sábado, 12 de agosto de 2017

12/8 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 12 Aug 2017 07:48 AM PDT
Posted: 12 Aug 2017 07:39 AM PDT
Posted: 12 Aug 2017 07:18 AM PDT
Por Railídia Carvalho, no site Vermelho:


Nesta quinta-feira (10) foi a vez das centrais sindicais debaterem o manifesto do Projeto Brasil Nação, idealizado pelo economista Bresser Pereira e que tem como signatários o embaixador Celso Amorim e o compositor Chico Buarque, entre outros representantes de vários segmentos da sociedade. Os dois primeiros estiveram presentes ao encontro que aconteceu no Centro de Mídia Barão de Itararé.

Nivaldo Santana, vice-presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), avaliou positivamente a agenda em entrevista ao Portal Vermelho. “Aspecto principal a ser destacado foi a ênfase no resgate do sentido de nação e desenvolvimento, dois pilares essenciais de um projeto nacional democrático”.

De acordo com o sindicalista, a saída da crise passa em primeiro lugar por “desatar o nó político”. “Só um governo eleito terá legitimidade para reverter a crise econômica, a partir de um pacto entre o trabalho e a produção que coloque no centro juros baixos, para aumentar investimentos, câmbio competitivo para reverter a desindustrialização, valorizar os salários e medidas emergenciais para gerar emprego”.

O aumento do déficit fiscal para R$ 159 bilhões, que vem sendo cogitado no mercado, é causado pela recessão econômica, afirmou Nivaldo. “As taxas de juros abusivas, a queda dos investimentos e a liquidação de cadeias produtivas estratégicas prolongam as dificuldades econômicas”, avaliou.

Para o dirigente da CTB, o governo de Michel Temer caminha na contramão e joga sobre os trabalhadores o peso da crise. “Congelar por vinte anos os gastos sociais, arrochar salário do funcionalismo, aprovar a reforma trabalhista e avançar também com a reforma da Previdência fazem parte do cardápio indigesto do governo, agenda feita contra os interesses do povo e em benefício dos rentistas”.
Posted: 12 Aug 2017 07:10 AM PDT
Por Lindbergh Farias e Jaldes Meneses

O mundo e a América Latina em alerta máximo. Trump começou a semana bradando que a Coréia do Norte receberá “o fogo e a fúria” das bombas atômicas americanas “como o mundo jamais viu" e terminou ameaçando a Venezuela de “opção militar” direta, visto que “[a Venezuela é nossa vizinha, e nossas tropas estão por todo o mundo”. Muitos analistas internacionais punham em dúvida até esta semana a existência de uma “doutrina Trump”. Não deve haver mais dúvida. Parafraseando Shakespeare em Hamlet, é "loucura sim, mas tem seu método”.

Nossa geração – homens e mulheres que não viveram na pele a experiência da Segunda Guerra Mundial – começa a viver uma encruzilhada trágica da história. No fundo, adotando a loucura como estética de ridículo político (Hitler e Mussolini já fizeram uso do mesmo expediente), o presidente americano propõe a saída da clássica da guerra no capitalismo como solução da crise do modo de produção. Para tanto, estão aí o aparato bélico descomunal, a superioridade tecnológica do complexo industrial-militar dos Estados Unidos. As prédicas mais sombrias de Paul Baran, Paul Sweezy, Ernest Mandel, Michael Kridron, em diversos matizes teóricos (às vezes conflitantes) inspirados em Rosa Luxemburgo, da economia armamentista como componente macroeconômico indispensável na restauração da reprodução do capitalismo parecem se confirmar.

As declarações de Trump internacionalizam de vez o conflito na Venezuela e América Latina. O oriente médio é aqui. A iminência de uma guerra civil interna naquele país, que já era muito grave, centuplica-se pela possibilidade de, pela primeira vez na história, uma ocupação militar americana estourar nas barbas das fronteiras do Brasil. Diante de uma situação tão grave, a posição de assumir uma neutralidade no conflito, defendida recentemente por certa esquerda equivocada, tornou-se insustentável. Mas milhões de vezes pior é a situação do governo Temer, um anão diplomático. Por irrelevância do governo, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, desembarca na próxima semana para consultas à Argentina, Colômbia, Chile e Panamá, “esquecendo o Brasil”. Este o resultado do alinhamento absoluto do Brasil ao Estado americano: quem não se dá ao respeito não merece respeito.

É terrível a posição apequenada do Brasil, que adquire expressão concreta na linha de nossa diplomacia nos fóruns internacionais. No caso da Venezuela, o governo brasileiro adotou uma oposição tão frontal ao governo venezuelano que deixou de ser um interlocutor. Deixamos de exercer um papel mediador na região, tradicional deste o Barão do Rio Branco, irremediavelmente perdido enquanto perdurar a atual orientação confrontacionista no Itamaraty.

Antes de tudo, é preciso reconhecer que a Venezuela está imersa em uma conflagração política radical, há alguns anos, cujo episódio da constituinte é o desdobramento mais recente. Não conseguiremos entender corretamente como se chegou até este ponto sem revisitar a história pregressa. Neste aspecto, vale à pena escavar de uma entrevista do líder oposicionista e duas vezes candidato a presidente da república, Henrique Capriles em 21/06/2015, no jornal Folha de S. Paulo. Naquela época, líder oposicionista testemunhava o esforço do governo da ex-presidenta Dilma e do Brasil para mediar o conflito. Afirmava que foi procurado pelo então chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo para ter um canal direto de comunicação com o governo brasileiro e que conseguiu participar da reunião dos chanceleres da UNASUL porque o Brasil garantiu sua presença.

Entre os governos do PT e o governo Temer, realmente mudou a política externa brasileira. O Brasil deixou de se pensar como o grande país que é. Em depoimento à BBC, o ex-ministro Celso Amorim compara os dois tempos: "A política externa teve objetivamente uma queda brutal. Você não percebe mais a presença do Brasil. Eu me recordo que, quando presidia reuniões do Mercosul, eram entrevistas sem parar, jornais, canais de TV, sempre tinha uma coisa nova, algo palpitante, ainda que fosse para criticar. Agora, não tem nada. Dá impressão que você está cumprindo tabela. O Brasil estava presente em quase tudo que aconteceu de importante no mundo, da Rodada de Doha às questões da reforma da ONU, passando pelo Oriente Médio, Teerã, integração da América do Sul... Hoje, o que eu vejo é uma coisa passiva. Nos melhores momentos é passiva. Nos piores, é desastrada."

Dito isto, cabe a pergunta: A quem interessa esta mudança da política externa brasileira? A resposta é absolutamente cristalina: o Brasil renegou a linha da política externa autônoma, independente, soberana e altiva, que tanto nos trouxe prestígio internacional. Assumimos um alinhamento acrítico com os Estados Unidos. Parafraseando Chico Buarque, voltamos àqueles tempos em que o Brasil “falava grosso com a Bolívia e fino para os Estados Unidos”.

Mudar a política externa foi um dos principais motivos do golpe do impeachment da presidenta Dilma. Se houver parâmetro de comparação, o momento da política externa assemelha-se a 1965, começo da ditadura, quando o marechal Castello Branco enviou tropas brasileiras à República Dominicana seguindo ordens expressas do presidente Lyndon Johnson. Voltamos aos maus presságios da “doutrina" de Juracy Magalhães”, pronunciada quando o político baiano era embaixador em Washington - “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil".

No caso da Venezuela, as ações e a retórica de Temer, do ministro Aloysio Nunes e de outros porta-vozes do governo, sequer vem tendo o cuidado de manter algumas cautelas do governo FHC. No livro “Diários da Presidência” (vol. II, p. 794), assim se refere o ex-presidente a respeito de uma visita de Hugo Chávez ao Planalto, em dezembro de 1998, poucos dias depois de eleito pela primeira vez e antes de tomar posse em Caracas: “almocei com o presidente eleito da Venezuela, que tentou dar um golpe anos atrás (…) veio com disposição de ajudar o Brasil, acha que a Venezuela tem que entrar no Mercosul. Quer que a Petrobras e a PDVSA funcionem em conjunto. Enfim, veio com os melhores propósitos de ampliar o relacionamento entre Venezuela e Brasil.”

Fernando Henrique não era alinhado nem simpático ao regime venezuelano, ao qual tecia críticas, várias bastante duras. No entanto, de fato, sem escamotear diferenças, ele mantinha uma janela de interlocução que a linha diplomática do governo Temer perdeu completamente. Tanto é assim que, em 2002, no final do mandato, o ex-presidente autorizou a Petrobras a enviar navios com gasolina àquele país, acossado por uma longa greve dos funcionários da PDVSA (Lockout, que ficou conhecido como “Paro Petrolero”). Fica a lição: em política internacional, conversar não significa aderir.

A partir deste exemplo, constatamos que houve um retrocesso qualitativo da política externa brasileira. Na verdade, Temer não retroagiu aos tempos dos governos tucanos de FHC, aos tempos do “neoliberalismo progressista” (Nancy Fraser), da “terceira via” (Anthony Giddens.) e do “consenso de Washington” (John Williamson). Pior, o ponto de referência girou para os primeiros anos da ditadura militar, comprovando, mais uma vez, as analogias entre os dois golpes.

Esteve presente desde sempre entre os principais motivos do golpe do impeachment um propósito de realinhamento de nossa política externa. Este realinhamento, especialmente do lado tucano - partido que ocupa a cadeira do Ministério das Relações Exteriores do governo Temer -, visava abandonar qualquer prioridade estratégica relativa à construção dos BRICS e fomento de relações sul-sul. O interesse maior é reatar os “laços carnais" com os Estados Unidos.

No mundo ideal dos tucanos, representativo da parte financeira e associada da burguesia brasileira, Hillary Clinton governaria os Estados Unidos. Em seguida, constituiria dois novos blocos econômicos: em médio prazo, o acordo Transpacífico (Trans-Pacific Partnership), com tratativas em curso e assinado no governo Obama. No outro diapasão hemisférico, depois, não tardaria a hora do acordo Transatlântico (Transatlantic Trade and Investment Partnership), envolvendo Nafta, União Européia e Mercosul. Sucede que, para surpresa geral, venceu Donald Trump (em 11/ 11/2016). A vitória de Trump, eleito com forte discurso nacionalista, derrubou a estratégia dos think tanks democratas, formulada em resposta geoeconômica à crise de 2008, de dobrar a aposta na globalização e constituir mais dois novos blocos econômicos.

Trump tirou o suporte. Assim, ao sul do equador, em matéria de política externa, o projeto de subordinação cosmopolita dos tucanos se assemelha à imagem de um pintor surpreendido com a brocha na parede cuja escada fora retirada por algum Deus irônico. Sobrou, por atávico complexo de vira-latas dessa gente, o mais vil dos servilismos - a imitação rebaixada da truculência do Império.

O governo ilegítimo brasileiro já se acostumou a passar por dissabores internacionais. Cinismo e sorrisos amarelados não faltam. Nenhum chefe de Estado se interessa em posar ao lado de Temer, reconhecido patinho feio em cúpulas internacionais. A lista de exemplos é inumerável. Eis alguns: 1) reunião dos BRICS na Índia; 2) visita à Rússia; 3) visita à Noruega. Para completar, ano e meio de governo, e nenhuma visita internacional importante aportou em Brasília - Angela Merkel, por exemplo, esteve na Argentina e voou para o México. Quem semeia ventos golpistas colhe os frutos da irrelevância internacional.

Certamente, o melhor exemplo de subordinação da política externa seja o caso da atuação no conflito venezuelano. De uns dias para cá, o ministro Aloysio Nunes participou de reuniões na OEA (antes se avistou com o Secretário de Estado Rex Tillerson), no Mercosul, em Lima. Em comum, todas as declarações do ministro punham mais lenha da fogueira, talvez interessadas em adular a parcela da opinião pública alinhada ideologicamente à direita.

Fosse somente uso inadequado da retórica, já seria comportamento recriminável a um chanceler. Mais que isso, porém, o alinhamento insano a uma das partes no conflito perde de vista o interesse nacional, por dois motivos coligados: 1) está em curso na Venezuela uma clássica operação de desestabilização, comandada pelo Departamento de Estado americano; 2) o conflito chegou ao ponto de uma guerra interna de baixa intensidade, podendo evoluir para uma guerra civil aberta, seguida de intervenção militar americana.

Não é de hoje, a Venezuela desempenha um papel estratégico para os Estados Unidos. Escreve Marcelo Zero: "A Venezuela está sentada na maior reserva provada de petróleo do mundo. São 298,3 bilhões de barris, ou 17,5% de todo o petróleo do mundo. Este petróleo está a apenas 4 ou 5 dias de navio das grandes refinarias do Texas. Em comparação, o petróleo do Oriente Médio está entre 35 a 40 dias de navio dos EUA, maior consumidor de óleo do planeta.”

Em princípios dos anos setenta, em uma nota dirigida à CIA em que aconselha sobre os meios de debilitar o governo de Salvador Allende, Henry Kissinger escreveu sucintamente uma frase que se tornou famosa: “há que sangrar a economia”. Da declaração se deduz que os problemas da economia chilena, às vésperas do golpe de Pinochet, não eram apenas internos. Não se tratavam apenas de reações cegas de mercado ante a incompetência do governo, mas de atos coordenados, interna e externamente, de política cambial e monetária, lockout e desabastecimento.

A fórmula, testada em inúmeras partes do mundo, mais uma vez, se aplica à Venezuela. Quando Chávez era vivo e os preços do petróleo ainda em alta, já assim falava o ex-secretário de Estado Lawrence Eagleburger: a relação entre o presidente Hugo Chávez e o povo venezuelano “funcionará somente se a população da Venezuela continuar a ver no seu governo alguma capacidade para melhorar os seus padrões de vida. Se em algum momento a economia começar a ir mal, a popularidade de Chávez começará a decrescer. Estas são as armas que temos contra ele, e que deveríamos usá-las. Isto é, as ferramentas econômicas para fazer com que a economia venezuelana piore, de maneira a que a influência do chavismo no país e na região caia a pique… Tudo o que possamos fazer para que a economia venezuelana se encontre numa situação difícil está bem feito”.

Evidentemente, os problemas da economia venezuelana não se restringem às ações coordenadas de desestabilização. A fragilidade estrutural da ultradependência da cotação internacional dos preços do petróleo - que a experiência dos governos bolivarianos não logrou reverter -, por consequência, sempre resultou em permanente conflito de classes, ora aberto, ora latente, entre ricos e pobres. Até aí não há novidade, Celso Furtado já a anotava os impasses do conflito distributivo em 1974.

A partir da eleição de Hugo Chávez, instituindo a V República e derrotando a república oligárquica, em dezembro de 1998 - cuja linha vem sendo mantida com crescentes dificuldades por Maduro -, mudou o papel do Estado na operação do conflito distributivo dos excedentes da riqueza petroleira.

Chávez soube detectar magistralmente o cerne da luta política venezuelana. Aproveitou o conflito distributivo entre os setores diretamente envolvidos na cadeia produtiva da economia do petróleo e a imensa maioria da população no sentido de tomar o partido dos eternos excluídos na distribuição dos excedentes. As estruturas de poder da república oligárquica estavam todas organizadas para drenar a parte do leão da economia pela superexploração estritamente econômica, mas também (a questão é de suma importância) pelo acesso, quase estamental, a oportunidades de qualificação técnica na gerência da indústria do petróleo (monopolizado por certa classe média treinada nas universidades e no exterior). Desta maneira, o discurso de racionalidade econômica propagandeado pelo antigo regime era falso. O que havia, de fato, era uma economia política historicamente montada a favor dos sofisticados (e americanizados) habitantes dos bairros luxuosos de Caracas, em detrimento das poblaciones subproletarizadas das favelas. O desenvolvimento político e social do processo de luta, distributivo e de classes, resultou no grave impasse atual. Trata-se de um impasse que só será resolvido pelas escolhas soberanas do povo venezuelano.

Em anos recentes, aconteceram três intervenções militares diretas dos Estados Unidos próximas ao Brasil, destronando governos no Panamá (1989), Granada (1983) e Haiti (2004). Foram acontecimentos terríveis havidos em países da América Central. Agora, é plenamente factível o cenário de uma intervenção em um país vizinho, maior economicamente e muito mais estratégico. Teremos a combinação de uma crise humanitária e os canhões do Império apontados para o território nacional. Será uma catástrofe. A doutrina Trump não permite coluna do meio: alinhamento aos Estados Unidos ou interesse nacional.

* Lindbergh Farias é senador (PT-RJ); Jaldes Meneses é professor de história da UFPB.
Posted: 12 Aug 2017 06:31 AM PDT
Posted: 12 Aug 2017 06:05 AM PDT
Por Tatiana Carlotti, no site Carta Maior:

Nesta segunda-feira (07/08), O Estado de S. Paulo comparou a movimentação do twitter durante os dois julgamentos sobre impeachment na Câmara dos Deputados, o do golpista e presidente Michel Temer e o da ex-presidenta Dilma Rousseff. Os números impressionam: mais de um milhão de mensagens foram postadas na rede social na última quarta-feira (02/08) ante 3,5 milhões em 17 de abril de 2016.

Comparados o contexto, personagens e as denúncias que motivaram ambos julgamentos, temos a dimensão do absurdo ocorrido em 2016. Utilizadas como pretexto para o afastamento da presidenta democraticamente eleita, as pedaladas fiscais se desmancham frente à gravidade do episódio Joesley Batista (JBS).

Não se trata de uma delação, mas de uma conversa gravada e entregue à Justiça por um criminoso confesso que, de forma clandestina, entrou nos subterrâneos do Palácio do Planalto e recebeu a chancela do presidente da República para comprar o silêncio de outro criminoso. Os valores apareceram: 500 mil reais, por semana, ao longo de 20 anos.

Episódio e cifras que desembocaram em um julgamento que, pela lógica, levaria às ruas não apenas os defensores do Fora Temer, mas as forças que levantaram a bandeira do combate à corrupção no país. Para compreender o esvaziamento dessa manifestação, nas ruas e nas redes, um dos caminhos é adentrarmos o feudo dos barões da mídia.

O território onde é cultivada uma explosiva matéria-prima: a irracionalidade e o ódio contra as forças progressistas e de esquerda. A comparação entre o “tudo ou nada” durante o impeachment de 2016 e a cobertura jornalística do julgamento da semana passada evidencia que, desta vez, não houve interesse em derrubar o presidente da República. Vejamos o caso da Rede Globo:

Dois julgamentos, dois jornais

Como um julgamento aconteceu no domingo (Dilma) e o outro em plena quarta-feira útil (Temer), observemos como o Jornal Nacional (JN) – de maior capilaridade junto à população – cobriu cada um desses eventos nos seis dias que os antecederam. A minutagem de cada reportagem está entre parênteses (minutos ´ e segundos ”) e para revisitá-las basta clicar nos títulos.

6 dias antes do julgamento
2016 - Dando início à semana do julgamento do impeachment da presidenta Dilma, em sua edição no dia 11 de abril, o JN concedeu 24 minutos ao tema distribuídos nas reportagens: “Comissão aprova relatório a favor do impeachment da presidente Dilma” (16´44”); “Por descuido, Temer envia a grupos discurso sobre impeachment” (5´02”) veiculando, em rede nacional, os compromissos de Temer com a população; “Impeachment: segurança é reforçada dentro e fora do Congresso” (2´30”), preparando as manifestações para o dia 17; e “Manifestantes contra o impeachment se reúnem no Centro do Rio (50”), com apenas 50 segundos dados ao show no Rio de Janeiro, com a presença de Lula e vários artistas.

2017 – Seis dias antes do julgamento de Temer, na quarta-feira retrasada (26.07), apenas uma reportagem de 3´16” – Temer mantém investida para conquistar deputados indecisos -, divulgando o empenho do atual presidente em conquistar apoio entre os parlamentares. A reportagem traz, em sua maioria, aspas de governistas e não há menção ao mérito do pedido de impeachment. Com raras exceções, essa foi a tônica da Globo para cobrir o julgamento na última semana. No comparativo, é interessante observar como as ações de Temer são naturalizadas enquanto estratégia; enquanto as de Dilma, apresentadas como estratagemas visando burlar o processo.

5 dias antes do julgamento

2016 – Na edição do JN de terça-feira, 12 de abril, foram destinados 11´14” à cobertura do julgamento nas reportagens: “Sem citar nomes, Dilma acusa Temer e Cunha de traição e conspiração” (9´59”) e Cunha anuncia que a votação do impeachment será no domingo (17) (1´55”). Naquele dia, Dilma denunciava o golpe à sociedade brasileira. Na edição do jornal, seus argumentos foram entremeados com a fala de vários líderes da oposição, conferindo legitimidade ao processo de impeachment. Nenhum aspecto salientado por Dilma foi debatido de forma mais densa no principal jornal do país.

2017 – Na quinta-feira retrasada (27.07), foram destinados apenas 4´71” sobre o impeachment no Jornal Nacional, distribuídos nas reportagens "Com possível nova denúncia contra Temer, Planalto avalia nova estratégia" (3´14") com aspas de Temer garantindo a aprovação das reformas, da situação criticando a acusação e as estratégias do governo visando “barrar a denúncia de corrupção passiva”, sem menção a Joesley ou declaração da oposição. Também foi dado mais 1´57” em “Governo Temer é ´ruim ou péssimo´ para 70% da população”, que mostra a baixíssima popularidade do atual governo.

4 dias antes do julgamento

2016 – Em sua edição do dia 13 de abril, o JN concedeu 5’08” ao julgamento de Dilma nas manchetes Ordem de chamada para votação do impeachment será por região (5´49”), divulgando o compromisso de Dilma de superar a crise, em meio a informações sobre o rito do processo, introduzindo falas da oposição, no caso, Eduardo Cunha; e Temer pede ao TSE que analise se ele pode ser punido por atos de Dilma (31”), mais uma reportagem dando destaque a Temer, apresentado como antagonista à Dilma, uma posição distinta da apresentação do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), cuja aparição na cobertura nestes seis dias finais foi muito menor do que a de Temer.

2017 - Na sexta-feira (28.07), foram concedidos 6´55” sobre o julgamento. Em “Deputados não podem adiar votação de denúncia contra Temer, diz Maia”, a edição do JN destacava que “os aliados do presidente continuam afinando as estratégias para quarta-feira (2)”, Maia apenas fala sobre o rito do julgamento. Também são divulgados os vídeos de Temer nas redes sociais e mencionado o clima amistoso do jantar no Jaburu.

3 dias antes do julgamento

2016 – A edição de 14 de abril do JN concedeu 16´82” ao tema do impeachment distribuídos na reportagem “STF analisa ações do governo e de aliados de Dilma sobre impeachment” (12´45”) sobre o questionamento da defesa da ex-presidenta junto ao STF, afirmava a reportagem que “o governo e aliados da presidente Dilma Rousseff foram ao STF para tentar mudar as regras da votação e até anular o processo”. A denúncia de Cardozo sobre a ilegalidade e prejuízos à defesa, dada no início da reportagem, acaba esvaziada com a introdução de outras questões relativas ao funcionamento do julgamento. A denúncia foi apresentada, mais uma vez, de forma superficial. Há ainda mais 4´37” na reportagem “Batalha por votos sobre impeachment é acirrada entre deputados”, que cita a frente parlamentar pela democracia, mas a reportagem se encerra com a imagem de Temer recebendo apoiadores no Jaburu.

2017 – Em sua edição de sábado (29.07), o JN concedeu 2´53” ao tema na reportagem “Temer tenta passar imagem de otimismo antes da votação na Câmara” (2´53”), divulgando trecho do terceiro vídeo de Temer disponibilizado nas redes sociais sobre melhorias dos índices econômicos. Encerra com uma frase suave de Maia: “Eu acho que para o próprio governo, encerrar essa matéria na quarta-feira, do meu ponto de vista, é muito importante”.

2 dias antes da votação
2016 – A dois dias do julgamento da ex-presidenta Dilma, em 15 de abril, foram destinados 5 minutos no JN sobre o tema. Foram divulgadas as reportagens “Secretaria de Comunicação cancela pronunciamento de Dilma” (43”) sobre a ação do Solidariedade e do PSDB contra a exibição do pronunciamento de Dilma em cadeia nacional. Nesta edição, em plena semana de manifestações contra o impeachment, o JN deu dois minutos aos protestos favoráveis a Dilma em “Militantes protestam contra o impeachment no DF e em 15 estados” (2´03”), com pouquíssimas imagens aéreas; e também Manifestantes a favor e contra o governo ficarão separados (2´55”) sobre os preparativos de domingo. Foi nesta reportagem que apareceram as ferramentas de trabalho de manifestantes do MST, apreendidas pela PF. A tentativa de criminalização do movimento é evidente.

2017 - Na última segunda-feira, início da semana decisiva para Temer, quando se esperava uma reportagem semelhante àquela do dia 11 de abril de 2016, o jornalismo “combativo” da Rede Globo concedeu apenas 6´59” ao tema em “Governo e oposição ainda traçam estratégias para a sessão de quarta (2)” (3´51”); e “No Planalto, continua a liberação de emendas para deputados aliados” (3´08”). Ambas batem na mesma tecla: a estratégia do governo. Nesta última matéria, inclusive, há uma forte denúncia do deputado Alessandro Molon (Rede - RJ) sobre a liberação de R$ 3,5 bilhões em emendas parlamentares, mas ela é citada sem maior aprofundamento e entremeada pela declaração de governistas.

Dia anterior à votação

2016 – No dia anterior à votação do impeachment de Dilma, em 16 de abril, foram dados 15´53” sobre o tema distribuídos em: “Nas redes sociais, Dilma ataca defensores do impeachment” (5´21”). O pronunciamento é apresentado não como defesa, mas ataque, e a edição daquela noite trouxe os dois antagonistas de Dilma para responde-la em cadeia nacional: Temer que, inclusive, garantiu a manutenção de programas sociais e o aperfeiçoamento do Pronatec e do Fies ( veja o que aconteceu depois); e Aécio Neves (PSDB-MG), até então blindado, que criticou abertamente a ex-presidenta. A reportagem termina em clima de disputa eleitoral: “As próximas horas serão de intensas negociações dentro e fora dos dois palácios: o da Alvorada e o do Jaburu”.

Também foram veiculadas naquele dia: Governo e oposição intensificam a disputa por votos (5´16”); “Manifestantes entram em conflito em frente a hotel de Lula” (0´51”) e “Manifestações acontecem na noite deste sábado (16) pelo país” (43”). Nesta última, para dar visibilidade ao grupo favorável ao impeachment, há uma imagem do acampamento na Avenida Paulista, balanceando as imagens dos protestos em defesa de Dilma no Rio, em Brasília e em São Paulo. Também foram veiculadas as reportagens “Impeachment transforma Brasília em uma cidade dividida” (1´56”); Votação do impeachment começa às 14h de domingo na Câmara (2´33”) e STF ainda recebe recursos na véspera da votação do impeachment (33”), uma curtíssima chamada sobre recursos encaminhados por partidos, entidades e parlamentares contra o processo. Nenhum deles é aprofundado, apenas citados, seguidos da negativa do ministro Celso de Mello.

2017 – Um dia antes do julgamento de Temer, o JN concedeu 9´88” divididos em duas reportagens apenas: Câmara decide se denúncia contra Temer por corrupção vai ao STF ou não (6´50”) sobre os ritos do processo e disputas internas; e No Planalto, Temer emenda reunião atrás da outra para conquistar votos (3”38) com imagem e aspas de Temer se mostrando confiante no resultado do julgamento. Há uma menção a Joesley no final da reportagem, mas veja como ela foi divulgada: “A Procuradoria-Geral da República deu parecer contrário ao pedido da defesa do presidente Michel Temer, que queria ter acesso a todas as gravações de Joesley Batista recuperadas pelos peritos da Polícia Federal. Os advogados de Temer queriam acesso ao material antes da votação de quarta-feira”.

2018 está aí

Em abril de 2016, o golpe foi vendido à sociedade brasileira como uma disputa eleitoral – Dilma versus Temer (apoiado por Aécio) –, o “tudo ou nada” da mídia transformou o julgamento em um espetáculo: o ápice da polarização social alimentada desde 2014. É patente como os argumentos da defesa de Dilma e as mobilizações pró-governo foram apresentadas de forma superficial pelo JN. Na cobertura da última semana, pelo contrário: o julgamento foi praticamente naturalizado, apresentado quase como uma questão de governo, com foco nos ritos do processo e na atuação de Temer, veiculado de forma muito mais favorável do que Dilma no ano passado.

É dentro desse contexto que podemos avaliar a interrupção do JN para que fosse transmitido o julgamento na Câmara da última quarta-feira. De fato, um ato expressivo – o JN nunca foi interrompido desde sua criação em 1969 –, capaz de equilibrar o placar da votação (263 votos favoráveis a Temer ante 227 contrários). Foi patente o constrangimento dos parlamentares, obrigados a responder junto a seus futuros eleitores sobre o apoio a um governo notoriamente corrupto.

No entanto, a seis dias do julgamento, comparadas as duas coberturas, observa-se que o “Fora Temer” do JN não passou de um pastiche. Embora haja um arrefecimento das críticas contra o atual presidente em outros veículos das Organizações Globo, como a Globonews, o JN é quem fala às massas.

É preciso observar o que está sendo dito e, em especial, o que está sendo omitido. Trata-se de uma manipulação que se dá pela omissão: da defesa de Dilma em 2016; do debate contra a austeridade neste 2017; e, certamente, do projeto progressista para o Brasil em 2018. No caso específico da última semana, o que se viu no JN esteve muito aquém do espetáculo montado e da mobilização popular vistas em 2016.

Naquele domingo, o campeonato do Brasileirão tinha sido interrompido pela emissora. As ruas estavam cheias, a população de olhos fixos na tevê, aplaudindo ou xingando cada um dos 367 votos a favor e 137 votos contrários ao impeachment de Dilma. O golpe se materializava, após anos de bombardeiro midiático contra os governos petistas, em meio à polarização incensada pelos veículos da mídia.

Não nos esqueçamos: até outro dia, sair de vermelho nas ruas poderia descambar em agressão física. Convenhamos, este seria um cenário ideal para a direita em 2018, caso as eleições realmente aconteçam. Por que eles uniriam a população em torno do Fora Temer, nesta altura do campeonato?
Posted: 12 Aug 2017 05:58 AM PDT
Por Mauro Santayana, em seu blog:

Enquanto os EUA suspendem a isenção de vistos para 38 países e o número de brasileiros barrados em aeroportos europeus - principalmente os espanhóis - aumenta em quase 10% - foram 923 apenas no primeiro trimestre - ainda há sujeitos que, no primeiro escalão do governo, defendem a isenção unilateral de vistos para países ditos "desenvolvidos", como se tivéssemos que assumir, na "nova ordem" mundial, a condição de cidadãos de segunda classe.

O "trade" turístico que nos desculpe, mas o  diabo está nos "detalhes".

O excitatório frenesi dos vira-latas - que, junto ao entreguismo mais abjeto, não consegue se refrear neste governo - precisa entender que, nas relações internacionais, o limite para o pragmatismo e o déficit de dignidade é o critério de reciprocidade.

Não se deve assegurar ao outro o que ele faz questão - de forma aberta e oficial - de negar-nos.

Especialmente quando somos a quinta maior nação do mundo em território e população e, por mais que a contrainformação fascista e midiática faça questão de ignorar, com mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o quarto maior credor individual externo dos EUA, por exemplo.

Uma condição que se deve, justamente, à atuação de governos que estão sendo goebbelslianamente acusados de terem assaltado e quebrado o país.

Como diriam nossos antepassados, quem muito se abaixa acaba mostrando as nádegas.

No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.
Posted: 12 Aug 2017 05:46 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:



O Brasil está na rabeira do imposto de renda, embora isso não se reflita no contra-cheque do trabalhador.

Isso porque, além da informação dada pela BBC, o leitor deve lembrar que o Brasil possui uma estrutura social mais desigual do que a de qualquer outro país.

Isso acaba distorcendo a distribuição dos impostos.

Os muitos ricos ganham seu dinheiro com ganhos de capital, não com salários.

E os impostos se concentram nos salários, até porque o Brasil é o único país do mundo que não taxa ganhos de capital.

O imposto de renda se aplica duramente a um setor da classe média, que se acha rico e odeia os impostos, porque leu na mídia que a “carga tributária” brasileira é muito pesada.

Então os ricos falam para as famílias da classe média que é melhor o governo “cortar gastos”, ao invés de propor uma distribuição tributária mais justa, que alivie o peso dos impostos para o assalariado e aumente os impostos sobre o capital.

***

Na América do Sul, Brasil só tributa menos a renda que o Paraguai

Posted: 12 Aug 2017 05:35 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Só não vê quem não quer. A base de Temer, depois de salvá-lo da denúncia de corrupção, está se esfarelando e ele já não consegue governar, embora nesta sexta-feira tenha bravateado: “Dizem que sou corajoso. Eu digo que sou mais que corajoso. Sou ousado”. Não tendo cumprido todas as promessas feitas aos deputados antes da votação, Temer enfrenta a má vontade do baixo clero do Centrão, que já bate o pé contra a reforma previdenciária e vem empurrando a aprovação de outras matérias de alto interesse fiscal, como o Refis e a reoneação das empresas. PP, PR e PSD continuam cobrando punição aos infiéis do PSDB, PSB e PPS, partidos que têm ministros no governo mas não entregaram a maioria de seus votos.

A reação já está escancarada, com os “centristas” dizendo coisas assim: "Decidimos não votar a reforma da Previdência. Só retomaremos o diálogo quando o governo resolver quem é base e quem é oposição" (deputado Arthur Lira (AL), líder do PP). Ou assim: “A discussão da Previdência abre a porta para sociedade ir para as ruas, e isso é tudo o que o governo tem que evitar diante de uma segunda denúncia" (deputado Marcos Montes, líder do PSD).

E não é só o Centrão: o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, agora vem apresentando uma inflexão crítica em seu discurso, dizendo por exemplo que não se sente “confortável” com o aumento da meta de deficit fiscal, medida que o governo deve anunciar na semana que vem. “Pelo visto o governo vai anunciar um aumento da meta, o que é muito ruim e mostra que o governo não teve condições de executar seu próprio Orçamento cortando despesas" - disse Maia nesta sexta-feira. Na primeira denúncia ele optou pelo figurino de aliado leal e estoico mas, se vier a segunda, sua conduta pode poder.

Mas Temer não enxerga nada disso. Apesar do risco da segunda denúncia, e da retumbante derrota na questão fiscal apontada por Rodrigo Maia, ele ontem voltou a externar sua autocomplacência: “mais que corajoso, eu sou ousado”. Tão ousado que tem dez ministros sendo investigados pelo STF!

A situação dele então é a seguinte: o estado das contas públicas é desesperador, a base rejeita qualquer hipótese de aumentar impostos, não votará a reforma da previdenciária para ninar o mercado e não aceitará medidas drásticas de corte de despesas. A ingovernabilidade está chegando a galope. Em matéria de debilidade presidencial, nunca se viu um presidente recuar com tanta velocidade como Temer, na semana passada, em relação ao ensaio sobre o aumento do imposto de renda. Todos os sinais são de que a base deu-lhe o que tinha que dar, com o perdão do dia 2, mas não fará mais sacrifícios por ele, que a eleição está aí mesmo. O importante para os deputados agora é aprovar o “distritão” e o fundão partidário para financiar a campanha, e salve-se quem puder. O compromisso que firmaram com o governo, dizem muitos deles, foi em relação à primeira denúncia. Se vier uma segunda, serão outros 500 (figura de linguagem, não confundir com os 500 mil da mala de Loures).

E como vem aí a segunda denúncia, a instabilidade vai se arrastar, sangrando continuadamente o país. Foi diante deste horizonte que Fernando Henrique voltou a sugerir: “se eu fosse ele, pedia antecipação das eleições”. Mas Temer não fará isso, pela razão elementar de que perderia o foro do STF e teria que responder à denúncia de corrupção passiva em primeira instância. A Câmara decidiu apenas que ele não será investigado no exercício do mandato, não o anistiou, como deixou claro o ministro Fachin, ao suspender o processo em relação a Temer, encaminhando o caso de Loures para a primeira instância, já que ele não é mais deputado.

Temer sabe que uma segunda denúncia seria apreciada pela Câmara em condições bastantes piores do que a primeira: a base esgarçou-se e a munição esgotou-se. O estoque de emendas já foi quase todo liberado e os cofres estão vazios. Por isso a guerra contra Janot vai ser pesada. Anteontem, o senador Jorge Viana perguntou ao general Etchegoyen, ministro-chefe do GSI, se a arguição da suspeição de Janot, apresentada pela defesa de Temer ao Supremo, foi baseada em investigações da ABIN. Ele negou. Mas à boca pequena, nos meios governistas, circula o boato de que Temer tem bala na agulha contra o homem das flechas de bambu.
Posted: 12 Aug 2017 05:25 AM PDT
Por Laryssa Sampaio, na revista Fórum:

Fico surpresa a cada notícia sobre a morte de uma pessoa no Brasil. Fico assustada com a violência com que esses crimes são cometidos. Fico pasma com a naturalização da imprensa, governo e da população com a tamanha brutalidade de cada morte.

As manchetes da imprensa causam arrepios. “Travesti enterrada viva”. “Jovem morto a pauladas e chutes”. “Polícia envolvida em chacina”. Isso não é natural. Isso não pode ser aceitável. Norte, Sul, Sudeste, todo o Brasil ensanguentado.

O mapa da violência de 2016 é assombroso, e me permitam usar esses adjetivos ruins. São quase 60 mil mortos anualmente no nosso país. Isso significa que a cada 9 minutos uma pessoa é morta.

Além do número assustador em relação aos homicídios, outros números nos causam horror, quando dizem que somos a quarta maior população carcerária do mundo, com 700 mil presos. Que possuímos mais de 221 mil pessoas presas sem sentença. Que as armas da polícia estão apontadas para a população pobre e maioria negra. E que cerca de 503 mulheres são vítimas de agressões físicas a cada hora no Brasil.

Todos nós acabamos arcando com a responsabilidade de uma sociedade insegura, óbvio, mas essas mortes têm alvo certo. O preço maior dessa conta tem endereço fixo e classe. 61% das mortes são de pessoas pobres e negras. Segundo o mapa da violência, são jovens, homens, pobres e negros os que mais morrem. Essa violência é agravada pela desigualdade social, a falta de emprego, a baixa escolaridade, a urbanização rápida e irregular, drogas ilícitas e armas.

Essa pesquisa mostra, mais uma vez, que a forma como o estado faz o enfrentamento à violência é ineficaz. O aumento da repressão, ao contrário do que muitos esperavam, agrava a violência, provoca o aumento do número de mortes e aprofunda as segregações sociais e raciais.

Talvez seja esse um dos motivos para o governo tratar de forma natural o aumento desses homicídios. Por serem pessoas que são sempre colocadas à margem da nossa sociedade. Por serem trabalhadores ou jovens que, provavelmente, não entrarão em uma faculdade ou tampouco terão um emprego digno com garantia das leis trabalhistas (se é que elas ainda existem!).

Não só isso, é como se já nascessem com os direitos negados. Sem a falta mesmo de perspectiva. Por isso, justifica-se matar! Por isso, não sentimos falta. Isso me lembra muitos amigos da minha idade que se envolveram com o tráfico de drogas e sabiam que seu futuro era a morte. Ou das amigas que com o namorado/marido preso se submetiam a ser ‘avião’ e sofrer ameaças de morte por causa do tráfico.

Enquanto esses números me causam arrepios, principalmente por acreditar que, com o agravamento da crise econômica, política e social que estamos vivendo, esse cenário tende a piorar, o governo federal parece tampar os olhos e ignorar os dados. Faz a opção de destruir tudo o que conquistamos de proteção aos direitos humanos até agora. Nos impõe uma agenda de austeridade, reacionária e anti-povo. Congela as despesas em saúde, educação e seguridade social por 20 anos. Restringe o combate à violência ao combate ao tráfico. Aprofunda a militarização. E consolida o estado como principal produtor e reprodutor da violência.

Enquanto países acima do Brasil no ranking do encarceramento como Rússia e China têm adotado medidas desencarcerantes, conquistando dados deflacionários no encarceramento nos últimos anos e até mesmo os Estados Unidos, que ainda encarceram muito, estão ora diminuindo, ora mantendo marca “estável”, apenas o nosso país está em rota crescente de encarceramento.

Precisamos tomar medidas urgentes para barrar essa violência. E medidas diferentes daquelas propostas por movimentos como o MBL e por pessoas como Bolsonaro, que defendem o encarceramento em massa e o armamento, diferente do que o governo golpista vem implementando. Nós temos que propor e construir uma atualização na política de segurança. Encarar de frente e sem preconceitos o debate sobre o combate às drogas e sua legalização.

Esvaziar do sistema carcerário os presos sem sentença e os com sentença cumprida. Exigir o fim dos autos de resistência. Construir políticas públicas que promovam o apoio e atendimento das famílias dos assassinados ou agredidos por forças policiais. Precisamos debater de fato o nosso sistema judicial penal para que possamos construir penas alternativas e justiça restaurativa.

Ou encaramos e enfrentamos esses dados, não só como números que devem ser interpretados, mas como a garantia do direito ao futuro dos nossos jovens, ou estaremos fadados a viver num país que ignora, despreza, tira o direto ao sonho e mata aqueles que sempre exaltamos como o futuro do Brasil, a juventude.

* Laryssa Sampaio é cearense e moradora de São Paulo (SP). Militante Popular. Feminista. Comunista. Um dia cursou Educação Física, mas desembocou pro lado da Comunicação popular. Militou no movimento Levante Popular da Juventude.
Posted: 12 Aug 2017 05:18 AM PDT
Por Jandira Feghali

A chegada de Michel Temer ao poder é uma gafe, por si só, à História do Brasil. Um vice-presidente que tramou às sombras a derrubada da maior mandatária do país é uma chaga na trajetória democrática de nossa nação. Com o golpe, propostas absurdas foram apresentadas por seu governo ilegítimo durante esses meses, como a emenda do Teto de Gastos, as reformas da Previdência e trabalhista, além dos diversos desmontes da saúde, educação, setor produtivo e de inovação, e a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros gananciosos. Mas Temer também semeou vergonha-alheia em diversos momentos. Vamos ao top 10 das gafes:

1) As mulheres só servem para acompanhar preços de supermercado

Um governo machista desde sua formação inicial, composto majoritariamente por homens, não podia ter um representante melhor. O discurso de Temer mostra que ele desconhece o papel da mulher na sociedade e na política, reduzindo a maior parcela da população a mera contadora de preços dos produtos nas prateleiras. Não foi apenas uma gafe, mas uma demonstração medieval de tratamento.

2) Governos precisam ter marido

Ele não parou na citação preconceituosa sobre as mulheres. Temer foi além e, em entrevista ao Programa do Ratinho, disse que para a economia do país não quebrar, a nação deveria ter um “marido”, como nas famílias. Deus nos livre de um esposo como este senhor, afinal, a economia do Brasil patina em números degradantes, com alto desemprego e desmonte diário de nossa soberania. Além disso, o IBGE já revelou que 40% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres.

3) 'Enchentezinha' no Nordeste

Michel Temer mal deve saber onde é o Nordeste brasileiro, mas em visita à Paraíba, para “inaugurar” a transposição do Rio São Francisco feita durante os governos Lula e Dilma, o golpista registrou mais uma gafe daquelas. Disse que esperava ver uma “enchentezinha” por lá, desta forma, como se uma catástrofe fosse algo desejável para qualquer lugar. O presidente realmente desconhece a realidade do povo mais pobre.

4) Acidente pavoroso

O massacre no presídio Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 pessoas mortas. Mas para Temer, o que ocorreu foi um “acidente” pavoroso. O presidente reforça a visão de que o cidadão ao ingressar no sistema carcerário deixa de ter direitos humanos básicos. Com mais de 700 mil presos, o Brasil ainda integra um vergonhoso ranking dos países com maior população carcerária do mundo. Muitos destes são presos ainda sem julgamento.

5) “Câncer útil”

O governador Luiz Fernando Pezão é um fracasso na gestão do Estado do Rio de Janeiro e ainda teve que ouvir de Temer que a o câncer lhe deixou mais bonito (por ter emagrecido), o que seria algo “útil”. A falta de sensibilidade no peemedebista ultrapassa a fronteira do bom senso e ataca ferozmente a dignidade de milhares de pacientes do país. Não é a toa que a saúde pública em sua gestão vem sendo desmontada ao compasso do apetite do mercado, destruindo a universalidade do SUS.

6) Vai, mas não vai aumentar imposto de renda

A declaração desta semana mostra o quanto Temer é irresponsável. O presidente adiantou que há estudos do Governo para aumentar o imposto de renda. Alguns chegaram a especular a possibilidade de se ampliar o tributo em até 35%. Temer desmentiu acuado sob uma chuva de críticas de todos os lados.

7) Confusão de reis na Europa

A passagem de Michel Temer pela cúpula do G20 foi um dos fatos mais vergonhosos para as relações internacionais brasileiras. Sem realizar acordo algum, ou conseguir reuniões bilaterais com chefes de Estado, ou mesmo ser percebido, o presidente retornou ao país da mesma forma que foi. Contudo, em ida à Noruega, chamou o rei Harald de rei da Suécia. Um horror.

8) A República Socialista e Soviética

Depois que a agenda oficial do Governo informou que o presidente iria para a República Socialista e Soviética, nome usado até 1991, se referiu aos empresários russos como empresários soviéticos. Parece que Temer dormiu no tempo.

9) As desculpas esfarrapadas do diálogo criminoso com Joesley Batista

Temer tentou abafar o peso sinistro do encontro às escuras com o empresário Joesley Batista, mas fracassou. Chegou a divulgar que o empresário teria usado sua idade avançada para ludibria-lo – o que é vergonhoso – e que a conversa que cita o adiantamento da mudança na taxa de juros do país, a compra de silêncio de Cunha com dinheiro sujo e a existência de vazamentos por parte de um procurador não eram nada demais.

10) Temer é vaiado por empresários

Após discursar na abertura do Enaex (Encontro Nacional de Comércio Exterior), no Rio de Janeiro, Temer parece ter se surpreendido com a realidade. Ao proferir as últimas palavras e ir cumprimentar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, um coro de vaias tomou o espaço. Governo vaiado pelo trabalhador e pelo patrão! Temer não passa de um vexame, um erro, que põe em risco o presente e o futuro do nosso país e da nossa gente.

* Jandira Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição.
Posted: 12 Aug 2017 04:44 AM PDT
Por Altamiro Borges

Faleceu nesta sexta-feira (11) o vendedor Sérgio Teixeira da Luz, atropelado após sair de uma festa em Florianópolis no último domingo. Segundo o delegado Otávio César Lima, da Delegacia de Polícia Civil de Canasvieiras, o jovem de 23 anos foi atingido por um carro Audi A3 dirigido por Sérgio Orlandini Sirotsky – um dos herdeiros do Grupo RBS, que possui vários veículos de comunicação no Rio Grande do Sul, incluindo a afiliada da TV Globo. Ainda de acordo com o delegado, o filhinho de papai fugiu do local sem prestar socorro. Apesar da gravidade do fato e da notoriedade do envolvido, jornalões, revistonas e emissoras de rádio e tevê evitam dar destaque para o episódio. A TV Globo, por razões óbvias, faz de tudo para esconder o herdeiro da RBS.

Segundo uma nota da Folha, assinada pelo repórter Jeferson Bertolini, o vendedor estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Celso Ramos, chegou a ser operado, mas não resistiu aos ferimentos no pulmão. “O delegado César Lima informou que, com a sua morte, Sérgio Sirotsky deverá responder a processo por omissão de socorro, lesão corporal e homicídio. O policial disse que está ouvindo testemunhas e esperando resultados de exames toxicológico para ver em qual tipo de homicídio o atropelador será enquadrado. ‘Uma vez comprovado que estava sob efeito de álcool ou droga análoga, ou que estava participando de racha, isso implica em intenção. Aí estamos no dolo eventual [quando se assume o risco de matar]’, disse o policial. Se condenado, a pena pode chegar a 12 anos de cadeia”.

O acidente ocorreu por volta de 5h15 de domingo passado (6), na luxuosa Jurerê, que reúne casas noturnas frequentadas pela elite catarinense. Segundo a Polícia Civil, Sérgio Teixeira e dois amigos caminhavam pelo acostamento da SC-401 para chegar ao ponto de ônibus quando foram atropelados. Os dois amigos se feriram, mas já receberam alta médica. Sérgio Sirotsky fugiu sem prestar socorros e não foi preso na ocasião. Ele se apresentou à Polícia Civil na quarta-feira (9). No depoimento, disse que estava em uma festa, que não bebeu álcool, que ‘teve um branco’ e que não se lembra do ocorrido. Mas só se a Justiça for muita “cega” para acreditar nesta estória. Afinal, como lembra a própria Folha, o herdeiro da RBS é famoso por seus abusos.

“Esta não é a primeira vez que Sirotsky se envolve em caso de polícia em Florianópolis. Em 2010, aos 14 anos de idade, ele e dois amigos adolescentes foram denunciados pelo estupro de uma garota da mesma faixa etária. O caso teve repercussão em todo o país pelo crime em si, pelo fato de um dos envolvidos ser filho de uma policial da cidade e porque o assunto não foi destacado nos veículos de comunicação da família. O estupro foi denunciado por um blogueiro catarinense. Segundo relato dele à época, a garota foi embebedada e estuprada em um imóvel da família Sirotsky, na rua Bocaiúva, um dos endereços mais nobres de Florianópolis. O blogueiro morreu em 2011. A perícia constatou suicídio. Mas até hoje parentes e amigos acreditam em assassinato. Nos jornais, rádios e na emissora de TV que a RBS tinha em Santa Catarina naquele ano, o assunto foi noticiado sem nomes”.

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Posted: 12 Aug 2017 10:32 AM PDT
Por Altamiro Borges

A quadrilha de Michel Temer chegou ao poder graças ao apoio da cloaca empresarial, da imprensa golpista e dos “midiotas” da chamada classe média. E o Judas não tem qualquer pudor “republicano”, como tinham os ingênuos do governo Dilma, para recompensar parte destes setores – com exceção dos “coxinhas” otários. O patronato está sendo beneficiado com a anistia de dívidas, a manutenção da desoneração fiscal, a “reforma” trabalhista que reduz seus custos e outras regalias. Já os barões da mídia tiveram o aumento das verbas publicitárias – somente a revista “QuantoÉ”, a mais descarada na chapa-branquismo, viu sua cota aumentar em 1.384% nos últimos doze meses; no caso da “Veja”, a cota de publicidade cresceu 490%.

Para recompensar os ricaços, Michel Temer não vacila em golpear os tímidos avanços civilizatórios do período recente. Nesta sexta-feira (11), o site UOL publicou uma longa reportagem, assinada pelo repórter Carlos Madeiro, revelando que um dos principais programas sociais dos governos Lula e Dilma é alvo da crueldade do Judas. “O número de beneficiários pagos pelo Bolsa Família em julho registrou a maior redução em relação a um mês anterior desde o lançamento do programa, em 2003. Entre junho e o mês passado, o número de benefícios encolheu em 543 mil famílias... Ao todo, o programa pagou 12.740.640 famílias em julho. O número de bolsas pagas foi o menor desde julho de 2010, quando foram pagas 12.582.844 bolsas. Se compararmos julho de 2014 com o mesmo mês de 2017, houve uma redução de 1,5 milhão de bolsas pagas”.

A redução recorde do número de beneficiários ocorre exatamente no momento em que a crise econômica se agrava no Brasil, jogando milhões de pessoas no desemprego e no desespero. Segundo dados do próprio Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, antes do corte de julho já havia mais de meio milhão de famílias na lista de espera para ingressar no programa. A nova redução do benefício, que “pegou muitos beneficiários de surpresa”, vai agravar ainda mais a miséria e desgraceira nos lares de milhões de brasileiros, como aponta a matéria.

“Na segunda-feira (7), a reportagem do UOL visitou a central do Cadastro Único e do Bolsa Família em Maceió, onde 55,2 mil famílias dependem do pagamento. O município também teve corte no número de beneficiários: em junho, eles eram 57,4 mil. Entre os beneficiários que buscaram resolver problemas, o clima era de grande apreensão. ‘A verdade é que a gente fica sempre esperando uma notícia assim, pois sabe que estão cortando tudo. Até direitos da gente já cortaram’, diz a camareira Rosângela da Silva, 43, que tem três filhos – mora com dois deles – e recebia R$ 124 até junho. ‘Agora cortaram do nada’. Diversos relatos de pessoas que recebiam a bolsa apontam a mesma coisa: não houve informação prévia do corte e as pessoas não foram notificadas para recadastro”.

“Cliwleide Gomes da Silva, 38, é beneficiária desde o início do programa e diz que nunca teve o benefício cortado nesse período. ‘Quando fui sacar agora no dia 27, saiu um papel dizendo que estava bloqueado, não tinha justificativa. Foi o maior susto porque sempre faço tudo direitinho, trago a frequência escolar, cartões de vacina, faço recadastramento’, diz a mulher, que tem dois filhos e depende do benefício para pagar as contas. ‘Minha única renda extra é quando arrumo alguma faxina ou vendo alguma coisa, mas é difícil’, diz... Maria Rosilene da Silva, 41, afirma que teve o benefício cancelado no mês passado. ‘Disseram só que não tinha mais direito’, lamenta. ‘Tenho cinco filhos, e só um é jovem aprendiz. Os demais dependem de mim. Se não retomarem, vou ter de tirar minha filha de seis anos da escolinha’, conta a mulher, que recebia R$ 209 ao mês”.

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Oração fúnebre para o Brasil
Posted: 11 Aug 2017 04:35 PM PDT
José Junior e Aécio Neves. Foto; Divulgação
Por Altamiro Borges

Nas eleições presidenciais de 2014, o ativista cultural José Junior, fundador do Grupo de Ação Social Afroreggae, surpreendeu seus admiradores ao ingressar com ímpeto na campanha de Aécio Neves. Ao lado do cambaleante, ele reforçou o discurso da ética na política proferido pelos falsos moralistas. O tucano, o homem das malas de dinheiro da JBS, viu sua carreira implodir e parece que virou pó. Já José Junior começa a sofrer abalos na sua imagem. Nesta segunda-feira (7), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou ação civil pública (ACP) contra a ONG Afroreggae por improbidade administrativa.

Segundo matéria do Jornal do Brasil, “a ação foi feita por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital e atinge também a ex-secretária de Estado de Educação (Seeduc), Tereza Porto, e a servidora pública Mônica Reis Marzano. O Ministério Público também requereu a indisponibilidade dos bens dos demandados, incluindo José Junior, fundador da ONG, e penhora online, no valor de R$ 2 milhões, de todas e quaisquer contas bancárias deles. A ação aponta duplicidade de plano de trabalho em convênios celebrados entre a Seeduc e o Afroreggae, em 2009”.

No seu despacho, o MPRJ ressalta que Tereza Porto assinou, em 2010, um termo aditivo ao convênio com o Afroreggae com o objetivo de remanejar valores direcionados ao Projeto Papo Responsa, em razão de estar sendo executado em outro convênio. Na avaliação da juíza, o fato “demonstra a falta de planejamento e zelo com o patrimônio público, evidenciado o desperdício do dinheiro público em valor equivalente a R$ 165 mil... A indicação somente das escolas e a quantidade de alunos a serem contemplados com o objeto do convênio não atendeu aos requisitos mínimos legais”.

Ainda de acordo com o Jornal do Brasil, “a avaliação que consta na ação civil pública da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital é de que o referido convênio, que tinha como objeto promover ações de inclusão social e de redução da violência aos alunos da rede em áreas de risco social, ‘gerou enriquecimento ilícito do Afroreggae’”. O JB conclui a matéria com uma importante lembrança. “Amigo e parceiro de trabalho do apresentador Luciano Huck e do economista Armínio Fraga, José Junior foi um dos principais apoiadores do senador Aécio Neves (PSDB) no Rio de Janeiro durante a campanha de 2014 à Presidência da República”.

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