sexta-feira, 14 de julho de 2017

14/7 - Blog " DE CANHOTA " de HOJE

De Canhota


Posted: 14 Jul 2017 06:30 AM PDT

Na semana passada, Delfim Netto afirmou que ainda não se sabe o tamanho da crise. O que se sabe é que a situação é gravíssima. Veio a deflação. É pontual, é verdade, mas trata-se de um péssimo presságio. A queda em junho foi de 0.23%, a maior em 19 anos. E a previsão é que a queda se repita no mês de julho na mesma intensidade. As contas públicas seguem derretendo. A arrecadação federal desabou em maio e o governo ilegítimo ainda não sabe como fechar o déficit de R$139 bilhões deste ano. Trabalha com duas possibilidades: aumento de impostos e receitas extraordinárias. 

O déficit e a relação dívida/PIB continuam subindo a galope e só não explodiu porque o governo cortou 15% de todas as despesas passíveis de corte. O PIB deste ano deve ficar próximo de zero, o que é um desastre social num país com 14 milhões de desempregados. A taxa de inadimplência das famílias voltou a subir e o crédito virou fumaça. Este é um “ajuste” Draconiano, brutal, difícil de ser mantido e que sinaliza para um provável e bem próximo colapso dos serviços públicos federais. Falta de dinheiro para emitir passaportes e “quase paralisação” da PRF, infelizmente, são só os primeiros sinais desse colapso que se avizinha.

Com a recessão se agravando, a inflação em queda livre e os juros reais subindo, a equipe econômica resolveu fazer malabarismo. Baixou as metas de inflação para 2019 e 2020, uma clara manobra para justificar a manutenção de juros indecentes e inexplicáveis, para alegria do rentismo. 

Segundo Delfim, a causa deste desastre foi o sequestro pelos capitalistas dos agentes do estado e do congresso. Sem os “freios” necessários, o capitalismo irracional se autodestrói. A irracionalidade e irresponsabilidade política nos jogou nesse buraco. E o mais grave é que não existe unidade, sequer entre organizações políticas que, em tese, possuem afinidades ideológicas, sobre quais os caminhos para sairmos dessa situação. 

Se essas contrarreformas passarem, nós vamos ter nos próximos anos uma situação gravíssima. Uma completa barbárie social. Seremos reduzidos a uma republiqueta de pior nível econômico e social.

Abraços,
Daniel Samam

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