sábado, 22 de julho de 2017

22/7 - Folha Diferenciada DE 21/7

Folha Diferenciada


Posted: 21 Jul 2017 02:10 PM PDT

Cíntia Alves

Grupo formado por 4 procuradores da República lidará com 14 inquéritos a reboque da delação da Odebrecht. Thaméa Danelon já é conhecida por sua campanha pelas 10 medidas anticorrupção e admiração à Lava Jato de Curitiba


Jornal GGN - A Procuradoria da República em São Paulo conseguiu autorização de Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal, para criar uma força-tarefa com o objetivo de investigar supostos crimes relatados na delação da Odebrecht. Quatro procuradores - entre eles, Thaméa Danelon (foto) - serão responsáveis por 14 inquéritos, sendo que 2 são contra Lula, 1 contra Fernando Haddad, 1 contra José Genoíno e mais 1 contra Alexandre Padilha.

Contra tucano graúdo, só figura na lista da força-tarefa divulgada pela Folha, nesta sexta (21), um caso relacionado a José Serra, sobre pagamento de propina nas obras da linha 2 do Metrô. Foram citados também Edson Aparecido, Barros Munhoz, José Aníbal e Ricardo Franco Montoro, todos em inquérito sobre caixa 2.

Lula, ao que tudo indica, será indiciado por ter recebido benefícios para si e familiares em troca de favores a Odebrecht. Os inquéritos serão sobre o relato de que seu irmão, José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, recebia uma mesada da Odebrecht desde o primeiro mandato do ex-presidente petista. Além disso, a relação da Odebrecht com a empresa de Luis Cláudio Lula da Silva, que trabalha com campeonato de futebol americano, também será investigada.

Sobre Haddad, os procuradores pretendem apurar demúncia de que houve caixa 2 na eleição de 2012. Padilha, que foi candidato ao governo de São Paulo em 2014, também terá inquérito sobre doações irregulares.

José Genoíno, por sua vez, será investigado por caixa 2 na campanha de 2010. O GGN mostrou, em abril, que foi com base em uma delação que, gravada em vídeo, durou apenas 3 minutos e 35 segundos, que Janot pediu a abertura de um inquérito.

A petição 6698 sinaliza que o petista aceitou doação eleitoral da Odebrecht, em 2010, no valor de R$ 30 mil e, além disso, teria recebido mais R$ 15 mil das mãos de Alexandrino Alencar, como parte de uma ação "piedosa" do delator e do "próprio Emílio Odebrecht", que ficaram sensibilizados com a situação de Genoino após o Mensalão. Nos dois casos, porém, delatores negaram "contrapartidas".

Enquanto essa delação virou prioridade da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, casos como os R$ 23 milhões para José Serra com participação de Paulo Preto e outros ex-agentes do Estado sem foro não têm destino claro.

ENQUANTO ISSO...


O pedido de Janot para que Geraldo Alckmin seja investigado após as delações da Odebrecht foram para o Superior Tribunal de Justiça e não há resposta até o momento. À Lava Jato, um executivo da Odebrecht disse que Alckmin recebeu R$ 10 milhões em doações ilegais em 2010 e 2014. Parte do caixa 2 estaria ligado a obras da Sabesp.

A delação da Lava Jato rendeu um total de 29 pedidos de investigações feito pela equipe de Janot e remetidos a São Paulo, em virtude da falta de foro privilegiado dos investigados.

Destas 29 petições, uma foi declinada ao Ministério Público Estadual por envolver corrupção na Secretaria Estadual da Fazenda, 12 foram encaminhadas a procuradorias em municípios no interior do Estado, duas distribuídas a procuradores na capital, e as 14 restantes estão tramitando sob responsabilidade da força-tarefa.

Ao contrário do que acontece em Curitiba, em São Paulo, contudo, a força-tarefa não será exclusiva para a Lava Jato.

"A força-tarefa recém formada se diferencia da conhecida estrutura existente em Curitiba, visto que os procuradores de São Paulo não terão dedicação exclusiva à operação, acumulando seus demais procedimentos. No entanto, a constituição do grupo possibilitará que os membros atuem de maneira mais integrada e colaborativa, podendo haver mais de um procurador responsável por cada caso, agilizando, assim, o andamento dos trabalhos, visto que qualquer um deles pode participar de atos relacionados aos procedimentos", informou o MPF-SP.

OS 4 PROCURADORES


Participam da força-tarefa 4 procuradores: Thiago Lacerda Nobre, José Roberto Pimenta Oliveira, Anamara Osório Silva e Thaméa Danelon Valiengo. Todos integram o Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) da Procuradoria da República em São Paulo.

A procuradora Thaméa já é conhecida por ter participado da campanha a favor das 10 medidas anticorrupção do Ministério Público Federal. Os eventos ao lado do procurador estrela da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ajudaram a projetá-la e a levaram a inúmeros programas de TV e rádio.

Nas redes, a procuradora não esconde a admiração à chamada República de Curitiba, e posa em fotos ao lado de Sergio Moro.

Em entrevista recente, comentou os processos que Lula move contra os procuradores do Paraná. Para ela, essa conduta é "normal" quando vem de "pessoas [que] não conseguem se defender dos crimes, porque as provas são tão robustas e maciças."

Ela ainda comentou a sentença do triplex, defendendo que o MPF conseguiu provar que o imóvel era de Lula.

Sobre os inquéritos de Lula em São Paulo, disse que tudo ainda precisa ser apurado e não antecipou juízo de culpa - contrariando o modus operandi da turma de Curitiba.



GGN
Posted: 21 Jul 2017 01:11 PM PDT


Durante o discurso do Temer na 50ª Cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, nesta sexta-feira (21), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não resistiu as tantas besteiras e histórias nem sempre verdadeiras e acabou dormindo dormiu.

Posted: 21 Jul 2017 01:02 PM PDT


"Com o impeachment, a política externa deixa de ser prioridade na agenda presidencial. Cada vez mais, esta ocupa-se, e não sem motivo, da tentativa de manutenção do atual presidente no cargo. Assim, um país que foi muito hábil em ter uma política externa relevante no cenário internacional hoje tem seu protagonismo amplamente reduzido

Algumas poucas evidências desse processo são suficientes. A primeira talvez seja o endurecimento da postura brasileira com relação a alguns vizinhos, o que, sem dúvida, mina a influência do país no âmbito regional e, consequentemente, internacional. Em segundo lugar, o foco, quase que exclusivamente comercial, que a política externa passou a ter no governo Temer, mais do que simplório, é míope. É simplório, pois não retira o país da posição de refém das oscilações de preços dos produtos que vende internacionalmente. O caso recente da Operação Carne Fraca,4 colocando em xeque os principais frigoríficos exportadores do país, é emblemático nesse sentido. É míope, uma vez que tal postura coloca o país à margem dos principais processos políticos regionais e internacionais. Por um lado, é absurda a completa irrelevância brasileira diante da gravíssima crise na vizinha Venezuela. Por outro lado, é perturbador o fato de o Brasil, por conta de não ter apresentado candidatura, ficar de fora do Conselho de Segurança das Nações Unidas até pelo menos 2033. Sendo esta a principal instância relativa à paz e à segurança internacionais, tal fato é, no mínimo, desassossegador. Soma-se a esses fatos o primeiro voto brasileiro contrário a uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no início deste ano. Isso é simplesmente inédito para o país. Esse fato torna-se ainda mais inquietante ao se ter em conta que a resolução se centrava no impacto negativo que medidas de austeridade têm sobre os direitos humanos."

Por Ramon Blanco, doutor em Relações Internacionais; e Lucas Mesquita, doutor em Ciência Política.
Le Monde Diplomatique
Posted: 21 Jul 2017 12:49 PM PDT

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil
Direito de imagemEPA "Cada lei é uma negociação à parte. Então, em vez de ser um parlamento, o Congresso (brasileiro) acaba virando uma bolsa de valores", afirma Mujica

O ex-presidente do Uruguai e atual senador José 'Pepe' Mujica, de 82 anos, classifica como "triste" o fato de que se tenha trocado integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara para garantir a rejeição do parecer que recomendava o avanço da denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer.


"Tudo isso é muito triste. É um cenário que coloca o Brasil, na visão internacional, como uma república muito desprestigiada. O Brasil não merece isso", afirma em entrevista à BBC Brasil. É, diz, algo que lhe faz sentir "pena".

"Me dá pena. Pena pelo Brasil por ver o que aconteceu com uma comissão que estava estudando as eventuais acusações, em que tiveram que mudar a composição dessa comissão. E tudo indica que houve muita influência para poder colocar gente que não decepcionasse o governo."

Na conversa por telefone, o ex-líder uruguaio afirma que não acredita em nenhuma das acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, critica o sistema de delações premiadas, fala sobre a polarização política no Brasil e disse que as reformas do governo Temer representam "mais de 50 anos de atraso". Além disso, aponta o que vê como um avanço do "falso moralismo" no país.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - Qual é a sua opinião sobre o Brasil hoje? O ex-presidente Lula, que o senhor costuma elogiar, foi condenado, em primeira instância, a nove anos e meio de prisão. E a sociedade parece bem dividida politicamente.
José 'Pepe' Mujica - Eu acho que o que está acontecendo no Brasil hoje tem antecedentes. Eu não posso separar isso da forma como expulsaram Dilma Rousseff da Presidência.

BBC Brasil - Por quê?
Mujica - Porque é evidente que no Brasil tudo ganhou um tom conspirativo de extrema-direita que está atropelando um conjunto de conquistas e melhoras sociais. E há uma onda regressiva no campo trabalhista para os trabalhadores, isso é um problema sério.

Acho também que existe uma direita muito conservadora que está utilizando, entre outras coisas, a influência de mecanismos da Justiça, tentando frear toda possibilidade de resposta progressista ou mais ou menos a favor da grande maioria.

Atacar Lula, da maneira como o estão atacando, é impressionante. Colocam a eventual venda de um apartamento em uma praia... (o tríplex no Guarujá). Para um homem que foi presidente durante oito anos da principal potência da América Latina e com o antecedente da retirada de Dilma Rousseff do governo... realmente tudo isso gera a imagem de um Brasil muito doente.

E, além disso, aprovam um conjunto de reformas que vão para o passado, (anulando) as medidas que foram implementadas por Getúlio Vargas, que foi um presidente inesquecível e se suicidou por causa da pressão da oligarquia. É como se o Brasil estivesse voltando aos seus piores tempos.

BBC Brasil - O senhor acha...
Mujica - (interrompe) Olha, eu mantenho minha fé no Lula. Eu o conheço há muitos anos. O acusam por um sítio. Uma vez estive no sítio e é muito simples, com uma casinha. Além disso, tem outra coisa, ninguém coloca ênfase no papel das empresas. Parece que as empresas são pecadoras e isso está virando moda no mundo.

BBC Brasil - Como assim? O senhor pode explicar?
Mujica - Por exemplo, a Volkswagem pode organizar uma farsa de caráter internacional (no caso dos carros com um programa que reduzia as emissões de gases poluentes dos motores em testes regulatórios), pagar multas de milhões de dólares, e ninguém vai preso. E as empresas continuam enormes. E aqui na América Latina as empresas servem como que para destroçar a confiança pública.

Tudo isso que está acontecendo no Brasil acaba interrompendo, no longo prazo, a esperança em uma sociedade. E na vida dos homens, das mulheres, das sociedades, precisamos ter esperança. O Brasil está cultivando o não acreditar em nada. E depois disso o que vem? O niilismo? O golpe de Estado?

Uma coisa é ser de direita e outra, conservador. O que há no Brasil está com cara de falso moralismo, e o fascismo na Europa se apresentou com cara de falso moralismo também.

BBC Brasil - Mas o senhor acha que pode ocorrer um golpe de Estado no Brasil hoje?
Mujica - É que no lugar de se utilizar militares para golpes de Estado, agora se utilizam os subterfúgios jurídicos para a mesma coisa. E isso me provoca imensa dor porque o Brasil é muito importante para toda a América Latina.

Direito de imagemREUTERS Eleição de Lula em 2018 seria maneira de "colocar nos trilhos" a oposição a políticas que protegem os mais pobres, diz ex-líder uruguaio

BBC Brasil - Qual a sua opinião sobre o juiz Sergio Moro, que condenou o ex-presidente Lula?
Mujica - Acho que ele está trabalhando no compasso desses setores ultraconservadores e, na verdade, o que se percebe é que pretendem fechar o caminho para a candidatura de Lula, porque de outra forma é difícil que possam evitar que ele vença.

E isso não soluciona o problema endêmico que o Brasil tem, que é um sistema político muito perigoso, com mais de 30 partidos políticos. Ninguém tem a maioria. Cada lei é uma negociação à parte. Então, em vez de ser um parlamento, o Congresso acaba virando uma bolsa de valores.

Isso é um problema de caráter constitucional. Não se pode governar um país com esse mosaico de partidos onde cada qual luta por seu próprio interesse e tudo se transforma em negociações. É um problema grave para o Brasil e, portanto, para nós também. Nosso pequeno país fica no meio de um sanduiche, ao lado de dois países grandes (Brasil e Argentina) em crise.

BBC Brasil - Mas o ex-presidente Lula e seu partido, o PT, também fizeram alianças com outros partidos, como o PMDB, do agora presidente Michel Temer.
Mujica - Pois é, é como juntar o céu com o inferno. Mas esta é a situação do Brasil.

BBC Brasil - Está marcada para o próximo dia 2 de agosto uma votação na Câmara que poderia definir o destino do presidente Temer...
Mujica - Me dá pena. Pena pelo Brasil por ver o que aconteceu com uma comissão (a Comissão de Constituição e Justiça) que estava estudando as eventuais acusações, e tiveram que mudar a composição dessa comissão. E tudo indica que houve muita influência para poder colocar gente que não decepcionasse o governo.

Tudo isso é muito triste. É um cenário que coloca o Brasil, na visão internacional, como uma república muito desprestigiada. O Brasil não merece isso.

BBC Brasil - Segundo pesquisas recentes, o governo Temer é bem avaliado por cerca de 7% dos brasileiros e mantém a agenda de reformas no Congresso Nacional...
Mujica - É um retrocesso. Porque, por exemplo, os trabalhadores rurais, tão importantes no Brasil, vão ficar praticamente sem aposentadoria. Porque ter que trabalhar esse montão de anos é praticamente impossível para uma vida normal. Eu acho que estão caminhando para mais de 50 anos de atraso.

O Estado tem um papel fundamental na distribuição da riqueza e precisa ajudar as pessoas. Temos que saber que o capitalismo é formidável para gerar riqueza, mas não é formidável para distribuir riqueza. O Estado tem que intervir para que não sejam criados bolsões de extrema pobreza e de miséria, com medidas que possam distribuir e mitigar o que o mercado não pode fazer.

Por um lado existe um mundo que floresce quando a economia cresce, mas existe outro que vai ficando marginalizado da civilização. E o Estado tem que buscar reduzir essa contradição. E o Brasil está fazendo exatamente o contrário.

Direito de imagemASCOM/VPR Mujica com o então vice-presidente Temer em 2014; uruguaio critica governo do peemedebista

BBC Brasil - Mas os defensores das reformas afirmam que elas vão gerar mais empregos e mais investimentos no país.
Mujica - Esse é um velho mito que existe - de que é preciso reduzir os impostos aos mais ricos para fomentar sua ambição e que com isso vão investir e vão aumentar o trabalho. Mas, na verdade, é preciso levar em conta o salto tecnológico contemporâneo. Ou seja, multiplica-se a riqueza, mas não necessariamente os postos de trabalho.

A riqueza pode aumentar, e também o desemprego. E no caso do Brasil isso é evidente. O Estado tem que funcionar como escudo dos mais pobres, ou haverá uma polarização da riqueza na sociedade, e a concentração excessiva da riqueza acaba se transformando, indiretamente, em poder político a favor da riqueza.

BBC Brasil - O senhor acha que o ex-presidente Lula pode ir preso? Ou que ele pode chegar a não ser candidato?
Mujica - Sim, e isso me preocupa. E acho que a candidatura dele seria uma forma de colocar nos trilhos, institucionalmente, uma crescente oposição a estas políticas, mantendo as regras da democracia representativa e sua garantia fundamental. E tudo isso (que hoje envolve Lula) pode ser que nos leve a um arrependimento no futuro.

BBC Brasil - Hoje o ex-presidente Lula lidera as projeções para as eleições de 2018. No entanto, o país está bastante polarizado. A possível eleição dele não poderia intensificar este quadro?
Mujica - A polarização é um perigo. E Lula sabe disso. Mas Lula é um homem negociador. Por isso chegou onde chegou. Certamente Lula é o político mais maduro que o Brasil tem para poder orquestrar um freio nessa polarização. Mas concordo com sua pergunta e acho também que a polarização é um veneno na América Latina.

O problema da polarização é que faz com que metade do país fique contra a outra metade. Além disso, existe a polarização social. Aqueles que saíram da pobreza e voltam à pobreza são candidatos a participar dessa polarização.

Quando alguém é muito pobre, isso costuma gerar uma cultura de resignação à pobreza. Mas quando essa pessoa melhora de vida e depois tem que voltar à pobreza, é a historia da rebeldia. A rebeldia surge daqueles que, estando menos pobres, têm que retroceder. Hoje existe egoísmo demais.

Direito de imagemEPA Para Mujica, isolamento dos EUA no governo Trump pode fazer com que a UE se aproxime mais do mercado latino-americano

BBC Brasil - De parte de quem? Dos políticos? De setores da sociedade?
Mujica - Nas sociedades modernas, funciona cada vez mais o egoísmo e menos a solidariedade. É um problema contemporâneo.

BBC Brasil - Mas o senhor não acredita em nenhuma das denúncias contra o ex-presidente Lula? Ele enfrenta cinco processos no âmbito da operação Lava Jato.
Mujica - Eu não acredito em nenhuma delas. Além disso, aconteceram coisas que não podemos esquecer. O tesoureiro do PT (Paulo Ferreira) foi condenado e depois o liberaram porque não havia provas.

E esse regime de delação premiada, inventado pelo fascismo, que vem da época do Mussolini, é uma bomba prestes a explodir.

BBC Brasil - Por quê? O regime não possibilita que casos de corrupção sejam desvendados?
Mujica - É muito difícil poder separar a verdade da mentira. Essas pessoas, quando se veem perdidas, recorrem a qualquer coisa. Para mim, é um recurso retrógado do sentido liberal da Justiça.

BBC Brasil - Qual a sua opinião sobre o possível futuro do Brasil e da região no contexto atual?
Mujica - Minha querida, o futuro é o mais difícil de se prever. Mas existem mudanças muito fortes que temos que ver como repercutem.

BBC Brasil - Que mudanças?
Mujica - O eventual isolamento que os Estados Unidos estão assumindo ao se retirar da tentativa do Acordo do Pacífico é algo histórico. Ao mesmo tempo, é evidente que a China entendeu esse contexto perfeitamente e está fazendo o que tem que fazer a favor dos seus interesses.

Parece que a Europa quer despertar e começa a olhar para a América Latina. A China virou o principal comprador dos produtos da América Latina, e não se deve estrategicamente depender só de um. E a Europa, que culturalmente estava mais perto da nossa região, tinha nos isolado.

O isolamento e a atitude que os Estados Unidos assumem agora pode levar a Europa a abrir os olhos para outras partes do mundo. E nada disso ocorria há cerca de um ano.

BBC Brasil - Esse possível novo quadro pode ser positivo para a região?
Mujica - É preciso lembrar aquele ditado que diz "não há mal que não seja para o bem".

Direito de imagemREUTERS Estoques de farmácias autorizadas a vender maconha no Uruguai esgotaram no primeiro dia

BBC Brasil - Nesta sexta-feira se reúnem os presidentes do Mercosul, na reunião semestral que está sendo realizada em Mendoza, na Argentina. Hoje os presidentes são Temer, do Brasil, Macri, da Argentina, Horacio Cartes, do Paraguai, e Tabaré Vázquez, do Uruguai. Antes, o Mercosul parecia ter outro perfil com o senhor, Lula, Dilma, Fernando Lugo, Cristina Kirchner...
Mujica - Eu acho que a América Latina, por sua história, tem um montão de países, mas ainda não conseguiu construir sua nação. Teremos a nação (América Latina) quando formos capazes de nos integrar. Precisamos de integração para ter massa crítica.

E acho que todos os gestos que nos ajudem para que nos juntemos - sejam de esquerda, de direita ou de centro - temos que apoiar, e apoiar com entusiasmo, porque o mundo está se organizando em gigantescas comunidades e os latino-americanos estão pulverizados. Espero que os que hoje estão no Mercosul saibam da responsabilidade que têm.

BBC Brasil - Na Venezuela, foi realizada uma consulta popular sobre a Constituinte promovida pelo governo Nicolás Maduro, que teve mais de 7 milhões de participantes, segundo organizadores. E a eleição para a Assembleia Constituinte ocorre no final deste mês...
Mujica - Na Venezuela, estão todos muito exaltados e sem diálogo, e essa é a pior parte. Eles não atacam o principal problema, que é o econômico, resultado de depender de um produto só.

BBC Brasil - O petróleo.
Mujica - Isso. E isso não se ajeita nem com discursos e nem com manifestações. É necessária uma política de trabalhar na terra, de produzir alimentos. Se a Venezuela (o país importa quase tudo o que consome) não resolver o problema agrário, qualquer regime que o país tenha e sendo o petróleo caro ou barato, terá dificuldades.

BBC Brasil - A região pode ajudar de alguma maneira? Hoje o presidente Nicolás Maduro conversa com o presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia. Estaria conversando também com o senhor?
Mujica - Tentei conversar com ele, mas não tive sorte.

BBC Brasil - Por quê? Ele não atendeu sua ligação?
Mujica - Sim, atendeu, mas... (sugere que o presidente não lhe deu ouvidos). Na Venezuela, parece que cada um tem seu jeito, seu capacete, e não há lógica política.

BBC Brasil - Na última quarta-feira começou a venda de maconha nas farmácias do Uruguai, uma medida aprovada pelo seu governo. Como foi o início?
Mujica - Espetacular. Bom até demais (os estoques das farmácias autorizadas esgotaram no primeiro dia, segundo a imprensa uruguaia).


BBC Brasil
Posted: 21 Jul 2017 12:23 PM PDT


A economia do País não conseguiu sobreviver aos impactos da operação, que beneficiou o mercado financeiro internacional


Por Daniel Giovanaz
Do Brasil de Fato


A suspensão dos contratos da Petrobras com empreiteiras brasileiras, nos últimos dois anos, paralisou vários segmentos da indústria nacional. Entre os mais afetados, estão os setores metalúrgico, naval e de construção civil.

Os dois primeiros capítulos desta série demonstraram que o rombo na economia brasileira pode ser atribuído não só aos políticos e empresários, que cometeram crimes, mas também ao Poder Judiciário, que poderia ter evitado parte desse prejuízo – sem enfraquecer o combate à corrupção.

Mas como é que a Lava Jato foi capaz de comprometer, em poucos meses, o avanço da indústria nacional? A reportagem do Brasil de Fato Paraná ouviu pesquisadores sobre o tema e explica por que a economia do País não conseguiu sobreviver aos impactos da operação, e como ela beneficiou o mercado financeiro internacional.

Histórico


Segundo o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, não se pode analisar os impactos da Lava Jato sem compreender o desmonte industrial ocorrido na década de 1990: “O Brasil vinha estruturando sua indústria desde os anos 1930, com Getúlio [Vargas], depois Juscelino [Kubitschek], e uma pequena interrupção entre 1961 e 1963. E os militares [a partir de 1964] retomaram o projeto de industrialização, mantendo o arranjo produtivo institucional entre bancos públicos, empresas estatais e articulação com o setor privado”, relata. “O chamado “milagre brasileiro” se apoiou nisso, até chegar no [Ernesto] Geisel, que cometeu o pecado do endividamento externo”.

Para superar o período de instabilidade financeira que sucedeu a ditadura militar (1964-1985), o Brasil adotou o chamado projeto econômico neoliberal. A indústria foi enfraquecida e as portas foram abertas para o capital estrangeiro. “Vendeu-se a ideia de que era preciso abrir a economia e diminuir o papel do Estado, através das privatizações”, critica o economista.

O abandono do projeto de desenvolvimento nacional, realizado nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pode ser traduzido em números: “Se, no final dos anos 1980, a indústria tinha quase 25% de participação no PIB [Produto Interno Bruto], hoje tem 9%. E isso não foi revertido no governo Lula”. Ou seja, o efeito da Lava Jato foi ainda mais devastador porque o Brasil sequer havia se recuperado da destruição causada pelo projeto neoliberal, 20 anos antes.

Mau negócio


Entre as empresas privatizadas na década de 1990, está a mineradora Vale do Rio do Doce. Ela foi vendida por FHC por R$ 3 bilhões e, 14 anos depois, tinha um valor de mercado estimado em R$ 300 bilhões. Os movimentos sociais foram às ruas e denunciaram o modelo exportador adotado pela Vale, que não gerava emprego, desenvolvimento e industrialização. O pretexto da venda era o pagamento de parte da dívida pública interna e externa. A exemplo de outras privatizações, isso nunca aconteceu.

A Vale do Rio Doce principal empresa estratégica brasileira no ramo de mineração e infraestrutura, e suas reservas minerais eram calculadas em mais de R$ 100 bilhões à época do leilão. Nos últimos três anos, o fantasma das privatizações voltou a assombrar aeroportos e companhias de saneamento em todas as regiões do país, com a falsa promessa de tirar os estados do vermelho.

“Foi uma perda de oportunidade”, resume o doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Caio Bugiato, sobre aquele período. “Tínhamos finalmente uma democracia, uma Constituição cidadã, com vários direitos sociais garantidos, mas a política econômica, que poderia gerar empregos e desenvolver o país, foi rompida”.
PUBLICIDADE
,
PUBLICIDADE


Bugiato aponta que, durante os oito anos de governo Lula (PT), o investimento na indústria alcançou, em alguns meses, o mesmo patamar dos anos 1980. Porém, não houve uma política de diversificação. “A indústria brasileira se concentra em poucos setores: gás, petróleo, indústria de alimentos, construção civil, e para por aí. Como os investimentos se concentram em grandes monopólios e em estatais, como a Petrobras, nos momentos de crise, como na Lava Jato, toda a economia nacional é afetada”, explica.

Essa situação fica evidente no relato de Edson Rocha, conselheiro do Fundo da Marinha Mercante (FMM). A indústria naval foi desmantelada rapidamente, após a Lava Jato, porque a maioria dos estaleiros do país dependiam da demanda da Petrobras. “Lula e Dilma [PT] fizeram um esforço para investir no nosso setor. Mas a indústria naval não pode ficar pendurada em uma decisão governamental. Tem que criar uma política de Estado”, defende Edson Rocha. “O Brasil tem quase 9 mil km de costa e vários rios navegáveis. Por que é que a gente transporta quase tudo por via terrestre? Como um país desse tamanho não tem uma indústria naval forte?”.

Falta autonomia

Luiz Gonzaga Belluzzo afirma que os esforços realizados nos últimos 15 anos para retomar o caminho do crescimento não foram suficientes. “Quando eu digo que os governos PT fazem parte do período neoliberal é porque não se tocou em questões fundamentais. Tivemos um movimento de expansão da economia, e os programas sociais melhoraram muito a vida das pessoas. Mas, em termos de indústria, houve certa hesitação”, pondera. “É claro que reconstruir todo o parque industrial não era uma tarefa fácil. Seja como for, o pré-sal poderia fazer esse papel, com o chamado “conteúdo nacional".

A entrega da camada pré-sal para o investimento estrangeiro, além de ser uma consequência direta da Lava Jato, segundo o economista, impede qualquer perspectiva imediata de reindustrialização do Brasil.

O que explica os altos índices de crescimento econômico da China, na comparação com o Brasil, é que lá foi possível preservar a autonomia do setor público. “São as empresas estatais chinesas que definem a relação que vão manter com o setor privado. O que aconteceu na Petrobras, de certa forma, é que se inverteu a relação: as empresas privadas começaram a determinar as políticas da Petrobras. Com o neoliberalismo, houve uma tremenda invasão, no Brasil, do privado sobre o público”, interpreta Belluzzo.

Papel do BNDES

Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base, o país possui um déficit em infraestrutura equivalente a R$ 3 trilhões. Com 14 milhões de desempregados e a necessidade urgente de voltar a crescer, o governo Michel Temer (PMDB) caminha na contramão do desenvolvimento. Uma das propostas do presidente golpista é reduzir o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal entidade fomentadora de obras e empreendimentos no território nacional.

“Foram ventiladas várias possibilidades de se fazer isso [enfraquecer o Banco]. Uma delas, que se concretizou no ano passado, foi a devolução antecipada de R$ 100 milhões referentes a empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES. E a ameaça mais recente é a MP [Medida Provisória] 777, que está em fase de audiências públicas”, afirma Thiago Mitidieri, presidente da Associação dos Funcionários do BNDES.

A MP 777 coloca uma série de barreiras para investimento no setor produtivo, encarece os custos de financiamento e aumenta o risco dos empresários, favorecendo a concorrência estrangeira. A tentativa de imobilizar o banco público, segundo Mitidieri, é uma repercussão equivocada da operação Lava Jato.

“Nenhum funcionário do BNDES foi citado por receber vantagens ou favorecimentos. Tanto nas delações da Odebrecht quanto do Joesley Batista [executivo da empresa JBS], fica claro que não havia envolvimento do corpo técnico do BNDES”, esclarece. “Mas vivemos um período de destruição da reputação do Banco. É uma questão de oportunismo. Essa campanha coloca a opinião pública contra o banco, favorecendo qualquer proposta de mudança, mesmo que seja contrária ao interesse nacional”.

De acordo com Belluzzo, não há saída para a crise do setor industrial sem o fortalecimento do Estado e dos bancos públicos. “O sistema de inovação exige um aporte muito grande de recursos, tanto humanos quanto financeiros. Porque a inovação tem um risco muito grande, e o Estado tem que mitigar esse risco. Eu não estou querendo minimizar, pelo contrário, eu estou exaltando o papel do empresário. Só que, hoje em dia, objetivamente, a articulação é essa”, afirma o economista. Tudo ao contrário do que propõe o governo Temer.

Alternativa

A Frente Brasil Popular, que reúne movimentos sociais em defesa da democracia e da classe trabalhadora, lançou há dois meses um documento com alternativas para a política econômica do País. O material, chamado de Plano Popular de Emergência, propõe saídas para o cenário apresentado pelos economistas.

O Plano inclui a elevação dos investimentos a 25% do PIB no prazo de quatro anos. Além disso, prevê a suspensão das concessões e privatizações realizadas durante o governo Temer, por exemplo, a venda de ativos das empresas estatais e os leilões das áreas do pré-sal.

Posted: 21 Jul 2017 12:04 PM PDT

Paulo Nogueira Batista Jr: é isso que passa por justiça no Brasil hoje?
‘O Brasil é um país em franca decadência”, me disse ao telefone um alto funcionário do governo brasileiro, diplomata de carreira. Foi no fim do ano passado. Tenho esse diplomata em alta consideração. E a frase me doeu, ficou reverberando dentro de mim.

Tenho toda uma vida profissional investida no Brasil e na sua projeção internacional. Tudo o que faço, de uma maneira ou de outra, diz respeito a nosso país. Mesmo agora que sou um funcionário internacional, que não representa o país no banco aqui em Xangai, todas as minhas atividades remontam, em última análise, à ideia central de que o Brasil é uma grande nação, destinada a deixar sua marca na história e no mundo.

Ilusão? Creio que não. Mas é, sem dúvida, muito difícil sustentar essa crença hoje. Lembrei-me da frase do diplomata por causa de algo estarrecedor que aconteceu na semana passada: a sentença de um certo juiz, condenando o ex-presidente Lula a mais de nove anos de prisão. Com todos os absurdos que ocorrem atualmente no Brasil, é difícil encontrar um documento que sintetize de forma tão perfeita o nosso quadro de decadência moral, intelectual, profissional e política. O juiz bateu recordes de desfaçatez.

Um certo juiz. Por que não dizer o seu nome? Explico. Conta Nelson Rodrigues que na antiga imprensa carioca havia um editor que era contra, simplesmente contra o ponto parágrafo. Dizia que o ponto parágrafo era um espaço desperdiçado e perdido para sempre. Pois bem, o nome do juiz seria outro espaço desperdiçado e perdido para sempre. E de qualquer maneira: o seu nome não entra na minha coluna nem a tiro, como não entra palavrão em casa de família.

Bem, casa de família já é exagero. Reconheço que figuras infames já passaram por esta coluna. Mas há limites, leitor, há limites! A referida sentença está coberta de barbaridades e absurdos. Trata-se de uma selvageria pura e simples. Dou um ou dois exemplos, entre muitos que poderia dar se o espaço permitisse.

O ex-presidente foi condenado em primeira instância por crime de corrupção passiva. Ora, para caracterizar tal crime, parece que há pelo menos dois requisitos indispensáveis. Primeiro, comprovar o recebimento pelo corrupto de um favor ou benefício. No caso, o tríplex em Guarujá. Segundo, comprovar que o acusado valeu-se de um cargo para prestar alguma contrapartida ao corruptor, no caso a OAS.

Quanto ao primeiro aspecto, o juiz reconhece que não tem provas de que o tríplex pertence ou tenha pertencido a Lula. Alega, entretanto, que o ex-presidente era “proprietário de fato”. O juiz comprova a “propriedade de fato”? Comprovou-se o uso frequente do imóvel por Lula e seus familiares? Não. O que se alega simplesmente são uma ou duas visitas de Lula e dona Marisa ao tríplex.

Uma, talvez duas visitas. Parece caricatura, mas não é.

Quanto ao segundo aspecto, como o juiz comprova a contrapartida? Não precisa comprovar. A sentença alega: “Basta para a configuração que os pagamentos sejam realizados em razão do cargo ainda que em troca de atos de ofício indeterminados, a serem praticados assim que as oportunidades apareçam”.
Atos de ofício indeterminados. A citação é literal.

É isso que passa por justiça no Brasil hoje?

Lula
Posted: 21 Jul 2017 11:55 AM PDT

Jacob foi condenado a sete anos de prisão, mas continua exercendo seu mandato parlamentar


Quase um mês após autorizar o deputado presidiário a trabalhar durante o dia e voltar para o presídio da Papuda à noite, a Justiça autorizou o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) a exercer o mandato na Câmara durante o recesso parlamentar. Enquanto todos os deputados estão bem longe da Câmara, aproveitando o recesso, o parlamentar estará frequentando solitariamente as dependências do Congresso. Exatamente durante o recesso, Jacob não poderia deixar a Papuda por não haver expediente na Casa.

No entanto, suas saídas do presídio durante o dia foram possíveis graças ao PMDB, legenda da qual faz parte, que indicou Jacob para fazer parte da comissão representativa do Congresso durante o recesso. O grupo, que contém 17 deputados, está de plantão para resolver questões urgentes que possam surgir no Parlamento nesse período. O juiz responsável autorizou o benefício ao peemedebista e nesta sexta-feira ele já poderá frequentar a Câmara entre 9 e 19 horas.

Jacob deveria cumprir pena de 7 anos e dois meses preso. No entanto, a Justiça autorizou que o deputado cumpra pena e ao mesmo tempo mantenha atividade parlamentar. O deputado foi preso no dia 6 de junho por falsificação de documento público quando ainda era prefeito de Três Rios, interior do Rio de Janeiro, e está cumprindo pena no presídio da Papuda, em Brasília.

No final de junho, o juiz Valter Bueno Araújo, da Vara e Execuções Penais de Brasília, concedeu o direito ao deputado presidiário de trabalhar durante o dia aprovando leis, emendas constitucionais e Medidas Provisórias, por exemplo, e retornar ao cárcere à noite. No caso do deputado, quando o trabalho se estender pela noite, o juiz entende que ele pode comunicar à direção da Papuda que chegará mais tarde em razão de votações que entraram noite à dentro.

Congresso em Foco
Posted: 21 Jul 2017 11:47 AM PDT

Por Altamiro Borges

O farsante Paulo Skaf, amigo íntimo de Michel Temer e filiado ao mesmo partido do usurpador, não teve como escapar. Diante da forte pressão nas redes sociais, ele anunciou nesta sexta-feira (21) que a decadente Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) vai ressuscitar o seu pato amarelo contra o aumento dos tributos sobre os combustíveis decretado pelo covil golpista. Até a revista Época, da agora “oposicionista” famiglia Marinho, cobrou uma atitude do velhaco oportunista, metido em inúmeras falcatruas.

“Em março, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que colocaria o pato amarelo – que se tornou um símbolo da resistência contra o aumento dos impostos no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff – nas ruas diante da possibilidade de o governo do presidente Michel Temer elevar os tributos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na quarta-feira (19) que o governo vai aumentar o PIS-Cofins sobre os combustíveis para diminuir o estrago nas contas públicas. O pato amarelo vai voltar?”, ironizou o jornalista Murilo Ramos.

Frente às cobranças e ao inevitável desgaste, o coronel da Fiesp se travestiu de valentão e se disse “indignado” com a cacetada de Michel Temer. “Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”. Em uma nota lacônica, ele ainda afirmou na maior caradura que a Fiesp se mantém “independente de governos... Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato”.

Será que o farsante voltará a usar o enorme luminoso da fachada do prédio da Fiesp na Avenida Paulista para protestar contra o governo? Será que distribuirá milhares de patinhos amarelos para os mais incautos? Será que patrocinará um “acampamento” de jovens amestrados em frente ao edifício? Será que a Fiesp usará a grana do Sistema S para convocar novas manifestações de rua? A conferir até onde vai a “indignação” de Paulo Skaf, que tem o rabo preso com os velhos corruptos do PMDB e já foi citado várias vezes nas delações de executivos da Odebrecht e de outras empreiteiras.

A conferir, também, qual será a atitude dos “coxinhas”, que foram utilizados como massa de manobra pela cloaca empresarial na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff. Como otários, eles ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer e Paulo Skaf, que liquidou os direitos trabalhistas, pretende acabar com a aposentadoria e ainda aumenta os impostos. Eles foram os verdadeiros patos nesta triste história da democracia brasileira.


Altamiro Borges
Posted: 21 Jul 2017 11:38 AM PDT


O AUMENTO DA alíquota do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), anunciado no fim da tarde desta quinta (20) pelo governo, escancara uma realidade: no mundo político (e econômico também, neste caso), não é possível confiar no que é dito.

Queridinho do mercado, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, usou o programa “A voz do Brasil”, em 31 de outubro do ano passado, para tranquilizar a todos e garantir que não haveria aumento de impostos, graças à mais uma solução mágica que havia sido elaborada na gestão Temer: aProposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos para os próximos 20 anos.

“Só seria necessário (aumentar impostos) se as despesas continuassem a crescer descontroladamente. No momento em que o governo corta na carne, elimina a necessidade de aumentar impostos”, disse o ministro à época.

O contexto era basicamente o seguinte: a PEC havia sido aprovada em primeira e segunda discussão na Câmara, faltando ser ratificada pelo Senado. O texto, porém, estava longe de ser uma unanimidade, era fortemente atacado pela oposição, que alegava que a mudança poderia causar reflexos nos gastos em áreas primordiais, como saúde e educação, além de programas sociais.

No meio do rolo compressor do governo, nada melhor então do que contar uma pequena mentira como a que não haveria aumento de impostos para tentar tranquilizar empresários e trabalhadores de que aquela seria mais uma solução eficiente do governo. Em 15 de dezembro de 2016, a proposta foipromulgada no Senado, sendo a primeira grande “vitória”de Temer. Este ano, mesmo em meio à crise política provocada pela delação do dono da JBS, Joesley Batista, foi a vez da aprovação da impopular reforma trabalhista.

Alíquota do PIS/Cofins vai dobrar


Nesta quinta, o ministro que tinha dito há oito meses que os impostos não aumentariam usou uma nota para confirmar o que já vinha se comentando nos últimos dias nos bastidores do Planalto: o governo vai sim ter que tirar mais dinheiro do contribuinte para poder fechar suas contas. No caso da gasolina, o PIS/Cofins quase dobrará, passando de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro. Haverá também aumento no diesel e no etanol. A Petrobras calcula que o impacto para o consumidor seja de 7%.

Para tentar amenizar as críticas, a equipe econômica também anunciou também cortes na própria carne:

“Do lado das despesas, serão contingenciados, adicionalmente, R$ 5,9 bilhões dos gastos previstos no Orçamento de 2017. Esse valor deverá ser compensado por receitas extraordinárias que ocorrerão ainda este ano”, informou a nota divulgada pelo Planalto.



O pato ressuscitou. No prédio da Fiesp, protesto contra o aumento de impostos anunciado na quinta pelo governo. Foto: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Apesar de ser o queridinho do mercado, Meirelles já vê reações negativas do aumento do PIS/Cofins entre o empresariado. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) colocou novamente o pato na rua para protestar contra a medida. O presidente da entidade, Paulo Skaf, disse nesta sexta (21) que “temos que ser radicais” e “nenhum governo pode aumentar impostos”.

Ao mesmo tempo em que anuncia uma medida tão impopular, Temer convive também com outra contradição, já que precisa agradar aos parlamentares que vão decidir, no início de agosto, se ele continua ou não na presidência. Se for aceito o prosseguimento da denúncia da PGR por corrupção passiva, ele terá que se afastar do cargo por 180 dias.

O pacote de bondades do governo chega a R$ 15 bilhões nas últimas semanas, de acordo com levantamento feito pelo jornal “O Globo”. Nesta leva, somente em junho, foram liberados mais de R$ 500 milhões em restos a pagar de anos anteriores de emendas parlamentares. Até o ex-deputado presoEduardo Cunha entrou nesta leva, com mais de R$ 1,6 milhão liberados.
Já saímos dessa recessão, continuamos a crescer e vamos construir um país com taxas de crescimento sustentáveis mais elevadas

O mais curioso nisso tudo é que nas cerimônias que vêm sendo realizadas no Planalto por Temer para divulgar suas bondades, o ministro Henrique Meirelles está quase sempre ao seu lado, tentando reforçar a imagem de que tudo está bem.

“Entramos numa recessão profunda, por questões estruturais. Já saímos dessa recessão, continuamos a crescer e vamos construir um país com taxas de crescimento sustentáveis mais elevadas”, disse Meirelles durante cerimônia de sanção do texto da reforma trabalhista na semana passada.

A questão que fica é: e aí, dá para acreditar?


The Intercept Brasil
Posted: 21 Jul 2017 11:30 AM PDT


por Conceição Lemes

Beatriz Cerqueira é professora e coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).

Seguramente, uma das importantes vozes no Brasil contra o antidemocrático e obscurantista projeto “Escola Sem Partido” – a Lei da Mordaça.

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) é um fervoroso defensor.

Em 7 de julho, os dois participaram de audiência pública sobre o tema na Câmara Municipalde Além Paraíba, sul de Minas.

O debate prometia ser duro. Machismo e misoginia são recorrentes nas propostas e posturas do vereador. Basta percorrer a sua página no Facebook.

No começo deste ano, ele atacou de polícia política e invadiu de forma ilegal escolas públicas da cidade de São Paulo para “fiscalizar” os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, sob o pretexto de estar investigando “doutrinação ideológica”.

Em plenário, a vereadora Sâmia Bomfim (PSOL) criticou-o por patrulhamento, censura, assédio.

Em 5 de abril, representou contra ele no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Segundo denúncias de professores e funcionários a Samia e que constam na representação,Holiday estaria


“intimidando professores e funcionários, exigindo acesso aos planos de aula, invadindo salas, fotografando conteúdos abertos em monitores de computador e coagindo profissionais da educação no exercício de sua atividade”.

Dois dias depois, madrugada de 7 de abril, o número do celular Samia e o de Isa Pena, outra vereadora do PSOL, estavam circulando abertamente na rede.

Acusado pela divulgação dos telefones, negou, como habitualmente faz.

Independentemente da negativa, ambas passaram a receber ofensas, intimidações e ameaças de seguidores do Movimento Brasil Livre (MBL), do qual Holiday é coordenador.

O MBL é um grupo de direita, fascista. A logomarca logo dele estava em um meme que tinha os fones das vereadoras, informando que eram contra o projeto Escola Sem Partido.

O vereador vive criando factoides para “causar”.

Dois meses antes, o seu alvo era o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), mas acabou sendo a vereadora Juliana Cardoso (PT-SP), que, em nota, relatou:


Hoje, dia 10 de fevereiro, enquanto fazíamos uma reunião com o Senador Lindbergh Farias, assessores do Vereador Fernando Holiday invadiram a sala, munidos de celulares e câmeras para gravar uma reunião particular do meu mandato com a presença do Senador, fazendo provocações chulas e agredindo verbalmente nossos assessores.

A intenção final era escrachar o Senador Lindbergh, por isso o levamos em grupo até o seu carro para que ele pudesse sair em segurança.


Não satisfeitos, os mesmos assessores de Holiday, horas depois, ligaram para a GCM da Câmara Municipal chamando-os para o 6º andar avisando que lá haveria uma “ocorrência”

Então, eles foram até o 6º andar e invadiram por três vezes uma reunião particular do mandato que estava ocorrendo na sala da Liderança do PT a portas fechadas, eles abriram a porta e começaram a gravar a reunião e agredir verbalmente nossos assessores com provocações.

(…)

Desde então, Holiday ataca-a sistematicamente, distorcendo fatos, caluniando, desqualificando com adjetivos pejorativos.

Negro, ele quer revogar na cidade o Dia Nacional da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro) e as cotas raciais nos concursos públicos municipais.

Eleito vereador em cima do discurso contra a corrupção, Holiday usou caixa 2, em 2016, para pagar cabos eleitorais que trabalharam com panfletagem na reta final da disputa, denunciou o Buzzfeed.

Ao defender propostas reacionárias, é agressivo, grosseiro, metido a valentão.

Porém, na hora de um debate sério, aflora a sua pouca capacidade de aprofundar as ideias. Ou, então, ele afina.

Foi o que se viu em Além Paraíba. Um Holiday apagado, sem conteúdo, repisando sofismas e chavões. Discurso pronto, tal qual matéria de jornal de sexta-feira santa dizendo que não vai faltar peixe.

Cadê a valentice exibida contra os professores em aula?

Três fatores podem ter contribuído:

1) Ele costuma “causar” quando está com sua tropa, protegido. Lá, estava sozinho e a claque era pequena.

2) A calça justa com prefeito de Além Paraíba, Miguel Belmiro de Souza Júnior, também do DEM.

Miguel Belmiro é professor de Educação Física e posicionou-se contra o Escola Sem Partido. Disse mais:


“Como professor, que ostaria de estar discutindo as más condições de trabalho do Magistério, e que, estará sempre voltado para investir e prestigiar as melhorias dos professores”

3) O fato de Beatriz Cerqueira vivenciar todo dia o assunto. Logo, não daria para engambelá-la nem a maior parte da plateia.

Também não funcionariam as provocações que ele tanto gosta de fazer. Beatriz foi forjada no embate de duras negociações com os governos Aécio Neves, Antonio Anastasia e Fernando Pimentel. Enfrentou a Polícia Militar em manifestações durante os períodos tucanos. Teve inclusive P2 na sua cola na era Anastasia.
Resultado: Beatriz deu uma surra em Holiday.

Fez o mesmo nos dois deputados mineiros do PRB, que também falaram a favor do Escola sem Partido: o federal Lincoln Portella e seu filho, o estadual Léo Portella.

Bem que Portella-pai vociferou no meio da apresentação de Beatriz, tentando ganhar no grito. Não colou.

Alguma dúvida sobre o resultado da audiência?

No Facebook de Holiday, há apenas o post ao lado a respeito do evento. O máximo que ele conseguiu foi dizer: “A militância de esquerda está agitada e revoltada”.

Dê uma olhada na foto abaixo. Foi tirada ao final da audiência. Atente bem à fisionomia do grupo.

Revoltados? Certamente, a “militância de esquerda” não.


Se o resultado tivesse sido o inverso a repercussão no Facebook de Holiday seria só essa ao lado?

A surra foi tamanha que o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) não teve nem de sair da cadeira, de onde assistiu tudo:


“A Bia nocauteou os três em 10 minutos. Não precisou de ajuda.

“O menino é muito fraquinho e a tese deles, uma antiguidade. Versão 2017 do Jarbas Passarinho, ministro da educação da ditadura: ‘estudante é para estudar’. Só que não! Estudante é muito mais!”

Assista às apresentações.


Posted: 21 Jul 2017 11:19 AM PDT
Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Jornal GGN - Por meio de nota técnica, o governo admitiu que tem dificuldades em bancar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que são utilizados para pagar o seguro-desemprego e o abono salarial.

A nota técnica foi elaborada pela equipe econômica e enviada para o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), relator aa Medida Provisória que pretende alterar a taxa de juros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) que remunera o FAT.

A nova taxa proposta pelo governo, chamada de Taxa de Longo Prazo (TLP), acompanharia os índices das NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação. Em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, afirmou que a taxas seria “mais nervosa” que a atual e prejudicaria a previsibilidade de quem pretende tomar empréstimos.

Assinam a nota o secretário-executivo da Fazenda, Eduardo Guardia, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e também Rabello de Castro.

O documento defende a “agenda de reformas” como um fator de estabilidade que geraria “ciclo virtuoso que aumenta a previsibilidade e diminui a volatilidade potencial da TLP”.

O governo defende a criação da TLP afirmando que ela protegeria os trabalhadores porque melhoraria a remuneração do FAT. "Dado o esforço de ajuste fiscal, a cada ano ficará mais difícil para que o Tesouro complemente os recursos do FAT necessários ao pagamento do Seguro Desemprego e do Abono Salarial, colocando em risco tais programas", diz a nota.

Estimativas apontam que o fundo deixa de receber R$ 15 bilhões em razão da TJLP, que está em 7% e abaixo da Selic, em 10,25%. De acordo com o Estadão, a nota não detalha os cálculos e nem especifica o período dos dados.

Por outro lado, líderes da oposição, analistas e funcionários do BNDES tem criticado a proposta do governo de mudar a taxa. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) divulgou nota afirmando que equipe de Michel Temer adota “argumentos falaciosos” para defender a TLP.

Ele refuta a tese de que a taxa melhoraria a remuneração do FAT, afirmando que o retorno financeiro do fundo raramente é usado para pagar o abono salarial e o seguro-desemprego.

“Enfim, mesmo que se queira fazer ajustes no custo do "funding" do BNDES, a proposta da TLP é péssima para o País. Irá encarecer o crédito e a taxa será extremamente volátil e pró-cíclica. Portanto, o BNDES deixará de cumprir o seu papel anticíclico e de garantir crédito e longo prazo a custo internacionalmente competitivo”, afirmou o senador.

GGN
Posted: 21 Jul 2017 11:07 AM PDT


Marcos Valério diz que Aécio recebia 2% de contratos do BB
Delação. Operador do mensalão também dá novos detalhes de desvios para PT e PMDB no governo Lula


do diário mineiro O Tempo

SÃO PAULO. No acordo de delação premiada assinado com a Polícia Federal (PF) e que aguarda apenas a homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Marcos Valério apontou desvios de contratos dos Correios para PT e PMDB no governo Lula (PT) e afirmou que o senador mineiro Aécio Neves recebia 2% do faturamento bruto dos contratos de publicidade do Banco do Brasil no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), já na década de 1990. As informações são do jornal “O Globo”.

No acordo, o delator relatou bastidores de operação para retirar da CPMI dos Correios, em 2005, documentos sobre a relação do Banco Rural com tucanos em Minas, tema que já é alvo de inquérito no STF, motivado por delação do ex-senador Delcídio do Amaral.

A operação teria contado com a participação dos então sub-relatores da CPMI Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Eduardo Paes (à época, no PSDB-RJ). Integrantes do Rural teriam escondido documentos no Uruguai.

Os depoimentos de Valério à PF foram gravados e levados ao STF com documentação que supostamente provaria suas alegações. Na negociação com a PF, Valério apresentou detalhes sobre desvios operados sob sua influência, ampliando os temas da delação inicial.

O operador cumpria pena de 37 anos de prisão pela ação do mensalão na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e foi transferido na última segunda para a Associação de Proteção e Assistência a Condenados (Apac), em Sete Lagoas, região Central do Estado, a pedido da PF.

Governo Lula. Em seu acordo, que ainda está sob sigilo, Valério fala também, segundo “O Globo”, sobre o uso de mecanismos de desvio para PT e PMDB em contratos dos Correios no governo Lula e de publicidade estatal no governo Aécio Neves em Minas (2003-2005). Relata também detalhes do que afirma ser o caixa paralelo montado por suas agências de publicidade para operar desvios durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), em contratos do Banco do Brasil, da Fundacentro e da Eletrobras.

Segundo o delator, diz a matéria de “O Globo”, valores desviados de contrato da estatal na gestão petista eram acertados com o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) e o ex-diretor comercial da estatal Carlos Fioravanti. Então chefe da Casa Civil, o petista José Dirceu seria beneficiário de uma mesada de R$ 50 mil.

No acordo, Valério sustenta que suas agências de publicidade participaram do financiamento ilegal da atividade política de Aécio desde os anos 90, e que parte dos recursos desviados da campanha pela reeleição do então governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998, no processo que ficou conhecido como mensalão mineiro, abasteceu caixa 2 da campanha de Aécio Neves a deputado federal.

Legalidade. Além da homologação pelo STF, o acordo de Valério ainda precisa ser validado por uma decisão da Corte, que terá que se pronunciar sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) do Ministério Público Federal (MPF) que questiona o poder da PF para fechar delações. Até então, só a delação do publicitário Duda Mendonça foi fechada pela corporação.

TUCANO DIZ QUE CASO É FALSO E REQUENTADO


BRASÍLIA. Por meio do advogado Alberto Zacarias Toron, a defesa do senador Aécio Neves (PSDB) afirmou que “são falsas e requentadas as acusações feitas pelo criminoso confesso Marcos Valério, além de realizadas em atípico e suposto procedimento de delação premiada não homologado pelo Judiciário”.

A defesa de Aécio afirma que, na alegação de suposto pagamento de percentual sobre contratos da DNA junto ao BB no governo FHC, Valério “renova uma acusação antiga, mas altera convenientemente os personagens da sua história”.

Para comprovar a tese, a nota inclui reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, de dezembro de 2012, que inclui a mesma alegação de Valério, mas atribuindo a aventada cobrança ao PT. A defesa de Aécio ainda aponta que o contrato da DNA com o Banco do Brasil foi firmado em 1994, e FHC só assumiu como presidente em 1995.

Já em relação aos contratos em Minas com as agências DNA e SMP&B no governo Aécio, a defesa afirma que “foram firmados antes que qualquer acusação contra Marcos Valério fosse conhecida e ocorreram após um processo de licitação”.

O advogado Alberto Toron ainda destaca que os contratos foram analisados duas vezes pelo Ministério Público e considerados regulares.

Sobre a acusação de pagamento a campanha por meio de caixa 2, a defesa diz que “a versão é fantasiosa e se alicerça exclusivamente nas palavras de um criminoso que reiteradamente cria fatos e versões na tentativa de amenizar sua pena e iludir a Justiça”.



Viomundo
Posted: 21 Jul 2017 11:01 AM PDT
Portal Brasília A equipe econômica do governo detalhou o reajuste dos tributos sobre a gasolina

O governo anunciou nesta sexta-feira (21) que o aumento das alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a gasolina, o diesel e o etanol, resultará em uma arrecadação no valor de R$ 10,4 bilhões até o final deste ano. O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou que o governo precisou utilizar “as alíquotas máximas previstas em lei”.


“Isso acarretará em um ganho da ordem de 10,4 bilhões, a contar a partir de hoje até o final do ano. É uma medida importante tendo em vista o equilíbrio das contas”, afirmou ele. O aval do governo na tributação sobre o combustível elevará R$ 0,41 no litro no preço da gasolina. A tributação sobre o diesel subirá em R$ 0,21 e ficará em R$ 0,46 por litro do combustível. Já a tributação sobre o etanol subirá R$ 0,20 por litro. O anúncio das medidas foi realizado na manhã desta sexta-feira (21), no Ministério do Planejamento.

O tributo também será acrecido pela Cide, que é uma contribuição, e custa R$ 0,10 por litro. Com o aumento os brasileiros vão pagar R$ 0,89 de imposto por litro de combustível. O aumento será para as refinarias e importadores e, no caso do etanol, para produtores e distribuidores, e, posteriormente, será repassado aos postos e consumidores.

Entre as medidas, além do aumento dos impostos sobre combustíveis, o governo também determinou um bloqueio adicional de R$ 5,9 bilhões em gastos no orçamento federal. O objetivo, segundo a equipe econômica, é tentar conter o rombo orçamentário e, consequentemente, o crescimento da dívida pública, bem como o próprio equilíbrio das contas públicas.

Os tributos cobrados sobre a gasolina, o etanol e o diesel já implicarão aumento nesta sexta-feira (20), a partir da publicação do decreto em edição extra do Diário Oficial da União.

Governo mantém PIB


A equipe econômica do governo também manteve em 0,5% a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas no país. A previsão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, lançado a cada dois meses. A previsão do mercado é de que o crescimento fique em 0,34%. Em 2016, o PIB teve queda de 3,6%.

O relatório apresenta os parâmetros oficiais da economia e as previsões de arrecadação, de gastos e de cortes no Orçamento. Com base no documento, o governo edita um decreto de programação orçamentária, com novos limites de gastos para cada ministério ou órgão federal.

Com informações da Agência Brasil

Congresso em Foco

Nenhum comentário:

Postar um comentário