quarta-feira, 21 de junho de 2017

21/6 - Pragmatismo Político DE 20/6

Pragmatismo Político


Posted: 20 Jun 2017 10:30 AM PDT
fachin retira moro investigação lula lava jato
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), tirou do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, três casos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tiveram origem nas delações premiadas de executivos e ex-funcionários da Odebrecht.
Um diz respeito ao suposto tráfico de influência do ex-presidente, que em troca de vantagens indevidas teria atuado em favor da empresa em negociações referentes a Angola, mesmo que em prejuízo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O pedido de investigação sobre o assunto teve origem nos depoimentos de Emílio Odebrecht e Marcelo Bahia Odebrecht, controladores do grupo, e de mais três ex-funcionários da empresa.
Fachin determinou a remessa das provas referentes a esse caso para a Justiça Federal do Distrito Federal, por se tratarem “de fatos que supostamente se passaram na capital da República”, escreveu o ministro no despacho divulgado nesta terça-feira (20).
Assim, do cotejo das razões recursais com os depoimentos prestados pelos colaboradores não constato, realmente, relação dos fatos com a operação de repercussão nacional que tramita perante a Seção Judiciária do Paraná”, escreveu Fachin. O ministro acatou um recurso da defesa.
Outro caso trata da suposta atuação de Lula e também da ex-presidente Dilma Rousseff em favor da liberação de recursos do BNDES para a construção das Usinas Hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, ambas em Rondônia.
Eles também teriam agido para acelerar licenças ambientais, segundo o depoimento de Emílio Odebrecht e de Henrique Serrano de Prado, ex-executivo da área de energia. A investigação foi remetida por Fachin também ao Distrito Federal.
Um terceiro caso trata do suposto pagamento de uma mesada pela Odebrecht a José Ferreira da Silva, o Frei Chico, líder sindical e irmão de Lula, segundo relatos dos ex-executivos da empresa Hilberto Mascarenhas Filho e Alexandrino Alencar.
Os repasses seriam feitos como um modo de prestigiar o ex-presidente, declararam os colaboradores. Fachin determinou que a investigação sobre o assunto seja remetida à Justiça Federal de São Paulo, também a pedido da defesa de Lula.
Nas três situações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a retirada dos processos de Moro, alegando que guardam relação com as investigações da Lava Jato conduzidas no Paraná.
À época em que os casos foram remetidos a Sérgio Moro, no início de abril, o ex-presidente Lula negou qualquer ilegalidade, afirmando que as acusações eram “frívolas” e “sem nenhuma materialidade”.
Agência Brasil
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Posted: 20 Jun 2017 10:10 AM PDT
aécio neves perde seguidores facebook internet lava jato
Desde que a gravação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e o empresário Joesley Batista, da JBS, foi divulgada, no dia 17 de maio, o parlamentar só perdeu seguidores no Facebook.
Segundo lugar entre os presidenciáveis com mais fãs na rede social – atrás apenas do deputado federal Jair Bolsonaro -, o tucano tinha 84 mil seguidores a mais um dia antes de o escândalo envolvendo a JBS vir à tona, segundo a ferramenta de monitoramento de redes Quintly.
Em uma análise entre os dias 15 de maio e 20 de junho, a queda mais brusca de fãs foi no dia 18 de maio, como mostra o gráfico feito pela Quintly.
Nesse dia, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), mandou prender a irmã e um primo do tucano a partir de acusações feitas por Joesley em delação firmada com o Ministério Público Federal.
Embora neste dia tenha havido um aumento nas interações com a página – isto é, comentários, curtidas e compartilhamentos -, a pico de participação de internautas veio dias depois, em 23 de maio, quando o senador publicou um vídeo em sua defesa. Nele, o senador afirmou que recorreu ao empresário da JBS para vender um apartamento de sua família no Rio de Janeiro porque “não fez dinheiro na vida pública”.
No dia em que a Primeira Turma do STF julga os recursos contra a liminar de afastamento do senador Aécio Neves (PSDBMG) e o pedido de prisão do parlamentar feito pela Procuradoria Geral da República (PGR), o senador foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter, com a hashtag #AécioNaCadeia.
Atrás de Bolsonaro (4,37 milhões de seguidores) e Aécio (4,27 milhões), estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2,9 milhões), o prefeito de São Paulo João Doria (2,76 milhões), a ex-ministra Marina Silva (2,35 milhões), o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (860 mil) e o ex-ministro Ciro Gomes (121 mil).
O tucano é acusado pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça. Ele foi gravado pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, pedindo propina e falando em medidas para barrar o avanço da Operação Lava Jato.
Sem comentar o movimento nas redes sociais, a defesa do senador disse, por meio de nota, que “o dinheiro foi um empréstimo oferecido por Joesley Batista com o objetivo de forjar um crime que lhe permitisse obter o benefício da impunidade penal”.
Ainda segundo os advogados, o empréstimo não envolveu dinheiro público e “nenhuma contrapartida por parte do senador, não se podendo, portanto, falar em propina ou corrupção”. “O senador tem convicção de que as investigações feitas com seriedade e isenção demonstrarão os fatos verdadeiramente ocorridos”, finaliza a nota.
Agência Estado
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Posted: 20 Jun 2017 09:55 AM PDT
PL queima de arquivo senado
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode colocar o senador afastado Aécio Neves (PSDB) na cadeia e o relatório da Polícia Federal sobre Michel Temer estão ofuscando as votações no Congresso Nacional desde a semana passada
Cientes disso, senadores aproveitaram a distância dos holofotes da mídia para aprovar o chamado ‘PL da queima de arquivo’, projeto bastante criticado por historiadores e arquivistas.
O PL 146 autoriza a destruição de documentos originais depois de digitalizados. Em entrevista ao site da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o professor Charlley Luz, docente de pós-graduação da instituição, afirma que o projeto é um atentado a segurança jurídica e a memória do país.
Segundo Charlley, o projeto estabelece critérios sobre a digitalização, o armazenamento em meio eletrônico, óptico ou digital, e a reprodução dos documentos particulares e públicos arquivados.
“Vale dizer que já temos uma base normativa nacional, que envolve o modelo SIGAD (Sistema Informatizado de Gestão de Documentos) e RDC-Arq (Repositório Digital Confiável), criado pelo CONARQ (Conselho Nacional de Arquivos) e que deve ser aplicado e está ocorrendo na prática (ainda não que da forma que deveria) no governo federal”.
Ainda segundo o professor, estudiosos da área acreditam que deveria ser discutida a viabilidade deste modelo normalizado nacionalmente, gerado pelo esforço técnico de especialistas destacados da área, fruto de anos de trabalho coletivo e científico ao invés deste PLS 146/2007 que preconiza uma tecnologia defasada.
Para o especialista, o mais perigoso para nossa história, que é o compromisso arquivístico para com a autenticidade e confiabilidade, é a parte que dispões sobre a destruição de documentos originais.
O projeto autoriza que após a digitalização e armazenamento em mídia óptica ou digital autenticada, os documentos em meio analógico poderão ser eliminados por incineração, destruição mecânica ou por outro processo adequado que assegure a sua desintegração, lavrando-se o respectivo termo de eliminação.
“Isto é um ataque e um atentado ao patrimônio documental brasileiro, pois sabemos que a digitalização gera um Representante Digital que nunca será igual ao documento original por motivos diplomáticos e de garantia histórica e da verdade”.

PL 146/2007

O Projeto de Lei do Senado – PLS nº 146 de 2007 foi aprovado nesta última semana turbulenta em Brasília (11 a 14/06). O PL estava em pauta no final do ano passado, retirado das gavetas pelo senador Magno Malta.
Os senadores tentaram votá-lo na plenária de final de ano, porém houve pedido para que voltasse à discussão e recebeu emendas, o que o tornou um projeto que deve ser debatido também na Câmara Federal.
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Posted: 20 Jun 2017 09:47 AM PDT
incêndio em Portugal imagem emocionou mundo
Desde o final da semana passada, Portugal luta contra o que vem sendo considerado como o maior incêndio da sua história. As chamas estão espalhadas pelas regiões de Leiria e Coimbra, distritos localizados a cerca de 200 quilômetros da capital Lisboa.
O país vem enfrentando uma violenta onda de calor nos últimos dias e a expectativa é que as temperaturas sigam altas nos próximos dias. O incêndio não foi criminoso e acredita-se que tenha sido causado por um raio que atingiu uma árvore em Pedrogão Grande. As chamas teriam então se espalhado rapidamente pela floresta de eucaliptos.
Segundo informações atualizadas, 70% dos 12 focos mapeados já foram controlados e um contingente de 2 mil soldados, que vem atuando em solo e por meios aéreos, continua mobilizado. Há ao menos 765 veículos e 18 aeronaves envolvidos nas operações.
Até o momento, o incêndio devastou uma área de 26 mil hectares. Além disso, deixou ao menos 64 mortos e 135 feridos. Uma das vítimas fatais era um bombeiro de 40 anos, que foi hospitalizado em estado grave depois de tentar resgatar pessoas presas em um carro em Leiria, informou o jornal português Diário de Notícias.
Nas redes sociais, os bombeiros envolvidos na luta contra as chamas, resgate de vítimas e evacuação da população vêm sendo alçados como heróis. Uma imagem, especificamente, chamou a atenção do mundo inteiro.
Registrada por Pedro Brás e divulgada na página Respeito pelos Bombeiros no Facebook, que mostra outras cenas da operação, a foto mostra um grupo de 13 bombeiros descansando em um gramado depois de horas de trabalho. Eles aguardavam que os caminhões fossem reabastecidos para que pudessem retornar aos locais afetados pelo incêndio.
Brás, informou o jornal espanhol El País, também é bombeiro e capturou a imagem em Góis, outra região impactada pela fúria das chamas. A foto foi publicada no último domingo e tem mais de 78 mil compartilhamentos e mil comentários. Veja abaixo:
Gabriela Ruic, Exame
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Posted: 20 Jun 2017 09:45 AM PDT
Joesley Batista queimou moro temer direita mainardi
Joesley Batista e Michel Temer (reprodução)
Kiko Nogueira, DCM
A senha foi dada por Augusto Nunes, colunista da Veja por enquanto (toda a turma dele foi mandada embora, de Felipe Moura Brasil a Reinaldo Azevedo).
O que falta é mais gente decidida a avisar nas ruas, aos berros, que o Brasil decente não se deixará intimidar pelos poderosos patifes que teimam em obstruir os caminhos da Lava Jato. Refiro-me à verdadeira Lava Jato, representada por Sérgio Moro, não à caricatura parida em Brasília por Rodrigo Janot”, escreveu.
Joesley Batista está terminando de enterrar a narrativa segundo a qual Lula comandava a chamada ORCRIM, organização criminosa, “o maior esquema de corrupção desde as pirâmides do Egito” e por aí vai.
Essa versão alimentou gerações de indigentes mentais que alimentavam outros indigentes mentais num ciclo que parecia infinito — e agora eles estão perdidos como alcoólatras sem o uisquinho da manhã.
Marcello Reis, o zumbi dos Revoltados Online, está batendo pino nas redes sociais. “Então, quem é Lula? Joesley diz que Temer é o chefe da quadrilha. Quem acredita em Joesley?
Marcello, um picareta fanático — e vice versa — se sente enganado. Joesley só estaria dizendo a verdade se apontasse o dedo para Lula.
O dono da JBS falou o seguinte à Época:
O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais. Para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida. Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele.
O time de Moro perdeu o controle sobre a história que queria contar. Isso começou em maio de 2016, com o vazamento das conversas de Sergio Machado.
Logo que os áudios vieram a público de sua conversas, sendo a mais famosa a de Jucá narrando o “grande acordo nacional com o Supremo, com tudo”, o primeiro a se manifestar foi o delegado Igor Romário de Paula.
O que nos preocupa somente é que isso (o grampo) venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita antes”, afirmou ele.
Igor estava dizendo que há vazamentos bons e ruins. Os primeiros são os que são feitos pela força tarefa de Curitiba e que desembocam sempre no “Barba”.
O que resta, agora, é o pessoal pegar uma carona em Janot. Na semana passada, Deltan Dallgnol pediu a prisão de Aécio Neves.
Deltan teve a oportunidade de investigar o esquema de Aécio quando o doleiro Alberto Yousseff, há três anos, contou que a irmã do senador recolhia propina na empresa Bauruense, por contratos em Furnas.
Não o fez porque, assim como Augusto Nunes, Sergio Moro, Marcello Reis, Diogo Mainardi e tantos outros, dependem de Lula para viver. Lula garante o leitinho das crianças.
Joesley jogou água no chope e deu um curto circuito no powerpoint e no cérebro da extrema direita.
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Posted: 20 Jun 2017 09:30 AM PDT
mbl chama professores vagabundos esquerda
Lola Aranovich, em seu blog
Eu lembro quando, uns cinco ou seis anos atrás, um reaça patrocinado pelo governo Alckmin para atacar pessoas de esquerda veio no meu Twitter dizer que professor universitário não trabalha. Eu só joguei pra torcida — olha o que esse cara tá falando. A reação foi forte, e o sujeito teve que apagar o tuíte rapidinho. Afinal, qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que professor (seja universitário, seja do ensino fundamental ou do ensino médio, seja da rede pública ou privada) trabalha pacas.
O tempo passa, o tempo voa, o Brasil está infinitamente pior do que há meia década, mas os reaças não mudam. Continuam odiando professores, que querem controlar através da Lei da Mordaça, também conhecida como Escola Sem Partido. Acreditam que todo professor é de esquerda, o que me faz pensar se essa gente já entrou numa sala de aula ou, no mínimo, numa sala de professores.
Semana passada foi a vez de outros reaças manifestarem seu ódio por professores.
Começou assim: o professor de Engenharia Química Evandro Brum Pereira, 61 anos, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), um dos 207 mil servidores que não receberam o salário de abril, foi para a rua com um cartaz mostrando suas credenciais (mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior, professor na UERJ há 19 anos, fluente em inglês, francês e espanhol) e pedindo: “Alguém pode me arrumar um trabalho? Afinal, preciso pagar minhas contas”.
A atitude de Evandro gerou grande repercussão, e ele recebeu várias propostas — uma delas para lecionar no exterior. Mas recusou. Justificou-se: “Eu sou professor com dedicação exclusiva da Uerj. Amo o que faço, amo dar aula. Continuo na Uerj sim. É um apelo que a gente faz: olhem com carinho nossa situação. Tentem solucionar isso o mais rápido possível. Precisamos comer”.
Evandro é um dos funcionários públicos que está sem receber seu salário depois que o Rio, enterrado pela corrupção, decretou estado de calamidade. Hoje foi publicada uma reportagem sobre aposentadas que tiveram que voltar a trabalhar (vendendo bala, por exemplo), porque seu benefício deixou de ser pago. Vários auxiliares acumularam dívidas (e, consequentemente, problemas de saúde) e vivem de doações. Grande parte ainda não recebeu o 13º salário de 2016. É uma situação desesperadora: imagine trabalhar e não ganhar salário? Não ter dinheiro para pagar as contas, que não deixam de chegar?
Bom, o MBL (Movimento Brasil Livre) decidiu pegar carona na repercussão do cartaz do professor para criar um de seus memes. Usando a imagem de Evandro (certamente sem sua autorização), o movimento escreveu: “Professor concursado recusa proposta da iniciativa privada. Lá tem que trabalhar pra receber”.
mbl chama professores vagabundos esquerda ódio
Ironicamente, ninguém sabe ao certo o que o MBL faz da vida ou como sobrevive. Sabemos que o MBL é aquele grupo que organizava manifestações para derrubar um governo legitimamente eleito e combatia a corrupção, enquanto posava ao lado de Eduardo Cunha e outros políticos não exatamente honestos. Ninguém sabe quem patrocina o MBL, pois suas contas não são nada transparentes. Obviamente não é um grupo apartidário. Uma de suas metas é o fim do PT. Há fortes suspeitas que eles têm apoio de grupos internacionais de direita (como os bilionários irmãos Koch) e de caixa 2 de partidos como o PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade.
É um movimento de direita, isso está claro. E sabemos que a direita é contra universidades públicas e gratuitas. Um de seus líderes, Kim Kataguiri, alegou ter largado o curso de Economia na UFABC porque não tinha nada a aprender com seus professores. O guru de toda a direita brazuca, Olavo de Carvalho, é também um sem-diploma que vive falando mal das universidades brasileiras e seus professores.
Porém, o meme do MBLdialogando” com o professor da Uerj bate recordes de mau caratismo. Não é que o professor se nega a trabalhar e quer receber. É contrário, estúpido: o professor trabalha, e não recebe. Mas a ideologia do MBL vai além: ela é contra professor concursado.
Ué, reaças não são a favor da meritocracia? E querem acabar com concursos? Querem que professores e demais servidores sejam contratados como, por QI (Quem Indica)?
Depois, quando essa gentinha minúscula é chamada de “golpista” num aeroporto, vem choramingar nas redes sociais, dizendo-se hostilizada. Quando algum professor perguntar pra um desses pilantras: “Foi o seu movimento que escreveu que professor não trabalha?”, o MBL vai fazer algum manifesto contra a doutrinação comunista nas salas de aula.
Mas acho importante você que é professor ou aluno ou simplesmente alguém que valoriza a educação pública saber: reaças odeiam professores. E mentem em alto e bom tom que não trabalhamos.
Diante da repercussão negativa, o MBL, como todo reaça covarde, apagou o post.
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Posted: 20 Jun 2017 09:20 AM PDT
agente da cia no Brasil nome
A equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão responsável pela área de inteligência do governo federal, revelou a identidade de um agente da CIA, o serviço secreto norte-americano.
No dia 9 de junho, a agenda pública do ministro-chefe do GSI, o general Sérgio Etchegoyen, registrou um encontro entre ele e Duyane Norman, “Chefe do Posto da CIA em Brasília”.
O deslize do governo de Michel Temer foi revelado nesta segunda-feira (19) por João Augusto de Castro Neves, diretor para América Latina da consultoria Eurasia Group.
Em sua conta no Linkedin, rede social corporativa, o cargo de Norman consta apenas como “political officer” no Departamento de Estado Americano.

Mídia internacional

O deslize do governo brasileiro foi parar no The New York Times. O jornal mais famoso do mundo deu uma matéria sobre o caso assinada por Simon Romero e Dom Philips.
Confira trechos:
Oficiais de inteligência que gostariam de ser transferidos para o Brasil, tomem nota: uma simples reunião pode tirar sua cobertura.
O establishment político do Brasil foi surpreendido na segunda com a revelação aparentemente casual da identidade de um funcionário da CIA na capital, Brasília, pelo gabinete do general Sérgio Westphalen Etchegoyen, o principal funcionário de inteligência do país.
A equipe do general Etchegoyen mencionou o agente pelo nome e descreveu seu posto como “chefe” da CIA. em Brasília em uma agenda publicamente disponível das reuniões do espião no dia 9 de junho.
A revelação de um agente da CIA dessa maneira é altamente incomum, dado o segredo com o qual os espiões devem operar.
A revelação ofereceu uma distração de outros problemas enfrentados pelo governo do presidente Michel Temer, que tentava reestruturar o serviço de inteligência do Brasil desde que subiu ao poder no ano passado.
O Sr. Temer, um líder profundamente impopular, está resistindo aos apelos para renunciar depois que foi gravado parecendo endossar a obstrução de investigações anticorrupção.
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Posted: 20 Jun 2017 08:41 AM PDT
adolescente eua 14 anos atirou pai mãe
No dia 8 de março de 2013, Nathon Brooks, um jovem de 14 anos que ia bem na escola e era aparentemente feliz, entrou no quarto de seus pais enquanto dormiam e disparou várias vezes contra os dois. Ninguém, nem mesmo Nathon, parece saber por que ele fez isso.
Entrei no quarto deles, levantei a arma. Não sei por quê. E depois eu lembro de ter estes flashes rápidos de ‘você não tem que fazer isso’“, explica Nathon no documentário I Shot My Parents (Eu atirei nos meus pais), exibido no canal de TV online BBC Three.
Mas eram muito rápidos e logo desapareceram, então não tive a oportunidade de pensar nisso. E antes que percebesse o que tinha feito, eu puxei o gatilho e a arma disparou. Eu atirei de novo, e de novo. Corri pelo corredor. Sentei nas escadas, e foi quando me dei conta do que acabara de fazer“, acrescenta.
Imagens da câmera de segurança no interior da casa mostram Nathon correndo de cueca, segurando um revólver, pouco antes dos disparos.
Nathon confessou à polícia que pegou a pistola .22 Smith and Wesson de um móvel trancado num dos quartos da casa, entrou no quarto de seus pais e disparou com a arma.
Entre os tiros que atingiram os pais de Nathon, um deles feriu a área do rosto abaixo do olho da mãe, Beth, e outro a testa do pai, Jon. Surpreendentemente, ambos sobreviveram.
Ambos permaneceram conscientes após os disparos, e Jon ainda conseguiu ligar para polícia. O serviço de emergência chegou logo depois do ocorrido.
Na gravação da chamada, Jon diz a um policial: “Acordei e percebi que tínhamos levado tiros“.
Os pais foram diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático após o incidente. Jon descreve ter “muitas, muitas, muitas noites sem dormir, com pesadelos, e várias questões para superar“.
A família se mudou para uma casa nova, em parte para escapar das lembranças dolorosas.
O fato de terem sobrevivido também os deixou desconcertados. Beth recorda que perguntou ao neurocirurgião que a tratou como era possível que estivesse viva, e que ele respondeu “nenhum de nós sabe“, e que ela era a primeira que ele “encontrava assim, andando e falando“.

‘Um bom menino’

Nos Estados Unidos, morrem, em média, cinco pais a cada semana nas mãos de seus filhos, segundo dados da professora Kathleen Heide, da Universidade do Sul da Flórida.
O que parece mais raro no caso de Nathon é que aparentemente não houve nenhum sinal que alertasse do perigo. Seus pais e sua avó o descrevem como “um bom menino“.
Caiden, seu melhor amigo no colégio, conta uma história parecida.
Todos gostavam dele na escola. Nos esportes, ele era um dos melhores. E todas as garotas gostavam dele, com certeza“, afirma.
eua adolescente 14 anos atirou pai mãe
As imagens do interrogatório policial na noite do ataque mostram Nathon em estado de choque.
Não sei o que estava pensando“, disse, enquanto chorava. “Os filhos simplesmente não fazem isso, apontar uma arma contra seus pais“.
Um policial comenta durante o interrogatório: “Você é um bom menino“, e Nathon responde: “Aparentemente não. Eu quase matei meus pais“.
Na sequência de interrogatório, Nathon parece admitir a lógica da intenção por trás de sua ação.
O que você estava tentando fazer quando puxou o gatilho?“, pergunta o policial.
O que uma arma faz… matar“, responde Nathon.
No dia do incidente, os pais de Nathon tinham colocado ele de castigo por ter recebido uma detenção na escola. Poucas horas antes do ataque, Jon terida dito: “Vá dormir. Você terá muito trabalho a fazer (tarefas domésticas) e não poderá jogar (um torneio de basquete que se aproximava)“. Nathon contou que essa frase do pai “foi o clique“.

Adulto ou menor?

Durante o processo judicial, o promotor, Angus Lee, pediu que Nathon fosse julgado como maior de idade – a legislação dos EUA permite isso – por tentativa de homicídio. Ele tinha 14 anos na época do crime.
Lee acreditava que se Nathan fosse julgado como menor, sairia da cadeia aos 21 anos, e isto seria um perigo para a segurança pública.
O tribunal acabou o argumento de Lee, mas Nathon evitou o julgamento ao se declarar culpado de um delito menor, de agressão com arma mortífera; e, em fevereiro de 2015, foi sentenciado a 15 anos e meio de prisão. Ele será libertado em 2028, quando tiver 29 anos.
Jon explicou a difícil e delicada posição em que ele e sua mulher se encontraram naquele momento.
O promotor não nos interrogaria porque somos os pais do acusado. A defesa também não, porque somos as vítimas. Então não sabíamos bem o que estava acontecendo… mas sentimos que Nathon precisava ser punido“, explica.
Naquele momento nos demos conta de que não poderíamos dar o tratamento que Nathon precisa. A Justiça pode fazer isso“, acrescentou.

Contato normal

Nathon e seus pais mantém contato e parecem ter uma boa relação. Quando seus pais o visitam na prisão, falam de coisas normais – como sua mãe ter desaprovado sua nova barba e perguntado se ele tem escovado os dentes regularmente.
Mas Jon admite que “nunca vai entender” exatamente por que Nathon fez aquilo.
Já no fim do documentário, ao acabar a visita, seus pais o abraçam e dizem que o amam. Ele responde da mesma forma.
Estou feliz que não morri – apenas por Nathon“, diz Beth. “Assim Nathon não terá que carregar este fardo“.

Depressão

Nathon ainda tenta entender o que fez com a ajuda de sua terapeuta, Shanna Shultz.
Desde que está preso, passou por várias avaliações psiquiátricas. Shultz, que vem tratando ele há vários anos, disse que não vê “nenhum transtorno de personalidade“, nem mesmo “traços antissociais“.
O advogado de defesa diz acreditar que não há sinais de que poderia ter ocorrido algum tipo de abuso na casa.
Ao chegar à prisão, Nathon recebeu diagnósticos de transtorno desafiador de oposição (ODD, na sigla em inglês), transtorno por déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno bipolar.
Mas todos eles foram revisados, com base em novas avaliações. Seu diagnóstico atual, explica Shultz, é de um transtorno depressivo maior (TDM).
Não há evidência definitiva que vincule o diagnóstico de Nathon ao crime, mas que a terapia pelo menos o está ajudando a aceitar e entender o que fez.
Sentar lá e pensar e não saber por que era terrível. E saber que você causou tanta dor… Não ter resposta era muito, muito difícil. Eu me senti muito culpado, porque como eu poderia ter feito aquilo e não saber o motivo?“, ele conta.
Ciaran Varley, BBC
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Posted: 20 Jun 2017 07:30 AM PDT
adultos eua achocolatado vaca marrom acreditam
Montagem: Pragmatismo Político
Uma pesquisa divulgada pelo Innovation Center of U.S. Dairy apontou que 7% dos adultos norte-americanos acreditam que o leite com chocolate é derivado de vacas marrons. Isso é equivalente a 16,4 milhões de pessoas que acreditam que a cor do animal estaria relacionada com a do leite. A quantidade é equivalente à população de todo o Estado da Pensilvânia.
De acordo com uma reportagem publicada nesta sexta (16/06) pelo jornal Washington Post, um estudo realizado pela Universidade de Columbia, no início dos anos 1990, já havia um panorama ainda maior sobre o desconhecimento da população norte-americana sobre agricultura e produção de alimentos. O estudo destacou que uma em cada cinco pessoas não sabia que hambúrgueres são feitos com carne, nem sabiam qual era o tamanho das fazendas dos EUA ou quais são os alimentos que os animais consomem.
Para Cecily Upton, co-fundadora da ONG Food Corps, que trabalha para introduzir conhecimentos ligados à agricultura e nutrição no ensino básico, os estudos revelam um problema maior: “Neste momento, nós somos condicionados a pensar que, se você precisa de comida,você vai até a loja. Nada em nosso quadro educacional ensina as crianças de onde vem o alimento antes desse ponto “. Segundo Upton, lições básicas poderiam contribuir para problemas de saúde como obesidade e doenças cardíacas. “Nós ainda encontramos crianças que ficam surpresas em saber que batatas fritas vêm de uma batata”, afirmou a pesquisadora ao Post.
Outro levantamento – este realizado pela Universidade da Califórnia – entrevistou estudantes do ensino fundamental e obteve conclusões que comprovam o pensamento de Upton. De acordo com o estudo, mais da metade dos alunos entrevistados não sabiam que o picles em conserva é, na verdade, pepino, nem que cebola e alface eram vegetais. Além disso, quatro em cada 10 estudantes disseram não saber que hambúrgueres eram feitos de carne e que três em cada dez não sabiam que o queijo é derivado do leite.
Para a historiadora Ann Vileisis, essa falta de conhecimento pode ser explicada pela formação da sociedade norte-americana. Em seu livro Kitchen Literacy, Vileisis afirma que, em meados dos anos 1800, a maioria da população estava migrando para as cidades e se afastando das zonas rurais e agrícolas. Esse processo se intensificou com a chegada de novas tecnologias de transporte e manufatura de alimentos, que permitiram que a comida chagasse mais rápido às cidades e pudesse ser consumida de diferentes formas.
Para a historiadora, “a indiferença sobre as origens e sobre a produção de alimentos tornou-se uma norma da cultura urbana, formando a base de uma sensibilidade alimentar moderna que se espalharia por toda a América nas décadas que se seguiram”.
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Posted: 20 Jun 2017 07:14 AM PDT
banco de dados pm são paulo manifestantes
PMs filmam protesto do Movimento Passe Livre em 2017 (Foto: Daniel Arroyo-Ponte)
Fausto Salvadori, Ponte Jornalismo
Você pode ser da Marcha para Jesus ou da Parada LGBT. Coxinha, petralha, Fora Temer ou Tchau Querida. Não importa. Se resolver participar de uma manifestação no estado de São Paulo, os policiais militares estão autorizados a gravar imagens e áudios seus e armazená-los todos num banco de dados secreto ao qual você nunca terá acesso.
As regras que regulam a filmagem de manifestantes e o armazenamento deste material pela PM paulista estão descritas na Diretriz PM3-001/02/11, conhecida como Diretriz Olho de Águia, uma norma secreta editada pelo comando da corporação em 2011. Desde então, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) vem se esforçando para manter o conteúdo da Olho de Águia oculta aos olhos do público, com o apoio da Ouvidoria do Estado, da Comissão Estadual de Acesso à Informação e até do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – que já emitiu duas decisões favoráveis à manutenção do sigilo em torno da diretriz.
Driblando as proibições oficiais, a Ponte Jornalismo teve acesso à diretriz Olho de Águia e agora revela o seu conteúdo na íntegra.
A diretriz define o sistema Olho de Águia como um “conjunto de tecnologias dispostas em subsistemas que possibilitam a captação, transmissão, gravação e gerenciamento de imagens e áudios de interesse da segurança pública“. As imagens e áudios são produzidas por três fontes diferentes: os “kits táticos”, que são equipamentos portáteis, como câmeras e microfones, utilizados “individualmente, por policiais militares em serviço“, os kits aéreos, aparelhos de filmagem acoplados aos helicópteros da PM, e viaturas chamadas de “Bases Móveis de Apoio Operacional“, capazes de “captar, receber, gravar, transmitir e gerenciar, em tempo real, as imagens e áudios gerados“.
Todo o material produzido pelos policiais nas ruas é transmitido a uma Sala de Comando e Operações localizada nas dependências do Copom (Centro de Operações da PM), o mesmo responsável pela comunicação de rádio entre os carros e polícia. A sala de comando tem como função “monitoramento, gerenciamento, difusão e arquivo das imagens e áudios gerados pelo sistema“.

Big Brother policial

O que a PM pode filmar? Praticamente tudo. Embora afirme que o sistema Olho de Águia deva ser “empregado nas missões de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública, nos serviços de bombeiros e na execução das atividades de Defesa Civil“, a diretriz prevê o emprego do sistema de filmagem em situações das mais variadas, inclusive as que não envolvem prática de crime.
Disponível 24 horas por dia, o sistema de filmagem pode ser acionado para acontecimentos graves, como confrontos armados ou acidentes, mas também para “grandes concentrações e ou manifestações populares que possam afetar a ordem pública“, “ocorrências envolvendo autoridades” ou simplesmente “ocorrências que provoquem grande repercussão na mídia“. Mas não é só isso: a norma também estabelece que o Olho de Águia pode ser acionado “em outras situações determinadas pelo Comando Geral (Cmdo G) da Instituição ou pelo Grande Comando detentor do Sistema“, o que, na prática, dá ao comando da corporação o poder para usar seu aparato de Big Brother em qualquer situação que achar conveniente.
Imagens e áudios armazenados“, “gerenciamento“, “difusão“, “arquivo“: os termos usados na diretriz secreta da PM revelam que o Olho de Águia não envolve apenas um sistema de filmagem, mas também a criação de um banco de dados das pessoas e situações flagradas pelas câmeras dos policiais.
banco de dados pm são paulo manifestantes
Policiais filmam ato de estudantes em setembro de 2016 (Foto: Daniel Arroyo-Ponte)
Um banco de dados que não seria tão diferente de outros “sistemas inteligentes” criados pela PM, como o Infocrim e o Fotocrim, que também são mencionado na diretriz, não fosse por uma diferença importante. Enquanto Infocrim e Fotocrim reúnem dados dos boletins de ocorrência, o que significa que só constam ali os dados de pessoas que de alguma forma se envolveram em alguma prática apontada como ilegal, o banco de dados do Olho de Águia pode incluir informações de qualquer pessoa, mesmo de quem nunca tenha se envolvido em nenhuma ação criminosa.
Um item curioso da norma diz respeito aos critérios para a definição dos policiais escolhidos para atuar nas filmagens. Além de ter um bom comportamento, não responder a processo e ter experiência de pelo menos dois anos na corporação, os PMs que trabalham no Olho de Águia precisam “receber parecer favorável do órgão de inteligência” da unidade de polícia onde irá trabalhar, ou seja, devem ser aprovados pelo setor da PM encarregado de fazer investigações sigilosas.

Tortura e criminalização

No ano passado, a PM paulista foi acusada por estudantes secundaristas de montar um banco com fotos dos alunos envolvidos em protestos contra o governo Alckmin, a maioria adolescentes. Uma professora contou que três secundaristas relataram ter tido contato com o álbum de fotos da PM em diferentes ocasiões. Outros dois estudantes disseram à Ponte que foram forçados pela PM, um deles sob tortura, a reconhecer os nomes das pessoas que constavam das imagens mostradas pelos policiais. Procurada na época, a Secretaria da Segurança Pública até hoje não confirmou, nem negou a existência do álbum com fotos de secundaristas.
Há países em que toda pessoa tem o direito de ter acesso às imagens que fazem dela. Em 2007, a cineasta austríaca Manu Luksch fez um filme de ficção científica na Inglaterra usando apenas filmagens de câmeras de circuito interno em que ela aparecia, às quais teve acesso graças ao Ato de Proteção aos Dados da legislação inglesa.
Em São Paulo, quem quisesse fazer algo parecido encontraria muita dificuldade. A Diretriz Olho de Águia estabelece que cabe aos comandantes do sistema decidir sobre “solicitações e ou requisições para o fornecimento ou recuperação de imagens e áudios armazenados no Sistema“, sem estabelecer regras nem prazos para isso. No caso de pedidos feitos por “órgãos da mídia“, o comando pode autorizar a divulgação de materiais “quando houver interesse institucional“. A diretriz menciona os interesses da instituição, mas não o interesse público, previsto na Lei de Acesso à Informação.
A Ponte mostrou o conteúdo da diretriz secreta para a advogada Camila Marques, coordenadora do Centro de Referência Legal da ONG Artigo 19, que promove o direito à liberdade de expressão e de acesso à informação. A advogada avaliou que o sistema Olho de Águia, ao permitir que a polícia “crie um banco de dados oficial sobre protestos e manifestantes sem que estes apresentem quaisquer suspeitas“, pode colocar em risco a liberdade de manifestação. “Tal situação pode inibir profundamente o exercício da liberdade de expressão e reunião, fazendo com que pessoas deixem de protestar nas ruas pela escolha – legítima – de não serem filmadas sem que saibam o motivo e o uso feito de sua imagem“, afirma Camila.
Segundo a advogada da Artigo 19, o Olho de Águia ajuda a promover “a criminalização de movimentos sociais e manifestações públicas em geral” ao listar as hipóteses de utilização do sistema mencionando as manifestações públicas “ao lado de situações de calamidade social, de perigo iminente à vida de agentes públicos e de ações terroristas“. Para Marques, a diretriz “qualifica os protestos, em que direitos fundamentais de expressão e manifestação são exercidos, como situações criminosas, que mereceriam a vigilância estatal“.
Camila sabe do que está falando, já que a Artigo 19 vem há quatro anos tentando obter acesso à Diretriz Olho de Águia pelas vias oficiais, sem sucesso. A primeira tentativa ocorreu em 2013, quando a ONG perguntou à PM sobre as normas que regulamentam a filmagem de manifestações e foi informada sobre a existência da diretriz. Em fevereiro do ano passado, a Artigo 19 solicitou acesso acesso ao conteúdo da Olho de Água, via Lei de Acesso à Informação. Depois que a PM negou o pedido, afirmando que a divulgação da norma traria “risco à segurança pública“, a ONG recorreu à Ouvidoria do Estado e à Comissão Estadual de Acesso à Informação, que reafirmaram o caráter “sigiloso” da Olho de Águia.
Sem conseguir pelas vias administrativas, a Artigo 19 optou pela via judicial e, em abril deste ano, entrou com um mandado de segurança para obter acesso à diretriz. O juiz Danilo Mansano Barioni , da 1ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, negou o pedido liminar e considerou que o sigilo em torno da Olho de Águia estava dentro das exceções previstas na Lei de Acesso à Informação. Na sua decisão, o juiz considerou que “manifestações públicas, em princípio, por sua própria natureza não autorizariam restrições quanto à captação de imagens (filmagens ou fotografias) por quem quer que seja” e afirmou que as manifestações têm “indissociável interesse à segurança pública” por serem “notoriamente impregnadas por grupos heterogêneos e não raro com espetáculos pontuais, em maior ou menor extensão, de vandalismo, depredação do patrimônio público, acirramentos que levam a agressões, etc“.
A Artigo 19 recorreu e, em 17 de maio, recebeu nova negativa. “Evidente que estratégias que tenham por intenção assegurar a incolumidade pública e obstaculizar práticas que sejam eventualmente catalizadoras de atos de violência ou desordem devem ser resguardadas“, afirmou a decisão em segunda instância do desembargador Sidney Romano dos Reis, da 6ª Câmara de Direito Público do TJ-SP.
Para a Artigo 19, a decisão do Tribunal de Justiça paulista “legitima um estado generalizado de segredo de toda e qualquer informação relacionada à segurança pública, impossibilitando o controle social” e ajuda a perpetuar “a obscuridade de informações que, se públicas, permitiriam à população e à sociedade civil conhecer as regras do jogo, e, assim, cobrar o cumprimento de padrões mínimos de respeito a direitos fundamentais e buscar a responsabilização por abusos“.

Outro lado

A Ponte enviou dez perguntas à CDN Comunicação, responsável pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do governo Geraldo Alckmin, a respeito da Diretriz Olho de Águia. Nenhuma delas foi respondida.
1) Por que uma norma de interesse público tão evidente é mantida secreta?
2) O item 6.4 da norma, sobre as condições de acionamento, deixa claro que o sistema pode ser usado para filmar pessoas em situações que não envolvem crime, como “grandes concentrações e ou manifestações populares que possam afetar a ordem pública” ou “ocorrências que provoquem grande repercussão na mídia“. Por que o governo considera que é necessário captar imagens e áudios de manifestantes e ainda gerenciar e arquivar (usando os verbos que aparecem nos itens 6.1.1 e 6.1.2 da norma) tais registros?
3) Como está organizado o banco de dados formado a partir dos registros de imagem e áudio captados e arquivados pelo sistema “Olho de Águia”? É possível identificar indivíduos e pesquisar por nomes?
4) A diretriz indica que o governo gravou, arquivou e gerencia um banco de dados com informações de indivíduos e grupos que não necessariamente estão envolvidos em atividade criminosa. Por quê?
5) Qual é o uso dado pelo governo a esse banco de dados? Quem tem acesso a ele?
6) Por que a Polícia Militar deve manter um banco de dados sobre cidadãos se a Constituição de 1988 reserva apenas às polícias civis a função de polícia judiciária?
7) Como um cidadão pode exercer seu direito de livre expressão e de reunião sabendo que representantes do Estado vão gravar e armazenar imagens dele mesmo que não tenha cometido qualquer delito?
8) Como um cidadão pode ter acesso ao material que o governo armazenou a seu respeito no sistema Olho de Águia?
9) Por que o policial que atua no sistema deve “receber parecer favorável do órgão de inteligência da OPM na qual desenvolverá suas funções”? Que itens o serviço reservado analisa a respeito do policial em questão? Opiniões políticas e posicionamentos ideológicos do policial são analisadas pelo órgão de inteligência?
10) O item 6.7.2 afirma que as imagens e áudios armazenados no Sistema “Olho de Águia podem ser divulgadas quando houver “interesse institucional para divulgação dos fatos”. Por que “interesse institucional” e não interesse público?
A Ponte Jornalismo enviou as mesmas perguntas para a assessoria de imprensa do coronel Álvaro Batista Camilo, que comandava a Polícia Militar em 2011 e assinou a Diretriz Olho de Águia. Camilo, que hoje é deputado estadual pelo PSD, integrante da chamada Bancada da Bala no legislativo paulista, também não respondeu.
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