segunda-feira, 10 de julho de 2017

10/7 - Altamiro Borges DE 9/7

Altamiro Borges


Posted: 09 Jul 2017 11:45 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

O noticiário está completamente tomado pelos sucessivos escândalos de natureza política, envolvendo os personagens mais próximos da Presidência da República. Denúncias e delações trazem para o centro do noticiário “politicial” a evidência da corrupção como prática “naturalizada” na Esplanada. São malas de dinheiro e depósitos em contas ilegais no exterior de membros do grupo portador da redenção. Os denunciados são queles que passaram a ocupar os postos da Esplanada, com a incumbência de tirar o Brasil do mar de lama em que estaria envolto até poucos minutos antes da definição do golpeachment.

Apesar disso, os meios de comunicação ainda oferecem alguma ou outra notícia a respeito das tentativas desesperadas da equipe econômica. Os representantes autênticos do financismo insistem em dizer que também estão “animadíssimos” com a perspectiva da superação da crise. A exemplo do chefe Temer, os ministros tentam exibir um otimismo que não se sustenta em nenhum relatório estatístico oficial e muito menos em avaliações prospectivas de curto ou médio prazos a respeito do ritmo da atividade econômica. Mas a força dos fatos faz com que os jornais agora comecem a estampar as ameaças do núcleo do governo em aumentar os impostos.

Até pouco tempo atrás, a boia de salvação daqueles que promoveram a retirada ilegal de uma Presidenta eleita pela maioria da população resumia-se à nota promissória da aprovação das reformas trabalhista e da previdência. Constatada a incapacidade em oferecer o paraíso prometido ao empresariado e à classe média, os protagonistas do estupro constitucional tiveram de se resignar à evidência do engodo. Afinal, estava mais do que claro que não “bastava tirar a Dilma” para resolver os inúmeros problemas existentes no âmbito da economia. A promessa da suposta eficiência e competência do “dream team” do financismo não resistiu a alguns meses de banho de realidade.

Recessão e diminuição de receitas públicas
A verdadeira obstinação com que os representantes dos interesses do sistema financeiro brandiam as receitas do austericídio impedia a elaboração de um diagnóstico que fosse minimamente aderente à realidade dos fatos e à experiência internacional. Não que se esperasse deles uma retomada do projeto de distribuição de renda ou de inclusão social. Mas apenas e tão somente que sobrasse alguma pitada de racionalidade e realismo, caso a intenção fosse mesmo aquela tão alardeada pelos jornais - superar a recessão e buscar o caminho do crescimento.

O elemento mais dramático de todo esse processo talvez tenha sido o sentimento de enganação. Afinal, o discurso do establishment financeiro tupiniquim logrou unificar o conjunto dos setores das próprias classes dominantes em apoio a Temer e sua pinguela para o passado. Todos juntos em torno do projeto do parasitismo rentista. Um autêntico tiro no pé. O Brasil afunda a cada dia no fundo do poço e os custos sociais e econômicos para a retomada serão certamente ainda maiores do que o sofrimento vivenciado até o momento.

Ora, qualquer manual básico de macroeconomia nos ensina que o caminho para o equilíbrio fiscal passa pelo crescimento da economia como um todo. A política de aprofundar a recessão por meio do arrocho monetário e da contenção das despesas apenas nos afasta de uma desejada melhora nas contas públicas. Isso pelo simples fato de que o nível de arrecadação de tributos obtidos pelo Estado depende, essencialmente, da manutenção ou ampliação da atividade econômica. Se o Produto Interno Bruto (PIB) não cresce, não há meio de se obter aumento das receitas do governo. Como boa parte de suas despesas são obrigatórias, parece evidente que surgirão problemas para fechar a conta do orçamento público.

Capacidade de arrecadação em queda

E assim a realidade começa a incomodar os defensores dos cálculos de planilha. Os “modelitos” de arrocho conservador já não mais respondem aos anseios e desejos de seus proponentes. E mesmo os arautos da responsabilidade fiscal ensaiam algumas medidas que até pouco tempo atrás xingavam como sendo “pedaladas fiscais”. Apenas para ficar na meta oficial de resultado fiscal para 2017: Meirelles reluta em admitir que nem mesmo o déficit declarado de R$ 140 bilhões será atingido. Parece óbvio que tal resultado resultará em grave mancha na reputação de quem se intitulava guardião da competência e do equilíbrio.

O próprio Relatório Mensal da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) exibe as informações do desastre. Os dados obtidos para o mês de maio de 2017 mencionam o pior resultado para esse mês desde que a série foi iniciada em 1997. O governo central apresentou um déficit superior a R$ 29 bilhões no mês. Para fugir a um eventual casuísmo de análise de um período isolado de 30 dias, a mesma performance pode ser identificada na avaliação do acumulado dos 5 primeiros meses do ano. Assim, no somatório janeiro-maio o déficit foi de R$ 35 bi, também o maior já visto para igual período ao longo dos 21 anos da série.

E, ao contrário daquilo que vinha sendo repetido “ad nauseam” pelos papagaios do financismo dentro e fora do governo, o principal responsável por tal desempenho não é a tal propalada explosão das despesas. O elemento que tem causado tal desastre é a brutal queda na arrecadação. Fato esse, aliás, já identificado há muito tempo por aqueles que alertávamos a respeito das consequências trágicas advindas da opção pelo austericídio.

Meirelles ameaça elevar impostos

A divulgação do resultado de maio elevou o total arrecadado ao longo dos 5 primeiros meses de 2017 para R$ 563 bi. Esse total representou uma queda real de R$ 10 bi em relação ao obtido em igual período de 2016, quando as receitas foram de R$ 573 bi. Ou ainda uma queda maior face ao resultado de 2015, quando a União arrecadou R$ 610 entre janeiro e maio. Caso consideremos o último período antes do início da opção pela austeridade nua e crua, veremos que esse acumulado de receita arrecadada estava em R$ 632 em 2014. Ou seja, houve uma queda de 11% no volume de recursos que ingressaram nos cofres do governo federal.

Caso o enfoque se concentre na avaliação do desempenho de arrecadação ao longo de período equivalente a um ano a tendência é a mesma. Antes do início do austericídio, o resultado de maio de 2014 exibia um acumulado de 12 meses equivalente a R$ 1,55 trilhão de receita federal. Ao longo dos anos seguintes, a opção pela recessão provocou queda nesse volume a cada novo ano, até atingir o valor de R$ 1,35 tri no maio mais recente. Isso representa uma queda de 13% na capacidade arrecadatória ao longo de 3 anos.

Com a popularidade de Temer no rodapé da sala e o envolvimento de seus principais colaboradores com a polícia e o Ministério Público, a performance econômica não autoriza nenhum tipo de otimismo. No entanto, a debacle fiscal já era esperada de há muito tempo. O austericídio havia cortado a fonte de receitas lá atrás, pré anunciando a quem quisesse ouvir a chegada da etapa 2.0 da crise. Não por acaso a própria equipe que lá foi colocada com o apoio entusiasmado da turma do impostômetro, agora joga a toalha e fala em elevar tributos. Oh, santa heresia!
Posted: 09 Jul 2017 11:40 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

O governador Geraldo Alckmin disse ontem que foi contra a indicação que o PSDB fez para o governo de Michel Temer. “Eu já defendi lá atrás que não deveríamos nem ter participado com indicação de ministros. Você pode apoiar as reformas, projetos de lei, medidas de interesse da comunidade sem precisar ter participação governamental”, disse ele, ao anunciar que chamou tucanos para discutir amanhã na casa de Fernando Henrique Cardoso o desembarque o do governo - ele não usou essas palavras, mas foi esse o sentido.

Alckmin posa de santo diante de um governo terminal, mas não se deve esquecer que partiu dele o que pode ser considerado o legado mais nocivo dos anos Temer: o ministro Alexandre de Moraes.

Moraes saiu da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para o Ministério da Justiça e, de lá, para o Supremo Tribunal Federal, na vaga do do falecido ministro Teori Zavascki, onde ficará, se tudo correr bem para ele, até 2043.

Em quatro meses no cargo, ele ajudou a tirar da cadeia dois parentes de Aécio Neves e um assessor do senador Zezé Perrella, presos por conta da propina da JBS e agora, como lembra Josias de Souza em sua coluna de hoje, sentou em cima de um processo que poderia complicar a vida dos amigos de Michel Temer Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Na votação de uma ação que define até onde uma autoridade pode ser protegida pelo foro privilegiado, o ministro Luiz Roberto Barroso votou pela limitação.

Para ele, o Supremo deve julgar apenas as autoridades que tenham cometido crime durante o exercício da sua função e por ações relacionadas ao serviço público.

Alexandre de Moraes votaria em seguida, mas pediu vista e, quase um mês e meio depois, não devolveu o processo ao plenário.

Com isso, como lembra Josias, Moraes favorece os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha, braço direito e braço direito de Temer (ele tem muitos braços).

Os dois respondem a inquéritos por corrupção passiva, em fatos ocorridos antes de se tornarem ministros, exatamente como Geddel Vieira Lima, que está na cadeia.

Caso o plenário acompanhe em sua maioria o voto de Barroso, os dois passariam a responder na primeira instância, exatamente como Geddel, e poderiam ser presos.

Ao retirar o processo da pauta, com a alegação de que precisaria estudá-lo melhor, Alexandre de Moraes afasta esse risco.

E o pedido de vista, no Supremo Tribunal Federal, que deveria se limitar, regimentalmente, a algumas semanas, dura, em média, 341 dias, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (Supremo em números).

Isso significa que Moraes poderia ficar com o processo que interessa a Moreira Franco e Eliseu Padilha até metade do ano que vem.

Isso se ele ficar dentro da média.

Mas, em pelo menos em um caso, um ministro pediu vista do processo e demorou quase um ano e meio para devolvê-lo.

Foi Gilmar Mendes, no processo que reconheceu como inconstitucional a doação eleitoral de empresas a candidatos.

Ele queria manter o financiamento privado, como aliás defendia o PSDB e o DEM, mas, diante da iminência da derrota, retirou o processo do plenário e adiou a decisão em um ano e meio.

“Uma não-decisão pode afetar de forma permanente o mundo fora do tribunal, em especial quando se trata do tempo da política, em que algumas semanas ou meses podem ser suficientes para gerar fatos consumados”, disse o jurista Diego Werneck Arguelhes ao jornalista Paulo Henrique Arantes, em reportagem publicada pelo DCM.

Moraes, o legado que Alckmin e Temer deixarão para o Brasil destes dias estranhos, parece ter aprendido rápido como se movimentar na corte para que a balança da Justiça tenha dois pesos e duas medidas. E, acima de tudo, proteja os amigos.
Posted: 08 Jul 2017 09:49 PM PDT
Por Renato Rovai e Fredi Vasconcelos, na revista Fórum:

Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, já é considerado na bolsa de apostas de Brasília como futuro presidente da República. Apesar de dar sinais de que continua na base de apoio de Michel Temer, sua agenda já não é a mesma. E seus amigos mais próximos já começam a plantar notas na imprensa alimentando especulações de como seria seu governo.

Entre outras dessas “plantações” surgem sinais trocados do tipo. Como presidente, Maia manteria a dupla Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) pra sinalizar que a política econômica continuaria a mesma. Ou exatamente o contrário, que Maia não gosta de Meirelles e que o seu sonho de consumo para liderar a área econômica seria Armínio Fraga, que chegou a ser anunciado por Aécio como seu ministro da Fazenda caso ganhasse a eleição de 2014.

Muito se tem falado sobre o futuro governo do filho de César Maia. Quase nada está sendo dito sobre sua biografia.

A despeito de estar no seu quinto mandato como deputado federal, Maia nunca foi um parlamentar de destaque e muito menos um político com muitos votos.

Em 2012, por exemplo, tentou ser prefeito do Rio de Janeiro e teve 3% dos votos.

Isso não significa, porém, que ele não tenha uma história. E ela não é exatamente feita de grandes feitos. Ao contrário, é repleta de envolvimentos em denúncias semelhantes as que estão levando Michel Temer ao impeachment.

Maia, por exemplo, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por recebimento de dinheiro ilegal por ser apontado como Botafogo (time que torce) na planilha do departamento de propinas da construtora Odebrecht. Lá há uma anotação de que ele recebeu recursos da ordem de R$ 1 milhão por caixa dois nas eleições de 2008, 2010 e 2012.

Na delação de diretores de outra construtora, a OAS, Maia também é acusado de ter recebido propina. Em inquérito da Polícia Federal, ele é apontado como tendo defendido interesses da empreiteira no Congresso, entre 2013 e 2014, em troca de dinheiro para campanha.

O próprio Jornal Nacional, da TV Globo, que hoje faz campanha aberta para que ele assuma no lugar de Temer, revelou que a PF não tem dúvida da “atuação clara, constante e direta” de Maia na defesa de interesses da OAS no Congresso Nacional. Um trecho do relatório é contundente: “com base em toda a prova colhida no decorrer da presente investigação, logrou-se êxito em confirmar integralmente a hipótese inicial aventada, qual seja, a de que o deputado federal Rodrigo Maia efetivamente praticou diversos atos na defesa de interesses da Construtora OAS, durante os anos de 2013 e 2014, tendo, em contrapartida, solicitado doações eleitorais ao presidente da pessoa jurídica, José Aldemário Pinheiro Filho [Léo Pinheiro]”. No telefone do presidente da OAS foram identificadas mensagens de Maia que apontavam o caminho das propinas de R$ 1 milhão ao deputado.

Outro episódio, mais antigo, é a inclusão de Maia na Lista de Furnas, estatal de geração de energia e que teria uma “caixinha” mantida por fornecedores para caixa dois de campanhas eleitorais. No esquema, em que a estrela é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), Maia aparece junto dos nomes do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do candidato à época à presidência da República, José Serra.

Neste episódio, Maia que disputava reeleição para deputado federal em 2002 teria recebido R$ 100 mil, a valores de 2002 (veja reprodução da lista aqui).

Outra acusação ao deputado é em relação ao “mensalão do DEM”, em que acabou cassado e preso o então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. O delator do caso, o ex-funcionário do governo Durval Barbosa, afirmou que Rodrigo Maia era um dos beneficiários do esquema. “O acerto do Rodrigo era direto com o Arruda”, disse o autor de vídeos que levaram queda do governador.

Ou seja, o filho de César que hoje é tratado como a bola da vez para comandar o país está longe de ser alguém com reputação ilibada ou currículo invejável. Pelo contrário, é um político tradicional com inúmeras acusações. E que não fosse o nível do Congresso atual não teria qualquer chance de comandar a Casa. E mais do que isso, se não estivesse no cargo que está provavelmente nem se reelegeria para um novo mandato por conta das muitas acusações em que se envolveu nos últimos anos.
Posted: 08 Jul 2017 09:46 PM PDT
Por Thiago Cassis, no site da UJS:

Não é novidade que o Facebook cresce exponencialmente a cada dia. São mais de 2 bilhões de usuários ao redor do planeta, ou, como lembrou a coordenadora do FNDC, Renata Mielli, 25 por cento da população mundial. Aniversários, eventos, festas, candidaturas, absolutamente tudo que pudermos imaginar em relação ao cotidiano e a agenda das pessoas está atrelado à mais poderosa rede social do mundo, o Facebook, que foi fundada pelo norte-americano Mark Zuckerberg.

Diversos questionamentos surgem a partir de uma rápida análise sobre o Facebook e seu poder de pautar tudo o que as pessoas consomem. Desde roupas até ideias. Em artigo recente, (disponível aqui) Renata aponta que desde a mobilização para as manifestações de junho de 2013 no Brasil até a Primavera Árabe, Indignados da Espanha e Occupy Wall Street, no ano de 2011, tudo passou pela plataforma de Zuckerberg.

Mas o que os movimentos sociais devem fazer a partir do momento que sim, sabemos que trata-se de um monopólio, mas ao mesmo tempo um quarto do planeta está lá? Como equalizar a necessidade de ocupar os espaços de disputa da formação do senso comum e ter consciência dos perigos do Facebook?

Sobre os perigos de monopólio, a própria Renata Mielli nos explicou que nunca um meio de comunicação, ou uma plataforma de comunicação, teve um “poder monopólico tão grande quanto o Facebook. Além de reunir essa quantidade enorme de pessoas pelo mundo, ela é praticamente a única plataforma com essa característica, então isso configura um monopólio muito perigoso, para as garantias democráticas, para a garantia e observância de direitos humanos, como a liberdade de expressão e tantos outros direitos”. 

Outra questão apontada pela coordenadora do FNDC foi o fato de que para acessar muitos serviços e até outras plataformas, você necessariamente precisa ter uma conta no Facebook, e destaca “o Facebook além de tudo, é uma plataforma privada, e isso precisa ser objeto de reflexão por parte da sociedade, por parte dos movimentos sociais, que utilizam essa plataforma, por parte dos estados nacionais, o Facebook inclusive ameaça a soberania de muitos países, porque não possui nenhum tipo de transparência em como ele determina aquilo que é ou não visto, como se dá a política de remoção de conteúdos, tudo isso é muito inacessível e a gente não compartilha dessas decisões”.

Também problematizando os riscos do monopólio que a maior ferramenta de comunicação do mundo representa, o editor-chefe do Portal Vermelho, Inácio Carvalho, explica que “a comunicação, por natureza, é um ambiente de profunda diversidade, o que estabelece a possibilidade de amplo debate de ideias, Na internet, ambiente extremamente democrático, essa diversidade deve se impor ainda mais. O monopólio do Facebook é absolutamente incompatível com essa realidade. Portanto, o risco desse monopólio mundial é a imposição de um pensamento único, superficial e quase sempre alheio à realidade dos internautas. Isso se torna mais grave em razão do enorme poder de expansão do Facebook”.

A diretora de comunicação da União da Juventude Socialista, Patrícia de Matos, coloca que “nós que nos propomos a produzir conteúdo e a constituir mídias alternativas precisamos nos apropriar das ferramentas e plataformas e o Facebook certamente está nesse escopo. Identificar brechas tecnológicas que nos permitam falar com mais gente é importante, embora a gente saiba que o Facebook é uma empresa que tem assumido uma posição que vai na contramão disso, vide o exemplo da derrubada do alcance de páginas sob a alegação de “combate ao terrorismo”, prejudicando enormemente os ativistas da área”. 

Na mesma direção apontada pela dirigente da UJS, Renata Mielli acredita que “os movimentos sociais necessitam fazer uso consciente do Facebook, conhecendo os limites e os perigos de plataforma privada, que tem interesses comerciais”, e continua, “tudo que você vê na sua timeline é fruto de uma definição de algoritmos do Facebook, então não são todas as pessoas que você alcança, o conceito de alcance do Facebook é muito complicado”.

No entanto, apesar das ponderações, Renata, não sugere um afastamento das redes sociais, pelo contrário, “a gente precisa continuar no Facebook, porque é um espaço de disputa ainda, então nós que atuamos no movimento social, precisamos ocupar todos os espaços e fazer as disputas em todos os espaços, mas não reduzir ou resumir a nossa comunicação, a nossa mobilização, o nosso ativismo político ao Facebook. Precisamos procurar outras alternativas, trabalhar mais nas ruas do que nas redes, fortalecer a mídia alternativa, a mídia sindical, a partir dos seus sites, estimular a navegação na internet fora do Facebook, então acho que são cuidados que a gente precisa ter inclusive para ir combatendo de alguma maneira essa lógica imposta pelo Facebook”.

“Acredito que temos que atuar em todos os lugares, achar as brechas, mas sempre tendo a consciência de que existe uma limitação clara e que o Facebook não é, em sua essência, algo democrático. Ele possibilita uma dinamicidade maior nos processos de circulação da informação por conta da convergência digital (o que antes não tínhamos nos casos isolados do impresso, do Rádio e da TV), atendendo à dinâmica atual em que o receptor da ‘mensagem’ passa a ser um sujeito ativo no processo comunicacional. No entanto, isso não está isento do papel hegemonista que têm os monopólios da comunicação e os efeitos do capital, propriamente dito”, reflete Patricia.

Em relação à forma de consumo de informação no Facebook, Renata Mielli exemplifica, “as pessoas percorrem suas timelines de uma maneira muito rápida e não conseguem fixar a informação, não vão além das manchetes ou de uma linha fina, não se aprofundam nas notícias ou quando clicam e lêem uma notícia, se a notícia for muito grande as pessoas acabam não lendo na integra, então isso cria uma volatilidade tão grande da informação, que gera uma superficialidade e faz com que as pessoas tenham na verdade paradoxalmente muito menos informação hoje do que tinham antes”, e na sequência ela aprofunda a análise dessa contradição “então, apesar do excesso de informação, o nível de informação que as pessoas individualmente captam ou vão buscar ler de fato é mínima, porque elas ficam naquela loucura de percorrer as timelines e não se aprofundam na notícia, isso é péssimo porque você cria uma sociedade extremamente frágil, muito suscetível à manipulação”.

O debate acerca do monopólio, assim como, a proporção que o Facebook tomará estão em aberto, mas quando pensamos que um quarto do planeta se concentra em uma plataforma privada, a discussão se torna urgente e necessária, e para concluir, a diretora de comunicação da UJS, aponta “portanto, lutemos em todos os campos sabendo o que eles representam e construindo alternativas tecnológicas livres que nos ajude a ganhar mais autonomia nesse contexto”.
Posted: 08 Jul 2017 09:44 PM PDT
Por Mayara Paixão, no jornal Brasil de Fato:

No auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, cujo nome homenageia Vlado, jornalista brasileiro morto pelas mãos da violência do estado durante a ditadura militar, o também jornalista Audálio Dantas, que viveu de perto esse capítulo da história brasileira, recebe o troféu “Indignação-Coragem-Esperança”, uma homenagem por sua atuação histórica em defesa da imprensa sindical brasileira e da comunicação popular. O encontro, que também marca a celebração de seus 85 anos, acontece neste sábado (8), no centro de São Paulo.

“Eu às vezes fico em dúvida se devo receber tanta homenagem, mas há algumas que me deixam realmente feliz. Essa é uma delas, inclusive porque está envolvendo os companheiros de trabalho, de luta. Isso para mim é muito importante”, contou Dantas em conversa com o Brasil de Fato poucos dias antes de receber o troféu.

O jornalista faz referência ao fato de a iniciativa da homenagem ter partido de entidades que pautam a luta do jornalismo como instrumento de defesa da democracia e pilar da transformação social, como a Oboré Projetos Especiais, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Agência Sindical. A elas, se somaram outras, como o Instituto Vladimir Herzog, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Centro Acadêmico Lupe Cotrim da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Com desenho original da cartunista Laerte Coutinho, também presente na homenagem, o troféu, simboliza a imagem de São Jorge, santo que representa a coragem e resistência ao opressor, em seu corcel branco, enfrentando o dragão. No entanto, o santo está na condição de repórter, com um gravador na cintura e um microfone no lugar da lança original.

Para a cartunista a atuação de Audálio foi fundamental contra as violações cometidas pelo regime militar “Ele é importante para a história do jornalismo brasileiro, por ser repórter investigativo minucioso e cuidadoso. Pra mim, ele se tornou o Audálio, na época do assassinato do Herzog, quando a condução dele à frente do sindicato foi decisiva junto com outras entidades e promoveu uma reviravolta na ditadura.”

O jornalista Juca Kfouri também participou da cerimônia de premiação neste sábado “Todos nós somos gratos e o Brasil é grato por ele. O Audálio não é responsável só pelo começo do fim da ditadura no Brasil. Ele não é um jornalista que virou militante, o Audálio é um militante que é o jornalista que sempre foi e nos enche de orgulho. Poder dar um beijo nele ao completar 85 anos é um privilégio.”, comentou.

Defesa da democracia

Tendo passado por inúmeros veículos de comunicação, o alagoano dedicou sua atuação no jornalismo para a defesa da comunicação como um direito da sociedade. Audálio torna-se presidente do Sindicato dos Jornalistas em maio de 1975, em meio ao golpe militar, e atua como um dos principais responsáveis pela retomada do Sindicato como um órgão combativo e de oposição à violência estatal.

“Assumi um grupo comprometido com as lutas de resistência democrática. No meu caso, pessoalmente, acho que assumi aquela função exclusivamente porque tinha um objetivo: lutar contra a violência da ditadura militar. Foi isso que caracterizou a atuação do Sindicato”, comenta Audálio sobre o período. “Esse comprometimento foi o que levou à atuação do Sindicato não apenas no caso Herzog, mas também a reclamar contra a censura, a política salarial e a política que arrolhava os sindicatos de um modo geral.”

Em outubro do mesmo ano, Vladimir Herzog, então jornalista na TV Cultura e professor da USP, é assassinado por agentes da ditadura militar brasileira e tem as circunstâncias de sua morte forjadas. O Sindicato, que defendia rigorosamente todos os jornalistas que, naquela ocasião, foram atingidos pela violência da Ditadura, foi responsável por impulsionar as denúncias e manifestações contra a morte de um de seus colegas.

À frente da presidência do Sindicato e junto com os demais colegas de gestão, Audálio participou ativamente da construção do culto ecumênico na Praça da Sé, em São Paulo, em memória de Vladimir Herzog, morto uma semana antes. O culto contou com a participação de 8 mil pessoas, tornou-se a maior manifestação de massas ocorrida desde a implementação do Ato Institucional n°5 e foi um dos capítulos que anunciava o início da redemocratização do país.

Hoje

Para o jornalista, que, ao longo de seus 85 anos, atuou veementemente contra a censura e em defesa da liberdade de expressão, a atuação da mídia brasileira na atual conjuntura política nacional é “absolutamente condenável” e descumpre a ética de um jornalismo mantenedor do regime democrático.

“O que está ocorrendo, na grande maioria dos veículos de comunicação, é a negação do princípio da liberdade de imprensa e da informação que se deve prestar, por ser esse o direito da sociedade. O que está ocorrendo é uma negação desse direito. Muitas vezes, se omite a informação em defesa do interesse dos setores econômicos, financeiros, e esse não é o papel da imprensa”, comentou Audálio.

Ele também pontua a importância de manter viva a memória. “É bom lembrar que a chamada ‘grande imprensa’ foi parceira da Ditadura Militar. Foi conivente com a violência, com a censura, prestou um enorme desserviço à causa democrática.”.

O jornalista é autor de livros como Graciliano Ramos; O menino Lula; O Tempo de Reportagem: histórias que marcaram época jornalismo brasileiro; As duas guerras de Vlado Herzog: da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil, entre outros.
Posted: 08 Jul 2017 09:32 PM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A esta altura, Michel Temer deve estar perplexo com a justiça poética que está sendo feita tão rapidamente após ele praticar uma traição miserável contra Dilma Rousseff. Não que ele não saiba que não há honra entre ladrões; deve estar surpreso com a velocidade com que as coisas estão acontecendo.

Tenho para mim que os golpistas nunca entenderam nada. Michel Temer chegou à Presidência todo pimpão, achando que iria abafar por ter casado com a menina com idade para ser sua neta.

Não tem senso de ridículo, não tem autocensura, não tem noção, enfim…

Mas o pior de tudo é que subestimou a enormidade que é presidir uma ditadura sem ter por trás de si um exército muito fiel e armado até os dentes.

Os golpistas sentiram-se incrivelmente poderosos. Acharam que por derrubarem o quarto governo popular petista consecutivo e por se disporem a tirar dos brasileiros tudo que esses governos deram ao longo de mais de uma década, estariam imunes a qualquer abuso que praticassem ou que já praticaram.

Eles não entenderam nada. Vivemos na era da informação e da comunicação. Ditadura sem censura não funciona, tem vida curta. É por isso que a primeira coisa que faz toda ditadura é acabar com a liberdade de expressão.

Temer bem que tentou. Ensejou processos, intimidações de jornalistas etc. Estabeleceu uma relação de cumplicidade com a República de Curitiba sem se dar conta que ela não pode usar sua moral seletiva para proteger quem tem foro privilegiado.

E não imaginava que Teori Zavaski levaria a sério essa coisa de “a lei é para todos”.

O país que Temer pensou estar governando era um país conformado em impor a lei somente para os quatro pês – preto, pobre, puta e petista. Ocorre que, mesmo que tentem materializar esse país, há muita gente que discorda… Muita gente!

Temer vai cair? Se depender do Temer de Temer, vai. Todo traidor será traído, dizem. Essa é uma lógica inquebrantável. O mundo dos ladrões desonrados é um mundo fétido, gelado, insalubre. O perigo espreita a cada curva da estrada desse tipo de vida.

Segundo o jornal Valor Econômico, “O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a conversar mais com o mercado financeiro desde o agravamento da crise política, num movimento visto por analistas, economistas e agentes com quem se reuniu como uma tentativa de mostrar que, caso o presidente Michel Temer seja afastado, estaria preparado para assumir a função (…)”

A situação é mais feia do que parece. Publicamente, Temer e Maia trocam elogios e juram fidelidade, mas os entendimentos entre o provável novo presidente e o patrocinador do golpe, o “mercado”, têm que ser feitos. Isso não dá para disfarçar ou postergar. Trocar o comando de um transatlântico como o Brasil não é tão simples.

O resultado é o espetáculo patético que estamos assistindo, no qual Temer e Maia fingem que acreditam no que dizem sobre “lealdade”, a qual não param de jurar devotar um ao outro.

Enquanto um acaba de cometer uma das maiores deslealdades que este país já viu – trabalhar para derrubar a companheira de chapa na eleição de 2014 –, o outro participa de uma explosão de reuniões com agentes econômicos noticiadas publicamente e realizadas de chofre (de repente) sem maiores explicações.

O senador tucano da Paraíba Cassio Cunha Lima previu que Temer cairia em 15 dias. As razões? O presidente não conseguirá tocar as reformas (anti) trabalhista e da Previdência porque o Congresso terá medo de se identificar com ele votando consigo matérias que propôs e que são imensamente impopulares.

Tampouco existe a possibilidade de fazer uma votação secreta de reformas que extirpam direitos dos trabalhadores (que somos todos nós). Então, deputados e senadores teriam que votar medidas que empobrecerão um país inteiro sob as ordens de um presidente comprovadamente corrupto e absurdamente impopular.

Cada parlamentar que votar as reformas pelas quais o “mercado” lhe pagou – ou prometeu pagar – para votar, e que fizer isso sob a batuta de Temer, estará eleitoralmente perdido. Se for medida proposta por um “novo” governo seria menos ruim – é o que pensam os bandoleiros da maioria de direita que cometeu crime de lesa-pátria ao derrubar Dilma sem razões legais.

Eles não entenderam nada. 353 golpistas da Câmara, mais 61 do Senado nunca entenderam nada. Acham que vão causar o maior e mais rápido empobrecimento coletivo da história e sairão à francesa disso, e ainda aplaudidos.

Ou acham que vão curtir seus milhões de propina paga pelo “mercado” para empobrecerem uma nação e dane-se o resto.

Agora, o plano B é Rodrigo Maia.

É mesmo? Será que vão conseguir ferrar 200 milhões de brasileiros usando um poodle de madame em lugar de um vampiro?

Vejamos…

Cinco delatores relataram em abril elos de Rodrigo Maia com setor de propinas da empreiteira Odebrecht e a Polícia Federal acusou o presidente da Câmara em fevereiro de ter recebido 1 milhão de reais de propina da OAS.

Cinco delatores da Odebrecht revelaram à Procuradoria-Geral da República uma longa rotina de repasses de dinheiro da empreiteira ao presidente da Câmara.

Ao requerer abertura de inquérito contra Maia e seu pai, o procurador da República citou as declarações dos cinco colaboradores – Benedicto Barbosa da Silva Júnior, João Borba Filho, Cláudio Melo Filho, Carlos José Fadigas de Souza Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares.

Os delatores apresentaram à Procuradoria um cronograma constante no sistema ‘Drousys’, instalado no ‘Setor de Propinas’, e apontaram o nome de João Marcos Cavalcanti de Albuquerque, ‘assessor do deputado federal Rodrigo Maia, como intermediário das operações’.

Na avaliação de Janot, o presidente da Câmara teria praticado os crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Além disso, a Polícia Federal concluiu investigação sobre Rodrigo Maia no âmbito da Operação Lava Jato, e apontou indícios de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. A investigação da PF teve origem em mensagens de celular entre Maia e o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Segundo o inquérito da PF, em troca de propina de R$ 1 milhão, o parlamentar teria defendido interesses da empreiteira no Congresso, entre 2013 e 2014, como apresentar uma emenda à uma Medida Provisória que definia regras para a aviação regional, em benefício da construtora.

Alguns dirão que a situação de Maia é menos feia porque (ainda) não existem áudios e vídeos comprovando seus crimes, como no caso de Temer. Porém, ele chegaria – ou chegará – ao poder em situação extremamente mais desfavorável que o atual presidente da República.

Temer assumiu em meio a uma festa da direita brasileira. Mídia, “mercado”, a maioria esmagadora do Legislativo, a Polícia Federal, o Ministério Público, o Judiciário, todos exultantes com o grande feito de derrubarem – ou deixarem derrubar – Dilma Rousseff por meios fraudulentos.

Na verdade, derrubar Dilma por esses meios parecia agradar especialmente os golpistas unidos, como se dissessem: “Tivemos poder para derrubá-la sem razão nenhuma. Somos superpoderosos”.

Com o tempo, o golpismo foi se dividindo na medida em que o povo começou a acordar e percebeu que era balela aquela história de “vamos tirar Dilma e tudo se resolverá por mágica”.

Maia assumiria em uma situação dificílima porque já chegaria como alvo de suspeitas de corrupção. E ao não resolver a situação rapidamente assumirá o ônus do empobrecimento rápido que os brasileiros estão experimentando conforme a crise política que os golpistas causaram não se desfaz.

Os golpistas e os fascistas que ainda os apoiam acham mesmo que os brasileiros vão se conformar em empobrecer e perder direitos após mais de uma década realizando sonhos de uma vida durante os governos de Lula e Dilma. Não sabem que a maioria deixou derrubarem Dilma achando que a direita devolveria ao povo aquilo que quem lhe dera fora o PT.

Maia provavelmente cairá mais rápido do que Temer. O atual presidente é “macaco velho”. Um sobrevivente. Está sempre no poder desde a redemocratização do país, em 1985. Se não durar no cargo nem um ano, o filhote de Cesar Maia não deverá durar nem metade disso. Assim sendo, não percamos tempo: #ForaMaia.
Posted: 08 Jul 2017 09:29 PM PDT
Por Jeferson Miola

A ameaça da violência e do ódio ronda Porto Alegre, uma cidade que em tempos nem tão distantes se notabilizou no Brasil e no mundo com as experiências democráticas avançadas como o Orçamento Participativo; e foi a capital que um dia sediou a enorme pluralidade mundial dedicada à construção de um futuro de generosidade, de paz, igualdade e justiça para a humanidade.

Esta tradição de convivência democrática, tolerância e respeito às diferenças de opinião, todavia, está sendo ameaçada pelo prefeito Marchezan Júnior, do PSDB, que faz da intolerância, do preconceito e da incitação ao ódio e à violência a política oficial do seu governo.

A postura do tucano Marchezan Júnior, que como liderança política maior da cidade deveria servir de referência de comportamento na sociedade, libera o espírito autoritário e truculento de alguns vereadores da sua base de apoio, a ponto de encorajar um deles [do PMDB] a se dirigir até uma repartição pública com o intuito exclusivo de vingança, para agredir um funcionário municipal que criticou seu voto na Câmara de Vereadores favorável ao aumento da alíquota previdenciária.

Os conflitos de interesse, as diferenças de posição e de opinião política são naturais em qualquer sociedade. É, contudo, somente no terreno da democracia, da discussão racional e do confronto político organizado – que pode, às vezes, ser duro e áspero – que se consegue encontrar denominadores comuns para a abordagem dos conflitos existentes na sociedade.

Marchezan Júnior não esconde a raiva arraigada que nutre pelos trabalhadores em geral e pelos servidores municipais em particular, o que é mera conseqüência do desprezo que ele tem por tudo o que é público e por tudo o que diz respeito aos pobres e ao povo humilde.

Valendo-se de um dicionário ideológico rasteiro e embolorado, o prefeito faz do trabalhador municipal um sinônimo de comunista – que deve ser, por isso, agredido e eliminado, como pretexto para a destruição das políticas e dos serviços públicos que “tais comunistas” executam.

No subterrâneo do facebook, imaginando-se num esconderijo fora do alcance da arena e da vista pública, o prefeito não desperdiça oportunidades para disseminar o discurso do ódio e de incitação à violência.

Nos ridículos “decretos de fim de semana” por ele criados, e em outras publicações bizarras que faz nas redes sociais, não perde oportunidade para xingar os funcionários públicos de “vagabundos”. Ele também desqualifica as opiniões divergentes, porque provindas dos “vermelhos”; seres que considera inferiores e que por isso, na visão dele, devem ser agredidos e exterminados.

O desprezo pelo debate democrático e plural é uma realidade nova na vida política porto-alegrense. A indisposição ao diálogo; a truculência e a intolerância em relação a quem pensa diferente e tem necessidades diferentes, contrasta com a tradição de relação democrática e respeitosa do prefeito da cidade com os próprios secretários municipais, com os vereadores, com a população, com os conselhos temáticos, com os empresários, com a comunidade escolar, com os trabalhadores ambulantes, com os permissionários do Mercado Público, com os funcionários públicos etc.

Esta política oficial de governo, que incita o ódio e a violência, tem como contraparte a ação miliciana do MBL na sociedade – um agrupamento que, embora carregue no nome a palavra “movimento”, não pode continuar sendo considerado um movimento político, porque age como uma verdadeira milícia paramilitar, nos mesmos moldes que agiam os “camisas negras” da Itália dos anos 1920 – as milícias criadas e treinadas por Benito Mussolini para agredir e matar os comunistas, os operários, os camponeses, os gays, os pobres e todos os segmentos sociais que divergiam ou não eram tolerados pelo regime fascista.

O confronto político e ideológico é legítimo e próprio de sociedades democráticas e civilizadas. A intolerância política e a violência desfechada contra pessoas pelo simples fato de pensarem diferente, todavia, são práticas ofensivas à democracia e ao Estado de Direito.

Porto Alegre está marchando perigosamente nesta direção. Esta é uma circunstância em que a mídia, o Ministério Público, as instituições do judiciário, as organizações democráticas da sociedade, os trabalhadores, empresários e o conjunto da população devem se unir contra os riscos gestados por esta política irresponsável de incitação ao ódio e à violência.

É necessário um compromisso imediato da sociedade para conter esta loucura, antes que a barbárie se aposse da cidade.
Posted: 08 Jul 2017 09:27 PM PDT
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:

O best-seller "Plim-Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral", de Paulo Henrique Amorim e Maria Helena Passos, descreve como o SNI do General Golbery - o "Feiticeiro" do historialista - e a Globo Overseas tentaram roubar a eleição de Brizola para governador do Rio, em 1982, e entregar o lugar ao gatinho angorá, candidato do regime militar e que, àquela altura, já demonstrava o desejo de possuir um cofre.

O ansioso blogueiro era o redator-chefe do Jornal do Brasil, quando era o melhor jornal do Brasil.

E, na companhia de Eliakim Araújo e a briosa equipe da Rádio Jornal do Brasil, contribuiu para desmascarar a grosseira fraude.

(Pela primeira vez, uma eleição brasileira ia ser totalizada no computador. E os militares - com o prévio conhecimento da Globo e do gatinho - introduziram um "diferencial Delta" na totalização: votos "brancos" eram transformados em votos para o gatinho angorá.)

Brizola logo tomou conhecimento da safadeza.

E nomeou um jovem economista, recém chegado do Chile, de "absoluta lealdade" ao brizolismo, para chefiar o monitoramento da apuração, em nome do PDT.

Era Cesar Maia, pai do Rodrigo.

Cesar vivia na redação do Jornal do Brasil, para acompanhar a apuração paralela que a Rádio Jornal do Brasil realizava.

E com essa apuração paralela o Jornal do Brasil foi o primeiro a dizer que o Brizola ia ganhar a eleição.

Cesar Maia traiu Brizola miseravelmente.

Tentou chupar o sumo do brizolismo do Rio até onde pôde.

E, depois, converteu-se à causa da Casa Grande.

E no berço da dita casa, depositou o rebento.

Rodrigo aprendeu a ser leal com o pai.

E agora diz "o Moreira não é meu sogro".

Porque Moreira casou com a mãe da mulher dele.

Portanto, não é sogro dele...

Não é o que dava a parecer.

Enquanto tramavam o Golpe, Maia e o não-sogro desfrutavam de magnífico almoço de sábado no magnífico restaurante Giuseppe Grill, na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon.

Ali, não-genro e não-sogro se esbaldavam na companhia de ínclitos empresários cariocas!

Enquanto eram cumprimentados efusivamente por Thomas Trautmann, que, com a mesma canina lealdade, foi Ministro da Comunicação Social da Presidenta Dilma.

Em tempo: a propósito, no Golpe, no Senado, Requião e Lindbergh se referiram a canalhas, canalhas, canalhas.

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