórios de infraestrutura, e também como supostamente irresponsável do ponto de vista fiscal, por ter feito “pedaladas” e ampliado o gasto público, principalmente na área social.

O presidente Temer, ao montar seu governo, priorizou a dimensão econômico-fiscal, propondo uma agenda de reformas e formando uma equipe econômica do agrado do mercado, mas negligenciou o aspecto ético-moral.

Ora, um governante que sucede alguém destituído sob o fundamento de praticar ou permitir desvio de conduta, não pode, em hipótese alguma, deixar margem para qualquer questionamento nesse campo, sob pena de igualmente ser afastado de suas funções pelos mesmos motivos.

A explicação para tanto é simples. Se parcela expressiva da sociedade apoiou o processo de impeachment de Dilma por suposta degradação ético-moral de seu governo, por que razão iria ser indiferente às mesmas práticas pelo governo Temer? Quem militou a favor do afastamento da presidente anterior teria, por uma questão de coerência e até com mais razão, também que militar a favor do afastamento de seu sucessor, se este fosse acusado, como de fato vem sendo - e com provas irrefutáveis -, das mesmas práticas de sua antecessora.

A prova de que o governo Temer padece de acusações, e até mais graves do que aquelas feitas à ex-presidente, está no fato de que ele levou para sua assessoria amigos e conselheiros que estavam ou estão associados, por iniciativa própria ou a serviço do presidente, a denúncias por prática de irregularidades.

Entre estes colaboradores, formais ou informais, pode-se mencionar: os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Tadeu Filipelli, Moreira Franco, Eliseu Padilha, José Yunes, além do coronel João Batista Lima Filho.

A foto exibida na edição de 7 de junho de 2017 no Jornal Nacional da Rede Globo, quando o então vice-presidente Michel Temer e seus auxiliares e aliados diretos assistiam à votação do processo de impeachment da Dilma, foi devastadora porque a quase totalidade dos presentes ou já foram presos ou estão respondendo a denúncia de desvio de conduta.

Se esse fato, por si só, já seria desabonador, o aparecimento de outros, como a delação dos irmãos Batista, do grupo JBS; a provável denúncia do Ministério Público contra o presidente; e as possíveis delações do doleiro Lúcio Funaro e de Rocha Loures, comprometem ainda mais a credibilidade do governo.

Registre-se que a delação da JBS, além de ter levado à prisão de um dos principais auxiliares do presidente Temer, de sua “mais estrita confiança”, como ele mesmo declarou, resultou na divulgação de áudios com diálogos comprometedores envolvendo o próprio presidente, cuja repercussão foi demolidora para o governo.

Além disso, uma denúncia ou pedido de abertura de processo contra o presidente pelo Ministério Público é tida como certa, e isso terá uma repercussão extremamente negativa, a ponto de levar ao afastamento de vários partidos da base do governo, a começar pelo principal deles, o PSDB.

Por fim, uma possível delação do doleiro, operador de figuras importantes do PMDB, como o ex-deputado Eduardo Cunha, e de Rocha Loures, homem “da mais estrita confiança” do presidente, filmado recebendo e carregando uma mala de dinheiro, não deixará pedra sobre pedra.

Não bastasse tudo isso, o governo ainda é acusado de manobrar para blindar ou dar foro privilegiado a aliados enrolados, como Moreira Franco e Rocha Loures, e de fazer concessões exageradas a uma base fisiológica em troca do apoio às reformas e à rejeição a pedido de impeachment ou do Ministério Público para cassar ou processar o Presidente. Para isso, tem até mesmo passado por cima da Constituição, reeditando medidas provisórias com grave desvio de finalidade.

Aliás, o governo do presidente Temer só não caiu ainda porque conta com uma base política forte, cujo principal sustentáculo é o PSDB, e porque o mercado: 1) espera a aprovação da reforma trabalhista, e 2) ainda não achou um nome para sucedê-lo em eleição indireta que reúna as seguintes condições: i) tenha votos no Congresso para se eleger, ii) mantenha a equipe econômica, iii) defenda a agenda de reformas, especialmente a reforma da previdência, iv) não seja investigado ou responda processo no âmbito da Lava-Jato, e v) tenha maturidade e equilíbrio emocional para exercer, nesse momento de crise, as funções de Líder da Nação, Chefe de Estado e Chefe de Governo.

Portanto, mesmo saindo vitorioso no TSE, a continuidade do governo Temer depende de uma série de variáveis de difícil controle, entre as quais: 1) da não saída do PSDB da base; 2) da continuidade das reformas; 3) da não-denúncia do Ministério Público; 4) da não-delação de Rocha Loures e de Lúcio Funaro; 5) de baixa pressão popular; e 6) da ausência de consenso sobre um nome para sucedê-lo em eleição indireta.

Com tantos problemas, se conseguir terminar o mandato é porque Michel Temer foi “renunciado”, ou seja, entregou a administração do País à equipe econômica e pagou o preço cobrado pelos partidos de sua base no Congresso não mais para aprovar reformas, mas para evitar a autorização para abertura de processo no Supremo Tribunal Federal ou para evitar a abertura de processo de impeachment. É esta a situação do presidente Temer!
Posted: 17 Jun 2017 10:57 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Fernando Henrique Cardoso tem tido que rebolar no posicionamento em relação à permanência ou não de seu partido no governo Temer e na forma de eleger um novo presidente se o cargo ficar vago.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou novamente de posição. Segundo o portal G1, no mês passado o ex-presidente defendia a eleição indireta para eleger novo presidente da República caso de Michel Temer perca o cargo ou renuncie. Agora, o mesmo G1 dá conta de que o tucano mudou de ideia

Para analistas políticos insuspeitos de ser petistas, FHC está querendo ajudar Lula quando (segundo dizem) passa a pregar eleição direta para presidente. Note bem, leitor, que não estamos falando de blogueiros “petralhas” como este que escreve, mas de analistas comprometidos com o extermínio de Lula e de seu partido.

O caso mais claro é o de Janaína Paschoal, a “musa” do impeachment de Dilma Rousseff, a advogada que ingressou com o pedido de destituição da ex-presidente. Antes de chegar a ela, porém, vale verificar o que motivou o reconhecimento de sua parte de que Lula venceria uma eleição direta para presidente se ocorresse neste momento.

Na última quinta-feira (15), FHC emitiu nota na qual não fica claro esse apoio a eleições diretas, mas os intérpretes do tucano acreditam que ele fala pelas entrelinhas. Vejamos o que ele escreveu:

Leia a íntegra da nota de Fernando Henrique Cardoso:

“A conjuntura política do Brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção também. Se eu me pusesse na posição de presidente e olhasse em volta reconheceria que estamos vivendo uma quase anomia. Falta o que os políticólogos chamam de ‘legitimidade’, ou seja, reconhecendo que a autoridade é legítima consentir em obedecer.

A ordem vigente é legal e constitucional (daí o ter mencionado como “golpe” uma antecipação eleitoral) mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto.

É diante desta perspectiva que os partidos, pensando no Brasil, nas suas chances econômicas e nos 14 milhões de desempregados, devem decidir o que fazer.

A chance e a cautela a que me refiro derivam de minha percepção da gravidade da situação. Ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas para o desconhecido.

A responsabilidade maior é a do Presidente que decidirá se ainda tem forças para resistir e atuar em prol do país.

Se tudo continuar como está com a desconstrução continua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o Psdb possa continuar no governo.

Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular.

É este o sentimento que motiva minhas tentativas de entender o que acontece e de agir apropriadamente, embora nem sempre no calor dos embates diários e de declarações dadas às pressas tenha sido claro nem sem hesitações.”


O jornalista Paulo Henrique Amorim tem uma frase excelente para definir os textos de FHC. Eles seriam “gordurosos”, cheios de partes dispensáveis. O fato é que ao falar nas entrelinhas e não se comprometer nunca com nada ele demonstra um caráter que todos bem conhecemos.

Seja como for, FHC citar “devolver a legitimação da ordem à soberania popular” quer dizer devolver ao povo o direito de escolher seus governantes. Nessa frase, FHC reconhece o golpe ao dizer que foi tirado do povo o direito de ser governado por quem escolheu.

Alguns diriam que essa frase reconhece o golpe contra Dilma…

Seja como for, a mera ocorrência de eleições diretas para presidente está sendo vista por ultrarreacionários do calibre de uma Janaína Paschoal como vitória de Lula. Pelo Twitter, ela diz que FHC “trabalhou por Lula” ao pregar diretas.



Em seguida, a mídia tucana passa a interpretar a fala de Janaína e a confessar a real causa da rejeição da direita à realização de eleições diretas. O colunista da Folha de São Paulo Bernardo de Mello Franco escancara a razão pela qual a mídia e os partidos de direita (PSDB à frente) temem as diretas – e a razão está longe de ser a Constituição, como alegam.


Diz Mello Franco:

“(…) O texto de FHC é importante porque quebra um tabu. Desde o agravamento da crise, políticos, empresários e personalidades que apoiaram o impeachment rejeitam a ideia de novas eleições. A justificativa mais usada é que isso abriria caminho ao retorno de Lula pelo voto popular.

Para evitar uma volta do PT, seria preferível tapar o nariz e apoiar uma eleição indireta ou a permanência de Temer até 2018. O discurso ignora o alto índice de rejeição ao ex-presidente, mas tem ajudado a bloquear um debate que incomoda o governo.

Nesta quinta, a professora Janaina Paschoal reforçou a pregação contra as diretas. “Viram FHC trabalhando por Lula de novo?”, perguntou, no Twitter, após recomendar uma receita de strudel. Parece um bom momento para o eleitor do PSDB refletir: é melhor ouvir o ex-presidente ou repetir as teses da doutora?”


Janaína pode ter razão. FHC, esperto como é, pode estar se rendendo ao fato de que a candidatura Lula já é inevitável e conta com chances cada vez mais fortes de vingar.

Nesse aspecto, surpreende a menção do analista da Folha ao “alto índice de rejeição ao ex-presidente” Lula. Como pode um analista político tão importante não saber que a rejeição a Lula vem caindo mês a mês desde sua condução coercitiva em 4 de março de 2016?

Até o Estadão reconhece:

Posted: 17 Jun 2017 10:51 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:



Na noite desta sexta-feira (16), milhares de pessoas se reuniram na Praça da Estação, região central de Belo Horizonte, para pedir a saída de Michel Temer e Diretas Já para a escolha de um novo presidente.

O ato foi organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, e pela União Nacional dos Estudantes (Une). Outras manifestações já aconteceram em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. Segundo organizadores, 40 mil pessoas estiveram no ato-evento. Entre os artistas presentes no evento estavam Fernanda Takai, vocalista do grupo Pato Fu, e nomes como Chico Amaral, Juarez Moreira, Érika Machado, Titane, Sérgio Pererê, Afonsinho, Aline Calixto, Maurício Tizumba, entre outros.

Em discurso durante a manifestação, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, ressaltou que a eventual queda de Temer, no atual cenário, não é suficiente. "O Fora Temer só não basta. Porque tem gente que está até aceitando tirar o Temer, mas para o Congresso Nacional decidir quem vai ser o presidente do Brasil. A gente não aceita. Nós temos hoje, com algumas honradas exceções, o Congresso mais desmoralizado e sem autoridade da história desse país. Não tem condição de aprovar nada, quanto mais eleger quem vai ser o presidente do Brasil."

Boulos alertou ainda para a necessidade de se manter a mobilização contra as reformas que tramitam no Congresso Nacional. "As Diretas precisam ser uma bandeira nossa que venha junto com os direitos. É Diretas e barrar a reforma da Previdência; é Diretas e barrar a reforma trabalhista, essa é a agenda que a gente tem que garantir, e é só na rua que vamos conseguir transformar isso em realidade."

Também presente no evento, o ex-ministro Ciro Gomes também chamou as pessoas a participarem das manifestações. "A tragédia que se abate sobre o povo brasileiro na democracia, na economia, no drama social de 14,3 milhões de desempregados, 10 milhões de brasileiros empurrados para a informalidade, reprimidos, e desorganizando a vida, encontram na política nesse momento o vexame, a roubalheira e a impunidade. Só com um milagre é possível mudar esse caminho de tragédia que ainda vai pesar muito sobre todos nós", disse.

"Só há um caminho e esse caminho não está na mão dos políticos nesse momento. A política precisa ser feita, mas a política nesse instante precisa, e precisa desesperadamente, que o povo brasileiro, seus trabalhadores, seus sindicatos, suas comunidades, associações, os estudantes e a juventude ocupem a rua, esquentem o protesto e digam à Brasília: chega, não aguentamos mais! Chega, nenhum direito a menos! Chega, o golpe já passou de qualquer limite! O povo brasileiro precisa mais do que nunca da sua unidade e ocupar a rua de forma quente", conclamou Ciro.
Posted: 17 Jun 2017 10:46 AM PDT
Do site Opera Mundi:

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (16/06) o “cancelamento” do acordo firmado pelo ex-presidente Barack Obama com Cuba. Apesar de dizer que estaria descartando todo o pacto, a anulação é apenas parcial.

As mudanças divulgadas pela Casa Branca incluem a proibição das viagens individuais para fazer contatos com o povo cubano, conhecidos em inglês como "people to people travel", e a possibilidade de auditoria a todos os americanos que visitem Cuba para comprovar que não violam as sanções dos EUA. "Implementaremos a proibição do turismo, e implementaremos o embargo", disse.

Trump anunciou ainda que se "restringirá muito robustamente o fluxo de dólares americanos aos serviços militares, de segurança e de inteligência" da ilha, e que dará "passos concretos para assegurar-se que os investimentos" de empresas americanas "fluem diretamente ao povo".

O cancelamento é parcial porque, por exemplo, a recém-aberta embaixada em Havana não será fechada. "A nossa embaixada permanece aberta com a esperança que os nossos países possam forjar um caminho muito melhor", afirmou o presidente norte-americano.

Bloqueio econômico

A mudança de política inclui o apoio pessoal de Trump ao embargo comercial e financeiro norte-americano à ilha e a oposição aos pedidos internacionais para que o Congresso derrube o bloqueio.

"A política reafirma o embargo americano imposto por lei a Cuba e se opõe aos pedidos nas Nações Unidas e outros foros internacionais para acabar com ele", disse Casa Branca em um comunicado, enquanto Trump anunciava a mudança de política em um teatro de Little Havana, em Miami.

A suspensão do bloqueio econômico é algo que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA, controlado agora pelos republicanos na Câmara e no Senado. "Faremos com que o embargo seja cumprido", disse Trump.

“Acordo melhor”

O presidente norte-americano se disse disposto a negociar o que chamou de “acordo melhor” com Havana, mas apenas se houver avanços "concretos" para a realização de "eleições livres" e a liberdade do que ele classificou como "prisioneiros políticos".

"Não suspenderemos as sanções a Cuba até que todos os prisioneiros políticos sejam livres, todos os partidos políticos estejam legalizados e sejam programadas eleições livres e supervisionadas internacionalmente", disse.

Trump também desafiou Havana "a comparecer à mesa [de negociação] com um novo acordo que esteja no melhor interesse tanto do seu povo como do norte-americano".

O mandatário disse, no entanto, que "qualquer mudança" à sua postura com Cuba dependerá de "avanços concretos" rumo a objetivos como as “eleições livres”, a liberdade de “presos políticos” e a entrega à Justiça norte-americana de "criminosos e fugitivos" que encontraram refúgio na ilha.

"Quando os cubanos derem passos concretos, estaremos prontos, preparados e capazes de voltar à mesa para negociar esse acordo, que será muito melhor", disse.

O que diz a norma assinada por Trump?

- Aumenta as restrições de viagem para recrudescer a proibição de turismo dos EUA a Cuba;

- Reafirma o bloqueio econômico;

- Se opõe a convocatórias na ONU e em outros foros internacionais que apoiam Cuba e pedem o fim do bloqueio;

- Viagens com fins educativos não acadêmicos serão limitadas e acontecerão somente em grupo;

- Fica proibida a viagem individual liberada por Obama;

- Os cubano-americanos poderão continuar visitando Cuba e enviando recursos;

- Impede atividades econômicas com empresas vinculadas às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba;

- Restringe as possibilidades de negócios com as empresas públicas de Cuba;

- Não restabelece a política de “pés secos – pés molhados”, que permitia que a cubanos sem documentos ficar nos EUA.
Posted: 17 Jun 2017 10:38 AM PDT
Por Tomás Chiaverini, no site The Intercept-Brasil:

O Brasil está farto dos políticos tradicionais, não aguenta mais corrupção, o sistema está podre e precisa mudar. Das manchetes às redes sociais, passando por botecos e padarias, esse é o discurso dominante. Precisamos desesperadamente de algo novo. O que se vê na prática, contudo, é que os brasileiros e seus principais partidos continuam apostando no de sempre.

Quanto ao povo, o maior indício dessa tendência vem das últimas pesquisas eleitorais, que colocam o ex-presidente Lula na liderança, seguido pela reincidente Marina Silva e por um militar da reserva cujo nome preferimos não mencionar. Quanto aos partidos, o mais recente sinal de conservadorismo vem do PSDB, que tinha tudo para assumir as rédeas da nação, mas parece ter montado ao contrário na sela e só consegue olhar para trás.

Tentam vislumbrar as eleições de 2018, mas o fazem olhando o estrume pisado das eleições passadas e abraçam o PMDB.Eles até torcem o pescoço para espiar o caminho, mas logo se cansam e voltam a encarar a poeira do que passou. Atualmente, tentam vislumbrar as eleições de 2018, mas o fazem olhando o estrume pisado das eleições passadas e abraçam o PMDB. Nesse processo, dão as costas à juventude do próprio partido (onde a novidade supostamente deveria estar) que quer manter distância do Conde Temer.

Não se importam com malas de dinheiro, com reuniões em porões, não se importam com Renans, Romeros e Eunícios. Nem com reformas. Caso contrário, poderiam apoiá-las mesmo fora do governo, como chegaram a aventar.

Mas não. Eles querem mesmo é repisar o estrume, mantendo a aliança com o mastodonte fisiológico que sustentou e vampirizou FHC, Lula e Dilma, transformando a política no reino dos Joesleys, Marcelos e Eikes. Eles querem tempo de TV e quiçá uma futura base ampla no Congresso.

O mais irônico nisso tudo talvez seja a constatação de que o primeiro nome de destaque do partido a fincar pé publicamente na ideia de continuar com Temer foi justamente o homem que, para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – e consequentemente para boa parte da nação coxinha –, é a própria personificação do novo. Sim, ele mesmo, o pós-prefeito de São Paulo, João Doria Júnior.

Na segunda-feira da semana passada (5) o tucanato paulista tinha se reunido para ensaiar um desembarque da canoa furada do Conde, mas Doria apareceu de surpresa e fez um discurso inflamado em favor da permanência. “Nosso inimigo chama-se PT, partido que é inimigo do Brasil”, afirmou. Depois da fala, tocaram o tema da vitória do Senna e foi que nem chuva em churrasco: os caciques todos metendo as convicções entre as pernas e dando o fora o mais rápido possível.

Abraçar o PMDB não tem nada de novo, João Doria também não tem. A postura de Doria pode parecer incoerente, mas, no fundo, não é. É hipócrita apenas. Porque se abraçar o PMDB não tem nada de novo, João Doria também não tem. O conservadorismo rançoso que ele encarna fica evidente nas políticas que vêm sendo implantadas na maior cidade do país.

Desde que assumiu, nosso pós-prefeito tem feito uma administração que vai contra tudo o que há de moderno em matéria de cidades.

Enquanto Miami atrai turistas com seu bairro grafitado de Wynwood, Doria cobre obras de arte com tinta cinza. Enquanto Frankfurt festeja mais de 20 anos do fim de sua cracolândia, conquistado à base de terapias de substituição e acolhimento, Doria quer resolver o mesmo problema com polícia e internação forçada. Enquanto a ONU recomenda a redução de velocidade para humanizar cidades, Doria pavimenta ciclovias, aposta no acelera, e coleciona multas ao volante de Porsches e BMWs, máquinas superdimensionadas que encarnam o atraso em termos de locomoção urbana.

Ao exibir seus ternos de alfaiataria nas redes sociais o alcaide paulistano parece mirar nas técnicas de comunicação que ajudaram Barack Obama a se tornar o presidente mais moderninho e descolado da história dos EUA.

Mas ao aparecer em vídeo alimentando seus alvíssimos cachorros junto de uma primeira dama que lhe sussurra um subserviente “e agora?”; ao demitir, também em vídeo público, uma atônita secretária de governo; ao incentivar seus empregados a transformarem cidadãos em situação de fragilidade em garotos propaganda involuntários, João Agripino da Costa Doria Júnior exala autoritarismo em vez de charme. E acaba mais parecido com o planetariamente odiado presidente Donald Trump.

O PSDB, claro, não aposta apenas em Dória como novidade. Flerta, por exemplo, com o apresentador de TV Luciano Huck. Isso sim é novidade, certo? Bem, em 1989 outra voz hegemônica dos finais de semana, o comunicador Senor Abravanel, candidatou-se a comandar o país. Mais conhecido como Silvio Santos, teve sua chapa impugnada pela Justiça Eleitoral por não cumprir o rito de convenções estaduais.

Ou seja, o tucano do terceiro milênio seria o equivalente político à internet discada, secretária eletrônica, quebra vento, rádio-taxi… É batata que vai dar certo.
Posted: 17 Jun 2017 10:18 AM PDT
Por Altamiro Borges

O PSDB está se desintegrando. Após a decisão de manter o apoio ao quadrilheiro Michel Temer para salvar a carreira de Aécio Neves, figuras históricas da legenda – como o jurista Miguel Reale Júnior e o empresário Ricardo Semler – pediram sua desfiliação. Deputados da chamada “ala jovem” também ameaçam debandar. O clima é tão depressivo que o grão-tucano FHC entrou em parafuso e até parece que está gagá – conforme já havia alertado o sumido José Serra. A cada dia, ele dá uma declaração. Até o início desta semana, ele defendia se manter na “pinguela” do covil golpista; agora, ele já prega a renúncia do Judas. Para piorar, novas denúncias infernizam a vida do PSDB. Nesta sexta-feira (16), a Folha noticiou que o vazamento de um grampo coloca sob suspeita o governador do Mato Grosso.

Segundo a reportagem de Pablo Rodrigo, “as suspeitas de que o governador Pedro Taques (PSDB) tenha se beneficiado de caixa dois na eleição de 2014 e de supostas interceptações telefônicas clandestinas para monitorar rivais colocam mais uma vez um ocupante do Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso, nos holofotes de investigações... Taques foi eleito ainda no primeiro turno, ancorado na carreira de procurador da República. Em maio de 2016, viu o Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, deflagrar a Operação Rêmora contra fraudes em processos licitatórios na Secretaria da Educação. As investigações apontaram que o suposto esquema começou em 2015 e envolvia ao menos 23 obras em escolas, com valores totais que ultrapassam R$ 56 milhões”.

De acordo com o empresário Alan Malouf, preso em dezembro, o objetivo do esquema era quitar as dívidas não declaradas da campanha eleitoral de 2014. Além do caixa 2, o governador foi atingido pela revelação da existência de uma central clandestina de interceptações telefônicas no comando da Polícia Militar. Uma deputada da oposição – Janaina Riva (PMDB) –, jornalistas e servidores foram inseridos ilegalmente num pedido de quebra de sigilo para investigar traficantes. Caso as denúncias se confirmem, o governador tucano poderá sofrer processo de impeachment e ter o mesmo fim do seu antecessor – Silval Barbosa (PMDB) –, que foi preso em setembro de 2015. Blairo Maggi (PP), que também governou o Estado e hoje é ministro da Agricultura do covil golpista, também está enrolado em processos. Ele foi acusado de ter participado de esquema de compra de vagas no Tribunal de Contas e recentemente teve o seu nome citado na Operação Lava Jato.

Estes e outros fatos, que desmascaram os falsos moralistas do PSDB, explicam porque a situação da legenda é dramática. Em entrevista à revista Época nesta semana, um dos ideólogos da sigla, o “cientista político” Bolívar Lamounier, confirmou que “o eleitor tucano está indignado”. Para ele, a legenda deu um tiro no pé ao continuar no covil de Michel Temer. “O PSDB acabou se tornando fiador e avalista de um governo que já sofre acusações graves e que poderá sofrer outras mais ainda. Então ele fica adiando: ‘Vamos ver se aparece alguma outra coisa mais grave e aí então tomamos outra decisão’. Isso não é um comportamento partidário coerente no meu entender. Ao decidir ficar e examinar o assunto outra vez mais adiante, acabou reforçando esse aspecto antipático que atribuem ao partido, que é o Hamlet em cima do muro. O PSDB vira o PHB, o Partido Hamletiano do Brasil”.

“Tenho certeza de que isso vai comprometer o PSDB no futuro. Foi uma posição equivocada. O eleitor tucano está indignado, nas redes sociais, com essa atitude e essa participação neste governo. E eu iria até mais longe. Veja o que aconteceu na França na eleição legislativa. O voto antiestablishment foi arrasador. O Emmanuel Macron [presidente da França] praticamente destruiu o sistema partidário da França, porque ele captou esse sentimento da opinião pública que é contra a corrupção e é contra a política envelhecida. O PSDB já está sendo visto como política envelhecida. Essa decisão de agora reforçou a imagem. É provável que o voto antiestablishment também ocorra aqui no Brasil. Não sei se na escala da França, mas certamente vai ocorrer aqui também. E vai atingir o PSDB, o PMDB e outros partidos”.

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Posted: 17 Jun 2017 09:51 AM PDT
Por Altamiro Borges

A famiglia Marinho, principal protagonista do "golpe dos corruptos" que depôs Dilma Rousseff, está realmente decidida a se desfazer rapidamente de Michel Temer, o líder da máfia que assaltou o poder. Para manter intocado o projeto ultraliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho, a poderosa Rede Globo optou por descartar o bagaço e viabilizar um genérico via eleição indireta no Congresso Nacional. A revista Época desta semana, que estampa na capa o título "Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", pode acelerar o enterro do Judas. Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará a sua denúncia contra o usurpador, possibilitando a abertura do processo de impeachment. A entrevista do mafioso Joesley Batista, publicada na revista, indica que a temperatura política vai esquentar em Brasília. Vale conferir alguns trechos:


Quando o senhor conheceu Temer?

Joesley Batista – Conheci Temer através do ministro Wagner Rossi, em 2009, 2010. Logo no segundo encontro ele já me deu o celular dele. Daí em diante passamos a falar. Eu mandava mensagem para ele, ele mandava para mim. De 2010 em diante. Sempre tive relação direta. Fui várias vezes ao escritório da Praça Pan-Americana, fui várias vezes ao escritório no Itaim, fui várias vezes à casa dele em São Paulo, fui alguma vezes ao Jaburu, ele já esteve aqui em casa, ele foi ao meu casamento. Foi inaugurar a fábrica da Eldorado.

Qual, afinal, a natureza da relação do senhor com o presidente Temer?

Nunca foi uma relação de amizade. Sempre foi uma relação institucional, de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas. Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele – e fazer esquemas que renderiam propina. Toda a vida tive total acesso a ele. Ele por vezes me ligava para conversar, me chamava, e eu ia lá.

Conversar sobre política?

Ele sempre tinha um assunto específico. Nunca me chamou lá para bater papo. Sempre que me chamava, eu sabia que ele ia me pedir alguma coisa ou ele queria alguma informação.

Segundo a colaboração, Temer pediu dinheiro ao senhor já em 2010. É isso?
Isso. Logo no início. Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.

Ele sempre pediu sem algo em troca?
Sempre estava ligado a alguma coisa ou a algum favor. Raras vezes não. Uma delas foi quando ele pediu os R$ 300 mil para fazer campanha na internet antes do impeachment, preocupado com a imagem dele. Fazia pequenos pedidos. Quando o Wagner saiu, Temer pediu um dinheiro para ele se manter. Também pediu para um tal de Milton Ortolon, que está lá na nossa colaboração. Um sujeito que é ligado a ele. Pediu para fazermos um mensalinho. Fizemos. Volta e meia fazia pedidos assim. Uma vez ele me chamou para apresentar o Yunes. Disse que o Yunes era amigo dele e para ver se dava para ajudar o Yunes.

E ajudou?
Não chegamos a contratar. Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça [Pan-Americana, em São Paulo]. Eu desconversei, fiz de conta que não entendi, não ouvi. Ele nunca mais me cobrou.

Ele explicava a razão desses pedidos? Por que o senhor deveria pagar?
O Temer tem esse jeito calmo, esse jeito dócil de tratar e coisa. Não falava.

Ele não deu nenhuma razão?
Não, não ele. Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim.

O empréstimo do jatinho da JBS ao presidente também ocorreu dessa maneira?
Não lembro direito. Mas é dentro desse contexto: “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”. Acha que o cargo já o habilita. Sempre pedindo dinheiro. Pediu para o Chalita em 2012, pediu para o grupo dele em 2014.

Houve uma briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, segundo o lobista Ricardo Saud, que está na colaboração da JBS.
Ricardinho falava direto com Temer, além de mim. O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada. Pediram R$ 15 milhões, o Temer reclamou conosco. Demos o dinheiro. Foi aí que Temer voltou à Presidência do PMDB, da qual ele havia se ausentado. O Eduardo também participou ativamente disso.

Como era a relação entre Temer e Eduardo Cunha?
A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio [o operador Lúcio Funaro]. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel.

Segundo as provas da delação da JBS e de outras investigações, o senhor pagava constantemente tanto para Eduardo Cunha quanto para Lúcio Funaro, seja por acertos na Câmara, seja por acertos na Caixa, entre outros. Quem ficava com o dinheiro?
Em grande parte do período que convivemos, meu acerto era direto com o Lúcio. Eu não sei como era o acerto do Lúcio do Eduardo, tampouco do Eduardo com o Michel. Eu não sei como era a distribuição entre eles. Eu evitava falar de dinheiro de um com o outro. Não sabia como era o acerto entre eles. Depois, comecei a tratar uns negócios direto com o Eduardo. Em 2015, quando ele assumiu a presidência da Câmara. Não sei também quanto desses acertos iam para o Michel. E com o Michel mesmo eu também tratei várias doações. Quando eu ia falar de esquema mais estrutural com Michel, ele sempre pedia para falar com o Eduardo. “Presidente, o negócio do Ministério da Agricultura, o negócio dos acertos…” Ele dizia: “Joesley, essa parte financeira toca com o Eduardo e se acerta com o Eduardo”. Ele se envolvia somente nos pequenos favores pessoais ou em disputas internas, como a de 2014.

O senhor realmente precisava tanto assim desse grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer?

Eles foram crescendo no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura – todos órgãos onde tínhamos interesses. Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram. O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.

Pode dar um exemplo?

O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: “Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI”. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”. “Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.” Falei: “Não, não tem problema”. “Você tá louco?” Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: “É sério que não tem problema?”. Eu: “É sério”. Ele: “Não vai te prejudicar em nada?”. “Não, Eduardo.” Ele imediatamente falou assim: “Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões”. “Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.” Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim.

Algum outro?
Lúcio fazia a mesma coisa. Virava para mim e dizia: “Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro”. Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. É uma coisa de louco.

O senhor não pagou?
Nesse tipo de coisa, não. Tinha alguns limites. Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente.

O chefe é o presidente Temer?
O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.

No decorrer de 2016, o senhor, segundo admite e as provas corroboram, estava pagando pelo silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, ambos já presos na Lava Jato, com quem o senhor tivera acertos na Caixa e na Câmara. O custo de manter esse silêncio ficou alto demais? Muito arriscado?
Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado. O Eduardo me pediu R$ 5 milhões. Disse que eu devia a ele. Não devia, mas como ia brigar com ele? Dez dias depois ele foi preso. Eu tinha perguntado para ele: “Se você for preso, quem é a pessoa que posso considerar seu mensageiro?”. Ele disse: “O Altair procura vocês. Qualquer outra pessoa não atenda”. Passou um mês, veio o Altair. Meu Deus, como vou dar esse dinheiro para o cara que está preso? Aí o Altair disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, logo. E que o dinheiro duraria até março deste ano. Fui pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016. E eu sabia que, quando ele não saísse da cadeia, ia mandar recados.

E o Lúcio Funaro?

Foi parecido. Perguntei para ele quem seria o mensageiro se ele fosse preso. Ele disse que seria um irmão dele, o Dante. Depois virou a irmã. Fomos pagando mesada. O Eduardo sempre dizia: “Joesley, estamos juntos, estamos juntos. Não te delato nunca. Eu confio em você. Sei que nunca vai me deixar na mão, vai cuidar da minha família”. Lúcio era a mesma coisa: “Confio em você, eu posso ir preso porque eu sei que você não vai deixar minha família mal. Não te delato”.

E eles cumpriram o acerto, não?
Sim. Sempre me mandando recados: “Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você”. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema.

Quem era o mensageiro?
Joesley – Geddel. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu.

O ministro Geddel falava em nome do presidente Temer?
Sem dúvida. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução.

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Posted: 16 Jun 2017 04:16 PM PDT
Posted: 16 Jun 2017 04:12 PM PDT
Posted: 17 Jun 2017 09:20 AM PDT
Por Marcelo P. F. Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

No último dia 12 de junho os porta-vozes do “mercado” pareciam indicar que estão rompendo definitivamente o namoro com governo Temer. Depois de algumas semanas discutindo a relação, a depender das notícias estampadas nos jornais no dia dos namorados (veja aqui, aqui ou aqui) a teimosia de Temer em se agarrar ao cargo já faz cair ainda mais as projeções econômicas, com várias instituições revendo os seus números para baixo.

As cem cabeças do mercado que compõe o Boletim Focus, por exemplo, que até aqui pareciam insensíveis ao terremoto causado pelas delações da JBS, reduziram suas projeções de crescimento do PIB em 2017 de 0,5% para 0,41% em apenas uma semana, aparentemente atormentadas pela ideia de um presidente moribundo que parece disposto a se manter no poder a qualquer custo e assim evitar sua própria prisão.

O trágico desta história é que a mesma “fadinha da confiança” que há um ano atrás foi reivindicada para selar a relação de Temer com o mercado – e atropelar a democracia com um golpe contra a presidenta Dilma Rousseff -, volta agora à boca do mercado contra o Temer, sugerindo que um novo golpe (as eleições indiretas) seria o melhor atalho para se alcançar à pretérita ponte para o futuro.

Seja porque não terá como cumprir seus principais objetivos econômicos, seja porque não tem mais forças para impor à sociedade brasileira a agenda de “reformas” impopulares que prometeu entregar aos apoiadores do golpe, Temer é visto agora por seus ex-aliados no mundo das finanças como o mais novo inimigo da fadinha, um fator de instabilidade que encurta o horizonte e impede a mitológica recuperação da confiança.

Contudo, não seria melhor encarar o fato de que esta política econômica ortodoxa (fundada em juros altos, corte de despesas públicas e desmonte dos aparatos de estado que davam suporte ao desenvolvimento do país) é um absoluto fracasso, incapaz de reativar os motores do crescimento econômico?

Não pareceria óbvio também que a propalada restauração da confiança deveria começar com a eleição de um governo legítimo, eleito diretamente, cuja plataforma política tivesse o respaldo das urnas e o apoio da maioria dos brasileiros?

Infelizmente, a estas perguntas os reais donos do poder no Brasil continuam respondendo com um solene “não”. Ao que tudo indica, cuspirão o Temer, mas não dão nenhum sinal de que se incomodam em continuar dissolvendo o país.
Posted: 17 Jun 2017 09:17 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

Há uma enorme contradição no noticiário divulgado pela mídia que patrocinou o golpe de Estado de 2016. São notícias que revelam uma verdadeira torcida em torno de informações “positivas” irreais, de que o Brasil estaria saindo da grave recessão em que foi colocado nos últimos dois anos, agravada pelas medidas reacionárias da dupla Michel Temer/Henrique Meireles. E que seria superada por um discreto crescimento do PIB este ano – menos de 1% – e cerca de 2% em 2018, apostam alguns analistas.

Esse “otimismo” é desmentido diariamente pelas notícias que mostram o aumento no desemprego e queda na arrecadação pública.

A situação gera um círculo vicioso fatal – o desemprego leva à queda da massa salarial e ao empobrecimento dos brasileiros, que consumem menos, agravando a situação das empresas, que veem seu mercado minguar. A produção cai, o desemprego cresce e a arrecadação do governo cai.
Dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) mostram que a arrecadação federal, neste mês de maio, foi 3% menor do que em maio de 2016.

É uma contradição apontada por economistas como José Roberto Afonso (professor do Instituto de Direito Público) que, em depoimento recente à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, analisou o comportamento da arrecadação do governo federal e apontou que, entre 2011 a 2016, a queda na receita líquida da União (descontadas as transferências a estados e municípios) correspondeu a 1,9% do PIB. E os sinais mostram que pode piorar. Ele prevê que haverá queda ainda maior na arrecadação de 2018 em relação a 2017.

Um dos fatores dessa queda é, diz ele, a diminuição da importância da indústria na economia, setor no qual a queda da arrecadação foi de 22% (na indústria de transformação). Embora tenha havido aumento no setor de serviços (9,5% no comércio e transporte, e 1,7% no setor financeiro), ele está longe de compensar a perda na indústria.

Avaliação semelhante, e nada otimista, é feita também por um economista conservador, o ultraliberal Ilan Goldfajn, atual presidente do Banco Central no governo golpista.

Em artigo publicado recentemente no site do Instituto de Estudos de Política Econômica / Casa das Garças (IEPE/CdG), Goldfajn reconheceu a ligação íntima que há entre o desemprego e a queda na arrecadação. “O impacto mais óbvio é que a perda de emprego e renda aprofunda a recessão e tem impacto maior na arrecadação”, escreveu.

A crise econômica é muito grave. E as medidas de contensão tomadas pelo governo golpista só irão agravá-la – como reconhece o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas o governo ilegítimo persiste nesse rumo, no desmonte do Estado e na sonegação de verbas para atender a direitos sociais duramente conquistados. Insiste na reacionária reforma trabalhista e na sonegação de direitos previdenciários, como a aposentadoria, aos brasileiros. Desmonta o país, cava o buraco da queda da arrecadação, cego no afã de satisfazer apenas à ganância da especulação financeira.
Posted: 17 Jun 2017 09:01 AM PDT
Por Aristóteles Cardona Júnior, no jornal Brasil de Fato:

Hoje o Brasil vive uma grande farsa: Michel Temer, o homem que ocupa o cargo de Presidente sem ter sido eleito, finge governar o Brasil. E enquanto ele ainda consegue fingir, temos visto a classe exploradora atacar os direitos do povo de uma forma muito rápida. De uma forma nunca antes vista por estas bandas de cá. Nem mesmo Fernando Henrique Cardoso foi tão agressivo e odiava tanto o Brasil como Temer, e seus comparsas, têm demonstrado desde que deram um golpe e tomaram o governo.

E o ataque aos direitos estão sendo tocados em várias frentes: tentativa de pôr fim à aposentadoria e às garantias trabalhistas, fim do financiamento de habitação para a população mais pobre em nosso país, entre outras. Na saúde, infelizmente, não é diferente. Desde que Temer assumiu, nosso SUS não tem tido um dia de descanso.

A bomba do momento é o anúncio de que as unidades próprias da Farmácia Popular serão todas fechadas até o mês de agosto! Este é mais um duro ataque à nossa saúde. O Programa Farmácia Popular, criado ainda no início do primeiro mandato do Presidente Lula, é responsável por fornecer uma série de medicamentos de forma gratuita ou com até 90% de desconto para milhões de brasileiros e brasileiras que precisam ter acesso a estes medicamentos para ter uma vida melhor.

O Ministério da Saúde argumenta que serão fechadas as unidades da rede própria, mas será mantida a parceria com as farmácias privadas. O que esperar de um falso governo? Fingem, desta maneira, não saber que o leque de medicamentos fornecidos pela rede própria é muito maior que os vendidos pela rede privada. Fingem também não saber que a distribuição geográfica das mais de 500 unidades da rede própria da Farmácia Popular atendeu também a critério de menor renda média familiar, levando apoio a quem mais precisava.

Se é correto dizer que não se faz saúde apenas com remédios, é igualmente correto afirmar também que fornecer medicamentos a quem precisa é contribuir mais ainda para uma boa saúde da população. Ao anunciar o fim da rede própria da Farmácia Popular, serão milhões de pessoas gastando mais dinheiro com medicamentos e, consequentemente, deixando de gastar com alimentos, alimentação e com outros itens de necessidade básica. Como já foi dito, mais um duro golpe. Quais serão os próximos? Até quando?
Posted: 17 Jun 2017 07:39 AM PDT
Por Euzébio Jorge, no site da UJS:

A América Latina se defronta com a crise do capitalismo mundial ao seu jeito. Não me refiro aqui a também histórica usurpação do sangue, do suor e das riquezas naturais que sempre sustentaram o capitalismo mundial em períodos de crise e bonança. Refiro-me a incontestável capacidade dos latino-americanos das classes subalternas – originários ou trazidos nos porões dos navios – de resistirem com uma bravura que tende a questionar a sensatez.

Porém, a própria razão é capaz de reafirmar o que foi dito há mais de um século: os despossuídos não têm nada a perder. Como pode ser observado no “livro maldito” de Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina, a interconexão dos países latinos se reafirma século pós século, mesmo antes das invasões espanhola e portuguesa no “novo mundo”. Povos Incas, Maias, Astecas, Guaranis já tinham costurado o continente com as linhas inquebrantáveis de nossa história social, econômica e política.

Não é possível observar o que ocorre na América Latina nos dias de hoje sem nos remetermos aos processos de devastações e saques da colonização. A ambição por apropriar-se do gás boliviano, do petróleo venezuelano e brasileiro, das reservas minerais da Amazônia e dos bens primários de toda a América Latina em nada se diferencia das descrições que Galeano faz da “relação comercial” entre os países periféricos da América com seus “benevolentes colonizadores”. Ao explorarem em ritmo acelerado a Prata de Potosí e Sucre, na Bolívia, as minas de Guanajuato e Zacatecas, no México, o ouro de Ouro Preto, a cana-de-açúcar do Brasil, da Jamaica, do Haiti, da República Dominicana, de Cuba e de Porto Rico, a borracha da floresta Amazônica, o cacau e o petróleo da Venezuela, o salitre, cobre, banana, café, tomaram destes países as riquezas necessárias para financiar a acumulação primitiva na Europa, deixando para trás a miséria e as mortes ao final de cada ciclo de exploração. Civilizações indígenas e africanas, que muitas vezes possuíam conhecimentos técnicos e filosóficos mais sofisticados que o europeu, foram escravizadas como animais desprovidos de capacidades cognitivas. Conhecimentos nas áreas das engenharias, matemática, botânica, sociologia, história, astronomia, agronomia foram enterrados nas tumbas dos escravos das minas de ouro e prata e das plantações de cana.

Como hoje, os povos Latino Americanos nunca se furtaram de resistir, mesmo combatendo em evidente desvantagem de armas e recursos, motivados pela possibilidade de se desvencilharem das correntes que lhes aprisionam. No nordeste brasileiro, sertanejos esmagados pelas aristocracias locais se rebelavam via misticismos religiosos, como em Canudos, ou via grupos de cangaceiros que se opunham ao Estado (formal ou informal) dos coronéis, como no bando de Lampião. Entre os séculos XVII e XVIII centenas de Quilombos formados por mulheres e homens que não aceitaram ser escravizados constituíram um instrumento de luta por liberdade e preservação de suas culturas; o Quilombo dos Palmares atingiu uma população estimada de 50 mil pessoas, resistiu a algo entorno de dezoito investidas militares e constituiu um exército que ajudou a libertar dezenas de milhares de escravos no Brasil.

No Século XVIII, Túpac Amaru, um cacique mestiço descendente de imperadores incas, evoca uma rebelião de indígenas escravizados, liquida com o corregedor real de Potosí, decreta a libertação de milhares de escravos e monta um grande exército de libertação. No México, Hidalgo e Morelos, sob um estandarte de nossa Senhora de Guadalupe, tocam o sino da Igreja de Dolores convocando os escravos a se levantarem, constituíram em uma semana contingente de 80 mil indígenas com facões, lanças arcos e flechas para lutarem contra o invasor. No começo do Século XX, Emiliano Zapata e Pancho Villa lideram revoltas camponesas reivindicando reforma agrária e outros direitos no México. Em cuba do século XIX, escravos incapazes de promoverem um levante que se confrontasse diretamente com seus opressores, cometiam o suicídio como uma última forma de protesto as degradantes condições de vida.

Como nos lembra Augusto Buonicore, no ano da Revolução Russa trabalhadores da indústria e comércio paulista realizam uma greve que foi ferozmente combatida, mas que influenciou o movimento operário em todo país, dado o apoio popular, a capacidade de radicalizar e a profundidade das conquistas. Em 1º de Janeiro de 1959 jovens revolucionários destituem o ditador Cubano Fulgencio Batista, e implantam um governo que posteriormente assume um caráter socialista.

O século XX reafirmou que a América Latina está irmanada não apenas na identidade combativa de seus povos, como também na ambição e voracidade de seus carrascos. Apavorados com a revolução Cubana e com os avanços das lutas operárias e populares na América, os EUA patrocinam de forma sincrônica golpes em grande parte dos países da região, em um período surpreendentemente curto. Tenta-se um golpe no governo Vargas em 1954 – mesmo ano em que são realizados treze golpes militares na América Latina, dentre estes, Paraguai e Guatemala. Posteriormente sofrem golpes militares a Argentina em 1955/1962/1966, Brasil em 64, Peru em 68, Uruguai e Chile em 73. O Golpe no Brasil deu sustentação para a operação Condor que possibilitou aos EUA, a partir do Brasil, apoiar golpes nos outros países da região. Os governos militares promoveram as mais sangrentas formas de terrorismo de Estado praticando sequestros, assassinatos e torturas de opositores dos regimes.

A mais violenta ditadura argentina resultou em mais de 30 mil desaparecidos e 2 mil mortes confirmadas – milhares de execuções ocorreram jogando pessoas de aviões que sobrevoavam o mar. No Chile também se contabilizam milhares de desaparecidos e mortos sob a ditadura do Ditador Neoliberal Augusto Pinochet. No Uruguai, em 27 de junho de 1973, é anunciado por Juan María Bordaberry que seriam realizadas reformas republicanas democratizantes, três dias depois joga na ilegalidade sindicatos, censura e imprensa e reprime com violência o Movimento de Libertação Nacional (Tupamaro). A ditadura brasileira agiu com a mesma violência das outras ditaduras da América Latina, exilando, torturando e assassinando qualquer opositor. Mesmo com todo o esforço para desarticular a resistência, movimentos populares e de trabalhadores resistiram bravamente por meio de guerrilhas armadas e urbanas, greves, manifestações, festivais e campanhas internacionais de denúncia.

A América Latina conquistou com sangue, suor e lágrimas o retorno à democracia nos anos 1980. Movimentos que lutaram contra o terrorismo de Estado na segunda metade do século XX não se contentaram com a frágil democracia construída na região. Os anos de ditadura serviram para promover um substancial crescimento econômico nos países latinos à custa da elevação da desigualdade e redução dos rendimentos dos trabalhadores. As ditaduras tentaram sufocar no sangue das torturas as mais triviais reivindicações dos movimentos sociais e operários como o direito ao trabalho e renda, reforma agrária e moradia. Almejava-se ampliar as conquistas para temas latentes como o combate ao machismo e ao racismo, expressos sobretudo, nas desigualdades do mercado de trabalho. Os trabalhadores ansiavam por usufruir das riquezas geradas pelos milhões de braços durante a ditadura, porém, nos deparamos com o neoliberalismo e com a crise da dívida.

Se a missão do Estado até a segunda crise do petróleo era promover elevados investimentos, nos anos 1980 era conter os gastos, as importações e a inflação. Neste período, ancorado no Consenso de Washington, difunde-se a ideia de que o Estado é um péssimo administrador e o responsável pela elevação da inflação e do desemprego. Mais uma vez a América Latina está no mesmo barco. Executando o receituário neoliberal, os países da região sofrem com uma nova ditadura, agora amorfa e difícil de ser combatida, a ditadura do grande capital globalizado, demandando abertura comercial e financeira irrestrita. Mesmo com grande dificuldade, os movimentos sociais e operários passam a década de 1990 combatendo o neoliberalismo e, mais uma vez, de forma relativamente sincronizada, começam a obter vitórias contra o consenso de Washington. Mesmo com a esquerda obtendo um conjunto de vitórias eleitorais na primeira década do século XXI, a América Latina não consegue enterrar o receituário neoliberal – seja pela histórica característica conciliatória dos países latinos, ou pelo elevado poder que o capital internacional exerce na região – as políticas de desenvolvimento não conseguiram (em alguns países nem tentaram) romper com os fatores que reproduzem a superexploração e o subdesenvolvimento latino-americano.

O professor Carlos Cordovano parece ter razão ao afirmar que América Latina está sempre na vanguarda da exploração e da barbárie, mas está sempre atrasado na consolidação do nível civilizatório contemporâneo. As reformas previdenciária e trabalhista no Brasil são evidências de tal fenômeno; em um momento de crise capitalista, em que o grande capital avança suas margens de lucros sobre os rendimentos do salário e os parcos direitos trabalhistas, as elites da América Latina protagonizam a construção do “moderno”. O “moderno” dos períodos de crise é não ter legislação alguma que garanta direitos sociais, é permitir que os capitalistas negociem com os operários individualmente em condições de “igualdade” (em um quadro de elevado desemprego e insegurança social), é eliminar qualquer tipo de previdência pública, permitindo que prevaleçam os fundos de previdência privada, geridos pelo “confiável” mercado financeiro.

A derrota da esquerda na Argentina e o golpe no Brasil são apenas sintomas dos novos ares. Os governos populares da Venezuela e da Bolívia, que tomaram medidas mais profundas de transformação em suas estruturas sociais, também sofrem violentos ataques internos e externos. As insuficientes conquistas sociais dos anos 2000 não só foram incapazes de contribuir substancialmente para a superação do subdesenvolvimento, como também foram rapidamente revertidas, abrindo caminho para um novo ciclo conservador na região. A crise econômica mundial impacta a América Latina política e socialmente, trazendo à tona históricos problemas estruturais de elevado desemprego, baixos salários e elevada rotatividade. Tais características presentes em toda a região reforçam a também histórica desigualdade social e a superexploração do trabalho. A residual redução das desigualdades dos anos 2000 tendem a ser revertidas, o que significa ainda piores condições de vida e de trabalho as mulheres, negrxs e LGBT’s.

Mesmo com o Brasil praticando políticas de proteção do emprego e da renda muito mais efetivas que o México, os dois países terminam a atual década com indicadores de emprego semelhantes, o que sugere que por vezes as conexões entre os países transcendem as políticas nacionais. Mesmo com toda a diversidade de estratégias e políticas implementadas nos anos 2000, a região parece estar aprisionada por estruturas econômicas e institucionais que reproduzem a inserção subalterna no mercado internacional, o que apenas evidencia a superexploração. As políticas macroeconômicas contracionistas, guiada pelas elevadas taxas de juros e pelo combate à inflação, não passam de indícios de que nos dias de hoje não ditamos nossos rumos.

Vale refletirmos se é possível um país latino-americano individualmente superar este ciclo de reprodução do subdesenvolvimento. Não tentei responder esta questão neste texto, busquei apenas demonstrar quão profundos são os laços que integram os países e os povos da América Latina, seja pela capacidade de resistirmos aos mais violentos ataques, seja pelo desejo de países imperialistas nos ver uniformemente de joelhos.

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