sexta-feira, 28 de julho de 2017

28/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 28 Jul 2017 10:27 AM PDT

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

No dia em que o Copom reduziu a taxa Selic para 9,75%, o aplauso dos empresários do setor produtivo foi um muchocho: podiam ter cortado mais, disseram em coro. Eles apoiaram o impeachment, abraçaram Temer e sua agenda de reformas. Como o estouro do caso JBS, alguns flertaram com sua troca por Rodrigo Maia mas recuaram: ruim com ele, pior sem ele, chega de turbulência. Agora, porém, crescem os sinais de insatisfação do setor produtivo com um governo que não trouxe estabilidade política nem crescimento, aprofundou a recessão, agora aumentou impostos e enfrenta um descomunal desajuste fiscal.

Dirigentes que apoiaram decididamente o impeachment, como Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e Robson Andrade, presidente da CNI, reagiram com desdém ao corte de um ponto percentual na Selic, recolocando-a no patamar de um dígito. "O BC está com a preocupação errada. A inflação está sob controle. O que o Brasil precisa, no momento, é retomar o crescimento e gerar novos empregos. E isso só vai acontecer com juros mais baixos", declarou Skaf. “O Copom poderia ter feito um corte mais ousado dos juros, como era o nosso desejo. O Banco Central perdeu uma oportunidade”, disse Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo.

A redução moderada dos juros, já esperada, foi só um pretexto para externarem uma insatisfação que é mais ampla e reflete o ceticismo em relação à capacidade do governo de colocar a economia “nos trilhos”, como prometeu o presidente dos 5% de aprovação. A CNI, por exemplo, divulgou nota bastante ácida reclamando da decisão da Camex [aqui] de revalidar, até 2020, um acordo com o Chile pelo qual só navios com bandeiras dos dois países podem operar comercialmente entre eles. A medida visaria, segundo a nota, proteger duas empresas nacionais, que não foram identificadas, impedindo que navios de outras nacionalidades façam fretes a custos mais baixos com redução no preço final dos produtos importados ou exportados.

“O setor privado não encontra nenhuma justificativa plausível para a decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que adiou o fim do acordo marítimo entre o Brasil e o Chile para 2020. A decisão não ajuda a melhorar a competitividade da indústria. Estamos precisando de soluções imediatas e positivas, que gerem emprego, renda e um ambiente que se permita investir mais. Não é o que acontece com essa decisão”, disse Robson Andrade na nota. O fim do acordo já fora acertado bilateralmente mas a Camex, depois de cozinhar o assunto por meses, ontem resolveu manter a reserva de mercado até 2020.

As queixas da indústria começam ser externadas com mais estridência. O acesso ao BNDES continua complicado, a TLP é refugada, a capacidade instalada, por conta da recessão, continua sendo utilizada abaixo da média histórica, o aumento dos combustíveis terá impacto sobre os custos de produção, o fim da política de conteúdo nacional reduz encomendas do setor petrolífero etc. etc. O encanto com Meirelles também vai se quebrando a olhos vistos. Cresceu com o aumento de impostos e aumentará mais ainda se ele ceder às pressões para afrouxar a meta fiscal para atender à operação salva-Temer.

Enquanto isso, o governo abre as torneiras para enterrar a denúncia contra Temer e apega-se a medidas fiscais de resultado duvidoso, como PDV para funcionários públicos e a cobrança de benefícios pagos indevidamente a pessoas que já morreram. Quem vai devolver e quando? Vem aí mais arrocho fiscal, como o adiamento dos reajustes salariais negociados em 2016, o que reforça a percepção de que não há segurança jurídica no país.

Mas entre esta irritação com o governo e seu afastamento há uma distância que o empresariado não parece disposto a percorrer, pressionando o Congresso pela aceitação da denúncia contra Temer. Contra Dilma, engajaram-se, alguns até financiaram a compra de votos. Não tendo certeza de que Temer cairia, resguardam-se. A população, de sua parte, expressa na pesquisas seu repúdio ao governo mas não se anima a protestar nas ruas. Resignou-se ao infortúnio.
Posted: 28 Jul 2017 08:47 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

A maior parte do noticiário atual tem se ocupado dos impactos políticos e econômicos derivados da mais recente decisão da equipe comandada por Henrique Meirelles. Trata-se da opção por lançar mão do aumento de impostos para dar uma maquiadazinha na calamitosa situação fiscal de nosso País. Na verdade, o problema não está tanto na majoração dos tributos incidentes na cadeia de combustíveis em si. Mas principalmente pelo fato de se tratar de mais um evento de estelionato golpeachmental patrocinado por Temer.

Afinal o bloco majoritário que promoveu a retirada ilegal e inconstitucional da Presidenta legitimamente eleita foi useiro e vezeiro da ladainha contra o uso de novas elevações de medidas de tributação como instrumento de política econômica. Esse foi o caso da derrota da CPMF e de todas as outras tentativas de recompor o equilíbrio fiscal a partir de fontes de arrecadação. Afinal, o mote do Estado mínimo rima perfeitamente com a negativa em pagar impostos.

Todas as vezes que Lula e Dilma ousaram apresentar alguma opção nessa linha foram severamente bombardeados como gastadores, populistas, irresponsáveis, bolivarianos e por aí vai. O interessante é observar a mudança radical dos analistas vinculados ao financismo e à equipe dos sonhos da economia. O tom dos comentários e editoriais nos grandes órgãos de comunicação é totalmente diferente. Agora, a decisão de elevar PIS/COFINS incidente sobre diesel, gasolina e etanol é apresentada como uma inevitabilidade, uma triste necessidade inescapável para fechar as contas do governo federal. Coitado, em meio a tantas dificuldades a serem enfrentadas, dá mesmo até dó do Ministro da Fazenda...

Até então a turma do impostômetro era implacável na crítica a esse tipo de possibilidade. Isso para não mencionar o bombardeio sistemático de qualquer alternativa de uso de tributos para estabelecer um novo padrão de justiça social e econômica, com maior incidência de impostos sobre a renda e o patrimônio. O exemplo mais simbólico é a incansável luta contra a regulamentação do dispositivo previsto na Constituição desde 1988. Trata-se do Imposto sobre Grandes Fortunas, que deveria já estar definido em lei complementar específica há 29 anos, tal como determina o inciso VII, do art. 153 da Carta Magna.

Pois bem, o foco do debate na questão da arrecadação escamoteia a divulgação e análise das informações relativas ao comportamento da dívida pública federal. Como ocorre a cada mês, a Secretária do Tesouro Nacional (STN) divulga o relatório periódico com os dados relativos à evolução dessa importante referência de avaliação das condições macroeconômicas do País.

De acordo com os números oficiais do próprio Ministério da Fazenda, o estoque total da dívida pública federal em poder do público atingiu a marca de R$ 3,36 trilhões em junho de 2017. Esse valor representou um crescimento significativo ao longo de 12 meses. Há exatamente um ano, o estoque dessa dívida estava no nível de R$ 2,96 tri. Isso significa que houve um crescimento de R$ 400 bi no período. Antes de quaisquer conclusões apressadas a respeito de um suposto gigantismo nos números, é importante registrar que a existência de dívida pública não é nenhum problema em si. Antes, pelo contrário, o processo de endividamento público pode se traduzir em importante instrumento de política econômica. O importante é entendermos os “comos”, os “quantos” e os “porquês” de cada caso concreto a ser estudado.

Um aspecto relevante a ser observado é que o crescimento do estoque da dívida deu-se em período onde houve, também, o pagamento expressivo de juros sobre esse mesmo montante de títulos emitidos sob a responsabilidade do Tesouro Nacional. Ou seja, seguiu-se à risca o preceito da ditadura do superávit primário e os resultados das contas orçamentárias de natureza não financeira foram comprimidos para que sobrassem recursos para o pagamento dos compromissos da dívida. E mesmo assim, tal esforço não foi suficiente. Com isso, novos títulos foram emitidos e o estoque da dívida cresceu.

Os dados disponíveis no Banco Central a respeito do pagamento de juros mostram que no período maio de 2016 a maio de 2017 (12 meses) foram direcionados R$ 431 bi para esse fim. A tendência é que seja observada uma ligeira piora quando forem divulgados os dados de junho. O importante a reter é que houve um duplo movimento de primazia do financismo sobre a chamada “economia real”. Além de sorver essa parcela ponderável do orçamento da União com juros, o movimento apresenta o já mencionado acréscimo de novos R$ 400 bi em títulos públicos federais, provocando a elevação também no estoque da dívida.

Um indicador bastante utilizado para avaliar a evolução do processo de endividamento e a capacidade de cumprimento das obrigações no longo prazo diz respeito à relação dívida bruta/PIB. No caso brasileiro, estamos algo próximo a 73% para os dados de maio de 2017. Esse número é bastante inferior a outras economias, como Japão (250%), Grécia (179%), Itália (132%), Portugal (130%), Estados Unidos (106%), Canadá (92%) e média da zona do euro (89%). Como se pode verificar, a dívida pública mais ou menos elevada em si não é um problema. O que é relevante na análise é a capacidade de o Estado do país considerado apresentar um panorama futuro sustentável e capaz de assegurar o compromisso com tais títulos.

Porém, vale observar a evolução recente desse indicador brasileiro e associá-lo às opções de política econômica adotada ao longo dos últimos anos. Um ponto de virada parece ter sido a opção explícita pela política de austericídio a partir do final de 2014 e início de 2015. Com a consequente queda brutal da capacidade arrecadadora do Estado, as contas orçamentárias foram comprimidas pela redução das despesas de forma obtusa. Com isso, um dos efeitos terríveis foi a redução crescente das atividades econômicas em geral e a entrada em recessão desde 2015. E a engrenagem do círculo vicioso entra em operação, com queda ainda maior da arrecadação e mais recessão e assim por diante.

A Tabela abaixo mostra o comportamento indicador “dívida bruta/PIB” para o caso brasileiro o longo da última década. Entre 2007 e 2013, observa-se uma tendência de estabilidade da relação, com uma média de 55% ao longo do período. Como a recessão provoca a redução do Produto Interno, a queda do denominador provoca uma elevação na relação e o indicador cresce. Assim, a partir de 2014, o indicador começa a apresentar uma tendência de alta, passando de 56% para os atuais 73%.


Uma conclusão a respeito desse processo refere-se à falácia do discurso do financismo a respeito da importância de manter a política de geração de superávit primário. O principal argumento preconizava que o esforço fiscal era essencial para evitar o crescimento da dívida, uma vez que os juros seriam pagos com esse saldo derivado da redução dos gastos de natureza social e investimentos. Pois bem essa opção tem sido levada acabo há muito tempo. Com isso, o Brasil destinou mais de R$ 2,7 trilhões de seu orçamento público para o sistema financeiro para esse fim entre 2007 e 2017, por exemplo.

Ora, durante esse mesmo período, ao invés de ser reduzida ou se estabilizar, o estoque da dívida pública bruta saltou de R$ 1,5 trilhão para R$ 4,6 trilhões. Ou seja, vivemos o pior dos mundos. Foi realizado um esforço fiscal contracionista para pagar juros da dívida. E, simultaneamente, assistimos ao aumento dos valores nominais do próprio estoque de títulos emitidos. Uma loucura!

Mas na aprovação recente da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2018 foi incluído um importante dispositivo que pode auxiliar nesse problema. Ali está determinada a realização de uma auditoria da dívida pública brasileira durante o próximo ano. O artigo aprovado pelo Congresso Nacional diz o seguinte:

“Art. 91. Durante o exercício de 2018, será realizada auditoria da dívida pública, com a participação de entidades da sociedade civil, no âmbito do Ministério da Fazenda e do Banco Central do Brasil.”

Por mais que a intenção não seja a criminalização da política fiscal e nem a condenação do uso do endividamento como instrumento estratégico de uma política desenvolvimentista, o fato é que há muitas dúvidas a serem a esclarecidas a respeito do assunto. O debate amplo e aberto no legislativo, com participação de analistas de fora da máquina pública, pode contribuir para o aperfeiçoamento dos métodos e questionamento de práticas.
Posted: 28 Jul 2017 06:02 AM PDT
Por Aldo Arantes, no Blog do Renato:

O país enfrenta uma grave crise. A economia vai de mal a pior. A indústria e o comércio em sérias dificuldades. O desemprego atingiu 14 milhões de trabalhadores. Houve uma queda de 6% de suas rendas.
O governo, no seu objetivo de liquidar com os direitos dos trabalhadores, enfrentou dificuldades para aprovar a reforma trabalhista. A reforma da previdência encontra maiores dificuldades e setores governamentais falam em adia-la, temendo as consequências eleitorais. Mas o empresariado pressiona por sua aprovação.
As denúncias de corrupção contra um grande número de Ministros e o Presidente ilegítimo mostram a verdadeira face do governo. Por outro lado Temer enfrenta a denúncia da Procuradoria Geral da República por corrupção passiva. Tentando impedir seu acatamento, compra deputados.
Como decorrência deste quadro criou-se um clima de indignação contra Temer e seu governo. Tanto assim que as pesquisas indicam que seu governo tem reprovação de 94% do povo brasileiro.
Em face de tudo isto cresce a indignação popular. O povo luta por seus direitos e quer decidir os rumos futuros do Brasil através de eleições presidenciais. Por isto mesmo a direita procura encontrar os caminhos de saída construindo alternativas, todas elas visando impedir que a esquerda retorne ao governo federal.
A primeira delas visa impedir que o ex-presidente Lula seja candidato. Foi com este objetivo que o juiz Sérgio Moro o condenou, sem provas. Esta alternativa encontra dificuldades porque além de depender do julgamento em segunda instância há a possibilidade de recurso ao Supremo Tribunal Federal para assegurar a candidatura do Ex-presidente, conforme garantido pela Lei da Ficha Limpa. Tudo isto, porém está condicionado a prazos o que pode inviabilizar mesmo que a condenação de Lula seja confirmada em todas as instâncias.
A segunda alternativa seria a realização de eleições com um Lula fragilizado politicamente. Esta posição foi defendida pelo prefeito de São Paulo, João Doria, e pelo presidente do Banco Itaú. Para esta alternativa contribuiria a condenação do Ex-presidente. A propaganda da direita procuraria denunciá-lo como criminoso condenado pela justiça. Diante dos altos índices de popularidade de Lula, também esta alternativa enfrenta dificuldades.
Mais recentemente surgiu uma nova alternativa: impedir a realização de eleições presidenciais diante da dificuldade de se colocar em prática as demais alternativas. A lógica neoliberal não admite um retorno às políticas de redistribuição de rendas e de afirmação da soberania do País. Todavia, também não é fácil esta alternativa, sobretudo em função da revolta da população com a atual política resultante do golpe.
A evolução dos acontecimentos é imprevisível. Estamos diante da possibilidade da consolidação do golpe com o aprofundamento de suas políticas de corte de diretos e de entrega do nosso patrimônio. Com este objetivo foi construída uma poderosa aliança de forças internas e internacionais.
A alternativa de impedirem a realização de eleições não pode ser descartada. O desenvolvimento capitalista, nas condições do neoliberalismo, alterou o perfil do estado e colocou a necessidade de novas formas de luta. Gramsci, analisando a luta política nas condições da sociedade burguesa moderna, demonstrou a necessidade da construção de uma contra hegemonia para assegurar a vitória política.
Nos dias de hoje o objetivo da conquista da hegemonia tornou-se mais complexa em função do papel jogado pela mídia, pelo sequestro da maioria da representação política, do judiciário e do ministério público pelo poder econômico. Se isto não bastasse impuseram uma verdadeira subversão das constituições e das leis. Este fenômeno tem sido descrito por destacados juristas europeus que afirmam estar havendo uma superposição do que chamam de constituições informais, aquelas que atendem aos interesses do capital financeiro, sobre as constituições formais aprovadas democraticamente. No Brasil o golpe foi dado sob a falsa alegação de fundamento constitucional.
Este cenário coloca diante da esquerda e do povo brasileiro a importância da continuidade da luta contra as reformas e pelo Fora Temer. A união de importantes setores de esquerda e dos trabalhadores assegurou a realização de grandes mobilizações de rua. Tal aliança deve ter continuidade.
Todavia a nova etapa do golpe, que está sendo urdida, exige uma aliança que ultrapasse em muito a esquerda e os segmentos politizados da sociedade. É essencial que atinja segmentos menos politizados e mesmo despolitizados conquistados pelo falso combate à corrupção, orientado contra a esquerda. E, sobretudo, contra seu projeto de Nação.
Trata-se, portanto de reconquistar a hegemonia política e de ideias junto ao povo brasileiro. E não basta a luta política. Nas novas condições da luta é fundamental a luta de ideias que tem faltado à esquerda. Não se trata de uma tarefa fácil. Mas é a única alternativa possível para a retomada da iniciativa política.
Esta saída passa necessariamente pela construção de uma ampla frente política que inclua os segmentos democráticos e nacionalistas, com protagonismo destacado dos trabalhadores, setores médios da população, segmentos religiosos e do que resta de mídia democrática.
Esta aliança deverá estar alicerçada em um programa que desperte o entusiasmo do povo. Para isto é de muito importante que tal programa reafirme as conquistas obtidas e proponha outras, fruto de uma análise dos erros e debilidades das experiências no governo federal.
A construção de um núcleo de esquerda, com afinidade tática e estratégica, poderá exercer importante papel para o êxito desta nova fase de lutas. No curto prazo coloca-se a luta em defesa das eleições diretas para a Presidência da República.
A hora não é de pessimismo, mas de luta. De trabalho visando reconquistar a hegemonia política e de ideias na sociedade para retomar o caminho civilizatório que o povo brasileiro vinha trilhando.
Posted: 28 Jul 2017 05:47 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A indignação do conservadorismo verde-amarelo diante Assembléia Constituinte Venezuelana só pode ser vista como um insulto aos brasileiros. Do ponto de vista de democracia, não tem nenhuma reserva moral ou política para reclamar da situação.

Neste domingo, os venezuelanos irão às urnas para escolher 545 membros de uma Assembléia Constituinte, que serão encarregados de formular uma nova carta de leis para o país.

Você deve ter lido e ouvido críticas ao processo, e eu aconselho a leitura de uma entrevista do jurista Luiz Moreira, aqui neste espaço, para alguns esclarecimentos.

Em qualquer caso, não vamos perder de vista o principal: enquanto o país vizinho, descrito como uma "ditadura", matriz do "populismo" bolivariano, realiza eleições para permitir que a população possa escolher, no voto em urna, direto, como ficará a ordem econômica, social e política do país, os brasileiros estão reduzidos a uma posição de cativeiro político. Alguma dúvida?

São parlamentares, escolhidos pelas eleições mais corruptas de nossa história, que estão definindo o futuro de uma população de 200 milhões de pessoas, numa escandalosa Constituinte sem voto. Descaradamente, jamais submeteram seus projetos a qualquer tipo de consulta popular. Sabem que seriam rejeitados por margens gigantescas, como mostram pesquisas com índices de reprovação na base se cinco contra um ou até mais. Foi assim que se enterrou uma legislação trabalhista de mais de 70 anos. É assim que se pretende passar a faca na Previdência Social. Também se aprovou uma lei de limites de gastos que irá cortar pela raiz o embrião de Estado de bem-estar social e impor ao país um regime de austeridade que pretende bloquear investimentos necessários ao desenvolvimento por duas décadas.

Não custa lembrar que eles afastaram uma presidente sem crime de responsabilidade configurado e, mais uma vez em troca de mais dinheiro, pretendem manter em seu cargo um sucessor comprometido definitivamente em denúncias de corrupção.

Temer é, na prática, o Constituinte do Brasil 2017. Henrique Meirelles, aquele que recebeu R$ 217 milhões em cinco anos, preferindo deixar tudo depositado no exterior, é seu relator.

Eles não enfrentam operações da CIA. Nem uma oposição que comete atos terroristas que a imprensa amiga acoberta. Seu primeiro ato de governo foi repassar a riqueza do pré-sal para os padrinhos do Norte. Recusando-se a fazer o mesmo, o governo Maduro resiste. Aos trancos, em muitos barrancos. Mas não entrega. É por essa razão -- que nada tem de nobre -- que pretendem derrotá-lo de qualquer maneira, sob qualquer pretexto.

A Venezuela enfrenta uma situação de conflagração política aberta -- e é preciso ser muito desonesto para apontar erros cometidos pelo governo Maduro como principal causa da situação.

Conhecido por uma elite que mantém reservas, no exterior, infinitamente superiores aos investimentos e depósitos que realiza no território nacional, a Venezuela encara conspirações e atos sucessivos de sabotagem política e econômica, desde a posse de Hugo Chávez, eleito em 1999, num pleito que rompeu um esquema café-com-leite que os brasileiros conheceram muito tem até 1930. Ele foi reeleito mais duas vezes, sempre por margens jamais contestadas, ainda que enfrentasse uma oposição cada vez mais ousada e inescrupulosa do ponto de vista dos valores democráticos.

Recordando: em 1999, uma primeira Constituinte foi simplesmente boicotada pela oposição, na esperança de que a maioria arrasadora do governo -- 121 votos num plenário de 130 -- levaria a uma crise e uma intervenção militar norte-americana. Nada. Três anos depois, tentou-se derrubar o governo eleito pela paralisação da PDVSA, a empresa de petróleo, principal e quase única fonte nacional de riqueza. A seguir, ocorreu um golpe de Estado, que incluiu o sequestro de Hugo Chávez. A reação popular impediu que o presidente fosse executado, garantiu o retorno de Chávez ao palácio consolidou o apoio das Forças Armadas ao governo.

Quando alguém reclamar de Maduro, lembre-se de Temer. Aqui, a oposição venezuelana chegou ao poder.
Posted: 28 Jul 2017 05:36 AM PDT
Por Dayane Santos, no site Vermelho:

Com uma base aliada esfacelada e recorde de impopularidade, o governo de Michel Temer já cogita abandonar a votação da reforma da Previdência, que era parte do pacote de reformas prometido ao mercado financeiro.

Se a proposta de reforma já não tinha consenso entre os parlamentares – inclusive da base aliada – agora, diante do desgaste do governo e por exigir um quórum especial, isto é, três quintos dos parlamentares em dois turnos de discussão, a votação da emenda constitucional da reforma da Previdência perde força.

“Acredito que a reforma da Previdência subiu no telhado e não será votada nessa legislatura”, afirmou o deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA). “O governo não tem força política para garantir a aprovação, pois antes se movia para promover reformas, agora se move única e exclusivamente para se manter no poder. Os argumentos do governo, mais cedo ou mais tarde, vão acabar”, completou.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) lembra que a votação da reforma trabalhista passou com certa facilidade porque se tratava de um projeto de lei complementar, com exigência de quórum simples. “Agora, a reforma previdenciária não. Desde o início, diversos deputados e senadores da base aliada disseram que não iam se comprometer com ela e, sobretudo, agora com esse descrédito e falta de legitimidade”, afirmou o deputado.

“Acho muito difícil que essa reforma passe. Não estou dizendo que eles não pautem, mas acho difícil que eles consigam aprovar”, completou Damous.

Base aliada jogou a toalha

Entre os parlamentares da base aliada, o discurso também demonstra que o governo, por enquanto, perdeu as condições de votar o tema, que foi para o banho-maria. A conversa nos bastidores é que se entrar na pauta, o texto não será mais o original, sendo apresentada um versão de minirreforma.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputado, disse que a reforma vai entrar na pauta ainda em agosto e com o texto original. Mas outros deputados da base já admitem que, se a Procuradoria apresentar outras denúncias contra Temer – o que deve acontecer antes da saída de Rodrigo Janot, em setembro – não haverá chances de o texto ser aprovado ainda em 2017.

“Temos que votar a reforma da Previdência entre agosto e setembro ou não dá mais tempo”, disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP) à Reuters.

“Já não tínhamos os 308 votos. Se for necessário [desidratar a reforma], é pouca coisa para conseguir a aprovação”, acredita o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos integrantes da tropa de choque do governo Temer.

Em matéria publicada pela Folha de S. Paulo, parlamentares da base aliada apontam a proximidade com as eleições de 2018 como um fator preocupante, já que a população é contra a agenda de reformas.

“Não é hora. Falei isso para o presidente numa conversa, há um mês. Disse ‘esqueça esse assunto de Previdência’”, afirmou o líder do PSD, Marcos Montes (MG).

Na agenda de votações da Câmara, o governo tem a denúncia por corrupção passiva, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e a reforma política, que por conta do calendário eleitoral deve ser votada ainda neste mês de agosto.

A preocupação dos deputados é que com essa pauta, a votação da reforma da Previdência ficaria muito próxima da campanha eleitoral.

“Obviamente só daria para votar isso agora no segundo semestre, ano que vem nem pensar”, afirma Marcus Pestana (PSDB-MG).
Posted: 28 Jul 2017 05:32 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Os rolos empresariais de Henrique Meirelles vêm de longe.

Em 2004, o PSDB pediu a sua demissão do Governo Lula porque seu primo (e procurador) Marco Túlio Pereira de Campos, foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando embarcava para Brasília levando na pasta R$ 32 mil em espécie.

Ele era acusado de ter aberto uma empresa quando já estava no Governo, a Catenária Participações, aberta em Goiás, em 2003, tendo o então presidente do BC e a mãe, Diva, que tinha então 94 anos, como sócios. Ele, com R$ 299.970 e a mãe com meros R$ 30.

Não é louvável a atitude de premiar a mãe, idosa, com 0,01% do capital de uma empresa?

A Dona Diva morre em 20 de julho de 2006, aos 97 anos, mas isso não impede que a empresa seja transferida, em 27 de outubro seguinte para São Paulo, ainda com ela constando como sócia. Não é uma acusação leviana, o documento de registro na Junta Comercial está aqui.

No ano seguinte, em 16/02/2007 , é feito um aumento de capital para R$ 400 mil. Dona Diva, lá no céu, continua com 30 reais, apenas.

Só em abril de 2012 ela é retirada da sociedade, assumindo, com participação societária de R$ 1 , um certo Lourival Kos Antunes Maciel, diretor e responsável pela empresa, ex- Fininvest, que acabara de deixar o cargo de diretor presidente da Distribuidora Finabank de Títulos e Valores Mobiliários, comprada por um grupo colombiano.

Aparece aí pela primeira vez um sobrenome japonês, Kishyiyma. Eduardo torna-se sócio da Catenária, com participação de 16 reais.

Pouco antes, em 22/07/2011 , a Catenária havia fundado a “Nova Catenária” , empresa de capital registrado de apenas R$ 10 mil (dos quais R$ 9.999,00 de Henrique Meirelles, com o objeto social de promover “Serviços de Organização de Feiras, Congressos, Exposições e Festas”, além de treinamento e desenvolvimento gerencial. O registro na Junta Comercial está aqui.

Em fevereiro de 2012, ela muda de nome para Nova Catenária Consultoria Empresarial e passa a prestar serviços de “Consultoria em Gestão Empresarial” e, dois meses depois, muda o nome para Henrique Meirelles & Associados, com R$ 1.099.999 e O Lourival com R$ 485 e Eduardo Kishyiama, com os tais 16 reais.

Então aparece o personagem Fernando Hideo Kishiyama,

Até então um desconhecido, que só saíra nos jornais por ter escapado com vida de um acidente no Jabaquara, em 2004, Fernando assume em 2015 o lugar de Lourival Kos e se torna sócio também de Henrique Meirelles numa pequena empresa, de mil reais de capital registrado, a Campos Meirelles Participações Societárias. Registro aqui.

Mas o que tem de mais o senhor Fernando Kishiyama?

Pois ele é “testa” de duas empresas off-shore das Bahamas, a Aosta e a a Horus, ambas localizadas no Bahmas Fibnacial Centre, na Shirley& Chalotte Street, na capital, Nassau, quarto andar, endereço manjadíssimo do “Panamá Papers“.

Tudo isso com duas horas de Google.

Imaginem se o Lula tem 5% desta história, que powerpoint daria? Imaginem se o Lula pusesse a Dona Lindu com 30 reais de sócia de suas empresas?
Posted: 28 Jul 2017 05:28 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi aos EUA prestar contas de suas ações, mas não explicou porque, no Brasil, as delações premiadas se tornaram essa palhaçada.

Há alguns meses, uma delação bombástica ocupou a capa de todos os jornalões. Joesley Batista teria dito, em sua delação premiada, que Lula e Dilma tinham uma conta no exterior, onde receberam US$ 150 milhões em propina.

A notícia tem sido desmentida, desde então, em notas de pé de página.

Hoje, na coluna de Monica Bergamo, mais uma pá de cal sobre a mentira, que desmoraliza não apenas essa delação, mas o próprio Ministério Público Federal.



No mundo da razão, as informações acima significariam o seguinte: as contas não apenas nunca foram de Lula ou Dilma, como também não eram “separadas” para Lula ou Dilma. A história toda é uma mentira de Joesley.

Entretanto, a questão nem é mais a mentira – já confirmada de mil maneiras – de Joesley sobre essas contas e sim uma outra: por que Joesley mentiu? Ou: quais foram os procuradores que forçaram Joesley a mentir e dar declarações que iriam se tornar, imediatamente, capas de jornais e revistas?

O instituto de delação premiada tornou-se o principal instrumento do arbítrio. Setores do Ministério Público e da Polícia Federal, por sua vez, tornaram-se mais criminosos do que os bandidos que entrevistam.

Eu não aprovo a delação, nem a conduta desses empresários, mas os compreendo: sob ameaça de longas e ilegais prisões cautelares e da destruição de suas empresas, eles decidem fazer o jogo do MPF e falar qualquer coisa sobre Lula, Dilma e o PT. O prêmio é o maior de todos: a liberdade, em primeiro lugar, e a manutenção de seu patrimônio.

Veja o caso da Odebrecht e de todos os empresários: se tivessem, desde o primeiro dia, se decidido a contar as mentiras que os procuradores da Lava Jato exigiam, talvez pudessem ter salvo suas empresas. Como ainda possuíam um pouco de dignidade, resistiram o máximo que puderam. Possivelmente não acreditaram que os tribunais superiores iriam dar salvaguarda aos arbítrios de Sergio Moro. Nem seus advogados nem ninguém ousou imaginar que a Lava Jato estivesse disposta realmente a destruir o país inteiro apenas como fito de converter suas teorias mentirosas em depoimentos arrancados, sob tortura, dos réus.

Alguém poderá falar: ah, mas as contas existiam, multas foram pagas, etc. Sim, é claro que a Odebrecht e todas as empresas tinham contas no exterior. Era uma empresa que operava em mais de 20 países. É claro que eles tinham relações com políticos. É claro que não eram santos. Mas a Lava Jato precisava corroborar uma teoria específica, e para isso tinha de chantagear empresários e políticos.

Ainda na Monica Bergamo, que está sendo usada agora porque outros veículos já estão meio “queimados”, temos mais um vazamento típico da Lava Jato: antes mesmo das delações existirem. Quer dizer, agora houve uma inovação: a delação é vazada sem que se saiba quem é o delator.



Entenderam como é? Alguém, uma empresa, que você não sabe quem são, vai delatar Temer e Franco. Não se sabe o que vão delatar, quando vão delatar, se há provas ou não, mas a matéria já vale uma manchete.

É a desmoralização completa do instituto da delação premiada, esse excrescência importada dos Estados Unidos.

É bom repetir, sempre, as diferenças: nos EUA, a delação fica em sigilo absoluto. Se vazar, é anulada automaticamente. Aqui é vazada antes mesmo de existir e ninguém cogita anulá-la. Nos EUA, precisa ser acompanhada de provas. Aqui, não, apesar do falatório vazio de Janot: vide a condenação de Lula, inteiramente baseada numa delação informal, com direito inclusive a mentir, de Leo Pinheiro. Nos EUA, procurador é nomeado e demitido diretamente pelo presidente da república. Não tem autonomia. Aqui, é um príncipe mais poderoso que o presidente da república.
Posted: 28 Jul 2017 05:22 AM PDT
Por Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:

Em pouco mais de um ano, Michel Temer conseguiu um improvável feito: reduzir o País à condição de colônia, submetida a uma nova metrópole. Diante da impossibilidade físico-temporal de retroagir no tempo, seu projeto guarda certas singularidades em relação ao modelo do Brasil Colônia, mas a arquitetura é a mesma.

Com um mercado doméstico fragilizado e abastecido por produtos manufaturados importados, a produção orienta-se quase exclusivamente para o mercado externo. Como no passado, os produtos de exploração são as commodities agrícolas e minerais. As adaptações impõem-se por força das atuais circunstâncias. Os juros da dívida pública somam-se aos valiosos artigos oferecidos ao mercado.

A metrópole não é mais Portugal e, sim, as multinacionais e o sistema financeiro. Em vez da mão de obra escrava, o trabalho assalariado precarizado, o que igualmente inviabiliza o consumo interno. No lugar dos poucos representantes da Coroa portuguesa, um Estado mínimo, ausente na prestação de serviços essenciais à sociedade.

A análise é do economista João Sicsú, ex-diretor de Políticas e Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor do Instituto de Economia da UFRJ.

“Do congelamento dos gastos públicos por 20 anos à reforma trabalhista recém-sancionada, todas as iniciativas do governo Temer levam à conversão do Brasil em uma plataforma exportadora de produtos básicos, pois o mercado doméstico está sendo dilapidado”, afirma.

“O barateamento da mão de obra não traz qualquer vantagem competitiva para quem produz para o consumo interno, pois todos os empresários terão esses custos reduzidos e, a médio prazo, o rebaixamento salarial afetará ainda mais o poder de compra das famílias.

Somente quem produz para o mercado externo terá algum benefício. O País, por decisão da elite política e financeira, entrará na divisão do trabalho globalizado como uma colônia moderna.”

A dependência do mercado internacional torna-se cada vez mais evidente. Em dois anos de recessão, 2015 e 2016, o PIB brasileiro encolheu 7,2%. Festejado pelo ministro da Fazenda,Henrique Meirelles, o crescimento de 1% verificado no primeiro trimestre deste ano deve-se, sobretudo, à supersafra agrícola e às exportações, que cresceram 4,8%.

Sem isso, a variação do PIB ficaria próxima de zero, pois houve queda no consumo das famílias (-0,1%), do governo (-0,6%) e do investimento (-1,6%).

Até mesmo a geração de empregos formais tem sido salva pelo boom do agronegócio. Entre demissões e contratações, foram gerados 67,3 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2017. O campo criou 117 mil vagas e compensou o mau desempenho de setores como comércio (123 mil vagas fechadas) e construção civil (33,1 mil vagas a menos).

Com 14,2 milhões de desempregados, segundo o último balanço divulgado pelo IBGE, o Brasil vê o seu mercado doméstico evaporar. Do último trimestre de 2014 até o primeiro de 2017, o consumo das famílias contraiu-se cerca de 10%. O problema tende a se agravar com a precarização da mão de obra.

Sancionada por Temer sem vetos, a reforma trabalhista altera 117 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e fere de morte todo o arcabouço jurídico de proteção laboral. Com as brechas abertas na legislação, empregados formais podem ser substituídos por falsos autônomos e por falsas pessoas jurídicas, eximindo os tomadores de serviços do pagamento de direitos como férias e 13º salário, além de afastar a ameaça de processos na Justiça do Trabalho.

Legalizou-se, ainda, um extenso leque de vínculos empregatícios precários, assentados em contratos de trabalho temporário, parcial e intermitente. “Os Programas de Demissão Voluntária abertos em bancos públicos e privados são os primeiros sintomas dessa reforma”, diz Ana Cláudia Bandeira Monteiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho.

“Agora, as empresas têm várias opções para baratear o custo da mão de obra. De nada adianta estabelecer uma quarentena para evitar que o funcionário seja demitido e recontratado pela mesma empresa. Com tantos desempregados, há um enorme exército de reserva.”

Enquanto o poder de compra do trabalhador está ameaçado, a capacidade de investimento do Estado está comprometida desde a aprovação da Emenda 95, no fim do ano passado. Até 2036, o aumento dos gastos federais está restrito à variação da inflação.

Em outras palavras, a União não poderá destinar mais recursos para projetos de infraestrutura ou para áreas historicamente subfinanciadas, como saúde e educação. Ademais, a contração de despesas públicas reduz ainda mais a demanda interna.

“É uma camisa de força. Ainda que a população eleja, nas próximas eleições, um governante comprometido com um programa de desenvolvimento nacional, ele estará amarrado à regra.

Precisaria ter maioria qualificada no Parlamento para alterar a Constituição”, lamenta Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp. A medida ameaça o futuro do País. O congelamento de gastos inviabiliza, por exemplo, o cumprimento da meta de universalizar o atendimento das crianças e adolescentes em idade escolar até 2020, como prevê o Plano Nacional de Educação.

Atualmente, 2,8 milhões de brasileiros entre 4 e 17 anos estão fora da escola, segundo o Censo Escolar.

“Além da questão quantitativa, há o desafio de melhorar a qualidade da educação pública, o que implica melhor formação dos professores, investimentos em material didático alinhado com as novas diretrizes curriculares e também a valorização da carreira docente”, alertou o filósofo Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, quando o Congresso debatia o tema.

Na Saúde, o congelamento de gastos ganha contornos dramáticos. Estima-se que a população idosa passará de 16,8 milhões em 2016 para 36,1 milhões em 2036. Além da transição demográfica, há uma mudança no padrão de enfermidades.

A partir de 2030, projeta a Organização Mundial da Saúde, as principais causas de mortalidade no mundo não serão mais as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, e sim as neoplasias (câncer), que têm um custo de tratamento muito superior.

“Enquanto o quadro epidemiológico se torna mais complexo, enquanto a população envelhece velozmente, enquanto a pressão da sociedade pela incorporação de novas tecnologias se agudiza, o governo acena com um futuro de graves restrições do ponto de vista econômico para a saúde”, resume o médico sanitarista José Gomes Temporão, ex-ministro de Lula, em recente artigo publicado no site de CartaCapital.

Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Ronald Ferreira dos Santos alerta para a progressiva diminuição de recursos para a área. “No decorrer de 20 anos, o porcentual de gastos públicos vai cair de 3,8% para 1% do PIB”, afirma. “Vai ferir de morte o SUS. Se a medida não for revertida, podemos desistir da ideia de um sistema universal de saúde.”

Atualmente, há seis ações no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da Emenda 95, apresentadas pela Associação dos Magistrados Brasileiros, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, pela Federação Nacional dos Servidores e Empregados Públicos Estaduais e do Distrito Federal e por três partidos políticos: PDT, PSOL e PT.

Em parecer entregue à Corte na segunda-feira 17, a Defensoria Pública da União pediu para participar dos processos na condição de amicus curiae. A entidade sustenta que a medida promove um “desmantelamento do Estado”, além de inviabilizar o direito à saúde e à educação pelo estrangulamento de recursos.

Bode introduzido na sala pelo próprio governo, a Emenda 29 tem sido utilizada como instrumento de chantagem para a açodada aprovação da reforma da Previdência.

Sem ela, vaticina o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, a União não teria condições de pagar todas as aposentadorias e pensões a partir de 2020 – ultrapassaria o teto de gastos em 2,6 bilhões de reais.

Segundo a proposta de Temer, o trabalhador deve acumular 25 anos de contribuição para ter acesso à aposentadoria parcial, e 49 anos para ter direito ao valor integral. A exigência, associada à liberação das terceirizações e de outras modalidades de trabalho precário, pode excluir grande parcela da população, alerta Fagnani, da Unicamp.

“É preciso considerar que esse trabalhador viverá diversos períodos de inatividade. Portanto, esse período de contribuição pode representar, na verdade, 35, 40 anos de serviço, dentro e fora do sistema formal.”

Na modalidade de trabalho intermitente, para citar um exemplo, o empregado é convocado para trabalhar com três dias de antecedência, momento no qual é informado da jornada a ser cumprida. Ele pode aceitar ou não a proposta, e receberá apenas pelo período efetivamente trabalhado, em horas.

O tempo de inatividade, no qual fica à disposição do contratante, é desconsiderado. Ao cabo, esse funcionário sequer tem a garantia de que trabalhará o suficiente para amealhar um salário mínimo. Caso isso aconteça, ele terá de complementar do próprio bolso a contribuição previdenciária correspondente ao mínimo. Sem isso, o mês trabalhado não contará no cálculo da aposentadoria.

Em relatório apresentado na sede das Nações Unidas no início de julho, um grupo de mais de 20 organizações da sociedade civil, que monitora o cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, alerta para o risco de pauperização dos brasileiros em um cenário marcado pelo elevado desemprego, pela supressão de direitos trabalhistas e pelo congelamento dos gastos públicos por 20 anos. Três anos após o Brasil sair do Mapa da Fome da ONU, a insegurança alimentar volta a ameaçar as famílias mais pobres, emendam as entidades.

Ex-ministra do Desenvolvimento Social de Dilma Rousseff e uma das responsáveis pela drástica redução dos índices de extrema pobreza e insegurança alimentar nos últimos anos, Tereza Campello alerta, ainda, para a redução do número de beneficiários do Bolsa Família. “Quando Dilma Rousseff deixou o cargo, em maio de 2016, o programa beneficiava 13,8 milhões de famílias.

Hoje, contempla 12,7 milhões. Ou seja, mais de 1 milhão de famílias, ou 4 milhões de brasileiros, ficaram sem esse complemento de renda”, observa. “Tenho notícias de que as pessoas batem na porta da assistência social, mas enfrentam muitos obstáculos. Fala-se em 550 mil inscritos à espera de receber o benefício. Acredito que a fila é muito maior, e tem gente sendo desligada.”

No fim de junho, o governo decidiu suspender o reajuste do Bolsa Família que havia prometido. O aumento de 4,6% no benefício não cabia no Orçamento, por gerar um impacto de 800 milhões de reais em 2017, justificou o ministro Osmar Terra, atual titular da pasta do Desenvolvimento Agrário. Duas semanas depois, Temer sancionou uma lei com reajustes nos salários de auditores fiscais, médicos peritos, técnicos do Banco Central e outras categorias de servidores – um impacto de 8 bilhões de reais, dez vezes mais do que seria gasto com o Bolsa Família.

Não é a primeira vez que o governo favorece castas privilegiadas do funcionalismo. Em 29 de dezembro, Temer reajustou o salário mínimo de 880 para 937 reais, abaixo do valor autorizado pelo Congresso no Orçamento da União: 945 reais.

Um dia depois, Temer publicou no Diário Oficial da União a Medida Provisória 765, a prever reajustes salariais para oito categorias de servidores federais, incluindo auditores fiscais e diplomatas, com vencimentos iniciais superiores a 19 mil reais.

A concentração de riqueza e a pauperização dos trabalhadores inviabilizam qualquer projeto de desenvolvimento com soberania, alerta Sicsú. “Para não ser dependente da demanda externa, é indispensável ter um mercado interno forte, com milhões de consumidores com poder de compra. Infelizmente, o Brasil reduziu-se, por decisão política, ao papel de uma mera colônia, que de tempos em tempos sofrerá os abalos causados pela variação do preço das commodities.”
Posted: 28 Jul 2017 05:16 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:
Apenas para efeito de avaliação: a não ser consultorias geopolíticas de altíssimo nível, como as de Henry Kissinger, não existe consultoria para negócios no Brasil, pelo menos nas áreas de especialização de Henrique Meirelles, que justifique os ganhos obtidos nos últimos anos.

Meirelles nunca foi um consultor estrategista. Muito menos um executivo que se destacasse. No seu tempo no Bank Boston o máximo que chegou foi a Global President, ou seja, diretor da área internacional do banco, representado apenas por ativos no Brasil e na Argentina.

Nunca foi um formulador de grandes engenharias societárias, nem um prospectador de novos negócios, como um André Esteves, por exemplo.

O bem de valor que poderia oferecer, para ter direito aos ganhos que acumulou, era lobby na veia. Não apenas a mera indicação sobre o caminho das pedras, mas o acesso direto às várias áreas sensíveis da economia.

Some-se o fato de que sempre foi um ministeriável, o homem do mercado junto aos diversos governos, de Lula a Temer. O que lhe garantia uma fidelização maior dos técnicos do governo.
Posted: 28 Jul 2017 05:11 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O ex-presidente da CBF entre 1989 e 2012, Ricardo Teixeira, está sendo procurado pela polícia de dois países.

Na Espanha, é acusado de lavar dinheiro de comissões ilícitas recebidas na venda de amistosos da seleção brasileira.

Ele teria formado uma “organização criminosa” com o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, preso há quase dois meses.

Nos EUA, responde por fraude, lavagem de dinheiro e por embolsar propinas para beneficiar empresas de marketing esportivo. Sua prisão é pedida desde 2015.

Vivendo no Rio de Janeiro, Teixeira está de boa na lagoa, já que não pode ser extraditado. “Tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não”, disse à Folha recentemente.

Teixeira não começou ontem. Pôde barbarizar em seu reinado futebolístico com a blindagem total da Globo, sua sócia.

A emissora levou as Copas de 2010 e 2014 por 220 milhões de dólares, pagos à Fifa, 100 milhões pela primeira e 120 pela segunda. A Record foi preterida com uma oferta de 360 milhões de dólares.

Houve algumas tentativas de CPI na Câmara Federal. Em 2016, Teixeira faltou a seu depoimento apresentando um atestado médico. Teria se submetido a uma cirurgia no hospital Albert Einstein.

Em 2011, a revista Piauí publicou uma longa e reveladora matéria sobre esse casamento. Ricardo Teixeira e a repórter Daniela Pinheiro se encontraram em Zurique dez vezes.

O entrevistado falou muito e de quase tudo, mas o assunto principal foi seu vínculo de confiança e cumplicidade com a TV Globo (em contraposição a seu ódio mortal do jornalista inglês Andrew Jennings, autor das reportagens mais devastadoras sobre a corrupção no esporte).

“Só jornalista fala mal de mim”, diz. Não os da Globo. Teixeira se orgulhava de sua parceira não repercutir denúncias contra ele. “Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional”, afirma.

Daniela conta de um empresário que lhe confidenciou, num certo momento, o receio de ser entrevistado pela Rede Globo sobre pacotes de viagem para a Copa de 2014 com “preços estratosféricos”.

“Não vai ter isso, não: está tudo sob controle”, declarou o cartola.

Daniela faz referência a um Globo Repórter sobre a CPI da Nike em que se deixava claro que o estilo de vida do empresário era incompatível com sua suposta renda.

Ele deu o troco alterando o horário de uma partida entre Brasil e Argentina. Foi a última ocasião em que saiu uma matéria negativa sobre a CBF.

“Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo”, afirmou. “Em 2014 posso fazer a maldade que for. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada”.

A promiscuidade era absoluta. “Antes de pagar a conta no restaurante, Teixeira falou pelo telefone com Evandro Guimarães, lobista da Globo em Brasília. Trocou ideias sobre inseminação de bovinos, uma de suas mais novas atividades”, relata a reportagem.

São os bandidos de estimação. Eis Ricardo Teixeira, eis a Globo, eis o Brasil. Não há a menor possibilidade de dar certo.
Posted: 28 Jul 2017 05:01 AM PDT
Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

As dificuldades que a esquerda enfrenta para chegar a 2018 não são poucas. Ela precisa trabalhar por uma unidade que alguns questionam, para ter força diante do golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff do governo, tendo pela frente a ofensiva judicial contra sua mais forte alternativa eleitoral, o ex-presidente Lula. Precisa também entender por que as reformas de Michel Temer não estão provocando movimentos de rua da magnitude esperada e refletir sobre seus próprios erros.

Para Roberto Amaral, cientista político e um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, a esquerda está unida, assim com esteve diante do impeachment de Dilma. “Eu diria que a esquerda diante do golpe está unida. PT, PCdoB e Psol são contra o golpe, assim como o PDT. O que não conseguimos foi construir uma frente ampla. Mas uma frente de esquerda antigolpe já existe”, afirma. “A Frente Brasil Popular, que agrega, além do PCdoB e do PT, a CUT e a CTB, e a Frente Povo sem Medo, mais próxima do PSol, todos têm trabalhado juntos quando diz respeito a uma ação contra o governo e lutaram contra impeachment.”

Mas ele adverte que a esquerda sozinha pode não conseguir reunir a força necessária para o tamanho da empreitada e continua a defender uma política de frente: "Precisamos ampliar com forças para além da esquerda, pois do contrário não derrubaremos esse regime".

Outra questão, diz, é por que as mobilizações mais recentes foram menores do que se esperava, ou por que não houve “correspondência entre a nossa vontade e a nossa capacidade de mobilização?". Para ele, essa “é uma questão mais profunda”. “Existem hipóteses: uma, a de que os partidos e as organizações não estão realmente empenhados nisso; outra, que estão empenhados, mas não têm mais tanta representatividade.”

Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, Guilherme Boulos, coordenador da Frente Povo sem Medo, relembra as principais mobilizações promovidas entre março e maio de 2017 e diz que “as ruas não estiverem ausentes no processo”. Ele cita em especial a greve geral de 28 de abril e as manifestações de 24 de maio, quando “o governo chamou o Exército para reprimir 150 mil pessoas em Brasília”.

Mas, como Amaral, reconhece que a população foi tomada por certa apatia e um sentimento de “impotência”, com o sucesso do governo no Congresso, na condução da reforma trabalhista e da Previdência (aprovada em comissão especial da Câmara).

Perguntado por Amorim se considera que Lula pode unir os diversos movimentos em torno da candidatura à presidência da República em 2018, Boulos afirmou que o que virá daqui até o ano que vem é imprevisível. “Não sabemos se o Lula será candidato, se o Temer será o presidente até lá, em que nível vai estar o termômetro das ruas e da insatisfação social, e se esses 97% de reprovação ao Temer vão se traduzir em algum grau maior de mobilização social.”

Ele defendeu “o direito do Lula ser candidato”. “Querer resolver eleição no tapetão, como Sergio Moro está fazendo, como de maneira descarada o Judiciário tem feito, é inadmissível e deve gerar mobilização de movimentos sociais”, acrescentou.
Autocrítica

Para o analista política Antônio Augusto de Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), não existe caminho de curto prazo. A esquerda “precisa investir em formação de quadros, na formação de consciência política, na necessidade das reformas estruturais e na denúncia do golpe”.

Em sua avaliação, durante o período em que foi governo houve erros estratégicos e de comunicação, o que explica em parte a dificuldade de mobilizar grandes massas. “A esquerda deixou em segundo plano a formação política de novos quadros. Também não politizou as políticas públicas, como a do salário mínimo, e os benefícios que trouxe à população a partir dessas políticas. Ela trouxe uma série de conquistas, mas não disse à população que aquilo era produto de uma visão de mundo da esquerda e que a direita não faria aquilo”, avalia. “Como não disse, a direita buscou desqualificá-la com base em acusações de natureza ético-morais, utilizando instrumentos de transparência que a própria esquerda trouxe, como a série de leis que jogam luz sobre a relação do Estado com a sociedade e com o mercado”.

Queiroz lembra que foi durante os governos do PT que foram aprovadas a Lei de Acesso à Informação, a Lei de Responsabilização da Pessoa Jurídica, a Lei De Combate ao Crime Organizado (e delação premiada), entre outras.

A sociedade percebeu que havia desvios de conduta, mas os identificou como “se tivessem nascido agora e os governos do passado não tivessem práticas até piores”. No cerne de todas as dificuldades, está a desigual luta entre capital e trabalho no Brasil. “Sempre que o capital está incomodado com a distribuição de renda, ele arruma uma ameaça comunista, como foi em 1964, ou uma conversa de degradação moral, como está sendo agora”, diz o analista político do Diap.
Posted: 27 Jul 2017 06:26 PM PDT
Por Altamiro Borges

Crescem os boatos em Brasília, no esgoto do covil golpista, de que o Judas Michel Temer vai trair o Judas Henrique Meirelles. Três fatores pesariam nesta fritura. O primeiro, mais palpável, é de que o “sinistro” da Fazenda não cumpriu as promessas de uma “instantânea” recuperação da economia e já teria sido descartado pelo próprio “deus-mercado”, que financiou o golpe dos corruptos. Os recentes petardos do jornal O Globo, que expressa os interesses dos abutres financeiros, indicam que a cloaca empresarial não confia mais na retórica otimista do ministro. Até Míriam Leitão, a ex-urubóloga que esbanjou tanta fé na recuperação do país, postou nesta semana que “a situação é dramática” e que o governo não cumpriu as suas promessas.

O segundo fator, que evidencia a podridão da quadrilha que assaltou o poder, é de que Henrique Meirelles se precipitou e deu os primeiros sinais de que apunhalaria o Judas. Ele andou dizendo que ficaria no governo mesmo no caso da queda do chefe – um gesto de alta traição. O czar da economia também nunca escondeu suas pretensões de ocupar a vaga presidencial pela via da eleição indireta no Congresso Nacional. Por último, ele passou a ser alvo de denúncias sobre seu sinistro enriquecimento – o que poderia até já fazer parte da fritura, com os disparos do famoso “fogo amigo”. A mais recente revelação é demolidora. Ela foi postada no site BuzzFeed e bombou nas redes sociais. Vale conferir alguns trechos da reportagem:

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Homem mais poderoso da economia do país, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu, três meses antes de assumir a pasta, R$ 167 milhões em contas que ele mantinha no exterior e que foram usadas para receber pagamentos de grandes empresas, incluindo a J&F, do delator Joesley Batista. O ministro recebeu, ainda, outros R$ 50 milhões quatro meses depois de ocupar a Fazenda.

As duas transações foram feitas para Meirelles a partir das contas da empresa de consultoria dele, cujo nome atual é HM&A. Nos dois casos, o objeto da empresa, até aquele momento, era assessorar grandes empresários, dar palestras e fazer investimentos. Apesar de ter mantido esta fortuna fora do país quando era consultor de grandes empresas, Meirelles, agora ministro, disse em nota que “confia integralmente nas instituições financeiras brasileiras e aconselha investidores a deixar seus recursos no Brasil porque o país oferece melhores relações de risco/retorno”.


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