terça-feira, 1 de agosto de 2017

1/8 - Folha Diferenciada DE 31/7

Folha Diferenciada


Posted: 31 Jul 2017 07:53 AM PDT
Por Altamiro Borges

Apesar das ameaças terroristas dos grupos fascistas e do bombardeio midiático, mais de 8 milhões de venezuelanos lotaram os centros de votação neste domingo (30) e elegeram os deputados da nova Assembleia Nacional Constituinte. Uma vitória da revolução bolivariana, uma demonstração do nível de consciência das camadas populares do país vizinho. Segundo o anúncio da presidenta do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, o total de votantes foi de 8.089.320 pessoas, o equivalente a 41,53% do eleitorado. “Foi uma eleição extraordinária, inusual, distinta. O balanço é extremamente positivo, porque a paz venceu, a Venezuela venceu. Apesar da violência, apesar das ameaças, os venezuelanos puderam expressar-se”, afirmou.

Diante de uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Caracas, o presidente Nicolás Maduro parabenizou a eleição em discurso já na madrugada desta segunda-feira (31). Ele enfatizou que o mecanismo constitucional nasceu com a mesma legitimidade que a Constituinte de 1999, baseada na Constituição e com o apoio popular. “Não só tem a força constituinte nacional, mas tem a força da legitimidade, a força moral de um povo que de maneira heroica em condições de guerra foi votar e dizer: queremos paz, tranquilidade... O bravo povo deu uma lição de coragem, de valentia. O que vimos hoje é admirável”, comemorou logo após o CNE divulgar os primeiros resultados da eleição dos 537 deputados constituintes.

Nicolás Maduro voltou a criticar setores da oposição pelos métodos terroristas e chamou à unidade seus setores mais lúcidos, menos fascistas. “Cerremos fileiras para que a Assembleia Nacional Constituinte seja o espaço de diálogo nacional de todos os venezuelanos, da gente honesta que queira paz, da gente sincera... Esta é uma Constituinte para pôr ordem, fazer justiça e defender a paz”. Ele também exigiu respeito à soberania popular do presidente dos EUA, Donald Trump, da União Europeia e de outros direitistas que governam países da América Latina. Os 43 observadores internacionais que acompanharam o dia de votação reconheceram a lisura do pleito e também fizeram um chamado ao mundo para que respeitem a vontade popular.

A violência da oposição fascista

Todos estes apelos em defesa da democracia e da soberania, porém, já esbarram na postura autoritária da direita venezuelana e mundial – incluindo a brasileira. Logo após o anúncio oficial do resultado da eleição, líderes da oposição conclamaram seus seguidores a repetir os protestos violentos em Caracas e outros centros urbanos do país. O empresário Henrique Capriles, que foi derrotado nas últimas eleições presidenciais e nunca aceitou o resultado, já é destaque na mídia imperial e nas suas filiais colonizadas convocando manifestações contra a instalação da nova Constituinte. Os grupelhos fascistas já prometem novos confrontos nas ruas, com barricadas nas vias públicas e outros atentados terroristas.

Dos EUA e de outros países governados por aloprados também partem mensagens de incentivo à violência. Donald Trump, o maluco que chefia a Casa Branca, já anunciou que não reconhecerá o resultado do pleito. Antes mesmo da eleição, na quarta-feira (26), o império já havia imposto sanções econômicas a 13 líderes venezuelanos responsáveis pelo processo constituinte. Já a embaixadora ianque na ONU, Nikki Haley, afirmou que o país não aceita o resultado “dessa fraudulenta eleição” e que ela representa “mais um passo em direção a uma ditadura”. Interessados na imensa reserva de petróleo do país vizinho, os EUA tendem a radicalizar ainda mais as provocações, estimulando novas ondas de terrorismo.

No mesmo rumo, o capacho Aloysio Nunes, “ministro” da Relações Exteriores do covil golpista de Michel Temer, afirmou em nota que a eleição de domingo agrava “ainda mais o impasse institucional que paralisa a Venezuela... Diante da gravidade do momento histórico por que passa a Venezuela, o Brasil insta as autoridades a suspenderem a instalação da Assembleia Constituinte e a abrirem um canal efetivo de diálogo com a sociedade”. Haja cinismo e complexo de vira-lata do tucano golpista do Brasil. Outros países governados pela direita em nosso continente – Argentina, México, Colômbia e Peru – também manifestaram seu desprezo pelo voto popular no país vizinho.

O papel nocivo da mídia colonizada

Nos próximos dias, a direita mundial fará de tudo para desqualificar o rico processo eleitoral na Venezuela. Para isto, contará com a inestimável ajuda dos meios monopolistas de comunicação. Na prática, a mídia colonizada acoberta os terroristas da nação vizinha. Antes do pleito, ela tentou difundir a imagem de que a violência no país foi de exclusiva responsabilidade das forças policiais. Ela escondeu que a maior parte dos atentados, que resultaram em mais de 100 mortes nos últimos meses, foi orquestrada por grupos fascistas. No próprio domingo, durante a votação, a oposição direitista patrocinou cenas de violência em Caracas, com a explosão de bombas e outros atentados que resultaram em mortos e feridos.

Conforme relata Jonatas Campos, correspondente do jornal Brasil de Fato, “a participação popular no processo de eleição da assembleia constituinte neste domingo não foi suficiente para impedir as ações violentas – algumas terroristas - da oposição para provocar, de acordo com a imprensa venezuelana, a morte de 19 pessoas. De acordo com o ministro da Defesa, Padrino López, nenhuma das mortes pode ser atribuída à Polícia Nacional Bolivariana. Da mesma forma, o porta-voz do governo e prefeito do município de Libertador, Jorge Rodríguez, reiterou: ‘É mentira que houve sete mortos em torno do evento eleitoral, é completamente falso, e veja que os guarimberos (manifestantes opositores) tentaram hoje e não conseguiram’”.

Jonatas Campos dá detalhes: “Em uma ação terrorista, pessoas contrárias ao governo de Nicolás Maduro plantaram artefatos explosivos em uma barricada que, ao serem acionados, explodiram ferindo sete efetivos da Guarda Nacional Bolivariana. O ato ocorreu nas proximidades da Praça França, também em Altamira, por volta das 13 horas. Em vídeo divulgado na internet, é possível ouvir os manifestantes comemorando a explosão. Segundo informações do Jornal Ciudad Caracas, cinco civis e sete policiais da Guarda Nacional ficaram feridos e várias motos foram incendiadas pela força dos explosivos. Essa é a segunda vez que uma explosão planejada é realizada contra o corpo da Guarda Nacional Bolivariana. Em 11 de julho, outros sete efetivos da GNB foram feridos com queimaduras de segundo e terceiro grau quando foram atingidos por um artefato em Altamira”.

Estes atos terroristas não foram destaque no "Fantástico" desde domingo na TV Globo. Também não mereceram a repulsa das outras emissoras de televisão e dos jornalões. Na prática, repito, a mídia colonizada acoberta os terroristas! Encerro este texto reproduzindo o corajoso e contundente artigo da senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, e de Monica Valente, secretária de relações internacionais da sigla, publicado na Folha deste domingo (30). Um pouco de sensatez num jornal colonizado e venal que incentiva os forças de direita no Brasil e na Venezuela.

*****

Convocar o povo para decidir seu futuro

A convocação de uma Constituinte na Venezuela tem sido motivo de crítica por parte da oposição do país e do governo sem credibilidade e sem voto do Brasil.

A votação deste domingo (30) naquele país escolherá representantes regionais e de vários setores profissionais, entre eles pescadores e empresários, estudantes e trabalhadores urbanos e rurais, pessoas com deficiência e aposentados.

Mais de 52 mil venezuelanos se inscreveram para concorrer às 500 cadeiras, segundo o Conselho Nacional Eleitoral. O que há de ditatorial num escrutínio direto? Voto é voto, regional, setorial ou nacional.

A Assembleia tratará de temas diversos, como a formulação de um acordo de paz entre governo e oposição, um novo e fundamental modelo para acabar com a dependência do petróleo sobre a economia local, a consagração de direitos sociais, democracia participativa, modificações no sistema judicial, a identidade pluricultural, os direitos da juventude e até medidas para proteção ambiental.

Todas as mudanças terão de ser posteriormente aprovadas em referendo pela população. Mais uma decisão popular, o que parece não ser do agrado do governo ilegítimo do Brasil.

Ao convocar o povo para decidir sobre seu próprio futuro, o presidente Nicolás Maduro afrontou os interesses de quem, invariavelmente, se posiciona contra o uso dos recursos do petróleo na área social.

O governo Maduro, como todas as gestões, tem erros e acertos. Pode-se gostar ou não dele, mas foi eleito pelo voto popular, tem mandato até 2018, como era o de Dilma.

Há pelo menos dois anos, resiste aos golpes da oposição, a qual iniciou um violento processo de desestabilização política que mergulhou a nação no caos. Assim, os opositores de Maduro alimentam uma polarização que deixou mais de cem mortos, de ambos os lados.

Nós, do PT, desejamos que essas divergências possam ser dirimidas de forma pacífica. Outros, infelizmente, apostam no isolamento da Venezuela e no acirramento de seu conflito interno.

Nicolás Maduro não personifica os fardados de alta patente que assombraram nosso continente nos anos 1960 e 70. Seu partido venceu 17 das 18 eleições desde 1998, quando Hugo Chávez ganhou pela primeira vez a Presidência.

Suas atitudes, inclusive, contrastam em muito com a atual experiência de alguns vizinhos latino-americanos, que viram a democracia ruir após golpes parlamentares ou judiciais patrocinados pela união entre as elites econômicas e os partidos conservadores.

O plebiscito organizado pela oposição recentemente não seria possível em uma ditadura sanguinária, conforme seus detratores afirmam que é o governo de Maduro.

A exemplo do que ocorre em outros locais, a elite venezuelana também não quer dividir o bolo com os mais pobres, algo representativo da herança cultural e da colonização dos povos do continente. No entanto, precisará de votos para impor sua agenda diante do governo Maduro.

Aqueles que, aqui no Brasil, clamam por democracia na Venezuela deveriam começar a clamar por democracia também no nosso país, uma vez que ela foi usurpada por um golpe parlamentar que arrancou uma presidenta inocente e legitimamente eleita e que mantém no poder um corrupto comprovado, com altíssima rejeição popular.

Antes de bisbilhotar na casa dos outros, cuidemos da nossa. Na Venezuela, como no Brasil, a solução é o voto.


Altamiro Borges
Posted: 31 Jul 2017 07:07 AM PDT

Dos dez títulos que compõem a lista dos mais vendidos da livraria oficial da Flip, sete foram escritos por autores negros e um deles é uma biografia sobre um autor negro


Fim da Flip, hora de recuperar as panturrilhas, mas também de fazer balanços e, claro, colher os louros. A Travessa, livraria oficial do evento que acabou no último domingo, divulgou a lista dos dez títulos mais vendidos nos quatro dias de festa.
Scholastique Mukasonga, um dos destaques da programação da Flip, emplacou dois títulos na lista dos mais vendidos da Travessa, livraria oficial do evento | © Divulgação / Flip


No topo da lista, Na minha pele (Companhia das Letras), de Lázaro Ramos. Na sequência, aparece A mulher dos pés descalços (Nós), de Scholastique Mukasonga, e Lima Barreto – Triste visionário (Companhia das Letras), biografia do autor homenageado escrita por Lilia Moritz Schwarcz.

Nossa Senhora do Nilo (Nós), também de Scholastique, terminou a Flip em quarto lugar, seguida por Com o mar por meio (Companhia das Letras), de Jorge Amado e José Saramago; Esse cabelo (LeYa), de Djaimilia Pereira de Almeida; Diário do hospício / Cemitério dos vivos (Companhia das Letras), de Lima Barreto; Para educar crianças feministas (Companhia das Letras), de Chimamanda Adichie; O vendido (Todavia), de Paul Beatty, e Bíblia: Novo Testamento – Os quatro Evangelhos (Companhia das Letras), traduzida por Frederico Lourenço.

Importante notar que dos dez títulos, sete foram escritos por autores negros e um deles é uma biografia sobre um autor negro. Interessante observar também que dos dez, seis são da Companhia das Letras.

PublishNews
Posted: 31 Jul 2017 06:45 AM PDT

Governo deve ter maioria em votação na Câmara nesta quarta para deter denúncia por corrupção passiva.
Teme, porém, novas acusações que o procurador deve apresentar nos próximos dias


GIL ALESSI
A novela da crise política brasileira terá, nesta quarta-feira (2), mais um capítulo importante envolvendo um de seus maiores protagonistas, o presidente Michel Temer. Após o recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados retoma suas atividades e deve votar se aceita ou não a denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva no âmbito da Operação Lava Jato. Para que o Supremo Tribunal Federal possa processar o chefe do Executivo é preciso contar com a autorização de ao menos 342 deputados de um total de 513. A sessão de quarta será aberta com a presença de 51 parlamentares, mas o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), só deve abrir a votação quando for atingido o quórum de 342 no plenário. O Governo diz ter números suficientes para barrar a denúncia, mas a oposição tentará desgastar ao máximo a tropa temerista.
Temer e Rodrigo Maia. ALAN SANTOS/PR


No plenário a oposição conta com cerca de 80 votos, caso não hajam deserções nos partidos da base - o que é bastante provável. De qualquer forma, o número é insuficiente para que a denúncia seja aceita. Temer já deu uma demonstração de força ao obter uma vitória acachapante na Comissão de Constituição Justiça e Cidadania da Câmara em 13 de julho, quando o parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava a admissibilidade da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República, foi rejeitado por 40 votos a 25. A votação da CCJC, primeiro passo do processo contra Temer no Congresso, é vista como um termômetro do alinhamento da base do presidente na Câmara. Apesar do placar favorável, o Planalto precisou trabalhar nos bastidores trocando deputados críticos ao Governo por suplentes mais simpáticos a Temer para conseguir vencer de goleada.

O PMDB conta com uma base ampla na Câmara. A legenda tem a maior bancada da Casa, com 62 deputados. Somados estes votos aos de seus principais aliados, PSDB (46), PR (38) e PSD (37), o Planalto conseguiria 183 deputados, número mais do que suficiente para barrar a denúncia. Apesar disso, o Governo continua a agir ativamente para garantir uma nova vitória expressiva. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o próprio presidente tem telefonado para os deputados indecisos na tentativa de convencê-los a rejeitar a denúncia. Mas a ofensiva também é econômica: em meio a uma grave crise financeira, com as contas públicas em estado de penúria, o Governo liberou bilhões de reais em emendas para os parlamentares – indo na contramão do contingenciamento proposto pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.


Tendo em vista o cenário desfavorável, os partidos de oposição têm algumas alternativas para conseguir ao menos uma vitória parcial. Eles podem tentar barrar a votação não registrando presença no plenário. Mas esta manobra dependeria da colaboração de deputados rebeldes da base governista. Pelo regimento da Casa, se somente 257 deputados decidam, a sessão pode ser encerrada. O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (PT-SP), afirma que a oposição irá se reunir nesta terça para definir qual será a estratégia adotada para a votação de quarta. “Se der o quórum para votar nós poderemos ver quem são os deputados da base favoráveis ao afastamento. Isso pode causar uma distensão na base e desgastar ainda mais o Governo”, afirma. Mas de acordo com petista, caso não haja quórum será uma derrota para Temer, pois mostrará a base dividida. “As duas alternativas tem vantagens e desvantagens que precisamos analisar com calma”, afirma.

Zarattini acredita que atualmente 230 deputados votariam pela aceitação da denúncia. “Não é traição na base, é gente que não se sente confortável de defender este Governo, ninguém quer dar a cara a bater”, diz.

Mas a grande aposta dos oposicionistas é fritar os deputados pró-Temer durante a votação, transmitida ao vivo pela TV. Glauber Braga, líder da bancada do PSOL, afirma que uma série de procedimentos definidos por Maia serão questionados antes do início da votação. “Pela proposta de rito apresentada pelo presidente da Câmara os deputados podem dizer, na hora do voto, ‘sim’, ‘não’ ou ‘abstenção’, não terão tempo para a justificativa”, diz. Segundo ele, isso foi feito para blindar a “tropa” de Temer. “É preciso que haja tempo para que os parlamentares expliquem a razão do voto”, afirma. Na visão de Braga, isso poderia pressionar deputados indecisos a considerar suas “bases eleitorais, que estarão assistindo ao vivo pela TV”.

O deputado afirma que o Governo vem trabalhando para que os deputados da base que não são simpáticos a Temer não compareçam no dia da votação. “Nós queremos votar no dia 2, mas nossa estratégia precisa ser bem calculada e levar em conta estas manobras do PMDB e seus aliados”, diz.

O grande temor do Planalto, no entanto, são as próximas denúncias que devem ser apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer: o presidente deve ser alvo de ao menos mais duas. A baixa popularidade do peemedebista (ele é aprovado por 5% da população, segundo levantamento feito pelo Ibope) aumenta o custo político para seus defensores. Principalmente porque, por determinação de Maia, o voto dos deputados na sessão que decidirá a aceitação ou não da denúncia será feito ao microfone, assim como durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, em maio de 2016.

Para Zarattini, do PT, caso sobreviva à primeira denúncia, Temer chegará à segunda em uma situação “dificílima”. “É um Governo em crise. Se sobreviver até o final de 2018 será péssimo para o Brasil”, diz o deputado, ressaltando não acreditar que “Maia seja a solução”.

Caso os deputados votem pela admissibilidade da denúncia, caberá ao STF decidir se Temer se tornará réu ou não. Caberia ao relator da Lava Jato na Corte, ministro Edson Fachin, elaborar um parecer sobre o caso, que seria então votado no plenário. Se o a maioria dos ministros decidir aceitar a denúncia, o peemedebista se torna réu, e fica afastado do cargo por 180 dias. Neste cenário Rodrigo Maia assumiria a presidência.

EL PAÍS Brasil
Posted: 31 Jul 2017 06:29 AM PDT

Michel Temer e seu governo querem fechar a Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu (PR), acabando com importantes esforços de cooperação regional; a instituição recebe estudantes brasileiros e de outros países da América Latina e funciona como um polo agregador para a intelectualidade e a ciência latinoamericana; idealizadores do projeto, Lula, Celso Amorim e Fernando Haddad denunciam nesta segunda o que chamam de crime de lesa-pátria: "Não podemos voltar ao tempo em que o diálogo tinha que passar necessariamente por instituições norte-americanas ou europeias. A integração da América do Sul e da América Latina e Caribe não é projeto de um governo apenas. Nada tem de ideológico. É a realização de um mandato constitucional", escrevem



247 - Idealizadores do projeto da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu (PR), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ex-ministros Celso Amorim e Fernando Haddad publicaram nesta segunda um artigo na Folha de S.Paulo em que denunciam a intenção de Michel Temer e seu governo de fecharem a instituição.

"Não podemos permitir que os povos latino-americanos e caribenhos deixem de dispor de um ponto de encontro para seus jovens intelectuais, professores e pesquisadores.

Não podemos voltar ao tempo em que o diálogo tinha que passar necessariamente por instituições norte-americanas ou europeias", escrvem

Confira abaixo o a íntegra do artigo:

A integração da América do Sul -e mais amplamente da América Latina e Caribe- foi uma prioridade de primeira hora de nosso governo, enunciada de forma clara já no discurso de posse, em 2003.

Seguiram-se ações concretas para o fortalecimento do Mercosul e avanços na integração sul-americana, que teve como um dos principais marcos o Acordo Mercosul-Comunidade Andina.

Deste acordo, nasceria a Casa (Comunidade Sul-Americana de Nações), precursora da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Em dezembro de 2008, alargamos o horizonte da cooperação com a realização da primeira Calc (Cúpula dos Países da América Latina e Caribe), passo inicial para a criação da Celac (Comunidade da América Latina e Caribe).

Não descrevemos todas essas siglas com o objetivo de embaralhar o leitor nessa teia de organizações internacionais. De fato essas foram medidas de grande alcance para que a América Latina pudesse cuidar de seus interesses, sem a tutela de nações ricas que sempre haviam exercido hegemonia sobre a nossa região.

Conflitos potenciais entre países e crises internas puderam ser encaminhados de forma adequada, sem interferências ou imposições de interesses exógenos. A América do Sul ganhou personalidade internacional, promovendo diálogo e cooperação com outras nações em desenvolvimento da África e do mundo árabe.

Faltava coroar o esforço de integração com uma instituição de natureza educativa e cultural, capaz de aproximar os povos da América Latina e do Caribe, a começar pelos jovens. A criação da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu (PR), veio suprir essa necessidade.

A instituição conta com 3.500 alunos matriculados, de diversas partes do Brasil e de outros 19 países da região. Oferece 22 cursos de bacharelado, sete cursos de licenciatura, 13 cursos de pós-graduação.

Em todos os cursos de graduação, a universidade oferece metade das vagas para estudantes brasileiros e metade para estrangeiros. No decorrer deste ano, realizou 160 projetos de extensão e 326 de pesquisa. Tais ações beneficiam mais de 115 mil pessoas de 20 municípios da região-fronteiriça.

É inacreditável que um projeto dessa grandeza, de alto valor simbólico, esteja ameaçado por uma proposta parlamentar que visa a extinguir a Unila, a pretexto de transformá-la na Universidade Federal do Oeste do Paraná.

No entanto, a região já dispõe da Universidade Federal do Paraná e da Unioeste, com campi em dois e em cinco municípios, respectivamente, além do Instituto Federal do Paraná, que oferece formação em nível superior.

A proposta de extinção da Unila está contida na emenda aditiva nº 55, apresentada pelo deputado federal Sérgio Souza (PMDB/PR) a uma medida provisória que versa sobre as regras do Fies.

Vale lembrar que a lei nº 12.189, de 2010, que determinou a criação da Unila, foi aprovada por unanimidade em todas as comissões pelas quais passou.

Não podemos permitir que os povos latino-americanos e caribenhos deixem de dispor de um ponto de encontro para seus jovens intelectuais, professores e pesquisadores.

Não podemos voltar ao tempo em que o diálogo tinha que passar necessariamente por instituições norte-americanas ou europeias.

A integração da América do Sul e da América Latina e Caribe não é projeto de um governo apenas. Nada tem de ideológico. É a realização de um mandato constitucional.

O futuro do Brasil está inevitavelmente ligado ao dos demais países da região. Não há paz sem desenvolvimento, mas tampouco há desenvolvimento sem paz.

E não haverá integração se não apoiarmos iniciativas que aproximem as cabeças pensantes de nossos países.

Fechar a Unila, seja qual for o pretexto, não é apenas um crime contra a jovem intelectualidade latino-americana e caribenha. É um crime de lesa-pátria.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA foi presidente da República (2003-2011)

FERNANDO HADDAD foi ministro da Educação (governos Lula e Dilma) e prefeito de São Paulo

CELSO AMORIM foi ministro de Relações Exteriores (governo Lula)

Brasil 24/7
Posted: 31 Jul 2017 06:18 AM PDT


O EX-SENADOR AMERICANO DAN COATS, diretor de Inteligência Nacional do governo Trump, causou grande surpresa na última sexta-feira no Fórum de Segurança de Aspen ao falar a verdade sobre a política externa norte-americana.

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, 33, não é louco, segundo Coats. “Há uma lógica por trás de seus atos”, afirma. Segusndo ele, o líder do país asiático baseia suas ações no fato de os EUA já terem demonstrado que a Coreia do Norte precisa manter seu arsenal nuclear para garantir “a sobrevivência do regime”.

“Penso que Jong-un percebeu a capacidade de barganha das nações que possuem armas nucleares, que têm um grande poder de dissuasão”, afirma. E acrescenta: “A lição que aprendemos com a Líbia, que desmantelou seu programa nuclear, (…) foi infelizmente esta: se você tem bombas atômicas, nunca deve se desfazer delas. Se não tem, trate de obtê-las.”

Trata-se de uma evidência gritante, principalmente depois da derrubada, com a ajuda dos EUA, do longevo ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, em 2011. Porém essa realidade nunca – ou quase nunca – havia sido reconhecida por um alto funcionário do governo americano. Vamos à sequência cronológica dos fatos:

Em dezembro de 2003, a Líbia anunciou a entrega de seus estoques de armas biológicas e químicas, bem como o desmonte de um rudimentar programa de armas nucleares.

Comemorando a decisão, o então presidente americano, George W. Bush, declarou: “Aqueles líderes que abandonarem a busca por armas químicas, biológicas e nucleares – e seus vetores de lançamento – encontrarão um caminho livre para a melhora das relações com os Estados Unidos e outras nações democráticas”. Paula DeSutter, secretária de Estado adjunta de Verificação e Conformidade do governo Bush, explicou: “Queremos que a Líbia sirva de exemplo para outros países”.

Em 2011, os Estados Unidos, a ONU e a Otan realizaram uma série de bombardeios para ajudar os insurgentes líbios a derrubarem o governo. O próprio Gaddafi foi capturado por uma facção rebelde – o ditador teria sido sodomizado com uma baioneta e depois assassinado.

Um acontecimento como esse deve ter atraído a atenção da cúpula do governo norte-coreano, que também viu o Iraque ser desarmado e invadido – e seu ditador executado por uma multidão em fúria.

De fato, a Coreia da Norte chegou a comentar o caso publicamente, à epoca. O ministro das Relações Exteriores do país declarou: “A crise líbia é uma grave lição para a comunidade internacional”. Segundo ele, o acordo que levou à entrega das armas de destruição em massa da Líbia havia sido “uma tática para desarmar o país”.

Mas o governo Obama negou esse fato descaradamente. Um repórter disse ao então porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, que os norte-coreanos não viam o que estava acontecendo como um incentivo para desistir de seu programa nuclear. “A situação atual da Líbia não tem absolutamente nenhuma ligação com o abandono de seu programa e arsenal nucleares”, respondeu Toner.

Mas os norte-coreanos sabem ler; portanto estão perfeitamente a par das motivações da elite da política externa americana, que já explicou em diversas ocasiões por que os EUA desejam o desarmamento de países pequenos. Não é por medo de que os EUA sejam atacados por armas de destruição em massa, pois nações como a Coreia do Norte sabem que seriam imediatamente aniquiladas. Em vez disso, os mandachuvas norte-americanos dizem abertamente que o problema reside no poder de dissuasão do armamento não convencional – eles desestimulam um ataque dos EUA a países menores e mais fracos.

muitos exemplos disso. Por exemplo, em uma circular de 2001, o então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, declarou:

“Muitas dessas [pequenas nações inimigas] são ferrenhamente hostis aos Estados Unidos, e estão se armando para nos dissuadir de usar forças convencionais e nucleares para intervir em crises regionais (…).
“O acesso universal a essas tecnologias [de armas de destruição em massa] pode engendrar respostas ‘assimétricas’ que, embora não possam derrotar nossas forças, podem cortar o acesso a áreas cruciais na Europa, Oriente Médio e Ásia. (…) uma abordagem ‘assimétrica’ pode limitar a nossa capacidade de empregar nosso poderio militar.”

O think tank Project for a New American Century – um grupo de pressão neoconservador que teve muita influência sobre o governo de George W. Bush – reiterou essa posição em um influente artigo intitulado “Reconstruindo as Defesas Americanas”:

“Os Estados Unidos também devem contrapor-se aos efeitos da proliferação de mísseis balísticos e armas de destruição em massa, que em breve poderão permitir que Estados menores exerçam uma influência dissuasiva sobre o exército americano, ameaçando nossos aliados e até o próprio território nacional. De todas as missões atuais e vindouras das forças armadas dos EUA, essa deve ser prioritária.”
“No mundo pós-Guerra Fria, em vez da União Soviética, os Estados Unidos e seus aliados se tornaram a principal ameaça à defesa de nações como Iraque, Irã e Coreia do Norte – os países que mais tentam desenvolver armamento com poder de dissuasão.”

O próprio Dan Coats reconhece isso em um artigo de opinião de sua coautoria, publicado em 2008. “Uma República Islâmica do Irã com armamento nuclear será estrategicamente insustentável”, escreve ele, mencionando o efeito dissuasivo das armas não convencionais. “Para evitar que o Irã adquira a capacidade de nos dissuadir, talvez tenhamos que atacá-los”, explica.

Veja o vídeo e a transcrição dos comentários de Coats abaixo:


Fonte: The Aspen Institute

DAN COATS: Isso é uma potencial ameaça à existência dos Estados Unidos e é uma séria preocupação.
LESTER HOLT: Em relação às opções à nossa disposição, sabemos que não temos muitas. Muitas delas têm a ver com tentar entender a cabeça de Kim Jong-un, mas suponho que poucas coisas sejam tão difíceis quanto tentar prever o comportamento de alguém.
COATS: Ele tem demonstrado um comportamento que gera certos questionamentos em relação a que tipo de pessoa ele é, como pensa e como se age. Mas chegamos à conclusão de que, embora um tipo muito incomum, louco ele não é. Há uma lógica por trás de seus atos – a lógica da sobrevivência do seu regime, a sobrevivência do seu país. Penso que Jong-un percebeu a capacidade de barganha das nações que possuem armas nucleares, que têm um grande poder de dissuasão. A lição que aprendemos com a Líbia, que desmantelou seu programa nuclear, e com a Ucrânia – que fez o mesmo – foi infelizmente esta: se você tem bombas atômicas, nunca deve se desfazer delas. Se não tem, trate de obtê-las. Estamos vendo muitos países tentando adquiri-las atualmente – e nenhum deles com mais afinco do que a Coreia do Norte…
Foto do topo: O líder norte-coreano Kim Jong-un inspeciona a unidade de comando 534 do Exército Popular da Coreia em 12 de janeiro de 2014.

Tradução: Bernardo Tonasse


The Intercept Brasil


Posted: 31 Jul 2017 06:01 AM PDT

Congresso em Foco
Bolsonaro diz que sua ida para o PEN está 99% encaminhada

Pré-candidato à Presidência, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) acertou sua transferência para o Partido Ecológico Nacional (PEN). Os três filhos dele com mandato político – o também deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), o deputado estadual Flávio Bolsonaro e o vereador do Rio Carlos Bolsonaro – devem seguir o mesmo caminho. A filiação deve ser assinada em duas semanas, segundo dirigentes da legenda.


Para se adequar ao perfil mais conservador do eleitorado de Bolsonaro, o PEN prepara mudança de nome. A tendência é que ressuscite o Prona, partido do recordista de votos na Câmara, Enéas Carneiro (SP), eleito em 2002 com o apoio de 1,57 milhão de eleitores. Enéas também disputou a Presidência três vezes (1989, 1994 e 1998). Outras denominações são estudadas pelo PEN, como Partido da Defesa Nacional ou Pátria Amada Brasil.

A saída de Bolsonaro do PSC foi antecipada em novembro do ano passado pelo Congresso em Foco. A relação do parlamentar com o presidente da sigla, Pastor Everaldo, que disputou a eleição presidencial em 2014, estava desgastada. Everaldo resistia a garantir ao deputado legenda para concorrer ao Planalto em 2018. Bolsonaro também estava contrariado com a coligação do PSC com o PCdoB e o PT em alguns municípios em 2016.

O deputado confirmou o acerto com o PEN em entrevista ao site O Antagonista. “Houve (o acerto). É verdade”, declarou. “É igual a um noivado. Você marcou a data do casamento. Em 99% das vezes, você casa”, emendou. Os números do PEN, por enquanto, são discretos: tem três deputados federais, 14 prefeitos e 13 deputados estaduais. Como mostra a nova edição da Revista Congresso em Foco, o deputado também tem produção legislativa pífia em seus 26 anos de mandato na Câmara.

Registrado em 2012, o PEN tem forte ligação com os evangélicos e chegou a oferecer abrigo à ex-senadora Marina Silva quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou a criação da Rede a tempo de ela disputar a eleição presidencial de 2014. Marina optou pelo PSB, em aliança com o então candidato Eduardo Campos (PSB), falecido em agosto daquele ano em um desastre aéreo. Com a morte de Campos, ela deixou a condição de vice para assumir a vaga dele e terminou a disputa na terceira colocação.

Há duas semanas Bolsonaro disse que namorava alguns partidos e que seu provável destino seria o PSDC, presidido por José Maria Eymael, que disputou a Presidência da República quatro vezes (1994, 2006, 2010 e 2014). Mas o flerte não foi correspondido. Por meio nota, a Executiva do Diretório Nacional da legenda negou que tivesse interesse na filiação do deputado: “Não existem esses entendimentos e não há interesse da Democracia Cristã”. Além disso, o partido afirma que terá candidato próprio nas eleições de 2018 e que a escolha se dará “entre os seus atuais filiados”, que será indicado no 7º congresso nacional da sigla a ser realizado em agosto.



Congresso em Foco
Posted: 31 Jul 2017 05:49 AM PDT

É como se alguém consumisse exatamente as mesmas coisas por 20 anos, sem mudança nos hábitos ou nas necessidades e todos os preços aumentassem à mesma taxa. Sem poder cortar mais em custeio e investimentos, o governo partirá para as despesas obrigatórias



Além de já estar causando uma série de confusão na mídia sobre o aumento permitido para os gastos públicos, a elaboração do orçamento federal para 2018, sob as regras do teto dos gastos, vai exigir manobras que prejudicarão ainda mais a economia e a população brasileira. No relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2018, que dá as orientações de como o orçamento deve ser preparado, o deputado Marcus Pestana (PSDB/MG) afirma que haverá R$ 39 bilhões “a mais” para gastar ano que vem, enquanto a equipe técnica do governo indica que, na prática, esse valor é de R$ 80 bilhões.

Entendamos os números. De acordo com a Emenda Constitucional 95 (EC 95), a base de cálculo do teto para 2017 foi o valor das despesas primárias pagas do Governo Central[1]no final de 2016 (dinheiro que saiu efetivamente dos cofres públicos) corrigidas pela inflação acumulada, o IPCA, de jul/2015 a jun/2016. Em 2016 essas despesas foram de R$ 1.214,4 bi e o IPCA de 7,2%, o que determinou o limite para 2017 de R$ 1.301,8 bi (R$ 1.214,4 x 1,072 = R$ 1.301,8).

Já para 2018 a correção foi feita pelo limite de 2017 e não pelo valor pago em 2017 – e essa é a regra que valerá a partir de agora. Com o IPCA acumulado de jul/2016 a jun/2017 de 3%, o limite na LDO para 2018 é de R$ 1.340,9 bi. O governo central tem, portanto, R$ 39 bi “a mais” que pode aumentar no orçamento das despesas primárias sobre as quais incidem o teto para o ano que vem. Como não são todas as despesas primárias que estão sob o teto[2] e como tampouco entram no teto as despesas financeiras (pagamento de juros, amortizações e refinanciamento da dívida) o orçamento de 2018 como um todo provavelmente terá um adicional de gastos maior que os R$ 39 bi.

A equipe econômica do governo, por outro lado, faz uma estimativa de que as despesas efetivamente realizadas em 2017 ficarão abaixo do limite. Ou seja, por conta de frustração de receita prevista para 2017, devido à recessão, e por causa da meta de déficit primário, os R$ 1.301,8 bi do teto não serão efetivamente gastos. Quando se compara essas estimativas para o gasto em 2017 com o limite aprovado para 2018, o valor, segundo os técnicos do governo, é de R$ 80 bi. Ou seja, teriam, na prática, R$ 80 bi “a mais” para 2018 do que acham que vão gastar efetivamente em 2017.

Coloco o “a mais” entre aspas porque é um gasto público que aumenta apenas nominalmente, repondo a inflação, e não vai crescer em termos reais, no agregado, fazendo jus à orientação geral da EC 95: congelar o poder de compra do gasto primário até 2036 no mesmo patamar de 2016. É como se alguém consumisse exatamente as mesmas coisas por 20 anos, sem mudança nenhuma nos hábitos ou nas necessidades e como se todos os preços aumentassem na mesma taxa.

De qualquer modo, sendo R$ 80 bi ou R$ 39 bi “a mais”, o montante não será suficiente, como o próprio relator afirma, para pagar as despesas primárias obrigatórias que crescem de maneira vegetativa, como, por exemplo, o gasto com pessoal ou com os benefícios da previdência. Essas despesas crescem ano a ano devido aos reajustes dos salários, dos valores dos benefícios previdenciários, ou para dar conta dos planos de carreira dos servidores ou do aumento no número de beneficiários, entre outros motivos. Na média de 1997 a 2016 o gasto com pessoal cresceu 10,3% e o de benefícios previdenciários 13,4% ao ano em termos nominais. Em termos reais, descontados pelo IPCA, o crescimento médio anual foi de 3,6% e 6,4%, respectivamente. Como então acomodar esse crescimento vegetativo no orçamento de 2018 tendo em vista o teto (crescimento nominal de 3% = crescimento real de 0%)?

De imediato, o governo pode reduzir os gastos com as despesas discricionárias (custeio e investimento) e realocar os recursos nas despesas obrigatórias, mantendo o total das despesas sujeitas ao teto dentro do limite. O problema (adicional) é que o governo historicamente já corta os investimentos e o custeio para pagar juros e cumprir com as metas do resultado primário e esse corte é insuficiente para satisfazer também com o teto. O governo tem duas regras, dois limites, e apenas uma “via de escape”.Por isso, o relator da LDO já indica a necessidade de cortes nas despesas obrigatórias!

As despesas obrigatórias só podem ser cortadas se houver mudanças nas legislações, desde alterações em leis específicas a mudanças na Constituição. A EC 95, que foi amplamente reprovada em consulta popular, mas imposta pelo governo, só se sustenta na execução orçamentária se o governo tiver raio de manobra para cortar gastos. Ele não tem e a LDO de 2018 já mostra isso. Assim, também por causa dos problemas de execução orçamentária o governo enfiou goela abaixo da população reformas como a trabalhista, tenta fazer o mesmo com a reforma da previdência, provavelmente vai tentar desvincular os benefícios previdenciários do salário mínimo e ainda alterar sua regra de reajuste. O povo sofrendo por uma regra que não tem sentido econômico nenhum.

O governo federal já não investe na economia para gerar resultado primário e tentará deixar de pagar despesas obrigatórias para não ultrapassar o teto dos gastos. Essa é a lógica que a EC 95 reforça: diminuir cada vez mais a participação do Estado em todas as áreas por meio da limitação orçamentária. A LDO indica que a elaboração do orçamento para o ano que vem será caótica e ineficiente e, por consequência, deixará a aplicação dos recursos ainda mais precária e insatisfatória. O teto não se sustenta frente à própria dinâmica orçamentária e muito menos frente às demandas do país.

Notas

[1]Tesouro Nacional, INSS e Banco Central.

[2]Lembrando que as despesas primárias correspondem basicamente a gastos com pessoal e encargos, previdência, custeio e investimento. Despesas primárias com transferências constitucionais (como o Fundeb, o Fundo de Desenvolvimento do DF, etc.), créditos extraordinários, gastos com eleições e despesas com aumento de capital das estatais não dependentes não entram no cálculo.

Crédito da foto: EBC



Brasil Debate
Posted: 31 Jul 2017 03:30 AM PDT

Mas é preciso considerar que no Baixo Santa Cecília mente-se muito.


  • A notícia de que Henrique Meirelles abiscoitou R$ 270 milhões só no ano passado como “consultor” (dos quais R$ 50 milhões amealhados quando já era ministro da Fazenda) foi vazada pelo Palácio do Planalto – ABIN, GSI etc.
  • A causa? A arapongagem palaciana descobriu que o jurista Meirelles está mesmo conspirando contra Michel Miguel, em contubérnio com Rodrigo Maia, o “Botafogo”, para permanecer no cargo no golpe pós golpe e, quem sabe, disputar as eleições de 2018.
  • Michel Miguel já acertou a sucessão fazendária. O nome é Armínio Fraga. Nós do Nocaute/Foicebook defendemos: George Soros para ministro da Fazenda. Chega de intermediários.

Nocaute


Posted: 31 Jul 2017 03:07 AM PDT


O Globo





Manchete : Reforço na segurança reduz roubo de carga


Operações militares diminuíram em 30% os assaltos a caminhões, mas índice ainda é alto

Após reunião e sobrevoo de áreas patrulhadas da cidade, Temer diz que a violência já caiu como um todo. Apesar dos bloqueios com soldados, Avenida Brasil teve arrastão e assalto em ônibus

Em visita relâmpago ao Rio, o presidente Michel Temer disse que a presença das Forças Armadas já provocou a queda da criminalidade, em especial do roubo de carga. Registros da Polícia Civil mostram que este tipo de crime caiu para 30 ocorrências na sexta-feira e no sábado, contra 43 nos mesmos dias da semana passada. Mas a presença dos militares não impediu um assalto a 20 passageiros em um ônibus e um arrastão a motoristas na Avenida Brasil. (Págs. 7,8 e 9)



Visita para reforçar imagem antes de votação


Presença do presidente no Rio é parte da estratégia de conquistar votos para derrubar denúncia na Câmara. (Pág. 3)



Violência domina eleição na Venezuela


Pelo menos 14 pessoas morreram em dia de protestos contra a eleição da Assembleia Constituinte na Venezuela. Vários países rechaçaram o processo. No Brasil, o Itamaraty lamentou o "desrespeito ao princípio da soberania popular'! (Pág. 23)



O amigo do comandante


Odebrecht

Delação de ex-executivo da empresa na Venezuela, que foi próximo a Hugo Chávez, revela rede de relações políticas e doações ilegais de campanhas, conta Guilherme Amado. (Pág. 4)



Empresas terão que renegociar até R$ 150 bi


Com a crise prolongada, empresas que renegociaram suas dívidas há um ou dois anos já precisam voltar a conversar com credores. Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal indica que as companhias terão de reestruturar de R$ 125 bilhões a R$ 150 bilhões em débitos, o que pode dificultar a retomada da economia. (Pág. 17)



Santos Dumont vai a leilão em 2018


O governo espera arrecadar R$ 2 bilhões com a concessão do Aeroporto Santos Dumont. Ele será incluído na próxima rodada de leilões, no ano que vem. Falta definir se será oferecido sozinho ou em conjunto com outros terminais. (Pág. 19)



Petrobras venderá campos históricos


Para reduzir seu endividamento, a Petrobras pôs à venda 30 campos de petróleo em águas rasas. Entre eles, está o de Guaricema, onde começou a exploração no mar no Brasil, e o de Enchova, primeiro a produzir na Bacia de Campos. (Pág. 18)



Rússia expulsa americanos


O presidente Vladimir Putin anunciou que 755 diplomatas americanos terão que deixar o país, em retaliação à aprovação de uma lei que reforça sanções a Moscou. (Pág. 24)



Velódromo em chamas


Um balão pode ter sido a causa do incêndio que atingiu o Velódromo, no Parque Olímpico. Perícia avaliará se pista foi danificada. (Pág. 12)


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O Estado de S. Paulo





Manchete : Eleição na Venezuela tem 10 mortes e abstenção elevada


Ausência de eleitores é vista como um protesto; EUA dizem que país está dando ‘passo em direção à ditadura’

A eleição para a composição da Assembleia Constituinte na Venezuela foi marcada por elevada abstenção, protestos e ao menos 10 mortes entre sábado e ontem. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE), controlado pelo chavismo, anunciou no início da madrugada de hoje que 8.089.320 pessoas participaram da votação, 41,53% dos 19,5 milhões de eleitores. Durante todo o dia, o que se viu foram poucas pessoas aguardando para votar. A alta abstenção é interpretada como protesto dos venezuelanos contra os planos do presidente Nicolás Maduro de reescrever a Constituição. Pesquisas de opinião recentes indicam que 70% dos venezuelanos são contra a Constituinte, que a oposição considera uma manobra de Maduro para se perpetuar no poder. A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que a Venezuela está dando “um passo em direção à ditadura”. (Internacional A9 a A12)

ARTIGO - Nicholas Casey

O presidente Nicolás Maduro segue um plano radical para consolidar o controle sobre a nação: criou um órgão com poder de reorganizar – ou desmantelar – qualquer ramo do governo que pareça desleal. (A10)


Bancadas ‘boi, bala e Bíblia’ ampliam pedidos ao governo


Os deputados ligados às chamadas bancadas “BBB” (boi, bala e Bíblia), que representam 80% dos que não declararam voto em relação à admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer, ampliaram suas reivindicações junto ao governo. Temer já atendeu pedidos dos ruralistas e poderá apoiar outras demandas, como a transformação do aborto em crime hediondo e a revogação do Estatuto do Desarmamento. (Política A4)


De volta ao comando


O senador Aécio Neves deverá retomar em agosto a presidência do PSDB para coordenar eleição de seu substituto e tentar evitar que sigla deixe governo. (A6)


'A Odebrecht não vai acabar'


Entrevista l Luciano Guidolin

PRESIDENTE DO GRUPO ODEBRECHT

Ao mesmo tempo em que tenta recuperar a credibilidade, após os escândalos da Lava Jato, o grupo Odebrecht quer atrair um sócio e estuda abrir o capital da construtora, ainda a maior do País. Os desafios estão nas mãos de Luciano Guidolin, novo presidente do grupo e substituto de Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba. “É possível atuar numa conduta ética e transparente”, disse a Renée Pereira e David Friedlander. (Economia B1)

O império encolheu

Desde 2014, a receita da Odebrecht recuou 13%, para R$ 90 bilhões, e quase 100 mil foram demitidos. (B3)


Petroleiras são alvo de piratas no eixo Rio-SP (Economia B4)





Putin expulsa 755 diplomatas americanos após sanções


Vladimir Putin anunciou ontem que 755 diplomatas americanos devem deixar a Rússia. Também serão fechados dois prédios pertencentes à Embaixada
dos EUA. Na quinta, o Senado americano aprovou lei que reforça sanções contra a Rússia. Putin disse que, “no momento”, é contra novas represálias, mas elas não foram descartadas. (Internacional a12)


Cida Damasco


Governo deve se equilibrar entre a administração da crise e pautas ao gosto do mercado (Economia B6)


Notas&Informações


Na escuta da lei - Relatório da PF sobre gravações que o ex-senador Sérgio Machado fez de conversas com políticos manifesta um bom senso cada vez mais raro na aplicação da lei penal (A3)

A estabilidade no serviço público - Já passou da hora de o Brasil discutir seriamente a questão da estabilidade no serviço público, princípio absolutamente desvirtuado (A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete : PF aponta falhas nas delações da Odebrecht


De acordo com órgão, problemas comprometem as investigações dos crimes

A Polícia Federal identificou falhas nas delações da Odebrecht que, em sua avaliação, dificultam e comprometem a apuração dos fatos que ex-executivos do grupo relataram à Procuradoria-Geral da República. Investigadores destacam, entre outros fatos, a mudança de versão por parte de alguns delatores e a falta de acesso da PF aos sistemas que embasaram as planilhas de repasses de dinheiro a parlamentares. Em relatórios parciais, policiais apontam outros problemas, como a ausência de documentos que comprovem as narrativas dos colaboradores e a apresentação de material que já fora apreendido na Lava Jato. Além disso, a PF considera exagerada a quantidade de delatores. Em uma só leva, 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht assinaram acordos de colaboração em dezembro de 2016. Para a PF, o número não deveria ter passado de seis nomes, entre os quais Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, Hilberto Mascarenhas, chefe do setor de propina, e Benedicto Júnior, que comandou a Odebrecht Infraestrutura. Segundo a Folha apurou, a PF se manifestará contra a concessão de benefícios a delatores por falta de eficácia dos relatos. (Poder A4)

LEANDRO COLON

Naufrágio da investigação ampliaria ainda mais a sensação de impunidade (Opinião A2)


Entrevista da 2a. - Eliseu Padilha : 'É perfeitamente possível governar sem o PSDB'


O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) afirma que o Planalto deseja a permanência do PSDB na base aliada, mas diz ser “perfeitamente possível” governar sem a sigla. Segundo o peemedebista, o governo está pronto para votar a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer nesta quarta (2) na Câmara. Mas insiste que cabe à oposição conseguir o quorum mínimo. Ele diz ser natural que o governo exonere pessoas indicadas por deputados que votarem contra Temer. (A12)


Temer indica que tropas ficarão no RJ até fim de 2018


No Rio, Michel Temer indicou que pretende renovar atê o fim de 2018 a autorização para as F orças Armadas atuarem na segurança pública do Estado. O documento que permite a presença dos militares vale só para 2017, mas, segundo o presidente, isso se deve apenas a questões orçamentárias. (Cotidiano B3)


Juro menor força queda de taxa de gestão de fundos


A queda dos juros no país vai provocar a redução das taxas de administração dos fundos de renda fixa. A Selic de um dígito tem impacto no ganho desses produtos e pode levar investidores a buscar aplicações com retorno maior. (Especial pág. 1)


Saque de contas inativas do FGTS se encerra hoje (Mercado pág. 7)





Com mortos e baixa adesão, Venezuela vota em Constituinte


Com ao menos dez mortos e taxa de comparecimento estimada pela oposição em 12%, a Venezuela realizou a eleição de nova Assembleia Constituinte, relata a enviada Sylvia Colombo. O número oficial de adesão, divulgado na madrugada, é de 40%. No fim da tarde, a votação foi prorrogada por uma hora, e 0 presidente Nicolás Maduro pediu que as pessoas fossem às umas. (Mundo A9)



Em SP, mortes por atropelamento aumentam 21%


As mortes por atropelamento na cidade de São Paulo aumentaram 21% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2016. Segundo dados do Infosiga, programa do Estado, os acidentes fatais passaram de 184 para 223. (Cotidiano B1)


Juca Kfouri


Balão começa a achar solução para o legado dos Jogos (B9)


Mato Grosso registra recorde em safra de algodão (Especial págs. 2 e 4)





Editoriais


Leia “Um dígito”, sobre decisão do BC de reduzir taxa de juros a 9,25%, e “Carga roubada”, acerca de aumento de crimes no Estado de São Paulo. (Opinião a2)


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Mídia
Posted: 30 Jul 2017 07:35 PM PDT

Durante votação, oposição faz ato terrorista em Caracas; ações deixam mortos no país


Ministério Público venezuelano informou que vai investigar o caso e reconhece a morte de oito pessoas

por Jônatas Campos, de Caracas (Venezuela), no Brasil de Fato

A participação popular no processo de eleição de uma assembleia constituinte neste domingo (30) na Venezuela não foi suficiente para impedir as ações violentas — algumas terroristas — da oposição do país e provocar, de acordo com a imprensa venezuelana, a morte de 19 pessoas.

Em uma ação terrorista, pessoas contrárias ao governo de Nicolás Maduro plantaram artefatos explosivos em uma barricada que, ao serem acionados, explodiram ferindo pelo menos sete efetivos da Polícia Nacional Bolivariana.

O ato ocorreu nas proximidades da Praça França, em Altamira, por volta das 13h (horário local, 14h de Brasília).

Em vídeo divulgado na internet (no topo), é possível ouvir os manifestantes comemorando a explosão.

Segundo informações do Jornal Ciudad Caracas, cinco civis e sete policiais da Guarda Nacional ficaram feridos e várias das motos foram incendiadas pela força dos explosivos.

Essa é uma segunda vez que uma explosão planejada é realizada contra o corpo da Guarda Nacional Bolivariana. Em 11 de julho, outros sete efetivos da GNB foram feridos com queimaduras de segundo e terceiro grau quando foram atingidos por um artefato, também em Altamira.

Às 17h20 (horário local, 18h20 de Brasília), nossa reportagem percorreu avenidas do município Chacao, no leste do país, perto de onde ocorreu o ataque à polícia bolivariana.

As ruas secundárias estavam todas impedidas. Apesar de muitas barricadas, o clima estava tranquilo entre os manifestantes. Havia camionetes da Cruz Vermelha da Venezuela percorrendo cada uma das barricadas, como se estivesse protegendo os manifestantes.

“Está tranquilo agora, mas logo mais começa a briga”, disse o taxista.

Mortes

Neste domingo, a imprensa venezuelana tem divergido, durante todo o dia de hoje, sobre o número de mortos relacionados aos conflitos. Levantamentos iniciais apontam que 19 pessoas teriam morrido, todas relacionadas com ataques violentos contra o processo Constituinte.

O Ministério Público informou que vai investigar o caso e reconhece a morte de oito pessoas, sendo três no estado fronteiriço de Táchira, três em Mérida, uma em Lara e uma em Sucre. De acordo com o organismo, em Táchira estão sendo investigadas as mortes de dois adolescentes, um de 13 e outro de 15 anos, ambos por armas de fogo, que teriam ocorrido durante manifestações realizadas hoje.

Ainda de acordo com o Ministério Público, dois policiais municipais de Cumaná serão imputados pela morte de um homem. Em seu Twitter, o organismo afirmou que o “Ministério Público vai imputar três pessoas por subtrair um fuzil e uma máquina de votação em Zúlia.

De acordo com o ministro da Defesa, Padrino López, nenhuma das mortes pode ser atribuída à Polícia Nacional Bolivariana.



Viomundo
Posted: 30 Jul 2017 07:23 PM PDT

(Filas de eleitores se preparando para votar. Foto: Douglas Finger, nosso correspondente na Venezuela)


Boletim divulgado há pouco pelo ICS (ver abaixo), uma agência de pesquisa política e eleitoral da Venezuela, revela que o número de eleitores que participaram do pleito deste domingo, para eleger uma Assembleia Constituinte, já soma mais de 8 milhões de venezuelanos, ou mais de 50% do total de eleitores do país.

Segundo fontes do Cafezinho, esse número deve crescer muito até o final da apuração, o que significará uma grande vitória da democracia venezuelana.

Mas a Assembléia Constituinte, para ser legal, precisava de uma participação superior a 50% do eleitorado.

As eleições na Venezuela não são obrigatórias.

Eleitores de todo país enfrentaram as situações mais adversas para poderem participar da Constituinte e demostrar seu apoio à revolução bolivariana.

A campanha midiática internacional fascista, repleta de mentiras, está prestes a sofrer uma dura derrota.


O Cafezinho
Posted: 30 Jul 2017 07:14 PM PDT

Os avanços da Revolução Bolivariana estão ameaçados no cenário de incerteza política que envolve a eleição da Assembleia Constituinte

por Por Igor Fuser

População venezuelana comparece em massa para eleger assembleia constituinte convocada por Nicolás Maduro


São Paulo – Chega a ser surreal. Em nome da “democracia”, governos de diversos países – entre eles, Estados Unidos, México, Colômbia e Panamá, além, é claro, dos golpistas brasileiros –, acompanhados pelas empresas de mídia mais influentes do mundo, se mobilizam contra a eleição de uma Assembleia Constituinte convocada com garantias à ampla participação da cidadania e ao pleno exercício das liberdades políticas, de acordo com a Constituição em vigor.

Esses supostos guardiães da liberdade mantêm silêncio sepulcral diante da ofensiva terrorista das milícias opositoras, que já causaram 110 mortes. Nos últimos dois meses, grupos de jovens sob o comando dos setores mais extremistas da oposição – em especial, o partido Vontade Popular, liderado por Leopoldo Lopez – desfecharam centenas de ataques contra pessoas identificadas como apoiadoras do governo e contra o patrimônio público, com o objetivo de criar um cenário de caos a ponto de inviabilizar a votação da Constituinte neste dia 30 de julho.

Centenas de prédios e equipamentos públicos foram depredados e, em alguns casos, incendiados. Entre eles estão ônibus, centros de abastecimento popular, postos de saúde, delegacias de polícia, escolas, quartéis, escritórios ou agências de instituições estatais como a Misión Vivienda (o equivalente ao programa Minha Casa, Minha Vida).

A divulgação desses fatos, presentes na realidade cotidiana da Venezuela desde a convocação da Constituinte pelo presidente Nicolás Maduro, em 1º de maio, é sistematicamente sonegada aos leitores, ouvintes e telespectadores das empresas midiáticas que manejam a quase totalidade daquilo que se faz passar por informação, no mundo inteiro. Em qualquer outro lugar do planeta, tais ações violentas seriam definidas como terrorismo, mas no caso da Venezuela os responsáveis por esses crimes são louvados pelos jornalistas estrangeiros como se fossem manifestantes “pacíficos”.

As mortes são atribuídas, de forma desonesta, às forças de segurança, quando se sabe perfeitamente, a partir da apuração das circunstâncias em que morreu cada uma das pessoas atingidas pela onda de violência, que mais de 60% dos casos fatais ocorreram em decorrência da ação dos grupos opositores, que usam armas de fogo e adotaram, entre outras práticas, a de incendiar pessoas identificadas com o chavismo. Nos incidentes que a ação policial resultou em morte ou ferimentos, os envolvidos estão presos e respondem a processos judiciais (há ainda episódios em que não se conseguiu identificar os responsáveis).

A manipulação da opinião pública pela mídia vai muito além da ideologia – o viés classista que impregna permanentemente os conteúdos de modo a conformar uma visão de mundo coerente com os interesses das classes dominantes no capitalismo global. O que está em curso, no tocante à Venezuela, é uma campanha em que as empresas de comunicação se engajam, conscientemente, numa operação política, conduzida a partir de Washington, para depor o governo de Maduro e substituí-lo por autoridades alinhadas com os interesses da burguesia local e do imperialismo estadunidense.

O sucesso ou fracasso dessa estratégia golpista depende, em grande medida, dos acontecimentos deste domingo e, em particular, do maior ou menor comparecimento às urnas para a escolha da nova Constituinte. Um índice baixo de votação agravará a crise política, fragilizando o governo diante da campanha desestabilizadora e dos atores internos e externos nela envolvidos. Já uma participação expressiva dos cidadãos reforçará a legitimidade do governo e criará um firme alicerce para a instalação de uma Constituinte capaz de enfrentar o impasse político e as gravíssimas dificuldades econômicas.

Não é exagero afirmar que a Venezuela vive um dos dias mais cruciais de sua história. O chamado às urnas para eleger uma Constituinte põe em jogo o futuro da Revolução Bolivariana, como foi chamado o amplo projeto de mudança política e social iniciado com a eleição de Hugo Chávez à presidência da Venezuela, em dezembro de 1998. Em quinze anos à frente do governo, Chávez inverteu as prioridades do Estado, ao afastar do poder as tradicionais elites econômicas ligadas aos interesses externos. A maior parte da renda petroleira passou a ser aplicada em benefício das demandas da maioria desfavorecida. Milhões de venezuelanos ganharam acesso a serviços de saúde adequados, por meio de uma rede imensa de postos de atendimento instalados nas áreas mais pobres e operados por médicos e outros profissionais cubanos, a Misión Barrio Adentro.

O analfabetismo foi erradicado e rede de ensino público em todos os níveis, inclusive o universitário, ampliou-se em tal escala que hoje a Venezuela é o país do mundo com mais estudantes no ensino superior, em proporção ao número de seus habitantes. Para enfrentar o déficit habitacional, já foram entregues mais de 1,7 milhão de moradias a famílias de baixa renda, mediante pagamentos simbólicos, compatíveis com sua condição econômica.

Os idosos conquistaram o direito à aposentadoria digna, os salários reais se elevaram significativamente e a participação popular nas decisões sobre gastos públicos se tornou prática cotidiana em milhares de conselhos comunitários espalhados pelo país inteiro. Tudo isso, em um contexto de plena democracia. A imprensa funciona livremente e em nenhum outro país do mundo se realizaram tantas eleições e consultas à população.

Todas essas conquistas (e muitas mais) estão ameaçadas no cenário de incerteza política que envolve a eleição da Constituinte. Em quase duas décadas de chavismo, a Revolução Bolivariana superou todas as tentativas das elites dominantes de recuperar seus privilégios, por meios legais e ilegais.

Nas urnas, o chavismo se saiu vencedor em quase todas as ocasiões. A via golpista foi derrotada em 2002, quando a direita política, apoiada por uma parcela das Forças Armadas e pelo aparato midiático, tomou de assalto o palácio de Miraflores, sob as bênçãos dos EUA, e chegou a levar preso o presidente Chávez. Mas o golpe fracassou diante da resistência da população mais pobre e da lealdade da maioria dos militares, e Chávez regressou à presidência em apenas três dias, nos braços do povo.

A morte do presidente, em 2013, e a queda dos preços do petróleo – produto do qual a economia do país é altamente dependente desde o início do século passado – encorajaram os opositores de dentro e de fora da Venezuela. Para a elite dominante dos EUA, é inaceitável a consolidação de um governo de esquerda na América do Sul (seu tradicional “quintal”) comprometido com a soberania nacional, o controle estatal dos recursos naturais e a aplicação de políticas públicas voltadas para a superação das desigualdades sociais, na contramão do neoliberalismo.

Intensificou-se então a chamada “guerra econômica”, ou seja, a utilização dos recursos de poder à disposição da burguesia venezuelana para provocar a inflação dos preços, a crise cambial e escassez de mercadorias essenciais, como alimentos, remédios e peças de reposição para automóveis. A sabotagem empresarial se somou às dificuldades decorrentes da redução da renda petroleira e aos graves erros de gestão governamental para gerar uma situação de crescente desconforto entre a população, angustiada com a alta dos preços e com as longas horas de fila necessárias para conseguir os produtos básicos do dia a dia.

Nesse cenário, a oposição reunida na Mesa de Unidade Democrática (MUD) alcançou, em dezembro de 2015, a sua primeira vitória eleitoral, ao obter 56% dos votos para a Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, o que (pelo sistema de voto distrital) representou a conquista de quase dois terços das cadeiras. Se os líderes da MUD estivessem dispostos a atuar de acordo com as regras do jogo democrático, usariam o domínio do Legislativo para impulsionar suas próprias propostas de superação da crise, acumulando forças para disputar, com chances, as eleições presidenciais de 2019. Mas, sem nada de concreto a propor, optaram pelo caminho insurrecional, de olho na conquista imediata do poder.

Essa aventura já tinha sido tentada em 2014, com a ofensiva de ações violentas denominada por eles como “A Saída”, que fracassou após deixar o saldo trágico de 43 mortes e danos materiais incalculáveis. Agora, diante do cenário econômico desfavorável, a direita se sente mais empoderada, e a disposição de Washington em intervir na política interna venezuelana se mostra mais efetiva.

O Legislativo declarou guerra ao Executivo e foi colocado fora da lei pelo Judiciário, diante da recusa da liderança da MUD em aceitar a impugnação de três deputados por conta de fraudes na eleição de 2015. O avanço das forças de direita em dois países vizinhos, Argentina e Brasil, viabilizou uma ofensiva diplomática para isolar a Venezuela e fragilizar ainda mais o seu governo. Enquanto isso, no plano interno, a guerra econômica atingiu o auge com a recusa de grande parte das empresas privadas em seguir produzindo, o que agravou o problema do desabastecimento.

Contra vento e maré, a Revolução Bolivariana resiste. Uma parcela significativa da população mantém sua fidelidade ao chavismo, consciente do terrível retrocesso político e social que significaria a derrubada do governo de Maduro e a tomada do poder por uma elite fascista, violenta, com sangue nos olhos, sedenta por vingança e pela recuperação dos privilégios perdidos. No plano externo, a ação concertada dos lacaios de Washington, como o argentino Mauricio Macri, o brasileiro Michel Temer e o mexicano Enrique Peña Nieto, fracassou até agora na tentativa de excluir a Venezuela do Mercosul e de aprovar, na Organização dos Estados Americanos (OEA), alguma resolução que signifique carta branca ao golpismo e à intervenção estrangeira.

As bases populares do chavismo estão mobilizadas no enfrentamento à crise econômica, articulando os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAPs), até agora bem-sucedidos em fornecer a milhões de famílias mais necessitadas uma cesta de alimentos básicos vendidos a preços justos, evitando um colapso humanitário. E as Forças Armadas permanecem leais à Constituição, rejeitando a tentação do golpismo.

A proposta da Constituinte surgiu, nesse contexto, como meio de encontrar uma solução pacífica, democrática, em que o verdadeiro soberano – o povo – possa assumir em suas próprias mãos o controle das instituições políticas e definir os caminhos do futuro. É uma tentativa legítima, rigorosamente fundamentada na Constituição, de preservar os avanços sociais da Revolução Bolivariana e de impedir que a atual situação de confronto político degenere em uma guerra civil que, certamente, seria acompanhada de intervenção estrangeira direta. Se vai dar certo, ninguém sabe.

Rede Brasil Atual

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