domingo, 25 de junho de 2017

25/6 - Os Amigos do Presidente Lula DE 24/6

Os Amigos do Presidente Lula


Posted: 24 Jun 2017 10:01 AM PDT


Uma pesquisa do Datafolha  divulgada hoje mostrou que a aprovação do governo de Michel Temer continua em queda. Apenas 7% dos brasileiros consideram o governo como ótimo ou bom.

A impopularidade do peemedebista aumentou mais após a divulgação da delação da JBS, que caiu como uma bomba sobre o Palácio do Planalto já que o empresário Joesley Batista, sócio da JBS, gravou uma conversa com o presidente em março relatando crimes. O encontro aconteceu depois das dez horas da noite, fora da agenda do presidente na residência oficial.

Atualmente, a gestão Temer é considerada ruim ou péssima por 69% do eleitorado e regular por 23%. Dois meses atrás, a sua taxa de ruim e péssimo estava em 61% e a de ótimo ou bom, em 9%. Aqueles que o consideraram regular somavam 28% no final de abril.

Não souberam responder como avaliam o governo 2% dos entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais e para menos. A nota do presidente caiu de 3 para 2,7.Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o cenário fica mais desfavorável para o presidente Temer entre as mulheres, os jovens e os mais pobres, em comparação com a média da população.

Sua taxa de ruim e péssimo chega a 73% entre o eleitorado feminino, a 74% entre os eleitores de 25 a 34 anos e a 71% para aqueles cuja renda familiar mensal é de até dois salários mínimos.No Nordeste, a reprovação a Temer fica acima da média, 77%, e no Sul, abaixo: 61%

Entre os entrevistados com ensino fundamental completo, a reprovação de Temer fica em 64% e sobe para 71% entre aqueles que concluíram o ensino médio e 70% entre os com superior completo.O cenário só muda com o eleitorado de renda média familiar superior a dez salários mínimos, onde seu governo é considerado bom ou ótimo por 15%, regular por 30% e ruim ou péssimo por 55%.

A maioria da população, 76%, é a favor da renúncia de Temer, enquanto 20% são contra sua saída da Presidência. Caso não haja renúncia, 81% dos entrevistados são a favor da abertura de um processo de impeachment e apenas 15% rejeitam essa possibilidade.
Posted: 24 Jun 2017 09:59 AM PDT


Desenhada como uma janela de oportunidade para tentar evitar o noticiário negativo em casa, a viagem de Michel Temer à Europa ganhou contornos de definidora de caminhos. Quando não de desastre.

Isso porque a visão idealizada inicialmente fracassou. Mesmo sob a intensa e vigiada etapa russa da viagem, Temer foi colhido por um agravamento da situação política em casa.

Enquanto pulava relativamente incólume de ter de falar com a imprensa de evento em evento, o presidente viu sua base de apoio desagregar-se na hora de votar uma etapa da reforma trabalhista. E isso foi no Senado, Casa em que Temer tem em tese uma maioria confortável, diferentemente da cada vez mais instável Câmara dos Deputados.

A derrota na Comissão de Assuntos Sociais foi tão inesperada que a apoplexia colheu os membros da comitiva presidencial. Ninguém entendeu como a base aliada poderia agir contra um presidente fora do país –um anacronismo em termos logísticos, é fato, mas que encontra raízes profundas na história brasileira.

Com parte do PMDB, do PSDB e do PSD agindo de forma rebelde, a luz amarela acendeu justamente enquanto o presidente desfilava sem Moscou com sua comitiva -que incluía o líder tucano no Senado, Paulo Bauer (SC), saudado como uma espécie de patrono da filial brasileira do balé Bolshoi no Brasil.

Isso para não falar no noticiário policial da Operação Lava Jato, que agora atinge Temer quase que de forma diária. Evasivas foram o melhor que o peemedebista conseguiu oferecer na capital russa.

Ao chegar à democrática Noruega, o quadro agravou-se pelo fato de que Temer foi exposto a, bom, mecanismos democráticos como a exposição pública. Saiu de cena o formalismo rígido de Vladimir Putin, e entrou em cena a premiê local, que nada menos do que cobrou do mandatário brasileiro um fim para a corrupção no Brasil.

A armadilha norueguesa era ainda mais eficaz. O governo local aproveitou a presença de Temer para cortar parte da ajuda financeira que fornecia ao combate ao desmatamento, para o sorriso amarelo do ministro Sarney Filho e sua antológica frase sobre a autoria divina do processo de derrubada de árvores.

E houve Temer, que demonstrou uma falha na sua usual habilidade diplomática. Cometeu gafes, chamando o rei de um país como de outro, e demonstrou um desconhecimento de protocolo ao desmanchar-se em elogios provincianos à recepção de gala que recebeu de Putin –um chefe de Estado que o esnobara meses atrás.

A resultante da viagem foi desastrosa para o governo. A ideia corrente de que "a crise viajou" ganhou uma interpretação novidadeira, já que ela conseguiu se ver agravada por fatores internos, inabilidade externa e a inusual agressividade da anfitriã escandinava.

Agora, o peemedebista terá de tratar de tentar remendar o esgarçamento ampliado de seu tecido de apoio congressual, o maior ativo que vinha demonstrando até aqui. Não por acaso, Temer insistiu tanto na Rússia como na Noruega que encima uma espécie de sem-parlamentarismo, dado o poder de congressistas em sua gestão.

A afirmação é verdadeira. Há uns 40 dias, o viés positivo seria facilmente empacotável para a audiência externa, tamanha a agenda encaminhada no Congresso.

Agora, o contrário é igualmente verdade, e o Planalto terá que trabalhar para não ser devorado na hora da apresentação da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente, que precisa ser admitida pelo plenário da Câmara.

Com tudo isso, Temer inaugurou um novo padrão de crise em modo de viagem. Se não é dramático como o que atingiu João Goulart tendo de engolir o parlamentarismo para assumir em 1961, nem tampouco é benigno para assegurar o "sucesso" alardeado pelo presidente em suas falas que, para ironia histórica, propagandearam uma espécie de governo compartilhado com o Parlamento que irá ou não dificultar sua vida na Justiça.Editorial da Folha

Nenhum comentário:

Postar um comentário