quinta-feira, 6 de julho de 2017

5/7 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 05 Jul 2017 06:28 AM PDT

"Se condenar Lula sem provas e sem fundamentos legais, apenas baseado nas ridículas alegações e na obsessão condenatória do 'palestrante' Dallagnoll, Moro pagará um altíssimo preço", escreve o colunista Jeferson Miola; "Decorridos mais de três anos de perseguição implacável a Lula, a força-tarefa da Lava Jato não conseguiu encontrar absolutamente nenhuma prova para sua condenação, pelo simples motivo de que não existe prova; porque não existe ilegalidade na conduta do ex-presidente", completa




Diante do processo judicial aberto a partir do infamepower point do procurador [e vendedor de palestras e sermões] Deltan Dallagnol, a defesa do Lula fez um exercício sui generis da labuta advocatícia: além de provar a inocência, provou também a ausência de culpa do ex-presidente.

Quase uma centena de testemunhas do processo desconheceu qualquer relação do Lula com o apartamento triplex. A única exceção ficou por conta do empreiteiro dono da OAS Léo Pinheiro, presidiário que, atendendo exigência da Operação, forjou acusações contra Lula – a jóia da coroa da força-tarefa da Lava Jato – na expectativa de trocar vilania por redução da longa pena de prisão que terá de cumprir pelos crimes de corrupção que cometeu.

A defesa do Lula fez as diligências que Deltan Dallagnoll e seus colegas, cegos e possuídos pela caçada obsessiva ao Lula, não se deram ao trabalho de fazer. Os advogados demonstraram não só que o ex-presidente nunca teve nenhum vínculo formal ou informal com o imóvel como, ainda, que a Caixa Econômica Federal é a verdadeira detentora de direitos sobre o apartamento em questão.

Este processo contra o Lula é uma fraude jurídica de péssima qualidade, que foi montado com o exclusivo objetivo de condená-lo, para implodir sua candidatura presidencial.

Se condenar Lula sem provas e sem fundamentos legais, apenas baseado nas ridículas alegações e na obsessão condenatória do “palestrante” Dallagnoll, Moro pagará um altíssimo preço.

Decorridos mais de três anos de perseguição implacável a Lula, a força-tarefa da Lava Jato não conseguiu encontrar absolutamente nenhuma prova para sua condenação, pelo simples motivo de que não existe prova; porque não existe ilegalidade na conduta do ex-presidente.

Inicialmente, eles optaram pela tese do “domínio do fato”, a mesma teoria que Moro, na época em que atuou como juiz auxiliar da juíza do STF Rosa Weber no julgamento do chamado “mensalão”, fabricou para condenar sem provas o ex-ministro José Dirceu. O emprego inadequado desta teoria no caso foi vigorosamente combatido e invalidado pelo seu autor, o jurista alemão Claus Roxin.

Apelaram, então, para a exótica tese que o “palestrante” Dallagnol aprendeu nos EUA, a “teoria da abdução das provas”, ensinada pelo seu orientador em Harvard, Scott Brewer, que sublima as chamadas “provas indiciárias”, que tem muito de indícios e convicções, porém zero de provas.

Na falta de causa concreta para condenar Lula, só resta a Moro apelar à metafísica. Caso contrário, o plano original da Lava Jato será falho e todo o trabalho de destruição do país enquanto Nação e de entrega da soberania do Brasil terá sido em vão.

Sérgio Moro é apenas um juiz que busca uma justificativa formal para condenar Lula. Na falta de qualquer base material ou jurídica concreta, Moro terá de apelar para a “teoria do criacionismo” para acusar Lula de ter sido o criador de um país moderno; de um país de igualdade, de democracia, de igualdade, de pluralidade, de oportunidades para todos, de direitos; um país, enfim, altivo, desenvolvido, avançado; mundialmente reconhecido e reverenciado.

Moro está encalacrado: ou condena Lula, convertendo-o numa espécie de Deus criador do Brasil moderno, ou incendeia o país.

Lula é o fator essencial de desestabilização dos planos da burguesia para a continuidade do golpe. Lula é o grande dilema que a classe dominante enfrenta. Ele compromete a continuidade do golpe no próximo período e as escolhas que a elite fará.

O arranjo da classe dominante por cima, para manter esta indecência desta cleptocracia – governo de ladrões, em grego – liderada por Temer e sua quadrilha, encontra em Lula uma série ameaça.

Não estava nos cálculos da classe dominante tamanha dificuldade para o aniquilamento do Lula na Lava Jato. O impasse enfrentado pelo juiz Sérgio Moro é o impasse que enfrenta o pacto golpista de dominação burguesa contra a maioria do povo brasileiro.



Brasil 24/7
Posted: 05 Jul 2017 06:14 AM PDT
Rebecca Henschke
BBC
Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionParte do ritual inclui banhar-se em riachos sagrados

Gunung Kemukus é uma montanha em Java, a principal ilha da Indonésia, que a cada 35 dias recebe muçulmanos de todo o país para participar de um ritual insólito.


O evento acontece em uma data auspiciosa segundo o ciclo Wetonan, que sobrepõe os cinco dias do antigo calendário javanês aos sete dias do calendário moderno (7x5=35).

Quando a escuridão cai no misterioso local, os peregrinos acendem velas e se sentam em esteiras ao redor das sagradas árvores dewadaru e das raízes retorcidas de enormes figueiras.

Na montanha "mágica", há um túmulo no qual se acredita estarem guardados os restos mortais de um legendário príncipe e de sua amante.

Direito de imagemSBSImage captionOrações e flores dão início a ritual

Adultério em troca da boa sorte


"O jovem príncipe Pangeran Samodro fugiu com a rainha Nyai Ontrowulan, que era sua madastra", conta Keontjoro Soeparno, psicólogo social da Universidad Gadjah Mada em Yogyakartax, na Indonésia.

"Eles se esconderam em Gunung Kemukus."

Até o dia em que, flagrados durante uma relação sexual, foram assassinados e enterrados no cume da montanha.

Os peregrinos acreditam, assim, que se cometerem adultério nesse local serão "abençoados com boa sorte", explica Seoparno, que estudou o ritual durante 30 anos.

Por isso, Gunung Kemukus é também conhecida como a "montanha do sexo".

Direito de imagemDOMÍNIO PÚBLICOImage captionEvento acontece em data auspiciosa segundo ciclo Wetonan

Regras do jogo


O ritual começa com orações e oferendas de flores ao túmulo de Pangeran Samodro e Nyai Ontrowulan.

Em determinado momento, os peregrinos devem banhar-se em um dos dois riachos sagrados da montanha. E, em seguida, fazer sexo com uma pessoa desconhecida.

"Para receber bênçãos e dinheiro, é preciso fazer sexo com alguém que não seja seu marido ou mulher. Tem de ser alguém que você não conheça", destaca Soeparno.

"Além disso, deve ser em Juman Pon (quando a sexta-feira coincide com Pon, um dos cinco dias do calendário javanês). A relação sexual tem de acontecer a cada 35 dias sete vezes consecutivas, de forma que dure em torno de um ano", explica.

"Se por algum acaso não seja possível completar as sete vezes, é preciso começar tudo de novo. Essa é a parte difícil, especialmente para quem não é tão jovem."

"O compromisso entre os dois é muito significativo: eles têm de trocar telefones e endereços, e combinar aonde vão se encontrar da próxima vez."

Direito de imagemSBSImage captionMontanha ganhou pequena infraestrutura desde a década de 90

Comida e teto


As noites mais concorridas podem reunir até 8 mil peregrinos.

"A maioria é dona de pequenos negócios. Eles esperam que, se completarem o ritual, suas vendas vão melhorar, vão ganhar muito dinheiro e terão muito sucesso", afirma Soeparno.

Desde a década de 90, a montanha ganhou uma pequena infraestrutura para acomodar a multidão.

Além do santuário, há um restaurante onde é possível comprar chá, macarrão e amendoim. Na parte de trás dele, é possível alugar um dos dois pequenos quartos.

Vejo uma mulher de véu e um homem, ambos com cerca de 50 anos, sumindo atrás de uma cortina para completar o ritual em um dos quartos. Ao tentar entrevistá-los, eles fogem, e a dona se aproxima para pedir que deixemos o local.

Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionCasais se encontram debaixo de figueiras

"O que acontece é que eles só estão juntos aqui na montanha. Se aparecerem na TV e seus respectivos cônjuges souberem disso, terão problemas. Aconteceu isso antes com o ex-proprietário desse restaurante: um homem apareceu na TV falando com uma mulher em uma noite e seus familiares o viram. A família ficou arrasada e o casal se divorciou", afirmou.

Anteriormente, os casais faziam sexo ao ar livre, mas depois começaram a alugar quartos por valores irrisórios.

Em segredo


Dentro do santuário, Pak Slamat está lendo o Alcorão. Quando terminar, vai procurar uma amante.

"Aqui há muitas pessoas que te dizem que funciona, que antes de vir aqui seu negócio não estava dando certo e depois se recuperou. Deve ser controlado por Alá (Deus). Não há ninguém maior do que Alá", afirma.

"Se vejo uma mulher que esteja disponível, me aproximo dela. Não ligo só para a aparência. O que vem de dentro é o mais importante. Já que estamos fazendo sexo com um objetivo, nossa motivação interna deve ser a mesma", acrescenta.

Pak Slamat é casado e tem três filhos. Sua mulher não sabe onde ele está - ela acredita que ele esteja na mesquita, rezando.

"Ela não teria permitido que eu viesse para cá, mas o importante é que eu estou fazendo isso pelo bem dos negócios."

Milhares chegam sozinhos em busca de um acompanhante. Os que estão no meio do ritual devem encontrar o(a) mesmo(a) acompanhante das vezes anteriores.

Sem laços


No santuário também está Ibu Winda, uma mulher de 60 anos vestida com uma blusa flourida dourada, uma minissaia curta, meias de prata e uma jaqueta de couro. Ela ostenta um batom vermelho brilhante e seu rosto está todo maquiado.

"Tenho quatro filhos, além dos netos. Se meu marido me pergunta, digo que estou trabalhando para meu negócio funcionar bem. Se eu lhe dissesse que viria a Kemukus, ele não me permitiria vir", diz ela.

Nos últimos dez anos, Winda, que tem uma barraca de frutas no povoado onde mora, vem à "montanha do sexo" para se encontrar com o mesmo homem.

"Ele me disse que se ficasse com ele por pelo menos três anos, me levaria a Meca (Arábia Saudita) para fazer a peregrinação do Hajj (a maior importante do Islã). Ele chegou, inclusive, a vir me buscar no meu povoado. Mas eu tenho uma família, por isso só falamos por telefone. Quando viemos aqui, nos comportamos como marido e mulher", diz.

"Desde que comecei a vir com ele, meus negócios vão de vento em popa. Bendito seja Alá", completa.

Direito de imagemSBSImage captionRitual remonta a adultério de príncipe com madrasta

Mistura javanesa


Mulheres com véus e outras com pouca roupa se misturam a homens de meia idade. Eles vão formando pares, ora debaixo de árvores ou dos bares de karaokê.

O ritual, porém, não é uma prática do Islã.

Na verdade, restringe-se à Indonésia, e trata-se de uma mescla de tradições religiosas com influências islâmicas, hindus, budistas e animistas conhecido popularmente como kejawen.

Nos últimos anos, com o país caminhando rumo ao Islamismo mais ortodoxo, o governo local vem tentando encorajar uma versão mais "familiar" do evento, mais afinada aos preceitos do Islã.

As autoridades preferiam que o aspecto sexual do ritual fosse negligenciado, mas não decidiram proibi-lo.

"Esse é um lugar de turismo religioso; a religião é formada por crenças e tradições, incluindo as de nossos ancestrais", diz M. Suparno, coordenador de turismo de Gunung Kemukus.

Passagem do tempo


Até os anos 80, não havia nem restaurantes nem bares na "montanha do sexo". Só árvores.

Mas na década seguinte, Gunung Kemukus desenvolveu, inclusive, uma "zona vermelha".

Na medida em que a noite avança, as pessoas se dirigem aos bares de karaokê que se localizam ao longo dos becos perto do santuário e do túmulo. Em um deles, seis homens estão em um sofá vendo uma mulher cantar e dançar de uma maneira muito sexual.

"Costumava ser diferente. As pessoas realmente tinham relações sexuais ao ar livre. Mas o governo local decidiu que isso não era uma boa ideia e instalou cabanas de bambu. Como resultado, a prostituição tomou conta", diz Soeparno.

O professor calcula que cerca da metade das mulheres que vão à montanha são trabalhadoras do sexo.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionMontanha fica a 28 km a nordeste da cidade de Solo, um dos redutos mais radicais da Indonésia

Ritual valioso


Em todo o caso, o santuário tornou-se muito valioso em outro sentido.

Os aldeãos locais começaram a cobrar por cada veículo que entrava na área. O governo local, por sua vez, cobrava taxas tanto dos peregrinos quanto dos proprietários dos restaurantes e quartos.

Com o aumento da popularidade do ritual, o departamento de turismo passou a ganhar cada vez mais dinheiro.

Direito de imagemTHINKSTOCKImage captionPor causa do ritual, clínica de saúde sexual foi aberta em 2014 na montanha


Em 2014, as autoridades abriram uma clínica especializada em tratar doenças venéreas, distribuir preservativos e fazer testes de HIV.

"Quando uma tradição é praticada por tanto tempo, não é possível livrar-se dela. A prostituição brotou dessa tradição e pensei que necessitávamos de uma clínica para lidar com as consequências. Assim, podemos tornar algo negativo em positivo", indica Mohammad Rahmat, que trabalha para o governo local.

Resultados


Na "montanha do sexo", existem várias maneiras para que alcançar a "meta".

Mulheres como Dian não têm muito problema.

Com um pano rosa na cabeça e jeans, está cercada por um grupo de homens em jaquetas de couro em meio a nuvem de fumaça.

Dian já completou seu ritual, mas voltou ao local para agradecer.

"Vim porque no passado minha vida era muito difícil", diz.

"Meu marido me deixou e tenho três filhos, dois adotados e um nosso", acrescenta.

"Meus amigos me disseram que minha vida ficaria mais fácil se viesse aqui. E depois de cumprir o ritual, muitas coisas mudaram. Sinto que agora tudo está realmente mais fácil; não é como antes. O resultado foi positivo", conclui.


BBC Brasil
Posted: 05 Jul 2017 06:00 AM PDT

Decisões como a 'devolução' de Aécio ao Senado e a libertação de Loures são tão inadequadas como as condenatórias proferida sem provas contra José Dirceu



Tarso Genro



É um erro político avaliar as decisões atuais do STF de um ponto de vista puramente jurídico, ou seja, se elas são – ou não – decisões que podem ser classificadas como “segundo a Constituição”, ou são decisões que “torcem” o bastão, para favorecer determinados contendores políticos e prejudicar outros. Na verdade, estas decisões são todas as coisas para parecer nenhuma e obedecem só uma teleologia: pôr uma máscara de legitimidade num Estado de Direito, que transita da exceção para a normalidade e desta para aquela, num ritual macabro de arbítrios, no qual o Direito se tornou pura política e contingência.

Explico-me. Desde o momento que a grande mídia orientou claramente a derrubada da Presidenta Dilma, e o STF aceitou esta tutela , midiatizaram-se os processos penais e foi incriminada, em abstrato, toda uma comunidade política, o petismo. A partir daí os nossos destinos foram depositados nas mãos jacobinas da República de Curitiba e o Estado de Direito brasileiro – depois disso – foi se adaptando a que o processo político fosse controlado fora dos órgãos da soberania popular, com o predomínio dos critérios políticos gestados no Poder Judiciário

Falo em “predomínio”, porque em toda decisão judicial importante sempre existe uma certa carga “política”, mas, na normalidade de um Estado de Direito que mereça esse nome, esta “carga” política da decisão não pode ser a expressão ideológica direta do Juiz, sobreposta , não só à letra da Constituição, mas também aos princípios que informam a civilidade republicana. Quando os Juízes se tornam líderes de facções políticas o Direito sai de cena e a decisão política só lhe traz ao palco num papel coadjuvante.

É importante notar, também, que o “predomínio” ideológico da direita e a consequente partidarização do Sistema de Justiça, já tinham sido consolidados, quando o Supremo foi indiferente a um “impeachment” sem causa, quando aceitou a jurisdição nacional avocada pelo Juiz Moro, “naturalizou” seu estrelismo midiático – cultuado pelo oligopólio da mídia – que, na verdade, dava a “linha” do que era aceitável, ou não, em termos de distorção técnica e material, nos processos penais contra Lula e o PT.

As recentes decisões do Supremo, com a “devolução” de Aécio ao Senado e a libertação de Rocha Loures, do ponto de vista formal – em termos de processo – e do ponto de vista constitucional, em termos de princípios, são tão inadequadas ao Estado de Direito, como as decisões condenatórias proferida sem provas, contra José Dirceu. Ou mesmo em relação à proferida para impedir Lula de assumir o Ministério ou, ainda, àquelas que determinam o cumprimento de penas, antes do trânsito em julgado da decisão condenatória.

Todas elas ferem o Estado de Direito: as do primeiro grupo (proferidas contra o petismo) porque instauraram a “exceção”; as atuais (em favor de Aécio e Loures) porque a furaram de maneira silenciosa e seletiva, especialmente favorecendo golpismo. Demonstram, assim, que a ideologia hegemônica nos Tribunais, nesta etapa da crise, protege mais os partidos do golpe do que integridade das normas da Constituição.

Certamente há uma possibilidade de que desta reação, ainda que seletiva, possa sobrevir uma igualdade de tratamento para todos os processados e os juízos em andamento sejam colocados num leito mais próximo da Constituição e da Lei. Onde todos do Judiciário podem tudo e os órgãos da soberania popular não podem nada, pode-se – num acesso de otimismo da nossa verve macunaímica – esperar uma certa sensatez pelo cansaço. Mas ela não virá sem luta.

Já é possível dizer, nos dias que correm, que nós brasileiros temos um amor ambíguo e louco pela democracia, embora de fora do país já nos olhem novamente com uma certa piedade irônica. Amor louco, porque com tudo isso não queremos “atalhos”, nem messias, nem matadores. Mas, de fato, amor também ambíguo, porque afinal, a maioria espera que as sábias cúpulas se acertem por nós, até a próxima crise aparentemente sem solução.

Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.




Créditos da foto: Aécio e Loures | Foto montagem: Ag. Senado e wikipedia.


Carta Maior
Posted: 05 Jul 2017 05:53 AM PDT

Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) iniciaram, nas primeiras horas de hoje (5), uma nova fase da Operação Ponto Final, desencadeada na última segunda-feira (3) e que já prendeu 11 pessoas por envolvimento em irregularidades no transporte público do Rio de Janeiro. Entre as pessoas presas na operação, está o empresário Jacob Barata Filho, detido no Aeroporto Internacional do Galeão quando tentava embarcar para Portugal.

Nesta fase da Operação Ponto Final, agentes da PF, em conjunto com o Ministério Público Federal, cumprem mais quatro mandados expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Desses, três são de busca e apreensão e um de condução coercitiva, todos na capital fluminense, segundo nota da Polícia Federal.

A Operação Ponto Final tem por objetivo desarticular organização criminosa que atuava no setor de transportes do Rio. Desde o início, a PF já cumpriu cerca de 30 mandados de busca e apreensão.

Os empresários presos são acusados de desvios de cerca de R$ 500 milhões. Os 11 presos, dez dos quais estão na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na região central do Rio, são Jacob Barata Filho, Marcelo Traça Gonçalves, Lelis Marcos Teixeira, João Augusto Morais Monteiro, Marcelo Marques Pereira de Miranda, Carlos Roberto Alves, Otacílio de Almeida Monteiro, Eneas da Silva Bueno, Claudio Sá Garcia de Freitas e David Augusto da Câmara Sampaio.

Além de Jacob Barata Filho, estão presos outros empresários, funcionários públicos ligados a órgãos de fiscalização do transporte público – como o ex-presidente do Detro Rogério Onofre, preso pela Polícia Federal em Florianópolis – e políticos.

O conselheiro da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio José Carlos Reis, também envolvido no esquema, encontra-se em Portugal, mas já consta da lista de foragidos da Interpol – a Polícia Internacional.
Edição: Graça Adjuto

Agência Brasil
Posted: 05 Jul 2017 05:45 AM PDT

Companhia sueca se torna a primeira do mundo a abandonar os motores exclusivamente a combustão: a partir de 2019, apenas veículos totalmente elétricos ou híbridos sairão de suas fábricas.


O modelo Volvo V60, de motor híbrido, é exibido em São Petersburgo em 2015


A Volvo anunciou nesta quarta-feira (05/07) que, a partir de 2019, todos os carros que saírem de suas fábricas serão elétricos, o que a torna a primeira tradicional montadora do mundo a abandonar os motores movidos apenas a combustível.

No mercado desde 1927, a montadora sueca, famosa nas últimas décadas por seus altos padrões de segurança, disse que a decisão é uma das mudanças "mais significativas já realizadas por uma fabricante" e atende ao desejo de seus próprios clientes.

Segundo a empresa, o objetivo é vender 1 milhão de veículos até 2025, de variados modelos – de carros totalmente elétricos a versões híbridas. A decisão inicialmente se aplica à Volvo Cars, ou seja, os caminhões continuarão a ser produzidos como agora pela Volvo Trucks.

"O anúncio marca o fim dos motores exclusivamente a combustão", anunciou Hakan Samuelsson, presidente da Volvo. "A demanda por carros elétricos é crescente, e queremos dar uma resposta a nossos consumidores."

O plano da Volvo, que desde 2010 pertence à companhia chinesa Geely, é lançar cinco carros totalmente elétricos entre 2019 e 2021. Três deles serão modelos Volvo e dois de sua ramificação de carros de alto desempenho Polestar.

A montadora destacou que, assim, continua em sua meta de reduzir a poluição nas cidades e atingir uma produção sem qualquer vestígio de emissões de carbono até 2025.

No ano passado, a empresa bateu recorde de vendas, com 534 mil carros, um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

DW
Posted: 05 Jul 2017 05:32 AM PDT
Inma Gil Rosendo
BBC Mundo
Direito de imagemGETTY IMAGES  Transformada em museu, sala de operações mais conservada da Europa relembra os primórdios da cirurgia

Ir ao hospital no início do século 19 era quase uma sentença de morte.


Aqueles que tinham dinheiro eram tratados e operados em suas casas. Por isso, quem tinha a má sorte de acabar na sala de cirurgia de um hospital como o St. Thomas, um dos mais antigos de Londres, tinha uma alta probabilidade de morrer vítima de uma infecção.

Neste hospital fica a Old Operating Theatre ("antiga sala de operações", em inglês), a mais antiga conservada em toda a Europa, que acaba de ser reaberta para visitação após três meses de reformas.

Em 1822, o local era um centro cirúrgico para mulheres. Hoje, ela funciona como museu de uma época em que ainda não se usava anestesia nem antissépticos e quando se acreditava que era o "miasma" - odor fétido dos solos e águas impuras - que causava as doenças.

Semanalmente, um funcionário do museu ocupa a antiga sala e explica aos visitantes, em detalhes, como as cirurgias eram feitas há 200 anos.
Transtorno disfórico pré-menstrual: a 'super TPM' que leva algumas mulheres à internação psiquiátrica

1. Operações-relâmpago


Dois a cada três pacientes que passavam pela sala de cirurgia nos anos 1800 morriam, de acordo com Miles.

Image caption A sala foi construída no topo de uma igreja e tinha acesso direto à ala feminina do hospital St. Thomas, em Londres

O mais comum era que morressem por causa de infecções contraídas no pós-operatório, mas, para minimizar as possibilidades de morte por hemorragia, os cirurgiões da época operavam o mais rápido que conseguiam.

Uma cirurgia, do princípio ao fim, durava cerca de 10 a 15 minutos. Serrar um osso durante uma amputação podia tomar dois ou três minutos do tempo dos médicos - que ficavam mais famosos de acordo com a rapidez de seus procedimentos.

Amputações de membros usando torniquete eram algumas das operações mais frequentes, mas também se faziam outros procedimentos, como a extração de pedras na bexiga.

2. Sem anestesia


Em 1822 os pacientes sentiam uma dor inimaginável durante as operações, que eram feitas em uma pequena maca de madeira.

Naquela época, os pacientes mais ricos, atendidos pelos médicos em suas casas, tomavam álcool para diminuir a dor nos procedimentos.

Image captionAs pacientes eram colocadas em uma maca pequena, que geralmente não apoiava todo o seu corpo

No entanto, as mulheres que passavam pela Old Operating Theatre só recebiam um bastão revestido de couro para morder durante a cirurgia. Em alguns casos, os pacientes tinham os olhos vendados, mas, de modo geral, assistiam a tudo.

O éter só começou a ser usado como anestésico nos hospitais do Reino Unido em 1846. No ano seguinte, o clorofórmio também passou a ser usado para deixar os pacientes inconscientes.

3. Público de 200 pessoas


Assim como outras salas de cirurgia e de dissecação anatômica que existiam na época na Europa, esta tinha uma espécie de arquibancada e grades semicirculares para facilitar a visibilidade do público, que era composto principalmente por estudantes de medicina, aprendizes e assistentes dos cirurgiões.

Cerca de 200 pessoas se amontoavam para presenciar cada operação.

Image captionO material cirúrgico só era lavado após as operações - assim como as mãos dos cirurgiões e assistentes

De acordo com as descrições de procedimentos cirúrgicos da época, havia muito barulhos e empurrões nas arquibancadas. Do fundo era possível ouvir gritos de "cabeças, cabeças!" para que os mais próximos da mesa de operações abrissem espaço.

Fumaça de tabaco também era comum no ambiente, explica Gareth Miles.

A presença e o posicionamento dos membros do público era regulamentado e era comum em todas as salas de operações da época - no centro, ficavam o cirurgião e seus ajudantes, que seguravam o paciente para que não se movesse durante a cirurgia.

Ao redor da maca também ficavam outros cirurgiões do hospital e seus aprendizes, assim como quaisquer visitantes que o cirurgião principal permitisse.

Image captionO cirurgião precisava de diversos ajudantes para segurar o paciente; até 1846, não se usava anestesia nas salas britânicas

Durante o século 19, na Old Operating Theatre, as mulheres só podiam ocupar a maca cirúrgica, como pacientes. Sua presença no público não era permitida, porque se considerava que elas não eram fortes o suficiente para suportar as cenas.

Nas arquibancadas ficavam sentados, além dos estudantes, os aprendizes de outros hospitais, que iam observar novas técnicas e procedimentos, ou apenas o trabalho dos cirurgiões mais famosos.

4. Os instrumentos e as mãos eram lavados após as operações


Na época, médicos e cientistas acreditavam que as doenças contagiosas eram causadas pelo miasma - mau cheiro das ruas e dos rios, que se dissipava pelo ar -, e não por micro-organismos. Por isso, não se usava nenhum método antisséptico na sala de cirurgia.

O sangue das operações era recolhido em uma caixa de madeira com serragem ou areia, e os cirurgiões e seus assistentes só lavavam as mãos depois das operações, e não antes.

Image captionCaixotes de madeira eram usados para recolher o sangue, e médicos tinham que operar rápido para minimizar hemorragias

Da mesma forma, segundo Gareth Miles, os instrumentos cirúrgicos não eram limpos ou esterilizados antes de um procedimento, como são hoje. E as vendas eram reutilizadas nos pacientes.

Os jalecos manchados de sangue eram considerados uma espécie de medalha de honra para os cirurgiões, que, além de tudo, chegavam à sala de cirurgia vestindo as roupas com as quais tinham vindo das ruas. As mesmas ruas por onde, teoricamente, se espalhava o miasma.

BBC Brasil

Posted: 05 Jul 2017 05:16 AM PDT

As instituições da república estão se esfacelando aos olhos de todo o povo, abrindo os perigosos caminhos da anti-política e de saídas anti-democráticas. Isso nos deve fazer pensar.



Estamos numa encruzilhada e Guilherme Boulos faz o exercício de pensar três pontos que podem ajudar a traçar caminhos para a esquerda. Ter unidade na resistência, fazer uma reforma tributária progressiva, trabalhar pela democratização da mídia, reconstruir os vínculos com o povo e repensar os caminhos da esquerda são alguns dos pontos abordados por Boulos na sua nova coluna. Assista agora!

Posted: 05 Jul 2017 05:01 AM PDT


Vai ficando claro que, debaixo do manto de fidelidade canina a Michel Temer, Rodrigo Maia liberou os inibidores de apetite mais do que no setor farmacêutico.

Na Folha, diz-se que “a escolha de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) como relator do pedido de denúncia de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça é um aceno para o grupo que pode se beneficiar com a queda do peemedebista”. Zveiter é, afirma o jornal, aliado de Rodrigo Maia.

Lauro Jardim, em O Globo, é mais explícito. Fala que Maia já faz as contas para assumir o cargo de presidente:
“Se a Câmara autorizar o STF a analisar a denúncia e a maioria dos ministros torná-lo réu, Michel Temer será afastado por até 180 dias. Maia assumirá. Após esses seis meses, se o STF condenar Temer, Maia governaria por mais 30 dias, podendo se candidatar na eleição indireta para comandar o país até o fim de 2018. Seria, naturalmente, um dos candidatos mais fortes.”

Como sonhar não custa nada e os tucanos estão num mato sem cachorro, Lauro fala até em “reeleição” – trata-se de um caso inédito de reeleição de quem não foi eleito.

Como na velha peça teatral, trair e coçar, é só começar.

E o povo brasileiro vai aprendendo que as ditas instituições são feitas para usurpar seu direito a escolher seus governantes e a, de tempos em tempos, julga-los. Deputados, senadores, promotores, juízes e ministros – inclusive aqueles que andam a encontrar-se à socapa com seus réus – são quem decide quem sobe e quem cai do poder e quem para lá vai em seu lugar.

A “democracia” sem povo, eis o Brasil que a elite sempre sonhou.


TIJOLAÇO
Posted: 05 Jul 2017 04:56 AM PDT



Em 5 de julho de 1946, o estilista francês Louis Reard apresentou um ousado traje de banho de duas peças na Piscine Molitor, uma piscina popular em Paris. A showgirl parisiense Micheline Bernardini foi a modelo que estreou a nova moda, batizada de “biquíni” por Read. Ele se inspirou em um teste atômico norte-americano no Atol de Biquíni, no Oceano Pacífico, que foi motivo de grande cobertura jornalística na mesma semana.

Mulheres europeias começaram a vestir trajes de banho de duas peças, que consistia em um top e shorts nos anos 1930, mas apenas uma parte da barriga era revelada e o umbigo era vigilantemente coberto. Nos Estados Unidos, o modesto traje fez sua primeira aparição durante a II Guerra Mundial, quando o racionamento de tecido fez com que partes de roupa supérfluas fossem dispensadas. Enquanto isso, na Europa, as atividades relacionadas à moda de praia (assim como quase todas que não eram militares) estavam paralisadas.

Em 1946, europeus saudaram o primeiro verão sem guerra em anos, e estilistas franceses surgiram com peças de roupa que combinavam com o clima de libertação das pessoas. Dois deles, Jacques Heim e Louis Reard, desenvolveram protótipos concorrentes do biquíni. Heim chamou o dele de “átomo” e o promoveu como “o menor traje de banho do mundo”. O traje de Reard,que era basicamente um sutiã e dois triângulos invertidos de tecido amarrados por um cordão, era significativamente menor. Reard promoveu sua peça como sendo “menor que o menor traje de banho do mundo” e a chamou de biquíni.

Ao planejar a estreia do seu novo traje de banho, Reard teve dificuldades em achar uma modelo profissional que ousasse usar a peça escandalosamente mínima. Então ele chamou Micheline Bernardini, uma dançarina exótica do Cassino de Paris, que não tinha pudores em aparecer seminua em público. Em alusão às manchetes que ele sabia que iria conquistar, Reard estampou as peças com notícias de jornal. O biquíni foi um sucesso imediato, especialmente entre os homens, e Bernardini recebeu cerca de 50 mil cartas de fãs.

Logo em seguida, jovens corajosas usando biquíni causavam sensação na costa mediterrânea. A Espanha e a Itália proibiram a peça em praias públicas, mas depois se rendaram às mudanças , quando o biquíni se popularizou nos anos 1950. O negócio de Reard decolou e ele manteve a mística do biquíni viva ao declarar que um traje de duas peças não era um biquíni genuíno, “a menos que pudesse passar por dentro de uma aliança”.

Nos pudicos Estados Unidos, houve uma resistência bem-sucedida ao biquíni até o começo dos anos 1960, quando uma nova ênfase à liberação juvenil inundou as praias americanas com a peça. A criação foi imortalizada com a música “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka-Dot Bikini” (“Biquíni de Bolinha Amarelinho”, na versão brasileira), com filmes de praia e com a cultura do surfe, celebrada por grupos de rock como os Beach Boys. Desde então, a popularidade do biquíni nunca parou de crescer.

Imagem: Shutterstock.com

History
Posted: 05 Jul 2017 04:36 AM PDT


O Globo





Manchete : Relator de ação contra Temer é visto como independente


Sergio Zveiter, do PMDB, diz que, com ele, ‘não haverá pressão’

Após receber 33 parlamentares no mesmo dia, presidente deve entregar defesa hoje

O deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), nomeado relator da denúncia da PGR contra Michel Temer por corrupção passiva, é considerado um parlamentar independente, que não faz parte do grupo de aliados mais próximos do presidente.

A escolha não agradou ao Planalto, embora assessores tenham elogiado o perfil técnico e "juridicamente muito qualificado" de Zveiter. O relator disse que não será pressionado por ninguém. "Comigo não tem pressão", afirmou. Em busca de votos na CCJ, Temer só ontem recebeu 33 parlamentares em seu gabinete, entre eles, muitos deputados indecisos. Hoje, advogados devem entregar a defesa dele na comissão. Em depoimento, Marcelo Odebrecht disse que Temer e Cunha faziam parte do mesmo grupo na Câmara. (Págs. 3 a 5)


De volta ao ninho


O senador tucano Aécio Neves é recebido pelo colega José Serra ao reassumir o mandato, do qual estava afastado há um mês pelo STF. Aécio é acusado de corrupção por ter recebido R$ 2 milhões de Joesley Batista. Em discurso, negou ter cometido crimes, e disse que um de seus erros foi se deixar envolver em “trama ardilosa’’. (Pág. 8)


Comperj vai ser retomado


A Petrobras fez parceria com a chinesa CNPC para construir uma refinaria no Comperj, complexo petroquímico de Itaboraí que está com obras paradas desde o fim de 2014. Prefeituras preveem a criação de 10 mil empregos. (Pág. 19)



Produção na indústria sobe


Setor avança 0,8% em maio, com alta disseminada pela maioria das atividades. (Pág. 22)



Venda de carros avança


Crescimento foi de 4,25% este ano, no primeiro semestre positivo desde 2013. (Pág. 22)



Reforma na CLT terá urgência


O Senado aprovou o regime de urgência para a reforma trabalhista. Com isso, o projeto que muda as leis do trabalho deve ser votado em plenário na terça-feira que vem. (Pág. 23)



USP terá 50% das vagas para cotas


Maior universidade do país, a USP terá, até 2021, metade das vagas ocupada por alunos de escolas públicas. Dessas, 37,2% irão para quem se declarar preto, pardo ou indígena. (Pág. 26)


Míssil agrava tensão com EUA (Pág. 24)





Justiça bloqueia R$ 240 milhões da Fetranspor


O juiz Marcelo Bretas determinou o bloqueio de R$ 520 milhões da Fetranspor. Foram encontrados e bloqueados R$ 240 milhões. (Pág. 6)



Miriam Leitão


Economia melhora, mas não se descola da política. (Pág. 20)



Merval Pereira


Delação de doleiro vai envolver toda a cúpula do PMDB. (Pág. 4)



Elio Gaspari


Cabral não é o único a morder a turma dos ônibus. (Pág. 16)



Zuenir Ventura


Difícil dizer por que STF favorece acusados na Lava-Jato. (Pág. 17)


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O Estado de S. Paulo





Manchete : Relator de denúncia diz que será independente


Sérgio Zveiter (PMDB), que analisará acusação contra Temer, é considerado uma ‘incógnita’ pelo Planalto

O deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) foi escolhido ontem relator da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Zveiter disse que vai analisar a acusação formal contra o presidente com "total" independência e que está preparado para receber pressão. O deputado ainda afirmou ao Estado que seu parecer será "predominantemente jurídico e, possivelmente, com um viés político".

É a primeira vez que a Câmara vai apreciar um pedido de autorização do STF para julgar uma denúncia contra o presidente. Temer é acusado de corrupção passiva. No Planalto, a escolha foi recebida como uma "incógnita". Auxiliares de Temer dizem que Zveiter é "imprevisível". Na Câmara, o discurso dos governistas é de que o peemedebista é "sereno e técnico" em sua atuação. Nos bastidores, a avaliação é de que haveria margem de negociação para apresentação de parecer pela inadmissibilidade da denúncia. A oposição avalia que há chances de o relator produzir parecer pela admissibilidade. (Política / Pág. A4)



Vera Magalhães


Os que perseguem um acordão que preserve o establishment político e detenha a Lava Jato estão em busca de um fiador. (Pág. A6)



PF quer investigar Temer


A Polícia Federal pediu ao STF que Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco estejam entre os investigados em inquérito contra o PMDB na Lava Jato. (Pág. A6)



De volta, Aécio diz ser vítima de trama


Aécio Neves (PSDB-MG) conversa com Renan Calheiros (PMDB-AL) em sua volta ao Senado, após 46 dias de afastamento. O tucano disse ser vítima de ‘trama ardilosa’ e defendeu apoio ao governo de Michel Temer. (Pág. A8)



Sítio e triplex às moscas


Alvos de investigação

O sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá, propriedades atribuídas pelo Ministério Público ao ex-presidente Lula, estão vazios – e não há registros de que tenham recebido visitas recentemente. O imóvel do litoral virou ponto turístico, procurado para selfies. O do interior mostra sinais de abandono. (Política / Pág. A9)



Por juro mais baixo, governo vai mudar lei de sigilo bancário


O governo prepara projeto de lei para alterar a lei de sigilo bancário e tentar reduzir o custo de crédito. A proposta é deixar claro que, ao fornecer dados de seus correntistas para gestores de bancos de dados (como Serasa ou Boa Vista SCPC), os bancos não estarão quebrando o sigilo. Objetivo é destravar o Cadastro Positivo, que auxilia na obtenção juros menores. (Economia / Pág. B1)



Coreia do Norte testa míssil e eleva tensão com potências


A Coreia do Norte lançou míssil de longo alcance capaz de atingir o Alasca. O fato mobilizou Rússia e China, que apresentaram plano para convencer o país a congelar testes nucleares e de foguetes. O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou um tuíte referindo-se ao ditador Kim Jongun: "Este cara não tem algo melhor para fazer com sua vida?" (Internacional / Pág. A10)


USP aprova cota social e racial em todos os cursos


O Conselho Universitário da USP aprovou ontem sistema escalonado de cotas para alunos vindos da rede pública. A meta é que eles cheguem a 50% dos estudantes em todos os cursos da universidade até 2021 – e, dentro desse grupo, que 37% sejam pretos, pardos e indígenas. A decisão já vale para o próximo processo seletivo. (Metrópole / Pág. A16)



Comissão dá aval a verba para passaporte (Metrópole / Pág. A14)





Reforma trabalhista é acelerada no Senado (Economia / Pág. B3)





NOTAS & INFORMAÇOES


Uma Justiça sem obsessões

A delação premiada deve ser instrumento de auxílio à Justiça, e não uma obsessão que faz inverter o ônus da prova e transigir com as condições para a prisão. (Pág. A3)

Indústria em alta – até maio

A crise pode afetar a recuperação econômica, mas até maio dados positivos se acumularam. (Pág. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete : Peemedebista do Rio relatará na CCJ denúncia de Temer


Nome do deputado Sergio Zveiter não foi aprovado por aliados do presidente; oposição aposta em independência do relator

O deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) foi escolhido para ser o relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da denúncia contra o presidente Michel Temer.

Apesar de Zveiter ser do mesmo partido de Temer, integrantes do Planalto preferiam outros peemedebistas e admitem não ter visto a escolha com bons olhos. A decisão foi do presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Deputados de oposição afirmam que o relator indica intenção de agir de forma descolada do governo. “Não temo reação do Planalto”, disse Zveiter em entrevista à Folha.

Para parlamentares aliados do presidente, o escolhido não criará problemas. A defesa de Temer será apresentada hoje. O governo precisa dos votos de 34 dos 66 deputados da CCJ, mas atualmente conta com 30. Depois de a comissão se manifestar sobre a denúncia, ela vai a plenário. Em busca de novos apoios, o presidente realizou ontem maratona de audiências com políticos da base. (Poder A4)


Preso, Geddel vê fim de planos políticos na Bahia


A prisão de Geddel Vieira Lima (PMDB), na segunda (3), enterrou planos do ex-ministro de ser eleito para o Senado pela Bahia em 2018. A saída dele do governo Temer já o tinha enfraquecido. Acusado de atrapalhar investigações — o que nega —, Geddel chegou ao presídio da Papuda (DF) ontem. (Poder A7)



Vinícius Torres Freire


Crise política é veneno para doente fraco como o Brasil

Enquanto assistimos à chegada do meteorito fiscal, governo e Congresso estão ocupados em fugir da polícia ou por cúmplices e omissos. Estejam ou não metidos em roubança, quase todos serão culpados de negligência e traição caso não reajam. (Mercado A16)



Indústria cresce, mas recuperação é pouco vigorosa


A produção industrial subiu em maio pelo segundo mês seguido. A alta, de 0,8%, ê a maior no mês desde 2011. Todas as categorias pesquisadas pelo IBGE tiveram desempenho positivo. A crise política, entretanto, afeta a confiança empresarial, e já há sinalização de queda do índice em junho. (Mercado A14)



Petrobras negocia com chinesa para concluir Comperj


A Petrobras negocia com a chinesa CNPC parceria para conclusão das obras do Complexo Petroquímico do Rio, que já consumiram cerca de US$ 13 bilhões. A ideia ê garantir fatia minoritária à asiática em troca de recursos para a construção, paralisada após a Lava Jato. (Mercado A18)



Senado marca para terça-feira votação da reforma trabalhista (Mercado A16)





Coreia do Norte testa míssil de longo alcance, dizem EUA


O secretário de Estado americano, RexTillerson, admitiu que míssil testado pela Coreia do Norte ontem era um artefato balístico intercontinental — ou seja, poderia, em tese, atingir os EUA. A informação eleva a tensão entre os países. (Mundo A12)



USP aprova cotas sociais e raciais a partir do ano que vem


O Conselho Universitário da USP aprovou a instituição de cotas sociais e raciais a partir do vestibular de 2018. No ano que vem, 37% das vagas deverão ser destinadas a alunos de escola pública. A proporção subirá atê chegar a 50%, em 2021. A reserva para pretos, pardos e indígenas iniciará em 37% das cotas sociais (13,7% do total). (Cotidiano B1)



Novo Fies prevê desconto de até 30% dos futuros salários


O Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal, endurecerá as regras para empréstimos a partir de 2018.0 aluno terá de autorizar desconto de atê 30% dos futuros salários para devolver o dinheiro, e o inicio do ressarcimento ocorrerá antes do atual prazo, (Cotidiano B1)



G20


Em Hamburgo, que sediará cúpula, ativistas protestam contra os líderes Erdogan (Turquia),Trump (EUA),Merkel(Alemanha),May (ReinoUnido) e Putin (Rússia) (Mundo A11)



Editoriais


“Orçamento insensato”, sobre falta de verba para Bolsa Família e emissão de passaporte, e “Pêndulo chileno”, acerca de eleições presidenciais. (Opinião A2)



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Mídia
Posted: 04 Jul 2017 04:04 PM PDT

Foi um golpe de classe para fazer reformas, diz cientista político, para quem o presidente já devia ter caído


Lula Marques/AGPT/Fotos Públicas 'Haverá boa vontade com Temer enquanto ele for útil às reformas', analisa professor da UFPR

As greves e os protestos contra as reformas radicais do governo e contra Michel Temer na sexta-feira 30 foram mais uma vez localizados, engrossados majoritariamente por grupos e movimentos sociais ligados à esquerda.

De novo a chamada “classe média”, que lotou as ruas pela queda de Dilma Rousseff, foi indiferente. Tem sido assim desde o início do escândalo Friboi. Por quê?

“Isso está de acordo com o caráter golpista do processo político visto desde o impeachment”, diz o cientista político Renato Perissinotto, da Universidade Federal do Paraná.

“O presidente já devia ter sido tirado, contra ele há muito mais do que havia um ano atrás. Mas agora o tratamento dado a ele é suave, quase de normalidade, ninguém radicaliza pela saída dele”, completa o professor, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política.

Dilma foi deposta pelo Congresso por “pedalada fiscal”, um conceito contábil difícil de explicar para a população. Mas o que fez milhões protestarem nas ruas foram os escândalos de corrupção do PT.

No caso de Temer, a situação é mais didática: um subordinado de sua confiança foi filmado correndo com uma mala contendo meio milhão de reais em propina para ser repartida com o chefe.

“Se não houve mobilização contra o Temer até agora, depois de tudo o que já se sabe, não sei o que seria capaz de provocá-la. E olha que corrupção é um tema tradicional para a classe média”, afirma Perissinotto.

“A única conclusão possível”, comenta, é que “setores da classe média, como o MBL,radicalizaram contra um tipo de política social e econômica”, não contra a corrupção.

Em outras palavras: aquelas pessoas apoiadoras do impeachment que diziam não ter “bandido de estimação”, uma referência aos partidários do ex-presidente Lula, têm bichinhos de pelúcia sim. Os que governam a seu gosto. “O Temer é investigado por um fato muito mais grave do que pedalada, mas com efeitos menos contundentes. É trágico”, diz Perissinotto.

O cinismo não está apenas nas ruas - ou melhor, em casa.

Às vésperas da votação do impeachment de Dilma na Câmara, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mandou uma carta aos deputados fazendo lobby pela cassação. Após o escândalo JBS-Friboi, pagou propaganda em jornal e distribuiu uma “comunicado à nação” em defesa das reformas radicais (trabalhista e da Previdência) e da estabilidade política, ou seja, de Temer.

Na Folha de S. Paulo da segunda-feira 26, o presidente da entidade, Robson Braga, foi direto. “Todo o empresariado prefere continuar com o presidente Michel Temer. Hoje a posição é essa: é melhor seguir e fazer a transição no país. Chega de turbulência.”

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) age igual. Sua sede na Avenida Paulista foi uma espécie de QG anti-Dilma. Seu presidente, Paulo Skaf, liderou marchas de patos amarelos pelo impeachment e contra aumento de impostos. Agora na crise de Temer, ele diz não caber à entidade opinar sobre a saída do presidente.

Há compreensíveis razões particulares por trás da postura de Skaf. Criminosos delatores da Odebrecht dizem que naquele famoso jantar com Temer no Palácio do Jaburu em maio de 2014, os 10 milhões de reais em grana suja solicitados pelo anfitrião seriam repartidos com Skaf, candidato ao governo paulista pelo PMDB naquele ano.

O líder da Fiesp também está na bombástica delação da JBS. Contam os criminosos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud que na eleição de 2014 Temer pediu à empresa 15 milhões de reais em caixa 2. Era para ele distribuir entre aliados. Skaf ficaria com um naco 2 milhões da bufunfa.

Razões pessoais à parte, o empresariado em geral apoia Temer por desejar as reformas radicais patrocinadas pelo governo. Em especial, a trabalhista, prestes a ser aprovada em definitivo para matar a CLT. “Para o mercado, a preocupação nunca é a democracia, é a estabilidade econômica, o ganho direto”, diz Perissinotto. “Haverá boa vontade com Temer enquanto ele for útil às reformas.”

O sonho de conseguir reformas radicais esteve na raiz do apoio engravatado ao impeachment. O serviço que a turma do PIB encomendou a Temer tem chances remotíssimas de aprovação em uma eleição. O peemedebista nem faz segredo disso, vide um discurso seu na segunda-feira 26. “Nós chegamos aqui para fazer aquilo que muitas e muitas vezes as questões eleitorais impedem.”

Ele já tinha sido explícito, mas só com endinheirados, em um almoço a portas fechadas em Nova York em setembro de 2016.

Ali, afirmou que Dilma caiu por não aceitar as reformas radicais de propostas pelo PMDB no documento “Ponte para o Futuro”, plano levado a ferro e fogo pelo atual governo. “Como isso não deu certo, não houve adoção [da Ponte], instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação na Presidência.”

Para a sobrevivência de Temer até aqui em meio a um escândalo, não se pode esquecer o papel do sistema político, em especial dos grandes partidos governistas, PMDB e PSDB. Temer, lembra Perissinotto, tinha outra missão além de levar adiante uma agenda feita na medida para empresário: enterrar a Operação Lava Jato.

A missão foi celebremente descrita pelo atual presidente interino do PMDB e líder de Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), em uma conversa com um criminoso delator, Sergio Machado, sem saber que era gravado. Dizia Jucá, ali por fevereiro, março de 2016, que por trás do impeachment havia uma “solução Michel” para “estancar” a Lava Jato, “com o Supremo, com tudo”.

A soltura do “homem da mala”, Rodrigo Rocha Loures, nesta sexta-feira 30 por ordem do Supremo Tribunal Federal e a autorização do mesmo STF para o tucano mineiro Aécio Neves reassumir o mandato de senador mostram que a “solução Michel” está a todo vapor. Temer continuará no cargo para ver sua obra pronta e acabada?

“O presidente parece ter número para barrar a denúncia [de corrupção, apresentada ao STF] na Câmara dos Deputados. São números instáveis, há investigações por todo o lado”, diz Perissinoto. “Se ele conseguir aprovar as reformas [a trabalhista está por um fio], acredito que terminará o mandato em 2018.”

CartaCapital
Posted: 04 Jul 2017 03:50 PM PDT
Premiados por Temer

A notícia é um insulto em si.

Após o golpe de Estado que destruiu a economia e produziu o maior contingente de brasileiros desempregados e endividados já registrados no país, Temer manda de vez para as cucuias o tão alardeado ajuste fiscal de sua equipe econômica.


Na mesma toada que se julga no direito de exigir da população sacrifícios obscenos como a completa perda de seus direitos trabalhistas e a extinção de sua aposentadoria, escancarou os cofres públicos no mais flagrante balcão de negócios que se tem notícia na história recente do país.

Vendo o seu governo ruir dia após dia e às vésperas da votação na Câmara dos Deputados da denúncia apresentada pelo Procurador-Geral da República, Temer se agarra ao único “argumento” aceitável entre os páreas que o colocaram na presidência: dinheiro.

Segundo a agência Reuters, no mês de junho a liberação de recursos para parlamentares apresentou um crescimento vertiginoso completamente incompatível com a sequência desastrosa na arrecadação de impostos verificadas pelo governo federal durante todo o ano de 2017.

Enquanto nos primeiros cinco meses do ano os valores somados em emendas não chegaram a R$ 1 bilhão, só no mês passado foram repassados inacreditáveis R$ 4,2 bilhões aos senhores parlamentares numa desesperada e criminosa tentativa de manter, às custas do dinheiro público, a sua base aliada.

O esquema é tão flagrante que, não por acaso, chega a obedecer um curioso padrão entre os beneficiários da farra.

Dada a deficiência moral do Congresso mais reacionário já eleito em todos os tempos, não é tarefa fácil, mas conferindo a lista dos excelentíssimos agraciados com a gastança de Temer, pode-se concluir que os campeões de recebimento são justamente os, digamos, de caráter mais duvidoso.

Dispensando apresentações, em primeiríssimo lugar vem o inominável deputado Jair Bolsonaro. Dono de sete mandatos legislativos e apenas um único Projeto de Lei aprovado na vida, o cidadão que faz da homofobia, da violência, do preconceito e do desrespeito sua plataforma política, recebeu R$ 18,5 milhões só no primeiro semestre do ano.

Em segunda colocação, mas campeão disparado em ações na Lava Jato, vem o recém-retornado ao Senado Federal graças à condescendência fraternal do STF aos tucanos, o menino do Rio, Aécio Neves. O iluminado que prometeu matar seu próprio primo antes de uma possível delação, recebeu no mesmo período a singela quantia de R$ 18,4 milhões.

Na terceira posição, esclarecendo muitas coisas, segue o senador Cristovam Buarque, seguramente a maior decepção moral de toda a esquerda. Traidor convicto de tudo que já defendeu nos seus melhores dias, o golpista que se aliou ao que de pior pode haver na política brasileira amealhou nada menos que R$ 17,7 milhões desse arremedo de governo.

A lista segue com o que você já pode imaginar em se tratando dos aliados do único presidente denunciado formalmente no exercício de seu mandato em toda a nossa história democrática.

Um verdadeiro festival de horrores que se arrasta poço a dentro sob os olhares incrédulos e estupefatos do mundo inteiro.

Cristalino mesmo é que diante do terror, do desgoverno, da desesperança, da humilhação e da vergonha que vivemos diariamente impostos por Michel Temer, uma coisa pode-se dizer particularmente organizada: na quadrilha do golpe, os mais desonestos são os que recolhem mais do butim.

DCM


Posted: 04 Jul 2017 03:28 PM PDT


Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - Em meio ao recrudescimento com a crise política a partir da delação de executivos da JBS que o implicaram diretamente, o presidente Michel Temer ampliou fortemente a liberação de recursos de emendas parlamentares em junho.

Enquanto nos primeiros cinco meses do ano o governo havia liberado 959 milhões de reais em emendas e restos a pagar para deputados e senadores, somente no mês de junho esse valor foi de 4,2 bilhões de reais, elevando o acumulado no ano a cerca de 5,2 bilhões de reais, conforme levantamento feito pela Reuters no sistema de gastos orçamentários do governo federal, o Siafi.

Esses recursos desembolsados contemplam o pagamento de emendas ao Orçamento de 2017 e de restos a pagar, que são recursos empenhados em anos anteriores, mas só liberados agora.

A título de comparação, no dia 9 de maio --poucos dias antes da divulgação da delação que implicou Temer feita por executivos da JBS-- a liberação acumulada no ano era de apenas 531,5 milhões de reais.

A liberação de emendas é um dos mecanismos mais tradicionais que os governos lançam mão para garantir a fidelidade da base aliada. Denunciado por corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer precisa garantir que o apoio à autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar se recebe a acusação criminal contra ele não chegue aos 342 votos necessários.

O Palácio do Planalto quer ver rejeitada a autorização do STF para apreciar a denúncia oferecida por Janot em no máximo duas semanas, para não correr o risco de que novos fatos possam vir a desfavorecê-lo. Nesta terça-feira, por exemplo, Temer tem previsão de audiências pessoais no Planalto com duas dúzias de deputados entre 8h e 21h30.

O presidente disse em entrevista a uma rádio na segunda-feira estar "animadíssimo" e ter certeza "quase absoluta" de que a Câmara vai recusar o aval para o STF julgá-lo.

A base de dados usada pela Reuters é do Siga Brasil, ferramenta desenvolvida pelo Senado que dá acesso aos dados do Siafi.

Praticamente três quartos da verba é destinada para obras e ações indicadas por parlamentares para a área de saúde, que já recebeu 3,9 bilhões de reais nos seis primeiros meses do ano. Esse direcionamento se explica porque, desde 2005, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que torna obrigatórios os repasses para esse setor, não podendo, dessa forma, o Executivo contingenciar os recursos para esse tipo de ação.



CAMPEÕES

A lista dos parlamentares mais bem agraciados com recursos chama atenção pelo fato de que, entre os deputados, o campeão de emendas é Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 18,5 milhões de reais no primeiro semestre do ano e, entre os senadores, Aécio Neves (PSDB-MG), com 18,4 milhões de reais no período.

Bolsonaro é o pré-candidato a presidente que mais cresceu em pesquisas de intenção de voto em meio à crise que abate as principais lideranças brasileiras. Aécio, ex-presidenciável em 2014 e hoje um dos principais defensores da permanência do PSDB na base de Temer, estava afastado do mandato desde o dia 18 de maio até a sexta-feira passada por ordem do STF.

O terceiro lugar em pagamento de emendas com 17,7 milhões de reais é o senador Cristovam Buarque (DF), do PPS, partido que chegou a pedir a renúncia do presidente e ensaiar um abandono da base após as delações da JBS, mas posteriormente recuou e permanece aliado ao governo com o objetivo de aprovar as reformas.

Do total de recursos distribuídos até o momento, 4,4 bilhões de reais foram destinados a deputados e apenas 789 milhões de reais para senadores.

A título de ilustração, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que poderá substituir Temer em caso de afastamento dele no comando do país se a denúncia for recebida, foi o 26º da lista, com 14,1 milhões de reais pagos em emendas.

Já o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que comanda o colegiado que vai dar parecer sobre se concorda ou não em autorizar o STF a julgar a acusação contra o presidente, é apenas o 343º lugar da lista, com 7,1 milhões de reais.

A assessoria de imprensa de Bolsonaro informou que não se surpreende com o resultado de o deputado ser o campeão em liberação de emendas. Disse que é fruto do trabalho e que, após apresentação das emendas, não pressiona o governo pelo pagamento dos recursos, deixando essa tarefa a cargo das instituições beneficiárias.

A Reuters não conseguiu contato com a assessoria de Aécio.



Procuradas, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República e a Secretaria de Governo ainda não se não pronunciaram sobre o assunto.

Reuters
Posted: 04 Jul 2017 03:09 PM PDT


Da Redação

O deputado Sérgio Sveiter (PMDB-RJ) foi escolhido relator da denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Ele é irmão do poderosíssimo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Sveiter, que concorreu ao cargo e ganhou a vaga apesar de responder a sete acusações no Conselho Nacional de Justiça.

Do ponto-de-vista de Michel Temer, a escolha foi inteligente.

A família Sveiter é muito próxima dos irmãos Marinho, como retratado nesta reportagem da Pública:

A trajetória de Luiz Zveiter na comunidade forense começa no escritório de sua família, fundado por seu pai, Waldemar Zveiter, em 1957. Três anos depois de Luiz ter se formado em Direito, seu pai se tornaria desembargador do TJ do Rio, também pelo quinto. Em poucos anos, Luiz e seu irmão Sérgio assumiram a liderança do escritório e casos de grande repercussão nacional.

Mais de dez anos depois do pai, o advogado Luiz Zveiter, de 40 anos, se tornaria também desembargador. Seu nome aparecia nas páginas dos jornais desde o fim dos anos 1980, quando começou a assumir casos de grande repercussão de empresas como a Rede Globo e a construtora Wrobel – uma das mais importantes do Rio de Janeiro na época.

Foi ele quem, em 1989, defendeu Roberto Marinho no divórcio litigioso com Ruth Albuquerque, que discordava da parte que lhe cabia do patrimônio do magnata das comunicações. No mesmo período, defendeu também a Rede Globo em processo contra a TV Aratu. A empresa perdera o direito de repetir o sinal da Globo na Bahia ao ser preterida pela TV Bahia, que pertencia aos familiares de Antônio Carlos Magalhães, então ministro das Comunicações.

Na mesma época, Luiz Zveiter foi selecionado pelo presidente José Sarney, o mesmo que nomeara Antônio Carlos Magalhães ministro, para o posto de juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde permaneceu entre 1988 e 1992. Foi também Sarney quem transformou o desembargador Waldemar Zveiter em ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 1989.

Antes de se tornar desembargador, Zveiter já iniciara a carreira como auditor do órgão disciplinar ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o STJD, do qual foi presidente pela primeira vez em 1995. Forçado a sair em 2005, deixou ali seu filho, o advogado Flávio Diz Zveiter, que iniciara sua carreira na instituição aos 19 anos, depois de sabatinado pelo pai, então presidente do órgão.

Zveiter foi também conselheiro federal da OAB e grão-mestre da Loja Maçônica do Estado do Rio – posto que ocupou duas vezes.

Em 2008, um juiz maçom, Josimar de Miranda Andrade, da 2ª Vara Cível de Nova Friburgo, condenou o promotor estadual Daniel Lima Ribeiro a indenizar Sérgio Zveiter em R$ 10 mil por danos morais. Segundo a ação, o promotor se manifestou de forma tendenciosa depois de ter denunciado irregularidades em contratos do escritório com o município e ter suas falas reproduzidas pela imprensa. A decisão foi confirmada em segunda instância, por desembargadores do TJ-RJ, e objeto de acordo no STJ. Ribeiro não foi encontrado para comentar o caso.

“Ele tem muito poder pelas circunstâncias”, avaliou a ex-corregedora Nacional de Justiça Eliana Calmon em entrevista à Pública.

A juíza aposentada relatou quatro processos contra o magistrado enquanto foi corregedora nacional de Justiça. Eliana Calmon atribui parte do poder de Zveiter à ligação de sua família com o maior grupo de comunicação do país, as Organizações Globo. A corregedora se lembra de ter participado de dois programas matinais da emissora, e também de ser entrevistada pelo jornal O Globo, mas diz que não tinha espaço em outros programas e canais da Globo. “Marcavam entrevistas e depois cancelavam”, disse. “Eu entendo que isso advém justamente da retaliação dele, Luiz Zveiter.”

No dia 17 de novembro, a ex-governadora do Rio Rosinha Garotinho disse à Rádio Gaúcha após a prisão de seu marido, Anthony Garotinho, que, antes de ser preso, o ex-governador entregara provas contra Zveiter e outras autoridades à Procuradoria-Geral da República (PGR); segundo nota da coluna do jornalista Lauro Jardim, o desembargador entrou com uma ação contra Rosinha por difamação. Em sua reprodução da entrevista, o G1, site da Globo, não incluiu o trecho em que Rosinha cita o magistrado.

Luiza Zveiter, filha do magistrado, é apresentadora da Globo News.

Em resposta à reportagem, o Grupo Globo enviou nota em que diz trabalhar “com um número grande de advogados contratados para as mais diversas tarefas”. Segundo a empresa, “a relação não cria com estes advogados vínculos da empresa além do objeto da contratação”.

No Rio, Sveiter tem trânsito além do PMDB

Foi duas vezes presidente da OAB do Rio. Ocupou quatros cargos em governos estaduais: secretário de Justiça, de Justiça e Direitos do Cidadão, de Defesa do Consumidor, de Trabalho e Renda, além de secretário municipal de Habitação. Elegeu-se deputado federal em 2010.

No mandato de deputado federal, destacou-se por lutar contra a PEC 37

Era uma causa do coração do Ministério Público Federal, abraçada pelos coxinhas e promovida pela Globo. Portanto, a classe média branca do Rio perdoará qualquer pecado de Temer se Sveiter fizer um relatório que perdoe o usurpador.

Com a escolha, agora o governo Temer tem um poderosa arma para angariar votos, tanto dentro da CCJ quanto no plenário:

Com crise da JBS, liberação de emendas dispara em junho; Bolsonaro e Aécio lideram repasses

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – Em meio ao recrudescimento com a crise política a partir da delação de executivos da JBS que o implicaram diretamente, o presidente Michel Temer ampliou fortemente a liberação de recursos de emendas parlamentares em junho.

Enquanto nos primeiros cinco meses do ano o governo havia liberado 959 milhões de reais em emendas e restos a pagar para deputados e senadores, somente no mês de junho esse valor foi de 4,2 bilhões de reais, elevando o acumulado no ano a cerca de 5,2 bilhões de reais, conforme levantamento feito pela Reuters no sistema de gastos orçamentários do governo federal, o Siafi.

Esses recursos desembolsados contemplam o pagamento de emendas ao Orçamento de 2017 e de restos a pagar, que são recursos empenhados em anos anteriores, mas só liberados agora.

A título de comparação, no dia 9 de maio –poucos dias antes da divulgação da delação que implicou Temer feita por executivos da JBS– a liberação acumulada no ano era de apenas 531,5 milhões de reais.

A liberação de emendas é um dos mecanismos mais tradicionais que os governos lançam mão para garantir a fidelidade da base aliada. Denunciado por corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer precisa garantir que o apoio à autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar se recebe a acusação criminal contra ele não chegue aos 342 votos necessários.

O Palácio do Planalto quer ver rejeitada a autorização do STF para apreciar a denúncia oferecida por Janot em no máximo duas semanas, para não correr o risco de que novos fatos possam vir a desfavorecê-lo. Nesta terça-feira, por exemplo, Temer tem previsão de audiências pessoais no Planalto com duas dúzias de deputados entre 8h e 21h30.

O presidente disse em entrevista a uma rádio na segunda-feira estar “animadíssimo” e ter certeza “quase absoluta” de que a Câmara vai recusar o aval para o STF julgá-lo.

A base de dados usada pela Reuters é do Siga Brasil, ferramenta desenvolvida pelo Senado que dá acesso aos dados do Siafi.

Praticamente três quartos da verba é destinada para obras e ações indicadas por parlamentares para a área de saúde, que já recebeu 3,9 bilhões de reais nos seis primeiros meses do ano. Esse direcionamento se explica porque, desde 2005, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que torna obrigatórios os repasses para esse setor, não podendo, dessa forma, o Executivo contingenciar os recursos para esse tipo de ação.

CAMPEÕES

A lista dos parlamentares mais bem agraciados com recursos chama atenção pelo fato de que, entre os deputados, o campeão de emendas é Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 18,5 milhões de reais no primeiro semestre do ano e, entre os senadores, Aécio Neves (PSDB-MG), com 18,4 milhões de reais no período.

Bolsonaro é o pré-candidato a presidente que mais cresceu em pesquisas de intenção de voto em meio à crise que abate as principais lideranças brasileiras. Aécio, ex-presidenciável em 2014 e hoje um dos principais defensores da permanência do PSDB na base de Temer, estava afastado do mandato desde o dia 18 de maio até a sexta-feira passada por ordem do STF.

O terceiro lugar em pagamento de emendas com 17,7 milhões de reais é o senador Cristovam Buarque (DF), do PPS, partido que chegou a pedir a renúncia do presidente e ensaiar um abandono da base após as delações da JBS, mas posteriormente recuou e permanece aliado ao governo com o objetivo de aprovar as reformas.

Do total de recursos distribuídos até o momento, 4,4 bilhões de reais foram destinados a deputados e apenas 789 milhões de reais para senadores.

A título de ilustração, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que poderá substituir Temer em caso de afastamento dele no comando do país se a denúncia for recebida, foi o 26º da lista, com 14,1 milhões de reais pagos em emendas.

Já o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que comanda o colegiado que vai dar parecer sobre se concorda ou não em autorizar o STF a julgar a acusação contra o presidente, é apenas o 343º lugar da lista, com 7,1 milhões de reais.

A assessoria de imprensa de Bolsonaro informou que não se surpreende com o resultado de o deputado ser o campeão em liberação de emendas. Disse que é fruto do trabalho e que, após apresentação das emendas, não pressiona o governo pelo pagamento dos recursos, deixando essa tarefa a cargo das instituições beneficiárias.

A Reuters não conseguiu contato com a assessoria de Aécio.

Procuradas, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República e a Secretaria de Governo ainda não se não pronunciaram sobre o assunto.

Posted: 04 Jul 2017 03:01 PM PDT

E chama o atual presidente Michel Temer e seu ministro Moreira Franco de "ingratos"



Jornal GGN - Em depoimento à 10ª Vara do Distrito Federal sobre as fraudes no fundo de financiamento do FGTS, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (04) que nunca recebeu pedido do atual presidente Michel Temer para nomear Moreira Franco à vice-Presidência de Fundos e Loterias da Caixa Econômica, em 2010, e ainda chamou a ele e a Temer de "ingratos".

As manifestações ocorreram em menos de 10 minutos, nos autos que tramitam na primeira instância do Distrito Federal e que acusa o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de cobrar e receber R$ 52 milhões do consórcio formado pela OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia junto à Caixa Econômica para as obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

Lula foi questionado se o atual presidente da República, Michel Temer, foi quem pediu para nomear seu agora ministro Secretaria-Geral da Presidência ao comando de Fundos e Loterias da Caixa. O ex-presidente negou que o pedido tenha vindo, diretamente, de Temer, mas sim da bancada do PMDB na Câmara.


Tentando relacionar o petista ao esquema que coloca em xeque a bancada do PMDB, inclusive o próprio presidente Michel Temer - que momentos antes havia sido acusado diretamente pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht de influência sobre Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, ex-presidentes da Câmara -, o procurador questionou se Temer e Moreira lhe "agradeceram" pela nomeação.

Prontamente, o ex-presidente respondeu ao procurador que fez pergunta, Anselmo Lopes: "Não, não. Aliás, não me agradeceram, acho que foram ingratos", disse.

Lula foi convocado pela defesa de Eduardo Cunha a prestar depoimento, mas não trouxe muitas informações às investigações, uma vez que mostrou que desconhecia o esquema investigado. Foi perguntado se tinha conhecimento das irregularidades nas obras do Porto Maravilha e da interferência do peemedebista ao andamento do projeto.

“Eu infelizmente não fui nem convidado para ir às Olimpíadas”, disse o ex-presidente, respondendo que tomou conhecimento pela própria imprensa.

GGN
Posted: 04 Jul 2017 02:52 PM PDT
Senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes.

Aécio Neves, que já foi protagonista de bons momentos no Senado, acaba de pagar um mico. Um não, vários. Subiu à tribuna, tenso, enquanto a TV Senado exibia para todo o país os gatos pingados que estavam no plenário. O tucano Cássio Cunha Lima, que presidia a sessão, ainda tentou minorar o constrangimento.
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Acionou barulhentas campainhas em busca de um mínimo de audiência. Sem graça, Aécio arriscou uma piada, dizendo ser um toque de boas vindas para seu retorno ao Senado.

Deputados e até o ministro Aloysio Nunes Ferreira tentaram compensar a baixa audiência.

Na tribuna, Aécio fez um relato sobre sua carreira política, como todos os outros também tentou desqualificar o delator Joesley Batista, cobriu de elogios o ministro do STF Marco Aurélio Mello ( para incômodo de Renan Calheiros) e definiu a justificativa da decisão que o levou de volta ao Senado como “peça jurídica histórica”.

Aécio disse que responderia a todas as acusações. Não respondeu. Pediu desculpas pelos palavrões ditos como se, nesse contexto, isso tivesse alguma relevância. Mas nada falou sobre as ofertas que fez a Joesley de diretorias da Vale do Rio Doce numa conversa em que seu interlocutor estava disposto a pagar R$ 40 milhões pela presidência da empresa, em tese privada.

Também nada disse a respeito das malas de dinheiro recebidas por seu primo Fred.

Que espécie de defesa é essa?

Aí, ele começou a elogiar o governo Michel Temer, cujas conquistas relevantes, disse, precisam continuar. Pareceu um pedido de socorro — afinal, ele precisa do apoio do PMDB para não ser cassado. Soou como um abraço de afogado.

Tudo muito patético. O fecho de seu discurso foi inacreditável. Defendeu que o governo revisse a sua posição e reajustasse o Bolsa Família.



Os Divergentes
Posted: 04 Jul 2017 02:42 PM PDT

Do que é feita a bebida considerada o “melhor amigo do homem”, segundo Vinicius de Moraes



APESAR DO PREÇO SALGADO, INGREDIENTES DO WHISKY NÃO SÃO MUITO NOBRES (FOTO: TOMÁS ARTHUZZI)

No século 18, o poeta escocês Robert Burns já tinha escrito: “O whisky e a liberdade andam juntos”. O apreço da turma de kilt pela bebida de fato é antigo: o primeiro single malt data de 1494. Reza a lenda que sua produção acontecia até nos monastérios, onde o licor fabricado com ervas e especiarias era utilizado para fins medicinais, e, por isso, (e também por conceder certa alegria a quem o bebia) era conhecido pelo nome de aqua vitae — água da vida.

Apesar do longo e complexo processo pelo qual o destilado passa, seus ingredientes não são nada nobres: cevada, água e levedura (um tipo de fermento, assim como os bolores e cogumelos) dão corpo à bebida. Mas não são só esses componentes que interferem no sabor. Outro fator que afeta o gosto da bebida é o barril no qual ela é maturada. Durante o processo de envelhecimento, o carvalho (madeira mais utilizada para isso) ajuda a retirar compostos de enxofre não desejados, além de oferecer sabores e aromas. Na Escócia, por lei, o tempo mínimo de maturação de um whisky é de três anos. Depois de descansar em berço esplêndido — em alguns casos, a bebida fica até 60 anos nos barris, sendo verificada periodicamente —, os destilados de barris diferentes são misturados para homogeneizar o produto final. A última etapa antes do engarrafamento é a filtragem. Depois disso, é só beber: puro e sem gelo.

ÁLCOOL ETÍLICO - C2H6o


LEVEDURA

Fermento responsável por acelerar a conversão dos açúcares em álcool (também conhecido como aglomerado de fungos). A composição química varia

CEVADA - C19H19N7O6 (Ácido Fólico)

Vitaminas: Estão presentes as vitaminas A, K, B1, B2, B3 e B6. As vitaminas A e K contêm moléculas de carbono, hidrogênio e oxigênio, e as vitaminas B contêm também moléculas de nitrogênio)
Proteínas: São macromoléculas constituídas de uma ou mais cadeias de aminoácidos. A estrutura química dos aminoácidos tem carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio

MONOSSACARÍDEOS - Cn(H2O)n

São moléculas de carboidratos que apresentam de três a sete carbonos em sua estrutura, obedecendo à fórmula geral Cn(H2O)n

ÁGUA - H2O


E MAIS...



Fontes: Eduardo Rottela — Embaixador da Chivas Regal no Brasil e autor do livro Whisky Book — Manual Básico do Scotch Whisky; Leila Cristina Magalhães — coordenadora do curso de Engenharia Química das Faculdades Oswaldo Cruz


Galileu
Posted: 04 Jul 2017 12:55 PM PDT

Juiz de primeira instância tem chance única de condenar Lula, mas não tem provas

Daniel Giovanaz


Sérgio Moro é responsável pelos julgamentos da Lava Jato em primeira instância / Marcelo Camargo/ABr


O juiz Sérgio Moro está em uma encruzilhada. A qualquer momento, ele pode pedir a condenação do ex-presidente Lula com base no parecer do Ministério Público sobre o caso triplex. Mas tem um pequeno detalhe nessa história: até agora, não há nenhuma prova que incrimine o petista.

A prisão de Lula será um prato cheio para os meios de comunicação, e vai agradar o fã-clube da Lava Jato - cada vez mais reduzido. Por outro lado, condenar o ex-presidente sem provas pode ser um tiro no pé. Afinal, confirma de uma vez por todas que a Lava Jato, em Curitiba, é seletiva e está guiada por simpatias partidárias.

Para se ter uma ideia, o PSDB é um dos três partidos mais citados na operação, mas nenhum dos membros chegou a ser preso pela Lava Jato. O detalhe é que a operação foi deflagrada há mais de três anos, e mais de 200 pessoas já foram presas. Do PSDB, nenhuma.

Se o ex-presidente Lula for preso, ele deve recorrer à segunda instância e vai responder ao processo em liberdade. Lula continua elegível em 2018, a não ser que seja condenado em segunda instância também. E isso pode levar muitos meses.

O dilema está colocado, e chegou a hora de conhecermos mais uma faceta do juiz Sérgio Moro. Será que ele aceita de vez o rótulo de adversário do ex-presidente Lula, e irá condená-lo sem provas? Ou será que ele volta atrás e decepciona os seus fãs, que querem a todo custo ver o petista na cadeia?

A resposta nós saberemos nos próximos dias, mas o certo é que o mês terminou com derrotas para Moro. O ministro Luiz Edson Fachin tirou de Curitiba os processos referentes a Lula e ao filho dele. Além disso, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que ele condenou a 15 anos de cadeia, foi absolvido em segunda instância.

Aconteça o que acontecer na sentença sobre o triplex, Lula está cada vez mais perto de ser candidato oficial em 2018.



Edição: Camila Maciel


Brasil de Fato
Posted: 04 Jul 2017 12:46 PM PDT

Comportamento viola as regras de conduta estabelecidas pelo Conselho Nacional do Ministério Público


Foto: Agência Brasil

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima tem reiteradamente postado em sua página do Facebook manifestações desrespeitosas e de nítido caráter político contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não é de hoje que Lima age assim, marcando suas preferências ideológicas a partir de ataques à honra e à imagem de Lula, chegando a questionar sua aptidão para o exercício da presidência da República. Tal comportamento viola as regras de conduta estabelecidas pelo Conselho Nacional do Ministério Público, como explicitado nas Recomendações de Caráter Geral do CNMP nº 01, de 3 de novembro de 2016.

O princípio da presunção de inocência contém regra que veda qualquer tratamento discriminatório e a exposição pública de qualquer cidadão, principalmente, se vexatória. Houve total desrespeito às atribuições inerentes ao cargo, o que nos levou a protocolar hoje (4/7) representação no CNMP contra Lima, a fim de que aquele órgão verifique eventual desvio funcional e violação às suas Recomendações por parte do procurador da República.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

Clique AQUI para ver o documento completo.


Lula
Posted: 04 Jul 2017 12:38 PM PDT

Drone de fumigação de agrotóxicos, em meio a campo sem trabalhadores. Automação agrícola agora vai muito além dos tratores, e inclui GPS, sensores agrícolas a suas máquinas, drones diversos, tratores autodirigidos e uma acumulação maciça de dados de satélite sobre solos e clima

Três megacorporações controlarão, em breve, quase todo o comércio de sementes e agrotóxicos. Querem fundir-se com transnacionais de máquinas agrícolas e fertilizantes, para tentar liquidar a produção camponesa


Por Silvia Ribeiro | Tradução: Inês Castilho

O futuro da comida não é mais o que costumava ser. Ao menos no que se refere à agricultura industrial. A Monsanto, mais conhecida vilã da agricultura transgênica, pode em breve sumir do mercado com esse nome, se sua compra pela Bayer for autorizada – mas suas intenções continuarão as mesmas. As fusões Syngenta-ChemChina e Dupont-Dow ainda estão sob análise das autoridades antimonopólio em vários países. Se bem sucedidas, as três corporações resultantes controlarão 60% do mercado mundial de sementes comerciais (e quase 100% das sementes geneticamente modificadas), além de 71% dos agrotóxicos, com níveis de concentração que superam em muito as normas sobre monopólio em qualquer país.

Estas megafusões terão muitas repercussões negativas no curto prazo: aumento considerável no preço dos insumos agrícolas, redução nas inovações e variedades no mercado, mais limitações para a melhoria vegetal pelo poder público e aumento dos agrotóxicos no campo – e portanto nos alimentos. Para essas corporações o maior negócio é vender venenos. Se não forem detidas, esta marcha irá continuar.

As aquisições terão um forte impacto na economia camponesa e na agricultura familiar. Ainda que a maioria use suas próprias sementes, com pouco ou sem insumos químicoso poder de pressão dessas megaempresas sobre os governos e autoridades internacionais aumentará, assim como seu tamanho e seu controle monopolista sobre os primeiros elos da cadeia agroalimentar. Aumentará a pressão para obter leis de propriedade intelectual mais restritivas; para limitar o intercâmbio de sementes entre os camponeses ou torná-lo ilegal – estabelecendo normas “fitossanitárias” e a obrigatoriedade de usar sementes registradas, por exemplo. As megaempresas tentarão condicionar programas rurais e crédito agrícola ao uso de insumos e sementes patenteadas; e fazer com que despesas de infraestrutura e outras políticas agrícolas beneficiem a agricultura industrial e expulsem os camponeses.

Como se não bastasse, há outros fatores preocupantes. A onda de fusões não acabará com esses movimentos — pelo contrário, ela mal começou. O que está em jogo no médio prazo é quem irá controlar os 400 bilhões de dólares dos insumos agrícolas. Atualmente, o valor do mercado comercial global de sementes e agrotóxicos é de 97 bilhões de dólares. O restante, três vezes maior, é controlado pelas empresas de maquinário e fertilizantes, que também estão passando por fusões. As quatro maiores empresas de maquinários (John Deere, CNH, AGCO, Kubota) já controlam 54% do setor.

O setor de maquinário não é mais uma simples questão de tratores: há um alto grau de automação, que integra GPS e sensores agrícolas a suas máquinas, drones para irrigação e fumigação, tratores autodirigidos, assim como uma acumulação maciça de dados de satélite sobre solos e clima. Enquanto isso, a Monsanto e companhia, os seis enormes “gigantes genéticos” digitalizaram-se e controlam um vasto banco de dados de genomas sobre plantações, microrganismos e plantas de agroecossistemas, além de outras bases de dados relacionadas.

Já existem contratos de colaboração entre esses dois setores e até empresas compartilhadas para a venda de dados sobre clima e seguro agrícola. Por exemplo, em 2012 a Monsanto adquiriu a empresa Precision Planting, que produz instrumentos e sistemas de monitoramento para “agricultura de precisão” – desde sementes até irrigação e administração de agrotóxicos. Em 2013, compraram a Climate Corporation para registrar e vender dados sobre clima. A John Deere tentou depois comprar a Precision Planting da Monsanto, mas os órgãos antimonopólio dos Estados Unidos e em seguida do Brasil se opuseram à venda, considerando que a John Deere passaria a controlar um percentual monopolista do setor. Embora a venda tenha sido finalmente cancelada em 2017, ela indica uma tendência. Há várias outras corporações de base digital-instrumental (Precision Hawk, Raven, Sentera, Agrobotix) que as transnacionais de maquinário agrícola e as de sementes e agrotóxicos compartilham ou usam em colaboração. Com relação a isso, veja o documento “Software contra Hardware”, do grupo ETC.

Tudo indica que haverá um movimento das corporações de grandes maquinários para comprar as gigantes da genética, assim que a primeira rodada de fusões chegar ao fim. Essa segunda rodada tem o objetivo de impor uma agricultura altamente automatizada, com muito poucos trabalhadores, que oferecerá aos fazendeiros um pacote que eles não podem recusar: desde sementes, insumos, maquinários, dados geométricos e climáticos até o seguro que devem adquirir. essas corporações irão tentar, em especia, condicionar o crédito agrícola à compra desse novo pacote, como ocorre agora com as sementes e agrotóxicos.

É fundamental entender e denunciar desde já os impactos das megafusões. Muitas organizações se mobilizaram para protestar nos Estados Unidos, Europa e China, assim como em vários países da África e América Latina, inclusive diante dos órgãos de antimonopólio, o que tem pelo menos retardado sua aprovação. No final, é uma questão de evitar que o agribusiness domine todo o campo e o abastecimento de alimentos. Também é um modo de proteger os camponeses e a produção agroecológica, única maneira de obter comida saudável e soberania alimentar.



Outras Palavras
Posted: 04 Jul 2017 12:28 PM PDT
A fala do presidente mundial da empresa BHGE, Lorenzo Simonelli, corporação saída da fusão entre as americanas Baker Hughes e o segmento de óleo e gás da GE disse textualmente que: "o Brasil será um dos principais mercados da recém-criada BHGE. A companhia é a maior fornecedorra de bens e serviços para campos petrolíferos do Brasil".

E o mais importante: "O país teve papel importante no negócio fechado entre as duas gigantes mundiais prestadoras de serviço para o setor petrolífero. Somos a maior player no Brasil e queremos manter isso" disse o CEO, em entrevista publicada hoje (04/07/17) no Valor, P B1.

O blog já comentou aqui (veja nota detalhada aqui em 21 mar. 2107) sobre o número de fusões e incorporações de empresa no setor de petróleo que ultrapassa 3 mil desde o início da crise de preço em 2015 e também comentei que hoje, por conta do avanço e custos de tecnologia e serviços na exploração de petróleo, há casos em que as para-petroleiras (corporações que atuam fornecendo bens como máquinas, equipamentos e materiais, tecnologia e serviços ao setor de petróleo) faturam mais até do que as próprias petroleiras.


Porém, mais que isto, vale lembrar que o motivo principal apresentado pelo presidente mundial da BHGE para a fusão das corporações serem os contratos no Brasil, foi também, a razão maior, citada aos quatros ventos, pelo presidente mundial da Shel, Ben Van Beerden, ao citar os ativos (participação em campos de petróleo no país) para justificar a compra da petroleira inglesa BG, em 2015/2016 por US$ 60 bilhões de dólares.
O presidente mundial da Shell disse mais: "O Brasil será um país-chave na nossa estratégia", afirmou. "Está seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a produção em águas profundas, é o maior... a competitividade do pré-sal, mesmo em um cenário de petróleo barato. "O break even (preço de equilíbrio dos projetos) é muito favorável, mesmo nessa faixa de preços. E, se os preços caem, os custos também caem".

Sobre o assunto e várias declarações veja postagem no blog aqui em 16 fev. 2016 e no Valor aqui, aqui e aqui em 2015.

As duas declarações confluem na mesma direção: o Brasil, o pré-sal e a Petrobras são alvos das maiores petrolerias e para-petroleiras do mundo.

Não são falas de qualquer pessoa. Não se tratam de analistas, pesquisadores ou consultores. São os mais altos dirigentes de corporações que controlam o negócio de petróleo no mundo. A mercadoria especial que vem lubrificando o capitalismo no último século e segue sendo motivo de cobiça, de petroestratégias e do imperialismo do petróleo como diz o professor alemão Altvater.

Na ocasião eu havia dito que o descrédito vendido aos quatro ventos da Petrobras tinha endereço certo: o seu desmonte. Disse ainda que neste caso, quem desdenhava queria vender e entregar a preço vil. A partir vimos o golpe, o fatiamento das subsidiárias da holding Petrobras, com o desmonte e a venda dela em partes.

O debate pode se dar em diversos campos, mas os fatos são evidentes por si só. As falas são simbólicas como já nos ensinava Bourdieur.

O governo Temer com a nomeação do Parente entrou entregando tudo isto, alegando que este era o melhor caminho, num argumento que tenta convencer os incautos, que as grandes corporações de petróleo do mundo, ajudada pelos governos dos seus Estados-nações, estão assim fazendo maus negócios acessando à maior fronteira de exploração de petróleo descoberta na última década: o pré-sal.



Blog do Roberto Moraes
Posted: 04 Jul 2017 12:20 PM PDT


Um dos mais fascinantes mistérios da Roma Antiga é a impressionante longevidade de suas estruturas portuárias.

Apesar de ser bombardeado por ondas do mar há 2.000 anos, o concreto romano segue firme e até se fortalece com o tempo, enquanto nossas misturas modernas corroem em meras décadas.

Agora, os cientistas estão mais perto de descobrir a receita incrível por trás desse fenômeno.
Roma antiga e o segredo do “concreto indestrutível”
Composição

Pesquisadores liderados pela geóloga Marie Jackson, da Universidade de Utah, nos EUA, mapearam a estrutura cristalina de amostras de concreto romano coletado de vários portos ao longo da costa italiana, descobrindo com precisão como esse material antigo se solidifica ao longo do tempo.

O concreto moderno é tipicamente feito com cimento, uma mistura de areia de sílica, pedra calcária, argila, giz e outros ingredientes fundidos. Pedaços de rocha e pedra são agregados a esta pasta. Esse “agregado” tem que ser inerte, porque qualquer reação química indesejada pode causar fissuras no concreto, levando a erosão e desmoronamento. É por isso que o concreto não tem a longevidade das rochas naturais.


Mas não é assim que o concreto romano funciona. Ele é criado com cinzas vulcânicas, lima e água do mar, aproveitando uma reação química que os romanos podem ter observado em depósitos de cinzas vulcânicas naturalmente cimentadas, chamados de tufo ou pedra-pomes.

A essa mistura, os romanos adicionavam mais rocha vulcânica como agregado, o que continuava a reagir com o material, tornando o cimento muito mais durável.
O segredo

Usando técnicas avançadas como microscopia eletrônica, micro difração de raios-X e espectroscopia Raman, os cientistas identificaram os grãos minerais produzidos no antigo concreto ao longo dos séculos.

Os pesquisadores estavam particularmente interessados na presença de tobermorita de alumínio, um mineral à base de sílica resistente, muito raro e difícil de fazer no laboratório, mas abundante no concreto antigo.

Na verdade, a tobermorita e um mineral relacionado chamado filipsita crescem no concreto romano graças à água do mar que desliza em torno dele, dissolvendo lentamente a cinza vulcânica e dando espaço para desenvolver uma estrutura reforçada a partir desses cristais interligados.

“Os romanos criaram um concreto parecido com uma rocha que prospera em troca química aberta com água do mar”, explica Jackson.

Hypesciense


Posted: 04 Jul 2017 12:10 PM PDT

Helô D'Angelo

Uma das crianças nascidas no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Minas Gerais (Foto: Leo Drumond)


Ana*, 18, foi presa em flagrante roubando um frasco de xampu em um supermercado. Grávida, ela seria obrigada a dar à luz na prisão, o que normalmente significaria um parto traumático, algemada, e uma rápida separação de seu bebê. Por sorte a moça foi detida em Minas Gerais, onde fica o Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade – única unidade prisional do país em que mães encarceradas podem cuidar de seus filhos até que eles completem um ano de idade, recebendo apoio obstétrico e pediátrico.

Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), entre 2000 e 2014, o número de mulheres encarceradas no Brasil aumentou de 5.601 para 37.380 – o Centro de Referência pode receber apenas 60 detentas. Partindo dessa incongruência, a jornalista Natália Martino e o fotógrafo Leo Drumond produziram o livro Mães do cárcere, uma investigação sobre a maternidade dentro da unidade prisional.

Impressa de forma independente, por meio de financiamento coletivo, a publicação de 208 páginas foi lançada em junho em São Paulo e em Belo Horizonte, e reúne, além de dados e estatísticas sobre o sistema prisional brasileiro, fotografias e histórias de dez entrevistadas. Ela pode ser adquirida no site do projeto em comum da dupla, oVoz, e no portal do fotógrafo – a Agência Nitro.

A ideia da dupla, com o livro, é mudar a visão que se tem sobre os presos em geral, vistos, segundo eles, como uma massa de “criminosos cruéis”. “Na verdade, há muitos grupos diferentes entre si, e um deles é o de mulheres com crianças e mulheres grávidas”, define Natália.

Uma das detentas e seu bebê no Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Minas Gerais (Foto: Leo Drumond)

O livro nasceu mais modesto, na forma de uma reportagem sobre o Centro Referência à Gestante Privada de Liberdade. Mas logo ficou claro que um só texto não seria o suficiente para apresentar o local: além de ser o único que permite um longo contato entre as mães e seus filhos, o Centro também promove acompanhamento pré-natal em parceria com o SUS, oferece partos humanizados e disponibiliza consultas pediátricas na própria penitenciária após nascimento das crianças

“Algumas entrevistadas já tinham tido filhos em outros centros de correção e contaram que a situação é bem diferente: muitas haviam dado à luz algemadas, por exemplo”, conta Natália.

A reportagem virou livro, e o livro levou um ano para ficar pronto. Neste período, jornalista e fotógrafo frequentaram semanalmente a unidade prisional: “Queríamos conquistar a confiança das detentas. Foi um processo lento e sempre respeitando o tempo delas”, lembra Leo. Durante os encontros, a dupla fazia entrevistas, fotografava e acompanhava o cotidiano e eventos importantes como festas, partos e aniversários de um ano dos bebês – data-limite da estadia tanto da criança quanto da mãe, que deve ser transferida para outra penitenciária, já que o Centro é focado apenas nas gestantes e puérperas.

Pátio do Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Minas Gerais (Foto: Leo Drumond)

Confiança confinada

O início não foi fácil para os autores. “Tivemos muita dificuldade de conseguir autorização da diretoria para fazer nosso trabalho. Sempre havia algum problema burocrático”, lembra Natália. Leo aponta que ser homem tornou as coisas duplamente desafiadoras: “Havia muita desconfiança das entrevistadas e da própria diretoria”.

Foi fotografando os bebês e presenteando as entrevistadas com as fotos que a dupla ganhou o apreço e a confiança dessas mulheres – pois muitas delas são separadas dos filhos sem ter qualquer imagem deles para guardar como recordação, e por isso os retratos eram preciosos para elas.

Para respeitar ao máximo as fontes, todas as histórias foram reproduzidas em primeira pessoa, usando gírias e outras formas de linguagem próprias dessas mulheres.“Não queríamos tirar delas nem mais um pedaço daquilo que o sistema prisional já tirou”, explica Natália. Por isso, na escrita do livro, o primeiro nome de cada entrevistada foi mantido, e o sobrenome não publicado para preservar a identidade sem alterá-la.

“Na cadeia, a primeira coisa que roubam de você é o nome. Não quisemos reproduzir isso”, acrescenta a jornalista. Nas imagens, a busca foi a mesma: “Tentei trazer essa verdade também nas fotografias, nas quais não usei flash e nem fiz correção de cores”, diz Leo.

Ao final do processo, as mulheres já estavam entrosadas na produção do livro, opinando até sobre as fotografias. Foram elas, também, que incentivaram a dupla a publicar o livro de forma independente, quando nenhuma editora se mostrou interessada: “Elas cobraram, incentivaram. Algumas, já libertas, apareceram no lançamento em Belo Horizonte”, conta Natália.

A jornalista aponta que é urgente o debate sobre a maternidade dentro do sistema carcerário, já que este problema é a base de muitos outros: “A prisão afeta toda a família e a comunidade da mulher privada de liberdade”, diz, lembrando que, além da dificuldade de reinserção após a privação de liberdade, as presas sofrem por não poderem educar os próprios filhos, que podem entrar no ciclo do crime por falta de estruturação familiar. “Não existe nenhum estudo que diga que a prisão diminui o crime e apesar disso a tomamos como solução única. Precisamos rediscutir isso.”

* Nome alterado com a intenção de preservar a identidade da fonte.



Revista Cult
Posted: 04 Jul 2017 12:00 PM PDT

"Derrotado pelo desemprego e pela recessão, governo Temer-Meirelles também está derrotado na luta de ideias", avalia Paulo Moreira Leite, articulista do 247; ele destaca resultados da pesquisa Datafolha, que projeta tendências para 2018, que mostra que a maioria dos brasileiros não quer Estado Mínimo e defende mais Estado para fazer a economia crescer; despreza a meritocracia e acredita que as pessoas são pobres porque tiveram menos oportunidades na vida; e acham que o governo tem o dever de auxiliar empresas nacionais sob risco de falência; "Embora Lula não seja mencionado uma única vez, nem nas perguntas, nem nas respostas, ele é o sujeito oculto da pesquisa, que confirmam, assim, seu papel-chave no futuro do país", afirma PML




Levantamento do Datafolha sobre as ideias políticas da população não deve ser desprezado. Mostra que a rejeição a Michel Temer e as contrarreformas de Henrique Meirelles está longe de refletir uma visão passageira dos brasileiros nem se alimenta das denúncias de Joesley Batista, por mais chocantes que elas sejam.

Descendo às convicções mais profundas dos brasileiros, a pesquisa mostra uma maioria que rejeita valores e referências ideológicas dos aliados do golpe e seu lote de candidatos possível em 2018. Na prática, os dados confirmam, em números quantitativos, aquilo que uma pesquisa qualitativa da Ideia Inteligência, divulgada em fevereiro de 2017 pelo repórter Ricardo Mendonça, do Valor Econômico, chamou de saudades de Lula.

A diferença é que desta vez Lula é o sujeito oculto do levantamento. Seu nome não é mencionado uma única vez nas perguntas nem nas respostas. Mas é dele -- e do período histórico que Lula e Dilma governaram o país -- que a população está falando.

Para quem acredita numa conversão à direita do eleitorado, os números ensinam que é melhor colocar as barbas de molho.

Sabemos, por exemplo, que a visão da maioria dos brasileiros sobre o Brasil sempre foi crítica -- e é até prova de boa saúde mental que seja assim. Em 2010, 54% dos brasileiros tinham uma visão negativa de seu país, enquanto 28% tinham uma visão positiva. Hoje, a visão negativa é de 81%. Apenas 8% tem uma visão positiva.

Não se trata de uma comparação casual. A base para comparar o país onde Temer-Meirelles fizeram o primeiro aniversário em Brasília tem como referência o último ano do governo Lula.

Não é só. Outros dados mostram que, mesmo enfrentando o massacre de um pensamento único assegurado pelo monopólio dos meios de comunicação -- 100% alinhados com Temer-Meirelles -- uma parcela importante é capaz de refletir com independência sobre suas experiências e tirar as próprias conclusões sobre o mundo à sua volta.

É certo dizer, lembrando uma noção conhecida da vida social, que o pensamento dominante numa sociedade é o pensamento de sua classe dominante. Isso quer dizer que a maioria das pessoas conserva e reproduz as ideias essenciais que fazem o regime capitalista funcionar, como o respeito a propriedade privada, uma noção de hierarquia de classe social, um espírito consumista, uma vontade de ascensão social a todo custo e outros traços de uma postura alienada diante da existência. Isso não quer dizer, contudo, que as pessoas não são capazes de localizar interesses concretos nem de avaliar o que é melhor para suas vidas e suas famílias.

Justamente nas questões que estão no centro do debate em torno das contrarreformas -- a começar pela natureza da política econômico, suas consequências e benefícios -- revela-se o caráter robusto da memória sobre Lula.

Num país onde o desemprego atinge um patamar recorde e o Estado Mínimo tornou-se o eixo da política econômica, nada menos que 76% das pessoas entrevistadas tem uma visão contrária a doutrina dominante.

Consideram que "o governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer." É um salto de dez pontos em relação a 2014, quando Dilma se encontrava no último ano de seu primeiro mandato. Vamos combinar: martelados, diariamente, pelo coro que pede menos Estado na economia, eles respondem que querem mais.

Numa questão que também diz respeito ao mesmo assunto, a pesquisa perguntou sobre as políticas públicas de defesa das empresas brasileiras -- a principal referência, neste terreno, são programas de "conteúdo local", que favorecem companhias instaladas no país. Este é o alvo de uma campanha de criminalização do BNDES e de embelezamento do projeto de desmonte da Petrobras. Também é aí que vamos encontrar a crítica banal ao "capitalismo de compadrio", que sugere a existência de um lugar do mundo onde funcionam mercados puros e sob comando de empresários angelicais. Do ponto de vista da maioria, a realidade é outra. Para 63% dos brasileiros "o governo tem o dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram risco de ir a falência." (Em 2014, uma maioria de 59% eram favoráveis a ajuda às empresas nacionais).

A pesquisa também registra um tiro de misericórdia na meritocracia, essa visão que ignora a desigualdade estrutural da sociedade brasileira e tenta apontar cada indivíduo como responsável pelos fracassos e sucessos da existência, em particular na luta por uma vida melhor. Um total de 77% consideram que a pobreza "está ligada à falta de oportunidades iguais." (Com um ponto de vista oposto, apenas 21% acreditam que a pobreza "está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar"). Embora a pesquisa registre um aumento da visão crítica sobre as leis trabalhistas --de 33% para 38% --, a convicção de que elas "mais protegem os trabalhadores do que prejudicam o crescimento das empresas" é assumida por larga margem, 53%, um ponto a mais do que no levantamento anterior. Uma constatação oportuna, num momento em que cresce a pressão pela extinção da CLT.

Outros observações podem ser feitas a respeito dessa pesquisa. O desencanto da população com o serviço público de saúde e de educação reflete uma decepção com sucessivas administrações nessa área -- e não se pode isentar os governos Lula e Dilma nesse aspecto. Ainda que Lula tenha multiplicado várias vezes a oferta de vagas nas universidades, e Dilma tenha sido capaz de uma iniciativa de inúmeros méritos como o Mais Médicos, a população deixou claro que não está satisfeita com os resultados.

Apesar das restrições e críticas que envolvem erros e limites do processo político iniciado após a chegada de Lula ao Planalto, em 2003, não se pode ignorar o ponto fundamental.

Sabemos que o golpe que derrubou Dilma abriu um ambiente político destroçado, povoado por aventureiros de todo tipo, inclusive com uma perspectiva autoritária. Nessa paisagem, onde a resistência democrática ocupa um papel essencial, maioria dos brasileiros conserva a memória das conquistas e vitórias do período anterior. Compara com aquilo que veio depois e sabe que já viu este filme -- várias vezes. A única referência oposta é Lula.

A peculiaridade dessa experiência política explica a posição única de Lula no futuro próximo do país, seu papel-chave.

Contra o silêncio cúmplice que alimenta o espetáculo de sua perseguição, torcendo por sua exclusão da cena política de qualquer maneira, uma maioria reconhece e aplaude as razões de seu governo.







Brasil 24/7

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