sábado, 3 de junho de 2017

3/6 - Os Amigos do Presidente Lula DE 2/6

Os Amigos do Presidente Lula


Posted: 02 Jun 2017 04:50 PM PDT




Na manhã do dia 18 de maio, enquanto a Polícia Federal cumpria mandados de prisão e buscas pela operação Patmos, o servidor do Planalto era acessado e as agendas antigas de Michel Temer (PMDB) manipuladas. As alterações teriam sido realizadas para esconder a informação de que houve um encontro, no dia 18 de agosto de 2014, em Brasília, entre o então vice-presidente e o lobista do grupo J&F, Ricardo Saud.

Em delação premiada, Saud disse que encontrou o peemedebista para comunicá-lo pessoalmente sobre o repasse de R$ 15 milhões ao PMDB na campanha eleitoral - fruto de um acerto para compra de apoio a Dilma Rousseff (PT). Na agenda de Temer, no entanto, agora consta a informação que naquela data não houve compromisso oficial. As informações foram divulgadas na noite desta sexta-feira (2) pelo site da revista Época

A revista diz que submeteu os códigos-fonte – espécie de alfabeto das máquinas – das páginas na internet que registram as agendas antigas de Temer a dois peritos da Polícia Federal especialistas em informática. Eles chegaram à conclusão de que realmente os servidores foram acessados e a agenda manipulada.

Em resposta à reportagem, o Planalto reconheceu que acessou os servidores da presidência para edição das agendas antigas de Temer, contudo, a motivação seria apenas burocrática, sem o intuito de esconder alguma informação.

A reportagem de “Época”, no entanto, relata que mais de 100 páginas com códigos e scripts das agendas de Temer foram analisadas pelos peritos e eles concluíram que nem todas as agendas antigas foram modificadas no mesmo dia.

“Ou seja, um grupo expressivo fugiu do padrão: as agendas que foram manuseadas no último dia 18 de maio, no calor da operação da PF, que poderia, por exemplo, ter registrado o encontro com o executivo da JBS. Na avaliação dos peritos consultados pela reportagem, como as modificações não ficaram registradas em todas as agendas, a indicação é que pode ter ocorrido uma busca por palavras-chave para a realização de alterações específicas. Consultados sobre a justificativa do Planalto, os peritos apontam que uma migração de dados deveria provocar alterações em todas as agendas, e não somente em algumas”, informa a revista.

 Segundo a reportagem, “somente uma perícia dentro dos servidores do Palácio do Planalto poderia resgatar o histórico das páginas e apontar efetivamente se houve supressão de dados com o objetivo de proteger Michel Temer das investigações da Lava Jato, apagando rastros que poderiam implica-lo mais ainda”.
Posted: 02 Jun 2017 11:08 AM PDT

Grampos trazem à tona como senador afastado age para calar seus críticos, prática já denunciada diversas vezes pela imprensa de Minas Gerais
Os áudios dos grampos autorizados pela quebra de sigilo telefônico do senador Aécio Neves (PSDB) e de sua irmã Andrea pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nas investigações sobre as delações de Joesley Batista, dono da JBS (Friboi), e que foram divulgados nesta quarta-feira (31), revelam mais que o "mal-estar" entre os tucanos, como enfatiza a relação entre Aécio Neves e imprensa. Uma relação já conhecida, porém, até então, sem provas.Em meio à troca de "fogo amigo" ou no calor de uma operação "salve-se quem puder", com direito a ameaças Ouça todos os áudios aqui
Posted: 02 Jun 2017 11:08 AM PDT


Conversas interceptadas mostram Aécio Neves e o ministro Moreira Franco falando em “entrar no circuito” em favor da Record dentro do banco estatal, com anuência do presidente.

Conversas entre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral de Governo) e um executivo da TV Record indicam uma negociação para a emissora ter demandas atendidas pela Caixa Econômica Federal em troca de fazer uma entrevista com o presidente Michel Temer (PMDB).

A conversa, travada entre Aécio e Douglas Tavolaro, sobrinho do bispo Edir Macedo e vice-presidente de jornalismo do grupo, fala em “juntar tudo num pacote e sair”.

Em outra conversa, citando o conhecimento do presidente Temer do pedido da Record, Aécio cobrou o ministro Moreira Franco para "entrar no circuito com o cara da Caixa" e este disse que já tinha encaminhado a demanda da emissora.

Tratava-se de um pedido de patrocínio da Record à Caixa — que foi negado pela área técnica do banco. Segundo a Caixa, foi o próprio Moreira Franco quem encaminhou o pedido da emissora. A entrevista da Record com Temer não foi realizada.

Em mais de um momento, durante um telefonema, Aécio e Moreira Franco dão a entender que há o aval de Temer. Em todos os diálogos, o telefone grampeado é o do senador Aécio Neves. Os grampos foram realizados na noite de 19 abril.

Naquele mês, Temer realizou um périplo de entrevistas à imprensa — estratégia que é elogiada pelo executivo da Record. O presidente, por exemplo, deu entrevistas exclusivas à TV Bandeirantes, duas ao SBT (uma delas ao apresentador Ratinho), além de rádios e agência de notícias. Na semana anterior, a delação da Odebrecht havia sido divulgada e colocado Temer em mais uma crise política.

Enquanto o Planalto montava um plano de entrevistas, Aécio Neves estava sendo grampeado pela Polícia Federal, em razão de ter sido flagrado em áudio pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS.

É nesse contexto que acontecem as conversas. São três diálogos num espaço de poucos minutos. Em resumo, Aécio e Douglas tratam de uma entrevista com Temer e o executivo pede ao senador para falar com Moreira Franco. Minutos depois, o tucano fala com ministro.

Fica claro qual era a demanda da Record: um “assunto paralelo” na Caixa. Aécio usou a seguinte expressão ao pedir a Moreira Franco: “Entrar no circuito com o cara da Caixa”.

O tucano ainda avisa: “É aquelas coisas que não precisa falar por telefone”. Por fim, Aécio retorna a ligação a Douglas e pede para ele procurar Moreira Franco.

Tudo aconteceu num período de dez minutos. Primeiro, às 19h57. Era 19 de abril, uma quarta-feira.

O executivo da Record Douglas Tavolaro relata a Aécio que estava recebendo ligações do ministro Moreira Franco.

O executivo diz que, de propósito, não iria atender o telefonema, porque imaginava que seria um pedido de entrevista — e a resposta seria negativa.

“Só tem um jeito de sair. Se tiver uma coisa, entendeu?”, diz o executivo a Aécio. A Caixa não é citada ainda.

Ouça o diálogo de Aécio Neves com Douglas Tavolaro, executivo da Record: 19 de abril de 2017, 19h57


Tavolaro - O Moreira me ligou no celular duas vezes. Eu já deduzo qual seja o assunto. Antes de falar com ele, eu queria alinhar com você para entender. Ele ligou para o nosso presidente também e pediu para gente tentar colocar nosso número 1 numas entrevistas. Eles estão agora com essa estratégia de comunicação, de colocá-lo para falar. Eu acho que ele me ligou para me pedir isso. E eu estou muito sem graça de falar com ele. Eu vou ter que passar isso para cima e a situação está parada. Eu não sei você quer ajudar a intermediar isso, ligar para ele..

Aécio - Eu até te mandei uma mensagem ontem.

Tavolaro - Que você ia chamar o pessoal lá

Aécio - É, falei com ele próprio, que isso era um absurdo. Ele até esculhambou o cara, falou que era um idiota, que ia chamar ele aqui hoje ainda para dar o comando. Eu como tinha esse evento aqui, eu acabei não indo a Brasília. Você não tem como empurrar um pouquinho ou pelo menos ouvir o que ele tem para dizer...

Tavolaro - Eu só não dou retorno porque se eu retornar, ele vai pedir.

Aécio - Vai ficar chato para você

Tavolaro – O presidente não vai conseguir fazer. Eu já tenho o retorno, já. Entendeu? O nosso presidente [da Record] aqui não vai conseguir fazer. Só tem um jeito de sair. Se tiver uma coisa, entendeu? Eu acho inteligente a estratégia deles, diminui o impacto.

Aécio - Deixa eu tentar mesmo por telefone intermediar novamente isso e te ligo.

Tavolaro – Se você quiser, na minha opinião, fala como desentendido para saber.

Aécio - Com o próprio Moreira, ne?

Tavolaro - É, como uma intermediação. Eu nunca falei com ele até agora.

Aécio - Eu acho até que nos fortalece realmente mutuamente. Eles ficam sabendo que o canal é aqui e me dá mais força para resolver. Pode ser uma boa estratégia nossa.

O senador mineiro não demora em fazer a “intermediação”. Após oito minutos, ele liga para Moreira Franco.

É nesse momento que fica claro que havia um interesse da Record dentro da Caixa Econômica. Aécio menciona, também, a anuência de Temer.


Ouça o diálogo de Aécio com Moreira Franco sobre Record: 19 de abril de 2017, 20h05.


 Aécio - Deixa eu te falar, Moreira. É uma questão que corre no paralelo das questões que você está cuidando. Eu cheguei a falar com o presidente algumas vezes do assunto da Record. Você está a par disso? Do assunto do... número 1 lá.

Moreira - Tratei disso hoje. Já liguei para o Douglas e não consegui falar ainda. Liguei três vezes. Você que é amigo dele…

Aécio - É aquelas coisas que não precisa falar por telefone. Mas você entrou nesse circuito com o cara da Caixa?

Moreira - Já entrei. Entrei hoje. Peça para ele me ligar.

Aécio - Isso vale a pena.

O senador em seguida retorna para Douglas Tavolaro. Aécio diz que Moreira Franco já havia encaminhado o interesse da Record na Caixa e reproduz, para o executivo da emissora, a conversa que teve minutos antes com o ministro.

Esse áudio, mais uma vez, indica que havia a ordem dos chefes do executivo da Record em negar o pedido do ministro, embora Douglas repita que a estratégia do Planalto, numa referência às entrevistas de Temer, era importante.

Ouça o diálogo de Aécio Neves com Douglas Tavolaro, executivo da Record: 19 de abril de 2017, 20h07.



Aécio - Liguei para ele (Moreira) direto e falei que eu to num constrangimento enorme. Aí eu inverti e falei “liguei para o pessoal lá, até para pedir uma gentileza… dos jornalistas e ele (Douglas Tavolaro) me cobrou com todas as letras, não teve nenhuma resposta ainda de um assunto que eu tratei direto com o presidente e eu imagino que o presidente tenha tratado com você (Moreira) lá na Caixa e não tiveram uma resposta. Aí ele (Moreira) falou 'é sobre esse assunto que eu quero falar com ele também'. Isso andou? Aí ele (Moreira): andou, tentei falar com ele hoje duas ou três vezes e não consegui. Peça para ele (Douglas Tavolaro) me ligar. E brincou, “vi que ele (Douglas Tavolaro) é seu amigo”. E é mesmo, e está constrangido de ligar para você (Moreira), você pedir outra coisa e ele (Douglas Tavolaro) ia ter que te dizer não. Ele (Douglas Tavolaro) recebe ordens. Tem toda a boa vontade, mas não é o dono. Eu estou com esse compromisso, estou constrangido com eles. Aí ele (Moreira) falou, 'peça por favor para ele (Douglas Tavolaro) me ligar'. Deixa passar hoje para não parecer tanta ansiedade. E ai você (Douglas Tavolaro) liga amanha de manhã, fala que recebeu o recado. E aí me liga em seguida para ver se é mais uma embromação e se eles realmente entraram no circuito. Eu disse a ele (Moreira Franco) o seguinte: é o assunto Caixa, o assunto paralelo, que nada tem a ver com o que você está tratando.

Tavolaro - Ele tá juntando num pacote. Não tem problema. Se ele juntar o pacote e sair, eu agito o nosso cá, entendeu? Porque eu acho importante a estratégia dele.

Aécio - Eu acho bom que a gente faça esse canal porque eu fico com mais autoridade, inclusive do número 1. E ele vai saber que as coisas só vão andar se for por aqui. Porque ele não vai cobrar, ele vai ficar naquela de que está fazendo para todo mundo. E eu só tenho esse compromisso com você, tenho como priorizar com mais rigor.

Tanto o Palácio do Planalto quanto a TV Record apresentaram versões contraditórias sobre o episódio.

A emissora negou que tenha condicionado entrevistar Temer em rede nacional a qualquer benefício na Caixa Econômica Federal, "um cliente histórico". Segundo a emissora, a entrevista não aconteceu porque o Planalto não aceitou que o presidente falasse antes com a Record.

O Planalto contou uma história diferente. A assessoria de Temer diz que não houve entrevista do presidente à Record porque nunca houve pedido da emissora.

Ao contrário do que diz a Caixa Econômica Federal, que afirma que o pedido de patrocínio da emissora chegou por meio de Moreira Franco, a Presidência também alegou "desconhecer" que o ministro da Secretaria de Governo tenha tratado de demandas da Record no banco. Todas as informações são do site BuzzFeed News, Brasil
Posted: 02 Jun 2017 10:17 AM PDT

Uma carta pública assinada por 119 servidores do Ministério das Relações Exteriores repudia "o uso da força para reprimir ou inibir manifestações" e pede uma renovação do "compromisso com o diálogo construtivo e responsável" na sociedade brasileira.

"Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país", diz a carta pública, em um movimento incomum na diplomacia brasileira.

A Folha apurou que o estopim para a publicação do documento foi a nota do Itamaraty divulgada no último dia 26, que critica em tom pouco usual o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Segundo a nota, os dois organismos "fantasiosamente querem induzir a crer que o Brasil não dispõe de instituições sólidas, dedicadas à proteção dos direitos humanos e alicerçadas no estado democrático de direito".

As duas entidades, em comunicado conjunto publicado também no dia 26, haviam condenado o "uso excessivo da força por parte da Polícia Militar para reprimir protestos e manifestações no Brasil".

O texto cita o protesto do dia 24 em Brasília organizado por centrais sindicais e movimentos sociais contra o presidente Michel Temer, que terminou com 49 feridos, oito detidos, prédios depredados e a presença do Exército nas ruas da capital federal.

"Os dois organismos condenam todo ato de violência e urgem aos manifestantes a exercer seus direitos à livre manifestação de forma pacífica, ao mesmo tempo em que reafirmam que a ação das forças de segurança deve respeitar em todo momento as normas internacionais de direitos humanos."

Também foram citados pelos órgãos internacionais dois outros episódios ocorridos no dia 24 envolvendo forças de segurança. "Nesse contexto, no dia 24 de maio, dez pessoas foram mortas durante um despejo violento realizado pela polícia civil e militar em uma fazenda no estado do Pará", diz a nota conjunta, que em seguida lembra que "várias pessoas resultaram feridas na região conhecida como Cracolândia, na cidade de São Paulo, durante uma operação de segurança para remover das ruas dependentes químicos usuários de drogas ilícitas".

O Itamaraty classificou como "atitude que beira a má-fé" a citação das mortes no Pará e disse que "o governo brasileiro lamenta que a ação das autoridades de São Paulo, que tampouco guarda relação com o ocorrido em Brasília, seja capitalizada pela nota, cinicamente e fora de contexto, para fins políticos inconfessáveis".

Em nota publicada na terça-feira (31), 54 entidades de direitos humanos avaliam como "gravíssima e destemperada" a reação do Itamaraty.

"A linguagem desrespeitosa e agressiva adotada pelo Itamaraty se distancia demasiadamente da postura que se espera de um país que se diz comprometido com a proteção internacional dos direitos humanos", afirma o texto.
Posted: 02 Jun 2017 09:42 AM PDT


Com dois inquéritos no STF, apontado como tesoureiro informal de Aécio já cogita revelar o que sabe

 Investigado por supostamente ter recebido propina em nome do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e suspeito de participar de um esquema de superfaturamento na obra de construção da Cidade Administrativa do governo mineiro, o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) Oswaldo Borges da Costa tem feito movimentações junto a sua defesa para colaborar, de forma oficial, com as investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).As informações foram publicadas no jornal O Tempo

Afastado da vida pública desde que se tornou investigado no âmbito da operação Lava Jato, o ex-dirigente da Codemig tomou a iniciativa de buscar informações para o acordo de delação depois da deflagração da operação Patmos, da Polícia Federal (PF). A defesa, inicialmente, nega a informação.

Deflagrada em 18 de maio, a Patmos afastou Aécio de seu mandato no Senado e prendeu a irmã do parlamentar, Andrea Neves, além de Frederico Pacheco, primo do senador, e Mendherson Souza, assessor do senador Zeze Perrella.

Antes da ação da PF, Oswaldinho, como é conhecido, chegou a se encontrar com os irmãos Neves em Brasília. Na ocasião, foi discutida a possibilidade de uma candidatura à Câmara Federal para Andrea em 2018. Atualmente, Oswaldinho responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro diz respeito à construção da Cidade Administrativa durante o governo Aécio.

De acordo com delação de executivos da Odebrecht, o senador tucano teria organizado, em 2007, um esquema para fraudar licitações por meio de um cartel de empreiteiras. As obras de construção do espaço onde hoje funciona a sede do governo mineiro foram realizadas pela Codemig.

No segundo inquérito, Oswaldinho é investigado por supostamente ter recebido propinas como se fossem financiamentos de campanhas tucanas no Estado. Segundo o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, Oswaldinho teria atuado como tesoureiro informal de Aécio, como também seria conhecido no meio político

Viajante. Desde a chegada da Lava Jato em Minas, Oswaldinho tem saído com frequência de Belo Horizonte. O empresário por diversas vezes passava longos períodos nos Estados Unidos, onde tem apartamento em Miami, na Flórida.

Sem visitas

Andrea. O deputado estadual João Leite (PSDB) tentou visitar Andrea Neves na prisão. O tucano, que é evangélico, foi ao presídio com um pastor, mas Andrea se recusou a recebê-los.
Posted: 02 Jun 2017 08:55 AM PDT


Suspeito de cometer crime de insider trading, ao utilizar informação privilegiada para comprar cerca de US$ 1 bilhão às vésperas da divulgação do grampo de uma conversa com o presidente Michel Temer, o dono da JBS, Joesley Batista, aparece na capa da revista de negócios Exame desta semana como exemplo de empresário e "campeão nacional".

Assim que a Exame publicou em seu site a capa da semana, internautas também postaram a imagem de Joesley nas redes sociais e fizeram críticas negativas ao tratamento dado ao dono da JBS. Uma usuária do Facebook lembrou uma cena da novela Vale Tudo, de Gilberto Braga, em que um personagem corrupto foge do Brasil em um jatinho levando milhões de dólares.

"E Gilberto Braga, que profetizou, em 'Vale Tudo', há quase 30 anos, que salafrários voam para fora do País dando uma banana a quem aqui fica", escreveu em sua conta a internauta.

CVM vai investigar Joesley

Em comunicado enviado ao mercado nesta quarta-feira (31), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador e fiscalizador do mercado de capitais no Brasil, anunciou a instauração de dois inquéritos administrativos.

Destinam-se a aprofundar apurações iniciadas em processos abertos no último dia 19 para investigar a atuação da empresa JBS no mercado de dólar futuro, bem como negociações do acionista controlador da empresa, a FB Participações, com ações de emissão da companhia.

No comunicado, a CVM afirma considerar “relevante atualizar o mercado e o público em geral a respeito dos procedimentos envolvendo a JBS, abertos após as notícias, veiculadas em 17 deste mês, envolvendo a delação de acionistas controladores da companhia”.

Dos oito processos abertos desde o último dia 18, cinco se encontram em análise na Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da CVM, vinculada ao Ministério da Fazenda.

Eles objetivam a busca de esclarecimentos adicionais referentes a notícias e especulações abrangendo delação de acionistas controladores da JBS; análise de notícia sobre eventual influência no Conselho de Administração da BRF; e análise da veracidade da divulgação dos controladores diretos e indiretos da Blessed Holdings, sociedade estrangeira sediada em Delaware, nos Estados Unidos, que integra o grupo de controle da JBS, a partir de notícias divulgadas na imprensa.
Posted: 02 Jun 2017 02:10 AM PDT

O presidente Michel Temer não pode ser acusado de virar as costas para os amigos. Na noite de quarta, ele mandou rodar uma edição extra do "Diário Oficial". A publicação teve um único objetivo: renovar a blindagem jurídica do velho parceiro Moreira Franco.

No fim de janeiro, a Lava Jato se aproximou perigosamente do ex-governador do Rio. Quando o Supremo Tribunal Federal homologou as delações da Odebrecht, o alerta soou no Planalto. Três dias depois, o presidente recriou um ministério para dar foro privilegiado ao amigo.

Moreira passou a chefiar a Secretária-Geral da Presidência, que o próprio Temer havia extinguido. O Supremo autorizou a manobra, e os dois companheiros tocaram a vida. O alarme voltou a soar no início da semana, quando a blindagem chegou perto do prazo de validade.

Como o Congresso não validou a medida provisória, Moreira ficou ameaçado de perder o status de ministro. Diante do risco-Curitiba, o presidente deixou a discrição de lado e editou um novo texto com o mesmo teor do antigo. Seus assessores o apelidaram de "MP do Moreira", mas podemos chamá-lo de Seguro Angorá.

(...) Além de editar um ato público com o objetivo privado de proteger um amigo, Temer driblou o artigo 62 da Constituição, que proíbe o governo de editar duas MPs com o mesmo teor.

A operação para blindar Moreira foi deflagrada na mesma semana em que o Supremo começou a discutir o foro privilegiado. Nesta quinta, quatro ministros defenderam a restrição do benefício, que dificulta a punição de políticos acusados de corrupção.

O julgamento foi interrompido por um providencial pedido de vista de Alexandre de Moraes, que discursou por uma hora e meia antes de pedir mais tempo para pensar. Ele é o único juiz do STF indicado por Temer. Antes de vestir a toga, dividia mesa com Moreira nas reuniões ministeriais.Bernardo Mello

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