segunda-feira, 10 de julho de 2017

10/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 10 Jul 2017 10:05 AM PDT
Por Altamiro Borges

Rodrigo Maia, o jagunço dos patrões que comanda a Câmara Federal, ainda tenta disfarçar que pretende trair o traidor Michel Temer, consagrando-se como novo presidente indireto do país. O demo jura “lealdade” ao Judas. Mas ninguém acredita nesta lorota. O “deus-mercado”, temendo o desgaste do seu projeto ultraliberal, já trata como bagaço o detestado Michel Temer. A mídia venal, vanguardeada pela Rede Globo, também rifou o velhaco do PMDB. O teatro já está montado para a encenação do “golpe dentro do golpe”. O único fantasma que pode bagunçar esta peça patética parece ser o presidiário Eduardo Cunha, que ameaça ligar o ventilador no esgoto contra o covil golpista, inclusive contra seu “rival” Rodrigo Maia.

Na edição desta semana, a sempre suspeita revista Veja garante que o correntista suíço não poupará o demo. “Aliados de Michel Temer admitem, em privado, que as revelações contidas na delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha devem agravar ainda mais a situação do presidente no Congresso e ampliar as chances de a Câmara autorizar o Supremo Tribunal Federal a processá-lo. Seria uma injeção extra de ânimo nos que, na surdina, trabalham para que Rodrigo Maia ascenda ao Planalto. O problema é que o horizonte para Maia é igualmente sombrio: assim como Temer, o atual presidente da Câmara também é citado na delação de Eduardo Cunha – ele aparece, segundo pessoas próximas ao ex-deputado, como intermediário de interesses empresariais na máquina pública e destinatário de recursos de origem ilícita”.

Ainda de acordo com a matéria, “na semana passada, o próprio Eduardo Cunha, da cadeia em Curitiba, fez questão de mandar o recado para o ex-colega. Por meio de um interlocutor que foi visitá-lo, ele pediu que um amigo em comum dissesse a Maia que ele estrelará um dos capítulos de sua delação. ‘Avisa que ele também será lembrado’, pediu Cunha, segundo relatou o interlocutor a Veja... Rodrigo Maia entrou para o caderno de inimigos de Eduardo Cunha durante o processo que resultou na cassação do peemedebista – ele considerou que o colega nada fez para ajudá-lo”. O presidiário não esconde o seu desprezo e ódio ao traidor contumaz, que agora se prepara para dar uma nova punhalada – contra Michel Temer.

No mesmo rumo, a jornalista Mônica Bergamo, em nota publicada na Folha na sexta-feira (7), já havia antecipado que a vida do demo será infernal. “O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) citará o sucessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na delação premiada que tenta fechar com o Ministério Público. De acordo com uma pessoa familiarizada com as negociações, Cunha poderá falar da atuação parlamentar de Maia em benefício de setores empresariais e de recursos não contabilizados que ele teria recebido para campanhas eleitorais”. A jornalista até tenta relativizar o impacto da delação. “As informações não teriam potencial de ser a ‘bala de prata’ para inviabilizar uma eventual candidatura de Maia à Presidência da República”.

Será? Na guerra mafiosa instalada no covil golpista, pode-se esperar de tudo – inclusive do chamado “fogo amigo”. A revista Época, da traiçoeira famiglia Marinho, postou recentemente uma notinha curiosa. “Michel Temer está desconfortável com os discretos, porém efetivos, movimentos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no sentido de lhe suceder no Palácio do Planalto. Temer gosta de lembrar a um pequeno círculo de assessores que o aspirante ao cargo responde a dois inquéritos no STF. Em um dos casos, a Polícia Federal já concluiu relatório, mas a Procuradoria-Geral da República ainda não apresentou denúncia no Supremo Tribunal Federal contra ele. Diz respeito à suspeita de que Maia recebeu R$ 1 milhão da OAS para ajudar a empreiteira na Câmara dos Deputados... A demora da PGR em relação a Maia é mais um motivo para Temer dizer que Rodrigo Janot o persegue. Assessores de Temer afirmam que a PGR está cozinhando o relatório da PF sobre Maia desde fevereiro”.

*****

Leia também:

Fora Temer, e leva o Rodrigo Maia junto!

Aliados de Maia já discutem sucessão de Temer

Deus-mercado agora quer testar o Maia

Rodrigo Maia se tornou o Temer de Temer

Rodrigo Maia começa a botar as asas de fora

Quem é Rodrigo Maia, o sucessor de Temer

Situação de Maia é pior que a de Temer

Maia aprendeu a ser leal com o pai​

Rodrigo Maia, o presidente-marionete

Cunha, o morto que assombra os muito vivos

Que diferença faz trocar Temer por Maia?

Maia: agenda de reformas procura um refil
Posted: 10 Jul 2017 09:05 AM PDT
Por Altamiro Borges

Na cruzada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff, a mídia privada difundiu a ideia de que bastaria depor a presidenta eleita pela maioria dos brasileiros para a economia voltar a crescer, gerando emprego e renda. Os seus urubólogos garantiram que a ruptura possibilitaria a volta da confiança do “deus-mercado” e o retorno dos investimentos, transformando o Brasil em um paraíso. Miriam Leitão, a principal porta-voz econômica do Grupo Globo, bateu insistentemente nesta tecla. Este discurso falso, que enganou muitos “midiotas”, ajudou a pavimentar o caminho para o “golpe dos corruptos”, que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer. Agora, porém, os fatos desmentem os mercadores de ilusão e os mercenários de plantão.

Na semana passada, o próprio Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Cemec) confessou que a volta dos investimentos públicos e privados era pura balela para ludibriar os otários. Nos últimos três anos e meio, esta modalidade de despesa, que abarca obras e equipamentos destinados a ampliar a capacidade de produção do país, encolheu 30%. E não há sinais consistentes de que este processo de retração do investimento esteja se encerrando. Muito pelo contrário. O Judas Michel Temer, que assaltou o poder com o apoio dos empresários, não conseguiu retomar a tal confiança do “deus mercado”, que passou a cancelar projetos de expansão à medida que a crise econômica e política se agravava no país.

A política de austeridade fiscal do covil golpista – que também pode ser chamada de “austericídio” – também contribuiu para conter os investimentos públicos. Para manter os lucros dos rentistas, que sugam os cofres públicos com os juros da dívida, a União, os Estados e os municípios promovem drásticos cortes de recursos em obras de infraestrutura. O Brasil está paralisado. O investimento que já era frágil antes do início da atual crise —o país destinava apenas 22% da renda nacional nesta despesa, bem abaixo do observado nos gigantes emergentes China (47%) e Índia (34%) – hoje baixou para minguados 15%. No setor público, o investimento caiu de 3,2% para 1,8% do PIB; já no setor privado, ele despencou de 18,6% para 13,7%.

O resultado desta brutal retração dos investimentos públicos e privados aparece em todos os poros da economia. Na semana passada, a Confederação Nacional dos Comércio (CNC) divulgou um balanço dramático apontando o fechamento de quase 10 mil estabelecimentos comerciais no primeiro trimestre deste ano – para ser mais preciso, houve a falência de 9,9 mil lojas. Ainda de acordo com o estudo, o segmento do varejo que mais fechou lojas foi o de hipermercados, com um saldo de 3,7 mil estabelecimentos a menos. Em seguida vem vestuários e calçados (-1,7 mil lojas) e artigos pessoais e de uso doméstico (-1,2). Será que Miriam Leitão, a ex-urubóloga da Rede Globo, não previu este quadro dramático?

*****

Leia também:

Míriam Leitão está se fazendo de vítima?

Míriam Leitão e o machista polonês

Desemprego cresce. Cadê a Miriam Leitão?

O “Pessimildo” e os urubólogos da mídia

Fora Meireles! O inimigo do povo!

Da recessão econômica à depressão psicológica

Deus-mercado agora quer testar o Maia

Quer sair da crise? Defenda as diretas
Posted: 10 Jul 2017 08:03 AM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



A crise social, política e econômica pela qual passa a Venezuela tem um sério agravante: a desinformação e o partidarismo dos grandes grupos de comunicação. O terrorismo midiático contra a democracia, o governo do sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, e o processo de Constituinte levado a cabo pelo governo do país irmão será tema de debate na quinta-feira (13), em São Paulo.

Guilherme Boulos (MTST), Igor Fuser (professor da Universidade Federal do ABC), Socorro Gomes (Conselho Mundial da Paz) e Paola Estrada (Alba Movimentos) participam do bate-papo.

A falta de opiniões e ideias que reflitam outras perspectivas sobre as razões e os desafios da crise atravessada pela Venezuela resultam em um cenário desigual e altamente danoso à democracia e ao processo de transformação da realidade iniciado por Hugo Chávez. A confusão atinge, inclusive, diversos setores da esquerda brasileira. A proposta do debate é lançar luz sobre a situação da Venezuela e atentar para a necessidade de romper o cerco informativo sobre o acontece no país.

O encontro ocorre na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 (próximo ao metrô República), em São Paulo. A entrada é livre, bastando preencher o formulário [aqui].
Posted: 10 Jul 2017 07:58 AM PDT
Por Marcio Pochmann, na Revista do Brasil:

O colapso no padrão de financiamento da economia nacional logo no início da década de 1980, com a crise da dívida externa, levou à adoção de programas de ajustes macroeconômicos que até hoje inviabilizam a retomada plena do crescimento econômico sustentado. No cenário aberto da semi-estagnação que prevaleceu, com fortes e rápidas oscilações nas atividades econômicas, o país terminou por romper com a fase de estruturação da classe trabalhadora vigente durante a dominância da sociedade urbana e industrial.

Desde os anos 1990, com a adoção do receituário neoliberal, o precoce movimento da desindustrialização da economia nacional se generalizou acompanhado do surgimento de uma nova classe trabalhadora de serviços. Isso porque se passou a assistir a expansão considerável do setor terciário, especialmente no âmbito dos pequenos empreendimentos no Brasil, portador de um inédito e crescente precariado de dimensão nacional.

Atualmente, quase 80% dos postos de trabalho existentes pertencem ao setor terciário da economia. E de cada três ocupações abertas no segmento privado não agrícola duas são provenientes dos negócios com até 10 trabalhadores.

Nessa nova classe trabalhadora de serviços em expansão prevalece elevada heterogeneidade, sobretudo nos pequenos empreendimentos que reúnem desde atividades associadas à estratégia de sobrevivência às ocupações tecnologicamente avançadas, com vínculos às grandes empresas nacionais e internacionais.

Por conta disso, o curso da nova classe trabalhadora de serviços assenta-se majoritariamente nas ocupações inseguras e amparadas por baixa remuneração. A realização de reformas neoliberais, em sua segunda versão a partir do governo Temer, liquida com a regulação fordista, desconstituindo o que restava das tradicionais classes médias assalariadas e dos trabalhadores industriais.

Em seu lugar termina por consolidar a geração do novo precariado, portador de intensa polarização social que se expressa pelo espontaneísmo de lutas e agressividade das lutas. Cada vez mais, a nova classe trabalhadora de serviços torna-se exposta aos experimentos do uberismo na organização e remuneração da força de trabalho, o que faz com que a regularidade do assalariamento formal e a garantia dos direitos sociais e trabalhistas tendam a se reduzir drasticamente.

Nessa toada, avançam, por exemplo, os contratos de zero hora, cujo trabalho intermitente permanece ativo aguardando demanda do uso da força de trabalho advinda a qualquer momento. O esfacelamento nas organizações de representação dos interesses do mundo do trabalho (associações, sindicatos e partidos) transcorre mediado pela intensificação do grau de exploração do trabalho.

Como os direitos sociais e trabalhistas passam crescentemente a ser tratados pelos empregadores e suas máquinas de agitação e propaganda como fundamentalmente custo, a contratação direta, sem direitos sociais e trabalhistas libera à competição individual no interior da classe trabalhadora em favor dos patrões.

Os sindicatos ficam de fora da negociação coletiva e com restrição maior ao acesso à regulação pública do trabalho (direitos sociais e trabalhistas), o esvaziamento da organização se generaliza pela fragmentação da própria base social e territorial. Mesmo assim, permanecem ainda formas de lutas herdadas da fase de predomínio do novo sindicalismo, com a hierarquia e a estruturação das negociações coletivas de trabalho.

Por conta disso, as greves gerais do ano de 2017 no Brasil não deixaram de expressar certo padrão híbrido de organização e lutas dos trabalhadores, compatível inclusive com as jornadas de mobilização que em 2013 seguiram o processo de "propagação viral" de protestos, conforme também registrado em outros países.

* Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.
Posted: 10 Jul 2017 07:53 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Em ótimo artigo publicado hoje no Poder360, Luís Costa Pinto, depois de um rápido passeio pelas imundícies biográficas de Eduardo Cunha, preocupa-se com o fato de, mesmo com a anunciada queda de Michel Temer, o Brasil continuar dependurado no medo das delações de Eduardo Cunha, inclusive diante da provável permanência de seu entorno no novo governo ilegítimo.

É necessário enfrentar com transparência e de cabeça erguida a enxurrada de fatos, meias-verdades e mentiras que Eduardo Cunha vomitará a partir do cartapácio que negocia com o Ministério Público e com a Polícia Federal. Ardiloso, tem agenda própria e saberá lançar flechas contra ex-amigos, inimigos declarados e desafetos dos quais algum dia imaginou ter lealdade sem jamais ter conseguido consumar gestos que os converteria em reféns.

Tem toda a razão, mas como evitá-lo se os ex-amigos continuarão lá e os “inimigos declarados e desafetos dos quais pensou ter lealdade”, por reféns, são também os ódios prediletos do Ministério Público e da mídia?

A verdade, ainda que perigoso dizê-lo sobre a onda moralista em que vivemos, é que a soma de um ministério público sem nenhum limite a qualquer delírio de vaidade, juízes com pretensões messiânicas, um Supremo omisso, uma mídia alimentada a versões de bandidos e uma legislação de delação premiada que é puro arbítrio e ferramenta de chantagem, eterniza o Cunha e os Cunha em geral.

A verdade é que não podemos ser uma Nação onde a única – ou, ao menos, a maior – preocupação é o que dirá o bandido da vez, que já foi Youssef, já foi Paulo Roberto Costa, já foi Marcelo Odebrecht, hoje Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro, amanhã Rocha Loures e, com os avanços inevitáveis da máquina de moer a política, os Moreira, os Padilha ou lá quem mais seja.

É claro que Costa Pinto não está pedindo que se empurrem as coisas para baixo do tapete, ao dizer que “não podemos conceber que siga desempenhando esse mesmo papel depois da necessária remoção do entulho que deixou na Praça dos Três Poderes”.

Mas não haverá maneira de deter este processo sem que se mude a pauta do debate nacional deste “macartismo moral” – a que parte de uma soi-disant esquerda aderiu – e se passe a cuidar de devolver a legitimidade ao governo nacional, legitimidade que pode ser resumida em voto popular e projeto político-econômico por ele referendado.

Do contrário, o único programa econômico-social que se executará neste país será o do “mercado” que, como o homem que tinha a galinha dos ovos de outro, nos matará para nos saquear.

Governo de “mercado”, no Brasil, é como o “mercado” no Brasil: controlado pelos estrangeiros, operado por homens sem pátria, tecnocratas sem povo.
Posted: 10 Jul 2017 07:43 AM PDT
Por Samuel Pinheiro Guimarães

1. O Senhor Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, ex-presidente do Bank of Boston e durante vários anos presidente do Conselho da J&F (de Joesley), de onde saiu para ocupar o Ministério da Fazenda, procura, à frente de uma equipe de economistas de linha ultra neoliberal, implantar no Brasil, na Constituição e na legislação uma série de “reformas” para criar um ambiente favorável aos investidores, favorável ao que chamam de “Mercado”.

2. O Senhor Henrique Meirelles já declarou, de público, que se o Presidente Temer “sair” ele continua e todos os jornais repetem isto, com o apoio de economistas variados e empresários, como o Senhor Roberto Setúbal, presidente o Itaú.

3. Estas “reformas” são, na realidade, um verdadeiro retrocesso econômico e político e estão trazendo, e trarão, enorme sofrimento ao povo brasileiro e grande alegria ao “Mercado”.

4. Enquanto crucificam o povo brasileiro e em especial os mais pobres, os trabalhadores e os excluídos, o debate político fica centrado na corrupção, desviando a atenção da classe média e dos moralistas, em torno de uma verdadeira “novela” com heróis e bandidos.

5. Discute-se se Michel Temer levou ou não “contribuições pessoais” e se foram 500 mil ou 20 milhões, a prazo; se o Senador Aécio Neves pediu uma propina ou um empréstimo (informal!!) de 2 milhões de reais; se a JF corrompeu quem e quantos e ficaram livres de pena; se o Senhor Joesley merecia o perdão; se Sérgio Moro, juiz de primeira instancia, é ou não a principal autoridade judiciária do país, acima da Lei; se o Ministro Marco Aurélio é justo; se o Ministro Gilmar Mendes é imparcial etc etc etc.

6. O tema verdadeiramente importante é a tentativa das classes hegemônicas brasileiras, aqueles que declararam ao Imposto de Renda ganharem mais de 160 salários mínimos por mês (cerca de 160 mil reais) e que são cerca de 70 mil pessoas e que constituem, em seu conjunto, aquela entidade mística que os jornais e analistas chamam de “Mercado”.

7. O “Mercado” contra o Povo.

8. De um lado, o “Mercado”:

- os empresários, promotores do Pato e financiadores do MBL; exceto aqueles que já se deram conta que Meirelles é contra a indústria;

- os rentistas;

- os grandes proprietários rurais (entre eles o Senador e Ministro Blairo Maggi e o avião interceptado pela FAB);

- os grandes proprietários urbanos;

- os banqueiros (não os bancos) e seus lucros;

- os gestores de grandes empresas privadas, modestos ex-professores universitários;

- os proprietários dos meios de comunicação;

- os grandes executivos brasileiros de megaempresas multinacionais;

- os professores universitários, formados em universidades estrangeiras, em teorias próprias dos países desenvolvidos e que, mesmo lá, fracassam;

- os economistas e os jornalistas econômicos, empregados do Mercado.

9. De outro lado, o Povo:

- os 53 milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família, isto é, cuja renda mensal é inferior a 182 reais;

- as dezenas de milhões que são isentos do imposto de renda por terem renda inferior a 2.500 reais por mês.

- os 61 milhões que estão inadimplentes, com seus crediários;

- os 14 milhões de desempregados;

- os 3 milhões de crianças fora da escola;

- os mais de 11 milhões de habitantes de favelas (hoje chamadas comunidades!!);

- os subempregados;

- os 47 milhões que ganham menos de um salário mínimo por um mês;

- os milhões sem remédios e sem hospital.

10. O programa econômico de Henrique Meirelles é o verdadeiro inimigo do povo! Não é a corrupção que distrai a atenção da verdadeira catástrofe que está sendo consolidada na legislação através de um Congresso que representa principalmente empresários, banqueiros, proprietários rurais, rentistas, etc.

11. O Mercado agora deseja colocar um presidente de imagem limpa para que, como disse o Senhor Roberto Setúbal, na Folha de São Paulo, o importante são as reformas! Não importa quem as conduza!

12. É preciso lutar com todas as forças contra este programa de “retrocessos” disfarçados, cinicamente, de reformas a “favor” do Povo!
Posted: 10 Jul 2017 07:34 AM PDT
Por Laís Gouveia

Em redações, no palco de uma grande emissora de TV, nas repartições públicas, comércio, independente do cenário, o assédio moral perpetua-se. No caso das mulheres, que já recebem menores salários que os homens (1), a cultura machista torna o ambiente ainda mais vulnerável para ocorrer esse tipo de prática. A notícia ruim é que o quadro pode piorar com a reforma trabalhista do governo Temer, que atualmente tramita no Senado Federal.

Abaixo, relatos de mulheres que sofreram algum tipo de violência no trabalho (*).

Rafaela: "Trabalhei sob tanta pressão nos últimos meses e fui diagnosticada com Psoríase, uma doença que pode ser adquirida pelo stress, minha mão está cheia de bolhas".

Ronsângela: "Meu chefe me expôs em frente aos funcionários porque cometi um suposto erro, fiquei meia hora trancada no banheiro chorando".

Filomena: "Me proibiram de almoçar até terminar as tarefas, passei muito mal de fome, quase desmaiei, consegui comer às 16:30h".

Betânia: "Meu chefe me acordou meia noite para trabalhar e fui obrigada a seguir às suas ordens, pois tenho medo de ser demitida".

As histórias acima envolvem mulheres que permanecem caladas engolindo sapos, às vezes, salamandras. A fila do desemprego e as represálias pela denúncia podem ser muito piores, em um país sem perspectivas, afundado numa crise político-econômica.

Uma pesquisa da BBC Brasil realizada em 2015 apontou que metade dos brasileiros já sofreu assédio no trabalho. A consulta, que ouviu 4,9 mil profissionais do site Vagas.com, constatou que 52% dos entrevistados já foram expostos a algum abuso moral ou sexual no trabalho, mas apenas 12,5% das vítimas seguiram em frente com a denúncia, reforçando a ideia de que o silêncio se faz necessário quando, no lado mais fraco da corda, encontra-se o empregado.

Reforma trabalhista: Indenização menor para cargos menores

Entre algumas aberrações contidas na proposta da Reforma Trabalhista, encontra-se o pagamento de indenização por Assédio Moral, levando em conta o cargo e em graus diferentes: Assédio de natureza leve (Três vezes o valor do salário), média (Cinco vezes o valor do salário) ou grave (Vinte vezes o valor do salário).

Veja o exemplo hipotético abaixo, caso a Reforma Trabalhista seja provada:

Palhares é dono de uma grande empresa no ramo alimentício. Muito estressado, sempre quando chega a seu escritório, humilha a faxineira do local, chamando-a de preguiçosa. Sua secretária também aguenta todos os dias uma série de ofensas. “Burra, anta, você deveria estar lavando privada”, esbraveja o patrão.

Cansadas de sofrerem, as duas funcionárias resolvem processar o chefe pelo mesmo caso de assédio e descobrem que, com a Reforma Trabalhista, receberão diferentes valores indenizatórios, em função de terem cargos distintos.

No desenrolar do processo, o juiz acata a ação e define os dois casos como agressão média. A faxineira, que ganha R$ 1.000 reais mensais, receberá 5.000 mil de indenização. A secretária, que ganha R$ 3.000 reais mensais, receberá R$ 15 mil.

A humilhação foi do mesmo grau, por que então a faxineira receberá menos que a secretária? Porque o Governo Temer quer acabar com os poucos direitos dos pobres e beneficiar patrões como o Palhares, que, com certeza, bateu panela com a camisa da CBF, berrando fora Dilma.

No desfecho do caso do Palhares, após a longa batalha judicial, a secretaria foi diagnosticada com síndrome do Pânico, mas, infelizmente, ela não é uma exceção. Segundo informações da Previdência Social, em 2016, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de seus empregos por apresentarem quadros depressivos.

"Não pense em crise, trabalhe"

O golpe de estado serviu também para atender o grande empresariado, num discurso hipócrita de combate à corrupção. É evidente que patrões deixam de lucrar quando são obrigados a seguir a legislação trabalhista, a CLT sempre foi uma pedra no seu caminho.

Com a aprovação das reformas, triplicarão casos de assédio, trabalhadores doentes e mal remunerados. No Japão, por exemplo, são corriqueiros os suicídios por exaustão, as leis trabalhistas de lá permitem que patrões e sindicatos negociem jornadas acima das 8 horas de trabalho. A realidade brasileira pode estar bem próxima desse regime compulsório, basta a Reforma ser implementada.

Dentro desse contexto, a única saída é a luta e pressão popular, caso contrário, décadas não serão suficientes para desfazer o desmonte do Brasil e a degeneração da classe trabalhadora.

1- Segundo informações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no Brasil, as mulheres ganham 22% a menos que os homens. Para ocorrer à paridade salarial entre homens e mulheres, seriam necessários 70 anos, segundo informa o órgão.

* Os nomes são fictícios


* Laís Gouveia é jornalista e ex-diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Posted: 10 Jul 2017 04:38 AM PDT
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Respondendo à pergunta do título: nenhuma.

Sei que não é nada animador mais uma vez tratar deste assunto, em pleno domingo, mas depois de ler o noticiário do fim de semana vi que tão cedo não teremos outro.

Só se fala disso, como se este fosse o único tema relevante para a vida dos brasileiros, capaz de nos dar alguma esperança de sairmos do fundo do poço.

Ao contrário, esta nova troca de guarda na Presidência da República não vai mudar nada.

Na reta final da disputa entre Dilma e Aécio na eleição de 2014, previ aqui mesmo neste blog: "Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB".

E quem vai continuar mandando é o PMDB aliado ao Centrão, o baixo clero que se tornou hegemônico na política nacional, tanto faz quem seja o presidente.

Não se governa o Brasil sem o PMDB, mostraram todos os governos pós-redemocratização. E é quase impossível governar com ele sem colocar em risco os cofres públicos.

As mesmas forças político-midiáticos-empresariais que defenderam a troca de Dilma por Temer para "combater a corrupção e salvar a economia" mobilizam-se agora para tirar Temer e escalar Maia para o seu lugar.

A única diferença é que as panelas silenciaram nas varandas, os marchadeiros sumiram das ruas e já não há mais guerra entre coxinhas e mortadelas, que se recolheram às redes sociais nos mesmos lamentos sobre este beco sem saída.

"O `mercado´abandonou Temer", resume Elio Gaspari em sua coluna de domingo, dando o jogo por jogado.

Mais do que nas ruas, no Congresso ou nos tribunais, era ali que Michel Temer garantia sua sustentação e agora Cesar Maia busca apoio para ocupar o lugar dele.

"Tranquilíssimo", respondeu o presidente Temer quando lhe perguntaram como se sentia diante da puxada de tapete, antes de embarcar de volta da Alemanha ao Brasil neste sábado.

Deve ser o único brasileiro que pode dizer isso em meio ao caos social que vai tomando conta do país, enquanto a violência foge de qualquer controle, a fome e a miséria se alastram e os serviços públicos entram em colapso por falta de recursos.

E segue o jogo.
Posted: 10 Jul 2017 04:25 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

A execração pública de Michel Temer passa pela conspiração de Rodrigo Maia e termina nos vazamentos de FHC para a imprensa.

Fernando Henrique relatou a Andréia Sadi, da GloboNews, como foi o convite de Temer para uma reunião no Jaburu (Andréia é casada com Paulo Celso Pereira, coordenador de política do Globo em Brasília e primo de Aécio Neves).

A ideia é “discutir o cenário político em meio à ameaça de desembarque do PSDB do governo”, conta a repórter.

“Fernando Henrique disse que está verificando se terá disponibilidade para marcar o encontro até terça-feira (11), pois está com viagem marcada para a Europa. Questionado sobre a grave crise política de Temer, e se o PSDB vai deixar o governo, o ex-presidente disse que a situação está muito ruim, e que não poderia se antecipar a uma posição do partido que ainda vai ser discutida”.

Tasso Jereissati, contou FHC, “expressou o sentimento da bancada tucana na Câmara e também da sociedade – mas não o de todos os governadores tucanos – ao dizer que a crise estava insustentável a cada dia, e que a saída do PSDB do governo seria inevitável.”

Fernando Henrique ainda revelou como pretende emparedar Temer.

“Ainda vejo em Temer a possibilidade de promover uma trégua nacional, sem conchavos, renunciando e antecipando eleições. Mas só com a aprovação da reforma política com a cláusula de barreira”, afirmou.

Fernando Henrique se antecipou a possíveis problemas que teria ao passar duas horas com um corrupto liquidado e abriu tudo para os amigos na mídia.

Temer foi rifado por um sujeito com o qual queria marcar uma conversa. A coisa está morta antes de começar. Isso é desmoralização, o resto é piada.

Uma morte horrível, mesmo para alguém como Michel Temer.
Posted: 10 Jul 2017 04:17 AM PDT
Por Jessica Corbett, no site Outras Palavras:

Em contraste com as imagens dramáticas da tropa de choque alemã usando gás lacrimogênio e canhões de água hiper-turbinados para dispersar os manifestantes contra o encontro do G-20, no fim de semana, a mensagem dos protestos nas ruas foi clara, para os que estão dispostos a ouvir: outro mundo é possível.

Dezenas de milhares de pessoas foram a Hamburgo, protestar contra o G-20, um fórum internacional de governantes e bancos centrais das vinte maiores economias. Os protestos tentavam desafiar as políticas adotadas pelas elites globais e a extrema-direita.

Em meio à chegada dos governantes, as autoridades alemãs foram criticadas pelas medidas de segurança extremas no encontro, que começou oficialmente na sexta-feira, 7/7.

A Coordenação Internacional NoG20, que convocou as manifestações, lançou comunicado afirmando: “As políticas do neoliberalismo e da guerra são decididas no coração das nossas cidades, fechadas para as pessoas, blindadas por uma força policial militarizada e favorecida pela suspensão dos direitos políticos. Este bloqueio da democracia tem um único objetivo: defender o indefensável. Nossas manifestações falam em favor de um mundo diferente”.

Antes do encontro, a polícia cercou uma enorme área de protestos proibidos, com 38 quilômetros quadrados, abrangendo o aeroporto e o centro de convenções, para afastar dos governantes as milhares de pessoas que protestavam contra o encontro. “É constrangedor saber que alguns dos piores políticos do mundo, e dos mais antidemocráticos, estão chegando a minha cidade. Mas as restrições impostas pelos políticos alemães e pelas autoridades policiais tornam difícil protestar”, disse ao jornal londrino The Guardian George Letts, um dos muitos moradores de Hamburgo que participaram dos protestos.

A BBC reportou: “Os choques começaram quando a polícia atacou um grupo de manifestantes anticapitalistas numa marcha em que milhares de pessoas portavam cartazes com slogans como ‘Bem-vindos ao inferno’ e ‘Esmagar o G20’. Os soldados dispararam canhões de água e spray de pimenta contra manifestantes mascarados, que responderam com garrafas, pedras e fogos de artifício.”

“G20: Benvindo ao Inferno” foi o slogan adotado por um grupo de ativistas anticapitalistas – um dos muitos grupos que anunciaram manifestações em Hamburgo. A primeira marcha da coalizão, marcada para 6/7, foi oficialmente cancelada em meio a choques com a polícia, mas muitas pessoas permaneceram nas ruas. Houve relatos de ferimentos entre a polícia e os manifestantes, muitos dos quais tentaram fugir das áreas de protesto após a violência policial.

Houve protestos pacíficos nos dias anteriores, o que realçou as reivindicações urgentes dos manifestantes para que os membros do G20 encerrem as políticas neoliberais e xenofóbicas sobre guerra, imigração, política ambiental e diversos outros temas.

Em 5/7, mil “zumbis”, totalmente cobertos com argila cinzenta, saltitaram e se arrastaram pelas ruas de Humburco. Estes manifestantes multiplicaram-se pelas ruas da cidade nos dias anteriores, o que culminou numa marcha conta a “apatia política” e os “impactos destrutivos do capitalismo”.

Para milhões de telespectadores que assistem a vídeos violentos sobre as manifestações, nas telas de TV de todo o mundo, os ativistas que encheram as ruas da Alemanha oferecem visões complexas e provocativas sobre as superpotências desenvolvem suas políticas e impõem suas agendas.

“As melhores ideias, para quem deseja construir políticas verdadeiramente democráticas cruzando as fronteiras nacionais, não virão provavelmente das cúpulas oficiais do G20 – mas poderão ser entrevistas nas ruas de Hamburgo”, escreveram Lorenzo Marsili e Giuseppe Caccia para a revista Policy Critique. Segundo eles, “a crise da governança global oferece também a chance de ir além de um sistema que, em primeiro lugar, nunca funcionou de fato.

Nick Dearden, da Rede de Justiça Global, disse à revista eletrônica Democracy Now!, em 6 de julho: “Estamos falando sobre como construir um mundo alternativo. O ruído de fundo é o do ativismo, e todo mundo aqui é muito consciente. Ele completou: “Muitas pessoas estão, é claro, amedrontadas. Mas tudo o que está acontecendo no mundo de hoje é amedrontador. Estamos sob o caos, e Donald Trump é um símbolo disso. Mas, ao mesmo tempo, há mais potência do que tenho visto há muito tempo, em torno de que precisamos construir algo a mais, algo muito diferente.”

* Tradução de Antonio Martins.
Posted: 10 Jul 2017 04:08 AM PDT
Por Mário Augusto Jakobskind, no jornal Brasil de Fato:

Quem disse que o deputado Sergio Zveiter é independente? Galgado a condição de relator da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que analisará a denúncia de corrupção passiva contra Temer, os focos midiáticos estão em cima dele, integrante de uma família poderosa no Estado do Rio de Janeiro e vinculado, como advogado, às Organizações Globo.

O deputado do PMDB foi muito elogiado pela Rede Globo e teve espaço nas mais diversas mídias para dizer que não se submete a pressões de quem quer que seja. Como todos sabem o esquema Globo não confia mais no golpista Michel Temer, que ajudou a virar presidente, e agora quer colocar alguém eleito pelo Congresso para o lugar ocupado ilegitimamente pelo atual ocupante do Palácio do Planalto. Essa é a realidade.

Do lado de Temer, tudo está sendo feito para que os deputados impeçam que receba a autorização para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Fica parecendo até que neste momento se trava uma batalha entre as Organizações Globo e Temer para ver quem ganha a parada. Aí Zveiter acaba virando relator, mas quem garante que o parlamentar não foi escolhido para tentar algum tipo de acordo entre o próprio Temer e a Globo? Um fazendo concessão ao outro sob os auspícios do próprio Zveiter, exatamente para evitar um confronto que poderá ter consequências danosas exatamente aos interesses da oligarquia.

Se essa hipótese tem fundamento, só o tempo dirá, mas de antemão deve ser questionada a “verdade” veiculada diuturnamente sobre a independência do parlamentar do PMDB, que antes desse partido integrava as fileiras do PDT e do PSD. Até porque, como advogado da Globo quem pode afirmar com precisão que ele é de fato independente? É uma pergunta que ainda não foi feita, mas não deve ser ignorada.

Nas últimas horas Michel Temer visivelmente está usando o espaço presidencial para se manter no cargo a qualquer custo. Apressa a votação da reforma trabalhista, como forma de demonstrar que tem ainda poder e convoca a todo instante parlamentares em um máximo esforço para que votem em sua defesa. Não é mistério que o esquema toma lá dá cá está a funcionar a todo vapor.

A população brasileira acompanha com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos na expectativa de que se evite o retrocesso que as classes abastadas querem impor, com Temer ou sem ele.

Com a escolha de Sérgio Zveiter e os elogios da Rede Globo, aumentam as desconfianças em relação ao relator da CCJ. Resta então aguardar o resultado da votação em plenário, independente do que acontecerá na CCJ com o parecer de Sérgio Zveiter.

E é também importante conhecer voto a voto o comportamento dos deputados, que no ano passado decidira pelo impeachment de Dilma Rousseff, absolutamente sem provas. Será importante que os brasileiros conheçam em detalhes como votarão os deputados.

Nesse sentido cabe aos movimentos sociais estarem atentos e divulgarem como votaram os deputados para que em uma próxima eleição os eleitores terem melhores condições para julgar os postulantes à Câmara dos Deputados.
Posted: 10 Jul 2017 04:03 AM PDT
Por Leonardo Boff, em seu blog:

Estamos numa situação generalizada de crises sobrepostas umas às outras e num ambiente de caos.

Os conceitos de crise e de caos podem nos ajudar a entender nossa realidade contraditória. Para esclarecer a crise se usa o diagrama chinês, composto por dois traços: um expressando o risco e o outro, a oportunidade. Efetivamente a crise contem o risco de desmonte de uma ordem até degenerar na barbárie. Mas também pode representar a oportunidade de refundação de uma nova ordem. Eu pessoalmente prefiro a origem filológica sâncrita de crise. Ela se deriva da palavra kir ou kri que em sânscrito significa limpar e purificar. Daí vem a expressão acrisolar: limpar de tudo o que é acidental até vir à tona o cerne. E crisol, o cadinho que purifica o ouro das gangas. Tanto em chinês quanto em sânscrito, as palavras são diferentes mas o significado é o mesmo.

Algo parecido ocorre com o caos consoante a cosmologia contemporânea. Por um lado, ele é destrutivo de uma ordem dada e por outro, é construtor de uma nova ordem diferente. Do caos, nos diz Ilya Prigogine, Nobel de química (1977), nos veio a vida.

Aplicando estes sentidos à nossa situação, podemos dizer que a crise generalizada e o caos dominante podem, se não soubermos manejar sua energia destrutiva, degenerar em barbárie e se aproveitarmos a positiva, numa nova configuração social do Brasil.

Atualmente vigora a oportunidade de fechar o ciclo de um tipo de política que nos vem desde a colônia, fundado na conciliação entre si das classes abastadas e sempre de costas para o povo, hoje atualizada pelo presidencialismo de coalizão. Parece que este modelo de fazer política e de organizar o Estado, controlado por estas classes e que implica grandes negociatas e muita corrupção, não pode ser mais levado avante. É demasiadamente destrutivo A Lava-Jato teve o mérito de desmascarar este mecanismo perverso e anti-social. Oxalá surja a chance de uma nova construção social

No entanto, o golpe parlamentar foi dado por estas classes no interesse de prolongar esta ordem que garantiria seus privilégios, no propósito de desmantelar os avanços sociais das classes populares emergentes e alinhar-se à lógica do Grande Capital em escala mundial, hegemonizado pelos USA.

Como observou Márcio Pochmann, um dos melhores analistas das desigualdades sociais e da riqueza e pobreza do pais, “a elite brasileira escolheu o lado errado”(O golpe e a traição das elites: http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2017/05/traicao-das-elites ). Ao invés de aliar-se ao novo, ao arranjo político, econômico e social, à maior iniciativa de desenvolvimento multilateral desde o final da Segunda Guerra Mundial, iniciada na Eurásia que propõe uma globalização inclusiva e que nós pelo BRICS estávamos incluidos, escolheu o alinhamento tardio às forças que detém a hegemonia mundial sob a regência dos USA. O orçamento desta nova iniciativa da Eurásia está estimado em US$ 26 trilhões até o ano de 2030 envolvendo 65 outras nações que responde por quase 2/3 de população mundial. Criam-se oportunidades de desenvolvimento, a começar pelos países mais necessitados. Aqui poderíamos estar e não estamos por causa de nossa inépcia e de nossa subserviência.

Esse projeto aponta para uma nova ordem mundial, uma espécie de keynesianismo global, inovador, com uma possível maior igualdade e justiça social, respeitada a soberania das nações.

O grupo ao redor de Temer optou pelo velho sistema militarista e imperial cuja segurança reside em bases militares distribuídas por todo o mundo. Entre nós estão na Argentina, no Paraguai, no Chile, no Peru, na Colômbia e também no Brasil através da cessão da base de Alcântara no Maranhão.

A venda de terras a estrangeiros, especialmente, lá onde existe grande abundância de água – por aqui passa o futuro da humanidade junto com a biodiversidade – fere profundamente nossa soberania e ofende o povo brasileiro, cioso de seu território.

Uma vez mais estamos perdendo a oportunidade do lado positivo da crise e do caos atuais. Desperdiçamos esta chance única, por falta de um projeto de nação livre e soberana. Deve-se, usando uma expressão de Jessé Souza à “tolice da inteligência brasileira” que está aconselhando Temer.

O efeito se nota por todas as partes: os 14 milhões de desempregados, os 61 milhões de inadimplentes, a desindustrialização, os 33 navios em construção entregues à ferrugem e a neocolonização imposta que nos faz apenas exportadores de commodities.

Assistimos, anestesiados, a este crime contra o futuro do povo brasileiro. Temer, sob vários processos, cuida de si mesmo ao invés de cuidar do povo brasileiro. Uma onda de indignação, de tristeza e de desamparo está se abatendo sobre quase todos nós. Da recessão econômica estamos passando à depressão psicológica. Se não reagirmos e não nos munirmos de coragem e de esperança, a barbárie poderá estar apenas a um passo. Recusamos aceitar este inglório destino.
Posted: 09 Jul 2017 10:32 PM PDT
Por Gilberto Maringoni, em seu blog:

Há algo de curioso nas movimentações da quadrilha de apoio ao governo no Congresso, nesses dias pré-queda de Temer. Usualmente, os enfrentamentos entre candidatos a algum cargo se dão como fulanização das disputas de projetos. Um postulante apresenta determinado enfoque sobre as soluções para o país, outro coloca ideias diversas e mais um externa uma terceira opinião a ser materializada tão logo se alcance o posto almejado.

Nas articulações palacianas para levar Baby Maia ao terceiro andar do Planalto, a inversão é total. O programa é quem está no poder, com seu cardápio de cortes, contrações, privatizações, ataque aos direitos etc. O que se procura é um mercenário qualquer que dê andamento ao arrazoado do lugar-comum liberal.

Isso fica claro nas declarações sabujas do deputado do DEM (a Arena voltou!). Na tarde desta sexta (7), ele batucou em seu twitter: “Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública”.

Maia não tem ideias, Maia não tem projetos, Maia não é nada. Maia é um cavalo do mercado, a quem decidiu caninamente se oferecer como refil do golpe em andamento. Conta com o impulso da gang aliada para se arrumar.

As cláusulas pétreas da tramóia estão no Ministério da Fazenda e no Banco Central.
Posted: 09 Jul 2017 10:30 PM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Temer e suas chances de sobrevivência literalmente derreteram durante sua patética participação na reunião do G-20, enquanto a perspectiva de poder escorria como água em declive na direção de Rodrigo Maia. Embora a maioria oportunista ainda se esconda sob o muro dos 'indecisos', nos bastidores da Câmara já se discute a própria sucessão de Rodrigo Maia na presidência da Casa, caso ele se suceda a Temer, numa operação que tende a ser 'casada'. O PSDB pode exigir o cargo em troca do apoio ao afastamento de Temer e ao eventual governo Maia.

Tal como no impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, quando garantiu os votos para sua derrubada e apoio ao governo de Michel Temer, a partir de seu compromisso com as reformas pleiteadas pelo mercado, novamente o PSDB é o fiel da balança num “acordo pelo alto” que deixa o povo de fora. Com sua mensagem numa rede social, nesta sexta-feira, em defesa do avanço das reformas - “Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos a Previdenciária, a Tributária e mudanças na legislação de segurança pública” - Maia falou para o mercado financeiro e para o setor produtivo, com os quais intensificou seus contatos recentemente, mas acenou principalmente para os tucanos, dos quais dependerá muito para governar caso Temer seja afastado. Com o PMDB de Temer desarticulado e varejado por denúncias, e a conhecida fugacidade do Centrão fisiológico, o governo de Maia teria como pilar mais firme de sustentação uma coalizão entre seu partido, o DEM, e o PSDB. A mesma que sustentou o governo FHC.

Alguns tucanos, como o prefeito Dória e o chanceler Aloysio Nunes, insistem na salvação de Temer mas o desembarque segue a olhos vistos. Os que proclamam sem rodeios o fim do governo, como os senadores Tasso Jereissati e Cassio Cunha Lima, estão se rendendo ao inevitável, para continuarem no poder.

Embora o jogo ainda não pareça decidido, a maioria dos deputados vai se convencendo de que cometerão suicídio eleitoral se votarem contra a licença para que Temer seja processado. Ainda que esta primeira, por corrupção passiva, seja derrubada, outras duas virão. Como irá um deputado pedir votos para um novo mandato em 2018 apresentando-se como salvador de um governo rejeitado pela maioria da população, responsável pelo desastre político decorrente de sua podridão moral e pela estagnação econômica que infelicita o Brasil?

Numericamente, o jogo pode ainda não estar decidido mas a lei da sobrevivência política trabalha pela aprovação do pedido de licença e o poder escorre velozmente das mãos de Temer para as de Rodrigo Maia. Os agentes econômicos que apoiaram o golpe contra Dilma começaram a aceita-lo como novo fiador do programa econômico e das reformas, dispondo-se a renovar a nota promissória do golpe.

O PSDB, entretanto, já pagou um preço altíssimo pela aventura golpista e pelo apoio a Temer, como disse Cunha Lima no Senado. Os quatro ministérios que ocupa não servirão para atenuar o desgaste. Uma compensação política, para apoiar o eventual governo Maia, poderia ser a presidência da Câmara, que ficaria vaga.

Regimentalmente, caso Maia renuncie ao cargo para assumir a Presidência da República, seu sucessor seria o primeiro vice-presidente, deputado Fabio Ramalho, do PTB/MG, que continua fiel a Temer.

– Eu seria o sucessor natural de Rodrigo mas não estou pensando nisso, e sim na estabilidade política e na normalidade democrática. Não é hora de criarmos nova turbulência. O presidente Temer conta com mais de 200 votos para derrubar o pedido de licença – garantiu ele ao 247.

Temer precisará de 172 votos para barrar o pedido.

Mas se Temer for afastado, nada impede que seja aprovada uma alteração regimental estabelecendo que, em caso de vacância, um novo presidente da Casa seja eleito. Um tucano. Maia, depois de eleito para um mandato tampão após a cassação de Eduardo Cunha, também não poderia ter concorrido ao atual mandato. Entretanto, mudaram o regimento e isso foi possível. E graças a esta mudança regimental, agora ele poderá chegar ao Planalto sem ter passado pelo crivo do eleitorado.

Nada como uma República onde as regras podem ser ajustadas aos interesses e conveniências dos que mandam e não precisam dar satisfação à plebe. Nada como uma grande república bananeira em pleno século 21.
Posted: 09 Jul 2017 01:26 PM PDT
Posted: 09 Jul 2017 04:06 PM PDT
Por Eugênio Aragão

Até há pouco era assim: criticar a Lava-Jato era atitude política, participar do golpe fingindo que as instituições estavam a funcionar era técnico. Agora, é difícil definir se ter náuseas e ânsia de vômito é técnico ou político. O momento é oportuno para produzir clareza sobre a obtusidade dessa ideológica distinção entre o técnico e o político. É evidente que o primeiro se subordina ao segundo e acaba tudo por ser político.

O Ministério Público Federal gosta muito desse jogo de palavras. Recentemente, em entrevista ao "Estado de São Paulo", seu chefe foi incisivo: "os que querem frear a Lava Jato são inimigos do Brasil". E concluiu com a pérola: "... não concordo que existam abusos por parte do Ministério Público. Temos como ponto basilar da atuação a observância à Constituição Federal e nos pautamos por ela. Nossa atuação é técnica, apolítica e responsável". Tive que ouvir bobagem similar quando, há mais de ano, despedi-me da amizade de Janot. Mas o tempo não era de risadas. Mais recentemente ouvi essa mesma troça de seu assistente, o importador xinguelingue da teoria do domínio do fato que foi desmentido por Claus Roxin, o criador da teoria.

Agora dá vontade de apor um "smiley" de gargalhada. Argumentar nunca foi o forte de Rodrigo e nem de seu entourage. O chefe prefere se gabar, deblaterar, xingar ou fazer piada. E o entorno aplaude. Ao agasalhar esse velho bordão da atuação técnica que distinguiria os membros "patrióticos" do MPF dos "inimigos" do outro lado, o PGR ou é tolinho ou acha que nós o somos.

O direito é um instrumento de legitimação de decisões. Nem o instrumento e nem a legitimação em si seguem regras objetivas que correspondam a esforço de precisão lógica. Decisões não são redutíveis a cálculos sentenciais sem graves problemas de consistência.

Toda tomada de decisão jurídica comporta dois ou mais caminhos de legitimação, que, de regra, são contraditórios. Simplificando, pode-se dizer que um juiz tem que optar entre a tese do autor e a do réu. Tem a sua disposição um espectro relativamente largo de alternativas, sempre dentro desse intervalo. Todas são juridicamente igualmente sustentáveis (e, portanto, ao ver dos juristas "legítimas"), mesmo que fundamentem pretensões opostas. Dizer que o réu ou o autor tem razão não é um resultado inexorável, com precisão da conclusão de um silogismo em Bar-ba-ra! É resultado de uma escolha que corresponde melhor às convicções subjetivas do julgador. No fundo, para tudo ficar como está. A única coisa que o juiz é obrigado a fazer é motivar essa escolha, de modo que possa ao menos ser criticada e contestada e, com isso, ganhar um brilhozinho de falsa falseabilidade.

A "técnica" não está na opção, que, quase sempre, é a priori e política, mas na motivação. Esta trata de travestir de "exato" um conteúdo que nada tem de exato. Oferece à opção a aparência de um resultado científico. É só casca, não é essência. É um acessório apenas e, como tal, tem a mesma natureza do principal. É um instrumento da política.

E quando operadores perdem a paciência, seja por náuseas, seja porque o bambu para fabricar flechas está acabando, não coram ao mandarem a técnica para aquele lugar. Fazem hashtags nos seus perfis de Facebook, lembrando que #2018tachegando e tornam públicas gravação de Geddel Vieira Lima a chorar para humilhá-lo. Fazem seus troféus humanos desfilarem algemados, de baraço e pregão pelas ruas da vila. Anunciam à “IstoÉ” a sentença condenatória contra Lula e dizem que delações contra o PSDB não vêm ao caso. Fazem estardalhaço com diálogo ilicitamente captado entre Dona Marisa e Fábio, recheado de linguagem coloquial, só para refratar a imagem da primeira dama que foi. E depois dizem que sentem náuseas...

Não é sua "técnica" que faz esses energúmenos melhores. Ledo engano. A técnica somente lhes penteia a vaidade. E olha que às vezes penso (só penso) que alguns deles estudaram no exterior não foi direito, mas culinária, tamanha a gula pelo poder.

Não quero afirmar aqui que a técnica só é engodo. É, na verdade, como uma chave de fenda. Serve para apertar parafusos ou para estocar alguém num acesso de raiva. Depende como a manuseamos, com que índole, com que objetivo político. Se a usarmos para abraçar e acolher os filhos pródigos que à casa do Pai retornam, está valendo! Se for para castigar, maltratar, expor e arruinar a esmo e, com isso, se exaltar com inexistentes virtudes a si mesmo atribuídas, passa a ser uma arapuca "satânica" (ou será diabólica, que nem a prova impossível, Senhor PGR?).

Uma boa técnica usada por um operador politicamente consciente enaltece a Justiça. Legitima a decisão, porque lhe oferecerá a roupagem em que todos se espelham. Mas isso não funciona com quem a usa orgulhosamente apenas para se distinguir daqueles que, sem moral, desqualifica, para lograr apoio de uma sociedade doente pelo ódio disseminado por instituições e mídia deformadas. Esse é apenas o caminho mais seguro para desacreditar o direito e seus profissionais, procuradores lavajateiros ou não. E aí não adiantam as mais pontudas flechas de bambu. Não serão elas que redimirão os vaidosos arqueiros.
Posted: 09 Jul 2017 04:04 PM PDT
Do site Vermelho:

Neste sábado (8) foi lançada, em Curitiba (Paraná), a Frente Suprapartidária por Eleições Diretas Já, com um ato que reuniu diversas lideranças políticas e lideranças sociais. O ato, convocado pelos senadores paranaenses Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), fortalece a campanha por eleições diretas como alternativa para a crise política e a falta de legitimidade do governo de Michel Temer.

A tônica dos discursos deram como certa a queda de Temer e, neste sentido, o coro de "fora Maia" foi a palavra de ordem do evento. “Não há condição de conciliação. Temer e Maia são exatamente a mesma coisa. Esse Congresso só vai se mexer se houver uma grande mobilização popular”, afirmou Requião, defendendo as eleições diretas.

“A gente tem que fazer valer a força do povo. Estão brincando com o povo brasileiro. Nós temos uma situação de instabilidade política, institucional e econômica. O Temer está para cair, vai cair e vai assumir um outro golpista e só tem um jeito: chamar uma nova eleição”, declarou Gleisi.

A frente é integrada por parlamentares de diversos partidos, entre os eles, PCdoB, PDT, PSB e Psol, além de entidades sindicais. As mobilizações visam pressionar o Congresso Nacional a aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Diretas, que prevê eleições diretas caso os cargos de presidente e vice-presidente fiquem vagos nos três primeiros anos do mandato.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o texto, que deve ir a votação no plenário do Senado e depois, se aprovado, passa por apreciação da Câmara dos Deputados.

“Para a gente aprovar em plenário [no Senado] varia uns 10 dias, se tivermos vontade política, e vai para a Câmara. Se a gente tiver vontade política na Câmara é aprovado em um mês. Se não der para fazer eleição em outubro fazemos no mês seguinte ou no outro mês. O importante é que o povo legitime quem vai governa-lo”, salientou a senadora, que reforçou que qualquer pessoa que assuma o governo, após a queda de Temer, não terá condições de conduzir o país.

“A única possibilidade de negociação é suspensão de todas as reformas e tramitação com urgência das Diretas. Podemos chegar a um acordo e deter um mandato mais ampliado ao presidente da República e ao invés de fazer de um ano fazer com cinco anos para coincidir com as próximas eleições”, argumentou Gleisi.

Reformas

Com votação prevista para a próxima terça-feira (11), no Senado, a reforma trabalhista foi abordada por diversas lideranças. Os senadores chamaram a atenção para as manobras feitas pela base aliada do governo para aprovar o projeto.

“Nós temos que fazer as medidas que eles estão tomando contra a gente e fazer uma resistência radical a essas reformas em nome do povo brasileiro. É um absurdo a falta de sensibilidade que tem o Congresso Nacional. Eles estão fazendo uma reforma sem lastro na opinião pública. Quem dissesse que ia fazer reforma trabalhista não ganharia eleição”, advertiu.

Requião destacou a importância da pressão popular. “Ela tem que ser contida na rua e com manifestações populares. Temos que resistir a uma mobilização financiada por capitais internacionais, do controle absoluto do monopólio de comunicação e da liberalização da economia brasileira que já está fracassada em todo o mundo”, declarou o senador.

“Temer jamais falou em entregar o petróleo e precarizar o trabalho. Foi um negócio feito com a sua vaidade e desejo de ser presidente da República com os capitais que financiaram a mobilização e os grandes meios de comunicação. O dinheiro não pode dominar a sociedade humana. Não somos chineses. O povo não vai aguentar essa mudança na CLT”, finalizou.
Posted: 09 Jul 2017 04:03 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Tenho vontade de rir quando leio analistas políticos dizendo - com ar grave de quem descobriu uma verdade profunda - que a troca de Michel Temer por Rodrigo Maia não será suficiente para tirar o país de uma crise sem paralelo em nossa história recente.

Eu (e a torcida do Flamengo, do Corinthians, do Palmeiras, do Atlético, do Sport, do Vasco, do Inter, do Santos ... ) posso assegurar que nem Maia, nem Nelson Jobim, nem Carmen Lúcia, nem qualquer outro nome tirado da cartola de um sistema político arruinado será capaz de estabilizar a crise e apontar um rumo para uma nação conflagrada, onde a crise política já ameaça se transformar em conflito institucional.

E é assim por uma razão muito simples: o golpe de maio-agosto de 2017 deu errado. Um ano e dois meses depois de instalar-se no Planalto, o governo Michel Temer-Henrique Meirelles não conta com o mínimo de adesão necessária dos brasileiros para ficar de pé. É visto com indiferença ou rejeição por 93%. É humilhado e ridicularizado. Principal fiadora de Temer-Meirelles, a TV Globo conspira noite e dia contra o governo que só pode ser instalado com sua participação decisiva.

Temer encontra-se naquela hora em que a única alternativa digna para o país é bater em retirada e reconhecer que chegamos a uma emergência histórica, na qual o povo tem o direito de exercer seus poderes soberanos, definidos no artigo 1 da Constituição, e, através de eleições diretas, escolher o novo presidente da República.

A gravidade da situação justifica que se dê início imediato a este processo, que pode ser ampliado a partir do lançamento, em Curitiba, de uma Frente Ampla por Diretas-já.

Sabemos que, em graus maiores ou menores, a maioria das democracias do mundo enfrenta, hoje, problemas conhecidos de legitimidade e falta de representatividade. Pense em Donald Trump nos EUA, na abstenção de 57% na eleição parlamentar que deu maioria a Emmanoel Macron, na França. Para falar em países que nossos sábios costumam apontar como exemplo a ser seguido.

Mas aquilo que é uma dificuldade relativa - e até certo ponto tolerável - na maioria dos casos, atingiu um grau absoluto e insustentável no Brasil de hoje. A democracia, duramente conquistada após 25 anos de ditadura militar, que deixou lições que nenhum brasileiro vivo tem o direito de ignorar, encontra-se em risco.

Com a contribuição particular de Michel Temer e seus patrocinadores, cujo desprezo pelos valores e convicções da maioria 200 milhões de brasileiros atingiu um plano paranóico e grotesco, o país encontra-se num vale-tudo no qual ninguém sente-se no dever de respeitar ninguém.

Todos tem motivo para se sentirem enganados.

Todos são - objetivamente - impelidos ao ódio, ao inconformismo e à revolta.

Descontando o aquário de 1% de quem pretende encher os bolsos com reformas descaradamente contrárias ao bem-estar de 99% da população - e que em caso de tragédia poderá mudar-se para a Nova York dos irmãos Batista - o conjunto do país é chamado a assistir a um espetáculo no qual pode ser chamado a assumir o regime de "servidão voluntária" de que falou o juiz Maurício Godinho Delgado, do TST, referindo-se as mudanças no regime trabalhista que o senado debate esta semana.

A intolerância e a raiva que se vê nas ruas, nas conversas, nas redes sociais, tem origem numa situação, mutuamente insuportável, de adversários decepcionados e excludentes.

Não há nem haverá acordo, pois nenhuma candidatura de laboratório nos representa.

Sabemos, por essa razão, que, cedo ou tarde, haverá disputa e confronto, com vencedores e vencidos.

A questão é saber quando e como isso será feito. Para onde vai nos levar. Para recuperar a democracia ou para consolidar o Estado de Exceção, esse nome técnico para definir ditadura?

Essa é a pergunta de uma realidade de riscos e de oportunidades que é preciso confrontar, atravessar e deixar para trás.

Aqui se encontra o grande escombro, a ruína e sua paisagem de cadáveres insepultos. Maior que todos os Maias, Jobins, Carmens Lúcias que possam vir a ser produzidos em conspirações de gabinete, ainda que, enganosamente, possam ser apresentadas como articulações até inocentes diante da gravidade da hora.

Chega a ser covardia e desonestidade apontar defeitos ou virtudes no plano pessoal. Não é um problema de indivíduos. Nem de disputas biográficas. Estamos falando de tarefas que só podem ser resolvidas pelo país inteiro, jamais por um indivíduo, por mais iluminado que seja.

É missão para 108 milhões de eleitores.
Posted: 09 Jul 2017 03:50 PM PDT
Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

“Cadê as panelas?” virou bordão da esquerda depois do golpe de 2016. Cada notícia sobre alguma bandidagem da trupe que assaltou o poder gerava uma torrente de interrogações aos paneleiros nas redes sociais. Foi tão usado que chegou a enjoar.

Depois dos últimos acontecimentos, entretanto, a fatídica pergunta retornou com força e com razão.

Afinal, não faz nenhum sentido, dentro da lógica da revolta com a corrupção que criou as condições para o golpe, a comoção nacional provocada por uma interpretação grotesca do famigerado áudio do Bessias – interpretado teatralmente pelo Willian Bonner, ainda por cima! – e o completo silêncio diante da absolvição de Aécio Neves no conselho de ética (com minúsculas e uma gargalhada) do Senado; do fato de Michel Temer gastar bilhões do dinheiro oriundo dos “pagadores de impostos” para comprar deputados, através de emendas parlamentares, com o único objetivo de tentar sobreviver às pesadas acusações criminais; e do governo finalmente estancar a sangria e decretar o fim da Lava Jato, simplesmente cortando seus recursos.

Justo, portanto, debruçarmo-nos sobre algumas questões. Cadê as panelas? Por que elas estão mudas? Seria vergonha? Desorientação? Questão ideológica? Hoje, n’O Cafezinho.

A resposta é simples. As panelas e a revolta da classe média brasileira sumiram porque a maestra do descontentamento, a guia suprema do ódio nacional não deseja mais a revolta da população. A Globo não necessita mais da mobilização de rua para atingir seus objetivos políticos.

Com a quadrilha que tomou conta do Brasil, chefiada por PSDB e PMDB, a Globo negocia e articula do jeito tradicional. Lobby, conchavos parlamentares, ameaças e ataques contra os que não seguem o script global. A população, mesmo a classe média que sustentou o golpe, perdeu sua serventia como massa de manobra e passou a ser solenemente ignorada pela empresa dos Marinho.

De qualquer forma, o objetivo deste artigo não é tripudiar sobre os coxinhas. Aqueles que acreditaram sinceramente que “toda essa corrupção” foi a causa do impeachment – não os que no fundo apenas queriam a ameaça comunista capitaneada pelo PT (hahaha) extirpada do poder – foram enganados pela Globo, que apenas queria derrubar o governo eleito para botar os amigos de sempre no lugar.

Aos que estão se dando conta de que foram ludibriados, parabenizo pelo reconhecimento do erro, demonstração de caráter, e faço um chamado à luta contra o monopólio da informação no Brasil.

Não se trata de ideologia, aqui. Não estou convidando a classe média brasileira para o lado vermelho da força.

Se trata, sim, de batalharmos juntos para que exista um verdadeiro debate político no Brasil, uma vez que hoje ele é praticamente inexistente. A Globo escolhe sobre o que o Brasil vai falar, a esquerda apenas corre atrás da máquina tentando desconstruir suas mentiras, deturpações e canalhices, e as pessoas comuns alinhadas à direita compram a narrativa alegremente.

Suponho que mesmo uma pessoa de direita não deseje ser usada por um império de comunicação que gosta de brincar de derrubar presidentes.

Sem a manipulação brutal da informação promovida pela Globo e seus orbitais poderemos discutir de verdade os problemas do país. Por que o Brasil é tão violento? Por que os serviços públicos são tão insuficientes? Será que a corrupção é o grande problema nacional mesmo? Poderemos falar até sobre sonegação, vejam só (o assunto é tabu para a Globo por motivos óbvios).

Nós, do campo progressista, não detemos, evidentemente, o monopólio da verdade. Queremos discutir política, discutir alternativas para o nosso país.

A Globo não quer nada disso. A Globo quer continuar sendo o nosso Big Brother (o de George Orwell, não o outro): ter controle absoluto sobre as mentes dos brasileiros para permanecer sendo uma corporação poderosa e bilionária que, ignorando a vontade do povo expressa nas urnas, sustenta ditaduras, encobre seus bandidos de estimação e derruba presidentes com uma facilidade exasperante.

Juntem-se a nós nessa luta, queridos coxinhas, para que possamos discutir política livremente, para que possamos ao menos escolher as nossas pautas! O poder da dialética – liberta das amarras globais – será o propulsor de um Brasil muito melhor.

P.S.: Se você, leitor(a) clássico(a) de esquerda do Cafezinho, gostou deste texto, por favor mande para seus amigos coxas. A luta pela democratização da mídia no Brasil agradece.
Posted: 09 Jul 2017 03:47 PM PDT
Da revista CartaCapital:

Quando o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito presidente da Câmara, em julho de 2016, seu nome era visto com simpatia pelo Palácio do Planalto. Michel Temer e seu círculo íntimo de apoiadores tinham trabalhado pela vitória de Rogério Rosso (PSD-DF), um integrante do "centrão", o grupo outrora liderado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas o nome de Maia era aceitável. Naquele momento, a eleição do deputado servia para firmar a parceria entre o centrão, articulado ao redor de Temer, e a antiga oposição ao PT, comandada pelo PSDB e integrada pelo DEM de Maia.

Com o agravamento da crise provocado pelas denúncias de corrupção contra Temer e diversos de seus auxiliares, a separação entre o centrão e a antiga oposição ao PT vai ficando evidente. E Maia se torna rapidamente o pivô da derrubada de Temer, papel que Temer executou sem galhardia alguma a partir de dezembro de 2015, quando "vazou" uma famigerada carta do então vice-presidente para Dilma Rousseff, na qual ele choramingava o desprestígio direcionado ele pela petista.

O nome de Maia vinha sendo propalado aos poucos. Em maio, CartaCapital contou que a eleição indireta de Rodrigo Maia agradava uma fatia razoável da base governista, majoritária na Câmara. PSDB e DEM topavam e o “centrão” simpatiza. Se o próximo presidente for um nome da Câmara, e não de fora, tudo certo, contava a reportagem. Por quê? “Para continuar o serviço do Michel”, disse um parlamentar. Tradução: tentar enterrar a Lava Jato.

Na quinta-feira, 7, o presidente em exercício do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), falou abertamente sobre sua ascensão ao Planalto. O substituto de Temer, disse o tucano ao jornal O Estado de S.Paulo, "tem que ser alguém que dê governabilidade" para o País até a eleição de 2018. "Isso não é algo difícil de se encontrar", afirmou.

Jereissati trabalha com a hipótese de Temer ser afastado pela Câmara por seis meses, o que ocorrerá caso 342 deputados deem sinal verde para o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar a denúncia por corrupção passiva contra Temer apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

"Na travessia, se vier, tem várias opções. Se vier um afastamento pela Câmara, ele [Maia] é presidente por seis meses. Se Temer renunciasse já seria diferente, mas, se passar a licença para a denúncia, aí ele [Maia] é presidente por seis meses e tem condições de fazer, até pelo cargo que possui na Câmara, de juntar os partidos ao redor com um mínimo de estabilidade para o País", disse.

Outro tucano que jogou Temer aos leões e defendeu a ascensão de Maia foi o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Em fala a um grupo de investidores na quinta-feira 6, o tucano afirmou, segundo a Folha de S.Paulo, que "o governo caiu" e que se depender do processo na Câmara, “dentro de 15 dias o País terá um novo presidente”.

Na manhã desta sexta-feira 7, Cunha Lima continuou atirando contra Temer e insistiu no desembarque do PSDB do governo. "Existem vozes que defendem permanecer no governo Temer mas essas vozes são cada vez menos representativas dentro do PSDB", afirmou em entrevista ao programa Atualidade, da Rádio Gaúcha.

Uma dessas vozes é a do senador Aécio Neves (MG). Presidente licenciado do PSDB, o senador está também acossado por denúncias de corrupção e conta a guarida do governo para escapar. Na quinta-feira 6, foi salvo de um processo de cassação no Conselho de Ética pela base de Temer.

"É um governo caracterizado pela impopularidade e isso pode levar o Brasil para uma situação de paralisia", disse Cunha Lima. "O presidente está perdendo apoio dentro do próprio partido e isso tem efeito cascata sobre as demais legendas", afirmou. A frase é uma referência à escolha de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) como relator da denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ele é visto como próximo a Maia e pode apresentar um parecer favorável à aceitação da denúncia, o que complicaria, e muito, a situação de Temer.

O PSDB, com sua notória relação com o empresariado brasileiro, chama de "estabilidade" o cenário em que as reformas trabalhista e da Previdência sejam aprovadas. Para o partido, Maia é a figura capaz de garantir esse cenário. No evento de quinta-feira 6, segundo a Folha, Cunha Lima teria dito que Maia deus sinais de que não mexerá na equipe econômica se assumir o governo. “Maia deverá apresentar mais estabilidade.”

A manutenção da equipe econômica vai ao encontro de apuração publicada nesta sexta-feira 7 pelo site Poder 360. De acordo com a reportagem, o ministério de Rodrigo Maia já está em formação e Henrique Meirelles seria mantido na Fazenda.

A expectativa de permanência da equipe econômica vai ao encontro, também, das declarações da própria equipe econômica. Em maio, Meirelles já dizia que permaneceria no governo mesmo sem Temer. Declaração idêntica deu o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no fim de junho. Tendo em vista que o presidente da República nomeia tanto o ministro da Fazenda quanto o presidente do BC, seria o caso de perguntar como Meirelles e Goldfajn sabem que permanecerão no governo em caso de queda de Temer. Talvez Rodrigo Maia tenha a resposta.

Nesta sexta-feira, o presidente da Câmara foi às redes sociais para se manifestar sobre a situação do País. "Precisamos ter muita tranquilidade e prudência neste momento. Em vez de potencializar, precisamos ajudar o Brasil a sair da crise", escreveu no Twitter, antes de postar a hashtag "#reformas". "Temos que estabelecer o mais rápido possível a agenda da Câmara dos Deputados. Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, Tributária e mudanças na legislação de segurança pública", continuou.

Os próximos capítulos dessa história serão vistos na semana que vem. Sergio Zveiter pode apresentar seu relatório na CCJ na próxima segunda-feira e já defendeu que o próprio procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vá à Câmara defender a denúncia. Por certo, seria um evento devastador para Temer.

Falta saber se Maia de fato conseguirá trazer a "estabilidade" pregada pelo PSDB. Convém lembrar que o deputado do DEM, presidente da Câmara, é figurinha carimbada nas delações da Odebrecht. Foi citado por delatores da empreiteira como receptor de propina sob os codinomes "Botafogo" e "volante", apelido dos deputados federais, do "Fluminense", referência ao DEM, seu partido. Assim como Temer, Rodrigo Maia nega envolvimento em casos de corrupção.
Posted: 09 Jul 2017 03:40 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Há duas semanas estive com a Ministra Carmen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em uma audiência por mim solicitada.

A Ministra foi muito gentil, me recebendo com pão de queijo e histórias de Minas.

A visita teve dois motivos:

A Ministra anunciou a recriação de um grupo de mídia, no âmbito do CNJ, visando resguardar a liberdade de imprensa contra a indústria das ações judiciais. Mas incluiu no grupo exclusivamente a parte menos vulnerável da imprensa: os grupos de mídia, empresas consolidadas, com departamentos jurídicos, capazes de se defender.

Mostrei à Ministra que a parte mais vulnerável do jornalismo são os independentes, ou as pequenas empresas. O peso relativo das condenações, sobre eles, é muitíssimo mais elevado do que sobre os grandes grupos. A própria abertura da ação exige a contratação de advogados, viagens e outras despesas que pesam no orçamento dos pequenos.

O segundo motivo foi sugerir que o CNJ abra uma discussão ampla sobre a mídia nos tempos atuais, mas não restrito à pauta da Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão), da ANER (Associação Nacional de Revistas) ou da ANJ (Associação Nacional de Jornais). Há mudanças fundamentais no jornalismo atual, com o advento das redes sociais, dos blogs, dos grupos estrangeiros, não contemplados nos seminários internos da ANJ.

A Ministra anotou no seu caderno e prometeu resposta em breve.

Assim que tiver a resposta, divulgarei aqui.
Posted: 09 Jul 2017 03:33 PM PDT
Do site Brasil Debate:

Muitos conhecem a crise econômica da Islândia por causa dos primeiros minutos do documentário Inside Job, que retrata a crise financeira mundial de 2008. Esses minutos iniciais resumem o resultado do embarque do país na onda do liberalismo econômico a partir dos anos 1990. Para deixar a economia cada vez mais nas mãos do mercado, a Islândia implementou uma série de reformas: cortou o gasto público, reduziu os impostos sobre o capital e sobre o trabalho, privatizou as empresas estatais, liberalizou o mercado de trabalho, abriu sua economia para promover uma maior integração econômica global, reformou a previdência e o setor público e ainda desregulamentou o mercado financeiro.

Os três maiores bancos do país (Kaupthing, Glitnir e Landsbanki) surfaram bem a onda da desregulamentação e, ao oferecerem taxas de juros bem mais altas que no restante da Europa, transformaram a Islândia num grande centro financeiro internacional, ao mesmo tempo em que contribuíram (mais de 80% dos “outros setores” do gráfico abaixo) para que a dívida externa do país (50 bilhões de Euros em 2007) ficasse 10 vezes maior que o PIB e 20 vezes maior que o orçamento público islandês.


Com a crise mundial de 2008 e a desvalorização da moeda, os bancos não conseguiram refinanciar suas dívidas e muito menos pagá-las, o que levou a Islândia a pedir empréstimo ao FMI. Para receber esse empréstimo, o país deveria implementar o controle de capitais, ativar um pacote de recuperação para os bancos endividados, pagar os depósitos dos investidores internacionais e implementar um pacote de medidas de austeridade para controlar as contas públicas.

Sofrendo com recessão, desemprego e inflação provocados pela crise, a população protestou contra as medidas de austeridade propostas pelo FMI e o governo islandês acabou fazendo o que a cartilha convencional não manda: deixou os bancos quebrarem.


Em comparação com o tamanho da economia, a crise islandesa foi a maior crise bancária experimentada por um país na história econômica. Banqueiros foram presos, a dívida dos investidores internacionais foi cortada pelo governo islandês, que preservou os depósitos apenas da população residente no país, e uma parte dos bancos foi nacionalizada e reestruturada.

Para reestruturar o sistema financeiro, impor controle de capitais e evitar maior desvalorização e instabilidade da moeda, a Islândia de fato recebeu empréstimo de 4,6 bilhões de Euros (2,1 bi do FMI e 2,5 bi dos seus vizinhos), mas usou o seu próprio programa de saída da crise, optando por medidas de fortalecimento do bem-estar social e não de austeridade.

Já a partir de 2009, ano de maior queda do PIB (-6,9%), o governo islandês começou a elaborar o orçamento de maneira a proteger a população de renda mais baixa e os grupos mais vulneráveis. Houve aumento nas transferências às famílias e nos gastos com assistência e proteção social, com destaque para os aumentos no salário mínimo, no seguro desemprego, fortalecimento dos programas para os desempregados, aumento nas pensões para idosos e incapacitados e nos benefícios às crianças das famílias de menor renda.

Enquanto houve corte dos impostos diretos para a população mais pobre, a carga tributária dos 10% mais ricos da Islândia aumentou de 24% para 32% da renda de 2008 a 2010.

Além dessas medidas, que garantiram um crescimento com maior equidade, a recuperação econômica da Islândia esteve associada também ao fomento da indústria pesqueira, ao aumento da confiança dos consumidores e ao aumento significativo das exportações e do turismo no país, por causa da desvalorização da moeda.


Contrariando as ideias convencionais, e recebendo inclusive o reconhecimento do próprio FMI e de dois ganhadores do Nobel em economia (Paul Krugman e Joseph Stiglitz), a Islândia mostrou que a cartilha da austeridade não vale para a recuperação econômica. Foram medidas não-convencionais, baseadas nas prioridades nacionais e nos incentivos à economia que possibilitaram a saída da crise, a recuperação do crescimento econômico e a queda da taxa de desemprego.
Posted: 09 Jul 2017 03:21 PM PDT
Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:

Nem a Globo aguentou o discurso marqueteiro do prefeito de São Paulo e cortou sua fala em pleno ar. No Bom dia SP do último dia 3, o apresentador Rodrigo Bocardi comentou que muitos programas da prefeitura mais parecem ações de marketing e fez a seguinte pergunta a João Doria Junior: "Nos últimos seis meses foram criados Cidade Linda, Bairro Lindo, Calçada Nova, Corredor Verde... são programas com nomes anunciados todos finais de semana e tal. E o resultado que a gente tem visto é que não são nada mais do que aquilo que já era feito. Será que a gente não cai na história do marketing que é tanto falado? A gente cria marcas, nomes e no fim o resultado que temos visto é algo que já vinha sendo feito antes. Talvez até menos agora".

Tratava-se de uma constatação difícil de ser rebatida. Doria tentou jogar a culpa na administração anterior apesar de dizer que não faz gestão com retrovisor e começou a ensaiar autoelogios quando entrou no ar a vinheta de encerramento do programa pondo fim a mais uma tentativa propagandística do prefeito.

Cabe lembrar que a inauguração do governo Doria na cidade de São Paulo foi marcada por uma cena patética: o prefeito e seus secretários uniformizados como garis posando para fotografias. Nada melhor como símbolo do que viria pela frente: a combinação perfeita entre propaganda e venda confundindo gestão pública com armazém de secos e molhados.

É a isso que se pretende resumir a administração da cidade de São Paulo, um imenso balcão de negócios embalado por um marketing agressivo. Grande parte do patrimônio da cidade está à venda e para realizá-la são necessários instrumentos eficientes de propaganda. Esta, por sua vez, além de anunciar para o mercado as qualidades dos produtos em oferta, exalta a capacidade gerencial do prefeito em busca de voos políticos mais altos.

É desalentador observar que bens públicos construídos com recursos acumulados através de gerações estejam sendo transformados em simples mercadorias. E o processo de vendas em espetáculos, fazendo lembrar as teses apresentadas por Guy Debord no seu clássico livro A sociedade do espetáculo. Dizia ele que “O espetáculo é o momento em que a mercadoria ocupou totalmente a vida social. Não apenas a relação com a mercadoria é visível, mas não se consegue ver nada além dela: o mundo que se vê é o seu mundo. A produção econômica moderna espalha, extensa e intensivamente, sua ditadura”.

Debord referia-se à produção na esfera econômica sem poder imaginar que ela abarcaria também os bens públicos, como no caso atual de São Paulo. E mais. A mercadoria a ser posta à venda pelo prefeito é apresentada por um discurso que vai além do seu consumo. Não basta vender, é preciso justificar essa venda com mensagens de eficiência e modernidade. Para isso ele utiliza todos os recursos das redes sociais, especialmente aqueles já testados e aprovados pelas chamadas "celebridades" da internet. O prefeito segue o modelo à risca relatando em vídeo cada gesto do seu dia a dia.

Completa-se dessa forma a inserção do mercado de bens públicos na lógica da sociedade do espetáculo. Não cabe nesse quadro uma discussão racional sobre as consequências reais para a cidade e para os cidadãos das vendas do patrimônio público. É impossível acreditar que os novos administradores privados do Pacaembu, Anhembi, Autódromo de Interlagos, dos parques, praças, sacolões, mercados e planetários, entre outros bens à venda, colocarão em risco suas margens de lucro caso seja necessário manter e aperfeiçoar a qualidade do serviço público hoje prestado nesses equipamentos municipais.

São questões que não cabem no mundo dos espetáculos. E quando se abre uma breve exceção, como no caso do entrevistador da Globo, arguindo o prefeito sobre os programas apresentados pela prefeitura, de nítido apelo marqueteiro, as respostas são tão vazias e simplistas que só resta mesmo rodar a vinheta do programa e encerrar a conversa.
Posted: 09 Jul 2017 03:16 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O Estadão, insuspeito de estatismos, dá manchete hoje para o que todo mundo que precisa dos serviços públicos já sabe faz tempo: os cortes orçamentários inviabilizaram o funcionamento normal dos serviços públicos.

Claro que o assunto tomou corpo quando chegou aos passaportes tão queridos da classe média, mas é coisa sabida, faz tempo, na rede hospitalar e escolar federal – e nas estaduais e municipais, que vão todas bem mal das pernas.

E vai piorar, porque – como “não se admite” estouro das contas públicas e muito menos aumento de impostos, os cortes terão de ser ainda maiores.

Em O Globo, cenário ainda pior para nossos irmãos mais pobres:

Na próxima semana, durante reunião do Conselho Econômico e Social da ONU, em Nova York, 40 entidades civis, como ActionAid, Ibase e Fundação Abrinq, apresentarão documento mostrando que a fome assombra famílias brasileiras. São histórias como a da cozinheira desempregada Rita de Cássia Souza, mãe de seis crianças: “À noite, meus filhos pedem: ‘Mãe, tem leite?’ Tenho de dizer: ‘Vão dormir que a fome passa’.” No armário suspenso sobre a geladeira quase vazia, sacos de farinha de milho empilhados de uma lateral a outra são a única abundância no casebre onde moram três adultos e uma criança, no alto de um morro do bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

Na Folha, Vinícius Torres Freire ,primeiro registra seu espanto com a situação de São Paulo:

A gente se horroriza de ver tantas pessoas largadas na degradação da miséria nas ruas do centro rico da cidade mais rica do Brasil, São Paulo. Não raro remexem o lixo à procura de comida ou de latas que lhes renderão centavos. Dormem nas calçadas geladas. Não lembrava de ver tantos faz bem mais de uma década.

Mas logo vai aos números do Nordeste, onde “os três anos de recessão desgraçaram mais a vida de uma região bem mais pobre”.

“Em Pernambuco (…) se registrou a maior baixa nacional na massa de rendimentos do trabalho: perda de 17% em relação a 2014 (no Brasil, de 2,5%). Em seguida, nos próximos Alagoas e Sergipe, com perdas em torno de 9%. Depois, Bahia e Ceará, quase 6%, desgraça semelhante à do Rio de Janeiro".
Mas nos três jornais, nas televisões, nas colunas políticas e econômicas, tudo o que se lê ou se escuta é o “Fica Meirelles”, porque é irrelevante quem preside o país, se Temer ou Maia, desde que o arrocho reine.

Hospital sem médico, escola sem aulas, famílias sem comida, pessoas sem empregos? Isso é uma bobagem, estamos a caminho do sucesso e não devemos deixar que a política – e, sobretudo, as malditas eleições – atrapalhem a obra do “dream team” da economia.

O importante é manter as “mulas do capital”, o que não digo para ofender, mas por lembrar do que disse um ex-ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, ao então jovem Leonel Brizola que o visitava nos amplos salões – estão lá até hoje – do prédio do Ministério no Rio:

– Rapaz, estas são as mulas da Fazenda. Trabalham muito, mas são inférteis.
Posted: 09 Jul 2017 03:15 PM PDT
Por Laura Capriglione, no site Jornalistas Livres:

A Polícia Federal decidiu hoje (6/7) acabar com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. É incrível! Agora, os delegados que eram exclusivos vão assumir outros inquéritos. Já houve 11 delegados da PF na força-tarefa. Agora, são quatro e esses poucos passarão a cuidar também de outros inquéritos, como os da Operação Carne Fraca - tudo reunido na Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor). A expectativa é que ocorra uma redução no ritmo das investigações.

Segundo o UOL apurou com fontes ligadas à investigação, a PF já estava “praticamente parada” na Operação Lava Jato. “Eles não conseguem dar andamento a qualquer apuração nova”, disse um integrante da equipe que não quis se identificar.

Trata-se de mais uma derrota do juiz Sergio Moro, que já tinha sido afastado pelo ministro Edson Facchin de três processos contra Lula, decorrentes da delação da Odebrecht. Dois casos foram enviados à Justiça Federal do Distrito Federal e outro foi para a Justiça Federal de São Paulo.

Com isso, na prática, Moro ficou com o mico dos micos na mão, representado pelo processo referente ao famosíssimo tríplex do Garujá. Já está provado por documentos que o imóvel nunca foi doado pela OAS de Léo Pinheiro ao ex-presidente Lula, mas que figurava como garantia da empreiteira junto à Caixa Econômica Federal. Ou seja, se o imóvel fosse dado a alguém, seria necessário que fosse depositado o valor dele em conta específica da Caixa, o que produziria um recibo que nunca foi emitido porque a doação jamais ocorreu.

Agora, Moro está às voltas com a terrível decisão: condenará ou absolverá Lula nesse típico “homicídio sem corpo”? Nesse crime sem provas?

Se condenar, arrisca-se a passar pelo mesmo vexame que viveu com o caso de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que sentenciou a 15 anos e quatro meses de cadeia por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. SQN. A decisão foi revertida pelo Tribunal Regional Federal da 4 ª Região, depois que dois desembargadores consideraram que as provas foram baseadas somente em delações premiadas – sem provas, portanto.

Se absolver, Moro perderá a aura de Justiceiro intrépido, vingador da Direita ressentida com 13 anos de governos petistas.

De todo modo, o esvaziamento da Lava Jato em Curitiba é um incrível atestado de idoneidade ao presidente Lula (Cadê as provas dos crimes que lhe imputam?) e a demonstração cabal de que a investigação gigante só tinha um alvo; o PT.

Quando os xerifes da PF viram que estava sobrando para o PSDB, para Aécio, para Temer, para toda a atual base aliada do golpismo, trataram de parar com o jogo e levar a bola pra casa.

O golpe, afinal, sempre foi pra “estancar a sangria”, lembra?


Nenhum comentário:

Postar um comentário