sexta-feira, 28 de julho de 2017

28/7 - Folha Diferenciada DE 27/7

Folha Diferenciada


Posted: 27 Jul 2017 07:52 AM PDT

Da pesquisa CNI Ibope, que acaba de ser divulgada, informando que a popularidade de Michel Temer cai atingiu seu nível mais baixo com os que que avaliam o governo como ótimo ou bom recuando de 10% dos entrevistados, em março, para apenas 5% em julho, enquanto os que avaliam o governo como ruim ou péssimo sobem de 55% para 70%.
“O percentual de aprovação da maneira de governar do presidente Temer é de 22% entre os entrevistados com renda familiar de mais de cinco salários mínimos, o dobro do percentual considerando o total da amostra.”


Temer, apesar disso, consegue superar o recorde de impopularidade de José Sarney, na fase pós- Plano Cruzado, quando era apedrejado nas ruas do Rio de Janeiro. Nunca antes na história deste país – ao menos nos registros do Ibope pós-ditadura, um presidente da República teve tão baixo grau de aprovação.

Só 11% preferem o Governo Temer, numa bofetada estatística aos que ainda acham que o impeachment serviu para algo senão atirar nosso país numa desgraça institucional e econômica.

Mas o que está ruim, na opinião da maioria, ainda vai piorar.

Das 2 mil entrevistas realizadas pelo Ibope em 125 municípios, de 13 a 16 de julho (antes, portanto do reajuste dos combustíveis), nada menos que 1.300 (65%) apostam que a situação do país no restante do governo Michel Temer, que será ruim ou péssimo até seu fim

Apenas 9% guardam esperanças que seja bom ou ótimo.

Seja com o 5% que lhe dá o Ibope ou com os 2% que lhe deu a pesquisa Ipsos Pulso Brasil, o fato é que Michel Temer é uma ojeriza nacional.

Mas está a ponto de conseguir maioria no Congresso para dizer que as malas de Loures não vêm ao caso.

Enquanto a turma da toga trata de evitar que o Brasil possa ter um presidente que retome o vigor do Estado brasileiro.

Posted: 27 Jul 2017 07:41 AM PDT

Cargueiro Minden naufragou em sua rota do Brasil para a Alemanha em 1939. Embarcação estaria carregada de quatro toneladas de ouro possivelmente retiradas de filial brasileira de banco alemão.


Ouro seria proveniente do Banco Germânico no Brasil


Uma empresa especializada em resgatar tesouros marinhos encontrou na costa da Islândia um navio nazista carregado com até quatro toneladas de ouro proveniente da América do Sul, possivelmente do Brasil, noticiou o tabloide britânico The Sun.

Pouco depois do início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, o cargueiro Minden, do esquadrão nazista SS, naufragou a cerca de 200 quilômetros da costa da Islândia, em sua rota do Brasil para a Alemanha.

Segundo o The Sun, funcionários do Banco Germânico, uma filial brasileira do alemão Dresdner Bank, ajudaram a carregar o navio. O capitão teria afundado o navio após ordens de Adolf Hitler, para evitar que a carga fosse capturada pela Marinha britânica.

Os caçadores de tesouro da empresa Advanced Marine Services entraram agora com um requerimento junto à Agência do Meio Ambiente da Islândia com vista a uma licença para resgatar a caixa com o tesouro afundado.

Citando o porta-voz da empresa, Bjorn Thorlaksson, uma reportagem do jornal alemão Bild informou que essa licença ainda não foi concedida. "Mais de uma instituição está envolvida no caso. Ainda não se sabe quando a licença poderá ser concedida", afirmou Thorlaksson.

A bordo do navio Seabed Constructor, os funcionários da empresa britânica teriam chamado a atenção da Guarda Costeira islandesa já em abril desde ano, por passar cinco dias na mesma posição.

"A Guarda Costeira decidiu convocá-los ao porto para constatar a intenção da tripulação. Eles disseram que queriam resgatar mercadorias preciosas", escreveu o Bild, citando um porta-voz da Guarda Costeira islandesa.

Para especialistas, no entanto, a existência do ouro ainda é duvidosa. Citado pelo jornal alemão, o historiador Ian Sayer revelou que não existe nenhuma evidência histórica para a presença de metais preciosos a bordo, como também nenhum documento de carga. Também não se sabe por que a empresa acredita que ali existam quatro toneladas de ouro.

"Para uma empresa de resgate séria, é absolutamente pouco comum – como também incompreensível – por que não deu entrada, anteriormente, a um pedido de licença para busca e resgate", explicou o historiador citado pelo Bild.

Se a existência do ouro for confirmada, deverá ter início uma batalha judicial para decidir quem é o proprietário do precioso metal.

Posted: 27 Jul 2017 07:19 AM PDT

O ex-governador Sérgio Cabral ao deixar sede da Justiça Federal no Rio de Janeiro

Sérgio Cabral responde a 12 inquéritos. É um patrimônio judicial que, além de honrar o seu patrimônio em ourivesaria, imóveis e outros bens, compõe um sortido rol de acusações, suspeitas e artigos do Código Penal contra ele reunidos pela Procuradoria da República e pela Polícia Federal. Apesar de tanta fartura, e ainda que todos os inquéritos comprovem crimes e cheguem a condenações, Sérgio Cabral não pagará pelo pior, de mais deploráveis consequências e comprovado crime presente nos seus currículos de governante e de pessoa. Um dano que atinge todo o país.

Sérgio Cabral traiu e destruiu o avanço feito pelo plano de ação que teve as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora, como bandeira e ponta-de-lança. Em dezenas de anos de discussão e tentativas, incluída até a criação oficial de um esquadrão da morte nos anos 70, o plano iniciado pelas UPPs foi o único dotado de inteligência, criatividade e viabilidade nos limites estritos da legislação. E capaz de adaptação a todos os núcleos comunitários de violência sistemática, prósperos em todos os Estados. Hoje esquecidas, as pesquisas sociológicas e estatísticas dos primeiros anos das UPPs no Rio preservaram a demonstração de sua eficácia contra o crime organizado em torno das drogas e do roubo armado.

Por irresponsabilidade pessoal e administrativa, aliada a descaso –as chamadas incúria e desídia–, Sérgio Cabral não deu andamento às medidas complementares à instalação de cada UPP. Em pouco mais, passou à lenta sufocação orçamentária do dispositivo estadual de segurança, incluído o programa de que as UPPs eram o posto avançado. O plano todo ruiu.

Os fugitivos voltaram aos territórios perdidos. As ocorrências, em crescendo constante, hoje estão em disparada. Sobretudo nos municípios da Baixada Fluminense e na periferia do Rio, onde prevalece a monstruosidade de pobres atacando pobres: assaltos a trabalhadores em filas de condução de manhãzinha, "limpeza" em passageiros de ônibus e vans, roubos em trens. As ruas da região urbana vivem, com características e escala próprias, o mesmo clima de descontrole, insegurança e impotência.

O plano iniciado pelas UPPs não faria milagres. Provou, porém, a capacidade de mudar o panorama, pela mudança por via lúcida e legítima do sistema de vida em regiões transtornadas.. Sem que o plano tenha falhado, porque não foi além do passo inicial e o realizou com êxito, hoje as UPPs são alvo de críticas fora dos seus locais e alvo de fuzis onde se localizam. Volta-se ao blablablá das falsas ideias. Diz o ministro da Defesa, Raul Jungmann: "Defendo uma força-tarefa com Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal que durante anos faria uma assepsia no Rio". Não percebeu nem as duas preliminares.

O problema não está no que usar, que é óbvio, mas em COMO usar com inteligência, legalidade e eficácia. É o que o plano iniciado com as UPPs resolvia. Além disso, não adianta pensar em algo para o Rio. É preciso pensar em método de ação. Em algo que, aprovado, se aplique aos outros Estados. O problema no Rio é mais gritante, também porque no Rio se grita mais com o sensacionalismo de imprensa e TV locais. O descontrole, no entanto, está no país todo.

São Paulo assusta-se agora com o roubo de 5.417 cargas de caminhão só no primeiro semestre, como revelou Rogério Pagnan na Folha. Em média, 903 por mês. Mas em outros Estados não há susto apenas porque não houve publicação semelhante. Ou se pensa em um método de aplicação ampla, ou um plano de eficácia apenas paulista só serviria para transferir o campo de ação, vitimando fora de São Paulo também os caminhoneiros e empresas paulistas.

O agravamento do descontrole sobre a criminalidade organizada em torno das drogas e do roubo armado deve-se, em parte, à crise econômica. Outros fatores não são menos importantes. Michel Temer e seus ministros da Defesa e da Justiça devem há dois meses a simples ordem de envio de mais tropas de segurança para o Rio. E Sérgio Cabral deixou, na extinção da mais promissora iniciativa de segurança interna, a sua impressão digital –como se fora um treinamento para aplicá-la muitas vezes na vida de presidiário e multiprocessado.

Posted: 27 Jul 2017 07:09 AM PDT


Os irmãos Koch (foto acima), uma das famílias mais ricas dos Estados Unidos, tradicionais financiadores de movimentos de extrema-direita nos EUA, como o Tea Party, e no mundo, voltam a aparecer em reportagens sobre a nova direita brasileira.

Reportagem do Guardian publicada ontem, enfatiza que diversos membros do MBL, um dos principais agentes dessa nova direita, responsável pelas manifestações de rua em favor do golpe, foram treinados e financiados por organizações que recebem fundos dos irmãos Koch, proprietários de indústrias ligadas ao setor de petróleo e derivados.

Trecho da matéria do Guardian:


The Free Brazil Movement began from an “anxiety to create a simple language and spread and transform economic and political liberalism into a relevant political force in Brazil,” said Kim Kataguiri, 21, another of its young leaders, who plans to stand for Congress in next year’s elections.

He said some Free Brazil Movement coordinators had received training by Students for Liberty, a free-market advocacy network that is part of the Atlas Network, an American not-for-profit organisation that spreads free market ideals. Students for Liberty and the Atlas Network have received funding from Charles Koch, who with his brother David, controls Koch Industries – the US energy, fossil fuels and petrochemicals behemoth.

Fabio Ostermann, an independent political scientist based in Porto Alegre in the south of Brazil, helped found the Free Brazil Movement and was also a member of the Brazilian branch of Students for Liberty. He was a Koch summer fellow at the Institute for Humane Studies in Virginia for three months.

Tradução (minha):


O Movimento do Brasil Livre começou a partir de uma “ansiedade para criar uma linguagem simples e espalhar e transformar o liberalismo econômico e político em uma força política relevante no Brasil”, disse Kim Kataguiri, 21, outro dos seus jovens líderes, que planeja se tornar deputado federal nas eleições do próximo ano.

Ele disse que alguns coordenadores do Movimento do Brasil Livre receberam treinamento da Student for Liberty, uma rede em defesa do mercado livre, que faz parte da Atlas Network, uma organização americana sem fins lucrativos que difunde ideais de mercado livre. Students for Liberty e Atlas Network receberam financiamento de Charles Koch , que com seu irmão David, controlam as indústrias Koch, que opera no campo de combustíveis fósseis, derivados de petróleo e petroquímicos.

Fabio Ostermann, cientista político independente, residente em Porto Alegre, no sul do Brasil, ajudou a fundar o Movimento do Brasil Livre e também foi membro do ramo brasileiro de Estudantes para a Liberdade. Ele foi bolsistas de verão no Institute for Humane Studies, na Virgínia, por três meses.

Em matéria recente no Cafezinho, mostramos que, após o golpe, os Estados Unidos aumentaram em quase 200% as exportações de óleo diesel para o Brasil, assumindo o controle sobre 83% das nossas importações desse produto.

Um detalhe estranho: a matéria no site do Guardian tem uma propaganda do governo brasileiro (?). Abaixo, um print.




Posted: 27 Jul 2017 07:00 AM PDT


Afinal, a Lava Jato está mesmo diminuindo a corrupção no Brasil ou está aumentando? Dependendo do que você entender por corrupção, apesar de o senso comum dizer que está combatendo – e, portanto, diminuindo –, pode estar aumentando e, até, incentivando.

“Ah, esse blogueiro não passa de um ‘petralha’ que tem bandido de estimação, dirá a direita energúmena batizada pelo criador do termo “petralha” como “direita xucra”.

O que é a “direita xucra”? É um bando de psicóticos que seguem o Jair “enrustido” Bolsonaro e que se auto afirmam engendrando insultos sexuais – hummm… Freud explica.

O mais engraçado é que um defensor da tese – que este blogueiro compartilha – de que a Lava Jato estimula a corrupção, em vez de combater, é o criador do termo mais cretino, mais nazifascista, mais burro que já foi criado neste país: o termo “petralha”.

Reinaldo Azevedo – e isso eu sempre disse – pode ter qualquer defeito que se lhe queira atribuir, mas é um homem de rara inteligência, dono de uma verve cortante.

De certa maneira, eu o admiro. Só não o admiro de todas as maneiras porque não foi capaz de prever no que daria exacerbando os baixos instintos da direita xucra.

Mas, voltando ao ponto, Azevedo e eu concordamos plenamente com a seguinte tese: a Lava Jato estimula os grandes corruptores premiando-os enquanto persegue e pune os pequenos corrompidos.

Vou lhe fazer uma pergunta, caro leitor: quem é que causa mais dano ao país, o corruptor ou o corrompido?

Como você vai combater a corrupção se quem compra os políticos corruptos não só não é punido como é premiado ficando com tudo que roubou?

A Lava Jato não combate a corrupção, combate uma safra de corruptos e de supostos corruptos, sem falar nos acusados injustamente de corrupção por corruptores que dizem o que a República de Curitiba quer em troca de premiar os ladrões de dinheiro público.

Tomemos como exemplo aqueles que o humorista Gregório Duvivier apelidou de “irmãosley”, ou seja, Wesley e Joesley, da JBS. Corromperam milhares de políticos, enriqueceram com isso, delataram os corrompidos, embolsaram os lucros que a corrupção lhes proporcionou e ficaram impunes…

Há negócio melhor do que esse? Quem diz que não há nem sou (apenas) eu, mas o ex-herói da direita xucra: Reinaldo Azevedo.

Está passando mais ou menos batido o show de competência de Reinaldo Azevedo no programa Roda Viva de 17 de julho último ao promover memorável debate entre o criador do termo “petralha” e Thaméa Danelon, procuradora da República que assume em São Paulo o papel desempenhado por Deltan Dallagnol em Curitiba e que tentou, em vão, defender a sentença absurda dada por Sergio Moro contra Lula.

Azevedo explica, didaticamente, por que a corrupção deve aumentar no país com uma metodologia que premia quem rouba 100% e pune quem rouba 5% do produto total do roubo.

O vídeo a seguir mostra tudo isso. Vamos assistir. Antes, porém, quero deixar aqui um apelo aos que acompanham esta página há mais de uma década.

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Esta página vem sofrendo ataques eletrônicos para tirá-la do ar e apagar seu conteúdo. Porém, como sempre, vou lutar pela liberdade de expressão reforçando o site Blog da Cidadania.

Para fazer um site mais moderno e robusto para enfrentar essa ditadura asquerosa que se abateu sobre o Brasil, exorto os amigos e amigas de tantos anos – alguns, mais de 12 anos – a colaborarem com o crowfunding que estou lançando para criar o novo Blog da Cidadania e contratar serviços de proteção e estratégia de marketing.

PARA COLABORAR COM A CAPANHA E DOAR POR CARTÃO DE CRÉDITO OU BOLETO BANCÁRIO, CLIQUE AQUI. SE QUISER DOAR DIRETO EM CONTA CORRENTE, MANDE EMAIL PARA edu.guim@uol.com.br

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Fique, agora, logo abaixo, com o vídeo que mostra como é frágil a argumentação do Partido da Justiça, uma aberração que começa a se tornar evidente na designação que lhe vem sendo dada.


Posted: 27 Jul 2017 06:48 AM PDT


Jornal GGN - O ex-primeiro ministro de Portugal José Sócrates (2005-2011) soltou o verbo contra a oposição ao PT e a Lava Jato, durante uma entrevista que concedeu à imprensa estrangeira em Lisboa, na quarta (26).

A Folha, que estava presente, relatou que FHC e Serra foram chamados de golpistas sem nenhuma cerimônia, e Sergio Moro, de "cúmplice do golpe".

"Os golpistas Fernando Henrique Cardoso e José Serra vieram a uma conferência aqui em Portugal para falar para os professores de direito portugueses e explicar o golpe. Como se nós não estivéssemos a ver o que se estava a passar", afirmou.


"Os cúmplices do golpe foram também o Moro e o Supremo Tribunal Federal. Moro divulgou uma escuta [entre Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da SIlva] feita ilegalmente pela polícia. E o Supremo se omitiu", acrescentou.

Sócrates lembrou que, assim como Lula, tem sido vítima de Lawfare em seu país. No caso, Lula tem visto uma série de inquérito e ações penais proliferar no âmbito da Lava Jato, numa tentativa de impedi-lo de disputar a presidência em 2018. Já Sócrates há mais de 4 anos é alvo de um inquérito que também envolve a suposta compra irregular de um apartamento. Chegou a ser preso, mas até hoje o Ministério Público local não apresentou nenhuma denúncia.

"Eu vejo muitas semelhanças [de seu caso com o de Lula]. Tem até a coisa do apartamento", disse Sócrates.

"Isso se chama 'lawfare', que é fazer a guerra com a Justiça. É fazer política com a Justiça. Isso já é um fenômeno que tem muitos anos e, ao contrário do que os brasileiros pensam, não foram eles que inventaram isso. Tudo começou na Itália", comentou.

Leia mais aqui.

Posted: 27 Jul 2017 06:37 AM PDT

Nova fase da Lava Jato, batizada de 'Cobra', em referência ao apelido do executivo na lista de pagamento de propinas da Odebrecht



REGIANE OLIVEIRA
São Paulo

Aldemir Bendine durante conferência quando era presidente da Petrobras em 2016 SERGIO MORAESREUTERS


A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira em Sorocaba, interior de São Paulo, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Bendine é suspeito de prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e foi preso durante a 42ª fase da Operação Lava Jato. Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e o publicitário André Gustavo Vieira da Silva também foram detidos no Recife (PE). Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Esta fase da Lava Jato foi batizada de Cobra em uma referência ao codinome dado a Bendine nas tabelas de pagamentos de propinas apreendidas no chamado Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, descobertas durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

Desde que começaram as delações de executivos da Petrobras, Bendine está no radar da PF. O delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, contou que a empresa vinha sendo achacada por Bendine, desde a época em que ele era presidente do Banco do Brasil. O executivo estaria contrariado porque Marcelo Odebrecht tratava apenas com Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) durante o Governo Dilma Rousseff, pois queria ter acesso às benesses do caixa da empreiteira.

Segundo o empresário Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, para facilitar a rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial, Bendine teria pedido 17 milhões de reais em propina. Mas a empresa considerou que ele não tinha poder para decidir de forma ativa no contrato de financiamento do Banco do Brasil e negou o pedido.

A situação mudou quando Bendine foi alçado por Dilma à presidência da Petrobras, após a renúncia de Graça Foster, no início de 2015, uma vez que o grupo tinha relações profundas com a petroleira. Segundo os delatores, Bendine e seus operadores financeiros pediram 3 milhões de reais pra não prejudicar as relações entre a Petrobras e a Odebrecht. Os valores seriam pagos em três parcelas. E de acordo com a PF, aparentemente, estes pagamentos somente foram interrompidos com a prisão de então presidente da construtora. Bendine renunciou a presidência da estatal em maio de 2016, após uma sucessão de escândalos que envolvia a Petrobras e em meio a um cenário em que a empresa apresentava um dos maiores prejuízos da empresa na história.

Bendine e os demais detidos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. A reportagem ainda não conseguiu contato com os advogados do executivo para comentar sua prisão.

Posted: 27 Jul 2017 06:25 AM PDT
JAMA NETWORK -AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION Dos 52 pacientes com câncer de pulmão, 14 tiveram mudanças na pigmentação do cabelo

Pacientes grisalhos que participaram de testes para um novo tratamento contra câncer terminaram o experimento sem fios brancos. Dos 52 pacientes com câncer de pulmão, 14 recuperaram a cor de cabelo de quando eram mais jovens.


A queda dos fios é um efeito colateral comum em tratamentos de quimioterapia, já a mudança da cor do cabelo pegou os pesquisadores de surpresa. "Foi um efeito colateral totalmente inesperado", explicou à BBC Mundo Noelia Rivera, dermatologista da Universidade Autônoma de Barcelona e coautora do estudo.

Direito de imagemJAMA NETWORK -AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION Pesquisadores ainda não sabem qual mecanismo atua nesta transformação

Quando o primeiro paciente consultou os pesquisadores sobre essa transformação, a equipe acreditava se tratar de um caso isolado. Mas ao conversar com outros pacientes e analisar fotos feitas antes e depois do tratamento, concluíram que as drogas Keytruda, Opdivo e Tecentriq, usadas em tratamentos de imunoterapia contra o câncer, provocavam de fato a mudança.

Em 13 pacientes, o cabelo se tornou castanho escuro ou negro e em um 14º, apenas algumas áreas do cabelo ganharam a nova cor. Os outros 38 pacientes ou não eram grisalhos na época do tratamento ou não notaram mudanças.

Os pesquisadores não souberam precisar se todos os pacientes que perderam os cabelos brancos ganharam fios iguais ao da juventude ou mais escuros.

"Os pacientes dizem que é a cor que tinham quando jovens, mas como a maioria da nossa população (na Espanha) tem o cabelo castanho escuro ou preto, e como não tivemos loiros no estudo, não podemos dizer com absoluta certeza de que não se trata simplesmente de um escurecimento (do cabelo)", explica Rivera.

Um fator interessante associado à mudança de cor do cabelo é que isto parece indicar que o tratamento está funcionando para o paciente. Todos - com exceção de um - dos 14 pacientes que manifestaram uma mudança de cor responderam bem ao tratamento.

No entanto, Rivera esclarece que isto ainda está no campo da especulação, já que o estudo ainda não foi concluído, e o tratamento ainda está em fase de testes.

Direito de imagemGETTY IMAGES Se for descoberto o mecanismo da coloração, pode-se desenvolver drogas para reverter os cabelos brancos

O que muitos se perguntam agora é quais são as possibilidades de desenvolver um tratamento para reverter cabelos brancos a partir desta descoberta.

A princípio, explica a pesquisadora, este medicamento não pode ser usado em pessoas saudáveis para fins estéticos porque tem efeitos colaterais sérios.

O tratamento de imunoterapia estimula o sistema imunológico a combater o câncer. Isso porque os tumores conseguem desativar o sistema de defesa do corpo, que passa a não reconhecê-los como uma ameaça. A droga injetada pela corrente sanguínea faz com que as células de defesa continuem funcionando.

Como estimula o sistema imunológico, o medicamento tem provocado reações nas quais as células de defesa de alguns pacientes atacam o próprio organismo, provocando doenças autoimunes.

"Ele pode provocar doenças autoimunes do sistema endócrino, pode alterar a tireoide e outros órgãos, as glândulas suprarrenais, a hipófise, pode afetar o fígado de forma autoimune...", lista a pesquisadora.

Além disso, o tratamento é bastante caro. Segundo a organização Cancer Reserach UK, ele chega a custar £ 100 mil (R$ 412 mil) por ano.

No entanto, Rivera destaca que se for encontrado o mecanismo molecular responsável por mudar a cor do cabelo, seria possível desenvolver um fármaco mais seguro com essa intenção específica.

Posted: 27 Jul 2017 06:13 AM PDT


O Globo





Manchete: União deve adiar reajuste de servidor


Gastos com funcionalismo subiram 11,3% no 1º semestre

Déficit nas contas públicas é o maior em 21 anos. Ajuste pode incluir teto para remuneração e fim do abono salarial

A União deve adiar em pelo menos seis meses o reajuste de servidores previsto para janeiro de 2018. O adiamento provocaria economia de R$ 7 bilhões no ano que vem. Os gastos com o funcionalismo subiram 11,3% no primeiro semestre, muito acima do 0,5% de expansão das despesas em geral, o que agravou a situação das contas públicas, levando ao maior rombo em 21 anos. Em 12 meses, o déficit chega a R$ 182 bilhões, o que pode dificultar o cumprimento da meta de 2017. Para reforçar o ajuste fiscal, o governo quer aprovar um teto para a remuneração total dos servidores dos três Poderes e estuda extinguir o abono. (Págs. 17 e 18)


Juros caem e voltam a um dígito, para 9,25%


Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 1 ponto, para 9,25% ao ano. Foi a sétima queda consecutiva dos juros, que pela primeira vez desde 2013 têm taxa de um dígito. Novos cortes, porém, vão depender dos desdobramentos das crises fiscal e política. (Pág. 19)

MÍRIAM LEITÃO

PT inchou a máquina, Temer deu aumento até 2019. (Pág. 18)

CARLOS A. SARDENBERG

Reajuste para procuradores federais é mau exemplo. (Pág. 14)


Temer já gastou 65% das emendas


Depois de autorizar, em apenas 50 dias, R$ 3,9 bilhões para emendas parlamentares, o presidente Temer poderá gastar mais de R$ 2 bilhões até o fim do ano para agradar a deputados e senadores. Prestes a ser denunciado novamente e com reformas para votar, Temer terá menos margem para negociar. A oposição critica o uso político do Orçamento e diz que a jogada agravará a crise fiscal. (Pág. 3)


EUA retaliam o governo Maduro


Os Estados Unidos aplicaram sanções econômicas a 13 altos funcionários do governo da Venezuela em retaliação à Assembleia Constituinte. Por sua vez, Maduro bloqueou os bens dos 33 novos juízes do Supremo nomeados pela Assembleia Nacional. (Pág. 21)


Estado entrega novo plano à União


Após o plano de corte de gastos do Rio ter sido em parte rejeitado pelo Tesouro, o estado fez um ajuste nas contas para chegar a R$ 62 bilhões em três anos, exigência da União para o socorro financeiro. A pendência era uma diferença de R$ 4 bilhões. (Pág. 8)


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O Estado de S. Paulo





Manchete: Juros caem a um dígito e BC aponta para novo corte


Copom baixa Selic em 1 ponto, para 9,25%; incerteza das reformas não preocupa

Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em um ponto porcentual, de 10,25% para 9,25% ao ano. O corte foi o sétimo consecutivo e coloca os juros de referência no menor nível desde agosto de 2013, no primeiro governo Dilma Rousseff. Com a decisão, esperada pelo mercado financeiro, o BC manteve o ritmo de reduções da Selic, apesar das preocupações em torno do governo Temer. A instituição deixou as portas abertas para a manutenção do atual ritmo de cortes, se o cenário político e econômico permitir. Na decisão de ontem, os dirigentes do BC argumentaram que, até o momento, os efeitos de curto prazo do aumento das incertezas em relação às reformas, sobretudo a da Previdência, “não se mostram inflacionários nem desinflacionários”. Na prática, a instituição indicou que a crise política ainda não alterou de forma substancial o cenário. (ECONOMIA / PÁG. B5)

Celso Ming

Os juros continuam, sim, muito altos no Brasil, mas não dá para negar o efeito vertigem. Caíram de 14,25% para 9,25% ao ano em apenas nove meses. Um tombo como esse não é pouca coisa. (ECONOMIA / PÁG. B2)


Transportes, Integração e Cidades serão os mais atingidos


Os cortes de despesas que o governo deve anunciar hoje vão atingir principalmente os Ministérios da Integração, das Cidades e dos Transportes. A área econômica trabalha com a possibilidade de resgatar R$ 1 bilhão em precatórios não sacados e depositados na Caixa e, ontem, a Petrobrás anunciou que aderiu ao Refis e vai pagar R$ 1,3 bilhão neste ano. Com isso, o corte adicional no Orçamento, de R$ 5,9 bilhões, pode ficar menor. (ECONOMIA / PÁG. B1)


Servidor deve ter reajuste adiado


O governo estuda o adiamento do reajuste salarial do funcionalismo. O gasto estimado é de R$ 22 bilhões. Servidores já se articulam para recorrer à Justiça ou até paralisar serviços caso a proposta se confirme. (ECONOMIA / PÁG. B3)


'Estamos na trajetória de empresa saudável'


Entrevista - Pedro Parente

Há quase um ano no comando da Petrobrás, Pedro Parente não minimiza os problemas, mas afirma que a estatal está no caminho para ser considerada uma petroleira saudável até o fim de 2018. A prioridade será tornar a dívida mais leve para a empresa – equivalente a 2,5 vezes a geração de caixa, nível próximo ao dos concorrentes. (ECONOMIA / PÁG. B4)


Fachin corre para julgar políticos no STF (Política / Pág. A4)





Réu na Zelotes, auditor da Receita é preso (Economia / Pág. B6)





Colunistas


Zeina Latif

A agenda de enxugamento da folha do funcionalismo precisa ser enfrentada. (ECONOMIA / PÁG. B5)

Verissimo

Minigravador, como bem sabe Temer, pode conseguir o que nenhuma investigação consegue. (CADERNO2 / PÁG. C8)


Notas & Informações


Corporativismo e insensibilidade

O esforço por reequilibrar as contas do País atinge a todos, exceto os procuradores da República, que esperam ganhar mais 16,38% do que atualmente ganham. (PÁG. A3)

O perigoso recuo da confiança

A insegurança de consumidores e de empresários aumentou com a nova crise política. (PÁG. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete : Taxa de juros cai a 9,25% ao ano, a menor desde 2013


BC corta Selic em um ponto percentual pela 3a vez; poupança fica mais atrativa

A inflação controlada e a atividade econômica fraca levaram o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual, para 9,25% ao ano. A decisão, que coloca a Selic abaixo de 10% pela primeira vez em quatro anos, era esperada pelo mercado. Foi a terceira redução consecutiva de um ponto nos juros. Em comunicado divulgado após a decisão, o Comitê de Política Monetária indicou que o ritmo de corte deve ser mantido na próxima reunião, em setembro. O Copom reconheceu os impactos da crise política sobre a confiança do mercado e a possibilidade de aprovação das reformas do governo, mas avaliou que eles são, atê agora, limitados. “A delação [da JBS] não gerou efeito inflacionário significativo”, diz José Mareio Camargo, economista da Opus Gestão de Recursos. Com a nova queda da Selic, a poupança se torna mais atrativa que a maioria dos fundos de investimento de renda fixa, segundo simulações. (Mercado pág. 1)


Aliados de Temer querem postergar nova Previdência


Partidos aliados de Michel Temer defendem que a votação da reforma da Previdência ocorra só em 2019, após a eleição presidencial. Para os defensores da ideia, o governo conseguiria aprovar agora apenas alterações mínimas, desfigurando a proposta original. (Mercado pág. 3)

Liminar cai, e alta de tributo sobre combustível volta a vigorar. (Pág. 4)


Políticos repassam concessões de TV e rádio a parentes


Deputados e senadores que eram sócios de emissoras de rádio ou TV repassaram as cotas a familiares. As transferências foram feitas após a instauração de inquéritos. Pela Constituição, eles não podem ser concessionários de serviços públicos. A Justiça tem apresentado entendimentos diferentes. (Poder A4)


Novo ministro da Cultura põe a Lei Rouanet na mira


Terceiro ministro da Cultura em pouco mais de um ano, Sérgio Sá Leitão pretende mudar a Lei Rouanet, de incentivo ao setor. “Uma coisa que quero fazer ê desburocratizá-la”, disse em entrevista à Folha. Ele afirmou não se constranger por participar de um governo impopular. (Ilustrada C3)


Editoriais


Leia “Doloroso aprendizado”, sobre dificuldades para fechar as contas do Tesouro em 2017, e “Informar, não proibir”, acerca de cigarros com sabor. (Opinião a2)


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Mídia
Posted: 27 Jul 2017 06:06 AM PDT


Aldir Blanc e Maurício Tapajós compuseram a música Querelas do Brasil, em 1978. A canção, imortalizada na voz de Elis Regina, denuncia a colonização predatória dos Estados Unidos, que saqueia as riquezas naturais do nosso país, impõe um padrão de consumo e comportamento totalmente em desacordo com a cultura nacional e as condições sócio-econômicas da maioria esmagadora da população, tudo com o aval e patrocínio da elite do país.

Aliás, o único elo de ligação entre essa elite e o Brasil é o fato dela ter nascido em território brasileiro. De resto, ela nada tem de nacional: não tem projeto político e econômico para o desenvolvimento do país; acorda, almoça, janta e dorme sonhando ser norte-americana e quer transformar o Brasil no quintal ou anexo dos Estados Unidos. Para isso, vale tudo!

A começar pela venda, aluguel ou doação de tudo o que tenha a marca verde, amarela, azul e branca para o Tio Sam e seus sócios.

Nos governos dos ex-presidente Lula e Dilma, o balcão de vendas nacional estava em baixa. A onda de privatizações foi reduzida drasticamente, políticas de proteção para o conteúdo nacional foram criadas e priorizadas, a valorização das empresas nacionais no cenário internacional cresceu, o Brasil entrou no mapa econômico como potência e buscando protagonismo. Que ousadia. O Tio Sam, seus sócios internacionais e seus fiéis escudeiros nacionais não gostaram muito disso.

E veio o golpe, e o governo Temeroso deu um basta nessa ousadia, e recolocou as coisas em seus lugares históricos: o Brasil voltou a se subordinar aos interesses geopolíticos e econômicos do Tio Trump, acabou com políticas de valorização da indústria nacional, de Ciência e Tecnologia, e ressuscitou temas que pareciam já enterrados sob 7 palmos de terra, como a venda de terras para estrangeiros, que, pela vontade do senhor que ocupa o Palácio do Planalto, não deve ter limites.

Se alguém quiser, pode comprar tudo. O Brasil está literalmente à venda.

Mas o que isso tudo tem a ver com comunicação e mídia? Tudo. Afinal, quem faz a propaganda indecorosa deste desgoverno temerário são os grandes meios de comunicação. Mesmo os que agora, aparentemente, torcem o nariz para o Temer, como a Globo.

Podem não gostar dele, mas defendem ardorosamente a agenda política que ele foi escalado para aplicar. Não escolheram o Temer. Afinal, Michel é o anti-garoto-propaganda. Ele não têm élan, diria a minha avó se estivesse assistindo essa novela de quinta categoria que é encenada no Brasil.

Mas, com ou sem química para o papel, ele está lá e não quer saber de sair. Outros atores poderiam cair bem melhor no personagem do golpe. O problema é que há regras que não podem ser totalmente ignoradas pelos pretensos roteiristas do golpe, senão a coisa fica escancarada demais. Eles querem limpar o golpe, vesti-lo com uma máscara e roupas mais palatáveis – principalmente para os espectadores internacionais.

Se dependesse única e exclusivamente da Globo, eles trocariam o protagonista imediamente por um Dória, ou Luciano Huck, mas essa alternativa tem que esperar um pouco.

Enquanto isso, o que importa é a agenda. Ou como dizem por aí: o que importa é o que interessa. Então vamos ao que interessa:
  1. A Reforma Trabalhista – check. Já conseguiram aprovar e seus efeitos logo começarão a ser sentidos na pele de milhões de trabalhadores.
  2. A Reforma da Previdência – aguardando. Os canhões da mídia hegemônica estão praticamente todos voltados para este tema. Sem a aprovação desta Reforma não é possível “sanear” as contas públicas. Um verdadeiro arsenal de economistas ultra-neoliberais estão escalados para falar diuturnamente dos males que a nação está vivendo por culpa da Previdência Social. Seja na televisão, no rádio, nos jornais e revistas, o monstro da previdência está sendo desenhado cada vez mais feio. Eles já perceberam que o tema é para lá de espinhoso, porque não tem praticamente nenhum apoio da sociedade. Diferente da reforma trabalhista que era mais difusa, mais fácil de se “vender”. Então, é preciso ir além. O discurso agora é defender uma reforma da previdência muito mais severa do que a proposta pelo governo, para tentar aprovar algo mais próximo do que está em tramitação. Ou seja, usar a tática do ” a gente pede 100 para ganhar 50.”
  3. Privatização das estatais – mode on. Na campanha presidencial de 2006, o tema das privatizações voltou forte, mas daquela vez negativamente. Um tema que sempre ocupou lugar privilegiado nas campanhas do PSDB, como agenda de modernização do Estado e da economia, as privatizações foram o pesado da campanha tucana. A tal ponto que, no segundo turno, Alckmin teve que usar boné do Banco do Brasil e uma jaqueta cheia de adesivos das estatais brasileiras. Agora, com a satanização de tudo que é nacional e público promovido pelo discurso da corrupção e da Lava Jato – difundido e amplificado pela Globo e Cia – a agenda da venda das empresas estatais volta com força.
  4. Redução do Estado – em andamento. O Estado não vive só de estatais – ele existe pelas estruturas diretas do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, que também estão na alça de mira das metralhadores da mídia hegemônica. Esse tema surgiu com força na última semana pelo Plano de Demissão Voluntária dos Servidores Públicos anunciado por Temer. Compareceu com destaque e ênfase em edições do Jornal Nacional dos últimos dias relacionado com a privatização, o estado paquidérmico, o rombo da previdência e a gastança “desnecessária” com pessoal na esfera dos três poderes.

Esses assuntos não “deram apenas no Jornal Nacional”. Eles polarizaram praticamente toda a cobertura jornalística da semana, de todos os veículos. Se há elementos de discordâncias e interesses distintos que dividem pontualmente as elites – inclusive seus porta-vozes midiáticos – há uma coisa que os unifica a todos: o que interessa.
A unidade em torno da agenda econômica é total. E eles repetem seus pontos incansávelmente, usando o pêndulo da hipnose em massa que é a mídia: vocês estão ficando cansados, muito cansados, cansados do estado, dos governos, da política, da corrupção, das instituições, cansados de tudo. Só quem pode lhes devolver o ânimo é o mercado, as empresas privadas.

O problema é que Globo e Cia estão subestimando a capacidade de luta e resistência do povo brasileiro, que mais cedo ou mais tarde vai perceber que foi enganado e não vai deixar isso barato.

Posso estar sendo otimista, talvez, mas acho que o caldo do golpe vai começar a entornar já, já. E vai entornar quando a livre negociação entre trabalhador e patrão virar luta livre, quando os salários despencarem pela precarização, quando os regimes de trabalho se aproximarem cada vez mais da semi-escravidão, se aprovarem as mudanças que na prática acabarão com o direito à aposentadoria, se retalharem o Estado e reduzirem ao mínimo os serviços públicos, quando os impactos do congelamento de gastos com Saúde e Educação começarem a ser percebidos, quando tudo isso começar a gerar impacto direto na vida das pessoas.

Se é verdade que o Brazil do golpe está matando o Brasil, por outro lado, é preciso estarmos atentos, porque esse Brazil não conhece o Brasil cantado pelo Gonzaguinha, que é o Brasil de uma “rapaziada que segue em frente e segura o rojão”.

E aí, pode ser que sobre inclusive para a Globo. Quem sabe eles ainda vão ganhar um PDV ou uma aposentadoria compulsória.
Posted: 27 Jul 2017 05:53 AM PDT


A Defesa do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou hoje ao juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba que não concorda com a realização de seu interrogatório por meio de videoconferência; o depoimento deve ser realizado presencialmente, tal como havia sido definido pelo juízo na Penal nº 5046512-94.2016.4.04.7000.

A petição protocolada enumerou seis fundamentos jurídicos para que o depoimento de Lula seja presencial:

1 – O artigo 185 do Código de Processo Penal determina que o acusado comparecerá “perante a autoridade judiciária” para exercer o seu direito de autodefesa; a lei, portanto, assegura ao acusado o direito de ser interrogado presencialmente pelo juiz da causa;

2 – O interrogatório por videoconferência somente é excepcional, apenas admitido na hipótese de réu preso e, ainda desde que presentes quaisquer das hipóteses previstas no §2º do citado artigo 185 do Código de Processo Penal — não estando presentes no caso concreto nenhum desses requisitos;

3 – O Supremo Tribunal Federal já assentou que “A percepção nascida da presença física não se compara à virtual, dada a maior possibilidade de participação e o fato de aquela ser, ao menos potencialmente, muito mais ampla” (HC 88,914/SP, Rel. Ministro Cezar Peluso);

4 – Nenhuma alegação de “gastos desnecessários” se mostra juridicamente válida para alterar a regra do interrogatório

Posted: 26 Jul 2017 01:46 PM PDT

Deputado fez as contas dos valores que estão em jogo nos benefícios que Temer tem oferecido aos deputados, principalmente da bancada ruralista, para que eles votem contra sua denúncia de corrupção. Cronologia entre reuniões com Temer e mudança de voto também são determinantes para as contas; isso sem falar nos bilhões em emendas parlamentares


Por Redação


Michel Temer já teria gasto R$300 bilhões para “comprar” votos de parlamentares contra sua denúncia por corrupção passiva, que está sendo analisada pela Câmara dos Deputados. As contas são do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que se baseou na agenda de reuniões do presidente com deputados, a relação dessa agenda com a troca de votos e os valores que estão em jogo nos benefícios oferecidos pelo governo a esses deputados e emendas parlamentares.

“O parlamentar se declara indeciso, diz que ainda não definiu o voto. Se você acompanhar o ‘Diário Oficial’, a liberação de emendas de recursos segue uma ordem cronológica de mudança de votos. Ele é chamado ao Palácio do Planalto, submetido a conversas e agendas, ele adquire aquilo que ele quer e muda o voto”, explicou Pimenta.

No âmbito dos benefícios que atenderão a interesses de deputados para que eles votem contra a denúncia, Pimenta calculou que serão R$ 220 bilhões no chamado Refis, programa de perdão de dívidas tributárias. O projeto de lei já teve pedido de veto pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Segundo Pimenta, a proposta vai beneficiar parlamentares e, sobretudo, as empresas que financiaram suas campanhas.

O Funrural é outro projeto que estaria sendo usada como moeda de troca. O projeto vai anistiar dívidas previdenciárias de grandes produtores rurais que podem chegar a R$ 49 bilhões.

Outra recompensa que Temer estaria oferecendo aos deputados da bancada ruralista é a modificação na demarcação de terras indígenas, que vai retirar das mãos dos povos tradicionais um patrimônio de R$ 19 bilhões em terras públicas.

Isso sem falar, ainda, da liberação de emendas parlamentares. De acordo com Pimenta, foram R$2 bilhões só nos últimos dias.

Confira, abaixo, uma lista elaborada pelo The Intercept Brasil com os 10 deputados que mais receberam emendas de Temer.



Foto: Marcos Correa
Posted: 26 Jul 2017 01:39 PM PDT

A extrema direita tem uma função útil para o mercado e para o governo golpista: usar os seus seguidores para “criminalizar” e estigmatizar toda a esquerda e transformar, por conseguinte, a luta por liberdade e justiça social em uma falácia. É lógico que se aproveitam das condições sócio-históricas da democracia atual, onde uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não sabem a quem ser leais.


Por: Raphael Silva Fagundes

Crédito da Imagem: Nidia Ninja/cc Quem prepara os meios pelos quais se apoderaria de mim está em guerra comigo, embora não esteja ainda me lançando dardos nem flechas.

Essa é uma frase de Demóstenes, orador grego que no discurso conhecido como a Terceira Filípica tenta convencer os atenienses a se protegerem do avanço de Filipe II da Macedônia em meados do século IV a. C. O orador e político da era clássica procura esclarecer os cidadãos de que, embora Filipe II pareça não querer invadir a cidade de Atenas, ele está se armando e conquistando todas as cidades vizinhas. Os gregos não podiam dormir, precisavam se atentar para a expansão do rei macedônio: “Digo que, se o repelirdes já, sereis sensato, mas, se negligenciardes, não podereis mais fazê-lo, quando quiserdes”.[1]

Essa é uma lição dos antigos que pode muito bem ser útil para lidarmos com o avanço da extrema direita no Brasil atual. Alguns acham que falar dela é dar ibope demais, outros, por sua vez, têm medo de pronunciar o nome “Bolsonaro”, acreditando que assim ele pode ficar famoso já que, em uma época de algoritmos nas redes sociais, ter o nome citado diversas vezes é um caminho para se tornar viral. Mas será isso prudente?

Como iremos nos calar perante um fenômeno social real, que não assola somente o brasileiro, mas a própria democracia ocidental? Isso já aconteceu uma vez. “Cabe lembrar que a supressão de direitos por meio do fascismo é sempre uma opção para o capitalismo”.[2] De acordo com Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século XX, foi a negligência da Liga das Nações que fez com que Hitler ampliasse o seu poder.[3]Mas se tratou realmente de uma negligência? Por “mais estranho que Hitler parecesse, tinha uma virtude muito apreciada pelos conservadores ingleses: odiava a União Soviética e todos os comunistas”. Por outro lado, Joseph Stalin interpretou a Conferência de Munique como “a prova cabal de que todos no Ocidente trabalhavam em favor de uma guerra da Alemanha contra a URSS”.[4] Assim se protegeu e até mesmo um acordo com Hitler estabeleceu.

Hoje, evidentemente, o cenário é um pouco diferente, mas o fato é que o crescimento da extrema direita é sempre proveniente do uso desta pela direita com o intuito de combater a esquerda, enquanto que esta, por sua vez, negligencia o crescimento da extrema direita porque acredita que seu maior inimigo é a direita liberal. Isso aconteceu na Segunda Guerra e parece estar se repetindo agora… Que farsa é essa???? Não que isso nos leve a uma nova guerra de proporções mundiais, mas pode nos viciar ao voto útil…

Como os franceses, podemos ficar entre um representante dos bancos, empresário etc.. e um líder troglodita da direita. É lógico que esse cenário é armado: “não nos iludamos – não se trata de um líder isolado. É toda uma máquina midiática que impulsiona esse líder, amparada por entidades e associações patronais, como a Fiesp, que estruturam o conflito dessa forma”.[5] A Globo, por seu turno, publicou, quase que instantaneamente, após a condenação de Lula por Moro: “Bolsonaro parabeniza Moro por condenação de Lula”.[6] Depois arma todo o teatro da polarização para nos desviar dos problemas reais que conduzem as lutas de classe, como a aprovação das reformas trabalhistas.

Por isso é importante destacar um outro aspecto. O desdém ao crescimento da extrema direita não a dispersará, pelo contrário, mais ódio criará. Aristóteles mostra como determinados oradores podem incitar a cólera nos ouvintes. A cólera “nos incita a tomar vingança manifesta por um desdém manifesto, e injustificável, de que tenhamos sido vítimas, nós, ou algum dos nossos”.[7] Como é mais que sabido, Lula e a esquerda são acusados de causar a crise no país, pelo menos é o que a mídia e os seguidores de Bolsonaro nos fazem acreditar. E o que devemos fazer? Desdenhar? São “irascíveis e prontos em encolerizarem-se principalmente contra os que tratam com desdém o estado presente em que se encontram”.[8]

A extrema direita tem uma função útil para o mercado e para o governo golpista: usar os seus seguidores para “criminalizar” e estigmatizar toda a esquerda e transformar, por conseguinte, a luta por liberdade e justiça social em uma falácia. É lógico que se aproveitam das condições sócio-históricas da democracia atual, onde uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não sabem a quem ser leais. Mas é pela retórica que essa direita cresce.

Daí voltamos a Demóstenes. A sua oratória se vale do “dizer aquilo que não é de agrado do povo”, o que parece esboçar sinceridade e neutralidade. Esse tipo de argumento faz parecer que o orador está apenas se baseando na lógica. Intitula-se e adora quem o intitula de realista. Isso lhe dá o direito de usar até mesmo palavras duras, afrontando o ridículo, pois a verdade não tem engodo, enfeites ou ornamentos. Diz o orador grego: “Uns diziam o que era do agrado do povo e não causava nenhum aborrecimento; outros, o que devia salvá-los, e acumulavam-se animosidades”.[9] E até hoje temos essa sensação, acreditamos que aquele que “fala na cara”, que não mede as palavras, enfim, o realista, acaba, injustamente, sendo vítima por ser verdadeiro. Isso é apenas retórica!

Sancho Pança ao perceber que o exército de Pentapolin que marchava contra o de Alifanfaron era apenas dois rebanhos de carneiros, foi advertido por Dom Quixote: “É o medo que tens, Sancho, que te faz ver e entender tudo mal”. Mas será que o exército de Bolsonaro que se levanta hoje contra a democracia é apenas um rebanho de carneiros? Ou talvez o medo de uns camufla o real e os fazem “ver e entender tudo mal”? É certo que “aquele que não tem medo não é normal”, mas acho que não deveria ser medo o sentimento que devemos sentir, mas esperança. O medo é um afeto expectante negativo, aquele que espera um futuro ruim, atormentado e desencadeado pela angústia, pode acarretar pavor, horror e desespero. Mas para o filósofo Ernst Bloch, há os afetos expectantes positivos. “A esperança frustra o medo”.[10] E um dos versos de Hölderlin diz: “onde há perigo, cresce também o que salva”.

Por isso, o aumento dos movimentos sociais em meio à crise da democracia. Bernie Sanders, o candidato democrata à presidência dos EUA, ganhou relevância falando de socialismo em meio a uma eleição que deu vitória a Donald Trump. As eleições do Rio de Janeiro levaram ao segundo turno um candidato que tinha como única coligação o Partido Comunista Brasileiro, o Partidão de Marighella. Não somos nós que estamos com medo, mas os patrões que estão aumentando o rigor em usar a mídia, a repressão policial e seus palhaços com cara de maus para combater o que está em avanço.

Talvez a estratégia de só se falar em Lula seja uma forma de nos levar a pensar em um único líder, um líder que não é tão adversário dos interesses empresariais. A esquerda radical está ganhando cada vez mais espaço, à medida que os movimentos sociais se expandem, à medida que as ruas vociferam. Por isso, o surgimento da extrema direita. Ela parte do Lula para descaracterizar toda a esquerda. O líder do PT é stalinista, trotskista, gramsciano, chavista… A grande variação de pensamento socialista conflui em um único ser. Ser comunista passa a ser petista. E, em muitos casos, alguns movimentos e veículos de informação independentes caem nessa polarização viciada. Aliás, os governantes sempre souberam dividir para conquistar, é tradicional, lendário.

Temos que falar de Bolsonaro sim! Da sua relação no jogo do poder, no jogo de linguagem. Das verbas que recebe do governo golpista e do trato dúbio que a mídia o dá (livrando-o da corrupção e o condenando apenas por “falar sem decoro”). O poder sabe se disfarçar muito bem por de trás de seus lacaios, de suas marionetes, que muitas vezes não sabem o que estão fazendo, mas confortáveis estão com a fama e com a ilusão de gozar com o poder.

*Raphael Silva Fagundes é doutorando em História Política da UERJ e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.

[1] DEMÓSTENES. As três filípicas/Oração sobre as Questões da Quersoneso. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 78.

[2] BAVA, Silvio Caccia e ROMANO, Jorge O. Vamos falar de populismo. Le monde diplomatique Brasil. Ano 10, n. 120, julho, pp. 03-05, 2017, p. 05.

[3] HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX 1914-1991. 2 ed. São Paulo: Cia das Letras, 1997. p. 45.

[4] GOLÇALVES, Williams da Silva. A Segunda Guerra Mundial. In: FILHO, Daniel Arão, FERREIRA, Jorge e ZENHA, Celeste (orgs.) O século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. p. 171.

[5] BAVA, Silvio Caccia e ROMANO, Jorge O. op. cit. p. 05.

[6] KRAKOVICS, Fernanda. Bolsonaro parabeniza Moro por condenação de Lula. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-parabeniza-moro-por-condenacao-de-lula-21581554

[7] ARISTÓTELES, Arte retórica e arte poética. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d. p. 117.

[8] Id. p. 119.

[9] DEMÓSTENES, op. cit., p. 93.

[10] BLOCH, Ernst. O princípio esperança. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. p. 113.


Le Monde Diplomatique
Posted: 26 Jul 2017 12:33 PM PDT

O exercício desse poder dá aos pais o direito de, entre outras coisas, dirigir a criação e a educação dos filhos menores.


Agência Câmara Notícias

SHILH


Por Murilo Souza

A Câmara dos Deputados analisa a possibilidade de magistrados determinarem, por ato judicial, a perda do poder familiar de pai de criança gerada em decorrência de estupro. A medida está prevista no Projeto de Lei 5789/16, do deputado Flavinho (PSB-SP), e altera o Código Civil (Lei 10.406/02).

O poder familiar, previsto no Código Civil, é o conjunto de direitos e deveres estabelecidos entre os pais e seus filhos menores de 18 anos. O exercício desse poder dá aos pais o direito de, entre outras coisas, dirigir a criação e a educação dos filhos menores, bem como representá-los em atos da vida civil, entre outras ações.

Flavinho explica que o projeto é o resultado prático do Seminário Internacional em Defesa da Vida, que foi realizado na Câmara dos Deputados em julho de 2016, em comemoração aos 10 anos de fundação do Movimento Brasil Sem Aborto.

"Tivemos o depoimento da conferencista internacional Rebecca Kiessling que, além de filha de uma vítima de estupro, preside uma organização com mais de 400 mães que engravidaram dessa violência", disse o autor. "Segundo a conferencista, diversas participantes da organização tiveram que lutar no tribunal contra o estuprador pela custódia de seus filhos", acrescentou.

Flavinho afirma que seria injusto pretender que tais mulheres convivam com a mínima possibilidade de, no futuro, o estuprador exigir qualquer direito sobre a criança gerada a partir de uma situação tão violenta. "Do mesmo modo, é injusto pretender que crianças possam estar sujeitas à guarda de alguém que foi o protagonista de ato tão repugnante."

O deputado lembra que, em 2015, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sancionou uma lei que retira a possibilidade de o estuprador conseguir a custódia da criança.
Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Posted: 26 Jul 2017 12:21 PM PDT

Beto Barata / Presidência da República Rejeição à figura de Temer atingiu 94%, recorde negativo para um presidente desde a redemocratização

De acordo com a pesquisa Pulso Brasil, realizada pela Ipsos Public Affairs, 94% dos entrevistados manifestou rejeição à figura do presidente Michel Temer (PMDB). A avaliação negativa ao governo federal foi de 85%, a pior avaliação já registrada desde que a pesquisa mensal começou a ser realizada, em 2005. No mês passado, a pesquisa Datafolha apontou que Temer é o presidente mais impopular desde a redemocratização, em meados dos anos 1980.

Foram entrevistadas 1200 pessoas em 72 municípios brasileiros de todas as regiões do país. Perguntados se aprovavam ou não a atuação de uma lista de 33 políticos e personalidades públicas, 94% dos entrevistados responderam que desaprovam totalmente ou um pouco a atuação de Michel Temer no País, enquanto 3% afirmaram que aprovam totalmente ou um pouco.

Temer lidera a lista dos mais rejeitados, seguido pelo correligionário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-deputado preso e condenado por imposição da Operação Lava Jato. O ex-deputado tem apenas 1% de aprovação e, em contrapartida, 93% de rejeição. Também alvo da Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que ficou mais de um mês afastado do cargo e é investigado em diversos inquéritos no Supremo Tribunal Federal, tem os mesmos 3% de aprovação de Temer e 90% de rejeição.

Em relação ao governo federal, 85% dos entrevistados afirmaram que a gestão do peemedebista é ruim ou péssima. Temer superou o próprio recorde de pior avaliação anterior de seu governo, de 84%. A pior avaliação da gestão anterior, da petista Dilma Rousseff, foi registrada em agosto de 2015, quando atingiu 82%.

Posted: 26 Jul 2017 12:09 PM PDT


Silvia Federici, historiadora feminista italiana, propõe rever as origens do sistema. Para ela, nem Marx percebeu que, sem confinar as mulheres à reprodução, não haveria capital


Por Inês Castilho | Imagens: Verena Glass e Marta Jara (foto acima)

“Somos as filhas das bruxas que vocês não conseguiram matar”, escreveram algumas mulheres nos muros de cidades brasileiras, durante a primavera feminista. Talvez por isso a vinda da historiadora feminista italiana Silvia Federici ao Brasil, na semana passada, para lançar Calibã e a Bruxa – Mulheres, corpo e acumulação primitiva, atraiu em torno de si e de seu livro centenas de jovens, no centro e na periferia do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma semana de celebração para o movimento feminista brasileiro, que ao mesmo tempo recebia na Bahia a norte-americana Angela Davis para um curso sobre feminismo negro, no Recôncavo Baiano. Alás!

Silvia Federici é uma historiadora italiana de 75 anos, militante feminista desde 1960 e a partir de 1967 radicada nos Estados Unidos. Professora emérita da Hofstra University, em Nova York, participou ativamente dos debates internacionais sobre a falta de remuneração do trabalho doméstico, questão polêmica no feminismo dos anos 70. Na década de 80, foi por três anos professora universitária na Nigéria, quando testemunhou a onda de ataques neoliberais aos bens comuns da população. De volta aos Estados Unidos, deu início à pesquisa que a acompanhou por quase trinta anos e resultou no livro agora publicado no Brasil.
Silvia Federici fala sobre seu livro e ouve mulheres de coletivos feministas no Centro Cultural Arte em Construção, na Cidade Tiradentes

Sua vinda ao país deve-se à Fundação Rosa Luxemburgo, com parceria do Instituto Goethe, em apoio ao coletivo Sycorax, responsável pela iniciativa de traduzir o livro, disponível na internet, juntamente com a editora Elefante (responsável pela edição impressa). O lançamento no Rio de Janeiro aconteceu no Museu da Maré e no espaço da Cia. Mystérios e Novidades, na Gamboa; e em São Paulo, no auditório da Galeria Olido e Centro Cultural Arte em Construção, na Cidade Tiradentes, no extremo da Zona Leste de São Paulo.

CALIBÃ E A BRUXA

Difícil imaginar quantas horas Silvia Federici ficou debruçada sobre livros e documentos históricos, em arquivos e bibliotecas, até compor o quadro sobre as circunstâncias históricas específicas em que se desenvolveu a perseguição às bruxas e as razões pelas quais o surgimento do capitalismo exigiu um ataque sistemático e brutal contra as mulheres.

“Realizei uma longa viagem pela história para entender como se deu a sujeição das mulheres na origem do capitalismo, e para isso fui até a Idade Média, no período de crise das relações feudais”, conta.
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Seus estudos se dão no contexto das crises demográfica e econômica na Europa dos séculos 16 e 17 e das políticas da época mercantilista: o cercamento das terras, a nova divisão sexual do trabalho que confinou as mulheres à esfera reprodutiva, o tráfico de escravos, a conquista colonial.

“Marx estudou esse período de uma perspectiva masculina. Ocupou-se somente da esferaprodutiva, do trabalho assalariado, e ignorou toda a esfera reprodutiva da vida e da mão de obra: a gestação, aleitamento e cuidado com as crianças, a sexualidade, o cuidado com os velhos e os doentes, o alimento, a limpeza. O mesmo ocorreu com Foucault em sua história da sexualidade. Uma história de homens”, considera Silvia Federeci.

Ela mostra como a Inquisição foi um instrumento para disciplinar o corpo das mulheres, que gestam e disciplinam outros corpos, para o novo sistema de exploração do trabalho. Estabelece conexões com o período que atravessamos, de intensificação do capitalismo, recrudescimento da violência e assalto aos bens comuns – em que são caçadas “bruxas” de diversos tipos, com a criminalização dos movimentos sociais e o espantoso número de assassinatos e conflitos no campo. Uma outra volta do parafuso.


É nos séculos de acumulação original do capital que se produz o fenômeno da caça às bruxas. Os anos de maior perseguição coincidem com as primeiras teorias econômicas modernas do mercantilismo e com o início da preocupação com problemas demográficos. Com a falta de mão de obra causada pela Peste Negra, que reduziu a população da Europa em 30% a 40% no século 14, os camponeses passam a ter mais poder para escolher terras, demandar pagamento e discutir tributos com os senhores. O medo das revoltas populares levou a nobreza decadente e a burguesia nascente a se aliar para elaborar as leis do Estado moderno.

“O capitalismo foi na verdade uma contrarrevolução”, afirma Silvia Federici.

Se na Europa pré-capitalista as mulheres tinham acesso às terras e outros bens comuns, agora são despojadas não só da terra como do trabalho assalariado, e seus corpos passam a ser vistos como instrumentos para controlar a população e aumentar a produtividade. Foram criminalizadas as parteiras, que também faziam os abortos, as benzedeiras e curandeiras com seus conhecimentos de poções e ervas medicinais, as adivinhas e suas visões espirituais, as hereges, as mulheres que viviam sós. Tirar das mãos das mulheres o poder sobre seus corpos abriu caminho para o desenvolvimento de uma medicina baseada em conhecimentos fora do alcance das classes populares.

Mas não se transformam camponeses em máquinas de trabalho do dia para a noite, lembra Dario Semino no artigo Brujas son negocios, umaresenha da tradução espanhola do livro. A conversão dos camponeses em trabalhadores assalariados no decorrer desses séculos demandou uma aceleração do tempo – não mais regido pelo sol e a lua, mas pelas horas e minutos marcados no relógio – e uma nova concepção do corpo humano, que passa a ser visto como máquina e submetido ao domínio da mente, numa relação hierárquica. O camponês precisa ser disciplinado, esquecer suas velhas formas de vida comunal.

“O capitalismo necessita de hierarquias”, lembrou Silvia mais de uma vez.

Com Bergman de Paula e Ana Paula Correia, na Cidade Tiradentes

A caça às bruxas veio impor uma disciplina social, de organização do trabalho e de construção do papel das mulheres, criando uma imagem desvalorizada da feminilidade: obediente, silenciosa e casta, submissa aos homens.

“Houve um período, em certas partes da Europa, que se introduziu na moda feminina um instrumento de metal sobre a cabeça das mulheres que cerrava sua boca – o mesmo que usavam para os escravos.”

Mais de 80% das pessoas executadas por bruxaria entre os séculos 16 e 17 foram mulheres, a grande maioria pobre. Em Calibã e a Bruxa,Silvia mostra como, na Inglaterra, a maior parte dos julgamentos aconteceu em Essex, onde a terra havia sido cercada e privatizada no século 16. No sudoeste da Alemanha, a caça às bruxas se dá exatamente nas aldeias onde foram massacrados os servos que se rebelaram na chamada Guerra dos Camponeses.

“A incompatibilidade da magia com a disciplina do trabalho capitalista e com a exigência de controle social é uma das razões pelas quais o Estado laçou uma campanha de terror contra elas. Lendo os processos, vê-se que as acusações eram de que matavam crianças, copulavam com o demônio, eram inimigas de deus. A grande maioria contra mulheres pobres, despossuídas pela privatização dos bens comuns, ou mulheres velhas que viviam com ajuda dos vizinhos. Foi quando a mendicância passou a ser criminalizada”, diz ela.

Um dos indicadores de que a caça às bruxas foi ferramenta do capitalismo original é que a igreja católica não foi a única a ocupar-se com a perseguição. No apogeu da caça às bruxas, o número de execuções ordenadas pelos tribunais seculares foi ainda maior que o dos católicos, e as nações protestantes, inimigas do catolicismo, foram tão cruéis com as mulheres quanto a igreja romana.

“A Inquisição foi estendida ao Novo Mundo, e no Brasil foram acusados também homens negros escravos, além das mulheres escravas. Espero que Calibã e a Bruxa inspire as jovens brasileiras a aprofundar os estudos sobre esse período“, disse Silvia às plateias que a assistiram.

Mulheres escutam fala de Silvia Federici na Cidade Tiradentes, São Paulo

MARX

O último capítulo do primeiro volume de O Capital foi dedicado ao período histórico de transição entre feudalismo e capitalismo, lembra Silvia Federici. Marx descreve o processo de acumulação primitiva nos vários séculos durante os quais os camponeses foram violentamente expropriados de suas terras pelos “cercamentos”, que os obrigaram a converter-se em trabalhadores assalariados para sobreviver.

“Os homens perderam as terras mas ganharam servas”, ironiza Silvia. “Marx explicou a acumulação primitiva do capital limitando-se à analise do mundo do trabalho produtivo, assalariado. Ignorou toda a esfera de reprodução da vida cotidiana e dos trabalhadores, do trabalho não remunerado, sem o qual não pode ocorrer a produção.”

Tinha início o “patriarcado do salário”, diz.

“O capitalismo precisa criar hierarquias: o que ganha mais, o que ganha menos, a que não ganha. O trabalho da mulher não é assalariado e portanto não é considerado trabalho. Racismo e sexismo são formas intrínsecas ao sistema, maneiras de dividir para controlar.”

Silvia relata que, ao contrário do estereótipo histórico, a queda do feudalismo foi um período de muitas lutas – contra o fausto da Igreja, que detinha poder político, o poder dos senhores feudais e dos comerciantes – por populações de artesãos e camponeses despossuídos de suas terras e de seus instrumentos de trabalho.

BENS COMUNS

A historiadora elaborou também uma perspectiva feminista sobre os Comuns, conceito importante para a luta anticapitalista nesse momento de expansão das fronteiras do capital sobre os territórios.

Nas pesquisas sobre o mundo feudal, reencontrou em solo europeu as terras comunais, águas e florestas de uso comum pelas populações campesinas, e sua despossessão progressiva dessas terras pelos cercamentos, obrigando-os a se deslocar.

Silvia trabalha com a noção primária de Comuns – as terras comunais de que foram sendo expulsos os camponeses nos séculos iniciais do capitalismo – e continuam a ser até hoje. Considera essa perspectiva oposta à de filósofos marxistas como Antonio Negri, que, segundo ela, nos anos 90, elaboraram o conceito de Comum a partir do trabalho coletivo possibilitado pela tecnologia. Ressalta o fato, sempre silenciado, de que os minérios que alimentam a indústria da comunicação digital vêm cobrando um alto preço em vidas humanas e recursos da natureza.

“São também bens comuns a história e a memória coletiva”, lembra.

Para Federici, os zapatistas são a maior referência de vida comunal por já experimentarem, há vinte anos, a forma de vida e trabalho comunitário.

“Uma geração inteira cresceu dessa maneira. Os zapatistas ainda usam dinheiro porque não conseguem produzir tudo de que necessitam para viver. Mas se organizam de forma autônoma, sem qualquer vínculo com o Estado”, lembra ela, que visitou o território indígena em Chiapas, sul do México.“

Na entrevista coletiva que concedeu a jovens jornalistas, ativistas e historiadoras

ROBÔS, HOMENS, ESPIRITUALIDADE

Sobre a visão de que, no futuro, o trabalho será desempenhado por robôs, Silvia Federici é taxativa: robôs não são capazes de fazer o trabalho afetivo envolvido na esfera reprodutiva da vida, como a geração da vida, a educação das crianças. Aqui, discorda de Angela Davis quando esta diz que espera ver o trabalho doméstico inteiramente substituído pelas máquinas.

“O que precisamos é ressignificar esse trabalho, torná-lo comum, derrubar as paredes e tirar do isolamento as mulheres que o praticam.”

Aos homens, aconselha tomarem nas mãos a luta contra a violência de gênero que fere e mata mulheres, perpetrada por seus pares. Chama a atenção para a atual produção de uma masculinidade mais violenta, com a multiplicação dos empregos na área de segurança privada.

“É responsabilidade dos homens educar outros homens”, afirma.

Sobre um possível papel da espiritualidade na luta ela lembra Standing Rock – ocupação dos nativos norte-americanos Sioux, em Dakota do Norte (EUA), apoiada por centenas de outras etnias e por não-índios, para impedir que fosse construído um oleoduto em suas terras sagradas.

“A espiritualidade é importante pois nos reconecta com algo maior que nós e traz esperança, neste mundo em que tantos já não veem futuro. Como os nativos norte-americanos, é preciso pensar nas sete próximas gerações antes de cada decisão a ser tomada.”

Falta ainda traçar uma história do capitalismo da perspectiva das crianças e dos animais, afirma finalmente Silvia Federici, que seguiu de São Paulo para Montevidéu, no Uruguai, para dar um seminário transmitido online, nos dias 25 e 26 de julho.

Na abertura do lançamento de Calibã e a Bruxa, na Galeria Olido, o auditório lotado de jovens, com apresentação de Gerhard Dilger, diretor da Fundação Rosa Luxemburgo

Posted: 26 Jul 2017 11:50 AM PDT

Escritor carioca, que estará na FLIP na próxima sexta, conversa sobre sua história e suas influências


Anderson França, após a entrevista. PEDRO CURI

FELIPE BETIM
Jornalista | Periodista - El País
Rio de Janeiro


O escritor Anderson França já trabalhou como porteiro, vendeu planos de saúde, quentinha, revista da Igreja Adventista e camiseta, foi estagiário em escritório de advocacia, deu aula de violão e bateria, foi ativista em ONGs... Também postava nas redes sociais sobre segurança pública, violência policial e direitos humanos até que, em 2014, começou a sofrer ameaças. “Entraram lá em casa e quebraram as coisas. Não sabia o risco que estava correndo. Ou sabia. Mas fazia a parada. Minha mulher falou: ‘Não vim pro Rio para morrer’”. Decidiu então mudar o foco de suas postagens e começou a desenvolver uma escrita sobre a cidade, com crônicas e comentários sobre a vida e os costumes daqueles que habitam as favelas e periferias do Rio de Janeiro. “Me tornei cronista porque tinha medo de morrer”, revela Anderson, que lançou seu primeiro livro, Rio em Shamas (Objetiva/Companhia das Letras), em outubro do ano passado e, agora, se prepara para o debate Literatura em Todas as Plataforma,promovido pela TV Globo a partir das 15h desta sexta-feira na Festa Literária de Paraty (FLIP).

Dinho, seu apelido desde criança, é evangélico da Igreja Batista e filho de imigrantes nordestinos. Nasceu em Madureira e passou por diversos outros bairros da periferia carioca, como Abolição, Piedade, Encantado, Cavalcanti ou Vila Aliança. “Meu pai devia muito aluguel e era sempre despejado dos lugares. A gente vivia em caminhão de mudança. Fui conhecendo o Rio assim”, conta ele, hoje com 42 anos e morador do Cachambi. Seu pensamento crítico, explica, começou quando morava e trabalhava na favela da Maré e conheceu Cecília Olliveira, jornalista especializada em segurança pública que hoje trabalha na plataforma Fogo Cruzado e no The Intercept Brasil. "Antes não tinha o glamour de hoje, com a galera fazendo selfie e dizendo 'sou favelado pra caralho'. Eu me sentia arrasado, não me entendia favelado. Ficava puto. Mas na Maré encontrei muita gente que pensava, escrevia... Muita gente do rap que me ajudou a fazer crítica sobre a vida. Devo muito a Cecília. Aprendi com ela como se critica Rio de Janeiro".

Suas crônicas são baseadas naquilo que ele vê e viu, vive e viveu: o vaivém nos trens entre a estação Central e a zona norte, o racismo escancarado em uma fila na padaria, a correria para pegar um ônibus que nunca para no ponto, a "suruba" em uma casa de swing de Madureira frequentada por evangélicos... “As pessoas começaram a falar para que eu escrevesse sobre Madureira, sobre Irajá... Mas o que? Aí fui descobrindo que as pessoas gostam de saber que outras vão no motel. Mas o motel bom é aquele que tem garrafa de coca de dois litros. Isso no subúrbio, de você ir para um motel com uma mulher e ter uma comida barata e o cara poder servir um refrigerante de dois litros... Isso é do caralho! É uma coisa do suburbano que ninguém falava”, explica. “Então comecei a narrar esse cara, os pequenos fenômenos de mudança, de alteração e transição que ele faz na vida, de um canto pro outro... E isso foi o que pegou. Começaram a dizer ‘Ah, eu me vejo nesse texto, ah, eu ouço muito isso, ah, isso aconteceu comigo, ah eu me lembro desse lugar’. Não estão acostumados a ver que também pode existir um grande escritor que anda de ônibus, no 277 ou no 254, como eles”.

P. O trem é o cenário de muitas de suas crônicas. Que importância ele tem para você?

R. É ele que leva as pessoas para todos os lugares. O próprio barulho do trem é o subúrbio. Tinha uma época da minha vida, quando eu tinha uns 20 anos, em que eu trabalhava como porteiro e quase não tinha dinheiro e nem ia para festa. Então eu pegava o trem e com o mesmo bilhete ficava rodando. Colocava meu fone de ouvido, escutada Racionais ou Tim Maia no walkman, e ia. Olhava a cidade do trem. O trem é a primeira coisa que um nordestino busca quando chega no Rio. É um lugar de encontros e de desgraçadas. Não quero prêmio Jabuti e nem nada. O maior reconhecimento para mim seria que uma plataforma tivesse meu nome.

Anderson França, durante a entrevista. PEDRO CURI


Nas páginas de Rio em Shamas Dinho manteve uma escrita que nasceu na e para a Internet, com recursos da era digital que reproduzem a sonoridade do jeito de falar das periferias cariocas. Ele inclusive faz questão de escrever algumas palavras de forma incorreta para que ela soe como é dita no subúrbio. "Foi difícil passar pro livro porque não tem o feedback do público. Mas quis manter a originalidade. A editora bateu o pé com algumas coisas. Por exemplo, em um momento pediram para que eu retirasse a expressão preta e colocasse negra. E eu falei não, que as mina preta aqui do subúrbio tão falando preta, e elas querem ser chamadas pretas, então é preta que fica!'".

Ainda que se identifique com escritores como Lima Barreto — homenageado da FLIP deste ano —, João Ubaldo Ribeiro, Millôr Fernandes ou Nelson Rodrigues, suas principais influências estão fora literatura, em artistas como Criolo, Aracy de Almeida, Mc Marechal e, sobretudo, o sambista Bezerra da Silva. “Existem gírias do Bezerra que permearam a cultura e a fala contemporânea. ‘Vou te dar um 22’, ‘vou te dar um confere’... A gíria é o grande lugar do morro, do subúrbio, da periferia. Na zona norte você não fala ‘motorista, me deixa aqui no ponto’. Se alguém fala isso, vão dizer ‘porra, essa pessoa vem lá de Botafogo’. Você tem que gritar ‘Coé piloto’ e resolve. A comunicação se resume a duas palavras e ele já entendeu qual é a parada. É incrível”.

Seu texto retrata com humor o cotidiano dos cariocas sem abrir mão, ao mesmo tempo, de um tom crítico com relação ao Rio e à nobre zona sul. Há também raiva e ressentimento.
Anderson França, durante a entrevista. P. CURI
P. Como a zona sul te recebeu?

R. Teve uma galera com muita resistência, que chamaram muito para si as críticas. Me chamaram de muita coisa, que eu era preconceituoso, das trevas. O cara da zona sul se sente dono da cidade. Quando fica com raiva, parte contra você com uma agressividade e violência que aí você reconhece quem é o homem branco e privilegiado, percebe que o feminismo da mulher branca não é o da mulher negra daqui, que o Marx de lá não o Marx daqui... Mas também um monte de gente de lá foi lendo e dizendo: ‘Esse cara é crítico, mas tem uma coisa aqui. Ele está expondo a gente da zona sul, mas sem espuma na boca’.

P. O que o Rio representa pra você?

R. O Rio é a capital. Mesmo. Do melhor e do pior. Ultimamente mais do pior. É o ponto cardinal. O Brasil ainda não encontrou outro. O que define mais esse país é o Rio. Até a corrupção é criada por nós cariocas. O PMDB é uma invenção nossa. Essa república é uma invenção nossa. Essa bandeira saiu daqui. O Brasil é uma grande filial do Rio de Janeiro. Eu tenho pena disso. (...) Tenho mágoas do Rio porque sou filho daqui. É tipo magoa de família. A coisa mais importante hoje é me sentir aceito na minha cidade. Eu sair no jornal da minha cidade, por exemplo, é importante pra mim.

Anderson França, durante a entrevista. PEDRO CURI

Esquerda x empreendedorismo

Além de escritor, Anderson dá aulas de empreendedorismo na Universidade da Correria (UC), criada por ele em 2013. No início ele dava aulas em casa. Tinha acabado de se divorciar quando decidiu criar um curso com o qual pudesse também tirar o próprio sustento. "Como ninguém tem grana pra pagar mensalidade, porque tá todo mundo pobre, fiz o seguinte: peguei umas malhas que eu tinha, fiz camiseta e vendi 200 na rua. Com o dinheiro eu me paguei e fiz duas turmas na Maré", conta. Google, Sebrae, Sesi, Fundação Telefônica e Brasil Foundation foram algumas das entidades que se interessaram pelo projeto e financiaram novas turmas depois. "Falo que estamos criando um ecossistema, que ninguém vai ser rico. O capitalismo tende a entrar em colapso, então o que temos de fazer é criar ecossistemas e fazer rodar, entre nós, riquezas. Não é sobre dinheiro. É sobre a gente se manter, sobreviver pros próximos anos". A UC já deu aula para 4.000 pessoas, montou 200 negócios e arrecadou 180.000 reais de investimento direito pros alunos. A próxima turma será aberta em setembro. "Estamos vendo aqui coisas incríveis que são um mercado futuro mais humano, que fale menos de dinheiro e mais de realização. E a esquerda não está aqui. E deveria estar, cara!", diz ele, que também ajuda sua esposa em A Pequena Cozinha, uma empresa de gastronomia.

Dinho se considera de esquerda — "ajudei a colocar o Lula no poder e sou fruto do Governo Lula" — mas não economiza críticas a ela. Diz que se tornou "uma bolha acadêmica que fala apenas para o cara da classe média que teve acesso ao privilégio de entender a leitura". Para ele, ela "perdeu o contato e a linguagem do povo" e se transformou "na nova cerveja artesanal, o novo hambúrguer gourmet". A esquerda brasileira, acredita, "só conversava com o trabalhador de chão de fábrica, mas não conversa com os de hoje" porque, entre outros motivos, "é contraditório falar de empreendedorismo e ser de esquerda".

A realidade da periferia empreendedora foi o foco de uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, divulgada em abril deste ano. Muitos comemoraram a suposta guinada da classe trabalhadora em direção para o liberalismo. Mas para Dinho, o estudo não só refletiu a ascensão de uma população que hoje consome mais e demanda mais serviços, como também constatou algo que também sempre existiu. "Muitos romantizam dizendo que a periferia é de direita. Mas quem empreende é porque está desempregado. É por necessidade, não por vontade. Ou empreendem ou são despejados. Sempre foi assim. Muitos dos que passam pela UC preferiam estar com carteira assinada. A direita romantiza o empreendedor da mesma forma que a esquerda romantiza o trabalhador", explica. Diz ainda haver uma forma para que a esquerda se reconecte com a população da periferia: "Acho que ela gostaria de receber o tratamento que recebe na Igreja. De ser identificada como ator importante".

P. O que é crise para a periferia?

R. Desde que a periferia é periferia, a polícia sempre considerou que o pobre morador de morro e subúrbio é vagabundo. A periferia sempre teve que lidar com um processo contínuo de exclusão, preconceito e racismo. Quem vive há 100 anos nisso não saberia identificar crise, porque pra eles é a rotina. Eles já estão num degrau abaixo. Quem tá dizendo que tá em crise é porque tá num degrau acima. A perda de emprego na periferia sempre foi continua, porque eles sempre são contratados para subempregos. Nunca houve grandes conquistas em massa, mesmo depois dos últimos 13 anos.

Anderson França, durante a entrevista. PEDRO CURI

Posted: 26 Jul 2017 11:35 AM PDT

© REUTERS/ Marco Bello

Os EUA estão considerando todas as opções de sanções contra a Venezuela, incluindo contra o setor petrolífero do país. A informação foi de um porta-voz da administração dos EUA.

"Consideramos todas as opções," disse a fonte em resposta a uma pergunta de jornalistas.

O alto funcionário da Casa Branca reforçou que quem se somar à Constituinte, poderá ser sancionado.

"Qualquer um que decida aderir à Assembleia Nacional Constituinte deve saber que seu papel em minar os processos democráticos e as instituições na Venezuela pode expôr o país a novas sanções dos EUA", afirmou o funcionário.

Mais cedo, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que submeteu uma lista de sanções a 13 indivíduos, incluindo ministros atuais e antigos, chefes de polícia e o vice-presidente da Companhia Nacional de Petróleo do país.


Sputnik News
Posted: 26 Jul 2017 11:19 AM PDT

Um grupo de quatro homens num vilarejo miserável da América do Sul vê num perigoso bico a chance de ganhar dinheiro e fugir do descaso. O trabalho é transportar toneladas de explosivos até um poço de petróleo por um caminho de estradas precárias, montanhas e penhascos. A recompensa é de dois mil dólares. O risco é de haver uma explosão e morrerem. É o que acontece com os primeiros trabalhadores. Os que vinham atrás seguem viagem, mas o caminhão atola num lamaçal. Um dos homens tenta ajudar, mas ele mesmo fica preso na lama. Seu único companheiro decide acelerar o caminhão, passando por cima e esmagando a perna do colega, que morre. O então sobrevivente chega ao destino, ganha o dinheiro, porém se envolve num acidente voltando para casa e também morre.

A história é do filme “Salário do Medo”, de 1953. Mas num país que tem hoje 14 milhões de desempregados, gastos públicos congelados por 20 anos, uma lei da terceirização que inclui a atividade-fim e uma reforma trabalhista denunciada à Organização Internacional do Trabalho, até que ponto o filme é tão distante do que o Brasil está prestes a se tornar?

Beco sem saída

“Um país sem investimento”, disse o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro. “Uma economia em letargia”, afirmou o presidente do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Guilherme Afif Domingos.

“Um país ingovernável”, na avaliação de Giovanni Alves, professor e sociólogo da Unesp. Para o pesquisador, é como se o Brasil estivesse numa espécie de espiral de pessimismo, que desce sem perspectivas de melhoras. “Essas reformas vão piorar as expectativas dos investidores, porque constrangem a demanda interna do país. Como é que você vai ter consumo das famílias? Sem consumo, como as empresas vão investir sem ter expectativa no crescimento das vendas?”, questiona.

Conforme as previsões do Banco Central, o crescimento do Brasil este ano deve ser próximo de zero. Resultado, que na visão de Alves, vem de uma estratégia suicida da classe empresarial e da direita brasileira. “O capitalista tem uma visão microeconômica. Ele pensa na redução do custo, do salário dos trabalhadores dele. Ele não tem uma visão do impacto disso na massa salarial do país. É uma visão muito estreita”, critica.

A expectativa de venda, explica, poderia ser incentivada pelo Estado, “que está paralisado por conta do contingenciamento de gastos”. Giovanni Alves afirma que o empresariado quer que o Brasil cresça com baixos salários, o que poderia ocorrer a médio e longo prazo, mas se houvesse uma ampla redução de taxa de juros, possibilitando o investimento na produção. O problema é que não foi isso e nem é o que acontece. O país, defende, chegou no limite do neoliberalismo. “A direita é assim, cava sua própria sepultura. Essas políticas são insustentáveis. São burras.”

Experiências

João Cayres, do diretório nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) aponta pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre as experiências de flexibilização das leis trabalhistas no mundo. “Os estudos apontaram que em todos os países que flexibilizaram a legislação trabalhista, ao invés de a situação melhorar, piorou”. Ele acredita que a Espanha é exemplo do que pode acontecer no Brasil.

O estudo “A austeridade funcionou na Espanha?”, do Centro de Pesquisa para Economia e Política (CEPR), de dezembro de 2015, apontou que políticas de desvalorização interna do euro, reforma trabalhista, ajuste fiscal e outras reformas estruturais baseadas na ideia de aumentar o crescimento com o ganho de “eficiência” geraram mais desemprego e pobreza. “O número de pessoas consideradas em risco de pobreza e exclusão social aumentou com a taxa de desemprego, de 10,4 milhões em 2007 (ano em que se iniciava a grave crise financeira na Europa) para 13,4 milhões em 2014”, diz a publicação.

Do ano passado para cá, o país teve uma redução de quase três pontos percentuais no desemprego, mas ainda é líder na Europa em número absoluto de desempregados, taxa que atinge 17% da população. O FMI sugeriu medidas de ajuste fiscal, que defende terem repercutido em melhorias na área da saúde e educação públicas. Por outro lado, o estudo do CEPR aponta que uma leve recuperação econômica aconteceu na Espanha quando houve um “relaxamento” da política fiscal.

Não é uma visão isolada. A OCDE constatou, por meio de pesquisas, que as políticas de austeridade tiveram efeito recessivo na zona do euro e que, em meio à falta de investimentos, a saída estaria no aumento dos gastos públicos.

Para João Cayres, não é só a experiência internacional que mostra que o Brasil está indo para o caminho errado. “Parece que as pessoas não têm memória. Nos anos 1990, mexeram na legislação trabalhista. Chegamos em 2002 com a maior taxa de desemprego da história”, recorda.

Na época, reportagem da Folha de S. Paulo revelava que o país era o segundo do ranking mundial de desemprego, com mais de 11 milhões de pessoas desocupadas. Situação que mudaria radicalmente a partir dos governos Lula e Dilma. “Em 2014, tínhamos a menor taxa de desemprego do Brasil, sem precisar mexer em um vírgula da legislação trabalhista, muito pelo contrário”, observa.

O que acontece, na percepção do sindicalista, não é que se busca uma solução melhor para o país. É exatamente o oposto. “Eles estão legalizando as ‘picaretagens’ que boa parte do empresariado do Brasil faz. Se não tivesse essas picaretagens, não precisaria de fiscal do trabalho, de sindicato combativo. Isso vai gerar empregos precários”, prevê.

Cayres defende que o debate em torno da Reforma Trabalhista e da Previdência deveria ter envolvido a sociedade, em discussões a longo prazo. Mas, o processo foi feito “a toque de caixa”. Após a consulta de um especialista no Congresso, um projeto completamente diferente foi apresentado, aprovado e sancionado.

No caso da Reforma da Previdência, lembra que o governo Temer aumentou a Desvinculação de Receitas da União (DRU) para 30%. “Como é que o governo fala que é deficitária e aumenta a quantidade de receita que pode mexer num lugar que se diz não tem dinheiro?”

A grande imprensa, aponta ele, termina de fazer o trabalho sujo. “Fica o dia inteiro falando que a previdência vai quebrar. E nós escutamos isso desde 1988, quando foi criado o sistema de seguridade social”, relata.

“Golpe é pra isso mesmo. São uma destruição do sistema de seguridade social e relações trabalhistas no Brasil. Estamos voltando ao início do século passado”, analisa. “Essas reformas têm uma perspectiva de interesses de classe”, diz Giovanni Alves. “Boa parte do empresariado tem uma mentalidade escravagista”, afirma João Cayres.

Impacto nos sindicatos

O fim da contribuição sindical obrigatória, uma das medidas previstas pela Reforma Trabalhista, deve provocar múltiplas consequências. O Brasil tem uma espécie de indústria sindical, com quase quatro mil sindicatos, observa o pesquisador Giovanni Alves. “Por um lado, pode enfraquecer aqueles balcões que vivem da contribuição sindical, mas não têm nenhum contato com a luta da categoria”, aponta.

Ele se refere principalmente a sindicatos do comércio, que, na sua visão, são uma categoria fragmentada, de pouca capacidade de mobilização e submissa aos interesses dos patrões. Sindicatos que até então tinham acesso a um fundo público de contribuições, o que deverá acabar.

“Mas não podemos ver apenas sob esse aspecto. Tem sindicatos que são atuantes. Esse sindicatos, às vezes, lidam com categorias muito difíceis, que não têm uma consciência de classe. Esses sindicatos vão perder recursos. Já têm dificuldades de fazer essa luta. Sem esse recurso, vão fechar as portas”, afirma. Com isso, Alves acredita que os trabalhadores perceberão uma dificuldade maior de mobilização.

Mesmo antes da Reforma, Cayres aponta que os sindicatos já eram alvo de tentativas de enfraquecimento por grandes empresas brasileiras. Ele cita o caso da Participação sobre Lucros e Resultados (PLR). “O trabalhador não recebia, o sindicato negocia o PLR e cobra 4% sobre isso, e como a lei prevê o direito de oposição, as empresas botam os trabalhadores para exercer o direito de oposição e prejudicar o sindicato”.

Ele diz que, no caso da CUT, não serão afetados pelo fim da contribuição sindical obrigatória. “Sou de um sindicato que há 30 anos devolve o imposto sindical. A gente vive de mensalidades dos trabalhadores”, relata. A grande questão, aponta ele, é quem será representado agora. Se antes os benefícios obtidos pelos sindicatos eram automaticamente repassados a todos os trabalhadores de uma categoria, fossem eles sindicalizados ou não, agora esse contingente será restrito. “Nós vamos representar quem de fato? Só os sócios do sindicato, como acontece nos Estados Unidos, onde só recebe os benefícios quem faz parte do sindicato. Isso é justo”, opina.

O filme “Pão e Rosas” (2000), de certo modo, representa esse quadro. Mostra a história de duas irmãs mexicanas que trabalham na limpeza de um prédio nos Estados Unidos. Enquanto uma se submete ao assédio sexual para sustentar sua família, a outra é humilhada de outras formas numa classe social que parece não ter a quem recorrer, a não ser os sindicatos. Mas como recorrer a eles, sob a ameaça dos chefes? Um ativista americano lhe apresenta uma dessas associações e a luta acaba levando-a à expulsão do país.

Deterioração dos serviços

Nesta semana, o governo Temer anunciou a medida provisória que proporá um Plano de Demissão Voluntária (PDV) a funcionários públicos federais. A proposta já foi amplamente criticada, tanto por economistas que dizem que o efeito será baixo, quanto por sindicalistas.

“O governo Temer insiste em cobrar a conta da crise do povo pobre. Ao diminuir o número de servidores e fragilizar os serviços públicos, é a população, que necessita das políticas, investimentos e serviços públicos, que será atingida”, afirmou em nota de repúdio João Paulo Ribeiro, secretário nacional dos trabalhadores públicos da CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil).

Notícias de precarização dos serviços públicos são cada vez mais comuns. Giovanni Alves aponta a falta de verba para emissão de passaportes, a suspensão de unidades da Polícia Rodoviária Federal e falta de contratação na área da saúde como sinais disso. “E olha que nem se começou ainda a sentir os efeitos do teto do gasto público”.

Ainda em nota, a CTB afirma que se trata de outro conjunto de medidas adotadas nos governos Collor e Fernando Henrique, que já surtiu em péssimo efeito:

“A aplicação deste receituário resultou em uma taxa de pobreza de 34% da população e de extrema pobreza de 15%, ou seja, 49% da população brasileira vivendo sob condições subumanas, graças à redução do poder do Estado na indução do desenvolvimento, ao sucateamento dos órgãos federais e às demissões através dos Planos de Demissão Voluntária ou Planos de Demissão Incentivada (PDI).”

Povo

Como para mais de 90% da população, segundo as pesquisas mais recentes, os argumentos de Temer não convencem Lúcia Mendonça Dantas, 46 anos, moradora da cidade de São Paulo. “Eu acho tudo mentira. Eles querem só tirar mais dinheiro do contribuinte”, afirma.

Desempregada há seis anos, desde que decidiu sair do emprego de revisora de confecções, ela tentou voltar ao mercado de trabalho, mas os salários não compensavam o desgaste para ela. “Saí porque eu chegava muito tarde, depois tinha que cuidar da casa e filhos. Estava ficando muito estressada”, conta. A partir de então, a família de quatro pessoas passou a ser sustentada apenas pelo marido. “Não pagamos aluguel, então vamos sobrevivendo”, explica.

Lúcia não tem acompanhado a Reforma Trabalhista, mas tem certeza que ela irá lhe prejudicar. Sobre a Reforma da Previdência, acredita que só irá se aposentar aos 75. “Isso se estiver viva. Porque o governo já faz isso pra ninguém mais ter aposentadoria”, diz.

Ao ser informada de que que a nova legislação permitirá o pagamento aos trabalhadores apenas por horas trabalhadas ou que seja terceirizada a atividade-fim de um trabalhador, fica claro para ela do que se trata. “Acho errado isso, porque agora ninguém vai mais ter emprego fixo”, opina.

Lúcia propõe que o povo derrube Temer do governo. “Porque ele quer que o povo trabalhe até morrer, pra pagar as dívidas deles”, avalia. “Dívidas”, para ela, se referem à corrupção. “Deles”, diz, são todos os nomes da política.

Mesmo tirando Temer, Lúcia não acredita que a situação do trabalhador melhorará. “Todos os deputados, ministros, senadores, presidentes estão envolvidos (em corrupção). Desde sempre”, afirma. Ainda assim, o nível de desemprego atual, observa, é pior do que nos governos anteriores.

Giovanni Alves acredita que nem o próximo governo eleito terá condições de governar o país. “Seja ele qual for, de centro-esquerda, e principalmente de direita, não acredito que o Brasil possa voltar a uma situação mais estável. Eu espero que nós tenhamos democracia pra dar a resposta”, propõe.

João Cayres é mais otimista. “Sabemos que temos a Reforma da Previdência. Se um grupo como o de Temer assumir o poder, vão querer aprofundar mais as reformas. Se for diferente e ganhar por eleição, vamos lutar para que revogue o que foi feito agora”, afirma.

Para Lúcia Mendonça, nem eleições são uma saída para o Brasil. “Nós mesmos fazemos má escolha porque não tem nenhum honesto pro povo escolher”, analisa. “Às vezes penso que nunca vai melhorar. Só piorar”.

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