sábado, 3 de junho de 2017

2/6 - Pragmatismo Político DE 1/6

Pragmatismo Político


Posted: 01 Jun 2017 08:18 PM PDT
pai HIV abusa menina 9 anos
Menina de 9 anos foi abusada pelo pai portador do vírus HIV
Um homem de 34 anos foi preso nesta quarta-feira (31) pela Polícia Militar em Cuiabá (MT) por estuprar a própria filha de apenas 9 anos.
De acordo com os policiais que realizaram a prisão, a menina passou por exame feito pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ainda no local, que confirmou que ela havia sofrido violência sexual. As informações são da mídia local.
A madrasta da criança, de 26 anos, companheira do agressor, afirmou aos policiais que ele é portador do vírus HIV. A menina foi levada pelo Samu para uma unidade pública de saúde.
Segundo as primeiras informações, a criança passou a noite sozinha com o pai e outros dois irmãos depois que a madrasta saiu de casa após uma discussão.
Quando voltou para casa, pela manhã, a mulher encontrou a menina de 9 anos dormindo enrolada em um lençol ensanguentado. Ao indagá-la sobre o que havia acontecido, a criança começou a chorar.
A madrasta confirmou para a polícia que discutiu com o homem na noite de terça-feira (30) e saiu de casa, deixando a enteada e outros filhos.
Uma vizinha conversou com a menina violentada, que contou que acordou com o pai em cima dela.
A polícia descobriu que o pai da menina já tem várias passagens criminais por homicídio, roubo, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal (Lei Maria da Penha).
Para preservar a identidade da criança, a polícia não revelou os nomes do pai nem da madrasta.
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Posted: 01 Jun 2017 07:10 PM PDT
Gustavo Mendes Danilo Gentili
(Imagem: Gustavo Mendes interpretando Dilma Rousseff)
Em um vídeo publicado nas redes sociais (assista abaixo), o humorista Gustavo Mendes, famoso por fazer imitações da ex-presidente Dilma Rousseff, detona o apresentador Danilo Gentili, do SBT, enquanto analisa o humor politicamente correto nas mídias.
“Eu sou um comediante que eu sofreu um pouco quando estive na TV Globo, porque era um tempo em que o humor era um politicamente correto no sentido de ser sempre a mesmice. Era sempre falar da loira, do bêbado… e aí nós chegamos nesse momento em que está hoje, um momento muito bom em que o humor conseguiu quebrar algumas barreiras do politicamente correto e entrar até na questão política mesmo”, inicia.
“Só que eu nunca imaginei que um comediante da nova geração fosse usar um espaço de TV aberta para ser um completo imbecil, fazendo do termo ‘politicamente correto’ um novo termo. Antigamente o ‘politicamente correto’ era para fazer piadas velhas, hoje o politicamente correto é para ser reacionário, imbecil, preconceituoso, machista e racista”, afirma.
[…]
“Enfim, é uma questão que eu quero entender: como é que alguém que vive o drama do humor, que sofre por defender a liberdade de piadas, se volta e torna-se um reacionário?”, alfineta.
“Por mim, tem duas opções: ou é uma doença grave ou tem dinheiro envolvido. Eu quero acreditar que seja uma doença”, finaliza.
Na internet, o vídeo já repercute.
“Escandaloso mesmo é existirem pessoas que conseguem rir do deboche e da vulgaridade do pseudo “humorista”, muito mal humorado. Danilo Gentili é um idiota rematado, primário e inculto. Imagino a tristeza que Chico Anysio deva estar sentindo, esteja onde estiver, por ver uma Gentili excrecência ser chamado de humorista”, escreveu um rapaz.
“Gostei da entrevista do humorista, mas o problema do imbecil que ele citou não tem nada a ver com doença, é reacionarismo galopante. A matéria prima do “humor” dele é, essencialmente, o que está na cabeça do senhor de engenho da Casa Grande. Quase quatro séculos de escravidão contribuíram decisivamente para gerar uma sociedade patriarcal, desigual, preconceituosa e profundamente injusta. O imbecil se julga moderno, por conta dos simulacros de piada “politicamente incorretos” que conta, mas é apenas um porta-voz do que há de mais atrasado na sociedade brasileira”, observou outro internauta.
VÍDEO:
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Posted: 01 Jun 2017 11:52 AM PDT
bombado academia de direita
Para todo mundo que odeia academia, vem, senta aqui. Essa é pra você. A ciência – ciência objetiva, empírica, testada; a ciência que diz que as calotas polares estão derretendo – confirmou o que muita gente suspeitava: bombados de academia tendem a ser de direita.
Uma nova pesquisa da Brunel University descobriu que homens fisicamente fortes que frequentam academia têm mais chances de serem de direita e apoiarem desigualdades sociais e econômicas. Isso explica muita coisa, tipo aquele aperto de mão forçado do Trump – ele só está tentando mostrar sua supremacia sobre outros babacas sem consideração!
Uma equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Michael Price abordou 171 homens entre 18 e 40 anos, coletando dados sobre altura, peso, medida da cintura, muscularidade e força dos braços e peito usando um scanner 3D. Eles também analisaram suas visões políticas e sociais, perguntando se eles apoiavam a redistribuição de riqueza (um ponto-chave do socialismo) ou acreditavam que algum grupo social deveria ser dominante sobre os outros. Os participantes também responderam com que frequência iam à academia e perguntas sobre sua saúde pessoal. Além disso, os homens eram categorizados de acordo com sua beleza facial, masculinidade e dominância percebida por um grupo de assessores independentes.
“Sempre me interessei pela evolução da moralidade humana”, disse Price à VICE. “Com os anos, comecei a reconhecer uma correlação forte entre tamanho e forma do corpo masculino e atitudes morais e políticas, e não encontrei isso em mulheres. Então eu queria fazer um estudo em larga escala observando a forma física dos homens em relação ao que eles achavam de igualdade.”
As novas descobertas se baseiam em pesquisas anteriores, acrescenta o pesquisador, que sugerem que homens musculosos têm mais chance de apoiar militarismo e guerra. No passado, pesquisadores descobriram uma correlação significativa entre homens que eram formidáveis fisicamente e suas crenças de que alguns grupos sociais deviam dominar outros.
A descoberta de Price? Que caras ricos em músculos são os piores! Embaixo daquele tanquinho de pedra tem um coração de pedra que não acredita em compartilhar suas riquezas. “É basicamente sua tolerância com a ideia de que riqueza não deve ser redistribuída”, o Dr. Price explica. “Algumas pessoas acham isso horrível, outras acham normal.”
E de maneira muito fascinante, quanto mais tempo os homens passavam na academia, maiores são as chances de eles terem crenças socioeconômicas menos igualitárias. E aí chegamos à lógica Tostines: as academias estão transformando os homens em babacas que acham que têm direito sobre tudo, ou eles se reúnem nas academias porque nasceram assim? É um enigma difícil, com certeza.
Sirin Kale, Vice
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Posted: 01 Jun 2017 11:41 AM PDT
humorista demitida eu trump sbt danilo gentili
CNN demite humorista que publicou vídeo com Trump ‘decapitado’ e Danilo Gentili continua com programa no SBT (Imagem: Pragmatismo Político)
Kiko Nogueira, DCM
O fato mais escandaloso acerca do ataque indigente de Danilo Gentili a Maria do Rosario é ele ainda estar empregado no SBT.
Silvio Santos continua, portanto, o maior patrocinador de um discurso de ódio abjeto.
O repúdio generalizado — me refiro a quem tem bom senso — deveria levar o dono da emissora a tomar a atitude óbvia de desligar o ex-humorista.
Ao não fazê-lo, Silvio se torna cúmplice da ignomínia e dá a Gentili o salvo conduto para subir o tom da barbárie mais e mais.
Igualmente ensurdecedor é o silêncio dos demais funcionários. Ninguém, em departamento algum, se manifestou.
É coisa de uma empresa doente, num país idem em tempos doentios.
Compare ao que acaba de ocorrer nos EUA.
A CNN mandou embora a comediante Kathy Griffin depois que ela publicou um vídeo em que aparece segurando a cabeça ensanguentada de Donaldo Trump.
Seu colega de longa data, o âncora Anderson Cooper, pontuou que ficou “chocado” e que considerava a imagem “nojenta e completamente inapropriada”.
Kathy, que apresentava o tradicional programa de Ano Novo da casa, pediu desculpas, falando que “foi longe demais”. Não há liberdade de expressão que justifique uma aberração desse quilate.
A CNN é abertamente crítica a Donald Trump, que a acusa de fabricar “fake news”.
Numa coletiva durante a campanha, ele deu uma dura numa repórter. A “organização” para a qual ela trabalhava era “terrível”.
Ainda assim, a CNN se recusou a bancar alguém que passou claramente do limite da civilidade. A sociedade exige uma providência.
Por aqui, seguimos rumo ao penhasco enquanto gente como Silvio, do alto de sua iniquidade, financia fascistas seguidos por outros fascistas.
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Posted: 01 Jun 2017 11:24 AM PDT
arte intolerância aula professor política
Janderson Lacerda Teixeira*, Pragmatismo Político
A aula estava prestes a começar. A sala não era tão ampla, mas continha o necessário para que fosse ministrado o magnífico curso de trompete para iniciantes.
O professor, Vladimir Puskas, 46 anos, fronte calva, pele clara, estatura mediana e um pouco acima do peso, herança de uma crise conjugal que o levara ao divórcio e, consequentemente, a uma alimentação desregrada e ao consumo excessivo de álcool nos últimos meses, inicia a aula ao som de Chet Baker.
O Professor cumprimenta os alunos, ainda ao som, baixinho, de Baker, e faz algumas recomendações em relação ao curso. Evita apresentações pessoais, afinal o que interessa e os une naquela sala é a paixão pelo trompete.
Vladimir pede aos alunos que fiquem em pé e orienta-os a segurarem seus trompetes com a mão esquerda. Antes de prosseguir recomenda aos discentes quanto ao zelo que devem ter com o instrumento.
Solicita, então, que o trompete, ainda, seguro pela mão esquerda dos alunos, seja mantido em uma posição estática, enquanto orientações sobre o uso da embocadura são proferidas. O professor pede para que alguns exercícios vocais sejam realizados, mas parte dos alunos demonstra dificuldade; o que leva o professor a pedir que o trompete seja guardado no estojo.
Vladimir prossegue:
— Primeiramente, diga apenas o fonema da letra “M”, tente fazer um som parecido com “EME, EME, EME” e congele a boca nessa posição. Agora, assopre enquanto mantém os lábios dessa maneira. É estranho no começo, eu sei, mas é assim que se deve usar a boca para tocar trompete!
Os alunos desenvolvem fielmente o exercício por diversas vezes. O professor entusiasmado pede para que os candidatos a trompetistas peguem, novamente, o instrumento. Orienta-os a segurar o trompete com a mão esquerda e pede para que assumam a embocadura, encostem o instrumento nos lábios e assoprem.
Vladimir com veemência pede para que nenhum pistão, por enquanto, seja apertado.
Uma aluna eufórica ensaia um movimento brusco para apertar um pistão e o professor esbraveja:
— Não aperte os pistões ainda! (Os pistões são uma espécie de válvula que controla a distância percorrida pelo ar dentro do instrumento).
Vladimir pede para que os alunos com os lábios encostados no instrumento assoprem devagar, bem devagar! Posteriormente pede para que apertem os lábios um pouco mais e abaixem os pistões nº 1 e 2. (Os trompetes possuem três pistões).
Vladimir ouve com atenção e logo percebe a dificuldade dos alunos, principalmente, em relação à utilização do bocal.
Então, propõe que o exercício seja feito novamente, mas dessa vez, ao invés de apenas soprarem, pede aos alunos para que pronunciem a sílaba imaginária “PETE”; e insiste:
— Coloquem os lábios no bocal e pronunciem devagar: “PETE, PETE, PETE”.
Neste exato momento, uma senhora de pele clara, magra, cabelos ondulados, olhos cor de jabuticaba, estatura mediana dá um salto para frente e protesta:
— Pronunciar o quê?
Vladimir indignado com a indisciplina da aluna vocifera:
— “PETE, PETE, PETE e PETE”!
— Seu petralha desgraçado! Eu sabia, eu sabia! Da minha boca não sairá esta promiscuidade!
Vladimir, sem compreender ao certo, ensaia uma aproximação da ríspida aluna, mas é contido por outros discentes.
A mulher abre rapidamente a bolsa (uma Louis Vuitton) e saca uma panela de cerâmica, de cabo curto, e parte para cima do professor.
Alguns colegas tentam contê-la, em vão! A notável senhora atira-se contra Vladimir e o golpeia repetidas vezes com a panela.
A convulsão se instala na sala (…). A mulher enfurecida parece ter sido tomada por um exército ou por uma legião de espíritos!
— Toma o golpe seu petralha safado! Toma o golpe! Pete, não! Pete não, me respeite! Bradava enquanto sovava o professor!
A polícia militar é chamada e a senhora com muita dificuldade é retirada de cima de Vladimir.
Uma policial feminina oferece água para a mulher enquanto dois soldados arrastam o professor para fora da sala.
Vladimir é levado para delegacia, assim como a enfurecida aluna.
A senhora, mais calma, prestou depoimento e logo foi liberada. Quanto ao Professor Vladimir, foi insultado pelo delegado e conduzido ao hospital 13 de Maio para tratar dos ferimentos; recebeu alta e foi conduzido novamente até a delegacia e terá que responder por perturbação do sossego alheio, além de prática de ideologização docente.
*Janderson Lacerda Teixeira é mestre em Política e Gestão Educacionais. Atualmente é professor universitário, escritor e colaborou para Pragmatismo Político
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Posted: 01 Jun 2017 11:15 AM PDT
professores medo alunos pais fascista direita
Fernando Brito, Tijolaço
Paula Ferreira e Renato Grandelle, hoje, em O Globo, mostram o legado juvenil da era do grampo e delação conduzidos à condição de “heroísmo” pelo Ministério Público, pela Justiça e pela mídia.
Contam a história de professores amedrontados, temendo estarem sendo gravados por alunos, em busca de “dedurá-los” como esquerdistas ou gays.
Até a cor da camiseta serve como pretexto:
Quando escolhe a roupa que usará durante um dia de aula, Miguel (nome fictício), professor de Português e Literatura de duas escolas privadas, deixa as camisas vermelhas de lado. Nas duas vezes em que as vestiu no trabalho, foi chamado pelos alunos de petista. Era brincadeira, mas ele não baixa a guarda. Os estudantes já se queixaram dos debates conduzidos por Miguel em sala sobre temas como racismo e homofobia. Outros docentes já passaram por situações mais dramáticas — tiveram trechos de aulas gravados e divulgados nas redes sociais, onde foram acusados de promover doutrinação ideológica.
professores medo alunos pais fascista direita
A reportagem (que não achei na versão online) é uma sequência de monstruosidades. Entre elas as contidas no site do movimento “Escola Sem Partido”: “uma aba chamada ‘Flagrando o doutrinador’ estabelece comportamentos dos professores que os alunos podem identificar como doutrinação e outra, ‘Planeje sua denúncia’, ensina os alunos a registrarem falas dos professores que sejam ‘representativas da militância política e ideológica’”.
Auxiliar de coordenação de um colégio da Zona Sul do Rio, uma educadora que também não quis se identificar recebe e-mails com denúncias sobre o conteúdo transmitido nas aulas. É, segundo ela, um fenômeno recente, mas que forçou mudanças na linha pedagógica da instituição.
— A escola está com menos liberdade de atuação. Até dois anos atrás, podíamos fazer uma videoconferência sobre qualquer tema que estivesse acontecendo no mundo. Hoje, temos que mostrar à direção, submeter à aprovação dos pais, analisar com que série vamos trabalhar — revela. — As famílias tinham mais confiança em nós.
São os filhos do Moro, os imbecis da “cognição sumária”, tão entupidos de convicções que não precisam aprender, debater, discutir ideias ou fatos.
Basta-lhes, como à Rainha de Copas de Lewis Carroll, apontar o dedo duro e gritar: cortem-lhe a cabeça.
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Posted: 01 Jun 2017 11:12 AM PDT
escola sem partido ustra vive
“O dia 29 de maio de 2017 entrará para a história como um dos dias mais lamentáveis presenciados na Câmara Municipal de Niterói”. Assim descreveu o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) a audiência pública ocorrida na Câmara da cidade no último dia 29.
A sessão, convocada pelo vereador conservador Carlos Jordy (PSC), era um debate sobre o projeto “Escola Sem Partido”, e contou com a presença de outros vereadores, como Flávio Bolsonaro, e apoiadores do projeto.
De acordo com o vereador Paulo Eduardo Gomes a audiência foi marcada por um “festival de bizarrices e intolerância”, com direito a pessoas vestindo uniformes integralistas, trazendo símbolos nazistas, como a águia e até mesmo homenageando torturadores, como o coronel do DOI-CODI Carlos Alberto Brilhante Ustra [foto de destaque].
Em um dos momentos da sessão, um homem que não teve o nome revelado agrediu verbalmente quatro mulheres negras que se recusaram a cantar o hino nacional. “Volta pra África”, disse o homem às mulheres. Ele foi preso em flagrante por injúria racial mas solto horas depois, após pagar fiança. As vítimas, acompanhadas de testemunhas, prestaram queixa no 78º.
Confira, abaixo, o vídeo do momento em que o agressor é detido e, na sequência, o relato do vereador Paulo Eduardo Gomes sobre a audiência pública.
NOTA DE REPÚDIO AO PROJETO ‘ESCOLA COM MORDAÇA’ E AOS ACONTECIDOS DO DIA 29 DE MAIO NA CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI
O dia 29 de maio de 2017 entrará para a história como um dos dias mais lamentáveis presenciados na Câmara Municipal de Niterói. Uma “audiência pública” convocada pelo Vereador Carlos Jordy (PSC), desde o primeiro momento de sua convocação – e depois no seu próprio andamento – não pretendia ser um espaço democrático onde as posições contrárias de ideias pudessem avançar para o maior esclarecimento dos interessados em dela participar.
Pelo contrário, foi um tipo de comício, cujo objetivo era meramente dar publicidade ao Projeto de Mordaça nas escolas (eufemisticamente chamado de “Escola sem Partido”, na verdade ‘Escola do PSC’ e de outros partidos de direita) e projetar as intolerantes ideias da família Bolsonaro, representado na mesa por seu filho Flávio.
Mas o pior ainda estava por vir. Simpatizantes do referido Projeto de Lei fizeram de sua aparição um festival de bizarrices e intolerância. Havia pessoas trajadas com o símbolo integralista (a versão tupiniquim do fascismo), águia nazista e alguns até mesmo vestindo camisas com a inscrição “Deus, Pátria e Família” (do movimento integralista). Parecia que estávamos no período pré-golpe civil militar que levaria o país a 21 anos de arbitrariedades, torturas, desaparecimento de opositores e outras medidas de triste memória. Um dos momentos mais abjetos se deu quando um adorador de Bolsonaro mandou quatro meninas negras – que se recusaram a cantar o hino nacional ao lado deles – “voltarem para a África”.
Mesmo com todos esses intolerantes e DEFENSORES DO FIM DO DEBATE CRÍTICO NAS ESCOLAS, a participação de estudantes e professores ousou enfrentar o conservadorismo da direita fascista. Gritando “fascistas, machistas, não passarão” e “atenção playboy, Escola sem Partido não vai passar em Niterói”, mostravam sua indignação à tentativa de impor a mordaça nas escolas da cidade. A bancada do PSOL,Talíria Petrone, Tarcísio Motta, do Rio, e eu, fizemos intervenções no sentido da defesa da escola livre de cerceamento e contrária à perseguição aos professores e alunos.
Nosso mandato ainda disponibilizou na noite de segunda o vídeo em nossas redes sociais da prisão deste homem que cometeu agressão, racismo e injúria racial contra 4 garotas negras no plenário da casa. Ele foi preso em flagrante por injúria racial – e nossa crítica vai também à justiça, já que muitos casos de racismo entram como “injúria racial”, considerado um crime menor, de forma a diminuir o fato e o constrangimento passado pela(s) vítima(s). Prestamos também suporte às vítimas, que junto às testemunhas foram à 78ºDP.
Apesar dos terríveis acontecidos, é importante ver que os estudantes e professores representaram sua vontade de manter e aumentar a liberdade na escola. Aliás, esses que tanto se importam com a educação, como ressaltado no plenário, não pressionam os governos estaduais, municipais e federal por maiores investimentos na área, de forma a garantir melhores condições de ensino, infraestrutura e garantir o aprendizado das nossas crianças e adolescentes. São os mesmos que defendem e votam pelo sucateamento dos serviços públicos, para que a partir daí se privatize cada vez mais. São os que supostamente defendem a neutralidade – mas querem ajudar a criar uma geração de jovens que não tem acesso à discussão crítica, uma geração que não ponha medo na casta política do nosso país. É a direita. A direita mostrou bem sua cara: foi racista, comemorou a perseguição sofrida por uma professora do Colégio Liceu Peçanha em Niterói, surgiu com cartaz com os dizeres “Ustra Vive” (Ustra foi um militar chefe do DOI-Codi, responsável pela tortura e morte de opositores no período militar), dentre outras.
Repudiamos com todas as nossas forças os acontecimentos preconceituosos, autoritários e grotescos da noite de ontem, e repudiamos também este projeto inconstitucional.
Junto às entidades de classe como o SEPE e aos estudantes lutaremos contra esse projeto de Escola com Mordaça!
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Posted: 01 Jun 2017 09:13 AM PDT
Estadão ataca moro salva temer
Imagem: Pragmatismo Político
Em tentativa desesperada para salvar Michel Temer, o jornal O Estado de S.Paulo resolveu atacar o juiz Sergio Moro em editorial. Leia abaixo:
“É isto a Justiça?”
O juiz federal Sérgio Moro defendeu as delações premiadas, dizendo que, sem elas, “não teria sido possível descobrir os esquemas de corrupção no Brasil”. Segundo o magistrado, “a ideia é usar um criminoso menor para chegar ao maior, para pegar os grandes”. Quanto ao fato de os delatores terem sua pena abrandada ou até ganharem a liberdade, Sérgio Moro afirmou que “é melhor você ter um esquema de corrupção descoberto e algumas pessoas punidas do que ter esse esquema de corrupção oculto para sempre”, ou seja, “é melhor ter alguém condenado do que ninguém condenado”.
Trata-se de uma visão muito peculiar de justiça. Não se pode negar que as delações premiadas foram importantes para puxar o fio da meada que levou o País a conhecer o petrolão, maior esquema de corrupção da história nacional. O problema é que, atualmente, a julgar pelo que chega ao conhecimento do público, as múltiplas acusações feitas pelo Ministério Público contra figurões do mundo político estão baseadas somente, ou principalmente, nas delações, sem que venham acompanhadas de provas materiais suficientes para uma condenação. Quando muito, há provas testemunhais, nem sempre inteiramente dignas de crédito ou confiança.
Criou-se um ambiente em que as delações parecem bastar. Se é assim, o objetivo não é fazer justiça, mas uma certa justiça. Aliás, ensinava o juiz Oliver W. Holmes que juiz não faz justiça, aplica a lei. Há tempos ficou claro que certos membros do Ministério Público têm a pretensão de purgar o mundo político daqueles que consideram nocivos. Para esse fim, basta espalhar por aí, por meio de vazamentos deliberados, que tal ou qual político foi citado nesta ou naquela delação para que o destino do delatado esteja selado, muito antes de qualquer tribunal pronunciar sua sentença.
Foi exatamente o que aconteceu no episódio envolvendo o presidente Michel Temer. Em mais um vazamento de material em poder do Ministério Público, chegou ao conhecimento dos brasileiros uma gravação feita pelo empresário Joesley Batista com Temer na qual o presidente, segundo se informou, teria avalizado a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Quando a íntegra da gravação foi finalmente liberada, dias depois, constatou-se que tal exegese era, no mínimo, controvertida. Mas em todo o episódio prevaleceu a interpretação feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para quem o diálogo é expressão cabal de uma negociata – e isso bastou para Temer ser visto por muitos como imprestável para permanecer no cargo de presidente. Assim é a política, como bem sabem os vazadores.
Enquanto isso, o empresário Joesley Batista, por ter grampeado o presidente da República para flagrá-lo em suposto ato de corrupção e por ter informado ao Ministério Público que deu dinheiro para quase 2 mil políticos com o objetivo de suborná-los, não passará um dia sequer na cadeia nem terá de usar tornozeleira eletrônica. Poderá até morar nos Estados Unidos, para onde já levou a maior parte de seus negócios. Isso, nos termos do escandaloso acordo de delação endossado pelo sr. Janot.
Se é verdade, como diz o juiz Sérgio Moro, que o objetivo dos paladinos do Ministério Público é “pegar os grandes” criminosos, como explicar que alguém que confessa crimes dessa magnitude, como fez Joesley Batista, não será punido? A resposta é muito simples: o objetivo não é pegar os grandes criminosos, mas apenas aqueles que, na visão dos procuradores da República, devem ser alijados da vida nacional – isto é, os políticos. Ainda que nenhuma prova apareça para corroborar as acusações, o estrago já estará feito. E, no entanto, há muitos políticos honestos neste país.
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Posted: 01 Jun 2017 09:04 AM PDT
lições coreia do sul diretas já presidente
Rodrigo Saccomani, Hugo Albuquerque e Daniel Biral, Justificando
As últimas semanas no Brasil foram um misto de choque, revolta e transe: não era para menos, na esteira da já histórica revelação dos áudios feitos, no âmbito de uma delação premiada, por um dos donos do conglomerado JBS/Friboi, acabaram por ser expostas para o Brasil as vísceras da República, isto é, as indecorosas conversas que ele tinha com o presidente em exercício Michel Temer (PMDB-SP) e o senador, e segundo candidato mais bem votado à presidência, Aécio Neves (PSDB-MG). O que parecia ser o desfecho da crise que devora o Brasil nos últimos anos, se tornou, contudo, um novo impasse. E o Brasil parece ter viciado em impasses.
Recentemente, não custa lembrar, a Coreia do Sul também passou por um nada trivial processo de impeachment, no qual a presidenta da república Park Geun-hye foi pega em um esquema bizarro de corrupção, o qual envolvia grandes conglomerados sul-coreanos como a Samsung, LG e Hyundai e ainda, uma estranha seita que estendia seus tentáculos às decisões governamentais.
Os sul-coreanos, no entanto, resolveram rapidamente seu problema: a presidenta foi defenestrada seguindo-se o rito constitucional e, no mesmo diapasão, novas eleições foram rapidamente convocadas estancando a hemorragia.
O impeachment é previsto no art. 65 da Constituição daquele país asiático, o que não é muito diferente da regra brasileira. No entanto, seu art. 68 prevê a solução democrática: a perda do cargo por cassação é hipótese para convocação de novas eleições, pois gera vacância.
Enfim, nada revolucionário. Apenas a ideia de que o presidencialismo exige um vínculo mais direto com o povo, não podendo descartar o elemento popular em alguma parte do processo de destituição do chefe de Estado – no caso, na rápida convocação de eleições em caso de destituição por impeachment.
Os constitucionalistas mais apegados ao texto diriam, de imediato, que no Brasil não é assim, mas é preciso ponderar o que realmente importa: poderia ser, porque não há óbice constitucional para que se mude a própria Lei Maior nessa direção. As eleições periódicas são cláusula pétrea, não eleições a cada quatro anos, portanto, uma emenda constitucional para obrigar eleições diretas, após a destituição do presidente, é perfeitamente possível.
Ainda, com a devida vênia, dizer que o art. 16 da Constituição impediria uma emenda desse tipo nos parece equivocado, uma vez que o princípio da anualidade eleitoral se refere às leis eleitorais e não às emendas à constituição, vide a emenda que aprovou a reeleição – sobre as emendas se aplicam as cláusulas pétreas, o que no caso não é nenhum impeditivo.
O estranho e recém-descoberto apego ao texto seco da Lei Maior de 1988, por outro lado, parece desconhecer que as eleições indiretas, as quais deveriam ser realizadas no Congresso caso Temer seja impeachmado ou condenado criminalmente pelo STF, devem ser feitas na “forma da lei”, a qual jamais foi elaborada: isto é, não há lei complementar para regulamentar eleições indiretas. A tão constitucional, normal e regular eleição indireta, portanto, hoje, seria uma impossibilidade momentânea tanto quanto a vedada eleição direta.
Se o argumento dogmático pouco ajuda na defesa das suspeitíssimas eleições indiretas, uma análise material da Constituição nos revela o óbvio: as indiretas seriam conduzidas por um Congresso Nacional atolado em escândalos de corrupção, diretamente interessado, pelos piores motivos, na escolha do novo chefe de Estado.
Com essas novas informações não apenas da Lava Jato, mas de operações como a Patmos pode-se definir que inúmeros deputados eleitos na última eleição foram irrigados com volumes de dinheiro não contabilizados e isso já seria o bastante, do ponto de vista ético e moral, para se impedir qualquer tentativa de eleição indireta, mesmo sendo este a letra constitucional.
O argumento das indiretas, por sinal, só ajuda a pensar, talvez que eleições diretas também para o Congresso merecessem ser convocadas, uma vez que o Parlamento se encontra desalinhado com os interesses da nação e que não representam os anseios, por mais variados que sejam, da sociedade.
Até as pedrinhas da rua sabem que Temer não terá como se sustentar politicamente. Ou melhor, que qualquer questionamento a respeito dos áudios pode, no máximo e com alguma boa vontade, ser uma estratégia para o inquérito criminal instaurado para investigar o presidente, mas não para os efeitos políticos.
Simultaneamente, entretanto, as saídas para o país são novamente monopolizadas por uma “classe política” que da noite para o dia se mostrou ortodoxamente defensora da rigidez constitucional — depois de meses arquitetando, anuindo e/ou concordando com a extirpação do sistema igualmente constitucional de seguridade social e proteção ao trabalho.
Parte da mídia corporativa passou a concordar, desde o início, com a saída de Temer e eleições indiretas, “como manda a Constituição”, mas sempre acenando que a finalidade disso é manter as “reformas em curso” — as quais, por suposto, demandam uma mudança considerável em itens estruturais da Lei Maior de 1988.
Os setores progressistas, por seu turno, assumiram a defesa da realização de eleições diretas, contra os defensores da manutenção de Temer e dos indiretistas, os quais não somam nem 15% da opinião pública, o que pouco importa no Brasil atual, um país no qual oligarquias políticas decidem a regra do jogo.
Uma ida dos brasileiros às urnas ainda em 2017 não salvaria o país, mas lembraria aos poderes instituídos que é preciso minimamente considerar a vontade das pessoas para determinar quem é o presidente e, sobretudo, para se executar o programa de governo, o qual não apenas deve ser escolhido nas urnas como também executado da forma mais fiel possível pelo governo eleito – coisa que Dilma Rousseff ignorou em 2015, ao resolver aplicar em grande medida o programa derrotado nas urnas, fato que piora com sua remoção e a duvidosa ascensão de Temer para executar, de forma total, o programa de Aécio Neves e do PSDB.
No fim, isso não é, nem pode ser, um debate sobre exegese constitucional, mas do entendimento da Constituição como um projeto vivo e tendente a se adaptar para gerar direitos — fato que ninguém parece contestar quando, infelizmente, a finalidade é inversa, isto é, poucos são os que questionam essa possibilidade quando se tem o escopo de retirar direitos, hipótese essa que deveria ser vedada. Mais do que isso, precisamos perder esse gosto perverso pelo impasse para chegarmos a formulações e soluções.
É preciso que aprendamos uma grande lição dos últimos anos, sob pena de falirmos por completo como sociedade: a democracia necessita não apenas do respeito às formalidades, mas também de legitimidade material, o que se conquista respeitando o devir democrático.
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Posted: 01 Jun 2017 08:42 AM PDT
brasileira abuso sexual estupro tailândia
Bruna Fornasier, 25 anos, atriz, publicou na BBC Brasil um depoimento que detalha o abuso sexual que sofreu em um hostel na Tailândia. Leia abaixo:
por Bruna Fornasier
Estava fazendo uma viagem pelo sudeste asiático. Cheguei à Tailândia no dia 26 de maio e fui a um albergue que era super-renomado em todas as redes sociais, um “party hostel”. Cada quarto tem cerca de 10 cubículos. As camas são fechadas nas laterais e só é possível a entrada e saída através de um acesso protegido por uma cortina, onde ficam os pés da cama.
Saí naquela noite. Fui à uma festa e voltei sozinha ao albergue por volta de 1h da manhã. Deitei no meu cubículo e dormi. Acordei, assustada, quando senti um cara em cima de mim, colocando a mão dele dentro da minha vagina.
Quando percebi o que estava acontecendo, gritei para ele sair. Ele disse que ia enfiar o pênis dentro de mim. Comecei a chutá-lo e ele saiu.
Pela manhã, expliquei a uma pessoa encarregada do albergue que havia sido vítima de abuso sexual. Ela perguntou se eu queria ir à polícia, mas naquele momento eu estava abalada, queria desaparecer.
O gerente foi chamado e eu pedi os dados do meu agressor, um indiano. Ele me pediu que eu preservasse o nome do albergue caso eu decidisse escrever nas redes sociais o que havia acontecido. Essa era a única preocupação dele.
Fiquei indignada. Peguei minha mala e me hospedei em outro hotel.
Contei o que havia acontecido à minha família e publiquei um post no Facebook relatando o abuso. Meu post repercutiu muito. Nunca imaginei que seria assim. Quando publiquei, minha intenção era de que todas as pessoas conhecidas soubessem do ocorrido. Queria transformar essa história horrível em um alerta para outras pessoas.
Decidi formalizar a denúncia contra o abusador. Fui à polícia turística e encontrei uma oficial que me orientou a fazer a denúncia na delegacia. Da delegacia fui encaminhada ao hospital para fazer exames. O médico disse que minha vagina tinha um corte, estava um pouco inchada. Aquilo não provava nada, claro.
Fui encaminhada a uma psiquiatra. Ela assinou um laudo que confirmava que eu havia sido vítima de abuso sexual. Isso permitiu que os policiais locais finalmente me levassem a sério.
Prestei depoimento na delegacia por mais de cinco horas. Me perguntaram quantos dedos o cara colocou na minha vagina. A policial de turismo estava comigo e traduzia tudo. Foi um processo lento e desgastante.
Por meio do Facebook, duas pessoas me alertaram terem visto o estuprador na ilha de Kho PhiPhi. Um deles tirou uma foto do agressor e me enviou o endereço onde ele estava hospedado. Passei as informações à polícia. Tremi e chorei. As redes sociais me salvaram.
No dia seguinte, fui informada de que ele já estava sob custódia policial. Fui à delegacia acompanhada de três policiais mulheres. Tive que confirmar que aquele jovem sorridente que conversava com os oficiais tinha me violentado. Senti medo e repulsa e preferi que ele não me visse.
No depoimento, ele teria dito que estava bêbado, que se sentou na beirada da minha cama e colocou a mão na minha perna e então eu lhe disse “vai embora, vai embora“. Essa foi a versão dele. Ele insistiu em falar comigo na delegacia, mas não aceitei.
A advogada do renomado albergue apareceu na delegacia e me informou que posso ser processada pela postagem feita no Facebook caso não cheguemos a um acordo. Eles alegam que o trabalho deles foi afetado pelo que eu disse.
Mas foi a minha postagem que me permitiu encontrar meu agressor. Agora quero que o hostel pense em como agir para evitar que isso se repita, ou seja, usar o meu caso a favor da sociedade.
O processo contra o meu agressor ainda está em andamento. Os oficiais me informaram que ele será levado à corte tailandesa e terá que ficar um mês preso. Se optar por pagar uma fiança de 200 mil baths, cerca de US$ 6 mil, poderá aguardar em liberdade o julgamento, mas não poderá sair da ilha de Krabi nem do país.
Depois de um mês ele será levado novamente à corte. Se assumir o que fez terá de cumprir uma pena. Não sabemos por quanto tempo. Se não assumir, terá de ficar em Krabi até que o caso seja resolvido.
Para mim é uma vitória. Algumas pessoas disseram que seria muito difícil levar isso adiante porque eu não tinha testemunhas ou provas. Mas eu tinha que fazer alguma coisa, encorajar a outras mulheres que já passaram por isso ou alertar as que ainda serão vítimas de abuso.
Não podemos ter vergonha de “o que as pessoas vão pensar de mim?“, não. Somos vítimas.
Eu poderia estar desmaiada de bêbada, pelada, não importa. Muita gente não conta ter sido vítima de abuso sexual e eu entendi o porquê. Foi muito sofrido. Porém, se nos mantivermos fortes, é possível.
Denunciar pode inibir a ação de estupradores. Eles saberão que as mulheres já não ficarão caladas e eles terão de pagar pelo o que fazem.
Acredito que denunciar ajuda, sim, a diminuir a cultura do estupro. Não podemos, além de ser vítimas, assumir um papel de terapeuta do agressor. Quanto mais a palavra estupro sair, mais ajudamos a romper o tabu de falar sobre isso. Quanto mais exposto, mais fácil será combater e caminhar contra a cultura da violação sexual.
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