segunda-feira, 24 de julho de 2017

24/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 24 Jul 2017 11:21 AM PDT
Por Joana Tavares, no jornal Brasil de Fato:

Apesar de tantas más notícias no cenário da política nacional, Alessandra Mello, repórter com 20 anos de carreira e atual presidenta do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, busca manter o otimismo de quem quer mudar as coisas. Enxerga o crescimento de uma conscientização sobre o papel – e os interesses – da grande mídia entre a população e defende que os sindicatos, mais do que nunca, são ferramentas fundamentais para os trabalhadores terem força para garantir direitos.

Enquanto repórter, como você vem avaliando a cobertura política dos grandes jornais, especialmente os de Minas Gerais?

Eu tenho 20 anos de carreira e acompanho a cobertura com muita preocupação. É uma cobertura de uma voz só, um lado só. Nós, jornalistas, temos que ser plurais em tudo, principalmente na política e em especial nesse momento que a gente vive, período de um golpe que retirou tantos direitos. Era a hora de discutirmos isso de forma mais clara. A cobertura é partidarizada, o que é um problema para o jornalismo em todas as áreas. E na política é ainda mais preocupante, porque a relação com os poderosos diz muito sobre como a notícia é produzida, editada e vista.

E dá pra sentir isso na prática de redação? Há uma orientação para essa cobertura ser direcionada?

Sim, há, mas não é clara. Muitas vezes, a orientação não chega diretamente para o repórter, que é o operário, o peão da notícia. Mas chega por meio de orientações como não dar destaque, escrever um título que não é tão bom, jogar o fato para o final da matéria… Essas são algumas das técnicas. Não é que você deixa de dar a notícia, mas escolhe uma nuance mais leve ou mais pesada, dependendo do seu interesse. Por isso, acho muito importante que o leitor tenha um olhar crítico para tudo que vem da mídia.

E você acha que existe também uma autocensura por parte dos jornalistas?

Houve sempre e ainda há. Principalmente com as pessoas que já estão há muitos anos em um só veículo, que sabem como ele funciona, quem pode aparecer e as pautas que são interessantes ou não. Acho que sofremos uma grande autocensura durante os governos do PSDB em Minas Gerais. O jornalista, já sabendo do tamanho da blindagem em cima do Aécio Neves (PSDB) – que está sendo revelada paulatinamente –, ficava desanimado de propor uma pauta sabendo que ela não ia vingar. É fazer toda uma apuração e saber que lá na frente seria dado um tratamento pífio a uma notícia importante.

Agora, fica cada vez mais claro que a mídia teve um papel atuante na situação política brasileira e no próprio golpe. Enquanto presidenta do sindicato, como você avalia essa situação?

Uma coisa muito reveladora nesse golpe foi a percepção da população sobre como os meios de comunicação funcionam. Todos os grandes conglomerados de mídia eram contra o governo de Dilma Rousseff, todas as ações dela eram tratadas de forma negativa. Quando o Temer tomou o poder, tudo passou a ser visto como positivo, até a economia do país. As pessoas estão percebendo e, aqui em Minas, elas também estão notando o tratamento que a mídia dá ao Aécio. Essa clareza é importante porque a pauta da democratização da comunicação no Brasil está no mesmo patamar que a da reforma econômica. Enquanto não tiver desconcentração, uma mídia mais democrática, a gente não vai ter democracia. É lamentável que a nossa democracia esteja à mercê de um veículo de comunicação.

Você acha que essa percepção cresceu também entre os jornalistas?

Cresceu pra todo mundo. O golpe mostrou como funcionam as relações de poder dentro da mídia, os interesses do patronato, dos grandes empresários, que tomaram de assalto o poder para instituir uma agenda só deles. O golpe apresentou a parcialidade do Judiciário. Devemos pegar esse gancho e trabalhar nele.

Já é possível saber como a Reforma Trabalhista vai impactar os jornalistas?

Ela é devastadora. Uma reforma que veio de cima pra baixo. No nosso caso, existem coisas graves que já aconteciam na profissão, como a pejotização e o trabalho intermitente. São inúmeros os trabalhadores de empresas de comunicação que não têm carteira assinada e que estão à disposição da empresa 24h por dia, mas só recebem por produção. Antes da reforma, isso era ilegalidade. As pessoas se submetiam a ela porque precisavam de emprego e com a esperança de serem contratadas. Caso não fossem, podiam resgatar seus direitos na Justiça. Hoje, isso tudo está regularizado, assim como a redução salarial, que já era uma realidade nas empresas e que agora é resguardada pela legislação.

Você acha que existe uma crise no modelo de informação desses grandes jornais? Nesse contexto, qual o papel dos veículos alternativos?

Existe. A crise no modelo de comunicação, do fazer jornalístico, é anterior à crise da economia brasileira. Grandes empresas não pagam o FGTS desde 2009, quando a economia não estava esse caos. Os grandes jornais já vinham sofrendo com a perda do monopólio. Quando eu comecei como repórter, em 1995, a notícia reverberava e hoje não é assim. Aliás, o que não sai revela muito mais sobre os meios de comunicação do que o que é publicado. Há uma crise provocada pela nova maneira de fazer jornalismo, porque hoje, de uma forma ou de outra, todo mundo é um pouco comunicador. E o povo disputa o espaço com os meios de comunicação, que ainda não conseguiram perceber que precisam ser menos concentrados, ser plurais. Hoje também tem o que chamamos de notícia “caça clique”, que é capaz de gerar milhões de visualizações na sua página, mas que não te dá credibilidade, respeito. A comunicação é muito mais do que isso, ela é o pilar de democracia.

E no meio disso tudo ainda há lugar para o impresso?

Não sei, tenho dúvidas sobre o futuro do impresso. O ‘jornalão’, nesse modelo que conhecemos, de notícias velhas que já vimos em redes sociais, está fadado ao fracasso. Se não mudar, vai morrer. Mas, por outro lado, vemos outros instrumentos como revistas, jornais alternativos impressos surgindo. É muito legal essa questão da mídia alternativa, das pessoas fazendo sua própria comunicação e levando as informações da maneira que acreditam, tratando de questões locais. Isso é o futuro. A mídia alternativa cresce cada vez mais, e, infelizmente, ainda é muito pautada pelos grandes jornais, muitas vezes por falta de gente para trabalhar. Falta de braço para fazer concorrência ou para produzir uma grande reportagem. Mas ela está caminhando, está na infância, tem um trajeto longo a percorrer e, ao meu ver, vai se firmar.

Com essa crise dos grandes jornais e a mídia alternativa ainda não conseguindo ser um caminho profissional para a maioria, qual é a saída para os jornalistas?

Esse assunto é muito complexo. Aqui, no sindicato, vemos de perto a angústia dos trabalhadores. Você ama escrever, sabe que pode abrir um blog, criar um site, mas que não vai conseguir sobreviver. Eu tenho medo que, a partir disso, o jornalismo vire uma ‘profissão acessória’, o que na verdade já está começando a acontecer. Temos jornalistas vendedores de pão, jornalistas vendedores de roupa… É essa coisa de ter que ter outra profissão pra complementar a renda. O que eu penso que vai piorar cada vez mais com as novas relações de trabalho. E, realmente, o jornalismo é apaixonante. Quem entra tem dificuldade de sair.

Apesar de muitas mulheres já terem sido presidentas do sindicato e da categoria dos jornalistas ser majoritariamente feminina, você ainda vê machismo na área?

Demais. O sindicalismo ainda é muito machista. Os espaços são majoritariamente masculinos, e as mulheres têm dificuldade para conseguir falar. Nas reuniões, sempre são feitos comentários sobre a sua aparência física, esmalte, batom. E você não vê um homem falando para o outro: ‘ah, que gravata linda’, ‘que cabelo lindo’. O mundo do trabalho é muito dividido hoje, mas a gente não está representada nesse espaço sindical. Além do machismo, a mulher tem sempre uma jornada a mais do que o homem. Eu, por exemplo, trabalho 7h por dia e sou mãe, tenho minhas tarefas de dona de casa. Por isso existe a dificuldade de permanecer nessa luta. O jornalismo deve ser formado por, mais ou menos, 85% de mulheres, mas elas não estão no comando das redações. Nós avançamos e não podemos negar, no entanto, é uma longa construção até essa garantia dos espaços de poder.

E quais são os desafios para o sindicato nesse momento da conjuntura?

É um dos períodos mais difíceis para todos os sindicatos. O sindicato sempre foi importantíssimo para defender o trabalhador, se contrapor aos patrões, conscientizar a categoria, mas agora ele é essencial para a vida de todo mundo. O trabalhador vai precisar caminhar junto com o sindicato para formar uma trincheira de luta. Há uma tentativa de desmonte, de enfraquecimento das mobilizações de todas as categorias de trabalhador. Sindicalizar é importante porque temos cada vez mais demandas jurídicas, e advogado, contador, custa dinheiro. Para além da questão prática, devemos nos juntar pra luta. Eu sou otimista. Como disse Fidel Castro, quem quer ser revolucionário não pode ser pessimista. Ou seja, quem não se conforma, não pode pensar no pior. Juntos, somos muito fortes e vamos vencer.
Posted: 24 Jul 2017 08:29 AM PDT
Por Altamiro Borges

O jornal Valor Econômico, que pertence à famiglia Marinho e expressa o pensamento da cloaca empresarial brasileira, parece que está preocupado com as eleições presidenciais de 2018. O Grupo Globo, que já havia descartado o odiado Michel Temer, temendo que ele coloque em risco a agenda ultraliberal dos golpistas, dá mais um passo na sua conspiração. A escolha de um sucessor através de eleições indiretas no parlamento – o nome mais cotado no momento é o de Rodrigo Maia, o jagunço dos patrões que preside a Câmara Federal – já não garantiria a aplicação do receituário de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Daí o surgimento da ideia, ainda tímida, de cancelar as próprias eleições do próximo ano.

Na matéria intitulada “Eleições podem impor retrocesso às reformas”, publicada nesta segunda-feira (24), o 'Valor' deixa implícita esta nova tese do golpe dentro do golpe. Segundo a articulista Angela Bittencourt, o poderoso “deus-mercado” estaria temeroso com o voto dos brasileiros. “A eleição presidencial de 2018 poderá minar o esforço empreendido até agora para aprovar reformas estruturais com o objetivo de promover uma recuperação econômica",  afirma o artigo em um linguagem marota. Ainda de acordo com o texto, 90% dos empresários estão confiantes na “continuidade das reformas”, mas também não escondem os seus temores.

“Questionado sobre candidatos que poderão despertar confiança nos investidores, nosso interlocutor [o jornal omite o nome do executivo] apontou personalidades filiadas ao PSDB: João Doria, prefeito de São Paulo, e Geraldo Alckmin, governador do Estado. ‘O PSDB é um atestado de qualidade de política econômica. Qualquer candidato do partido seria recebido dessa forma’... De Marina Silva à direita, todos serão vistos como bons candidatos e ela mesma pode surpreender sendo bem assessorada. O PMDB está fazendo uma política econômica exemplar, mas não parece haver condição do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se fazer candidato. Ele seria o ideal por sua credibilidade, experiência e acertos da atual gestão”.

O ‘Valor’ faz questão de elogiar as maldades do covil golpista, que agravaram o desemprego e estão destruindo o país. “A atual equipe segue um ‘bom roteiro’ de política macroeconômica. A questão fiscal não está equacionada, mas o teto de gastos do setor público foi um meio competente de endereçar os problemas fiscais. O diretor de investimentos de um conglomerado brasileiro entrevistado pela coluna afirma que o espólio do governo Dilma foi uma política macro toda errada, o que levou o país a crescer abaixo do potencial. ‘A taxa de crescimento do PIB voltará ao seu potencial, mas além das reformas estruturais, o governo deve rever uma série de mecanismos que foram criados como paliativos. Um desses é atrelar tudo à variação do PIB. O melhor exemplo é o salário mínimo”. O tal diretor também defende a urgência da contrarreforma da Previdência.

Todos estes “avanços”, na ótica do jornal Valor e dos seus anônimos, correriam sérios riscos caso o pleito do próximo ano não resulte na vitória de um candidato “à direita”. A reportagem não cita o nome de Lula, mas ele paira nas entrelinhas. Diante deste perigo, volta-se ao título da matéria: “Eleições podem impor retrocesso às reformas”. Daí a suspeita de que as eleições presidenciais de 2018 podem ter subido no telhado. A conferir os próximos passos dos golpistas e da sua mídia venal.

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Posted: 24 Jul 2017 07:39 AM PDT
Por Altamiro Borges

Em maio passado, o jornal carioca Extra, pertencente ao Grupo Globo, publicou uma matéria de fofocas sobre a vida de luxo da filha do presidiário Eduardo Cunha e da jornalista Cláudia Cruz. O justiceiro Sergio Moro, com a sua obsessão doentia contra o ex-presidente Lula, talvez não tenha dito tempo para ler a reportagem. Até hoje, ele garantiu um tratamento especial à família do ex-presidente da Câmara Federal – responsável por aquela “sessão de horrores” que deu a largada ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Cláudia Cruz e seus filhos seguem gozando dos prazeres da vida, sem qualquer pressão do chefe da midiática Lava-Jato – talvez para evitar que Eduardo Cunha acelere a sua delação premiada. Vale conferir alguns trechos da reportagem do jornal Extra:

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Aos 19 anos, Bárbara Cruz da Cunha, filha de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e da jornalista Cláudia Cruz segue normalmente sua vida de luxo apesar da prisão do pai e do envolvimento da mãe na Lava Jato (ela foi absolvida apenas num dos processos). Em seu perfil no Instagram, a estudante de Publicidade e Propaganda compartilha fotos de looks e viagens, além de visitas a restaurantes sofisticados do Rio.

Com quase 30 mil seguidores na rede social, Bárbara ou Babu, seu apelido, diferentemente dos três irmãos do primeiro casamento de Cunha mantém seu perfil aberto e faz questão de compartilhar inúmeros momentos com o namorado, o publicitário Pedro Annecchini Bleuler, sócio de quatro empresas do ramo de engenharia. A mãe coruja sempre comenta as publicações românticas da filha com corações e aplausos.

Formada pela British School, Bárbara gasta seu inglês pelo mundo e nas legendas das fotos, mesmo quando come um mero sanduíche. Uma das viagens inesquecíveis da moça foi sua visita a Barbados, em 2015. Foi no Caribe que ela e a mãe encontraram paz, três meses após a citação de Cunha na Lava-Jato, em janeiro de 2015, e dele ir à CPI da Petrobras dizer que era inocente. A jovem sequer fica em cima do muro ao demonstrar orgulho do pai: “Homem da minha vida”.


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Sergio Moro, que foi tão implacável com os pedalinhos e o barco de latão do ex-presidente Lula e que agora tenta asfixiá-lo financeiramente, parece não se incomodar com a ostentação do clã Eduardo Cunha. Diferentemente do tratamento desumano dado à falecida Marisa Letícia, ele foi só gentilizas com a jornalista Claudia Cruz, esposa do correntista suíço e ex-apresentadora da TV Globo. Durante vários meses, ele alegou que não ter achado o endereço da ricaça para intimá-la a depor – uma desculpa bem esfarrapada. Na sequência, mesmo com o pedido dos procuradores para que ela fosse condenada “a cumprir pena em regime fechado” por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, o juiz Sergio Moro garantiu a sua liberdade.

Em documento protocolado na 13ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná, em abril passado, o Ministério Público Federal sustentou que Claudia Cruz foi beneficiária do esquema de corrupção da Petrobras ao manter conta no exterior abastecida com dinheiro de propina. Também alegou que a jornalista usou os valores para comprar artigos de luxo nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes e na Europa, além de pagar as despesas familiares. “É claro que Claudia Cruz, pessoa bem esclarecida, sempre teve conhecimento de que o salário de Eduardo Cunha, como servidor público, jamais seria capaz de manter o elevado padrão de vida por eles mantido”, afirmou o documento dos procuradores enviado ao “implacável” Sergio Moro.

Na ocasião, o MPF sustentou que “Claudia Cruz não foi simples usuária dos valores, mas coautora de Eduardo Cunha em lavar os ativos mediante a manutenção de conta oculta com os valores espúrios, cuja abertura foi assinada por ela, bem como por converter os ativos criminosos em de bens e serviços de altíssimo padrão”. Além de solicitar a sua imediata condenação, “em regime fechado”, o órgão estipulou uma multa de aproximadamente US$ 2 milhões para a esposa do presidiário. Diante deste risco, Eduardo Cunha ameaçou fazer a delação premiada e insinuou que contaria todos os podres da quadrilha que assaltou o poder. Mas o “juiz” garantiu a liberdade dos seus familiares, Michel Temer continua destruindo o país e a filha do correntista suíço segue curtindo a vida de luxo.

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Posted: 24 Jul 2017 03:31 AM PDT
Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Historicamente, Globo e Record sempre usaram o jornalismo para desferir ataques entre si. A Globo mexia nos podres de Edir Macedo e, na semana seguinte, a Record tirava os esqueletos dos Marinho do armário. Depois de um período de trégua, a Record voltou a atacar a Rede Globo. Agora não se trata meramente de uma briga comercial, mas política. De um lado, temos o grupo de comunicação mais poderoso do país trabalhando nos bastidores ao lado de Rodrigo Maia para, mais uma vez, derrubar um presidente que ajudou a colocar no poder. Do outro, temos o conglomerado de comunicação do bilionário bispo Edir Macedo que, afinado com Aécio Neves, ataca a Globo tentando proteger Michel Temer

As empresas e os personagens citados acima foram protagonistas no processo que levou à derrubada da presidenta eleita no ano passado. Sacramentado o golpe, não houve final feliz. Diferente do que se imaginava, a economia não se recuperou, as notícias de corrupção envolvendo o governo aumentaram e a popularidade de Temer não parou de despencar. Toda essa tensão causou um racha no antes coeso bonde do golpe, que ficou dividido entre duas facções.

Em maio, as organizações Globo anunciaram o abandono do barco de Temer ao pedir sua renúncia em editorial. Desgastado pelas revelações do amigo falastrão Joesley, Temer talvez não fosse mais tão fundamental para aprovação das reformas, a grande prioridade do Grupo Globo. Apenas três dias após a declaração de guerra feita no editorial, Temer mandou seu braço direito Moreira Franco – conhecido por ser discreto publicamente, mas uma salamandra escorregadia nos bastidores – tentar uma trégua com João Roberto Marinho.

O conteúdo completo da conversa não foi revelado, mas o que se sabe é que não houve hasteamento de bandeira branca. Moreira ouviu de Marinho que a Globo “irá continuar a fazer jornalismo”. Parece jornalismo, mas, para mim, soa como trombetas anunciando a chegada do cavalo de Troia do cavalo de Troia ou, como ficou conhecido popularmente, o golpe dentro do golpe.

Fracassado o armistício, o governo passou a “ordenar a execução de eventuais dívidas da emissora com a União, de impostos e de financiamentos no BNDES” , segundo o O Dia – jornal alinhado a Crivella (PRB), aliado de Michel Temer. Um enfrentamento pelo qual a emissora, que nasceu e cresceu com paparicos do Estado, nunca havia passado em nenhum outro governo.

De lá pra cá, a Globo vem aumentando a artilharia para cima do governo, poupando-o apenas quando o assunto é reforma. Isso ficou bastante claro na batalha das perícias e na crescente cobertura negativa que constrangem o presidente que, até pouco tempo, desfilava com tranquilidade pelo tapete vermelho estendido pela empresa. Acabou a lua de mel, começou a guerra.

No último dia 9, um repórter da Folha seguiu Rodrigo Maia, que saiu de uma curtíssima reunião com Temer e foi para local desconhecido em carro descaracterizado. O relato do jornal dá ares mafiosos à reunião:


Enquanto a reunião de Maia com Temer durou menos de uma hora, o encontro secreto com a Globo durou pelo menos cinco. Parece que havia muito mais assunto para tratar com a emissora do que com o seu presidente. À noite, naquele mesmo dia, Maia reuniu aliados em sua casa para – não é piada! – tomar sopa e comer pizza. Durante o jantar, o presidente da Câmara contou aos convidados que havia conversado com “gente importante” e, segundo a Folha, “vaticinou o fim do atual governo”.

Mas se as relações do governo com a Globo desandaram, com a Record elas vão muito bem, obrigado. Isso ficou claro nas conversas nada republicanas grampeadas pela Polícia Federal entre Aécio Neves, Moreira Franco e Douglas Tavolaro – biógrafo de Edir Macedo e vice-presidente de jornalismo do grupo.

O então presidente do PSDB, que já não contava mais com a costumeira blindagem global, aparece nos diálogos como o principal articulador de uma negociação que buscava atender antigas demandas da emissora na obtenção de um patrocínio da Caixa Econômica Federal em troca de uma entrevista com Temer. O negócio havia sido vetado pela área técnica do banco. Nas conversas, Aécio e Moreira garantiram ao biógrafo de Edir Macedo que o problema seria sanado, tudo com o aval de Michel Temer.

Edir Macedo não controla apenas a Igreja Universal e a Record, mas também o PRB, importante partido da base governista, que conta com 23 deputados e um ministro. Criado em 2005, o PRB é governista desde a origem e apoiou os governos Lula e Dilma, que também contaram com a benevolência jornalística da emissora do bispo durante um bom tempo. Apesar disso, o PRB foi o primeiro a abandonar o governo Dilma e a pular na barca do golpe de Temer e Cunha, mostrando a essência governista do partido.

Cenas dos próximos capítulos

Em reportagem exibida no Domingo Espetacular no último domingo, o jornalista Luiz Azenha, ex-Globo e atualmente na Record, apresentou uma série de denúncias contra a empresa dos Marinho: participação em um esquema de sonegação fiscal bilionária, criação de empresas de fachada no exterior e fraude na aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A maior parte dessas denúncias não é inédita e já havia sido publicada há muito tempo no Viomundo, site de Azenha, que nunca foi processado pela Globo por divulgar as informações que a incriminam. A novidade é o fato da Record decidir publicar as denúncias apenas agora e transmiti-las na televisão em rede nacional.

A reportagem lembra também do potencial explosivo que uma delação de Palocci pode ter contra a Globo. A informação bate com outras que já vinham circulando e que apontavam que o ex-ministro dos governos Lula e Dilma poderia revelar segredos sobre “questões fiscais” do grupo. Azenha afirma que os advogados de Palocci já revelaram o teor da delação contra a Globo para integrantes do Ministério Público e que integrantes da Lava Jato denunciam estar sendo pressionados para não aceitar a delação de Palocci sobre as falcatruas da empresa dos Marinho. Curiosamente, a revista Época e o jornal Valor Econômico, ambos da Globo, já publicaram matérias colocando dúvidas em torno da delação de Palocci.

Logo no dia seguinte à reportagem da Record, Mônica Bergamo publicou uma nota na Folha que mostra que a Globo não está mesmo para brincadeiras:
Vamos aguardar os próximos capítulos dessa trama. O enredo é ruim como o de uma novela da Record, porém a atuação dos atores tem o padrão Globo de qualidade. Não há mocinhos, apenas vilões. Quanto mais podres dos dois lados dessa versão tropical de Game of Thrones vierem à tona, melhor para o Brasil.
Posted: 23 Jul 2017 08:18 PM PDT
Do site Vermelho:

Mais de 11 mil pessoas participaram da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou neste sábado (22), em Belo Horizonte (MG). Deste total, se inscreveram 6.439 participantes, provenientes de 501 municípios distribuídos dos 26 estados e do Distrito Federal. A inscrição só era obrigatória para apresentação de pôsteres e matrícula em mini-cursos.

A Reunião Anual da SBPC tem como objetivo debater políticas públicas e difundir os avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento. Trata-se do maior evento científico do Hemisfério sul.

Esta edição teve como tema Inovação – Diversidade – Transformações e sua programação ocorreu ao longo de toda a semana no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Na programação, 69 conferências, 82 mesas-redondas e 55 minicursos, além de assembleias, reuniões de trabalhos, apresentação de pôsteres científicos e outras atividades.

Ao longo do evento, o físico Ildeu de Castro Moreira assumiu a presidência da SBPC em substituição à bióloga Helena Nader, que estava a frente da entidade desde 2011. Ildeu faz uma avaliação positiva da reunião. "Tivemos uma participação intensa e discussões muito interessantes sobre ciência, educação e cultura. E também assuntos específicos como a nanotecnologia e a saúde. E também muita discussão sobre quais os rumos que o Brasil deve adotar num momento de gravidade na economia e na política."

A SBPC aprovou moções a favor da convocação de eleições diretas e da reposição orçamentária do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A entidade também se posicionou em defesa da revogação da Emenda Constitucional 95, que fixou no ano passado um teto para os gastos públicos no país pelos próximos 20 anos.

Na entrada da UFMG foi fixado um "tesourômetro", equipamento criado pela SBPC que pretende medir as perdas financeiras para ciência desde 2015, considerando os cortes nos orçamentos do MCTIC, das universidades federais e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Segundo os idealizadores da medida, a pesquisa brasileira vem tendo uma perda média de R$ 500 mil por hora em recursos federais com a crise financeira. Desde o início do ano, o governo federal contingenciou recursos de várias áreas por causa do ajuste fiscal.

De acordo com Ildeu Moreira, os efeitos devem ser mais sentidos a longo prazo. "Nós estamos tendo evasão de cérebros do país. O risco é termos projetos descontinuados e de pesquisadores irem para o exterior e não retornarem mais. Alguns já foram", afirma. No entanto, ele diz que sai da reunião com otimismo. "Toda esta movimentação dos cientistas nos dá esperança. Agora vamos dar continuidade às nossas ações no Congresso e ampliar as mobilizações para convencer os deputados a reverem algumas medidas. Esse diálogo com o Parlamento é importante, para chegarmos na próxima edição deste evento com um quadro mais favorável". A 70º Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá no ano que vem, será realizada na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió.

Pós-graduação

A presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Tamara Naíz, também fez um balanço positivo do evento. Dentro da programação da Reunião Anual da SBPC, foi realizado o 5º Salão Nacional de Divulgação Científica, debateu o impacto da ciência na sociedade. "Nós defendemos que a ciência que não esteja encastelada apenas nas prateleiras das bibliotecas, mas que seja capaz de intervir na realidade e se traduza em transformações e em bem-estar social. Tanto a reunião da SBPC quanto o nosso salão apontaram nessa direção", disse.

Doutoranda em história econômica da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tamara também manifestou preocupação com o atual cenário. Segundo ela, o Brasil está investindo na ciência menos que países mais pobres. "Isso leva a uma desconstrução do futuro. Na ciência não tem tempo parado. Se cortarmos recursos hoje, mesmo que exista investimento no ano que vem as coisas não se mantêm. Como dizem os chineses, é preciso transformar a crise em oportunidades. É o momento de pensar saídas. E não faz sentido responder a uma crise cortando as nossas possibilidades de futuro", avalia.
Posted: 23 Jul 2017 08:16 PM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

Uma fonte bem informada sobre o que se passa nas conversas regadas a bons vinhos franceses de restaurantes como o Gero garante que Alckmin já vem sendo tratado como a opção segura para 2018 pela chamada turma do PIB. E que executivos da Globo, autorizados pela família Marinho, participam das articulações com vistas a lhe garantir o apoio necessário para a travessia.

Vamos tentar explicar então o que significa travessia neste caso.


Alckmin foi um dos delatados pela Odebrechet de ter recebido dinheiro vivo para as suas campanhas de 2010 e 2014. Um dos receptores da propina seria o seu cunhado, Ademar Ribeiro. O outro, Marcos Monteiro, o MM, atual secretário de Planejamento do Estado de São Paulo.

Mas o nome que passeia nessas conversas é outro. Há o medo de que Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, sabidamente o responsável por operar boa parte do esquema do Rodoanel e do Metrô, venha a confessar se vier a ser preso.

É neste quesito que entra a Globo.

A emissora estaria agindo nos bastidores para evitar que o Ministério Público venha a investigar os tucanos paulistas e a assustar qualquer um que possa dar, como se diz no popular, com a língua nos dentes.

A criação de uma força tarefa da Lava Jato em São Paulo seria parte desta Operação Globo para salvar Alckmin e não ao contrário como alguns podem imaginar.

A equipe criada tem quatro procuradores: Thiago Lacerda Nobre, José Roberto Pimenta Oliveira, Anamara Osório Silva e Thaméa Danelon Valiengo. Todos seriam da estrita confiança de Daltan Dallagnol, que se comporta mais como garoto propaganda da emissora e algoz do PT do que como um agente do Estado.

Thaméa Danelon Valiengo já começou a dar entrevistas deixando claro qual será o jogo: processar Lula. Dias desses estava no antigo programa de Reinaldo Azevedo, na Jovem Pan, que agora é apresentado pela sua antagonista, Joice Hasselmann. E não citou uma única vez o nome de um tucano. Só de petistas.

Os donos do PIB consideram que se Alckmin conseguir passar pelo teste da Lava sem grandes infortúnios ele se torna candidato pelo PSDB e poderia, inclusive, vir a derrotar Lula se esse não tiver sua candidatura cassada.

A conta dos bacanas é de que Bolsonaro e Marina começariam melhor que Alckmin, mas que na campanha este cresceria porque a população não estará disposta a apostar numa aventura por conta do tamanho da crise.

E ainda acham que Alckmin teria condições de fazer uma ampla frente de centro direita que incluiria PSB e PPS, deixando Lula apenas com PT e PCdoB. E no máximo com o PDT.

Lula já anotou a chapa do caminhão e por isso citou que o candidato do PSDB deve ser Alckmin.

João Doria parece também já ter percebido que seu balão de gás murchou. E começa a se movimentar para uma candidatura ao governo do Estado, o que pode render uma crise com o vice governador Márcio França, que diz só levar o seu PSB para Alckmin se tiver o apoio dele para ser o candidato à reeleição no estado. Já que se Alckmin for candidato a presidente terá de se desincompatibilizar do atual cargo em abril.

Enquanto os amadores se divertem nas redes sociais, o jogo de 2018 já começa a ser jogado de forma muito profissional nos bastidores.
Posted: 23 Jul 2017 08:11 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Em entrevista à Veja, além de um monte de bobagens, a cria indesejada da direita brasileira, Jair Bolsonaro, faz uma revelação surpreendente para quem se vende como “macho”, “valentão”, ferrabrás.

Diz que vai “picar a mula” do Brasil caso não ganhe as eleições de 2018:

“No meu entender, se tivermos em 2019 um governo que seja do PT, do PSDB ou do PMDB, acho que vai ser difícil eu permanecer no Brasil, porque a questão ideológica é tão ou mais grave do que a corrupção.
E para onde o senhor iria?

Não tenho cidadania ainda, mas a minha origem é italiana. Não pensei com mais seriedade, mas, se você fizer uma pesquisa, verá que o número de pessoas que estão pedindo dupla cidadania europeia tem aumentado muito.”

Como é, seu Jair? Vai correr da raia se o povo, no seu entender, não escolher o senhor?

O senhor pulou a parte do hino nacional que diz que “verás que um filho teu não foge à luta”?

Seja quem for, se ganhar as eleições, não vai fazer como a ditadura que o senhor louva, que forçou brasileiros a saírem do país para não serem presos, torturados e até “passados nas armas”.

Que moral pode ter um militar que diz que, se as coisas não estiverem boas para ele, foge?

O senhor diria isso aos seus soldados?

A sua turma de “marombados” não põe medo em democratas e patriotas. O senhor é muito valente para xingar mulher, o tipico machão, porque precisa mostrar uma falsa valentia.

Mas sabe, como é comum neste tipo de sujeito, uma hora ele solta os segredos enrustidos e mostra o que é, no fundo.

Valente, “seu” Bolsonaro, não é o que diz não ter medo. Valente é o que enfrenta, seja lá o que for.

Enfrentar até o Bolsonaro.

Felizmente, não será necessário.

Arrivederci, Mito.
Posted: 23 Jul 2017 08:09 PM PDT
Por Eduardo Nunomura e Jotabê Medeiros, na revista CartaCapital:

Que tipo de crise é essa? Em menos de duas horas, sumiram todos os ingressos para os três shows do U2 no Morumbi, em outubro. São três estádios lotados, uma estimativa de público de mais de 200 mil pessoas. Detalhe: os ingressos custavam até 1.360 reais e havia filas online para comprar de até 70 mil pessoas.

O Rock in Rio 2017, que será realizado nos dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro, no Parque Olímpico do Rio , esgotou os ingressos ainda no início de abril (o preço era de 455 reais), também em poucas horas. São 700 mil pessoas em 7 dias de evento, com atrações como Justin Timberlake, Lady Gaga, Aerosmith e outros.

O site Rockin’ Chair, que faz acompanhamento do mercado de show business no Brasil, registrou aumento substantivo no preço dos ingressos no País. Em 2013, o preço médio dos megashows era 420 reais. Em 2017, já está em 525 reais. Na quinta-feira 6, esperava-se uma nova corrida por ingressos caros. Começaria a venda dos tíquetes para a temporada paulistana de Amaluna, nova superprodução do Cirque du Soleil (que será abrigada no Parque Villa-Lobos a partir de 5 de outubro). Custam entre 250 e 450 reais.

O grupo de entretenimento canadense retorna ao Brasil, após quatro anos, com Amaluna, que estreou em Montreal em 2012 e já passou por 30 cidades de 10 países e foi visto por mais de 4 milhões de espectadores.

Mesmo espetáculos alternativos, menores, como o show do cantor americano criado na Venezuela Devendra Banhart, no Cine Joia, que só será em novembro, estão com entradas esgotadas. Até domingo 2, a mostra multimídia Steve Jobs, no MIS, em São Paulo, chegou a 12 mil visitantes – a abertura foi em 15 de junho.

A euforia pelo consumo de arte de elite voltou também ao mundo das artes visuais. Após 12 anos sem filas, o Masp tem de novo a perspectiva de aglomerações em torno de uma exposição de arte. Toulouse-Lautrec em Vermelho é a clássica mostra de artista europeu do século XIX, com 75 obras vindas de empréstimos do mundo todo (algumas delas pedidas com mais de um ano de antecedência).

Ironicamente, a megaexposição do Masp acontece num momento de retração de investimentos públicos. Foi realizada inteiramente com dinheiro privado: o escritório Pinheiro Neto Advogados investiu 2 milhões de reais na montagem. Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório, diz considerar que o Brasil, a exemplo dos Estados Unidos, onde doações privadas sustentam o sistema cultural, possui empresas saudáveis que podem (e devem) contribuir para o desenvolvimento.

“Temos empresas e instituições que ainda podem dar dinheiro. Se não se conscientizarem disso, não sei o que vai acontecer com a arte e a cultura”, analisa, acrescentando que não se pode mais contar com o setor público. “A Lei Rouanet era uma tábua de salvação, mas também está muito mais difícil agora”, afirmou Bertoldi. Segundo ele, o Masp “está vindo de um grande buraco” e a hora é de modificar a cultura do mecenato no Brasil.

Esse cenário coincide com a política da exclusividade das empresas de comércio de ingressos. Os promotores buscam um público privilegiado, uma espécie de “bolha” de prosperidade. No caso do U2, houve uma venda prévia com três dias de antecedência para os portadores de cartões do Banco do Brasil. No caso do Cirque du Soleil, é o Banco Original o privilegiado.

Só depois entra a venda geral, com um montante reduzido de ingressos. Mas, no evento do U2, isso provocou reclamações de consumidores, que entraram com uma ação no Ministério Público contra a empresa vendedora, a Tickets for Fun, alegando que teria havido oferta sem a efetiva disponibilidade de ingressos.
As empresas promotoras dos shows do U2 no Brasil (Live Nation, Move Concerts e DC Set, esta última de Roberto Carlos) contrataram a empresa Tickets for Fun para realizar as vendas e, ao receber reclamações sobre a venda, repassaram-nas para a companhia de tíquetes. A empresa informou já estar analisando o processo de compra para detectar possíveis erros.

Só para os dois primeiros shows da banda irlandesa no Morumbi foram comercializados mais de 100 mil ingressos pela internet, o que, segundo a Tickets for Fun, comprovaria que muitos ingressos foram vendidos sem problemas. “Gente, ALGUÉM conseguiu comprar o ingresso do U2? Não é possível, eu só vejo nego falando que não conseguiu, mas os ingressos esgotaram em 1 min”, escreveu Giovanna Medeiros em um fórum do jornal O Globo.

Há ainda um pulsante mercado secundário de venda de ingressos, que foi potencializado pela internet. Sites como StubHub, MonTickets e ViaGogo agem como cambistas online, vendendo livremente centenas de tíquetes a preços inflacionados. Giovanna e outros fãs que desejam ver a banda ao vivo teriam de desembolsar entre 992,86 reais, por um lugar na pista, e 9.900 reais por um nababesco assento na chamada red zone pelo StubHub, oito vezes mais que o preço oficial.

Na teoria, o mercado secundário funciona, mundialmente, como um intermediário entre pessoas que compraram o ingresso, desistiram de ir ao evento e não querem sair no prejuízo. O site facilitaria esse contato entre os fãs retardatários e aqueles com ingressos na mão. O problema é que esse mercado age ao arrepio de qualquer legislação ou fiscalização. Na Itália, a promotora Live Nation admitiu, em novembro, vender tíquetes de um show da banda Coldplay diretamente para a empresa ViaGogo, onde os ingressos apareceram minutos após esgotados no canal oficial . Procurados, os sites não responderam aos pedidos de entrevista.

Toda essa aparente bonança de consumo cultural ocorre num cenário que tem todos os ventos desfavoráveis. O dólar está alto, em torno de 3,30 reais, o que encarece turnês internacionais, cujos contratos são feitos na moeda americana. As passagens aéreas também ficam mais caras, e a economia, desacelerada, seria um fator de inibição para o consumidor.

Mas o que se vê é o contrário. Eduardo Hiraoka, do site Rockin’ Chair, explica que o bloco formado por Chile e Argentina, ao lado do Brasil, viabiliza a vinda das superbandas para estes lados: “Hoje em dia, grandes turnês são essenciais para qualquer banda, mesmo que nem haja um disco novo para divulgar, já que a venda de discos perdeu espaço. Por isso, mesmo bandas consagradas como o U2 dependem de extensas turnês internacionais”.
Num momento de caos econômico e golpe político, há um grupo de pessoas que ignora a crise e mantém o padrão de consumo de luxo. Os ricos, no cenário de crise fabricada do Brasil, ficam ainda mais ricos. Sem colocar o dinheiro em circulação, mantendo ativos altíssimos no mercado financeiro, surfam na crista da crise sem se abalar pelas restrições por que passa a maioria dos brasileiros. E não são só eles. Há outros segmentos incólumes da população.

“Um jovem solteiro, já formado e empregado, que não tem filhos, com um estilo de vida de que não quer abrir mão, tem dinheiro no bolso para gastar”, resume Benjamin Rosenthal, pesquisador na área de cultura de consumo da Fundação Getulio Vargas. Esse mesmo raciocínio, explica Rosenthal, vale para outras formas de constituição familiar, como os casais gays e os divorciados.

Em épocas assim, o consumo de bens culturais sofre retração nas famílias tradicionais, aquelas que possuem despesas fixas de educação, plano de saúde e moradia. Essas deixam de frequentar cinemas, teatros, museus e outros espetáculos, e preferem ficar em casa, o que aumenta os gastos com supermercados e serviços de entretenimento doméstico, como os games, internet de banda larga e streaming de vídeos.

Na crise, os organizadores de megaeventos sabem que o público é menor, porém mais fiel. Rosenthal afirma que eles têm ideia clara do poder de atração de cada espetáculo e podem fixar preços, muitos deles estratosféricos, pelo fato de serem eventos únicos.
Posted: 23 Jul 2017 08:00 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – o enredo da Lava Jato

Apesar do comando difuso, entre mídia, troupe de Eduardo Cunha, PSDB e Departamento de Estado norte-americano (através da cooperação internacional), a trama da Lava Jato era de roteiro relativamente simples.

Haveria uma ação intermediária, o impeachment de Dilma. Depois, a ação definitiva, a condenação de Lula com o esfacelamento automático do PT como força política.

Houve intercorrências inevitáveis – como as denúncias contra próceres tucanos, rapidamente abafadas –, importantes para se tentar conferir legitimidade política ao jogo, e um desastre imprevisível: as delações da JBS que atingiram Aécio Neves no peito. Aí o elefante ficou muito grande para ser escondido debaixo do tapete.

Tudo caminhava nos conformes. Inclusive chantagear o grupo que assumiu interinamente o poder, obrigando-o a caminhar com o desmonte do Estado social para conseguir alguma sobrevida política. Depois engaiolá-los como grande gesto final.

Mas cometeram um erro central: apostaram tudo em um cavalo manco, o grupo de bacharéis de Curitiba, procuradores e delegados, e em um juiz sem noção que tocou os inquéritos da Lava Jato.

Aí o plano começou a degringolar.

Peça 2 – os cabeças de planilha e o os cabeças de vade mecum

Na economia, cansei de descrever o tipo intitulado cabeça-de-planilha.

Como se faz ciência aplicada:

1. O sujeito se forma, muitas vezes frequenta universidades estrangeiras e volta armado de um instrumental teórico.

2. Depois, precisa mergulhar na analise de caso, a economia ou, no caso de procuradores, o processo que está sendo tocado. Essa é a etapa principal, a capacidade de captar todos os detalhes, estabelecer correlações e desenvolver uma narrativa factível que identifique claramente o criminoso. Não se confunda preparo com competência ou inteligência. No Ministério Público mesmo, há inúmeras evidências de procuradores com menor aparato teórico produzindo mais resultados do que outros com PhDs, porque muito mais capacitados.

3. Só depois de levantados todos os dados, as provas e evidências, recorre-se ao aparato teórico para definir a narrativa, os crimes identificados e a punição requerida. Evidentemente, quando se casa aparato teórica com inteligência analítica, se tem o super-economista e o super-procurador.

Anos atrás aprendi uma regra de ouro com um grande físico brasileiro: quem pensa claro, escreve claro. Quando o sujeito recorrer a muitas firulas em defesa de sua tese, de duas, uma: ou é um gênio ou embusteiro. Gênio, só conheci Einstein, me dizia ele.

O economista medíocre salta a etapa principal, da analise de caso. Vai direto na teoria que aprendeu e faz como os cabeções do Banco Central: derrubam a inflação abaixo do piso da meta, prognosticando a entrada do país na depressão.

O mesmo ocorre com procuradores (e advogados) com baixa capacidade analítica e bom estofo teórico. Tratam de fugir da análise de caso e rechear as peças com firulas sem fim, como creme de leite para disfarçar a falta de consistência do bolo.

No caso da Lava Jato, sua estratégia consistiu em criar uma narrativa prévia, obrigar os delatores a preencher as lacunas com meras declarações, tipo “Lula sabia de tudo”, colocar os técnicos para pesquisar os bancos de dados da Receita, COAF, Bacen, juntar pitadas da cooperação internacional, tudo devidamente vazado para a imprensa, para passar a ideia de uma avalanche incontornável.

Se não for suficiente, dentro do Código Penal em vigor, eles dão um by-pass: se valem de um suponhamos que o Código Penal fosse outro.

Me lembram muito um professor de química do científico que foi até Ouro Preto e, na Faculdade de Engenharia, foi confrontado com uma enigma lógico que ninguém conseguia resolver. Quando chegou no ponto nevrálgico, pulou para a resposta conhecida. Aí perguntaram em qual lei da química ele tinha se baseado. E ele: acabei de criar.

Para suprir a falta de elementos, o criativo procurador Deltan Dallagnol apelou para sua erudição-de-pegar-incautos e citou teorias contemporâneas, sobre analises probabilísticas.

Confrontado com a opinião de pesos-pesados do direito, que mostraram que as teorias se aplicavam às técnicas de investigação, jamais como prova jurídica, as piruetas retóricas de Dallagnol lembraram cenas do filme Indiana Jones. Mais especificamente aquela em que o beduíno puxa a cimitarra, piruleteia para cá e para lá, um malabarismo aqui, um volteio acolá e Indiana Jones olhando. Até que acaba com a brincadeira simplesmente sacando o revólver e dando-lhe um tiro.

Peça 3 - as teorias probabilísticas de Dallagnol

Na peça de acusação do caso triplex, Dallagnol supre a carência de provas com teorias probabilísticas, que são utilizadas apenas para dar mais foco às investigações.

Vejamos como ele aplicou a teoria na prática, em uma análise de caso simples.

Veja a charada:

1. Você tem três balas parra atingir Lula, antes que ele se candidate a presidente novamente: o triplex, o terreno para o Instituto Lula e o sítio de Atibaia.

2. Pelos prazos em curso, só há tempo para um tiro. Qual você escolhe.

Vamos a um pequeno exercício de probabilidade [aqui].

Os três casos são fracos.

Não há dúvida de que houve mimos de empreiteiras para Lula. Afinal, o modelo de desenvolvimento adotado no seu governo transformou-as em players internacionais, até serem destruídas pela Lava Jato. Além disso, Lula representava um imenso capital diplomático, por sua popularidade especialmente em novos mercados prospectados por elas.

Mas não se levantou prova alguma de que houve contrapartida em contratos, o que caracterizaria a propina. Ou mesmo de que houvesse aumento patrimonial de Lula. Sem as provas, ficam-se nos mimos, sem acréscimo patrimonial, sem enriquecimento ilícito.

Mesmo assim, dentre os três processos, o único que poderia melhorar um pouco a probabilidade dos bacharéis seria o sítio de Atibaia, devido ao usufruto.

Mas decidiram apostar tudo no triplex, confiando no depoimento (alterado) de Léo Pinheiro, o cappo da OAS.

A peça é curiosa porque desenvolve toda uma teoria para uma nova qualificação de organização criminosa: a organização política, que prescindiria da apresentação de provas objetivas. Usa uma retórica inflamada, repetindo exaustivamente que Lula comandava uma organização criminosa, que os crimes eram difusos, que haveria dificuldade para identificar as provas. E, na mesma peça, diz que as propinas são provenientes de três contratos específicos. Especificou, tem que provar. Ou seja, uma baita volta para justificar a impossibilidade de levantar provas e, no meio, a afirmação taxativa de que as propinas foram originárias de três obras, o que exigiria a comprovação com provas.

Aí houve o caso curiosíssimo do juiz que copidescou o procurador.

Logo que começou a Lava Jato, defensores da cumplicidade entre juiz, procuradores e delegados alegavam que, havendo essa combinação, o juiz poderia corrigir erros dos procuradores e delegados no decorrer dos inquéritos e processos.

A afirmação já parecia estranha mas, enfim, estava-se nem pleno reinado do direito penal do inimigo, brilhantemente defendido pelo Ministro Luís Roberto Barroso.

O que não se esperava é que o juiz corrigisse a própria peça final de acusação. Para salvar o caso, Moro teve que reescrever a acusação afirmando que as propinas foram originárias de vários contratos, não especificamente da Petrobras.
Peça 4 – o partidarismo é mau negócio

Toda a argumentação de Dallagnol estaria adequada em uma ação civil contra Lula. Através dela, teria mais possibilidade de condenar Lula, cassar sua aposentadoria, impor multas elevadas, simplesmente porque na ação civil não há a necessidade da prova final.

Veja o seguinte exemplo:

1. Um fazendeiro contrata um ajudante para vigiar a fazenda.

2. O ajudante mata um invasor.

Uma ação criminal só conseguiria condenar o fazendeiro se comprovasse cabalmente que ele deu a ordem, que autorizou o ajudante a atirar em quem entrasse. Não bastaria mostrar i contrato de trabalho. Já em uma ação civil certamente o fazendeiro seria condenado a indenizar a família da vítima. A ação civil não exigiria o detalhamento do crime e sujeitaria o réu a um conjunto de sanções.

O domínio do fato – pretendido por Dallagnol para imputar a Lula o comando dos esquemas criminosos – não tem o condão de fazer com que uma responsabilidade subjetiva se torne objetiva. Numa ação civil, haveria mais possibilidade de condenar a falta de providências de Lula.

Com seu palavrório, Dallagnol pretendeu uma nova teoria do direito para crimes de poder. Quis reescrever a teoria da prova sem dispor de fôlego intelectual para tanto, razão de ter sido fuzilado por juristas mais preparados.

O Código Penal brasileiro é da legalidade estrita. Só existe crime se tiver lei penal descrevendo o crime e se for provado em todos os fatos e ainda provado o dolo do agente.

Não se pode importar princípios de fora. O próprio Ministério Público tentou introduzir a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade no Brasil e não conseguiu. Os criminosos podem ser punidos, mas foi mantido o prazo de prescrição.

E foi assim, por presunção, onipotência, pelo embevecimento com as repercussões no Twitter e no Facebook, pela ambição de ser o homem que levou Lula de volta para a prisão que a montanha de citações de Dallagnol pariu um rato.
Posted: 23 Jul 2017 07:51 PM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

No mesmo dia em que Joesley Batista publica artigo na Folha em que denuncia “as mentiras” que contaram para tentar desqualificar a denúncia que fez contra Temer, a coluna de Eliane Cantanhêde no Estadão é um exemplo acabado do que pode ser interpretado como “estratégia” de defesa do sucessor de Dilma Rousseff.

Cantanhêde diz que o relatório da Polícia Federal sobre as gravações do ex-senador Sérgio Machado, que também foi presidente da Transpetro, é um “marco no festival de delações”.

Recapitulando: nesta semana, uma delegada da PF não aceitou a gravação como prova de obstrução de justiça, o que levou Cantanhêde a estabelecer um elo com a gravação de outro delator, Joesley Batista:

“Os acordos mais criticados são justamente os de Machado, que passou dez anos desviando recursos na Transpetro, mas está numa boa com os filhos milionários, e os dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que tiraram a sorte grande várias vezes no Brasil e corromperam centenas de políticos, mas saíram ilesos e fazem a festa nos EUA”.

A proximidade de Cantanhêde com o PSDB – o marido dela trabalhou em campanhas do partido e teria até recebido de fonte de dinheiro sujo, exatamente como João Santana, no PT – é um alerta para quem compra jornais esperando alguma isenção. Temer tem a caneta, mas quem segura seu braço na hora da assinatura é o PSDB.

Cantanhêde avisa:

“Quem pensa em repetir Machado e Joesley e sair gravando aliados para escapar deve cuidar para realmente entregar algo consistente. Gravar por gravar pode dar em nada para os alvos, mas pode gerar uma desagradável reviravolta para os autores, com perda de benesses. Muito delator, ou candidato a delator, anda com as barbas de molho”.

Por partes.

A Polícia Federal é uma coisa. A Procuradoria Geral da República, outra. A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça, do Poder Executivo, por sua vez nas mãos de Michel Temer. A Procuradoria Geral da República tem autonomia política e administrativa. Não é subordinado a nenhum dos três poderes.

Portanto, a conclusão de uma delegada da Polícia Federal deve ser vista com reserva. A PF só foi órgão que disciplinava condutas jurídicas nas administrações do PT. Nem tanto por mérito, mas por fraqueza do ministro da Justiça de então.

A PF, como qualquer outro órgão policial, tem uma dupla função. Ela se subordina ao Executivo, mas tem também uma ação judiciária, se subordinado a decisões da Justiça e também do Ministério Público, que é seu órgão de controle.

O relatório da delegada da PF que não viu tentativa de obstrução da Justiça nas conversas gravadas por Machado deve ser visto muito mais como a evidência de que existe, sim, obstrução da Justiça do que como qualquer outra coisa.

Se o Ministério Público Federal quiser, pode mandar refazer o trabalho da PF. Determinar cotas. Mas, com Rodrigo Janot arrumando as gavetas para ir embora, não é uma certeza de que isso vá ocorrer.

Gravação é indício veemente de crime. Pode conter uma confissão. Mas é preciso buscar provas que reforcem a declaração. Veja-se o caso do senador Romero Jucá.

Ele disse que era preciso estancar a sangria, que estava “matando” os políticos. E uma das ações necessárias era depor Dilma.

Jucá é explícito:

JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

[…]

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece, o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

Isso foi feito: botaram o Michel.

Depois, na conversa com Joesley Batista, com etapa Dilma vencida, Aécio Neves, presidente nacional do PSDB (licenciado), detalhou o plano. Era para interferir na PF:

AÉCIO – O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde, pede para sair, Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (…). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (tem) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, dois mil delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né? Do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

JOESLEY: Pro João.

AÉCIO: É. O Aécio vai pro Zé, (…)

JOESLEY: (…) [vozes intercaladas]

AÉCIO: Tem que tirar esse cara.


Essa segunda etapa já foi vencida: Osmar Serraglio já era. E a delegada que assinou o parecer que não vê obstrução de Justiça é o quê? Um Zé ou um João.

O grande acordo da impunidade, que tem tudo para tornar a corrupção mais severa, está em plena execução, na frente de todos nós.

Mas, para dar certo, esse acordo precisa da participação dos aliados de sempre, a velha mídia, fábrica de midiotas.

É preciso contar com a ousadia de uma Eliane Cantanhêde para escrever o que escreve e dizer o que é necessário (para eles), nos jornais e na televisão.
Posted: 23 Jul 2017 07:48 PM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Não passa um dia sem que farsantes espalhem mentiras sobre o ex-presidente Lula e sua família – e, não, não estamos falando das ações contra ele na Justiça, todas elas produtos de farsas oficiais. A farsa em questão é cem por cento criminosa, baseada em mentiras ainda mais grosseiras que a das ações judiciais contra o ex-presidente.

A última dessas farsas é praticamente inacreditável por várias razões. Chega a ser difícil de acreditar que alguém caia nela, mas não falta quem caia. E, no mais das vezes, as pessoas que caem nesses contos do vigário não o fazem por ingenuidade, mas porque querem acreditar na mentira.

Na manhã de domingo recebo de uma contraparente (parente por afinidade, no sentido de vínculo originado no casamento) um vídeo surpreendentemente inverossímil no que diz respeito à descrição. Assista essa armação revoltante [aqui].

Não foi necessário nem assistir ao vídeo todo para perceber a farsa. Conheço pessoalmente dois dos filhos de Lula e a pessoa que aparece no vídeo não é um deles.

Além disso, o vídeo farsante diz que a cena de um homem entrando em uma Ferrari dourada se passa no Uruguai e, coincidentemente, por ser aficionado da Fórmula 1 conheço o hotel de onde ele sai antes de entrar no carro. Trata-se do Hotel de Paris, em Monte Carlo, um dos 10 distritos do principado de Mónaco, onde ocorre uma das mais charmosas competições dessa modalidade esportiva.

O que ocorreu é que o primeiro dos muitos bandidos que divulgaram a farsa ouviu alguém falando em espanhol no vídeo e teve a ideia de dizer que a cena se passava “no Uruguai”. E não faltaram otários ou pessoas mal-intencionadas a comprar – e depois a vender – a mentira.

O primeiro dos muitos vídeos divulgando a farsa apareceu nas redes sociais no dia 22 de julho de 2017 e rapidamente se transformou num dos assuntos mais comentados da rede. Algumas versões desse mesmo vídeo foram compartilhadas no Facebook, gerando centenas de milhares de visualizações.

O vídeo em questão foi publicado dias antes em outros canais no YouTube e podemos notar que não há nenhuma menção ao dono do veículo ser o “Lulinha”. Você pode assistir o vídeo original, sem a farsa, aqui, aqui e aqui

A placa do veículo usado na farsa também contém inscrições em árabe e o carro foi visto em Paris poucos dias antes de essa farsa ser divulgada. O mesmo carro usado na farsa foi visto também em Cannes, na França. Obviamente que sem qualquer tipo de relação com a família de Lula.

Já inventaram que “o filho do Lula” – nunca dizem qual – era dono de uma fazenda imensa. Depois, descobriu-se que se tratava da ESALQ – USP, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, localizada em Piracicaba – SP. Já inventaram que “o filho de Lula” era dono da Friboi, que, agora, todos sabem a quem pertence. Agora, inventaram que “o filho de Lula” tem um carro de ouro.

O fato é que esse tipo de farsa só serve para mostrar que quem se posiciona contra o linchamento do ex-presidente tanto pela Justiça quanto pelos porões da internet, está do lado certo.

***

Como a farsa nasceu no You Tube, o Blog fez um vídeo contendo tudo que você viu neste post. Ajude a divulgar para que, também naquela rede social, a verdade seja restabelecida [aqui].

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