domingo, 4 de junho de 2017

4/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 04 Jun 2017 12:22 PM PDT
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

Os áudios dos grampos autorizados pela quebra de sigilo telefônico do senador Aécio Neves (PSDB) e de sua irmã Andrea pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nas investigações sobre as delações de Joesley Batista, dono da JBS (Friboi), e que foram divulgados nesta quarta-feira (31), revelam mais que o "mal-estar" entre os tucanos, como enfatiza a relação entre Aécio Neves e imprensa. Uma relação já conhecida, porém, até então, sem provas.

Em meio à troca de "fogo amigo" ou no calor de uma operação "salve-se quem puder", com direito a ameaças veladas – "nós estamos do mesmo lado nessa história"; "porque te envolve"; "sabe o que vai acontecer? joga você no meio" – as conversas, carregadas de palavrões por parte de Aécio, trazem à tona também o modus operandi de uma turma que é profissional em pressionar e calar qualquer crítica ou dissonância na imprensa em relação aos seus interesses.

Nos áudios, o presidente nacional do PSDB, o senador afastado, dá ordens expressas ao governador do Paraná, o também tucano Beto Richa, para acionar sua assessoria de imprensa ("pessoal mais qualificado"), a fim de intervir para tirar rapidamente do ar a matéria "Aliado do Paraná já considera Aécio na cadeia", postada (e retirada) pelo UOL do Paraná.

Na matéria, que causou celeuma no ninho tucano poucos minutos depois de ir ao ar no UOL Paraná, repercutia um comentário de Valdir Rossoni, secretário-chefe da Casa Civil do governo Beto Richa dizendo que visitaria Aécio Neves na cadeia, quando ele fosse preso por causa das contas mantidas na Suíça com as propinas recebidas do esquema de corrupção. O link para a matéria está inacessível, mas seu depoimento é reforçado por um vídeo, também contundente, contra Aécio.

Nesse meio tempo, a própria assessoria de Aécio Neves já teria partido para a ofensiva sobre os correspondentes do portal UOL em Brasília, com receio da viralização do vídeo e do impacto nacional das declarações de Rossoni, que Aécio orienta tachar de "má interpretação dos fatos".

Em outro momento, Aécio conversa com outra pessoa subordinada a ele, provavelmente um assessor, chamado "Flávio", e ordena a retirada do ar também do vídeo de Rossoni e manda que o subordinado volte a ligar no celular de Richa para conseguir isso. Ele orienta o que dizer ao governador: "O senador tá muito chateado (...) Tudo bem que o UOL tirou, mas o cara (Rossoni) tem de tirar a postagem, porque eles estão agora explorando a postagem do cara", diz Aécio.

Como os grampos estão apenas ligados às investigações sobre as delações dos empresários da JBS, disponíveis na quebra de sigilo do STF, as conversas divulgadas só revelam as comunicações entre Aécio e sua irmã. Os diálogos entre os tucanos Richa e Rossoni ou das assessorias intimidando os veículos de comunicação não estão no foco dessa investigação.

A suposta "teimosia" do chefe da Casa Civil de Beto Richa, ambos (governador e secretário) com interesses eleitorais bem definidos, soa como uma tentativa de blindagem de mais um escândalo envolvendo Richa e Rossoni, bem como de se distanciar das denúncias e do avanço de investigações que cada vez mais batem às portas palacianas no Paraná.

Existem mais arquivos de gravações disponibilizados pelas quebras de sigilo do STF, bem como ocorre seletividade por parte dos veículos da imprensa grande na escolha dos trechos, enfoques e versões. Uma escolha a dedo sobre o quê e quem beneficiar ou colocar em maus lençóis.

Curioso que, todas as vezes em que o senador afastado sugeriu ao governador do Paraná estarem todos no mesmo barco ou do mesmo lado dessa história, recebeu a concordância de Richa: "Eu sei (...) É, estamos todos!".

Ouça os áudios que mostram Aécio Neves pressionando Beto Richa contra Valdir Rossoni [aqui].
Posted: 04 Jun 2017 12:13 PM PDT
Por Leonardo Boff, em seu blog:

Todos reconhecem que estamos mergulhados numa profunda crise, das mais graves de nossa história, porque recobre todos os âmbitos da vida social e particular. O fato da crise significa que perdemos as estrelas-guia e nos encontramos num voo cego, sem saber para onde vamos. Ninguém hoje pode dizer o que será o Brasil nos próximos meses. Por isso não é verdadeira a afirmação de que as instituições estão funcionando. Se funcionassem não haveria crise. Elas funcionam para alguns e para outros são completamente disfuncionais, especialmente, para a grande maioria do povo, vítima de reformas sociais que vão contra seus anelos mais profundos e, pior, que implicam a retirada de direitos e de conquistas históricas, como previstas nas reformas trabalhista e previdenciária.

O fato é agravado pela ilegitimidade do Presidente, cuja legalidade é discutida e para muitos, consequência de um golpe parlamentar por trás do qual se ocultam, como em outras ocasiões, as oligarquias econômicas e os endinheirados rentistas que controlam grande parte da economia nacional e que veem ameaçada a sua acumulação perversa.

Ninguém pode negar que estamos mergulhados num caos político que se revela pelo esgarçamento dos limites dos três poderes da república, um invadindo a esfera do outro. Os procuradores, os juízes e as forças policiais que operam a Lava Jato passam por cima de preceitos constitucionais, alguns sagrados em todas as tradições jurídicas desde o tempo do Código de Hamurabi (1772 a.C) que é a presunção de inocência. As investigações da Lava Jato e as delações premiadas puseram à luz do dia o que grassava há dezenas de anos: a rede de corrupção que tomou conta do Estado, das grandes corporações e dos parlamentares, em sua maioria eleitos pelas grandes empresas, representando mais os interesses delas e menos os do povo.

Chegamos a um ponto crítico que temos à frente do poder executivo um Presidente acusado de corrupção, cercado de ministros, em grande parte denunciados e corruptos. Tanto o parlamento quanto o Presidente perderam totalmente a credibilidade que se revela pelos baixíssimos índices de aprovação popular.

O Presidente não mostra nenhuma grandeza, vítima da própria mediocridade e ilimitada vaidade. Aferra-se ao poder, sabendo da desgraça que isso representa para o povo e a desmoralização completa da atividade política. Caso renuncie ou perca o cargo no processo no TSE, invoca-se o artigo 81 da Constituição – que não é cláusula pétrea como querem alguns – que prevê a eleição indireta do Presidente pelo Congresso.

Das ruas e de todos os estratos vem a grita: que legitimidade possui um congresso, quando grande parte dele é constituída por denunciados por crimes de corrução? Cresce dia a dia o reclamo por eleições diretas já, não só do Presidente mas também de todos os parlamentares. Portanto eleições diretas gerais e já.

Quando vigora um caos politico e sem lideranças com capacidade de mostrar uma direção, a solução mais sensata é voltar ao primeiro artigo da constituição que reza:”todo poder emana do povo”. Ele constitui o sujeito legítimo do poder político, o detentor da verdadeira soberania. Todos os eleitos são representantes legitimados por este poder. Como diz o conhecido jurista Nicola Matteucci da Universidade Bolonha:”A soberania é um poder constituinte, o verdadeiro poder último, supremo, originário… que se manifesta somente quando é quebrada a unidade e coesão social”(Dicionário de Política, Brasília 1986, p.1185).

Ora, nós estamos diante da quebra da unidade e da coesão social. Não há mais nada que nos una, nem nos partidos, nem na sociedade. Tudo pode ocorrer como uma explosão social violenta, não excluída uma intervenção militar, já ensaiada nas manifestações populares de Brasília no dia 25 de maio.

Quando ocorre tal caos social, é a soberania popular que deve ser invocada e fazer-se valer. Esta esta é prévia à constituição que prevê eleições apenas em 2018. Aqui está a base para se convocar eleições diretas já. Nossa constituição está coberta de band-aids, tantas foram as emendas que equivalem quase a metade de seu texto. Uma nova emenda constitucional está sendo preparada que prevê a antecipação das eleições gerais ainda para este ano. Estas não poderiam ser apenas do Presidente, mas de todos os representantes políticos.

Que autoridade teria um Presidente, eleito indiretamente, ou mesmo, diretamente, mantido o atual Parlamento, eivado de má vontade e desmoralizado pelas acusações de corrupção? Junto a esta eleição direta, viria uma reforma política mínima que introduzisse a cláusula de barreira partidária e regulasse as coligações para evitar um presidencialismo de coalizão que favoreceu a lógica das negociatas e da corrupção e por isso não é mais recomendável. Esse caminho seria o mais viável e precisamos apoiá-lo.
Posted: 04 Jun 2017 12:04 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Ninguém tem o direito de ficar surpreso diante das alegações finais do Ministério Público contra Lula, pedindo sua prisão em regime fechado e pagamento de uma multa absurda de R$ 87 milhões.

Há novos personagens, sim, na Lava Jato. Mas vamos deixar Aécio Neves, Michel Temer & os outros em seus merecidos lugares. A história dará conta deles, do que fizeram, da herança que deixarão. Não lhes faltarão biógrafos nem jornalistas amigos. Pertencem a uma classe social com um aparato ideológico respeitável, com um imenso banco de reservas, onde as substituições no mundo político – e também na economia – são um processo semi automático, pela genética ou por herança. O caso aqui é diferente.

Desde o início da Lava Jato era possível saber quem era o alvo real da investigação, o nome atrás de todos os outros, o apogeu de uma operação necessária de investigação sobre corrupção que se transformou num ataque aos direitos humanos e garantias devidas a um dos principais personagens da democracia brasileira.

O ataque a Lula é o momento decisivo em quase 40 anos de história brasileira, cujo ato inaugural se encontra nas grandes greves contra a ditadura de 1978. Duas vezes presidente, mais popular candidato para 2018, líder de um processo político que gerou benefícios indiscutíveis para a maioria da população, Lula se encontra naquela fronteira que pode mudar o destino de um país e de um povo, uma linha divisória da República do Galeão que emparedou Getúlio para revogar – não por coincidência – um aumento de 100% no salário mínimo, a recém-criada CLT e a Petrobras que era uma grande esperança num pedaço de papel. Em nome do que? Do Mar de Lama.

Quando se fala de prisão em regime fechado, não custa lembrar que estamos falando de um cidadão que está com 71 anos. Nesta situação, se Lula for condenado pelos crimes de que é acusado – corrução ativa, passiva e lavagem de dinheiro – as penas somadas podem chegar, por baixo, a dez ou mesmo quinze anos, o que equivale prisão perpétua. É isso aí. Até morrer.

A fixação de uma multa impagável também é uma forma de pressão contra sua liberdade. Ainda que se viva num país onde não se permite prisão por dívida, a experiência recente mostra que sempre se descobre atalhos este princípio, uma das melhores heranças deixadas a humanidade pelo revolucionário francês George Jacques Danton (1759-1794).

Não custa recordar uma questão técnica. Ao fixar uma multa neste valor, o Ministério Publico terá de enfrentar duas respeitadas auditorias internacionais, PricewatherhouseCoopers e KPMG, que enviaram laudos a Sérgio Moro isentando Lula de qualquer irregularidade na Petrobras.

Os mestres ensinam que a justiça-espetáculo não se baseia em provas nem em fatos mas constrói narrativas, que são histórias onde fatos reais, suposições, convicções e pura ficção se misturam para formar uma acusação convincente – na aparência.

Não importa lembrar que o apartamento atribuído a Lula jamais tenha sido dele. De nada vale recordar que nem ele nem a mulher jamais tiveram chaves para abrir a porta, que nunca tenham passado uma noite ali. Não importam os registros em cartório, que dizem que o imóvel pertence a empreiteira OAS, sua proprietária até hoje. O mesmo dizem documentos de uma lançamento de debêntures da OAS, onde o edifício Solarys é oferecido como garantia, incluindo o apartamento 16-A.

Importa o espetáculo, e aqui – além de multas milionárias, que sugerem aquilo que não se consegue provar – nada produz tanto impacto como as confissões. A humanidade aprendeu isso na Inquisição Medieval, quando as torturas ocorriam em público, em rituais em que eram justificadas como caminho indispensável para confissões que levariam ao perdão divino.

Assistiram-se novas lições durante os processos do Terror Stalinista, (1934-1939), quando o procurador-geral Andrey Vychinzky executou 200 000 pessoas. Antes de tomar suas vidas, arrancou sua dignidade, obtendo confissões forçadas de traição da maioria de intelectuais e dirigentes que haviam feito a Revolução de 1917 e governaram o país por mais de 20 anos.

Principal executivo da OAS, Leo Pinheiro esteve preso duas vezes na carceragem de Curitiba. Em nenhum dos três depoimentos prestados apontou Lula como proprietário. Em abril de 2017, mudou a versão, mas não foi capaz de provar o que dizia. Alegou que Lula determinou que destruísse os documentos, o que ajuda a acusação mas não resolve o problema. O fato de uma pessoa ser capaz de destruir provas não demonstra – acima de qualquer dúvida – que elas tenham existido.

As alegações finais do Ministério Público chamam a atenção por uma frase. Ali se informa que outros acusados no mesmo inquérito terão sua pena reduzida porque decidiram "espontaneamente", colaborar com as investigações. É de chorar.

A verdade é que as alegações iniciais foram entregues a Sérgio Moro numa conjuntura em que os métodos da Lava Jato começam a produzir mal estar crescente em meios jurídicos que vão muito além do PT.

"As delações se tornaram instrumentos eminentemente políticos," acusa o Estado de S. Paulo em editorial (1/6/2017). Referindo-se ao trabalho do Ministério Público, diz ainda o jornal: "o objetivo não é pegar os grandes criminosos, mas apenas aqueles que, na visão dos procuradores da República, devem ser alijados da vida nacional -- isto é, os políticos."
Posted: 04 Jun 2017 11:59 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:



Em entrevista à Veja, o presidente Michel Temer deixa claro que vai lutar até o fim pela cadeira que ocupa, conquistada com muito esforço e risco após liderar a conspiração golpista que promoveu a derrubada de sua companheira de chapa.

Temer não tem vergonha, nem a imprensa lhe cobra esse tipo de escrúpulo moral, de ter sido eleito pela chapa de Dilma Rousseff, do PT, e agora estar aliado aos adversários de Dilma e do PT.

É uma traição política tão repugnante que não consigo imaginar como alguém pode conceber que isso não é um golpe.

Um impeachment dentro das regras democráticas implicaria tão somente a remoção do presidente da república, mas a manutenção de todo o resto do governo, que foi eleito pela população.

Aliás, talvez por perceberem essa contradição, os golpistas insistem na cassação da chapa no TSE, com a preservação de Michel Temer: assim se sentirão mais confiantes de terem feito a cirurgia perfeita. Do ponto-de-vista médico, é uma inversão, contudo. É como se o TSE fosse promover a remoção de todo o corpo, para deixar intacto e vivo apenas o tumor.

Michel Temer, vice-presidente de uma chapa presidencial que recebeu 54 milhões de votos, promoveu, após o golpe, um expurgo brutal de todos os quadros ligados ao partido que venceu as eleições. Em seguida, deu início a reformas que foram derrotadas na campanha eleitoral, e que continuam sendo rejeitadas de maneira esmagadora pela sociedade. E agora mantém um relativo controle sobre a opinião pública, concentrando verbas federais unicamente na mídia chapa-branca.

O chapa-branquismo da mídia é baseado numa absoluta convergência de interesses entre governo Temer, mercado financeiro e a própria mídia.

Há um grande teatro sendo exibido à opinião pública.

À mídia, sempre interessou um Temer fraco, à beira da deposição, brandindo sua impopularidade como se esta fosse um “trunfo”: é a única maneira de lhe deixar completamente dependente do apoio do PSDB, o partido orgânico das elites e da mídia.

Temer é um fantasma. Não tem vontade própria. Ele e seu grupo de apoio governam de acordo com a vontade do “mercado”, conforme já confessou o presidente do congresso, Rodrigo Maia.

E o mercado fala através dos editoriais da Globo.

A Globo, portanto, não precisa de Temer: ela já estendeu seus tentáculos sobre toda a máquina do Estado.

Quem governa o país, hoje, são duas forças: 1) o partido da mídia, que representa setores entreguistas e colonizados do empresariado; 2) o partido da justiça, que representa, de um lado, a elite da burocracia, que não quer perder seus privilégios, e defende um Estado de Exceção onde ela tenha poder quase absoluto, e, de outro, os setores mais reacionários da classe média, os mesmos que, historicamente, sempre foram tão facilmente manipuláveis por campanhas moralistas da imprensa.

O Fora Temer dos movimentos sociais é uma ação, sobretudo, contra as reformas neoliberais de seu governo.

O Fora Temer da mídia, por sua vez, é uma estratégia diversionista, lampedusiana, que visa remover Temer apenas para prosseguir exercendo a mesma política dele. Mudar para continuar o mesmo.

Alguns artistas da Globo, de olho nos editoriais do grupo que lhe paga os salários, já intuíram a manobra e abraçaram o Fora Temer.

Talvez Temer esteja certo. Talvez tenha havido mesmo uma “conspiração” para tentar derrubá-lo. Se pensarmos bem, a “pegadinha” montada pelo empresário Joesley Batista e pela PGR é típica de um Estado de Exceção, de um regime dominado pelo terrorismo jurídico.

Um empresário do porte de um Joesley Batista, dono da empresa líder mundial em exportação de carnes, se prestar ao papel de enganar o presidente da república apenas demonstra, a meu ver, que Batista se encontrava num estado emocional de absoluto pavor, provavelmente em virtude do massacre promovido pela Lava Jato contra a Odebrecht e seus executivos. Batista se deu conta de que o terrorismo estatal vigente no Brasil de hoje não tem limites, e que a única saída, para salvar suas empresas e sua liberdade, seria se tornar uma espécie de homem-bomba a serviço da PGR.

O interesse da PGR, por sua vez, provoca algumas interrogações. Todos os movimentos de Batista acabaram por entregar o controle da produção brasileira de carne para o Departamento de Justiça do governo americano, o que confere aos EUA um trunfo geopolítico inteiramente novo em sua relação com a China, que se tornou extremamente dependente dos alimentos produzidos no Brasil.

Isso é bastante ilustrativo.

Com a Lava Jato e operações irmãs, perdemos o controle sobre nossas fontes de energia, como o petróleo, e o Estado nacional perdeu participação em tudo que nos restava de autonomia econômica (e, portanto, política): reservas de petróleo e gás, hidrelétricas, usinas nucleares, submarino nuclear, satélite, bancos públicos.

O BNDES, principal fator da competitividade brasileira no mundo, agora atravessa o mesmo processo de desossamento vivido pela Petrobrás, com denúncias exageradas e mentirosas de corrupção, associadas a um discurso ideológico contra a sua própria existência.

Como é possível, diante desse quadro, que ainda existam quadros da esquerda que defendam a Lava Jato? O fato da operação avançar contra Aécio Neves ou contra Temer não significa nada, sobretudo porque mantém o mesmo modus operandi brutal, ancorado em delações, armações, jogo sujo.

Entretanto, é evidente que o avanço contra Aécio e Temer tem uma diferença: contra esses dois, conseguiu-se, com uma rapidez e uma facilidade incríveis, provas abundantes de corrupção.

Contra Lula, a Lava Jato, mesmo quebrando sigilo de até três gerações de familiares de presidente, perseguindo todos os seus “amigos”, prendendo e destruindo todos os empresários que ousaram doar ou ajudar as suas campanhas eleitorais, não encontraram nada mais do que pedalinhos em Atibaia e uma reforma num apartamento que não está em seu nome e no qual ele nunca dormiu.

Lula sobreviveu a todos os terremotos provocados pela Lava Jato. Até mesmo a última denúncia, de que ele e Dilma teriam uma “conta no exterior”, revelou-se mais uma das inúmeras mentiras ou forçações de barra da meganhagem golpista: a conta estava em nome de Joesley Batista, dono da JBS. Ou seja, a conta era ele, e só dele. A história de que seria uma conta para “dar” dinheiro a Lula e Dilma, ou às suas campanhas, apenas prova o mau caratismo de setores da Lava Jato, os quais, na falta de provas contra os dois últimos presidentes da república, tiram delações delirantes da cartola para lhes prejudicar politicamente.

Fiquem com um pé atrás, portanto, em relação a todas as “denúncias” veiculadas pelo sistema golpista de comunicação contra o presidente Temer ou contra Aécio. Há um jogo sórdido sendo urdido nas sombras, que é capturar e controlar a narrativa da insatisfação contra o governo. Controlando a narrativa, será mais fácil, à mídia, substituir Temer por outro fantoche.

Por isso mesmo, a mídia se recusa de maneira tão determinante a discutir a possibilidade de eleições diretas. Porque estas, mesmo que a esquerda não as vença, dariam oportunidade para um debate aberto sobre o Brasil, e a mídia não quer, de forma alguma, que esse debate aconteça, porque sabe que ele permitiria à população olhar diretamente para a realidade, sem mediação dos canais de comunicação de massa.

O debate faz a mídia perder o controle da narrativa, e daí tudo pode acontecer.
Posted: 04 Jun 2017 11:52 AM PDT
Da revista CartaCapital:

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, flagrado por investigadores ao receber uma mala de 500 mil reais da JBS, foi preso na manhã deste sábado, 3, por determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Loures foi preso em sua casa, em Brasília, e está detido na Superintendência da Polícia Federal. O ex-deputado perdeu seu posto no Congresso na quinta, 1º,  após o retorno à Câmara de Osmar Serraglio, substituído no Ministério da Justiça por Torquato Jardim.

A prisão foi solicitada também na quinta, 1º, por Rodrigo Janot, procurador-geral da República. No novo pedido de detenção, a Procuradoria apontou que a perda de foro privilegiado de Loures, alijado do cargo de deputado após Serraglio reassumir seu mandato parlamentar, não impunha mais barreiras à prisão do ex-assessor de Temer.

A postura de Serraglio favoreceu a prisão de Loures: após deixar a pasta, o ex-ministro da Justiça rejeitou assumir o Ministério da Transparência, o que garantiria blindagem ao ex-deputado detido, suplente da bancada do PMDB na Câmara.

Motivo de apreensão para o Planalto, uma delação de Loures contra Temer ainda é incerta. O "maleiro" acaba de mudar de advogado e contratou um criminalista gaúcho conhecido por suas críticas a delações. Para Cezar Roberto Bittencourt, elas são "traiçoeiras", por partirem de interessados em "alguma vantagem pessoal" e, portanto, capazes de "mentir" e "manipular" informações.

Publicamente, o advogado de Loures não descarta enfaticamente um acordo de colaboração, mas afirma que buscará outras alternativas, como a anulação da delação da JBS. "Não tem sentido começar uma defesa pensando em colaboração", afirmou na segunda-feira 29.

Apesar disso, comentava-se em Brasília antes da prisão de Loures que emissários seus sondaram a Procuradoria Geral da República sobre as possibilidades de um acordo. Filho de uma rica e tradicional família do Paraná, uma gente influente por lá há três séculos, Loures não levou uma vida capaz de endurecer-lhe o couro. Ficar no xadrez sem data para sair talvez seja demais para ele.

Vários ex-colegas parlamentares, alguns de seu partido, o PMDB, outros de seu estado, apostam que ele fará uma delação. "Se ele fizer, só vão querer uma frase: o dinheiro era para o Temer", comenta um congressista paranaense.

O anexo 9 da delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS, indica que o empresário da JBS prometeu a Michel Temer, enquanto este estava no cargo de presidente da República, 5% do lucro obtido por sua companhia na operação de uma usina termelétrica em Cuiabá. A promessa teria sido feita por Joesley a Loures, apontado por Temer em conversa com o dono do frigorífico como homem de sua "estrita confiança".

Em um café em São Paulo, Loures e o lobista da JBS Ricardo Saud combinaram, de acordo com a investigação, o pagamento de 500 mil reais por semana ao longo de 20 anos, tempo em que vigoraria o contrato da termelétrica. Isso representa um total de 480 milhões de reais em propina. A mala com 500 mil reais teria sido a primeira parcela do acordo.
Posted: 04 Jun 2017 11:45 AM PDT
Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

A ocupação do prédio onde funcionou o jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte (MG), revela a superfície de um crime contra os trabalhadores. Cerca de 150 funcionários demitidos da empresa não receberam seus salários e acertos, enquanto o edifício era negociado, com superfaturamento, para drenar dinheiro para Aécio Neves. O “predinho”, como ficou conhecido jocosamente nos depoimentos de executivos da JBS à Polícia Federal, é um símbolo do jornalismo praticado sob os auspícios dos Neves: vale menos que seu preço e é menor do que parece.

O antigo dono da empresa, Flávio Carneiro, serviu de laranja na operação, o que é pouco perto dos outros serviços prestados ao senador afastado durante a campanha presidencial. Inclusive com a publicação de pesquisas que contrariavam todos os institutos sérios e o bom senso, abrindo uma fatura promissora que seria cobrada com a vitória que não se confirmou. Além de laranja, ele deveria ficar roxo de vergonha. O jornal perdeu a credibilidade, foi vendido na bacia das almas para o ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, político com problemas recorrentes com a Justiça. Nessa lambança, os trabalhadores pagaram a conta.

Se há um crime contra os jornalistas, gráficos e funcionários administrativos da empresa, há outro ilícito ainda maior que afeta a própria concepção de democracia. Quando um jornal deixa de ser um espaço de informação para ser um instrumento de poder, de manipulação das informações e silenciamento, algo de muito importante se perde no caminho. A imprensa é uma garantia da 
democracia, desde que siga seus preceitos fundamentais: publicar sempre a verdade, ouvir todas as vozes, ampliar o debate público. São imperativos técnicos, éticos e políticos.

O jornalismo brasileiro anda capenga nos três. E, o que é mais grave, tem mostrado dificuldade em avançar para um novo contexto informativo. O atual ambiente da comunicação hegemônica é tóxico, marcado por interesses privados e defesa de pautas partidárias, no sentido amplo do termo. A imprensa brasileira, ancorada na defesa de valores empresariais liberais, da desnacionalização e da voracidade financista, deixou de lado o fundamento de independência para promover a primazia do mercado. Em vez de se considerar a questão do direito à informação, defende-se o privilégio concedido às empresas de comunicação.

Dois exemplos: Reinaldo e Andrea

Dois fatos recentes evidenciam alguns elementos dessa crise. O primeiro foi o vazamento de uma conversa entre Reinaldo Azevedo, articulista da Folha de S. Paulo e blogueiro até então hospedado na revista Veja, com Andrea Neves, irmã e mentora do investigado Aécio Neves. Muitos jornalistas, inclusive ligados à esquerda, saíram a campo para defender o princípio da inviolabilidade da fonte e manifestar sua solidariedade ao jornalista. Todos seguiram o mesmo roteiro, criticando o resultado do trabalho do profissional, mas defendendo seu direito a usar prerrogativas do ofício.

Acredito que Reinado Azevedo não merece a consideração de colegas pelo simples fato de que ele não é jornalista. O que ele faz é panfleto, incitação ao ódio, estímulo ao preconceito e distorção dos fatos. Em outras palavras, o contrário da função de um jornalista. Que defendam o sigilo da fonte, mas que não se aliste na hipoteca de solidariedade o trabalho sério de profissionais de verdade. Ele não é um dos nossos, deveriam dizer os jornalistas. No entanto, o caso parece ter servido como marketing pessoal, já que a Rede TV! Apressou-se a contratá-lo de olho nos analfabetos políticos que ele ajudou a cevar na Veja, em sua detestável trajetória.

A pauta é boa?

O segundo caso também envolve Andrea Neves. Quando a irmã de Aécio chegava à Polícia Federal em Belo Horizonte, no dia 18 de maio, presa por determinação da Justiça, ouviu de uma jornalista que cobria o fato uma pergunta: “A pauta é boa, Andrea?”. Alguns analistas da imprensa interpretaram a questão como provocação e exercício covarde de poder contra uma pessoa em desvantagem. Discordo. A pergunta é boa e relevante. Não pela carga de crítica que trazia, mas pelo que apontava acerca do contexto que levou à prisão.

O que a jornalista evidenciava com seu questionamento era um comportamento que se repetiu durante mais de uma década em Minas Gerais, quando o jornalismo era manietado e censurado pelo Palácio da Liberdade, sob o comando da primeira-irmã. O mantra de Andrea era perguntar pela qualidade da pauta, como se seu julgamento fosse jornalístico e não ideológico.

No comando da imagem do governo do irmão e em seguida de Anastasia, ela ameaçava jornalistas, censurava notícias, impunha conteúdos e definia a distribuição de verbas publicitárias no estado. Além disso, criou uma estrutura de monitoramento que ia das manifestações pessoais em redes sociais a notícias publicadas em todo o país, nos mais diversos veículos. Não escapava de seu radar nem mesmo as ferramentas de busca. Ela queria dominar até os algoritmos.

Por isso a pergunta da jornalista é pertinente. A pauta da prisão de Andrea Neves é uma oportunidade de debater a liberdade de imprensa, o uso do dinheiro público para publicidade oficial em troca de apoio ou silêncio, a relação sempre sombria entre corrupção e meios de comunicação e agências de publicidade. A pergunta foi feita em palavras firmes, como deve ser, mas nem por isso arrogantes ou indignas, como as flagradas nas conversas pouco republicanas dos Neves agora reveladas diariamente.

A ocupação do Hoje em Dia marca um novo patamar de afirmação dos jornalistas como categoria profissional no campo das relações de trabalho em Minas Gerais. Agora é ocupar o terreno ainda mais conspurcado da liberdade de informação. A democracia só tem a ganhar com essa pauta.
Posted: 04 Jun 2017 10:58 AM PDT
Posted: 04 Jun 2017 06:09 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Aécio Neves provavelmente é o político contra o qual mais há provas incontestáveis de vários tipos de crimes. São provas documentais, não versões de delatores desesperados, como as usadas pela republiqueta de Curitiba para tentar impedir a candidatura de Lula a presidente.

As gravações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que detonaram a crise política 2.0, apesar da gravidade, apesar de mostrarem Aécio pedindo propina, de haver até filmagem de mala de dinheiro sendo transportada para ele por seu primo, gravação deste confessando tudo e do tucano sugerindo que pode vir a eliminar testemunhas, tais provas vão sendo superadas dia após dia.

Na semana passada, a Polícia Federal anunciou que apreendeu no apartamento do senador afastado um manuscrito com a inscrição “cx 2”, conforme indica o relatório dos investigadores enviado ao Supremo Tribunal Federal.



Apesar da fartura de delações e provas materiais contra Aécio, seu advogado, Alberto Toron, divulgou nota afirmando que os documentos apreendidos pela Polícia Federal na residência do tucano “não são comprometedores”…

(!!!???)

Segundo o advogado, Aécio não tem conhecimento sobre a folha de papel com a inscrição “cx 2″

(!!!???)

Enfim, o fato é que, além disso tudo, estão se tornando famosos os telefonemas de Aécio para correligionários fazendo “cobranças” em tom ameaçador.

Na noite de terça-feira, 30, Aécio publicou em seu perfil no Facebook foto de reunião com colegas de partido em sua casa. Na foto aparecem Tasso Jereissati, Antonio Anastasia, Cássio Cunha Lima e José Serra.



Segundo Aécio, a reunião foi feita para “discutir votações no Congresso e agenda política”…

Acredite quem quiser.

O que está provocando maior curiosidade por toda parte, porém, é essa desenvoltura do tucano e a paralisia do STF em relação à sua prisão preventiva nos mesmos moldes das que vêm sendo aplicadas contra petistas sob alegação de “proteção às investigações”.

Aécio e Michel Temer são hoje os políticos contra os quais mais pesam provas de corrupção. São provas cabais, incontestáveis, materiais.

Sobre Temer, até é possível entender que não seja preso porque não se prende um presidente da República desse jeito, a menos que seja no âmbito de um golpe de Estado. Mas por que Aécio está solto? Parece claro que representa risco às investigações.

A resposta sobre a desenvoltura de Aécio é muito fácil de ser imaginada. A sua seria a mãe de todas as delações. Atingiria a cúpula do PSDB inteira, sobretudo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a direita tenta transformar em “reserva moral da nação” apesar de tudo que se sabe sobre ele.

Se houvesse contra Lula ou Dilma um milésimo do que há contra Aécio, os petistas seriam executados e esquartejados em praça pública. E essa é a razão pela qual tanto a operação Lava Jato quanto o Judiciário estão ficando desmoralizados perante uma parcela não apenas enorme, mas cada vez maior dos brasileiros.
Posted: 04 Jun 2017 06:05 AM PDT
Do blog Socialista Morena:

O desembargador Túlio de Oliveira Martins, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) considerou “misógino”, “humilhante” e “uma agressão às instituições” o vídeo postado nas redes sociais pelo pseudohumorista Danilo Gentili, do SBT, contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e ordenou a retirada imediata do conteúdo do ar. No vídeo supostamente “cômico”, Gentili pega uma notificação extrajudicial recebida da deputada para que parasse de divulgar notícias falsas sobre sua filha, rasga, enfia na cueca, esfrega nos testículos e afirma que vai enviar de volta para ela.

“O vídeo veiculado pela parte agravada nas redes sociais (com grande repercussão) é de natureza misógina, representando agressão despropositada a uma parlamentar e às instituições, materializando-se virtualmente em crime que, se for o caso, deverá ser apurado em instância própria. Contudo, no que importa no incidente em exame resta evidente que a deputada Maria do Rosário Nunes foi agredida e humilhada por Danilo Gentili Junior, a partir do momento em que este recebeu mera notificação extrajudicial a fim de que cessasse a postagem de notícias falsas a respeito da filha da agravante, ainda menor de idade”, diz o desembargador em seu despacho.

Ele deferiu a retirada, no prazo de 24 horas, das publicações veiculadas no facebook, youtube e twitter, nos três perfis do “humorista” nestas redes sociais. Em caso de descumprimento, Gentili terá que pagar multa diária de 500 reais. Segundo o desembargador, que acatou agravo de instrumento dos representantes da deputada, “o conteúdo apresentado naquilo que seria um vídeo humorístico em verdade não é notícia, nem informação, nem opinião, nem crítica, nem humor, mas apenas agressão absolutamente grosseira marcada por prepotência e comportamento chulo e inconsequente”. O julgamento pelo dano moral ainda irá ocorrer.

“É impossível aceitarmos o desrespeito e a humilhação contra qualquer ser humano. Por este motivo, decidi mover todas as ações possíveis contra os que agem desta forma contra mim. Penso que assim estamos contribuindo para que todas as meninas cresçam sabendo que tem direitos. A decisão é uma vitória de todas as mulheres brasileiras que desejam construir uma sociedade livre do ódio e dos preconceitos cotidianos”, comemorou Maria do Rosário.
Posted: 04 Jun 2017 06:00 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – manual do perfeito idiota latino-americano

Anos atrás ficou famoso o livro "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano", de Plinio Apuleyo Mendoza, acerca dos vícios do continente. Valeria uma versão sobre uma das variáveis, o "Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano".

Dos anos 90 para cá houve enormes avanços nos modelos de gestão no Brasil, graças ao trabalho dos consultores de qualidade, de gestão, de planejamento estratégico.

Mas persistem vícios do velho modelo fechado, como ectoplasmas pairando no atraso do continente.

Os princípios do "Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano" seriam os seguintes:
1. O idiota bala de prata.

Um caso clássico dos anos 80 foi a Sharp. Assumiu um novo presidente. Seu único foco era colocar a empresa no azul. Em três meses alcançou seus objetivos. E matou a empresa. Para equilibrar as contas desmontou o departamento de desenvolvimento de novos produtos, o comercial, o de marketing.
2. O idiota monofásico.

Uma organização é um organismo vivo, com áreas que se interligam, ações que precisam ser integradas. Mas o gestor monofásico só consegue enxergar uma dimensão da estrutura.
3. O idiota fim da história.

Tudo o que veio antes estava errado. Logo, não precisa entender a lógica da política anterior, as razões de sua implementação, nem analisar os casos de fracasso, para não repetir experiências. É o especialista em repetir os mesmos erros passados.
4. O idiota do eu-sozinho.

Todos os grandes gestores – dos grandes conquistadores do passado aos CEOs do presente – se destacam por ideias claras sobre onde chegar e capacidade de informar e convencer sua tropa sobre a estratégia adotada. O gestor eu-sozinho é o que coloca uma ideia na cabeça e a tropa que trate de adivinhar qual é ela.
5. O idiota que não erra.

É o sujeito que acredita que a persistência no erro é o melhor caminho para se atingir o acerto. Para sustentar a ignorância, a contrapartida é uma enorme dose de arrogância.

No caso Cracolândia, João Dória Jr conseguiu se enquadrar nos cinco pontos do Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano.
Movimento 1 - o foco estético

A intenção única do prefeito foi o efeito estético nas ruas, esvaziar o local, derrubar pequenos prédios que serviam de abrigo para dependentes químicos para abrir espaço para a indústria imobiliária entrar e tornar a Cracolândia seu cartão de visitas.

Mesmo assim, o esvaziamento da área seria o desfecho de uma operação. Antes disso, seria necessário planejar de que maneira remanejar as pessoas, providenciar tratamento, abrigo.
Movimento 2 – o planejamento ignorado

O tema vinha sendo tratado pelas Secretarias de Direitos Humanos, Saúde e Assistência Social do município (https://goo.gl/5EdzO9). Era chamado internamente de projeto Singularidades.

A ideia era casar projeto terapêutico personalizado com abrigo. O passo inicial seria deixar equipes 24 horas de plantão para autocuidados na Cracolândia e recuperar a tenda da Helvétia – um espaço de aproximação abandonado pela gestão Dória, que serviria para tomar banho, lavar a própria roupa, descansar. Depois dos primeiros cuidados assistenciais, a Saúde entraria para definir um tratamento para cada doente.

Decidiu-se, também, que ninguém sairia de onde estava, se não tivesse outro lugar para ir.

Como explicou a Secretaria de de Assistência Social, Soninha Francine:

“São pessoas que já estavam convivendo bem e crescendo juntas, vamos dizer. Pessoas que davam força umas às outras, que já estavam harmonizadas. A gente tinha o propósito de encontrar imóveis que pudessem servir como repúblicas mistas. A gente teria que fazer uns ajustes porque de acordo com a norma nacional as repúblicas não podem ser mistas. A gente estava negociando tudo isso, até para mexer na norma para que as repúblicas recebessem pessoas do mesmo sexo e mantivessem os diversos arranjos familiares. Então, você poderia acolher um casal com filho pequeno em um quarto, três ou quatro pessoas amigas em outro.

Enfim, era um projeto bem elaborado no sentido de contemplar a imensa diversidade de perfis que encontramos na Cracolândia. As pessoas têm muito em comum, mas cada uma delas tem a sua singularidade e precisamos respeitar essas singularidades.

Por isso que eu falei que tinha uma fase pré-Redenção, que era a presença constante no território enquanto se providenciava as outras estruturas de acolhimento”.

No entanto, o Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano tinha pressa. A Secretaria de Assistência Social foi demitida e humilhada publicamente, sob a alegação de que não conseguia acompanhar o ritmo da prefeitura, uma demonstração inédita de arrogância.

Movimento 3 – os erros repetidos

Em 2013, Geraldo Alckmin invadiu a Cracolândia. Levou Polícia Militar, Gaeco e o escambau, expulsando os doentes da Cracolândia. Imediatamente eles se espalharam por toda a região, criando várias mini-Cracolândias.

Até o ratinho de Pavlov aprende com experiências erradas. O desastre da operação Cracolândia de 2013 foi tema de todos os jornais. Qualquer gestor minimamente competente se debruçaria sobre os erros anteriores para não os repetir. No máximo, cometeria novos erros. E grande gestor Dória não sabia disso, e decidiu novamente colocar o focinho na tomada.

No dia 21 de maio foi deflagrada nova operação na Cracolândia (https://goo.gl/A0eQwN). Mais de 900 agentes da Policia Civil, Militar, Guarda Municipal iniciaram a ação. 38 pessoas foram presas e Doria declarou com a convicção dos desinformados que “ a Cracolândia acabou”. Sem que os usuários tivessem sido cadastrados, anunciou a destruição dos hotéis da região que abrigavam usuários de droga. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão. Tratores destruíram barracos e policiais expulsavam usuários que tentavam se esconder em sacos de lixo.

A ação foi tão amadora, que nem o próprio Secretário de Governo, Júlio Semeghini, sabia da operação (https://goo.gl/tEH5id). O Secretário de Saúde também não. O único Secretário informado foi o da Segurança Urbana, José Roberto.

Imediatamente, defensores e promotores públicos correram à prefeitura, reclamando que havia sido desrespeitado o acordo, para que não houvesse dia D nem ação policial na região.

A reação do prefeito foi informar que considerava a ação policial importante, porque abriu o caminho para que a prefeitura pudesse, finalmente, implantar o Projeto Redenção.

O argumento era tão despropositado que no dia seguinte a Secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, pediu demissão, indignada com a truculência.

Só no dia 25 de maio Doria se preocupou em informar a equipe sobre o que estava ocorrendo (https://goo.gl/Idx7dV).
Movimento 4 – a internação compulsória

Com os usuários de crack espalhando-se pelos arredores da Cracolândia, e as manifestações de indignação espocando pela mídia, Dória resolveu dobrar a aposta e solicitar autorização judicial para a retirada à força dos dependentes químicos.

No dia 23 de maio Dória pediu autorização da Justiça para internação compulsória de drogados (https://goo.gl/cmqpiL). Houve reação instantânea de autoridades ligadas a direitos difusos.

"É o pedido mais esdrúxulo que eu já vi em toda a minha carreira. Promove uma caçada humana", disse o promotor Arthur Pinto Filho. Se a solicitação fosse aceita, a equipe médica da prefeitura teria carta branca para decidir as internações, sem necessidade de autorização judicial para cada caso. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) ameaçou processar médico que realizasse a internação compulsória.

No dia 24 de maio, a 3a Vara da Fazenda Pública proibiu a prefeitura de promover novas remoções sem prévio cadastramento das pessoas para atendimento de saúde e habitação. E ainda reconheceu o direito dos moradores poderem retirar pertences e animais de estimação dos imóveis (https://goo.gl/XDrwkj).

Nem isso demoveu Dória. Para convencer o juiz a autorizar a remoção compulsória, o pedido mencionou três especialistas supostamente favoráveis à internação. Nenhum deles foi consultado. O Perfeito Gestor Idiota retirou frases de entrevistas antigas. Dois deles imediatamente reagiram à manipulação:

"Eu não defendo internação compulsória como política pública, isso é um absurdo completo. Eu nunca disse que acho que se resolve a Cracolândia com internação compulsória", disse Dráuzio Varella à reportagem da Folha (https://goo.gl/1FuxNX).

A mesma reação foi do médico Arthur Guerra, coordenador do Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínica. Retiraram uma frase sua de reportagem de 2013. Guerra não se lembrava da entrevista e estranhou o fato de não ter sido procurado pessoalmente. “Isto não é padrão de prefeito”, desabafou. “Eu não entendo por que prefeitura ou governo tem que pedir autorização se esse é um procedimento médico”.

No dia 26 de maio, o juiz Emílio Migliano Neto, autorizou a apreensão do dependente químicos, mas apenas para avaliação médica (https://goo.gl/q9gozz). A internação continuaria dependendo de ordem judicial para cada caso.

Para convencer o juiz, a prefeitura colocou fotos de hospitais, números de leitos, fotos de camas, das unidades do Caps, para mostrar que tudo estava sob controle.

O pedido era esdrúxulo, de “busca e apreensão” de dependente químico.

"Não existe previsão legal para busca e apreensão de dependentes químicos", afirmou o defensor público estadual Rafael Lessa. "Foi inventado nessa petição. A lei prevê o tratamento ambulatorial e a possibilidade de internação em caso de surtos, em momentos de crise. É uma internação rápida, sempre depois da avaliação do médico."

Como lembrou Sérgio Salomão Shecaira, professor de direito penal da USP, “apreensão é de coisas, não de pessoas”.

Dois dias depois, no dia 28 de maio o desembargador Reinaldo Miluzzi, do Tribunal de Justiça de São Paulo, derrubou a decisão de primeira instância (https://goo.gl/SrDrWt).

Imediatamente, Doria anunciou que apelaria para o Supremo Tribunal Federal. Só o despreparo para explicar essa insistência. Qualquer bom advogado ensinaria a Doria da quase impossibilidade de um pleito dessa ordem ser acatado pelo STF. Apenas realçaria mais ainda os absurdos que ocorriam na sua administração.

Para amenizar a asneira, Doria recorreu a outro fogo de artifício de seu repertório: criar uma “comissão de notáveis”, para analisar o caso. Mais cabeçada.

No dia 30 de maio o Secretário de Saúde do estado, David Uip, conversou com Drauzio, trocando ideias sobre o problema das drogas. Imediatamente, Doria anunciou seu nome como integrante do tal Conselho de Notáveis. Teve que recuar novamente. E o diagnóstico de Dráuzio sobre a operação foi pesado:

“Estou vendo ações atabalhoadas. O que aconteceu ali na Cracolândia foram medidas que pareciam não obedecer a nenhum planejamento detalhado, sem organização necessária, feita às pressas” (https://goo.gl/AqEosR).
Movimento 5 – a ignorância científica

Há toda uma discussão técnica sobre as formas de tratar os viciados - especialmente os viciados em crack. Doria se valeu do senso comum mais primário. Colocou na cabeça que viciado não tem vontade própria e precisa ser conduzido coercitivamente.

Décadas de estudos da psicologia, sobre as formas de tratamento do vício, foram ignorados para que prevalecesse a opinião leiga do prefeito.

Em apenas uma operação, Doria conseguiu reeditar todos os princípios que marcaram o Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano: improviso, acientificismo, arrogância, teimosia, falta de planejamento. E vergando um blusão preto de jovem motociclista sexagenário.
Posted: 04 Jun 2017 05:40 AM PDT
Por Pedro Zambarda, no blog Diário do Centro do Mundo:

A demissão de Maria Silvia Bastos no dia 26 de maio e o início da CPI do BNDES em plena delação premiada da JBS movimentaram o noticiário econômico junto com o político.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, criado em 1952, é apontado como uma das empresas públicas federais que abasteceu o caixa dois de partidos nos escândalos da Lava Jato.

Por trás das acusações pesadas ao BNDES, que financia do agronegócio, passando pela indústria e até mercados tecnológicos de pequenas empresas como os games – o banco é o maior financiador deste segmento –, existe uma campanha de ataque aos investimentos públicos.

Essa é a tese da economista Laura Carvalho, professora do departamento de Economia da FEA-USP e colunista do jornal Folha de S.Paulo.

Com doutorado na New School for Social Research (NYC), crítica do governo Temer e das políticas recessivas de seu ministro da Fazenda Henrique Meirelles, Laura afirma que o presidente “rouba mas reforma” e isenta os mais ricos do “pacote de maldades” em seus textos.

O DCM entrevistou Laura Carvalho sobre o caos políticos, o real papel do BNDES e a campanha de Michel Temer para se manter no poder, além das eleições indiretas contra as diretas.

Qual é a sua visão sobre as últimas declarações do presidente Temer de que a “recessão acabou”?

Não há nenhum elemento econômico que aponte para o fim da recessão. Isso pode vir a acontecer e não seria surpreendente depois de dois anos de queda vir uma recuperação.

Agora o que surpreendeu é que se esperava algum retorno baixo de crescimento no investimento e no consumo interno de famílias e estes dois índices caíram mais uma vez depois de uma queda de dois anos apontada pelo IBGE.

Isso realmente mostra que a economia está pior do que as previsões dos mais pessimistas. O pequeno crescimento do PIB vem da supersafra de soja e de milho, que já sabemos que não se reproduziu nos últimos meses diferente do que foi aferido na pesquisa.

Teve em curso também a mudança do indicador no IBGE no setor de serviços. A gente não sabe de quanto mas teve uma revisão e uma reponderação dos dados do Banco Central.

Em suma, a situação ainda é realmente preocupante especialmente envolvendo os dados do emprego porque não bastaria sair da recessão para resolver o problema do mercado de trabalho. Precisaria de uma retomada mais substancial mais rápida.

É coisa que ainda não está no horizonte, porque os dados não estão apontando as consequências do recente ambiente político.

Você acha que delações da JBS podem afetar a pequena expansão do agronegócio ou os danos são mais políticos do que econômicos?

Não. Eu acho que não vão afetar a economia. O caos financeiro não tem uma relação direta com o que está acontecendo na economia real. As ações da JBS já voltaram a subir, mas a incerteza e a volatilidade do câmbio, com o sobe e desce do dólar, isso sim pode afetar os nossos investimentos.

Você diz que não há incoerência entre crescimento e distribuição de renda. No entanto, as recentes denúncias colocam em cheque os “campeões nacionais” dos governos Lula e Dilma?

Diria que sim, mas eu não diria que é totalmente verdadeira de que houve uma política totalmente orientada para campeões nacionais. Quando você vai olhar os dados, a coisa não é bem assim.

O BNDES faz um número muito grande de operações para pequenas empresas, para inovação, para desenvolvimento sustentável, entre outras iniciativas.

No entanto eu não acho que o papel do banco é consolidar setores que já estão fortes. Um banco de desenvolvimento é particularmente importante para quem precisa crescer, sobretudo considerando atividades que representam muito risco e custo muito alto. Um exemplo são as próprias atividades inovadoras, energia eólica e energia solar são importantes para estes agentes.

Você acha que essa elite que não lidou bem com a recessão econômica é quem está jogando contra um novo programa econômico vindo de uma eleição direta?

Sim. Eu acredito que há uma campanha que se aproveita de denúncias de corrupção, que tem que ser investigadas para deixar de influir em várias esferas como o financiamento das eleições, para atacar o próprio Estado.

Há uma campanha para atacar a própria existência do BNDES e todos os mecanismos de crescimento inclusivo e sustentável.

São esses grupos que sustentam o governo e as eleições indiretas, certo?

Sim. De modo geral são grupos que se aliaram para colocar Michel Temer na presidência. E eles agora oscilam entre mantê-lo no cargo ou colocar outro Temer, de mesmo modelo econômico, no governo.
Posted: 04 Jun 2017 05:29 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

'Daqui não saio', diz o presidente-zumbi. Sua remoção da Presidência é um imperativo republicano, mas como ele resolveu se amarrar ao cargo, o custo será altíssimo para o Brasil, prolongando e elevando a incerteza política a índices temerários. Temer e seus auxiliares já admitem que ele será denunciado ao STF pelo procurador-geral Rodrigo Janot e se preparam para a batalha que seria travada na Câmara: a autorização para que ele seja processado pelo STF terá que ser dada pelo voto de 2/3 dos deputados, ou 342 dos 513. A mesma “assembleia de bandidos” que, em 17 de abril de 2016, autorizou o impeachment de uma presidente honesta irá agora barrar o processo contra o presidente criminoso? Só se o Brasil tiver perdido completamente a razão mas como estamos vivendo tempos loucos, até isso pode acontecer aqui no “bananão” verde-amarelo.

O Brasil aprendeu muito sobre o processo de impeachment, que já aconteceu duas vezes depois do fim da ditadura, mas pouco sabemos sobre a situação nunca experimentada, mas prevista no artigo 86 da Constituição. No artigo 85, a Carta admite o afastamento por crime de responsabilidade. Neste caso, a Câmara autoriza e o Senado processa e julga o presidente. Já quando se trata de crimes comuns, como os de que Temer deve ser acusado (corrupção passiva, obstrução da justiça e talvez organização criminosa), o artigo 86 prevê que a Câmara autorize (também por 2/3 dos votos) e o STF processe e julgue o presidente. Nos dois casos, ele é afastado imediatamente do cargo, inicialmente por 180 dias. Se o julgamento não tiver terminado neste prazo, ele reassume mas o processo continua.

Nas condições políticas e econômicas que o Brasil enfrenta hoje, os custos de um processo tão longo e tão incerto são devastadores. Todos nós podemos imaginar o que seria esta votação na Câmara, com o governo comprando deputados na bacia das almas, empresários bancando ou pechinchando neste balcão, como fez Joesley Batista no caso do impeachment. Hoje, Temer ainda tem mais de 300 votos na Câmara. Seriam eles capazes de condenar o Brasil ao vexame universal, barrando o processo contra o presidente que chega ao ponto de alterar retrospectivamente suas agendas do passado, dela removendo encontros para lá de suspeitos? Ou seria eles tomados por um facho iluminista, dando um basta à aventura golpista aprovando a autorização para que o STF o afaste e processe?

Alguém dirá que muito antes disso Temer pode ser afastado pelo TSE, onde o rito seria mais sumário. Seria, mas não tão breve também. Se o TSE cassa a chapa Dilma-Temer, ele é afastado mas pode recorrer no cargo, tanto ao TSE como ao STF, e ninguém pode precisar o tempo em que tais recursos serão julgados.

Se nada está garantido no TSE, a denúncia de Janot é quase líquida e certa, e ela conduzirá ao processo acima descrito. Quando o procurador-geral da República diz que Rocha Loures, o homem da mala com R$ 500 mil, é o “mão longa” de Temer, não deixa de dúvida de que está disposto a denunciar o presidente da República ao STF, pelo menos por corrupção passiva. Com a prisão de Loures neste sábado, Janot deve apresentar sua denúncia até meados de junho, conforme já vaticinado aqui. A partir dela, Janot passa a ter um prazo de até 15 dias para apresentar a denúncia (conforme previsão adaptada do Código de Processo Penal, visto não haver um rito definido).

A falta de um rito dificulta as coisas mas é corrente, no meio jurídico, o entendimento de que o STF aplicaria, por similaridade, o rito do impeachment. E assim teríamos as seguintes providências:

1) Tão logo o PGR apresente sua denúncia o STF mandará o pedido de autorização à Câmara.

2) O presidente da Câmara nomeará uma comissão composta por 65 deputados que, num prazo de 5 sessões, votará o parecer do relator, a favor ou contra a autorização.

3) Em seguida, num prazo de 48 horas, o parecer da comissão será votado pelo plenário, necessitando de 2;3 dos votos para ser aprovado.

4) Se aprovado, o STF é comunicado da decisão e tomará providências para o afastamento imediato do presidente, inicialmente pelo prazo de 180 dias.

5) Neste período o governo será ocupado pelo próximo na linha sucessória, que hoje é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

6) Só com a conclusão do processo a presidência pode ser considerada vaga, para que ocorra a eleição indireta (prevista hoje pela Constituição) ou direta (como pede o povo, embora dependa de alteração constitucional).

Realmente não é fácil viver num país em que o presidente perdeu o pudor republicano e anuncia desafiante: “daqui não saio, não saio mesmo”. Mas será saído, ainda que a duração do processo imponha ao Brasil um custo bem maior.
Posted: 04 Jun 2017 05:22 AM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



Liberdade de expressão em tempos de exceção é o tema do 3º Encontro Estadual de Blogueir@s e Ativistas Digitais de São Paulo, que ocorre nos dias 9 e 10 de junho, na capital paulista. O evento reúne jornalistas, blogueiros, midiativistas e estudantes para debater uma série de temas ligados à mídia e à resistência democrática contra o Estado de exceção em curso no país.

O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo - Sindisep (Rua Barão de Itapetininga, 163, 2º andar) sediará a atividade. A taxa de inscrição é de R$ 50, sendo que estudantes têm direito à meia-entrada (R$ 25).

Procedimentos para a inscrição

1 - preencha a Ficha de Inscrição no link: https://goo.gl/Vwu9AG
2 - efetue o pagamento através do PagSeguro, de acordo com a sua opção:

R$ 50,00 - público em geral, acesse o link: https://pag.ae/bbj5pVF
R$ 25,00 - estudantes, acesse o link: https://pag.ae/bkj5p3r

O comprovante de estudo deve ser encaminhado para o e-mail inscricoesblogprogsp@gmail.com

O evento terá transmissão ao vivo pela TVT e garantirá certificado de participação a todos os inscritos. Em caso de dúvidas e esclarecimentos, envie email para inscricoesblogprogsp@gmail.com

*****

Confira a programação do #3BlogProgSP (sujeita a alterações):

PROGRAMAÇÃO

09/06 - Abertura

18h30 Credenciamento

19h Mesa de abertura: Liberdade de expressão em tempos de exceção
• Altamiro Borges – Presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
• Gleisi Hoffmann – senadora pelo PT-PR
• Luciana Santos – presidenta nacional do PCdoB
• Maria Inês Nassif – jornalista
• Mediação: Renata Mielli – Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e FNCD (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)

10/06 - Sábado

Das 9h às 10h – Comunicação e Blogosfera na América Latina
• Marco Piva – jornalista, apresentador do programa Brasil Latino (Rádio USP).
• Leonardo Fernandes – jornalista, foi correspondente da Telesur no Brasil

Das 10h às 12h – Rodas de conversa

Roda 1: A mulher na mídia
• Jéssica Moreira – Nós, Mulheres da Periferia
• Marcha Mundial das Mulheres*
• Lívia Perez, diretora do documentário "Quem matou Eloá?*
Mediação: Levante Popular da Juventude*

Roda 2: Diversidade e comunicação
• Canal das Bee*
• Andrey Lemos - presidente nacional da União Nacional LGBT (UNALGBT)
• Léo Moreira Sá - Ator, homem-trans e Jornalista Livre
• Jéssica Ipólito - Blog Gorda e Sapatão*
Mediação: Coletivo Manas e Monas

Roda 3: A relação da grande imprensa e o genocídio negro
• Douglas Belchior - Uneafro
• Junião - Cartunista da Ponte Jornalismo
Mediação: Gisele Brito, Rede Jornalistas das Periferias*

12h – Almoço

Das 13h30 às 15h - Oficinas

• Memes – Mídia Ninja
• Fotografia – Sergio Silva – Fundação Perseu Abramo
• Transmissão ao vivo – Jornalistas Livres

Das 15h30 às 17h – Mesa final: Golpes ontem e hoje, 1964 e 2016 - semelhanças

• Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania
• Laura Capriglione – Jornalistas Livres
• Rodrigo Vianna – blog Escrevinhador

Das 17h às 18h - Carta do #3BlogProgSP

*a confirmar
Posted: 04 Jun 2017 05:18 AM PDT
Por Pedro Otoni, no site Outras Palavras:


A crise do governo Temer ocasionada pela delação dos proprietários da JBS promoveu uma atualização da tática golpista. O ponto final para Temer é uma tentativa de continuidade para o golpe.

Postulado 1 – Contradição entre interesse particular e o geral

Os interesses de uma classe não correspondem a um programa acordado a priori entre todos os indivíduos que a compõem. No mundo real, os indivíduos agem a partir de seus interesses, das avaliações que fazem sobre as situações que lhes são impostas, e cada uma destas ações é limitada pelo universo cognitivo do mesmo, além, é claro, da força que dispõe para atuar e viabilizar seus objetivos.

Mesmo sendo ambas verdadeiras, é pela mediação analítica dos objetivos de setores, grupos e indivíduos (concreto – particular) e dos interesses de classe (abstrato – genérico) que se podem procurar explicar os acontecimentos de uma conjuntura específica. Assim, a ação de um sujeito pode comprometer o interesse da classe à qual pertence, ou, ao contrário, salvá-la da própria miopia em relação aos fatos que ameaçam sua própria reprodução.

Postulado 2 – O imponderável existe

Se for verdade que os sujeitos (atores) de um determinado jogo social procuram agir de maneira consciente no sentido de alcançar seus objetivos, é também verdadeiro que outros atores (aliados e adversários) tentam fazer o mesmo.

A ação de um ator pode constranger os planos de outros, criando uma situação diferente daquela desejada por amplos. Quanto maior o número de atores envolvidos em um jogo, maior probabilidade do imponderável, isso porque as variáveis em operação na situação escapam ao controle dos sujeitos envolvidos, muitas vezes não são previsíveis, ou quando previsíveis não são domesticáveis.

Não é possível conhecer todas as consequências de uma ação, a porção conhecida é proporcional (ou quase) ao conjunto de informações de que dispõe o ator, bem como sua capacidade cognitiva (proveniente da experiência, da pesquisa, etc.) em transformar informações em conhecimentos, e conhecimentos em atos.

Entre a vontade dos atores de atingir seus objetivos e o volume de variáveis por eles desconhecidas surge o espaço para o imponderável.

Por que deram o golpe mesmo?

Para conhecer o que está em jogo hoje é preciso retomar as análises do desencadeamento do golpe e assim identificar o que há de novo na situação presente, ou seja, qual é a novidade conjuntural.

É necessário resgatar que o golpe é, antes de tudo, uma confluência de interesses. No nível de mando mais alto encontram-se os interesses das grandes petroleiras e conglomerados financeiros internacionais, que usaram o seu principal mecanismo de operação, o Departamento de Estado dos EUA, que também possui interesses próprios com a desestabilização do Brasil, para desencadearem a trama do golpista. Em resumo, neste momento havia dois objetivos fundamentais.

Objetivo do cartel das grandes petroleiras internacionais – Controlar o principal recurso estratégico brasileiro, o petróleo do Pré-Sal, mas também a tecnologia desenvolvida pela Petrobras. (Objetivo 1)

Objetivo do Departamento de Estado dos EUA – Inviabilizar a reivindicação de um lugar menos submisso do país nas relações internacionais (derrotar o Brics), por meio da implosão dos seus patrocinadores no Brasil. (Objetivo 2)


A partir de 2014, com a reeleição de Dilma, colocou-se, aos atores externos, a necessidade de uma abordagem mais truculenta. Daí iniciou-se o processo de desestabilização e impeachment. Para viabilizá-lo foi necessário decompor não apenas a base parlamentar da presidente, mas ainda retirar o apoio (em alguns casos, a tolerância) que a mesma tinha nas próprias elites (bancos, empreiteiras, agronegócio, etc.).

Para garantir a aliança entre a Casa Branca e a Casa Grande foi necessário ainda agregar, aos dois primeiros objetivos, aqueles que correspondem aos interesses imediatos dos capitalistas brasileiros, que já estavam explícitos na agenda parlamentar das grandes confederações patronais (CNI, Febraban, Fiesp, CNA, etc.) e que ganharam sistematização no documento do PMDB, denominado “Ponte para o Futuro”.

Objetivo dos bancos – Garantir o aumento da renda da especulação financeira via dívida pública e financeirização de serviços públicos (ex.: congelamento dos gastos públicos por 20 anos, proposta de destruição da previdência pública, etc.). (Objetivo 3)

Objetivo do empresariado – eliminar os direitos trabalhistas e ampliar a subordinação do trabalhador perante o empregador (ex.: Proposta de reforma trabalhista, terceirização irrestrita, alteração das normas de demarcação de terras indígenas, etc.) (Objetivo 4)

Objetivo dos partidos políticos conservadores – Ampliar privilégios, desequilibrar as condições de disputa eleitoral ao seu favor, proteger-se contra ações criminais (Ex.: Escola Sem Partido, alteração do sistema eleitoral, etc.). (Objetivo 5)


O golpe é, portanto, a convergência destes interesses, que para materializar-se necessitariam eliminar um centro político-econômico condicionador formado pelo PT e a fração do empresariado beneficiária das medidas anticíclicas e das políticas de formação de players mundiais sustentada pelo financiamento do Bndes. Neste rol encontram-se as grandes construtoras, com a Odebrecht, que se capitalizaram com o Plano de Aceleração do Crescimento /PAC.

Para executar o golpe, foi necessário:

1) Decompor a viabilidade política do PT e de Lula.
2) Enfraquecer as chamadas empresas (“players”) mundiais explorando o sistema de corrupção intrínseco às atividades capitalistas, que não é uma exclusividade brasileira.
3) Realizar ataques coordenados, maciços e rápidos aos direitos do povo na perspectiva de dificultar a capacidade de reação e unidade das organizações populares.

Em síntese, a tática empreendida foi romper a relação de colaboração entre o PT e as grandes empreiteiras. Os instrumentos utilizados foram delações e acordos de leniência; e explorar as divergências de posição das organizações populares e sindicais em relação ao PT, isolando-o ainda mais dos setores populares. Como instrumento, foi montado o espetáculo do combate à corrupção (sem necessariamente combatê-la de maneira objetiva, uma vez que as investigações foram seletivas).

O Juiz Sérgio Moro e setores MPF (como aquele procurador do PowerPoint) são agentes (operadores) desta tática e são orientados no exterior (vide as intensas viagens do Juiz e dos membros do MP aos EUA).

A tática deu certo até certo ponto.

Entre o golpe desejado e o golpe possível

Algumas novidades da conjuntura mudaram substancialmente o curso dos acontecimentos em relação à Lava-Jato e à condição de Temer. Para perceber isso é necessário passar em revista os objetivos iniciais da trama do golpe.

Crise de orientação externa da Lava-Jato

Os atores externos (Petroleiras e Departamento de Estado do EUA) atingiram parcialmente seus objetivos.

Foi aprovado o projeto de autoria do Senador José Serra, hoje Lei 13365/2016, que retirou a garantia legal da Petrobras em participar em pelo menos 30% de cada jazida do pré-sal, além da operação exclusiva dos recursos provenientes destas reservas. A Petrobras, sob a direção do golpista Pedro Parente, segue vendendo jazidas de petróleo e gás por todo o país, garantido os interesses internacionais sobre estes recursos. A privatização da empresa está sendo feita por meio da desconstrução de sua viabilidade a logo prazo, assim o cartel das petroleiras internacionais garante boa parte do seu objetivo inicial.

Com o governo Temer, e sob a condução também de José Serra nas Relações Exteriores, o Brasil afastou-se do Brics e está isolado nas relações internacionais (exceto em relação a Washington). Enquanto ministro, José Serra sinalizou o interesse em ingressar nas negociações do TISA (Trade in Services Agreement — Acordo sobre Comércio de Serviços). Nada mais é do que um acordo de “livre” comércio muito mais danoso do que a proposta da ALCA e o Nafta, que visa a “mexicanização” das nações dependentes sob o domínio dos EUA e União Europeia. Os membros dos Brics não estavam dentro destas negociações, pela razão óbvia: o TISA é uma estratégia contra os “emergentes”.

Assim, é possível afirmar que o objetivo da Casa Branca foi parcialmente atingido. Porém, outra novidade neste tema é a entrada de Donald Trumph no Salão Oval. Mesmo não rompendo com a política externa norte-americana, ele até o momento concentra-se em outra agenda, a da sua própria viabilidade política. O que deixa, em alguma medida, acéfala a orientação externa da Lava-Jato, largando Sérgio Moro sem direção, agindo por conta própria, ou quase.

Os “de baixo” bloqueiam a agenda do golpe

Restam ainda os objetivos da Casa Grande brasileira (renda, privilégios econômicos e políticos, redução de direitos), que não foram contemplados conforme o prometido pelo governo de Temer.

Os bancos conquistaram uma grande vitória na PEC de Congelamento de Gastos (PEC do Fim do Mundo), mas a proposta de “Reforma” da Previdência está sob sério risco. O empresariado exige a “Reforma” Trabalhista, que também recebeu forte resistência da maioria da população brasileira. Os partidos conservadores, envolvidos nos escândalos de corrupção e desgastando-se a cada dia para viabilizar a agenda golpista fortemente antipopular, não conseguiram garantir as condições para uma contrarreforma política conservadora.

Enquanto isso, as organizações populares e sindicais acertavam uma linha mínima de resistência e uma forma básica de trabalho, que lhes garantiu ampliar significativamente o custo da aprovação das reformas. A Greve Geral do dia 28 de abril foi a expressão desse processo de unidade na ação.

Diante do bloqueio da agenda legislativa do golpe, o único fator que mantinha a sustentação de Temer em seu posto foi corrompido. O presidente do golpe encontra-se sem valor de uso e sem valor de troca, ou seja, é uma “coisa” a ser descartada caso não disponha de nenhum recurso de chantagem, como aqueles utilizados por Eduardo Cunha.

A alta probabilidade do imponderável

A Operação Lava-Jato de Moro (1ª instância) - seletiva em suas investigações - não tem controle sobre todos os campos de disputa que inaugurou. A delação dos donos da JBS foi produto da ação de outro centro de atores, o da Lava-Jato DF, operada por Rodrigo Janot (PGR) e pelo Ministro Edson Fachin (Relator da Lava-Jato no STF), que procuram reestabelecer uma “hierarquia” no Judiciário, e assumir o protagonismo na condução da operação, na tentativa de alcançar os objetivos constrangidos pela condução em primeira instância.

A lógica de Moro, ao eleger Lula como seu antagonista ao preço de colocar em questão a própria operação Lava-Jato, desagradou parcelas do consórcio golpista, mais fundamentadas pelos resultados de suas ações do que pelas preferências políticas e rancores. Moro não é mais útil, ou não na mesma proporção que antes, porque já está passando a arrombar portas abertas, e suas ações não correspondem mais aos objetivos já indicados. A condução de Curitiba protegia Temer e o PSDB, mas o que vale isso se os interesses materiais que estes agentes deveriam viabilizar não estão sendo encaminhados?

O elemento chave da atual crise do governo Temer não é a delação dos donos da J&B, mas a incapacidade da presidência e seus aliados tucanos em dirigir a aprovação das reformas. Isso se deve especialmente à resistência do povo nas ruas, que tem tido impacto no cenário parlamentar. Como não consegue aprovar as reformas, a Casa Grande deseja descartar o presidente e conduzir ao Palácio do Planalto alguém que tenha condições de continuar o trabalho.

Janot e Fachin assumem a condução da Lava-Jato neste momento, no sentido de fazer aquilo que Moro não quer e o que Temer não pode: dar continuidade à agenda das reformas. As delações dos “Irmãos Friboi” (Joesley e Wesley Batista) foram uma oportunidade para superar a tática já desgastada de Curitiba, e recompor o mínimo de legitimidade para que o espetáculo da Lava-Jato continue. Por isso a Globo cria as condições para a queda de Temer, Aécio e companhia, justamente para limpar o campo obstruído de interesses menores e viabilizar uma sucessão útil às metas do setor bancário e empresarial, mesmo que para isso tenha de destruir políticos conservadores (o elo mais fraco da trama do golpe), ou seja, não viabilizar “Objetivo 5” de nossa lista acima.

A confusão sobre qual caminho tomar na sucessão é justificável. O consórcio golpista não tem um estado-maior, mas uma correlação de força entre diferentes centros de decisão que perseguem metas próprias e agem frente às oportunidades e ameaças com as quais se deparam.

Voltando aos postulados iniciais, é na contradição entre os interesses particulares e o geral que a política real se processa. As elites se reproduzem principalmente pela competição, e a cooperação surge sempre no marco de um interesse competitivo. As delações e acordos de leniência deram segurança jurídica para a traição, já impressa nos costumes do andar de cima. A rasteira ganhou acabamento legal. Os açougueiros, que se tornaram banqueiros, não deixarão ninguém de pé, desde que seus vistos estejam garantidos para um destino acima da Linha do Equador. O capitalista particular pode provocar o apocalipse de sua classe em troca da salvação privada de seus bens, os donos da JBS não são exceção.

Se a traição é um modus operandi dos capitalistas, que se intensifica em períodos de crise, o espaço para o imponderável se amplia, as consequências de cada ação não são conhecidas completamente por quem a executa. Este é um retrato do Brasil atual, no qual ninguém do espectro político tradicional, com algum nível de bom-senso, pode afirmar com certeza que estará livre nas próximas 24 horas.

Por mais imprevisível que seja a situação, não se trata do caos, mas, antes de tudo, da convulsão do mundo real, sempre indiferente aos nossos esforços de compreendê-lo.
Posted: 04 Jun 2017 05:09 AM PDT

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