segunda-feira, 24 de julho de 2017

23/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 23 Jul 2017 11:14 AM PDT
Por Altamiro Borges

O publicitário Marcos Valério ganhou os holofotes da mídia ao denunciar o chamado “mensalão petista”, o que gerou grave crise política logo no primeiro mandato do ex-presidente Lula e levou para a cadeia várias líderes petistas – entre eles, o ex-ministro José Dirceu. Já naquela ocasião, ele deixou implícito que o esquema de desvio de verbas para as campanhas eleitorais teve início em Minas Gerais, durante a gestão do cambaleante Aécio Neves. Mas o “mensalão tucano”, que a imprensa venal apelidou marotamente de “mensalão mineiro”, sempre foi abafado. Aos barões da mídia interessava satanizar o PT e blindar os seus serviçais do PSDB. Agora, porém, Marcos Valério parece estar disposto a revelar toda a sujeira do ninho tucano.

Segundo reportagem da Folha deste sábado (22), o publicitário acaba de firmar um novo acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Ela dá detalhes de como funcionou o “mensalão mineiro” e atingiria em cheio tucanos de alta plumagem, como Aécio Neves, FHC e José Serra. “A colaboração com a PF incorpora 60 anexos (relatos de episódios de supostas irregularidades) que haviam sido rejeitados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Ministério Público de Minas Gerais. O novo acordo ainda ampliaria a lista de implicados. A delação, assinada neste mês, foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e depende de homologação. Não está claro quais episódios serão considerados e investigados pela PF”.

Ainda de acordo com a matéria, assinada pela jornalista Carolina Linhares, o publicitário “escreveu a delação à mão na prisão e teve os anexos posteriormente digitados... Condenado a mais de 37 anos de prisão pelo mensalão, Valério também é réu acusado de operar desvios por meio de suas agências de publicidade, a SMP&B e a DNA Propaganda, para financiar a fracassada campanha de reeleição do então governador mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Uma planilha assinada pelo publicitário aponta que a campanha recebeu cerca de R$ 10 milhões (R$ 33 milhões hoje) em desvios de estatais como a Cemig, Copasa, Furnas, Comig, Eletrobras, Petrobras, Correios, Banco do Brasil e Banco do Estado de Minas Gerais”.

“De acordo com o controle de Marcos Valério, foram arrecadados e distribuídos ao menos R$ 104 milhões (R$ 346 milhões corrigidos) na campanha. A lista de recebedores inclui políticos e membros do Judiciário. Segundo a narrativa do publicitário, o esquema de empréstimos fraudulentos do Banco Rural e um repasse de R$ 1 milhão da Usiminas via caixa dois beneficiaram também as campanhas de FHC (1998), Aécio (2002) e Serra (2002)”. A Folha faz questão de registrar, por razões óbvias, que o publicitário também citou Lula, José Dirceu e outros dirigentes petistas, mas o foco desta nova delação seriam os tucanos.

“Os anexos afirmam que Serra atuou, após perder a eleição presidencial de 2002, para resolver pendências do Banco Rural e, em troca, teve R$ 1 milhão de dívidas de campanha pagos pelo banco por meio da SMP&B... Durante o governo FHC, afirma, a DNA propaganda repassou a Aécio Neves 2% do faturamento do seu contrato com o Banco do Brasil, que havia sido arranjado pelo senador com o aval do ex-presidente... Valério afirmou ainda que Aécio encontrou-se, em Belo Horizonte, com a diretoria do Banco Rural e com os então deputados Eduardo Paes (PMDB-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), da CPI dos Correios, de 2005, para blindar investigações sobre a campanha de Azeredo”. Como se observa pela matéria da Folha, a delação é inflamável.

A questão é saber se a Polícia Federal e o Ministério Público – sempre tão generosos com o tucanato – vão levar a sério as novas revelações do publicitário. Como já antecipa a própria Folha tucana, “não está claro quais episódios serão considerados e investigados pela PF”. Como lembra ainda o jornal, “as tratativas para delação começaram ainda em meados no ano passado. Um ofício de junho do Ministério Público de MG pede que os relatos sejam enviados à PGR por tratarem de políticos com foro privilegiado no STF. A Procuradoria chegou a enviar representantes a Minas, mas não levou o acerto adiante. Nova tentativa com a 17ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de BH foi recusada em março deste ano”.

Enquanto isto, os tucanos permanecem livres e soltos - e ainda dão cínicas declarações sobre a ética na política. Nenhum chefão do PSDB foi para a cadeia até hoje, o que confirma uma brincadeira que circula pela internet: para não ser investigado, julgado, condenado e, muito menos, preso, basta você se filiar ao PSDB!

*****

Leia também:

Mensalão tucano, uma história surreal!

Mensalão tucano e o rabo preso da Folha

Aécio e a cobertura marota da Folha

O “mensalão tucano” está morrendo

Quando será julgado o mensalão tucano?

O ex-vice de Aécio já sumiu da mídia

O STF vai julgar o “mensalão tucano”?

Nenhum tucano vai para a cadeia?

Impunidade nos 12 anos do 'mensalão tucano'

Supremo salva o PSDB. Grotesco!

Aécio Neves segue acima da lei

Lista de Furnas e o Caixa-2 do PSDB

Mais escândalos tucanos para engavetar
Posted: 23 Jul 2017 11:05 AM PDT
Por Altamiro Borges

Em meados de maio, a Polícia Federal, no curso da chamada Operação Panatenaico, prendeu dois ex-governadores do Distrito Federal (José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz) e um ex-assessor especial de Michel Temer sob a suspeita de recebimento de propina na construção do estádio Mané Garrincha. Já no final de junho, um relatório das diligências policiais vazado pela revista Época indicou que o amigão do Judas, o sinistro Tadeu Filippelli, levava uma vida de luxo. Na reportagem intitulada “PF achou obras de arte e vinhos caros em buscas contra ex-assessor de Temer e ex-governador do DF”, o jornalista Aguirre Talento deu alguns detalhes sobre a vida nababesca do aspone.

“Relatório policial da busca e apreensão, obtido por Época, afirma que Filippelli ‘mantém padrão de vida elevado, ostentando vestuário, bebidas finas, artigos de luxo, móveis e veículos’. A PF encontrou ao menos 69 quadros na residência dele, que foram fotografados para a avaliação do valor deles. Entre as obras estão um quadro de Niemeyer que contém uma de suas célebres frases, “F... não tem vez”, e quadros dos pintores Volpi e Poteiro. Esses objetos não chegaram a ser apreendidos pela PF. A diligência encontrou também notas de compra em leilões de obras de arte e uma adega repleta de vinhos. Na busca contra Filippelli, foram apreendidos dois celulares e um notebook, cujo conteúdo ainda está sob análise dos investigadores”.

“Já na residência do ex-governador José Roberto Arruda (DEM), chamou a atenção da PF a quantidade e o valor dos vinhos. ‘Destaque para as garrafas do vinho Mouton-Rothschild, orçadas de R$ 7 mil a R$ 10 mil cada (...). Crê-se, por suposição deste signatário, que os vinhos existentes na adega devem alcançar o valor estimado de R$ 80 mil a R$ 100 mil’, diz o relatório. As fotos também mostram champanhes Dom Pérignon, cujos valores de mercado são superiores a R$ 1.000. Ainda na residência de Arruda, a PF também fotografou sete quadros e joias de sua mulher, cujos valores ainda estão sendo apurados pelos investigadores. Foram apreendidos documentos, um celular, dois notebooks e um veículo Jipe, ano 2015”.

A matéria não trata do resultado das buscas na residência do ex-governador Agnelo Queiroz (PT). O interessante é que a mídia privada, que adora promover a escandalização da política, nada mais falou sobre as investigações contra o ex-aspone do Judas. O assunto não virou manchete nos jornais e nem foi motivo de comentários indignados nos telejornais. A própria TV Globo evitou fazer escarcéu com as denúncias da revista Época, que pertence à mesma famiglia Marinho. Já a Polícia Federal, agora sob o comando da quadrilha de Michel Temer, parece que arquivou o caso – “estancou a sangria”. E a vida segue!

*****

Leia também:

Outro estranho assessor de Temer sumiu!

Cunha manda no covil golpista de Temer

Sandro Mabel, o sinistro assessor de Temer

Cunha jogará o nome de Temer “na lama”?

Cadê o amiguinho rico do Temer?

Rocha Loures e a queima de arquivo

Após Geddel, cadeia para Padilha e Moreira?

As bases da acusação de Janot contra Temer

O escândalo e a cobertura de Temer

Tabapuã Papers: a suruba Temer e Globo

A 'mula' de Temer e o escândalo sem nome

Clima de "suruba" toma conta de Brasília

PF conclui: Temer e Loures são corruptos!
Posted: 23 Jul 2017 11:00 AM PDT
Por Altamiro Borges

Na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff, o PSB abandonou seu passado progressista – construído por Miguel Arraes e tantos outros líderes de esquerda –, uniu-se a direita nativa e ajudou a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer. A sigla chegou até a ocupar um posto no governo ilegítimo, com o “ministro” das Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho. Com o anúncio das reformas trabalhista e previdenciária, o partido sinalizou uma volta às origens, criticando as regressões sociais impostas pelos neoliberais no poder. Esta postura errática, porém, cobra seu preço. Nos últimos dias, cresceram os boatos de que o PSB perderá mais de 10 deputados devido à sua incoerência política.

Segundo reportagem da Folha, publicada neste sábado (22), “sexto maior partido da Câmara com 36 deputados em exercício, a bancada do PSB pode voltar ao tamanho que tinha antes das eleições de 2006 caso 14 integrantes se filiem ao DEM e PMDB. Em 2002, foram eleitos 22 deputados pela legenda. A possibilidade de debandada se tornou pública após parte da bancada descumprir decisão da executiva nacional e votar a favor da reforma trabalhista, com anuência da líder Tereza Cristina (MS). As divergências levaram ela a negociar a mudança de sigla, junto a um grupo de dissidentes, com o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ)”. O risco da debandada tem provocado encarniçados debates no interior da sigla.

“É preferível ter 10 deputados a menos, mas que não nos façam passar vergonha", afirma o ex-deputado Beto Albuquerque (RS). Candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, ele é um dos que defendem que o PSB não pode deixar de ser uma sigla de centro-esquerda para se tornar um amontoado oportunista. "Estar no PSB e flertar com o DEM é uma esquizofrenia”. Ainda de acordo com a Folha, “o grupo que apoiava diretamente o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em 2014, segue a mesma linha de pensamento. ‘Você não pode ter uma líder de partido expressando a posição de uma minoria. Há um sentimento de indignação e vexame ao que houve [na Câmara]’, diz o deputado Tadeu Alencar (PE)”.

O trauma vivido pelo PSB confirma que o pragmatismo exacerbado, que beira o oportunismo, não costuma dar bons frutos.

*****

Leia também:

PSB ameaça abandonar o covil golpista

Base "aliada" já ameaça trair o Judas Temer

O harakiri ideológico do PSB

Veja quem passa à História como golpista

Marina Silva manda no PSB?

Marina e PSB, os grandes derrotados

Presidente do PSB declara apoio a Dilma

"Marinômetro" prova: mídia ama Marina

Nenhum comentário:

Postar um comentário