segunda-feira, 3 de julho de 2017

3/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 03 Jul 2017 11:46 AM PDT
Por Altamiro Borges

Na busca alucinada por um sucessor para o odiado Michel Temer, já tratado como bagaço por um setor dos golpistas, o nome de Henrique Meirelles passou a ser a principal aposta do “deus-mercado”. Na mídia rentista, o czar da economia passou a ser tratado como “herói nacional”, como responsável pela volta da confiança dos investidores e pela retomada do crescimento do país. Os ex-urubólogos da imprensa, que no governo de Dilma Rousseff só davam notícias pessimistas, esbanjaram otimismo com o novo ministro da Fazenda e sua equipe econômica. A manipulação midiática, porém, não conseguiu esconder a triste realidade do agravamento da crise. Diante do fiasco, Henrique Meirelles parece que já está sendo descartado.

Nas notinhas da mídia privada fica evidente o processo em curso da sua queimação. A revista Época, da famiglia Marinho, postou na quarta-feira passada (28) um veneno que antes seria deletado. Segundo a nota maldosa, “num dos diálogos que manteve com o ex-assessor especial da Presidência da República Rodrigo Rocha Loures para tratar de interesses junto ao governo, o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, disse que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é companheiro e maleável. ‘É um sujeito habilidoso e taI. Ele é um sujeito engraçado que, como se diz assim, ele tem um bom mix de... ele é um cara duro, mas ele é maleável’, afirma o empresário. ‘Ele... se você precisar de um, isso aí da Previdência. Vamos chutar, ele chuta. Henrique, dá uma seguradinha, ele segura. Ele não é cabeça dura não. Ele é companheiro’”.

Dois dias depois, na sexta-feira, outra notinha apimentada contra o principal escudeiro do ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central. “No inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal para investigar o presidente Michel Temer foram anexadas transcrições de conversas gravadas pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F, com agentes públicos. Num desses diálogos, mantido com o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, em meados de março passado, o nome do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi citado. Os dois falavam sobre áreas do governo estratégicas para o empresário, incluindo o Banco Central. Rocha Loures afirmou a Joesley que se dá ‘muito bem’ com Goldfajn”.

Famiglia Marinho aposta em outro cavalo

Estas duas notinhas do panfleto da famiglia Marinho não são gratuitas. A poderosa Rede Globo já decidiu se livrar do odiado Michel Temer, calculando que seu desgaste pode implodir também a aplicação do projeto ultraliberal de desmonte da nação e propiciar a volta do temido Lula. Para substituí-lo no posto, através de eleições indiretas no Congresso Nacional, ela chegou a nutrir simpatias por Henrique Meirelles. Daí o empenho dos seus “jornalistas” de aluguel para bajular o “companheiro” de Joesley Batista. O fracasso das suas medidas de retomada do crescimento, porém, parece ter alterado o plano continuísta da famiglia Marinho. Os vários veículos do grupo – jornal O Globo, TV Globo, GloboNews, rádio CBN, entre outros – já estão apostando em outro cavalo – o demo Rodrigo Maia, o jagunço dos empresários que preside a Câmara Federal. A conferir!

Em tempo: Outro fator que pode ter levado a famiglia Marinho a fritar o “companheiro” Henrique Meirelles é a percepção do “deus-mercado” de que a sonhada contrarreforma da Previdência deu chabu. Na semana passada, a Folha postou uma nota que evidencia o temor dos empresários que financiaram o golpe dos corruptos. Segundo a matéria, “investidores e analistas do mercado financeiro passaram a descartar a aprovação de uma reforma robusta pelo governo Michel Temer e agora projetam alterações profundas nas regras de aposentadorias apenas a partir de 2019, com um novo presidente. Para gestores de fundos de investimentos e economistas, o enfraquecimento de Temer com a delação da JBS e a imprevisibilidade da crise política fizeram desmoronar o poder de que o governo precisaria para aprovar uma pauta considerada impopular”.

Henrique Meirelles apostou todo seu “prestígio” junto aos abutres financeiros nesta “reforma”. Pelo jeito, ele se deu mal!

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Posted: 03 Jul 2017 07:05 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Ana Paula do Vôlei não anda sozinha. Ela é multidão.

Ana Paula do Vôlei é um símbolo, um amálgama do que temos de pior: o jeitinho atávico, a democracia seletiva, a raiva de pobre disfarçada em discurso moralista, o analfabetismo político, o papo furado contra a corrupção enquanto se é corrupto.

Ancelmo Gois deu a nota em sua coluna no Globo.

“Uma ex-funcionária de uma empresa da qual Ana é sócia cobra uns R$ 16 mil em dívida trabalhista. Foi determinada a penhora do apartamento da ex-atleta no Leblon”, escreveu.

“Ana Paula, que vive nos EUA desde 2009 e até declarou voto em Trump, disse à Justiça que mora no apartamento e, com isso, conseguiu suspender temporariamente o leilão. A ex-funcionária dela vai recorrer”.

A quantia é irrisória perto do que ela amealhou em sua “carreira” - o ministro do STF Marco Aurélio destruiu essa palavra com sua decisão liberando Aécio Neves para o Senado - e perto do que faz parecer nas redes sociais com sua ostentação de uma american life.

Ainda assim, ela prefere inventar que mora no Rio de Janeiro.

Ana Paula é Rocha Loures, livre para cumprir prisão domiciliar no sábado, dia 1º, e que furou fila para ter acesso à tornozeleira eletrônica.

Um lote de vinte aparelhos deveria atender imediatamente aos detentos que os aguardavam para terem a chance de progressão de regime.

Foi diretamente para Rocha Loures.

Teria havido um acordo às pressas para quitar a dívida com a empresa que fornece o equipamento - que costuma, aliás, sair com defeito.

Como foi parar na perna de Rocha Loures antes da dos outros? Jamais saberemos.

Ana Paula é Aécio, que ignorou a ordem do STF de não exercer atividades parlamentares durante seu afastamento.

Ele não apenas recebeu líderes de seu partido e postou no Facebook imagens no Facebook, como assinou um documento interrompendo o mandato de um deputado federal do PSDB no Acre de modo a pôr um aliado no lugar.

Tudo às claras, num desafio de quem nunca teve problemas com a Justiça e não é agora que terá.

Ana Paula é Michel Temer, que mandou instalar no Palácio do Jaburu um muro de plantas para impedir que os visitantes sejam vistos. O tal “corredor verde” encobre a visão.

Ao invés de suspender os encontros com a vagabundagem, Michel dá esse truque. Numa estada recente em São Paulo, ele já havia mandado FHC e Tasso Jereissati entrarem pela cozinha do hotel para não ser avistados.

É o golpe no golpe, o desrespeito às leis por parte de quem pode desrespeitá-las, a pós-normalidade do impeachment fraudado.

Como diz aquele locutor chato dos jogos da seleção: Brazil, zil, zil…
Posted: 03 Jul 2017 07:00 AM PDT
Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

“... o sentido da colonização brasileira ... é o de uma colônia destinada a fornecer ao comércio europeu alguns gêneros tropicais ou minerais de grande importância ...” (Prado Jr., 2000)

"A nossa economia se subordina inteiramente a este fim, isto é, se organizará e funcionará para produzir e exportar aqueles gêneros. Tudo mais que nela existe ... será subsidiário e destinado unicamente a amparar e tornar possível a realização daquele fim essencial.” (Furtado, 1977).


A recente expansão dos setores agrários e de exportação aponta o sentido de Brasil que emerge da mais grave recessão econômica de todo o período republicano. Sem poder contar com as forças do seu mercado interno, mutiladas pela condução da política econômica do governo Temer, sobressaem os múltiplos e individualizados interesses regionais em conexão cada vez maior com o exterior, o que termina por reconstituir a velha figura do arquipélago de regiões sem a existência de um centro dinâmico e integrador do nacional.

Nesse sentido vem a retomada da trajetória que vigorou por quatro séculos (1530 a 1930), quando a evolução regional expressava simplesmente a forma com que o Brasil encontrava-se inserido na economia mundial.

Embora os ricos acumulassem suas riquezas a partir de uma economia fragmentada em alguns enclaves localizados no território sem conexão interna, eles se mantinham focados no modo de vida de fora, especialmente na Europa.

Por conta disso, não causa estranheza reconhecer que nos dias de hoje, os ricos e privilegiados miram-se cada vez mais no exterior. Tem sido comum, por exemplo, empresários, ministros de Estado e até presidentes do Banco Central continuarem a receber suas remunerações no Brasil, embora mantenham suas famílias no exterior.

Também comentaristas e analistas econômicos, entre outros ilustres personagens abordados recorrentemente pela mídia local, emitem opiniões e reflexões na defesa da política kamikaze no Brasil a partir de breves passagens pelo país ou mesmo de onde se encontram, no exterior.

Nada mais favorável ao improdutivismo rentista tupiniquim que, alimentado por doses cavalares das mais altas taxas de juros do mundo, prefere a transferência da sua localização para países "seguros", com crescimento econômico e serviços públicos decentes, bem como escolas de elevada performance para seus filhos.

Da mesma forma, registra-se que o avanço na deflação de preços, a denunciar a sequência depressiva em que se encontra o sistema produtivo voltado ao mercado interno, recebeu maior impulso com a mais nova decisão da equipe econômica de Temer de rebaixar a meta e o nível das bandas superior e inferior da inflação. Assim, a direção do Banco Central recebeu carta branca para manter o país na liderança mundial da taxa de juros real.

Com isso, o grau de investimento na economia nacional derrete para próximo de um décimo do PIB, sem paralelo nas estatísticas oficiais. A política de terra arrasada tende a seguir garantida pela somatória de interesses próprios dispersos regionalmente e cada vez mais individualizados pelo câncer do rentismo.

O autoexílio dos interesses da nação, expressão do insulamento de vontades individuais rebaixadas e de posições de egoísmo condenável, estende-se nos diversos poderes da República.

Somente o abandono da política kamikaze de Temer poderia recompor o Brasil no seu conjunto e em torno de um novo caminho sustentável para a recuperação econômica, base pela qual, seria possível fazer as pazes com o futuro e que este não fosse a repetição do passado.
Posted: 03 Jul 2017 06:39 AM PDT
Do site Brasil Debate:

“A austeridade foi um fracasso para Portugal, como também representou para todos os outros países em que se tentou esta mesma política.” Esta é a conclusão do prêmio Nobel em Economia Joseph Stiglitz, ao analisar o período em que Portugal aplicou ao “pé da letra” a cartilha da austeridade.

Para “salvar” a economia e as contas públicas, devastadas pela crise econômica mundial de 2008, o governo português recorreu ao empréstimo de 78 bilhões de Euros concedido pela troika[1]e implantou o seu pacote de ajustes de 2011 a 2014, executando medidas que diminuíram o gasto público, aumentaram a carga tributária, reformaram o mercado de trabalho, dificultaram o acesso ao crédito e ainda cortaram vários benefícios sociais e o número de seus beneficiários.

Assim, seguindo a lógica da contração fiscal expansionista, o governo português cortou em até 10% os salários dos funcionários públicos, cortou parte do fornecimento de medicamentos e de transporte de doentes, aumentou em 20% o preço dos transportes públicos, aumentou o imposto de renda e o imposto sobre o valor adicionado, congelou o salário mínimo por 4 anos, facilitou a demissão de funcionários nas empresas privadas, reduziu o prazo e o valor do seguro desemprego, aumentou a idade mínima para a aposentadoria além de muitas outras medidas de austeridade.

Como consequência do ajuste, Portugal agravou ainda mais a sua situação fiscal: a dívida pública aumentou de 96,2% do PIB em 2010 (antes do pacote) para 130,6% em 2014 e o déficit público, apesar de menor do que no auge da crise mundial (2009 e 2010), não se reduziu de maneira significativa, ficando na média de 6,3% entre 2011 e 2014.



Além disso, o desemprego aumentou durante o período da austeridade, atingindo 16,4% da população economicamente ativa em 2013 e a economia, que estava se recuperando em 2010, entrou em recessão, com o PIB apresentando taxas negativas em três anos seguidos, sendo a maior queda em 2012, de -4,0%.



A situação econômica portuguesa só começou a melhorar depois que o país abandonou o programa de ajuste da troika, em junho de 2014, e após a eleição do primeiro ministro António Costa em 2015, com um programa de governo contrário à austeridade.

Desde então as medidas passaram a ser de estímulo à economia, com destaque para o descongelamento do salário mínimo, a recomposição dos salários do funcionalismo público, a retomada de alguns benefícios sociais excluídos entre 2011-2014, o incentivo ao consumo, a revisão dos aumentos nos impostos, o aumento dos subsídios para as empresas contratarem pessoas há muito tempo desempregadas, além de medidas para fortalecer os bancos públicos portugueses.



Ao contrário do que a cartilha da austeridade fiscal defende, são as medidas de estímulo econômico que tanto têm feito a economia portuguesa crescer, quanto têm melhorado as contas públicas do país e seu nível de emprego.

O PIB português cresce há 14 trimestres consecutivos, atingindo 2,8% no primeiro trimestre de 2017, o desemprego se reduziu a 10,1% nesse mesmo trimestre e o déficit público caiu em mais de 5 pontos percentuais do PIB desde a supressão das medidas de austeridade e, em 3 anos, chegou a 2,0% do PIB – o nível mais baixo desde a transição de Portugal para a democracia, em 1974.

Nota

[1] Nomenclatura que se usa para se referir, em conjunto, ao Banco Central Europeu, à Comissão Europeia e ao Fundo Monetário Internacional.
Posted: 03 Jul 2017 06:34 AM PDT
Por Rafael A. F. Zanatta, no site Outras Palavras:

Essa semana, Google e Facebook – dois dos maiores gigantes do capitalismo de vigilância contemporâneo – sofreram duros golpes em suas reputações corporativas, abrindo um debate mundial sobre a ética de suas ações e as vulnerabilidades de nossa dependência a esses monopólios da era digital.

Na terça-feira (27/06), a Comissão Europeia impôs uma multa de quase 9 bilhões de reais ao Google por “abuso de posição dominante como motor de busca” e “por dar vantagem ilegal a seu próprio serviço de compras comparativas”. Trata-se da maior punição antitruste a uma única empresa já realizada na Europa.

As investigações foram conduzidas por Margrethe Vestager, comissária da União Europeia para defesa da concorrência (e forte liderança do Partido Social-Liberal da Dinamarca). Ela revelou que o Google situava sistematicamente em lugar destacado seus próprios serviços de compras comparativas, “colocando em lugar pior os serviços de comparação rivais nos resultados de busca”. Para a comissária, o Google “ocupa uma posição dominante nos mercados de busca de internet no Espaço Econômico Europeu” e, com suas práticas de manipulação, “abusou da posição dominante dando a seus próprios serviços uma vantagem ilegal”.

Em um processo de investigação sigiloso, realizado desde 2014, Vestager reuniu um amplo conjunto de provas, incluindo 5,2 terabytes de resultados de busca (1.700 milhões de consultas), experimentos e estudos que demonstravam a visibilidade e o comportamento de consumidores em número de cliques, dados financeiros da Google e seus competidores e o declínio de acessos em websites europeus.

Para analistas do Financial Times, a decisão é um divisor de águas na regulação antitruste aplicada à “nova geração de empresas de tecnologia dominantes dos Estados Unidos”. Um terço da receita do Google com publicidade em buscas na Europa vem dos anúncios de compras que foram analisadas pela União Europeia. A decisão, enfim, “abre o coração do mecanismo de busca do Google” e possibilita o debate sobre como outros poderão utilizar seu mecanismo para conseguir uma melhor exposição.

Para quem se recorda do chamado de Richard Sennett de 2013 para “quebrar o poder de mercado do Google”, a decisão reabre um debate sobre monopólios na era digital. “A dominação é real e deve ser combatida”, dizia Sennett, por mais que essas empresas nos pareçam boazinhas.

Na quarta-feira (28/06), o centro independente de investigação ProPublica divulgou documentos internos do Facebook sobre o modo como seus 2 bilhões de usuários têm seus discursos avaliados, passando por filtros de censura sobre o que poderia configurar “discurso de ódio”.

De acordo com a denúncia do ProPublica, os algoritmos – fórmulas matemáticas que executam ações e comandos – do Facebook geram resultados socialmente questionáveis, assegurando os direitos de grupos com posições sociais asseguradas (como homens brancos) e desprotegendo grupos minoritários (crianças negras, por exemplo). Documentos internos vazados da empresa mostram que revisores de conteúdo eram orientados a trabalhar com uma fórmula simples (protected category + attack = hate speech). “Sexo” e “identidade de gênero”, por exemplo, são consideradas categorias protegidas, ao passo que “idade” e “ocupação” não. Como a fórmula exige uma dupla combinação de categorias protegidas (PC + PC = PC), discursos voltados a mulheres motoristas não são considerados de ódio, pois há uma categoria não protegida, que é ocupação (PC + NPC = NPC).

O simplismo de fórmula matemática do Facebook e a tentativa de “proteger todas as raças e gêneros de forma igual” despertou a crítica de acadêmicos. Denielle Citron, da Universidade de Maryland, argumentou que as regras do Facebook ignoram o espírito do direito e a análise contextual da proteção. O Facebook saiu em defesa própria, alegando que as políticas não possuem resultados perfeitos e que é “difícil regular uma comunidade global”.

Em ensaio para revista Wired, Emily Dreyfuss analisou a denúncia da ProPublica e argumentou que o problema é maior é que o Facebook é “muito grande para ser deletado”. Ao conectar um quatro da humanidade, as pessoas que precisam de uma plataforma para expressão não são capazes de sair – mesmo se forem alvos de censuras arbitrárias ou desproteções, como o caso dos algoritmos de “discurso de ódio”.

Isso leva a uma situação paradoxal. Ativistas em defesa da privacidade e lideranças do movimento negro – que atacam práticas realizadas pelo Facebook, como coleta maciça de dados e tratamento tecnológico desigual para brancos e negros – dependem do Facebook para compartilhar informação, pois as perdas são muito grandes ao deletar sua conta e isolar-se da rede de Zuckerberg. “São poucos os que podem se dar ao luxo de abandonar o Facebook e utilizar outras redes”, afirma Dreyfuss.

Renata Mielli, ativista integrante da Coalizão Direitos na Rede, em ensaio para o Mídia Ninja nesta quinta-feira (29/06), foi perspicaz no diagnóstico: “O Facebook está sugando a internet para dentro de sua timeline”. Ele é o “maior monopólio privado de comunicação do mundo”, colocando em cheque as bases de nossa democracia.

Retomamos, assim, à grande provocação de Richard Sennett: se sabemos que esses gigantes devem ser quebrados e se estamos cientes dos aspectos prejudiciais desses monopólios sociais, o que podemos fazer?

A The Economist, em matéria de capa no mês de maio1, surpreendeu os progressistas ao oferecer uma crítica ao poder do Google e Facebook. A revista inglesa argumentou que é necessário “repensar radicalmente” os instrumentos antitrustes para os gigantes de coleta de dados (Google e Facebook), pois os reguladores ainda estão presos a conceitos de era industrial, ao passo que os instrumentos de análise devem ser voltados a empresas de tecnologia focadas em dados.

A Economist também propôs duas ideias embrionárias: aumentar a transparência sobre como os dados pessoais são coletados e monetizados (aumentando poder de barganha dos “fornecedores” – ou seja, nós mesmos) e redefinir conceitos jurídicos aplicáveis a essa nova indústria, tratando os data vaults (bancos de dados modelados para fornecer armazenamento histórico de longo prazo) como “infraestrutura pública”, forçando o compartilhamento de dados para estimular a competição.

Seriam ideias viáveis? Talvez. O mais importante, nesse momento, é mobilizarmos essas perguntas e forçarmos uma discussão sobre alternativas políticas e institucionais.

Nota:

1Regulating the internet giants: the world’s most valuable resource is no longer oil, but data.
Posted: 03 Jul 2017 06:28 AM PDT
Por Eugênio Aragão

Ao apagar das luzes do semestre judiciário assistimos o Supremo Tribunal Federal (STF) soltar o Sr. Rocha Loures e devolver o exercício do mandato a Aécio Neves. Dirão alguns que essas decisões foram monocráticas e não refletem a posição da corte em sua composição plena.

Bobagem. As decisões individuais tomadas pelos ministros vão para a conta do STF sim. É importante não cairmos na cilada de divisar entre ministros sérios e outros nem tanto. O STF é uma instituição que abriga, protege e blinda seus componentes de modo a torná-los intocáveis.

Não importa a suspeição escancarada de Gilmar Mendes, ele se arroga o direito de relatar os processos de seu amigo íntimo Aécio Neves e nenhum de seus pares dá um ai. Fala mal de colegas em entrevistas, reúne-se com réus, dá conselhos e consultoria a investigados e tudo fica por isso mesmo.

A presidenta da corte não acha nada de mais proclamar que o STF não ficará alheio ao apelo das ruas por “justiça” e, com isso, afirma o consenso de seus pares de que é preciso jogar para a plateia. A pieguice venceu a sobriedade e a imparcialidade.

Muitos juristas que se querem “do bem”, isto é, críticos ao golpe que assola o Brasil, insistem em que as bondades da véspera do recesso foram acertadas e marcam uma virada garantista do STF. O fato de as decisões beneficiarem os de sempre não viria ao caso, porque, ao apagar das luzes, beneficiaria também aqueles que foram caça do inquisidor de Curitiba e terminaria por devolver o Direito aos seus trilhos.

Não compartilho o otimismo. O que se constata é apenas mais do mesmo. Já vimos o então ministro Carlos Velloso abraçado às gargalhadas com o advogado de Paulo Maluf, depois de soltá-lo da preventiva que perdurava cinquenta dias. Não era necessariamente a decisão que estava incorreta. Era o tom. O aparente deboche.

Ao fundamentar seu despacho, o ministro Marco Aurélio justifica o retorno de Aécio ao Senado com a seguinte laudatória ao político que, por não ter aceitado o resultado das urnas, colocou o Brasil na pior crise de sua história republicana:

“É brasileiro nato, chefe de família, com carreira política elogiável – deputado federal por quatro vezes, ex-presidente da Câmara dos Deputados, governador de Minas Gerais em dois mandatos consecutivos, o segundo colocado nas eleições à Presidência da República de 2014 – ditas fraudadas –, com 34.897.211 votos em primeiro turno e 51.041.155 no segundo, e hoje continua sendo, em que pese a liminar implementada, senador da República, encontrando-se licenciado da Presidência de um dos maiores partidos, o Partido da Social Democracia Brasileira”.

Menos, ministro Marco Aurélio! Assim passa a impressão de que se deixou levar pela tietagem por Aécio Neves e joga o dever de imparcialidade no lixo. Sua Excelência não se importou, como seus pares, com os 54 milhões de votos triturados pelo golpe, achando oportuna aquilo que o ministro aposentado Ayres Britto cinicamente chamou de “pausa democrática”.

Eleições fraudadas? Não é esse o resultado do julgamento do TSE. Por duas vezes afirmou a regularidade dos votos dados a Dilma Rousseff. Uma, quando à unanimidade aprovou as contas de campanha e, outra, quando rechaçou as ações que queriam atribuir à chapa vencedora abuso de poder econômico e político.

Ou será que o Ministro Marco Aurélio, no ensejo de cortejar Aécio Neves, estará antecipando seu voto em recursos anunciados pelo PSDB da decisão que julgou improcedentes suas ações, que não passavam de “encheção de saco”, como definiu o próprio Aécio, mau perdedor e moleque que não respeita nem a democracia e nem a Constituição?

Tristes tempos. Tudo leva a crer que o STF não se dá o respeito, nem disfarça suas preferências. Enquanto parecem “melar” qualquer reação ao golpe, dão suporte à turma de Curitiba que massacra o PT e Lula. O homem da mala de Temer é solto após quarenta dias; Vaccari, o tesoureiro do PT, porém, contra quem nada de concreto se conseguiu apontar, fica preso por dois anos, por conta de indícios criados com suposições e convicções sem base empírica. Laudatória a Vaccari? Nem pensar!

A decisão que favorece Aécio não está, no seu dispositivo, errada. De fato, nada há na Constituição da República que autorize o judiciário a afastar preventivamente um senador do exercício de seu mandato. Mas não é isso que vem ao caso.

O que escandaliza qualquer jurista que não tenha ainda perdido sua sanidade mental é a extrema politização por detrás da opção do julgador. Será que faria o mesmo se o afastado não fosse de sua predileção, ante tantos elogios pegajosos – e desnecessários – a Aécio Neves? Não seria ilegítimo supor que não.

Causa espécie que esse “neogarantismo” no STF vem no momento em que os golpistas de 2016 começam a ser chamados à responsabilidade. E olha que essa chamada também só se dá, por parte do MPF, por absoluta falta de alternativa, dado o vulto da sujeira posta a nu, difícil de ser escondida debaixo do tapete.

Nunca é tarde? Enquanto isso, os abusos contra Lula não cessam em Curitiba. E nada se faz. No CNJ, reclamações contra o inquisidor da província do Paraná não são tratadas nem com pressa e nem com presteza. Mais de uma dezena já foi arquivada. Agora, a derradeira, caminha a passos de cágado.

O vaidoso Dallagnol se dá ao trabalho de produzir alegações finais no não-caso do triplex, com mais de 300 páginas. Quem tanto escreve sobre um não-fato singelo mostra a absoluta falta de certeza sobre tudo. Trata-se de peça cheia de especulações, em que provar é o que menos interessa. Consegue-se chegar ao ápice do cinismo de confundir prova com argumento. Para provar, segundo Dallagnol, basta argumentar. Pouco interessa se suas premissas não têm apego à verdade, sua conclusão pretende ser sólida para condenar.

É a velha mania do MP moralista de construir castelos nas nuvens. Montam, seus aprendizes de feiticeiros, teorias desenhadas com complexos organogramas e, depois, esforçam-se por recortar testemunhos para encaixar nos seus construtos mentais. Se o testemunho não confirma a teoria, é dispensado. A teoria é simples: Lula é culpado. Para sustenta-la, basta um PowerPoint. Aqueles que dizem o contrário são confinados até dizerem que Lula é culpado. Leo Pinheiro precisou de meses para mudar de ideia, Marcelo Odebrecht de dois anos.

Mas Rocha Loures é solto rapidamente. Afinal, estava prestes a entregar seu patrão, Michel Temer, para quem carregava uma mala com 500 mil reais...

Esse mesmo STF que solta Rocha Loures não se preocupou com Marcelo Odebrecht. Sua petição de habeas corpus foi negada. Eis o ponto da questão. Que Fachin esteja certo em pontificar que prisão preventiva não serve para forçar delação, ninguém vai refutar. O problema é a seletividade que carcome a imparcialidade da justiça e aniquila a segurança jurídica.

É o descaso até com as aparências; são as adjetivações, os vários pesos e as várias medidas, as simpatias descaradas e as antipatias mal disfarçadas; são as alianças políticas expostas midiaticamente e as omissões interesseiras: tudo isso corrói a institucionalidade e transforma a prestação jurisdicional num grande faz-de-conta. Pouco importa se às vezes os magistrados acertam; é inaceitável a quantidade maior de vezes em que derrapam sem se importarem com a imagem da corte.

A compostura e o apego à liturgia por parte de membros do judiciário não são uma “frescura”. São, em verdade, a maior garantia de incolumidade dos juízes. Enquanto forem respeitados como pessoas fora de qualquer suspeita não serão tangenciados. A aura de respeitabilidade cria um natural temor reverencial.

Com esses escorregões e essas contradições no seu portfólio, o STF não tem o direito de se queixar quando lhe atribuem papel decisivo no golpe parlamentar contra a Presidenta Dilma Rousseff. E, quando no futuro olharmos para trás, a imagem da corte neste trágico período estará irremediavelmente associada à politização partidária e ao pouco caso com a missão de fazer justiça. Mas, o pior de tudo é a confiança nas instituições que fica definitivamente comprometida e esta, como um vaso precioso, quando partido, não volta ao que era antes, nem que o melhor restaurador consiga artisticamente colar seus cacos.
Posted: 03 Jul 2017 06:23 AM PDT
Por Fania Rodrigues, no jornal Brasil de Fato:

Em meio à denúncias de corrupção envolvendo diretamente o presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB), o governo tenta aprovar a reforma trabalhista, que retira direitos dos trabalhadores para favorecer grandes empresários. O projeto de lei que muda a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovado na quarta-feira (28), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), seguirá para a última etapa de votação, no plenário do Senado Federal. Veja o que muda na CLT e como isso afeta sua vida.

1. Grávidas e lactantes poderão trabalhar em lugares insalubres. Se aprovada, a reforma permitirá que mulheres grávidas ou que estão amamentando trabalhem em lugares insalubres de grau médio e mínimo. Só ficará proibido o grau máximo. Nos locais insalubres, as trabalhadoras terão contato com produtos químicos, agentes biológicos, radiação, exposição ao calor, ambiente hospitalar de risco, frio intenso e outros.

2. Assédio moral e sexual será precificado de acordo com condição social da vítima. Caso esse crime seja cometido pelo patrão, a vítima será indenizada de acordo com o salário que ela recebe. As trabalhadoras que ganham menos ficarão mais vulneráveis. “Uma gerente que for assediada ganhará uma indenização maior do que uma secretária. Assim, sairá mais barato assediar as trabalhadoras do chão de fábrica”, explica a senadora Gleisi Hoffmann.

3. Mulheres deixarão de ter direito a descanso. A reforma revoga o artigo 384 da CLT. Na prática, acaba com o direito da mulher descansar 15 minutos, como previsto hoje, antes de começar uma jornada extraordinária, ou seja, a hora extra. No passado, o Superior Tribunal Federal (STF) decidiu que esse dispositivo é constitucional devido à dupla jornada de trabalho das mulheres.

4. Trabalho de 12 horas seguidas por dia. O governo quer aprovar uma medida que permita que o trabalhador possa ter jornada de 12 horas e descanso de 36 horas, quando a legislação brasileira hoje estabelece jornada máxima de 8 horas. Levando em conta que o patrão tem muito mais poder na hora de negociar, o trabalhador ficaria exposto a jornadas exaustivas que podem comprometer sua saúde.

5. Trabalho intermitente. Nesse tipo de trabalho o empregado não tem vínculo com a empresa, nem horário certo, mas fica a disposição do patrão 24h por dia e só recebe as horas trabalhadas. Funciona assim: quando a empresa chamar, a pessoa trabalha 4h. Se não voltar a chamar o trabalhador só receberá por essas 4h. E se ela não quiser mais os serviços não haverá rescisão de contrato, férias, décimo terceiro. Sindicatos classificam essa jornada como a "escravidão do século 21".
Posted: 03 Jul 2017 06:17 AM PDT
Por Lucia Abellán, no site Carta Maior:

O gigante norte-americano Google recebeu nesta terça-feira a maior multa antimonopólio que a União Europeia já impôs. A Comissão Europeia fixou para a companhia uma sanção de 8,96 bilhões de reais (2,424 bilhões de euros) por fragilizar a concorrência no mercado das buscas pela Internet, segundo confirmou Bruxelas. O caso diz respeito especificamente ao serviço de comparação de preços, mas representa um corretivo à forma geral de operar do poderoso buscador que favorece, segundo Bruxelas, seus próprios serviços sem que os usuários tenham consciência do viés.

O Executivo da comunidade está há sete anos examinando com lupa as práticas do Google. Depois de um primeiro período baseado na tentativa de acordos - sob o mandato de Joaquín Almunia -, a área de concorrência da UE mudou de estratégia. A comissária de concorrência, Margrethe Vestager, optou há dois anos por abrir um processo de sanção relativo a um dos casos que acumulam mais queixas: a suposta discriminação aplicada pelo Google aos concorrentes quando o usuário recorre ao buscador para procurar produtos e comparar preços. Bruxelas argumenta que a empresa fundada por Larry Page posiciona em local de destaque seus próprios serviços (Google Shopping), independentemente de sua relevância, e esconde outros dos concorrentes.

O Google emitiu um comunicado em resposta à multa. “Vamos rever a decisão em detalhes com a Comissão e consideraremos apelar e continuar expondo nossos argumentos”, afirmou por escrito Kent Walker, vice-presidente da empresa, que defende que o objetivo de seu sistema Google Shopping é “conectar o usuário a milhares de anunciantes, pequenos e grandes, de forma útil para ambos”.

Vestager quis impor uma multa exemplar. Até agora, a maior sanção foi a imposta à Intel em 2009, de quase 4 bilhões de reais (1,06 bilhão de euros). Por lei, o limite máximo das multas é fixado em 10% do faturamento anual de uma empresa. Especulou-se que a sanção poderia ser de cerca de 3,7 bilhões de reais (1 bilhão de euros), mas a decisão de Bruxelas superou todas as previsões.

É a primeira vez que a Comissão Europeia sanciona um comportamento relacionado às buscas pela Internet, um mercado que adquiriu grande relevância na última década. Mais do que a multa em si, serão os remédios propostos por Bruxelas - e que o Google terá de aplicar para cumprir a norma da comunidade - os que terão mais incidência sobre o negócio da companhia. A empresa norte-americana confia que as mudanças se limitem a apresentar de forma menos atraente as ofertas de produtos vinculados ao Google, mas provavelmente serão de maior calado.

Um precedente para dar exemplo
Tanto Bruxelas quanto as empresas entraram com o processo confiam que o caso do Shopping seja um precedente e modifique o comportamento geral do buscador norte-americano. O Google não vê da mesma forma: acredita que cada caso deve ser avaliado em separado e que os remédios prescritos para um comportamento considerado anticompetitivo não são diretamente transferíveis para o resto.

A decisão sobre o comparador de preços é a primeira de um alentado dossiê que a Comissão Europeia compila sobre o Google. Depois desse fato, virá outro que também acumula uma longa trajetória, relativo ao mercado publicitário. Bruxelas questiona os contratos abusivos — exigem exclusividade — que a empresa impõe a outros sites que exibem anúncios do Google. O terceiro será um bem mais recente, mas também de grande impacto, relativo ao Android. Vestager acusa o Google de forçar os fabricantes de celulares e tablets a pré-instalar aplicativos da empresa para que possam incluir o sistema operacional Android.

O acaso ameaça apimentar as relações transatlânticas. A abertura do auto de infração, com Barack Obamano poder, já gerou animosidade e acusações veladas de que Bruxelas penalizava o talento e a inovação norte-americanos. As empresas de tecnologia não são exatamente as maiores aliadas do atual presidente, Donald Trump, mas é muito provável que o governante interprete a ofensiva como um novo ataque contra os interesses norte-americanos. Bruxelas tem consciência desse risco, mas está convencida de que há provas suficientes para sancionar o Google por práticas que alteram o livre mercado pelo menos desde 2010.

* Publicado originalmente no jornal espanhol El País.
Posted: 03 Jul 2017 06:07 AM PDT
Por Emir Sader. no site Vermelho:

O golpe de 2016 não é um ponto fora da curva na história da direita brasileira. A direita brasileira nunca foi democrática. Desde 1930, quando perdeu o controle do Estado, ela se jogou em muitas aventuras golpistas, tentando recuperar o governo, contra a maioria dos brasileiros.

O golpe de 1932 – que até hoje a direita chama de "revolução", quando era uma tentativa de contrarrevolução – foi uma aventura para retornar ao sistema político em que as oligarquias controlavam tudo e não cediam nenhum direito ao povo. Voltar à economia primário exportadora, que tinha levado o país à pior crise da sua história. Voltar ao império de governantes como Washington Luis, para quem "a questão social é questão de polícia". Tentaram o golpe em nome da "democracia", como sempre, mas seu objetivo era o mais retrógrado possível, a restauração do regime de maior exclusão social e o menos democrático possível.

Foi uma aventura militar golpista, que mobilizou as elites e a classe média de São Paulo, liderada pela família Mesquita, até que foi derrotada pelas forças do Getúlio, apoiada pelos setores que começavam a ser beneficiados pela nova política econômica e social. Até hoje a direita chora aquela derrota, que era apenas o prenúncio de tantas outras posteriores.

Desde que o Getúlio voltou à presidência, a direita delegou aos militares a tarefa de solapar o poder legitimamente eleito. Sempre em nome da defesa da "democracia", que estaria em perigo, segundo a Doutrina de Segurança Nacional – ideologia da direita na época da "guerra fria"-, foram tentados vários golpes, contra o Getúlio, contra o JK e contra o Jango. Antes dele dar certo, em 1964, houve uma outra aventura direitista, com Jânio Quadros, que foi a forma de desbancar a coalizão getulista. Embora pela vida eleitoral, não deixou de ser uma aventura, como o próprio destino prematuro do Jânio confirmou.

O golpe de 1964 foi um assalto ao Estado por parte das FFAA, para desalojar um governo democrático e impor um governo militar, que promoveu as políticas do grande capital nacional e internacional, alinhado às políticas dos EUA. Foi o governo mais brutal na sua sanha antipopular e antidemocrática, que uniu a toda a direita e a todo o grande empresariado.

A direita voltou ao governo com os governos neoliberais de Fernando Collor e de FHC. Foram vitorias eleitorais, mas não deixaram de ser aventuras, pelo que representaram de dilapidação do patrimônio público, de exclusão dos direitos da massa da população, de concentração de renda, de rebaixamento da imagem externa do país. Deixaram um país menor, mais injusto, com mais estagnação econômica, com um Estado pequeno, com uma projeção internacional ínfima.

A direita voltou a perder o controle do Estado com sua derrota eleitoral de 2002 e viu se confirmar essa situação nas sucessivas derrotas de 2006, 2010 e 2014. O golpe de 2016 foi uma nova aventura, em que o objetivo era tirar o PT do governo e restaurar o modelo neoliberal.

Uma nova aventura, em primeiro lugar porque teve que romper com a vontade popular, expressa democraticamente na reeleição da Dilma, além de impor um modelo não apenas rejeitado quatro vezes nas urnas, como fracassado aqui mesmo e esgotado em todos os lugares. Submete o país a essa aventura, porque não dispõe de outro projeto que não o da adequação ao neoliberalismo, ao capital financeiro e à globalização.

Para isso, destroem a estrutura produtiva da economia, a infra-estrutura, a capacidade de pesquisa, a educação e a saúde públicas, o próprio Estado, para favorecer a centralidade do mercado e sua vértebra – a especulação financeira. É uma nova aventura, que submete o país a um retrocesso nunca vivido anteriormente, em tão curto espaço de tempo.

E tratam de destruir todas as lideranças políticas com apoio popular, para que governe o mercado, através de algum personagem pífio, que não moleste os interesses do capital financeiro. Confessam assim que já não têm nada a propor positivamente ao país – salvo sua destruição como nação – e nenhuma liderança política que os represente. Tem que se representar através do poder do capital financeiro, das manipulações midiáticas e dos atropelos da Judiciário.

A direita fracassou e representa os interesses da ínfima minoria que vive de renda, da sonegação, dos subsídios governamentais, da fuga de capitais, da recessão, do desemprego, da paralisação produtiva do país, da liquidação da legitimidade as instituições. Se jogou numa nova aventura, da qual não sabe como sair. Enquanto isso, destrói o que o país tem de melhor, de mais democrático, de mais representativo, de mais legítimo.

* Fonte: Brasil 247.
Posted: 03 Jul 2017 06:02 AM PDT
Por Matheus Pichonelli, no site The Intercept-Brasil:

Na carta endereçada a Michel Temer em forma de artigo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que aprovou no muque (maldosos usarão outro termo) a emenda da própria reeleição e agora defende mandato presidencial de cinco anos, fez um apelo ao bom senso do peemedebista para encurtar sua estadia no Planalto. O gesto seria, nas palavras do grão-tucano, uma demonstração de “grandeza”. Uma gentileza, claro, veja bem, se não for muito incômodo, faltou dizer FHC.

O convite antes revela um desejo do que um mero conselho, dado de graça pela principal liderança tucana. Temer renunciando, PSDB e PMDB tratariam com outros termos a estratégia para aprofundar o abraço mútuo que não levasse ao afogamento. Aqui entram dois cálculos políticos. Um é relativo à sobrevivência a curto prazo. O outro é eleitoral.

A essa altura, quando todos parecem alvejados, ninguém tem condições de deixar o aliado ferido na estrada. Sabe que vai precisar de amparo em breve. Na ausência de coisa melhor, fala-se em bom senso por desencargo de consciência.

Na vida real, não haveria janela de oportunidade maior para o primeiro presidente da República denunciado formalmente por um procurador-geral do que a desgraça do fiador da aliança com os tucanos, o senador e presidente afastado do PSDB, Aécio Neves (MG). Seu partido, que decidiu recentemente permanecer no governo, tem hoje quatro ministérios na Esplanada, entre eles a Secretaria do Governo e o Ministério das Relações Internacionais.

Em autoexílio desde que teve conversas divulgadas com o dono da JBS, Joesley Batista, Aécio poderia ter o destino selado pelos colegas peemedebistas no Senado caso o STF aceitasse o pedido de prisão e da perda do cargo feito pela Procuradoria Geral da República. O ministro Marco Aurélio, porém, decidiu atender um pedido da defesa do tucano, que teve o pedido de prisão rejeitado e poderá voltar ao Senado. Em seu argumento, o magistrado disse considerar normais, esperadas e decorrentes do exercício legítimo da função legislativa as críticas feitas por Aécio à atuação do ministro da Justiça –na conversa com Batista, ele detonava o ministro por não endereçar as investigações para os delegados certos, seja lá o que isso signifique.

Na semana passada, um indício de que o cálculo político pode ser determinante sobre o imbróglio jurídico foi dado pelo senador João Alberto Souza (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética que arquivou uma representação contra o tucano por não estar convencido das acusações.

Nos bastidores, o PMDB já sinalizava que só rejeitaria o pedido de prisão contra Aécio, se ele avançasse, caso os tucanos demonstrarem apoio incondicional.

Este apoio incondicional pode significar muita coisa, de votos às reformas ao abraço tóxico, em termos eleitorais, ao mandato de Temer.

Se não quiser virar réu, Temer precisará reunir forças em outra Casa, a Câmara dos Deputados, para a denúncia não ser remetida de volta ao Supremo Tribunal Federal, que pode determinar o afastamento do presidente do cargo caso haja acolhimento. Para avançar, o pedido precisa do apoio de dois terços dos deputados.

Em outras palavras: os deputados terão de mostrar aos eleitores a lealdade ou não a um presidente formalmente acusado e com atuais 7% de aprovação, segundo o Datafolha. A um ano da eleição, a escolha pode representar o suicídio político de quem até ontem bradava contra a corrupção e o ataque aos bons costumes da República. Daí o apego a um detalhe aparentemente banal, mas determinante para a sucessão das coisas: quando e como será a sessão? Na madrugada? No meio da semana? Ou num domingo à tarde, com todos os holofotes acionados, como aconteceu na sessão de impeachment de Dilma Rousseff?

FHC, que agora apela ao bom senso de Temer, poderia usar o mesmo argumento sobre o presidente afastado de sua legenda, que já mandou avisar ter uma memória boa dos últimos 20 anos de acordos e negociações como deputado, governador e, até pouquíssimo atrás, senador também afastado.

Falta combinar com quem não quer colocar a cabeça a prêmio para salvar a coroa. Segundo as contas da Folha de S.Paulo, três dos sete integrantes tucanos da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pretendem votar a favor da admissibilidade da denúncia contra Temer – a análise é uma prévia da votação no Plenário. Apenas um parece disposto a sair em defesa do peemedebista.

Temer terá de apostar nos votos de outros partidos.

Em um ano, o PSDB se tornou o PMDB do PMDB, que hoje exige fidelidade integral mas observa um remedo de apoio calculado sob outros critérios, sobretudo eleitorais. Bom senso é outra coisa.
Posted: 02 Jul 2017 09:52 PM PDT
Por Altamiro Borges

O “prefake” João Doria adora se fantasiar de “João trabalhador” e desqualificar os seus adversários políticos, rotulando-os de “vagabundos”, “preguiçosos”, “ladrões” e outros adjetivos. Mas, pelo jeito, a sua usina de factoides está se esgotando e a sua operação permanente e milionária de marketing já não convence nem os “midiotas” mais tacanhos. Na semana passada, o Instituto Ipsos divulgou uma pesquisa que atesta que a reprovação dos brasileiros ao prefeito de São Paulo saltou de 39% para 52% em apenas um mês. Até a mercenária revista ‘Veja’, que andou bajulando o ricaço, sentiu o baque e ficou preocupada.

Em artigo postado em seu site na última sexta-feira (30), a publicação da famiglia Civita alertou que a tendência é de novas quedas de popularidade do demagogo. “O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), viu sua taxa de reprovação subir 13 pontos porcentuais – de 39% para 52% – entre os meses de maio e junho, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Ipsos. Como a aprovação ao tucano se manteve estável em 16%, os entrevistados que agora reprovam o prefeito vieram daqueles que não sabiam ou não tinham conhecimento suficiente para avaliá-lo – essa taxa caiu os mesmos 13 pontos porcentuais, de 45% para 32%”.

Aos poucos, apesar da blindagem da mídia chapa-branca, os paulistanos vão conhecendo melhor as políticas do “prefake”, que passa a ser chamado de "vagabundo" por muitos eleitores arrependidos. A própria revista Veja ressalta que seu índice de rejeição cresceu após a ineficiente atuação da prefeitura na Cracolândia, no centro da capital. “Após a ação, que terminou com a prisão de 38 traficantes ligados à facção criminosa PCC e levou à dispersão de usuários de crack pela região central da cidade, Doria declarou: ‘A Cracolândia acabou’. Os usuários de droga, contudo, migraram à região da Praça Princesa Isabel, também no centro, onde se instalou um novo ‘fluxo’, como é conhecida a aglomeração de viciados. Nos últimos dias, eles voltaram às imediações da antiga Cracolândia”.

A revista também aponta como outra causa do aumento da reprovação a defesa apaixonada que João Doria fez de Michel Temer, o “presidente” mais odiado da história recente do país. Nos últimos dias, o “prefake” até tem tentado se distanciar do covil golpista. Em evento na semana passada no jornal O Globo, ele evitou opinar sobre a continuidade do seu partido na base de sustentação do mafioso. Ele afirmou que o “o quadro político se agravou” após a denúncia da Procuradoria-Geral da República e demonstrou preocupação em relação à “turbulência” provocada pela eventual queda do golpista. Mas, malandro e covarde, tentou tirar o corpo fora e responsabilizou o PSDB pela decisão de continuar no governo. O "vagabundo" começa a colher os frutos das suas opções políticas e administrativas.

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Posted: 02 Jul 2017 09:50 PM PDT
Por Altamiro Borges

Na viagem que fez à Rússia e à Noruega na semana retrasada, o usurpador Michel Temer virou motivo de galhofa no mundo. Ele cometeu várias gafes, foi recebido nos aeroportos pelo terceiro escalão destes governos e não mereceu qualquer destaque na imprensa mundial. Agora, temendo um novo vexame internacional e preocupado com o risco do seu afastamento do cargo, o Judas cancelou as viagens que já estavam agendadas. Ele desistiu de participar do encontro do G20, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho na Alemanha, e decidiu não comparecer mais a almoço com a chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, e não se encontrar mais com o presidente colombiano Juan Manuel Santos, em Bogotá.

Segundo matéria de Gustavo Uribe, publicada na Folha, a razão para os cancelamentos foi o agravamento da crise política no Brasil. “A avaliação é de que, diante do momento crucial para a sua sobrevivência no cargo, o peemedebista deve permanecer no país para garantir vitórias na Câmara e no Senado. Temer será o primeiro presidente brasileiro a não comparecer ao G20 desde 2010”. O principal temor do Judas é com a votação da denúncia do seu envolvimento em corrupção apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para evitar a abertura do processo de impeachment, o golpista precisa que 172 deputados federais não compareçam ou votem contra a aceitação da acusação.

Denúncias repercutem no mundo

Tudo indica que o risco do impeachment foi o principal motivo para a desistência das viagens. Mas também devem ter pesado na decisão a recente humilhação internacional e as fortes críticas da mídia mundial – que não foi contagiada pelo golpismo da imprensa nativa. Nos últimos dias, os principais veículos estrangeiros repercutiram as denúncias contra o usurpador. O jornal francês Le Monde, por exemplo, enfatizou que Michel Temer entra para a história do Brasil como o primeiro chefe de Estado denunciado em pleno exercício do mandato por um crime comum. Já o britânico The Guardian deu manchete para o escândalo: "O presidente do Brasil, Michel Temer, foi acusado de corrupção".

As denúncias contra o usurpador também foram destaque nos EUA – o que apavora nossa elite com complexo de vira-lata. O jornal The New York Times registrou que as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) atingem um governante já bastante fragilizado, com crescentes índices de rejeição. Além de citar as gravações vazadas dos chefões da JBS, ele lembra que Michel Temer enfrenta outras acusações, incluindo a de que ele negociou a propina de US$ 40 milhões para o PMDB. Já o diário The Washington Post destacou a grave crise política e econômica do país e listou as várias acusações criminais contra o golpista. E a rede de televisão ABC News afirmou que a crise brasileira só se agrava com as denúncias contra Michel Temer.

A mídia mundial também debochou dos vexames do usurpador nas viagens à Rússia e à Noruega. Em tom de ironia, lembrou que o governo ilegítimo anunciou a ida do golpista à “República Socialista Federativa Soviética da Rússia” e que o estabanado chamou o monarca da Noruega de “rei da Suécia”. Mas os problemas não foram só as gafes verbais do velhaco metido a falar rebuscado e a proferir mesóclises. O pior foram as consequências nefastas da política adotada pelo covil golpista. Sobre este efeito lamentável, vale reproduzir o artigo do jornalista Bernardo Mello Franco, uma das poucas vozes críticas da Folha:

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Vexame internacional

Por Bernardo Mello Franco

Folha de S.Paulo Paulo, 23 de junho de 2017

A viagem de Michel Temer à Europa produziu um vexame internacional. Enquanto o presidente passeava em Oslo, o governo da Noruega anunciou que cortará pela metade a ajuda ao Fundo Amazônia. O motivo é o fracasso do Brasil no combate ao desmatamento.

A devastação da floresta avançou 29% na última medição anual, divulgada em novembro. O país perdeu 7.989 quilômetros quadrados de mata tropical, o equivalente a sete vezes a área da cidade do Rio de Janeiro. Foi o pior resultado em oito anos.

A Noruega é a maior patrocinadora do Fundo Amazônia. Já doou R$ 2,8 bilhões para o Brasil proteger as árvores e reduzir a emissão de carbono. Isso equivale a 97% dos recursos do fundo, que também recebeu aportes da Alemanha e da Petrobras.

Às vésperas da chegada de Temer, os noruegueses repreenderam o governo brasileiro pelo desmantelamento da política ambiental. O ministro Vidar Helgesen criticou a aprovação de medidas provisórias que reduzem unidades de conservação.

A pressão internacional convenceu o presidente a vetar as MPs. No entanto, o governo prometeu aos ruralistas que vai enviar ao Congresso um projeto de lei com o mesmo teor.

Após o anúncio desta quinta, o Fundo Amazônia deve perder ao menos R$ 166 milhões em doações. "É uma decisão humilhante para os brasileiros. O país pediu dinheiro para reduzir o desmatamento, mas o que está acontecendo é o contrário", me disse Jaime Gesisky, da WWF.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, avalia que o retrocesso ainda pode se agravar. "A aliança de Temer com a bancada ruralista está saindo muito caro. O meio ambiente virou moeda de troca na negociação para barrar o impeachment", afirmou.

Em Oslo, onde desfilou com uma reluzente gravata verde, o ministro Sarney Filho foi questionado se o Brasil vai reduzir o desmatamento. Sua resposta foi outro vexame: "Só Deus pode garantir isso".


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