quinta-feira, 3 de agosto de 2017

3/8 - Altamiro Borges DE HOJE (CONTEM VÍDEO)

Altamiro Borges


Posted: 03 Aug 2017 09:18 AM PDT
Por Marco Aurélio Weissheimer, no blog RS-Urgente;

No início deste ano, em um debate realizado no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Flavio Koutzii falou do retorno de alguns sentimentos incômodos vivenciados no período pós-golpe de 64 no Brasil: o sentimento de sentir-se exilado dentro do próprio país e o de um profundo estranhamento em relação ao que nos cerca. A palavra “cerca” aqui tem um duplo sentido: o que nos rodeia e o que nos prende a um pequeno espaço, como se fosse a ante-sala de um matadouro.

O nível de degradação, cinismo, mentira e corrosão de qualquer coisa que possa ser chamada de estado de direito e de justiça hoje no país parece alimentar esses sentimentos de exílio e estranhamento nos corações e mentes de muita gente. A sensação de estranhamento em relação aos cenários para os quais fomos empurrados nos últimos meses é crescente. Há cenários e personagens bizarros circulando com uma naturalidade tal que parece configurar a invasão de uma realidade paralela, uma versão tupiniquim do clássico “Invasores de Corpos”.

O que se viu na Câmara dos Deputados hoje foi mais um capítulo dessa bizarrice. Nada surpreendente. Tudo previsível. E é por isso mesmo que parece mais grave. Muito se falou hoje da apatia da população em relação ao que acontecia no Congresso. Talvez não tenha sido apatia, mas uma desistência mais profunda em relação aquele ambiente pútrido protegido por uma polícia militar que, cada vez mais, assume a função de guarda pretoriana dos destruidores da democracia e do país. Um tímido protesto ocorreu no final da tarde e início da noite. Os zelosos policiais lá estavam, para evitar que os invasores de corpos fossem perturbados. Cercar o Congresso hoje significaria o que mesmo?

A perda progressiva do sentido de pertencimento a uma nação, o crescimento dos sentimentos de exílio e de desistência são sintomas da metástase que vai tomando conta do Brasil. Na Itália, o resultado da Operação Mãos Limpas foi a ascensão de Berlusconi ao poder. Aqui, a Operação Lava Jato e suas ramificações políticas, jurídicas e midiáticas podem superar essa marca e transformar o Brasil numa grande Líbia.
Posted: 03 Aug 2017 08:59 AM PDT
Posted: 03 Aug 2017 08:49 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Na manhã de quarta-feira, antes da votação da denúncia contra Temer por corrupção passiva, seus aliados projetavam uma vitória por cerca de 300 votos e antecipavam uma forte ofensiva na agenda de contrarreformas. Numa sessão que lembrava as xepas de fim de feira, com ministros negociando favores dentro do plenário, o governo ganhou com apenas 262 votos. A oposição, unida, obteve 227 votos, e como os partidos de esquerda têm apenas 100 deputados, cerca de 120 votos vieram de dissidentes da base governista. 

Partidos como o PPS e o PSB deram maioria de votos contra Temer, enquanto o PSDB rachou literalmente (22 contra, 21 a favor da denúncia). Ficou evidente que o governo não tem a maioria de 3/5 (308 votos) para aprovar emendas constitucionais, como a da reforma previdenciária e que o colosso da base trincou. O mercado, que também esperava vitória mais robusta, está analisando com lupa o mapa de votação.

- O presidente golpista Michel Temer encolheu. Apesar da vitória circunstancial, a mensagem que fica é a de que o governo, amplamente rejeitado pelo povo brasileiro, começa a perder força até entre seus apoiadores na Câmara. Eles não terão os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência – avalia o deputado e ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-SP).

Esta conta é aritmética: a soma dos 262 votos que Temer obteve contra a denúncia, com os 19 ausentes e duas abstenções (supondo que sejam favoráveis à reforma) resulta em 283 votos, número inferior aos 308 necessários para aprovar emendas constitucionais. Esta correlação aponta para a hipótese de o governo ter que se contentar apenas com a fixação da idade mínima de 65 anos para aposentadoria, desistindo das muitas outras maldades propostas contra os direitos dos contribuintes.

Algumas consequências políticas da votação terão que ser enfrentadas agora pelo governo. Temer precisará de reacomodar os aliados no governo e nenhum governo consegue contentar a todos quando o assunto é cargos. Os deputados do chamado “centrão” irão para cima de Temer pedindo que lhes sejam destinados espaços ocupados pelo PSDB, que orientou voto contrário ao governo e lhe deu apenas o apoio de metade da bancada.

Por outro lado, Temer continuará precisando do PSDB para garantir votos a favor das reformas. Os tucanos que têm cargos, como os quatro ministros, vão brigar pela permanência no governo mas daqui para a frente o comportamento do PSDB será cada vez mais imprevisível. Uma ala estará de olho no eleitorado, e outra empenhada em realizar as reformas impopulares pelas mãos de Temer, que não tem nada a perder, pois sua popularidade vai se aprovando do zero. O PSDB, embora votando dividido, saiu marcado como o partido que salvou Temer, na medida em que quase todos os deputados, de um lado e de outro, votavam contra ou a favor do “parecer do deputado Abi-Ackel, do PSDB”. Houve defecções importantes, inclusive na bancada ruralista, apesar de todos os favores concedidos na véspera, com o Refis rural e outras medida.

- Daqui para a frente, o governo vai enfrentar uma instabilidade permanente na relação com seus aliados na Câmara e isso dificultará muito a aprovação da reforma previdenciária e de outras medidas que exijam quórum elevado – avalia outro ex-presidente da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

É com a base encolhida e uma crescente preocupação dos deputados com o desgaste que Temer enfrentará uma segunda denúncia de Rodrigo Janot, e parece que ela vem, e será por formação de organização criminosa.

Mas nada do que houve ali foi novidade. O silêncio profundo do lado de fora do Congresso, onde não houve qualquer manifestação popular, apenas confirmou a indiferença do povo em relação ao que faz o Congresso. Como se o povo já soubesse que ali a maioria não está nenhum pouco interessada em representar seus sentimentos, desejos ou vontades. Uma indiferença perigosa para a democracia, que em algum momento encontrará sua tradução, nas urnas ou por outros meios.
Posted: 03 Aug 2017 06:09 AM PDT
Do blog Viomundo:

O Centrão assumiu diretamente o poder, sem intermediários, pela primeira vez desde os mandatos de FHC, Lula e Dilma.

Foi consequência da votação desta noite, em que Michel Temer obteve os 172 votos necessários a barrar a denúncia da Procuradoria Geral da Justiça contra ele no Congresso.

PSD, PP, PR, PTB, Pros, SD e PSC lideraram o bloco que salvou Michel Temer, além do PMDB.

O autor do relatório que salvou Temer foi o deputado Paulo Abi-Ackel, do PDSB mineiro, que pretende ser o herdeiro político de Aécio Neves.

O ex-presidente do PSDB, acusado ao lado de Temer nas delações da JBS, jogou pesado nos bastidores para salvar o ocupante do Planalto - e abater as acusações feitas contra ele pela PGR.

A rachadura desmoraliza os tucanos: Aécio conseguiu os votos da veterana Yeda Crusius e da novata Bruna Furlan a favor de Temer, mas não os de Mara Gabrilli e do pernambucano Daniel Coelho, por exemplo.

A sessão teve poucos momentos risíveis em comparação àqueles da votação que abriu processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

O deputado Marco Feliciano, por exemplo, votou em favor do relatório argumentando que a derrota de Temer significaria “a volta do PT ao poder”.

O deputado Victório Galli, do PSC de Mato Grosso, votou por Temer e contra a “identidade de gênero” nas escolas.

O deputado Ezequiel Teixeira, do PTN do Rio, votou “contra o comunismo”.

Apoiadores de Temer tentaram ressuscitar o surrado antipetismo para defender a quadrilha que ocupa o Planalto.

Grande parte dos que votaram para enterrar a denúncia argumentaram pela “estabilidade econômica”, num momento em que o Brasil tem 14 milhões de desempregados, rombo recorde nas contas públicas, cortes nos direitos sociais e quebradeira generalizada.

Discursaram como se a recuperação econômica fosse um fato, desconhecendo o desejo expresso em pesquisas por mais de 90% dos entrevistados: o de que Temer deve ser investigado.

Segundo o jornalista Fernando Rodrigues, do Poder 360, já prevendo a vitória o Centrão articula lançar o ministro da Fazenda Henrique Meirelles como candidato do grupo em 2018.

Temer obteve os 172 votos necessários à rejeição da denúncia às 20h30m, com 145 votos contra e 13 ausências àquela altura.

O placar final foi de 263 votos pró-Temer, 227 contra e 21 abstenções.

A decisão da Câmara deve aprofundar a crise econômica, política e social e colocar Temer cada vez mais no colo das bancadas fisiológicas que dominam o Congresso, a começar do Boi, Bala e Bíblia.
Posted: 03 Aug 2017 06:00 AM PDT
Por Ruben Berta, no site The Intercept-Brasil:

O deprimente espetáculo da votação do prosseguimento da denúncia da PGR contra o presidente Michel Temer terminou com um final já esperado. Depois de abrir a torneira das emendas parlamentares, o governo conseguiu com folga os votos de que precisava para manter se manter no comando. Em suas justificativas, boa parte dos deputados resolveu apelar para a “estabilidade” econômica do país, deixando para outra hora a continuidade do processo.

The Intercept Brasil lista alguns dados econômicos para lembrar aos deputados da real situação do país comandado por Temer, um presidente com 5% de aprovação da população:

– Há 13,5 milhões de desempregados, segundo os dados mais recentes do IBGE.

– A dívida pública federal é de R$ 3,357 trilhões. Os dados mais recentes mostram um aumento de 3,22% entre os meses de maio e junho.

– A perspectiva de crescimento do PIB este ano é de apenas 0,34%.

– Aumento do PIS/Cofins eleva o preço da gasolina em cerca de 8%.

– Governo tem dificuldade para cumprir a meta fiscal.

As acusações que ainda podem pesar sobre o presidente são de obstrução de Justiça e organização criminosa.

Agora, o governo ganha sobrevivência e aguarda uma ou mesmo duas possíveis novas denúncias contra Michel Temer. As acusações que ainda podem pesar sobre o presidente são de obstrução de Justiça e organização criminosa. Nesta quarta, ele escapou do processo por corrupção passiva.

Resta à população, que acompanhou a votação sem grandes protestos, assistir mais um pouco de um presidente que continua firme em seu mundo inabalável, como mostra o texto do artigo que publicou na “Folha de S.Paulo” horas antes de seu processo ser arquivado:

“Não importam os obstáculos; o importante é que os diversos setores tenham maturidade e disposição para discutir o mérito das questões nacionais. Temos longa tarefa pela frente. Entre elas, a de pacificar o país, um dos motes de nosso discurso de posse. Chegaremos lá. Com o apoio do Congresso e do povo brasileiro”.

O primeiro apoio realmente parece garantido. O segundo, se não existe, parece assistir a tudo sem ter forças para gritar.

Em pronunciamento após a votação, Temer exaltou o respeito à Constituição e disse que está “retirando o Brasil da mais grave crise econômica da História” e que espera terminar a “grande transformação” que está realizando no país. Entre elas, destacou a “revolução” promovida pela “modernização trabalhista”.
Posted: 03 Aug 2017 11:21 AM PDT
Do site do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo:

“Os jornalistas e a crise política” será o tema de debate nesta sexta-feira, 4 de agosto, às 19 horas, na abertura do 15º Congresso Estadual do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. O evento acontece no auditório Vladimir Herzog e a presença é aberta a todos e todas.

A mesa de debates contará com o professor Laurindo Leal Filho, da Escola de Comunicações e Artes da USP, a jornalista Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres, o jornalista Altamiro Borges, do Blog do Miro, e Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, além de representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do próprio Sindicato.

O auditório fica localizado na rua Rego Freitas, 530, sobreloja (Metrô República). Compareça!
Abertura do 15º Congresso Estadual dos Jornalistas
Data: 4 de agosto de 2017 (sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Auditório Vladimir Herzog – Sede do Sindicato
Rua Rego Freitas nº 530 – Sobreloja – Centro – São Paulo/SP
Posted: 03 Aug 2017 05:35 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

A base aliada do governo na Câmara dos Deputados decidiu não acolher a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que pede a investigação do presidente Michel Temer por corrupção passiva. A votação do relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) terminou nesta quarta-feira (2) com 263 votos a favor do arquivamento do pedido da PGR. A oposição obteve 227 votos, mas eram necessários 342 para que a denúncia fosse encaminhada ao STF. A votação teve ainda duas abstenções e 19 ausências.

Antes da declaração de voto de cada deputado individualmente, 24 líderes de partidos e blocos apresentaram a orientação de suas agremiações. Orientaram pelo voto contrário ao relatório, e a favor da investigação de Temer: PT, PDT, PCdoB, Psol, Rede, PSB, PMB, PHS, além, curiosamente, do PSDB – já que o autor do relatório é um tucano. Favoravelmente ao relatório pró-Temer, indicaram: PMDB, DEM, SD, PSD, PR, PSC, PEN, PP, Podemos e PTdoB.

O comprometimento do PSDB com a causa governista foi acentuado por diversos deputados dos menores partidos, o chamado baixo clero, que tiveram atuação destacada na votação. A frase "Parabéns ao deputado Abi-Ackel pelo brilhante relatório" foi pronunciada insistentemente.

A conduta foi inversa à da votação pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff – no show de horrores promovido pela Câmara em 17 de abril do ano passado. Na ocasião, defendia-se o "sim" pela impeachment sem se entrar no mérito do processo, a acusação de crime de responsável fiscal inexistente, segundo pessoas sérias do meio jurídico e especializado em contas públicas.

Do mesmo modo, os votos em favor da permanência de Temer tiveram como argumentos da defesa da "estabilidade política e econômica" à "não venezualização" do Brasil. A necessidade de investigação de crimes de corrupção carregados de evidências não foi mencionada.

Oposicionistas também perderam a oportunidade de enfatizar as acusações de corrupção que pairam sobre Temer – apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tendo como base acordo de delação premiada do dono dos frigoríficos JBS, Joelson Batista, que gravou, com autorização da Justiça, conversas comprometedoras com o presidente no Palácio do Jaburu. Ante a derrota iminente, muitos parlamentares favoráveis à investigação dedicaram seus 15 segundos de fala a atacar as políticas de Temer, como as reformas trabalhista e da Previdência.

Leia algumas frases dos parlamentares:

Mauro Pereira (PMDB-RS): “Pela continuidade da economia. Para que o Brasil entre nos trilhos. E mais um motivo justo, não fico do lado de PT, PCdoB, Rede e Psol. Fora PT, Fora Lula”

João Rodrigues (PSD-SC): “Contra o discurso baixo e sujo do PT e da esquerda, voto pelo brasil. Voto sim pelo relatório do PSDB”

Delegado Éder Mauro (PSD-PA): “Principalmente para que essa esquerda comunista pense em ressuscitar bandidos destruídos politicamente que querem destruir o país, inclusive com a destruição da família, voto sim”

Wladimir Costa (SD-PA): “Quero dizer abaixo o Ibope ridículo e mentiroso, abaixo à pesquisa do Datafolha que mente. Temer é um homem decente, preparado, honesto e transparente. Nós da base do governo vamos botar a oposição para chorar com a vitória de Michel Temer”

Sabino Castelo Branco (PTB-AM): ”Para tristeza de muitos e alegria de poucos estão querendo o fim de um Brasil melhor. Voto sim”

Heuler Cruvinel (PSD-GO): “Contra a esquerda comunista que quebrou o Brasil, voto sim com o relatório”

Magda Mofato (PR-GO): “Pela coragem de nosso presidente Michel Temer, voto sim”

Roberto Balestra (PP-GO): “Voto por Inhumas, por outras e por Goiás, sim”

Alberto Fraga (DEM-DF): “Para que o Brasil não se torne uma Venezuela que eles querem. Voto sim”

Laerte Bessa (PMDB-DF): “Vamos votar sim porque não aceitamos mais o PT na nossa vida”

Professor Victório Galli (PSC-MT): “Pela nossa liberdade religiosa e não implantação da ideologia de gênero nas escolas. E pelo nosso Mato Grosso, maior produtor de grãos, voto sim”

Baleia Rossi (PSDB-SP): “O povo brasileiro não quer a volta do PT. Voto pelo relatório do PSDB”

Marco Feliciano (PSC-SP): “Quem tem visão política não enxerga um momento e sim o futuro. Todos sabem que a queda do Temer seria a volta do PT e a volta da esquerda. Que as viúvas do PT chorem para lá”.
Posted: 03 Aug 2017 05:30 AM PDT
Por Christiane Peres, no site Vermelho:

Por 264 votos contra 227, base de Michel Temer na Câmara suspendeu a análise da denúncia contra o peemedebista por corrupção passiva. Agora, para Temer responder por este crime será preciso esperar até o final do mandato, no dia 1º de janeiro de 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá retomar a análise da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

No total, 15 partidos (PMDB, PP, PR, PSD, DEM, PTB, PRB, PSC, Pros, SD, PEN, Pode, PTdoB, PSL e PRP) orientaram o voto “sim”, enquanto dez partidos (PT, PSDB, PSB, PDT, PCdoB, PPS, PHS, Rede, PSol e PMB) orientaram o “não”. Apenas o PV liberou a bancada para que cada deputado decidisse sua posição.

Diferentemente da votação do impeachment de Dilma, quando os golpistas votaram em nome de “Deus e da família”, ironicamente, dessa vez, a base dedicou seus votos à “estabilidade política e honestidade de Temer”.

A votação foi marcada por protestos de parlamentares da oposição que pediam transparência e tempo para debate. “Uma denúncia grave como essa não poderia ter sido votada assim. Era preciso debate, mas eles tinham pressa. Temer precisa ser investigado para o Brasil caminhar rumo às Diretas Já”, afirma a líder comunista, Alice Portugal (BA).

Para garantir o resultado a seu favor, Temer reforçou nesta semana a empreitada por apoio. Só na véspera da votação, o presidente recebeu mais de 100 parlamentares e ainda teve tempo para um almoço com a bancada ruralista, onde apresentou a recém-publicada medida provisória que alivia a dívida previdenciária de produtores rurais.

“Para além do congelamento de 20 anos nos investimentos em saúde e educação, o governo ainda diz que não tem recursos para investir em faculdades públicas por conta da “herança” do governo Dilma. Mas vimos aqui que não faltou dinheiro para comprar deputados com emendas e garantir a anistia de Temer”, avalia a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos (PE).

Durante a própria sessão de votação da denúncia, ministro de Temer foi visto negociando novas emendas parlamentares, explicitando os meios usados para garantir o governo do peemedebista.

“Vimos aqui não uma tropa de choque, mas uma tropa de cheque”, ironiza o deputado Rubens Pereira Jr (PCdoB-MA).

Para os deputados da base governista, a manutenção do presidente é vital para a “retomada do crescimento econômico”, uma vez que Temer “vem conseguindo imprimir uma agenda favorável ao mercado e ao emprego”.

Apesar da “segurança” de alguns discursos, a direita protagonizou cenas de empurra-empurra e bate-boca sob comando do deputado Wladimir Costa (SD-PA), que chegou a classificar partidos de esquerda de “organizações criminosas”.

“Esse é o nível dos defensores de Temer. Seria cômico se não fosse trágico e tão sério”, disse Alice Portugal em repúdio à postura do parlamentar.

Agora, uma nova batalha poderá ser travada quando o PGR, Rodrigo Janot, apresentar nova denúncia contra o presidente.
Posted: 03 Aug 2017 05:05 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

A votação da Câmara hoje não foi tão ridícula quanto a do dia 17 de abril de 2016 porque naquela ocasião os deputados transforam a sessão num circo. Muitos deles estavam enrolados em bandeiras do Brasil e quase todos falavam em nome de Deus e da família, havendo quem soltasse até confetes e serpentinas no plenário.

Mas naquele dia, a despeito de tudo isso, os parlamentares votavam com a maioria da população, já que o governo Dilma era desaprovado por grande parte dela.

Não se está aqui dizendo que os deputados fizeram justiça naquele domingo, porque não havia crime de responsabilidade objetivo contra a ex-presidente Dilma.

Mas eles estavam com a maioria. E o ridículo era relevado.

Hoje, não. Hoje eles votaram contra a imensa maioria do povo, já que Temer é mais desaprovado do que Dilma. E além disso, contra provas e evidências.

Contra uma mala de 500 mil reais que foi filmada (foto em destaque) sendo carregada por um deputado, Rodrigo Rocha Loures, que era ex-assessor do presidente ilegítimo.

E contra um áudio que registrava uma conversa de mafioso de Temer com Joesley, da JBS, realizada na calada da noite.

Ao fazer isso, os deputados perderam a possibilidade de dialogo com aqueles que não são movidos ao discurso de ódio contra o PT e a esquerda.

Ou seja, salvaram Temer desta denúncia, mas jogaram seus mandatos no lixo.

Ampla maioria da Câmara atual, caso haja eleições em 2018, será varrida do mapa. Podem vir parlamentares piores do que esse, mas dos atuais, sobraram poucos. Principalmente entre os que caçaram Dilma e ficaram com Temer.
Posted: 03 Aug 2017 04:55 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

263 votos, apenas seis votos acima da maioria simples de 257 votos.

Não é número, obvio, para derrubar o governo, mas também não é número para que o governo passa sinalizar que possa aprovar a reforma da Previdência, ovo de ouro que o mercado ainda esperava da galinha Temer.

Temer saiu vitorioso o suficiente para se sustentar, mas não para “bancar” ao mercado ser a “grande esperança branca” para destruir os direitos previdenciários.

Não tem, sequer, uma maioria sólida, que dirá maioria significativa para fazer reformas constitucionais que exigem 308 votos, ao menos.

E perdeu, com a transmissão ao vivo da sessão de votação, seus dois principais sustentáculos: o apagão da mídia sobre seu desgaste e a menção do nome “maldito” de Lula.

O PSDB, aliás, por conta do relatório do aecista Abi-Ackel, colou sua imagem em Temer.

O dia foi de uma vitória de Pirro, daquelas em que, mais uma, o governismo estará arruinado.
Posted: 03 Aug 2017 04:50 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Confesso que não fiquei surpreso com a decisão de ontem, quando a Câmara de Deputados rejeitou a proposta de investigar Michel Temer pelo crime de corrupção passiva.

Jamais acreditei que isso fosse acontecer. Com mais de 40 anos de jornalismo, me pergunto quantas pessoas estão sendo sinceras quando se dizem decepcionadas com a decisão. Quantas podem dizer, sinceramente, que esperavam outra coisa? Quantas perderam o sono?

Não se pense que estou me referindo a "este Congresso".

Também discordo de uma personalidade pública respeitável, como a atriz Patrícia Pillar, que resolveu acusar a "maioria" do povo brasileiro de "conivência" -- uma denúncia de natureza moral – "com o banditismo."

A verdade é que muitas pessoas tem uma dificuldade imensa para reconhecer um fato banal: nas sociedades contemporâneas, a moral está e sempre esteve subordinada à política.

A experiência dos brasileiros ensina que os valores morais podem ajudar a reparar injustiças – e também podem servir para acobertar barbaridades imensas, como a perseguição a Getúlio em 1954 – mas não são eles que movem as rodas da história.

Este é o papel da política – que as campanhas que colocam a moral em primeiro lugar pretendem e muitas vezes conseguem sufocar.

Examinando os fatos com alguma frieza, é absurdo imaginar que Michel Temer pudesse ter o mesmo destino dos dois antecessores comparáveis.

Dilma Rousseff foi deposta – por um pretexto cínico, arranjado – quando perdeu sua base social original, a única que poderia lhe dar sustentação política. Fernando Collor enfrentou uma investigação de outra qualidade, com elementos consistentes. Mas seu governo desmoronou quando tentou se transformar num pequeno Bonaparte sem dispor de instrumentos para tanto.

Acusado de crimes de uma gravidade muito maior, que sequer poderia ser comparada à dos casos anteriores, Michel Temer conseguiu, ontem, uma proeza em outro nível: nem será investigado.

Não é pouca coisa, convenhamos. Mas é o que se espera, quando se avalia seu desempenho político. Temer não é um gênio dos bastidores de Brasília. Não descobriu o poder mágico das emendas parlamentares. Nem fala pela maioria do país, obviamente, mas por 1% dos 1%.

Faz o impensável, porque o mais simples. É um lacaio dos grandes interesses que comandam o Estado brasileiro há cinco séculos, que é capaz de defender sem a má consciência dos indecisos, sem o escrúpulo daqueles que conservam uma mancha, mesmo pequena, de humanidade. Não vacila uma vírgula, não recua um centímetro. Entende os sinais, evita ruídos. Envia mensagens chocantes pela crueza e falta de empatia com o sofrimento daqueles que irá prejudicar. Com um rosto que é uma máscara, disse que não temia a impopularidade e mostrou que falava sério.

Do ponto de vista da democracia, é um monstro.

Mas é exatamente isso o que se espera dele.

Foi este retrato sem retoques que se pode ver ontem.

Num país que em 1988 fez uma Constituição que abriu espaço a cidadania de 200 milhões de brasileiros e deixou um lugar inédito para o reconhecimento dos direitos dos trabalhadores e da população pobre, a permanência de Temer representa um passo na formação de uma ditadura de classe escancarada, sem direitos nem conquistas que diminuem a dor dos que sempre sofreram.

Confirma a noção de quem uns – e só estes – tem mais direitos do que outros.

É a imoralidade em estado bruto, aquele estado de barbárie em que a desigualdade entre os homens passa a ser tratada como um elemento da geografia e não da história, da genética e não da cultura, da natureza e não da sociedade.
Posted: 03 Aug 2017 04:26 AM PDT
Por Reginaldo Moraes, no site Brasil Debate:

Quanta desigualdade pode suportar uma democracia? E quanta democracia pode suportar a desigualdade? Não, este artigo não vai enveredar por essa discussão que arrisca resumir-se na famosa charada Tostines: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Não, aqui vai uma reflexão mais subjetiva, feita de memória, em tempos de pouca memória.

Se nunca escutou, escute Lulu Santos cantando Minha Vida. Vale pelo balanço da balada tropical, mas vale também pelas tiradas. Uma das que mais gosto: “… Aí veio a adolescência e pintou a diferença… a garota mais bonita também era a mais rica”. Pois é. Ou melhor, assim era, hoje não é. Já houve tempo em que a mesma escola abrigava a garota rica e o garoto pobre. Lembro-me disso no meu curso ginasial no começo dos anos 60. I’m sorry, periferia, isto não existe mais.

Eu morava na Vila Leopoldina. Naquele que então era um bairro operário a 40 minutos da Lapa. Hoje é uma selva de prédios metidos a besta, as fábricas e casas operárias, construídas em finais de semana, foram “reurbanizadas”, ou seja, nadificadas. Naquele tempo dizia Jesus a seus apóstolos: uns e outros vão juntos para a escola. E iam. Eu tinha colegas que moravam na elegante City Lapa, palacetes ajardinados. Alguns dirigiam (mesmo sem idade para tanto) e fumavam Marlboro importado. Calça Lee, também importada. Mas frequentavam aquela escola e jogavam futebol na mesma quadra. Eu xingava a mãe deles e vice-versa. De vez em quando, uns socos trocados marcavam a convivência de pobres e não-pobres.

De vez em quando eu emprestava a bicicleta de meu tio, que estava suando no torno da fábrica, e ia para mais a oeste, em direção ao Jardim Piratininga e Rochdale, bairros de Osasco. Era a mancha urbana se espalhando, com ruas e casas ainda mais precárias. O eixo imaginário City Lapa- Piratininga era o máximo de estratificação que podia ver.

Dizia o jingle da TV: O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa. O Bamerindus afundou, mas as rendas de poupanças sobem, os salários estancam. O edifício social continua com dois andares, mas agora não há escada entre eles e nenhum espaço de convivência comum. Viva a diversidade? Não me venham com esta. Diversidade é o que havia na minha escola pública. O que temos hoje é desigualdade e cada um confinado ao seu gueto. Isso não é pós-moderno, é pré-antigo.

A menina mais rica já não vai atormentar Lulu, ela estuda em um colégio de 3 mil reais ao mês, mora em condomínio fechado, frequenta círculos seletos de seus iguais e passa férias em Miami ou algo assim. Não é o pessoal da Praia Grande nos finais de semana. Nem do churrasco na laje. Quando essa menina vê um desses espécimes da plebe tem um sentimento distinto – medo, repulsa, asco? Pessoas que têm cachorros de raça acabam ficando com o cérebro do cachorro, diz um jornalista espanhol. Faz sentido.

A confortável teoria do sacrifício temporário

Um economista antigo dizia que era assim, tinha que ser: o desenvolvimento inicialmente aumenta as diferenças, depois a riqueza dos de cima vai pingando para os de baixo e melhorando a vida da plebe. É só no começo, dizia ele, depois melhora. Diziam-nos isso nos anos fervilhantes do desenvolvimentismo dos anos 50. Depois repetiram a coisa no milagre dos 70: primeiro o bolo cresce, depois ele se espalha e se divide… Venderam-nos os tais “ajustes estruturais” do World Bank com a mesma ladainha. E agora… Volta a fábula, com palavras flamejantes: aprimoramento do mercado de trabalho, desengessamento, liberalização e meritocracia.

Um exemplar cético do pelotão de baixo pode ruminar: é conversa para boi dormir. E de fato os bois dormem. Um ou outro, porém, pode pensar e, quem sabe, murmurar: sai dessa, vaqueiro, sei bem que nós dois vamos pro mesmo churrasco, mas você vai mastigando e eu vou mastigado.

Mais uma vez com Lulu Santos: assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade. A boiada segue. Torço para ouvir o famoso “mas um dia me montei” do Vandré. Bem ou mal, faço o que posso para que a paisagem mude, porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente. Talvez seja diferente, mas, depois da tal reforma trabalhista, estou sentindo no lombo uma queimadura incômoda… E vejo nele a marca, o nome de nossos senhores. Sai Lulu, entra Stanislaw Ponte Preta: E foi proclamada a escravidão.
Posted: 02 Aug 2017 10:25 PM PDT
Por Cristiano Zanin Martins

Merval Pereira hoje dedicou sua coluna diária no jornal “O Globo” para me atacar profissionalmente. A coluna sai no dia seguinte após eu haver publicado na Folha de S. Paulo artigo demonstrando que o juiz Sergio Moro e a Força Tarefa de Curitiba transformaram a Lava Jato em uma operação que usa o sistema jurídico e a mídia para promover uma perseguição política contra Lula.

Coincidência? É evidente que não. Embora no artigo acima referido eu não tenha feito referência expressa à Globo e a Merval, o principal porta-voz do conglomerado, ele próprio vestiu a carapuça; não há dúvida de que a Globo e Merval estão dentro do conceito de “mídia” que apontei como agente propulsor do “lawfare” praticado contra Lula enquanto principal liderança popular no País.

Como resposta, Merval decidiu escrever um texto sorrateiro e infame, aplicando a velha tática de atacar a pessoa e não os fatos. Merval diz que prestei “ajuda decisiva” para uma nova condenação de Lula em relação ao processo que trata do sítio de Atibaia – processo inaugurado ontem e cujo desfecho Merval já anuncia.

Segundo Merval, essa atuação contrária aos interesses do meu cliente teria ocorrido porque durante as audiências relativas ao processo do tríplex eu teria perguntado a Leo Pinheiro se Lula teria deixado algum pertence pessoal naquele imóvel do Guarujá. A resposta foi negativa. Na tosca lógica de Merval, se havia pertences de Lula no sítio de Atibaia, então haveria uma espécie de “confissão” de que ele seria o proprietário do imóvel.

Não se trata de ignorância, mas má-fé. O processo do tríplex do Guarujá tem a digital da Globo do início ao fim. A própria sentença do juiz Moro erigiu uma narrativa publicada pelo jornal em 2010 à categoria de “prova” para afirmar que o imóvel teria sido “atribuído” a Lula. Essa relevante “prova” se somou à narrativa isolada do corréu e delator informal Leo Pinheiro para entregar à Globo o prêmio esperado: uma sentença condenatória de Lula para ser lida repetidamente em seus telejornais e destacado em suas páginas impressas.

A farsa da propriedade imobiliária do Guarujá é repetida no caso do sítio de Atibaia. Apenas com uma diferença muito clara: enquanto no caso do Guarujá Lula jamais usou ou teve a posse do imóvel – o que foi confirmado pela resposta dada por Leo Pinheiro à pergunta que fiz em audiência -, o sítio de Atibaia foi frequentado por Lula e sua família, o que jamais foi escondido. Um dos proprietários do sítio é filho de Jacó Bittar, amigo de Lula há mais de 40 anos.

Expostos os fatos sem os subterfúgios adotados por Merval, fica claro que a pergunta que formulei em audiência ajudou a tornar mais evidente a farsa montada pela Globo no caso do tríplex para servir de “prova” para fundamentar a sentença do juiz Moro.

A propósito, nas audiências em Curitiba eu poderia ter perguntado ao empresário Emílio Odebrecht sobre as relações negociais que ele afirma ter mantido com a Globo para incentivar privatizações na área de telefonia e petróleo, segundo um trecho do depoimento que integra sua delação – e que não mereceu qualquer aprofundamento por parte dos investigadores. Mas a minha atuação profissional jamais foi norteada para atingir aqueles que me atacam gratuitamente, mas sim para promover da melhor forma possível a defesa do meu cliente.

Sugiro a Merval que releia o comunicado que fizemos ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em julho de 2016, juntamente com o renomado advogado Geoffrey Robertson. Naquele documento descrevemos a atuação da Globo juntamente com os agentes da Lava Jato nas grosseiras violações a direitos fundamentais praticadas contra Lula.

Não pretendo ter o brilhantismo do profissional que orienta a Globo a resolver seus imbróglios jurídicos, que não são desprezíveis e, segundo uma reportagem publicada recentemente pela Record, também tangenciam a área penal. Mas tenho consciência de que minha atuação, juntamente com outros qualificados colegas advogados que atuam na defesa de Lula, têm deixado claro que o ex-Presidente não está sendo processado ou condenado porque praticou crimes, mas porque sua presença no cenário político não é do interesse da Globo e daqueles que estão à frente da Operação Lava Jato.

Já que Merval se julga qualificado a fazer análises jurídicas e atacar minha atuação profissional, estou pronto para debater com o jornalista ao vivo qualquer dos temas que foram aqui tratados. Mas se Merval preferir continuar me atacando profissionalmente no conforto de que não será rebatido no mesmo veículo de imprensa, como ocorre atualmente, continuarei expondo a verdade para aqueles que ainda por ela prezam.
Posted: 02 Aug 2017 10:19 PM PDT
Por J. Carlos de Assis, no blog Cafezinho:

O noticiário econômico brasileiro é uma peça de ficção e de empulhação da sociedade. A maioria dos jornalistas de tevê e de jornal, notadamente dos grandes, mascara sua imbecilidade específica com conceitos ideológicos tomados do neoliberalismo sem qualquer espírito crítico. Pior do que isso. É um jornalismo que se baseia numa figura fantasmagórica chamada “mercado”, que emite opiniões extravagantes como se fosse uma pessoa.

Pela boca ou pela pena desses noticiaristas de circo o “mercado” fala, o “mercado” sente, o “mercado” ouve. Dão ao mercado uma personalidade específica, com sentimentos, razão e outros predicados humanos. O “mercado” é capaz de emitir extensos comentários a respeito das últimas medidas do governo, em geral repetindo noções elementares de economia que se tornam lições de idiotice para servir o público.

O leitor ou telespectador comum jamais saberão que, por trás do “mercado”, existe um jornalista imbecil ou preguiçoso que se livra de uma investigação responsável da matéria recorrendo ao ente “especializado” que inventou. O “mercado” tem, assim, uma dupla função. Servir como expressão da ideologia econômica de dominação, e possibilitar que o repórter preguiçoso, inventando um entrevistado, se livre da responsabilidade de fazer uma matéria decente, com nome e endereço do entrevistado.

Com mais de 40 anos de jornalismo econômico, jamais encontrei em qualquer instância de minha vida profissional o dito “mercado” – exceto, claro, as feiras livres de venda de hortaliças. Esse, sim, é o mercado. Entretanto, os jornalistas que cobrem bolsa provavelmente jamais visitaram um mercado real. O que não os impede de explicar o que levou o “mercado” a este ou outro comportamento, sem qualquer base real.

Todos sabemos que bolsa é um mercado absolutamente especulativo. Pode-se dizer que, matematicamente, é governado pela Teoria do Caos: pequenas alterações iniciais produzem grandes transformações finais, impossíveis de prever. Não obstante, os jornalistas de bolsa sentem-se obrigados a tomar o “mercado” como referência para avaliação de outros aspectos da sociedade, inclusive políticos.

Façam um experiência: vejam as afirmações do “mercado” no passado e comparem com o que veio depois. Quando se trata de previsões, só por pura sorte acertam. O “mercado”, em geral, tem prazo de validade de 24 horas. Para trás, os jornalistas que fazem do “mercado” seu porta-voz explícito não tem qualquer compromisso com a verdade ou a razoabilidade.

Mas a dominância absoluta da pessoa “mercado” no noticiário econômico não é a única extravagância brasileira nessa área. O contrário é ainda mais extraordinário. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, cujas relações com o Itaú são notórias, tem prestado declarações segundo as quais a taxa de juros não caiu mais porque o Congresso não votou a reforma da Previdência, algo de notório interesse da banca privada, inclusive Itaú.

No contexto político em que o presidente da República foge de um processo por fraude e nove de seus ministros são apontados por corrupção, Ilan deve ter se sentido muito à vontade para defender abertamente os interesses da banca sem medo de conflito ético. É um país estranho este em que estamos. Vivemos entre o escárnio, a revolta e o nojo. Acaso isso poderá acabar bem?
Posted: 02 Aug 2017 10:16 PM PDT
Do jornal Brasil de Fato:

Às vésperas da votação na Câmara dos Deputados da denúncia de corrupção passiva contra Michel Temer (PMDB) e da possibilidade de autorizar um processo de investigação contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), que acontece nesta quarta-feira (2), o presidente golpista liberou uma Medida Provisória que favorece a bancada ruralista e, por consequência, fragiliza os direitos dos trabalhadores rurais. Atualmente, a Frente Parlamentar Agropecuária, reconhecida apoiadora de Temer, é uma das maiores na Câmara, com 207 deputados.

Nesta terça-feira (1), o governo publicou no Diário Oficial da União a MP que alivia as dívidas previdenciárias dos ruralistas, avaliadas no total de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões em tributos atrasados para os cofres públicos. A medida também diminui quase pela metade o percentual da alíquota paga para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), passando de uma contribuição de 2,1% para 1,3%. Os valores incidem diretamente sobre a receita dos produtores.

A ação é reivindicada pela Frente Parlamentar Agropecuária desde o fim de março, quando o STF decidiu que a União poderia cobrar dos empregadores rurais a contribuição para o Funrural.

À época, o deputado federal Nilson Leitão (PMDB-MT), presidente da FPA, declarou, em entrevista ao portal G1, que caso houvesse a edição da Medida Provisória diminuindo o valor da alíquota paga, haveria motivação para votos favoráveis dos parlamentares ruralistas a favor de Temer e da retirada de direitos sociais imposta pelo governo.

O imposto é uma contribuição social destinada a custear a seguridade social das trabalhadoras e dos trabalhadores do campo, também podendo ser utilizado em casos de acidente no trabalho. Enquanto ainda não era tido como constitucional pelo STF, muitos agricultores deixaram de recolher o imposto.

Com a medida editada por Temer, os produtores com atraso no pagamento da contribuição para o Funrural poderão quitar suas dívidas com redução nas multas e encargos legais e com isenção total de juros. Existem dívidas de produtores avaliadas em R$ 15 milhões. Podem fazer parte do Programa de Regularização Rural as dívidas vencidas até 30 de abril deste ano.
Posted: 02 Aug 2017 10:15 PM PDT
Por Clarisse Gurgel, na revista CartaCapital:

"Michel Temer foi terceirizado", brincou, com sua perspicácia de costume, o sociólogo Ricardo Antunes com o público presente em sua palestra "As contrarreformas e a luta dxs trabalhadorxs".

A sugestão do sociólogo era a de que o atual presidente experimentava em seu governo a lógica que serve de base para todas as manobras recentes vivenciadas na política brasileira.

Esmiuçando a ligeira ironia de Antunes, poderíamos dizer que a brincadeira era uma forma de rir da tragédia da qual somos testemunha.

As reformas trabalhistas encomendadas pelo empresariado, aquelas que deveriam ser executadas como tarefa de um governante ao longo de um período regular de um mandato, passaram agora a ser um serviço a ser cumprido rapidamente, fora das regras de um contrato social - tal como se entende vulgarmente o instituto das eleições.

Sinteticamente, a flexibilização das relações trabalhistas estariam sendo reproduzidas nas relações de poder.

A analogia é realmente brilhante. A ilação é inevitável.

Na esteira do que sugere Antunes, diríamos, ademais, que Temer serve como uma espécie de projeto piloto para o que chamariam de "modernização da política", substituindo o termo “reforma”, já por demais desgastado e impopular.

A tão alardeada reforma política, vista por muitos funcionalistas como a grande solução para os males da corrupção no Brasil, assumiria sua feição mais desejada: de política de zero hora.

Tal como consta na proposta recém-aprovada de reforma trabalhista, o presidente da república seria acionado conforme a demanda.

A escolha do prestador seria conforme o serviço. Caso o presidente não correspondesse à expectativa, bastaria ao empresariado acionar (como se utilizasse um aplicativo de celular) e selecionar outro, em meio a tantos candidatos.

Estaria, assim, fundada a República Flexível, com seus mandatos intermitentes.

A idéia não é de todo estranha, nem aos ouvidos, nem à História.

Mal ou bem, falar sobre mandatos intermitentes nos remete, à primeira vista, a princípios democráticos que defendem um maior poder para o povo. Isto se compreendermos tal intermitência como a possibilidade de destituição de um governante a qualquer momento.

O “recall” ou a prática de mandatos revogáveis foi, aliás, experimentado no curto tempo em que durou a Comuna de Paris, em 1871, antes de seus atores serem violentamente massacrados pelo exército de Tiers.

Hoje, já começa a circular na grande mídia brasileira a proposta de recall no parlamento, “nos moldes do que se dá em alguns estados americanos”.

Em seu clássico mimetismo, ao estilo de um infanti, o Brasil, mais uma vez, tem nos Estados Unidos seu modelo de vida. E, se a imitação parece boa, é preciso atentar para as armadilhas das aparências.

Há situações em que repetir o gesto do outro é fazer seu oposto. Sem dúvida alguma, o projeto de mandato imperativo, via referendo revogatório, é algo que implica em um estreitamento maior entre a escolha do eleitor e o compromisso do eleito.

Entretanto, se observamos atentamente para os que ensaiam debater tal ideia no Brasil, veremos que o esforço imaginativo envolve muito mais uma leitura ingênua de que é positivo para o capital estender para a política a flexibilização encontrada nas relações de mercado.

Tais elucubrações, ensaiadas em telejornais, parecem mais devaneios, uma espécie de licença poética daqueles que gostariam de poder retirar, conforme a conveniência, um dirigente de um posto político, assim como agora podem retirar, a qualquer tempo, um trabalhador.

O máximo que se vislumbra deste capricho burguês seria a mudança do sistema político brasileiro para um parlamentarismo, que permitiria uma maior “circulação de política”, graças a um volume maior de agentes com poderes executivos.

Não deixaria de ser uma flexibilização das relações de poder. Mas um dinamismo para além deste seria um risco ao próprio capital.

Neste sentido, a intermitência do poder mostra-se quase como um oxímoro, ao menos nos marcos do capitalismo.

Primeiramente, porque isto implicaria em uma organicidade de tal maneira explícita entre o poder econômico e o poder político que resultaria em uma exclusão arriscada do povo da escolha formal do dirigente máximo do país.

O instituto da cidadania, aquele que simula algum nível de poder aos que labutam, por meio de direitos como o voto, seria descartado em face do domínio e da direção exclusivos (e agora escancarados) do capital.

Algo que esvaziaria de efeito a oposição entre o público e o privado, um princípio constitutivo do próprio modo de produção capitalista.

Com a conseqüente diluição da tensão forjada entre a liberdade individual e a coerção do Estado, o próprio Estado e a coerção perderiam sua razão de ser.

É certo que, na esteira do que analisa o filósofo Slavoj Zizek, este possível cenário encontraria ressonância na própria condição pós-moderna do superego, de um significante-mestre que nega seu papel de hegemonia, sugerindo cinicamente a ausência de contradição entre o indivíduo e a sociedade.

Mas estaríamos diante da materialização daquilo que está apenas na ordem do discurso, em que a liberdade assume uma face ilusória de plenitude.

Assim, no modo de produção em que vivemos, conceber a materialização efetiva desta flexibilidade, seja nos postos decisórios, seja nas relações de troca de mercado, esbarraria no caráter abusivo do poder e na necessidade de sua estabilidade – a tão famosa segurança jurídica.

E aqui está a segunda razão pela qual é impossível flexibilizar o poder no capitalismo. Não estamos falando do famoso abuso de poder, mas da natureza abusiva de toda coerção, e nem recorremos a nenhum filósofo anarquista para sustentarmos tal leitura.

Adam Smith, o precursor do pensamento liberal clássico, já nos ensinava, à época em que os discursos conservadores eram relativamente menos velados, que o poder é a capacidade que o homem tem de impor ao outro a labuta e os incômodos de que se poupa.

Disto, deriva-se, na esteira da síntese hobbesiana de que riqueza é poder, o poder político: poder de compra e de autoridade sobre todo o trabalho e sobre todo o produto do trabalho.

Ambos estáticos, nas mãos daqueles que acumularam capital e se apropriaram das terras – na época de Smith, o meio de produção por excelência.

Por esta razão é que Zizek sinaliza para uma dissimetria entre o discurso pós-moderno, liberal e multiculturalista, de um lado, e as práticas unificantes e globalizantes do mercado.

De tal modo que podemos entender que qualquer aspecto mais dinâmico e instável no capitalismo se encontra apenas nos efeitos do discurso do capitalista.

Mais claramente, o único fator de instabilidade verificável está na vida do trabalhador.

Em sintonia com a estabilidade do poder, seja econômico, seja político, o que temos são os filtros que deslocam a disputa para a máquina burocrática do Estado e que servem como critérios de legitimidade.

Assim, a representação serve como recurso de maior segurança, pois reduz os agentes a uma arena que equilibra a correlação de forças antagônicas. É esta espécie de diapasão que mantém o poder – de decidir, de fazer, de explorar, de expropriar – estável.

Por esta razão é que a tara por uma plenitude de gozo por parte do empresariado – a de poder liberar geral, eliminando todas as regras nas relações de troca – é contida pela necessidade que tem de estabilidade do poder.

A flexibilização só é vista concretamente no campo dos direitos retirados. Entre o mercado e a política, o que há é uma especularidade, da forma rígida, monopolista.

Fica, por fim, a questão sobre o porquê deste aparente modo instrumental com que lidam com o atual presidente, Michel Temer.

E a resposta encontra-se também nos mesmos marcos.

A feição terceirizada do mandato de Temer tem sua explicação nas movimentações que reposicionam o Brasil nas relações internacionais de poder.

Recuperar a corrida do Brasil rumo à sua condição de subalterno, diante de países como a China e os EUA, é a tarefa que o presidente da república precisa cumprir, seja ele quem for.

Mudar esta rota, direcionando o país a uma posição de disputa imperialista frente a demais nações, é uma afronta àqueles que, historicamente, já conquistaram a estabilidade política conforme a divisão internacional do trabalho.

Dito de outro modo, deve estar fora de cogitação a participação do Brasil nos BRICS, o domínio, sobre mercados estrangeiros, de grupos econômicos com hegemonia brasileira e a atuação do Estado, mesmo que por via de empresas públicas de capital aberto, no ramo da produção.

Temer já deu mostras suficientes de que tem autoridade, na medida certa, para limitar o poder do Brasil à sua condição histórica.

Sua intermitência expressa apenas a rusga, a sanha, da disputa pelo poder entre os que prometem maior eficiência na missão de esvaziar de poder o Brasil.
Posted: 02 Aug 2017 10:11 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

É curiosa a maneira como porta-vozes midiáticos da Lava Jato justificam a ausência de provas que têm marcado os inquéritos, depois que viram denúncias.

Alegam que crimes financeiros são mais complexos, organizações criminosas são mais estruturadas, por isso mesmo não se pode esperar provas simples, como no caso de um homicídio.

Fantástico! Significa que em outros países as investigações também chegam ao final sem a apresentação de provas substanciais porque, por princípio – segundo eles – crimes complexos não têm soluções racionais, mas apenas convicções?

Justamente por não ser uma investigação trivial, a Lava Jato contou com um conjunto de facilidades inéditas na história das investigações criminais do país.

Contou com o poder de pressionar mais de uma centena de delatores, dispostos a entregar até a mãe por uma redução da pena. Premiou os maiores criminosos com a quase extinção da pena. Contou com ampla colaboração internacional, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos aos Ministérios Públicos suíço e espanhol, rastreando contas em paraísos fiscais. Internamente, teve acesso integral aos bancos de dados da Receita Federal, do COAF, dos cartórios, das remessas ao exterior. Ganhou até o poder de torturar psicologicamente suspeitos, afim de pressioná-los a delatar. Provavelmente apenas a luta contra o terror, nos EUA, conseguiu suspender tantas normas constitucionais de direitos individuais.

Nenhum dos álibis da má investigação – má vontade do Judiciário, excesso de recursos – vale para a Lava Jato. Certamente foi a investigação que consumiu mais recursos do Ministério Público Federal e da Polícia Federal e que dispôs de mais poder institucional, mais influência, em relação aos juízes e advogados de defesa.

Depois de todo esse aparato, surge a cândida explicação: a opinião pública cobra provas por ser desinformada e não saber que, em investigações de crimes de colarinho branco, não é fácil levantar provas.

O que a Lava Jato expõe, com a falta de provas, é a supina incompetência tanto dos procuradores quanto dos policiais federais da força tarefa, em trabalhar com eficiência os dados levantados.

Entraram na investigação com viés ideológico, mais preocupados em alimentar a imprensa com declarações de réus confessos, sem a preocupação de conferir as provas, porque para a imprensa só interessa a perfumaria. E havia a preocupação de gerar manchetes diárias, de acordo com a receita formulada em 2005 por Sérgio Moro ao analisar a operação “mãos limpas”.

A preocupação em transformar a Lava Jato na “maior investigação do planeta” - como a definiu a procuradora deslumbrada de São Paulo – engoliu a capacidade de investigação da turma, que já não deveria ser das mais experientes.

Em vez de concentrar nos casos centrais e formular narrativas condizentes com os dados delatados e levantados, comportaram-se como repórteres principiantes, primeiro criando a narrativa, depois juntando declarações que coubessem nela, sem a preocupação de checar a consistência dos fatos ou reformular as narrativas à luz dos dados levantados.

Será conhecida, no futuro, como uma operação malcuidada, cujo único objetivo foi contribuir para um golpe de Estado e conferir fama – e os ganhos provenientes dela – aos seus protagonistas. E tudo isso se vangloriando de estar enfrentando as forças mais temíveis da Nação – na verdade, um governo mais indefeso do que freira carmelita em cabaré. Quando finalmente estiveram frente a frente com o poder, dançaram. Estão sendo comidos com pão e farofa.

Nem se culpe a arrogância de procuradores e delegados da Lava Jato, quando se consideraram donos da cocada preta. São apenas funcionários públicos que se deslumbraram da mesma maneira que um anônimo quando contemplado pela loteria.

A culpa é de um país que, em nome de um combate a um partido, aboliu regras jurídicas, respeito à democracia e às instituições.
Posted: 02 Aug 2017 10:08 PM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Se existe alguém que resume o freak show da votação da denúncia contra Temer na Câmara é o deputado Wladimir Costa.

Wladimir é Macunaíma, o herói sem nenhum caráter que chegou lá montado num golpe, no fisiologismo, na rapinagem e numa tatuagem de henna ridícula.

A miséria humana do Congresso foi quase tão pior quanto a do impeachment de Dilma. A fraude da “pedalada fiscal” vai ficando cada vez mais patética. A caixa de Pandora foi aberta e a porta para o vale tudo institucional não vai fechar tão cedo.

Faltou o povo, que ficou em casa. Mas Wladimir tinha sua plateia. E brilhou.

Seu discurso provocou tumulto no plenário. Pediu “vergonha na cara” à oposição, chamou o PT de organização criminosa, oposicionistas de “imorais” e “incompetentes” e falou que eles precisam “lavar a boca com soda cáustica”.

“O Temer é um homem ético, transparente, tem história, tem preparo”, gritou.

“Vocês? Derrubar Temer? Cinegrafistas, nos mostrem. Porque quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome aqui no ombro”. Detonou as pesquisas que colocam o chefe na margem de erro.

A confusão aconteceu quando ele apareceu com um pixuleco de Lula nas mãos ao lado dos colegas. Petistas foram para cima. Paulo Teixeira furou um dos bonecos a dentadas.

Seguranças foram acionados para conter o tumulto, que por pouco não termina em pancadaria.

Costa está em seu quarto mandato. Em 2014, foi o sexto mais votado do estado, com 141 213 votos. No mês passado, contou abertamente como faz para conseguir verbas do governo federal: faz “cara de coitadinho”.

“Somente alguns parlamentares hipócritas não vão assumir, mas é óbvio que, após a reunião com o presidente, a gente vem com aquela história: ‘mas, presidente, eu gostaria de trazer demandas do estado, do município, do governo do estado’. A gente aproveita o barco e pede”, disse ao Globo.

De acordo com a ONG Contas Abertas, WC já levou, desde janeiro, 7 milhões de reais em emendas.

É réu no STF por peculato, acusado, junto com seu irmão, Wlaudecir Antônio da Costa Rabelo, de ter ficado com dinheiro do salário de servidores fantasmas de seu gabinete entre 2003 e 2005.

Teve o mandato cassado pelo TRE paraense por arrecadação e gastos ilícitos em sua campanha eleitoral.

Wladimir é Michel, que é Cunha, que é Maia, que é o golpe.

O país desistiu e quem manda é ele, batendo o mão no peito, orgulhoso de ser um pulha e de defender um pústula, enquanto do lado de fora não tem ninguém.

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