segunda-feira, 10 de julho de 2017

10/7 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 10 Jul 2017 06:41 AM PDT

Helô D'Angelo

Calila das Mercês, idealizadora do projeto Escritoras Negras da Bahia (Foto Jemima Bracho)


“De quais escritoras negras brasileiras você já ouviu falar e quantas já leu?”. A pergunta, direta, vem da escritora e jornalista baiana Calila das Mercês. Cansada de ver mulheres negras excluídas dos círculos literários, ela decidiu tomar o problema pelas próprias mãos e propor uma solução.

Calila lança nesta sexta (7), no Mês Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, o site Escritoras Negras da Bahia, que apresenta a produção literária de contistas, poetas e romancistas negras do estado. Há nomes pouco conhecidos do grande público, como Rita Santana, Mel Adún e Celeste Pacheco.

“Sempre senti falta de mulheres que me representassem no campo literário. Na Bahia, um estado em que a população negra é maioria, prestigiamos grandes escritores homens, mas temos também grandes mulheres negras escrevendo”, afirma Calila, que é doutoranda em Letras pela UnB.

Em 2015 ela lançou um projeto semelhante, o Escritoras Mulheres na Bahia, que catalogava a produção de cinquenta autoras do Estado, mas sem o recorte de raça.

“Quando você faz só o recorte de raça [no mercado editorial], deixa de fora as mulheres negras, porque os homens negros são mais publicados que nós. E quando faz o recorte de gênero, são as mulheres negras que ficam de fora de novo, já que mulheres brancas estão mais inseridas que as negras no meio literário. Precisamos de um espaço nosso”, diz Kênia Freitas, doutora em Comunicação e Cultura da UFRJ, e uma das colaboradoras do projeto.

Além do portal, o Escritoras Negras da Bahia traz um e-book em português e em inglês com artigos acadêmicos sobre negritude e escrita, perfis de autoras negras e uma lista de intervenções artísticas na Bahia.

Calila também promove, até o dia 20 de julho, um ciclo de oficinas e palestras gratuitas voltadas a mulheres de comunidades afro-indígenas com temas ligados a literatura, cinema e tecnologia.

Para Kênia Freitas, esse contato representa o momento mais importante do projeto, com o qual será possível de fato ouvir as autoras: “Não queremos chegar com um discurso acadêmico pronto, mas construir junto com elas.”

A ideia é propor uma troca: levar algo às mulheres dessas comunidades, mas também trazer vivências, práticas e ideias de volta para a academia. As oficinas acontecem no extremo Sul da Bahia, nas cidades de Alcobaça, Caravelas e Prado.

“As trocas são indispensáveis para o projeto ganhar força. Estamos criando uma vanguarda que não se enquadra nos velhos moldes burgueses, por estar sendo feita pela comunidade negra e principalmente pelas mulheres”, afirma Raquel Galvão, doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

A ideia é, mais tarde, estender o mapeamento para outros estados do país, com parcerias locais. Isso porque o objetivo do projeto vai além da literatura, segundo Calila, e busca “empoderar” as autoras para que elas mesmas compreendam que são capazes de ingressar de maneira profissional no meio literário.

“Ao reconhecer a invisibilidade das mulheres negras, tanto em legitimidade no campo literário quanto na representação em obras, nota-se que a lacuna segue diretamente proporcional em relação ao que a sociedade já oferece a nós”, define.

Revista Cult


Posted: 10 Jul 2017 06:31 AM PDT


Abominável sociedade
por Fernando Horta


Em junho de 2001, o Jornal Nacional veiculava uma série de reportagens que viria a ser premiada. Marcelo Canellas e Lucio Alves apresentavam a “Fome no Brasil”. O dado revelado era que uma criança morria de fome no Brasil a cada cinco minutos. Em pleno “milagre neoliberal”, como gostam de citar alguns intelectuais e políticos de direita no Brasil, uma criança morria a cada cinco minutos no Brasil. Vou repetir, porque penso que o número deveria ser usado em qualquer discussão sobre política e economia de agora em diante. Ao começar a ouvir qualquer argumento dos defensores desta hipocrisia de direita, pare e escreva “em 2001, aos sete anos do governo FHC, uma criança morria de fome a cada cinco minutos no Brasil”. Repita ou escreva, não importa, mas sempre comece por esta informação. Em seguida, olhe a ginástica retórica que o interlocutor fará e avalie se ela se encontra no campo da ignorância ou da mácula moral insanável. Qualquer das duas opções, é uma conversa que não vale à pena.

Não sei se já mencionei, mas em 2001, uma criança morria de fome a cada cinco minutos no Brasil. O fato, chocante, inaceitável, inumano, é irrisório perto da pergunta de um pai, quando confrontado pelo jornalista se não havia como o seu filho “ganhar um pouco mais de peso”. Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e Evangelista dos Santos, o pai, com a sabedoria de quem luta para sobreviver, respondem ao repórter “o que você acha que eu devia fazer?” Este diálogo reflete o Brasil do neoliberalismo. O repórter, obviamente não sabia sobre o que perguntava e não conseguia compreender o que via e ouvia. Provavelmente foi dilacerado a cada entrevista, eis que humano. O pai entrevistado, sequer com tempo de tirar a enxada das costas para falar, desfere a pergunta fatídica que separava os brasis de forma tão evidente. “O que você acha que eu deveria fazer?” para salvar a vida da minha filha que não tem o que comer ...

Eu me recordo de assistir esta reportagem e chorar, copiosamente. Eu não choro com hino, bandeira ou camiseta verde amarela. Não choro por cântico religioso fervoroso. Não choro por ver alguém “atingir a meta” de malhar todo dia e perder peso. Não sou de reconhecer heróis em ações ordinárias e totalmente comuns. Eu chorei como criança vendo aquela série. O olhar de Evangelista para o repórter era a demonstração de que nada, absolutamente nada naquele país, poderia estar dando certo.

O que não consigo entender é como Ana Cláudia dos Santos, a mãe, e Evangelista dos Santos, o pai, se tornaram “vagabundos que se aproveitam do Estado para não trabalhar”. Ou ainda como a fome de sua filha poderia ser um reflexo “da meritocracia” que levaria – em um livre mercado – a sociedade brasileira a ser produtiva e rica. Não entendo como Ana Cláudia e Evangelista se tornaram o “problema das contas públicas do Brasil”, tendo contra si os dedos da classe média (saciada) e da maioria dos que apertam botões no parlamento, e que hoje defendem o fim dos programas sociais, dos direitos do trabalho e a redução de vencimentos para os mais pobres.

Apenas uma sociedade doente, ignorante e hipócrita pode acreditar que Ana Cláudia e Evangelista estão sofrendo assim por que não se esforçaram o suficiente. Apenas uma sociedade lunática, cínica e monstruosa pode se convencer de que eles sofrem desta forma por não terem fé suficiente ou por não terem depositado algum valor numa conta em nome de algum deus.

E eu não falei ainda da sua bebê, que padece da fome.

Certamente quando ela crescer, depois de ter lutado para sobreviver, vai saber evitar as mazelas da sociedade. Vai se esforçar numa escola pública de algum sertão poeirento e seco e vai concorrer “de igual para igual” com alguém que comeu na infância toda e que “não aceita privilégio” de quem quer que seja.

Também não falei de você, que se “revoltou” com o conto das “pedaladas” e saiu a bater panelas vazias – de barriga cheia – querendo o “seu país de volta”. Pois a ONU informa que a fome voltou ao Brasil. O seu país, finalmente, voltou. E se você a ele reivindicar as cores verde e amarela, fique com elas. Não me farão falta as cores de um país em que uma criança morria a cada cinco minutos de fome. Um país hipócrita que não aceita vidraça quebrada, mas nunca se importou com as muitas Anas Cláudias e Evangelistas a enterrarem seus filhos em caixas de sapato, como “querubins sem pecado”, no único consolo possível.

Que bom que as cores nos diferem. Você fica com a hipocrisia em verde amarelo e eu procuro qualquer outra que dê guarida a um país sem fome. Quem nos olhar saberá de pronto que não me misturo com quem prefere o cassetete à cabeça do estudante, quem prefere o privilégio da gravata à comida da criança, quem tem força física para bater em panela, mas padece de inanição moral.

Não sei se já falei, mas em 2001, aos sete anos do governo de FHC, uma criança morria a cada cinco minutos de fome, no Brasil.

Este país voltou ...

De fome ...



GGN
Posted: 10 Jul 2017 06:21 AM PDT



DEPOIS DE VIAJAR pelo mundo ostentando apoio maciço do Congresso e dizendo fazer parte de um governo semi-parlamentarista, Temer tem visto sua base parlamentar derreter e ensaiar largá-lo ferido na estrada. O presidente é descartável e seu eventual sucessor, Rodrigo Maia, pode muito bem comandar uma das grandes missões patrocinada pela grande mídia e pelo alto empresariado: a reforma trabalhista.

Com a popularidade batendo nos calcanhares e a lama ultrapassando o pescoço, Temer passou a ser um empecilho para os que têm pressa em aprovar uma reforma que também não conta com o apoio da população. Além das pesquisas indicarem que a maioria é contra, o Senado abriu uma consulta pública para saber se o os brasileiros aprovam a alteração da CLT. O resultado até aqui é avassalador: 15 mil são a favor, enquanto quase 170 mil são contra. Mas a falta de apoio popular nunca será um problema para quem destituiu uma presidenta eleita e implantou um plano de governo rejeitado nas urnas. O compromisso da turma do Grande Acordo Nacional é com os setores que patrocinaram o impeachment.

O compromisso da
 turma do Grande Acordo
 Nacional é com os setores
 que patrocinaram o
 impeachment. 

Vendida como uma modernização do trabalho e a única solução para o aumento da oferta de empregos, a reforma foi desenhada unicamente para atender aos interesses dos empresários. Em vez de buscar maior equilíbrio nas relações de poder entre patrão e funcionário, a mudança irá enfraquecer ainda mais a ponta fraca da corda. Apesar de ser uma reforma que altera profundamente as relações de trabalho no país, nenhuma entidade representativa dos trabalhadores participou da elaboração das propostas, o que é inconcebível em um país que se pretende democrático. Boa parte delasforam redigidas por lobistas de bancos, indústrias e transportes.

Uma das principais justificativas para dar força de lei aos acordos diretos entre patrões e funcionários seria o fato do “Brasil ser campeão mundial de ações trabalhistas”. A complexidade da atual legislação trabalhista levaria muita gente a encontrar brechas para processar o empregador. A liderança do Brasil nesse campeonato mundial fictício já esteve no relatório da proposta de reforma trabalhista da Câmara, foi notícia na Band, na Globo, na Record, no Estadão. Acontece que essa é uma falácia que acabou virando senso comum de tanto que se martelou na cabeça dos brasileiros ao longo dos últimos anos. Em recente artigo para o Jota, o especialista em Direito do Trabalho, Cássio Casagrande, desmontou ponto a ponto a cantilena e demonstrou que ela não possui base alguma na realidade. Casagrande se debruça também sobre uma frase proferida em uma conferência em Londres pelo ministro do STF, Luis Roberto Barroso: “A gente na vida tem que trabalhar com fatos e não com escolhas ideológicas prévias. O Brasil, sozinho, tem 98% das ações trabalhistas do mundo.” O número é irreal, não está baseado em nenhum estudo ou pesquisa e, ironicamente, parece ser fruto de uma escolha ideológica prévia do ministro.

No mês passado, um estudo da Repórter Brasil revelou o apoio maciço das grandes empresas de comunicação à reforma trabalhista. A conclusão é de que há pouquíssimo espaço – ou mesmo nenhum – para opiniões contrárias:

“O Jornal da Record foi o menos crítico à proposta apresentada pelo governo, com 100% das reportagens favoráveis. O Globo foi o segundo mais alinhado, com 88% do conteúdo suportando o que defende o Palácio do Planalto. Em seguida, aparecem o Jornal Nacional (77%) e O Estado de S.Paulo (68%). A Folha de S.Paulo (42%) destoou dos outros veículos, já que criticou a proposta em mais de metade dos seus textos.”

O fato do Jornal da Record não disponibilizar sequer um segundo para as críticas à reforma não chega a ser motivo para espanto, já que a empresa é da propriedade do empresário-pastor Edir Macedo, o controlador oculto do PRB, um importante partido da base governista.

O SBT não entrou na análise da Repórter Brasil, mas vem cumprindo com louvor o seu papel de cão de guarda das elites. Logo no dia seguinte a umencontro entre Temer e o empresário Sílvio Santos, a emissora usou da concessão pública para promover as reformas, como se elas fossem um produto Jequiti. Com inserções inesperadas no meio da programação, a empresa veiculou mensagens terroristas como: “Você sabe que, se não for feita a Reforma Trabalhista, você pode deixar de receber o seu salário?”

(Foto: Reprodução/Instagram)

Mas o dono do Baú foi com muita sede ao pote ao utilizar uma concessão pública para defender seus próprios interesses. O SBT foi alvo de um inquéritodo Ministério Público do Trabalho que constatou que a emissora estava exibindo “chamadas publicitárias com informações duvidosas sobre o tema”. A procuradora Renata Coelho, responsável pelo inquérito, afirma que “trata-se de propaganda possivelmente sem base fática ou documental, que não exprimiria opinião, mas sim afirmativa que sem a aprovação das reformas o país estará quebrado e o trabalhador ficaria sem salário”. A empresa assinou um termo de compromisso com MPT prometendo veicular mensagens educativas sobre a reforma.



Os colunistões mais prestigiados pelas empresas de comunicação também são unânimes na importância da reforma e repetem incansavelmente que essa é a única saída para a crise econômica. Merval, Sardenberg, Miriam Leitão e Reinaldo Azevedo puxam a fila e ajudam a empurrar goela abaixo da população uma narrativa única.

Por mais que a expressão cause horror, o que vemos é a luta de classes na sua essência. O topo da pirâmide, na ânsia de não querer perder seus privilégios com a crise, coloca todas suas armas na mesa, enquanto a base resiste para não perder direitos conquistados a duras penas. Nesse conflito desigual de interesses, reforma trabalhista tirará o estilingue de Davi e entregará uma metralhadora para Golias. Mas a realidade é dura e o desfecho certamente não será bíblico.

The Intercept Brasil
Posted: 10 Jul 2017 06:00 AM PDT

Nos governos de FHC, Lula e Dilma, ocorreram reduções nos direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros, no entanto todos contaram com a legitimidade do voto popular para propor e implementar mudanças nas políticas públicas. Não é este definitivamente o caso do Governo Temer, cujo déficit de legitimidade é infinitamente maior do que o suposto déficit previdenciário que pretende combater.



Por: Sidney Jard


Desde a promulgação da Carta Constitucional de 1988, governos de diferentes orientações político-ideológicas buscam reduzir ou eliminar direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros. A primeira grande investida contra o sistema de seguridade social ocorreu na Revisão Constitucional de 1993. Mas naquela ocasião, o Congresso Nacional recuou na reforma da previdência quando se viu envolvido em um escândalo de corrupção – modesto para os padrões atuais – nacionalmente conhecido como “Anões do Orçamento”. Infelizmente, nos dias de hoje, Presidente da República, dezenas de ministros e centenas de parlamentares citados ou investigados pela Justiça não são suficientes para fazer o atual governo reconhecer que não possui legitimidade política para realizar mudanças na Constituição Federal.

A segunda grande investida contra o caráter solidário do sistema de seguridade social ocorreu durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Naquele período, a reforma da previdência foi apresentada como parte de um conjunto mais amplo de reformas estruturais que também contemplava a liberalização econômica, a privatização das empresas estatais e a reforma gerencial do Estado. O Governo FHC chegou a elaborar um projeto de privatização do sistema previdenciário, mas foi obrigado a recuar devido aos elevados custos de transição que implicaria a mudança de um regime público de repartição para um regime privado de capitalização.

Paradoxalmente, coube ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) dar continuidade ao incompleto processo de reforma do sistema de seguridade social brasileiro. O Governo Lula concentrou seus esforços reformistas no regime previdenciário dos servidores públicos e na ampliação e fortalecimento da previdência completar. Seduzidos pela ideia de se transformarem em gestores de fundos de pensão, setores do movimento sindical foram coniventes com a reforma do regime de previdência social do funcionalismo. O governo de Dilma Vana Rousseff (2011-2016), por sua vez, sacramentou a lógica da capitalização individual no setor público com a criação do Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp).

Independentemente do juízo de valor que se possa emitir sobre as reformas mencionadas acima, todos estes governos (FHC, Lula, Dilma) contaram com a legitimidade do voto popular para propor e implementar mudanças nas políticas públicas. Não é este definitivamente o caso do Governo Temer, cujo déficit de legitimidade é infinitamente maior do que o suposto déficit previdenciário que pretende combater.

Passados quase trinta anos da promulgação da Constituição Cidadã, na área de seguridade social, Michel Temer (2016-) se recusou a trilhar o comedido caminho de José Sarney (1985-1990) e de Itamar Franco (1992-1994), presidentes civis igualmente não eleitos pelo voto popular. No entanto, carece da legitimidade eleitoral de um Fernando Henrique Cardoso, de um Luiz Inácio Lula da Silva ou mesmo de uma Dilma Vana Rousseff (pós-giro político) para propor mudanças constitucionais que impliquem a redução de direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros.

Além disso, ao contrário dos governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, que concentraram as medidas reformistas no regime previdenciário dos servidores públicos, Michel Temer optou por repetir Fernando Henrique e confrontar o conjunto dos trabalhadores em uma única e abrangente reforma do sistema de previdência social. Esta pretensiosa decisão possibilitou que trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade, do setor público e do privado – organizados por suas respectivas entidades representativas – articulassem uma ampla coalizão contrária à redução dos seus direitos previdenciários.

Em síntese, o Brasil vive hoje um desses momentos cruciais nas democracias modernas em que a consciência da natureza transitória de um governo importa mais do que o conteúdo intempestivo das suas ações. Reformas econômicas, políticas e socias são realizadas por governos legítimos. Governos ilegítimos, quando bem-sucedidos, no máximo, realizam contrarreformas; no sentido estrito de serem implementadas por mandatários que conquistam e mantém o poder por meio de atos contrários aos princípios básicos do Estado de Direito.



Sidney Jard da Silva, Cientista Político, Investigador em Pós-Doutoramento no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC), Professor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC (CECS-UFABC).



Le Monde Diplomatique
Posted: 10 Jul 2017 05:50 AM PDT


Demora na retomada do crescimento econômico continua a minar o emprego formal e a persistência de quem procura por vagas


Pedro Ventura/Agência Brasília //Emprego com carteira caiu 1,4% enquanto o informal subiu 2,2% no último trimestre


Os mais recentes dados sobre o mercado de trabalho mostram que o desemprego parou de aumentar. Boa notícia à primeira vista, mas que precisa ser olhada mais de perto: precarização e a desistência da busca por trabalho podem explicar o comportamento dos números. E a reforma trabalhista, que será votada no Senado ainda nesta semana, pode fazer com que um cenário conjuntural passe a ser estrutural.

O IBGE aponta um desemprego de 13,3%no trimestre encerrado em maio, estável em relação ao trimestre imediatamente anterior. Mas o emprego com carteira assinada, nesta mesma comparação, caiu 1,4%. O que ajudou a segurar a taxa acabou sendo ainformalidade, com crescimento de 2,2% no emprego sem carteira no setor privado.

Nesta categoria, foram 221 mil vagas, compensando parte dos 479 mil postos fechados com carteira assinada no setor privado. Contribuiu, ainda, a criação de 218 mil vagas na categoria trabalho por contra própria, que inclui desde microempreendedores individuais até camelôs, por exemplo. Embora considerado formal - pois há contribuição previdenciária na modalidade autônomo - o trabalho por contra própria é frequentemente a alternativa de renda daqueles que não encontram emprego.

A deterioração do mercado de trabalho brasileiro é o principal argumento do governo para o avanço de medidas que retiram direitos dos trabalhadores e flexibilizam as relações de trabalho. O texto da reforma altera profundamente as relações trabalhistas no Brasil, ao regulamentar o trabalho intermitente, acabar com a contribuição sindical, enfraquecer Justiça do Trabalho e fazer acordos coletivos prevalecem sobre a legislação. Um conjunto de medidas visto como um importante desestímulo à formalização de postos de trabalho.

“Quando há sinais de recuperação econômica, mesmo que tímido, há um aumento do trabalho informal num primeiro momento. O empregador não quer correr o risco. Só diante de sinais bem claros de retomada a carteira assinada se recupera”, afirma o professor Claudio Dedecca, do Instituto de Economia da Unicamp.

No entanto, mesmo o trabalho informal, aquele sem a proteção social da carteira de trabalho, está longe de atingir os patamares alcançados antes da crise. Entra então um outro componente importante da estatística, aquela parcela de pessoas que desistiram de procurar emprego ou não trabalham o quanto gostariam.

“A estabilidade é bem-vinda e bem vista, mas não pode ser atribuída apenas ao mercado informal”, pondera o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Ele lembra de uma outra medida, divulgada trimestralmente (a próxima divulgação será em agosto), que é a subutilização da força de trabalho.

Só é considerado desocupado, e entra na estatística de desemprego, quem não está trabalhando, procurou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa e estava apto a começar a trabalhar. Mas existem outras situações medidas.

São considerados subocupados aqueles que trabalham menos de 40 horas por semana e gostariam de trabalhar mais. A força de trabalho potencial é formada por pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuram, ou procuraram mas não estavam disponíveis para trabalhar no momento da pesquisa. Mulheres que estão fora do mercado para cuidar dos filhos, por exemplo, entram nessa conta. A soma desse contingente é o que a economia brasileira desperdiça de mão de obra atualmente.

No primeiro trimestre deste ano, a taxa composta da subutilização da força de trabalho, incluindo os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e aqueles que fazem parte da força de trabalho, ficou em 24,1%, ou 26,5 milhões de pessoas sem trabalho adequado, número bem maior na comparação com os desempregados, 13,8 milhões.

Em relação à taxa combinada de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação, o resultado foi de 18,8%, ou seja, 5,3 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e 14,2 milhões de desocupados. Em 2016 essa taxa foi de 17,2% no quarto trimestre e de 15% no primeiro trimestre.

A taxa combinada da desocupação e da força do trabalho potencial foi de 19,3%, representando 21,3 milhões de pessoas que estão desocupadas ou que gostariam de trabalhar, mas não procuraram trabalho ou não estavam disponíveis. No quarto trimestre de 2016, para o Brasil, essa taxa foi de 17,4% e de 15,4% no primeiro trimestre.

“O movimento atual pode ser indício de retração de procura. O trabalhador desiste de procurar por algum motivo. A estatística da desocupação, para os leigos, é um dado positivo. Mas as medidas de subutilização da força de trabalho podem mostrar que essa estabilidade da desocupação está escondendo um aumento da subutilização da força de trabalho”, explica Azeredo.

Ainda segundo o coordenador do IBGE, a subutilização da força de trabalho não vem acompanhada de um crescimento da ocupação ou do emprego com carteira assinada. “Ela mostra um processo de redução de carteira, aumento do emprego informal e de redução de outra parcela do emprego formal, que é o trabalho por conta própria”, afirma.

Crise e informalidade


Em toda crise é assim: o trabalho formal é o primeiro a retrair. Inicialmente, um empregado demitido recebe suas verbas indenizatórias e, muitas vezes, parte para a informalidade ou para o trabalho por conta própria. A qualidade do emprego cai, afinal, não há os direitos garantidos pela CLT, mas os níveis de ocupação ainda permanecem estáveis.

Apenas num segundo momento o emprego desprotegido começa a sentir os efeitos da crise. Com a roda do consumo girando mais devagar, quase parando, ou girando para trás, o poder aquisitivo cai e nem mesmo a informalidade tem espaço.

É o que acontece nos últimos dois anos, com a perda de 2,7 milhões de postos de trabalho com carteira. Apenas nos últimos 12 meses foram 1,784 milhão de vagas formais a menos - somando setor privado registrado e conta própria - enquanto o setor privado sem carteira assinada criou menos da metade disso, 409 mil vagas. A conta não fecha.

“Isso denota que o estrago da crise, além dela destruir postos de trabalho, reduz de forma drástica o trabalho registrado. O mercado até começa a ganhar emprego informal, mas como a crise é muito forte, nem o emprego informal se sustenta”, explica Azeredo.

Para o professor Dedecca, embora o ciclo de recuperação do emprego comece pela informalidade em todas as crises, certamente a curva agora será mais longa. “Havia uma expectativa, embora lenta, de reaquecimento ainda este ano, com recuperação até 2020. Com a crise política tudo ficou bem mais conturbado. Estávamos em compasso de espera e veio o strike”, afirma, se referindo ao aprofundamento da crise política causado pelasdelações de Joesley Batista. “Num contexto em que a recuperação depende tanto de fatores políticos, o ciclo tende a ser mais longo”, explica o economista.

E a crise econômica associada à política tem um aspecto fundamental, que é a confiança. Diante da incerteza sobre a próprio emprego e a própria renda, o consumo patina, o empresário não contrata. “A percepção de quem é consumidor e de quem é investidor é que faz a gente entrar nesse ciclo”, lembra Cimar Azeredo.

E carteira de trabalho assinada está diretamente relacionada à confiança e segurança. “O que a carteira significa? O trabalhador está recolhendo para a Previdência, para o FGTS, vai ter um plano de saúde, o auxílio transporte, uma série de garantias. E vai dar o principal ao trabalhador: o passaporte ao crédito para fazer o mercado andar. A falta da carteira atinge a estabilidade do empregado”, resume Azeredo.

CartaCapital
Posted: 10 Jul 2017 05:40 AM PDT

Solução “Rodrigo Maia” cresce em Brasília enquanto técnicos preveem paralisação de serviços


AFONSO BENITES
Brasília 

Temer durante encontro do G20, na Alemanha. WOLFGANG RATTAY REUTERS

Nas últimas semanas as polícias Federal e Rodoviária Federal deram os primeiros sinais de que a máquina pública está perto de um colapso. A primeira, suspendeu a emissão de passaportes porque disse que não havia mais dinheiro para cobrir os custos. A segunda, paralisou as atividades em algumas de suas bases operacionais alegando inclusive falta de combustível. Nos próximos meses e até o ano que vem, a tendência é que a maioria dos órgãos públicos registre problemas semelhantes. Com as despesas aumentando e a receita diminuindo (queda de 1,7% neste ano enquanto a economia não reage para deixar a recessão), a expectativa entre analistas é que a gestão Michel Temer (PMDB) passe a lidar com seguidos anúncios de paralisação de serviços. Se fosse um Governo com relativo apoio popular ou político, poderia até sinalizar com reajuste de impostos a curto prazo. Dificilmente o fará, já que corre sério risco de cair por causa da denúncia pelo crime de corrupção que será avaliada na Câmara. As ameaças de debandada do PSDB da base aliada e a alternativa “Rodrigo Maia” como novo presidente-tampão em uma curva ascendente entre políticos e no mercado financeiro mostra que, além de fiscal, a paralisia é também política.

Técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA), da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do Ministério da Defesa já avisaram aos seus superiores que as contas não deverão fechar nos próximos meses. Em se confirmando esse cenário, a grosso modo, a fiscalização de áreas desmatadas, o atendimento às comunidades indígenas e os horários de expediente de algumas unidades das Forças Armadas passarão por mudanças. Queixas semelhantes são ouvidas nas áreas de Educação, Cultura e Ciência. Essas duas últimas registraram neste ano seus menores orçamentos nos últimos dez anos.

A reclamação nas pastas é que o corte orçamentário tem sido tão profundo que até serviços de vigilância e de limpeza de prédios públicos estão sob o risco de serem suspensos temporariamente por falta de recursos. Em março, o Governo Temer fez um contingenciamento de 39 bilhões de reais, diante da previsão de queda na receita. “Esse ano está ruim e ano que vem vai piorar”, disse a economista Esther Dweck , ex-secretária do Orçamento Federal na gestão Dilma Rousseff (PT).

E o que nos trouxe até o atual momento? Para o diretor da Consultoria de Orçamento Fiscalização e Financeira da Câmara, Ricardo Alberto Volpe, e para o diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, os aumentos dos gastos com Previdência e pessoal obrigaram o Governo a cortar despesas em outras áreas. No primeiro caso, da Previdência, uma mudança só ocorreria caso fosse aprovada a reforma das aposentadorias, algo que no atual cenário de crise política está bem distante de ocorrer. Já com relação aos gastos com salários de servidores, tanto Volpe quanto Castello Branco acreditam que as concessões ao funcionalismo extrapolaram o limite aceitável.

“Governos fracos tendem adotar medidas para adoçar alguns setores, como o do funcionalismo. Estamos pagando agora a conta da farra de aumentos salariais do ano passado e da morosidade das reformas”, afirmou o diretor da Contas Abertas. Desde que assumiu a presidência, em maio passado, Temer concedeu uma série de reajustes ao funcionalismo público sob a justificativa de que cumpriria acordos feitos por Rousseff, a qual ajudou a derrubar da cadeira presidencial. “Nos piores dos casos os reajustes foram de 5%, com a inflação na casa dos 3,5% todo mundo teve aumento real”, ponderou o diretor da consultoria da Câmara.

Sem impostos


De janeiro a maio deste ano as despesas com pessoal do Governo central subiram 11,8%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os benefícios previdenciários cresceram 7,2%. E na área de assistência social, 10,1%. Tudo acima da inflação. “Muitos órgãos estão com funcionamento no osso. Algumas políticas terão de ser deixadas de lado”, afirmou Volpe.

No próximo dia 22, a Secretaria de Orçamento Federal deverá lançar seu quarto relatório de despesas e receitas do ano. Nele será possível ter um cenário mais claro do tamanho do rombo. Há técnicos que acreditam que o Governo terá de rever o déficit orçamentário anual para 2017, hoje previsto em 139 bilhões de reais. No mês passado, as consultorias de orçamento da Câmara e do Senadoelaboraram um documento no qual alertavam que, se a situação não fosse alterada, no fim do ano o Governo Temer não cumpriria sua meta anual. Na ocasião, o mercado já esperava um aumento do déficit para 148 bilhões de reais.

Sem capital político para bancar um aumento de impostos, o Governo deverá contar com receitas extras que podem gerar ao menos 10 bilhões de reais. Neste montante estão inclusos os recursos dos precatórios não sacados nos últimos dois anos (aprovado na quinta-feira pelo Senado), um novo programa de refinanciamento de dívidas de grandes empresas (o Refis) e o Funrural (que também trata de benefícios a devedores, só que apenas produtores rurais). Essas últimas medidas eram usadas como moedas de troca por Temer para manter sua base no Congresso Nacional.

Alternativa Maia


Algo comum em momentos de crise são as disputas entre as áreas políticas e econômicas nas quais os responsáveis pelas finanças defendem mais cortes e os que buscam apoio popular e congressual querem que aumente o investimento. Essa primeira queda de braço foi vencida pela equipe econômica que barrou neste ano reajustes no programa Bolsa Família (que transfere renda a cidadãos mais pobres), assim como no Minha Casa Minha Vida (o programa de habitação popular do Governo). Além disso, o Governo já flerta com mudanças no seguro desemprego, por entender que essa área está deficitária. “Não resta dúvida de que há uma queda de braço interna no Governo. Mas, pelo que se analisa hoje, o cenário é o de que vão tirar o grupo político atual e colocar outro, desde que preservada a equipe econômica”, afirmou Dweck.

Em Brasília, nas principais rodas de políticos o assunto é a substituição de Temer pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati, afirmou que o país caminha para a “ingovernabilidade” e reforçou que Maia seria uma das alternativas para governar o país. Caso a Câmara autorize que o Supremo Tribunal Federal julgue o peemedebista pelo crime de corrupção passiva, e os magistrados dessa Corte o transformem em réu, ele é automaticamente afastado do cargo por até seis meses. Nesse período, Maia é quem assume o Executivo.

Maia disse na sexta-feira em um evento em Buenos Aires que tudo é especulação. “Aprendi em casa a ser leal, a ser correto, e serei com o presidente Michel Temer sempre", afirmou. O burburinho em torno do seu nome, porém, não cessa. Neste domingo, o presidente da Câmara teve encontro com Temer na residência do mandatário, o Palácio do Jaburu. Na pauta, o crucial cronograma de tramitação da denúncia contra Temer, uma batalha que o Planalto gostaria de vencer ainda em julho, mesmo que seja preciso adiar o recesso parlamentar previsto para o dia 18. O processo dará mais um passo nesta segunda. A partir das 14:30, o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresentará o seu relatório na Comissão de Constituição e Justiça sobre o pedido de abertura de processo contra o presidente. Se seu parecer for mesmo favorável à ação, como se diz no momento nos bastidores, será um revés importante para o Governo. Mais um.

O clima geral em Brasília pode ser ilustrado por um vídeo divulgado pelo senador neo-oposicionista Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos mais experientes operadores políticos da capital: "O Governo Temer conseguirá a proeza de ser o refundador do caos", diz ele, na peça, citando a crise financeira na máquina pública e numa provável referência aos últimos dias da gestão Dilma Rousseff. Seja quem for o mandatário nos próximos meses, o certo é que a perspectiva não é de céu de brigadeiro.

EL PAÍS Brasil
Posted: 10 Jul 2017 05:23 AM PDT
O músico Hamilton de Holanda, um dos mais respeitados no exterior, é o entrevistado de hoje (10) do programa Conversa com Roseann Kennedy, às 21h30, na TV Brasil.

Hamilton conta que aprendeu a tocar antes de ser alfabetizado. Ele alcançou projeção tocando um bandolim diferente, criado por ele, que ao em vez de oito, tem dez cordas. Tudo isso para expandir os horizontes musicais e dar uma voz protagonista ao choro, que ele considera sua língua materna.

“Quando eu comecei a tocar eu era muito pequeno. Eu nem lia, nem escrevia ainda e já comecei a tocar bandolim. Foi uma coisa que me pegou sem explicação”. Para Hamilton, o ambiente familiar exerceu forte influência em sua formação. “Meu pai é músico, meu irmão também, então a gente teve um ambiente musical muito agradável em casa. Ganhei o meu primeiro violãozinho quando eu tinha 5 anos de idade”.
Roseann Kennedy entrevista o músico Hamilton de HolandaDivulgação/EBC

Mesmo num ambiente favorável dentro de casa, Hamilton conta que também enfrentou dificuldades quando o assunto foi a escolha da música como carreira. “Em casa, a minha mãe tinha medo, não queria que eu fosse músico. Por causa da instabilidade da profissão, que existe. Mas qualquer outra profissão, tem isso também. Depois eu fui crescendo e vi que na verdade se você se dedica, você estuda, você tem boas conexões, você pode se dar bem em qualquer profissão.”

Hoje ele se orgulha da carreira e diz que conseguiu passar para os filhos a paixão, a emoção e o bem que a música pode fazer na vida das pessoas.

Admirador das obras de grandes compositores como Pixinguinha, Baden Powell, Hermeto Pascoal, Raphael Rabello e Chico Buarque, Hamilton acredita que a miscelânea cultural é o que melhor define a riqueza da música brasileira. “A nossa natureza é a mistura”. E é enfático ao definir o papel que as melodias e composições tem em sua vida: “Pra mim, a música é praticamente uma religião. É como eu me comunico com as pessoas, é como eu agradeço, como eu faço as minhas orações. A música é trabalho, a música é educação. A música não é só o trabalho em si ela é tudo isso. E eu tento viver isso na plenitude”.

Edição: Carolina Pimentel

Agência Brasil 
Posted: 10 Jul 2017 05:17 AM PDT


O Domingo Sangrento, ou o Domingo Sangrento de Belfast, ocorreu no dia 10 de julho de 1921, na Irlanda do Norte, durante a Guerra da Independência irlandesa. Durante quatro dias, 22 pessoas morreram.

A Guerra de Independência da Irlanda, ou Guerra Anglo-Irlandesa, foi travada entre 1919 a 1921 entre o Exército Republicano Irlandês (da sigla em inglês IRA), as forças da auto-proclamada República da Irlanda, contra o Exército Britânico. A luta ficou concentrada na região sul do país, na área de Munster, em Dublin e em Belfast, no norte. Nestes locais, ocorreram até 75% das mortes desta guerra. Em Belfast, o conflito teve um caráter também religioso, revelando um ódio entre católicos e protestantes.

O conflito chegou a uma trégua em 11 de julho de 1921, quando foi acordado um cessar-fogo. Em maio, a Irlanda foi oficialmente dividida em duas. Seis seis condados da Irlanda do Norte permaneceram ligados ao Reino Unido. Um acordo final entre britânicos e irlandeses, chamado Tratado Anglo-Irlandês, foi firmado em 6 de dezembro de 1921. A partir daí foi criado o Estado Livre Irlandês.

A história da Irlanda no século XX foi marcada por vários conflitos e lutas, desta maneira houve mais de um "Domingo Sangrento" - na realidade, foram quatro trágicos dias como este. Além de Belfast-1921, há o Domingo Sangrento de Dublin-1913, Dublin-1920 e Derry-1972. Estes dias marcaram muito a população irlandesa, pois o descanso aos domingos é uma tradição fortemente respeitada neste país - em especial pela forte religiosidade - então eventos violentos em um domingo costumam permanecer na memória popular. Além disso, na maior parte desses massacres houve uso da violência de forças inglesas contra civis irlandeses. O último Domingo Sangrento, por sinal, foi eternizado na famosa música "Sunday Bloody Sunday" (1983) do álbum War da banda irlandesa U2.

History
Posted: 10 Jul 2017 05:00 AM PDT


O Globo





Manchete : Aliados avaliam ser difícil vitória de Temer na CCJ


Parecer de Sergio Zveiter pela aceitação da denúncia é tido como certo

Expectativa é por relatório técnico, sem juízo político, duro de ser contestado na votação. Tucanos acham que posição favorável à investigação seria a senha para sair do governo. Temer se reúne com líderes para evitar derrota

Caciques do PMDB e aliados do governo dão como certo que o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) apresentará hoje, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), parecer favorável à aceitação da denúncia contra o presidente Michel Temer, por corrupção passiva.

A expectativa de políticos do entorno do presidente é que o relatório de Zveiter tenha caráter técnico e fortes argumentos jurídicos, sem juízo político da conduta de Temer, tornando difícil que os integrantes da CCJ votem contra o parecer.

A cúpula do PSDB se reúne hoje para decidir a postura em relação ao governo e avalia que a aceitação da denúncia pode ser a gota d'água para deixar a base. Temer passou o domingo em reuniões no Jaburu e no Alvorada montando uma estratégia para evitar a derrota. (Págs. 3 a 5)



Ricardo Noblat


Temer ‘pedalou’ a moral. (Pág. 2)


Cais do Valongo é patrimônio mundial


A Unesco tornou o Cais do Valongo, na Gamboa, Patrimônio Mundial Cultural. Com a medida, autoridades brasileiras se comprometem a preservar o lugar, onde dois milhões de escravos vindos da África aportaram no século XIX. Paisagem da cidade já tem o título. (Págs. 6 A 8)



Rio terá aportes de R$ 8,2 bi


De olho na recuperação da indústria do petróleo, empresas privadas programam investir mais R$ 8,2 bilhões em projetos na Região dos Lagos e no Norte Fluminense. Enquanto isso, Itaboraí já vive a expectativa de retomada do Comperj. (Págs. 15 e 16)


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O Estado de S. Paulo





Manchete : Temer já espera parecer a favor de denúncia na CCJ


Relatório de Sérgio Zveiter será lido hoje na comissão; presidente se reuniu com Maia, Eunício e líderes da base

O Palácio do Planalto e seus aliados dão como certo que o relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresente parecer favorável à denúncia contra o presidente Michel Temer por crime de corrupção passiva. O relatório será lido hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. "Quem vai dar a solução para o problema e para a população é o plenário", afirmou Zveiter ontem, reiterando que seu voto será "totalmente isento".

Em articulações para assegurar os votos necessários na CCJ e no plenário, Temer recebeu ontem os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), líderes governistas e ministros. O líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), afirma que Temer terá mais de 40 votos na CCJ – são necessários 34. Enquanto isso, a oposição tenta atrasar o cronograma e forçar o desgaste do governo. (Política / Pág. A4)



Saída da base é questão de semanas, diz Alckmin


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou ontem não ver motivo para o PSDB permanecer no governo Temer após a votação das reformas. "Depois disso, eu vejo que não há nenhuma razão para o PSDB participar do governo. É questão de semanas", disse. Hoje, lideranças tucanas se reúnem para discutir o possível desembarque. A votação da reforma trabalhista está prevista para amanhã no Senado. (Política / Pág. A6)


Trabalhador paga por má gestão e desvio em fundos


Cerca de 142 mil funcionários e aposentados da Caixa e dos Correios têm descontos no contracheque para cobrir rombos dos fundos de previdência complementar Funcef e Postalis. Para reduzir o déficit da Petros, 77 mil trabalhadores da Petrobrás passarão a contribuir. Maria Augusta dos Santos, de 86 anos, é uma das que pagam a conta por má gestão e desvios. "Não tenho culpa que houve roubo", lamenta a ex-funcionária da Caixa. (Economia / Pág. B4)


Unesp investiga cor de alunos cotistas


A Unesp vai averiguar se alunos cotistas acusados de fraudes são realmente pretos ou pardos como declararam. (Metrópole / Pág. A11)



Cida Damasco


A economia tem um longo caminho até se ajustar. Com Temer ou com Rodrigo Maia. (Economia / Pág. B6)


Mais de 100 mil pacientes salvos


Transplantes

A Central de Transplantes de São Paulo, que comemora 20 anos, já ajudou a salvar mais de 100 mil pacientes. O número total de transplantes por ano cresceu 890%, mas ainda é baixo. No caso de Luiza, 10 meses, o doador foi seu pai. (Metrópole / Pág. A12)


Saneamento pode atrair até R$ 35 bi (Economia / Págs. B1 e B3)





PGR quer ‘cérebro’ da Lava Jato suíça (Política / Pág. A8)





Unesco. Cais do Valongo, no Rio, é declarado patrimônio mundial. (Pág. A12)





NOTAS & INFORMAÇOES


O necessário prumo

Os únicos que não podem se queixar da instabilidade do governo são justamente os tucanos, pois são eles também responsáveis por tal situação. (Pág. A3)

A lógica torpe do petismo

O PT mostra que não aprendeu nada com os erros cometidos quando esteve no poder. (Pág. A3)



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Folha de S. Paulo





Manchete : Perda dos poupadores será paga com desconto


Acordo no STF não incluirá todos os prejudicados por planos econômicos

Um acordo definitivo para a reposição de perdas das cadernetas de poupança provocadas por planos econômicos deverá estar fechado até o início de agosto.

Conduzida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, a negociação não incluirá todos os prejudicados pelos pacotes de combate à inflação lançados pelo governo nas décadas de 1980 e 1990.
Nos cálculos da equipe econômica, os bancos teriam de desembolsar cerca de R$ 50 bilhões se tivessem de indenizar todos os afetados, que somam 1,1 milhão.

O acordo tende a envolver, basicamente, os poupadores cobertos por ações coletivas, reduzindo a disputa a R$ 11 bilhões. Mesmo sobre esse montante, haverá descontos e parcelamentos.
Não estão definidos os índices para o abatimento dos valores a serem pagos. Em ações julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça, as taxas chegaram a 65% sobre os juros acumulados. No STF, porém, o acerto pode ter condições diferentes.

Cerca de 70% dos desembolsos estarão a cargo da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, estatais. A pedido da CEF, a Advocacia-Geral da União encarregou-se da mediação dos entendimentos a partir de setembro do ano passado. Com a esperada homologação do acordo, centenas de ações públicas serão automaticamente canceladas.

A iniciativa contou também com o apoio do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Folhainvest Pág. 1



Maia não garante que denúncia seja votada neste mês


O presidente Michel Temer (PMDB) não obteve garantias de que a acusação de corrupção apresentada pela Procuradoria-Geral da República vá ser votada pela Câmara dos Deputados antes do recesso de julho.

Durante encontro no Palácio do Jaburu, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não se comprometeu a acelerar a tramitação da denúncia. (Poder A4)



Ninguém mais aguenta as turbulências desse governo


ENTREVISTA DA 2a :; RENAN CALHE1R0S

Apeado há pouco da liderança do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) diz haver um “sentimento de que o governo já foi”. Ele considera que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ê alternativa para uma “inevitável travessia”.

Alvo de investigações e denúncia na Lava Jato, o senador afirma que faltam provas contra ele. (Pág. A20)


Falta de dados dificulta políticas públicas para o crack em capitais (Cotidiano B1)





Editoriais


“Dissonância na equipe”, sobre declarações do presidente do BNDES, e “Venezuela em transe”, acerca de escalada de violência no país. (Opinião A2)



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Mídia

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