sábado, 8 de julho de 2017

8/7 - Curiosidades bélicas no horizonte

CARLOS - Professor de Geografia


Posted: 02 Jul 2017 06:29 AM PDT

Quem não observa a evolução dos fatos acaba vítima deles.

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

Maria Fernanda Arruda
é colunista do Correio do Brasil,
 sempre às sextas-feiras
Os campônios da China relutaram em aceitar os alertas do governo sobre a invasão do Japão na guerra e pagaram por isso. Hoje precisamos deduzir e observar a evolução das guerras e conquistas. Como se fosse uma ‘curva de Gauss’ (é o meio estatístico de registrar a evolução de um processo), estamos voltando às origens da espécie.

Sem aprofundamento na matéria, sabemos que desde o reino animal as lideranças se impõem como se fosse “no grito’, isto é, o mais forte exibe seu rugido ou seu porte de força e domina o rebanho ou as fêmeas. Na evolução social, a China deu sua contribuição com a invenção da pólvora e redimensionou o confronto de forças.

Catapultas e depois canhões substituíram falanges oblíquas, armas outras vieram e a aviação e bombas completaram esse quadro até o século passado. Mas a roda viva, em seu giro, mudou o viés em parte. Ainda haverá, por pressão econômica e política a duração da industria bélica, mas aos poucos vemos a dita curva de Gauss se chegado ao ponto de origem – estamos voltando ao zero!
Quadrúmanos

Hoje já registramos a incongruência ou inconsequência de alguns procedimentos tradicionais. Ainda que no Oriente os EUA (sempre eles), estejam despejando suas bombas tradicionais, vemos que como laboratório, estão usando técnica mais barata, rápida e eficaz para dominar povos e países.

Basta a nós a verificação de que pouco se dá em termos de eficácia de defesa, o patrulhamento de fronteiras se a dominação se faz dentro do Palácio da Alvorada ou do Congresso ou do STF.

Nenhum tiro ou bomba! Apenas ordens em voz moderada ou mesmo por telefone ou por recado de embaixador.

Já testaram esse meio de dominação em 1964, colocando em prática sua observação do êxito que teve a tropa de Hitler na França de Petain. Basta localizar os servis a que lá davam nome de colaboracionistas, ou aos que aqui se denominam ‘capachos’. E parecem crianças disputando balas em distribuição de festa…e há aos montes, fardados, togados e enfeitados desejosos de atender a “master voice” – tal como servos da gleba a oferecer até a “jus primae noctis” aos senhores, em vassalagem total.
Entrega tudo

Se. em 1964. tiveram o êxito que se viu e exerceram por mais de 20 anos suas prerrogativas senhoriais, agora, diante da novidade do pre-sal que lhes foi grata surpresa, mais uma vez estão presentes e dominando tudo! E, no grito, como se quadrúmanos fôssemos e submissos como nossos ancestrais (segundo Darwin).

Para que incomodariam seus ‘marines’ e movimentariam naves se, via oral, obtém o mesmo efeito? Podemos nos orgulhar do pioneirismo em ser dominados ‘no grito’. Então daremos lição de como entregar tudo, não só o objetivo inicial, mas tudo!

Minérios, florestas e, de sobra, o governo (com substituição de titulares, se exigido), o poder legislativo e o fundamental, o Judicial. Até poderemos esclarecer que mandamos antecipadamente um aprendiz togado para cursar na CIA/FBI, e partir daí para destruição de empresas e mais planos que incomodavam aos senhores.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.

Texto original: CORREIO DO BRASIL
Posted: 02 Jul 2017 06:18 AM PDT
Por Francisco Carlos Teixeira
Já não se trata de ser PT ou tucano, de centro, de direita ou de esquerda, muito menos do humor, ou da ofensa, de dizer esse ou aquele “coxinha” versus “mortadela”!

Trata-se, isso sim, da honra da República e da dignidade maior do cargo, da simbologia e dos ritos que envolvem a Presidência da República de um país como o Brasil. Trata-se do orgulho da gente brasileira. Somos um país de 204 milhões de pessoas que, na sua maciça maioria, trabalha duro – excluindo não mais de 100 mil, isso mesmo, parasitas!, esses cem mil que vivem para explorar os outros 203.900.000 brasileiros, dos quais a maioria com duas jornadas para poder pagar suas contas, trabalhando quatro meses por ano só para pagar impostos, que ao final são roubados.

No caso das mulheres, a carga pula automaticamente para três jornadas, quase sempre esta terceira não remunerada, enquanto as outras duas, com certeza, remuneradas abaixo da média do salário masculino. Isso! Somos um país de trabalhadores. De gente de bem, digna. Que corre à Caixa Econômica Federal para retirar seus minguados trocados do FGTS para pagar dívidas.

Até quando essa gente ficará calada? Aceitaremos viver sob um governo que em tudo só nos envergonha? Do despreparo internacional, até a relação de compadrio, misoginia escalando a pura e simples organização para delinquir no interior das mansões republicanas. Lembremo-nos do que o poeta em epígrafe diz sob viver em vergonha:

“Auriverde pendão de minha terra, /Que a brisa do Brasil beija e balança, […] Antes te houvessem roto na batalha, /Que servires a um povo de mortalha”.

Hoje a República tornou-se algoz da gente brasileira. Essa gente assiste agora a uma “máfia”, no dizer da Procuradoria-Geral da República, em denúncia contra o mais alto funcionário da União, o mesmo senhor que deveria servir ao povo, unido aos seus “comparsas” (sic, conforme a PGR).

Acoitado pelas armas e brasões da República, protegido pela segurança do cargo, entendia-se, na calada da noite, nos palácios do governo, pagos pelos meses de trabalho do povo, com criminosos notórios para receber propina, que deveria sustentá-lo e também a seus “ministros-comparsas”. Propina que paga um trem de vida que a maioria absoluta dos 203,9 milhões de brasileiros nem sequer pode imaginar.

Nas grandes cidades do país trava-se uma guerra surda – aos ouvidos dos poderosos trancados em seus palácios e locomovendo-se em helicópteros e carros blindados –, na qual mais de 60 mil jovens, na maioria negros e pardos, morrem anualmente. Milhares de mulheres são espancadas e estupradas no caminho do trabalho. Crianças ficam sem escolas ou as escolas não conseguem ensinar e, por vezes, essas mesmas crianças são alcançadas pela guerra larval dentro de suas salas de aula. Os hospitais são fechados dia após dia. Os velhos morrem nas filas de consultas médicas que jamais ocorrem. As universidades perigam e fecham seus laboratórios, enquanto os pesquisadores abandonam o país.

Mas lá, no fundo escuro dos seus palácios, “ele” e seus “ministros comparsas” se declaram “indestrutíveis” como o Drácula, de Bram Stoker, ou outros personagens que assumem formas sinistras de sugadores de energia, saídos talvez de contos de Edgar Allan Poe.

De tudo isso emerge uma Nação exangue: jovens descrentes, dentre os quais os que podem emigram e vão buscar melhor futuro em míticos “canadás do mundo”. A maioria da população se diz “envergonhada de ser brasileira”.

Quanta ironia de um povo que já acreditou que Deus era brasileiro. Que deus seria esse, senão o deus do poeta da Nacionalidade, aquele chamado de o “deus dos desgraçados”, aquele que, por punição, se afasta e deixa o destino de todo um povo ser desviado por uma chusma de vampiresca, que rouba do povo o próprio futuro:

“Senhor Deus dos desgraçados! /Dizei-me vós, Senhor Deus, /Se eu deliro… ou se é verdade /Tanto horror perante os céus?!…”

Contudo, mesmo o “deus dos desgraçados” apiedou-se dos andrajosos, dos famintos e desesperançosos e rasgou no céu um raio de luz: como na literatura, e o cinema repetiu, o personagem vampiresco de Bran Stoker, que se queria “indestrutível”, incinera-se e vira cinzas ao menor toque da luz!

Que o deus dos desgraçados faça a luz sobre a República e incinere todos que sugam o sangue da Nação.

Ante tamanha infâmia, cabe mais uma vez dirigir à gente brasileira o brado do poeta maior, Castro Alves:

Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga 

Levantai-vos heróis do Novo Mundo!

Francisco Carlos Teixeira é historiador e cientista político, com mestrado em História na UFF e na Universidade Livre de Berlim, doutorado em Ciências da História, Univeridade de Berlim, fundador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, UFRJ, autor de livros sobre conflitos e mudanças sociais, entre eles “Atlântico, a história de um oceano” (com colaboração), Prêmio Jabuti de melhor livro do ano de 2014.

Texto replicado : BLOG DO PROF PÉRICLES.

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