sexta-feira, 7 de julho de 2017

6/7 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 06 Jul 2017 07:33 AM PDT
Por Altamiro Borges

Em sua página na internet, o jornalista Fernando Rodrigues informa que “a Veja mais do que dobrou sua receita com propaganda estatal em um ano. Passou de R$ 5,1 milhões em 2015 (sob Dilma) para R$ 11,2 milhões em 2016 (Dilma até maio e Temer de maio a dezembro). Com a exceção das revistas Veja e Época, todos os grandes veículos de imprensa (TVs, jornais, revistas e portais de internet) tiveram redução no valor recebido em propaganda da União em 2016. O ano de 2016 foi o 3º consecutivo de redução nas verbas de publicidade da União para a TV Globo. A emissora recebeu R$ 323,8 milhões, o que significou uma queda de 26% sobre 2015. Foi o menor valor desde que os dados começaram a ser computados, em 2000”.

O jornalista “investigativo”, que adora desqualificar a mídia alternativa – rotulando-a de petista e de outros adjetivos –, evita fazer críticas ao privilégio concedido à publicação da famiglia Civita – que poderia ser chamada de “golpista”, “tucana”, “sensacionalista” ou até de “lixo tóxico”. Ele também não explica porque uma revista em crise, editada por um grupo empresarial que pode ser forçado a mudar de endereço por atraso no pagamento do aluguel, mereceu este tratamento superespecial do usurpador Michel Temer. Será que este “mensalão” foi pelos serviços sujos prestados na orquestração do golpe dos corruptos? Ou foi pelo apoio militante às contrarreformas trabalhista e previdenciária?

Sobre a decadência da Editora Abril, reproduzo artigo postado nesta quarta-feira (5) no imperdível blog Diário do Centro do Mundo:

*****

A mudança forçada de endereço da Editora Abril, que publica a Veja, é só a face mais visível de uma crise sem saída à vista

Por Miguel Enriquez

Aventada há dois anos, a mudança do QG do Grupo Abril, dono da maior editora do País, voltou à ordem do dia.

Desta vez, a iniciativa seria da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco de Brasil, proprietária do Birmann 21, o vistoso prédio de 25 andares, 61 780 metros quadrados de área e 149 metros de altura.

Segundo fontes familiarizadas com a empresa da família Civita, o motivo seria a inadimplência – em bom português, o não pagamento – dos alugueis devidos pelos dez andares atualmente ocupados, há pelo menos um ano.

A saída da Abril, que entre 1997 e 2015 foi a única inquilina do edifício, teria sido uma iniciativa da Previ, de olho na valorização dos imóveis corporativos na região, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo.

Visto com reservas desde sempre por muitos antigos executivos do grupo — mesmo nos períodos de abundância — por seu alto custo, o suntuoso prédio tornou-se um fardo para a Abril, às voltas com a mais severa crise de sua história, que a obrigou a promover um profundo processo de reestruturação, com o fechamento ou venda de publicações e a liquidação de ativos.

No entanto, o downsizing se mostrou insuficiente para recolocar o grupo nos trilhos.

Segundo o balanço de 2016 auditado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), a Abril acumulou nos dois últimos anos um prejuízo de R$ 368 milhões, registrando um patrimônio líquido negativo de R$ 368,2 milhões.

Já o excesso de passivos sobre os ativos circulantes chegou a R$ 578,8 milhões.

Nem mesmo o aporte de R$ 450 milhões feito no final de 2015 pelos herdeiros de Roberto Civita, o dono do grupo, falecido em 2013, foi capaz de amenizar as vicissitudes da Abril, cujo principal negócio, a edição de revistas, sofreu uma queda de 15% nas receitas publicitárias em 2016.

De acordo com o balanço, o endividamento por conta de empréstimos e financiamentos a longo prazo é da ordem de R$ 534 milhões, pagáveis até 2019.

Esse quadro sombrio levou a PwC a registrar na nota introdutória de sua avaliação dos resultados do ano passado sua preocupação com o futuro da companhia.

“Essa situação, entre outras descritas na nota 1.2, indica a incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre sua continuidade operacional”, afirmaram os responsáveis pelo trabalho no melhor auditoriês.

Daí a decisão de acatar a proposta de saída da Previ e procurar uma nova sede.

O endereço mais provável é o bairro do Morumbi, na outra margem do Rio Pinheiros, num prédio mais modesto e mais em conta, possivelmente da própria Previ.

Ao desconforto pela mudança das instalações, prevista, em princípio, para o mês de agosto, soma-se um temor entre os funcionários: a possibilidade de que nem todos venham a trabalhar nas novas instalações.

Não está descartada, segundo a fonte, uma nova leva de demissões. Que, diga-se, poderá atingir até os holerites mais fornidos.

Procurada pelo DCM, a Abril não quis se manifestar.


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Posted: 06 Jul 2017 06:52 AM PDT
Por Altamiro Borges

O oligárquico jornal Estadão era um dos últimos biombos da mídia mercenária na defesa de Michel Temer. Globo e Veja já tinham desembarcado do odiado governo, temendo que seu desgaste emperre a aplicação da agenda ultraliberal dos golpistas e alavanque a candidatura de Lula. A Folha até que resistiu – inclusive negando a veracidade dos áudios dos chefões da JBS contra o usurpador -, mas também rifou o moribundo. O Estadão era o único veículo da chamada "grande imprensa" que ainda mantinha o apoio militante ao Judas. Mas em seu editorial desta quinta-feira (6), a decadente famiglia Mesquita deu os primeiros sinais de que também está próxima de abandonar Michel Temer.

Mesmo questionando a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o “chefe da organização criminosa”, o Estadão defende agora que é preciso superar logo a crise política no país. A exemplo do restante da mídia golpista, o jornal sinaliza o apoio à proposta da eleição indireta de um novo presidente. Rifa Michel Temer, mas mantém o mesmo projeto ilegítimo – sem voto popular – no governo federal. Para o diário, a crise politica atingiu um patamar preocupante, desestabilizador.

Nas suas palavras, “uma denúncia contra um presidente da República é, por si só, um assunto grave, que desperta especulações sobre os seus possíveis desfechos e, naturalmente, gera consequências na economia, na política e na governabilidade. No caso em questão, a despeito das evidentes fragilidades da peça de acusação, a denúncia agrava a crise nacional, produzindo, além dos políticos, efeitos econômicos de monta... Diante deste quadro, é especialmente importante que as instituições envolvidas trabalhem diligente e serenamente, dentro de suas atribuições constitucionais". 

A famiglia Mesquita não esconde seus medos. "Um cenário como o atual é propício a oportunismos e protagonismos indevidos, que pouco contribuem para o interesse nacional. É hora de seguir a cartilha institucional, ciente de que esse é o único caminho apto a levar o País a bom porto”. O oligárquico Estadão, que nunca respeitou a democracia – seja na tentativa de derrubar Getúlio Vargas ou no golpe militar de 1964 – agora faz declarações de amor aos princípios constitucionais. “É a Constituição que confere às instituições políticas o direito – e também o dever – de se manifestarem livremente... Afinal, quando as instituições trabalham bem, dentro de suas atribuições, as crises arrefecem e os conflitos se pacificam”.

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Posted: 06 Jul 2017 05:26 AM PDT
Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

Depois de revolucionar a história e a filosofia do século 20, o filósofo francês Michel Foucault voltou aos gregos clássicos e, em seus dois últimos cursos no Collège de France, recuperou a noção de parrhesia, um conceito que pode ser traduzido como “coragem da verdade”. O que o pensador tinha em mente era uma transformação da ideia de verdade, que fosse além apenas da coerência logica e da ligação com os fatos para afirmar uma disposição ética. Buscar a verdade exige engajamento, compromisso, audácia.

O presidente não eleito Michel Temer pode ter o mesmo primeiro nome do filósofo, mas pode ser considerado um antípoda moral. Se o Michel francês apostou na coragem da verdade, o Michel brasileiro inaugurou com seu pronunciamento de terça-feira um estágio quase absoluto de “covardia da mentira”. Para fundamentar seu discurso, Temer seguiu o percurso inverso de Foucault, habitou a arrogância, desprezou os fatos, mergulhou na mais medíocre das provocações, deixando de lado os argumentos para atacar a pessoa que os proferiu.

Homem de gestos medidos e palavras melífluas, o golpista do Planalto a princípio parecia outro, afetando destempero raivoso e esgares antipáticos. No entanto, bem medida sua estratégia de covardia da mentira, era necessário que transparecesse um traço de ira para dar peso ao discurso. Nunca Temer foi tão Temer, mesmo com a aparente máscara da indignação.

Jamais Temer caiu tão baixo em sua atuação política de décadas. Nem mesmo a pretensa sabedoria jurídica que arrogou ao começo de sua fala foi real. Ele errou em política e errou em direito, como salientaram juristas que analisaram seu pronunciamento. Aliás, errar se tornou um método para o homem que confunde, até hoje, Rússia com União Soviética.

A mentira do vexame de terça-feira se estabeleceu em todos os momentos. Na fuga aos argumentos, combatidos apenas com palavras ocas como ficção e ilação; na inconvincente defesa de sua honra pessoal, apelando para o passado ilibado; na fraqueza em sugerir ilícitos do acusador, sem apresentar as provas que ele mesmo cobrava na denúncia de que foi objeto.

Além da mentira das palavras, estratégias e atos, havia uma falsidade cênica igualmente perniciosa. Temer se cercou do que havia de pior no Congresso, do baixo clero venal a investigados disputando um lugar na foto da posteridade. Papagaios de pirata da infâmia. Sua aparição foi uma catástrofe multimídia.

Para completar, como não se tratava de uma ameaça do seu papel institucional, mas sim de um crime pessoal (o recebimento literal de uma mala de dinheiro), exacerbou em utilizar a rede pública para apresentar sua defesa. Confundir privado e público é uma marca que não se apaga no patrimonialismo nacional. Temer subiu um degrau na escada do orgulho: mais que juntar público e privado, julga-se merecedor até das graças de Deus.

O episódio deixa algumas constatações que precisam ser levadas a sério. Mesmo defunto, o traidor deixou claro que não vai se entregar de bandeja e nem que vai sozinho para a fogueira. Sabe que um dia a mais no Jaburu é um dia a menos na Papuda. Além disso, conta com a cumplicidade do sistema político acuado para adiar por meio de estratagemas regimentais e chantagem explícita a autorização para sua investigação.

Ao se pintar para a guerra contra a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal, ele sabe que o jogo fica tensionado e aposta no medo da instabilidade no cenário político. Até mesmo a covardia da mentira tem seus momentos de temeridade. Não se pode esquecer que o pacote prometido de reformas ainda é moeda de troca poderosa.

A imprensa que insuflou o golpe, partidos aliados que hoje vivem crise de identidade em suas bases e até setores do empresariado que se retiraram por conveniência, podem voltar atrás alegando a gravidade da situação. Imprestável hoje, Temer pode ser descartado para dar lugar a um cenário tão ruim como o que conta com sua presença especialmente desagradável. Não é um acaso que as diretas não façam parte do cardápio do golpe dentro do golpe.
Posted: 06 Jul 2017 05:06 AM PDT
Do site do FNDC:

O Congresso Nacional mais uma vez é o centro de graves retrocessos em relação à garantia dos direitos fundamentais após um andamento extremamente preocupante do PL 5.065/2016. Este projeto de lei tem como objetivo alterar a Lei Antiterrorismo, aprovada sob amplas críticas da sociedade civil em março de 2016. Entretanto, se a Lei Antiterrorismo representa um marco negativo por seu processo de aprovação sem participação e transparência, suas penas desproporcionais e pela amplitude dos seus dispositivos, que significam um risco para movimentos sociais e manifestantes, o PL 5065/2016 visa tornar esta legislação ainda mais restritiva e criminalizadora.

Em síntese, suas propostas são a inclusão do caráter "político e ideológico" na lista de motivações para o crime de terrorismo, a retirada da salvaguarda para movimentos sociais e manifestantes que a lei prevê e a ampliação das condutas consideradas terroristas, inserindo, por exemplo, atos de violência contra funcionários públicos e de dano contra bens como rodovias e ferrovias.

Os dois primeiros pontos representam, em conjunto, uma permissão expressa para que manifestantes e movimentos sociais sejam arbitrariamente etiquetados como terroristas, já que são estes os grupos que tomam as ruas e realizam atos considerados "políticos e ideológicos". A presença da salvaguarda na lei aprovada em março de 2016, apesar de não significar uma garantia plena contra a criminalização, representava uma certa barreira, que o projeto 5065/2016 pretende retirar, deixando os movimentos sociais e manifestantes sujeitos a arbitrariedades na interpretação legal, algo especialmente problemático dado o contexto geral de repressão e criminalização destes grupos.

Ainda, a proteção específica a funcionários públicos é descabida, pois os eleva a uma posição superior em relação aos cidadãos comuns, e a inserção de diversos bens públicos e serviços como alvos de terrorismo é desproporcional, na medida em que sequer são considerados essenciais.

Todos estes pontos foram trazidos pela sociedade civil em Audiência Pública convocada pelo Deputado Hugo Leal, relator do projeto na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCO), realizada no dia 30 de maio. Nesta ocasião, foram exaustivamente expostos argumentos penais, constitucionais e relativos aos direitos humanos para sustentar a rejeição da proposta, posição então compartilhada por deputados presentes.
Apesar disso, para surpresa da sociedade civil, o parecer apresentado pelo relator na última terça-feira, dia 20 de junho, foi no sentido contrário, posicionando-se pela aprovação da maior parte dos dispositivos do projeto e propondo preocupantes alterações, que, se aprovadas, devem resultar na versão mais restritiva da Lei Antiterrorismo até hoje.

Sob o argumento de que não importa a motivação ou o grupo que comete o ato terrorista, mas apenas o ato em si e sua finalidade de causar terror, o relator entendeu por aprovar a retirada da salvaguarda para movimentos sociais e defendeu, ainda, a exclusão de toda e qualquer motivação, inclusive aquelas já previstas na lei originalmente aprovada. Tal mudança é gravíssima, pois, apesar de não incluir as motivações "políticas e ideológicas"’’, tem efeito ainda pior, já que agrava o caráter amplo e genérico da lei; se qualquer grupo pode cometer atos terroristas por quaisquer motivos, basta a interpretação conservadora do aplicador sobre a lei para que movimentos sociais e manifestantes sejam enquadrados e sofram as penas duríssimas da lei.
Além disso, o substitutivo proposto no relatório não apenas acolhe a inclusão discriminatória de atentados contra funcionários públicos e militares como atos terroristas, como aumenta as já altíssimas penas do crime, que passam a ser de 20 a 30 anos nestes casos.

Em um contexto de intensa criminalização dos movimentos sociais e do direito de protesto, ao mesmo tempo em que a garantia deste direito torna-se cada vez mais essencial em razão de nosso cenário político e social, iniciativas como o PL 5.065/2016, chancelado pelo relatório do deputado Hugo Leal na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, são inaceitáveis. O Congresso Nacional tem um papel central de produzir as legislações que atingem toda a população, de forma que é necessário que seu trabalho almeje sempre a garantia e promoção dos direitos fundamentais, e não sua restrição, como é observado no caso da Lei Antiterrorismo e de suas alterações.

Assinam esta nota:

1. Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade - AFES

2. Actantes

3. ANDI — Comunicação e Direitos

4. Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos

5. ARTIGO 19

6. Associação Catarinense de Rádios Comunitárias - ACRACOM

7. Associação Juízes para a Democracia - AJD

8. Brigadas Populares

9. Campanha Nacional pelo Direito à Educação

10. Central de Movimentos Populares

11. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

12. Centro de Assessoria Popular Mariana Criola

13. Centro de Cultura Luiz Freire - CCLF

14. Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Mônica Paião Trevisan - CEDECA

15. Sapopemba

16. Centro de Defesa dos Direitos Humanos - CDDH/Serra

17. Centro de Direitos Humanos Pablo Gonzáles Ollala - CDH Sapopemba

18. Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social - CENDHEC

19. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

20. Centro pela Justiça e o Direito Internacional - CEJIL

21. Centro Popular de Direitos Humanos - CPDH

22. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular

23. Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG

24. Comissão Pastoral da Terra - CPT

25. Comitê de Pais e Mães em Luta

26. Conectas Direitos Humanos

27. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social da CUT - CNTSS/CUT

28. Direitos para todxs!

29. Fábrica ocupada Flaskô

30. FIAN Brasil

31. Fórum da Amazônia Oriental - FAOR

32. Fórum Mineiro de Direitos Humanos

33. Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC

34. Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares - GAJOP

35. Grupo Tortura Nunca Mais - SP

36. Instituto de Cidadania e Direitos Humanos - ICDH

37. Instituto de Defesa dos Direitos Humanos - DDH

38. Instituto Terra, Trabalho e Capital - ITTC

39. Intersindical Central da Classe Trabalhadora

40. Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

41. Instituto de Estudos Socioeconômicos - INESC

42. Instituto Pacs

43. Instituto Sou da Paz

44. Justiça Global

45. Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB)

46. Movimento Nacional de Rádios Comunitárias - MNRC

47. Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST

48. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto - MTST

49. Núcleo de Cidadania e Direitos humanos da Defensoria Pública do Paraná

50. Ocupação Vila Soma

51. Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

52. Pastoral Carcerária Nacional - CNBB

53. Rádio Comunitária Noroeste FM - Campinas

54. Red Regional agua, desarrollo y democracia - REDAD

55. Rede Justiça Criminal

56. Rede Nacional de Advogados Populares - RENAP

57. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos - SMDH

58. Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH

59. Terra de Direitos

60. União dos Movimentos de Moradia de São Paulo


· Alexandre Tortorella Mandl - advogado

· Cezar Britto, ex presidente da OAB

· Deputado Chico Alencar - PSOL/RJ

· Clarice Viana Binda, Defensora Pública Titular do Núcleo de Direitos Humanos da DPE-MA

· Claudia Beatriz

· Deputado Edmilson Rodrigues - PSOL/PA

· Esther Solano Gallego, Unifesp

· Deputado Glauber Braga - PSOL/RJ - Líder da bancada

· Guilherme Boulos

· Hércules Dias

· Deputado Ivan Valente - PSOL/SP

· Deputado Jean Wyllys - PSOL/RJ

· Deputada Luiza Erundina - PSOL/SP

· Jorge Luiz Souto Maior, professor da Faculdade Direito da USP

· José Geraldo de Souza Junior, ex-Reitor da Universidade de Brasília

· Katia Aguiar – Profa. Departamento de Psicologia/UFF

· Margarida Maria Seabra Prado de Mendonça- advogada, professora doutora em Filosofia

· do Direito, conselheira do CEDCA pela OAB/RJ

· Merilane Pires Coelho - Ouvidora Geral Externa da Defensoria Pública do Estado do Ceará

· Paula Vianna Soares Kossatz

· Deputado Paulo Pimenta - PT/RS

· Sergio Olliveira

· Tereza Maria Pompeia Cavalcanti, Teóloga e professora da PUC

· Valdeck Almeida de Jesus, jornalista, escritor, poeta, Ativista cultural

· Deputado Wadih Damous - PT/RJ

· Wilma Lúcia Rodrigues Pessôa, Professora de Sociologia da UFF
Posted: 06 Jul 2017 04:52 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Desde o revés que o juiz Sergio Moro sofreu ao ter reformada integralmente pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) a sentença sumária, ilegal e arbitrária que proferiu contra o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, este Blog começou a avisar que essa sentença e o amaciamento do STF com Aécio Neves dificultariam a condenação de Lula no caso do Triplex.

Na última segunda-feira, matéria constrangedoramente “morista” – ou antilulista – do Estadão flerta com a galhofa ao dizer que Moro será “ainda mais meticuloso” com Lula (!?).

Como assim, “ainda mais meticuloso”? O que teve de “meticulosa” a sentença que condenou Vaccari a 15 anos PRESO sem existência de provas, por conta, apenas, das acusações de gente que lucrou acusando o ex-tesoureiro do PT?

O Houaiss define assim o adjetivo “meticuloso”

1- que tem receio; temeroso, tímido, timorato

2-  que se deixa impressionar, que tem escrúpulos ‹temperamento m.›

3- preso a detalhes, a pormenores; minucioso ‹professor m.›

4- que demonstra cautela, precaução; cuidadoso, cauteloso

Vaccari foi trancafiado dois anos atrás sem julgamento e condenação, mas esta não tardaria. Em poucos meses, saiu a condenação sumária e sem produção de provas, segundo o TRF4, ou seja, a segunda instância.

Moro não foi meticuloso, foi irresponsável. Condenou um idoso a terminar seus dias na cadeia sem que contra ele houvesse uma única prova aceitável perante a lei. Mas o Estadão diz que será “ainda mais meticuloso”. Se tivermos que interpretar isso literalmente, teremos que entender que Lula será condenado com mais dureza e com menos provas que Vaccari.

O jornal chega a citar a decisão de Moro contra Vaccari para explicar a necessidade de o magistrado ser mais “meticuloso”.

Segundo o Estadão, “A decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) de reformar a decisão de Moro e absolver o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso desde 2015, colabora com essa expectativa” – de Moro tomar mais cuidado ao escolher motivos para condenar Lula.

O jornalão da família Mesquita, antilulista há mais de 30 anos, reconhece só parte da dificuldade de Moro para condenar Lula, mas reconhece:

“(…) Tanto no Judiciário paranaense quanto no entorno de Lula, a notícia [da absolvição de Vaccari] foi interpretada como um sinal claro do tribunal de segunda instância para a Lava Jato (…)”

A pérola do texto, porém, vem a seguir:

“(…) Fontes próximas a Moro (…) avaliam que, para condenar o petista, o juiz teria de aplicar a teoria do domínio do fato, alegando que Lula tinha controle sobre tudo o que acontecia. Do contrário, as provas recaem sobre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro em decorrência de um aneurisma cerebral – foi Marisa quem decidiu comprar uma cota da Bancoop no prédio do Guarujá e quem mais vezes esteve no imóvel”

Para os mais leigos ou mal-intencionados, o ato de decidir comprar o modesto imóvel no Guarujá é um mal em si mesmo. Vão condenar a falecida dona Marisa pelo domínio do fato? Vão condenar Lula por ter controle sobre o governo federal mesmo estando fora do Poder desde 2010?

Moro vai pisotear a falecida mesmo? Porque o Estadão já massacrou com essa matéria nojenta. Enfim, são esbirros da ditadura que se instalou no país. O trabalho deles é torturar os adversários políticos. Hoje em dia, torturam psicologicamente.

Mas há outra razão mais forte para a dificuldade de Moro condenar Lula: o caso Aécio Neves. O povo em geral nem sabe quem é Vaccari Neto, mas todos viram, ao vivo e à cores, o caso do tucano ser abafado pelo Supremo. Uma condenação de Lula agora provocaria revolta até em quem não é petista.

Moro está esperando as pessoas esquecerem de Aécio para condenar Lula. Porém, tanto faz condená-lo agora ou daqui a um mês. Aliás, quanto mais tempo demorar, mais a candidatura do petista ficará consolidada, na medida em que não houver mais tempo hábil para condená-lo em segunda instância antes das eleições de 2018.

Na verdade, a julgar pelo que as ofensivas de Moro contra Lula vêm causando politicamente a este, talvez fosse até bom que houvesse mesmo essa condenação…

Explico: em 19 de março do ano passado, duas semanas após a condução coercitiva de Lula, segundo o instituto Datafolha a rejeição dele era incomparavelmente mais alta do que hoje. À época, 57% dos eleitores não votariam no petista.

A partir daquele março fatídico, a vida de Lula virou um inferno que culminou com a morte da companheira no início deste ano. Porém, ao passo que ataques da mídia, de Moro e do MPF a Lula aumentavam, a popularidade dele passou a subir e a rejeição passou a despencar.

Em dezembro de 2016, segundo o mesmo Datafolha, a rejeição ao ex-presidente caíra a 44% – 13 pontos percentuais a menos. E, em nova pesquisa desse instituto publicada na semana passada, a rejeição a Lula estaria hoje em 46%, um aumento de 2 pontos percentuais em relação a dezembro, dentro da margem de erro da pesquisa.

Aliás, essa pesquisa também sinalizou 1 ponto percentual a menos nas intenções de voto de Lula em alguns cenários, tudo sempre dentro da boa e velha margem de erro.

O fato é que não houve efeito algum da nova ofensiva da Lava Jato contra Lula. O único efeito é que as intenções de voto dele são as mais altas e, em alguns cenários, ele poderia se eleger em primeiro turno.

Está ficando claro para o país que há uma perseguição a Lula enquanto os Aécios e os Temeres da vida são tratados como bibelôs por essa justiça partidarizada e defensora dos ricos e de seus despachantes na política. Desse modo, condena mesmo Lula, Moro. Use essa teoria de “domínio do fato” ou o diabo que o valha. Ficará tudo muito mais claro para a sociedade.
Posted: 06 Jul 2017 04:47 AM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



São Luís do Maranhão sedia, nos dias 25 e 26 de agosto, o Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas. Promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o evento tem como proposta extrair ensinamentos – dos acertos e, principalmente, dos erros - e refletir sobre as experiências em comunicação nos governos, levando em conta que esta frente é estratégica para qualquer administração pública.

O público alvo do Seminário são governadores e prefeitos, secretários de comunicação, jornalistas e assessores de várias prefeituras e governos estaduais. Uma rica oportunidade para sistematizar estas experiências e para impulsionar uma comunicação mais saudável no país.

Inscrições

As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de agosto, sendo que o investimento é de R$ 200 e estudantes pagam a metade do valor (R$ 100). São 150 vagas disponíveis. Garanta a sua participação preenchendo o formulário ao fim desta página e realizando o pagamento pelos botões do PagSeguro.

Programação

25 de agosto, sexta-feira, às 18 horas

Balanços e perspectivas

- Flávio Dino - governador do Maranhão (PCdoB);

- Ricardo Coutinho - governador da Paraíba (PSB) [*];

- Fernando Haddad - ex-prefeito de São Paulo (PT);

- Clécio Luis - prefeito de Macapá (Rede);

- Edmilson Rodrigues - ex-prefeito de Belém (Psol).

26 de agosto, sábado

9 horas - A força da Internet

- Sérgio Amadeu – integrante do Comitê Gestor da Internet (CGI) e professor da Universidade Federal do ABC [*];

- Luis Nassif – jornalista e editor do Jornal GGN;

- Juan Pessoa – especialista em redes sociais;

13 horas - A radiodifusão pública e comunitária

- Tereza Cruvinel – jornalista e fundadora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

- Ricardo Melo – ex-presidente da EBC;

- Laurindo Lalo Leal Filho – jornalista e professor aposentado da USP;

- Márcio Jerry – secretário de Comunicação do Maranhão e ex-diretor da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço);

16 horas - O papel das secretarias de comunicação

– Franklin Martins – ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República;

- Renata Mielli – coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);

- Robinson Almeida – ex-secretário de Comunicação do governo da Bahia e deputado federal (PT-BA).

(*) A confirmar.
Posted: 06 Jul 2017 04:42 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está sob fogo cerrado. O bombardeio inclemente vem dos setores mais ligados aos interesses do mercado financeiro, que querem impor os seus juros escorchantes ao setor produtivo do empresariado nacional.

A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), tomada na semana passada, de manter em 7% a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), usada nos financiamentos do banco, botou na lona as expectativas do setor produtivo, que esperava poder tomar empréstimos de longo prazo a taxas mais civilizadas.

Essa decisão é eloquente, porque é tomada justamente em um momento no qual a demanda por empréstimos é baixa, ou seja, um juro mais baixo não implicaria em um aumento significativo dos valores gerais em financiamento. Para além disso, com a queda significativa da inflação provocada pela depressão econômica, as taxas reais exercidas pelo banco vão se aproximando das do mercado e se afastando das que são comuns a uma instituição voltada para o fomento do desenvolvimento.

Essa medida é a aplicação de toda uma linha iniciada no governo Temer, cujo sentido é acabar com o papel do BNDES como banco público de fomento. Um golpe decisivo nesse sentido foi o anúncio da extinção da TJLP, feita pela presidenta anterior da instituição, que deverá acontecer gradualmente a partir de 1 de janeiro de 2018, e sua substituição pela TLP (Taxa de Longo Prazo). Este novo índice está vinculado ao custo da NTN-B de cinco anos. Importante notar que este indexador paga aos investidores a inflação mais um índice fixado em leilão pelo mercado. Nos últimos doze meses, por exemplo, a taxa foi superior a 13%, enquanto a TJLP, em processo de extinção, é de 7%.

Para além disso, o BNDES está sendo obrigado a se descapitalizar constantemente. No ano passado, uma das primeiras medidas de Temer, após se apossar da Presidência da República, foi determinar que o banco devolvesse R$ 100 bilhões ao Tesouro. Os economistas ligados ao mercado financeiro pressionam o governo para que novas devoluções sejam realizadas.

Descapitalizado, o banco não tem condições de agir no sentido de fomentar a indústria nacional com linhas de longo prazo a juros civilizados e nem de promover linhas de crédito de prazo menor que possam contribuir para estancar as demissões e a quebradeira das empresas, através de empréstimos que recomponham o capital de giro e permitam o cumprimento de obrigações básicas.

Dessa maneira, em meio à mais grave crise da indústria da história do país, o principal banco de fomento do país abre um horizonte que implica dobrar o custo de seu financiamento. Trata-se de uma política aberta de liquidação da indústria nacional, feita às claras, em benefício do capital financeiro e do imperialismo. Os custos serão pagos pelos trabalhadores, salvo o processo seja revertido pela derrota do governo golpista.
Posted: 06 Jul 2017 04:38 AM PDT
Posted: 06 Jul 2017 04:31 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A prisão de Geddel Vieira de Lima confirma o óbvio: a crise do governo Temer está longe de terminada. Para decepção de quem já procurava uma acomodação com o Planalto, apostava na recuperação de Temer e tentava abrir portas para possíveis arranjos, o episódio mostra que governo não tem forças para estabilizar a situação política nem pelo prazo de uma semana.

Os fatos importantes são dois. Para quem chegou a festejar a liberação do homem da mala Rodrigo Loures, na sexta-feira passada, a prisão de Geddel anula qualquer vantagem imaginada. Como os delatores da JBS sugerem nos depoimentos, Loures era um ajudante improvisado, ainda novato em funções mais importantes. O interlocutor das conversas importantes, na verdade, era Geddel, forçado a se afastar em novembro de 2016, depois de pressionar um colega de governo, o ministro da Cultura Marcelo Caleiro, para receber um favor indevido num apartamento de luxo em Salvador.

A prisão de Geddel também mostra a incapacidade de Temer proteger-se do tsunami de denúncias que se aproxima de seu gabinete e ameaça engolir o governo - e que, antes de Geddel, já incluiu a prisão de personagens explosivos como Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Tadeu Felippelli.

Em plena batalha de vida ou morte em defesa do próprio mandato, quando mais do que nunca é preciso convencer aliados já inseguros de que nem tudo está perdido, é difícil imaginar - do ponto de vista de Temer - um desastre mais errado, na hora mais errada.

Quem conhece como funciona a máquina real do Estado sabe que a perspectiva de conservar o poder amanhã é até mais importante do que seu exercício, hoje. É a ideia de recompensa futura que alimenta lealdades, permite sacrifícios, estimula gestos de aparente nobreza e fidelidade. Eles ajudam os suspeitos a ficar de bico fechado e resistir às pressões para delatar. Também estimulam quem ainda se mantém ativo a buscar apoio no e usar a própria credibilidade para prometer, no Congresso, mercadorias cada vez mais difíceis de entregar na votação sobre o impeachment.

A possibilidade de novas prisões, como Moreira Franco ou Eliseu Padilha, protegidos pelas prerrogativas dos respectivos cargos, não deve servir para diminuir o impacto em si da prisão de Geddel.

Ao longo de pelo menos duas décadas, Michel Temer, Eliseu Padilha e Geddel Lima formaram um trio de operadores do PMDB cuja atividade foi descrita em detalhes por Fernando Henrique Cardoso no segundo volume de seus Diários da Presidência. Sempre juntos, atravessaram os dois mandatos de FHC, mais tarde se acertaram com Lula e Dilma e, depois de articular um golpe de Estado, conseguiram assumir o Planalto.

Os rastros deixados pelo trio no governo FHC permitem fazer uma ideia do que estava para acontecer no futuro.

Na página 170, por exemplo, o então presidente relata uma conversa de Geddel Lima com o tesoureiro tucano e ministro Sérgio Mota, no qual o então líder do PMDB da Câmara joga duro para garantir a nomeação de Padilha para o ministério dos Transportes, em troca da aprovação do Fundo de Estabilização Fiscal, peça essencial do Plano Real. "Está cheirando mal,"escreve FHC que, apesar do olfato aguçado, acabou cedendo e nomeando Padilha.

Num episódio que ele próprio relata como "um tanto estranho", na página 232 Fernando Henrique descreve o esforço de Temer e Geddel para derrubar o diretor de presídios do Ministério da Justiça -- o titular da Pasta era Iris Rezende. FHC registra que se trata de "um posto tão baixo, no qual existem licitações."E acrescenta: "não quero me antecipar com maledicências mas me deu uma ponta de preocupação."

Autor de um apelo recente para Temer deixar a presidência, Fernando Henrique sabia do estava falando.
Posted: 06 Jul 2017 04:22 AM PDT
Por Jeferson Miola

A ocupação da Câmara de Vereadores de Porto Alegre pelos funcionários municipais que acompanhavam a votação do projeto de aumento de 27,3% da alíquota previdenciária do funcionalismo [de 11% para 14%] foi uma reação legítima aos ultrajes, ofensas e provocações proferidas da tribuna daquela Casa pelo vereador Cláudio Janta/SD, o líder do prefeito Marchezan Júnior no parlamento municipal.

Todo ato espontâneo de indignação e de revolta social diante de uma agressão sofrida é passível de exageros, porque é uma reação humana absolutamente natural e instintiva. É compreensível, por isso, que possam ter ocorrido excessos na interrupção da sessão da câmara de vereadores deste dia 5 de julho de 2017.

Os eventuais excessos, porém, se de fato existiram, devem ser compreendidos como de fato o foram, ou seja, como reações desesperadas dos trabalhadores diante da selvageria do governo municipal e da violência perpetrada por uma maioria parlamentar surda e cega às ponderações e aos apelos dos trabalhadores.

O direito à insurgência contra a arbitrariedade e a opressão é uma conquista civilizatória e democrática da humanidade, consagrada em documentos e convenções internacionais de mais de 200 anos.

Os vereadores vinculados ao governo Marchezan Júnior optaram por fechar os olhos sobre as ilegalidades e inconstitucionalidades do projeto de confisco de salário dos funcionários, e também preferiram desprezar aspectos básicos como, por exemplo, os estudos atuariais que evidenciaram a desnecessidade do aumento da alíquota.

Os vereadores governistas, contudo, movidos possivelmente por interesses, favores e cargos entregues a eles pelo prefeito Marchezan Júnior, foram além. Depois de anunciarem o encerramento da sessão, chamaram a polícia de choque da Brigada Militar e realizaram uma sessão clandestina, secreta e ilegal, realizada numa sala de reuniões do legislativo municipal [não no plenário], onde aprovaram por 20 votos a 6 o aumento da alíquota previdenciária dos servidores. Uma vergonha sem equivalência até mesmo com o período da ditadura civil-militar de 1964/1985!

A loucura ideológica do prefeito Marchezan Júnior, que combate obsessiva e odiosamente os funcionários públicos para destruir os serviços e as políticas públicas, atingiu a estratosfera. O dramático é que este será o padrão do seu período de governo.

Marchezan e seus vereadores levam Porto Alegre ao mais soturno dos submundos. Nesta trajetória sinistra, contam com a atuação engajada e militante do MBL, que não é um movimento, mas uma milícia verdadeiramente neofascista, que relembra em muito os agrupamentos “camisas negras”, as forças paramilitares criadas por Benito Mussolini na Itália nos anos 1920 treinadas e preparadas para enfrentar e matar as lideranças comunistas, operárias e populares.

A votação na câmara de vereadores de Porto Alegre é um marco definidor do próximo período, que não será de negociação e diálogo, mas de enfrentamento e resistência a uma das principais experiências da direita neofacista e de restauração neoliberal aplicada em escala municipal.

Porto Alegre é o laboratório da direita fascista no Brasil. Cabe à resistência democrática qualificar e elevar a luta contra este projeto nefasto não só para Porto Alegre, mas para todo o povo brasileiro.
Posted: 06 Jul 2017 04:04 AM PDT
Por João Sicsú, na revista CartaCapital:

O Sr. Temer é um político muito limitado. Se sobressaiu porque a média do mundo político tem baixíssima estatura. Seus valores e objetivos são rasteiros. Contudo, é capaz de organizar um pequeno grupo (muito coeso) que lidera centenas de parlamentares.

Há uma enorme equivalência: qualquer um dos seus liderados poderia ser o Sr. Temer e o Sr. Temer poderia ser um dos seus. São todos absolutamente idênticos. Essa horizontalidade é um grande facilitador na relação entre todos eles.

O Sr. Temer, o seu grupo e seus liderados nunca tiveram um projeto para o Brasil. Podemos imaginar uma pergunta sobre o que desejaria para a sociedade brasileira feita ao Sr. Rodrigo Rocha Loures. A resposta seria a mudez do entrevistado por avaliar que o tema é irrelevante ou extemporâneo.

O Sr. Temer e os seus foram presas fáceis de quem tem projeto. Quem tem projeto para o Brasil é o sistema financeiro, as multinacionais e os rentistas. Os materializadores desse projeto para o mundo político são os economistas ligados ao PSDB. Não é um projeto do PSDB, esse partido dito da socialdemocracia acabou faz anos.

O Sr. Temer e os seus estão aprovando no Congresso propostas que visam uma profunda transformação econômica e social do Brasil. Não avaliam que o desemprego de mais de 14 milhões de trabalhadores deve ser combatido com uma ampla política de estímulo ao consumo e de gastos públicos.

A única política econômica que fazem é a das altas taxas de juros que dizem visar o controle da inflação. Não acreditam em políticas macroeconômicas voltadas para o desenvolvimento. Não acreditam em desenvolvimento de países chamados, preconceituosamente, de periféricos. Seu grande modelo econômico e social é a austeridade.

Temer e seus liderados avançam em várias propostas pontuais (ou microeconômicas). São as reformas trabalhista e da Previdência e a lei da terceirização. Desmontam programas sociais: o Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, o Mais Médicos. Desmontam os bancos públicos. Elevam as taxas de juros dos financiamentos da Caixa e do Banco do Brasil. Definham o BNDES reduzindo seu fundo de empréstimos e querem elevar a taxa de juros dos seus financiamentos. Privatizam partes da Petrobras e entregam o controle da exploração do petróleo a multinacionais. Possibilitam a estrangeiros a aquisição de terras e a exploração de todos os seus recursos naturais.

O Brasil está quase de volta ao passado colonial, só não voltamos de verdade porque há uma impossibilidade física-temporal. Mas a arquitetura é a mesma: o Brasil será uma colônia de exploração e os países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, serão a Coroa. Hoje a dominação não é político-administrativa e bélica. O que existe é uma dominação cultural e uma relação de subordinação aceita, valorizada e defendida pela elite econômica e financeira brasileira.

O sonho de banqueiros brasileiros é financiar a exploração da colônia para aumentar seus lucros. O desejo das empresas multinacionais é explorar, transportar, beneficiar e comercializar o que é extraído da colônia. O sonho do Sr. Temer e de seus liderados é serem tais como eram donatários de capitanias hereditárias. Os donatários faziam a justiça, organizavam a exploração e roubavam a Coroa. E o sonho de um economista ligado ao PSDB é morar na Coroa dando aula numa universidade americana e ser reconhecido pelo sistema financeiro que tem base nos Estados Unidos.

Seremos um país com Estado fraco, sem interesses sociais e nacionais. Aos brasileiros restará trabalhar sob a escravização moderna – não-racializada, com baixos salários e sem qualquer sistema de seguridade social. Não haverá mais aposentadoria. O Estado não empregará recursos para reduzir a vulnerabilidade social. Os rentistas abocanharão os superávits orçamentários e endividarão ainda mais o Estado. Teremos um pequeno mercado doméstico de consumo com produtos manufaturados importados da Coroa.

A economia brasileira adormecerá na depressão que se encontra. Mas isso não é considerado relevante pelos ideólogos da austeridade. Afinal, a economia brasileira estará voltada para o mercado externo.

Vamos exportar cada vez mais produtos com baixo valor agregado: petróleo bruto, madeira, milho em grãos, carnes bovina e suína, açúcar bruto, soja e minério de ferro. É necessário lembrar que o trabalho compulsório não-remunerado, o latifúndio, a monocultura e a produção para o mercado externo eram as características da economia do Brasil colonial do passado.

Por ironia da história, enquanto o Brasil está caminhando em direção ao passado colonial, sua antiga Coroa, Portugal, tenta se libertar dos programas de austeridade impostos em 2011 pelo FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Em Portugal, houve redução dos direitos trabalhistas, diminuição dos salários dos funcionários públicos, subtração de direitos sociais, diminuição do valor dos benefícios sociais e privatizações.

A austeridade fez Portugal aumentar as exportações reforçando a competitividade através da redução salarial. A estratégia de especialização econômica intensificou o modelo tradicionalmente dominante da economia portuguesa – baixos salários para produção de bens de consumo com pouco valor agregado. A austeridade portuguesa foi muito parecida com o programa atual que o Brasil está mergulhando.

Em Portugal, desde 2016 com o governo do Partido Socialista e partidos de esquerda, já houve recomposição dos salários dos funcionários públicos, redução da jornada de trabalho do funcionalismo e aumento do valor das aposentarias e pensões. E o desemprego está em queda. O Sr. Temer faz o Brasil caminhar para onde Portugal chegou e já está voltando.

A reação de Portugal é um exemplo a ser seguido tanto do ponto de vista das suas alianças políticas quanto em relação às propostas econômicas e de recomposição do estado de bem-estar social.
Posted: 05 Jul 2017 06:16 PM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Para registro histórico, deixo aqui o texto do Datafolha e a íntegra do relatório, com dados cruzados sobre a ideologia do brasileiros.

Apesar de eu ter criticado as reportagens da Folha, os dados crus da pesquisa são muito interessantes!

Eu vou analisar esse relatório em outro momento. Mas já adianto alguma coisa. Editei e simplifiquei a tabela que achei mais interessante, que cruza o perfil ideológico dos eleitores e o seu candidato preferido em 2018.

Observe que a força de Lula, como era de se esperar, está na esquerda, onde sua vantagem aumenta.

João Dória e Bolsonaro, por sua vez, tem mais votos entre o eleitorado de direita. Mas Bolsonaro tem duas vezes mais votos na direita do que o tucano.

A vantagem de Lula ao centro também é bastante forte.

O petista também é forte entre o eleitorado conservador, o que é uma qualidade sua impressionante: ele ganha ou empata até mesmo neste segmento.

Lula lidera na “direita econômica” com 22% dos votos, contra 17% de Bolsonaro e 14% de Doria, e perde por pouco na “direita comportamental”, onde tem 21%, contra 23% de Bolsonaro de 14% de Doria.


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Essa outra tabela, abaixo, também é muito útil. Repare que o segundo turno de 2018 observará uma divisão muito clara entre direita e esquerda.

Sergio Moro é o único candidato que obtêm uma aprovação maciça do eleitorado de direita. Num hipotético segundo turno com Lula, o juiz da Lava Jato teria 55% do eleitorado da direita. Bolsonaro e Doria não passam de 43% junto a esse segmento.

A razão é que a presença de Moro no segundo turno de 2018 reduz fortemente o percentual de votos nulos e brancos, sobretudo no eleitorado conservador.

Um segundo turno entre Lula e Doria tem 23% de votos em branco da direita. Entre Lula e Moro, os votos brancos da direita ficam em 15%.

Num confronto com Moro no segundo turno, o petista tem 60% dos votos da esquerda, contra 29% de Moro.

Diante de Bolsonaro, o percentual de Lula no eleitorado de esquerda vai para 67%.




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No Datafolha

Ideias afinadas com esquerda voltam a empatar com pensamento de direita
OPINIÃO PÚBLICA – 03/07/2017 15H01

DE SÃO PAULO

Os brasileiros se dividem igualmente entre esquerda e direita hoje no país, demonstram suas opiniões a uma série de temas comportamentais e econômicos que permitem posicioná-los dentro do espectro político clássico que inclui, além dos polos de esquerda e direita, também o centro político. A direita hoje abrange 40% da população adulta do país, considerando tanto a direita (10%) quando a parcela de centro-direita (30%). Na esquerda estão 41%, divididos entre a esquerda posicionada mais ao estremo do espectro político, representada por 10%, quanto a centro-esquerda, que soma 31%. Entre eles está o centro, que abrange 20% dos brasileiros.

Para chegar a essa classificação, o Datafolha consultou os brasileiros sobre uma série de questões envolvendo valores sociais, políticos, culturais e econômicos, e a partir daí os posicionou em escalas de comportamento e pensamento econômico, dentro das quais eles foram segmentados em esquerda, centro-esquerda, centro, direita e centro-direita. A união dos resultados dessas escalas resultou em uma escala geral de posicionamento ideológico, definida pela mesma segmentação.

Comparado a resultados de setembro de 2014, o estudo atual mostra um encolhimento da direita (de 45% para 40%) e um crescimento da esquerda (de 35% para 41%). O centro, no mesmo período, manteve-se igual, representado por 20%.

A diminuição da parcela de direita na população está ligada, principalmente, ao crescimento do apoio neste grupo a posições mais identificadas com a esquerda no campo do comportamento. Considerando somente a escala de comportamento, a parcela de direita passou de 55% para 47%, enquanto a esquerda cresceu de 24% para 31% entre 2014 e 2017. O centro oscilou de 21% para 22%.

Na escala que mede o posicionamento econômico, poucas mudanças: 28% têm posicionamentos mais identificados com a direita (eram 30% em 2014), e 44%, com a esquerda (em 2014, 43%). A parcela de centro, neste caso, é de 29% (era de 27 há três anos).

Opiniões sobre comportamento impelem população para a esquerda

A avaliação das questões da escala de comportamento mostra que houve crescimento expressivo, de 58% para 77%, na parcela dos que acreditam que “boa parte da pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para que todos possam subir na vida”, posição identificada com a esquerda, em detrimento dos que acreditam que “boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar” (de 37% para 21%), posição mais identificada com a direita. Também teve alta, de 64% para 74%, a avaliação de que a “homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade”, e caiu de 27% para 19% a avaliação de que a “homossexualidade deve ser desencorajada por toda a sociedade”, resultado que também fortalece a esquerda na matriz de comportamento. Outra questão que beneficiou a posição da esquerda foi a alta, de 36% para 41%, na avaliação de que “a maior causa da criminalidade é a falta de oportunidades iguais para todos”, com consequente queda de 60% para 56% na avaliação de que “a maior causa da criminalidade é a maldade das pessoas”. Houve ainda alta de 63% para 70% no índice dos que acreditam que “pessoas pobres de outros países e Estados que vêm trabalhar na sua cidade contribuem com o desenvolvimento e a cultura”, posição identificada com a esquerda na matriz ideológica.

Nem todos os movimentos na matriz de comportamento, porém, se deram na direção da esquerda. O posicionamento mais à direita, sobre o direito de possuir arma, por exemplo, tem crescido: em novembro de 2013, 30% acreditavam que “possuir uma arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender”, enquanto 68% defendiam que “a posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas”. Em setembro de 2014, a posição pró-armamento teve o apoio de 35%, e a contrária, de 62%. Agora, esses índices são de 43% e 55%, respectivamente. Também cresceu a opinião antissindical: entre 2014 e 2017, passou de 50% para 58% a avaliação de que “os sindicatos servem mais para fazer política do que defender os trabalhadores”, e caiu de 42% para 38% o índice dos que acreditam que “os sindicatos são importantes para defender o interesse dos trabalhadores”, acompanhado de queda de 8% para 4% na parcela sem opinião sobre o tema.

O fortalecimento destas posições mais afinadas com a direita, porém, não foi suficiente para compensar o avanço das posições mais afinadas com a esquerda. Para outras questões, houve pouca variação ou estabilidade, como na avaliação de que “o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências”, identificado com a direita, que oscilou de 82% para 80% entre 2014 e 2017, em detrimento dos que defendem que “o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências”, que oscilou de 15% para 17%. A avaliação de que “a pena de morte é a melhor punição para indivíduos que cometem crimes graves”, também mais afinada com a direita, oscilou de 43% para 42% nesses mesmo período, enquanto a posição contrária, de que “não cabe à Justiça matar uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave”, passou de 52% para 55%.

Também houve pouca variação na avaliação majoritária de que “acreditar em Deus torna as pessoas melhores”, que passou de 86% para 83%, e no sentido contrário, de que “acreditar em Deus não necessariamente torna uma pessoa melhor”, que foi de 13% para 17%. O mesmo vale para a defesa de que “adolescentes que cometem crimes devem ser punidos como adultos”, cujo apoio passou de 76% para 73%, enquanto a posição contrária, de que “adolescentes que cometer crimes devem ser reeducados” passou de 23% para 25%.

A análise da matriz de comportamento mostra que, considerando de forma conjunta as parcelas de esquerda e centro-esquerda, há diferença significativa entre homens (25%) e mulheres (37%) neste grupo. Entre os mais jovens, a esquerda abrange 44%, e cai conforme o avanço da faixa de idade (varia de 26% a 27% nos três segmentos acima de 35 anos). Na parcela dos menos escolarizados, 23% perfilam na esquerda, índice que sobe para 32% entre quem tem escolaridade média e para 42% na parcela com ensino superior. Também há diferença entre os mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários (28% na esquerda), e mais ricos, com renda familiar mensal superior a 10 mínimos (37% na esquerda). Regionalmente, o menor percentual da esquerda, considerando questões de comportamento, está no Centro Oeste (22%), e o maior, no Sudeste (34%). Nas cidades menores, com até 50 mil habitantes, 27% estão na esquerda, ante 37% nas maiores cidades, com 500 mil moradores ou mais.

Com tendências contraditórias, pensamento sobre economia fica estável

A relativa estabilidade entre direita, esquerda e centro na matriz de pensamento econômico, verificada entre 2014 e 2017, mostra menos uma ausência de movimentos nas posições dos brasileiros sobre economia do que mudanças importantes de posicionamento em direções opostas que acabaram por se anular. Esses movimentos contraditórios indicam que a população, de forma geral, espera que o governo intervenha menos no mercado, para estimular a competitividade entre as empresas, mas seja o principal responsável por investir e fazer a economia crescer.

Atualmente, 46% dos brasileiros avaliam que “quanto menos o governo atrapalhar a competição entre as empresas, melhor para todos”, e outros 46%, que “é bom que o governo atue com força na economia para evitar abusos das empresas”. Em novembro de 2013, a posição mais afinada com a direita, com a defesa de menor intervenção do governo no mercado, era compartilhada por 31%, e a avaliação de que o governo deveria intervir com mais força tinha apoio de 58%. Em setembro de 2014, essa diferença já havia diminuído (51% a 35%), e agora há empate entre elas.

No sentido contrário, passou de 66% para 76%, entre 2014 e 2017, a avaliação de que “o governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer”, mais afinada com a esquerda, enquanto a posição de que “as empresas privadas devem ser as maiores responsáveis por investir no país e fazer a economia crescer” oscilou de 22% para 20%. Ajudou mais o fortalecimento da posição à esquerda, neste caso, a diminuição no índice dos que não têm opinião sobre o tema (de 12% para 4%) do que o enfraquecimento na posição ligada à direta.

Ainda na seara do papel do governo no mercado, a defesa de que “o governo tem o dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência”, mais intervencionista e afinada com a esquerda, passou de 59% para 63% desde o levantamento de 2014, e a posição contrária, de que “o governo não deve ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência”, passou de 30% para 33%. A diminuição no percentual dos sem opinião sobre o assunto, de 11% para 4%, contribuiu para a elevação dos índices de ambas as posições.

A avaliação de que “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida” cresceu de 49% para 54%, e caiu de 46% para 41% a fatia dos que acreditam que “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida”, alinhada à esquerda. Também houve crescimento, de 33% para 38%, no apoio na posição que afirma que “as leis trabalhistas no Brasil mais atrapalham o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores, por isso boa delas deveria ser eliminada”, de direita, em detrimento da que diz que “as leis trabalhistas no Brasil mais protegem os trabalhadores do que atrapalham o crescimento das empresas, por isso boa parte delas deveria ter seus direitos ampliados”, que oscilou de 53% para 52%. Fez diferença, nesta questão, a diminuição do percentual sem opinião sobre o tema, que caiu de 15% para 9%.

Por fim, entre 2014 e 2017 passou de 49% para 51% o índice dos que defendem que “é preferível pagar menos impostos ao governo e contratar serviços particulares de educação e saúde”, afinada com a direita, enquanto a posição contrária, que defende que “e preferível pagar mais impostos ao governo e receber serviços gratuitos de educação e saúde” passou de 40% para 43%. O índice dos que não opinaram caiu de 11% para 6% no mesmo período.

No segmento dos mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários, 47% se alinham à esquerda na matriz de pensamento econômico, índice que cai para 37% na fatia dos que têm renda familiar de 5 a 10 salários, e de 38% entre quem obtém 10 salários mínimos ou mais.

Lula alcança auge na esquerda, e Bolsonaro se fortalece nos segmentos de direita

A avaliação do cenário eleitoral de acordo com o perfil ideológico dos brasileiros mostra que Lula tem preferência acima da média nos segmentos de esquerda, e abaixo da média na direita. O oposto ocorre com Bolsonaro e Doria, mais fortes na direita.

No cenário em que os principais concorrentes são Lula (30% das intenções de voto), Marina (15%), Bolsonaro (15%), Doria (10%) e Ciro Gomes (6%), o petista alcança 39% na parcela da esquerda, cai gradualmente para 32% na centro-esquerda, 31% no centro, 28% na centro-direita e 18% na direita. Bolsonaro obtém 20% tanto na centro-direita quanto direita, cai para 13% no centro, para 11% na centro-direita e fica com 9% entre os que estão na esquerda. O prefeito de São Paulo João Doria alcança 17% na direita, cai para 11% na centro-direita, marca 9% tanto no centro quanto na centro-esquerda, e na esquerda fica com 8%. Já Marina se destaca positivamente na centro-esquerda (20%), e Ciro Gomes, na esquerda (9%).

Com Alckmin no lugar de Doria pelo PSDB, Bolsonaro ganha força no segmento da direita (24%, ante 16% na média da população). Na centro-direita, fica com 21%, no centro, com 15%, na centro-esquerda, com 12%, e na esquerda, com 8%. Lula alcança 37% na esquerda, 31% na centro-esquerda, 30% no centro, 29% na centro-direita e 20% na direita. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin tem 8% na média geral, e não há variação significativa nos segmentos do perfil ideológico.

A análise da rejeição reforça essas tendências: 57% na direita não votariam de jeito nenhum em Lula. A rejeição ao petista, que é de 46% de forma geral, cai para 50% na centro-direita, para 42% no centro, fica em 44% na centro-esquerda, e fica em 32% na esquerda. Na média da população, Alckmin é rejeitado por 34%, e sua rejeição máxima fica em 38% no segmento de esquerda. No caso de Bolsonaro, que tem rejeição de 30% entre os brasileiros, o índice na esquerda alcança 48%, e cai gradualmente (para 32% na centro-direita, para 29% no centro, para 24% na centro-direita, e para 22% na direita). A rejeição a Doria, de 20% na média da população, tem rejeição acima da média na esquerda (30%).

Auto identificação política desloca brasileiros para o centro

Além das questões comportamentais e econômicas que permitiram definir esse perfil ideológico, os brasileiros também foram consultados sobre sua posição política. Para isso, foram informados de que “muita gente quando pensa em política utiliza os termos esquerda e direita”, e então puderam se posicionar politicamente usando uma escala que “um” é o máximo à esquerda e “sete” o máximo à direita.

O centro, identificado pelo número 4, foi escolhido por 26%. Em direção à direita, 9% se colocaram na centro-direita (5), e 23%, na direita (6+7). Do outro lado, 9% optaram pela centro-esquerda (3), e 19%, pela esquerda (2+1).A média geral (4,1) ficou próxima da nota representada pelo centro (4). Uma parcela de 14% não soube se posicionar sobre o tema.

A comparação com consulta realizada em 2010 mostra que houve crescimento dos que se posicionam no centro (eram 17%) e na esquerda (de 12% para 19%), enquanto a centro-direita recuou de 13% para 9%. No mesmo período, a centro-esquerda oscilou de 8% para 9%, e a direita, de 24% para 23%. Também houve queda significativa na fatia dos que não sabem se posicionar: eram 25%, e agora são 14%.
Posted: 05 Jul 2017 03:36 PM PDT

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