terça-feira, 20 de junho de 2017

20/6 - Pragmatismo Político DE 19/6

Pragmatismo Político


Posted: 19 Jun 2017 12:42 PM PDT
planalto divulga viagem temer urss putin
(Montagem: Pragmatismo Político)
A assessoria de Michel Temer divulgou nesta segunda-feira (19/06), pelo site do Palácio do Planalto, que às 14h30 o presidente partiria de Brasília para a “República Socialista Federativa Soviética da Rússia”. Após alguns minutos, o erro foi corrigido e o destino foi alterado para Federação Russa, nome oficial do país.
Mesmo com a correção, o link disponível para o internauta adicionar o compromisso a sua agenda pessoal ainda mostra que a viagem do presidente seria para a antiga URSS. Para quem busca “República da Rússia” no Google, o primeiro resultado oferecido pelo buscador é o nome “República Socialista Federativa Soviética da Rússia” – nome oficial do país entre 1917 e 1991, enquanto república soviética –, ao lado da bandeira vermelha com a foice e o martelo.
planalto divulga viagem temer urss putin
Em meio à crise política que envolve Temer e os principais nomes de seu governo, o peemedebista irá se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, a presidente do Conselho da Federação, Valentina Matvienko, e o presidente da Duma de Estado (o Parlamento russo), Vyacheslav Volodin.
A expectativa do governo brasileiro é de que os dois países assinem acordos que favoreçam a promoção do comércio e de investimentos, além de beneficiar a exportação. Também está marcado um jantar com investidores russos, onde Temer irá expor as reformas que sua gestão está querendo implementar e que enfrentam forte oposição popular, como a trabalhista e da previdência social.
Michel Temer também visitará a Noruega, onde se encontrará com o rei Harald V e a primeira-ministra Erna Solberg para discutirem questões ambientais.
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Posted: 19 Jun 2017 12:22 PM PDT
eua vacina cuba contra câncer de pulmão
Cerca de mil pacientes do Instituto do Câncer Roswell Park, nos Estados Unidos, começaram a receber doses mensais da vacina CIMAVAX-EGF, que combate o câncer de pulmão. O medicamento foi desenvolvido em Cuba por pesquisadores do Centro de Imunologia Molecular de Havana e foi enviado aos EUA antes mesmo da reaproximação entre os dois países.
Os médicos têm esperança de que a vacina possa funcionar para outros tipos de câncer como o de cólon, de cérebro e do útero. “Os efeitos colaterais para os pacientes cubanos que tomam a vacina têm sido mínimos”, disse o chefe da oncologia torácica de Roswell, Grace Dy, segundo o Cubadebate.
A vacina, que já foi testada em países como Colômbia, Perú, Paraguai e Bósnia-Herzegóvina, passou por extensos testes e estudos antes de ser aprovada como tratamento para o câncer de pulmão. A parceria entre o Centro Imunológico Molecular de Havana e o Instituto de Roswell Park começou em 2011, quatro anos antes da reaproximação entre Cuba e os EUA.
Para o presidente do Departamento de Imunologia de Roswell, Kalvin Lee, “isso foi muito inesperado e nós, como muitos outros, pensávamos que Cuba estava presa nos tempos de ‘I love Lucy’ e sua tecnologia provavelmente se parecia com a de seus carros dos anos 1950”. Segundo o pesquisador, reporta o Cubadebate, essa vacina, ao invés de atacar a célula cancerígena, responde contra o fator de crescimento do câncer. “Mediante a geração dessa resposta imune que neutraliza o fator [de crescimento epidérmico EGF] circulante, mata o câncer de fome e ele para de crescer”, disse.
Embora o tratamento com a CIMAVAX seja totalmente gratuito em Cuba, os estrangeiros que forem à ilha em busca da vacina poderão pagar até 12 mil dólares por um suprimento de um ano do medicamento.
Além da importância no combate ao câncer de pulmão, os pesquisadores salientaram a importância do medicamento na prevenção, uma vez que ela impede o crescimento da doença. “O que é realmente interessante no CIMAVAX é a possibilidade de que poderá ser usado para prevenir o câncer de pulmão; a causa número um de morte por câncer em homens e mulheres nos EUA é o câncer de pulmão”, afirmou Lee.
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Posted: 19 Jun 2017 12:15 PM PDT
crise reformas economia governo temer atraso histórico
Mailson Ramos*
Um pai segurava a filha de mais ou menos um ano de idade no braço esquerdo e com o braço direito abraçava os suportes do ônibus para não cair. Clamava pela criança que sequer tinha leite para se alimentar. O rosto sofrido de um típico trabalhador braçal já deixava transparecer a dor e o desespero. O som da voz não carregava o rogo de quem precisava de ajuda, mas a desilusão com a própria vida. E andou pelo corredor do ônibus com aquela criança deitada em seu ombro pedindo uma moeda, talvez até mesmo um olhar de compaixão.
E porque tivesse logrado receber algumas moedas, sentou-se nas cadeiras, no fundo do veículo, a embalar a menina de braços e pernas frágeis. Possivelmente dormia com fome. As mãozinhas eram também frágeis e pouco coradas. Aquela imagem refletia a amargura da indignidade humana. Da incapacidade do Estado (hoje desmontado) de suprir as necessidades daqueles que mais precisam.
Entrar num ônibus em Salvador é enxergar de perto as mazelas de uma sociedade desfigurada, de um governo incapaz de olhar para os mais pobres, do desmonte do estado de bem estar social. O bem estar social foi trocado por questiúnculas políticas e partidárias daqueles que, ao longo de sete meses paralisaram o país para discutir um processo de impeachment cuja denúncia foi e é refutada por grandes juristas. Em nome da “luta contra a corrupção” destruiu-se empresas estatais, contratos, investimentos, setores inteiros da economia.
O desmonte que avança sobre a classe trabalhadora é um processo genocida. Culminará num atraso econômico e, sobretudo social de décadas. Inteiras gerações serão afetadas por aquilo que se convencionou chamar de reformas e não vai reformar nada. Com o pretenso ideário de correção de erros anteriores, este governo afunda o país numa crise política e moral que influencia diretamente a economia. Não há nele a chave para sair da crise.
Exemplos como o supracitado serão mais comuns a cada dia. Com o avanço destas medidas que visam satisfazer um punhado de grandes empresários, a grande maioria da população vai sofrer com um estado que não mais ampara, que reduz de tamanho e se abstém de suprir necessidades uma vez estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.
O futuro está ameaçado por forças do passado. Assim sempre é no Brasil. O país reencontrou a funesta rota para o mapa da fome, de onde havia se retirado com louvores durante o governo de Dilma Rousseff. Novamente se vê crianças nas ruas pedindo esmola e gente escorada nas paredes dos grandes edifícios a mendigar moedas. Antes de fazer traçar um panorama partidário e ideológico de toda esta situação, é preciso pensar de maneira mais simples e refletir sobre o que fomos durante treze anos e o que somos agora. O caráter subjetivo da análise dá uma resposta inequívoca.
Para superar a crise, o brasileiro precisa superar os seus limites de compressão da política não como ela é contada nos meios de comunicação de massa. É preciso sair do invólucro secular não percepção social; os trabalhadores precisam entender a sua situação, assim como todas as classes menos favorecidas da sociedade. De outro modo não será possível lutar. Cada um deve ter em conta que não resta muita coisa a fazer senão lutar.
*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.
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Posted: 19 Jun 2017 11:57 AM PDT
the economist traça perfil joão doria jr presidente brasil psdb
(Montagem: Pragmatismo Político)
Sergio Saraiva, GGN
Doria parece não ter impressionado muito à “The Economist”.
Pelo menos é o que se denota da reportagem de 15 de junho de 2017: ”Who will survive Brazil´s political cull?”– algo como “quem irá sobreviver no refugo político do Brasil”. Cull também pode significar lixo.
Escândalos abrem oportunidades para recém-chegados, complementa a revista.
Doria é visto como um político neófito que tem como principais características um charme discreto de comunicador profissional e um ar de metrossexual.
Nenhuma menção à sua LIDE e aos eventos que promove, nem à forma como suas revistas sobrevivem sendo praticamente desconhecidas do público. A única menção sobre a experiência anterior de Doria é como apresentador de “O Aprendiz” e, se serve como elogio, uma citação à Trump que também apresentou o programa nos EEUU.
No mais, em um ligeiro balanço da gestão Doria até aqui, a “The Economist” crava: na melhor das hipóteses, não passaria de um começo possivelmente promissor.
Por isso se espanta de que Doria esteja cotado como um sério candidato a presidente em 2018. Para, logo em seguida, explicar a seus leitores que isso se dá porque “as investigações de corrupção e uma crise econômica derrubaram a classe política como uma colheitadeira em uma plantação de soja”. Imagem interessante.
Assim sendo, Doria que conseguiria ser, ao mesmo tempo, um iniciado e um novato em política, teria chance de se eleger presidente. Embora suas credenciais sejam frágeis, destaca a “The Economist”.
E conclui citando um professor da FGV: “no Brasil de hoje, o imprevisível é provável”.
Realmente, parece que Doria não impressionou muito à “The Economist”.
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Posted: 19 Jun 2017 11:54 AM PDT
atrizes beijo na boca homofobia parada gay
As amigas e atrizes Carolina Dieckmann e Maria Ribeiro não compareceram à Parada Gay neste final de semana, contudo fizeram questão de protestar contra a homofobia nas redes sociais.
Através de sua conta no Instagram, Maria, que é esposa de Caio Blat, publicou uma foto em que aparece beijando a boca de Carolina. “A gente não tá na parada mas tá na parada”, escreveu Maria na legenda da imagem.
Nos comentários, a grande maioria do público mostrou que gostou da atitude da dupla de atrizes, mas houve quem criticasse o beijo.
“Elas não estão protestando, estão assumindo. Vagab** lésbicas! Para protestar não precisava tanto, a continuar assim logo aparece um ator descendo as calças de costas para outro homem dizendo que está protestando”, reclamou um internauta.
“Que decepção, elas deveriam assumir de uma vez. Isso é palhaçada e agressão moral. Cadê os maridos, estão em cima do muro, é?”, questionou outro.
“Que absurdo. Esse mundo está perdido mesmo!”, esbravejou mais um usuário das redes.
Na caixa de comentários de um grande portal da internet, alguns usuários chegaram a ameaçar as atrizes.
“Se vejo uma pouca vergonha dessas na minha frente, e principalmente se minha filha estiver comigo, descia a mão nas duas sem dó”, publicou um rapaz.

Parada gay

A 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo aconteceu neste domingo (18) em São Paulo.
No total, 19 trios elétricos desfilaram em trajeto que começou na Avenida Paulista e desceu a Rua da Consolação, chegando ao Vale do Anhangabaú. Segundo os organizadores, o evento reuniu 3 milhões de pessoas. A Polícia Militar não divulgou números.
A Prefeitura estima que 20% do público (cerca de 600 mil pessoas) da Parada seja composto por turistas. São pessoas que saem de outras cidades, estados e até países para participar do evento e movimentar a economia da capital paulista em aproximadamente R$ 45 milhões.
A Prefeitura de São Paulo investiu aproximadamente R$ 1,5 milhão na infraestrutura do evento — a quantia é a mesma disponibilizada para a edição do ano passado, segundo a gestão João Doria.
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Posted: 19 Jun 2017 11:34 AM PDT
m]aes perdem guarda filhos decisões machismo
Sarah Fernandes, Rede Brasil Atual
O machismo institucional impetrado nas famílias e no sistema judiciário, somado à morosidade dos processos e ao poder econômico de algumas famílias levaram pelo menos 300 mães, que se reúnem em grupos de ajuda, a perderem a guarda de seus filhos e a ficarem proibidas de verem as crianças por meses e até anos. Sem terem cometido crimes ou posto a segurança dos filhos em risco, elas são vítimas de decisões consideradas raras e muitas vezes injustas por especialistas no tema.
Quem nunca viu mãe perder a guarda de filho é porque viu poucos pais entrarem na Justiça para pedi-la”, defende a jornalista Adriana Mendes, de 46 anos, há 12 anos separada de sua filha por uma decisão judicial considerada injusta por especialistas.
Mantenho contato com centenas de mães na mesma situação. Em todos os casos que conheço foram elas que tomaram a iniciativa de se separar dos pais de seus filhos. Nenhuma apresenta histórico de problemas mentais ou envolvimento com crimes e drogas. Todas trabalham.”
Depois de mais de uma década de brigas na Justiça e de ter perdido dois imóveis e um carro para pagar processos e honorários de advogados, Adriana reuniu as histórias que encontrou no livro É Tudo Verdade Mesmo, que será lançado pela editora Liminar. Para publicar o livro até julho, na sua data inicial, ela iniciou um financiamento coletivo para o projeto por meio da plataforma Catarse.
O livro reúne histórias dramáticas e angustiantes, a maioria delas sem final feliz. Em um dos casos, a mãe – que não será identificada para preservar sua imagem – teve a filha levada pelo pai para viver em Portugal.
Ela ficou seis anos sem ver a menina e quando conseguiu ir até lá o pai não deixou que ela visse a criança, porque recebeu uma denúncia de que ela tentaria fugir coma filha”, conta Adriana, que vive hoje em São Paulo, mas morou com a filha em Santos, no litoral sul paulista.
A primeira mãe que conheci era fotógrafa, estava grávida do segundo casamento e tinha perdido a guarda de seu primeiro filho, que passou a morar em Brasília. Nesse processo ela descobriu um câncer e, mesmo doente, tinha que ir a cada 15 dias para Brasília para a visita. Ela foi uma das poucas que conseguiu rever a situação e em tempo recorde: 9 meses. Mas morreu quatro meses depois”, lembra Adriana. “Outra mãe, do Recife, ficou dois anos sem ver o filho morando na mesma cidade. Ela me disse: ‘se prepare, porque quando eles voltam são outras pessoas.’
Muitos dos pais querem a guarda para não pagar pensão. Em muitos casos, os pais, quando conseguem a guarda, mudam de cidade. Às vezes a mãe fica anos sem ver o filho, porque demora até marcar a audiência”, diz.
Todas nós perdemos emprego, dignidade e gastamos muito dinheiro com advogado, perícias, assistente social e psicólogo forense. Sempre ouvimos: ‘nossa, mas o que você fez para perder a guarda? Nem puta perde a guarda’. Fica sempre essa sombra, que mostra grande preconceito, como se ser prostituta fosse a pior coisa do mundo.”
O advogado especialista em direitos da criança e membro do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, avalia que a retirada de guarda das mães não são decisões corriqueiras da Justiça, mas quando ocorrem geram grande sofrimento para as famílias.
As mulheres têm tratamento prioritário na manutenção da criança. Mesmo com a guarda compartilhada a sede de residência acaba sendo a casa da mãe”, diz. “São casos de extremo sofrimento para as mães e principalmente para as crianças que têm uma relação materna muito forte e não conseguem entender porque foram separadas do convívio com a mãe.”
Adriana lembra, de forma traumática, como foi obrigada a se separar de sua filha: “quando minha filha tinha 3 anos o pai pegou ela nas férias, entrou com pedido de guarda e não me devolveu mais. Ficou viajando com ela por várias cidades para eu não encontrá-los. Marquei uma audiência com provas e recuperei a guarda”, conta. A partir daí, os dois regularizaram as visitas e o conflito, aparentemente, havia se acertado.
Meses depois, em julho daquele ano, Adriana foi ao Chile entrevistar a então ministra da Defesa chilena, Michelle Bachelet, cotada para ser a primeira presidenta mulher da América Latina, em um contato agilizado por um antigo namorado de faculdade que vivia no país. A filha ficou com o pai durante a viagem e depois retornou para a casa da mãe.
Em agosto, a filha foi comemorar o dia dos pais junto ao ex-companheiro de Adriana, que vive em Ribeirão Preto, filho de uma família bastante influente na cidade. “Ele me pediu para levá-la na Rodoviária, porque ele estava sem carro. Fiz isso, mas o vi entrando com minha filha no carro de sua namorada e achei muito estranho. Na hora que fui buscar minha filha ele não atendia. Sumiram e só entraram em contato para avisar que já tinham a guarda.”
Para a Justiça, o ex-companheiro de Adriana defendeu que ela foi para o Chile sem avisar porque tinha um namorado lá e planejava uma fuga com a criança. “Na iminência de fuga a vara da família reverte a guarda”, conta a Adriana.
Mesmo apresentando e-mails com trocas de conversas sobre o trabalho e as passagens de ida e volta, a jornalista não conseguiu reverter a decisão da Justiça: pior, entre os prazos processuais e audiências foram exatos um ano, 11 meses e 27 dias distantes da filha, até que se regularizassem as visitas.
A partir daí, teve início uma batalha judicial que levou mais de uma década e envolveu uma dezena de advogados. “Ouvi argumentos que eu exercia uma forte influência sobre a criança, que eu morava na casa de desconhecidos de favor e que ela não tinha lugar para dormir, nem vida social. Apresentei contrato de aluguel em meu nome, fotos do quarto dela, e atestado da escola de ballet e da escola tradicional. O juiz nem viu. O meu tem 10 volumes, mais de 5 mil páginas, ele só vê o final. Agora me conformei que vejo minha filha de 15 em 15 dias”, lamenta.
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Posted: 19 Jun 2017 11:20 AM PDT
elite brasil saquear público história
Clarissa Neher, DW
Há pouco mais de 80 anos do lançamento do clássico Raízes do Brasil, o “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, que não distingue o público do privado, parece ainda presente na sociedade brasileira, apesar das previsões do intelectual que a cordialidade desapareceria com a industrialização.
Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda apresentou pela primeira vez o conceito, resultado de uma sociedade rural autoritária caracterizada pela família patriarcal. Segundo o intelectual, esse homem cordial dominou as estruturas públicas do país, usando-as em benefício próprio.
No entanto, não foi exatamente isso o que ocorreu. Para o historiador João Cezar de Castro Rocha, a cordialidade é uma característica de sociedades hierárquicas e desiguais. Em entrevista à DW Brasil, o autor dos livros Literatura e cordialidade: O público e o privado na cultura brasileira e Cordialidade à brasileira: mito ou realidade? debate o conceito de homem cordial e sua ligação com a corrupção.
O problema da corrupção endêmica no Brasil só terá solução quando efetivamente constituirmos uma nação, quando em lugar de homem cordiais e elites que se consideram superior aos outros, nós formos de fato todos cidadãos“, destaca Castro Rocha.
DW Brasil: O conceito de “homem cordial” parece mais atual do nunca. Mas Sérgio Buarque de Holanda previa que ele desapareceria com a industrialização e o fim da sociedade rural. Na sua opinião, por que ele não desapareceu?
João Cezar de Castro Rocha: Eu proponho que, na verdade, o homem cordial não é apenas fruto de uma sociedade agrária, mas característico de uma sociedade hierárquica e desigual, como a sociedade brasileira, que foi fundada sobre o trabalho escravo e que ainda hoje mantém a consequência do longo período de escravidão. Então, o homem e a mulher cordiais não apenas permaneceram, como pelo contrário, cresceram e estão muito fortes.
E isso é visível também na política?
A atual política brasileira, marcada por uma polaridade radical, por intransigência inédita e por uma intolerância completa é absolutamente cordial no sentido próprio do termo, ou seja, é uma política que se faz com afetos, com estômago e não com a cabeça.
A corrupção seria característica própria do “homem cordial”?
Seria ingenuidade imaginar que o homem cordial é por vocação mais corrupto do que a seriedade alemã ou puritanismo anglo-saxão. A corrupção faz parte de toda e qualquer estrutura de poder, mas a questão central de uma corrupção que pode ser caracterizada como cordial é a sua associação com a ideia da hierarquia e da desigualdade.
No Brasil, historicamente, há uma elite que se considera realmente superior ao restante da população e que, por isso, considera ter direito a saquear a coisa pública. Nós não temos um Estado no sentido próprio do termo, temos é um aparato estatal apropriado pelas elites.
O senhor fala da corrupção nas elites, mas é possível afirmar que ela ocorre também nas camadas mais baixas, que é algo generalizado?
É preciso diferenciar a corrupção de uma sociedade que tem um cotidiano esquizofrênico. Em 1808, quando a família real veio para o Brasil, não havia casas suficientes, e o rei mandou pintar nas portas de algumas a inscrição “Propriedade Real”, PR, obrigando os donos a deixá-las para os nobres portugueses. O povo traduziu PR como “ponha-se na rua”. A história da cultura brasileira é uma oscilação constante entre propriedade real e ponha-se na rua.
Existe uma lei e sabemos que ela não é cumprida porque não há as condições práticas para cumpri-la, ao mesmo tempo, não podemos verbalizar o caráter vazio da lei, então, desenvolvemos uma sociedade profundamente esquizofrênica no sentido próprio do termo. Dizemos A sabendo que precisamos fazer B. Eu faria uma diferença entre o princípio esquizofrênico e a corrupção.
Qual seria essa diferença?
Há um princípio de maleabilidade que pode levar a uma corrupção, mas eu diria que corrupção hoje no Brasil é a apropriação privada dos recursos públicos. Não dá para comparar o senhor Emilio Odebrecht, roubando bilhões de dólares, com o pobrezinho do brasileiro que no serviço público oferece um cafezinho para o atendente. Se dissermos que tudo é a mesma corrupção é mais um meio que a elite tem de se desculpar.
Mas o jeitinho, esse desvio do cotidiano, não legitimaria de alguma forma a corrupção nas grandes esferas?
Acho isso é um equívoco, pois o que está à disposição da elite brasileira, das empreiteiras, dos partidos políticos e de políticos não é um jeitinho, é um tremendo jeitão, não tem comparação. Além disso, a sociedade foi organizada de uma forma esquizofrênica, o Estado sempre impôs ao povo inúmeros PR e o jeitinho é uma estratégia, em alguns casos, para driblar a impossibilidade de cumprir o PR.
Mas se simplesmente legitimarmos o jeitinho, nós estaremos favorecendo a corrupção. Acho importante que, no cotidiano, o brasileiro comece, por exemplo, a apenas atravessar o sinal quando ele estiver aberto para pedestres. É muito importante uma mudança de cultura.
Como seria possível acabar com esse ciclo desta corrupção generalizada?
Do ponto de vista do Estado brasileiro é preciso acabar com esse discurso tolo de que tem muito Estado no Brasil, pois não tem. O Brasil tem Estado de menos para o que de fato importa. É preciso ainda implementar mecanismos eficientes de controle que tenham como base a transparência. Do ponto de vista da sociedade é começar uma discussão a longo prazo que necessariamente deve passar pela educação e, sobretudo, por uma consciência crescente para mudarmos nossa forma de agir no trato diário. Por exemplo, não posso defender a universidade pública e não dar minhas aulas.
O problema da corrupção endêmica no Brasil só terá solução quando efetivamente constituirmos uma nação, quando em lugar de homem cordiais e elites que se consideram superior aos outros, nós formos de fato todos cidadãos.
O que é preciso combater?
É preciso combater uma sociabilidade que se baseia em tratar o público como o privado, e isso são o homem ou a mulher cordial. A sociabilidade cordial é movida pelo coração, tanto ama quanto odeia, tanto pode ser autoritária quanto afetiva, mas impõe fundamentalmente a ordem pública a lógica do privado.
Sem dúvida para superar esse tipo de corrupção precisamos fazer que o Estado brasileiro finalmente seja público e deixe de ser um parque de diversões para que as elites econômicas, políticas e financeiras deste país continuem tirando os recursos públicos como se fossem privados.
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Posted: 19 Jun 2017 11:13 AM PDT
atropelamento londres Darren Osborne
Darren Osborne
A Polícia Metropolitana de Londres (Met) afirmou nesta segunda-feira (19/06) que o atropelamento ocorrido na mesquita de Finsbury Park, no norte de Londres, neste domingo (18/06), é um atentado terrorista, de acordo com a metodologia empregada. No incidente, dez pessoas ficaram feridas e um homem morreu.
O responsável pelos atropelamentos é Darren Osborne. Ele é casado e tem quatro filhos, de acordo com os jornais britânicos “The Guardian” e “Daily Mail” e a emissora BBC. Ele está preso em uma delegacia da capital britânica sob a acusação de terrorismo.
Segundo o “Guardian“, Osborne mora em Cardiff, no País de Gales. Ele teria crescido em Weston-super-mare, em Somerset, no sul da Inglaterra.
A polícia britânica fez buscas em um apartamento de Cardiff nesta segunda-feira (19).
Ouvidos pelo “Guardian”, dois vizinhos de Osborne confirmaram a identidade do suspeito. “Alguém me disse que era ele e eu falei: ‘não pode ser’. Então eu olhei a foto no noticiário e vi que era ele”, disse Dave Ashford, 52.
“É chocante. Vi ele andando pelas ruas, mas nunca falei com ele. Ele parecia normal. Mora aqui há alguns anos e tem se mantido discreto”, afirmou Pauline Tibbs, 48 anos.

“Vou matar todos”

Algumas testemunhas do atropelamento descreveram que Darren Osborne gritou que iria “matar todos os muçulmanos”, antes de ser rendido pelas pessoas que estavam próximas à mesquita.
Uma das testemunhas, Abdulrahman Saleh Alamoudi, afirmou que estava junto com um grupo de fiéis que acabava de terminar de rezar e que, nesse momento, ajudava um idoso que “tinha caído”, talvez por causa do calor, quando a van do agressor se dirigiu a eles.
“Esta caminhonete veio para cima da gente. Acredito que pelo menos dez pessoas ficaram feridas e por sorte, eu consegui escapar”, afirmou. “Então, o homem saiu da caminhonete e o agarrei. Estava gritando: Vou matar todos os muçulmanos, vou matar a todos os muçulmanos. Ao mesmo tempo que ia dando murros”, relatou.
Quando conseguiram imobilizá-lo, segundo esta versão, o homem pediu que o “matassem”.

Prefeito

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, que é muçulmano, qualificou nesta segunda o incidente desta noite na cidade como um ataque aos valores “compartilhados de tolerância, liberdade e respeito”.
Além disso, o prefeito pediu aos londrinos, em declaração, que mantenham a “calma” e permaneçam “vigilantes” enquanto se esclarece este incidente.
“Enquanto este parece ser um ataque contra uma comunidade em particular, como os terríveis de Manchester, Westminster e London Bridge, este é também um ataque contra todos os nossos valores compartilhados de tolerância, liberdade e respeito”.
“Ainda não sabemos de todos os detalhes, mas está claro que este foi um ataque deliberado contra londrinos inocentes, muitos deles terminando as orações durante o mês sagrado do Ramadã”, disse Khan.

Rever estratégias

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou nesta segunda-feira (19/06) que o governo do país vai revisar suas estratégias de combate ao terrorismo após o quarto ataque em três meses.
“Como eu disse aqui, duas semanas atrás, houve muita tolerância com o extremismo em nosso país por muitos anos – e isso significa qualquer tipo de extremismo, incluindo islamofobia. É por isso que estaremos revisando nossa estratégia de contraterrorismo e assegurando que a polícia e os serviços de segurança terão os poderes que precisam”, afirmou a premiê, em discurso na sede do governo.
“E é por isso que vamos estabelecer uma nova Comissão de Combate ao Extremismo como órgão estatutário para ajudar a combater ódio e extremismo da mesma maneira que lutamos contra o racismo – porque este extremismo é insidioso e destrutivo aos nossos valores e ao nosso modo de vida e nada vai nos impedir de derrotá-lo”, disse.
May fez a declaração após presidir uma reunião do comitê de emergência do governo. A ação, segundo ela, “mais uma vez, teve como alvo pessoas normais e inocentes que cumpriam com suas rotinas, desta vez muçulmanos britânicos que deixavam uma mesquita”, em “um momento sagrado do ano” para a comunidade, o mês do Ramadã.
“Este ataque contra os muçulmanos perto do seu local de culto e todos os atos de terrorismo em qualquer uma de suas formas têm um mesmo objetivo fundamental: dividir a sociedade e romper os vínculos de solidariedade que são compartilhados neste país”, disse a primeira-ministra, que afirmou novamente – assim como fez nos últimos três ataques – que “não permitirá que isto ocorra”.
com agências internacionais
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Posted: 19 Jun 2017 10:54 AM PDT
médico agride paciente posições políticas
Uma mulher fez um relato revoltante sobre um médico ginecologista que, por questões políticas, violentou-a durante um exame extremamente íntimo e delicado, oferecendo grande risco à saúde da paciente.
Já não é a primeira vez em que política e medicina se misturam, produzindo cenas lamentáveis, mas o caso mostrado pela TVT é um dos exemplos mais impactantes das consequências do fanatismo político.
Branca Alves de Farias foi ao profissional de saúde e, enquanto era examinada, viu o médico ficar fora de si ao saber do local em que a comerciante trabalha.
A reportagem mostra que Branca fazia um ultrassom transvaginal, no qual o ginecologista insere uma sonda através da vagina da paciente, para analisar órgãos internos como o útero.
É um momento no qual as mulheres estão expostas na maca diante do profissional, já que o exame é desconfortável. E justamente nesta hora, Branca viu o ginecologista iniciar uma verdadeira sessão de tortura e agressões contra ela.
A vítima relatou à mesma reportagem que, ao saber que ela trabalhava em um restaurante de um sindicato que é ligado a movimentos de esquerda, o médico ficou cada vez mais alterado.
Ele começou a ficar vermelho, se irritando”, disse. “A comida do Lula tinha que por chumbinho”, disse o médico, entre outras frases de ódio e xingamentos que pronunciava aos gritos, de acordo com o relato de Branca.
Apesar de pedir calma, ela conta que o ginecologista introduzia a sonda de maneira mais violenta a cada momento, machucando-a, e que uma enfermeira que acompanhava o exame se virou de costas e não fez nada para ajudar a vítima.
O pesadelo só terminou quando o médico se enfureceu ao ponto de largar a sonda no chão e sair da sala.
Ela disse à TVT que registrou um boletim de ocorrência contra o ginecologista.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública confirma que está investigando o caso:
A Polícia Civil de São Bernardo do Campo esclarece que a lesão corporal sofrida pela vítima, em maio desse ano, é investigada por meio de inquérito policial pela Delegacia de Defesa da Mulher do município. Diligências estão em andamento visando o esclarecimento do caso“, diz a nota.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) afirmou que também apura os fatos.
O Cremesp informa que abriu sindicância para apurar as denúncias apresentadas pela reportagem. A sindicância tramita em sigilo processual previsto em Lei e leva de seis meses a dois anos para ser concluída“, diz a nota da assessoria de imprensa da entidade.
Veja o relato na íntegra:
Catraca Livre
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Posted: 19 Jun 2017 08:13 AM PDT
bolsonaro maratona rio de janeiro
Jair Bolsonaro (PSC-RJ) resolveu testar a sua popularidade neste domingo (18) ao realizar uma transmissão ao vivo no Facebook durante a Maratona do Rio de Janeiro, mas o resultado não foi exatamente o esperado.
O deputado tentava cumprimentar corredores durante a prova, mas foi xingado por vários deles. “Golpista”, “nazista” e “bichona” foram algumas das palavras proferidas pelos atletas.
No início da transmissão o político começa falando algumas frases e, em seguida, fica na calçada, observando os participantes da corrida e esticando o braço para cumprimenta-los.
No começo, alguns deles chegam a falar “Valeu, Bolsonaro”. Outros pedestres param para tirar fotos com ele.
Mas, apesar do apoio recebido, em diversos momentos o deputado acabou escutando xingamentos. “Golpista!”, gritou um corredor. “Bolsonaro, vai tomar no c*, filho da p*ta”, disse outro. “Nazista”, gritou mais um competidor.
Algumas das ofensas que o deputado foi obrigado a ouvir foram compiladas em um vídeo que está sendo divulgado nas redes sociais. Confira:
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