sexta-feira, 21 de julho de 2017

21/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 21 Jul 2017 08:51 AM PDT
Por Altamiro Borges

O farsante Paulo Skaf, amigo íntimo de Michel Temer e filiado ao mesmo partido do usurpador, não teve como escapar. Diante da forte pressão nas redes sociais, ele anunciou nesta sexta-feira (21) que a decadente Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) vai ressuscitar o seu pato amarelo contra o aumento dos tributos sobre os combustíveis decretado pelo covil golpista. Até a revista Época, da agora “oposicionista” famiglia Marinho, cobrou uma atitude do velhaco oportunista, metido em inúmeras falcatruas.

“Em março, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que colocaria o pato amarelo – que se tornou um símbolo da resistência contra o aumento dos impostos no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff – nas ruas diante da possibilidade de o governo do presidente Michel Temer elevar os tributos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na quarta-feira (19) que o governo vai aumentar o PIS-Cofins sobre os combustíveis para diminuir o estrago nas contas públicas. O pato amarelo vai voltar?”, ironizou o jornalista Murilo Ramos.

Frente às cobranças e ao inevitável desgaste, o coronel da Fiesp se travestiu de valentão e se disse “indignado” com a cacetada de Michel Temer. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”. Em uma nota lacônica, ele ainda afirmou na maior caradura que a Fiesp se mantém “independente de governos... Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato”.

Será que o farsante voltará a usar o enorme luminoso da fachada do prédio da Fiesp na Avenida Paulista para protestar contra o governo? Será que distribuirá milhares de patinhos amarelos para os mais incautos? Será que patrocinará um “acampamento” de jovens amestrados em frente ao edifício? Será que a Fiesp usará a grana do Sistema S para convocar novas manifestações de rua? A conferir até onde vai a “indignação” de Paulo Skaf, que tem o rabo preso com os velhos corruptos do PMDB e já foi citado várias vezes nas delações de executivos da Odebrecht e de outras empreiteiras.

A conferir, também, qual será a atitude dos “coxinhas”, que foram utilizados como massa de manobra pela cloaca empresarial na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff. Como otários, eles ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer e Paulo Skaf, que liquidou os direitos trabalhistas, pretende acabar com a aposentadoria e ainda aumenta os impostos. Eles foram os verdadeiros patos nesta triste história da democracia brasileira.

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Posted: 21 Jul 2017 07:07 AM PDT
Por José Carlos de Assis, no Jornal GGN:

O aumento de impostos para reduzir o déficit público é uma dessas demonstrações de estupidez da política econômica neoliberal que mostra o descompasso entre classes dominantes, donas dos meios de produção, e as elites dirigentes, que governam em seu nome. Uma política econômica progressista admitiria sem maiores problemas crescimento de déficit público e rejeitaria o aumento de impostos. A estupidez neoliberal propõe o oposto.

É muito importante que as elites dirigentes continuem estúpidas. A receita keynesiana para superação do desastre econômico em que nos encontramos pressupõe o gasto público deficitário, convertido em compras reais de bens e serviços pelo governo. Busca-se, com isso, estimular a economia, a demanda, o investimento, o emprego. Entretanto, esse déficit será inútil para o crescimento se for “queimado” na ciranda financeira.

Nossa sorte é que o contador Henrique Meirelles, tão ignorante de economia como o próprio Michel Temer, esteja afogado em ideologia neoliberal de tal forma que acredita que o déficit público é sempre prejudicial. Bom mesmo é o equilíbrio orçamentário, diz ele, que para isso fez a emenda do congelamento dos gastos públicos por 20 anos. A partir dele o empresariado adquire “confiança” no governo e, em seguida, começa a recuperação econômica. Acreditar nisso é como acreditar em Branca de Neve e nos Sete Anões.

Esse tipo de crença ideológica nos pressupostos neoliberais tem suas vantagens para a cidadania. Se acreditasse no déficit público para reverter a recessão, como fazemos nós, keynesianos, Meirelles poderia tomar o caminho de aumentá-lo, porém em lugar de destinar os recursos para a economia real, de forma a puxar os investimentos e o emprego, poderia destiná-lo exclusivamente à especulação financeira com a dívida pública, como já faz com o déficit de 139 bilhões de reais previsto para este ano.

O aumento anunciado de impostos sobre a gasolina é absolutamente inútil. Reduzirá a massa de lucro ou, mais provavelmente, a massa salarial. Em ambos os casos, serão novos elementos de contração da economia, que continuará em depressão pelo terceiro ano consecutivo. Se não implicasse mais desemprego e mais queda de renda real, a medida anunciada seria um bom motivo para festejar o eventual “remorso” das classes dominantes em ter forçado o impeachment dois anos atrás.

O tipo de imposto escolhido por Meirelles para ser aumentado poupa o sistema financeiro. Este ponto infelizmente é pouco percebido pelo empresariado produtivo. Este se comporta ideologicamente como escravo da financeirização. Os sintomas dessa escravidão são remotos. Há décadas toleramos as taxas básicas de juros mais altas do mundo. Em parte por ser sócio menor da financeirização, o empresário produtivo tem medo de atacar, por solidariedade de classe, os assaltos explícitos do setor financeiro. Entretanto, ao perceber o peso de um tributo que ficará à margem dos bancos, o empresariado produtivo poderá vir a ser um aliado do povo nessa batalha econômica contra o deus Mamon, o dinheiro - conforme denunciado pelo senador Roberto Requião seguindo a linha do Papa Francisco.
Posted: 21 Jul 2017 07:01 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Daniel Szames passeava de escuna pela baía de Paraty quando viu a praia de Santa Rita com uma construção ostensiva, boias que impediam o acesso, um deck de grandes proporções e a construção de três andares incompatível para região que é reserva da natureza, a Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu.

Ele queria parar na praia, mas o condutor da escuna informou que não poderia. No passado mais distante, quando a área pertencia a Francisco William Munhoz e sua irmã, Elizabeth, o acesso era livre, mas, depois que “um membro da família do sr. Roberto Marinho” comprou o sítio, a praia e um pedaço de mar foram “privatizados”, como se diz em Paraty.

Caso o barqueiro passasse pela barreira, ele não conseguiria entrar na praia, pois havia seguranças e cachorros que impediriam o desembarque.
Daniel, que é de Rio das Ostras e trabalha como técnico na Justiça Federal, não se conteve. Ele mandou um e-mail para o Ministério Público Federal e pediu providências.

“Além do relato dessa pessoa (o condutor da escuna), que toda semana passa pelo local, por conta do trajeto rotineiro do passeio de escuna, pude ver tudo o que estou informando. Lamentavelmente não pude fotografar o local, pois minha câmera estava com defeito. Acredito que, por se tratar de propriedade de uma família com tanta influência e poder econômico, muitos jornalistas, políticos e autoridades locais tenham temor de investigar o caso, porém é sabido que a lei tem de ser igual para todos. Necessário se faz, ao meu ver, uma diligência ao local”, escreveu.

Era setembro de 2009, houve diligências no local, através de técnicos ambientais do Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente. A Polícia Federal abriu inquérito e, um ano depois, tiveram início dois processos – um criminal, por violação de leis ambientais, e outro civil, visando à demolição da casa, que já foi premiada pela beleza arquitetônica.

Mas, decorridos quase oito anos da denúncia, a mansão continua lá e os nomes da família Marinho desapareceram do processo. Nos documentos em cartório e no processo, aparecem registros de uma empresa brasileira, a Agropecuária Veine, controlada por uma empresa de Las Vagas, a Vaincre, por sua vez sob domínio de por offshores abertas no Panamá pelo escritório Mossack Fonseca, sem identificação dos reais proprietários.

São indícios veementes de ocultação de patrimônio, com finalidade de lavagem de dinheiro. No cartório de Paraty, onde foi assinada a escritura, o real proprietário é de conhecimento dos funcionários. Segundo um deles me disse, pertence à família de um dos donos da Globo, João Roberto Marinho, mas ele nunca apareceu lá para cuidar da documentação. Sempre foi seu genro, agora ex-genro, Alexandre Chiappetta Azevedo.

Quando fez a denúncia, Daniel pediu reserva quanto à divulgação do seu nome, mas ele aparece logo nas primeiras páginas do processo. Esta semana, eu o localizei e perguntei por e-mail se ele tinha arrependimento por ter feito a denúncia, já que, até agora, não houve nenhuma punição, e o tríplex continua lá, desafiando as autoridades ambientais.

“Arrependimento nenhum”, respondeu ele, apesar do caso mostrar que, ao contrário do que ele imaginava em 2009, quando fez a denúncia, a lei não é para todos.

“Eu só estava fazendo um passeio de barco na época ali no local e o barqueiro da escuna me explicou que aquela praia era pública, como qualquer outra da região de Paraty, e que, após a compra daquela casa, aquela família fechou o acesso à praia, colocando um deck enorme ali, como eu pude ver na hora, e cães ferozes e seguranças ali no deck”, afirmou.

Daniel não quis falar mais e também se referiu aos Marinhos como “aquele família”. O tríplex de Paraty é um dos símbolos de um Judiciário caracterizado por seletividade. Apenas a título de comparação: a denúncia a respeito do tríplex atribuído a Lula foi apresentada em setembro do ano passado e, dez meses depois, já existe condenação e sequestro de bens.

No caso da Paraty House, a Justiça Federal recebeu a denúncia há sete anos e não houvesse consequência mais severa. Sobrou para um arquiteto do Rio de Janeiro, que tem mais de 70 anos de idade. Numa transação penal, ele fez uma doação em produtos, no valor de pouco mais de 1.000 reais, para um asilo de Paraty. Já está quite com a Justiça.

A representante da empresa que tem a propriedade formal do sítio e da casa na praia de Santa Rita, uma senhora que também tem mais de 70 anos de idade, nunca prestou depoimento, apesar de intimada cinco vezes pela Polícia Federal e duas pela Justiça.

Numa das ironias do destino, a indicação de quem está por trás da empresa de fachada que tem a propriedade do imóvel foi parar na mesa do juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

Ali aparece o nome de Paula Marinho, como responsável pelo pagamento das taxas de manutenção das empresas offshore – não por acaso, relacionadas no escândalo de lavagem de dinheiro conhecido como Panamá Papers.

Moro não demonstrou a mesma celeridade que tem apresentado no caso de Lula. Os papéis que relacionam Paula Marinho, filha de João Roberto Marinho, à Paraty House estão parados em algum escaninho entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a 13ª Vara Federal de Curitiba.

O contador Jorge Luiz Lamenza, do Rio de Janeiro, foi quem abriu a empresa usada para a compra do sítio em Paraty. Eu também o localizei.

“Não sei quem estava por trás da empresa. Um escritório de advocacia me procurou e eu abri a empresa, num trabalho absolutamente profissional, acho que foi em 2006. Na época, era comum que o contador figurasse como representante, e foi isso que fiz. Hoje não faria de novo, pois agora está mais claro do que nunca que existe muita maldade. Você não sabe a finalidade da empresa”, disse.

A Veine, dona da Paraty House, é da família Marinho? “Não sei. Como disse, foi um advogado que me contratou para abrir a empresa. Quando houve inquérito na Polícia Federal, eu saí da empresa e hoje não tenho mais nenhum contato com esse escritório”, respondeu.

O escritório a que ele se refere é de Miguel Bechara Júnior, de São Paulo, que teve seu nome relacionado à abertura de empresas offshore pelo escritório da Mossack Fonseca em São Paulo.

Tudo isso passou pela mesa de Sérgio Moro, em Curitiba, pois a apreensão dos papéis da Mossack Fonseca foi autorizada por ele, quando a PF suspeitava que pudesse encontrar ali algo relacionado ao tríplex do Guarujá, que ele decidiu que pertence a Lula.

Moro não conseguiu provar essa propriedade, mas o condenou assim mesmo. Já a propriedade do tríplex de Paraty já está quase provada. Falta um pouco só de vontade de avançar na investigação. Mas parece não haver interesse na busca da verdade.
Posted: 21 Jul 2017 06:52 AM PDT
Por Theófilo Rodrigues, no blog Cafezinho:

Volta e meia retorna ao debate público o tema da mudança de sistema de governo no Brasil. Os propositores do debate argumentam em favor da substituição do presidencialismo pelo parlamentarismo como solução para as recorrentes crises políticas pelas quais o país passa.

O debate não é novo. O parlamentarismo já foi objeto de dois plebiscitos nos últimos cinquenta anos: um em 1963 e outro em 1993. E nas duas vezes foi derrotado pelo voto popular. Afinal de contas, em sã consciência e sem constrangimentos externos, por qual razão os eleitores concordariam em abrir mão do direito de escolher o governante maior do país e passariam esse poder para outros?

Não obstante a recusa popular expressa nos dois plebiscitos, insistentes lideranças não desistiram de articular em favor da proposta.

Presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati aproveitou seu último artigo publicado na Folha de São Paulo (13/07/2017) para fazer a defesa do parlamentarismo. “Não vejo o parlamentarismo como solução para a crise, mas como fator de estabilidade e governabilidade a longo prazo”, escreveu Jereissati.

No ano anterior, no Estado de São Paulo (14/01/2016) o também senador tucano, José Serra, havia feito a mesma defesa: “O advento do parlamentarismo vai exigir e ao mesmo tempo favorecer, como condições simultâneas, mesmo que implantadas de maneira gradual, mudanças na gestão governamental, incluída a profissionalização da direção de órgãos públicos”, defendeu Serra.

Aliás, diga-se de passagem, essa agenda faz parte do programa do PSDB desde sua fundação; Franco Montoro e Fernando Henrique, fundadores do partido, foram notórios porta vozes da proposta – em 1991, FHC publicou interessante artigo em defesa do parlamentarismo na Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, no. 32, da USP.

No PMDB não é muito diferente. Enquanto esteve empossado como presidente da república, José Sarney foi um severo crítico do modelo parlamentarista. Há quem aponte, inclusive, que a proposta não teve prosseguimento na Constituinte de 88 por pressão de Sarney. Contudo, desde 2013, pelo menos, o ex-presidente vem defendendo a proposta como item primeiro de uma reforma política.
O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, e o atual presidente da República, Michel Temer, são outros importantes peemedebistas defensores do parlamentarismo.

Outro ex-presidente, Fernando Collor de Mello, também é autor de proposta de adoção do parlamentarismo no Brasil. Logo em seu primeiro ano como senador pelo PTB, em 2007, Collor apresentou Proposta de Emenda Constitucional nessa direção.

Os argumentos contrários ou favoráveis são muitos. Mas talvez a principal pergunta que precise ser respondida é: a quem interessa?

O atual sistema político presidencialista brasileiro vigora desde a eleição de Collor em 1989. De lá para cá, tivemos sete mandatos presidenciais eleitos: três à direita do espectro político – um do próprio Collor e dois de FHC – e quatro à esquerda – dois de Lula e dois de Dilma. Ou seja, o voto popular, via eleições diretas, garantiu um equilíbrio de forças políticas nos mandatos presidenciais.

Nesse mesmo período, o país teve 17 presidentes da Câmara dos Deputados: 5 do PFL/DEM; 5 do PMDB; 2 do PP; 1 do PSDB; 3 do PT; e 1 do PCdoB. A majoritariedade do campo conservador na Câmara é evidente: ao todo foram 13 nomes da direita do espectro político contra apenas 4 da esquerda. No parlamentarismo, esses seriam os chefes de governo, ou primeiros-ministros.

Se o parlamento fosse um reflexo perfeito das preferências dos eleitores, não haveria problema algum com o parlamentarismo. Mas é difícil acreditar que hoje esse reflexo exista.

Diversas pesquisas feitas na eleição de 2014 mostraram que para ser eleito, um deputado federal precisaria investir aproximadamente 1,2 milhão de reais. As exceções, em geral, ficam por conta dos representantes das igrejas e daqueles que são artistas de televisão. Mas e os que não tem fortes patrocinadores, que não são pastores ou que não passaram pelo Big Brother, como ficam?

Isso talvez explique por qual motivo são tão poucos os representantes dos trabalhadores no parlamento. De acordo com o DIAP, a bancada sindical em 2015 era formada por apenas 46 deputados federais dentre os 513. Já os deputados que se declaram empresários são quase 200, segundo levantamento da Agência Pública.

A recente decisão tomada pelo STF em 2015 de pôr fim ao financiamento empresarial de campanhas pode contribuir para a redução dessa assimetria. Mas a verdade é que seus resultados ainda são uma incógnita. Somente o teste eleitoral de 2018 indicará se algo mudou.

Enquanto essa assimetria não for reduzida, o direito da maioria da população de escolher diretamente através de um presidente qual o programa de políticas públicas quer para o país deverá ser mantido. E qualquer proposta em sentido contrário será considerada mais um ataque contra a democracia.

* Theófilo Rodrigues é professor de Teoria Política Contemporânea no Departamento de Ciência Política da UFRJ.
Posted: 21 Jul 2017 06:45 AM PDT
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Por onde andarão os patos amarelos da Fiesp que enfeitavam as avenidas paulistanas e a Esplanada dos Ministérios em Brasília durante os protestos do ano passado contra a corrupção e o aumento de impostos?

Em lugar deles, agora podem ser encontrados moradores de rua molhados por jatos d´água pelo serviço de limpeza urbana da Prefeitura de São Paulo no dia mais frio do inverno, segundo noticiou a rádio CBN.

Com o anunciado aumento do imposto nos combustíveis a partir desta quinta-feira, será que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, agora vai soltar os patos enfurnados em algum porão?

Até o fechamento desta edição, Skaf ainda não tinha se manifestado sobre o aumento da taxação de PIS e Cofins na gasolina e no diesel, que vai provocar um efeito cascata nos preços de toda a cadeia produtiva.

Pelo zap-zap no celular, o prefeito João Doria atribuiu a molhação de roupas e cobertores dos mendigos a um "descuido" dos funcionários e recomendou "mais cuidado nos serviços de limpeza".

Até por uma questão humanitária, nestes dias gelados na cidade, talvez seja o caso de fazer uma nova parceria público-privada, tão ao gosto do prefeito, para ceder o albergue dos patos da Fiesp aos sem-teto, já que os da Prefeitura não tinham mais lugar.

Às quatro e meia da tarde, segundo a Folha, 15 pessoas aguardavam na fila do lado de fora para tentar entrar no centro de atendimento instalado próximo à praça Princesa Isabel, no centro.

No mesmo dia, a Prefeitura anunciou a inauguração de uma nova unidade de acolhimento com 460 vagas.

Como acontece diariamente nos Estados Unidos de Donald Trump, há duas versões opostas para o mesmo fato:

* Prefeito João Doria: "Por uma circunstância, molharam alguns cobertores das pessoas em situação de rua. Jamais profissional, seja da Prefeitura ou terceirizado, jogou jatos d´água nas pessoas. Essa é uma mentira".

* Daniela Batista de Oliveira, 28 anos, moradora de rua: "É uma humilhação isso aí, e no maior frio. A gente estava dormindo e chegaram jogando água. Eles molham todo mundo, não estão nem aí. Depois quem morre é a gente, e não eles, que têm as casas e os empregos deles".

* José Carlos dos Reis, 59, morador de rua da praça da Sé: "Os termômetros estavam marcando menos de 10 graus. Vieram tirar barraca, jogaram água cedinho, começaram a brigar para não levar os pertences. O prefeito tinha que dar uma assistência melhor".

Na noite anterior, um morador de rua, até agora não identificado, foi encontrado morto de frio em Pinheiros, na zona oeste, sem marcas de violência.

Segundo a Prefeitura, as empresas de limpeza foram notificadas "para que apurem se houve intercorrência" e foi feita a distribuição de mais de mil cobertores em várias regiões da cidade.

Ao levar cobertores pessoalmente, à noite, para a região da Estação Marechal Deodoro do metrô, o prefeito Doria foi hostilizado por um grupo de moradores de rua que o chamaram de "assassino", relatam os repórteres Guilherme Seto e Giba Bergamim Jr., da Folha.

Em Brasília, para evitar que o deficit fiscal ultrapasse o rombo de R$ 139 bilhões previsto no orçamento deste ano, o governo estuda também o aumento da Cide, outro imposto sobre combustíveis.

Enquanto isso, com o Congresso em férias, o PMDB de Michel Temer e o DEM de Rodrigo Maia disputam o espólio do PSB, o antigo Partido Socialista Brasileiro.

E vida que segue.
Posted: 21 Jul 2017 06:36 AM PDT
Posted: 21 Jul 2017 06:24 AM PDT
Por Rubén Armendáriz, no site Carta Maior:

Pela primeira vez desde 2006, uma cúpula presidencial do Mercado Comum do Sul (Mercosul) não estará acompanhada pelo tradicional evento paralelo oficial dedicado a temas sociais, com a participação dos ministros dessas áreas, por decisão do país que exerce a presidência pro tempore, a Argentina – obviamente apoiada pelos demais membros.

Na próxima sexta-feira, dia 21 de julho, o Hotel Intercontinental da cidade de Mendoza receberá Michel Temer, o presidente de facto do Brasil, país que assumirá a presidência pro tempore do organismo que suspendeu a Venezuela e ficou reduzido ao tridente de presidentes conservadores – o argentino Mauricio Macri, o paraguaio Rodolfo Cartes, e o próprio Temer – e um quarto (o uruguaio Tabaré Vásquez) que embora eleito por uma coalizão de esquerda não tem força para se desmarcar da tendência seguida por seus pares.

A cúpula de chefes de Estado será precedida por mesas de discussão – nas quais participarão funcionários governamentais de menor hierarquia – sobre a integração entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, e se fará uma avaliação dos avanços para se chegar ao esperado acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que tem enfrentado certa oposição nos últimos meses.

O prato principal do encontro será servido no dia anterior, quando a Faculdade de Artes e Desenho da Universidade de Cuyo, no Parque Independência da mesma cidade de Mendoza, será sede da Cúpula dos Povos, um evento convocado pelas organizações sociais, a partir do desprezo recebido pelas mesmas por parte dos presidentes.

Organizações políticas, sociais, culturais e sindicais dos países da região – do Caribe até a Patagônia – trabalhadores, camponeses, indígenas, jovens, intelectuais e idosos, pessoas de todos os setores sociais, de todos os âmbitos, mulheres e homens amantes da paz se reunirão para fazer com que a voz de todos os povos seja ouvida, num forte grito contra as políticas neoliberais e antipopulares de alguns governos da região.

O texto da convocatória lembra que “esses governos de ideário neoliberal tentam reverter os avanços socioeconômicos e trabalhistas alcançados na última década. Seu discurso está cheio de palavras vazias e o pior é que suas políticas perpetuam um modelo que torna os nossos países cada vez mais miseráveis e injustos”.

Neste contexto, os Estados Unidos não abandona sua estratégia de dominação geopolítica, e tenta por todos os meios reafirmar sua hegemonia no continente, com tratados de livre comércio bilaterais ou regionais, “assistência” técnico-militar, desestabilização de governos eleitos democraticamente, bloqueios econômicos (contra Cuba e Venezuela) golpes de Estado parlamentares (como em Honduras, no Paraguai e no Brasil), ingerência e ameaças de intervenção militar (na Venezuela), pretendendo inclusive impor sua política interna de “segurança nacional” em toda a região.

Diante disso, a Cúpula dos Povos analisará a construção da soberania regional no contexto global, o que significa dizer não ao endividamento, à entrega dos recursos naturais, à ingerência estrangeira em nossa região e às diversas formas de colonialismo. Se trata da construção de uma região política, econômica e culturalmente soberana.

Ainda assim, também será avaliada uma possível conformação de uma nova institucionalidade, dedicada a enfrentar o neoliberalismo, além de analisar o estado da democracia na América do Sul, o que supõe um debate acerca dos limites da institucionalidade e as alternativas para uma nova, em sintonia com um projeto emancipatório para os nossos países e para a região como um todo.

Preocupados pelo fato de o Mercosul e os governos que o conformam terem reorientado o projeto de integração regional, na direção de um modelo de dependência baseado exclusivamente nos tratados de livre comércio, (entre eles o badalado acordo Mercosul – União Europeia), funcional ao capital transnacional e contrária a qualquer possibilidade de desenvolvimento autônomo e inclusivo, a Cúpula dos Povos promoverá um debate sobre a importância da inserção econômica internacional para uma real independência dos países.

Após uma análise ampla da situação dos movimentos sociais e a necessidade de defender os direitos conquistados, se faz necessário revisar as formas de organização do campo popular e regional. Ainda assim, será realizado também um encontro com os parlamentares do Mercosul, e se entregará um documento ao presidente boliviano Evo Morales, para que ele o apresente aos mandatários do Mercosul. A Bolívia é um membro associado ao Mercosul e seu ingresso como membro pleno do grupo tem sido bloqueado até agora.

O Foro de Montevidéu como memória para a Cúpula dos Povos
Recentemente, o Foro sobre o Futuro da Integração (realizado em Montevidéu, em junho de 2017), contou com a participação de parlamentares, sindicalistas, empresários, acadêmicos, trabalhadores, camponeses e estudantes, deixando algumas preocupações que certamente serão debatidas também na Cúpula Social de Mendoza.

O Foro destacou que os projetos de integração devem favorecer a participação popular, devem ser reconhecidos e identificados pelas bases sociais, também reconhecer a soberania em seu sentido mais nobre, o da vontade popular. Atualmente, nos encontramos num momento onde a tendência é o desmantelamento da participação social no Mercosul e na Unasul, e essa situação deve ser enfrentada.

O evento também discutiu o fato de que a participação popular vem sendo privatizada pelos grupos de interesse, por uma mal chamada sociedade civil (fundações e ONGs) que visam apenas legitimar a saída de cena do Estado e da política como instrumento de transformação, para o estabelecimento da ordem ditada pelo mercado, e do papel deste como orientador dos destinos dos nossos países, para transformar nossa região numa zona de livre comércio funcional aos interesses do capital transnacional.

Se destacou também que os governo e organismos de integração vinham prestando mais atenção em movimentos alinhados a determinados governos, com suas participações nas cúpulas sociais sendo mediadas pelas chancelarias. Houve encontros de dirigentes de certos movimentos, mas não mobilizações ou participação do público em geral, com o fim comum de cimentar a integração política, econômica, cultural e social.

Foi feito um alerta para o campo popular, que está conformado por organizações segmentadas. Os movimentos camponeses e os movimentos urbanos são organizações populares com trajetória e muita presença territorial, que carecem de representação política. As demandas de cada um dos movimentos sociais podem variar, apesar de compartilhar um eixo comum, articulador de uma frente sem hegemonia, que deve ser a construção de uma integração regional inclusiva.

O Foro ressaltou, ademais, que a integração não pode ser compreendida sem a necessidade do desenvolvimento econômico e social dos países, que não pode ser o mero crescimento de uma forma geral, sem considerar o por quê, para quê e para quem se busca esse objetivo. Num período de crescentes inter-relações globais e reposicionamentos geopolíticos, o desenvolvimento deve ser encarado com um desafio regional e não meramente nacional.

Ainda assim, o documento final indicou alguns elementos de aspecto econômico que são elementares para o processo e que devem ser atendidos de forma simultânea pela proposta dos povos: a soberania, a produção com valor agregado, o conhecimento tecnológico e um mercado ampliado regional de economias, que hoje se encontram muito parcialmente integradas. Paralelamente, os acordos de complementação econômica da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração) devem recuperar sua centralidade.

O Foro também recordou que muitos dos atuais governos da região não mostram interesse em defender prioritariamente a unidade regional. A separação da Venezuela do Mercosul foi uma decisão contra a imprescindível unidade regional, e uma medida que não está baseada nas normas e protocolos de defesa da democracia, mas sim por posições políticas intervencionistas. Paralelamente, chama a atenção que a Argentina consiga avançar de forma independente rumo a um TLC com o Chile.

Finalmente, se advogou pela reconstrução da identidade social e do imaginário histórico e cultural da integração como uma perspectiva imprescindível, e não na forma meramente nostálgica ou declamativa, mas incorporando as diversas organizações sociais a esta tarefa de construção. Os centros de estudo, as universidades e os sindicatos deveriam trabalhar na formação de cátedras livres sobre a Integração, onde se poderia ir construindo o trabalho comum rumo à unidade regional, na conclusão do Foro.

Neste fim de semana, será a vez de Mendoza discutir este tema, em paralelo a uma silenciosa e silenciada cúpula dos presidentes, desse esvaziado Mercosul, que terá sua contraparte na Cúpula dos Povos, onde as organizações sociais, sindicais, camponesas, culturais e estudantis farão sua voz ser ouvida. A mesma que a presidência argentina do organismo regional preferiu calar.

* Rubén Armendáriz é investigador do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE). Tradução de Victor Farinelli.
Posted: 21 Jul 2017 06:06 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Moro mandou confiscar tudo o que Lula tem: R$ 606 mil em bancos, o apartamento em que mora e dois outros pequenos apartamentos em São Bernardo, um lote, dois carros e todos os ativos financeiros, inclusive planos de previdência privada. Conta no exterior, a Lava Jato não achou. Este patrimônio modesto, prova de que Lula não roubou, será dado à Petrobrás em suposta reparação por perdas em contratos com a OAS. O que Moro quer com esta nova agressão a Lula é sanar uma falha grave em sua sentença, forçando a relação entre o famigerado tríplex e a Petrobrás, para sustentar a condenação por corrupção passiva. Mas, dando a impressão de que deseja matar Lula de fome, Moro amplia a percepção, inclusive no círculo de admiradores, de que realmente persegue o ex-presidente.

Seu despacho baseia-se na afirmação do delator Leo Pinheiro, de que as obras no tríplex e a diferença entre seu valor e o que Lula e Marisa haviam pago por outra unidade no prédio saiu de uma conta-propina de R$ 16 milhões destinada ao PT. Logo, o tríplex e os bens de Lula estariam sendo destinados à Petrobrás para ressarci-la destes R$ 16 milhões. Seria uma reparação ao “dano mínimo” sofrido pela Petrobrás. Mas não se tem notícia de despacho de Moro arrestando bens da OAS para o ressarcimento das perdas totais que a empreiteira teria imposto à estatal com contratos superfaturados nas obras da RNEST. Mas as contas de Moro não têm importância. 

O que ele busca é forçar a existência do elo que não conseguiu provar entre o tríplex e negócios na Petrobrás, da mesma forma como não provou que Lula tem a titularidade do imóvel, através de escritura ou qualquer outro contrato ou documento. Contra esta falha, inventou a noção de “proprietário de fato”, uma figura que não existe no direito brasileiro, que caracteriza como proprietário aquele tem a titularidade e o poder para vender, transferir, alienar ou dispor de qualquer forma de um bem.

A defesa de Lula aponta a mesquinhez desta nova decisão em duas condutas que também expõem o pendor persecutório do juiz. “A decisão é de 14/07, mas foi mantida em sigilo, sem a possibilidade de acesso pela defesa — que somente dela tomou conhecimento por meio da imprensa, que mais uma vez teve acesso com primazia às decisões daquele juízo. A iniciativa partiu do Ministério Público Federal em 04/10/2016 e somente agora foi analisada. Desde então, o processo também foi mantido em sigilo. A defesa irá impugnar a decisão. Somente a prova efetiva de risco de dilapidação patrimonial poderia justificar a medida cautelar patrimonial... Na prática, a decisão retira de Lula a disponibilidade de todos os seus bens e valores, prejudicando a sua subsistência, assim como a subsistência de sua família”.

Ou seja, Moro quer matar Lula de fome. Logo Lula, que sobreviveu à fome em sua infância pobre no Nordeste. Quanto mais Moro explicita seu ímpeto de trucidar Lula, mais gente que acreditava nele começa a perceber sua imparcialidade e aquilo que o cientista político Juarez Guimarães chama de sua “corrupção política”.
Posted: 21 Jul 2017 06:00 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

Milhares de manifestantes ocupam a Avenida Paulista, em frente ao Masp, em São Paulo. Os presentes criticam a agenda de reformas do governo de Michel Temer (PMDB) e, sobretudo, estão em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelo juiz Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato relativo ao processo envolvendo o tríplex do Guarujá, no litoral paulista.

Entre os militantes, jovens e idosos, integrantes da população LGBT, negros, ativistas de movimentos de moradia, de sindicatos, entre outros. Os manifestantes fazem uma verdadeira festa na Paulista com batuques e bandeirões. “Eleição sem Lula é fraude” são as palavras desenhadas no maior deles.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, destacou que o ato era contra todas as expressões do golpe. "A resposta que temos a dar é o fora Temer, o fora Maia, diretas já e Lula presidente. O Lula é a cara desse povo trabalhador, das mulheres, dos estudantes, que não querem que o país seja só para alguns", afirmou. Freitas disse ainda que os sindicatos e movimentos sociais vão articular uma nova ida a Curitiba, durante o depoimento de Lula marcado para setembro.

Antes de Freitas, a presidenta nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann (PR), "do mesmo estado de Moro", como ela observou, enalteceu a reação das pessoas que se dispuseram a arrecadar dinheiro quando o juiz de Curitiba determinou o sequestro dos bens e recursos do ex-presidente. "Essa é a diferença entre nós e a direita. Nós temos uns aos outros", afirmou.

O objetivo da condenação de Lula foi a pauta do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. "Moro age como um promotor acusador. Quando isso acontece não podemos falar em democracia. Não podemos aceitar essa postura do judiciário, porque o que eles querem é resolver a eleição de 2018 no tapetão. Eleição se ganha é no voto", afirmou.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse estar "indignado com tanta destruição que quero dar alguns recados. Moro, você é um covarde. Juiz não é isso, juiz é imparcial. Moro, você é um fantoche da Globo. Quero ver bloquear as contas do Aécio com as malas de R$ 500 mil. Também quero dar um recado para a Fiesp e para a Globo, o Temer é um personagem menor. Quem comanda é o capital e a Globo, a turma do pato amarelo, os irresponsáveis que se aliaram a Cunha e Aécio".
Escravocratas

"Diziam que era só tirar a Dilma que tudo se resolvia. Hoje temos 14 milhões de desempregados, o Brasil voltando para o mapa da fome. Eles não ligam para o povo, a cabeça deles é escravocrata. Querem só reduzir salário e não reduzir o lucro deles. Nunca aceitaram pobres em universidades, pobres em aeroportos. Querem agora fazer uma a eleição sem o Lula. Pensam que somos bestas. Arrumem um candidato e venham disputar nas urnas", completou.

Por fim, o senador mandou um recado ao ex-presidente: "Lula, eu sei que não está fácil. Você perdeu dona Marisa. Para mim, foram eles que a mataram porque ela não aguentou tanta pressão. Mas quem precisa do senhor são os pobres deste país. Antes do senhor ser presidente, morria uma criança a cada cinco minutos no país. Hoje, acabamos com isso".

Já a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, disse que "hoje é mais um capítulo da luta em que o povo ocupa as ruas do Brasil para dizer que o povo não aceita os ataques à democracia no nosso país. O Judiciário condenou o Lula sem provas e de forma injusta. O Brasil não é um país onde o povo abandona sua nação. Por isso, estamos nas ruas para defender Lula e a democracia. Não queremos reforma trabalhista e da Previdência, queremos novas eleições".

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel de Azevedo Noronha, a Bebel, disse que "estamos aqui por que não abdicamos dos nossos direitos nem da democracia. E condenar Lula é atacar a democracia. O piso dos professores foi uma conquista nacional do presidente Lula. Foi o ponto de partida, e o Alckmin paga, até hoje, 10% a menos do que o piso. A vitória do Lula é a vitória de todos os direitos da classe trabalhadora. Não vamos nos curvar diante deste 'juizeco'".

O cantor e compositor Chico César disse, entre duas canções, que "não se pode ignorar a importância de Lula para a cultura. A cultura tem que estar presente em um ato como esse porque Lula fez do Ministério da Cultura um ministério de verdade. Esse país é outro depois do Lula".

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) destacou que "as elites brasileiras não aceitaram a vontade do povo em 2014, que pela quarta vez derrotou os conservadores brasileiros. Agora temos que defender a democracia brasileira. E a democracia brasileira se chama Lula. O crime de Lula foi tirar 22 milhões de pessoas da pobreza, foi fazer a primeira mulher presidenta, fazer o país ser reconhecido e respeitado no mundo todo. Com o Temer, o Brasil passa vergonha".

Secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, disse que “a condenação de Lula é mais um passo do golpe que começou com o impeachment da presidenta Dilma, passa pela retirada de direitos através das reformas trabalhista e da Previdência. Tudo isso é um golpe contra o povo trabalhador desse país. Não podemos aguentar isso”.

O presidente estadual da Nova Central, Luiz Gonçalves, o Luizinho, reforçou o desejo de ter Lula como candidato. "Queremos o maior presidente da história deste país nas eleições de 2018. Vamos nos organizar para defendê-lo. Não queremos mais alianças com golpistas. Queremos uma grande aliança com partidos e movimentos que defendem o povo, a cultura e os programas sociais”.

A vendedora ambulante Maria da Luz, que veio há 15 anos do interior do Piauí para a capital paulista, também deixou suas palavras de defesa ao ex-presidente. “A condenação do Lula é injusta. Ele trabalhou muito, fez muito pelo Brasil. O povo não reconhece. O Brasil não vai para frente do jeito que está. Ele fez muito pelos pobres e pelos ricos, mas os ricos não veem. Então, eles falam do Bolsa Família, chamam os pobres de miseráveis que não querem trabalhar. Eles querem tirar isso para ver o pobre na miséria”, disse.

Já a professora Carmen Perl disse estar "entrando em depressão" com o atual cenário político brasileiro. "Quero o Brasil de volta, quero voltar a sorrir, quero acordar tranquila. Chega, estou ficando deprimida com tudo que está acontecendo no Brasil. Injustiças. Fora Temer, Moro canalha e Aécio na cadeia. Vamos resgatar nossa democracia", disse.

"Convivi com a ditadura e vivi o FHC. Períodos de trevas, desemprego. As pessoas viviam na miséria, as crianças nas ruas. Ninguém lembra disso. Até nas músicas falavam, era horrível. Crianças abandonadas. Tudo muito difícil. Estamos vendo que agora vamos voltar para esse sistema de castas, como era na época do FHC", completou Carmen.
Posted: 21 Jul 2017 05:54 AM PDT
Por Carlos Drummond, na revista CartaCapital:

A multa recorde de 2,4 bilhões de euros aplicada pela Comissão Europeia ao Googleno mês passado alimentou esperanças de alguma contenção, pela esfera pública, do poder dos monopólios globais que, no caso das empresas da internet, gera para a sociedade efeitos negativos muito além da economia e do consumo.

A punição foi aplicada por abuso da posição dominante do Google no mercado de mecanismos de busca, ao dar vantagem ilegal ao seu próprio serviço de comparação dos preços informados nos anúncios divulgados na internet, justificou a Comissão. Mais de 90% da receita da companhia provém de anúncios.

Caso o Google não interrompa a prática até setembro, receberá multa diária em valor correspondente a 5% do faturamento mundial da empresa-mãe, a Alphabet, que atingiu 26 bilhões de dólares no último trimestre do ano passado.

Desde o início dos abusos, diz o relatório da Comissão, o serviço de comparação de preços do Google conseguiu aumentar seu volume de tráfego 45 vezes no Reino Unido, 35 na Alemanha, 19 na França, 29 nos Países Baixos, 17 na Espanha e 14 na Itália. As práticas ilegais provocaram baixas súbitas do tráfego para sites concorrentes, de 85% no Reino Unido, 92% na Alemanha e 80% na França.

Não foi falha ou desleixo, mas um efeito planejado, dizem especialistas. “As pesquisas do Google não foram projetadas para fornecer os resultados mais relevantes e os melhores preços aos consumidores, mas para ele próprio ganhar mais dinheiro. Os consumidores ficam sujeitos a uma escolha reduzida de bens e serviços e, em última análise, pagam preços mais elevados do que se os resultados das buscas para compras oferecessem de fato as melhores opções”, sintetizou o FairSearch, grupo de empresas e entidades dedicadas à defesa da concorrência na busca online, a propósito da multa aplicada pela Comissão Europeia.

O Google teria abusado de sua posição dominante também nos mercados do seu sistema operacional Android, para dispositivos móveis, e do serviço próprio AdSense, que permite aos sites publicar anúncios segmentados. Os dois casos, o primeiro deles denunciado pelo FairSearch, estão sob investigação pela Comissão Europeia.

A decisão da Comissão deu novo alento a sites brasileiros e empresas que lutam no Conselho Administrativo de Defesa Econômica contra o que consideram abusos de poder do gigante da internet no País. A E-Commerce, detentora dos sites Buscapé e Bondfaro, apresentou ao Cade duas denúncias contra o Google. Em 2013, acusou-o de “raspagem” de conteúdo do Buscapé e sua apresentação no Google Shopping americano, prática conhecida como scraping. A companhia disse que isso ocorreu apenas uma vez e se deveu a um erro.

Em 2014, a E-Commerce alegou que o Google Shopping beneficiava o próprio site, em detrimento dos demais comparadores de preço, por meio do posicionamento privilegiado na modalidade chamada de “busca orgânica” e ainda com a apresentação do respectivo link na busca patrocinada, com fotos e em posição de destaque. As denúncias geraram processos em andamento no Conselho.

Outra denúncia foi encaminhada no ano passado ao Cade pela Yelp, empresa com site e aplicativos dedicados à avaliação de estabelecimentos comerciais sediada nos Estados Unidos. O Google estaria utilizando seu poder de mercado para favorecer o próprio mecanismo de buscas locais na internet por informações específicas sobre estabelecimentos no Brasil. Um processo foi aberto no órgão de defesa econômica.

O Google é objeto ainda de um inquérito do Cade instaurado em 2013, a partir de uma denúncia da Microsoft de imposição de restrições à operação entre plataformas de busca patrocinada pela interface AdWords. O resultado seria a criação de dificuldades para a realização do multihoming ou veiculação e gestão de campanhas de busca daquele tipo em mais de uma plataforma.
Lá e cá, o modo de operação é o mesmo.

“As práticas investigadas no Brasil possuem semelhanças com condutas do Google sob exame em outros países, embora em cada local os casos tenham suas particularidades. O exame dos processos, bem como as decisões proferidas sobre eles, é independente. No entanto, o andamento das investigações conduzidas por autoridades de outras jurisdições pode servir de subsídio à análise realizada pelo Cade”, informou à CartaCapital aquela autarquia, vinculada ao Ministério da Justiça.
Assegurar a concorrência em benefício do consumidor é importante, mas há um grande número de outros direitos violados. “A atenção de organismos europeus para a proteção da concorrência em ações de uso de poder dominante para autofavorecimento não se restringe ao comércio online. Há também posicionamentos acerca da coleta de dados pessoais”, sublinha Marina Pita, coordenadora do Coletivo Intervozes, parceiro de CartaCapital.

A agência alemã antitruste, diz, investiga se a maior rede social do mundo, o Facebook, abusa de sua dominância, forçando os usuários a aceitar termos injustos acerca da utilização de dados pessoais.

Vários levantamentos mostram um grau de concentração da propriedade igual ou superior ao existente na mídia tradicional, reconhecido como elevado. Quanto mais rápido a sociedade se desvencilhar das ilusões de liberdade na internet e olhá-la com espírito crítico, portanto, melhor para ela. Christian Krell, diretor da Friedrich Ebert Foundation, da Alemanha, resume a situação nesta autocrítica: “Tivemos sonhos de que todos pudessem se informar de forma mais rápida e barata sobre tudo o que nos afeta.

E que pudessem compartilhar sua visão das coisas com os outros. O resultado foi um algoritmo do Facebook que usa cerca de 100 mil indicadores para escolher o que lemos com uma precisão espantosa, individualmente orientada para cada pessoa e seus pontos de vista, ao mesmo tempo que os reforça. Sem o menor vestígio de discussões ou debates mútuos sobre questões de interesse coletivo”.

O pesquisador recorre a um exemplo específico para reforçar seu argumento: “Quando a busca de nomes afro-americanos provoca o surgimento, na tela, de propaganda de agências de proteção ao crédito que fornecem informações sobre infratores, esse padrão é baseado em julgamentos de valor incorporados em uma lógica racista, segundo a qual afro-americanos são considerados com maior frequência criminosos”.

Krell propõe estabelecer uma dimensão ética para a internet, mas é necessário saber quem deverá defini-la. A autorregulação não é solução, por se tratar de um oximoro, conforme alertou o economista Joseph Stiglitz. A impossibilidade de as empresas vigiarem a si próprias, sublinhada pelo Nobel de Economia, é demonstrada todos os dias com revelações de práticas corporativas ilegais, não só contra os consumidores, mas em prejuízo também dos cofres públicos, a exemplo da sonegação sistemática.

Na especialidade de tungar governos e contribuintes, os gigantes da internet são insuperáveis, mostrou o economista Gabriel Zucman, em levantamento abrangente sobre a utilização dos paraísos fiscais. “Os grandes países europeus e os Estados Unidos, onde os reis da sonegação – os Googles, Apples e Amazons – produzem e vendem a maior parte dos seus produtos e serviços, mas com frequência pagam poucos impostos, são os maiores prejudicados.

Grande parte do lucro do Google, que é transferido para as Bermudas, é ganha na Europa; na ausência de paraísos fiscais, essa empresa pagaria mais impostos na França e na Alemanha”, denuncia Zucman.

O controle público esbarra em barreiras nacionais, enquanto as múltis da internet contam com ampla liberdade de articulação transnacional. “Tanto a infraestrutura de rede como os serviços oferecidos e os estoques de dados gerados são, sobretudo, propriedade privada de algumas empresas multinacionais. Essa estrutura faz a digitalização moldar toda a nossa vida e a torna altamente vulnerável”, alerta Krell.

Enquanto, na Europa, instituições e fóruns diversos enfrentam os monopólios, no Brasil, o governo paralisou o funcionamento do Comitê Gestor da Internet, considerado referência internacional na governança multissetorial da rede, denuncia o Intervozes. Composto de representantes do governo, do setor privado, da sociedade civil e de especialistas técnicos e acadêmicos, coordena a atribuição de endereços ou protocolos (os IPs) e o registro de nomes de domínios com o sufixo “br”. Além disso, estabelece diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da rede no Brasil, como estabelecido no Marco Civil da Internet e em seu decreto regulamentador.

O órgão corre, entretanto, risco de desmonte, pois há mais de um mês o governo segura a edição de uma portaria interministerial de nomeação dos novos integrantes do CGI e resolveu paralisar as atividades do órgão, enquanto as designações não saírem.

Resultado, na avaliação do Intervozes, do incômodo de determinados setores, notadamente os operadores privados e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com as ações do Comitê Gestor, contrário ao estabelecimento de franquia de dados na internet fixa e defensor da neutralidade de rede, rejeitada pelas empresas de telecomunicações atuantes no setor, empenhadas na adoção de modelos de negócio mais lucrativos à custa de prejuízos para os usuários.
Posted: 21 Jul 2017 05:43 AM PDT
Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, o ‘ministro’ da Saúde Ricardo Barros protagonizou duas cenas que deveriam gerar a indignação dos médicos – muitos deles que foram às ruas esbravejar pelo “Fora Dilma” e, que desta forma, ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer. Em um evento no Palácio do Planalto, ele deixou escapar ao anunciar um novo factoide para a área da saúde: “Vamos parar de fingir que pagamos os médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham”. Dias depois, o fingido bancou um "casamento ostentação" para a sua filhota. Nas duas ocasiões, os médicos falsamente moralistas também se fingiram de mortos e não expressaram a sua irada revolta. Talvez estejam arrependidos da besteira que fizeram contra a democracia.

O “sincericídio” de Ricardo Barros acabou gerando mal-estar no próprio covil golpista. Segundo Fernando Rodrigues, em nota postada em seu site, o ministro entrou na linha de tiro. “O titular da pasta, que é do PP, passou a ter o cargo cobiçado. PMDB e adjacências acham que ele atravessou a rua para pisar numa casca de banana ao criticar os médicos que trabalham para o SUS. A categoria foi decisiva nas articulações pró-impeachment de Dilma”. Ainda de acordo com o jornalista, sua bravata gerou uma onda de protestos nas redes sociais. “O Planalto identificou a criação de 33 grupos de médicos na internet nas 72 horas após a declaração de Ricardo Barros. Eles distribuem ‘memes’ contra o ministro e farão manifestação em Brasília em 3 de agosto. Alguns já falam até em greve”. Será?

Ovos no "casamento ostentação"

Já a “festa ostentação” da filha do ministro foi marcada por protestos e uma chuva de ovos. Segundo reportagem da revista Fórum, “o casamento da deputada estadual Maria Victória Borghetti Barros (PP) com o advogado Diego da Silva Campos, na noite desta sexta-feira (14), teve bem mais participantes do que o planejado pelos noivos. Além dos cerca de mil convidados, centenas de manifestantes ocuparam a região do Largo da Ordem, Centro de Curitiba. A concentração foi maior em frente à Igreja do Rosário e ao Palácio Garibaldi, locais da cerimônia religiosa e da festa, respectivamente. A deputada é filha de Ricardo Barros, ministro da Saúde do governo Temer, e de Cida Borghetti, vice-governadora do Paraná, também do PP”.

“O protesto foi contra as reformas trabalhista e previdenciária, ambas apoiadas pela família Barros. A ação também denunciou a ilegalidade cometida pela deputada Maria Vitória, que instalou uma fachada anexa ao Palácio Garibaldi, prédio histórico, sem autorização prévia. A ação começou por volta das 18h30, com batucada, faixas, como a frase ‘Deputada do camburão tem casamento ostentação’, ‘Viemos brindar a sua boa vida’, e palavras de ordem como ‘Golpistas’, ‘Fora Beto Richa’ e ‘Chega de deboche, eu quero o meu brioche’. Apesar do clima agradável e seco na capital paranaense, convidados da festa usaram guarda-chuvas. O objeto serviu de escudo de proteção contra ovos arremessados pelos manifestantes”.

Uma expressão grotesca do golpe 

Ricardo Barros é uma expressão grotesca e patética do “golpe dos corruptos”, que foi apoiado por várias entidades médicas. O tesoureiro do PP é investigado por inúmeros crimes. Como elencou Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual, o mafioso já “foi eleito deputado federal cinco vezes, ocupou a pasta da Indústria e Comércio do Paraná e foi prefeito de Maringá. Ele também foi o relator do Orçamento de 2016 na Câmara e chegou a propor corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família”. Quando prefeito na cidade paranaense, “ele foi condenado na 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça pela juíza Astrid Maranhão Carvalho Ruthes por fraude na venda de coletores e compactadores de lixo que não serviam mais para a prefeitura e seriam vendidos”.

“Em 2011, Ricardo Barros se licenciou do seu mandato de deputado federal para assumir o cargo de secretário da Indústria e Comércio do Paraná. Após denúncias de irregularidades na sua gestão, porém, pediu licença do governo do estado. Na época, gravações feitas pelo Ministério Público mostraram Ricardo Barros sugerindo ao então secretário de Saneamento de Maringá, Leopoldo Fiewski, que arranjasse um encontro para realização de acordo entre as duas empresas que participavam de um processo de licitação para publicidade da cidade. O contrato era de R$ 7,5 milhões. Ricardo Barros é investigado desde 9 de novembro no Inquérito 4.157 por corrupção, peculato e crime contra a Lei de Licitações”.

O capacho dos planos de saúde

Até a revista Época, da famiglia Marinho, já publicou matérias sobre os trambiques do atual ministro da Saúde. Em maio de 2016, o jornalista Murilo Ramos revelou que “o maior doador individual da campanha de Ricardo Barros para deputado pelo Paraná em 2014 foi Elon Gomes de Almeida. Elon Gomes é sócio do Grupo Aliança, administradora de benefícios de saúde, e disponibilizou R$ 100 mil para a campanha de Barros. A Aliança mantém registro na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vinculada ao Ministério da Saúde... Recentemente Elon foi alvo da Operação Acrônimo da Polícia Federal. No dia 16 de dezembro, a PF realizou busca e apreensão em sua residência”. É este sujeito “ético” que os médicos ajudaram a chegar ao poder!

Em tempo: Ricardo Barros só se tornou ministro por indicação das poderosas operadoras de planos de saúde, que financiaram sua campanha e que devem cerca de R$ 2 bilhões ao SUS. Segundo denúncia recente da Agência Nacional da Saúde (ANS), as inescrupulosas empresas do setor – que transformaram a saúde em mercadoria e só visam o lucro – deixaram de pagar 51% dos recursos que, por lei, deveriam ser ressarcidos ao sistema público nos últimos anos. Contra este crime, desde 2003 uma ação direta de inconstitucionalidade aguarda parecer do Supremo Tribunal Federal. Mas estas megacorporações, que também ajudaram a financiar o “golpe dos corruptos”, gozam de muita influência entre os ministros do STF e a ação está parada.

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Posted: 20 Jul 2017 07:11 PM PDT
Por Altamiro Borges

No final de maio, o sociólogo Marco Aurélio Garcia participou de uma conversa com blogueiros na sede do Centro de Estudos Barão de Itararé. Ele abordou o cenário político mundial – principalmente latino-americano – e brasileiro, enfatizando que a marca deste período é a “imprevisibilidade”. Em vários momentos, o ex-assessor especial dos presidentes Lula e Dilma se mostrou angustiado com a atual onda de retrocesso no mundo – destacando a vitória do belicista Donald Trump nos EUA, o crescimento de seitas fascistas na Europa, os recentes reveses sofridos pelas forças progressistas na América Latina e o golpe orquestrado pela oligarquia rentista no Brasil. Mas, sempre irônico e risonho, nunca deixou transparecer qualquer desânimo. Pessimista no diagnóstico, ele se mostrou um otimista na vontade de lutar – como Antonio Gramsci. Nesta quinta-feira (20), infelizmente, Marco Aurélio Garcia faleceu em decorrência de um infarto fulminante.

Após quase três horas de conversa no Barão de Itararé e depois da intensa bateria de perguntas dos ansiosos blogueiros, o inquieto intelectual ainda aproveitou para falar sobre a sua paixão pelo cinema. Tomou um pequeno gole da cachaça que lhe ofereci e pediu um favor. Disse que soubera que o filme “Fascismo ordinário”, do diretor Mikail Romm, havia sido relançado e solicitou ajuda para encontrá-lo. “Sou um cinéfilo, assisti este filme há muito tempo e ele é ótimo para entender a atual situação do mundo”. Fui atrás e na semana retrasada enviei uma mensagem para o seu e-mail:

“Amigo Marco Aurélio. Tudo bem contigo? Não esqueci do seu pedido sobre o filme ‘Fascismo ordinário’. Estive no congresso na UNE em Belo Horizonte. Conversei com a turma de cultura da entidade, que não sabia da reedição do filme. Peguei umas dicas para encontrar a obra. A informação é que ela é vendida pelo Sebo Querelle. Página na internet: seboquerelle.com.br. Espero que obtenha sucesso. Qualquer problema, dê um grito”. Possivelmente, Marco Aurélio Garcia não teve tempo para ir atrás do filme e para assisti-lo. Descanse em paz.

Em tempo: Na última sexta-feira (14), o incansável intelectual e lutador talvez tenha participado do seu último debate público. Ele esteve na sede nacional do PCdoB, em São Paulo, para participar de um evento promovido pelas fundações Maurício Grabois, Perseu Abramo e Leonel Brizola-Alberto Pasqualini. Reproduzo abaixo o texto de sua autoria que serviu de base para sua intervenção:

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Construir o amanhã

O golpe parlamentar que pôs fim ao Governo Dilma Rousseff colocou na ordem do dia a necessidade de realizar um amplo balanço, que busca (1) analisar as causas do insucesso; (2) contribuir para a derrota do governo atual e da coalizão reacionária, que lhe tem dado sustentação e (3) definir as linhas gerais de um novo projeto para o Brasil, que permita construir um novo amanhã.

A reflexão e as propostas que seguem, apontam para esse amanhã e não devem ser entendidas como um exercício de futurologia nem, tampouco, como uma proposta de programa de governo.

Elas têm, necessariamente, de nutrir-se de uma reflexão crítica sobre o que esteve em jogo nos governos Lula e Dilma e sobre as circunstâncias históricas que cercaram essas duas experiências.

Devem, igualmente, levar em conta o impacto que terá no futuro a contrarreforma em curso nos dias de hoje. A atual reconfiguração do capitalismo brasileiro anula conquistas populares de muitas décadas e nos impõe um programa autoritário e excludente que o povo rejeitou em quatro eleições presidenciais sucessivas e que continua a rejeitar. A herança que deixarão os que hoje detém o poder no Brasil terá consequências extremamente negativas para os que tivermos de reconstruir o país.

Ao invés de propor um conjunto de medidas econômicas, sociais e políticas que permitam ao povo brasileiro superar a grave crise atual e retomar o ciclo progressista interrompido, estas notas tratarão apenas de definir grandes eixos, capazes de apontar para um novo programa democrático e popular. Esse programa é hoje objeto de discussão em inúmeros segmentos da sociedade brasileira.

O Brasil que queremos deve contemplar (1) profundas mudanças nas esferas econômica e social; (2) a vigência plena da democracia, pelo exercício efetivo da soberania popular e (3) a garantia de nossa inserção soberana e solidária no mundo.

O conteúdo e o ritmo dessa mudança está diretamente ligado à capacidade das forças progressistas de reunirem amplos setores da sociedade brasileira em torno de um ambicioso e credível programa de reformas.

Para tanto, é fundamental construir uma correlação de forças sociais e políticas capaz de superar a conjuntura atual e de conduzir, no futuro, de forma politicamente sustentável, as mudanças que o país necessita. Dito de outra maneira: é necessário que as reformas propostas sejam capazes, dentro de um marco democrático, de assegurar sua continuidade no tempo, abrindo espaço para outras reformas mais profundas.

Queremos avançar na democracia. Mas a democracia não se congela ou coagula na versão que os liberais brasileiros tradicionalmente têm do Estado Democrático de Direito, visão que falsifica ou tergiversa os valores que proclama.

Distinto do conservadorismo que pretende apresentar-se como democrático, defendemos uma democracia que associa indissoluvelmente as dimensões econômica, social e política. Uma democracia que cultua a liberdade, a igualdade e a solidariedade e que entende a sociedade como um espaço de permanente criação de novos direitos.

É fundamental dar seguimento e profundidade aos processos de democratização da sociedade brasileira, desencadeados nos últimos anos, como os que promovem a igualdade de gênero, de raça e etnia, seja pela implementação de políticas inclusivas na educação, saúde, na cultura, no campo e no espaço urbano, seja por meio de ações afirmativas (as cotas, por exemplo). O combate a todas as formas de discriminação – sobretudo as violentas – contra mulheres, negros, índios, jovens, LGBT e, em particular, contra os pobres é central para a afirmação da democracia.

A convivência democrática no espaço público supõe que sejam respeitadas as distintas orientações políticas, ideológicas, religiosas, assim como as múltiplas expressões culturais da sociedade, todas elas garantidas por um Estado laico.

A soberania popular se exercerá por meio de processos eleitorais livres, capazes de garantir condições igualitárias de competitividade, mas também pelo exercício de múltiplos mecanismos de consulta que garantam o controle social do Estado e de suas políticas públicas. A soberania do povo não pode ser fraudada pelas interferências do poder econômico e da corrupção. Da mesma forma, a formação da opinião pública não pode sujeitar-se à intromissão, não raro totalitária, dos monopólios da comunicação.

Para superar a atual crise – a maior das últimas décadas – é necessário, além de uma nova política econômica, realizar previamente uma reforma político-institucional capaz de abrir novas perspectivas para a democracia e para o desenvolvimento do Brasil.

A judicialização da política, uma das expressões dos choques institucionais que hoje assistimos, tem como consequência a politização da Justiça, instância que, em alguns de seus segmentos, se considera acima dos demais poderes e isenta de qualquer mecanismo de controle democrático.

Assiste-se não somente um choque entre os poderes da República, mas conflitos no interior de cada um deles. Esses conflitos provocam acentuada erosão do regime democrático e nos colocam com frequência no limiar de um Estado de exceção. São problemas a corrigir no amanhã.

A crise econômica e seu impacto na esfera fiscal, somada à desordem política e institucional afetam duramente o pacto federativo. Importantes estados da Federação se encontram quebrados financeiramente e se revelam incapazes de prover políticas públicas elementares. Não haverá futuro para o país enquanto não se estabelecer um novo equilíbrio regional.

A experiência brasileira e mundial tem nos ensinado que políticas econômicas liberais, fundadas exclusiva, ou centralmente, em ajustes fiscais não têm capacidade de resolver situações agudas de recessão. Ao contrário, provocam seu agravamento, deixando um rastro de degradação social, como são os elevados níveis de desemprego, a queda da renda dos trabalhadores, o endividamento das famílias e das empresas, a liquidação de políticas sociais que beneficiam centralmente aos pobres. Reatar com uma política que articule, como foi possível fazê-lo no passado, crescimento com equilíbrio macroeconômico é, assim, fundamental para um novo ciclo de desenvolvimento.

Um país cuja economia necessita elevadas taxas de crescimento para fazer frente aos complexos desafios que possui não pode ser condenado à desindustrialização e à reprimarização de seu sistema produtivo. Não pode abrir mão do controle nacional de sua terra, nem concentrá-la de forma absurda, ambientalmente predatória e socialmente excludente em grandes monopólios.

Os enormes déficits sociais que ainda possuímos, estão se ampliando, e se ampliarão mais ainda, com o teto imposto, por 20 anos, aos gastos públicos. Os pobres e o mundo do trabalho têm de voltar a integrar o orçamento da República. Educação, saúde, ciência, tecnologia e inovação, assim como as muitas iniciativas que buscam o bem-estar da população devem ser entendidos como “investimento”, nunca como “gasto”.

A democracia política, econômica e social não pode ver-se avassalada por uma coalizão empresarial, hegemonizada pelo capital financeiro, que busca impor ao país, contra a maioria da sociedade, legislações trabalhistas e previdenciárias regressivas, ao mesmo tempo em que fragiliza – quando não destrói – os componentes mais dinâmicos de seu sistema produtivo.

A recessão, a debacle social e a desordem institucional, somadas a uma equivocada e submissa visão da cena internacional, têm como consequência a degradação de nossa política externa, o que compromete a soberania nacional. O Brasil está isolado no mundo e até mesmo na América Latina. Se essa situação não for prontamente revertida a Nação estará condenada à mais absoluta irrelevância na cena global.

Mas a soberania nacional é igualmente golpeada quando a política econômica compromete a realização dos objetivos da Estratégia Nacional de Defesa e seu correlato plano de reaparelhamento das Forças Armadas, impedindo que essas instituições possam cumprir suas obrigações constitucionais e legais.

O até agora exposto, mais do que um diagnóstico da situação nacional, aponta, como que em um espelho, para aquilo que as forças progressistas e democráticas devem construir, tão logo seja superada a difícil e amarga situação que atravessa o povo brasileiro e suas instituições.

A democracia brasileira foi duramente atingida pelo golpe parlamentar de 2016. Agravou-se crise econômica e social que os golpistas diziam poder resolver. A gigantesca sombra que ofuscou o futuro da Nação – e que semeia a perplexidade e a desesperança da sociedade – só poderá ser revertida, quando o povo brasileiro tomar em suas mãos a tarefa de reconstruir um país distinto. Para tanto, será fundamental a realização de eleições livres em todos os níveis e o desencadeamento de um processo de refundação institucional do país, o que, no momento azado, exigirá uma nova Constituição. Esse processo é incerto na conjuntura atual e depende centralmente de nossa acumulação de forças social e política e da clareza de nossa análise de nossas propostas.

O novo desenho político institucional do Brasil, assentado em um verdadeiro Estado democrático de direito, será resultado da retomada, pela cidadania, da formulação do destino nacional.

A reforma política deve buscar dotar o país de instituições políticas independentes e harmônicas, assim como de mecanismos de representação, aí incluindo um novo sistema de partidos que seja efetiva expressão das distintas sensibilidades nacionais e não arranjos a serviço de interesses subalternos. A preeminência que o Judiciário apresenta hoje não corresponde a preeminência do Direito, mas à judicialização da política, que expressa a crise da política.

O Estado democrático de direito a ser construído será laico, defensor dos Direitos Humanos, especialmente quando sua violação, pela violência estatal (nas prisões, pelas polícias), atinge aos mais desassistidos: negros, mulheres, jovens, LGBT, pobres.

A multiplicidade dos mecanismos de controle social do Estado, diminuirá a distância deste em relação aos cidadãos e será poderoso antídoto no combate à corrupção e à burocracia, que inferniza a vida de homens e mulheres comuns. Serão combatidas as corporações burocráticas no interior do aparelho de Estado, que buscam autonomizar-se para implementar políticas próprias e/ou fraudar decisões governamentais, quando não defender interesses particulares. Ao mesmo tempo que combate a corrupção o Estado democrático de direito levará adiante um amplo movimento de eliminação de privilégios de todo o tipo, que deformam os poderes da República.

A economia brasileira deve reatar com uma tradição passada de lograr altas taxas de crescimento, sem o que nossos graves problemas conjunturais e estruturais não serão jamais resolvidos. Distinto de outros momentos de nossa história, deveremos perseguir, no entanto, uma expansão de novo tipo: um prolongado período de desenvolvimento, o que significa um crescimento sustentável do ponto de vista social – capaz de produzir a redução constante da pobreza e da desigualdade – assim como capaz de lograr equilíbrio do ponto de vista macroeconômico.

Para que ambas condições se materializam é necessário que o Estado tenha forte presença em setores estratégicos da economia. Da mesma forma deve exercer plenamente sua função como agente regulador. Especial destaque tem o setor de petróleo (e a Petrobras dentro dele), não só por seu papel na produção de energia, como por sua irradiação em todo o setor industrial.

Caberá ao Estado propor e coordenar a execução de políticas que assegurem a reindustrialização do país, em sintonia com as grandes e aceleradas transformações produtivas em curso no mundo, procurando regionalmente estabelecer cadeias de valor, que permitam à América do Sul, integrada com o Brasil, uma presença mais sólida no mundo e capaz de estabelecer alianças internacionais com parceiros importantes.]

Todo o setor produtivo deverá ser beneficiado pela expansão da ciência, da tecnologia e da inovação, que irão coloca-lo em equiparação com as grandes potências mundiais. Esse imperativo econômico, tem igualmente grande projeção social, pois garante e expande internamente o bem-estar da sociedade.

O processo de retomada, em novas bases, de nosso desenvolvimento passa pela resolução dos gargalos em matéria de infraestrutura: energética, logística, de comunicações, da mesma forma que aqueles relacionados a questões urbanas, nos âmbitos habitacional, de transporte e saneamento. São questões que pedem enormes investimentos e, em muitos casos, exigem iniciativas coordenadas e solidárias com países vizinhos. Aí, uma vez mais, o papel do Estado é fundamental.

O Brasil expandirá sua política de proteção ambiental passada, nos campos e na cidade, visando a sustentabilidade de nosso meio ambiente, mas também melhores condições de vida para nossas populações, sobretudo os mais desassistidos. Manterá e expandirá seus compromissos internacionais sobre a matéria.

Seja nas questões relacionadas à industrialização, à expansão da agricultura, à melhoria dos serviços, como no incremento de infraestruturas, terão papel preponderante os bancos e agencias financeiras estatais. A retomada do crédito será fundamental também para a expansão da agricultura familiar e para os pequenos, micros e médios empreendimentos urbanos. O crédito ocupará lugar igualmente relevante na consolidação de nosso mercado interno, um dos grandes trunfos de que dispomos.

Do ponto de vista macroeconômico será fundamental a redução das atuais taxas de juros – entre a mais altas do mundo – assim como uma política cambial que não penalize o sistema produtivo e dê competitividade às exportações. O equilíbrio fiscal não pode ser logrado por meio de cortes indefinidos de gastos, como estabelece a PEC 95, que tem de ser revogada. Exige uma reforma tributária que garanta a solvência das contas públicas e preserve a renda dos trabalhadores. Ela deve incidir sobre as grandes fortunas, a especulação e todas formas pelas quais são constituídos os grandes patrimônios. Isenções fiscais deverão ser sujeitas a rígidos critérios. Idêntico rigor deve ser aplicado o combate à fraude e à sonegação.

Uma política econômica que privilegie o desenvolvimento e preserve parâmetros macroeconômicos sadios, tem de ser complementada pelo aprofundamento de uma ampla rede de proteção social, com políticas de transferência de renda via Estado e com todo um arsenal de políticas públicas que buscam proteger setores desvalidos da sociedade. Políticas públicas nas áreas de saúde e educação terão indiscutível preferência, tendo em vista o lugar estratégico que ocupam em um Estado de bem-estar.

A revolução produtiva pela qual o Brasil tem de passar não pode ser pretexto para a introdução de normas que degradem o mundo do trabalho. Ao contrário, impõem-se cada vez mais medidas que garantam a redução da jornada do trabalho e mecanismos de formação profissional constante que não façam recair sobre os trabalhadores o ônus da inovação tecnológica.

A educação em todos seus níveis ocupará lugar central no futuro. Não só – e nem tanto – pelo papel que tem no desenvolvimento econômico nacional, mas, sobretudo, enquanto instrumento essencial na formação da cidadania e, assim, como garante da democracia.

A presença ativa e altiva de um país no cenário internacional decorre de dois fatores. Em primeiro lugar, da força de sua economia, do vigor de sua sociedade e da consistência de sua democracia. Em segundo lugar, pelos valores que seu governo defende globalmente e por sua capacidade de entendimento da situação internacional.

O Brasil retomará e aprofundará a política externa que defendeu no início deste novo milênio. Lutará pela paz e pelo desarmamento, pelo respeito a autodeterminação dos povos e pela solução pacífica de conflitos, por uma ordem econômica e social global livre das assimetrias atuais, por um mundo multilateral, multipolar e solidário. Enfatizará a aliança com os países latino-americanos e caribenhos. Por essa razão buscará refundar o MERCOSUL e dar todo apoio a UNASUL e à CELAC. Estará cada vez mais próximo da África, parte integrante de sua política Sul – Sul. Fortalecerá o BRICS e nas instâncias multilaterais, como na ONU ou no G 20, fará sempre
sentir a voz dos que não têm capacidade ou força para expressar-se.

Da mesma forma que condenamos a violência no mundo, um novo governo terá de fazer enorme esforço para combate-la internamente, produzindo uma reforma profunda do arcabouço policial, do sistema prisional e usando de todos os meios disponíveis para difundir uma cultura de paz. As Forças Armadas tiveram seu reaparelhamento interrompido. Para cumprir suas determinações constitucionais e sua vocação dissuasiva, conforme estabeleceu a Estratégia Nacional de Defesa, é fundamental que elas sejam tratadas com o respeito que essas instituições merecem.

O grave retrocesso que o Brasil está vivendo, desconstrói sua economia, desagrega sua sociedade e provoca profunda erosão em seu sistema político. Estamos diante de uma enorme tarefa de reconstrução. Passados os primeiros momentos de desalento e de perplexidade, a sociedade começa a dar sinais de inconformismo com o status quo e mostra disposição em reverter o difícil quadro que estamos vivendo.

As forças progressistas aqui reunidas sabem que têm um caminho complexo e árduo a percorrer. Que exige derrotar os atuais donos do poder e que supõe entender criticamente as razões da grande derrota que sofremos. Mas que depende, também, e essencialmente, de nossa capacidade de formar uma grande coalizão social e política capaz de construir um novo amanhã para o Brasil. Essa coalizão tem de ser mais ampla que o espaço das esquerdas. Aos setores progressistas, representados por partidos de esquerda e movimentos sociais hoje agrupados em Frentes de intervenção política, compete conduzir um movimento, que se faz cada vez maior e mais combativo. Compete fundamentalmente atrair amplos setores democráticos em todas as esferas da sociedade brasileira, inclusive aqueles que, equivocados, participaram da aventura golpista.

Um programa mais avançado, que nos permita superar a situação atual e proteger-nos no futuro de retrocessos, como o que sofremos, será consequência de nossa capacidade de formular alternativas programáticas inovadoras mas, sobretudo, de construir uma nova correlação de forças no país.

A profunda brecha que vivemos nos dias atuais como, de resto, vivem outros países na América Latina, expressa a amplitude da crise que atravessamos e aponta para a magnitude dos desafios que temos pela frente. O Brasil não pode seguir, diante das dificuldades atuais, um caminho que isole as, confinando-as em um canto de nosso tabuleiro político. Não pode, menos ainda, reeditar – em nome da unidade nacional – velhas políticas de conciliação que comprometeram a identidade do progressismo sem dar-lhe a eficácia que anunciavam.
Posted: 20 Jul 2017 07:10 PM PDT
Por Dilma Rousseff, em seu site:

A morte do professor Marco Aurélio Garcia, meu amigo querido, é extremamente dolorosa. Desfrutei pela última vez de sua companhia há três semana. Conversamos sobre a vida e os momentos terríveis que o país atravessa.

Hoje é um dia de dor para todos nós, que compartilhamos com ele seus muitos sonhos, histórias e lutas. Era um amigo querido, de humor fino e contagiante, sempre generoso e cheio de ideias, dono de uma mente arguta e brilhante.

Meus sentimentos ao filho Leon, ao neto adorado Benjamin, aos familiares e todos os seus amigos.

É muito duro saber que não terei mais sua companhia, nem o prazer de ouvir sua poderosa gargalhada.

Um dia terrível para quem luta por um mundo melhor, com justiça social. Um dia muito, muito triste.

Dilma Rousseff

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