quinta-feira, 27 de julho de 2017

27/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 27 Jul 2017 09:22 AM PDT
Por Cesar Locatelli, no site Jornalistas Livres:

Ao autorizar o aumento de impostos, que deixa o litro da gasolina 41 centavos mais caro, Temer e Meirelles retiram mais dinheiro da economia, sangrando quem já está bem mal das pernas, e, ainda, dão sinais evidentes de que a recuperação da economia não está ali virando a próxima esquina.

A recessão que amargamos tem origem, por um lado, na incerteza política: você se arriscaria a dizer quem será o presidente no final do mês que vem? Ninguém toma decisões econômicas importantes sem ter resposta para essa pergunta. De outro lado, o governo faz questão de, desde o primeiro dia, só aprovar medidas recessivas. Cortes de gastos e investimentos do governo são tão recessivos quanto os cortes de direitos dos trabalhadores.

O fantasma do desemprego, aliado à perda de direitos trabalhistas, faz o trabalhador se retrair do consumo: ele restringe seu consumo ao essencial. O empresário, que vê suas vendas e o consumo em geral caírem, decide suspender seus investimentos. O humor e as expectativas de todos nós determinam o crescimento ou a recessão

Consumo e investimento fracos implicam queda maior ainda na arrecadação de impostos pelo governo. E nesse momento de desânimo generalizado, vêm Temer e Meirelles e jogam um pouco mais de gasolina na fogueira da recessão: retiram mais R$ 10 bilhões de circulação pelo aumento dos impostos da gasolina e cortam mais de R$ 5 bilhões em gastos do governo.

Não há economia que cresça com esse estado de ânimo. A arrecadação despenca com os cortes, com a “austeridade” e o governo resolve cortar mais. Retira mais sangue do organismo econômico. A equipe econômica acha que está no caminho certo e conta com o apoio dos meios de comunicação para afirmar que, de fato, não havia outra saída.

Há outras saídas, sim. O nó é que os apoiadores do golpe, que se uniram para impedir Dilma, tinham entre seus objetivos fazer a dívida do governo cair e, desse modo, aumentar os ganhos de quem empresta dinheiro para o governo. A crise política e econômica criada foi enorme e a dívida só faz crescer, ao contrário do que projetavam.

Só o governo teria forças para tornar a saída da recessão e a volta do crescimento mais rápidas: investir, aumentar sua dívida até o país voltar a crescer e, então, reduzir seu endividamento num ambiente de crescimento econômico e expectativas favoráveis de trabalhadores e empresários.

Essa solução aparentemente está descartada pois contraria, ao menos temporariamente, os interesses dos golpistas que se uniram em torno de Temer. E assistimos o governo tomar as medidas que agravam a retração da economia, como esse aumento de impostos da gasolina.

Além disso há mais um sinal desanimador nessas últimas medidas. Temer e Meirelles têm clareza do custo político do aumento de impostos. Essa última medida, que subiu o preço da gasolina, não teria sido tomada se estivéssemos no final da recessão. Por que aumentar impostos, pagar o custo político, se o país vai sair da recessão nesse segundo semestre?

Temer parece saber que não terá futuro político, mas Meirelles tem ambição política desmedida. Como optaram pela medida fortemente impopular devem ter previsão de que a recessão não está em seus momentos derradeiros.
Posted: 27 Jul 2017 09:17 AM PDT
Por George Marques, no site The Intercept-Brasil:

Quando o presidente Michel Temer comemorou um ano de gestão, no último 13 de maio, um grupo de políticos, entre eles deputados e ministros, festejou com ele em um refinado restaurante italiano de Brasília, o Trattoria do Rosário. Na ocasião, a voz rouca do cantor e deputado Sérgio Reis (PRB/SP) entoou o clássico sertanejo “O menino da porteira” para aplausos do presidente. Na Câmara, o deputado também anda tendo motivos para comemorar: ele foi o que mais teve emendas pagas este ano pelo governo. Foram R$ 8,4 milhões no total, segundo levantamento feito por The Intercept Brasil com base nos dados do site Siga Brasil.

Após a publicação desta matéria, a assessoria do deputado Sérgio Reis enviou a seguinte nota à reportagem:

“O deputado federal e cantor Sérgio Reis nunca participou de jantar comemorativo da gestão Temer. Esteve apenas num jantar oferecido a um grupo de parlamentares pelo deputado Heráclito Fortes [ ] na residência de sua filha, do qual participou o presidente Michel Temer poucos meses após sua assunção ao cargo. Apenas isso! Na ocasião, como é de sua própria natureza artística, Sérgio Reis cantou, sim, ao som de viola caipira.”

Um ranking feito por TIB mostra que os dez deputados com mais emendas pagas em 2017 receberam um total de R$ 72,5 milhões. A maioria deles é intimamente alinhado às pautas do governo e defende categoricamente Temer pelos corredores do Congresso Nacional. Ainda de acordo com o levantamento, só em 2017 já foram liberados cerca de R$ 1,5 bilhão de reais a 737 deputados com e sem mandato.

Na liderança da lista, Sérgio Reis teve um total de sete emendas pagas pelo governo neste ano. Em fevereiro, houve um pagamento de R$ 252.607,99 destinado a apoio e manutenção de unidades de saúde para o estado de São Paulo. Para o mesmo fim, outras quatro emendas totalizando R$ 2.965.541,91 foram liberadas em março. Em junho, o valor das emendas do deputado cresce, e o governo paga mais duas que, somadas, chegam a R$ 5.188.383,49 também para a área da saúde. Ao todo, nos seis primeiros meses deste ano, o total foi de exatos R$ 8.406.533,39 executados.

O governo vem sofrendo duras críticas pela liberação desenfreada de grandes recursos no mês mais grave da crise política, quando o Planalto se via ameaçado: ou atendia aos interesses dos deputados ou poderia não conseguir maioria para rejeitar a denúncia de corrupção contra o presidente, com votação prevista para a próxima semana, em 2 de agosto.

As emendas parlamentares individuais são dotações inseridas no Orçamento da União que abastecem os redutos eleitorais dos parlamentares com recursos para obras públicas. Em ano pré-eleitoral, são essenciais para que os políticos beneficiem suas bases nos estados. TIB mostrou recentemente que até o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso no complexo de Pinhais, em Curitiba, também foi agraciado com a liberação de recursos de mais de R$ 1,6 milhão.

Para quem a banda toca, afinal?

Apesar de todo o agrado por parte do governo e mesmo já tendo elogiado Temer num passado recente, o cantor tem se aproximado muito nos últimos tempos do aspirante ao Planalto Álvaro Dias (PV-PR), árduo crítico da atual gestão, que chegou a pedir a renúncia do presidente após a divulgação das gravações comprometedoras feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista. Sérgio Reis figura como “indeciso” no site 342agora, criado para acompanhar o posicionamento dos congressistas sobre a continuidade da denúncia criminal contra Temer.

A reportagem entrou em contato com o deputado Sérgio Reis para entender a aplicação dos recursos, mas o deputado não havia se manifestado até o momento da publicação.

Nesta quarta (26), a assessoria de imprensa de Sérgio Reis enviou nota, também reproduzida em sua página no Facebook, em que afirmou que “sempre pautou e pauta sua vida pessoal e profissional pela mais profunda seriedade, respeito e honestidade para com o povo, que só lhe deu amor e carinho ao longo de sua vitoriosa carreira artística de quase 60 anos.”

Sérgio Reis sente-se muito feliz por ser o campeão de liberação de recursos em 2017, pois só assim tem a certeza de que mais e mais pessoas necessitadas serão atendidas no sistema de saúde

O deputado também disse que todas as suas emendas são voltadas para a área da saúde, setor onde ele tem 30 anos de experiência em trabalhos voluntários. E afirmou que “sente-se muito feliz por ser o campeão de liberação de recursos em 2017, pois só assim tem a certeza de que mais e mais pessoas necessitadas serão atendidas no sistema de saúde, e que sua missão como parlamentar está sendo cumprida.”

Sérgio Reis também garantiu que “jamais participou ou participaria de qualquer negociata visando à liberação de suas emendas, e que a escolha do momento de fazer o pagamento das chamadas ’emendas individuais’ é uma decisão única e exclusiva do governo e de seu ministério.”

Por fim, sem adiantar seu voto para o prosseguimento ou não da denúncia contra Temer, o cantor informou que “na condição de deputado federal, deixa claro que votará de acordo com a sua consciência, colocando sempre os interesses do povo brasileiro acima de quaisquer outros interesses.”



Entre os dez deputados mais bem pagos com emendas parlamentares em 2017, a maioria faz parte da tropa de choque de Temer. Em segundo lugar, está o líder do PMDB na Câmara Baleia Rossi (SP), com R$ 7.660.534,74. Em seguida, Alexandre Serfiotis (PMDB-RJ), que recebeu R$ 7.553.345,51. Partiu de Rossi a iniciativa de que o PMDB fechasse questão contra a continuidade da denúncia contra Temer. Ele também sugeriu que Zveiter fosse retirado da CCJ após apresentação do parecer contra Temer.

Os deputados Laerte Bessa (PR/DF) e Paulo Maluf (PP/SP), membros da CCJ e que votaram contra o andamento da denúncia de corrupção contra Temer, receberam respectivamente R$ 7.039.886 e R$ 6.768.072, ocupando os sétimo e oitavo lugares do ranking. De acordo com o 342agora, todos se manifestaram contrários à continuidade da investigação contra Temer.

Coube a Paulo Maluf contar sobre as qualidades até então desconhecidas de Temer aos presentes que acompanham a sessão na CCJ. “Conheço Temer há 35 anos e, em 35 anos de convivência, não dá para a gente se enganar. Temer é um homem honesto, probo, correto e decente que está sendo acusado de maneira absolutamente imprópria”, profetizou.

O cargo que Bessa ocupou na CCJ era anteriormente de Jorginho Melo (PR/SC), retirado pelo partido por ter uma posição favorável à continuidade da denúncia. Manobras, promessa de cargos e liberação de emendas a aliados ajudaram o governo a garantir uma vitória montada na artificialidade parlamentar.

Bessa entrou na comissão sem nem sequer saber o nome dos colegas: se enrolou para citar o sobrenome do relator, Sérgio Zveiter, chamando-o de “Velter”, e do deputado Wadih Damous (PT/RJ) de “Uadi Vadus”. “Não é muito estranho uma denúncia nessa hora em que o Brasil começa a ver uma luz no fim do túnel?”, questionou, mostrando por que foi escalado para a CCJ.
Posted: 27 Jul 2017 09:04 AM PDT
Por Renata Mielli, no site Mídia Ninja:

Aldir Blanc e Maurício Tapajós compuseram a música Querelas do Brasil, em 1978. A canção, imortalizada na voz de Elis Regina, denuncia a colonização predatória dos Estados Unidos, que saqueia as riquezas naturais do nosso país, impõe um padrão de consumo e comportamento totalmente em desacordo com a cultura nacional e as condições sócio-econômicas da maioria esmagadora da população, tudo com o aval e patrocínio da elite do país.

Aliás, o único elo de ligação entre essa elite e o Brasil é o fato dela ter nascido em território brasileiro. De resto, ela nada tem de nacional: não tem projeto político e econômico para o desenvolvimento do país; acorda, almoça, janta e dorme sonhando ser norte-americana e quer transformar o Brasil no quintal ou anexo dos Estados Unidos. Para isso, vale tudo!

A começar pela venda, aluguel ou doação de tudo o que tenha a marca verde, amarela, azul e branca para o Tio Sam e seus sócios.

Nos governos dos ex-presidente Lula e Dilma, o balcão de vendas nacional estava em baixa. A onda de privatizações foi reduzida drasticamente, políticas de proteção para o conteúdo nacional foram criadas e priorizadas, a valorização das empresas nacionais no cenário internacional cresceu, o Brasil entrou no mapa econômico como potência e buscando protagonismo. Que ousadia. O Tio Sam, seus sócios internacionais e seus fiéis escudeiros nacionais não gostaram muito disso.

E veio o golpe, e o governo Temeroso deu um basta nessa ousadia, e recolocou as coisas em seus lugares históricos: o Brasil voltou a se subordinar aos interesses geopolíticos e econômicos do Tio Trump, acabou com políticas de valorização da indústria nacional, de Ciência e Tecnologia, e ressuscitou temas que pareciam já enterrados sob sete palmos de terra, como a venda de terras para estrangeiros, que, pela vontade do senhor que ocupa o Palácio do Planalto, não deve ter limites.

Se alguém quiser, pode comprar tudo. O Brasil está literalmente à venda.

Mas o que isso tudo tem a ver com comunicação e mídia? Tudo. Afinal, quem faz a propaganda indecorosa deste desgoverno temerário são os grandes meios de comunicação. Mesmo os que agora, aparentemente, torcem o nariz para o Temer, como a Globo.

Podem não gostar dele, mas defendem ardorosamente a agenda política que ele foi escalado para aplicar. Não escolheram o Temer. Afinal, Michel é o anti-garoto-propaganda. Ele não têm élan, diria a minha avó se estivesse assistindo essa novela de quinta categoria que é encenada no Brasil.

Mas, com ou sem química para o papel, ele está lá e não quer saber de sair. Outros atores poderiam cair bem melhor no personagem do golpe. O problema é que há regras que não podem ser totalmente ignoradas pelos pretensos roteiristas do golpe, senão a coisa fica escancarada demais. Eles querem limpar o golpe, vesti-lo com uma máscara e roupas mais palatáveis – principalmente para os espectadores internacionais.

Se dependesse única e exclusivamente da Globo, eles trocariam o protagonista imediatamente por um Dória, ou Luciano Huck, mas essa alternativa tem que esperar um pouco.

Enquanto isso, o que importa é a agenda. Ou como dizem por aí: o que importa é o que interessa. Então vamos ao que interessa:

1) A Reforma Trabalhista – check. Já conseguiram aprovar e seus efeitos logo começarão a ser sentidos na pele de milhões de trabalhadores.

2) A Reforma da Previdência – aguardando. Os canhões da mídia hegemônica estão praticamente todos voltados para este tema. Sem a aprovação desta Reforma não é possível “sanear” as contas públicas. Um verdadeiro arsenal de economistas ultra-neoliberais está escalado para falar diuturnamente dos males que a nação está vivendo por culpa da Previdência Social. Seja na televisão, no rádio, nos jornais e revistas, o monstro da previdência está sendo desenhado cada vez mais feio. Eles já perceberam que o tema é para lá de espinhoso, porque não tem praticamente nenhum apoio da sociedade. Diferente da reforma trabalhista que era mais difusa, mais fácil de se “vender”. Então, é preciso ir além. O discurso agora é defender uma reforma da previdência muito mais severa do que a proposta pelo governo, para tentar aprovar algo mais próximo do que está em tramitação. Ou seja, usar a tática do “a gente pede 100 para ganhar 50.”

3) Privatização das estatais – mode on. Na campanha presidencial de 2006, o tema das privatizações voltou forte, mas daquela vez negativamente. Um tema que sempre ocupou lugar privilegiado nas campanhas do PSDB, como agenda de modernização do Estado e da economia, as privatizações foram o pesado da campanha tucana. A tal ponto que, no segundo turno, Alckmin teve que usar boné do Banco do Brasil e uma jaqueta cheia de adesivos das estatais brasileiras. Agora, com a satanização de tudo que é nacional e público promovido pelo discurso da corrupção e da Lava Jato – difundido e amplificado pela Globo e Cia – a agenda da venda das empresas estatais volta com força.

4) Redução do Estado – em andamento. O Estado não vive só de estatais – ele existe pelas estruturas diretas do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, que também estão na alça de mira das metralhadores da mídia hegemônica. Esse tema surgiu com força na última semana pelo Plano de Demissão Voluntária dos Servidores Públicos anunciado por Temer. Compareceu com destaque e ênfase em edições do Jornal Nacional dos últimos dias relacionado com a privatização, o estado paquidérmico, o rombo da previdência e a gastança “desnecessária” com pessoal na esfera dos três poderes.

Esses assuntos não “deram apenas no Jornal Nacional”. Eles polarizaram praticamente toda a cobertura jornalística da semana, de todos os veículos. Se há elementos de discordâncias e interesses distintos que dividem pontualmente as elites – inclusive seus porta-vozes midiáticos – há uma coisa que os unifica a todos: o que interessa.

A unidade em torno da agenda econômica é total. E eles repetem seus pontos incansavelmente, usando o pêndulo da hipnose em massa que é a mídia: vocês estão ficando cansados, muito cansados, cansados do estado, dos governos, da política, da corrupção, das instituições, cansados de tudo. Só quem pode lhes devolver o ânimo é o mercado, as empresas privadas.

O problema é que Globo e Cia estão subestimando a capacidade de luta e resistência do povo brasileiro, que mais cedo ou mais tarde vai perceber que foi enganado e não vai deixar isso barato.

Posso estar sendo otimista, talvez, mas acho que o caldo do golpe vai começar a entornar já já. E vai entornar quando a livre negociação entre trabalhador e patrão virar luta livre, quando os salários despencarem pela precarização, quando os regimes de trabalho se aproximarem cada vez mais da semi-escravidão, se aprovarem as mudanças que na prática acabarão com o direito à aposentadoria, se retalharem o Estado e reduzirem ao mínimo os serviços públicos, quando os impactos do congelamento de gastos com Saúde e Educação começarem a ser percebidos, quando tudo isso começar a gerar impacto direto na vida das pessoas.

Se é verdade que o Brazil do golpe está matando o Brasil, por outro lado, é preciso estarmos atentos, porque esse Brazil não conhece o Brasil cantado pelo Gonzaguinha, que é o Brasil de uma “rapaziada que segue em frente e segura o rojão”.

E aí, pode ser que sobre inclusive para a Globo. Quem sabe eles ainda vão ganhar um PDV ou uma aposentadoria compulsória.
Posted: 27 Jul 2017 07:24 AM PDT
Do blog do Levante Popular da Juventude:

Na manhã de quinta-feira (27), nós jovens do Levante Popular da Juventude, do Movimento dos Atingidos por Barragens e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra realizamos uma ação de denúncia e exposição na casa do presidente do Senado, o cearense Eunício Oliveira (PMDB).

O objetivo foi denunciar o senador como um dos articuladores do golpe que usurpou a presidência da república de Dilma Rousseff, presidente democraticamente eleita, colocando em seu lugar o golpista Michel Temer (PMDB).

Entendemos que Eunício Oliveira é um dos principais parlamentares representantes da burguesia brasileira que tem cumprido um papel fundamental de articulação na continuidade e aprofundamento do golpe à nossa democracia, principalmente no que diz respeito a aprovação das reformas, como a PEC 55 ou PEC do Teto dos gastos, onde o mesmo foi relator, além das reformas trabalhista e previdenciária, que significam ainda mais retrocessos nos direitos históricos dos trabalhadores brasileiros.

Eunício Oliveira, senador do PMDB é um mega latifundiário brasileiro, dono de 92 imóveis rurais em Goiás e no Ceará. O ruralista, citado na Lava Jato, sob acusação de ter recebido 2 milhões da Odebrecht, também é dono de empresas de limpeza, segurança e transporte de valores, cujos contratos com a União chegam a casa das centenas de milhões. Sendo um dos políticos mais ricos do país, se elegendo com campanhas milionárias, Eunício de Oliveira não pode ser considerado um representante do Povo brasileiro, mas sim seu inimigo.

Essa é mais uma ação de protesto que está ocorrendo em todo o Brasil e denuncia os principais políticos e empresários que articularam o golpe no país e que seguem promovendo uma série de ataques aos direitos do povo brasileiro. Nesse sentido, reafirmamos que tais ações prosseguirão em todo o Brasil até barrar todos os retrocessos que afetam diretamente a juventude e todos os trabalhadores e trabalhadoras do País

A juventude não vai se calar!
Inimigos do povo: Eunício e Temer golpistas!

Assinam esta nota:

- Levante Popular da Juventude
- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
- Movimento dos Atingidos por Barragens
Posted: 27 Jul 2017 07:18 AM PDT
Por Tom Secker e Matthew Alford, no site Outras Palavras:

Quando começamos a nos interessar pela relação entre política, cinema e televisão, na virada do século XXI, aceitamos a opinião de consenso, segundo a qual um pequeno escritório do Pentágono [o Departamento de Defesa do governo norte-americano] havia, a pedido, assistido à produção de cerca de 200 filmes ao longo da história do cinema moderno, com uma mínima interferência nos roteiros.

Como éramos ignorantes. Mais precisamente, como fomos enganados.

Recentemente, recolhemos 4.000 novas páginas de documentos do Pentágono e da CIA por meio da Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information Act). Para nós, esses documentos foram o prego final no caixão.

Eles demonstraram, pela primeira vez, que o governo dos Estados Unidos influenciou, nos bastidores, mais de 800 importantes filmes e mais do que 1.000 títulos de TV. A maior estimativa anterior, de um livro acadêmico de 2005, era de que o Pentágono havia interferido em menos de 600 filmes e num punhado de programas de televisão não especificados.

Até que os excelentes livros de Tricia Jenkins (The CIA in Hollywood) e Simon Sillmetts (In Secrecy’s Shadow) fossem publicados, em 2016, pensava-se que a CIA havia influenciado apenas cerca de uma dezena de produções. Mas mesmo estas obras deixaram escapar ou subestimaram casos importantes, incluindo Jogos do Poder [Charlie Wilson’s War] e Entrando numa fria [Meet the Parents].

Junto com a escala maciça dessas operações, nosso novo livro National Security Cinema [“Cinema de Segurança Nacional”] detalha como o envolvimento do governo dos Estados Unidos também inclui reescrever roteiros de alguns dos maiores e mais populares filmes, incluindo os de James Bond, a franquia de Transformers, e filmes do universo cinematográfico da Marvel Comics [como Homem Aranha, Wolverine, X-Men e Capitão América] e da DC Comics [como Batman, Superhomem e Mulher Maravilha].

Uma influência semelhante é exercida sobre a TV quando recebe apoio militar, desde o Hawaii 5-O e America’s Got Talent, os programa de Oprah e Jay Leno até Cupcake Wars, e inúmeros documentários produzidos pela PBS, History Channel e pela BBC.

National Security Cinema revela também como dezenas de filmes e programas de TV foram apoiados e influenciados pela CIA, incluindo a aventura de James Bond Thunderball, o suspense de Tom Clancy Patriot Games e filmes mais recentes, como Salt.

A CIA ajudou até mesmo a fazer um episódio de Top Chef [a horigem de Masterchef] que foi hospedado em Langley [cidade-sede da agência], com a participação de seu então diretor, Leon Panetta, que apareceu na tela deixando de lado a sobremesa para atender atividades vitais. Essa cena seria real ou uma dramatização para as câmeras?

A censura política de Hollywood pelos militares

Quando um escritor ou produtor aproxima-se do Pentágono e pede acesso a qualquer recurso militar, para ajudá-lo a fazer seu filme, ele tem de submeter seu roteiro aos escritórios ligados à indústria de entretenimento para verificação. Em última análise, o homem com a palavra final é Phil Strub, chefe do Departamento de Defesa para as relações com Hollywood.

Se há personagens, ações ou diálogos que o Pentágono não aprova, o cineasta tem de fazer mudanças para acomodar as demandas dos militares. Se ele se recusar, o Pentágono empacota seus brinquedos e vai embora. Para obter a cooperação, os produtores precisam assinar contratos – Acordos para Assistência na Produção – que os vinculam ao uso da versão do roteiro aprovada pelos militares. Isso pode criar problemas, quando atores e diretores acrescentam algum improviso fora do roteiro aprovado.

No set montado na base de Edwards da Força Aérea norte-americana, durante as filmagens de Iron Man, houve um confronto raivoso entre Strub e o diretor Jon Fabreau.

Favreau queria que um personagem militar dissesse: “As pessoas se matariam pelas oportunidades que tenho”, mas Strub contestou. Favreau argumentou que a fala deveria ser mantida no filme, e de acordo com Strub:

“O rosto dele estava cada vez mais vermelho, e eu estava ficando igualmente irritado. Foi meio estranho, e ele disse com raiva: ‘Bem, que tal eles andarem sobre brasas?’ Eu disse: ‘tudo bem’. Ele ficou muito surpreso que fosse fácil assim.”

Ao fim, a fala não apareceu na edição do filme.

Aparentemente, nenhuma referência a suicídio de um militar – mesmo um comentário ligeiro, numa comédia de ação de super-herói – é permitida pelo escritório do Pentágono para Hollywood. É compreensível que seja uma questão sensível e constrangedora para eles, uma vez que durante alguns períodos da “Guerra ao Terror”, sempre em expansão e cada vez mais inútil, mais soldados dos EUA suicidaram-se do que morreram em combate. Mas por que um filme sobre um homem que constrói seu próprio traje de armadura voadora não poderia incluir esse tipo de piada?

Outra fala irônica que foi censurada pelo Pentágono apareceu no filme de James Bond O Amanhã nunca morre

Quando Bond está para saltar de paraquedas de um avião de transporte militar, eles se dão conta de que ele vai cair em águas vietnamitas. No roteiro original, a parceira de Bond, da CIA brinca: “Você sabe o que vai acontecer. Será guerra, e talvez dessa vez a gente vença.” Essa fala foi retirada a pedido do Pentágono.

Estranhamente, Phil Strub negou que tenha havido qualquer apoio para O Amanhã nunca morre, embora o Lawrence Suid, um pesquisador destacado liste a conexão com o Pentágono como “Cooperação Não Reconhecida”. Mas o Departamento de Defesa está creditado no final do filme e nós obtivemos uma cópia do Acordo de Assistência na Produção entre ele e os produtores.

O Vietnã é, obviamente, outro tópico sensível para os militares norte-americanos, que também tiraram uma referência à guerra do roteiro de Hulk (2003). Embora os militares não estejam creditados no final do filme, no IMDB ou na própria base de dados de filmes apoiados pelo Pentágono, obtivemos um dossiê dos Marines detalhando suas mudanças “radicais” no roteiro.

Entre elas, estava transformar o laboratório onde Hulk é criado acidentalmente numa instalação não-militar; transformar o personagem do diretor do laboratório num ex-militar e mudar o nome do código da operação militar para capturar Hulk de “Mão do Rancho” (Ranch Hand) para “Homem Raivoso” (Angry Man).

Ranch Hand é o nome de uma operação militar real, na qual a Força Aérea dos EUA 76 milhões de litros de pesticidas e outros venenos na área rural vietnamita, deixando 20 mil km² de florestas e 2 mil km² de terra cultivável envenenados e inférteis.

Eles também retiraram diálogos que faziam referência a “todos aqueles meninos, porquinhos da índia, morrendo de radiação e guerra bacteriológica”, uma aparente referência a experimentos militares secretos com seres humanos.

Os documentos que obtivemos mais tarde revelam que o Pentágono tem poder para impedir que um filme seja realizado, ao recusar ou retirar apoio. Algumas produções, como Top Gun, Transformers e Ato de Coragem são tão dependentes de cooperação militar que não poderiam ter sido feitas sem se submeter a esse processo. Outras não tiveram tanta sorte.

O filme Countermeasures foi rejeitado pelos militares por várias razões, e consequentemente nunca foi produzido. Um dos motivos é que o roteiro incluía referências ao escândalo Irã-Contras e, como disse Strub, “Não há necessidade de nós… lembrarmos o público do caso Irã-Contras”.

Do mesmo modo, Fields of Fire e Top Gun 2 nunca foram realizados porque não conseguiram obter apoio militar, novamento devido a aspectos dos roteiros considerados politicamente controversos.

Esta censura “soft” afeta também a TV. Por exemplo, um documentário planejado por Louis Theroux sobre o treinamento dos recrutas, entre os Marines, foi rejeitado, e por isso nunca realizado.

É impossível saber exatamente quanto se difundiu essa censura militar no setor de entretenimento, porque muitos arquivos ainda estão sob sigilo. A maioria dos documentos que conseguimos são informes diários dos escritórios de ligação entre o Pentágono e o setor de entretenimento, que raramente se referem a mudanças de roteiro, e nunca de forma explícita e detalhada. Contudo, os documentos revelam que o Departamento de Defesa requer uma verificação prévia de qualquer projeto que apoia e às vezes faz mudanças mesmo depois que a produção está fechada.

Os documentos registram também a natureza próativa das operações dos militares em Hollywood e o fato de que estão encontrando modos de envolver-se durante as primeiras etapas de desenvolvimento dos filmes, “quando os personagens e os enredos podem ser mais facilmente modelados em benefício do Exército”.

A influência do Pentágono naos filmes pode ser encontrada em todos os estágios da produção, o que garante o mesmo tipo de poder que têm os executivos dos principais estúdios.

A influência da CIA e do NSA nos roteiros de filmes

Apesar de ter muito menos recursos cinematográgicos, a CIA também tem exercido considerável influência em alguns dos projetos que apoiou (ou se recuou a apoiar).

Não há nenhum processo formal de revisão de roteiro pela CIA, mas Chase Brandon, durante muito tempo o responsável pela ligação da agência com a indústria de entretenimento, foi capaz de inserir-se nas primeiras etapas do processo de roteirização de várias produções de filmes e programas de TV.

Brandon fez isso mais claramente no filme de suspense e espionagem O Novato [The Recruit], em que um novo agente passa por um treinamento da CIA nas instalações secretas da agência em Camp Peary – obviamente um modo de conduzir a audiência para aquele mundo e dar-lhe um vislumbre dos bastidores. O tratamento original da história e rascunhos iniciais do roteiro foram escritos por Brandon, embora ele só apareça nos créditos do filme como conselheiro técnico, encobrindo sua influência no conteúdo.

O Novato inclui falas sobre as novas ameaças do mundo pós-soviético (incluindo a ignóbil justificativa para um orçamento anual de “Defesa” de 600 bilhões de dólares), junto com refutações da ideia de que a CIA fracassou na prevenção dos atentados de 11 de Setembro. E repete o adágio de que “os fracassos da CIA são conhecidos, mas não os seus sucessos”. Tudo isso para propagar a ideia de que a agência é um ator racional e benévolo, num mundo caótico e perigoso.

A CIA também conseguiu censurar roteiros, removendo ou mudando sequências que desejava ocultar do público. Em A Hora mais escura [Zero Dark Thirty], o roteirista Mark Boal “compartilhou verbalmente” seu roteiro com funcionários da CIA, e eles excluíram uma cena em que um funcionário bêbado da agência dispara uma AK-47 para o ar de um telhado em Islamabad (Paquistão), além do uso de cachorros, nas cenas de tortura.

Num tipo de filme muito diferente, a comédia romântica muito popular Entrando numa fria, Bradon solicitou que mudassem uma cena em que o personagem de Ben Stiller descobre o esconderijo secreto de Robert De Niro (futuro sogro de Stiller). No roteiro original, Stiller encontra manuais de tortura da CIA numa mesa, mas Brandon mudou isso para fotos de Robert De Niro com altos oficiais.

De fato, a habilidade da CIA para influenciar roteiros de cinema remonta a seus primeiros anos de vida. Nas décadas de 1940 e 50 trataram de evitar qualquer menção a si mesmos em filmes ou na TV até Intriga Internacional [North by Northwest], em 1959. Isso incluiu rejeitar pedidos de apoio a produções, o que significa que alguns filmes nunca foram realizados, e censurar todas as referências à CIA no roteiro da comédia de Bob Hope A Cigana me enganou [My Favourite Spy].

A CIA chegou a sabotar uma série prevista de documentários sobre a agência que a antecedeu, o Escritório de Serviços Estratégicos [OSS, em inglês]. Para fazê-lo, assegurou que a CBS assumisse a produção, afastando um estúdio menor que a planejara. Assim que isso foi feito, a agência desincentivou a própria série da CBS, para garantir que as atividades da OSS permanecessem blindadas ao exame público.

Embora muito pouco se saiba sobre as atividades da NSA na indústria de entretenimento, encontramos indicações concretas de que também esta agência adota táticas similares às do Pentágono e da CIA. Emails internos da NSA mostram que os produtores de Inimigo do Estado [Enemy of the State] foram convidados a múltiplos tours em Fort Meade, o quartel-general da NSA. A agência não os proibiu de usar a filmagem aérea, de helicóptero, destas instalações. Segundo uma entrevista de 1998, com o produtor Jerry Bruckheimer, o script foi mudado, a pedido da NSA, para que os crimes cometidos fossem atribuídos a uma “banda podre” da agência, e não a ela própria.

Bruckheimer afirmou: “Acho que o pessoal da NSA ficou feliz. Eles não vão aparecer tão mal como poderiam. A NSA não é o vilão do filme”. A ideia de usar o cinema para atribuir a culpa das agências de segurança a “agentes maus” – evitando assim a noção de responsabilidade institucional, é um clássico, entre as artimanhas da CIA e do Pentágono.

Em seu conjunto, estamos diante de aparato de propaganda vasto e militarizado, que opera por meio da indústria cinematográfica dos EUA. Ele não precisa agir como censor oficial, já que as decisões sobre os scripts são tomadas voluntariamente pelos produtores. Mas exerce influência enorme – e pouquíssimo conhecida – sobre o tipo de narrativas e imagens que vemos nas telas do cinema e da TV.

Em um país acostumado a usar seu poder militar em todo o mundo, o uso da cultura popular para estimular o apoio da população às guerras precisa ser visto como algo muito grave.

* Tom Secker e Matthew Alford são autores de um livro recém-lançado nos EUA: National Security Cinema: The Shocking New Evidence of Government Control in Hollywood [“Cinema de Segurança Nacional: as evidências chocantes de controle governamental sobre Hollywood”].

* Tom Secker é escritor radicado na Grã-Bretanha, que se dedica ao exame de temas de segurança, Hollywood e a história do terrorismo. Edita o blog SpyCulture. Seu trabalho foi reportado por publicações como The Mirror, The Express, Salon, TechDirt e outras.

* Matthew Alford é professor no Departamento de Política, Língua e Estudos Internacionais na Universidade de Bath. Seu documentário The Writer with No Hands, [“O Escritor sem mãos”] foi premiado no festival Hot Docs (Toronto, Canadá) em 2014 e obteve menção honrosa no Festival Popular de Cinema da Anmar, em Teerã.

* Tradução de Inês Castilho.
Posted: 27 Jul 2017 06:51 AM PDT
Por Mário Augusto Jakobskind, no jornal Brasil de Fato:

O MST está demonstrando disposição de luta e clareza ao ocupar áreas de propriedade do ministro Blairo Maggi, do coronel João Baptista Lima, amigo do putrefato Michel Temer, do procurado pela Interpol Ricardo Teixeira, uma figura carimbada por envolvimento em corrupção no futebol e ainda uma fazenda do senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), em Teresina. Com a ação na Jornada Nacional de Lutas, em razão do Dia dos Trabalhadores Rurais, o MST demonstra concretamente que a única forma de conseguir alcançar o objetivo da reforma agrária é através de mobilizações populares.

Um exemplo que deve estimular outros setores da sociedade que estão sofrendo as consequências das medidas adotadas desde a ascensão do putrefato presidente Michel Temer. Fora disso, a oligarquia que ocupa ilegitimamente o governo brasileiro não leva em conta as justas pretensões do movimento popular.

Maggi, Lima, Teixeira e Nogueira são exemplos concretos de como o poder os protege e com isso eles fazem o que bem entendem pouco se importando com as consequências dos seus atos.

No momento que o Brasil atravessa com um Congresso executando ordens do governo ilegítimo em troca de favores, o chamado toma lá dá cá, é fundamental que os prejudicados se façam presentes através de ações como as realizadas pelos integrantes do MST.

No mais, vale assinalar que se nada for feito, o governo usurpador continuará agindo de forma a prejudicar a maioria do povo brasileiro, que sente na carne o retrocesso social. Com ações como as realizadas pelo MST o governo golpista pensará duas vezes antes de empreender o retrocesso, que conta com o apoio irrestrito da mídia comercial conservadora, que provavelmente estampará nas manchetes dos jornais condenações aos movimentos legítimos de defesa dos interesses do povo. O mesmo acontecerá nos noticiários dos canais de televisão, sempre com o objetivo de indispor o movimento popular contra a opinião pública.

Na verdade, o Brasil atravessa um momento crucial e é importante que haja contestações ao que vem sendo feito por um governo como o atual, que não tem legitimidade e se estabeleceu através de um golpe parlamentar, midiático e judicial para defender os interesses de uma minoria como a representada por Blairo Maggi, Ricardo Teixeira e o coronel João Baptista Lima, amigo do putrefato Michel Temer.

Só é contra esse tipo de ação quem se vale das benesses de um governo que em pouco mais de um ano é responsável por um dos maiores retrocessos sociais da história brasileira. Em alguns anos quando for contada a história destes tempos, Temer e seus protegidos ocuparão o mesmo lugar que os responsáveis pelos 21 anos de ditadura vigente no Brasil, ou seja, o lixo da história.

Para tornar ainda mais claro o que está acontecendo, neste último fim de semana o golpista putrefato Michel Temer se reuniu por muitas horas com o Ministro da Fazenda de governos ditatoriais, Delfim Neto, uma figura que continua a ocupar espaços midiáticos apesar do que ele fez naqueles anos sombrios como os atuais que o Brasil atravessa.

Enquanto isso, segundo a Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia circulou em São Paulo onde se reuniu com o governador Geraldo Alckmin e com empresários e banqueiros, também seus apoiadores. Pode-se imaginar como foram as conversações.
Posted: 27 Jul 2017 06:45 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Afinal, a Lava Jato está mesmo diminuindo a corrupção no Brasil ou está aumentando? Dependendo do que você entender por corrupção, apesar de o senso comum dizer que está combatendo – e, portanto, diminuindo –, pode estar aumentando e, até, incentivando.

“Ah, esse blogueiro não passa de um ‘petralha’ que tem bandido de estimação", dirá a direita energúmena batizada pelo criador do termo “petralha” como “direita xucra”.

O que é a “direita xucra”? É um bando de psicóticos que seguem o Jair “enrustido” Bolsonaro e que se auto afirmam engendrando insultos sexuais – hummm… Freud explica.

O mais engraçado é que um defensor da tese – que este blogueiro compartilha – de que a Lava Jato estimula a corrupção, em vez de combater, é o criador do termo mais cretino, mais nazifascista, mais burro que já foi criado neste país: o termo “petralha”.

Reinaldo Azevedo – e isso eu sempre disse – pode ter qualquer defeito que se lhe queira atribuir, mas é um homem de rara inteligência, dono de uma verve cortante.

De certa maneira, eu o admiro. Só não o admiro de todas as maneiras porque não foi capaz de prever no que daria exacerbando os baixos instintos da direita xucra.

Mas, voltando ao ponto, Azevedo e eu concordamos plenamente com a seguinte tese: a Lava Jato estimula os grandes corruptores premiando-os enquanto persegue e pune os pequenos corrompidos.

Vou lhe fazer uma pergunta, caro leitor: quem é que causa mais dano ao país, o corruptor ou o corrompido?

Como você vai combater a corrupção se quem compra os políticos corruptos não só não é punido como é premiado ficando com tudo que roubou?

A Lava Jato não combate a corrupção, combate uma safra de corruptos e de supostos corruptos, sem falar nos acusados injustamente de corrupção por corruptores que dizem o que a República de Curitiba quer em troca de premiar os ladrões de dinheiro público.

Tomemos como exemplo aqueles que o humorista Gregório Duvivier apelidou de “irmãosley”, ou seja, Wesley e Joesley, da JBS. Corromperam milhares de políticos, enriqueceram com isso, delataram os corrompidos, embolsaram os lucros que a corrupção lhes proporcionou e ficaram impunes…

Há negócio melhor do que esse? Quem diz que não há nem sou (apenas) eu, mas o ex-herói da direita xucra: Reinaldo Azevedo.

Está passando mais ou menos batido o show de competência de Reinaldo Azevedo no programa Roda Viva de 17 de julho último ao promover memorável debate entre o criador do termo “petralha” e Thaméa Danelon, procuradora da República que assume em São Paulo o papel desempenhado por Deltan Dallagnol em Curitiba e que tentou, em vão, defender a sentença absurda dada por Sergio Moro contra Lula.

Azevedo explica, didaticamente, por que a corrupção deve aumentar no país com uma metodologia que premia quem rouba 100% e pune quem rouba 5% do produto total do roubo.

O vídeo a seguir [aqui] mostra tudo isso. Vamos assistir. Antes, porém, quero deixar aqui um apelo aos que acompanham esta página há mais de uma década.

***

Esta página vem sofrendo ataques eletrônicos para tirá-la do ar e apagar seu conteúdo. Porém, como sempre, vou lutar pela liberdade de expressão reforçando o site Blog da Cidadania.

Para fazer um site mais moderno e robusto para enfrentar essa ditadura asquerosa que se abateu sobre o Brasil, exorto os amigos e amigas de tantos anos – alguns, mais de 12 anos – a colaborarem com o crowfunding que estou lançando para criar o novo Blog da Cidadania e contratar serviços de proteção e estratégia de marketing.

PARA COLABORAR COM A CAMPANHA E DOAR POR CARTÃO DE CRÉDITO OU BOLETO BANCÁRIO, CLIQUE AQUI. SE QUISER DOAR DIRETO EM CONTA CORRENTE, MANDE EMAIL PARA edu.guim@uol.com.br

***

Fique, agora, com o vídeo [aqui] que mostra como é frágil a argumentação do Partido da Justiça, uma aberração que começa a se tornar evidente na designação que lhe vem sendo dada.
Posted: 27 Jul 2017 06:38 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

O senhor e a senhora, o moço e a moça, tem todo o direito de achar o governo Temer uma quadrilha, um bando de corruptos. Afinal de contas, há muitas demonstrações que vêm sendo dadas neste sentido desde que o golpe contra Dilma se perpetuou. Mas é também importante que o senhor e a senhora, o moço e a moça, percebam que o governo de Michel Temer é composto de pessoas de caráteres duvidosos, mas muito habilidosos, todos muito especializados na arte de construir esquemas criminosos de maneira bem feita. E quando criminosos atuam, eles sabem anotar a chapa daqueles que, porventura, venham a lhe criar problemas.

E isso aconteceu com o ministro Meirelles. Na ocasião da revelação dos áudios da JBS, este blogueiro escreveu o seguinte: que Meirelles havia sido preservado de forma clara por Joesley naquela gravação que ele sabia que estava acontecendo. Joesley disse para Temer que Meirelles gostava de trabalhar. Joesley disse pra Temer que, se convidado a ir para a praia, Meirelles não iria. Joesley disse que o senhor ministro da Fazenda criava problemas pra ele pra fazer coisas que não eram assim, digamos, coisas republicanas. E ali ficou claro que, de alguma forma, Joesley buscava transformar Meirelles em uma pessoa que respeitava os valores da República.

Não só este blogueiro, mas certamente pessoas do governo Temer, perceberam que havia um plano, talvez, para, com a queda de Temer, fazer do ministro da Fazenda o seu sucessor. E hoje o BuzzFeed Brasil dá uma matéria que teve repercussão em vários órgãos de imprensa de que Meirelles recebeu mais de R$200 milhões em consultoria, ou como disse o colega Nassif, em lobby, e que boa parte desses recursos estavam fora do Brasil.

Esta matéria certamente não foi apurada só pelo repórter. E aí não cabe nenhum julgamento da qualidade do repórter por este blogueiro, mas quando essas coisas vem à tona, é que alguém de dentro, pelo menos, passou a dica. E aí o repórter foi no cartório da empresa de Meirelles e verificou que havia aquele documento que comprovava a denúncia que ele deu. Ou seja, Meirelles está sendo punido por tentar jogar contra Temer.

Temer percebeu que ele era o que se costuma a chamar na política de conspirador, um cavalo de Tróia dentro do governo. E certamente Temer está aguardando apenas se livrar das denúncias na Câmara e conseguir rejeitar este pedido de impeachment para fazer o que ele gostaria de fazer agora com o Meirelles, ou seja, demiti-lo. Meirelles provavelmente será demitido por Temer depois que ele escapar do impeachment.

E com a queda de Meirelles, seu provável sucessor é Armínio Fraga, que já havia sido anunciado por Aécio Neves na sua campanha como seu ministro da Fazenda. E hoje, um dos sócios prioritários do governo Temer é Aécio, que está numa situação tão complicada quanto a do presidente.
Posted: 27 Jul 2017 06:29 AM PDT
Por Léa Maria Aarão Reis, no site Carta Maior:

Há poucas semanas o Embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Lula e titular da pasta da Defesa no período da presidente Dilma, foi categórico quando analisou a lamentável situação do Brasil de hoje no concerto das nações, numa recente entrevista disponível no youtube. "O mundo vê o Brasil com perplexidade. As pessoas lá fora nem entendem direito o que está se passando aqui, e também é muito difícil explicar toda essa confusão política, jurídica, judicial", disse ele, acrescentando: "O Brasil caiu muito, de um modo geral, para quem espera dele um comportamento como país", afirmou.

Há cerca de dez dias, o ex-Chanceler, hoje presidente do Conselho da Unitaid [*], organização que pretende facilitar o acesso das populações de países pobres aos medicamentos para malária, tuberculose, AIDS, entre outras ações (como quebra de patentes, por exemplo), voltou a lamentar a situação do nosso país no jogo atual da política internacional embora até pouco tempo atrás ocupasse posição de destaque como nação de prestígio, com um governo legítimo.

Carta Maior conversou com Amorim durante uma manhã de sol, no seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, entre uma e outra viagem desse carioca apaixonado por cinema e um dos protagonistas, idealizadores e executor das políticas externas brasileiras e independentes do nosso passado bem recente.

Ele abordou vários aspectos do Brasil atual – impeachment da presidente Dilma, política interna, relações com os Estados Unidos de Trump, a ruptura da liderança dos países da América Latina, integração com o continente e o Mercosul, desmantelamento de um projeto progressista nacional - e reforçou: ‘’Eu não tenho qualquer dúvida que o objetivo desse processo todo de impeachment da presidente Dilma era atingir um projeto político progressista com duas dimensões principais: a dimensão social e a dimensão internacional.”

“O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, mas isto estava sendo progressivamente combatido. Na dimensão internacional, não interessa a grande parte da elite brasileira que o Brasil tenha uma projeção maior e o país fale com sua própria voz.” E acentuou: “Esses, da elite, são ligados, são os intermediários e os instrumentos da dependência do Brasil.”

A nossa conversa:

Ainda podemos ser, ao menos, um pouco otimistas ao pensar o futuro?

O Brasil é um país muito grande, fisicamente. Sua economia está entre as maiores do mundo apesar da recessão, embora esteja caindo e agora chegando à oitava posição. Eu acho que tudo isto vai passar e o país voltará a ter um papel de destaque. Há um problema que não é só do governo Temer, mas agravado por ele, até com a percepção externa da falta de legitimidade: o Brasil sempre ou quase sempre atuou um pouco abaixo da sua real capacidade. Além do seu passado colonial, do complexo de vira latas, mais antigos, você tinha sempre um déficit democrático que perdurou por anos e anos. O Brasil nem sequer se candidatou ao Conselho de Segurança da ONU para não virar alvo de criticas e também porque não tinha estabilidade econômica - e isto retirava um pouco a sua credibilidade, pelo menos diante de certos setores.

E o déficit da justiça social?

Justamente: o grande déficit que se esperava que o Brasil reduzisse, e foi retirado em parte, era o déficit da justiça social. A desigualdade no Brasil é um grande tema. Então, a superação progressiva, ainda que nesse caso fosse mais uma expectativa, o governo Lula ajudou muito para que isto ocorresse e o Brasil se afirmasse, mas, evidentemente, o impeachment da presidente Dilma, da maneira como ocorreu, traumático, dividiu o país. Agora, a busca do Brasil de maior igualdade, de equidade, está sendo destruída, desmantelada.

Com o objetivo?

De montar uma agenda inteiramente neoliberal atrelada a outros interesses, ao capital financeiro internacional. Claro que numa visão geopolítica mundial há a dominação do capital financeiro internacional. Mas nós tivemos a ilusão de que depois do impeachment do Collor as instituições democráticas Brasil tinham ficado mais fortalecidas. Infelizmente não foi o caso. Quando se viu que havia uma chance de derrubar um governo, e não só um governo, mas um projeto que era de aprofundamento da democracia, de maior igualdade social e de maior independência em termos internacionais, vimos que as instituições não resistiram.

Em outros países existe a figura do impedimento presidencial.

Sim. Um jornalista da BBC, certa vez, até me disse ‘ah, mas nos EUA... ’, e eu disse, sim, mas lá não se poderia imaginar que o vice do Nixon faria uma aliança com o partido oposto. Ou no caso do Clinton, que o Al Gore faria uma aliança com a extrema direita. Aqui, houve uma distorção total da instituição do impeachment. Muitas pessoas, inclusive, discutem se se trata de uma figura que cabe num sistema presidencialista. Em minha opinião, eu até acho que, em teoria, ele cabe sim, mas com limitações.

Por exemplo?

No Supremo, para falar com toda franqueza, sem entrar no mérito, não sou jurista, mas o Supremo, na ocasião, se comportou muito... ‘formalista’. É o mínimo a se dizer. Argumentam: ‘ah, as formalidades da lei, em parte, foram realizadas... ’ Não. O Supremo não procurou entrar no conteúdo da matéria. Dizia que não era de competência dele. Mas em outros casos, quando foi de seu interesse, considerou o conteúdo. Então, eu não tenho dúvida que o objetivo desse processo era atingir um projeto político progressista. A história não é a mesma, mas, por exemplo, o que levou à queda de Vargas (não vamos falar de Jango porque Jango já herdou uma situação meio instável), o caso de Vargas e com o Lula também, houve uma combinação dessas duas coisas: destruir uma ação de independência do país e de promoção de justiça social.

Na recente cúpula dos 20 o Brasil foi completamente ignorado. Esse isolamento permanecerá?

Enquanto houver este governo (vai durar mais 15 dias? um mês?), enquanto perdurar essa situação de falta de legitimidade, o país não voltará a se agregar; é uma situação que vai se prolongar.

O Brasil corre o risco de ser expurgado dos BRICS? 

Não. Permanecerá em banho-maria. Repito: o Brasil é muito grande. Há setores que funcionam. Na área da saúde, por exemplo, à qual estou ligado, o país está defendendo posições positivas no âmbito dos BRICS; não sei se por descuido... Na área de trabalho não. O Brasil está violando certas convenções; mas na área da saúde defende posições positivas. No caso de licenças compulsórias, de patentes, por exemplo. São aspectos técnicos, são coisas importantes. Há vários setores da burocracia e setores empresariais, não muitos, que continuam atuando lá fora com independência. Na área da AIDS o Brasil progrediu. Agora mesmo, há uma medicação importante que está sendo feita em relação à hepatite C. Enfim, tudo isto foram posições que continuam sendo defendidas e iniciadas lá atrás, no BRICS.

Mas há que se destinar recursos para implementação dessas posições na área da saúde, por exemplo.

Claro, porém o que eu acho mais grave nesse governo ilegítimo foi congelar gastos durante 20 anos a partir de uma base baixíssima, a base da recessão. Muitas vezes, sabe-se, o gasto do governo não é gasto. É investimento. Muito da saúde, educação e segurança é custeio. Botar segurança policial na rua é custeio. Botar um hospital funcionando é investimento, mas também é custeio. Outro dia, na UERJ, um professor de São Paulo foi fazer uma palestra e de repente faltou luz. ‘Seja bem-vindo à UERJ... ’ É uma falta de apreço ... Não é nem a manutenção de uma proporção do PIB; é estancar no nível que ele está pela inflação. Supondo que o Brasil vai voltar a crescer, e nós temos que imaginar isto porque todas as economias se recuperam quando chegam ao fundo do poço, o que vai ocorrer é que a proporção do governo como dispêndio do PIB vai cair drasticamente. E você não pode esperar que a iniciativa privada vá cuidar do bem estar do povo. Tudo isto afeta a nossa posição internacional. Mas volto a dizer: a situação é passageira. Com um governo eleito de volta, o país terá, outra vez, legitimidade.

Há o prejuízo a ser recuperado em curto prazo. Mas e outros? Algumas coisas perdidas agora, também na área da política externa, serão resgatadas daqui a gerações, talvez.

Sim. Por exemplo, investimentos no comércio com a África não estão saindo. Isto acaba desacreditando bastante o país. O Brasil fez promessas, no passado, e tinha intenção de cumpri-las o que não está ocorrendo.

E a liderança interrompida do país no continente? E o Brasil em relação ao Mercosul?

Certo mal estar que pode existir no Itamaraty leva a alguma pressão. Acabamos por não fechar as embaixadas na África, por exemplo. O básico é difícil mudar. Dizem por exemplo: ‘ah, o Mercosul vai deixar de ser área aduaneira para passar ao livre comércio’. Não estão falando mais sobre isto, pelo menos neste momento. Queriam fazer o acordo com os EUA, o Acordo de Parceria Transpacífico, o TPP, mas o próprio Trump se encarregou de acabar com essa ilusão. Pelo menos ficamos devendo a ele essa iniciativa.

E a pretensão do Brasil de entrar na OCDE, Organização para a Cooperação Econômica, como membro pleno?

Houve tentativas, no passado, de entrar para a OCDE. Os EUA sempre resistiram à ideia. Agora, então, mais ainda. Não querem se comprometer demais com o atual governo sabendo que ele é muito frágil e transitório. Ou talvez não queiram parecer que estão apoiando muito um governo sem legitimidade. Ou porque não querem que a entrada do Brasil mude o peso relativo das influências dentro da organização. Mas o Roberto Azevedo, no passado, assumiu a presidência e está lá até hoje. A nossa voz sempre foi ouvida na OCDE e o Brasil era tratado com muita distinção assim como participa de alguns comitês. Mas entrar como membro pleno implicaria em assumirmos muitas obrigações que não estamos prontos para assumir e não são do nosso interesse assumi-las!

E a relação do país com o governo Trump?

Felizmente o Trump não está muito interessado na America do Sul - exceto em Cuba, Venezuela e México. A sua política do ‘american first ’ não nos afeta muito. Mas isto não quer dizer que na hora, por exemplo, dele achar que o aço brasileiro está entrando lá, que ele não tomará uma medida de proteção. Isto é óbvio. Mas vamos ser francos: isto também aconteceria com os democratas.

Então o Trump não está sendo negativo para o Brasil?

O Trump é muito negativo para aqueles países que tinham uma grande expectativa em ter uma relação ‘’especial ‘’ com os EUA como é o caso de parte da Europa, no que diz respeito à defesa principalmente, e o México, no caso econômico. Para os russos, eu não diria que o Trump é pior do que era o governo democrata. Como ele foi muito atacado, internamente, por causa de supostas denúncias de participação meio consentida nas eleições, se retraiu, mas ele é imprevisível.

Apenas rosna?

Só de rosnar faz mal e afeta. Alguns países já percebem que podem tirar algum partido da atuação do Trump. A Alemanha está percebendo isto e se mostra querendo consolidar a União Européia com a liderança dela para ser um contraponto aos EUA.

Mas voltando à relação Trump - América do Sul.

O fato de os EUA não terem, atualmente, uma política para a América do Sul até seria uma oportunidade para reforçarmos a nossa integração, caso tivéssemos governos com liderança. Uma chance de ouro.

Como a de consolidar a liderança continental abandonada?

No começo do governo Lula já havia a ideia de promover uma interação mais ampla, de reforçar o Mercosul. Veio então a crise da Venezuela e o Brasil criou o grupo Amigos da Venezuela que possibilitou um referendo revogatório. A situação, dentro do que era possível lá dentro, se normalizou. Agora, há uma crise de grande gravidade na Venezuela e o Brasil está totalmente ausente e incapacitado de fazer qualquer coisa. Por quê? Por razões claramente oportunistas, de política interna. Os ministros de Relações Exteriores... O presidente mal falou nesse assunto. O governo atual fez uma condenação tão violenta, tão radical ao governo de Caracas que não tem capacidade de mediar nada. Na mais recente reunião da OEA, acabamos levando uma chapoletada da ministra venezuelana. O governo, sem legitimidade, não pode se projetar e, mais ainda, porque adotou posições que impossibilitam qualquer ação mediadora. Tornou-se inoperante. O secretário Rex Tillerson disse para o Serra recentemente, na Europa: ‘ah, era tão bom se o Brasil pudesse ajudar na crise da Venezuela’. Ora, o Brasil simplesmente não tem condições...

Estamos perdendo oportunidades preciosas.

Não temos liderança no que está acontecendo na América do Sul, na América Latina. Atualmente, seria até uma chance para atrair um pouco mais o México e a América Central para o nosso lado em função das dificuldades que ambos estão tendo com os EUA. Mas como não temos um governo legítimo e não temos qualquer liderança, qualquer influência, a oportunidade se perde.

E a ausência do Brasil no grupo da Nova Rota da Seda, dos chineses? Do continente sul-americano, a Argentina e a Bolívia estiveram na reunião, em Pequim, no primeiro semestre. É a perspectiva de um projeto de mundo multipolar que se abre. O Brasil não foi à reunião.

Não indo a uma reunião de alto nível como foi essa, você não pode ser considerado. Na Europa, a Nova Rota está sendo examinada e analisada. Na Itália, por exemplo, que esteve na origem da Rota da Seda - não na seminal, mas durante a Idade Média -, estão percebendo que deve haver um equilíbrio na relação internacional. Não se pode colocar todos os ovos na cesta norte-americana. Aí também o Brasil está perdendo a chance de ter uma atuação mais forte.

Apesar de ser difícil encontrar a saída para o impasse em que se encontra o Brasil o que acha que precisa ser feito, urgente, além de eleições diretas?

Eu já fui muito criticado por achar importante um entendimento entre Lula e Fernando Henrique aproveitando o momento em que o Congresso está tão desacreditado como agora. Talvez seja o momento de forçar um encontro dessas lideranças para conseguir uma reforma um pouco melhor e não deixar o Congresso fazê-la sozinho. Há uma dificuldade, sim, um preconceito de parte dos dois lados de um conversar com o outro. Vão me criticar por dizer isto, mas eu acho necessário. Cada um deles governou oito anos, o país foi razoavelmente democrático durante esse período, coisas certas ou erradas foram feitas. Claro que não estou de acordo com as privatizações do Fernando Henrique - com a maioria delas pelo menos -, mas o Brasil era visto com certo respeito, embora não com a projeção que ganhou com o Lula. Não era esse desastre de hoje.

* A Unitaid nasceu como desdobramento da campanha do presidente Lula contra a fome e a pobreza. Foi criada por Lula, Jacques Chirac, Ricardo Lagos e Kofi Anan. Ela é financiada por oito países – Brasil inclusive.
Posted: 27 Jul 2017 06:18 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Apesar dos 94% de rejeição e da mala com R$ 500 mil recebida pelo emissário Rocha Loures, Temer vai escapar da denúncia de corrupção mas pode ser derrubado pelos custos do salvamento. Há sinais de que começa uma nova fase no jogo. A grita contra sua gastança e o consequente caos fiscal, e o derretimento de Meirelles como seu fiador junto às elites começam a tomar o lugar da reprovação moral. Se não cai por corrupção, Temer pode ser derrubado pela inviabilidade econômica de seu governo. Esta estratégia política da parte da elite que deseja se livrar dele foi claramente traduzida editorialmente nesta quarta-feira pelo noticiário das Organizações Globo. Este é o tom em todos os veículos do grupo.

No jornal O Globo, sob a manchete do dia, “Contas que não fecham”, seus colunistas disparam contra a desordem econômico-financeira. Gaspari anuncia a fervura de Meirelles na água em que Temer ceva os votos para salvar o pescoço, Miriam Leitão proclama o risco de “apagão fiscal” e Lydia Medeiros informa que a unidade em torno de Meirelles ruiu após o aumento de impostos e que ele resiste à pressão para afrouxar a meta fiscal.

A elite econômica que apoiou o golpe, desiludida com Temer, esperava que o Congresso assumisse a tarefa de removê-lo após a ajuda providencial de Joesley Batista. Menos o setor financeiro, que enche as burras com os juros altos (e nem vai se abalar com a esperada redução de um ponto na Selic, pois agora a inflação voltará a subir com o aumento da gasolina e o Copom pisará no freio). A mídia grande dividiu-se, com o grupo Globo liderando a artilharia anti-Temer e os jornalões paulistas se equilibrando entre o apoio e a omissão. Com a Câmara dominada, o empresariado produtivo começou a se movimentar. Ontem publicamos aqui as duras criticas do vice-presidente da Abimaq à política econômica. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, janta com Temer mas põe seu pato novamente na rua. E para completar, hoje estourou a denúncia do site Buzzfeed, de que Meirelles guarda no exterior os milhões que recebeu com sua consultoria, que teve como maior cliente a JBS.

O colapso fiscal é uma realidade, não é retórica dos que desejam trocar Temer por um preposto menos vulnerável, com melhores condições para tocar a agenda de contrarreformas. Mas agora, começou a ser usado como munição.

Na semana passada o governo contingenciou R$ 5,9 bilhões do Orçamento mas só em emendas parlamentares já se foram R$ 4,1 bilhões. A base de Temer deformou o Refis para atender a interesses próprios sem levar qualquer advertência, frustrando a arrecadação. Não votou a reoneração da folha de pagamento das empresas e as receitas com repatriamento externo têm sido decepcionantes. Enquanto isso, Temer e a área política continuam prometendo até lotes na lua para garantir um voto contra a denúncia de Janot. Ontem Temer prometeu R$ 13 milhões para as escolas de samba do Rio e com isso o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ) agora é voto certo a seu favor.

O rombo é grande, serviços públicos (como recentemente a emissão de passaportes) podem parar mas as medidas propostas são inócuas. O PDV para funcionários públicos em pleno desemprego será um fiasco. Buscar dinheiro indevidamente pago a pessoas mortas é uma garimpagem frívola. Agora já se fala em suspensão dos aumentos a funcionários concedidos no ano passado por Temer em busca de boa vontade da máquina administrativa.

O jeito é pedalar e Temer tem pedalado bem. Para permitir a volta da emissão de passaportes e rolar a dívida, na semana passada ele baixou dois créditos suplementares, um de R$ 100 milhões, outro de R$ 3 bilhões. E o fez sem aprovação parlamentar, o que valeu a Dilma a deposição por “pedaladas fiscais”. Mas depois do golpe o Congresso mudou a lei e agora pedalar não é mais crime.

A ironia da história está em que, para enterrar a denúncia de corrupção e permanecer no cargo, Temer acabou comprometendo um de seus poucos “ativos” valorizados pela elite, a presença de Meirelles na Fazenda. Sem a gastança para enterrar a denúncia, talvez ele tivesse evitado o aumento de imposto. E como isso não bastou para tapar o rombo, agora Meirelles enfrenta a pressão da área política para afrouxar a meta fiscal já deficitária em R$ 139 bilhões. Ele prometeu um crescimento de 1,6% este ano e o FMI já prevê 0,3%. O confronto com a área política vai se intensificar e em algum momento ele vai pedir o boné.

Além do “gasto político” de Temer, há outros atores contribuindo para o colapso fiscal, como o Ministério Público, quando se concede aumento de 16%, ou como o juiz que suspende a cobrança do aumento do Pis-Cofins, impondo perdas de R$ 76 milhões diários aos cofres do governo. Mas quando a desordem impera, é assim mesmo. Cada um por si, em tempo de murici, e dane-se o resto.

Se a mala de dinheiro de Loures não mexeu com o brio das excelências, há pouco o que esperar das novas denúncias de Janot, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segundo o site Poder360. Nada mais grave do que isso deve aparecer, apesar das delações que estão na bica. Mirando 2018, DEM e PSDB, no encontro entre Maia e Geraldo Alckmin, outros demistas e tucanos, acertaram o enterro da denúncia e a permanência de Temer, eleitoralmente mais conveniente a eles. As ruas estão vazias e os indignados já não batem mais panelas. Assim, caso uma parte da elite nacional queira mesmo se livrar do presidente que vem ampliando a recessão e promovendo o colapso fiscal, vai ter que lutar com outras armas. Por ora, com a exposição da inviabilidade econômica do governo. Está claramente começando outra fase do jogo.

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