segunda-feira, 17 de julho de 2017

17/7 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 17 Jul 2017 06:52 AM PDT

Comitês em diversas capitais se mobilizam para coletar 1,3 milhão de assinaturas para pressionar o STF a anular o impeachment de Dilma Rousseff

por Cida de Oliveira, da RBA
REPRODUÇÃO Dira, Lula, Chico e Marieta estão entre os signatários da ação popular para restabelecer o mandato de Dilma


São Paulo – A ação popular em favor da anulação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff avança com a assinatura de trabalhadores, estudantes, artistas, intelectuais e ganha força com a adesão de nomes de peso dentro e fora do cenário político. Depois da presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e do senador Lindbergh Farias (RJ), que assinaram no último dia 5, ocasião da posse da senadora como dirigente nacional do PT, foi a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula assinou na noite da última segunda-feira (10), em lançamento da segunda fase do Memorial da Democracia, em Belo Horizonte. "Não conseguimos falar diretamente com o presidente, mas o Paulo Okamoto se prontificou a levar a ficha até ele, que assinou", conta a compositora e ativista digital Malu Aires, da coordenação do comitê emBelo Horizonte.

De acordo com ela, é cada vez maior o engajamento na ação popular. "Muita gente que nem conhecemos está espalhando as fichas, coletando assinaturas. E não se trata de um simples abaixo-assinado. É uma ação popular que tem força legal. Anular o impeachment significa trazer de volta a credibilidade ao ato de votar, porque o povo votou e rasgaram seu voto ao afastar a presidenta eleita democraticamente sem crime de responsabilidade", diz.

Malu destaca que depende do Supremo Tribunal Federal (STF) trazer de volta a legalidade democrática e o equilíbrio das instituições. "Aí sim a gente pode confiar que as próximas eleições serão respeitadas. Caso contrário, como confiar em uma eleição se houve impeachment sem legalidade democrática, o que dirá dentro de um golpe de Estado? Só a volta de Dilma para caracterizar que o governo Temer é usurpador e poder revogar todas as medidas aprovadas em seu governo", pondera. "Claro que não é algo automático, mas a partir daí podemos questionar tudo judicialmente".

O músico Damu Silva, da coordenação do comitê do Rio de Janeiro, também destaca o envolvimento da população. "As pessoas formam fila diante da nossa tenda na Candelária para assinar a ação. São pessoas de todas as classes sociais, trabalhadores, gente quer dar sua contribuição. Muitas até dizem que não votaram em Dilma, mas entendem que ela tem de voltar", diz.

Damu, que aproveitou um evento para pegar a assinatura do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, conta que a ex-ministra da Cultura de Dilma, Ana de Hollanda, logo que soube da ação entrou em contato. "E apareceu com mais de cem assinaturas, inclusive do irmão Chico Buarque, da ex-cunhada Marieta Severo e tantos outros artistas". O vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) também assinou a ação.

Fernanda Pieruzzi, do comitê de Brasília, conta que a anulação do impeachment chegou a ser discutida no congresso do PT realizado no início de junho, em Brasília. E que foi aprovada moção de apoio a iniciativas como a ação popular. "Em ato contra a votação da reforma trabalhista no Senado, companheiros anunciaram dos carros de som a coleta de assinaturas", conta.

Por mais remota que pareça a possibilidade de o STF anular o impeachment, Fernanda pensa diferente. "Os ministros ainda não se pronunciaram. Seria diferente se julgassem improcedente. Além disso, muitas pessoas ainda desconhecem essa alternativa do mandado de segurança. E Dilma viaja o mundo denunciando o golpe, tendo dito até não se sentir aliviada porque ainda é presidenta. E voltando, ela pode pedir as eleições diretas. Uma coisa não anula a outra", destaca.

Lançada no dia nacional de paralisação convocado pelas centrais sindicais e pelos movimentos sociais, no último dia 30, a ação popular pretende reunir 1,3 milhão de assinaturas para pressionar o Supremo Tribunal Federal a anular o impeachment.

Com comitês em diversas capitais, o Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment contesta o mérito do processo que depôs Dilma mesmo sem ter sido comprovado crime de responsabilidade.

"A gente sabe que o Supremo é golpista, que está alinhado com as forças do golpe, mas a gente tem que fazer um contraponto, uma oposição a isso. Se o povo pressionar, vai ser outra força e vai fazê-los se posicionar. A colocar ou não as suas digitais formalmente no golpe. É isso que está faltando aqui no Brasil, essa resistência popular de fato", afirma a enfermeira aposentada e militante Edva Aguilar, da coordenação nacional do Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment.



Rede Brasil Atual
Posted: 17 Jul 2017 06:06 AM PDT

Durante a posse da nova direção do PT em Diadema (SP), Lula questionou onde estão as panelas e a indignação dos que apoiaram o golpe no Brasil.


Foto: Mauro Calove

"Eu quero saber como estão os coxinhas agora com o Michel Temer governando o país. Cadê as panelas deles, acabaram?", questionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã deste sábado (15), em Diadema (SP), durante a posse de Adi dos Santos Lima, que assume a nova direção do PT da cidade.

Durante o evento, Lula falou sobre a sentença de Sérgio Moro e disse que ojuiz está julgando politicamente. "Nunca acreditei que ele fosse me absolver. Eles não estão julgando o Lula, estão julgando o nosso governo e as coisas boas que fizemos nesse país. Eles me condenaram porque estão subordinados a prestar contas com a imprensa", afirmou.

Para o ex-presidente, se a condenação não acontecesse, o golpe não faria sentido. "O golpe não fecha se eu não for condenado", disse Lula, que afirma estar tranquilo por saber que "a única prova daquele processo é a prova da minha inocência. Tenho a consciência tranquila por saber que nenhum daqueles que estão me processando, é mais honesto do que eu".

Aos seus acusadores, Lula dá o recado: "Enquanto eles não provarem nada contra mim, vou andar por esse país para ser julgado por vocês", diz.

IMPRENSA


Lula falou sobre a perseguição jurídica e midiática que vem sofrendo há anos e ressaltou o motivo pelo qual a Rede Globo está contra o governo de Michel Temer. "Sabe por que a Globo está tentando derrubar o Temer agora? É porque ela está preocupadíssima em encontrar um candidato para me enfrentar em 2018", disse. O ex-presidente lembrou ainda que o Jornal Nacional já completou mais de 20 horas com notícias ruins a seu respeito. "E por que eles não conseguem me quebrar? Porque eu não sou eu, eu sou vocês. Eles não conseguem me derrubar porque as asas que eu voo não são minhas, são as asas dos trabalhadores e dos jovens desse país".

PT


Com orgulho, o ex-presidente falou também sobre a história do Partido dos Trabalhadores e os feitos que o PT realizou nos últimos 12 anos no país. "Foi esse partido que teve o presidente que entrou para a história como o presidente que mais fez universidade e escolas técnicas no Brasil. Tenho orgulho de dizer que o tempo em que eu presidi esse país, os trabalhadores viveram melhor. Sei que não fiz tudo, mas tenho orgulho de olhar para o povo e dizer que, nos últimos 12 anos, fizemos a maior política de inclusão social do mundo", completou.

ELITE


Sobre a elite brasileira, Lula ressaltou que ela nunca teve interesse que o pobre chegasse à universidade. "O erro que cometi foi fazer o povo sonhar e viver melhor. O que nós temos orgulho, parecem que eles têm ódio. Porque eles não querem que as pessoas debaixo subam o degrau da escada da inclusão social", disse Lula.

Ao final de seu discurso, Lula disse que quer que o povo brasileiro volte a sorrir, volte a trabalhar e ter uma vida digna. "Eu, um nordestino que só foi comer pão aos 7 anos de idade, quero dizer: contem comigo porque nós vamos consertar esse país!".


Lula
Posted: 17 Jul 2017 05:52 AM PDT


UM DIA APÓS a aprovação de uma reforma trabalhista sem a participação dos trabalhadores, o juiz herói Sérgio Moro condenou a 9 anos e meio o maior líder sindical da história do país. O ex-presidente foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do Triplex, um desfecho óbvio de um roteiro manjado.

A sentença se debruçou longamente sobre as provas frágeis apresentadas pela Ministério Público, mas ignorou completamente as provas da defesa. A imparcialidade de Moro vem sendo questionada durante o processo por parte significativa da opinião pública e o conteúdo da sentença contribui para reforçar essa percepção. Não é para menos. Desde o início do processo, o juiz foi visto em eventos públicos organizados por tucanos, pela Globo, pela Isto É, pelo Lide de Doria. Enfim, talvez seja mera coincidência, mas Moro só confraterniza com inimigos declarados de Lula.

Em dezembro do ano passado, Moro foi premiado pela revista Isto É junto com a cúpula do Grande Acordo Nacional Diego Padgursch/Folhapress

Recheada de “poréns” e “entretantos”, a sentença mostra um Moro inseguro, vacilante, preocupado em justificar a ausência de provas materiais e em se defender das acusações de parcialidade — como se isso coubesse a um magistrado. No quesito surrealismo, alguns trechos deixam o powerpoint do Dallagnol no chinelo e demonstram o papel de acusador que o juiz assumiu para si:
“Não se trata aqui de levantar indícios de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva eram os proprietários de fato do imóvel consistente no apartamento 164-A, triplex, do Condomínio Solaris, no Guarujá.”

Aqui temos um juiz explicando que não está levantando indícios, algo que seria absolutamente desnecessário, já que é algo que foge às suas atribuições. Há algo de errado quando um julgador precisa explicar na sentença que não está cumprindo o papel de promotor.
“Em síntese e tratando a questão de maneira muito objetiva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está sendo julgado por sua opinião política e também não se encontra em avaliação as políticas por ele adotadas durante o período de seu Governo (…)Também não tem qualquer relevância suas eventuais pretensões futuras de participar de novas eleições ou assumir cargos públicos.”

A necessidade hercúlea de Moro em se defender das acusações de que pretende tirar Lula das próximas eleições é reveladora. Desde quando um juiz deve esse tipo de satisfação? Por que não se ater unicamente aos fatos que envolvem o processo? Se Lula faz política em cima do processo, Moro jamais poderia fazer. Os motivos são óbvios.
“Essas condutas são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei e até da imprensa para que não cumpram o seu dever. Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade.”

Moro considera “tentativa de intimidação” o fato dos advogados de Lula recorrerem à Justiça contra ele por abuso de autoridade, uma ação absolutamente legítima. Não cabe a um juiz desqualificá-la dessa forma em uma sentença.

Moro ainda afirma que poderia cogitar a prisão de Lula tendo como base umadeclaração de Léo Pinheiro em delação premiada em que afirma que teria sido orientado pelo ex-presidente a destruir provas. Essa declaração não foi sustentada com provas — fato fundamental para validação de uma delação premiada — e, sozinha, jamais poderia justificar a prisão por obstrução de justiça. Mas Moro escreveu na sentença que pretendeu evitar “certos traumas” que a prisão de um ex-presidente da República poderia causar. Eu pensei que todos fossem iguais perante a lei e que o juiz julgasse com base unicamente com base nas provas do processo, mas Moro confessa, ainda que indiretamente, que norteia seu trabalho a partir de cálculos políticos. Não podemos nos dizer surpresos.
“Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você” (uma adaptação livre de “be you never so high the law is above you”).”

Agora esqueçamos a cafonice anglo-saxã entre parêntesis e nos concentremos na satisfação pessoal de Moro, que ele próprio considerou adequado trazer para a sentença. Quando um juiz precisa precisa explicar que não está julgando com base na sua satisfação pessoal é porque está julgando com base na sua satisfação pessoal. Claro, eu não tenho provas materiais para afirmar isso, porém, entretanto, pelo conjunto de indícios dessa sentença e pelas manchetes e capas de revistas, acredito que a satisfação pessoal de Moro já não cabe dentro dele. Quando um juiz vê sua imparcialidade sendo questionada publicamente, ele deveria se considerar impedido de julgar para que dúvidas dessa natureza não prejudicassem o processo, e não ficar se explicando infantilmente em sentença.

Houvesse provas substanciais para a condenação de Lula, Moro mataria a cobra e mostraria, orgulhoso, o pau. Mas elas não aparecem na sentença. O interminável titubeio e a necessidade de se justificar revelam um juiz preocupado em se defender politicamente e provar sua imparcialidade. Bom, faltou combinar com a materialidade dos fatos.

Depois de ter uma presidenta eleita arrancada do poder, os brasileiros agora veem o candidato favorito para 2018 sendo expulso da disputa eleitoral após uma condenação sem nenhuma prova material. Por outro lado, grandes nomes governistas como Aécio e Temer gozam de liberdade e continuam ocupando seus cargos mesmo diante de uma pororoca de provas. Obviamente, as circunstâncias são diferentes, mas, na prática, é essa a aberração que o país vive.

Numa época em que se vive a judicialização da política, o que vemos é a balança da Justiça pendendo a favor da turma do Grande Acordo Nacional —aquela que pretendia tirar Dilma do poder e fazer um pacto com Supremo, com tudo. Políticos comprovadamente corruptos seguem no comando da nação, sendo julgados por aliados políticos, enquanto um ex-presidente sem cargo público há quase 8 anos pode ir para a cadeia com base num roteiro traçado por um juiz que claramente rivaliza com o réu e que baseou sua decisão apenas em delações e indícios. E há quem continue dizendo que as instituições estão funcionando normalmente. Funcionando pra quem?

The Intercept Brasil


Posted: 17 Jul 2017 05:04 AM PDT


O parque Campo de Marte é um jardim público situado no sétimo distrito, entre a Torre Eiffel, ao Noroeste, e a Escola Militar, ao Sudeste. Seu nome procede do Campo de Marte romano (deus romano, Marte, deus da guerra). Durante a Revolução Francesa ocorreu uma matança no Campo, em 17 de Julho de 1791. A petição dos Cordeliers (grupo político que velava pelos direitos do homem), datada de 15 de julho de 1791, exigia o final da monarquia e clamava que a França se convertesse em república. Uma multidão reuniu-se para solidarizar-se e assinar esta petição, mas a Assembleia constituinte ordenou a dispersão da manifestação e o prefeito de Paris decretou a Lei marcial que se anunciou com bandeiras vermelhas. Esta lei permitiu às forças de ordem fazer uso das armas e assim um grupo de cavalaria dispersou finalmente a multidão. Mas 50 pessoas morreram e várias centenas ficaram feridas. Estes acontecimentos agravaram as desavenças que haviam entre revolucionários e monárquicos ou aristocratas.



Imagem: David Iliff [CC BY 2.5], via Wikimedia Commons

History
Posted: 17 Jul 2017 04:45 AM PDT


A condenação de Lula sem provas, por um crime que não cometeu - não recebeu, não usufruiu, nunca teve o tal triplex em seu nome - com a argumentação, como nos filmes de ficção científica, vide "A Nova Lei - Minority Report", de que tinha a intenção de  eventualmente praticá-lo - a quase dez anos de prisão e a mais de sete de ostracismo político, precisa servir de alerta final, talvez o mais significativo até agora, antes que se proceda à inexorável entrega do país ao fascismo nas eleições do ano que vem.


O passo dado pelo Juiz Sérgio Moro foi de sutileza paquidérmica, do ponto de vista do desrespeito, desconsideração e desprezo pelo Estado de Direito, e, como já dissemos tantas vezes aqui, já estava sobejamente anunciado.

 Tanto quanto o está a condenação de Lula em segunda instância, em prazo eventualmente recorde - como já dá,  espertamente, como favas contadas, certa mídia - se não se estabelecer  prontamente uma estratégia de defesa da democracia, com relação às eleições diretas, ocorram elas em 2018 ou nos próximos meses.
O problema não é partidário.
A grande questão não é o que está ocorrendo com Lula, Dilma e o PT, que, por omissão, excessivas concessões ou falta de planejamento e resposta tática, contribuíram também para que as coisas chegassem onde estão hoje.
O drama do PT e de seus dirigentes é apenas a extremidade exposta do iceberg que pode engolir cada um de nós - do que pode acontecer, "casualmente", com a eventualidade de um fenômeno metereológico, com qualquer cidadão brasileiro, a partir de agora.  
O Brasil já vive, de fato, uma ditadura, na qual se prende e se condena sem provas, com base no dedurismo generalizado de presos "provisórios-permanentes" que são obrigados a negociar e a delatar enquanto se encontram sob custódia do Estado - e de empresas que, se não fizerem o mesmo, vão à bancarrota - com pesos, medidas e resultados diferentes para cada tipo de delatado.

Desse esquema faz parte a libertação -  para prisão domiciliar - de corruptos comprovados.

E, naturalmente, a condenação de lideranças políticas de certas agremiações - que não receberam dinheiro sujo nem tem conta no exterior - enquanto outras não são detidas, ou servem de distração e de pretexto, na mídia e junto à opinião pública internacional, para justificar o quadro de descalabro jurídico, econômico, estratégico e institucional em que estamos mergulhados.

A defesa da democracia - antes que seja tarde e não se possa mais escapar do arbítrio, das grades e dos porões de um estado jurídico-policial (principalmente policial) que será institucionalizado com sua sagração nas urnas em 2018 - não será alcançada apenas colocando gente na rua ou limitando-se a luta política a uma dimensão partidária e eleitoral.

Até mesmo porque militantes não são coelhos - não se multiplica seu número simplesmente reunindo-os durante certo tempo em algum lugar - e o eleitorado antifascista, principalmente depois do massacre midiático dos últimos anos, vai continuar quantitativamente onde sempre esteve, historicamente, com aproximadamente um terço dos votos nacionais.
A esse terço, matemático, se contrapõe outro, equivalente, em termos numéricos, que se encontra, agora, nas mãos da extrema direita.

E uma terceira parte,  ignorante,  fisiológica, oportunista do ponto de vista partidário, que  - e é preciso fazer tudo para que isso não ocorra - também tende a pender para direita no segundo turno das próximas eleições.

Na verdade - e há muita gente boa que ainda não entendeu isso - mesmo que Lula seja eleito - caso lhe permitam ser candidato  - sem o convencimento real da maioria da população e uma grande diferença de votos, ele será derrubado, em poucos meses, como aconteceu com Dilma, por uma aliança entre os golpistas de sempre e certa mídia que está fazendo tudo - e tudo fará tudo que puder - para imopedir a sua volta ou permanência no Planlto do Planalto.
Como já nos cansamos de alertar aqui e em outros espaços desde 2013, a batalha de quem se preocupa em defender a Constituição, o Estado de Direito e a Democracia, assim como a da própria eleição futura, tem que ser travada não apenas no asfalto, já ocupado e dividido, quase salomonicamente, com a coxinhada, mas nos corações e mentes da população brasileira, com ânfase na parcela que, apesar de sua falta de informação ou conservadorismo, ainda não cerrou fileiras com o fascismo.

Além do processo político "comum" que transcorrerá na superfície, os neofascistas precisam ser combatidos onde tem tido maior sucesso,  comentário a comentário, site a site, página a página, e, principalmente nos grupos do Whatsapp, com argumentos sólidos, contrapondo-se dados concretos ao seu ódio e à sua ferrenha ignorância, a cada vez que se manifestarem nas redes sociais e nos grandes portais nacionais.
Afinal, já há campanhas presidenciais que estão se desenvolvendo na internet, a rédea solta, de forma cerrada e contínua, há vários meses, enquanto o campo democrático se debate no divisionismo e na pauta imposta pela Lava-Jato e a constante doutrinação e sabotagem da mídia conservadora.

É preciso dizer aos fascistas - fakes ou reais, não interessa de que tipo - que para cada um deles existe pelo menos um brasileiro que pensa diferente - motivado, convincente, racional, mais bem informado,  coerente, consciente, com paciência - se necessário for - para ser tão repetitivo e insistente quanto eles.

E não adiantam desculpas como perda de tempo ou o fato de que não se tem assinatura deste ou daquele "veículo".
Quem quer defender a democracia, que assine os grandes jornais e portais, pois não estará investindo mais do que na proteção do que resta das instituições e na sobrevivência futura - dentro da paz possível - em um país minimamente livre, de sua família.
O que não se pode é abandonar a internet - o maior instrumento de comunicação e de doutrinação já criado pelo homem - ao fascismo, como se fez, tola e irresponsavelmente - e não apenas no Brasil - nos últimos anos.
A grande missão de qualquer cidadão digno desse termo, nesta hora, deve ser a defesa e a restauração da verdade, torcida e vilipendiada pela "história oficial" vigente, montada, contada e recontada por uma plutoburocracia parcial e seletiva, totalmente descompromissada, geopolítica e estrategicamente, com o país, movida pela busca de mais poder e por seus interesses - que no mínimo coincidem com os de nossos concorrentes externos - e vaidade.
Debater com competência, números e fatos, com um adversário na internet pode até não mudar a opinião dele.
Mas arrisca a abalar suas certezas.
E impede que o público "neutro" que está acompanhando a discussão, lendo os comentários, venha a se deixar convencer, sem o benefício e a alternativa de uma segunda opinião, pela argumentação, costumeiramente mendaz e odiosa, dele.
Moro só pôde condenar Lula tranquilamente, da forma como o fez, porque o antilulismo, o antipetismo e o antibolivarianismo - filhos diletos e diretos do anticomunismo tosco, anacrônico e distorcido renascido nos neurônios da nação como um fungo  alucinógeno, contaminante e tumoral, nos últimos tempos - tomaram conta, por meio da rede, de uma massa amorfa e mal informada, confundindo-a e manipulando-a sem nenhum tipo de reação - nem de comunicação, nem jurídica - por parte de quem estava sendo atacado - durante quatro longos anos, implantando na cabeça da população um punhado de incontestados - por não terem sido prontamente respondidos - paradigmas.

Os mais simplistas - e logo, mais fáceis de serem desmontados - são aqueles que dizem que o PT quebrou o país, que foi implantado no Brasil um governo comunista nos últimos 15 anos, e que o PT odeia s Forças Armadas, por exemplo.


Isso, apesar de que o PIB e a renda per capita recuaram, segundo o Banco Mundial, em termos nominais, nos oito anos de FHC e de que as  dividas líquida e bruta serem menores hoje, com relação ao PIB, do que eram em 2002.
De o Produto Interno Bruto ter aumentado , nominalmente, pelo menos três vezes em dólares, nos ultimos 15 anos, com relação aos 604 bilhões de dólares do último ano de FHC.
E também de que pagou-se a divida com o FMI em 2005 e desde então, nos governos do PT,  multiplicaram-se por onze as reservas internacionais.

De que, longe de ser comunista, nunca o capitalismo no Brasil cresceu tanto, como na última década e meia, com a explosão dos ganhos do sistema financeiro, daqueles derivados da duplicação da produção agrícola, do aumento das exportações e da expansão do crédito e do consumo.
E de que, quanto à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica, em vez de ser contra as Forças Armadas, o PT foi responsável pelo lançamento do maior programa de rearmamento da defesa nacional nos últimos 500 anos, com medidas como a ordem para a construção - em parceria com a França - do primeiro submarino nuclear brasileiro, da nova família de rifles IA2, dos novos caças Gripen NG BR - por meio de acordo com a Suécia - sem falar de aviões cargueiros como o KC-390, de blindados ligeiros como o Guarani, do novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, de novos radares e sistemas de artilharia, como o Astros 2020, etc, etc, etc.

Esses são alguns dos argumentos que deveriam ser passados, democraticamente,  à opinião pública que faz uso da internet pelo computador e o celular.
Os links e as informações que os sustentam - se o PT quebrou o país como ainda somos o quarto maior credor externo dos EUA - http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt  ? - que os comprovam encontram-se ao alcance de qualquer um, bastando copiá-los e publicá-los, sempre que possível, no final dos comentários.
Informações de caráter social são importantes, mas opcionais, no caso do público protofascista, já egoísta e excludente por natureza - que é bombardeado, todos os dias, contra as "bolsas" e o "populismo" "esquerdopata".
O tempo não para - como diria o poeta - e o relógio da História também não se detêm, nem por um átimo.
Segundo a segundo, a cada passo silente, quase imperceptível, do mais fino dos ponteiros, estamos mais perto - e o Brasil mais próximo,  históricamente - da batalha decisiva das novas eleições presidenciais.
A saída de Temer e a eventual ascensão de Rodrigo Maia é pouco mais que irrelevante em termos eleitorais e nada mudará - a não ser para pior - da pauta entreguista e neoliberal em andamento.
O que importa - agora ou no ano que vem - é o próximo pleito.
Basta ler as reações à condenação de Lula na internet para ver onde estão aqueles que podem se levantar contra o autoritarismo.

Trancados, majoritariamente, em seus guetos, expondo, pela enésima vez, uns para os outros, como em um espelho estéril e infinito, sua indignação e perplexidade.

E ninguém apareceu para contestá-lo.  

Se essa ira, justa, diríamos, em muitos pontos, se transformar em força e se derramar para a internet como um todo, a partir desta semana, este poderá ser o momento da virada.

Se, no entanto, continuar contida, restrita e ineficaz, em termos de mudança de jogo - ontem, em comentário em artigo do Estadão no UOL, um sujeito afirmou, sem meias palavras, que, diante dos recursos que existem para que Lula escape à sentença de Moro, "para garantir logo, o melhor seria mandar logo este cabra pra debaixo da terra" e ninguém apareceu para contestá-lo até agora - o momento que estamos vivendo se transformará no marco simbólico da capitulação da liberdade e do direito de defesa, da antecipada rendição da resistência democrática, da prévia e definitiva entrega do país a um tipo de fascismo que, uma vez alçado ao poder, dicilmente irá apear-se dele novamente.

Mauro Santayana
Posted: 17 Jul 2017 04:28 AM PDT


O Globo


Manchete: Chineses planejam investir R$ 32 bi no Rio


Privatização da Cedae e compra de fatia da Light estão na mira

Com a recessão econômica, Brasil ficou mais barato para estrangeiros

Depois de entrar no consórcio do Galeão e anunciar a aliança com a Petrobras para construir uma refinaria no Comperj, os chineses pretendem estender seus negócios no estado. O projeto de privatização da Cedae, a venda da Light, a injeção de capital na Oi e o término da construção da usina nuclear de Angra 3 estão na mira. Se forem concretizadas, essas transações podem resultar em pelo menos R$ 32 bilhões em investimentos, revelam BRUNO ROSA e RAMONA ORDOÑEZ. O movimento é reflexo de um processo de internacionalização da China e da recessão que deixou os ativos mais baratos no Brasil e, em especial, no Rio. (Pág. 15)


Oposição ganha apoio em massa na Venezuela


Ao menos 7,6 milhões de pessoas, de um total de 19,5 milhões de eleitores, participaram de uma consulta popular organizada pela oposição na Venezuela. O plebiscito informal sobre a Constituinte proposta por Maduro também foi marcado por violência: opositores acusam um grupo ligado ao governo pela morte de uma enfermeira. (Pág. 21)


Fundo da Cedae é investigado


A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a CVM investigam a atuação de Eduardo Cunha no fundo de pensão da Cedae, a Prece. O esquema teria provocado rombo de R$ 2 bi. (Pág. 3)


Dilma gastou mais depois do mandato


No périplo internacional para contestar o impeachment, Dilma Rousseff gastou, no primeiro semestre deste ano, em diárias e passagens, três vezes mais do que todos os ex-presidentes juntos. (Pág. 4)


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O Estado de S. Paulo





Manchete: Dívida de inadimplentes supera em 3 vezes o salário


Maior parte das dívidas foi contraída nos últimos três anos, período de agravamento da crise econômica

O brasileiro inadimplente – com mais de 90 dias de atraso nos compromissos – deve, em média, três vezes o que ganha. A maior parte das dívidas foi feita nos últimos três anos, período que coincide com o agravamento da crise econômica. É o que revela pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery, feita pelo instituto Data Popular. Desde 2014, a taxa de desemprego mais que dobrou, atingindo 14 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o brasileiro teve de conviver com a disparada da inflação (hoje controlada), escassez de crédito e juro alto. Foi uma combinação perfeita para o aumento da inadimplência, que atinge 61 milhões de pessoas – recorde desde o início do indicador de Inadimplência do Consumidor da Serasa Experian, há cinco anos. (ECONOMIA / PÁG. B3)


Longe do fim, Lava Jato ainda tem de concluir 244 inquéritos


Passados quase três anos e meio de investigações, a Operação Lava Jato tem ainda 244 inquéritos e procedimentos abertos e 40 ações penais em andamento na Justiça Federal em Curitiba. Após a condenação do ex-presidente Lula, a força-tarefa ainda apura desdobramentos da compra de Pasadena, palestras de Lula, construção da Usina Belo Monte e improbidade de partidos, como PT e PMDB. (POLÍTICA / PÁG. A4)


Direto da fonte


Candidatura hesitante

Marina Silva, líder da Rede, ambiciona candidatura própria do partido à Presidência, mas não se lança ainda ao pleito. (CADERNO2 / PÁG. C2)


Ferrogrão ganha um concorrente


Apontada como alternativa para o escoamento de grãos do Centro-Oeste, a Ferrogrão, idealizada pelas comercializadoras agrícolas, está mobilizando investidores nacionais e estrangeiros para tirar do papel o projeto de R$ 12,6 bi. No momento em que o governo deve abrir consulta para licitação, a ferrovia ganha um concorrente, a Rumo ALL, do grupo Cosan. (PÁG. B1)


Lúcia Guimarães


Estamos na era do partidarismo negativo, o governar contra algo ou alguém. (CADERNO2 / PÁG. C8)


Notas & Informações


A convalescença, o BC e o FMI

O Brasil pode ter saído da UTI econômica, mas sua recuperação continua lenta e com os sinais oscilando. IBC-Br e o informe do FMI tanto confirmam a tendência de melhora como reforçam os motivos de preocupação. (PÁG. A3)

Conta amarga do PT

Os descontos nos vencimentos dos trabalhadores e aposentados cobrem apenas metade do rombo dos fundos de pensão. (PÁG. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete: Teto a todo aposentado geraria R$ 50 bi por ano


Estudo mostra economia caso limite atingisse 100%dos servidores públicos

O governo economizaria ao menos R$ 50 bilhões por ano em despesas da Previdência se todos os benefícios concedidos já fossem limitados ao teto. Isso seria suficiente para financiar o Bolsa Família, por exemplo. É o que aponta um estudo feito por pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O trabalho visa dar a dimensão do custo de garantir uma renda maior aos servidores que ganham acima do limite, estabelecido em R$ 5.531,31 em 2017. O teto vale para trabalhadores do setor privado e para funcionários públicos que ingressaram a partir de 2013, desde que tenham previdência complementar. A União criou um fundo para esse fim, mas a maioria dos Estados e a totalidade dos municípios, não. Se a reforma proposta pelo governo for aprovada, todos eles terão prazo de dois anos para criar a previdência adicional. A partir daí, o teto valerá para todo os servidores públicos contratados depois de 2013. O limite também reduziria a desigualdade. Em 2015,benefícios acima do teto eram só 3,5% do total concedido, mas representavam 20,9% da renda de aposentadorias. Entidades representativas do funcionalismo público defendem o modelo previsto no projeto de reforma que tramita atualmente no Congresso. (Mercado A15 e A18)


Temer usará reformas para se fortalecer contra denúncia


O presidente Michel Temer usará o recesso parlamentar, que começa na terça (18), para tentar tirar a denúncia contra ele da agenda política.Acusado de corrupção passiva, o peemedebista quer jogar para setembro a votação na Câmara— marcada para o dia 2 de agosto. Temer avalia que é urgente se reaproximar de empresários. Para isso, ele defende destravar discussões sobre a reforma tributária, parada desde abril, e rediscutir a da Previdência. (Poder A4)


Isabela, mulher de Odebrecht, vira personagem na carceragem da PF (Poder A8)





Celso Rocha de Barros


Esquerda precisa viver sem a ideia de Lula no páreo

É sempre arriscado escrever que a carreira política de Lula acabou, mas a sentença do juiz Sergio Moro deverá interrompê-la com o petista liderando a corrida eleitoral para o Planalto em 2018. A condenação inclusive força o Judiciário a ser duro com outros políticos. É hora de a esquerda começar a aprender a viver sem a perspectiva de o petista ser eleito presidente. (Poder A6)


Entrevista da 2ª: PT e PSDB se mantiveram reféns do atraso


Fernando Haddad

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) diz que os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso erraram por não terem criado bases mínimas para uma convivência entre petistas e tucanos, tornando- se “reféns do atraso”. Ele defende a candidatura de Lula e desconversa sobre as próprias pretensões. (A14)


Editoriais


Leia “Lava Jato na balança”, sobre a aprovação de Raquel Dodge para a Procuradoria- Geral, e “Apuros de Macri”, a respeito da conjuntura argentina.(Opinião A2)


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Mídia
Posted: 17 Jul 2017 04:21 AM PDT


Não há problemas em um veículo declarar uma tendência de direita ou de esquerda, favorável a esse ou àquele partido. A princípio, declarar-se como tal seria transparência com o público.

Afinal, se um veículo defende alguém é melhor que ele diga isso do que fingir ser isento, imparcial e objetivo. O problema é quando esse veículo usa uma concessão pública para fazê-lo.

Por mais que sejam empresas, que naturalmente têm interesses econômicos, elas têm responsabilidades definidas pela Constituição. Seu dever é servir a sociedade e não se servir dela. Assim, a busca pela objetividade torna-se uma lei.

Mas não é o que acontece. A condenação do ex-presidente Lula e a cobertura dos processos envolvendo o petista escancaram uma série de mecanismos de manipulação, sutis porém não menos perigosos, que mostram uma tentativa de destruir a imagem do ex-presidente, do PT e até da esquerda, preservando a de quem for conveniente.

Confira 11 técnicas de manipulação que vêm sendo utilizadas na cobertura desse momento político:

1 – DESQUALIFICAÇÃO DE UM LADO


No dia da condenação de Lula, uma reportagem dos noticiários da Globo repercutia a sentença com parlamentares petistas. Antes da presidente do partido falar, a repórter se referia a Gleisi Hoffman como “ré na Lava-Jato”. O mesmo foi feito com o senador Humberto Costa, “investigado na Lava Jato”. A mensagem que fica é que são corruptos defendendo um corrupto.

O problema não é citar o histórico judicial de um político. Problemático é fazer isso só quando se trata do PT. No caso da direita, não se faz o mesmo a todo tempo. Na mesma reportagem em que Gleisi é chamada de “ré na Lava Jato”, por exemplo, Paulo Bauer, que já foi condenado por improbidade administrativa em Santa Catarina e gravado falando de um esquema de contratação de funcionários fantasmas, é citado apenas como “senador pelo PSDB”.

O mesmo tratamento é dado à senadora Ana Amélia (PP), indicada pelo marido na década de 1980 para ocupar um cargo comissionado em Brasília e acusada anos mais tarde de ocultar uma propriedade rural. No vídeo, ela defende que “a lei é para todos”.

2 – FALSA UNANIMIDADE


Uma grande comunidade de juristas criticou a sentença contra Lula, alegando inexistência de provas, assim como a denúncia apresentada no ano passado pelo procurador Deltan Dallagnol. As críticas quase não apareceram no rádio ou TV. É como se ninguém sério fosse contra a conduta adotada pelos magistrados de Curitiba, só o PT.

3 – ASSOCIAÇÃO DESPROPORCIONAL


No dia da condenação, William Waack, apresentador e editor do Jornal da Globo, abriu o noticiário comemorando a sentença, dizendo que representava um feito contra os “poderosos”. Não mencionou que os processos contra os típicos representantes das elites andam bem mais devagar e com menos rigor, como no caso de Aécio Neves, Michel Temer, os presidentes das duas casas no Congresso, Geddel Vieira Lima e por aí vai…

A Revista Veja, em capa recente, coloca Aécio, Lula e Temer na imagem de um mesmo barco. Ignora que a robustez das acusações contra Aécio e Temer é flagrantemente muito maior do que em relação a Lula.

4 – DISTANCIAMENTO SELETIVO


Na hora de ler o posicionamento do PT à sentença de Moro, o repórter no Jornal Nacional diz: “segundo o partido, trata-se de uma medida equivocada, arbitrária e absolutamente ilegal. Afirma ainda que o processo foi conduzido por um juiz parcial, que segundo o PT, presta contas aos meios de comunicação e àqueles que não aceitam a trajetória de sucesso de Lula na presidência”.

Na segunda frase, utiliza-se novamente “segundo o PT”, sendo que o início da frase já introduzido pelo verbo “afirma”, cujo sujeito é o Partido dos Trabalhadores. Isto é, já foi dito que quem fala é o partido. Então, qual a necessidade de reafirmar essa informação num intervalo de tempo tão curto?

5 – ASSUMIR O DISCURSO DA PROCURADORIA COMO VERDADE


Reportagem do G1 ilustra uma postura recorrente em parte da grande imprensa brasileira: “A acusação é pela ocultação da propriedade de uma cobertura triplex em Guarujá, no litoral paulista, recebida como propina da empreiteira OAS, em troca de favores na Petrobras”. O trecho dá como verdade que houve ocultação da propriedade.

A imprensa internacional sempre menciona “de acordo com a procuradoria, …”.

6 – ASSUMIR O DISCURSO DO JUIZ COMO VERDADE


Ainda na abertura do Jornal Nacional do dia 12 de julho de 2017, William Bonner diz: “Moro analisa provas documentais, periciais e testemunhais”. E mais à frente: “Sérgio Moro analisa minuciosamente as provas documentais, periciais e testemunhais para concluir: ‘o ex-presidente Lula é culpado dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro’”.

O apresentador chama de “provas” aquilo que parte da comunidade jurídica entende como “indícios”. Ao dizer que Moro “analisa minuciosamente” as chamadas provas, Bonner defende a atuação do magistrado, o que, numa concessão pública e em tempos de tanta desconfiança e polarização, não é uma postura “prudente”.

7 – ASSUMIR O DISCURSO DOS DELATORES COMO VERDADE


“Na sentença, o juiz Sergio Moro também cita o depoimento do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, que confirmou que o triplex foi reservado à família de Lula em 2009, que a OAS não poderia vender o imóvel e que a diferença de preço do imóvel e o custo das reformas seriam abatidos das dívidas de propinas do Grupo OAS com o PT, ligado ao esquema da Petrobras.”

O trecho de reportagem do G1 traz um problema também recorrente na conduta de parte da mídia brasileira. Usar verbos como “confessar” e “confirmar” denotam verdade, o que não sabemos estar havendo ou não na palavra dos delatores.

No ano passado, por exemplo, o delator Otávio Azevedo, da empresa Andrade Gutierrez, afirmou que havia depositado um cheque no valor de R$ 1 milhão como propina à campanha de Dilma Rousseff, discurso que foi desmontado quando a defesa dela apresentou um comprovante de que o cheque foi, na verdade, depositado para Michel Temer.

Sendo assim, quando se trata da palavra de um delator, é mais prudente usar os verbos “dizer” e “afirmar”.

8 – APONTAR CONTRADIÇÕES


Quando Lula prestou depoimento a Moro, William Bonner frisou que, em um determinado momento, o juiz Sérgio Moro percebeu uma contradição de Lula.

No entanto, não menciona contradições de outro tipo, como a de que o delator Léo Pinheiro, da OAS, primeiro inocentou Lula e obteve vasta condenação. E que só depois de mudar de discurso, obteve acordo de delação premiada e redução da pena.

9 – ESCONDER QUE OUTROS PARTIDOS DE ESQUERDA CONDENARAM A DECISÃO


Quando só petistas são ouvidos para criticar a condenação de Lula, esconde-se que outros partidos, inclusive críticos ao PT, também são contrários. Exemplo foi o comunicado do PSOL, que pouco ou nada repercutiu na grande imprensa. A posição do partido foi publicada no mesmo dia.

10 – ASSOCIAÇÃO VISUAL


A imagem de um esgoto por onde escorre dinheiro como plano de fundo para a imagem de quem é acusado já é uma condenação implícita, a exemplo do que sempre fazem os noticiários da TV Globo. Não sabemos e não importa se uma pessoa é inocente ou culpada, mas a prática dos jornais da emissora é colocar a imagem do acusado sobre a do dinheiro sujo. Assim, desrespeita-se o princípio constitucional de presunção de inocência. O que há é a presunção de culpa. Assim, basta ser investigado para ser automática e imediatamente condenado.

11 –  POUCA VISIBILIDADE ÀS PESQUISAS DE ELEITORADO


Diversas pesquisas eleitorais vêm sendo realizadas, apontando Lula como o líder das intenções de voto para as eleições do ano que vem. A baixa visibilidade que as pesquisas encontram em parte da imprensa, principalmente na TV Globo, contribui para a tese de que é esse o verdadeiro motivo pelo qual Lula está sendo condenado.

DCM


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