quinta-feira, 8 de junho de 2017

8/6 - Pragmatismo Político DE 7/6

Pragmatismo Político


Posted: 07 Jun 2017 03:33 PM PDT
acontece tse cassar michel temer pmdb
Mesmo que o pior aconteça para Michel Temer no julgamento que pode levar à sua cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse ainda não vai ser o fim da linha para o presidente.
Teoricamente, no momento em que o TSE decidir pela cassação, Temer cai e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assume a presidência da República, com a responsabilidade de organizar eleições indiretas em 30 dias.
Mas existem alguns recursos jurídicos que a defesa de Temer pode usar para ganhar tempo e até reverter a decisão do TSE.
Ele pode tentar submeter um embargo ao próprio TSE, pedindo que a decisão seja suspensa imediatamente – no que provavelmente seria atendido, já que a implicação é grave.
Se nada mais funcionar, Temer ainda pode apelar para o Supremo Tribunal Federal – mas só se tiver como argumentar que a decisão do TSE feriu a Constituição. Veja os caminhos possíveis:

No próprio TSE

Se a decisão do plenário do TSE decidir pela cassação, o presidente será destituído. No entanto, ele ainda pode apresentar um “embargo de declaração”.
Para isso, a defesa precisa provar que algum dos pontos não foi avaliado; que houve erro material, contradição interna, omissão ou mesmo obscuridade.
Nesse caso, a defesa vai pedir a suspensão imediata da decisão até que o embargo seja avaliado. Essa suspensão será decidida pelo relator do processo, Herman Benjamin. Ainda assim, a defesa pode recorrer para que ele leve a decisão para plenário.

Recurso ao STF

Se o TSE rejeitar os embargos, a defesa de Temer ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
Para que uma ação seja aceita no STF, no entanto, ela precisa obedecer a alguns critérios gerais: teria que ser um recurso contra uma decisão de última ou única instância; contra a qual não caberia nenhum outro recurso de caráter ordinário (para as ações no TSE, os dois critérios se aplicam); e teria que contrariar frontalmente um dispositivo da Constituição.
Portanto, para que um recurso seja aceito, a defesa precisa argumentar que a decisão do TSE contrariou a Constituição – não adianta ter ferido o Código Eleitoral, por exemplo.
Nesse caso, o STF sorteia um relator, que pode decidir sozinho se vai aceitar o recurso ou não – mas, novamente, a defesa pode apelar para levar a votação para plenário.
Em ambos os casos, Temer ganharia tempo, mas às custas do esvaimento do apoio político que ainda mantém no Congresso, na avaliação do diretor acadêmico da Associação Brasileira de Direito Processual, Georges Abboud.

Cassação e eleição indireta

O caminho normal, se os dispositivos jurídicos falharem, é a transmissão da presidência para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.
Ele tem, então, 30 dias para chamar eleições indiretas – nas quais todos os deputados e senadores escolherão um presidente, que não necessariamente precisa já ter um mandato em outras funções.
O Código Eleitoral prevê que possam ser chamadas eleições diretas faltando até seis meses para o fim do mandato.
No entanto, a Constituição determina, no artigo 81, que as eleições diretas em caso de vacância da Presidência só podem ser convocadas com até dois anos completos de mandato. Nesse caso, vale o que diz a Constituição.

Eleições diretas?

Dois projetos de emenda à Constituição estão tramitando para permitir que o Congresso chame eleições diretas ainda neste ano.
Um deles, a PEC 227/16, está travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara; a outra, a PEC 67/16, passou na CCJ do Senado e ainda deve ser votada em plenário.
As propostas são polêmicas, e não há prazo definido para a tramitação – cada uma delas teria que passar pelo plenário das duas casas (Câmara e Senado) antes de ser aprovada.
Luiza Calegari, Exame
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Posted: 07 Jun 2017 12:51 PM PDT
polícia federal delitos danilo gentili investigar
Em um ofício da Procuradoria da Câmara dos Deputados enviado para a Polícia Federal, deputados pedem que sejam investigados eventuais crimes cometidos por Danilo Gentili. Na semana passada, o apresentador do SBT divulgou um vídeo no qual rasga uma notificação extrajudicial da deputada Maria do Rosário (PT-RS).
O documento é assinado pelo procurador parlamentar Carlos Marun (PMDB-MS) e também por Maria do Rosário e aponta os crimes de injúria, difamação, ultraje público ao pudor e crime contra a administração pública (desacato) em análise preliminar.
Segundo o ofício, Gentili extrapolou seu “legítimo direito constitucional de manifestação”, agredindo não só a imagem da deputada, como da Câmara e de todos os parlamentares. Além disso, o documento aponta que o vídeo incentiva o “ódio no seio social contra o poder republicana indispensável ao Estado Democrático de Direito”.
Um dos advogados da Procuradoria da Câmara afirmou que a Casa considera também processar o apresentador, segundo o jornal Gazeta do Povo.
Na semana passada, um desembargador do Rio Grande do Sul concedeu liminar determinando a retirada do vídeo das redes sociais. Na publicação, Gentili rasga a notificação e esfrega em suas partes íntimas, e depois coloca no mesmo envelope e envia de volta à Câmara.
Para o desembargador Túlio de Oliveira Martins, o vídeo é um grave dano à imagem da deputada, além de ter conteúdo de “natureza misógina, representando agressão despropositada a uma parlamentar e às instituições”.
A publicação de Gentili “não é notícia, nem informação, nem opinião, nem crítica, nem humor, mas apenas agressão absolutamente grosseira marcada por prepotência e comportamento chulo e inconsequente”, escreveu o desembargador.
No final de maio, Danilo Gentili sofreu outra derrota na Justiça, quando foi determinado que ele deveria retirar do ar publicações sobre o jornalista Gilberto Dimenstein e condenado a pagar multa de R$ 1 mil por dia caso não cumprisse a decisão.
Há prova inequívoca […] que o réu divulgou mensagens que desabonam a imagem do autor“, afirmou o juiz Edward Albert Lancelot, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
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Posted: 07 Jun 2017 12:36 PM PDT
exercício racista racismo livro escolar
A educadora Aline Lopes, 30, afirmou que vai ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciar por racismo o conteúdo do livro didático “Natureza e Sociedade”, utilizado na educação do seu filho de 3 anos.
Uma das tarefas do livro pede para que as crianças circulem o lar em que as pessoas estão felizes. Na página em questão, uma imagem mostra uma família negra com expressão facial fechada, enquanto a outra revela uma família branca sorrindo.
A figura de negros tristes e brancos felizes chamou a atenção até da filha mais velha de Aline, de 5 anos. “Minha filha, quando viu a página, perguntou ‘por que a família negra é triste? Eu sou negra e não sou triste’. Isso, para uma criança, é muito sério”, disse Aline ao portal G1.
Outro exercício do livro consiste em relacionar três pessoas a três profissões distintas. Nas imagens, a resposta correta associa um jovem negro segurando uma vassoura à limpeza de um corredor escolar.
“Meu filho, de três anos, já entende o que é para fazer nos exercício e, ao abrir a tarefa, já começou a fazer rapidamente. Analisando o conteúdo, eu vi do que se tratava. O problema não é a função de ser servente, é que esse papel seja sempre creditado apenas aos negros”, aponta.
O filho de Aline estuda em uma escola particular do Recife, que informou que não suspenderá o material didático, mas fará atividade pedagógica sobre o assunto. A editora pernambucana Formando Cidadãos, responsável pela publicação, disse em nota que “situação estará resolvida” na edição de 2018.

Mãe de filhos negros

Apesar de ser branca, Aline Lopes pode falar com propriedade sobre o racismo e questões raciais. Seus dois filhos são negros porque o pai das crianças é negro.
Ao jornal Folha PE, Aline afirmou que que sua filha já sofreu racismo em uma escola anterior. “Imagina que minha filha ia com um black power para a escola e muitas vezes vinha para casa com cabelo preso, porque a ‘tia’ prendeu, mesmo sem ela pedir. Ela já chorou pedindo para alisar o cabelo, porque achava o meu liso mais bonito”, contou.
“Então, isso não é o tipo de coisa que eu quero ver nas tarefas dos meus filhos. Eu tento educar eles de uma forma a respeitar as diferenças, entender a sociedade que a gente vive. Eu quero que eles entendam que podem ser e podem ocupar o lugar que quiserem”, finalizou.
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Posted: 07 Jun 2017 12:22 PM PDT
temer fechar todas farmácia popular do brasil
O ministério da Saúde anunciou que pretende fechar todas as unidades próprias do programa Farmácia Popular em até dois meses. Segundo cronograma divulgado nesta terça-feira (6), 95% das unidades deverão ser fechadas até julho, e o restante, em agosto. A decisão de pôr fim ao programa já havia sido tomada em março.
Lançado em 2004, durante o primeiro governo Lula, o programa garantia a distribuição gratuita ou com até 90% de desconto de 112 medicamentos de uso contínuo para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e anemia. Até 2014, quando o programa completou 10 anos, mais de 38 milhões de brasileiros haviam sido beneficiados, segundo dados do próprio ministério. A rede própria, que já vinha sendo reduzida, conta hoje com 393 unidade em todo o país.
A justificativa do governo é que poderá destinar o valor “economizado” com a administração das unidades próprias – cerca de R$ 100 milhões por ano – aos estados e municípios para a aquisição de medicamentos, sem prejuízos para a população, na medida em que também seria mantida a variante do programa Aqui Tem Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitamente, ou com descontos, em redes de farmácias privadas conveniadas.
O ministério da Saúde também afirma que as unidades do programa Farmácia Popular poderão ser mantidas, desde que as prefeituras arquem com os custos administrativos.
Contudo, a decisão pelo fechamento é alvo de críticas de órgãos e entidades de saúde. Ainda em maio, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) recomendou ao ministério que interrompesse “qualquer processo de desestruturação do Programa Farmácia Popular, em especial da modalidade rede própria“.
O CNS apontou que desativação das unidades próprias visa a reduzir a participação do sistema público de saúde de modo a privilegiar os interesses do setor privado. A decisão afetaria “duramente” populações em situação de vulnerabilidade social e àquelas que vivem em áreas afastadas das periferias das grandes cidades, que não contam com unidades privadas nessas localidades.
Para Hugo Fanton, integrante da União dos Movimentos Populares de Saúde (UMPS), a medida é mais um retrocesso do governo Temer na área da saúde e vai restringir o acesso da população de baixa renda a assistência farmacêutica na rede pública. “A tendência é piorar ainda mais o acesso aos medicamentos“, afirmou.
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Posted: 07 Jun 2017 12:12 PM PDT
mulher trans internada mãe justiça livre
Uma mulher transexual internada à força em uma clínica psiquiátrica, por ordem da própria mãe, obteve o direito às medidas de proteção previstas na Lei Maria da Penha. O pedido foi formulado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de São Gonçalo, onde a vítima reside com a sua companheira.
Pela decisão, proferida no último dia 26 de maio, a mãe, que não aceita a identidade de gênero e a orientação sexual da filha, está proibida de se aproximar dela dentro de um raio de 500 metros. A decisão também veda a mãe de tentar contato com a filha e determina a busca e apreensão de todos os objetos pessoais da vítima e da companheira dela que estão na casa da mãe.
Flávia Nascimento, defensora de São Gonçalo/RJ, tomou conhecimento da agressão à jovem no sábado dia 20 de maio, por meio da Rede de Atendimento. As providências adotadas pela defensora naquele mesmo dia foram fundamentais para que o caso fosse tratado com base na Lei Maria da Penha ainda na delegacia e, assim, levado ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.
A coordenação de Defesa dos Direitos da Mulher e o Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual da Defensoria, coordenados pelas defensoras Arlanza Rebello e Lívia Casseres, também foram acionados.
Arlanza realizou atendimento emergencial com a vítima no domingo dia 21, ainda no abrigo para o qual ela fora encaminhada após ser liberada pela clínica psiquiátrica onde a mãe a internara. Ali foram prestadas todas as orientações à jovem e marcado o primeiro atendimento com as defensoras Flávia e Lívia. No dia seguinte, segunda-feira 22, as defensoras Flávia e Lívia ingressaram com a ação no juizado de São Gonçalo.
O juiz André Luiz Nicolitt, titular daquele juízo, deferiu as medidas de proteção previstas na Lei Maria da Penha, como requerido pelas defensoras. Na decisão, o juiz destacou que a “genitora da vítima desrespeitou gravemente a identidade de gênero assumida pela filha, internando-a em clínica de outro estado, privando-a do convívio com sua companheira e afastando-a dos demais entes familiares e de seus amigos”. Além de ter sido levada à força, a jovem foi sedada e teve os cabelos raspados.
A Lei Maria da Penha cuidou da violência baseada no gênero e não vemos qualquer impossibilidade de que o sujeito ativo do crime possa ser uma mulher. Isso porque a cultura machista e patriarcal se estruturou de tal forma e com tamanho poder de dominação que suas ideias foram naturalizadas na sociedade, inclusive por mulheres. Sendo assim, não raro, mulheres assumem comportamentos machistas e os reproduzem, assumindo o papel de opressor”, escreveu o juiz.
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Posted: 07 Jun 2017 12:01 PM PDT
belchior perfil cidadão fora do comum
Vitor Nuzzi, RBA
Aí um analista amigo meu/ Disse que desse jeito não vou viver satisfeito” são alguns dos versos da Divina Comédia Humana, de Belchior. Esse analista existe, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará junto com o futuro compositor – que trocaria o curso pelo de Filosofia – e foi localizado pelo jornalista Jotabê Medeiros, que prepara uma biografia a ser lançada no segundo semestre.
Reticente, o analista amigo dele acabou concordando em conversar, no horário de uma sessão, um dia depois do sepultamento de Belchior, que ocorreu na manhã de 2 de maio, em Fortaleza. Dois dias antes, o músico havia sido encontrado morto na pequena Santa Cruz do Sul (RS, 130 mil habitantes), última parada de um desaparecimento de anos.
A história de Antonio Carlos Belchior é a história de uma criança, saudável e feliz, que cresceu ouvindo música em casa e nas ruas cantadores repentistas. É a história de uma criança que apaixonou-se pela cultura do povo e para o povo cantou a vida toda“, escreveu em seu blog o jornalista paraibano Assis Ângelo, que várias vezes recebeu o artista em sua casa, já em São Paulo, servindo bons pratos de bacalhau. Assis desembarcou em terras paulistanas praticamente ao mesmo tempo em que Belchior começava a experimentar o sucesso, com o disco Alucinação (1976), depois que Elis Regina lançou Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, as duas primeiras faixas do disco Falso Brilhante, do mesmo ano.
Veloso, o sol não é tão bonito
Pra quem vem do Norte e vai viver na rua
(Fotografia 3 x 4)
Mas trago de cabeça um canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso
(Apenas um Rapaz Latino-americano)
Suas canções não são das que morrem. Ele prefigurou os anos 80 em termos globais e se instalou na memória profunda da história da criação de música popular no Brasil“, escreveu Caetano Veloso em artigo no jornal O Estado de S. Paulo. Caetano e os tropicalistas em geral foram implícita ou explicitamente citados em composições de Belchior, e o baiano, em seu texto-tributo, comentou as referências. “Todas as citações a canções nossas que estavam em trechos de canções de Belchior me agradavam por estarem dentro de um timbre criativo sempre rico e instigante.”
Caetano também interpretou na chegada do chamado Pessoal do Ceará (Belchior, Fagner, Ednardo e outros), no início dos anos 1970, a intenção de “exibir confronto com os tropicalistas“. “Sugeriam que nós, os baianos, já representávamos o estabelecido, o velho, enquanto eles seriam o novo e a verdadeira rebeldia. (…) No estilo de Belchior, soava justo“, comentou Caetano, lembrando que o Tropicalismo se opôs à Bossa Nova ainda que “louvando” João Gilberto, Tom Jobim e Carlos Lyra. E que a Bossa Nova se opôs à “velha”, mas louvando Dorival Caymmi, Ary Barroso e Bide&Marçal (dupla de compositores cariocas). “O pessoal do Ceará queria opor-se mesmo. Não chegava a isso e a recusa à louvação teria ficado vazia não fosse o talento e a personalidade de Belchior.”
Caetano contou ter encontrado Belchior pela última vez pouco antes do desaparecimento do artista. “Ele me procurou e conversamos bastante. Me trouxe de presente dois retratos de Drummond desenhados por ele, muito sugestivos e profundamente sentidos.”
Agora ficou fácil
Todo mundo compreende
Aquele toque Beatle
I wanna hold your hand
(Medo de Avião)
João, o tempo
Andou mexendo com a gente, sim
John, eu não esqueço
Oh no, oh no, oh no
A felicidade é uma arma
Quente, quente, quente
(Comentários a respeito de John)
A presença constante de referências – musicais e literárias, basicamente – no cancioneiro de Belchior chamou a atenção também do mundo acadêmico. Foi tema, por exemplo, de tese de mestrado, em 2007, na Universidade Federal do Ceará (Muito além de um rapaz latino-americano vindo do interior: investimentos interdiscursivos das canções de Belchior), apresentada pela professora e radialista Josely Teixeira Carlos. Ela também é autora de doutorado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 2014: Fosse um Chico, um Gil, um Caetano: uma análise retórico-discursiva das relações polêmicas na construção da identidade do cancionista Belchior.
A pesquisadora lembra do início da relação entre Belchior e os Beatles, sempre lembrados em canções. Em entrevista de 1990, o compositor conta que, assim que saiu do mosteiro, viu em uma banca de jornal um texto criticando o grupo inglês, pelo aspecto “sujo e repugnante” das roupas e dos cabelos. Em seguida, ouviu no rádio Love me Do e outras canções.
O que chamou inicialmente a atenção de Belchior foi o fato de que aquelas músicas teriam um viés religioso, como “Eleanor Rigby” do LP Revolver de 1966, que tem arranjos exclusivamente de cordas e à moda gregoriana; uma música muito próxima àquela com a qual o futuro artista estava habituado na Igreja. Então, a experiência do seminário serviu como ponte para o ingresso na música. Como Belchior na época não sabia inglês, o que chamou a sua atenção inicialmente foram as músicas traduzidas; mas também o comoveram as canções originais em inglês, dentre as quais Belchior lembra “Penny Lane“. Logo depois dessa experiência, Belchior conta que comprou um violão e já começou a tocar.
belchior perfil cidadão fora do comum
Belchior foi frei Francisco Antônio de Sobral no mosteiro dos capuchinhos em Guaramiranga, região serrana do Ceará
Belchior foi o frei Francisco Antônio de Sobral no mosteiro dos capuchinhos em Guaramiranga, na região serrana do Ceará, conforme conta Jotabê Medeiros no início de sua ainda inédita biografia, que teve um trecho publicado na revista Piauí. Entrou lá em fevereiro de 1964, pouco antes do golpe. Uma das pérolas escavadas pelo escritor mostra um grupo de capuchinhos, entre eles Belchior, 17 anos, recebendo o primeiro presidente do ciclo militar, marechal Castelo Branco.
A bagagem que trouxe, em uma mala de mascate, era mínima como a dos demais noviços: dois lençóis, duas toalhas e três mudas de roupa, além de escova, pasta, saboneteira e sabonete. Espelho, pente e qualquer perfume eram proibidos. Uma hora após adentrar o mosteiro, seu cabelo foi raspado e o noviço foi enfiado num hábito rude, que a ele pareceu subitamente confortável. (…)
Logo descobririam: aquele jovem de Sobral trazia outras coisas para Guaramiranga além da bagagem exígua. Era capaz de improvisar repentes e emboladas durante até duas horas, para alegria de sua turma. A escolha do nome Sobral foi de um bairrismo orgulhoso, mas essa seria uma das raras concessões de Antonio à cidade natal ao longo de toda a vida.
Além de bem-humorado, Frei Sobral era atento, disciplinado, fraterno e cortês. Recitava capítulos inteiros da Regra de Vida (espécie de Constituição dos capuchinhos), todo o Testamento de São Francisco, longas passagens de Os Lusíadas, de Camões. Mostrava controlada tendência para o rigorismo (as penitências e os jejuns impostos pela ordem). Encarava o cilício quase com indiferença.
Um dos mais de 100 entrevistados por Jotabê para o livro, Hermínio Bezerra, lembra de alguns motes de improvisações feitas por Belchior, o que sugere que uma de suas principais canções, Galos, Noites e Quintais, tenha sido gestada ainda no convento. A música só foi gravada em 1977, no LP Coração Selvagem.
Jotabê Medeiros considera Belchior o artista mais outsider, mais “fora dos trilhos” que já apareceu no Brasil. “Ele nunca integrou nenhum tipo de panelinha. A produção dele era interiorizada, ele tinha uma atitude de filósofo”, diz o biógrafo, que define o compositor como “cavaleiro solitário”.
O jornalista havia conseguido a pista do paradeiro de Belchior, em Santa Cruz do Sul, mas não teve tempo de ir procurá-lo. Se, por um lado, a morte do compositor põe um ponto final na história (“Antes, era um livro aberto, existiam milhares de possibilidades”), por outro facilitou o acesso a fontes. “Por lealdade e até por laços de amizade, as pessoas falavam com restrições. Era mais difícil o acesso a certos personagens. Consegui personagens novos, que vão enriquecer o livro. Foi como se o livro abrisse de novo.”
O sumiço de Belchior parece ter galvanizado a idolatria em torno do artista. Jotabê observa que não é possível medir o quanto isso alimentou a chama, mas lembra que a maior parte dos seguidores mais fiéis é bastante jovem, como uma tatuadora de 25 anos que sabe tudo sobre o compositor. “A música dele também veio à tona para muita gente que não conhecia“, diz, o jornalista, para quem isso só demonstra a “profundidade e solidez” da obra, ainda mais considerando que o último disco de inéditas, o independente Bahiuno, é de 1993, e ele não tocava ou fazia shows havia pelo menos 11 anos. “Que tipo de artista permaneceria tão forte?
Hora do Almoço, homenagem a Belchior em fevereiro de 2016
Rick Ferreira, guitarrista, participou de gravações de cinco LPs de Belchior – Alucinação, Coração Selvagem, Todos os Sentidos, Era uma vez o homem e seu tempo (que ele chama de Medo de Avião, como a obra também ficou conhecida) e Objeto Direto –, de 1976 a 1980. “Posso dizer que os dois melhores artistas (com quem trabalhou), em termos de alto-astral, foram o Raul (Seixas) e o Belchior. Era um cara extremamente educado, sabia como pedir as coisas. Na parte musical, o Raul até dava mais pitaco. O Belchior comprava mais as ideias“, lembra.
Ele considera “inevitável” a comparação com Bob Dylan, tanto pelo tamanho (das letras) como pela parte musical. “Vejo ele como um músico folk“, diz Rick, que considera Medo de Avião o melhor trabalho de Belchior. “Foi um disco que eu deitei e rolei, com um pezinho na country music mesmo“, conta o músico, que tocou banjo e steel guitar, um instrumento que ele introduziu no Brasil.
O guitarrista lembra de um show em 2005, em Divinópolis (MG), baseado no álbum Baú do Raul, em que Belchior cantou Maluco Beleza e As Minas do Rei Salomão. “Embora sejam estilos diferentes – para os fãs, obviamente, o Raul tem um apelo inigualável, é um fenômeno“, diz Rick, referindo-se a Belchior. Para ele, os três grandes letristas brasileiros são, nessa ordem, Raul Seixas, Belchior e Zé Ramalho.
O músico levou um susto quando, durante a gravação de Objeto Direto (1980), recebeu uma letra de Belchior para pôr melodia. “Nunca fui de compor muito. Peguei essa letra e nada de fazer uma música, nada que eu gostasse, até que lembrei de uma música que eu fiz com uns 17 anos“, lembra Rick. A parceria, de 1981, com roupagem bem country, chama-se Meu Nome é Cem, inédita em discos.
Meu nome é legião
Não sou só um
Sou um cidadão comum
Meu nome é cem
(…)
O amigo que saiu pra ver a lua
Jaz anônimo na rua
(…)
A lei dos homens nos obriga
A ser normal
E como vivo comovido
Dizem que sou um bandido marginal
Jotabê estima em pelo menos 600 as composições de Belchior, muitas inéditas. Só Jorge Mello, um de seus parceiros mais constantes, tem pelo menos uma dezena. Dias depois da morte do artista, em um tributo realizado em Fortaleza durante o festival Maloca Dragão, o ator, diretor e dramaturgo Ricardo Guilherme declamou uma dessas inéditas, Madalena, feita para a peça O Morro do Ouro. Com 14 anos, Ricardo trabalhou com Belchior no programa Porque Hoje é Sábado, da TV Ceará. “Ele era de uma geração que tinha o sonho de liberdade e de democracia. O seu desejo de transgressão e superação é permanente. Sua obra fala sobre o rejuvenescimento permanente que o sonho deve ter“, declarou ao jornal cearense O Povo.
Graduado e mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o professor da Federal de Pelotas César Augusto Ferrari Martinez falou sobre sua convivência com Belchior já durante o período de “sumiço” do artista para o grande público. Conheceram-se no final de 2012, quando Martinez ofereceu abrigo ao artista e sua companheira, Edna, com direito a “blindagem” contra jornalistas.
Ele me chamava de Professor. Eu lhe dizia Mestre. Ele arrumava meus livros, eu lhe contava meus planos. Nós compartíamos vinhos. Ele caligrafava, tocava, sorria. Fazia tudo, menos cantar. Não cantava mais.”
Não cantava, mas dedilhou Galos, Noites e Quintais, aquela mesma concebida nos tempos de mosteiro.
Talvez o último registro conhecido de Belchior cantando tenha sido feito em 7 de setembro de 2011, no Centro Cultural do Consulado do Brasil em Artigas, no Uruguai, como parte de um projeto chamado Ondas Sonoras – Primeiro Movimento, que não foi adiante. Mas ali o artista canta, entre outras canções, Velha Roupa Colorida, acompanhado ao piano por João Tavares Filho, que conheceu o compositor cearense naquele ano, após um concerto em Quaraí (RS), terra natal do músico, que hoje mora em Roma. “Muito me marcou a sabedoria, cultura e simplicidade desse grande artista que hoje partiu“, escreveu João no dia da morte de Belchior, em 30 de abril, aos 70 anos.
Em várias etapas da vida, o artista fala na tradução de A Divina Comédia Humana, de Dante Alighieri, um projeto no qual parecia permanentemente empenhado. Até ao mosteiro dos capuchinhos ele retornou, contando sobre seu trabalho. Em 30 de abril, o jornalista Thales de Menezes, em texto na Folha de S.Paulo, recordou uma entrevista feita com Belchior em 1987, em que ele contava sobre sua proposta de criar 3 mil desenhos inspirados na obra épica, escrita no século 14. “Uma paixão quase juvenil foi tomando conta de seu discurso. Dante era, sem dúvida, a maior influência comportamental, filosófica e artística assumida por Belchior.”
Tenho a impressão de que ele pode ter feito anotações, mas era um trabalho para não concluir“, comenta Jotabê Medeiros, sobre A Divina Comédia.
Se concluísse, talvez perdesse o sentido.
Ora, direis,
Ouvir estrelas,
Certo perdeste o senso
Eu vos direi, no entanto
Enquanto houver espaço, corpo e tempo
E algum modo de dizer não
Eu canto
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Posted: 07 Jun 2017 11:23 AM PDT
Harvard alunos calouros mensagens chocantes
Entrada do escritório de admissão de Harvard
Pelo menos 10 calouros em Harvard, uma das mais tradicionais universidades do mundo, tiveram sua aprovação revogada após trocarem memes e piadas ofensivas em um grupo fechado no Facebook.
A instituição afirma que não fala publicamente sobre as matrículas individuais de estudantes. Porém, de acordo com uma reportagem do jornal local “The Harvard Crimson“, publicada neste domingo (4), são pelo menos dez os estudantes que já haviam sido aprovados na universidade, mas acabaram ficando de fora da Classe de 2021, como é conhecido o grupo de alunos que passarão os próximos quatro anos em Harvard.
Todos os anos, a própria instituição cria e administra um grupo oficial dos novos estudantes, onde só são aceitas pessoas que constam na lista oficial de aprovados. O grupo, hoje com mais de 1.500 membros, é usado como uma forma de os jovens encontrarem futuros colegas com interesses em comum. Mas, desde então, dois novos grupos não-oficiais foram criados pelos próprios estudantes, para reunir os colegas que eram fãs de trocar memes e outras imagens bem-humoradas.
O jornal conversou com estudantes que participaram dos dois grupos, entre eles um jovem que preferiu permanecer anônimo e confirmou ter sido “desconvidado” a estudar em Harvard. Eles afirmaram que a primeira comunidade manteve um tom respeitoso nas mensagens trocadas, mas que, em dezembro do ano passado, um grupo menor de membros decidiu criar um canal ainda mais restrito para compartilhar conteúdo “proibido para menores”, segundo uma das alunas ouvidas.
Segundo o “Harvard Crimson“, que diz ter obtido capturas de tela de algumas das mensagens trocadas, os estudantes compartilharam imagens zombando de abuso sexual, do Holocausto e da morte de crianças. “Algumas das mensagens brincavam sobre o abuso de crianças ser sexualmente excitante, enquanto outras tinham piadas direcionadas a grupos raciais ou étnicos específicos. Uma [mensagem] chamou o enforcamento hipotético de uma criança mexicana de ‘hora da piñata'”, diz a reportagem.
Para ser admitido no grupo restrito de memes, os estudantes eram desafiados a publicar mensagens no grupo que tinha mais colegas.
O jornal afirma que as mensagens ofensivas enviadas nesse grupo privado chegou ao conhecimento da universidade meses depois. Em abril, o Escritório de Admissões de Harvard enviou e-mails aos estudantes envolvidos solicitando que eles encaminhassem todas as mensagens que haviam publicado, segundo um dos estudantes que acabou rejeitado por Harvard mesmo antes do início das aulas.
Segundo o jornal, o estudante recebeu a seguinte mensagem via e-mail: “O Comitê de Admissões ficou decepcionado ao descobrir que diversos estudantes em um grupo privado da Classe de 2021 estavam enviando mensagens que continham mensagens e gráficos ofensivos. (…) Como entendemos que você está entre os membros distribuindo esse material nesse chat, pedimos que você envie um posicionamento até amanhã às 12h para explicar suas contribuições e ações para discussão no Comitê de Admissões.”
Uma semana depois, esse estudante e pelo menos outros nove calouros receberam cartas informando que suas admissões haviam sido revogadas.
com informações de Exame
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Posted: 07 Jun 2017 10:29 AM PDT
professor unicamp paulo palma cotas ataca racismo
Professor Paulo Palma (Imagem: Pragmatismo Político)
A Reitoria da Unicamp e a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp repudiaram, por meio de notas, nesta sexta-feira, 2, as declarações do professor da área médica da própria universidade, Paulo Palma. Ele fez declarações consideradas desrespeitosas e que exalam preconceitos.
Depois de publicar uma mensagem acintosa em rede social citando o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, feita após a universidade aprovar a implantação de cotas étnico-raciais, o médico, um pouco desinformado sobre estudos de rendimento de alunos cotistas, disse em entrevista que o “nível da produtividade” (SIC) da universidade tende a cair com as cotas.
Sob o falso manto do discurso ‘meritocrático’ e com pensamento positivo-mecanicista, Paulo Palma fez declarações assombrosas para alguém com o mínimo de formação acadêmica. “O vagabundo do Lula pega a divisão de classe(SIC), pega a juventude perdida (SIC) para buscar atalhos para vida real e acha que isso vai resolver problema do ensino no País. Estão dizendo Paulo Palma é assediador. Estou cantando e dançando para esses indivíduos que não têm currículo, tem discurso do blá, blá, blá, são laborfóbicos. Quando chegam às 9h à universidade estou lá desde 7h. A universidade é para a elite cultural do Brasil, não para vagabundo”, afirmou ao jornal Correio Popular. Outra declaração do professor é de que cotas significam troca de “cérebro por nádegas”.
Apesar da verborragia, o currículo lattes do professor é recheado de artigos técnicos, bem ao estilo do produtivismo brasileiro. Nada realmente de grande valor como um Nobel de Medicina. Entre os prêmios e títulos ele destaca o de membro honorário da “Sociedad Paraguaya de Urologia”.
Em nota, a direção da Faculdade de Ciências Médicas disse repudiar, com veemência, comentários desrespeitosos realizados por um membro do corpo docente.

Veja nota da Direção da Faculdade de Ciências Médicas:

A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp repudia, com veemência,
comentários desrespeitosos realizados por um membro do corpo docente, recentemente, em
rede social e matérias jornalísticas. Tais comentários ferem os valores universitários e os
objetivos de pluralidade e inclusão social, amplamente preconizados e difundidos pela
FCM, ao longo de sua história.
A FCM da Unicamp, em conjunto com a Reitoria, acompanha os desdobramentos dos
últimos acontecimentos, bem como a tomada das providências administrativas cabíveis. (FCM)

Veja nota da Reitoria:

A propósito das declarações de um docente da Unicamp ao jornal Correio Popular, em sua edição de 02 de Junho, sobre a aprovação do princípio de cotas étnico-raciais pelo Conselho Universitário, a reitoria esclarece o seguinte:
1- A reitoria repudia a linguagem e o tom adotados pelo referido docente, incompatíveis com o debate qualificado das ideias no ambiente acadêmico e com o respeito que a sociedade merece.
2 – A reitoria reafirma o seu compromisso com o avanço da inclusão social e étnico-racial, com garantia da excelência acadêmica, o que vem sendo discutido em um ambiente de ampla participação da comunidade e órgãos institucionais, mediante o respeito à diversidade de ideias.
3 – A Unicamp pratica, respeita e defende a liberdade de expressão como valor inalienável de uma sociedade democrática, mas não tolera manifestações que firam os princípios de respeito à dignidade da pessoa e aos seus direitos fundamentais, não aceitando tratamento desigual por motivo de preconceito, conforme explicitado em sua missão institucional.
4- Diante disso, a reitoria tomou as providências cabíveis de acordo com as normas e regulamentos estabelecidos no regimento da Universidade. (Unicamp)
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Posted: 07 Jun 2017 09:57 AM PDT
ex agente cia revela tentativas assasinar fidel castro
Antonio Veciana (reprodução)
Antonio Veciana, um cidadão cubano e ex-espião da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), diz que a sua é “uma história de fracasso”, pois dedicou a vida a tentar matar Fidel Castro e desestabilizar o governo instituído após a Revolução Cubana – sem sucesso.
Aos 88 anos, Veciana, que vive em Miami, nos EUA, falou à agência de notícias AFP sobre sua história, a propósito do lançamento de seu livro “Trained to kill” (“Treinado para matar”, em tradução livre).
O trabalho que eu fazia era aquele que os terroristas fazem. Só não tinha esse nome”, disse o ex-agente. “Eu era um terrorista improvável: era magro, asmático e cheio de inseguranças.”
Ele conta que foi recrutado em 1959 pelo agente norte-americano David Atlee Phillips, codinome “Bispo”, que o treinou em Havana para matar Fidel – que, após sobreviver a mais de 600 tentativas frustradas de assassinato, morreu em novembro do ano passado de causas naturais.
Veciana trabalhava como contador no Banco Nacional de Cuba e aprendeu a passar despercebido, planejar ações, ser inescrupuloso e não confiar em ninguém.
A princípio, a ideia era desestabilizar”, contou, dizendo que seu trabalho era criar e espalhar informações falsas sobre supostas ações do governo cubano.
A primeira que criou foi um boato sobre uma suposta lei que permitiria que o governo retirasse os direitos legais e de custódia dos pais sobre seus filhos.
A partir desse rumor, entre 1960 e 1962 cerca de 14 mil crianças e adolescentes foram enviados por suas famílias para os EUA, um êxodo infanto-juvenil conhecido como “Operação Peter Pan”. A operação foi apoiada pela Igreja Católica, que enviava os menores desde Cuba e os recebia em acampamentos na Flórida.
Muitos pais e mães se encontraram com seus filhos depois, mas outros nunca mais os viram, porque morreram ou porque não conseguiram sair do país”, disse Veciana, que diz não se arrepender de seu papel na separação de milhares de famílias.
Pode ter sido irresponsável, mas eu fiz o que fiz por convicção”, afirmou. “Estava convencido de que estava fazendo a coisa certa, e faria de novo.”
Ele fugiu para os EUA em 1961 após uma tentativa frustrada de assassinar Fidel Castro. Em Miami, ele fundou um grupo paramilitar chamado Alpha 66, que nos anos 1960 e 70 promoveu ações – cuja magnitude era “sempre exagerada”, segundo ele – contra o governo cubano.
Veciana disse ter se sentido “traído” pelo então presidente dos EUA, John F. Kennedy, que retirou o apoio norte-americano a grupos paramilitares de cubanos anticastristas na tentativa frustrada de invasão da Baía dos Porcos, em 1961.
À AFP, ele disse ter visto o ex-agente Bispo se encontrar com o ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald meses antes do assassinato de Kennedy, em 1963. Oswald foi depois identificado como o atirador que matou o então presidente dos EUA em Dallas, no Texas.
Veciana tentou mais uma vez matar Fidel durante uma visita do líder cubano a Santiago do Chile – e mais uma vez falhou. Seus esforços para difamar Ernesto “Che” Guevara depois da morte do revolucionário argentino na Bolívia, em 1967, também falharam, já que Che acabou se tornando um ícone mundial da esquerda.
Ele se aposentou em 1979, após 20 anos de tentativas frustradas de derrubar Fidel e a Revolução Cubana. “Eu tento não pensar muito nisso, porque a minha história é uma história de fracassos”, disse o ex-agente à AFP.
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Posted: 07 Jun 2017 09:52 AM PDT
Gilmar Mendes tse julgamento herman benjamin
Gilmar Mendes e Herman Benjamin (Imagem: Pragmatismo Político)
Um embate entre os ministros Herman Benjamin e Gilmar Mendes marcou o primeiro dia de julgamento da ação que pede a cassação da chapa encabeçada por Dilma e Michel Temer em 2014. O relator do processo retrucou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pediu “moderação” com a “intervenção indevida no processo democrático”, sinalizando seu voto contrário ao pedido da Procuradoria-Geral Eleitoral.
Depois das considerações iniciais de Herman Benjamin, que já indicou voto favorável à cassação da chapa, Gilmar disse era preciso cuidado na análise do processo. “Temos uma situação singular, que não é comezinha, que é a impugnação de uma chapa presidencial”, afirmou.
O presidente do TSE disse que “mais importante do que o resultado do julgamento”, nesse caso, era conhecer como funcionam as campanhas presidenciais e criticou o que classificou como excesso da Justiça eleitoral na cassação de “parlamentares, vereadores e prefeitos”. Segundo Gilmar, o TSE tem cassado mais que a ditadura.
A comparação foi rechaçada pelo relator: “As ditaduras cassavam e cassam quem defende a democracia. O TSE cassa aqueles que vão contra a democracia. É uma enorme diferença”.
Gilmar insistiu na intervenção. “De qualquer forma, nós temos que ser moderados”, declarou. “Essa é uma intervenção indevida no processo democrático eleitoral e nós temos que ser muito cuidadosos com isso”.
Herman Benjamin, mais uma vez, contestou o presidente do TSE: “Nós temos que ser cuidadosos em tudo que diz respeito à soberania do voto popular, tanto para resguardá-lo, quanto para impugná-lo quando ele está eivado de irregularidades”.
Veja o vídeo do embate:
No primeiro dia de julgamento da ação que pede a cassação da chapa DilmaMichel Temer, os ministros examinaram e rejeitaram, por unanimidade, quatro das dez preliminares, contestações das defesas da petista e do peemedebista sobre pontos do processo. O julgamento será retomado na manhã desta quarta-feira. Entre outras coisas, o TSE vai decidir se as delações da Odebrecht serão admitidas ou não na análise do processo.
Edson Sardinha, Congresso em Foco
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