quarta-feira, 2 de agosto de 2017

2/8 - Folha Diferenciada DE 29/7

Folha Diferenciada


Posted: 29 Jul 2017 05:08 PM PDT


Chavismo cometeu graves erros e precisa revê-los. Uma saída negociada seria possível. Mas o país está conflagrado pela ação dos EUA – como no Iraque, na Líbia e no Brasil…


Por Boaventura de Sousa Santos | Imagem: Bastardilla
A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0,767 – o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano –posicionando-o em 71º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia. De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0,634 para 0,767, um aumento de 20,9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar, que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.

A morte prematura de Hugo Chavez em 2013 e a queda do preço do petróleo em 2014 causou um abalo profundo nos processos de transformação social então em curso. A liderança carismática de Chavez não tinha sucessor, a vitória de Nicolas Maduro nas eleições que se seguiram foi por escassa margem, o novo presidente não estava preparado para tão complexas tarefas de governo e a oposição (internamente muito dividida) sentiu que o seu momento tinha chegado, no que foi, mais uma vez, apoiada pelos EUA, sobretudo quando em 2015 e de novo em 2017 o Presidente Obama considerou a Venezuela como uma “ameaça à segurança nacional dos EUA”, uma declaração que muita gente considerou exagerada, se não mesmo ridícula, mas que, como explico adiante, tinha toda a lógica (do ponto de vista dos EUA, claro).

A situação foi-se deteriorando até que, em dezembro de 2015, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional. O Tribunal Supremo suspendeu quatro deputados por alegada fraude eleitoral, a Assembleia Nacional desobedeceu, e a partir daí a confrontação institucional agravou-se e foi progressivamente se alastrando para a rua, alimentada também pela grave crise econômica e de abastecimentos, que então explodiu. Mais de cem mortos, uma situação caótica. Entretanto, o presidente Maduro tomou a iniciativa de convocar uma Assembleia Constituinte (AC) para o dia 30 de Julho e os EUA ameaçam com mais sanções se as eleições ocorrerem. É sabido que esta iniciativa visa ultrapassar a obstrução da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Em 26 de Maio passado assinei um manifesto elaborado por intelectuais e políticos venezuelanos de várias tendências políticas, apelando aos partidos e grupos sociais em confronto para parar a violência nas ruas e iniciar um debate que permitisse uma saída não violenta, democrática e sem ingerência dos EUA. Decidi então não voltar a pronunciar-me sobre a crise venezuelana. Por que o faço hoje? Porque estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela – um enviesamento que recorre a todos os meios para demonizar um governo legitimamente eleito, atiçar o incêndio social e político e legitimar uma intervenção estrangeira de consequências incalculáveis. A imprensa espanhola vai ao ponto de embarcar na pós-verdade, difundindo notícias falsas a respeito da posição do governo português. Pronuncio-me animado pelo bom senso e equilíbrio que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, tem revelado sobre este tema. A história recente diz-nos que as sanções econômicas afetam mais os cidadãos inocentes que os governos. Basta recordar as mais de 500 mil crianças que, segundo o relatório da ONU de 1995, morreram no Iraque em resultado das sanções impostas depois da guerra do Golfo Pérsico. A história recente também nos diz que nenhuma democracia sai fortalecida de uma intervenção estrangeira.

Os desacertos de um governo democrático resolvem-se por via democrática, e ela será tanto mais consistente quanto menos interferência externa sofrer. O governo da revolução bolivariana é democraticamente legítimo e ao longo de muitas eleições nos últimos vinte anos nunca deu sinais de não respeitar os resultados destas. Perdeu várias e pode perder a próxima, e só será de criticar se não respeitar os resultados. Mas não se pode negar que o presidente Maduro tem legitimidade constitucional para convocar a Assembleia Constituinte. Claro que os venezuelanos (incluindo muitos chavistas críticos) podem legitimamente questionar a sua oportunidade, sobretudo tendo em mente que dispõem da Constituição de 1999, promovida pelo presidente Chavez, e têm meios democráticos para manifestar esse questionamento no próximo domingo.

Mas nada disso justifica o clima insurrecional que a oposição radicalizou nas últimas semanas e que tem por objetivo, não corrigir os erros da revolução bolivariana, mas sim pôr-lhe fim, impor as receitas neoliberais (como está a acontecer no Brasil e na Argentina) com tudo o que isso significará para as maiorias pobres da Venezuela. O que deve preocupar os democratas, embora tal não preocupe a mídia global, que já tomou partido da oposição, é o modo como estão sendo selecionados os candidatos. Se, como se suspeita, os aparelhos burocráticos do partido do governo sequestrarem o impulso participativo das classes populares, o objetivo da AC de ampliar democraticamente a força política da base social de apoio à revolução terá sido frustrado.

Para compreendermos por que provavelmente não haverá saída não violenta para a crise da Venezuela temos de saber o que está em causa no plano geoestratégico global. O que está em causa são as maiores reservas de petróleo do mundo, existentes na Venezuela. Para os EUA é crucial para o seu domínio global manter o controle das reservas de petróleo do mundo. Qualquer país, por mais democrático, que tenha este recurso estratégico e não o torne acessível às multinacionais petrolíferas, na maioria, norte-americanas, põe-se na mira de uma intervenção imperial. A ameaça à segurança nacional, de que fala o presidente dos EUA, não está sequer apenas no acesso ao petróleo, está sobretudo no fato de o comércio mundial do petróleo ser denominado em dólares, o verdadeiro núcleo do poder dos EUA, já que nenhum outro país tem o privilégio de imprimir as notas que bem entender sem isso afetar significativamente o seu valor monetário.

Foi por esta razão que o Iraque foi invadido e o Médio Oriente e a Líbia arrasados (neste último caso, com a cumplicidade ativa da França de Sarkozy). Pela mesma razão, houve ingerência, hoje documentada, na crise brasileira, pois a exploração do petróleo do pré-sal estava nas mãos dos brasileiros. Pela mesma razão, o Irã voltou a estar em perigo. Pela mesma razão, a revolução bolivariana tem de cair sem ter tido a oportunidade de corrigir democraticamente os graves erros que os seus dirigentes cometeram nos últimos anos. Sem ingerência externa, estou seguro de que a Venezuela saberia encontrar uma solução não violenta e democrática. Infelizmente, o que está no terreno é usar todos os meios para virar os pobres contra o chavismo, a base social da revolução bolivariana e os que mais beneficiaram com ela. E, concomitantemente com isso, provocar uma ruptura nas Forças Armadas e um consequente golpe militar que deponha Maduro. A política externa da Europa (se de tal se pode falar) podia ser uma força moderadora, se já não tivesse perdido a alma.

Outras Palavras
Posted: 29 Jul 2017 01:43 PM PDT

O ex-presidente Lula ainda lidera a corrida presidencial em todos os cenários testados pelo Instituto Paraná Pesquisas. Na primeira pesquisa realizada depois da condenação pela Lava Jato, Lula tem 25,8% da preferência dos eleitores, seguido pelo deputado Jair Bolsonaro (18,7%) e por João Dória (12,3%).


Reprodução

Ainda pontuam na pesquisa o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa (8,7%), os ex-presidenciáveis Marina Silva (7,1%) e Ciro Gomes (4,5%), e o senador paranaense Alvaro Dias (3,5%). Além disso, 15,7% dos entrevistados disseram que não votariam em nenhum dos nomes indicados e outros 3,9% não souberam responder.

Em um segundo cenário, quando o candidato do PSDB é o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, Lula aparece com índice maior, de 26,1%. Bolsonaro continua em segundo, com 20,8% das intenções de voto, seguido por Joaquim Barbosa (9,8%), Geraldo Alckmin (7,3%), Marina Silva (7%), Ciro Gomes (4,5%) e Alvaro Dias (4,1%). 17% dos eleitores não escolheriam nenhum dos indicados, enquanto 3,5% não souberam responder.

Segundo turno


O Instituto Paraná Pesquisas também fez simulações de segundo turno. Em todas elas, Lula sairia vencedor. Em uma disputa com Jair Bolsonaro, o petista tem 38,7% da preferência dos eleitores, contra 32,3% do deputado federal. Contra João Doria, seria 38,5% a 32,2% para Lula.

O ex-presidente também ganharia de Geraldo Alckmin por 39% a 26,9% – índice parecido a um eventual segundo turno entre Lula e Marina Silva: o petista levaria a melhor por 36,3% contra 29%. Num último cenário, Lula aparece com 37,1% diante de Joaquim Barbosa, que somou 31,1%.

Apesar disso, o índice de eleitores que não votariam em nenhum dos indicados é bastante elevado. Nas cinco simulações de segundo turno, o percentual varia de 25,5% a 31,3%. Isso mostra, segundo Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisa, uma insatisfação geral dos eleitores com a classe política. “A indignação e a rejeição da sociedade com os políticos são muito grandes. Ninguém quer eleger os candidatos atuais. Isso abre espaço para novas figuras, novos nomes”, disse.

Índices mantidos


Os índices de Lula são semelhantes aos do levantamento anterior do Instituto Paraná Pesquisa, feito em maio. A pesquisa também apontava o ex-presidente na liderança. Ele alcançou cerca de 25% das intenções de voto nos dois cenários analisados para o primeiro turno: um com Alckmin e outro com Dória.

Sobre a pesquisa


O Instituto Paraná Pesquisas ouviu 2.020 eleitores em 156 municípios de 25 estados e no Distrito Federal. A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 27 de julho. O grau de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Com informações do Paraná Pesquisas e Gazeta do Povo



Portal Vermelho
Posted: 29 Jul 2017 01:29 PM PDT

"Recessão elimina empregos, mas empresa permanece. No caso da Lava Jato, a perda é permanente", diz Pochmann. Para diretor da FUP, cadeia de petróleo e gás perdeu 3 milhões de empregos desde 2014

por Eduardo Maretti, da RBA
DIVULGAÇÃO Construção naval e sistema Petrobras foram atingidos pela crise e as consequências da operação Lava Jato


São Paulo – O impacto da Operação Lava Jato e das políticas do governo Michel Temer na economia do país e no crescimento do desemprego é brutal. Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março de 2014, o IBGE apontava taxa de desemprego no Brasi de 7,1% no trimestre encerrado naquele mês. Eram 7 milhões de desempregados. Hoje, a taxa no período encerrado em junho chega a 13%, com 13,5 milhões de pessoas sem emprego.

Os dados mostram que, somente na indústria naval, que havia sido recuperada pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o número de trabalhadores empregados caiu de 83 mil, no governo Dilma, para estimados 30 mil.

Apesar dos efeitos claros das políticas do governo Temer, que aprofundam a recessão, os da Lava Jato são ainda mais perversos. “A recessão elimina empregos, mas a empresa permanece. Havendo recuperação, o emprego volta. No caso da Lava Jato, é quase uma perda permanente”, aponta o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marcio Pochmann.

A forma pela qual se deu a operação comandada em Curitiba não foi de investigar e apurar ilegalidades cometidas por diretorias de empresas e puni-las “na forma da lei”, como aconteceu em vários países desenvolvidos. Entre outros exemplos, Pochmann cita o caso da Volkswagen alemã, na qual foi desbaratado um esquema de fraude em medição de emissões de poluentes. Autoridades e executivos são punidos, mas a empresa fica de pé. No Brasil, com os benefícios das delações premiadas, ocorre o contrário. A Lava Jato destruiu enorme capacidade de investimento das empresas e empreiteiras brasileiras.

O diretor de Relações Internacionais e de Movimentos Sociais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, calcula que desde o início da Lava Jato a cadeia de gás e petróleo comandada pela Petrobras perdeu cerca de 3 milhões de empregos. A cadeia representava aproximadamente 13% do Produto Interno Bruto do país. Esse percentual hoje se esvaiu, e não se sabe exatamente qual o tamanho da queda.

Segundo Moraes, a Lava Jato causa maiores e mais perversos danos à economia a ao emprego do que o próprio governo Temer. “Porque a Lava Jato fecha os estaleiros, proíbe as empresas brasileiras de disputar licitações e paralisa as obras.”

Crise política


Em 2015, quando os efeitos da Lava Jato já eram concretos, o PIB despencou para 3,8% negativos. Segundo cálculo não apenas do governo na época, mas de economistas e de consultorias, como a 4E Consultoria, do total da queda do PIB naquele período, entre 2 a 2,5 pontos percentuais foram relativos à crise da Petrobras e da cadeia de petróleo e gás.

“Naquele momento, foi feita uma conta em relação à retração de investimento da Petrobras e impacto sobre a cadeia como um todo. Hoje, a situação é mais tensa em termos de empresas e setores afetados direta e indiretamente por conta da crise política. Não só em relação à Petrobras, mas às empreiteiras, com efeitos indiretos sobre o restante da economia”, diz Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria.

Tanto a construção naval como o sistema Petrobras e os terceirizados foram atingidos pela crise e as consequências da operação Lava Jato. Entre 2014 (quando se iniciou a Lava Jato de Sérgio Moro) e 2015, os empregos na Petrobras caíram 3%, de 80.908 para 78.470. Na área de terceirizados, a redução foi muito mais significativa, de 46%, reduzindo-se de 291.074 para 158.076. A queda no setor de construção naval no período foi de 82.472 para 57.048, de 30,8%.

Para Pochmann, é fato que, quando Temer assumiu o poder, o país ainda estava em recessão, embora os dados e diversos economistas apontassem que em 2016 a recessão começaria a ser superada. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego foi de 11,2% no trimestre encerrado em maio de 2016 (mês em que Dilma foi afastada), com 11,4 milhões de pessoas desocupadas .

“Dilma provocou a recessão, mas a entrada de Temer levou a economia novamente à recessão, comprometeu o segundo semestre e avançou por 2017. O questionamento que se tem é que, quando Temer assumiu, o discurso era de recuperação da economia e retirada do país da recessão, porque, segundo ele, Dilma não tinha condições de resgatar a atividade empresarial e o país recuperaria os investimentos.” Mas não foi o que aconteceu. “Pelo contrário. Temer aproveita a recessão para reconfigurar o capitalismo. Não se trata apenas de uma recessão, é uma mudança na trajetória do capitalismo brasileiro”, diz Pochmann.

Com Temer, está em andamento algo muito mais complexo do que um simples erro de percurso ou opção de política econômica, na opinião do economista. “É uma reconfiguração do capitalismo porque parte do pressuposto de que uma parte da sociedade não deve fazer parte das políticas públicas. Porque há um processo de liquidação de empresas estatais e reformulação do Estado para garantir que a financeirização possa se viabilizar pelos próximos 20 anos”, avalia.



Rede Brasil Atual
Posted: 29 Jul 2017 01:18 PM PDT


Há 17 dias o juiz Sérgio Moro condenou a nove anos e meio de prisão o primeiro colocado em todas as pesquisas eleitorais para 2018.

Nenhum dos grandes institutos de pesquisa, até agora, dignou-se a medir o impacto da condenação de Lula na intenção de voto presidencial.

Conhecendo-se como se conhece os institutos de pesquisa brasileiros, bem como os pagadores das pesquisas, é um sinal de que “a jararaca” está viva.

E há outros sinais, ainda.

A pesquisa CNI Ibope, divulgada anteontem, diz que 52% dos entrevistados considera o Governo Dilma – com todos os seus problemas – melhor que o de Temer. Não parece ser opção de quem tenha rejeição absoluta a Lula.

Hoje, o Poder360 publica levantamento do tal Instituto Paraná Pesquisas, sobre o qual não deposito maior credibilidade (política, não técnica) que mostra que a rejeição – apontada como o grande problema de Lula – -e semeljante para os três principais candidatos (Lula, 56; Bolsonaro, 53; Alckmin, 52).

Nos cenários de segundo turno apresentados, Lula vence todos os possíveis adversários: Bolsonaro, Doria, Marina, Joaquim Barbosa (?) e Geraldo Alckmin.

Todo o poder da mídia, do mercado e do Judiciário, ao que parece, não conseguiram destruir Lula, mesmo parindo personagens como Bolsonaro e Doria.



TIJOLAÇO
Posted: 29 Jul 2017 12:49 PM PDT

O filósofo italiano Gianni Fresu* comenta com exclusividade para o Portal Grabois a tentativa de criminalização do "proselitismo" comunista, expressa em projeto de lei que reflete, também, o ambiente político europeu de países onde o neonazismo avança como força política.



No parlamento brasileiro (mas a mesma discussão também está se avivando na Europa) foi apresentado, por estes dias, um projeto de lei que tem por finalidade punir penalmente a apologia do comunismo, com o seguinte argumento: “o comunismo teria cometido cem milhões de mortes.”.

Deixemos de lado as considerações sobre o caráter grosseiro dessa operação, porque os símbolos que se queria proibir (a foice e o martelo e as referências à tradição teórica do socialismo) representam um panorama incrivelmente variado, não redutível a uma única experiência, dentro do qual se encontra, com todas as suas articulações, a história da luta pela emancipação do mundo do trabalho. Dentre os argumentos utilizados se diz: “é necessário impedir a instigação ao ódio e à luta de classe!”. Faria rir, se não fosse trágica, uma afirmação semelhante, porque o ódio de classe não apenas é instigado no plano teórico, como também é concretamente praticado nas nossas sociedades ocidentais, só que de cima para baixo. Como definir de modo diferente pelo menos quatro décadas de ataque aos direitos sociais, e mesmo os do mundo do trabalho que visam a favorecer a acumulação dos capitais e a especulação financeira? Como chamar o vertiginoso aumento, nos últimos quarenta anos, do fosso entre os que têm muito (de modo cada vez mais descarado e em formas indecorosamente concentradas) e os que não têm nada? Como classificar a sistemática espoliação das riquezas dos assim chamados países “subdesenvolvidos”, por parte dos países ricos, à qual se soma o achincalhe da limitação da livre circulação dos seus cidadãos?

Nós temos tido por séculos (e ainda temos) o direito de invadi-los, explorá-los e roubá-los, mas aos povos do Sul do mundo não é permitido sair do deserto que criamos em torno deles. O que seria tudo isso senão ódio e luta de classe?

Fala-se frequentemente, em termos puramente retóricos, de liberdades fundamentais, mas a primeira delas consiste no direito de não morrer de fome, ignorância e por falta de assistência médica. Portanto, se encaramos a realidade com uma perspectiva menos amenizada, podemos tranquilamente afirmar que estes são negados à esmagadora maioria da população mundial.

Agora se tornou lugar-comum citar a questionável avaliação das lutas (por atacado) feita no famigerado Livro negro do comunismo, no qual estão também incluídas as mortes por guerras e por carências de recursos, em grande parte dos casos provocadas de fora. Seria o momento – acredito eu – de escrever também um Livro negro do liberalismo. Domenico Losurdo fez, por décadas, esse trabalho por meio de uma pontual crítica histórica e filosófica, mas falta um livro simples em números, de elementar contabilidade política do capitalismo. Se, de fato usássemos os mesmos parâmetros adotados por Stéphane Courtois & Co., quantos milhões de mortos devíamos atribuir à expansão mundial das nossas relações sociais burguesas? Vamos apenas tentar pensar: as consequências históricas da acumulação original de capital sobre as incalculáveis massas rurais expulsas dos campos transformadas em multidões de mendigos nas grandes periferias urbanas; o extermínio dos povos nativos no Norte e Sul da América, Ásia e Oceania; os mortos por causa da miséria e da exploração colonial ocidental na África, incluindo o escravismo; as infinitas guerras imperialistas conduzidas nos últimos dois séculos em todos os cantos do planeta para roubar os recursos dos “povos não civilizados”. Uma hecatombe, muito bem escondida nos livros ou tratados de divulgação sobre a história da humanidade. Isso também confirma um ponto já desenvolvido por

Marx e Engels na metade do século 19: justamente no terreno das ideologias é que está o verdadeiro êxito da sociedade burguesa, e assim, o fato de ter transformado o mundo em um grande cemitério é apresentado como afirmação dos princípios de liberdade e civilização sobre a barbárie. O paradoxo histórico é que, mesmo sendo mestres da ideologia, os grandes e pequenos teóricos do liberalismo fazem da crítica às ideologias a sua própria batalha mais característica. A confirmação da sua capacidade hegemônica é que a maioria das pessoas, também dotada de uma boa cultura, nela acredita e a reproduz mais ou menos conscientemente.

“Na economia política, a assim chamada acumulação original do capital tem a mesma função que o pecado original na teologia: Adão deu uma dentada na maçã e com isso o pecado se abateu sobre o gênero humano. Com isso se explica a origem, contada como uma história do passado. Era uma vez, em uma época muito distante, de um lado, uma elite dirigente, inteligente e sobretudo econômica e, de outro, os miseráveis preguiçosos que desperdiçam tudo o que lhes pertence, e ainda mais. Mas a lenda do pecado original teológica nos diz como o homem foi condenado a ganhar a vida com o suor do rosto; a história do pecado original econômico, ao contrário, nos revela como escaparam disso as pessoas que não precisam fazer esforço. Não fazem nada! E assim aconteceu que os primeiros acumularam riqueza e os outros, no final, não tiveram outra coisa a vender senão a própria pele. É a partir desse pecado original que se estabelece a pobreza da grande massa que, cada vez mais, apesar de todo o seu trabalho, não tem outra coisa a vender senão a si mesma; e a riqueza dos poucos que cresce continuamente mesmo que há um longo tempo eles tenham deixado de trabalhar (1)”.

Nota

(1) MARX, K. Il capitale. Critica dell’economia politica (O Capital. Crítica da economia política). Roma: Editori riuniti, 1997, p. 777.
Original em italiano: http://www.giannifresu.it/2017/07/le-ipocrisie-dellideologia-liberale-cosiddetto-odio-classe/



*Gianni Fresu é doutor em Filosofia pela Universidade de Urbino, professor de Filosofia Política na Universidade Federal de Uberlândia (Minas Gerais, Brasil).

Fonte: Fundação Maurício Grabois


Portal Vermelho
Posted: 29 Jul 2017 12:26 PM PDT


Mayara Amaral, violonista com uma dissertação incrível sobre mulheres compositoras. Desde a semana passada, vítima de uma violência que parece cada vez mais banal


Por Pauliane Amaral

Minha irmã caçula, mulher, violonista com mestrado pela UFG e um dissertação incrível sobre mulheres compositoras para violão. Desde ontem Mayara Amaral também é vítima de uma violência que parece cada vez mais banal na nossa sociedade. Crime de ódio contra as mulheres, contra um gênero considerado frágil e, para alguns, inferior e digno de ter sua vida tirada apenas por ser jovem, talentosa, bonita… por ser mulher.

Mais uma vez a sociedade falhou e uma mulher, uma jovem professora de música de 27 anos, foi outra vítima da barbárie de homens que não podem nem serem considerados humanos. Foram três, três homens contra uma jovem mulher.

Um deles, Luis Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, por quem ela estava cegamente apaixonada, atraiu-a para um motel, levando consigo um martelo na mochila. Lá, ele encontrou um de seus comparsas.



Em uma das matérias que noticiaram, o crime os suspeitos dizem que mantiveram relações sexuais com minha irmã com o consentimento dela. Para que o martelo então, se era consentido?

Estranhamente, nenhuma das matérias aparece a palavra ESTUPRO, apesar de todas as evidências.

Às vezes tenho a sensação de que setores da imprensa estão tomando como verdade a palavra desses assassinos. O tratamento que dão ao caso me indigna profundamente.

Quando escrevem que Mayara era a “mulher achada carbonizada” que foi ensaiar com a banda, ela está em uma foto como uma menina. Quando a suspeita envolvia “namorado” hiper-sexualizam a imagem dela. Quando a notícia fala que a cena do crime é um motel, minha irmã aparece vulnerável, molhada na praia.

Quando falam da inspiração de Mayara, associam-na com a história do pai e avô e a foto muda: é ela com o violão, porém com sua face cortada. Esse tipo de tratamento não representa quem minha irmã foi. Isso é desumanização. Por favor, tenham cuidado, colegas jornalistas.

Para nossa tristeza, grande parte das notícias dão bastante voz aos assassinos e fazem coro à falsa ideia de que os acusados só queriam roubar um carro. Um carro que foi vendido por mil reais. Mil reais. Um Gol quadrado, ano 1992. Se eles quisessem só roubá-la, não precisariam atraí-la para um motel.

Um dos assassinos, Luís, de família rica, vai tentar se livrar de uma condenação alegando privação momentânea dos sentidos por conta de uso de drogas. Não bastando matar a minha irmã, da forma que fizeram, agora querem destruir sua reputação. Eis a versão do monstro: minha irmã consentiu em ser violada por eles, elas decidiram roubá-la, ela reagiu fisicamente e eles, sob o efeito de drogas, golpearam-na com o martelo – e ela morreu por acidente. Pela memória da minha irmã, e pela de outras mulheres que passaram por esta mesma violência, não propaguem essa mentira! Confio que a Polícia e o Ministério Público não aceitarão esta narrativa covarde, e peço a solidariedade e vigilância de todos para que a justiça seja feita.

Na delegacia disseram à minha mãe que uma outra jovem já havia registrado uma denúncia contra Luís por tentativa de abuso sexual… Investiguem! Se essa informação proceder, este é mais um crime pelo qual ele deve responder. E uma prova de como a justiça tem tratado as queixas feitas por nós, mulheres. Se naquela ocasião ele tivesse sido punido exemplarmente, talvez minha irmã não tivesse sofrido este destino.

Foi tudo premeditado: ela foi estuprada por dois desumanos.

O terceiro comparsa – não menos monstruoso – ajudou a levar o corpo da minha irmã para um lugar ermo, e lá atearam fogo nela, como se a brutalidade das marteladas no crânio já não fosse crueldade demais. Minha irmã foi encontrada com o corpo ainda em chamas, apenas de calcinha e uma de suas mãos foi a única parte de seu corpo que sobrou para que meu pai fizesse o reconhecimento no IML. “Parece que ela fazia uma nota com os dedos”, disse meu pai pelo telefone.

A confirmação veio logo depois, com o resultado do exame de DNA. Era ela mesmo e eu gritei um choro sufocado.

Eu vou dedicar o meu luto à memória da minha irmã, e a não permitir que ela seja vilipendiada pela versão imunda de seus algozes. Como tantas outras vítimas de violência, a Mayara merece JUSTIÇA – não que isso vá diminuir nossa dor, mas porque só isso pode ajudar a curar uma sociedade doente, e a proteger outras mulheres do mesmo destino”


Outras Palavras
Posted: 29 Jul 2017 12:07 PM PDT
Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br

Céli Pinto

Lula tem mais de 50% de rejeição nas pesquisas de opinião, em que pese ser o pré- candidato com a maior intenção de voto, mas a pergunta que não quer calar é: por que o discurso de ódio contra Lula, que faz sentido a um motorista de táxi, é o mesmo do intelectualizado Marcelo Tas? Uma resposta ligeira e do gosto de todos seria que os motoristas de táxi “são assim” e que Tas é funcionário da Rede Globo (GNT), portanto, parece óbvio que se colocaria desta forma. Entretanto, estas explicações estão longe de dar lastro para ensaiar uma reflexão sobre a crise da esquerda, do PT, sobre o avanço de discursos conservadores, reacionários, racistas , machistas.

O primeiro discurso exitoso contra Lula se expressou em um discurso contra Dilma, mais frágil politicamente, mulher, sem grande apoio no próprio PT, portanto mais fácil de atacar. Dilma foi o primeiro fator unificador do discurso da direita política brasileira em 2014. De fato o objetivo não era ela, mas o afastamento do PT e a retirada do perigoso e popular Lula do campo da disputa política. Inventaram as pedaladas fiscais, afastaram Dilma e não a incomodaram mais. A culpa de Lewandowski , que estava participando da farsa, resultou na não cassação dos direitos políticos da então presidenta.

Afastar Dilma foi só um primeiro passo. Havia importantes políticas neoliberais de ajuste a serem feitas pelos representantes do capital financeiro, da FIESP e da banca internacional. Entre os aspectos centrais das políticas neoliberais, aqui e alhures, estão a retirada dos direitos sociais e a desqualificação das conquistas dos trabalhadores como privilégios. Para que possam ser implementadas, não bastam um golpe e um presidente fantoche, é necessário haver garantias a longo prazo de que não haverá reação do povo. Por isso, é necessário destruir o povo como agente político, como sujeito político coletivo. Esta é a grande missão dos que agora estão no poder, secundados por parte do judiciário e parte do ministério público. Não importa se a reforma da previdência não passar agora, interessa é que ela passe, no ano que vem ou em 2019. Mas é necessário derrotar o povo de forma cabal.

O que Lula tem a ver com isto? Tudo. Lula foi e ainda é um grande líder popular, se identifica com as classes populares que, durante seu governo, viram mudar as suas vidas, as possibilidades educacionais de seus filhos. O mundo viu Lula como uma nova esquerda. Como líder, Lula deu significado ao povo como sujeito político. Maior que o PT, maior que a esquerda, ele articulava as demandas populares, era o povo no poder.

As forças de esquerda em geral e o PT, especificamente, não conseguiram construir lideranças para substituí-lo, não porque Lula não deixou, ou porque o partido não quis, mas porque a existência de Lula impediu que houvesse condições de emergência de novas lideranças, por mais que ele tivesse oposição, dentro e fora do partido.

O poder simbólico que Lula representa precisa ser extirpado do Brasil para que o projeto neoliberal em curso se concretize. Por isso há esforço de arrancar Lula do centro do discurso popular e caracterizá-lo como o grande traidor, o corrupto, o operário que enriqueceu, o responsável pelas mazelas do Brasil, pela desordem, pela violência. É preciso romper o lastro discursivo do povo. Isso não se faz prometendo vantagens, mas exatamente prometendo sacrifícios. Recriando um novo sujeito político, individualizado, “responsável “, trabalhador, que não se interessa por “privilégios”, mas quer trabalhar em qualquer condição. Um individuo que não se preocupa se pessoas sem-teto são acordadas nas ruas geladas por jatos d‘agua, se usuários de drogas são caçados como bichos, se prédios ocupados por famílias que não têm onde morar são desocupados por batalhões de choque da polícia militar. Essas pessoas não importam, são “vagabundos“, perdedores, obstáculos para o restabelecimento da ordem.

Na nova ordem neoliberal não há espaço para povo, para o sujeito coletivo. O que importa é cada um cuidar de si. O fracasso é pessoal, o sucesso está na compreensão dos novos tempos, do trabalho intermitente, do fim das políticas sociais. A nova ordem é a do individuo, não importa se ele é um trabalhador ou um intelectual da mídia. Para que a nova ordem se instale, é necessário acabar com o povo, com a ação do povo como coletivo, por isso é essencial destruir quem melhor o representou na política brasileira contemporânea – Luis Inácio Lula da Silva. Mas não basta colocá-lo na cadeia, antes é preciso destruí-lo como símbolo, o que só acontecerá ao destruir o povo, já que Lula significou o povo por longos anos, décadas.

O motorista de táxi e o intelectual mediático representam muito bem este sujeito individualizado, que se constitui em um discurso de ódio contra Lula, contra o povo. São exemplares característicos dos tempos de pós democracia que vivemos.

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Céli Regina Jardim Pinto é Profa Titular do Departamento de História da UFRGS.

Editoria: Céli Pinto

No Sul21
Posted: 29 Jul 2017 11:50 AM PDT

A argentina Leila Guerriero, referência do jornalismo narrativo, debate na FLIP limites da não-ficção

A jornalista argentina Leila Guerriero. DIVULGAÇÃO

HELOÍSA MENDONÇA
São Paulo


A jornalista e escritora Leila Guerriero gosta de olhar de perto, com calma. Gosta do detalhe. Escreve sobre histórias comuns com uma profundidade e elegância inusitadas. Entrou no mundo da reportagem quase por casualidade, nos anos 90, e hoje se converteu em uma das principais referências do jornalismo narrativo latino-americano.Ela se define como uma repórter "promíscua", pois nunca quis assinar nenhum contrato de exclusividade. Tem textos em publicações mundo afora: La Nación e Rolling Stone, da Argentina, Gatopardo, do México, El Mercurio, do Chile, Etiqueta Negra, do Peru, e L’Internazionale, da Itália. Desde 2014, é colunista do EL PAÍS.

A vocação da argentina é a crônica social profunda, de temas pouco tocados pela mídia da região. Já escreveu perfis e livros de não-ficção. O primeiro deles, Os suicidas do fim do mundo, investiga o suicídio de doze jovens em um povoado da Patagônia. No Brasil, Leila lançou, há dois anos, Uma história simples (Editora Bertrand). A obra narra a saga de um argentino comum que passa anos se preparando para vencer um festival nacional de uma dança folclórica, o malambo - uma espécie de sapateado que requer um treinamento tão árduo como o de um atleta olímpico. A autora se inteirou sobre a competição quando leu uma pequena nota de um jornal. Sua curiosidade a fez viajar para o interior argentino e descobrir um festival que arrastava centenas de pessoas a um minúsculo povoado de 6.000 habitantes da província de Córdoba. O certame tinha ainda algo mais curioso: os dançarinos que se tornam campeões já não podem participar mais de competições. "Me custava muito entender porque eles marchavam tão contentes para sua própria aniquilação", conta a jornalista ao EL PAÍS por telefone. O que era para ser uma reportagem transformou-se em livro.

Nas palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa, os perfis biográficos que desenha Leila demonstram que o jornalismo pode ser uma arte e produzir obras de valia, sem renunciar a sua obrigação primordial, que é informar. E é exatamente sobre esses limites das obras de não-ficção e a ficção que a autora falará em uma das mesas da 15ª edição da Festa Literária de Paraty (FLIP), neste sábado, ao lado do escritor francês Patrick Deville. No Brasil, Leila também vai ministrar uma oficina sobre a construção do texto de jornalismo literário.

Pergunta. Em quais meios sobrevive a narrativa literária no jornalista em uma época de leitura rápida e bastante visual?

Resposta. Comparando o panorama das crônicas de 20 anos atrás com o de agora, se bem não há uma espécie de boom, ele é melhor em muitas coisas. Algumas revistas continuam publicando texto muitos longos, algumas editoras se abriram a edição de livros dedicados às grandes reportagens. Os jornais se esforçam para publicar textos assim nos finais de semana, ainda que tenho notado que as crônicas estão retrocedendo nas revistas dominicais. Minha percepção é que hoje há muito mais repórteres tentando fazer esse tipo de texto.

"As grandes reportagens têm outro tipo de leitor, que nunca foi um público massivo. Sempre foi um leitor mais de nicho".

P. Acredita no futuro das grandes reportagens?
R. Me dá impressão que esse é um jornalismo muito mais batalhador que não vai baixar os braços. Falamos hoje de duas crises distintas do jornalismo. Há uma questão de crise relacionada aos 140 caracteres, à rapidez, à imediatez e que o texto seja impactante em busca da audiência. Mas a outra é algo que sempre foi por outro lugar: é que as grandes reportagens têm outro tipo de leitor, que nunca foi um público massivo. Sempre foi um leitor mais de nicho. Por isso, os jornais não são o espaço para esse tipo de texto, que funcionam mais para revista. Não sei o que vai acontecer, mas não sou pessimista. Com esforço e empenho se encontram lugares para publicar coisas mais longas. Um texto extenso tampouco implica que seja bom. Além de longo, precisa ser bom.

P. Existem elementos essenciais para se escrever bem?
R. Não dou conselhos sobre isso porque é impossível. Talvez o único é que leiam, leiam muito. É a única possibilidade de ser bom nisso. Outra questão importante é se perguntar até que ponto estão dispostos a se entregar a essa vocação. E o melhor é não receber conselhos taxativos demais e rígidos. Acho que cada um precisa encontrar seu próprio método de fazer as coisas, sua própria voz. E, para isso, é necessário escutar como fazem outras pessoas e tomar algumas coisas do método delas. No entanto, é preciso transformar todas essas referências em algo pessoal. Se não estão dispostos a fazer esse trabalho, dificilmente poderão ter sua própria voz. Podem ser uma boa cópia de algo, mas não algo potente com um bom olhar.



A paixão pela escrita começou cedo na vida de Leila. Como todas as crianças ávidas por leitura, ela também gostava de escrever. Contos, poemas, peças de ficção. O jornalismo, no entanto, demorou a lhe ocorrer como uma possibilidade de profissão. Queria ser escritora. "Mas na prática como se ganha a vida um escritor?", se questionava. Em uma graduação de Letras, ou se tornaria crítica literária ou professora. Nenhum das ideias a atraia. Aos 17 anos, resolveu sair da sua cidade natal Junín, na província da Buenos Aires, rumo a capital. Como amava viajar, optou por estudar turismo. "Terminei a carreira e, claro, nunca trabalhei com isso, mas me serviu muito porque nunca teria estudado tanta cultura geral, história, geopolítica, antropologia".

"O jornalista não pode ir apenas até a realidade confirmar um preconceito ou vai produzir uma distorção do que é real".

Leila bateu na porta do jornalismo, no entanto, só aos 22 anos quando enviou um relato de ficção endereçado ao então editor da redação do jornal argentino Página 12, Jorge Lanata, que nunca tinha visto na vida. O conto sobre um casal de ladrões acabou sendo publicado na contracapa do diário e, seis meses, depois Lanata a convidou para trabalhar no jornal. "Me tornei jornalista em 10 minutos. O único conselho que ele me deu foi: vai lá e se defenda como der. E se alguma porta não se abrir, derrube a pontapés". Sua primeira pauta foi sobre o caos do trânsito da cidade de Buenos Aires, teve um mês para escrevê-la. Um tempo que pode ser considerado gigantesco nos tempos atuais. Desde então, a escritora esteve no caminho das reportagens longas, com mais tempo de produção. É claro que já escreveu coisas de forma apressada. Geralmente sobre morte de autores, prêmios da literatura ou quando o argentino Jorge Mario Bergoglio se tornou o Papa Francisco. "Não sei fazer o que faz um jornalista no dia a dia da notícia factual. Sou de outra escola".

A jornalista que começou a carreira com um conto, nunca mais sentiu necessidade de escrever literatura de ficção. Quando escolhe uma leitura, no entanto, tende a voltar ao gênero. Muito mais do que ao jornalismo. No seu panteão de autores favoritos estão: Scott Fitzgerald, John Irving, Lorrie Moore, John Steinbeck, Anne Tyler e Joseph Conrad. Também devora muita poesia, como a de Nicanor Parra. Dos autores brasileiros contemporâneos destaca Andréa del Fuego e João Paulo Cuenca. E em um patamar de inspiração maior reina Clarice Lispector.

P. Qual o limite da construção do jornalismo literário?
"As tecnologias acrescentam, mas ao mesmo tempo, distraem e alienam muito. Um dos riscos é que nos faz fechar em nós mesmos. E este é um perigo para o jornalista".

R. Sempre se fala da porosidade dos gêneros, mas para mim, o limite claro entre uma obra de ficção e não ficção é dado no pacto de leitura que se faz com o leitor. Se eu digo que vou contar algo que sucedeu, quero que o leitor confie que tudo que ele vai ler é matéria prima real. Caso eu coloque algo nesse relato que eu tenha inventado ou um personagem que não existe, mas serve para o texto, isso já faz parte de outro gênero que é a ficção, novela ou conto. O limite é a invenção. Meu compromisso é que o leitor saiba que tudo que estou contando é algo que eu pude comprovar que aconteceu ou que estive aí.

P. Na sua visão, a objetividade jornalística é cada vez mais utópica?
"A honestidade no jornalismo consiste em aplicar um olhar equilibrado e que contemple todos os pontos de vista".

R. O que acredito é que é preciso ter uma subjetividade honesta. Buscar a objetividade é como ter o dom da onisciência. Ou seja, é impossível. Todos escrevemos a partir de um lugar de subjetividade, somos pessoas e produto de várias experiências. A reportagem serve para chegar a uma informação que seja a mais honesta e honrada possível. No jornalismo, nos deparamos com questões que queremos e outras horríveis que preferíamos não saber. A honestidade consiste em aplicar um olhar equilibrado e que contemple todos os pontos de vista.

P. Vivemos no Brasil tempos de uma polarização política muito grande, o que também vem acontecendo na Argentina. Corremos mais riscos do jornalismo pecar nesse equilíbrio e se transformar em algo um pouco mais militante?
R. O jornalismo militante para mim é uma contradição de termos. A militância é um lugar de certeza e obediência. Ela está convencida de apenas uma forma de pensar e mudar o mundo. O jornalismo é todo o contrário disso. Uma coisa é uma coluna de opinião outra uma investigação, onde não há espaço para essa militância. O que acontece muito é que quando o jornalista vai até a realidade, encontra situações muito incômodas. Pode entrevistar uma pessoa que é uma pobre vítima de tal coisa, mas ao mesmo tempo é um ser humano espantoso que bate nos filhos. O que fazemos? Não contamos? O jornalista não pode ir apenas até a realidade confirmar um preconceito ou vai produzir uma distorção do que é real. Mas claramente há essa guerra de meios de comunicação que buscam ferir a imagem de alguém e não dar a informação honesta. É algo absurdo e que as pessoas percebem, elas não são tontas.

P. Qual a sua relação com as novas tecnologias para a produção jornalística?
R. Acho que são fantásticas. Sou tecnológica, mas escolho o que quero ter. Não tenho twitter, WhatsApp, nem Facebook simplesmente porque me parecem ferramentas muito invasivas e nada mais que isso. Não sou fóbica. As tecnologias acrescentam, mas ao mesmo tempo, distraem e alienam muito. Um dos riscos é que nos faz fechar em nós mesmos. E este é um perigo para o jornalista. Aquele que olha para o seu umbigo o tempo todo, que está mais preocupado sobre o tuíte engenhoso que vai escrever do que fazer seu trabalho, me preocupa. Há também um risco de uma certa desmotivação. O risco de um jornalista aburguesado, que está todo o tempo na redação, que contacta todos os entrevistados por Facebook e áudios sem olhar as pessoas nos olhos, saber onde e como vivem exatamente.

P. Quais temas precisam de mais atenção hoje na crônica literária da América Latina?
R. Hoje esse tipo de jornalismo se centra mais em temas relacionados com a marginalidade e o conflito. Já a saúde, a educação, a música, a ciência e o esporte são relatados mais em matéria do dia a dia. Falta meter mais pulso jornalístico nessas questões, inclusive também nas historias da classe alta.

P. Ter uma coluna periodicamente é desafiador? De onde parte suas inspirações? Algumas são autobiográficas?
R. Quando me fizeram a propostas de escrever a coluna para o EL PAÍS, achei que o fato de buscarem uma cronista latino-americana tinha que ter algum sentido. Percebi que contar histórias do nosso continente e da nossa região neste lugar era importante. Muitas delas são autobiográficas, salvo as que chamo de Instruções, que são como postais de seres humanos em crises diversas. E na verdade eu gosto muito desse formato hiperpequeno, característico das minhas colunas. São como micro ensaios que precisam estar blindados, sem cabos soltos. É um dizer muito potente e condensado. Tem algo de perfume muito impregnante. É uma escritura muito chamativa que obviamente não funciona por todas as partes. A coluna está sempre aí, quase gritando.

EL PAÍS Brasil
Posted: 29 Jul 2017 11:37 AM PDT

Na frente

A cada nova pesquisa, vai ficar cada vez mais claro por que Lula tem de ser impedido no tapetão de disputar as eleições de 2018.

Sergio Moro é a grande esperança branca para barrar a caminhada do ex-presidente.

Moro já foi longe demais e, como disse o próprio Lula em sua depoimento ao juiz, não pode mais recuar e deve cumprir o script dado pela Globo.

No primeiro levantamento depois da condenação a 9 anos e meio de prisão na Lava Jato, feito pelo Instituto Paraná, ele lidera em todos os cenários.

Num primeiro, Lula tem 25,8% da preferência dos eleitores, seguido pelo deputado Jair Bolsonaro (18,7%) e por João Dória (12,3%).

Joaquim Barbosa aparece com 8,7%, Marina Silva com 7,1% e Ciro Gomes com 4,5%.

Em outro cenário, em que aparece Geraldo Alckmin, Lula tem 26,1%, Bolsonaro 20,8%, Joaquim Barbosa 9,8% e o governador de São Paulo 7,3%.

Nas simulações de segundo turno, Lula também sai vencedor com 38,7%, seguido de Bolsonaro, com 32,3%. Contra Doria, seria 38,5% a 32,2% para Lula. Contra Alckmin, 39% a 26,9%.

A tábua de salvação era a rejeição. A de Lula aumentou — bem como a de seus concorrentes (veja o quadro abaixo).

Movido pela vaidade e pela farsa em que passou a acreditar — o poeta é um fingidor, finge tão completamente que finge ser sua a dor que deveras sente —, Sergio Moro vai continuar como o principal adversário de Lula para 2018.

O justo seria ele sair do púlpito e ir para a disputa nas urnas com seu inimigo, de igual para igual.

Afinal, eis o magistrado do cidadão de bem, cujo semblante aparece em estandartes de 10 entre 9 protestos fascistas, aclamado pela direita.

Mas não se trata de justiça e todo brasileiro sabe disso. Daqui em diante, cada pesquisa vai explicitar isso como um filme pornô.



DCM
Posted: 29 Jul 2017 11:22 AM PDT

“Achar que se afastar deste governo e contribuir para a sua queda vai salvar o PSDB nas eleições é subestimar a inteligência do povo brasileiro”, disse ainda o ministro, que defende a permanência do PSDB no governo Temer.


 Portal Fórum
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Para o ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores) o seu partido, o PSDB, precisa “baixar a bola” e deixar de pensar que abandonar o barco vá salvá-lo nas próximas eleições.

“Achar que se afastar deste governo e contribuir para a sua queda vai salvar o PSDB nas eleições é subestimar a inteligência do povo brasileiro. O fato de sair do governo não vai fazer com que o sujeito emirja da pia batismal vestido de branco, ‘não tenho nada a ver com essa situação’. Temos, sim [bate a mão na mesa]. Nós criamos essa situação”, disse em entrevista à Folha.

O PSDB volta do recesso nesta terça-feira (1º) dividido sobre a decisão de romper com o governo Temer ou continuar na base de sustentação e manter os quatro ministérios que ocupa -Cidades, Relações Exteriores, Direitos Humanos e Secretaria de Governo.

Para o ministro, o PSDB precisa reduzir a temperatura de seus conflitos internos para decidir quem será o próximo presidente da sigla -cargo ocupado interinamente por Tasso Jereissati (CE) desde maio, quando Aécio Neves (MG) foi afastado ao ser gravado pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F, pedindo R$ 2 milhões.

Nunes reconhece que Aécio “foi muito atingido”, mas pondera que “injustamente”. “Acho que afetou muito. O presidente, evidentemente, é a cabeça do partido. Mas não foi só o Aécio que foi atingido por essas delações -e atingido injustamente. Muitos outros o foram. Inclusive eu”, diz o chanceler, também mencionado em delação da Odebrecht.

Ao sair em defesa do governo, o tucano classificou como “milagre” que Temer governe no atual sistema político, com troca de benesses por votos.

“É um milagre que o presidente Temer esteja conseguindo fazer um governo que enfrente os problemas do país com eficácia tendo que negociar, que abrir mão de objetivos máximos”, afirmou.

2018

Para as eleições presidenciais de 2018, Nunes defendeu que os tucanos se alinhem a um “campo reformista”, identificado com o atual governo, para se opor a uma candidatura oposicionista.

Ele também minimizou as pré-candidaturas de Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede).

Para ele, Jair Bolsonaro “não é uma opção real” da disputa presidencial, e tem uma “pauta esquálida”.

“O que diz o Bolsonaro para a sociedade brasileira? É a apologia do regime militar, à homofobia, ao antifeminismo. Não se sustenta. Pode fazer bonito na eleição, mas não é uma opção real colocada na mesa, assim como Marina.”



Portal Fórum
Posted: 29 Jul 2017 10:22 AM PDT



ONDE AS MAES CHORAM final 4 from

Agenda em Foco on Vimeo.

Da Redação

Em 6 de julho, a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados – CDHM, por meio de seu presidente, deputado Paulão e dos deputados Benedita da Silva e Wadih Damous (todos do PT), fez uma diligência a Bangu 2, no Rio de Janeiro, para visitar Rafael Braga.

É o único condenado pelas manifestações de junho de 2013, embora não estivesse participando dos protestos.

Preto e pobre, estava no lugar errado, na hora errada. Foi preso a primeira vez, porque carregava uma carregava uma garrafa do desinfetante pinho sol, com qual a polícia achou que ele fosse fazer um coquetel molotov. “Eu nem sabia o que é coquetel molotov”, relatou aos parlamentares, na presença da mãe.

Emocionado, contou-lhes como foram suas duas prisões.

Com o material filmado, a equipe de comunicação da deputada Benedita da Silva fez este mini-doc.


Viomundo
Posted: 29 Jul 2017 10:08 AM PDT

POR FÁBIO GÓIS

Beto Barata/PR Capa da revista Época volta a aterrorizar Temer, agora
 às vésperas da votação de denúncia na Câmara
Reportagem de capa da revista Época deste fim de semana diz ter tido acesso a provas sobre uma série de repasses do Grupo JBS (propina, caixa dois etc), por anos, a “centenas de políticos brasileiros”. Segundo a publicação, com menção “a documentos que expõem a compra sistemática” de nomes como o presidente Michel Temer (PMDB) e os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, além de senadores como Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serrá (PSDB-SP) e ex-ministros como Guido Mantega e Antonio Palocci, apenas Temer recebeu R$ 22 milhões de maneira ilícita.


Intitulada “As provas da JBS”, a reportagem de capa remete a outra, como este site mostrou em 17 de junho, em que a mesma revista estampa como carro-chefe da edição uma entrevista exclusiva com Joesley Batista, dono da JBS. Um dos delatores da Operação Lava Jato e outros esquemas de corrupção, o empresário fala sobre sua relação com o poder nos últimos anos e diz que o peemedebista chefia “maior e mais perigosa” organização criminosa do Brasil. A delação premiada de Joesley, seu irmão Wesley e executivos da empresa resultou na denúncia de corrupção passiva contra Temer, cuja continuidade no Supremo Tribunal Federal (STF) está para ser votada por deputados a partir da próxima quarta-feira (2).

Na edição deste fim de semana, Época incia sua reportagem principal com o relato de episódio em que um dos operadores dos pagamentos de dinheiro ilícito para políticos hesita, mas efetua o repasse de R$ 1 milhão para Temer. O titubeio do funcionário da JBS, às voltas com a missão de entregar a encomenda ilícita, decorreu da desconfiança despertada na “figura inclemente de João Batista Lima Filho, o coronel faz-tudo de Temer”.

Reprodução da capa já reúne informações suficientes para que a classe
 política tenha sua insônia intensificada

“Demilton de Castro e Florisvaldo de Oliveira estavam suando. No estacionamento da JBS em São Paulo, eles tentavam, sem sucesso, enfiar uma volumosa caixa de papelão num limitado porta-malas de Corolla. Plena segunda-feira e aquele sufoco logo cedo. Manobra para cá, manobra para lá, e nada de a caixa encaixar. Até que, num movimento feliz, ela deslizou. Eles conseguiram. Estavam prontos para desempenhar a tarefa a que Florisvaldo fora designado. E que ele tanto temia. Dez dias antes, Florisvaldo despencava até uma rua na Vila Madalena, também em São Paulo, para fazer uma espécie de ‘reconhecimento do local’ onde teria de entregar R$ 1 milhão em espécie. Seu chefe, o lobista Ricardo Saud, havia encarregado Florisvaldo do delivery de propina para o então vice-presidente da República, Michel Temer. O funcionário, leal prestador de serviço e carregador de mala, não queria dar bola fora. Foi dar uma olhada em quem receberia a bufunfa. Ao subir as escadas do prediozinho de fachada espelhada, deu de frente com a figura inclemente de João Batista Lima Filho, o coronel faz-tudo de Temer. ‘Como é que você me aparece aqui sem o dinheiro?’, intimou o coronel. ‘Veio fazer reconhecimento de que, rapaz?’ Florisvaldo tremeu”, descreve a introdução do texto assinado pelo editor-chefe da revista, Diego Escosteguy.

A capa da revista já dá uma boa ideia do que o conteúdo da reportagem especial reserva. Cita, além dos R$ 22 milhões para Temer, “as notas frias da campanha presidencial de José Serra”; “os depósitos de US$ 1 milhão numa conta secreta indicada por Palocci”; “os extratos nos EUA da propina de Lula e Dilma no BNDES”; “os pagamentos de dinheiro vivo para ministros, parlamentares e o presidente do Senado”. Ainda segundo a matéria, um dos repasses clandestinos a Temer foi efetuado em dinheiro vivo em 1º de setembro de 2014, mês anterior à votação que o reelegeria, na chapa com Dilma, vice-presidente da República.

“A JBS dos irmãos Joesley e Wesley Batista, maior empresa do país, viria a gastar, ou investir, quase R$ 600 milhões naquela campanha. R$ 433 milhões em doações oficiais, R$ 145 milhões entre pagamentos a empresas indicadas por políticos e dinheiro vivo – tudo isso já com a Lava Jato na rua. [...] Ou seja, havia uma relação de troca entre o dinheiro que saía da empresa e o que o político fazia por ela – mesmo que essa troca, em alguns momentos, não fosse verbalizada, por tão corriqueira e natural num quadro de corrupção sistêmica. Havia, em muitos casos, uma relação de troca criminosa, que se tipifica como corrupção”, continua a reportagem, acrescentando que o Grupo JBS reuniu e se prepara para entregar às autoridades da Java Jato “formidável conjunto” de provas.

“Assim que a delação da JBS veio a público, em maio, a força irrefreável das provas contra o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, provas de crimes em andamento, assim como a crise política que se instalou imediatamente, escamoteou o poder igualmente destrutivo dos crimes pretéritos cometidos por executivos da JBS – e por centenas, talvez milhares, de políticos. As provas apresentadas foram largamente ignoradas. Como os delatores haviam fechado o acordo poucas semanas antes, a empresa ainda não tinha levantado tudo o que poderia e deveria, em termos de evidências para corroborar os crimes descritos nos anexos da colaboração. Agora, a um mês do prazo estipulado para entregar à Procuradoria-Geral da República todas as evidências necessárias, os delatores e a JBS já dispõem de um novo e formidável conjunto de documentos”, informa a publicação.



Congresso em Foco

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