quinta-feira, 29 de junho de 2017

29/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 29 Jun 2017 09:25 AM PDT
Por Altamiro Borges

Por 16 votos a favor e seis contrários, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na noite desta quarta-feira (28) o projeto da reforma trabalhista (PLC-38/2017) obrado pelo quadrilha de Michel Temer. Para agradar ainda mais os empresários - financiadores do "golpe dos corruptos" - e tentar salvar o Judas de um possível processo de impeachment, os governistas ainda impuseram um requerimento de urgência para a votação da matéria no plenário do Senado. O rolo-compressor visa garantir a rápida aprovação deste monstruoso golpe contra os trabalhadores, que representa o fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o retorno do Brasil à escancarada escravidão assalariada.

A tenebrosa sessão durou quase 14 horas. A oposição ainda tentou adiar a decisão, mas foi tratorada pela base aliada. Na sua crueldade, a CCJ também derrubou três destaques, que pretendiam retirar do texto principal artigos sobre trabalho intermitente; afastamento de gestantes e lactantes de locais insalubres; e a prevalência do negociado sobre o legislado. Antes do teatro da votação, Romero Jucá, relator do projeto e líder do governo no Senado, leu uma carta do Judas apelando pela aprovação da matéria e sinalizando que "haveria a possibilidade" de vetar alguns pontos da contrarreforma - numa manobra para seduzir alguns senadores vacilantes e até setores mais pragmático do sindicalismo.

A oposição até denunciou a manobra. "Todos os 81 senadores querem modificar o projeto. Quando deixamos de cumprir nosso papel, nos enfraquecemos ainda mais. Por que não podemos fazer modificações? Qual o problema da reforma trabalhista voltar para a Câmara? Nenhum", afirmou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), aceitar o acordo com o Palácio do Planalto seria "assinar um cheque em branco". Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que a palavra do governo neste momento "vale tanto quanto uma nota de três reais". Os alertas não alteraram o quadro da votação e o golpe trabalhista foi consumado na CCJ e segue, de imediato, para a aprovação no plenário do Senado.

Agora, mais do que nunca, é preciso tomar as ruas para denunciar este brutal retrocesso. A greve geral marcada para esta sexta-feira (30) ganha ainda mais relevância. A realização de protestos - que combinem amplitude com radicalidade - será decisiva para advertir os senadores antes da votação do golpe no plenário da Casa. Mais do que nunca, é necessário denunciar os algozes dos trabalhadores que votaram pelo fim da CLT. Seus nomes devem estar estampados em folhetos, cartazes e nas redes sociais. Vários dos integrantes da CCJ que aprovaram a maldade são sonegadores de impostos; vários já foram denunciados por crimes de corrupção, inclusive o relator da matéria, Romero Jucá; outros optaram por jogar sua história no lixo e trair os trabalhadores, como a senadora Marta Suplicy.

Confira abaixo como votaram os senadores. Guarde bem a lista para a próxima eleição:

Votos favoráveis ao fim da CLT:

- Jader Barbalho (PMDB/PA)
- Romero Jucá (PMDB/RR)
- Simone Tebet (PMDB/RS)
- Valdir Raupp (PMDB/RO)
- Marta Suplicy (PMDB/SP)
- Paulo Bauer (PSDB/SC)
- Antônio Anastasia (PSDB/MG)
- Ricardo Ferraço (PSDB/ES)
- José Serra (PSDB/SP)
- Maria do Carmo (DEM/SE)
- Benedito de Lira (PP/AL)
- Wilder Morais (PP/GO)
- Roberto Rocha (PSB/MA)
- Armando Monteiro (PTB/PE)
- Eduardo Lopes (PRB/RJ)
- Cidinho Santos (PR/MT)

Votos em defesa dos direitos trabalhistas:

- Eduardo Braga (PMDB/AM)
- Jorge Viana (PT/AC)
- José Pimentel (PT/CE)
- Fátima Bezerra (PT/RN)
- Gleisi Hoffmann (PT/PR)
- Paulo Paim (PT/RS)
- Ângela Portela (PDT/RR)
- Antônio Carlos Valadares (PSB/SE)
- Randolfe Rodrigues (REDE/AP)
Posted: 29 Jun 2017 08:48 AM PDT
Posted: 29 Jun 2017 08:21 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

A América Latina tem sido contraditória, marcada pela luta política que se acentuou desde meados do século XX, e por um zig zag entre os lutadores da democracia, do progresso social e da soberania nacional, em confronto com oligarquias tradicionais e classes dominantes aliadas do imperialismo dos EUA, que não aceitam reformas democráticas e nacionais.

Hoje, vive uma situação política nova. Desde a eleição de Maurício Macri, na Argentina, em 2015, parece ter virado à direita, contra o ciclo de governos progressistas vigente nos dez anos anteriores. Mas, convém frisar, é uma conversão com características novas em relação à história anterior. Entre elas a permanência de forte oposição democrática e popular organizada que luta contra governos cujo objetivo é impor o retorno neoliberal.

Desde a década de 1960 houve um ciclo de ditaduras militares bárbaras apoiadas pelo governo dos EUA. Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Peru e outros países da região tiveram ditaduras sanguinárias e assassinas que perseguiram, prenderam, torturaram e mataram opositores políticos, impondo aos lutadores da democracia – que jamais foram vencidos – as duras condições da luta clandestina. As décadas de 1970 e 1980 conheceram também regimes cruéis e repressivos, com apoio dos EUA, para reprimir a luta popular em países como El Salvador e Nicarágua. Mesmo em países formalmente democráticos, como a Colômbia e a Venezuela, as restrições contra a luta democrática provocaram levantes populares, como em Bogotá em 1948, e em Caracas em 1989.

As vitórias de Hugo Chávez na Venezuela, em 1998; Lula, no Brasil, em 2002, e Nestor Kirchner, na Argentina, em 2003, mudaram este rumo. E a América Latina virou para a esquerda, contra o neoliberalismo, as oligarquias e o imperialismo, transformando-se no notável modelo da história contemporânea que ousou propor outra lógica, diferente da ordem vigente.

A luta política por mudanças se esparramou pelo continente. Sucessivamente outras nações aderiram, como o Paraguai de Fernando Lugo, a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa.

As deposições de Manuel Zelaya, em Honduras em 2009, e de Lugo, no Paraguai, em 2012, sinalizaram as dificuldades da luta por mudanças. Elas cresceram com a eleição de Macri na Argentina, e se agigantaram depois do golpe contra Dilma Rousseff, no Brasil, em 2016.

A midia patronal e a direita comemoram a virada neoliberal. Precocemente, é preciso dizer. Elas já tinham grandes dificuldades no México, onde o presidente Enrique Peña Nieto enfrenta forte oposição e vê se fortalecer a candidatura presidencial do progressista Andrés Manuel López Obrador em sua terceira tentativa de chegar à presidência, em 2018.

No Chile, há frequentes protestos de estudantes contra o sistema de ensino privatizado, herdado da ditadura de Pinochet, e o povo se levanta nas ruas contra um sistema previdenciário igualmente injusto, também herança da ditadura.

As dificuldades da direita cresceram ante o empobrecimento da população argentina, sob Macri, e o profundo ataque aos direitos do povo e dos trabalhadores no Brasil do usurpador Michel Temer.

A luta política se aprofunda na Venezuela, onde a direita multiplica assassinatos em verdadeiras batalhas campais que já duram três meses. Lá, o presidente Nicolás Maduro chegou ao ponto de declarar a disposição de pegar em armas, se for necessário, para defender a revolução bolivariana. E tem o apoio de enorme parcela da população mais pobre, que foi beneficiada pelos programas de governo na última década.

Entretanto, há também notícias boas, felizmente. Na Colômbia o processo de paz se conclui com êxito e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo) se inscrevem como o novo - e reluzente - personagem no cenário institucional, onde vai defender, agora pelas armas da crítica, as mesmas bandeiras que até aqui defendeu com a crítica das armas.

Na Argentina, a ex-presidenta Cristina Kirchner - dada como sepultada politicamente pela direita - anuncia sua candidatura ao Senado, à frente de uma grande aliança de forças democráticas, a Unidade Cidadã. Candidatura que pode resultar no retorno dos progressistas ao governo, na eleição de 2019, dada a enorme impopularidade de Mauricio Macri e seu neoliberalismo tacanho. Da mesma forma como, no Brasil, não se pode descartar totalmente a possibilidade de volta das forças democráticas e patrióticas ao governo ante a enorme rejeição popular aos nomes ligados ao neoliberalismo.

Esta é a novidade do novo ciclo latino americano. Os democratas e progressistas foram derrotados mas continuam firmes na luta, tanto a institucional como nos movimentos sociais. Apesar de golpeado, o ciclo progressista latino-americano resiste e já começa a da sinais de retomada deste tabuleiro que a elite colonizada insiste em restringir a uns poucos privilegiados em detrimento de muitos excluídos.
Posted: 29 Jun 2017 08:16 AM PDT
Posted: 29 Jun 2017 08:12 AM PDT
Por Manolo Ramires, no jornal Brasil de Fato:

O Papa Francisco voltou a criticar o modelo de capitalismo exploratório e especulador em voga no mundo todo. Para sua santidade, é necessário estabelecer uma nova ordem mundial em que os interesses da sociedade se coloquem à frente do interesse do capital. O Papa voltou a surpreender e elogiou a atuação das entidades sindicais como uma forma de construir o novo pacto social.

A mensagem de Francisco foi proferida um dia antes da "Missa de São Pedro e São Paulo". O texto foi endereçado aos delegados da Confederação Italiana Sindical dos Trabalhadores (CISL) neste dia 28.

Para o Papa Francisco, diante da crise do capitalismo, é essencial destacar o papel dos sindicatos. "Não há uma boa sociedade sem um bom sindicato e não há um sindicato bom que não esteja dentro das periferias com objetivo de transformar o modelo econômico", avaliou o santo padre.

Embora o Papa tenha destacado a importância das entidades sindicais, Francisco também observou que muitas entidades perdem seu foco de atuação.

"Em nossas sociedades capitalistas avançadas há entidades sindicais perdendo desta natureza profética, e tornam-se demasiado semelhantes às instituições e poderes que deveriam criticar. A união com o tempo passou a se assemelhar a política demais, ou melhor, a partidos políticos, a sua língua, seu estilo. Mas, se você perder esta dimensão típica e diferente, também a ação em negócios perdeu o poder e a sua eficácia", alertou.

Novo pacto social

Francisco voltou a falar de um novo pacto social. Seu discurso cai como uma luva para o momento em que passa o Brasil quando direitos dos trabalhadores são retirados por políticos por meio de reformas trabalhistas e previdenciária.

O Papa Francisco criticou a ganância dos empresários e do mercado. "É uma empresa insensata e míope que obriga o idoso a trabalhar muito tempo e requer toda uma geração de jovens a trabalhar quando deveriam fazê-lo para eles e para todos", disse o Pontífice, que lembrou que "nem sempre nem toda a gente tem direito a se aposentar porque eles têm jornadas em desigualdades no tempo de trabalho se torna perene".
Posted: 29 Jun 2017 07:52 AM PDT
Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

Considerando que aqueles que têm fortuna maior vivem e atuam fora do País, não é exagero dizer que os três homens mais ricos do Brasil são os irmãos Marinho. Juntos, de acordo com os últimos levantamentos, possuem uma riqueza estimada em 11,3 bilhões de dólares. Agregando sua fortuna à influência que exercem controlando a indústria nacional de comunicação, os Marinho são os bilionários mais poderosos que temos. Suas empresas entram na vida da quase totalidade dos brasileiros, todos os dias, durante várias horas.

É tanto dinheiro e tanto poder que, até muito recentemente, eles preferiam ser discretos, sem exibições e bravatas. Tentavam fazer como aprenderam com o pai e os avós, velhos senhores que gostavam de brincar que eram, apenas, “jornalistas”. Todos foram muito mais que isso e fizeram de tudo para preservar e expandir seus domínios, mas procuravam manter a aparência de isenção e apartidarismo adequada aos autênticos profissionais de imprensa.

O que aconteceu então com os irmãos bilionários? O que levou a família mais rica do Brasil a abandonar qualquer veleidade de ser neutra na condução de seus negócios de comunicação e a entrar de sola na luta política?

Depois de anos de convivência relativamente pacífica com Lula, os Marinho dirigiram contra ele as baterias de seus jornais, emissoras de rádio e televisão, revistas e portais de internet. Puseram em campo um exército de analistas, comentaristas e repórteres com uma única missão: destruir a imagem pessoal e política do ex-presidente. Se havia algum entre seus funcionários que discordava desse ataque, sua voz não foi ouvida. Os irmãos deixaram claro que, nas empresas em que mandam, só há uma opinião, a deles.

Essa inimizade contra Lula vem de longe, como todos lembramos. Para os três, como havia sido para Roberto Marinho, o petista sempre foi o “Sapo Barbudo” com o qual eram forçados a conviver. Terminaram por aceitá-lo a contragosto, certos de que um dia ele acabaria (e que não teriam de esperar por isso eternamente).

A guerra foi declarada quando perceberam que o horizonte do fim do lulismo, em vez de se avizinhar, tornava-se mais incerto. Não apenas porque a imagem de Lula se mostrava mais resistente que o esperado, mas por não conseguirem construir nenhuma candidatura com capacidade de derrotá-lo ou a quem ele indicasse.

Apostaram, por exemplo, que Dilma Rousseff não sobreviveria às “manifestações” de 2013 (estimulando-as tanto quanto puderam) e erraram. Anabolizaram Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva, e quem ganhou foi a petista. De 2015 para cá, a guerra para liquidar com Lula e abreviar o fim do lulismo tornou-se sem tréguas. Em nome da autoatribuída missão de fazer com que o Brasil fosse o que queriam, os Marinho deixaram de lado a discrição e sacaram os fuzis.

Soam ingênuas hoje as palavras da presidente da Associação Nacional dos Jornais em 2010, quando dizia que “os meios de comunicação estão fazendo a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”. O que vemos é uma imprensa que resolveu fazer política sem a mediação do sistema representativo, definindo alianças com quem escolhe e em favor de seus projetos de poder.

Demolir Michel Temer é apenas uma batalha nesta guerra. Os Marinho e seus aliados o colocaram no cargo esperando que fizesse alguma coisa para ajudá-los a vencer o lulismo. Agora que perceberam que, ao contrário, Temer os atrapalha, pretendem descartá-lo. Qualquer um serve, desde que se ofereça para realizar o governo que desejam. Leonel Brizola, em uma de suas tiradas, disse uma vez que, em dúvida a respeito de como agir em uma conjuntura complicada, bastava observar para que lado a Globo ia. O certo era fazer o oposto.

Só os tolos acreditam que os irmãos decidiram se desfazer de Temer porque se horrorizaram ao descobrir quem era. Logo eles, que cresceram e enriqueceram no mundo dos Michel Temer. Movem-se para derrubá-lo porque acham que assim aumentarão as chances de condenar Lula e preparar um cenário favorável a que vençam as próximas eleições, se consolidando no poder.

E querem consegui-lo o quanto antes, pois precisam de tempo para que tramitem os processos que encorajaram contra Lula e para que possam fabricar uma candidatura para 2018. O projeto dos atuais Marinho não é igual ao de sempre: influenciar os governos para obter vantagens. Daqui para a frente, é fazer o governo.
Posted: 29 Jun 2017 07:43 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Quando a crise política do governo Michel Temer se encontra no fundo do poço, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles resolve dar uma nova demonstração de fidelidade absoluta aos mercados e volta a falar em elevar impostos para garantir que os compromissos bilionários com o sistema financeiro serão honrados de qualquer maneira.

Há duas semanas, diante da queda de em alta velocidade nas receitas públicas - que jamais poderia equilibrar-se sob a recessão cavalar que o país atravessa - a equipe econômica governo foi atrás de recursos no FGTS. Acabou forçado a recuar, diante de um escândalo que iria acender novas labaredas de indignação entre os trabalhadores e a população mais pobre, situação que o Planalto pretende evitar de qualquer maneira numa conjuntura em que tenta aprovar a reforma trabalhista e a reforma da Previdência. Mas o governo não desistiu.

"Se for necessário, vamos aumentar impostos," admitiu Henrique Meirelles, ontem, relançando um alerta que já fez outras vezes. "E eu repito isso agora de forma ainda mais pertinente."

Fiel a um projeto de Estado mínimo sem paralelo na história brasileira recente, o governo Temer-Meirelles repete, em versão tropical, a trajetória de sua madrinha ideológica, Margareth Tatcher, primeira-ministra inglesa entre 1979-1990.

Empenhada na destruição do Estado de Bem-Estar construído no pós-guerra durante o governo trabalhista de Clement Attle, Tatcher acabou comprometendo as próprias fontes de sobrevivência do Estado britânico. Em busca desesperada de recursos, o governo lançou a Poll Tax, um imposto destinado a reforçar o caixa das administrações locais, exauridas por sucessivas medidas de austeridade. Bem ao feitio conservador, era um imposto regressivo - uma taxa única paga por todos, que sacrificava, é claro, as famílias que tem menor renda disponível. O resultado é História com maiúsculas. Além de boicotar o pagamento da taxas, população foi a luta por sua abolição. Ocorreram confrontos violentos com a polícia em bairros populares, enquanto as manifestações no centro de Londres chegaram a reunir 300 000 pessoas. O reinado de Tatcher terminou pouco depois. A taxa foi arquivada.

No Brasil de 2017, a responsabilidade da dupla Temer-Meirelles pelo déficit crescente do Estado é um fato simples de demonstrar. Depois de cortar os estímulos que fazem a produção aumentar, o governo colhe o que plantou - sem consumo, não há receita para arrecadar. Como resolver isso sem desagradar os credores? Aumentando impostos.

Um aspecto impressionante é que são os bancos públicos - que obedecem a orientação do governo - os principais responsáveis pela queda do crédito das empresas. De um ano para dá, o estoque de crédito, que define o total de dinheiro emprestado, sofreu uma queda de 6,4%. Dois terços dessa redução tem origem nos bancos públicos - 43% apenas no BNDES, 23% nas demais estatais. O esforço que levou o país a recessão foi feito com esforço e disciplina, com indiferença absoluta pelas consequências - para as empresas, para o emprego, para a sorte dos brasileiros.

Em um ano, o crédito dos bancos públicos caiu 7,7%, contra 4,8% nos privados. No BNDES, criminalizado em tempos de Lava Jato, a queda foi recorde: 14%. (Folha de S. Paulo, 28/6/2017).

Por trás desse encolhimento do setor público, não se escondem somente convicções ideológicas. Há um esforço estratégico de reforçar o espaço do setor privado, numa tentativa de quebrar uma das boas heranças da política econômica do governo Lula e que poderia ser de grande utilidade para tirar o país do horror econômico atual.

Na crise de 2008-2009, o Banco do Brasil e a Caixa fizeram um movimento inverso - ampliaram o crédito e elevaram a presença no mercado. Numa conjuntura na qual, de um ano para outro a inadimplência crescia 48% (em 2008) e 18,8 % (em 2009), as duas instituições foram atrás de clientes abandonados pelo setor privado. O Banco do Brasil cresceu 31,5%, a Caixa, 51,4%. O BNDES deu um salto de 140%. Em média, o setor público deu um salto de 66,7%, para assumir, na época, 49,5% do crédito disponível Os bancos privados, enquanto isso, caíram de 63,5% para 49,2%. Essa política permitiu ao país atravessar os primeiros anos da maior crise do capitalismo em 80 anos. O emprego resistiu e até cresceu.

Dá para entender por que a turma do golpe não quer a volta de Lula, não é mesmo?
Posted: 29 Jun 2017 07:36 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

João Vaccari Neto (58 anos) foi tesoureiro e secretário de Finanças e Planejamento do PT. Também foi presidente da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), conhecida por ter ficado inadimplente ao deixar de entregar imóveis que vendeu a pessoas filiadas ao Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Em outubro de 2010, Vaccari se tornou réu no Caso Bancoop, acusado de crime de formação de quadrilha, estelionato e tentativa de estelionato, falsidade ideológica e crime de lavagem de dinheiro. Em novembro de 2016, foi absolvido pela justiça.

A juíza Cristina Ribeiro Balbone Costa, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, que absolveu Vaccari, disse, na decisão, que não havia provas da acusação do Ministério Público de São Paulo no caso. Segundo ela, só existiam “números aleatórios” na acusação.

Em maio, o promotor de Justiça José Carlos Blat recorreu da sentença de absolvição do ex-tesoureiro do PT pela juíza de 1ª instância.

Como se vê, a vida de Vaccari ainda vai passar por muitos abalos antes que decisões inevitáveis da Justiça venham reinstaurar seu sossego e sua liberdade como ser humano, pois tais decisões ocorrerão só nas últimas instâncias da Justiça, pois o Ministério Público depende da culpabilidade de Vaccari para manter acusações contra Lula e o PT.

Nesse aspecto, a farsa armada para destruir o ex-presidente e seu partido acaba de sofrer um revés duríssimo, pois Vaccari também foi absolvido de processo por lavagem de dinheiro e associação criminosa em que foi condenado pelo juiz de 1ª instância Sergio Moro em setembro de 2015.

À época, Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal, condenou dez réus que eram investigados na operação “lava-jato” por crimes em processos de licitação na Petrobras. Entre eles, o ex-tesoureiro do Partido do Trabalhadores João Vaccari Neto e os ex-dirigentes da estatal Renato Duque e Pedro José Barusco.

Condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, Vaccari também foi condenado pagar uma multa de R$ 4,3 milhões, recursos que, obviamente, ele nunca teve.

O relator no TRF-4, desembargador João Pedro Gebran Neto, decidiu sobre o recurso de Vaccari ao TRF4 votando pelo aumento da pena do réu para 18 anos. Porém, por 2 votos a 1 prevaleceu o entendimento do revisor da apelação, Leandro Paulsen, e do desembargador federal Victor Laus, os quais concluíram que que a condenação de Vaccari se baseou apenas em declarações de delatores da Lava Jato sem que eles apresentassem provas.

Vaccari está preso desde abril de 2015, há dois anos e dois meses, sem condenação alguma em segunda instância, sob alegação de que, solto, poderia atrapalhar as investigações contra si.

O julgamento realizado pela 8ª Turma do TRF-4, ao reformar a sentença de 1ª instância com os votos dos Desembargadores Federais Dr. Leandro Paulsen e Dr. Victor Laus, restabeleceu a vigência da lei, mas não cuida dos atos criminosamente arbitrários que se abateram sobre a família de João Vaccari Neto.

Um dos muitos ataques de Sergio Moro a Vaccari e à sua família ocorreu em 2015 pouco após sua prisão. Ele também prendera a cunhada do ex-tesoureiro do PT, logo após prendê-lo.

Em 21 de maio de 2015, Moro decidiu prorrogar por mais cinco dias a prisão temporária de Marice Correa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e suspeita de ter movimentado dinheiro com origem no esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

Em seu despacho, Moro afirmou que Marice foi responsável por depósitos feitos em dinheiro, sem identificação do depositante, na conta da mulher de Vaccari, sua irmã Giselda Rouse de Lima.

Segundo o juiz, dois depósitos foram feitos naquele ano (2015), ou seja, quando ela já sabia que estava sendo investigada pela Operação Lava Jato. Marice foi convocada a prestar depoimento em novembro e fora presa havia poucos dias.

Segundo o Ministério Público Federal dissera à época no pedido de prisão feito a Moro, Marice pagava uma “mesada de fonte ilícita” à mulher de João Vaccari.

A ligação de Marice com o dinheiro encontrado na conta de Giselda (esposa de Vaccari) teria sido “comprovada”, de acordo com a Procuradoria, por dois vídeos enviados aos investigadores pelo Itaú Unibanco, com registros de suas câmeras de segurança.

Os vídeos mostravam uma mulher identificada pela Procuradoria como Marice, nos dias 2 e 6 de março de 2015, em terminais de autoatendimento de duas agências de São Paulo, no momento em que foram realizados depósitos para a mulher de Vaccari.

Em 20 de abril, em depoimento em Curitiba, Marice negou ter feito depósitos para a irmã. Com base nas imagens fornecidas pelo banco, Moro decidiu mantê-la presa.

“O que mais preocupa não é o fato da investigada ter faltado com a verdade tão flagrantemente em seu depoimento”, escreveu o juiz, que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba. “O mais perturbador é a constatação de que a prática delitiva não se encerrou com o início da fase ostensiva da operação.”

O Ministério Público Federal afirmava, então, que a conta de Giselda recebera R$ 583.400 em depósitos sem origem identificada, todos feitos em espécie e com valores fracionados, entre 2008 e 2014.

Formada em administração de empresas, Marice dissera à Polícia Federal que recebia salário de R$ 9.000 como empregada da Confederação Sindical das Américas, que reúne sindicatos de 23 países. Antes disso, ela havia trabalhado no PT.

No mesmo dia em que decretou a prorrogação da prisão da cunhada de Vaccari, o juiz Moro declarou à imprensa que as imagens de uma mulher depositando dinheiro na conta da esposa do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto via caixa-automático “não deixavam qualquer margem para dúvida” de que se tratava da irmã dela, Marice.

A “certeza” de Moro de que Marise era culpada, porém, não duraria muito tempo. Apesar disso, enquanto essa certeza durou, a mulher desceu ao inferno. Na matéria abaixo, imagem dela que apareceu no Jornal Nacional, expondo-a para todo o Brasil por um crime que logo veriam que ela não havia cometido.



Dois dias após essa declaração desastrosa de que tinha “certeza” da acusação que fizera à cunhada de Vaccari – e com ela ainda presa –, Moro declara que “não tem mais certeza” de que a mulher que mandou prender cometera o “crime” que ele disse que cometera.

Confira matéria também da Folha no mesmo dia.

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FOLHA DE SÃO PAULO

23 de abril de 2015

Em dúvida sobre vídeo, juiz manda soltar cunhada de tesoureiro do PT

Marice Correa nega ter feito depósitos suspeitos; Ministério Público queria mantê-la presa

Perito que analisou o caso a pedido da Folha diz que é ‘desprezível’ a chance de cunhada ser mulher filmada no Itaú

DE CURITIBA

DE SÃO PAULO

Presa havia seis dias na Operação Lava Jato, a administradora de empresas Marice Correa Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, foi solta na tarde desta quinta-feira (23).

Marice foi liberada por ordem da Justiça após surgirem dúvidas se, de fato, é ela quem aparece em vídeos fazendo depósitos em caixas eletrônicos de duas agências bancárias do Itaú.

Até então, os vídeos eram evidências de que Marice realizava depósitos na conta da mulher do dirigente petista, Giselda Rousie de Lima.

Segundo as investigações, Marice é suspeita de auxiliar Vaccari para operacionalizar a propina destinada ao PT, no esquema de desvios de recursos da Petrobras. Ela nega.

O Ministério Público Federal identificou Marice como a autora dos depósitos e, com base nas imagens, acusou a cunhada de Vaccari de ter mentido em depoimento ao dizer que nunca tinha feito depósitos à irmã Giselda.

Ao renovar a prisão de Marice por mais cinco dias, o juiz federal Sergio Moro chegou a dizer que a imagem “não deixava margem para dúvidas”.

O advogado de Marice, Claudio Pimentel, insistia que quem aparece no vídeo não é sua cliente, mas a própria Giselda, a mulher de Vaccari, muito parecida com a irmã.

No despacho desta quinta, depois de afirmar que “não tem mais certeza da correção da premissa de que ela seria responsável pelos depósitos”, Moro revogou a prisão de Marice e determinou que as imagens sejam periciadas.

“Felizmente o erro foi corrigido e ela está indo para casa”, comemorou o advogado Pimentel, ao deixar a sede da PF em Curitiba. Marice não falou com a imprensa.

Mesmo com as dúvidas sobre os vídeos, a Procuradoria insistiu na manutenção da prisão de Marice citando uma viagem ao Panamá dias antes de sua prisão e a compra de um imóvel com dinheiro de origem suspeita.

A pedido da Folha, a empresa Innercalc, especializada em tecnologia de reconhecimento facial, comparou as imagens fornecidas pelo Itaú com fotos dos rostos de Marice e Giselda.

“Apesar da baixa qualidade das imagens, é matematicamente desprezível que seja Marice nas imagens do banco”, concluiu o perito Carlos Barcellos.

Embora a análise não seja conclusiva (a chance de ser Marice é baixíssima, residual, porém não é 100% nula), o perito afirma que é suficiente para descartá-la.

“Quanto a Giselda, é possível [que a imagem seja dela]”, afirmou Barcellos.

A empresa fornece sistemas de reconhecimento facial para combate a fraude bancária e tecnologia para monitoramento de segurança do aeroporto de Viracopos e na Arena do Grêmio (RS).

Para uma conclusão 100% definitiva, a foto analisada da mulher de Vaccari e a imagem do banco precisariam ter sido captadas com lentes adequadas, luminosidade e posição idênticas, afirmou o perito. (ESTELITA HASS CARAZZAI E GRACILIANO ROCHA)


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Marice teve que voltar do exterior às pressas para ser presa e apareceu em toda a grande mídia como criminosa. Isso sem falar nos seis dias seguintes vendo o sol nascer quadrado.

O juiz declarou que não havia dúvida de que as imagens eram verdadeiras. Seis dias depois, ele desdisse tudo que dissera, pois ficara provado que essa mulher passara por tudo aquilo por um “engano”.

Esse é o ponto da representação. Essa falha revela um juiz que pune primeiro e investiga depois; que se apressa nas decisões por razões não esclarecidas; um juiz que impõe duro castigo a pessoas cuja culpa não está provada e contra as quais, muitas vezes, as evidências são fracas ou inconclusivas.

Eu, Eduardo Guimarães, estou sendo processado criminalmente por Sergio Moro sob acusação de tê-lo “ameaçado”. A suposta ameaça a que o juiz federal se refere decorre de uma série de tuítes que reproduzo abaixo. Tente encontrá-la.


Seguindo o costume de tirar a liberdade das pessoas a esmo, Moro teve reformada por inteiro pelo TRF-4 toda a sentença em que condenou executivos da OAS.

Em novembro do ano passado, em julgamento de apelação contra as penas relacionadas à operação “lava jato”, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região reformou integralmente a sentença da primeira instância que condenou executivos da construtora OAS por corrupção e lavagem de dinheiro.

O julgamento havia começado em junho e foi concluído em novembro depois de voto-vista do desembargador Victor Laus, um dos dois desembargadores que agora absolveram Vaccari.

Por unanimidade, os executivos da OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Stremel foram absolvidos. Motivo? Falta de provas. Ambos tinham sido condenados pelo juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que alegava haver “prova robusta” do envolvimento deles.

Mateus estava preso há nove meses, condenado a 11 anos de prisão em regime fechado. Stremel recebera uma pena de quatro anos, substituída por prestação de serviços. Ambos poderão ir para casa.

José Ricardo Breghirolli, também executivo da OAS e também preso há nove meses, teve sua pena reduzida para quatro anos e um mês, a ser cumprida no regime semiaberto. Moro o havia condenado a 11 anos de prisão no regime fechado.

Mateus enfrentou depressão na cadeia.

E antes que algum fascista venha dizer que os desembargadores que absolveram Vaccari são “petralhas”, informo que, no último domingo, eles foram alvos reportagem da Folha de São Paulo que os retratou como “juízes linha-dura”.

Neste ponto, vale a pena tratar dos três desembargadores da 8ª vara do TRF4.

João Pedro Gebran Neto é o Relator da Lava Jato naquela Corte. Tem 52 anos, iniciou carreira como promotor no interior do Paraná.

Em palestra que Moro proferiu na véspera do interrogatório de Lula, em 10 de maio, o magistrado citou, nominalmente, os juízes com os quais espera condenar Lula definitivamente.

A troica suprema em que Moro aposta é formada pelo João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Felix Fischer, ministro do Superior Tribunal de Justiça, e Edson Fachin, ministro do STF.

É nas mãos de Gebran, em grande parte, que estarão depositados os rumos da sucessão de 2018. Se sentenciado por Moro, Lula terá que ser condenado pelo TRF para ser excluído da disputa. E Gebran será o relator, mas não decidirá sozinho.



Terá ao seu lado o mesmo Leandro Paulsen como revisor da Lava Jato. Esse magistrado tido como “linha-dura” com outros presos da Lava Jato, diante da escandalosa falta de provas contra Vaccari teve que absolvê-lo.



Gebran também terá ao seu lado o magistrado Victor Laus, outro desembargador do TRF4 que é considerado “linha-dura”, mas que acaba de absolver Vaccari.



Até onde se sabe, esse conclave também poderá julgar Lula, já que seus integrantes são relatores e revisores da Lava Jato.

Foram muitos os processos contra Vaccari.

Em outubro de 2010, por exemplo, foi aberto processo criminal tendo como foco a cooperativa Bancoop. Vaccari foi absolvido das acusações por falta de provas.

Em setembro de 2015, Vaccari foi condenado pela justiça em primeira instância, com pena de 15 anos e 4 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito da Lava Jato. Ele acaba de ser absolvido dessa acusação

Em 4 de agosto de 2016, Vaccari se tornou réu de um processo da Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. É acusado de montar um esquema que teria desviado 100 milhões de reais de empréstimos consignados de servidores públicos federais.

Em setembro de 2016, foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão em primeira instância pelo crime de corrupção passiva pela participação do esquema do empréstimo fraudulento do Banco Schahin ao Partido dos Trabalhadores.

Em março de 2017, se tornou réu pela quinta vez, desta vez, em um esquema de corrupção na Sete Brasil e responderá por corrupção passiva.

Em maio de 2017, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, aceitou uma denúncia do Ministério Público e tornou Vaccari réu por suposto esquema de desvio em fundos de pensão de empresas estatais. Detalhe: esse juiz foi o mesmo que citado pelos irmãos donos da Friboi sob acusação de vender sentenças.

Defesa de Vaccari afirma que todos os processos contra ele se baseiam em acusações sem provas feitas por delatores da Lava Jato. A tendência é a de que todos esses processos tenham o mesmo destino daquele no qual o ex-tesoureiro do PT acaba de ser absolvido. Mas enquanto não for feita justiça continuarão torturando esse homem e sua família.
Posted: 29 Jun 2017 07:26 AM PDT
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

O ex-governador e ex-deputado federal Anthony Garotinho saiu em defesa da decisão do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, de cancelar o aumento do subsídio às escolas de samba concedido pelo antecessor Eduardo Paes em 2016. Naquele ano, a prefeitura duplicou o valor dado a cada uma das 13 escolas do grupo especial de 1 para 2 milhões de reais; Crivella quer que o valor do subsídio volte a ser de 1 milhão, como era até então. Garotinho propõe que a Globo, que tanto defende as privatizações, passe a arcar com a despesa restante, em vez de a prefeitura utilizar dinheiro público.

“A Globo é quem mais lucra com o carnaval, pelo menos 400 milhões de reais por ano somente em patrocínios, e gasta somente 100 milhões para fazer as transmissões. Ora, a emissora poderia muito bem doar 1 milhão para cada escola. O que são 13 milhões de reais para quem vai ganhar mais de 300 milhões? E o que são 13 milhões de reais para a família Marinho, uma das mais ricas do mundo?”, provoca o ex-governador, cuja filha, a deputada federal Clarissa, é secretária de Desenvolvimento, Emprego e Inovação de Crivella.

Ou seja, pelo visto a “ameaça” ao carnaval tem mais a ver com a briga entre Globo e Record do que com questões morais ou religiosas, como tem dito a emissora para angariar a simpatia dos setores progressistas para o seu lado na disputa. Garotinho afirma com todas as letras que “é mentira da Globo” que o prefeito, bispo licenciado da Igreja Universal, esteja misturando política com religião ao cortar recursos para as escolas. “Eu sei que não é por causa de religião porque quem defendeu para mim a redução dos recursos para as escolas foi um ateu, o secretário de Educação Cesar Benjamin”, disse Garotinho ao blog.

Há uma semana, o ex-petista e ex-Psolista Benjamin publicou no Facebook um texto garantindo que o corte no subsídio das escolas de samba foi feito a seu pedido, para aumentar as verbas destinadas às creches municipais. “Estudando os números da educação no Brasil, constatei uma anomalia: a proporção entre creches conveniadas e públicas no Rio de Janeiro é inferior à metade da média das outras capitais. Pedi um estudo sobre isso. Verificamos que poderíamos abrir em curto prazo mais 6 mil vagas sem investimento novo”, escreveu o secretário.

“Esse incremento esbarra no baixo valor per capita pago pela Prefeitura do Rio: 300 reais por criança por mês, contra 650 reais a 800 reais pagos em São Paulo e em Belo Horizonte. Esse valor, congelado há bastante tempo, se tornou irreal. Tendo em vista socorrer as creches, ele então decidiu, com meu apoio, suspender o aumento de recursos que Eduardo Paes havia designado para as escolas de samba a partir deste ano”, justificou Benjamin, acusando a esquerda de comprar a justificativa da Globo e acreditar na existência de “um plano da Igreja Universal para abolir o carnaval carioca”.

O próprio prefeito Marcelo Crivella tem batido na mesma tecla: “não tem nada de religião, é responsabilidade fiscal”. A Liga das Escolas de Samba chegou a anunciar a suspensão do desfile em 2018, após o corte de recursos, mas nesta quarta-feira, 28 de junho, após reunião com o prefeito, voltou atrás. Crivella prometeu manter 1 milhão de reais de subsídios para cada escola e ir atrás de recursos privados. “Vou lutar muito para conseguir os recursos para o carnaval. Hoje, demos o primeiro passo para um acordo”, disse o prefeito.

Ainda não se sabe se Crivella vai seguir a sugestão de Garotinho e pedir os recursos que faltam à Globo.
Posted: 29 Jun 2017 07:18 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Daqui a pouco, às nove da manhã, chega à Câmara a denúncia contra Michel Temer por corrupção.

Como mostrou, ontem, a votação da reforma trabalhista no Senado, também na Câmara, hoje, o quadro é o de recusa da autorização do processo contra o ocupante do Palácio do Planalto.

Mas outro processo, o de sangramento político de Michel Temer, não tem como ser recusado, porque acontece numa escala que já deixou de ser administrável.

Não apenas porque há novos áudios e delações no horizonte como, sobretudo, porque ele chegou ao ponto do “anti-teflon”: tudo o que se lançar, verdadeiro (e muito há) ou falso, nele grudará.

Há. portanto, possibilidades de que, de uma hora para outra, tudo degringole e ele tenha uma morte súbita. Mas, como provam os fatos, a agonia tende a ser mais longa.

Mas há, também, alguns indicadores de que a onda policialesca possa perder força e a nova Procuradora Geral da República – pela sua trajetória não dá para reduzi-la a uma mera assecla de Michel Temer – parece antecipar algum grau de limite sobre a “República de Curitiba” – algo que a decisão do TRF ao absolver João Vaccari, condenado com base apenas em declaração de delatores premiados.

Sob Janot, as vedetes da Força Tarefa da Lava Jato, tiveram total leniência para assumirem papel nitidamente político, ao darem palpites até sobre a transcendência de Deus.

Não há duvida de que a deterioração política vai continuar; há alguma esperança de que freie-se a deterioração institucional e há alguma incerteza se a única “unanimidade” do Governo Temer – unanimidade entre os conservadores, “mercadistas” e os “patistas” fiespinos, bem entendido, possa ser rompida.

Mas isso é assunto do próximo post.
Posted: 29 Jun 2017 07:12 AM PDT
Por Leonardo Boff, em seu blog:

Como fica a consciência dos corruptos que roubam milhões dos cofres públicos ou os empresários que superfaturam por milhões de reais os projetos e pagam propinas milhonárias para agentes do Estado? Pior ainda: como fica a consciência daqueles perversos que desviam centenas de milhões de reais da saúde? E aqueles desumanos que falsificam remédios e condenam à morte aqueles que deles precisam? Sem esquecer os desvergonhados que roubam da boca dos escolares a merenda, sabendo que para inúmeros pobres representa a única refeição do dia? Muitos desses corruptos são apenas denunciados. E fica por isso mesmo, rindo à toa. Não raro são cristãos e católicos que por seus crimes continuam mantendo Cristo na cruz nos corpos dos cruficados deste mundo.

Para entender esta maldade temos que considerar realisticamente a condição humana: ela é simultaneamente dia-bólica e sim-bólica, compassiva e perversa. No linguajar concreto de Santo Agostinho, em cada um de nós há uma porção de Cristo, o homem novo, e uma porção de Adão, o homem velho. Depende do projeto de nossa liberdade dar mais espaço a um ou a outro. Assim pode surgir uma pessoa honesta, justa, amante da verdade e do bem. E pode crescer também uma pessoa maldosa, corrupta e distante de tudo o que é bom e justo.

Mas não precisava ser assim. No mais profundo de nós mesmos, não obstante a ambiguidade referida, vige uma primeira natureza que se expressa por uma bondade fontal, por uma tendência para o justo e o verdadeiro. Quanto mais penetrarmos na nossa radicalidade, mais nos damos conta de que essa é a nossa essência verdadeira, a nossa natureza primeira. Mas sem sabermos como e porquê, ocorreu algo em nosso processo antropogênico – desafio permanente para os pensadores religiosos e os filósofos de todas as tradições – que fez com que a nossa natureza primeira decaísse e se pervertesse. Immanuel Kant constatava que somos um lenho torto do qual não se consegue tirar uma táboa reta.

Criamos, em consequência, uma segunda natureza feita de maldades de todo tipo. Esta terminologia se encontra já em Santo Agostinho, em Santo Tomás de Aquino e posteriormente retomada por Pascal e por Hegel. Ela está presente em todas os povos e instituições e, num certo nível, em cada um de nós. Ela resulta da sequência continuada e uniforme de nossos maus hábitos, gerando uma verdeira cultura de distorções. É a cultura do negativo em nós. É o reino da corrupção que se naturalizou.

Personalizemos esta segunda natureza. Se alguém se habituou a mentir, a enganar a roubar, a corromper ativamente e a se deixar corromper passivamente, acaba criando em si esta segunda natureza. Rouba sem se dar conta de que esta sua prática é perversa e anti-ética porque prejudica os outros ou o bem comum. Pratica tudo isso sem culpa e sem remorsos, porque nele a corrupção virou natural, uma segunda natureza. Os corruptos continuam caras-de-pau como se pode observar, que emagrecem, não pela má consciência que os corrói por dentro, mas pelas péssimas condições carcerárias,.

Além deste dado da condition humaine decadente, o sociólogo Jessé Souza no livro a sair A elite do atraso: da escravidão à Lava-Jato nos fornece um dado de nossa própria história: a escravidão. Esta coisificava os escravos considerando-os “peças”, objetos de violência e de desprezo. ”Sua função era vender energia muscular, como animais”(J.Souza). Esse desprezo foi transferido aos nordestinos, aos pobres em geral e aos LGBT entre outros discriminados.

Nos tempos recentes, boa parte dos endinheirados se sentiu ameaçada pela ascensão destes condenados da terra; começou a se irritar poque os via nos shoppings centers e nos aeroportos; para eles bastava o ônibus e jamais o avião. Aqui já não se trata de corrupção financeira, mas de corrupção das mentes e dos corações, tornando as pessoas desumanas e sem sentido de solidariedade.

Finalmente, por uma mudança de rumo de nossa política judicial ante os crimes de colarinho branco, os donos de grandes empresas e outros políticos que fizeram, em grande parte, suas fortunas pela corrupção, estão sentido o peso da justiça, o rigor das prisões e o escárnio publico. Estão atrás das grades, fato é inédito em nossa história.

O sofrimento sempre dá duras lições. Oxalá, pelos seus padecimentos, a primeira natureza, a consciência, venha à tona e se descubram reféns da segunda natureza decadente que eles mesmos criaram. Mudem de sentido de vida e devolvam o dinheiro roubado. E como teólogo digo: no momento supremo de suas vidas, enfrentarão, trêmulos, os rostos das vítimas que fizeram por causa de suas corrupções e que morreram antes do tempo, na verdade, foram por eles assassinadas. As fortunas não os salvarão. E então como ficarão?
Posted: 29 Jun 2017 07:08 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Já começou a correr o tempo para que a Câmara decida se concede ou não licença para que Temer seja processado por corrupção passiva. E com isso, o PSDB vê-se diante do maior dilema de sua existência. O contraste entre a força com que os tucanos massacraram o PT, enquanto o partido figurou como inventor e protagonista único da corrupção, e a leniência com que vem tratando Temer, está sendo devidamente anotado pelos eleitores. A fatura virá. Tendo espancado tão violentamente o PT, como poderá o PSDB votar contra a licença para que Temer seja processado por corrupção passiva, diante de evidências tão abundantes? 

No muro, o partido adiou esta decisão, bem como a de ficar ou sair do governo, para a primeira quinzena de agosto. Mas é justamente nesta época que a Câmara deverá estar votando o pedido do STF. Irá o PSDB abdicar do que resta de seu DNA democrático para apoiar o governo mais corrupto, vulgar, cínico e leviano do Brasil democrático pós-1985? Fernando Henrique tem tentado em vão impedir este abraço de afogados que levará seu partido para as águas profundas do oportunismo.

A incoerência é um problema dos tucanos mas a sobrevida de Temer no cargo tem um custo alto para o Brasil, e o PSDB é um dos principais responsáveis por ela. Temer não cai porque falta uma forte mobilização popular exigindo sua saída e também porque ainda conta com o PSDB em sua base no Congresso. Só o Centrão e o baixo clero não o estariam segurando. Quanto mais ele durar no cargo, maior será o custo para o Brasil, para sua economia e sua imagem, e maior a conta que será debitado, em grande parte, ao PSDB.

Ao longo dos últimos doze anos o PSDB dedicou-se ao trucidamento moral do PT, cobrando impiedosamente, do partido que já fora guardião da ética, sua queda desmoralizante nos desvãos da corrupção. Assim tem sido desde 2005, ano do estouro do mensalão petista. No auge do petrolão, quando a Lava Jato ainda não havia chegado aos outros partidos, os deputados petitas, sentados cabisbaixos no lado esquerdo do plenário da Câmara, já não respondiam aos ataques e engoliam em seco enquanto os tucanos vociferavam no microfone. Numa tarde de 2014, o líder tucano Carlos Sampaio passou longos minutos no microfone apontando o dedo para a bancada petista e repetindo: “Partido corrupto! Partido corrupto!”.

Em 2013, e principalmente em 2015/16, levar as massas à rua foi fácil. A Lava Jato e a oposição, com o PSDB à frente, apontavam o dedo para o PT e estava resolvido. O PT era o culpado de tudo e a massa cantava na paulista, com aquela melodia de “o campeão voltou”: “O PT roubou, o PT roubou....”. O PT era o demônio, o cão, o belzebu, o culpado de tudo.

Com as arcas da corrupção mais abertas, por força das contradições da Lava Jato, delas têm saído escândalos em série envolvendo outros partidos e o PSDB, a começar de seu presidente afastado, Aécio Neves. Justamente ele, que na campanha de 2014 vociferou tanto contra a corrupção petista. Derrotado, e não aceitando a derrota, pediu a impugnação da chapa Dilma-Temer alegando abuso de poder econômico e financiamento ilícito da campanha. De fato, houve isso e muito mais, mas as duas chapas fizeram uso do caixa dois e das doações cruzadas com obras públicas. Carlos Sampaio, o líder que ficava rouco de tanto bradar contra o PT, e pregava a extinção do partido de Lula, também já está enrascado. O hoje ministro de Temer, Antonio Imbassahy, certa vez discursou na Câmara dizendo: “foi o PT que institucionalizou a corrupção”. Agora, tudo indica que ele ajudará a cabalar votos de deputados contra a licença para que Temer seja processado por corrupção passiva.

Agora se vê que todos, e não apenas o PT, permitiram o roubo, desde que sobrasse uma parte para os partidos e para as campanhas. Que todos mantiveram relações para lá de promíscuas com os fornecedores do Estado, tanto no plano da União como no plano dos estados, a começar de São Paulo e Minas, governados por tucanos. Todos são culpados porque não mudaram o sistema político, não fizeram a reforma que importava, optando por manter o cassino funcionando. O PT, chegando ao governo, entrou no jogo e foi o primeiro a ir para a cruz.

Agora ficou difícil mesmo chamar as massas às ruas. Os coxinhas exaltados enfiaram a viola no saco. Os moralistas perderam a moral. Se todos fazem aquilo de que acusavam apenas o PT, como proceder? Também por isso, e pelo cansaço, e pela desilusão com tudo e todos, o “Fora Temer” não ganha a força necessária para garantir a mais rápida queda dele. Não havendo massa, e havendo ainda base no Congresso, com o PSDB no papel de cereja brilhante do bolo, Temer vai ficando. E nós vamos pagando a conta. E em algum momento boa parte dela será espetada no PSDB.

Não nos iludamos. O parto não vai ser rápido como a situação exige. Temer, com aquele discurso de guerra de ontem, mostrou que está se lixando para o país. Que venham todas as crises, que haja risco para as instituições, que o tecido democrático se esgarce, que a economia se dane, enquanto ele se equilibra no cargo buscando um bote salva-vidas. Com a ajuda do PSDB.
Posted: 29 Jun 2017 07:01 AM PDT
Por Tatiana Carlotti, no site Carta Maior:

Você já reparou que seus amigos de direita desapareceram do seu “feed” no Facebook? Percebeu como os anúncios do Google resolveram ofertar justamente aquilo que você pensou em comprar, mas viu o preço e acabou desistindo?

Pois saiba que seus amigos continuam na ativa, malhando a esquerda nas redes sociais, mesmo com as revelações sobre o Aécio Neves. A diferença é que eles não aparecem mais no seu Facebook, da mesma forma que você não aparece mais no deles.

Trata-se do princípio de relevância, o mesmo capaz de tornar o Google uma espécie de Mágico de Oz, capaz de criar um mundo sob medida para você. Antes de comemorar, vale conhecer o alerta de quem afirma que isso mais asfixia do que liberta.

É o caso de Eli Pariser, co-fundador da Upworthy e presidente da MoveOn.org, que em entrevista ao El País lembrou que “a democracia requer que os cidadãos vejam as coisas a partir de outros pontos de vista, em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas bolhas”.

Bolhas de interesse

Pariser explica que isso acontece porque as empresas de internet filtram o conteúdo que é apresentado ao usuário, com base no seu comportamento na rede. Isso faz com que ele tenha acesso apenas a ideias que lhe são afins, reduzindo a possibilidade dele entrar em contato com o contraditório.

Em “O Filtro Invisível: o que a Internet está escondendo de você” (Zahar, 2012) ele analisa como corporações como Facebook, Amazon e Google se utilizam de algoritmos a partir do histórico e do perfil dos usuários na internet, ameaçando a liberdade na rede.

Em sua participação no TED Talks (confira aqui), Pariser detalha esse processo, explicando a criação de “filtros-bolha”, compostos por todos os filtros e algoritmos que geram um universo de informação sobre cada internauta. Um universo “próprio, pessoal e único” gerado a partir do que os usuários da internet são e fazem na rede.

Esses algoritmos criam o conteúdo que será ofertado, diminuindo a possibilidade de escolha do usuário e restringindo o acesso ao que extrapola esta bolha de interesses, por exemplo, visões de mundo desafiadoras que fariam o internauta reavaliar seus pontos de vista.

Pariser relata, por exemplo, sua surpresa diante do desaparecimento de seus amigos conservadores no Facebook. O sistema simplesmente percebeu que ele clicava mais nos links de seus amigos liberais e, sem consultá-lo, ocultou as postagens dos amigos conservadores em sua rede social.

Em relação ao Google, o mesmo processo: “não há mais um Google padrão”, aponta. A partir de dados prévios, a plataforma trará diferentes resultados de acordo com o internauta que realizar a pesquisa. Segundo Pariser isso evidencia a “edição algorítmica e invisível” praticada pelas corporações no ambiente virtual.

A rede passa a “mostrar aquilo que pensa que queremos ver, mas não necessariamente o que precisamos ver”, avalia. Lembrando que antes o controle dos fluxos de informação cabia aos editores da mídia, ele destaca que agora esses editores foram substituídos por algoritmos que se transformaram em “curadores do mundo”, com poder de decisão sobre o que será ou não visto pelo usuário.

“Sou um fatalista das plataformas de Internet como Facebook ou Google. A comunicação de massa já foi transferida para elas. Isso significa ceder a elas o poder de distribuição e aceitar que possam decidir o que entra ou não. É um problema, mas hoje não há alternativa para elas”, denuncia.

Privacidade ameaçada

Ao controle apontado por Pariser somam-se as denúncias gravíssimas de Edward Snowden, reveladas em 2013, envolvendo as empresas de internet no esquema de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana.

Em “Sem Lugar para se Esconder” (Sextante, 2014), o jornalista Glenn Greenwald traz uma farta documentação sobre os acordos secretos firmados entre NSA e as corporações da internet no escopo do PRISM, programa que permite a coleta de dados de usuários diretamente dos servidores dessas empresas.

Em um dos slides apresentados no livro (na página 117) nove empresas - Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube, Apple – são citadas como colaboradoras do programa. Segundo Greenwald, todas negaram ter dado acesso ilimitado a seus servidores para a NSA. Facebook e Google afirmaram que “só fornecem informações para as quais a NSA tem mandato”.

Porém, essas empresas “não negaram ter trabalhado com a NSA para montar um sistema por meio do qual a agência poderia ter acesso direito aos dados de seus clientes”, salienta o jornalista. A NSA “alardeou repetidas vezes os méritos do PRISM por suas capacidades de coleta ímpares, observando que o programa foi vital para o aumento da vigilância”, complementa.

Uma vigilância, como indica o slide, capaz de fornecer à agência, por meio desses servidores, acesso a “e-mail, chat (vídeo, voice), fotos, dados armazenados, voIP, transferências de arquivos, videoconferências, notificações de atividade do alvo (logins etc), detalhes de redes sociais na Internet, solicitações especiais”.

É compreensível, portanto, que Snowden tenha enfatizado: “livrem-se de ferramentas como o DropBox e evitem usar o Google e o Facebook”, em 2014, quando do lançamento de CitizenFour, documentário dirigido e disponibilizado na íntegra por Laura Poitras.

Além da espionagem praticada por governos, a violação da privacidade dos usuários na rede e a comercialização de seus dados para os mais diversos fins é outro alerta que vem sendo dado por vários estudiosos. Em seu artigo “A captura do poder pelo sistema corporativo” (confira aqui), o economista Ladislau Dowbor menciona a “erosão radical da privacidade” nas últimas décadas.

Hoje, alerta, “a vida de todos trafega em meios magnéticos, deixando rastros de tudo o que compramos ou lemos, da rede dos nossos amigos, os medicamentos que tomamos, o nosso nível de endividamento”. Empresas conseguem comprar informações pessoais de clientes e também de seus funcionários.

“A defesa dos grandes grupos de informação sobre as pessoas é de que se trata de informações ‘anomizadas’, mas o cruzamento dos rastros eletrônicos permite individualizar perfeitamente as pessoas”, analisa Dowbor.

Ele aponta que o acesso a informações confidenciais das empresas fragiliza grupos econômicos menores diante dos grupos gigantes que podem, inclusive, ter acesso às comunicações internas destes grupos.

“Não se trata apenas de alto nível de espionagem, como se viu na gravação de conversas entre Dilma Rousseff e Ângela Merkel”, mas da violação da privacidade de todos nós e “com apoio de um sistema mundial de captura e tratamento de informações do porte da NSA”.

Disputa pela atenção

Donos de 20% dos investimentos em publicidade no mundo em 2016, com uma arrecadação apenas em receita publicitária de US$ 79,4 bilhões (Google) e US$ 26,9 bilhões (Facebook), as duas empresas foram responsáveis por 2/3 do crescimento dos anúncios entre 2012 e 2016, segundo o relatório “Os 30 Maiores Donos de Mídia no Mundo”.

O levantamento também mostra que a Internet desbancou a teve e se tornou o maior meio para o mercado publicitário no mundo. Para entender como funciona esse mercado na rede, são preciosos os estudos de Tim Wu, professor da faculdade de Direito da Universidade de Columbia.

Em “The Attention Merchants” (Alfred A. Konpf, 2016), Tim Wu trabalha o conceito de mercado da atenção, explicando que nada é de graça na internet, porque a atenção do internauta se constitui hoje na principal moeda que circula na rede.

“Quando um serviço on-line é grátis, você não é o consumidor. É o produto”, alerta Tim Wu, analisando o comportamento de plataformas como o Google e o Facebook. Ele também destaca que em um contexto jamais visto de acesso a dados dos consumidores, em que os algoritmos decidem o que será ou não visto, os mercadores de atenção se lançaram em um verdadeiro “vale-tudo” em busca de audiência.

Essas empresas “engolem tudo o que podem aprender sobre você e tentam transformar isso em dinheiro”, aponta autor. Em meio à competição, elas inclusive se utilizam de informações apelativas, em “uma corrida em direção aos mais baixos padrões, apelando para o que se poderia chamar de instintos básicos do público”.

Tim Wu também é autor de “Impérios da Comunicação” (Zahar, 2012) que conta a história da trajetória das tecnologias e dos meios de comunicação, apontando a existência de um padrão, um ciclo de abertura e de fechamento, a cada descoberta tecnológica.

Ele mostra este padrão ao longo da história, trazendo os bastidores da atuação das corporações durante a descoberta do telefone, do rádio, da televisão, do cinema. Há um período inicial de abertura, democratização e liberdade nos meios de comunicação; seguido de um período de refluxo e fechamento, quando os monopólios do mercado se apropriam desses meios.

Ao longo de toda obra paira o questionamento sobre o que acontecerá com a Internet, com um alerta claro sobre os riscos do controle e apropriação do meio pelas corporações às custas da perda de liberdade por parte dos usuários.

Nesta terça-feira (27.06.2017), por exemplo, o Google foi multado pelas autoridades regulatórias europeias por ter favorecido ilegalmente seu próprio sistema de comparação de preços (Google Shopping) em seu mecanismo de buscas. As cifras são astronômicas: € 2,42 bilhões, o equivalente a R$ 8,9 bilhões.

Segundo a Comissão Europeia, com essa prática irregular, a empresa ampliou em 45 vezes no Reino Unido e em 35 vezes na Alemanha o número de acessos a seus serviços. Às empresas que competiam com o Google nestes países tiveram uma perda do tráfico de 85% e 92% respectivamente.

Cifras astronômicas que atestam a dimensão do poder dessas empresas.

Internet e eleições 2018

Os alertas e questionamentos instigados por Parisier, Snowden, Greenwald, Dowbor e Tim Wu ganham um peso ainda maior se pensarmos o papel que as mídias sociais terão nas eleições de 2018.

Dados da última sondagem do Ibope, realizada com o público apto a votar nas eleições presidenciais, apontam que 56% dos entrevistados reconhecem que as mídias sociais terão influência em suas decisões. Para 36%, elas terão “muita influência”.

O interessante da pesquisa é que o índice de relevância das mídias sociais, embora seja o mesmo ao atribuído à mídia tradicional (35% apontam “muita influência”), cresce cada vez mais no eleitorado de 16 a 24 anos: 48% deles consideram que as mídias sociais terão “muita influência” na sua escolha.

Trata-se, portanto, de uma eleição que se dará em um contexto de forte recrudescimento dessas bolhas de interesse, em um processo global de ampliação do controle pelas corporações que detêm acesso a dados de usuários e poder de decisão sobre o que é destaque ou não nas redes.

Um contexto, inclusive, de grandes dificuldades e desafios para a Mídia Alternativa no país. Hoje, a única capaz de irrigar o contraditório na pauta nacional, lamentavelmente, desidratada pelo discurso hegemônico, autoritário e golpista dos caudilhos que se arvoram donos da comunicação brasileira.
Posted: 29 Jun 2017 06:50 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Quando era presidente da Embratur, João Doria tentou implantar no Brasil uma novidade na indústria do turismo. É verdade que, na sua época, a estatal publicou em revistas estrangeiras anúncios com mulheres em trajes mínimos, na praia, um convite subliminar ao turismo sexual.

Mas esta já era uma prática na empresa.

O que nunca havia sido sequer cogitado é tornar a seca e a miséria no Nordeste um atrativo turismo para os moradores do Centro-Sul do Brasil.

Doria inovou.

O escritor Ivan Mizanzuk postou hoje no Twitter notas publicadas em jornais da época.

Em julho de 1987, a Folha de S. Paulo noticiou:

“A seca, os flagelados famintos e a caatinga nordestina poderão virar atração turística por sugestão do presidente da Embratur, João Doria Júnior, que propôs em Fortaleza (CE) a instalação de albergues turísticos na região”, disse.

A Gazeta Mercantil (importante jornal da época) reproduziu um discurso de Doria a empresários do Ceará, em que ele disse que “a seca poderia ser um ponto de atração turística no Nordeste”.

A reação foi imediata. Jornais locais repercutiram a “ideia” extravagante do gestor da Embratur.

“A fome como atração turística” é o título de uma dessas notas.

O texto afirma que Doria defendeu a redução de verbas de irrigação, como forma de aumentar “as de turismo para exibir flagelados da seca porque os habitantes do eixo Rio-São Paulo só conhecem a seca através da imprensa. Ou seja, em vez de empregar o dinheiro do governo para financiar a produção, empregaria tal verba para que os turistas, em ônibus refrigerado e regado a uísques, possam se distrair vendo as crianças esqueléticas tomando lama em lugar de água”.

A radialista Adísia Sá, na época responsável por um dos programas de maior audiência de Fortaleza, o “Debate do povo”, promoveu uma intensa campanha contra Doria, que acabou repercutindo na Câmara Municipal de Fortaleza, onde Doria foi muito criticado.

Adísia disse que organizaria uma manifestação para “receber a primeira agência de viagens que chegar com uma excursão para visitar a seca” e fazê-la voltar para o Sul, debaixo de vaia.

O caso chegou até o presidente da época, José Sarney, a quem se pediu a demissão de Doria.

Mas o presidente da Embratur se manteve no cargo. Suas costas eram quentes: ele era apadrinhado de Roseana Sarney, filha da presidente, a quem ele acompanhava no Rio de Janeiro, no período em que Roseana esteve separada de Jorge Murad.

Adísia já está com mais de 80 anos, é articulista do jornal O Povo, mas não trabalha mais no rádio. Eu conversei com ela pelo telefone. Adísia disse estar impressionada com a popularidade que Doria alcançou em São Paulo, mas não quis falar do assunto.

“Faz tanto tempo”, disse.

João Doria chegou à prefeitura de São Paulo com um discurso de gestor eficiente, que nunca foi político, um trabalhador desde adolescente.

Para tanto, mostrava sua carteira de trabalho, tirada quando tinha 13 anos de idade, e a exibia como prova de sua inclinação para o trabalho honesto.

O que Doria nunca mostrou é um registro profissional que teria tido nesta idade.

As pessoas mais velhas sabem que, durante a ditadura, a carteira profissional era um documento mais importante do que o RG para adolescentes.

Era a primeira coisa que os jovens mostravam à polícia quando abordados, para evitar prisões por vadiagem, que eram comuns na época. E menores eram encarcerados tanto quanto os adultos.

Uma face mais aproximada do verdadeiro jovem Doria foi descrita por ele mesmo, num artigo publicado na Folha de S. Paulo em 1988, quando já buscava oportunidade de negócio em Campos de Jordão.

Narrando como era sua vida lá, Doria contou:

- Já adolescente, no final da década de 60, eu peguei os resíduos talvez da época áurea de Campos de Jordão. Os jovens usavam calças rancheiras da marca Far-West e camisas de flanelas listrada, aplaudiam os shows de Elis Regina, Jair Rodrigues e até atrações internacionais nos salões do já então tradicional Grande Hotel. Os chás no Toriba eram e permanecem sendo um ato de elegância gastronômica e de moda. Julho era um mês aguardado pelos que subiam a serra, numa horrível viagem de quase quatro horas pela antiga estrada, para desfrutarem do frio seco e gostoso.

No mesmo texto, explica como se divertia com as brigas dos playboizinhos:

- Em Capivari, um dos centros de Campos, a badalação era animada, com batidas do bar Cremerie. Ajustavam-se namoricos e marcavam-se encontros na boite Maumauzinho. Noites quentes aqueles no Maumau, especialmente quando os irmãos Abdalla e Conde resolviam exercitar dotes pugilísticos. Sobravam dores, mesas quebradas e muitas estórias (sic) para alimentar as rodas de papo à beira da lareira. Gincanas e as disputadas eleições de Miss Suéter no Tênis Clube, completavam o cenário das temporadas de inverno.

Alguém consegue ver neste perfil o João Trabalhador apresentado na campanha para a prefeitura de São Paulo?

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PS: Doria foi demitido da Embratur em agosto de 1988, sob a suspeita de desvio de recursos, entre outras irregularidades.
Posted: 29 Jun 2017 05:17 AM PDT
Por Altamiro Borges

Na cavalgada pelo impeachment de Dilma Rousseff, a maior parte da maçonaria nativa - que se diz uma "sociedade secreta" - deixou de lado as catacumbas e participou ativamente da onda golpista. Várias de suas "células" reforçaram as marchas organizadas por seitas fascistas, como o Movimento Brasil Livres (MBL) e o Vem Pra Rua. Empresários maçons ajudaram a financiar a cruzada falsamente moralista. Concretizado o assalto ao poder pela quadrilha de Michel Temer, a situação parece que se embaralhou. Setores menos fundamentalistas da "sociedade secreta" agora erguem sua voz contra o Judas e suas maldades. Nesta semana, uma "célula" intitulada "Maçons Progressistas do Brasil" lançou um manifesto em apoio à greve geral marcada para sexta-feira (30) e em repúdios as contrarreformas trabalhista e previdenciária do governo ilegítimo. Vale conferir:

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Os Maçons Progressistas do Brasil fazem uma convocação para que todos os trabalhadores e demais segmentos da sociedade participem das manifestações da próxima sexta-feira.

Os trabalhadores brasileiros se preparam para mais um momento histórico de luta por Diretas Já e contra as reformas Trabalhista e Previdenciária.

Durante assembleias, realizadas em diversos pontos do país, os trabalhadores confirmaram a adesão à Greve Geral, marcada para o dia 30 de junho.

Outros segmentos aderem ao movimento, participando de atos públicos e diversos tipos de protestos.

A Greve Geral é um momento histórico de luta da classe trabalhadora contra o ataque aos direitos. Nós, enquanto Maçons Progressistas, temos a obrigação de ajudar a construir, juntamente com a sociedade organizada, uma grande greve no dia 30 de junho, não só porque as categorias precisam mostrar a sua força, porque os sindicatos estão de fato mobilizados ou de acordo com as suas bases, mas, principalmente, pela responsabilidade histórica de não permitir que esse golpe se configure na sua expressão mais nociva, que é o ataque aos direitos do trabalhadores, em particular na reforma
trabalhista, que joga por terra anos de história, luta e resistência da classe trabalhadora em nosso país.

Diante do agravamento da crise do governo Temer (PMDB), a expectativa é a de que a paralisação seja ainda maior do que a alcançada com a Greve Geral do dia 28 de abril.

Portanto, é chegada a hora de todos nós protestarmos e exigirmos a saída desse governo autoritário e corrupto, que tenta cinicamente acabar com os direitos mais elementares da sociedade brasileira.

Maçons Progressistas do Brasil – MPB

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