quarta-feira, 12 de julho de 2017

12/7 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 12 Jul 2017 05:44 AM PDT

"Em vez de um pacto social, o que a nova legislação promoverá será um boom nas ações trabalhistas por todo o país. A reconquista dos direitos perdidos trará de volta as grandes batalhas campais dos primórdios do capitalismo", prevê o jornalista Luis Nassif




247 – O jornalista Luis Nassif avalia que a reforma trabalhista encomendada por setores empresariais à oligarquia política que promoveu o golpe de 2016 não terá qualquer efeito positivo no mercado de trabalho.

"Nenhuma multinacional racional irá aportar por aqui por conta das mudanças na legislação trabalhista. Ainda há uma Justiça do Trabalho a zelar por pontos centrais. Qualquer forma de precarização do trabalho, por si, abre espaço para novas demandas trabalhistas, independentemente do que reza a lei", diz ele.

"Em vez de um pacto social, o que a nova legislação promoverá será um boom nas ações trabalhistas por todo o país. A reconquista dos direitos perdidos trará de volta as grandes batalhas campais dos primórdios do capitalismo."

Brasil 24/7
Posted: 12 Jul 2017 05:36 AM PDT

Para pesquisadora, movimentos de direita usaram discurso anticorrupção como pretexto político para agenda neoliberal

Rafael Tatemoto


Brasil de Fato

Pato da Fiesp, símbolo das manifestações pela impeachment de Dilma Rousseff (PT) / Ayrton Vignola/Fiesp/Divulgação


Em meio a escândalos de corrupção que envolvem diretamente o presidente Michel Temer (PMDB), uma pergunta ronda a cabeça de muitas pessoas: por que as manifestações de rua contra a corrupção cessaram?

Algumas respostas já apareceram. Em declarações ao jornal Valor Econômico, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), foi objetivo ao comparar o cenário atual à conjuntura passada: “Não é a mesma circunstância. É diferente. O PSDB tem quatro ministros de Estado. O PSDB não tinha ministros no governo do PT”.

O cantor Lobão, um dos ícones das manifestações em defesa do golpe contra Dilma Rousseff (PT), foi na mesma linha: “Mesmo se [Temer] fez falcatrua, se está todo ligado à rede de corrupção, respeitem a interinidade. A economia pela primeira vez tem inflação negativa, depois de 11 anos. Então deixem o cara terminar”, disse à Folha de S.Paulo.

Onde, então, foi parar o discurso “não temos bandidos de estimação” dos protestos convocados por movimentos de direita? Para Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que faz pesquisas sobre manifestações no Brasil desde os protestos de junho de 2013, organizações como o Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua utilizaram o discurso sobre a corrupção apenas como pretexto para atingir seus objetivos políticos. Segundo ela, a mobilização deste argumento, no atual contexto, tem gerado dificuldade para esses coletivos se posicionarem.

“Supunha-se que a corrupção era o lema principal da luta deles. Depois de obtido o impeachment de Dilma Rousseff, viu-se que não era”, afirma, com base em pesquisas de campo conduzidas na universidade. Um dado apontado a partir de tais levantamentos indica que, atualmente, há divergências entre as direções dos movimentos e os participantes das manifestações.

Confira abaixo a entrevista:

Brasil de Fato: Passado o processo de impeachment, como é possível qualificar o posicionamento daqueles favoráveis à saída de Dilma em relação ao governo Temer?
Esther Solano: O que a gente observa nos dados é que há uma divergência muito clara entre os movimentos que convocaram as manifestações e as pessoas que foram.

O mais importante para mim é que os movimentos que convocaram são claramente a favor de uma agenda neoliberal. É claro que não vão se posicionar muito contra o governo Temer, já que ele está fazendo o que eles querem: reforma trabalhista, da Previdência, PEC 241 [que definiu um teto para os gastos públicos]. Esses movimentos defendem o Estado mínimo. Os dados indicam que as pessoas que vão para rua não querem essas reformas. É possível ver a diferença entre o objetivo político desses movimentos, seu programa neoliberal, e as pessoas que vão para rua indignadas com a corrupção, mas não querem as reformas.

São grupos com agenda política definida e que souberam estrategicamente capitalizar um sentimento na população. Houve um potencial muito grande em 2013 que eles canalizaram. De outro lado, há um cenário internacional que favorece o discurso de austeridade. Foram vários fatores [que levaram ao seu sucesso].

Há diferenças entre esses movimentos?
O Vem Para Rua é neoliberal, mas ele já percebeu que não pode se colocar assim em público, defende nos bastidores. Ele simplesmente ignora essa pauta e continua na questão da corrupção.

O MBL faz o contrário. Defende as reformas, as privatizações, o Estado mínimo. Ele coloca isso na sua página. Os próprios seguidores reagiram muito mal e questionaram. É claro, porque impacta a classe média.

E o que explica a ausência de manifestações de rua contra Temer por parte destes setores?
Há uma coisa muito interessante, que é o antipetismo. A gente perguntou: por qual razão vocês vão à rua?. Muitas pessoas, nos questionários, repetem à exaustão que se denominam antipetistas. Mesmo que a pessoa saiba que o Temer é corrupto, o PSDB também, ela pensa que os partidos são corruptos, mas o sentimento fundamental é de rejeição ao PT. Foi um sentimento muito bem explorado pelos movimentos.

A gente viu, em 2013, muita indignação social. A esquerda, na minha opinião, não soube muito bem fazer a leitura, canalizar [esse sentimento]. Os movimentos de direita souberam muito bem canalizar esse descontentamento, essa insatisfação, no antipetismo. O antipetismo, de alguma forma, foi a força mobilizadora que os unificou.

Não é possível dizer que há um aspecto material, da dinâmica de classes, nesse posicionamento?
Tem aspectos materiais e aspectos, eu diria, até mesmo psicológicos da classe média. Quando a gente faz a entrevista, muitas vezes aparece um argumento: 'Nós, a classe média, somos os pagadores de impostos - há sempre essa visão clientelista do Estado -, mas o PT governou para quem? Para os mais ricos e os mais pobres'. Eu digo que há um sentimento de 'orfandade' da classe média.

Outra coisa importante é que nas 'manifestações verde e amarelo', nós perguntamos muito sobre as políticas de mobilidade social: cotas, Bolsa Família. Perguntamos até sobre o Mais Médicos. Cerca de 80% das pessoas eram contra essas políticas. Aí é possível observar que há um componente de classe, de fato. Por que ser contra essas políticas? Há essa ideia de rejeitar a mobilidade social de quem está embaixo. A classe média não se sentiu contemplada, se sentiu traída. Aí tem uma questão muito emocional também.

Mesmo com essa divergência, não há, de outro lado, uma referência nesses grupos que permanece?
Totalmente. Eles são a referência. Já me perguntaram "e se a esquerda puxasse atos contra a corrupção do Temer?". Não valeria. Para eles, um ato puxado pela CUT, pelas Frentes, não seria uma referência. Quem saiu de verde e amarelo não vai sair à rua em uma manifestação convocada pela CUT. Mesmo com as divergências, esses movimentos são a referência para mobilização. Quando estes não convocam manifestações, eles não saem à rua, não reconhecem outros mobilizadores como legítimos.

Os próprios seguidores do MBL criticaram muito a proximidade com o Temer. Mas na hora de convocar manifestações, parece que ninguém está ligando muito.

Há outra questão: As pessoas não querem mais ir para rua em nome da 'estabilidade', porque, para eles, o Temer seria o único que poderia colocar o país um pouco nos trilhos até 2018. Elas têm esse argumento. 'É melhor não sair às ruas agora e [seguir] até 2018'. Não era um argumento com a Dilma, mas agora é.

Em suma, pode-se afirmar que há uma mudança no discurso desses novos grupos de direita após o impeachment?
Mudou. Supunha-se que a corrupção era o lema principal da luta deles. Depois de obtido o impeachment de Dilma Rousseff, viu-se que não era. O nível de mobilização caiu muito. A última manifestação foi em março, em defesa da Lava Jato, e foi muito mais a favor da operação do que contra o PMDB ou Temer. São coisas sutis, mas importantes. O nível de mobilização é praticamente inexistente.

A gente fala que foi um populismo de direita, que se baseia na luta contra a corrupção, uma coisa muito vazia. O que significa lutar contra a corrupção? É um mantra, chama atenção e é apelativo, mas que no fundo, é muito vazio. Esses grupos se apropriaram desse populismo de direita para atingir objetivos claramente políticos. Eu resumiria dessa forma.

O "manifestante verde e amarelo" pensa que todo mundo é corrupto, mas é pragmático. Há alguma tendência de como ele irá se comportar em 2018?
Esse cara que pensa que todo mundo é corrupto, mas age pragmaticamente, tem uma boa chance de votar em pessoas que se apresentem como outsiders, de fora da política. Por exemplo: [o prefeito de São Paulo João ]Doria ou [Jair] ]Bolsonaro.

A ideia da corrupção sempre existiu. A diferença é que hoje ela é explorada política e eleitoralmente por um discurso antipolítico. "Não sou político, sou gestor". O sentimento de que ninguém presta desemboca para um sentimento antipolítica, que beneficia os políticos que se apresentam como novos ou diferentes, mesmo que não sejam. Talvez a tendência em 2018 seja favorecer esse tipo de político. Isso também é a dinâmica eleitoral global.

Mesmo com essa relutância em atacar Temer, o discurso anticorrupção não permanece de alguma forma no debate político brasileiro?
Além do populismo político, há também um populismo jurídico. A gente sabe como a Lava Jato está se organizando. Na verdade, temos um poder político e um poder jurídico que se utiliza da luta contra corrupção como instrumento para atingir seus objetivos políticos.

Edição: Vanessa Martina Silva

Brasil de Fato
Posted: 12 Jul 2017 05:27 AM PDT

Para auditora fiscal do trabalho, anúncio que oferece moradia em troca de ajuda com o filho é uma 'gravíssima infração trabalhista'.


Luiza Belloni
Repórter de Notícias no HuffPost Brasil


Um anúncio que oferecia moradia compartilhada "sem custos" em troca de ajuda com cuidados de uma criança de sete anos acendeu debate sobre trabalho escravo no último fim de semana. A proposta ressaltava como pré-requisito gostar de criança, saber cozinhar e manter a casa organizada. "Você terá que dar almoço e colocá-lo no transporte escolar", finaliza a oferta.

DIVULGAÇÃO



A proposta recebeu muitas críticas e a designer Patrícia Malizia, de 44 anos, foi acusada de modernizar o conceito de "trabalho escravo" ao "gourmetiza-lo", utilizando frases de empoderamento feminino, como "Juntas somos mais fortes!".


Afinal, dar moradia em troca de alguma atividade é considerado trabalho escravo?

A resposta não é simples.

"Da forma como foi publicada, a proposta seria enquadrada como trabalho escravo? Depende. A moradia é em área urbana, com endereço certo, a pessoa está convidando - inclusive, relata as infrações que vai cometer, mesmo sem ter ciência disso - e é uma proposta voluntária", explica Vera Jabotá, diretora do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho.


A autditora, entretanto, destaca que há vários indicativos no contexto que podem gerar um trabalho análogo ao escravo."Para falar no trabalho escravo, tem que falar do contexto", destaca.


Apesar da ressalva, a auditora não vê indícios de trabalho escravo, mesmo que designer tenha cometido uma grave infração trabalhista.

Para ela, a Justiça poderia, no máximo, frear essa oferta, por se tratar de algo ilegal. "O que o anúncio oferece está erradíssimo, não se pode contratar trabalho e pagar com casa, comida e roupa lavada. É uma infração trabalhista grave. Mas dificilmente se enquadraria em uma relação análoga à escrava."

Jabota, entretanto, argumenta que é perceptível um nível de vulnerabilidade da pessoa que poderia aceitar a troca. A auditora explica que há indicativos para classificar uma forma de travalho como escravo

Segundo ela, alguns desses requisitos são: vigilância armada, jornada exaustiva em um expediente penoso, sem descanso, com péssimas condições de alojamento, no qual trabalhadores dividem o mesmo espaço com muitas pessoas ou animais, sem condição de higiene nem saneamento básico.

"Hoje, trabalho escravo não é só infração, é crime. É crime alguém ter vantagens econômicas em cima da precarização e exaustão extrema de um trabalhador."

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a designer afirmou que não foi esta a intenção ao anunciar esta proposta.

"A ideia é ajudar, não é escravizar ninguém", disse no domingo (9). "Ninguém sabe o que passa na minha vida, ninguém paga os meus boletos ou sabe dos quase 30% de aumento que tive na minha assistência saúde. Virei uma sinhá no Facebook".

Banalização


A auditora acrescenta que tentar banalizar o conceito, uma vez considerando todas as condições precárias de trabalho ou forma de pagamento, pode acabar banalizando este tipo de crime, que ainda ocorre em fazendas e indústrias de confecções no interior e nas capitais do Brasil. "Se [trabalho escravo] for tudo, não é nada".

As pessoas precisam conhecer mais os limites do dispor das pessoas. A precarização do trabalho cria um ambiente em que tudo é possível. E é isso que tem que ser evitado.

Como a "contratação" não aconteceu, a melhor abordagem neste caso seria um trabalho educativo, e não uma sanção. Segundo Jatobá, medidas educativas são importantes, sobretudo para os trabalhadores, que muitas vezes aceitam estas condições sem ter ciência de seus direitos.

"Essas pessoas vulneráveis precisam ter oportunidade de ser devidamente instruídas na sociedade, quais são seus direitos garantidos e, principalmente, saberem que o ciclo civilizatório não permite mais esse tipo de trabalho."

Progresso, aos trancos e barrancos


Só em 1994 que o Brasil começou a debater e combater abertamente o trabalho escravo no Brasil. Por acontecer, na maioria das vezes, em áreas remotas, como em grandes fazendas, essa prática era pouco conhecida pela população. Desde então, foram criadas leis e punições contra ruralistas e empresários que enriqueciam às custas destes trabalhadores.

Outra iniciativa é a Lista Suja, que expõe empresas que exploram trabalhadores ou utilizam produtos e serviços de empreendimentos que usam mão de obra escrava.

Contudo, os últimos anos mostraram um regresso na luta contra a contratação de mão de obra escrava. Em 2015, foram libertados 1.010 trabalhadores e, em 2016, foram apenas 660.

"Vimos o empresariado rural se fortalecendo no Congresso, com a bancada ruralista defendendo seus interesses. Além disso, nos preocupamos com a reforma trabalhista, principalmente, por desamparar os trabalhadores rurais. O números de auditores fiscais do trabalho diminuiu desde 2016 e faltam recursos para realizarmos nosso trabalho", lamentou a diretora do Sinait.

HuffPost Brasil


Posted: 12 Jul 2017 05:19 AM PDT

Texto-base do projeto que altera mais de 100 artigos da CLT foi aprovado com 50 votos favoráveis e 26 contra


Lula Marques / AGPT Senadores da oposição ocuparam a Mesa da Casa na sessão desta terça 11


Prioridade do governo e do mercado, mas rechaçada pela maioria da população, a reforma trabalhista foi aprovada pelo plenário do Senado nesta terça-feira 11 e segue agora para a sanção presidencial. O projeto que altera mais de 100 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho recebeu 50 votos favoráveis e 26 contra. Houve apenas uma abstenção.

De volta ao cargo e com denúncia no Conselho de Ética arquivada, Aécio Neves encabeça a lista dos votos favoráveis ao projeto que flexibiliza a jornada, regulamenta contratos de trabalho parciais, intermitentes e temporários e limita a atuação da Justiça do Trabalho e de seu acesso pelos trabalhadores.

A base do PSDB e do PMDB votou majoritariamente a favor da reforma, com exceção ao tucano Eduardo Amorim e aos peemedebistas Roberto Requião, Eduardo Braga, Kátia Abreu e Renan Calheiros.

No campo dos senadores que votaram contra a proposta, incluem-se principalmente integrantes do PT e dos partidos do campo progressista, além de nomes como ex-presidente Fernando Collor e Romário.

Saiba como votaram os senadores na sessão plenária:

Aécio Neves (PSDB-MG): SIM

Airton Sandoval (PMDB-SP): SIM

Alvaro Dias (PODE-PR): NÃO
Ana Amélia (PP-RS): SIM

Ângela Portela (PDT-RR): NÃO
Antonio Anastasia (PSDB-MG): SIM

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE): NÃO
Armando Monteiro (PTB-PE): SIM

Ataídes Oliveira (PSDB-TO): SIM

Benedito de Lira (PP-AL): SIM

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB): SIM

Cidinho Santos (PR-MT): SIM

Ciro Nogueira (PP-PI): SIM

Cristovam Buarque (PPS-DF): SIM

Dalirio Beber (PSDB-SC): SIM

Dário Berger (PMDB-SC): SIM

Davi Alcolumbre (DEM-AP): SIM

Edison Lobão (PMDB-MA): SIM

Eduardo Amorim (PSDB-SE): NÃO
Eduardo Braga (PMDB-AM): NÃO
Eduardo Lopes (PRB-RJ): SIM

Elmano Férrer (PMDB-PI): SIM

Fátima Bezerra (PT-RN): NÃO
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE): SIM

Fernando Collor (PTC-AL): NÃO
Flexa Ribeiro (PSDB-PA): SIM

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN): SIM

Gladson Cameli (PP-AC): SIM

Gleisi Hoffmann (PT-PR): NÃO
Humberto Costa (PT-PE): NÃO
Ivo Cassol (PP-RO): SIM

Jader Barbalho (PMDB-PA): SIM

João Alberto Souza (PMDB-MA): SIM

João Capiberibe (PSB-AP): NÃO
Jorge Viana (PT-AC): NÃO
José Agripino (DEM-RN): SIM

José Maranhão (PMDB-PB): SIM

José Medeiros (PSD-MT): SIM

José Pimentel (PT-CE): NÃO
José Serra (PSDB-SP): SIM

Kátia Abreu (PMDB-TO): NÃO
Lasier Martins (PSD-RS): SIM

Lídice da Mata (PSB-BA): NÃO
Lindbergh Farias (PT-RJ): NÃO
Lúcia Vânia (PSB-GO): ABSTENÇÃO

Magno Malta (PR-ES): SIM

Maria do Carmo Alves (DEM-SE): SIM

Marta Suplicy (PMDB-SP): SIM

Omar Aziz (PSD-AM): SIM

Otto Alencar (PSD-BA): NÃO
Paulo Bauer (PSDB-SC): SIM

Paulo Paim (PT-RS): NÃO
Paulo Rocha (PT-PA): NÃO
Pedro Chaves (PSC-MS: SIM

Raimundo Lira (PMDB-PB): SIM

Randolfe Rodrigues (REDE-AP): NÃO
Regina Sousa (PT-PI): NÃO
Reguffe (S/Partido-DF): NÃO
Renan Calheiros (PMDB-AL): NÃO
Ricardo Ferraço (PSDB-ES): SIM

Roberto Muniz (PP-BA): SIM

Roberto Requião (PMDB-PR): NÃO
Roberto Rocha (PSB-MA): SIM

Romário (PODE-RJ): NÃO
Romero Jucá (PMDB-RR): SIM

Ronaldo Caiado (DEM-GO): SIM

Rose de Freitas (PMDB-ES): SIM

Sérgio Petecão (PSD-AC): SIM

Simone Tebet (PMDB-MS): SIM

Tasso Jereissati (PSDB-CE): SIM

Telmário Mota (PTB-RR): NÃO
Valdir Raupp (PMDB-RO): SIM

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM): NÃO
Vicentinho Alves (PR-TO): SIM

Waldemir Moka (PMDB-MS): SIM

Wellington Fagundes (PR-MT): SIM

Wilder Morais (PP-GO): SIM

Zezé Perrella (PMDB-MG): SIM

CartaCapital
Posted: 12 Jul 2017 05:06 AM PDT


Senado aprovou texto tal qual veio da Câmara e agora mudanças vão a sanção presidencial
Vitória não é garantia de alívio da crise de Temer, que prometeu mudar pontos via MP, e terá de enfrentar resistência do presidente da Casa, que nega a possibilidade de alterações

AFONSO BENITES
HELOÍSA MENDONÇA
Brasília / São Paulo

Reforma trabalhista é aprovada no Senado. FOTOS PÚBLICAS


Após uma sessão conturbada, com protestos de senadoras e até luzes apagadas no plenário do Senado, a reforma trabalhista apresentada pelo Governo Michel Temer passou por sua última batalha nesta terça-feira e vai agora para sanção presidencial. Foi uma vitória celebrada pelo presidente que vive seus piores dias no Planalto, acossado por um grave escândalo de corrupção que pode tirá-lo do poder. Os senadores aprovaram, por 50 votos a favor, 26 contra e uma abstenção, o texto que propõe uma profunda mudança na legislação trabalhista. Não houve nenhuma alteração com relação ao já chancelado pela Câmara. Entre as mudanças comemoradas pelo empresariado e criticadas por líderes sindicais e pela oposição, está a prevalência dos acordos coletivos em relação à lei em pontos específicos, ofim da obrigatoriedade da contribuição sindical, obstáculos ao ajuizamento de ações trabalhistas, entre outras alterações.

Mesmo com o encerramento da votação passada as 22 horas, o presidente Temer fez questão de se pronunciar para comemorar o resultado. Disse que a reforma trabalhista aprovada é uma das "mais ambiciosas" dos últimos 30 anos. "Essa aprovação definitiva da proposta é uma vitória do Brasil na luta contra o desemprego e na construção de um país mais competitivo”. Ainda segundo o presidente não haverá "nenhum direito a menos” aos trabalhadores. As alterações aprovadas não retiram direitos previstos na Constituição, mas tornam muitas das prerrogativas que estavam presentes na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1943, negociáveis, às vezes por meio de tratativas diretas entre patrão e empregado. Especialistas dizem que, na prática, essas negociações podem pender a balança contra os empregados, especialmente em contextos de crise e mudanças estruturais dos postos de trabalho.


A aprovação da reforma era um dos principais pontos da agenda de reformas liberais de Temer, que ele diz serem essenciais para desburocratizar os processos de admissão e demissão - uma forte queixa dos empresariado- e reconquistar a credibilidade do mercado. A vitória, no entanto, deve ter pouco impacto no calvário vivido pelo presidente. Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição de Justiça da Câmara retoma a análise do pedido de abertura de um processo penal contra Temer pelo crime de corrupção passiva. A análise da CCJ é um passo prévio para que o tema seja levado ao plenário e depois ao Supremo Tribunal Federal _se tudo der errado para Temer, ele será afastado do cargo por seis meses. Por isso, o Governo vai tentar ao máximo capitalizar a vitória desta terça no Senado enquanto segue com todos os esforços para tentar evitar que a oposição ou aliados interessados em sua queda consigam os 342 votos necessários para autorizar a denúncia. A avaliação que ganha força em Brasília é a de que Temer pode até sobreviver a esse primeiro embate, mas a tarefa ficará muito mais difícil se o procurador-geral da República apresentar nova denúncia contra ele, o que é esperado. A eventual nova denúncia teria de ser analisada também Câmara, num looping da crise.

Acordo e mudanças de MP


Temer usou, até o último minuto, toda sua musculatura política para arrancar a aprovação da reforma trabalhista no Senado. Para isso, usou um operador experiente, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do Governo e também alvo de inquéritos da Operação Lava Jato. Conforme um acordo prévio fechado por Jucá e reiterado por ele nesta terça, alguns pontos da reforma ainda serão alterados por meio de medida provisória. Temer se comprometeu através de uma carta enviada ao Senado, no fim de junho, a fazer os ajustes necessários após a aprovação do projeto. A estratégia visava impedir que as mudanças fossem feitas diretamente no texto, já que o PL teria que voltar para a Câmara dos Deputados, postergando a tramitação da proposta.

A sessão desta terça foi marcada por uma série de tumultos. O acordo prometido para suavizar pontos não foi suficiente para aplacar a resistência da oposição que, sem número suficiente para alterar qualquer ponto em plenário, partiu para táticas inusuais de obstrução respondidas com ações igualmente esdrúxulas por parte do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB). Eunício suspendeu os trabalhos por mais de seis horas e desligou as luzes do plenário, após senadoras da oposição se recusarem a desocupar a mesa da Casa, a fim de impedir que o peemedebista desse início à sessão. Fátima Bezerra (PT-RN), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do partido, pediam alterações no texto, principalmente no que dizia respeito ao ponto da proposta que determina que mulheres grávidas e lactantes poderão trabalhar em ambientes considerados insalubres, desde que apresente um atestado médico.

"Não venha dizer que esse ponto atende a médicas", protestou Vanessa Grazziotin, dizendo que nova regra colocava em risco a vida de operárias grávidas ou amamentando que trabalharão com substâncias impróprias. Coube a Romero Jucá voltar a prometer na tribuna que esse ponto suavizado na prometida Medida Provisória de Temer. Segundo ele, a mulher poderá trabalhar "em área de pequeno, médio ou baixo impacto". E o acordo coletivo de cada categoria, seguiu Jucá, vai fiscalizar o grau de insalubridade das áreas.

As senadoras conseguiram suspender a sessão por mais de sete horas, mas a sessão acabou reaberta pouco depois das 18h30, mesmo com as parlamentares ainda na Mesa. Depois de sancionado pela Presidência da República e publicado no Diário Oficial da União, haverá um prazo de quatro meses para a entrada das novas regras em vigor.ARQUIVADO EM:

EL PAÍS Brasil
Posted: 12 Jul 2017 04:15 AM PDT


Jornal GGN – Depois de um dia conturbado, com tentativas de obstrução das votações por parte das senadoras e senadores contrários à reforma trabalhista, que pediam que fossem debatidos os destaques antes de iniciar a votação, a matéria foi aprovada com 50 votos a favor, 26 contrários e uma abstenção. E o texto que massacra com os direitos trabalhistas não sofreu alterações no Senado, seguindo do jeito que a Câmara dos Deputados desenhou para a sanção de Michel Temer, presidente que só se segura no cargo para aprovar o tema.

As 178 emendas propostas por senadores contrários ao projeto foram rejeitadas. Os destaques apresentados para votação em separado também foram rejeitados. O PT apresentou dois destaques, para que fossem votados em separado, um deles retirando do projeto o trabalho intermitente e o segundo sobre a presença de gestantes e lactantes em locais insalubres. O PSB tentou tirar do projeto a prevalência do negociado sobre o legislado.

Foi um dia tumultuado para o Senado. Por sete horas, um grupo de senadoras tomou a Mesa do Plenário, impedindo que os trabalhos prosseguissem sem que, ao menos, houvesse debate sobre os pontos mais preocupantes da reforma proposta. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) mandou desligar a luz do Plenário bem como os microfones. As senadoras se mantiveram firmes, não arredaram do local.


Durante a tarde, os parlamentares tentaram negociar a retomada da votação. Mas as senadoras resistiram até 18h30, quando os trabalhos foram retomados. Eunício concordou em permitir a votação dos destaques, o que não demorou muito, já que os partidos aliados do governo Temer não baixaram a guarda, e votaram sem muito debater.

Antes da votação final, os parlamentares da oposição tentaram discutir pontos da reforma. Algumas intervenções merecem destaque pela defesa apaixonada dos direitos do trabalhador. Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez uma intervenção apaixonada, dizendo que o que se votava ali era a morte de direitos duramente conquistados, que os senadores eram de uma classe social superior e não tinham simpatia ou empatia pelo sofrimento da classe trabalhadora.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) alertou para a perda de direitos, pois projeto abria a possibilidade de trabalhadores serem substituídos por pessoas jurídicas, inclusive o trabalhador doméstico. Mais um ponto em que direitos seriam perdidos, pois PJ não tem direitos como férias, 13º salário ou mesmo folga remunerada.

Paulo Paim (PT-RS) disse que o momento marcaria para sempre a ferro e fogo, pois jamais será esquecido. Disse que os senadores não poderiam ser Judas nem Pôncio Pilatos, lavando as mãos e dizendo: 'O que a Câmara decidiu, com 200 variações, está decidido, e o presidente de plantão que decida, porque nós vamos nos omitir'.

Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo e relator da reforma trabalhista na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, comemorou o grande feito, garantindo que o Palácio do Planalto vai fazer os ajustes necessários no projeto, por meio de veto ou medida provisória. Segundo ele, o texto promove a geração de empregos. Ele a considera “moderna”.

As senadoras favoráveis ao projeto, Ana Amélia (PP-RS), Marta Suplicy (PMDB-SP), Rose de Freitas (PMDB-ES) e Simone Tebet (PMDB-MS), se manifestaram durante a votação do destaque sobre o trabalho de gestantes e lactantes em locais insalubres. Elas se disseram defensoras dos direitos das trabalhadoras e confiam nas mudanças prometidas por Temer.

GGN
Posted: 12 Jul 2017 04:06 AM PDT


No dia 12 de julho de 1904 nascia em Parral, no Chile, Neftalí Ricardo Eliecer Reyes Basoalto, mais conhecido como Pablo Neruda, poeta, senador chileno, membro do comitê central do Partido Comunista, embaixador do país na França e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971. Neruda teve a sua obra editada em vários países e serviu como referência artística para muitos novos talentos do século XX. Em 1945, mesmo ano em que foi eleito senador no Chile, ele veio ao Brasil e leu o poema “Mensagem” para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Entre sua vasta produção se destacam Crepusculário (1923), Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada (1924), Tentativa del Hombre Infinito (1926), El habitante y su Esperanza (1926), Residencia en la Tierra (1925-1931), España en el Corazón, Himno a las Glorias del Pueblo en la Guerra (1936- 1937), La Espada Encendida, Buenos Aires (1970) e Discurso de Estocolmo (1972). O poeta morreu no dia 23 de setembro de 1973, em Santiago, no Chile.



imagem:via Wikimedia Commons



History
Posted: 12 Jul 2017 03:56 AM PDT

O Globo





Manchete: Nova lei amplia negociação entre patrão e empregado


Para analistas, mudanças na CLT devem elevar geração de emprego

Senado aprova texto por 50 votos a 26. Temer deve vetar artigos para aperfeiçoar regras

Por 50 votos a 26, o Senado aprovou ontem a reforma trabalhista, ampliando os itens da CLT que podem ser negociados entre patrões e empregados, como jornada, parcelamento das férias e compensação de banco de horas. São criadas ainda novas formas de contrato. Por acordo com os senadores, o presidente Michel Temer deverá vetar alguns itens para aperfeiçoar regras, como as da jornada intermitente e de intervalo para almoço. Aguardada pelo setor produtivo, mas criticada pelas centrais sindicais, a reforma tem potencial para acelerar a geração de empregos, afirmam especialistas. (Págs. 19 a 21 e Míriam Leitão)


Temer reforça ofensiva para vencer na CCJ


Após trocar 17 parlamentares na CCJ (dez titulares e sete suplentes), o governo adotou novas estratégias para tentar derrubar o relatório do deputado Sergio Zveiter e rejeitar a abertura do processo contra o presidente Temer. Dirigentes de PMDB, PP e PR, partidos da base de Temer, se reunirão para decidir se fecham questão contra a denúncia da PGR, o que aumentará a pressão sobre os deputados rebeldes. No Planalto, o presidente anunciou um pacote de bondades para agradar a deputados da bancada ruralista e do Nordeste. Sancionou o que os ambientalistas chamam de “MP da Grilagem”, além de parcelar dívidas de prefeituras e adiantar repasses de verbas. A oposição foi ao Supremo contra o troca-troca na CCJ e perdeu. Com tudo isso, o placar na comissão apertou e, ontem, tudo indicava que Temer sairá vitorioso. O PMDB protocolou voto em separado na CCJ, e, vencendo na comissão, tentará levá- lo ao plenário. (Págs. 3 e 4)


Momento Venezuela


O Senado viveu dia de Parlamento venezuelano após as senadoras Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Regina Sousa, do PT, e Vanessa Grazziotin, do PCdoB, tomarem a Mesa para impedir à força a votação da reforma trabalhista. Em ação inédita, elas obstruíram a sessão por quase oito horas, mesmo após o presidente da Casa, Eunício Oliveira, cortar microfones e luzes do plenário. Para especialistas, o ato foi inadequado e antidemocrático. (Págs. 19 e 21)

MERVAL PEREIRA

Peter Pan por trás de uma ação deplorável no Senado. (Pág. 4)


Investigação contra Lula por obstrução pode ser arquivada


O MPF pediu o arquivamento de investigação sobre Lula em tentativa de obstrução de Justiça. Em ação sobre o tríplex, ele teve pedido negado por Moro, que vai dar a sentença em breve. (Pág. 6)

ELIO GASPARI

Apenas uma trapaça para iludir o eleitorado. (Pág. 16)


Medo afasta professor da sala de aula


De janeiro a abril deste ano, cerca de 90 professores da rede municipal do Rio se afastaram das salas de aula devido à violência no entorno e dentro de escolas. Curso ensina educadores quando fechar a unidade por falta de segurança. (Pág. 10)


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O Estado de S. Paulo





Manchete: Governo vence no Senado e aprova reforma trabalhista


Mesmo após radicalização da oposição, Planalto obteve vitória expressiva, com 50 votos a 26 -

Texto altera mais de 100 pontos da CLT

Nova lei promove grande mudança nas relações trabalhistas e entra em vigor em 120 dias

A reforma trabalhista foi aprovada no plenário do Senado, por 50 votos a favor e 26 contra. Para o governo, foi uma vitória expressiva, diante da denúncia contra o presidente Michel Temer. O texto, que altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vai para sanção presidencial e passa a valer em 120 dias. Temer disse que a reforma significa importante avanço para o País. A nova lei promove grande mudança nas relações entre patrões e empregados. Entre as maiores modificações estão a prevalência, em alguns casos, de acordos entre patrões e empregados sobre a lei, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, obstáculos ao ajuizamento de ações trabalhistas, limites a decisões do Tribunal Superior do Trabalho, possibilidade de parcelamento de férias e flexibilização de contratos de trabalho. A sessão de ontem foi longa e tensa. Um grupo de senadoras de oposição ocupou a mesa diretora e, durante seis horas, tentou impedir a votação. (ECONOMIA / PÁGS. B1 e B3 a B6)

João Domingos

Erro grosseiro

A aprovação da reforma trabalhista no plenário do Senado foi, sobretudo, uma derrota da oposição e de sua estratégia tonta, antidemocrática, oportunista e machista. (ECONOMIA / PÁG. B5)


Resultado dá alívio, mas não garante previdência


Para analistas, apesar de mostrar a capacidade de articulação do governo, a aprovação da reforma trabalhista não é garantia de que a previdenciária passará no Congresso. Há quem aposte em uma versão desidratada da proposta, com alterações apenas na idade mínima e nas regras de transição. Isso porque o texto tem tramitação mais complicada: as alterações na Previdência precisam de maioria qualificada, ou seja, da aprovação de dois terços dos parlamentares, com votação em dois turnos na Câmara e no Senado. (PÁG. B6)


‘Respeitarei o resultado’, diz Temer sobre denúncia


Enquanto intensifica as articulações para barrar na Câmara a denúncia por corrupção, o presidente Michel Temer disse que será “obediente” ao que os deputados decidirem, respeitando “qualquer que seja o resultado da votação”. Temer afirmou, contudo, que não vai “tolerar que paralisem o País” e que “o importante é que, enquanto alguns protestam, a caravana passe”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pediu que os deputados permaneçam em Brasília até sexta-feira para votar em plenário a matéria. (POLÍTICA / PÁGS. A4 e A5)


MPF pede fim de ação contra Lula


O MPF no Distrito Federal enviou à Justiça pedido de arquivamento de investigação que apura se o ex-presidente Lula teria agido para atrapalhar investigações da Lava Jato. A citação a Lula foi feita em delação do senador cassado Delcídio Amaral. (PÁG. A9)


Notas & Informações


O exercício da omissão

O relator Sérgio Zveiter utilizou as 31 páginas de seu parecer para afirmar, na CCJ, a indigente tese de que, se há uma denúncia, os deputados devem aceitá-la. (PÁG. A3)

Desalinhamento

Demissão seria o desfecho se funcionário de empresa privada agisse como o presidente do BNDES. (PÁG. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete : Senado aprova reforma trabalhista


Votação só ocorreu mais de 7 horas após senadoras da oposição ocuparem mesa diretora; projeto segue para sanção de Temer

Por 50 votos a 26, o Senado aprovou a reforma trabalhista, proposta do governo que altera a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em mais de cem pontos. O projeto segue para a sanção do presidente Michel Temer. A votação ocorreu após a sessão, iniciada no fim da manhã, ter sido interrompida por mais de sete horas por um grupo de senadoras da oposição que ocupou a mesa diretora a fim de pleitear modificações no texto. Sem acesso a seu lugar, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), apagou as luzes. As senadoras permaneceram na mesa, onde chegaram a comer quentinhas. “É a desmoralização da Casa”, afirmou Eunício. Elas deixaram a mesa após avaliarem que o “gesto político” teve efeito, disse Fátima Bezerra (PT-RN). A reforma trabalhista é uma das prioridades legislativas do presidente, que enfrenta grave crise política. Ela é defendida por empresários e contestada por partidos de esquerda e sindicatos de trabalhadores. Após a aprovação, Temer agradeceu à base aliada e disse que as mudanças vão ajudar a gerar empregos. As alterações incluem a prevalência, em alguns casos, de acordos entre patrões e empregados sobre a lei, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical e o parcelamento das férias, entre outros pontos. (Mercado A17)


Com ameaça de punição, partidos tentam forçar voto favorável a Temer (Pág. 4)





No Rio, violência fecha escolas em 93 de 100 dias


Neste ano, pelo menos uma escola da rede municipal do Rio interrompeu aulas por causa da violência em 93 de 100 dias letivos. Segundo a prefeitura, 381 unidades (25% do total) já ficaram sem atividades devido a tiroteios, e 129 mil crianças foram afetadas, (Cotidiano b1)


Hélio Schwartsman


Senadoras fazem jogo político feio ao impedir sessão

Congressistas podem dizer o que pensam e tomar medidas regimentais para obstruir uma votação, mas não podem impedir fisicamente o presidente da Casa de sentar-se para conduzir os trabalhos. Isso não é apenas jogo feio, é falta mesmo. Essas palhaçadas nos dão mais motivos para rejeitar políticos. (Opinião A2)



Gamil Föppel


Prisão de Geddel é um ato ilegal e desnecessário

Geddel foi atacado diversas vezes. Nunca se comprovou — porque ele não praticou — crime. Ninguém passaria tanto tempo fazendo oposição a poderosos se tivesse praticado ato ilícito. Sua prisão é ilegal e desnecessária. (Opinião A3)


Editoriais


Leia “Na dúvida, a crise”, sobre relatório favorável a afastamento de Temer, e “Contas do passado”, acerca da reposição de perdas da poupança. (Opinião a2)


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Mídia
Posted: 11 Jul 2017 01:15 PM PDT


Foi sintomático Eunício Oliveira, o Índio da Odebrecht, mandar desligar as luzes e os microfones do Senado quando algumas bravas senadoras ocuparam a mesa para impedir a votação da reforma anti trabalhista.

Foi um ato falho do presidente do Senado.

Ele mostrou como ele e seu grupo gostam de agir: no escurinho do Senado.

Nas sombras.

Nas trevas.

O apagão de Eunício encerra o apagão autoritário que tomou conta do Brasil desde o dia em que o grupo de Temer tomou o poder.

Ele desligou os microfones para evitar que elas dissessem o que ele não gostaria de ouvir.

Eunício agiu como coronel do Nordeste.

Confundiu autoridade com autoritarismo.

Achou que era o dono do Senado e não apenas seu comandante por um curto e determinado período.

Esse apagão é o fim da luz no fim do túnel, se é que havia alguma.

Eunício obedeceu ao que estabelece uma velha anedota.

O último que sair apaga a luz.



Brasil 24/7
Posted: 11 Jul 2017 12:56 PM PDT

Para procurador Ivan Marx, ex-senador pode ter citado nome de ex-presidente apenas para se beneficiar de acordo de colaboração


Jane de Araújo / Agência Senado Renan e Lobão negaram a versão de Delcídio de que Lula tentava montar grupo contra a Lava Jato

O procurador Ivan Cláudio Marx pediu o arquivamento de um inquérito sobre uma suposta tentativa de Lula de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato em articulação com o Senado, baseado nos termos da colaboração premiada de Delcídio do Amaral.

Em sua delação firmada em 2016, o ex-senador Delcídio do Amaral afirmou que Lula tentou embaraçar o trabalho dos investigadores. O ex-parlamentar declarou que Lula o convidou para uma reunião no Instituto Lula com a presença dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Renan Calheiros (PMDB-AL), com o suposto objetivo de articular uma ofensiva contra a Lava Jato.

Segundo Delcídio, o objetivo era montar uma espécie de "gabinete da crise" de modo a criar uma contraponto às narrativas da mídia e preservar o legado do ex-presidente.

Após as oitivas de Delcídio, Renan e Lobão relativas à acusação, o procurador concluiu não "se vislumbrar no discurso de Delcídio a existência de real tentativa de embaraço às investigações da Operação Lava Jato". Renan negou categoricamente ter discutido a criação do "gabinete da crise", narrativa referendada por Lobão, que negou ter se reunido com o petista para obstruir a Lava jato.

Para Marx, a versão que a reunião teria esse objetivo "demonstra uma interpretação unilateral do delator, não confirmado pelos demais participantes". Segundo o procurador, não se pode olvidar o interesse do delator em encontrar fatos "como forma de aumentar deu poder de barganha ante a Procuradoria-Geral da República no seu acordo de delação".

O MPF também apresentará em breve suas alegações finais relativas à acusação de Delcídio de que Lula era o "chefe do esquema" para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, com o suposto objetivo de impedir o executivo de firmar um acordo de colaboração. Segundo Marx, a participação de "lula só surgiu através do relato de Delcídio, não tendo sido confirmada por nenhuma outra testemunha ou corréu no processo". O procurador foi inclusive o responsável por apresentar uma denúncia contra Lula relativa à acusação envolvendo Cerveró.

O procurador afirma não estar adiantando a responsabilidade ou não do ex-presidente na compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras, mas lembra o caso com o objetivo de "demonstrar o quanto a citação de seu nome (Lula), ainda que desprovida de provas em determinados casos, pode ter importado para o fechamento do acordo de Delcídio do Amaral, inclusive no que se refere à amplitude dos benefícios recebidos".

Para Marx, a denúncia sobre a suposta reunião do "gabinete da crise" "era sim do interesse de Delcídio". Segundo o procurador, a palavra do ex-senador "perde credibilidade".

Divulgada na íntegra em 15 de março de 2016, a delação de Delcídio foi um dos catalisadores da crise política que resultou no impeachment de Dilma Rousseff. Lula foi nomeado chefe da Casa-Civil no dia seguinte, mas acabou impedido de assumir o cargo pelo STF após o juiz Sergio Moro divulgar áudios gravados irregularmente nos quais a então presidenta discutia a entrega de um termo de posse ao seu novo ministro.

CartaCapital
Posted: 11 Jul 2017 12:29 PM PDT

Arte: Selos Comemorativos de 1 Ano do Golpe por João Faissal

É amplamente consensual que o argumento da luta contra a corrupção desempenhou vasto papel na retórica do golpe parlamentar que apeou da Presidência a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Os deputados que protagonizaram a sessão grotesca presidida pelo corrupto notório e (pelo que se informa) réu confesso Eduardo Cunha prestigiaram o combate à corrupção como motivação para seus votos, ao lado, é claro, da homenagem a seus familiares e animais domésticos.

A insustentabilidade deste argumento já foi, a seu tempo, demonstrada: a denúncia da corrupção encobria a inexistência de crime de responsabilidade como fundamento constitucional do impeachment. A história também já desmascarou a hipocrisia daquelas jeremiadas; os parágonos da moralidade que foram invocados (o marido desta, o pai daquele…) foram todos recolhidos à cadeia por serem réus (pasmem!) de crime de corrupção no exercício de funções administrativas.

O debate desta tragédia trouxe a conhecimento mais geral as reflexões do jurista Pedro Serrano sobre a tese do “combate ao inimigo” como fundamento para a desconstituição do Estado de Direito nas democracias ocidentais. O combate aos judeus autorizou os horrores do nazismo; o combate ao terrorismo internacional autorizou Obama a determinar o assassinato de Bin Laden. Aqui no Brasil, a “guerra à corrupção” autoriza essa baderna institucional inaugurada por um impeachment sem crime de responsabilidade.

É fato, para citar a Presidenta Dilma, que o fado tem sido cruel com os principais atores daquela farsa: Cunha preso e condenado; presos Geddel e Henrique Alves; Aécio escandalosamente desmascarado; Michel, abandonado pela “base”, no ponto de perder o que lhe rendeu a trairagem. Este acerto de contas com o destino, entretanto, não encerra o golpe e nem deve turvar nossa compreensão dele.

Um ponto, por exemplo, a considerar é o caráter sistêmico da “corrupção” como elemento definidor das gestões neoliberais em todo o mundo.

Antes que alguém venha aqui brandir Sérgio Buarque (mal compreendido…), Raimundo Faoro ou qualquer outro discurso que atribua ao patrimonialismo ibero-brasileiro a origem e o remate de nossos males, convido à leitura de texto de 2015, de Colin Crouch, vice-presidente da British Academy para a área de Ciências Socias, sobre os paradoxos da privatização e da terceirização dos serviços públicos.

Neste texto Crouch se debruça sobre as relações incestuosas entre Estado e grandes corporações… na Inglaterra! Ao contrário do que previa a doutrina liberal em sua versão (digamos) romântica, a privatização e a terceirização das últimas três décadas não só não ampliaram opções na oferta dos serviços (pelo contrário, surgiram formidáveis oligopólios privados), como trouxeram, em contrapartida, aumentos de seus preços e deterioração de sua qualidade.

Para explicar esta contradição de expectativas, Crouch postula o modelo da porta giratória! Quem participava, pelo lado do Estado, da contratação, ou da regulação, dos produtos corporativos, torna-se, ao sair do serviço público, consultor ou executivo do setor privado. Por outro lado, os altos gestores das corporações privadas podem converter-se, a qualquer momento, em ministros de Estado, num alegre carrossel que só bloqueia mesmo os direitos de passagem da plebe rude.

Esta a razão para que hoje muitos estudiosos defendam o rótulo de neoliberalismo corporativo para a presente etapa do desenvolvimento econômico, por confirmar o “paradoxo” da forte dependência capitalista em relação à gestão estatal.

Não é, então, surpreendente que a esfera política se esvazie dos clássicos valores democráticos e passe, ao contrário, a instanciar a república como rito.

É essa triste situação que justifica as vitórias da direita nos países capitalistas centrais, quando as eleições combinam uma influência avassaladora do poder econômico com forte descrença do eleitorado nas formas tradicionais de representação. Transformado em trincheira dos plutocratas, o parlamento é, entre todos os poderes, o que mais se deslegitima e se desmancha.

Trago estas observações sobre o chamado Primeiro Mundo para que possamos colocar em perspectiva a nossa própria crise nacional.

Primeiro, é necessário que compreendamos a natureza da corrupção que devemos sem trégua combater: a depravação das fronteiras entre público e privado em muito excede a crítica moralista e é em termos políticos que ela deve ser revista.

Em outras palavras, é uma exigência democrática que se depurem as relações do setor público com as grandes corporações nacionais ou multinacionais. É inadiável, por exemplo, a introdução da quarentena para os agentes públicos em posição de direção em todos os poderes.

Em segundo lugar, necessário destacar que o neoliberalismo confronta diretamente a democracia. Introduzido como experiência de política econômica no Chile de Pinochet, sua difusão entre as democracias ocidentais foi levando a uma gradativa redução da necessidade de legitimação popular para as medidas governamentais adotadas. Uma espécie de aniquilação da política, substituída pela reivindicação acrítica do gerencialismo como fórmula mágica.

E é isso que está acontecendo agora mesmo no Brasil. Mesmo depois de comprovada a fraude do “choque de gestão” mineiro e desmascaradas as mentiras alardeadas por Aécio/Anastasia, espera-se de um Henrique Meirelles, “mago das finanças” em qualquer governo, que lidere no país a recuperação econômica… Que isso se faça às expensas dos direitos dos pobres e dos frágeis e enfrentando contra si uma fortíssima mobilização popular está dentro do receituário: dane-se o povo!

Por isso, as reiterações de desprezo à opinião pública (seja a Comissão de Ética enterrar a representação contra Aécio Neves, seja a persistência de Temer na presidência da república) escapam da mais fácil classificação de cretinice da “classe política”. Trata-se, na verdade, de manifestações programáticas da pós-democracia compatível com a ofensiva neoliberal.

A superação da crise não se fará sem que a compreendamos. E sem que tenhamos reservas de coragem e de esperança para uma luta sem tréguas.

***

Arte da capa: Selos Comemorativos de 1 Ano do Golpe por João Faissal

MARGARIDA SALOMÃO
Professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, com Doutorado e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Está deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais desde 2013.

Mídia Ninja
Posted: 11 Jul 2017 12:11 PM PDT

Sessão da reforma trabalhista foi suspensa por volta das 12h. Vídeo do PT no Senado comenta o ocorrido. Em outra publicação, funcionários e movimentos sociais barram entrada de aliados de Temer em outro auditório onde tentam votar a reforma. Senadoras assumem o comando da sessão, que segue com discussões em torno da reforma. Uma sessão histórica!


Foto: Mídia Ninja


Jornal GGN - O Senado discute nesta terça (11) se aprova ou rejeita as mais de 100 alterações que o governo Michel Temer propõe na legislação trabalhista. Entre as principais mudanças está o fortalecimento dos acordos fechados entre patrão e funcionário em detrimento dos direitos até aqui garantidos em lei - o chamado "negociado sobre legislado". A oposição tenta evitar a votação obstruindo os trabalhos.


Na tribuna, senadores contrários à reforma trabalhista protestaram usando pesquisas de opinião que apontam que mais de 80% da população brasileira rejeita o esvaziamento da CLT.

Senadoras de oposição a Temer também ocuparam a Mesa Diretora e fizeram com que o presidente da Casa, Eunício Oliveira, suspendesse a sessão por volta das 12h, inclusive mandado cortar as luzes do plenário. As parlamentares, ainda assim, resistem.





No Facebook do senador Humberto Costa (PT), um outro vídeo informa que o governo agora tenta transferir a votação do plenário principal do Senado para o auditório Petrônio Portela, na tentativa de concluir os trabalhos. Centrais sindicais, assessores parlamentares, movimentos estudantis e senadores ajudam a obstruir a entrada do auditório.


Para ser aprovado no Senado e encaminhado à sanção presidencial, a reforma trabalhista só precisa de maioria simples, ou seja, a metade dos votos mais 1 dos senadores que estiverem presentes na sessão.

Pesquisa feita pelo portal Poder 360 mostra que a vitória de Temer será garantida, pois 48 senadores já declararam voto a favor da reforma.

O link para a transmissão no plenário:




GGN
Posted: 11 Jul 2017 11:48 AM PDT

Presidente do Senado mandou cortar a luz do plenário porque senadoras não queria desocupar a mesa.


Marcella Fernandes
Repórter de política, HuffPost Brasil

REPRODUÇÃO / TV SENADO
Senadoras da oposição prostestam contra reforma trabalhista.


Senadoras da oposição protestaram nesta terça-feira (11) no Senado contra a votação da reforma trabalhista, marcada para hoje. O presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) mandou apagar as luzes do plenário para acabar com o protesto.


Antes de cortar a luz, as senadoras da oposição, Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) ocuparam a mesa do plenário, onde fica a cadeira do senador, e se recusaram a deixar o local.


Elas sentaram à mesa do plenário assim que a sessão foi aberta, por volta de 11h, quando Eunício ainda não estava no local. Pelas regras do Senado, qualquer senador pode abrir uma sessão, desde que haja quórum.


Líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann decidiu a sessão às trabalhadoras. O texto da reforma aprovado pela Câmara permite que mulheres grávidas e lactantes trabalhem em condições insalubres.
Esta sessão presidida pelas mulheres aqui é em homenagem às mulheres que estão resistindo à reforma trabalhista ou às mulheres que, se essa reforma for aprovada, perderão seus direitos duramente conquistados na história (...) Destino às cozinheiras, às faxineiras, às enfermeiras, às professoras, às agricultoras, às mulheres terceirizadas, às muitas mulheres que trabalham aqui no Senado da República. É a elas que a gente oferece esta sessão aberta pelas mulheres e essa resistência.

Contrária à reforma, a senadora Vanessa Grazziotin defendeu que os parlamentares tenham mais prazo para discutir o texto. Governistas trabalham para votar o texto sem alterações, a fim de agilizar a tramitação.

Por volta de meio-dia, Eunício tentou ocupar a mesa e não conseguiu. Ele usou um microfone para avisar que cortaria o som dos microfones se ele não pudesse se sentar e suspendeu a sessão.



Após a confusão, a polícia legislativa restringiu o acesso ao Senado. No corredor chamado túnel do tempo foi colocado um cordão de isolamento.

Manifestantes contrários à reforma caminharam pelo túnel até o auditório Petrônio Portela, aos gritos de "fora, Temer".



De acordo com manifestantes e senadores, a votação da reforma pode ser transferida para o local, a portas fechadas. Eunício chamou uma reunião com líderes no gabinete dele para tratar da continuidade da sessão.

Relator da reforma e líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) chamou o protesto de "uma forma desrespeitosa de tratar o Senado". O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse que o projeto de lei "será votado hoje, de uma forma ou de outra" e criticou a oposição.
Isso não é protesto. É uma avacalhação.
 Colocaram o País na maior crise da nossa
 história, inviabilizaram o País para uma crise
 sem precedentes.

O que muda?


O principal ponto da reforma é o "acordado sobre o legislado". De acordo com ele, acordos entre patrão e empregado valerão mais do que a legislação.

Isso irá permitir, que as férias sejam parceladas em três vezes e que o intervalo de almoço possa ser, por exemplo, de 30 minutos.

O projeto de lei também acaba com a obrigatoriedade da contribuição sindical e coloca obstáculos ao ajuizamento de ações trabalhistas, o que é visto pelos empresários como um aumento da segurança jurídica.

A expectativa do governo é que as mudanças legais aqueça o mercado de trabalho e permita a abertura de novas vagas. Em maio, o Brasil registrou 13,8 milhões de desempregados.

Por outro lado, a reforma é vista pela Justiça do Trabalho e pelos sindicatos como uma forma de precarização do trabalhador ao reduzir direitos e fragilizar as relações entre patrão e empregado.

HuffPost Brasil

Posted: 11 Jul 2017 11:28 AM PDT


A REFORMA TRABALHISTA chega ao seu “Dia D” em meio ao clímax da crise política enfrentada no Planalto. Apresentado à Câmara dos Deputados em dezembro, o texto passou por votações e debates nas duas casas e ruma agora para a votação final, no Senado, nesta terça (11). Para a medida passar, será preciso que mais da metade dos senadores — 41, se todos estiverem presentes — digam sim às mais de 100 alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Se o plenário da Casa aprovar o texto, caberá apenas ao presidente Michel Temer sancionar ou vetar um dos carros chefes de seu pacote de reformas.
Confira os
 principais senadores
 que compõem a “tropa
 de choque” da reforma

Em um último esforço pela aprovação, Temer chegou a enviar uma carta aos senadores afirmando que, caso a reforma seja aprovada, ele poderá assinar uma Medida Provisória para vetar os pontos mais polêmicos do texto; como o risco ao direito constitucional ao salário mínimo e outros onze pontos criticados pelo Ministério Público do Trabalho. (Resta saber se ele ainda estará no poder para cumprir a promessa.)

Pelo perfil e pelas falas de muitos dos senadores, já é possível prever seus votos. Entre os que decidirão o futuro dos trabalhadores, figuram empresários, fazendeiros, homens cadastrados na “lista suja” do trabalho escravo e investigados na Lava Jato.
Confira abaixo um raio-x dos principais senadores que compõem a “tropa de choque” da reforma:

Eunício de Oliveira (PMDB/CE)



Foi fundamental para o
 governo para que a votação
da reforma fosse votada ainda
 antes do recesso parlamentar.


Tasso Jereissati (PSDB-CE)



Tasso Jereissati (PSDB-CE) preside a sessão da CAE para discutir a Reforma Trabalhista em 30 de maio. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Aparece como sócio em oito empresas no Ceará e sua família controla por meio do Grupo Jereissati a rede de shoppings Iguatemi. Também consta na lista de posses a Solar, uma das 20 maiores fabricantes de Coca-Cola do mundo. Em suas 13 fábricas e 36 centros de distribuição, trabalham 12 mil funcionários.
Votou a favor da urgência.
O presidente do PSDB e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) doSenado negociou com o governo alterações na reforma trabalhista e que, segundo acordo com a base, serão tratados em uma Medida Provisória. Entre os itens que deverão ser alterados, segundo o senador, estão o trabalho de gestantes em ambientes insalubres, o dano moral desvinculado do valor do salário do empregado, a extinção gradual do imposto sindical e a manutenção do poder de negociação dos sindicatos. Em maio, Tasso afirmou que “a reforma proposta tem méritos, mas também distorções.”

Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN)


Garibaldi Alves Filho durante a leitura do parecer favorável à reforma na CCJ em 21 de junho.Foto: Mateus Bonomi/Agif/Folhapress

Empresário, com atuação principalmente no ramo das comunicações, é sócio da Rádio Cabugi do Seridó e ligado ao grupo que controla a “Tribuna do Norte”, um dos maiores jornais do Rio Grande do Norte. Fez parte dalista de políticos financiados pela “lista suja” do trabalho escravo, segundo levantamento do site Congresso em Foco realizado em 2007.
Em seu último pronunciamento, o senador pelo Rio Grande do Norte afirmou que a reforma trabalhista é “ponto central da recomposição econômica” proposta pela gestão Temer e defendeu o acordo realizado com o PMDB de vetar pontos “controversos” que seriam benéficos aos trabalhadores, especialmente sobre o trabalho de gestantes em local insalubre.
Votou a favor da reforma na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos)
Seu nome aparece na delação de três executivos da Odebrecht, que relatam que o senador recebeu pagamentos não contabilizados na campanha eleitoral ao Senado em 2010.

José Agripino (DEM-RN)

José Agripino Maia era sócio de uma TV e de cinco rádios no Rio Grande do Norte. Foi alvo de ação do Ministério Público Federal, que pediu o cancelamento das concessões caso Agripino não se retirasse da sociedade. Segundo o MPF, a Constituição veda a participação de parlamentares, como deputados e senadores nesse tipo de concessão. Está na lista dos deputados e senadores em dívida com a União, com débitos de R$ 38.875,52 em nome próprio e R$ 3.169.891,49 referentes a propriedades.
Citou em discursos recentes o número de ações trabalhistas no país como justificativa para a mudança na legislação: “Se você tem 3,9 milhões ações trabalhistas no Brasil e na Alemanha tem 590 mil é porque tem algo que tem que ser aprimorado. A terceirização é um exemplo”.
Votou pela urgência e a favor no CAE.
Agripino responde a inquérito no STF pela Lava Jato por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele teria negociado o pagamento de propina com executivos da construtora OAS para a construção da Arena das Dunas, em Natal, estádio utilizado na Copa do Mundo de 2014.

Ricardo Ferraço (PSDB/ES)


Ricardo Ferraço, relator da reforma, na reunião da CAE durante votação do projeto da Reforma Trabalhista em 6 de junho. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Foi relator do projeto nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e Sociais (CAS) do Senado, deu parecer favorável à reforma.
Afirmou no relatório da CAS que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) teria excluído o Brasil da lista de possíveis infratores das normas trabalhistas internacionais durante a 106ª Conferência Internacional do Trabalho que ocorreu no mês passado em Genebra, na Suíça. A afirmação foi duramente questionada pela oposição.
Apesar de se apresentar como empresário em sua página do Senado, o congressista não incluiu participações em empresas em R$ 1,1 milhão de bens declarados quando eleito.
Seu nome aparece na delação de dois executivos da Odebrecht, que disseram que a empreiteira repassou R$ 400 mil, via caixa dois, à campanha do senador em 2010.

Romero Jucá (PMDB-RR)


O senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator, apresenta parecer favorável à reforma na CCJ em 21 de junho. Foto: Renato Costa/Folhapress

Presidente do PMDB, o senador tomou a linha de frente do governo na defesa da reforma. Relator do projeto na na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), deu parecer contrário a todas as 178 emendas apresentadas. Chegou até a bater boca com outro cacique do partido, Renan Calheiros (AL), em plenário durante as discussões do texto.
Votou pela urgência.
Nas eleições de 2010, declarou R$ 607 mil em bens, sem registro de empresas em seu nome. No entanto, na lista de devedores da União, de 2017, Jucá aparece como corresponsável pela dívida de R$ 81,9 mil da Frango Norte Indústria e Comércio Ltda, empresa que foi de sua propriedade nos anos 1990.
Responde a quatro inquéritos na Lava Jato. Em um deles, o Ministério Público aponta Jucá como receptor de R$ 4 milhões da Odebrecht para ajudar a construtora no Congresso Nacional, auxiliando a aprovação de uma resolução que reduziria a disputa fiscal entre os estados para o desembarque de mercadorias em portos.

Jader Barbalho (PMDB-PA)

Em junho de 2014, o STF rejeitou uma denúncia contra o senador por trabalho escravo. Segundo a acusação, fiscais do Ministério do Trabalho encontraram em 2008 trabalhadores de forma irregular em uma fazenda da empresa Agropecuária Rio Branco, de propriedade do senador. Os funcionários estavam sem registro em carteira de trabalho, alojamentos precários e instalações sanitárias inadequadas.
Até setembro de 2015, Barbalho já tinha se livrado de outras três ações penais. Na última, ele se livrou das acusações de desvio e emprego irregulares de verbas públicas e de crimes contra o sistema financeiro nacional, conhecido como caso Sudam. Há dois anos, Barbalho está também sendo acusado na Operação Lava Jato.
Chegou a ser cogitado para a liderança do PMDB após a saída de Renan Calheiros, que se posicionou contra a reforma.
Votou a favor na CCJ.

Aécio Neves (PSDB/MG)

O senador mineiro mal voltou do afastamento e já reafirmou seu apoio à “ousada agenda de reformas” e ao governo Temer.
Votou a favor da urgência.
Foi citado na lista de políticos que receberam doações de empresas flagradas com trabalhadores em situação análoga à escravidão. O levantamento foi feito pela ONG Transparência Brasil entre os anos de 2002 e 2014. O senador e sua irmã, Andrea Neves, são acionistas da Arco Íris, estação de rádio em Belo Horizonte.
Aécio é investigado em nove inquéritos no STF — cinco motivados pelas delações dos empresários da Odebrecht, dois envolvendo esquemas de corrupção da CPI dos Correios e de Furnas e mais dois por suspeita de corrupção passiva e ativa e obstrução à Justiça, após as gravações da JBS.


Antonio Anastasia (PSDB/MG)


Antonio Anastasia em pronunciamento na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O afilhado político de Aécio, em 2015, foi contra o PL da terceirização (4.330/2004), por entender que não se pode terceirizar todas as profissões, mas votou a favor da reforma trabalhista na CCJ, que presidiu.
Votou a favor da urgência.
É um dos 61 políticos na lista de candidatos que receberam doações, entre 2002 e 2014, de empresas acusadas de escravidão.
O senador mineiro é investigado na Lava-Jato, suspeito de receber vantagens indevidas em forma de doações pela Odebrecht e de ter recebido, em mãos, R$ 1 milhão de um funcionário de Alberto Youssef.

Raimundo Lira (PMDB/PA)

É o atual líder do PMDB no Senado e também um dos senadores mais ricos do país.
Era dono de concessionárias de veículos por todo o país, mas vendeu quase todas, ficando apenas com a Auvesa Veiculos Ltda. Hoje, sua grande atividade empresarial é a parceria com a Cyrella Brazil Realty, uma das maiores incorporadoras e construtoras de imóveis do país. O MPT-RJ acusa a Living, empresa da Cyrella, de alojar 11 trabalhadores em um local com dois quartos, uma sala, banheiro sem chuveiro e descarga que não funciona e de terceirização ilícita da atividade fim(contratar empresas de construção para várias etapas de suas obras no RN).
Assumiu a liderança do PMDB após a saída de Renan Calheiros para incorporar a linha de frente da reforma. Disse acreditar que é uma “questão resolvida”.

Edison Lobão (PMDB/MA)


Presidente da CCJ, Edison Lobão foi um dos comandantes da aprovação.


Na sua eleição, em 2010, Edison recebeu R$ 200 mil da Cosan, uma das líderes do mercado sucroalcooleiro e já acusada de trabalho escravo. A Cosan integrou a ‘Lista Suja’ em 2010, mas teve seu nome retirado do rolgraças a uma liminar, garantindo que se tratava de um caso em uma empresa terceirizada.
Presidente da CCJ, o senador foi um dos que comandaram a aprovação na comissão do texto. “Não se trata de extrair, extirpar, detonar direitos dos trabalhadores e sim adequar à lei trabalhista ao mundo moderno”, disse à época.
Votou a favor da urgência.
O maranhense tem vasta ficha corrida de escândalos e atualmente responde a
dois inquéritos no âmbito da Lava Jato.

Cássio Cunha Lima (PSDB/PB)

Defensor da reforma, o senador paraibano acredita que os opositores do texto do governo fazem “terrorismo” e que a alteração legislativa nas leis trabalhistas não acaba com direitos garantidos na Constituição.
Também figurou na lista de políticos que receberam dinheiro de empresas ou pessoas físicas incluídas na “lista suja” do trabalho escravo, segundo levantamento da Transparência Brasil.
Votou a favor da urgência.
Responde, segundo levantamento do site Congresso em Foco, ao Inquérito 3404,em segredo de Justiça, por crimes contra a ordem tributária e formação de quadrilha.

Ivo Cassol (PP-RO)

Além de ser proprietário rural e integrante da bancada ruralista, Cassol é sócio da Hidrossol-Hidroelétricas Cassol Ltda, empresa que gerencia o Grupo Cassol Energia e controla cinco PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) em Rondônia.
O senador disse em pronunciamento que a legislação trabalhista é uma “bagunça”, afirmou ter sido vítima de fraude trabalhista e que a Justiça do Trabalho é “uma fábrica de processos fraudulentos”.
Votou a favor da urgência.
O “Maçaranduba” da lista da Odebrecht é o senador com mais pendências no Supremo: são dez ao todo, segundo o último levantamento do site Congresso em Foco, de abril de 2017.



Correção: O senador Raimundo Lira é representante da Paraíba (PA), não de Pernambuco (PE), como publicado anteriormente.



Foto em destaque: Manifestação contra a Reforma Trabalhista na manhã de 11 de julho, na frente do Senado. Foto: George Marques.

The Intercept Brasil

Posted: 11 Jul 2017 11:01 AM PDT

Karine Melo - Repórter da Agência Brasil

Senadoras da oposição ocuparam a Mesa do Senado para impedir a votação da reforma trabalhista Antonio Cruz/Agência Cruz

Mesmo com os microfones desligados e as luzes do plenário apagadas, as senadoras de oposição que ocuparam a Mesa do Senado permanecem no local para tentar impedir a votação da reforma trabalhista. O presidente da Casa, Eunício Oliveira, foi impedido de presidir a sessão que iria analisar a proposta.

O protesto é feito pelas senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-ES), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice de Mata (PSB-BA), Regina Sousa (PT-PI) e Kátia Abreu (PMDB-TO).

A ocupação foi criticada por senadores governistas. “Isso é um verdadeiro vexame para o Senado, eu diria até uma vergonha. Nunca aconteceu isso aqui. Eu só posso dizer que estou chocado. Diante disso que aconteceu acho que o presidente está certo. O que nós queremos é votar, tudo se resolve aqui no voto e não dessa maneira”, disse o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

Já o senador Jorge Viana (PT-AC) disse que o impasse se deve à forma com que o governo está conduzindo as reformas no Congresso. “É uma atitude de um grupo de senadoras. É isso que dá esse impasse que o Brasil está vivendo. É claro que não é bom, mas, por outro lado, como é que pode se fazer uma reforma trabalhista sem que o Senado possa alterar um inciso, um artigo de uma lei que é tão importante para todo mundo?”, avaliou.
Luzes do plenário do Senado são apagadas depois de senadoras da oposição impedirem Eunício Oliveira de presidir a sessão de votação da reforma trabalhistaAntonio Cruz/Agência Brasil

Desde que suspendeu a sessão, o senador Eunício Oliveira se reúne com senadores de vários partidos da base para buscar uma solução para o impasse.

Umas das alternativas é a transferência da sessão para o Auditório Petrônio Portela, também, no Senado. No entanto, um grupo de sindicalistas protesta no local contra a reforma e contra o governo Michel Temer.

Edição: Luana LourençoAgência Brasil
Posted: 11 Jul 2017 10:41 AM PDT

Brasil usa reforma espanhola como modelo, mas mudança na legislação criou empregos precários



RAMÓN OLIVER
Madri 

Jovens em Madri SAMUEL SÁNCHEZ


A espanhola Alba Nicolás (27 anos) formou-se em Publicidade e Relações Públicas em 2013. Ao concluir o curso, ela se mudou para Barcelona, onde fez uma especialização e depois uma pós-graduação. Lá começou a trabalhar como estagiária em empresa de marketing digital com um salário de 150 euros (cerca de 556 reais) por mês a título de “ajuda de transporte”. “Fui contratada para ser formada community manager, mas tudo o que aprendi foi por minha conta e na base da tentativa e erro. Tinha um tutor que corrigia o meu trabalho e o enviava ao cliente, mas ele nunca tinha tempo para me formar”, conta. Ela estava na empresa havia um ano e nove meses quando descobriu que não tinham pago a previdência social um único mês. Quando denunciou a empresa, seus chefes foram obrigados a oferecer-lhe um contrato permanente. “35 horas por semana, com um salário que continuava deixando muito a desejar e aguentando os maus modos no tratamento pessoal”. Nove meses depois, foi despedida.

Alba é uma millennial, geração dos nascidos entre 1981 e 1994 e tinha 22 anos quando seu país aprovou uma reforma trabalhista que mudou a relação de trabalho entre as empresas e os funcionários —boa parte deles jovens como ela. E é justamente esta reforma, aprovada em 2012 na Espanha, que o Governo do presidente Michel Temerusa como principal referência para a sua proposta de reforma trabalhista, que pode ser votada nesta terça-feira, 11 de julho, pelo plenário do Senado. A geração de Alba representará 35% da força de trabalho global em 2020, de acordo com o Manpower Group.

O conceito de millennial tornou-se uma marca global. Deles se disse que são a geração mais preparada da história; que estão permanentemente conectados porque cresceram com a Internet e as novas tecnologias; que o dinheiro não é sua prioridade; que o que buscam são experiências motivadoras com as quais possam crescer; que preferem trabalhar em empresas comprometidas com o meio ambiente e a sociedade; que não querem ouvir e nem falar de um horário das 9h às 18h, mas de modelos flexíveis e por resultados; que são empreendedores; que entendem como ninguém a nova economia, porque a vivem em primeira pessoa como consumidores do Uber, Airbnb, Wallapop...

Com tais credenciais, o normal seria que as empresas brigassem por esse talento emergente. De fato, esse é o discurso que muitas delas fazem com insistência. Numa pesquisa feita em 2015 pela Deloitte sobre a Geração do Milênio, Barry Salzberg, seu CEO, exortou a comunidade empresarial dos mercados desenvolvidos a “identificar as mudanças que necessitam fazer para atrair e se comprometer com essa geração”. E advertiu: “Caso contrário, corre-se o risco de perdê-los e ficar para trás”. No entanto, as taxas de desemprego que assolam os jovens na Espanha, de aproximadamente 40% (e de cerca de 27% no Brasil), indicam que, pelo visto, não há tanta pressa para seduzi-los. E isso tem outras consequências sociais: a idade média de emancipação é 29 anos (quase dez anos a mais que os suecos), sua situação pessoal não tem nada a ver com a de seus pais quando estes tinham a mesma idade e a idade média em que as espanholas são mães passou de 28,2 anos em 1980 para 32,2 em 2014.

A reforma trabalhista
 espanhola prometia mais
 empregos o que, da fato,
 ocorreu. Entretanto, eles
 são mais precários.

Juan María González-Anleo, professor de Sociologia da ESIC Business & Marketing School e autor do livro Generación Selfie, lembra que millennial é um conceito importado dos Estados Unidos. “Talvez nos países anglo-saxões ou na Alemanhase aposte mais decisivamente nesse talento, mas na Espanha as empresas não estão muito empenhadas”, lamenta. Ana Sarmiento, especialista em estratégias de trabalho para a geração do milênio está de acordo. “Muito poucas empresas sabem o que fazer com esses jovens. E o mais triste é que muito poucas estão interessadas em saber”. No máximo, continua, começam a se se interessar agora por sua faceta de consumidores para tentar fidelizá-los. “Mas os millennials não só consomem, também são uma nova geração de profissionais livres, abertos e digitais. E poucas organizações tiveram a ideia de tentar fidelizá-los também como empregados.

Antes de se tornar empreendedor, o espanhol Luis Alberto Santos (27 anos) ouviu muitas histórias nas entrevistas de emprego que a realidade logo desmentiu. “Horários flexíveis que na prática eram horários fixos, lugares em que é mal visto sair no horário, normas de segurança que só são cumpridas caso haja uma auditoria ou uma visita importante”, enumera. A lista dos horrores também se estende à gestão de talentos. “Muitas empresas enchem a boca com a promoção ou a carreira profissional. Mas nunca me perguntaram o que eu mais gosto, quais tarefas eu executo melhor ou como poderia desenvolver meu talento”.

O discurso das empresas, no entanto, geralmente é outro. São frequentes as proclamações lembrando que muito em breve essa geração estará no comando: os millennials são chamados para acabar com os estilos autoritários de liderança, para impulsionar um novo modelo de trabalho colaborativo e digital... Mas por enquanto a “chamada” que parece chegar a eles com mais nitidez é a de ir tentar a sorte no exterior. Conforme dados do Instituto Nacional de Estatística, no primeiro semestre de 2016 emigraram da Espanha 47.784 pessoas. Boa parte dessa diáspora é de millennials. “É muito triste que as conversas que escuto dos meus alunos quando saio para fumar nos intervalos tratem sobre se o Chile é um bom lugar para trabalhar ou se as condições no Reino Unido pioraram muito para os espanhóis por causa do Brexit”, comenta o professor González-Anleo.

Geração de desencantados


Os especialistas falam dos millennials como uma geração desencantada. “Eles se sentem enganados. Prometemos a eles que se estudassem uma profissão, fizessem uma especialização e aprendessem línguas estrangeiras teriam uma vantagem competitiva em relação ao trabalho. E agora temos jovens profissionais muito capacitados, com pouco emprego e baixa remuneração”, afirma Sarmiento.

Quando aprovada em 2012, durante a segunda recessão de uma longa crise que o país tenta superar há mais de 10 anos, a reforma trabalhista espanhola prometia mais empregos o que, da fato, ocorreu. Entretanto, passados cinco anos, várias pesquisas mostram que, embora haja mais vagas disponíveis no mercado de trabalho formal que na época da aprovação da mudança na legislação, eles são mais precários.

Para o professor González-Anleo foram rompidos os pactos fundamentais que regiam as relações entre trabalhadores e empresas. E assim é difícil esperar compromisso ou fidelidade: “Uma empresa pode exigir que você deixe sua alma no trabalho se você recebe 2.000 euros por mês. Mas recebendo 700 ou menos e sabendo, além disso, que no mês seguinte você pode estar na rua, pouco te podem pedir”.

Luis Alberto Santos aponta que as gerações anteriores são o principal obstáculo. “Se a empresa é dirigida por baby boomers, a mentalidade e os hábitos do millennial desaparecem, provocando uma grande insatisfação e um sentimento de frustração”, diz. É recíproco. Arrogantes, volúveis, egocêntricos, preguiçosos... são alguns dos rótulos com os quais os mais velhos identificam, por sua vez, essa geração. Uma imagem que Alba Nicolás não compartilha: “Pelo menos no meu ambiente, todos os meus amigos trabalharam e estudaram simultaneamente em algum momento de suas vidas. Nos preocupamos com o nosso futuro, com trabalhar duro e continuar a nossa formação”.

Ana Sarmiento não acredita que levantar a questão em termos de guerra geracional ajude qualquer uma das partes. “Os ambientes de trabalho estão se polarizando excessivamente. Os mais velhos estigmatizam os millennials e os jovens fazem o mesmo com a velha guarda. Acredito que seria mais inteligente construir pontes que permitissem que essa geração se ajustasse a um sistema produtivo que não foi criado para ela, mas pelo qual será responsável muito em breve”. Alba Nicolás, por sua vez, pede maior compromisso e ação também dos próprios millennials. “Temos de nos mexer mais, lutar por nossos direitos e reivindicar o que é justo para poder realizar o nosso trabalho em condições aceitáveis”.


EL PAÍS Brasil

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