sexta-feira, 23 de junho de 2017

23/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 23 Jun 2017 08:59 AM PDT
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:



Um ministro de Geisel uma vez disse o seguinte num despacho para seu chefe: “Os jornais não vivem e nem sobrevivem sem o governo”.

Isto, segundo ele, era uma arma poderosíssima que a administração Geisel devia usar em sua relação com a imprensa.

Roberto Marinho, disse ainda o ministro, era mestre em pedir “favores especiais” a Geisel por conta do apoio que dava à ditadura.

Tudo isso está no livro Dossiê Geisel, feito com base em documentos pessoais de Geisel doados à Fundação Getúlio Vargas.

Lembrei dessas coisas todas ao ver a lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet em 2015. Ali não estavam os artistas sempre acusados pelos analfabetos de mamar na Rouanet, como Chico e Zé de Abreu.

Mas a Globo estava, pela Fundação Roberto Marinho.

Abaixo, a lista de quem foi mais favorecido pela Rouanet:



Mais que uma empresa, a Globo é uma máquina de meter a mão no dinheiro dos contribuintes. Este é sem dúvida seu maior talento. Às fórmulas clássicas - publicidade oficial, financiamentos de bancos como BNDES, vendas de livros e assinaturas de jornais e revistas - a Globo acrescentou novidades, nos últimos anos, como a sonegação de impostos.

E até a Rouanet passou a ser utilizada para transferir recursos do pobre contribuinte brasileiro para os Marinhos.

Não foi dito que projetos da Fundação RM foram financiados pela Rouanet. Mas a pergunta é inevitável: a Globo precisa de mais esta mamata? A família mais rica do Brasil não pode abdicar da Rouanet para que sobre dinheiro para artistas que não tenham a fortuna dos Marinhos?

É sempre assim.

Na era FHC, uma gráfica nova - e ruinosa - da Globo foi bancada pelos contribuintes, pelo BNDES. Não foi um empréstimo: foi uma cusparada na sociedade, autorizada por FHC. Imagine se o Banco da Inglaterra enchesse de dinheiro Murdoch de libras para uma nova gráfica? Thatcher sairia do túmulo.

A inépcia gerencial da Globo - mesmo com tantos privilégios esteve várias vezes insolvente - se explica na voracidade com que se atira a recursos públicos. Você não pode ser bom em tudo. E se você desenvolve excelência em mamar dinheiro público provavelmente não terá tempo para se aprimorar em outras coisas.

E então você vai atrás de cada real público que esteja a seu alcance. Por exemplo, os reais da Rouanet.
Posted: 23 Jun 2017 08:41 AM PDT
Por Cíntia Alves, no Jornal GGN:

A defesa do ex-presidente Lula apresentou, durante coletiva de imprensa em São Paulo, o teor das alegações finais sobre o caso triplex, cujo prazo para entrega ao juiz Sergio Moro termina nesta terça (20). Durante a exposição, o advogado Cristiano Zanin revelou que encontrou novas provas de que "nem Léo Pinheiro, nem a OAS tinham a disponibilidade do imóvel para dar ou oferecer a quem quer que seja".

Isso porque, desde 2010, o triplex, assim como os demais apartamentos do Condomínio Solaris, no Guarujá, foi entregue pela OAS a um fundo controlado pela Caixa Econômica Federal. Como nenhum depósito foi feito em conta bancária sinalizada pela Caixa, o triplex não foi liberado a ninguém, muito menos a Lula.

"Se o triplex não é nem jamais foi de Lula, sua absolvição é obrigatória. Não só porque o Ministério Público não produziu prova do que diz, mas porque a defesa produziu provas da inocência de Lula", disparou o advogado.
A defesa já havia juntado aos autos do processo que tramita em Curitiba os documentos que atestam que o triplex, que está em nome da OAS, foi dado como garantia em operações financeiras, incluindo pedido de recuperação judicial, a partir de 2009. A revelação tem peso no julgamento porque a Lava Jato insiste que foi naquele ano que a OAS transferiu, de forma velada, a posse do apartamento para Lula.

Os novos documentos, que provam que a Caixa detém o direito financeiro-econômico sobre o triplex desde 2010, foram produzidos de maneira autônoma pela defesa de Lula, após o juiz Sergio Moro negar o pedido de diligência.

Segundo Zanin, um dos documentos indica a "conta e agência onde os valores referentes aos apartamentos do Solaris devem ser depositados para que haja a liberação do imóvel. Ou seja, esse documento significa dizer que só se houvesse depósito nessa conta e nessa agência é que os imóveis estariam liberados para venda, doação ou qualquer forma de alienação, qualquer forma de transferência da propriedade. Era imprescindível, portanto, que houvesse depósito de valores nessa conta da Caixa."

Ex-OAS, Léo Pinheiro, em março passado, disse a Moro que combinou com Paulo Okamotto e João Vaccari Neto que o triplex seria de Lula a partir de um "encontro de contas" com o PT. O pretenso delator afirmou que reformou o apartamento com dinheiro da OAS Empreendimentos, dentro da legalidade, com o intuito de vender ao ex-presidente. Para sustentar a tese de que não ficaria no prejuízo caso Lula não quisesse adquirir o imóvel, Pinheiro afirmou que deixaria de pagar ao PT propina equivalente ao valor investido nas melhorias.

"Léo Pinheiro esqueceu de dizer [a Moro] que ele próprio, com sua assinatura, havia levado, em novembro de 2009, à junta comercial, um documento que transferiu à Caixa 100% dos direitos economico-financeiros do triplex e dos demais imóveis do Solaris. Então, como ele pode ter dado esse apartamento a Lula se, no mesmo ano, ele deu o imóvel como garantia à Caixa? Para que Léo Pinheiro pudesse afirmar que deu, ele teria de mostrar um recibo de que depositou na conta da Caixa os valores correspondentes a esse apartamento. Isso jamais ocorreu", revelou Zanin.

O defensor ainda disse que essas informações sobre a verdadeira propriedade do triplex poderiam ter vindo à tona há muito tempo, se a Lava Jato não tivesse transformado a investigação contra Lula numa espécie de jogo.

Ele lembrou que o caso triplex nasceu de um inquérito sigiloso e que, quando a defesa tomou conhecimento disso e pediu acesso aos autos, Moro negou. Foi preciso recorrer ao Supremo Tribunal Federal. A defesa sequer teve tempo de analisar o procedimento e pedir produção de provas porque, dois dias após ter acesso ao inquérito, Lula foi indiciado pela Polícia Federal.

"Mas não foi só na fase policial que a verdade poderia ter sido descoberta", apontou Zanin. Durante a fase processual, conduzida por Moro, a defesa solicitou uma série de provas negadas pelo juiz, que costumava alegar que os pedidos eram abusivos ou que não acrescentariam nada à ação. Zanin destacou, a título de exemplo, os pedidos para produzir provas de que Lula recebeu, como diz o MPF, dinheiro desviado da Petrobras, e a petição para aprofundar o uso do triplex em transações financeiras pela OAS. Tudo negado por Moro.

"Certamente a Polícia Federal e o Ministério Público Federal teriam condições de saber da existência [desses documentos]. Nós havíamos pedido para que fossem produzidas essas provas em perícia, mas os pedidos foram negados. É a defesa que leva ao processo a prova da inocência de Lula. Prova categorica, contundente e que não deixa nenhuma dúvida."

Outros eixos da denúncia

Zanin rebateu, ainda, o "contexto" de "macrocorrupção" criado pela Lava Jato para taxar Lula de chefe da organização criminosa. Trata-se do pano de fundo da denúncia do triplex, em que Lula aparece sendo beneficiado pela OAS por ter garantido a manutenção do esquema de corrupção na Petrobras enquanto presidente da República.

"A denuncia, além de veicular a acusação propriamente dita, fala de um contexto, mas esse contexto fala de uma investigação que esta em curso no Supremo e não há competencia da 13ª Vara Federal em Curitiba para tratar do fato", sustentou.

Durante a coletiva de imprensa, Zanin também abordou as violações e abusos praticados por Moro e pela força-tarefa durante a fase processual e lembrou, ainda, que a defesa produziu provas de que Lula não poderia saber de corrupção na Petrobras, a partir de auditorias feitas na estatal.

Em relação à terceira parte da denúncia, que trata de contrato da OAS com a Granero pela manutenção do acervo presidencial, Zanin destacou que o MPF, além de não imputar a Lula qualquer ação relativa a esse contrato, viu sua tese de pagamento de propina cair por terra quando o dono da Granero admitiu que houve um erro dele na produção do documento. A Lava Jato fala em fraude porque a peça fala em armazenamento de materiais de escritório da OAS, e não do acervo de Lula.

O caso Cláudia Cruz

Ao final da exposição, Zanin indicou que, diante das provas produzidas, qualquer sentença sobre o triplex que não seja de absolvição para Lula só reforçará que o caso é de perseguição política.

O advogado fez um paralelo com a sentença proferida por Moro em relação à esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz, absolvida por falta de provas de sua participação na lavagem de dinheiro.

"Nessa sentença, Moro diz que em crime de corrupção e lavagem de dinheiro, é preciso haver rastreamento dos valores envolvidos", frisou Zanin. "Em relação a Lula, em momento algum houve rastreamento de valores. Nao se aplicou a máxima de seguir o dinheiro, mesmo a defesa tendo feito esse pedido com a certeza de que Lula não recebeu valores provenientes de contratos da Petrobras. É bom lembrar que depois da devassa feita nas contas e vida de Lula e de seus familiares, nenhum valor ilicito foi encontrado", ponderou.

Questionado sobre a possibilidade de Moro usar a teoria do domínio do fato para condenar Lula, Zanin disse que a tese "não pode servir de muleta para Ministério Público que não produz provas."

Acompanhe [aqui] a coletiva na íntegra.
Posted: 23 Jun 2017 08:33 AM PDT
Por Tatiana Carlotti, no site Carta Maior:

Em tempos de golpe, a fragilidade das nossas instituições democráticas se escancara. Na seara da comunicação, enquanto a Mídia Alternativa luta pela sobrevivência, garantindo o mínimo do contraditório ao discurso hegemônico; as Organizações Globo, promotoras deste discurso, inauguram a nova sede do seu jornalismo.

A discrepância de forças ficou evidente na última segunda-feira (16.06.2017). Durante cinco minutos, o Jornal Nacional vendeu o aparato jornalístico a seus telespectadores, detalhando a metragem do novo espaço, o dobro do anterior, e suas 18 novas ilhas de edição.

A cobertura da “cerimônia macabra”, assim qualificada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (assista ao vídeo “O que o filho do Roberto Marinho não disse”), incensou a parafernália tecnológica, destacando os imensos telões e as ilustrações em três dimensões do Jornal Nacional.

Segundo o script, “isso é possível porque o novo cenário é formado por duas camadas de imagens. Primeiro um vidro de 15 metros em curva, que varia do fosco para o transparente. E, ao fundo, um telão gigante, o de três metros de altura a por 16 de largura. Uma janela para o mundo”.

Uma embalagem bonita para um escasso conteúdo. A tentativa do Grupo Globo de compensar a baixíssima qualidade de seu jornalismo. Não será um vidro de 15 metros que devolverá a credibilidade perdida às Organizações Globo. Ela foi estilhaçada pela politicagem rasteira que o Grupo realiza há 92 anos.

É brutal a asfixia ao contraditório, ao debate de ideias e propostas perpetrado pela empresa, vide a cobertura da PEC do Teto de Gastos, a defesa aguerrida das reformas trabalhistas. É criminosa a perseguição promovida contra desafetos da emissora, bem como sua atuação política, interferindo diretamente nos rumos do país, vide os episódios que antecederam e sucederam o golpe – os dois, aliás.

E o que dizer da seletividade de suas pautas? O silêncio diante de questões de extrema importância, como o genocídio da população jovem, negra e pobre nas periferias, assassinada pela Polícia Militar, em vários estados do país. Como isso não é pauta na principal emissora brasileira?

O Brasil e o mundo passam longe do janelão da família Marinho.

Jornalismo independente?
Prova disso foi o discurso do presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho que falou sobre “futuro”, “compromisso da emissora com o país” e, pasmem, “jornalismo independente”. Mandatário de uma organização que faz política diuturnamente, ele disse ser “significativo que, no auge de um período crítico da vida nacional”, o Grupo Globo esteja “inaugurando um moderno estúdio de jornalismo”.

Muito significativo, aliás, dado o protagonismo das Organizações Globo no afastamento de uma presidenta democraticamente eleita do poder, sem crime de responsabilidade. Roberto Irineu mencionou também os 92 anos da emissora salientando que ela pretende continuar “sendo uma empresa familiar que olha para o longo prazo” e que “investe hoje para construir o futuro onde queremos viver”.

Queremos? Uma tarde assistindo à Globonews nos permite compreender de que futuro se trata: aquele desenhado pela agenda da austeridade. O futuro de um país garroteado pelo estado mínimo, onde a criminalização da política é lei e a destruição da imagem de partidos, lideranças e movimentos de esquerda, uma prática corrente.

Um futuro, diga-se de passagem, recusado quatro vezes nas urnas pela maioria da população brasileira. Daí o terceiro turno forjado pelas Organizações Globo, com seu candidato o senador afastado Aécio Neves, incensado como a saída para o país; as manifestações pró-impeachment convocadas explicitamente pela emissora; o golpe de 31 de Agosto, cujas consequências recaem sobre o povo brasileiro, via crise institucional, política e econômica que se prolonga.

Nada disso, obviamente, foi mencionado pelo presidente da maior empresa de comunicação do país. Na pele de CEO, Roberto Irineu esqueceu de mencionar o desemprego acirrado pela turbulência política, preferiu citar os 19 mil empregos diretos e os 15.800 indiretos criados pela empresa da sua família.

Tampouco falou das denúncias de sonegação fiscal, mais de R$ 600 milhões devidos aos cofres públicos decorrentes da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Preferiu mencionar o pagamento de R$ 14,5 bilhões em impostos nos últimos cinco anos, “com muito orgulho”, destacou.

E afirmou ainda: “só com uma empresa que permanece e se sustenta conseguimos produzir jornalismo independente”, como se as Organizações Globo não recebessem financiamento das estatais, não se fizessem política, nem defendessem os interesses corporativos e financeiros que defendem descaradamente nos seus noticiários.

Nesta semana aliás a Globosat assinou um acordo com a Vice Media, maior companhia de mídia e produção de conteúdo para o público jovem do mundo, ela inclusive tem como sócia a Disney, para criar uma joint-venture. Pelo acordo, em torno de US$ 450 milhões, a Globo terá participação minoritária na Vice Brasil.

Com público alvo de jovens entre 18 e 34 anos, a joint-venture irá oferecer entretenimento com foco em comportamento pela Globosat que conta com 33 canais e mais de 18 milhões de telespectadores diários.

Concentração da mídia
Um discurso vazio em meio a um cenário megalomaníaco, a síntese do jornalismo Globo que não teria consequência alguma, não fosse o imenso poder que detém, graças à concessão pública, das quais as Organizações Globo abusam, sem qualquer regulação ou controle do poder público.

Concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias, a comunicação no Brasil segue engessada ante qualquer possibilidade de concorrência. E o mais grave: o discurso hegemônico impera impedindo à população de ter acesso a vários pontos de vistas e opiniões; engessando múltiplas pautas; impedindo ao Brasil, diverso e múltiplo que somos se reconhecer naquilo que é veiculado na TV, nas rádios e jornais.

Daí o esforço da Mídia Alternativa em assegurar o mínimo de contraditório à narrativa autoritária e hegemônica que comanda a pauta nacional. E sem financiamento, diga-se de passagem, já que uma das primeiras medidas de Michel Temer, assim que entrou no governo (saiba mais), foi promover a asfixia econômica de sites e blogs progressistas e independentes no Brasil.

O ônus da ausência de uma efetiva Lei de Mídia – uma das principais reivindicações da Mídia Alternativa ao longo dos últimos anos – é a própria democracia e a quebra da ordem constitucional que vivemos.

Aliás, os graves problemas desta concentração e seus danos à democracia são tema de um estudo recente e imperdível divulgado pela UNESCO, sob o título “Concentração da Propriedade de Mídia e Liberdade de Expressão: Padrões e Implicações Globais para as Américas”.

Com base no direito internacional, o documento (em espanhol e em inglês) aponta quais ações precisam ser promovidas para se regular o mercado de mídia, destacando cinco ameaças à democracia resultantes da concentração da mídia. São eles:

"1. Influência excessiva dos proprietários de meios ou de seus anunciantes sobre os responsáveis políticos e os poderes públicos, e manipulação encoberta das decisões políticas para favorecer interesses econômicos ocultos;

2. Concentração da propriedade dos meios comerciais e sua possível influência sobre a esfera política, seja a concentração da propriedade nas mãos dos governantes, de todos os meios de comunicação de um país nas mãos de um único proprietário, ou (situação especialmente perigosa nos países pequenos) de todos os meios de comunicação nas mãos de proprietários estrangeiros;

3. Efeito nefasto da concentração dos meios de comunicação e da evolução dos modelos econômicos sobre a qualidade do jornalismo (de investigação e de outros tipos), traduzido na diminuição da margem de liberdade editorial, degradação das condições de trabalho e precarização do trabalho dos jornalistas;

4. Falta de transparência sobre a propriedade dos meios e as fontes de financiamento;

5. Potenciais conflitos de interesses que resultam na proximidade entre os jornalistas e os interesses econômicos.”
Como você pode notar, tratam-se de riscos de primeira grandeza, sobretudo em um Brasil dominado por “mini-Berlusconis”, conforme cunhou The Economist, ao avaliar a oligarquia das empresas familiares de comunicação que mandam e desmandam no Brasil.

No caso da Globo, há 92 anos.

Até quando?
Posted: 23 Jun 2017 08:27 AM PDT
Do site Lula:

Em depoimentos prestados nesta quinta-feira (22) ao juiz da 10a. Vara Federal de Brasília, testemunhas convocadas pelo Ministério Público Federal refutaram a acusação sobre suposta (e inexistente) interferência do ex-presidente Lula na escolha da empresa sueca Saab para a aquisição de caças pela FAB. Também refutaram a tese de que Lula teria influenciado a ex-presidenta Dilma Roussef a não vetar artigo incluído pelo Congresso na Medida Provisória 627, que estendeu de 2015 para 2020 a vigência dos benefícios fiscais para a indústria automobilística no Norte e Nordeste.

Foram ouvidos pelo juiz Valisney Oliveira a ex-presidenta Dilma Rousseff, o representante da Saab no Brasil, Bengt Janér, e o ex-subchefe da Casa Civil nos governos Lula e Dilma, Luiz Alberto dos Santos, todos convocados pelo MPF. Primeiro a ser ouvido, Luiz Alberto afirmou que “não houve ilegalidade” na sanção ao projeto de lei de conversão da MP 627. Ele esclareceu que diversos ministérios participaram da análise do projeto de lei e que nem a Fazenda nem o Planejamento propuseram vetos.

O executivo Bengt Janér afirmou que a escolha da Saab, em 2012, entre as três empresas que participaram do processo (além da sueca, uma francesa e uma norte-americana) foi o resultado da opção da FAB pelos caças Grippen. “O que definiu pelo Grippen foi o relatório da Aeronáutica”, disse Jáner. Ele negou que a empresa MM, de Mauro Martone, tenha sido contratada para influenciar o ex-presidente Lula a interferir junto à então presidenta Dilma na opção pela Saab.

Dilma afirmou e reafirmou que o ex-presidente Lula “jamais interferiu” nem “fez qualquer intermediação” nas decisões que ela tomou na presidência da República. Ela explicou ao procurador Anselmo Lopes que a prorrogação dos benefícios fiscais no Norte e Nordeste não feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, não comprometeu a meta de superávit fiscal de 2013 (ano em que foi aprovada) e nem estaria na origem da crise fiscal de 2016. “A medida não teve impacto fiscal naquele ano, pois o benefício estava em vigor até 2015, e é absurdo relacioná-la ao que ocorreu em 2016”, disse a ex-presidenta.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, destacou que os depoimentos contrariam frontalmente as teses do Ministério Público sobre a inexistente interferência de Lula nas decisões sobre a compra de caças e edição de MP. “As imputações foram refutadas pelas testemunhas da própria acusação, o que demonstra que a denúncia jamais poderia ter sido apresentada”, afirmou.
Posted: 23 Jun 2017 08:15 AM PDT

A situação trágica da Saúde no Estado do Rio de Janeiro já tem contornos de filme de terror, pela falta de médicos e insumos hospitalares. Já são dezenas de vítimas da incúria e da falta de verbas em hospitais do Estado. Um exemplo foi o que aconteceu com a paciente Maria Elizete Vanderley da Silva, de 77 anos, internada no Hospital Federal de Bonsucesso domingo, com hemorragia digestiva.

Depois de esperar horas para ser intubada por um médico plantonista que deixou o hospital às 19h, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória à 1h, quando não havia nenhum médico para socorrê-la. Morreu diante do pessoal da enfermagem, que no entanto não pôde ministrar nova medicação para dar conta do agravamento do quadro clínico da paciente.

O óbito só foi constatado por volta das 9h do dia seguinte, pelo médico que havia chegado para o plantão geral. Durante oito horas, apesar de a enfermagem ter verificado a morte, o corpo da paciente ficou no leito, ligado a aparelhos.

Leia a seguir a situação dramática do Rio, na representação da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que cobra ação da Justiça, para que cesse o descalabro causado pelo ministro Ricardo Barros, preposto do golpista Michel Temer na Saúde.



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Posted: 23 Jun 2017 08:08 AM PDT
Por Matheus Pichonelli, no site The Intercept-Brasil:

O país viu um pouco de tudo desde o início da hecatombe política provocada pela Lava Jato. Só não viu ainda tucano algemado – fato raro desde que os primeiros portugueses pisaram por aqui. Na terça-feira (20) havia expectativa e apreensão diante da análise da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal sobre a situação do senador afastado, e ainda na cúpula decisória do PSDB, Aécio Neves (MG).

Não deviam ser poucos os algozes que guardaram bebidas e rojões para a ocasião; menos ainda os que temiam as consequências políticas de um revés judicial. Um tucano encarcerado depois de mobilizar multidões por mudanças nos estatutos da ética alimentaria a sanha condenatória que tomou as redes e o país.

A eventual prisão do ex-futuro presidente da República serviria como uma espécie de desforra a quem até ontem era acusado ou incitado a explicar a manutenção do monopólio da corrupção no Brasil. Um tucano encarcerado pouco depois de mobilizar multidões e formadores de opinião por mudanças nos estatutos da ética, dos bons modos e da boa gestão alimentaria a sanha condenatória que tomou as redes e o país, cada vez mais parecido com uma caixa de comentários de portais.

A cena só não minimizaria o apetite multipartidário pelo tal grande acordo nacional que unificou adversários políticos nos discursos contra juízes, procuradores e delatores. O apetite parece bem escondido, mas de vez em quando aparece em discursos como o do líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini, segundo quem os acusadores de Aécio confundem obstrução de Justiça e crime continuado com “fazer política”.

A sincronia pode ser avaliada pela contestação, por parte do governador tucano do Mato Grosso do Sul, da homologação de delações da JBS pelo ministro do STF Edson Fachin. Seria a brecha para melar outros depoimentos e abrir caminho para o chamado acordão. Não faltarão apoiadores nem mesmo no Judiciário, onde já há magistrados revoltados e dedicados a redefinir os limites das investigações (invejosos dirão que o limite é um conceito de proximidade entre amigos e inimigos).

No caso de Aécio, fazer política provavelmente se confunde com o desejo manifesto na conversa gravada com Joesley Batista antes de pedir (e receber) dinheiro ao dono da JBS: era preciso trocar o ministro da Justiça porque “aí mexia na PF”.

“Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2 mil delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?”, descreveu.

Com base nas delações dos executivos da JBS, a Procuradoria-Geral da República denunciou o senador por corrupção passiva e obstrução e Justiça. Pediu a perda da “função pública” e o pagamento, junto da irmã, Andrea Neves, de R$ 6 milhões como indenização de danos morais e materiais à União.

O tucano denunciado e sob risco é a versão mais recente do herdeiro político de Tancredo Neves. Como deputado e governador, ele era citado como um político diplomático e habilidoso. Chegou a ser elogiado até mesmo pela então candidata petista Dilma Rousseff durante um ato de campanha em Minas Gerais em 2010, que o chamou de “governador exemplar” com quem mantinha “a melhor relação possível”.

Quatro anos depois, Aécio saiu da campanha derrotada à Presidência disposto a interditar o governo Dilma, então adversária declarada. Adotou tom beligerante, incentivou as manifestações pró-impeachment e levou ao Tribunal Superior Eleitoral as ações contra a chapa vitoriosa que, por pouco, não dragaram o governo do qual passaria a fazer parte.
Uma vez detido, o que a boa memória do ex-governador teria a dizer sobre os colegas que o deixaram ferido na estrada?

Esse lado tão estourado quanto atrapalhado do senador agora afastado levou parte dos interessados a acompanhar com apreensão a sessão da 1ª Turma do STF. Uma vez detido, o que a boa memória do ex-governador, conforme a definição das colunas de bastidores, teria a dizer sobre os colegas que o deixaram ferido na estrada?

O adiamento da decisão sobre sua possível prisão, somado à concessão de prisão domiciliar à sua irmã e seu primo, aquele que deveria morrer antes da delação, foi interpretado como indicativo de vitória no STF, que dirá em breve se o caso deve ser apreciado na 1ª Turma ou no Plenário. Até lá, todos ganham tempo, inclusive o PSDB, que por ora não corre o risco de decidir sobre o comando da sigla com o comandante algemado.
“É bom que ele esteja mais tranquilo e tome uma decisão tirando esse peso da irmã”, despistou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O adiamento, por outro lado, prolonga a agonia de quem não parece chegar a um acordo sobre permanecer ou não no governo, apoiar ou não as reformas, ignorar ou não a condição de sua liderança principal.

A indefinição ajuda a levar incerteza até mesmo onde o trator governista parecia intocável. Pois, no mesmo dia em que Aécio e o PSDB tiveram os destinos adiados, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado rejeitou, com o voto de um tucano, o relatório de um outro tucano sobre a reforma trabalhista. A exposição do racha acontecia enquanto o presidente vestia a fantasia de chefe de Estado na Rússia, mas era citado, por aqui, como chefe de organização criminosa pelo dono da JBS e como detentor das digitais em evidências de corrupção passiva no inquérito da PF.

O timing da Justiça nem sempre é o mesmo da política, embora às vezes se esforcem por se encontrar. Aliviado ou não, Aécio já cumpre na prática sua espécie de exílio particular. De governador respeitado por adversários a opositor irresponsável, sua última faceta é a de um tucano acuado com um longo passado pela frente.
Posted: 23 Jun 2017 07:58 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

A derrota do governo golpista, nesta terça-feira (20), na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, onde o parecer do relator ao Projeto de Lei 38/2017, que trata da reforma trabalhista, foi rejeitado por dez votos contra nove, é uma demonstração das dificuldades que o usurpador Michel Temer enfrenta para impor suas reformas reacionárias.

A votação, apertada, foi uma vitória dos trabalhadores e das centrais sindicais que se mobilizaram a uma só voz contra aquela “reforma” reacionária. E também dos senadores alinhados com o sentimento nacional. Eles votaram num ambiente de grande instabilidade política, onde há incertezas quanto a permanência do golpista Michel Temer à frente do governo.

O resultado ilustra a repercussão, entre os senadores, da voz da rua, que se levantou em defesa dos direitos ameaçados. E que condena com veemência aquela mudança que favorece apenas aos patrões e prejudica severamente os trabalhadores, e na prática destrói a CLT fazendo as relações de trabalho isentas da legislação que coloque limites à ganância patronal. Reforma reacionária porque faz as relações de trabalho recuarem para os tempos, sem lei para proteger os trabalhadores, tempos longínquos e ultrapassados do início do século 20.

A derrota do governo, é preciso reconhecer, é pontual e ainda não significa que a ameaça da reforma trabalhista tenha sido afastada de vez.

Mas expõe as dificuldades que o governo golpista tem pela frente. Apesar de todo o alarde feito pelos ventríloquos da mídia golpista, a chamada base aliada do governo está em frangalhos. A dificuldade está no próprio partido do governo, o PMDB, e Michel Temer não conseguiu contar com a unanimidade dos senadores da legenda na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

As dificuldades crescem em relação ao PSDB, o partido pioneiro na conspiração golpista de 2016 e que agora, profundamente enlameado, figura em cima de um muro no qual, de um lado, faz acenos de apoio a Temer, mas, na hora H, não consegue mobilizar os votos necessários.

Desidratação da base governista que reflete o profundo isolamento de Michel Temer e da turma que subiu ao governo com ele. Uma pesquisa divulgada pelo Data360 nesta quarta-feira (21) é clara, e mostra que somente 2% dos ouvidos apóiam a aventura golpista, e 87% querem eleição direta.

A vitória na comissão do Senado foi importante, sem dúvida. Mas a luta continua, pois as investidas reacionárias do governo não estão derrotadas. Agora, a reforma trabalhista segue para a Comissão de Constituição e Justiça do Senado; se for aprovada lá, segue para votação em plenário.

Para os trabalhadores, sindicalistas e todos aqueles que rejeitam a grave ameaça à legislação trabalhista representada por aquela iniciativa, a luta continua. É urgente manter a mesma unidade das centrais sindicais, das correntes de opinião e dos movimentos sociais, para poder confirmar a derrota do governo. E que poderá ocorrer em outra Comissão e também no plenário do Senado, com a mesma retaguarda da unidade popular na luta pela vitória final contra esta tentativa do governo golpista e reacionário de Michel Temer, de eliminar os direitos dos trabalhadores e rasgar a CLT.
Posted: 23 Jun 2017 07:53 AM PDT
Por Rodrigo Assis Mesquita, na revista Caros Amigos:

"Na nossa época atual, o discurso e a escrita política consistem, em grande parte, na defesa do indefensável". George Orwell, 1946

O projeto de reforma trabalhista enviado pelo Poder Executivo tinha por objetivo declarado valorizar a negociação coletiva. Relativamente enxuto, o texto original elencava treze situações em que o negociado prevalecia sobre o legislado, qualquer que fosse o resultado do acordo coletivo. Na Câmara dos Deputados, o texto foi substituído por um calhamaço ainda pior que altera a maior parte da CLT.

O discurso é o de que a legislação trabalhista brasileira é arcaica e deve ser modernizada para gerar mais empregos. "Reformar" e "modernizar" são duas palavras que trazem uma sensação positiva. Afinal, você só reforma aquilo que está velho ou quebrado e quase ninguém é contra coisas modernas, como smartphones metálicos, robôs e carros que andam sozinhos.

As palavras têm poder e quem controla a narrativa tem a primeira palavra sobre a opinião pública. Não é à toa que o Governo Federal vem investindo pesado em propaganda na TV, no rádio e na Internet em defesa de reformas que ninguém sabe de onde vêm. Mas "reforma" e "modernização" são apenas palavras que, soltas, não significam nada. Sem informações adicionais e sem debate, cada um preenche o significado das palavras com aquilo que quer, como um emprego digno, melhor salário, mais tempo com a família.

O projeto de reforma foi claramente desenhado para se tornar a anti-CLT, uma Demolição das Leis Trabalhistas embalada numa propaganda de modernização combinada com promessa de empregos e um toque de ameaça. Dizem que ela é urgente, senão algo terrível acontecerá, seja lá o que for.

O estudo da OIT "Emprego mundial e perspectivas sociais 2015: a natureza cambiante do trabalho" analisou dados e estatísticas de 63 países nos últimos 20 anos e concluiu que a diminuição de direitos trabalhistas não estimula a criação de empregos nem diminui o desemprego. No mesmo sentido, relatório de 2015 da OCDE demonstra que a diminuição de direitos trabalhistas em países europeus a partir de 2008 gerou o fechamento de boas vagas e o surgimento de empregos precários.
Contra esses dados, o governo federal e o Congresso Nacional oferecem apenas discurso e propaganda. A exposição de motivos do projeto de lei original e a da versão aprovada na Câmara não citam nenhuma pesquisa, nenhuma estatística, nem para refutar os dados apresentados por outras instituições como o Ministério Público do Trabalho. As propagandas atacam o fato da CLT ser de 1941, mas ignoram que, conforme o atual Procurador Geral do Trabalho, mais de 85% da redação original foi alterada e que o marco normativo atual é a Constituição Federal de 1988, lastreada em tratados internacionais.

A propaganda pela reforma contrapõe o "velho" ao "moderno", como se leis antigas se tornassem ruins pelo mero decurso do tempo. A Constituição dos EUA é essencialmente a mesma desde 1789 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que protege a dignidade humana, é de 1948.

No ensaio "Política e a língua inglesa", de 1946, George Orwell critica o uso de palavras imprecisas no discurso político, de palavras cujo conteúdo é propositalmente indefinido para que o público escute o que quer ouvir e não o que está sendo dito. Às palavras que ele cita, como “justiça”, “realístico”, “fascismo” e “progressista”, poderíamos acrescentar “reforma”.

* Rodrigo Assis Mesquita é Procurador do Trabalho.
Posted: 23 Jun 2017 10:46 AM PDT
Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

O maior especialista em Aécio Neves no Brasil é Rogério Correia.

Rogério Correia é deputado estadual do PT em Minas desde 1999.

Contando com os préstimos da revista Veja, Aécio e a irmã Andrea tentaram cassar o mandato de Rogério.

Rogério sabe de quase todos os podres de Aécio, dentre outros motivos, por ter conhecido o delator Nilton Monteiro.

Monteiro tem fama de achacador.

Os tucanos tentaram colar em Monteiro o rótulo de “petista”.

Pausa para as gargalhadas.

Monteiro foi íntimo do ninho tucano e, se tentou achacar, foi pelo simples fato de ter tido acesso a informações comprometedoras sobre os esquemas de Aécio em Minas.

O poder indiscutível de Aécio no Estado foi escancarado quando o time dele mandou prender o jornalista Marco Aurélio Carone e fazer busca e apreensão nas casas de outro jornalista, Geraldo Elísio, e do advogado Dino Miraglia.

Não houve protestos da OAB, nem da mídia nacional. Pelo contrário.

Aécio conseguiu emplacar numa revista de circulação nacional: “Um achacador na cadeia”, sobre Carone.

Um site tido como de esquerda anunciou: “O empresário Marco Aurélio Carone, dono do Novo Jornal, foi preso nesta madrugada em Belo Horizonte por formação de quadrilha; de acordo com a Justiça, ele integra uma quadrilha que usa o veículo de comunicação como biombo para uma indústria de intimidação e linchamento moral de adversários políticos, bem como de promotores, policiais e desembargadores; do mesmo grupo, faria parte o lobista Nilton Monteiro, que também está preso”.

Independentemente das acusações formalizadas contra eles, ninguém tentou ouvir o outro lado.

Ninguém estranhou, nem investigou, se teria havido o uso de policiais, promotores, juízes e desembargadores pelo grupo de Aécio Neves para intimidar adversários.

Ninguém noticiou quando Carone foi absolvido.

Ninguém noticiou quando Carone e Elísio foram ao Congresso contar o que pretendiam dizer sobre Aécio na campanha de 2014.

É escandaloso: toda a grande mídia brasileira fingiu que não sabia quem era Aécio Neves ao longo de décadas! É por isso que os eleitores dele se dizem surpresos.

Rogério, que faz parte da ala esquerda do PT, sempre soube. E, ainda que discretamente, sempre deixou clara sua oposição aos acertos do PT nacional com Aécio em Minas.

Por exemplo, depois que Lula se elegeu em 2002, o principal esquema de Aécio foi mantido: Dimas Toledo continuou diretor de Engenharia, o cargo-chave da estatal Furnas. Só caiu em 2005, quando estourou o mensalão petista.

Ninguém encarna melhor a “plasticidade” da política mineira que Walfrido dos Mares Guia, que foi vice-governador do tucano Eduardo Azeredo.

Ele estava lá, na gênese da mãe de todos os mensalões, o tucano.

Ressurgiu como ministro do Turismo de Lula e ascendeu à Secretaria de Relações Institucionais.

É um dos acionistas do bilionário Grupo Kroton, a megaempresa de educação que tirou proveito como ninguém do financiamento público da educação privada nos governos petistas.

Recentemente, emprestou seu jatinho para levar o ex-presidente Lula a Curitiba.

Viva a mineirice!

Aqui é preciso lembrar o importante papel que Minas Gerais joga no anti-paulistismo.

O anti-paulistismo é um fenômeno nacional que só os paulistas não enxergam.

Para entendê-lo, seria preciso se esconder atrás de um coqueiro ao deixar a praia, de Ubatuba para cima e de Cananeia para baixo, para ouvir o que é dito sobre a arrogância dos paulistas*.

Aécio é admirado por muitos conterrâneos pelo papel que desempenhou em frear o domínio completo dos paulistas sobre a política nacional.

Em entrevista à Conceição Lemes, Rogério Correia explicou recentemente como os esquemas de financiamento montados por Aécio serviram não apenas ao enriquecimento pessoal, mas também para lubrificar as lutas intestinas do senador no ninho tucano.

Um segundo especialista em Minas, que não pode se identificar, foi além. Sugeriu que se faça uma varredura do destino dado a importantes assessores de Aécio depois que o grupo dele perdeu a eleição de 2016 em Minas para Fernando Pimentel.

“Os assessores de Aécio migraram para governos tucanos sobre os quais ele tinha ascendência. O de Reinaldo Azambuja em Mato Grosso do Sul, por exemplo. Será que os esquemas de arrecadação migraram juntos?”, alfineta.

Azambuja, diga-se, é acusado de ter pedido R$ 10 milhões em propina ao empresário Joesley Batista, da JBS.

“O próprio governador (Reinaldo Azambuja) tratava comigo. Ele próprio. O Boni [Valdir Aparecido Boni – diretor de tributos da JBS] ia lá no palácio do governo, em Campo Grande. Essas notas ele pegou das mãos do governador [Azambuja] e processou o pagamento. É a mesma coisa, incentivos fiscais para redução de ICMS. Vários incentivos são legítimos e alguns dos termos do acordo não foram cumpridos, se não me falha a memória. Foi simplesmente para reduzir o pagamento”, afirmou Joesley em um de seus depoimentos.

Os interesses da JBS no estado são imensos e focavam na redução do pagamento de impostos.

Azambuja é o autor da ação que tenta tirar Edson Fachin da relatoria da delação da JBS no STF, uma tremenda coincidência!

O ponto aqui é que Aécio, que assumiu a presidência do PSDB em maio de 2013, organizou não só a própria candidatura ao Planalto no ano seguinte: ajudou a montar os esquemas de financiamento de aliados e sabe muito sobre muita gente do PSDB não apenas em Minas, mas em todo o Brasil.

Deriva daí a dificuldade do PSDB de jogar Aécio no mar, como tem sido o impulso de alguns quadros do partido não comprometidos diretamente com ele.

Aécio pendurou o futuro do PSDB em Temer e tem poder de fogo sobre os que pretendem desfazer a aliança, a única capaz de impedir que o senador perca o mandato.

O fato de que Aécio usava um ministro do STF, Gilmar Mendes, como estafeta para influenciar o voto de colegas no Senado, é apenas a ponta do imenso iceberg no qual o senador mineiro segue navegando. Se ele abrir o bico, o Titanic afunda.

O PSDB e Temer estão, literalmente, num abraço de afogados patrocinado por Aécio.

Ainda que a primeira turma do STF decida colocar o senador afastado em prisão domiciliar na semana que vem, como se especula nos bastidores, Aécio pode fazer muito, muito mais estrago que Nilton Monteiro, que se é mesmo achacador, como insistem os tucanos, não passa de amador perto do Mineirinho.

PS do Viomundo: Está na hora de a PGR atender aos pedidos de Nilton Monteiro, federalizar os inquéritos que correm contra ele em Minas e dar ao operador tucano a possibilidade de fazer delação premiada. Ele já disse que topa contar tudo.
Posted: 23 Jun 2017 10:37 AM PDT
Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

O discurso de Michel Temer, ontem, na Rússia, é o delírio de um desesperado.

O ainda presidente disse que lidera “a mais ampla agenda de reformas das últimas décadas”. Falou, candidamente, que “é claro que há lá uma ou outra observação, uma ou outra objeção”.

A tal “uma ou outra objeção” é endossada, fora da realidade paralela em que vive Temer, pela esmagadora maioria da população, que não quer as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo governo.

No último levantamento, singelos 79% dos entrevistados querem a renúncia ou cassação de Temer. Surreais 2% apoiam a sua gestão.

Tentando convencer os empresários da República Socialista Federativa Soviética da Rússia a investir no Brasil, nosso patético presidente sonha alto: “que ainda neste semestre, quem sabe antes do recesso legislativo, nós consigamos aprovar pelo menos o primeiro turno da reforma Previdenciária.”

Acharam fora da realidade? Pois reparem na confiança em relação à reforma trabalhista: “Eu creio que hoje até está sendo vencida mais uma etapa lá no Brasil e, seguramente, na semana que vem nós aprovaremos em definitivo a reforma trabalhista.”

A etapa que estaria sendo vencida foi, na vida real, uma derrota amarga para o presidente na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, articulada pelo seu companheiro de partido Renan Calheiros e com voto rebelde até do PSDB. Romero Jucá já disse que a reforma trabalhista só vai a plenário em julho. Após a derrota na CAS, obviamente a sua aprovação é uma grande incógnita.

Imaginem a confiança dos empresários russos para investir no Brasil ao verem os fatos desmentirem gloriosamente toda a segurança do presidente brasileiro apenas algumas horas depois do seu discurso cheio das certezas.

Temer aparentemente está tentando compensar seu absolutamente desastroso mandato com feitos na área da ficção científica.

Se a viagem no tempo para a Rússia Soviética já impressionou os brasileiros, Temer agora inova com uma viagem insana ao seu universo paralelo.

Odiado pela população, rifado pela Globo, vendo o apoio no Congresso derreter e acossado pela PF e pelo MP, o destemido capitão mesóclise simplesmente parte, na velocidade da luz, para um universo alternativo criado por ele mesmo, no qual tudo isso são “fatos desprezíveis” e as reformas serão aprovadas “seguramente”.

Não há qualquer perspectiva de retorno à realidade.
Posted: 23 Jun 2017 10:35 AM PDT
Por Sergio Lirio, na revista CartaCapital:

Em agosto, o sociólogo Jessé Souza lança novo livro, A Miséria da Elite – da Escravidão à Lava Jato. De certa forma, a obra compõe uma trilogia, ao lado de A Tolice da Inteligência Brasileira, de 2015, e de A Ralé Brasileira, de 2009, um esforço de repensar a formação do País.

Neste novo estudo, o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aprofunda sua crítica à tese do patrimonialismo como origem de nossas mazelas e localiza na escravidão os genes de uma sociedade “sem culpa e remorso, que humilha e mata os pobres”. A mídia, a Justiça e a intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza na entrevista a seguir, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não percebe como é usada. “É feita de imbecil” pela elite.

O impeachment de Dilma Rousseff, afirma o senhor, foi mais uma prova do pacto antipopular histórico que vigora no Brasil. Pode explicar?
A construção desse pacto se dá logo a partir da libertação dos escravos, em 1888. A uma ínfima elite econômica se une uma classe, que podemos chamar de média, detentora do conhecimento tido como legítimo e prestigioso. Ela também compõe a casta de privilegiados. São juízes, jornalistas, professores universitários. O capital econômico e o cultural serão as forças de reprodução do sistema no Brasil.

Em outra ponta, temos uma classe trabalhadora precarizada, próxima dos herdeiros da escravidão, secularmente abandonados. Eles se reproduzem aos trancos e barrancos, formam uma espécie de família desestruturada, sem acesso à educação formal. É majoritariamente negra, mas não só. Aos negros libertos juntaram-se, mais tarde, os migrantes nordestinos. Essa classe desprotegida herda o ódio e o desprezo antes destinados aos escravos. E pode ser identificada pela carência de acesso a serviços e direitos. Sua função na sociedade é vender a energia muscular, como animais. É ao mesmo tempo explorada e odiada.

A sociedade brasileira foi forjada à sombra da escravidão, é isso?
Exatamente. Muito se fala sobre a escravidão e pouco se reflete a respeito. A escravidão é tratada como um “nome” e não como um “conceito científico” que cria relações sociais muito específicas. Atribuiu-se muitas de nossas características à dita herança portuguesa, mas não havia escravidão em Portugal. Somos, nós brasileiros, filhos de um ambiente escravocrata, que cria um tipo de família específico, uma Justiça específica, uma economia específica. Aqui valia tomar a terra dos outros à força, para acumular capital, como acontece até hoje, e humilhar e condenar os mais frágeis ao abandono e à humilhação cotidiana.

Um modelo que se perpetua, anota o senhor no novo livro.
Sim. Como essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. E o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo.

Como isso influencia a interpretação do Brasil?
A recusa em confrontar o passado escravista gera uma incompreensão sobre o Brasil moderno. Incluo no problema de interpretação da realidade a tese do patrimonialismo, que tanto a direita quanto a esquerda, colonizada intelectualmente pela direita, adoram. O conceito de patrimonialismo serve para encobrir os interesses organizados no chamado mercado. Estigmatiza a política e o Estado, os “corruptos”, e estimula em contraponto a ideia de que o mercado é um poço de virtudes.
"O ódio aos pobres é intenso"

O moralismo seletivo de certos setores não exprime mais um ódio de classe do que a aversão à corrupção?
Sim. Uma parte privilegiada da sociedade passou a se sentir ameaçada pela pequena ascensão econômica desses grupos historicamente abandonados. Esse sentimento se expressava na irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que, segundo essa elite, tinham se tornado rodoviárias.

A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as universidades. Por quê? A partir desse momento, investiu-se contra uma das bases do poder de uma das alas que compõem o pacto antipopular, o acesso privilegiado, quase exclusivo, ao conhecimento formal considerado legítimo. Esse incômodo, até pouco tempo atrás, só podia ser compartilhado em uma roda de amigos. Não era de bom tom criticar a melhora de vida dos mais pobres.

Como o moralismo entra em cena?
O moralismo seletivo tem servido para atingir os principais agentes dessa pequena ascensão social, Lula e o PT. São o alvo da ira em um sistema político montado para ser corrompido, não por indivíduos, mas pelo mercado. São os grandes oligopólios e o sistema financeiro que mandam no País e que promovem a verdadeira corrupção, quantitativamente muito maior do que essa merreca exposta pela Lava Jato. O procurador-geral, Rodrigo Janot, comemora a devolução de 1 bilhão de reais aos cofres públicos com a operação. Só em juros e isenções fiscais o Brasil perde mil vezes mais.

Esse pacto antipopular pode ser rompido? O fato de os antigos representantes políticos dessa elite terem se tornado alvo da Lava Jato não fragiliza essa relação, ao menos neste momento?
Sem um pensamento articulado e novo, não. A única saída seria explicitar o papel da elite, que prospera no saque, na rapina. A classe média é feita de imbecil. Existe uma elite que a explora. Basta se pensar no custo da saúde pública. Por que é tão cara? Porque o sistema financeiro se apropriou dela. O custo da escola privada, da alimentação. A classe média está com a corda no pescoço, pois sustenta uma ínfima minoria de privilegiados, que enforca todo o resto da sociedade. A base da corrupção é uma elite econômica que compra a mídia, a Justiça, a política, e mantém o povo em um estado permanente de imbecilidade.

Qual a diferença entre a escravidão no Brasil e nos Estados Unidos?
Não há tanta diferença. Nos Estados Unidos, a parte não escravocrata dominou a porção escravocrata. No Brasil, isso jamais aconteceu. Ou seja, aqui é ainda pior. Os Estados Unidos não são, porém, exemplares. Por conta da escravidão, são extremamente desiguais e violentos. Em países de passado escravocrata, não se vê a prática da cidadania. Um pensador importante, Norbert Elias, explica a civilização europeia a partir da ruptura com a escravidão. É simples. Sem que se considere o outro humano, não se carrega culpa ou remorso. No Brasil atual prospera uma sociedade sem culpa e sem remorso, que humilha e mata os pobres.

Algum dia a sociedade brasileira terá consciência das profundas desigualdades e suas consequências?
Acho difícil. Com a mídia que temos, desregulada e a serviço do dinheiro, e a falta de um padrão de comparação para quem recebe as notícias, fica muito complicado. É ridícula a nossa televisão. Aqui você tem programas de debates com convidados que falam a mesma coisa. Isso não existe em nenhum país minimamente civilizado. É difícil criar um processo de aprendizado.

O senhor acredita em eleições em 2018?
JS: Com a nossa elite, a nossa mídia, a nossa Justiça, tudo é possível. O principal fator de coesão da elite é o ódio aos pobres. Os políticos, por sua vez, viraram símbolo da rapinagem. Eles roubam mesmo, ao menos em grande parte, mas, em analogia com o narcotráfico, não passam de “aviõezinhos”. Os donos da boca de fumo são o sistema financeiro e os oligopólios. São estes que assaltam o País em grandes proporções. E somos cegos em relação a esse aspecto. A privatização do Estado é montada por esses grandes grupos. Não conseguimos perceber a atuação do chamado mercado. Fomos imbecilizados por essa mídia, que é paga pelos agentes desse mercado. Somos induzidos a acreditar que o poder público só se contrapõe aos indivíduos e não a esses interesses corporativos organizados. O poder real consegue ficar invisível no País.

O quanto as manifestações de junho de 2013, iniciadas com os protestos contra o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, criaram o ambiente para a atual crise política?
Desde o início aquelas manifestações me pareceram suspeitas. Quem estava nas ruas não era o povo, era gente que sistematicamente votava contra o projeto do PT, contra a inclusão social. Comandada pela Rede Globo, a mídia logrou construir uma espécie de soberania virtual. Não existe alternativa à soberania popular. Só ela serve como base de qualquer poder legítimo. Essa mídia venal, que nunca foi emancipadora, montou um teatro, uma farsa de proporções gigantescas, em torno dessa soberania virtual.

Mas aquelas manifestações foram iniciadas por um grupo supostamente ligado a ideias progressistas...
Só no início. A mídia, especialmente a Rede Globo, se sentiu ameaçada no começo daqueles protestos. E qual foi a reação? Os meios de comunicação chamaram o seu povo para as ruas. Assistimos ao retorno da família, propriedade e tradição. Os mesmos “valores” que justificaram as passeatas a favor do golpe nos anos 60, empunhados pelos mesmos grupos que antes hostilizavam Getúlio Vargas. Esse pacto antipopular sempre buscou tornar suspeito qualquer representante das classes populares que pudesse ser levado pelo voto ao comando do Estado. Não por acaso, todos os líderes populares que chegaram ao poder foram destituídos por meio de golpes.
Posted: 22 Jun 2017 09:13 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Porta-vozes de uma espécie de sabedoria mundial importada de laboratórios ideológicos do império tentam transformar Emmanuel Macron, o novo presidente da França, numa espécie de modelo a seguir no Brasil de 2018.

"Com Macron, a França se afasta um pouco mais de propostas nacionalistas camufladas em discursos modernizantes", escreveu o Globo em editorial (9/5/2017).

Diante da vitória de Macron no segundo turno das eleições parlamentares, onde 75% das cadeiras terão novos ocupantes, o Estado de S. Paulo celebrou: "Tudo indica que a crise de representatividade, que atinge vários países de todos os continentes, está sendo resolvida ali rapidamente e sem maiores abalos." (20/6/2017)

Neste etapa da evolução humana em que a persistente crise do capitalismo produz colapsos econômicos em toda parte, com índices de desemprego e desastres sociais como há muito não se via, dando origem a inevitáveis rupturas na superestrutura política construída ao final da Guerra Fria, a vitória de Macron tem sido celebrada como um ponto fora da curva. Ele é apresentado como o "novo", cercado de políticos igualmente "novos" que, assim, está predestinado a produzir uma França "nova".

No Brasil, um país no qual a falta de credibilidade dos políticos se aponta em cada esquina e em toda roda de amigos, é bom não esquecer um fato didático. Na eleição de 1992, que somou decepções novas e antigas, com José Sarney e com a ditadura de 64, o rosto "novo" de Fernando Collor de Mello comoveu as multidões.

Como ocorre com toda peça de propaganda, seja de sabonete, de um aplicativo para o celular, ou num bom exercício de mistificação política, evita-se debater que novidade é essa, de onde ela veio e para onde se dirige.

Deixando fantasias de lado, na França de 2017 Macron está mais perto da realidade brasileira do que se imagina. Mesmo usando a roupagem de um nome de "centro", do ponto de vista das necessidades da maioria da população, pode ser entendido como uma versão à francesa das reformas que a dupla Temer-Meirelles pretende implantar a ferro e fogo.

É sempre importante sublinhar um ponto essencial. Macron possui a legitimidade insubstituível de um governo eleito, o que deve lhe garantir, ao menos por um bom período, um oxigênio fora de alcance para um governo empossado a partir de um golpe.

Mas até pela origem -- banqueiro do grupo Rotschild -- tem a mesma identidade ideológica com o núcleo que elabora a política econômica em vigor no país desde o golpe. Leram os mesmos autores, frequentaram as mesmas palestras, os mesmos grupos de amigos. O "novo" que anuncia é o velho capitalismo de Estado mínimo, que vigorou na Europa antes das grandes conquistas acumuladas depois da Segunda Guerra, que envolvem uma jornada de trabalho mais civilizada, um bem-estar social que funciona e um padrão de vida longe da barbárie anterior. Sua vitória, assim, foi celebrada pelos interesses inconformados diante da capacidade de resistência dos trabalhadores e da população francesa a sucessivos ataques às conquistas históricas golpeadas há muito tempo na maioria dos países vizinhos, situação que faz a França ser vista à direita como um dinossauro a ser eliminado na primeira oportunidade.

Os limites políticos do apoio a Macron não devem ser ignorados, porém. Não se pode esquecer, por exemplo, que formou na Assembleia Nacional uma maioria de 350 cadeiras sobre 577 num pleito com abstenção recorde, que flagrou candidatos e partidos políticos do país no pior momento de sua história. Um total de 56,6% dos eleitores, ou mais da metade das pessoas com direito de ir às urnas optaram por ficar em casa. Foi assim, numa escolha limitada a um universo de 43,4% do eleitorado, que surgiu uma maioria que ainda por cima é vitaminada artificialmente, por regras eleitorais que estão longe de expressar a relação democrática de 1 homem=1 voto.

Se um critério universal -- o melhor termômetro para expressar as decisões de uma sociedade -- fosse respeitado, Macron estaria muito longe da maioria de dois terços na Assembléia. Não teria sequer 2/3. Sua coalizão ficaria com 197 cabeças, contra o mínimo necessário de 289. Nesta situação, a noção de que o programa de reformas será aprovado sem maiores dificuldades precisará enfrentar um teste decisivo, de uma Assembléia pouco representativa e da resistência das lutas populares, em particular do movimento sindical, um dos mais vigorosos da Europa. Também aí, há algo em comum no destino de Macron e a dupla Temer-Meirelles, cujo programa enfrenta grandes protestos e greves gerais.

Mas há uma diferença importante, porém.

A ascensão de Macron - ele próprio um noviço que rompeu com o PS a poucos meses da eleição - ocorreu num ambiente de desmantelamento do Partido Socialista e desmoralização definitiva do presidente François Hollande. As eleições se realizaram numa situação em que os movimento dos trabalhadores já abandonaram dirigentes que tiveram um papel decepcionante à frente do Estado mas ainda não foram capazes de produzir lideranças de massa capazes de expressar seus interesses e necessidades no plano político. No Brasil, essa liderança se conserva, num ambiente de massacre.

É Lula, como dizem as pesquisas que somam a rejeição às reformas de Temer-Meirelles com o candidato favorito para 2018. Esta situação ajuda a entender as pressões permanentes para retirar Lula da campanha eleitoral. É uma providência política necessária para seus adversários. Permitiria remover o principal obstáculo à fabricação de um consenso conservador capaz de lançar um Macron tropical.

Deu para entender, certo?
Posted: 22 Jun 2017 08:59 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Sobre o fiasco da viagem de Michel Temer ao exterior, a reportagem de hoje do Le Monde, em versão em português pela Rádio França Internacional:

A estrela pálida do Brasil na cena internacional” é o título da análise que o Le Monde traz nesta quinta-feira, assinada pela sua correspondente no país, Claire Gatinois. Segundo ela, o presidente brasileiro ignorou a ameaça da Justiça e foi para Rússia em viagem oficial, posando até mesmo ao lado do chefe de Estado russo Vladimir Putin em um espetáculo do balé Bolshoi, em Moscou.
Para o Le Monde, a viagem, que termina na Noruega nesta sexta-feira, é uma “demonstração do ativismo internacional de um presidente que está “determinado a mostrar que seu país não está paralisado.”

Apesar da Operação Lava-Jato, que revelou um esquema de corrupção com tentáculos mais longos do que o esperado, Temer busca convencer os outros países que o Brasil não se transformou em uma República das Bananas. Segundo o Le Monde, a tentativa é em vão.

A crise moral no país se aprofunda e o mergulha em um ostracismo diplomático. Impossível, lembra o diário, não notar que nenhum chefe de Estado vem visitar o país, contrariamente à época de Lula, admirado por pesos pesados da política internacional como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, por exemplo. Período em que o Brasil também foi escolhido para sediar a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016).

A destituição de Dilma e os escândalos de corrupção também fragilizaram a imagem do Brasil dentro da América Latina, lembram especialistas citados pelo Le Monde, onde o país também não exerce mais uma liderança.

A perda de influência na cena internacional, lembra o Le Monde, começou entretanto com Dilma – economista tecnocrata que nunca foi uma “expert” em política externa, observa o jornal. Foi início de uma derrocada que se concretizou depois do impeachment. Paulo Sergio Pinheiro, ex-secretário dos Direitos Humanos, relator da ONU, diz querer acreditar em um “parênteses maldito”.

Para o jornal francês, o tamanho do Brasil e seus recursos naturais podem ajudar o país virar novamente o jogo e voltar a ser um ator nas questões internacionais. “Mas é necessária uma limpeza de sua paisagem política”, conclui o artigo.
Posted: 22 Jun 2017 08:52 PM PDT

Nesta quarta-feira, 21/6, o Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região (Secor) realizou, no Teatro Municipal Glória Giglio, o seminário “Comunicação: ferramenta de mobilização e resistência dos trabalhadores”, que contou com a presença de, aproximadamente, 300 pessoas, entre sindicalistas, centrais sindicais, partidos, estudantes, autoridades e personalidades da região.

Para enriquecer o discurso, o Secor convidou grandes nomes atuais da luta pelos trabalhadores e pela democracia, sendo eles o membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos; o jornalista, blogueiro e coordenador do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé e autor do livro “A ditadura da mídia”, Altamiro Borges; e a autora do blog Maria Frô, Conceição Oliveira.


Cartel da comunicação no Brasil e senso crítico

Na palestra sobre a comunicação dos trabalhadores e a relação com a mídia, Altamiro falou sobre o cartel da comunicação no Brasil e a falta de espaço popular dentro da imprensa. “A mídia brasileira devia copiar o que há de bom na mídia dos Estados Unidos. Por exemplo, é proibido por lei cartel na comunicação, o que se chama de propriedade cruzada. Uma mesma empresa não pode ter TV aberta, TV fechada, rádio AM, Rádio FM, revista, jornal, internet, cinema. Isso é proibido nos EUA, aqui no Brasil só tem isso”, explicou. Altamiro também alertou sobre o discurso homogêneo da grande imprensa e a alienação da população. “Se a Globo disser uma coisa, eu penso outra. A gente tem que ter mais espírito crítico diante da mídia. O que vir dela, é bom estar com o pé atrás para não servir de massa de manobra e não reproduzir o discurso dominante”.

Manipulação da grande mídia e o poder da mídia alternativa

Por sua vez, falando sobre o poder dos blogs na comunicação alternativa, Conceição analisou as estratégias da grande imprensa para destruir a luta dos sindicatos e movimentos sociais. “A estratégia da mídia hoje é destruir nossa narrativa, então eles nos criminalizam. A greve do dia 28 é um bom exemplo para a gente perceber esse movimento. Segundo eles, não há greve, mas baderna generalizada. Eles não mostraram, por exemplo, o Largo da Batata, em São Paulo, que mesmo sem transporte, recebeu 70 mil pessoas. Ou em Recife, uma coisa enlouquecida, que levou 200 mil pessoas para a rua”, afirmou.

A autora do famoso blog Maria Frô falou ainda sobre a importância do apoio da população à mídia alternativa e como atingir cada vez mais gente através da rede. “A primeira questão que a gente tem que pensar em termos de comunicação na rede é a comunicação para portabilidade. Por que o Mídia Ninja faz tanto sucesso? Ele entra no Facebook ao vivo e a gente vê rapidinho no celular. A comunicação hoje, principalmente pela rede para atingir mais gente, tem que ser pensada para smartphones”.

Movimentos sociais e a mensagem que movimenta

Guilherme Boulos finalizou as palestras da noite falando sobre a impopularidade do governo Temer e as medidas propostas de acordo com o interesse da elite brasileira. “Só um governo como esse poderia aplicar as medidas que está aplicando. Um governo que não foi eleito, que não pretende reeleição, que pode ter só 3% de aprovação e continuar governando. Não tem mais para onde cair! Botaram em pauta a reforma da previdência e a trabalhista e já está muito claro o que elas significam do ponto de vista de destruição de direitos e inviabilidade de sobrevivência da classe trabalhadora. Vale lembrar que eles já aprovaram a terceirização, o ponto que mais interessava para os grandes empresários. Esses três pontos significam, na prática, que essa turma em um ano de golpe fez ruir os principais pactos sociais firmados no Brasil no último século”, afirmou Boulos.

Ao final de sua palestra, ainda reforçou a convocação para a greve geral prevista para a sexta-feira, dia 30/6. “Que a gente faça uma excelente greve no dia 30. Que a gente consiga novamente parar esse país. Aqui em Osasco, o dia 28 foi muito forte! Que vocês tenham a força necessária para repetir a dose e que a gente consiga barrar a aprovação dessas Reformas”.

O presidente do Secor, José Pereira da Silva Neto, e o diretor de comunicação do Sindicato, Carlos Alberto de Sousa, agradeceram a presença de todos os palestrantes e do público no evento. “Levamos informação de qualidade para todos que estavam presentes! Agradecemos ainda a figura do secretário de Cultura de Osasco, Gustavo Anitelli, que cedeu o Teatro Municipal para a realização deste evento”, finalizou Neto.
Posted: 22 Jun 2017 08:50 PM PDT
Por Alexandre Padilha, na revista Fórum:

Uma instituição que atende a milhares de pessoas da cidade de São Paulo, do estado e do Brasil. Que realiza procedimentos de média e alta complexidade e é referência no Sistema Único de Saúde (SUS) em atendimento, ensino e pesquisa. O Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo passa pela pior crise financeira de sua história, chegando a restringir atendimentos no pronto-socorro para apenas casos de urgência e emergência. Além disso, profissionais e alunos tiveram de organizar “vaquinhas” para a compra de materiais básicos.

O Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho, especializado no tratamento de câncer, fazia 300 cirurgias oncológicas mensalmente, que foram reduzidas à metade. Está dispensando pacientes por falta de recursos financeiros.

O Mais Médicos era um programa federal reconhecido mundialmente, que garantiu atendimento desde sua criação a 63 milhões de brasileiros em municípios nas regiões mais remotas do país. Atualmente, deixou 7,7 milhões de brasileiros sem acesso a atendimento de saúde, por conta de pagamentos atrasados a profissionais e cortes nos gastos.

O Farmácia Popular era outro programa federal que beneficiava cerca de 10 milhões de pessoas todos os meses e distribuía medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto, mas teve recentemente decretado o seu fim. Quando completou seu aniversário de 13 anos, para “celebrar” a data o ministro da Saúde anunciou o fechamento de todas as farmácias da rede própria até o final do ano, deixando apenas as unidades privadas credenciadas no “Aqui Tem Farmácia Popular”, que oferecem menos opções. A justificativa, mais uma vez, foi a de cortar gastos – e deixar milhões de brasileiros sem acesso universal ao SUS.

Com graves problemas financeiros, todos esses serviços tiveram pedido de ajuda negado ou foram cortados pelo governo de Michel Temer. Com o discurso de que o governo “já ajuda o suficiente”, a atitude danosa é resultado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que congelou o orçamento destinado à saúde e à educação pelos próximos vinte anos. Chamada por mim de “PEC da Morte”, essa emenda destrói o SUS sem piedade e desmantela a educação de nosso país. A medida foi aprovada pelo Congresso e alterou a Constituição, estabelecendo uma nova forma de destinação dos recursos para os investimentos públicos em geral, em especial para saúde e educação.

Antes da PEC da Morte, os recursos na saúde cresciam de acordo com a progressão do Produto Interno Bruto (PIB), do avanço da economia e da inflação e também da exploração do Pré-Sal. Agora, pelos próximos 20 anos, não haverá mais esses acréscimos, só ocorrendo o repasse do índice da inflação geral, que não é exatamente a mesma da área médica. A inflação cresce em percentuais maiores para a compra de medicamentos, equipamentos, insumo para exames, procedimentos cirúrgicos, entre outros. Além disso, os recursos da exploração do Pré-Sal a cada dia estão sendo repassados para as multinacionais.

Para ter ideia das perdas, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), se em vinte anos o crescimento econômico médio for 0%, a perda estimada será de R$ 200 bilhões. E de R$ 400 bilhões se o crescimento for de 2%.

No orçamento Geral da União de 2017, houve apenas aumento das despesas financeiras – conjunto dos gastos do governo para saldar suas dividas – de 45% para 55%, com a redução de 14% na despesa primária – essencial do governo, que não inclui pagamento dos juros. Com a PEC da Morte o governo reduziu as despesas primárias, só beneficiando o sistema financeiro.

Ontem (21 de junho), fui ao Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho – já citado acima – o primeiro hospital para atendimento de câncer no país e que, desde abril, pede recursos ao Ministério da Saúde. A resposta foi: ‘parem de gastar e parem de atender’, isso sem considerar maior sobrecarregamento do SUS em decorrência da crise econômica. O serviço já teve de desativar 33 dos seus 72 leitos.

De acordo com dados da Agência Nacional de Saúde, ANS, 2,4 milhões de brasileiros perderam seu convênio particular e migraram para o SUS entre 2014 e 2016. Mas isso não faz sentido para o atual ministro da Saúde, que defende a saúde suplementar e a ampliação dos “planos de saúde populares” no atendimento à saúde primária, como exames e consultas, agravando o atendimento secundário que, claro, será no SUS.

Há ainda o desdém com os pacientes que fazem o uso do medicamento Asparaginase para tratamento de leucemia, que o Ministério da Saúde importa e distribui para os hospitais pelo Programa de Prevenção e Controle do Câncer. O ministério mudou o fornecimento de laboratórios dos EUA e da Alemanha para um chinês, sem licitação, e que vem causando preocupação em especialistas, já que o medicamento asiático não possui segurança e eficiência completas.

Cortes e redução de gastos na área da saúde são duplamente nocivos: não trazem resultados positivos no atendimento e muito menos na recuperação econômica. A PEC da Morte de Temer faz mal a saúde e está retardando a recuperação do Brasil.

* Alexandre Padilha é médico, foi secretário municipal da saúde na gestão de Fernando Haddad e ministro nas gestões Lula e Dilma.
Posted: 22 Jun 2017 08:49 PM PDT
Por Roberto Amaral, em seu blog:

Muitos se perguntam: por que, após tantas denúncias, ditadas e repetidas por fontes as mais diversas, e insuspeitas, como a voz dos ex-sócios, Michel Temer ainda não caiu, quando foi tão fácil depor a presidente Dilma Rousseff?

Como se sustenta um presidente sem apoio no voto, ungido ao poder por um golpe de Estado midiático-parlamentar (onde começa a desmilinguir-se seu mando), e desfrutando do desapreço da população de seu país, de quem foge, acuado, escondido no bunker em que foi transformado o Palácio do Jaburu?

Vários fatores podem, no conjunto, constituir uma resposta mais ou menos satisfatória. Mas, antes de mais nada, lembremos que, divergências secundárias à parte, mantem-se de pé a coalizão econômico-política montada lá atrás para assegurar o impeachment. O capital financeiro, o agronegócio, as igrejas pentecostais e suas representações no Congresso e nos grandes meios de comunicação, permanecem unificados em torno das ‘reformas’, eufemismo com o qual se designa o projeto, em curso acelerado, de regressão política, social e econômica do País, cujo alcance paga qualquer preço.

Para esse efeito, Temer é peça secundária, instrumento descartável a qualquer momento. E por que não é jogado ao mar como carga imprestável? Por que a troca de guarda coloca, entre várias outras questões (como a relativa apatia das ruas, o medo dos parlamentares em face dos seus ‘justiceiros’, e o ‘risco Lula’, etc.) dois problemas, para o establishment: um, o modus faciendi do descarte, que precisa respeitar, pelo menos nas aparências mais vistosas, as regras constitucionais, e, dois, a necessidade de que a substituição se faça em segurança, para que no lugar de Francisco se sente Chico, comprometido, como ele, com as ‘reformas’.

Por tais razões, nenhuma porta pode ser aberta, mesmo pela direita, sem o concurso, ora da Câmara dos Deputados (a quem cabe autorizar ou não o impeachment e a abertura de processo contra o presidente), ora do Supremo Tribunal Federal, que, para dizer o mínimo, deixa muito a desejar na sua letargia, no seu partidarismo, sempre atendendo aos movimentos dos cordéis comandados pelo poder.

Lamentavelmente, após um lento processo de corrosão (derivado em elevada potência do desastre do processo político-eleitoral em agonia), apresentam-se derruídas as bases morais e constitucionais dos poderes projetados pela soberania popular (e sobre todos reinam os poderes econômicos e mediáticos), pois estamos em face da falência de representatividade (donde perda de legitimidade) tanto do Legislativo quanto do Executivo – ambos, ademais, acusados de corrupção congênita.

Que dizer de uma Câmara dos Deputados presidida, até ontem, pelo presidiário Eduardo Cunha (hoje por Rodrigo Maia), ou de um Poder Executivo chefiado por Michel Temer, aguardando, em doce vilegiatura pela Europa, a denúncia por crime de corrupção com a qual lhe acenam a PGR e o STF?

Um de seus comparsas, em crise com a chefia, como quase sempre ocorre nos momentos de divisão do butim, resumiu bem, e com a autoridade que ninguém lhe nega, o retrato da organização criminosa: “metade está na cadeia e metade está no Palácio do Planalto”, sua caverna, sua toca.

O Judiciário, por seu turno, faz sua parte, seja como instituição, seja pelo comportamento de alguns de seus membros. Lento e parcial, contraditório em suas decisões (de que deriva a insegurança jurídica), desrespeita direitos amparados pela Constituição e invade áreas do Legislativo e do Executivo. Partidarizado, intervém no processo político, como ao não julgar a liminar sobre a proibição de Lula assumir a chefia da Casa Civil de Dilma Rousseff. Omitindo-se, ardilosamente, abriu, consciente e deliberadamente, o caminho de que as forças golpistas careciam para abrir caminho ao impeachment, do qual se fez coator.

Quando a todos nos parecia que o ridículo, o opróbrio, o inusual, o insuspeitável, o escandaloso teria sido esgotado pelo espetáculo de chanchada chinfrim oferecido pela Câmara dos Deputados na lamentável e cara (sabe-se agora, pelas delações premiadas, quanto de propina custou aquela votação!) sessão de 17 de abril de 2016, quando aceitou a denúncia contra Dilma Rousseff, eis que o julgamento, pelo TSE, do pedido tucano derrotado de desclassificação da chapa vitoriosa em 2014, se transforma em episódio lamentável.

Refiro-me evidentemente, ao comportamento do presidente da sessão (debochado, insolente, mal-educado, rompendo as raias do ridículo), o ainda ministro Gilmar Mendes, ministro do STF e do TSE, advogado militante, empresário do ensino privado, promotor de convescotes com homens de negócios e acadêmicos sem nomeada, assessor de réus que ora julga no tribunal eleitoral, ora julga no Supremo, e, finalmente, com sua família, fornecedor de bois para o complexo JBS.

Com sua falta de educação e contínua deslealdade diante de seus colegas, assusta um acomodado STF que, sem nervos e músculos para impor-se, recusa o dever de chamá-lo à ordem.

Esquece-se porém, o tribunal, que a História não julgará isoladamente este ou aquele ministro, este ou aquele juiz, mas sim o Poder Judiciário, como instituição.

A propósito, vários pedidos de impeachment de Gilmar Mendes foram apresentados ao Senado Federal. De um deles tive a honra de ser signatário (ao lado de Fábio Comparato, Sérgio Sérvulo, Álvaro Ribeiro da Costa e Celso Antônio Bandeira de Melo, entre outros) e do qual foi nosso patrono Marcelo Lavenère, ex-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados. Nosso pedido foi convenientemente recusado pelo então presidente da Casa, o inefável senador Renan Calheiros e contra essa denegação os autores impetraram mandado de segurança junto ao STF. Caiu-lhe como relator o ministro Edson Fachin, que, por sua vez, considerou ‘inadmissível’ a medida. Desta decisão foi impetrado agravo interno que espera julgamento pelo plenário.

Diante desse quadro de crise sistêmica, que nos resta como ‘saída’? A alternativa do impeachment do presidente, que o genro de Moreira Franco não deixa andar (entre outros dorme em suas gavetas o pedido formulado pelo Conselho Federal da OAB), contém, tanto o defeito da morosidade, quanto o de depender da atual Câmara dos Deputados e do atual Senado Federal, dominados, majoritariamente, pela aliança da corrupção deslavada com o baixo clero, e um “centrão” tomado por conservadorismo mais que reacionário. O provável pedido do STF, de autorização para processar Temer, padece da mesma dependência, no caso a prévia licença da Câmara.

O atual Legislativo (confia-se que o STF, não obstante tudo, não lhe siga as pegadas) é a guarda pretoriana do presidente, surdo à voz das ruas, já que os interesses que defende e preserva não coincidem com os interesses de seus supostos representados, pois, falam as pesquisas de opinião de todos os institutos especializados, a quase unanimidade da população repudia o atual governo e defende sua defenestração.

O tucanato, agente decisivo no golpe e base fundamental da sustentação do governo, mesmo agora, vem à luz do dia propor a renúncia de Temer seguida de imediata convocação de eleições gerais, ou seja, a antecipação do pleito de 2018. Não se sabe se FHC já combinou o jogo com Temer, e muito menos com os titulares de mandatos eletivos espalhados Brasil afora, do Senado às câmaras municipais, pois, se é, na atual ordem constitucional, impossível reduzir esses mandatos, a efetividade da proposta passa a depender de uma renúncia coletiva. É preciso acreditar em duendes para apostar em tal evento. Em um ponto, todavia, todos estamos de acordo: o Congresso, que não tem legitimidade para promover reformas tão profundas como as exigidas pelos donos do dinheiro, surrupiando do povo direitos conseguidos há décadas, também não tem legitimidade para eleger o eventual substituto de Michel Temer.

De uma forma ou de outra, há uma evidência: esse governo precisa ser removido e substituído por outro, esse emanado do voto popular. A solução, pois o País não pode permanecer imobilizado quando cresce e se aprofunda o projeto de sua desconstrução, volta-se para a saída de Temer e a convocação, mediante emenda constitucional, de eleições diretas para sua sucessão, de sorte que essa sucessão, não sendo apenas uma troca de seis por meia dúzia, segundo o gosto das classes dominantes, seja a segurança da retomada do desenvolvimento, da defesa nacional, da recuperação dos direitos sociais e trabalhistas.

Eleições diretas não são um fetiche, uma panaceia, mas, sim, a única oportunidade que ainda temos de devolver legitimidade à Presidência da República, mormente quando, sabidamente, só um dirigente legitimado pela soberania popular terá condições morais e políticas de comandar, com o conjunto da sociedade, a árdua tarefa de recuperação política e econômica do País. Qualquer outra tentativa de saída simplesmente aprofundará a crise que continuará crescendo como um insaciável Moloch, para um dia, sem controle, nos devorar.

O povo novamente nas ruas, a rebeldia de nossa gente, a insatisfação transformada em pressão popular, podem – e devem – construir as condições objetivas para a saída do impasse. Daí a importância da unidade dos movimentos populares, a começar pela unidade do movimento sindical, convergindo para uma grande e ampla frente nacional pelas Diretas Já.
Posted: 22 Jun 2017 01:22 PM PDT
Posted: 22 Jun 2017 08:46 PM PDT
Por Igor Fuser, no jornal Brasil de Fato:

Os políticos golpistas instalados no poder em 2016 estão reeditando, com agravantes, as páginas mais vergonhosas da história da política externa brasileira. Tal como em situações constrangedoras do nosso passado, a linha de conduta adotada por José Serra, em sua breve passagem pelo comando do Itamaraty, e levada adiante por seu sucessor e “alter ego”, Aloysio Nunes Ferreira, tem como marca a submissão a interesses estrangeiros e o apoio ativo a forças antidemocráticas no exterior.

Esses elementos estão presentes nas três prioridades que, juntamente com a tarefa inglória de obter reconhecimento externo ao governo ilegítimo de Michel Temer, se estabeleceram em lugar da diplomacia “ativa e altiva” do período anterior: a) alinhamento incondicional aos Estados Unidos em todos os temas, fóruns e instâncias do sistema internacional; b) adesão irrestrita à globalização neoliberal; c) envolvimento ostensivo na campanha internacional para depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro e esmagar a Revolução Bolivariana, devolvendo o poder à direita local, aliada aos EUA.

No primeiro tópico, é inevitável a lembrança da frase que se tornou clássica: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, pronunciada em junho de 1964 por Juracy Magalhães, um político conservador nomeado para a embaixada brasileira em Washington logo depois da quartelada de abril daquele ano. O regime militar, naquele momento, empenhava-se em retribuir a ajuda decisiva dos EUA para a queda de João Goulart.

A afirmação desastrada de Magalhães – que o próprio embaixador estadunidense, Lincoln Gordon, chamou de “infeliz”, em uma conversa privada – sinalizava a reversão radical da política externa independente que vinha sendo implementada no período de Jango pelo chanceler Santiago Dantas.

Uma das primeiras medidas dos golpistas fardados em 1964 foi romper relações com Cuba, sinalizando o engajamento explícito do Brasil na Guerra Fria, do lado dos EUA. Os integrantes da missão comercial da República Popular da China foram presos e expulsos do país. No ano seguinte, o presidente Castello Branco enviou 1.100 militares brasileiros para a República Dominicana em apoio às forças estadunidenses que invadiram aquele país caribenho.

O Brasil só não chegou a enviar soldados para combater ao lado dos EUA na Guerra do Vietnã (havia um “convite” nesse sentido) devido à oposição de parlamentares do próprio partido governista, a Arena, além da falta de disposição dos chefes militares para embarcar numa aventura tão perigosa, em terras distantes.

O país já havia resistido, na década de 1950, a uma campanha de americanófilos mais exaltados que defendiam o envio de tropas para a Guerra da Coreia. Mas passou pelo vexame, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1950), de romper relações com a União Soviética por iniciativa própria, sem uma justificativa clara e até mesmo na ausência de pressão externa nesse sentido (outros países latino-americanos, igualmente alinhados aos EUA, mantiveram seus laços diplomáticos com Moscou naquele período). Dutra quis ser “mais realista que o rei”, uma postura que o levou, no mesmo contexto, a colocar na ilegalidade o Partido Comunista, em 1947.

Hoje não existe mais Guerra Fria, mas a diplomacia golpista já deixou claro, desde o início, seu distanciamento perante a Unasul, a Celac e o Brics, iniciativas que claramente colocam limites à hegemonia global dos EUA. Em sentido inverso, optou pela valorização da decadente Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja subserviência a Washington levou Fidel Castro a chamá-la de “Ministério das Colônias”.

A ironia do momento atual é o abandono de qualquer noção de interesse nacional pelos mesmos políticos, jornalistas e funcionários que, no governo anterior, denunciavam como “ideológico” o comportamento dos formuladores de política externa, enquanto eles, em contraste, adotavam a pose de pragmáticos defensores de uma diplomacia “de Estado e não de partido”.

Eu pergunto: onde está o legítimo interesse brasileiro em um ato provocativo como a promoção do diplomata Eduardo Sabóia – punido por indisciplina em 2013 por trazer para o Brasil, escondido num carro da nossa embaixada em La Paz, um ex-senador boliviano processado pelo Judiciário do seu país por corrupção e pelo envolvimento num massacre de camponeses – para o cargo de mais alto da carreira no Ministério das Relações Exteriores, o de ministro de primeira classe?

Os golpistas que agora agem como se fossem donos do Itamaraty desprezam a importância de manter relações amigáveis com a Bolívia, país vizinho com o qual compartilhamos milhares de quilômetros de fronteira e mantemos relevantes laços econômicos e sociais.

No plano das relações econômicas internacionais, o governo golpista trata de colocar em prática o programa do candidato do PSDB derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves, com destaque para o rebaixamento do Mercosul ao transformá-lo de união aduaneira em uma simples zona de livre comércio. Logo após o afastamento de Dilma Rousseff em abril de 2016, o chanceler golpista José Serra já começou a se mover, afoito, no sentido de levar o Brasil para o Acordo Transpacífico de Comércio e Investimentos, porém… chegou tarde demais.

Foi atropelado por Donald Trump. No contexto da inflexão protecionista da política comercial estadunidense,Trump detonou, sem perda de tempo, o mega acordo gestado pela dupla Obama & Hillary, deixando os vira-latas brasileiros a ver navios.

Como em episódios históricos anteriores de subserviência ao Império, os neoliberais tupiniquins tentavam se mostrar mais liberais do que os senhores do neoliberalismo global, aos quais prestam vassalagem. Qualquer semelhança com os tempos de Fernando Collor, que chamou os automóveis brasileiros de carroças e levou setores inteiros da indústria nacional à falência com uma abertura comercial indiscriminada e sem contrapartidas, é mais do que coincidência.

Mas o verdadeiro vira-lata nunca desiste, e lá vem de novo a diplomacia temerária abanando o rabo para o Primeiro Mundo, agora em busca de uma vaga na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o “clube dos ricos” – como bem apontou o analista político Marcelo Zero.

A submissão do desgoverno Temer aos interesses externos vai muito além dos gestos simbólicos, como se vê na gestão entreguista de Pedro Parente na Petrobrás. O difícil, aí, é saber qual é o crime mais grave: a transferência, por preços escandalosamente abaixo do valor real, de preciosos blocos petrolíferos no pré-sal a empresas transnacionais ou a destruição das regras de conteúdo local, estabelecidas no governo Lula para favorecer o desenvolvimento da indústria e da tecnologia brasileiras na cadeia produtiva do pré-sal?

A tudo isso se agrega a reabertura das conversações para a entrega do centro de lançamento de foguetes de Alcântara (Maranhão) às Forças Armadas dos EUA. Essas tratativas tinham sido iniciadas na gestão de Fernando Henrique Cardoso e suspensas por Lula após a sua posse em 2003. Se uma base militar estrangeira em território nacional era só o que faltava no cenário tenebroso do pós-golpe, em breve não faltará mais, a menos que a resistência da sociedade brasileira impeça este novo atentado à nossa soberania.

E o que dizer do uso do Mercosul e da OEA pela diplomacia de Temer e de outros países latino-americanos alinhados ao imperialismo como plataformas para a desestabilização do governo venezuelano? Mais uma vez, os operadores políticos da grande burguesia brasileira retiram a máscara “republicana” que usavam ao acusar os governos progressistas de se guiarem no cenário externo por “ideologia” e agora se colocam, às claras, como força auxiliar da direita venezuelana mais truculenta na sua ofensiva para derrubar o presidente Maduro.

O bando de Temer ameaça reviver, também na esfera das relações sul-americanas, episódios lamentáveis da história da política externa nacional. Nos tempos da ditadura, os militares do Brasil atuaram na região como cães de guarda dos EUA, justificando a fama do nosso país como subimperialista. Em 1973, o Estado brasileiro participou ativamente da derrubada do governo democrático e socialista de Salvador Allende, no Chile.

A embaixada brasileira em Santiago funcionava como centro de operações dos conspiradores e canal por onde fluía o dinheiro de empresários brasileiros que financiaram grupos fascistas chilenos. O Brasil esteve entre os primeiros países que reconheceram o regime assassino de Augusto Pinochet e, nos meses seguintes, agentes do aparato repressivo brasileiro estiveram em Santiago para ensinar técnicas de tortura aos seus colegas chilenos.

Muitos dos elementos da tragédia chilena estão presentes na Venezuela atual: os métodos de sabotagem econômica utilizados pela burguesia para gerar uma situação artificial de escassez, e a campanha sistemática das grandes redes internacionais de mídia para criar uma matriz de opinião negativa em relação ao governo popular, entre outras coisas.

Agora a escalada do conflito político na Venezuela já atingiu um ponto de pré-guerra civil, com ataques de grupos paramilitares a edifícios públicos, assassinatos de ativistas de esquerda e o uso de armas de fogo por manifestantes supostamente “pacíficos”.

Diante de uma situação tão dramática no país vizinho, caberia ao governo brasileiro, qualquer que fosse sua inclinação ideológica, atuar no sentido de diluir as tensões e contribuir, como mediador, para o diálogo com vistas a uma solução política, nos marcos da Constituição.

Mas os representantes do Brasil fazem exatamente o contrário do que se poderia esperar de autênticos diplomatas – lançam gasolina no incêndio, estimulando as facções mais violentas da oposição e utilizando de forma oportunista o peso político do Brasil nas organizações internacionais com a intenção de isolar o governo legítimo de Maduro.

A irresponsabilidade é a marca da conduta das autoridades brasileiras perante a crise venezuelana. Já não se trata de questionar, simplesmente, a opção política da “diplomacia” de Brasília ao apoiar de modo escancarado a oposição direitista em sua investida para reverter as conquistas sociais da Revolução Bolivariana e devolver o poder à oligarquia local.

Está em jogo algo muito mais grave. O conflito do outro lado da fronteira já começa a envolver diretamente o Brasil, com a chegada crescente de venezuelanos ao estado de Roraima, e põe em risco interesses permanentes da nossa pátria – a paz e a soberania.

Será que é do interesse nacional uma intervenção militar dos EUA – sob o pretexto de “ação humanitária”, é claro – bem ali na nossa fronteira amazônica? É do interesse nacional uma guerra civil no país vizinho? Uma conflagração desse tipo trará para o Brasil, entre outras consequências, o ingresso de multidões de refugiados no nosso território, a violação das fronteiras pelas forças beligerantes e o tráfico de armas, sem contar o agravamento do conflito político no nosso próprio país, com a mobilização de setores opostos da sociedade brasileira em apoio aos dois lados em luta na Venezuela.

Se isso acontecer, será mais um crime a ser atribuído não só ao grupinho de Temer, mas a toda a aliança política envolvida no golpe de Estado de 2016 – empresários, magistrados, mídia e partidos, principalmente o PSDB, que na repartição do butim entre os golpistas recebeu de presente o Itamaraty.
Posted: 22 Jun 2017 04:16 PM PDT
Da Rede Brasil Atual:

A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou ontem (21) a veiculação do site Falha de S.Paulo – uma paródia do jornal Folha de S.Paulo. Por quatro votos a um, o colegiado entendeu que a proibição, pedida pela Folha, era uma tentativa de censura e fere à irreverência do direito ao entretenimento. O site estava fora do ar desde que o processo começou, em 2010.

O colegiado também rejeitou a tese da violação de marca, por usar tipologia semelhante, mas o ministro Luís Felipe Salomão rejeitou a tese, já que os dois veículos podem ser reproduzidos se destinadas a fins diferentes.

O jornalista Lino Bocchini, criador da paródia, celebrou a vitória em seu Facebook. "Foram 7 anos de batalha nos tribunais, muitos recursos pra lá e pra cá. Já nem tínhamos mais dinheiro para mandar nossos valorosos advogados para acompanhar as sessões (e eles com um escritório poderoso acompanhando tudo e visitando ministros). E eis que... vitória da liberdade de expressão! Uma ótima notícia para todos, inclusive para a Folha, porque a jurisprudência que se abriria seria horrorosa inclusive para eles!", publicou.

O julgamento estava parado desde o dia 21 de fevereiro, por pedido de vista do ministro Raul Araújo.

A Folha também alegou no processo que a Lei de Direitos Autorais proíbe as paródias que "sejam verdadeiras reproduções da obra originária" e que lhes causem "descrédito". Em seu voto, Salomão rejeitou a tese, pela "considerável carga subjetiva" do termo "descrédito", diante da proteção à paródia pela liberdade de expressão. "A ironia e a crítica são a essência da paródia e quando a lei prevê e protege esse tipo de manifestação e expressão está protegendo a irreverência do conteúdo apresentado."

O voto de Salomão foi acompanhado pelos ministros Raul Araújo, Antônio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti. O relator Marco Buzzi, que defendia o fim do jornal humorístico, foi vencido no caso.
Posted: 22 Jun 2017 08:33 PM PDT
Do blog Nocaute:

Deputados e senadores formaram na quarta-feira (21/6) a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional. Composta por 19 senadores e 201 deputados, a Frente é presidida pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR). A vice-presidente é a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

“A Frente em Defesa da Soberania Brasileira vai contra, fundamentalmente, o domínio do capital financeiro e essa história de privatizar o petróleo, a Petrobras. O petróleo nacional é o sangue do desenvolvimento de qualquer país moderno. Não podemos admitir que quando o mundo inteiro resolve crises de recessão com investimentos públicos (…) que o Brasil encolha investimentos, reduzindo salários e acabando com a demanda interna”, declarou Requião.

A frente tem oito principais eixos de ação: defender a exploração eficiente dos recursos naturais, como o petróleo; garantir uma infraestrutura capaz de promover o desenvolvimento do país; fortalecer a agricultura nas exportações, mas também na alimentação dos brasileiros; estimular o crédito e o capital produtivo nacional; defender o emprego e o salário; garantir um sistema tributário mais justo; consolidar as Forças Armadas na defesa da soberania; e assegurar uma política externa independente.

“O que nós estamos vendo no Brasil é um projeto entreguista, para acabar com qualquer visão consistente de soberania nacional. Um governo que está entregando a Petrobras para grupos estrangeiros, que quer privatizar a água e vender o solo sem limites para especuladores num momento de recessão”, disse Requião.

Para a senadora Vanessa Grazziotin, a Frente em Defesa da Soberania Nacional as reformas trabalhista e previdenciária, em tramitação no Congresso, representam uma ameaça à soberania.

“A primeira grande tarefa é barrar essa reforma trabalhista. Nem tudo está perdido. Muitas vezes as coisas são difíceis, mas nada é impossível”, afirmou Vanessa Grazziotin.

Participaram da instalação da Frente os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), José Pimentel (PT-CE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Paulo Rocha (PT-PA) e Regina Souza (PT-PI). Também integram o grupo os senadores Armando Monteiro (PTB-PE), Elmano Férrer (PMDB-PI), Fátima Bezerra (PT-RN), Hélio José (PMDB-DF), Jorge Viana (PT-AC), Lídice da Mata (PSB-BA), Omar Aziz (PSD-AM), Paulo Paim (PT-RS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Romero Jucá (PMDB-RR) e Wellington Fagundes (PR-MT).

Projeto Nação Brasil

Participaram do lançamento o ex-ministros Luiz Carlos Bresser Pereira (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Samuel Pinheiro Guimarães, apresentando o Projeto Nação Brasil, uma iniciativa que reúne intelectuais para divulgar um manifesto com medidas econômicas para a retomada do crescimento.

“Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono. (…) A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito.A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano”, consta no texto.

No evento, Celso Amorim questionou a Emenda Constitucional 95, que impõe um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, proposta por Temer.

“O que há no Brasil não é nem uma política neoliberal. É um vendaval neoliberal. Eu nunca vi em lugar nenhum do mundo o congelamento por vinte anos das despesas públicas por emenda constitucional. Nem nos países mais defensores do neoliberalismo uma coisa dessas acontece. É gritantemente contra a soberania nacional”, disse Celso Amorim.

Samuel Pinheiro Guimarães, ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, afirmou que a soberania do país “está em grave risco”. O diplomata criticou a gestão do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

“Esse programa econômico do senhor Meirelles está sendo imposto ao povo brasileiro de forma ilegal e ilegítima, por processos parlamentares equivocados. E esse programa imposto é algo que saiu das urnas? Não. Ele cumpre o Consenso de Washington, em todos os seus itens, e cumpre também o programa do Fundo Monetário Internacional”, declarou.

Clique aqui para acessar o manifesto.
Posted: 22 Jun 2017 06:11 PM PDT
Do blog Resistência:

O vice-presidente do Equador Jorge Glas esteve, na última terça-feira (20), na Comissão de Fiscalização da Assembleia Nacional, onde assegurou que há, no Equador, um processo em curso para dar um golpe de Estado brando, contra o atual governo.

“Há um processo sistemático que tenta desacreditar o governo (…) Está em marcha no Equador um golpe de Estado brando, porém não vencerão” enfatizou o segundo mandatário, em relação à posição de certos setores que propõem o seu julgamento pela sua responsabilidade política no tratamento de setores estratégicos, nos quais foram detectados casos de corrupção.

“Este processo, que tem muitas similaridades com o que ocorreu no Brasil, esconde processos de desestabilização democrática para uma volta ao passado”, afirmou.

O vice-presidente Glas, que se dirigiu ao Legislativo, por iniciativa própria, para explicar a sua responsabilidade política na direção dos setores estratégicos no governo anterior, fez uma ampla exposição dos planos e projetos executados nos setores de hidrocarburetos, eletricidade, telecomunicações, entre outros, que tanto beneficiaram o país.

A intervenção do vice-presidente durou mais de quatro horas, sendo que ele respondeu às inquietudes dos delegados das diferentes bancadas legislativas, esses temores se baseiam principalmente no caso Odebrecht e apontavam para a responsabilidade política do mandatário.

A esse respeito, Glas assinalou que não tem nada a ocultar e deseja que se investigue tudo o que deva ser investigado. Recordou que seu patrimônio já foi auditado e que se encontra à disposição para submeter-se à auditoria, tantas vezes quantas sejam necessárias.

“Investigar tudo e todos (…) tenho claro meu papel histórico: primeiramente defender os 10 anos da Revolução Cidadã com a justiça e a verdade”, expressou.

Em sua exposição detalhou os casos de corrupção denunciados pelo próprio governo. Neste sentido, disse que “enquanto todos a estão difamando, a Revolução está denunciando”.

Glas defendeu que seja impulsionada uma iniciativa para que se investigue quarenta anos do passado e um igual número de anos no futuro.

“Se alguém quiser continuar me difamando, o desafio a ir à Fiscalização (…) e que investigue tudo e todos”, ressaltou.

Acerca da investigação a um parente seu, no âmbito da corrupção da empresa brasileira, o vice-presidente assegurou que o processo está sendo apurado e, no caso de se determinar alguma responsabilidade, o acusado responderá à justiça.

“Venho com a verdade para poder explicar em detalhes a responsabilidade política (…) Apresento-me aqui como um homem de honra que sou”, declarou ao início da sessão qualificada como histórica, devido ao fato de que o próprio vice-presidente pediu pra ser recebido pela Comissão, para prestar esclarecimentos.

“Da minha parte sempre haverá respeito à honra alheia”, declarou ao se referir às infâmias das quais foi vítima durante a última campanha eleitoral; e questionou como certos políticos, referindo-se ao ex-presidente Abdalá Bucaram, voltam ao país, após 20 anos, “não por terem enfrentado um processo judicial, mas porque tal processo prescreveu”.

“Não fui a lugar algum e nem vou ao Panamá, Miami ou Peru (…) minhas mãos estão limpas, só me ajoelho perante a Deus, para estar em pé perante aos homens”, declarou, assinalando a necessidade de uma norma internacional que impeça que “quaisquer corruptos possam esconder-se em lugar algum do planeta, mas que sempre respondam por suas ações”.

“Meu patrimônio é público, vivo do meu salário e do de minha esposa, não tenho contas em paraísos fiscais”, ressaltou ao propor uma investigação dos atos de corrupção no país, nos últimos 40 anos.

Glas declarou que a luta contra a corrupção não é um tema de denúncias baseadas em recortes de jornais, “mas um tema sério, que dever ser tratado com responsabilidade”.

* Tradução de Maria Helena De Eugenio.

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