sexta-feira, 4 de agosto de 2017

4/8 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 04 Aug 2017 08:35 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O presidente ilegítimo, Michel Temer, conseguiu, em votação apertada (263 votos a seu favor e 227 contra), arquivar a denúncia cujo acatamento o afastaria do governo. A vitória do usurpador foi custosa ao país, literalmente. Enquanto o Estado brasileiro, sob seu comando, não oferece serviços mínimos à população, aproximando-se de situações de colapso em alguns setores, milhões foram movimentados para arregimentar os votos necessários ao arquivamento da denúncia.

Vitorioso nessa batalha, Temer virá em ofensiva renovada para a aprovação das reformas que interessam aos grandes financistas e ao imperialismo. Terá que mostrar aos que sustentaram o golpe contra a presidenta Dilma que, apesar de abatido pelas denúncias e pela rejeição popular, ainda pode ser o agente do serviço sujo em função do qual foi levado ao poder.

Mas a tarefa não será simples. A votação da denúncia mostrou que existem dissensões importantes na base do governo, motivadas, de forma geral, pelo forte rechaço popular de que Temer é alvo. Se em votações anteriores a oposição havia amealhado pouco mais de 100 votos, dessa vez 227 votaram contra o governo. É claro que parte desses deputados defende as reformas, mas a votação de ontem demonstrou que o instinto de sobrevivência eleitoral pode ser um bom conselheiro também no caso da aprovação de medidas impopulares.

Passada essa batalha, os setores democráticos e comprometidos com o futuro do país precisam se mobilizar de forma redobrada contra a pauta do governo, derrotando-a. Para tanto duas questões, que não são excludentes, mas complementares, se impõem de forma imediata.

A primeira delas é retomada da luta de massas contra o golpe. Os setores democráticos têm diante de si um desafio fundamental: transformar a ampla indignação contra Temer em mobilização do povo. A impopularidade do governo não será suficiente para barrar a ofensiva que se avizinha. Para que este caminho tenha sucesso é necessário partir de bandeiras de mobilização de amplo apelo popular, que sejam capazes de catalisar setores ampliados e não só a vanguarda mais consciente.

A segunda tarefa é a construção de uma ampla frente política e social em torno da retomada do desenvolvimento. Não há possibilidade de saídas consistentes para o Brasil sem crescimento econômico e, especialmente, sem retomada da atividade industrial, fortemente deprimida pelas políticas contracionistas. O governo Temer, através, por exemplo, da extinção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticada pelo BNDES em seus empréstimos, quer destruir de forma definitiva qualquer possibilidade de desenvolvimento da indústria nacional. Cada vez mais setores têm se pronunciado contra tal medida. Aí está uma pauta justa, ampla, na qual é possível construir uma maioria que derrote o usurpador e o mercado financeiro.

Frente ampla contra Temer e sua pauta e encontrar os caminhos para transformar a indignação popular em luta de massas, eis dois dos desafios que os patriotas e democratas têm pela frente no próximo período.
Posted: 04 Aug 2017 08:31 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Está circulando, nas redes e nos jornais, o vídeo onde dois energúmenos ameaçam e intimidam Mohamed Ali, um sírio de 33 anos, que vende esfirras e outras comidas árabes em Copacabana.

Segundo O Globo:

Nas imagens é possível ver um homem com dois pedaços de madeira nas mãos gritando: “saia do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis”. Adiante no vídeo, ele ainda fala: “Essa terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar não”.

Os comerciantes chegam a derrubar a mercadoria de Mohamed no chão, que pergunta o motivo da agressão. Os homens, então, falam novamente para ele sair do Brasil. Mohamed está no Brasil há três anos e estava trabalhando na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Santa Clara na sexta-feira, quando tudo aconteceu.


Aí está ao que o processo de estimulação do ódio nos levou.Semana passada, já havia acontecido em Copacabana, na Praça Cardeal Arcoverde, a exibição de um grupo com faixas que diziam que o Alcorão era um “guia de estupros e assassinatos”.

Muita gente na rua – e muita gente no Rio – ainda resiste a isso.

Mas só de ter de resistir a isso já é um imenso baixo astral.

Estes babacas são tão idiotas que não sabem que seus pais, avós ou bisavós, um dia, vieram trabalhar por aqui igual ao Mohamed, com uma mão atrás e outra na frente.

“Sai do meu país”, seu idiota? O seu país é feito de gente de toda parte do mundo: árabe, negro, judeu, portugûes, italiano, espanhol, alemão.

Brasileiro é o Mohamed, não eles, porque sabe chegar bem chegado, como nós sabíamos ser.
Posted: 04 Aug 2017 08:27 AM PDT
Por Tatiana Carlotti, no site Carta Maior:

Principal fórum dos petroleiros, o XVII Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP) começa a partir desta quinta-feira (3 de agosto), em Salvador (Bahia). Na pauta, o desmonte da Petrobras e o impacto da privatização de unidades estratégicas da empresa.

Como a mídia apoia e naturaliza o desmonte da Petrobras, para termos a dimensão do impacto que isso significa, é preciso acompanhar a discussão travada por quem fez e faz a Petrobras: os trabalhadores do setor. No site da Federação Única dos Petroleiros (FUP), por exemplo, é possível encontrar análises e dados que derrubam qualquer justificativa em prol das privatizações.

O Congresso Nacional da FUP, inclusive, trará as bandeiras da campanha “Privatizar faz Mal ao BRasil”, realizada há 17 anos pelos petroleiros, contra a sanha privatista do governo FHC. “Petrobras passa a ser PetroBrax”, estampava a Folha de S. Paulo, em 27 dezembro de 2000. Eram tempos de FHC, de Pedro Parente - atual presidente da estatal - à frente da Casa Civil (1999-2003).

Tempos que pareciam ultrapassados durante a era Lula, quando a Petrobras não só foi reerguida, como se tornou uma das maiores entre os gigantes mundiais do setor e um dos pilares da política de desenvolvimento nacional, gerando empregos e impulsionando atividades econômicas locais e regionais. “A Petrobras era o centro de uma política industrial que envolvia a utilização de uma grande riqueza descoberta, que é o pré-sal brasileiro”, relata José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, em entrevista concedida ao Brasil de Fato.

“A ideia de conteúdo nacional apontava que era possível produzir no Brasil, isso significava aumentar a capacidade de produção dos estaleiros, da indústria naval, da indústria mecânica, da indústria de tubulações, de compressores, de sistemas submersos, o que teria impacto sobre a economia brasileira, geração de emprego e renda associada à expansão de produção de petróleo”, detalha Gabrielli.

Dos recursos do pré-sal, estava acordado: 75% dos royalties do petróleo iriam para a educação, 25% para a saúde e 50% de todos os recursos do Fundo Social do pré-sal para os dois setores. Uma lei garantia isso, chegou a ser aprovada e sancionada, sem vetos, pela então presidenta Dilma Rousseff em setembro de 2013. A lei que garantia isso foi sancionada, em setembro de 2013, pela então presidenta Dilma Rousseff. Na época, estimava-se que seriam injetados, ao longo de dez anos, R$ 112 bilhões na área da educação; e, em 30 anos, R$ 362 bilhões no setor da saúde.

Um pacto de cidadania. Uma aposta, sem precedentes, no futuro. Uma oportunidade brutalmente esmagada após três anos de Operação Lava-Jato (confira análise do professor Francisco Fonseca) e um ano da camarilha instalada no Palácio do Planalto. Fazendo política, a mídia golpista varreu e continua varrendo esse legado do mapa. Basta digitar “Petrobras” na busca de qualquer site de algum jornalão e ver o resultado. É preciso um mínimo de conhecimento do jogo político para não cair no engodo das privatizações.

Daí a importância de acompanhar sites como os da FUP. Em “As ações criminosas de Pedro Parente contra a Petrobras e o país”, por exemplo, estão reunidos seis pontos principais que dimensionam o desmonte em curso. “O presidente da Petrobrás está doando aos estrangeiros subsidiárias lucrativas e estratégicas, como a Liquigás e a BR Distribuidora. Além de comprometer o abastecimento de gás de cozinha, gasolina, diesel e de outros derivados, a privatização destas empresas deixará o consumidor brasileiro à mercê dos oligopólios privados”, alerta o texto.

O artigo também menciona demissões em massa: o corte de 55 mil postos de trabalho na empresa e a demissão de mais de 50 mil trabalhadores diretos nos estaleiros brasileiros. Várias reportagens trazem dados de quem está na luta em defesa da Petrobras.

Deyvid Bacelar, coordenador do Sindipetro Bahia, por exemplo, conta que “já [foram vendidas] 50% das termelétricas Rômulo Almeida e Celso Furtado e já colocaram à venda a Rlam, o Terminal de Madre de Deus, os campos terrestres; a Liquigás já foi vendida, assim como a Petroquímica de Suape e a nossa participação na Braskem; a BR Distribuidora está prestes a ser entregue e também a PBIO”.

Redução dos investimentos
Segundo o economista Rodrigo Leão, pesquisador do Grupo de Estudos Estratégicos de Propostas da FUP (GEEP), já foram vendidos US$ 13,6 bilhões em ativos da estatal. Também foram reduzidos 75% dos investimentos realizados entre 2013 e 2016, saindo de US$ 48,8 bilhões para US$ 11,5 bilhões, afirma ao site da FUP.

Os petroleiros também denunciam a venda de 74 unidades de exploração e produção de petróleo em cinco estados do país. Estimam que apenas na Bacia de Campos, onde estão 14 das áreas anunciadas, 10 mil empregos estão ameaçados, apontando uma redução na receita da estatal de US$ 1 bilhão anuais, de acordo com levantamento realizado pelo Sindipetro-NF.

Denúncias que não encontram espaço na mídia. Se na época de FHC, os jornalões acenavam as privatizações como único caminho dada a “incapacidade da Petrobras de produzir petróleo” –completamente desmentida pelo governo Lula -, agora, a mídia justifica o desmonte incensando as dívidas da Petrobras que, no primeiro trimestre do ano, chegou a R$ 364,8 bilhões.

Nesta semana, Pedro Parente anunciou a concessão de 30 campos de petróleo em águas rasas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo. Parente afirma que a Petrobras continuará operadora de todas as concessões.

Na lista, estão dois campos históricos – e simbólicos – da Petrobras: o campo de Guaricema (Sergipe) onde aconteceu a primeira descoberta de petróleo no mar brasileiro, em 1968, mesmo ano da criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP); e campo de Enchova que, em 1977, inaugurou a produção de petróleo na Bacia de Campos que se estende na costa litorânea nas imediações de Vitória (ES) até Arraial do Cabo (RJ).

Além do campo de Enchova, são alvos: os campos de Pargo (Rio de Janeiro), Pampo (Rio de Janeiro), Merluza (São Paulo), Sergipe Mar (Sergipe) e Ceará Mar (Ceará), Rio Grande do Norte Mar (Rio Grande do Norte). No último sábado (29.07.2017), após a divulgação da notícia, o Sindipetro-NF divulgou uma dura nota em seu site:

“O ataque, que vinha acontecendo nos campos terrestres, em refinarias e subsidiárias, chega agora às áreas de maior produção, visibilidade e interesse das multinacionais do setor petróleo. Uma ofensiva somente possível em razão da conjuntura de impunidade conferida à Direita brasileira pela Operação Lava Jato e pela cumplicidade do poder judiciário e da grande imprensa", afirma o texto.

Em junho deste ano, Parente anunciou o planejamento estratégico para a empresa. “Estamos recomeçando o processo (desinvestimento), e estamos evoluindo para anúncios seguidos de processos de vendas para cumprir a nossa meta de US$ 21 bilhões até o final do próximo ano”, afirmou em entrevista para O Globo.

Ao analisar os dados do último balanço divulgado pela Petrobras, o economista Paulo Kliass salienta “a força da empresa e de todos os que colaboram para sua sobrevivência tem se revelado espantosa”. Apesar das políticas de desinvestimento de sua atual gestão e das decisões de reduzir a presença da estatal no cenário nacional e global, “o gigante tem resistido bravamente”.

Kliass mostra que entre janeiro e junho deste ano, “a empresa que havia sido decretada como falida e ineficiente produziu mais do que em igual período ao longo de todos os anos anteriores de sua história. Foi atingida a marca de 2,79 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um total envolvendo petróleo e gás natural”. E afirma: “os dados apontam para uma tendência crescente dos valores de produção a cada período” (Confira aqui a íntegra da análise).

É essa pujança que está sendo negociada às custas daquele Brasil que todos nós sabemos ser possível.

Confira também o nosso especial Petrobras: Nação ou Mercado?

* Com base em reportagens publicadas no site da FUP.
Posted: 04 Aug 2017 06:14 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Recém saído das catacumbas após o desembolso de R$ 13,4 bilhões que garantiram os votos de parlamentares para evitar uma investigação sobre corrupção passiva, Michel Temer abriu o verdadeiro jogo do golpe – instituir o regime parlamentarista e castrar a democracia de uma vez por todas. "Acho que podemos pensar em parlamentarismo para 2018," disse. "Não seria despropositado."

Do ponto de vista da lógica em vigor na política do país após a deposição de Dilma Rousseff, não seria despropositado mesmo. Seria o capitulo final de um esforço coerente e ilimitado para retirar direitos dos brasileiros e transformar o país numa republiqueta de lixo.

Depois de bloquear o desenvolvimento econômico através da emenda dos gastos e transformar a questão social num caso de polícia, através do esvaziamento da CLT, o que se planeja com o parlamentarismo é impedir que o povo tenha a palavra final na definição dos destinos do país.

Vamos recordar. Pelo regime atual, o presidencialismo, reza o princípio sagrado pelo qual 1 pessoa = 1 voto. Não é perfeito, sabemos todos. Permitiu a eleição de desastres sem fim. Mas essa matemática quimicamente pura, sem desvios, faz da corrida às urnas sob o presidencialismo um momento único na vida de um país. Nesse dia, e por um poucos instantes, o voto do trabalhador rural da Paraíba tem o mesmo peso que o do gravatão do mercado financeiro da avenida Paulista. Todos os 100 milhões de brasileiros e brasileiras valem a mesma coisa. O resultado é fácil de prever.

A vontade da maioria se expressa de modo transparente e absoluto. Vale o que ela decidiu, sem intermediários, sem ponderações, sem filtros indevidos, sem atravessadores, bem remunerados ou quem sabe apenas bem intencionados -- que são a marca do parlamentarismo.

Foi em função do voto somado 1 a 1, que os brasileiros puderam eleger, em raros momentos de sua história, governantes capazes de falar pela maioria e contrariar os interesses daquele 1% que governa o país desde 1500.

Num caso clássico em que a forma determina o conteúdo, o sistema de governo cumpre um papel essencial para isso. Não é de surpreender, portanto, o que nos dois plebiscitos realizados sobre o assunto, o presidencialismo foi vitorioso por margens avassaladoras: 4 para 1 em 1963; 2 contra 1 em 1993.

Mesmo imaginando, por hipótese, que o Congresso brasileiro fosse formado por freiras carmelitas, não dá para cogitar a escolha de Getúlio Vargas – ou de Lula, ou Dilma – pelo voto indireto de Senadores e Deputados. Num fenômeno universal, o Congresso existe, justamente, para conciliar os contrários e dar voz à minorias inferiorizadas do ponto de vista da maioria da população. Sua função não é abrir caminho para a mudança, mas promover a estabilidade – um eufemismo para atraso e conservadorismo.

O debate parlamentarista surge e desaparece no país em momentos precisos, quando serve de barreira contra governos considerados inconvenientes pelos donos do poder e do dinheiro, o que já diz muito sobre o caráter pequeno, medíocre, de sua versão nacional.

Em 1962, o parlamentarismo foi uma condição militar para autorizar a posse de João Goulart na presidência da República. Era uma forma de neutralizar, pelo Congresso – sempre ele! – um presidente de tradição trabalhista. Em 2017, o parlamentarismo de Temer é uma versão institucional, escancarada, de neutralizar Lula – caso nem Sérgio Moro nem o TRF-4 possam dar conta do serviço. O plano é assim: caso Lula consiga disputar a eleição e se eleger, será uma Rainha da Inglaterra. Caso não ocorra nenhuma coisa nem outra, seus sucessores – mesmo os melhores – serão estadistas de mãos e pés bem amarrados pelos operadores do parlamento.

Não é uma questão brasileira. Desde o século XVIII, quando, nas primeiras democracias, o povo emergiu como protagonista principal da vida política, tomando nas rédeas o destino de países e nações, o parlamentarismo tornou-se o instrumento principal das elites e variadas versões das aristocracias para resistir as mudanças. Era sua grande trincheira institucional, pois ali é possível preservar interesses e pontos de vista que não tem base social, no número de cidadãos que apoiam, mas na tradição e na riqueza. Não vamos ficar na Europa. Basta recordar um caso recente do país. Em 1988, uma Constituinte nascida sob um impulso progressista na luta contra a ditadura, no momento em que foi escolhida pela população, acabou esvaziada e esterilizada, em capítulos fundamentais – sobre a propriedade da terra, os meios de comunicação, o controle do mercado financeiro, a punição a torturadores – pelo jogo parlamentar que estudiosos muito sérios já definiram como cretinismo.

Reconstruindo a história das monarquias parlamentares europeias, o historiador Arno Meyer escreveu, em A Força da Tradição, um pequeno tratado definitivo. Ali se demonstra, por A + B, que, unindo a nobreza e a burguesia, o parlamentarismo construiu a principal barreira institucional para mudanças que interessavam a maioria de plebeus e deserdados. Na maioria dos casos, mudanças urgentes e necessárias foram atrasadas – ou simplesmente impedidas – por várias gerações.

Não é nem um pouco surpreendente que Michel Temer tenha tido o descaramento de assumir essa bandeira após a votação de quarta-feira. Alguma dúvida?
Posted: 04 Aug 2017 06:05 AM PDT
Por Luiza Dulci, no site Brasil Debate:

No dia 22 de dezembro de 2016, às vésperas do natal, o executivo federal enviou ao Congresso Nacional a Medida Provisória (MP) 759, que veio a ser sancionada pelo presidente Michel Temer no dia 11 de julho deste ano. Conforme a descrição do próprio texto da MP (agora Lei n. 13.465), “dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre a regularização fundiária no âmbito na Amazônia Legal, institui mecanismos para aprimorar a eficiência dos procedimentos de alienação de imóveis da União, e dá outras providências”.

Não à toa, foi apelidada como a MP da Grilagem.

A começar pelo rompimento dos regimes jurídicos de acesso à terra construídos com a participação popular, a MP deixa diversos itens para futuras regulamentações, que deverão ser disciplinadas por ‘atos’ do Poder Executivo. Em relação à regularização fundiária rural, estabelece a ampliação do prazo para a ‘regularização’ das invasões e grilagens das terras públicas, aceitando inclusive o desmatamento como prova de ocupação.

No que diz respeito à Amazônia, a MP 759 altera os critérios de regularização fundiária do Programa Terra Legal (Lei n. 11.952/2009) e passa a permitir a regularização de terras de proprietários com mais de um imóvel, bem como de ocupantes ao período posterior a 2004, sem cadeia possessória contínua. Outras medidas graves são a permissão da comercialização dos lotes da reforma agrária, medida essa que visa a ampliar – e aquecer – o mercado de terras, podendo gerar flutuações de preços com forte potencial gentrificador nos espaços rurais.

Está prevista ainda a desoneração do Incra das obrigações para com as famílias assentadas, por meio de alterações nas leis n. 8.629/1993 (Lei da Reforma Agrária) e n. 13.001/2014 (que trata dos créditos para assentados); e a transferência da seleção das famílias beneficiárias da reforma agrária para os municípios, enfraquecendo assim os movimentos sociais do campo e submetendo as populações rurais a pressões ainda maiores das oligarquias agrárias locais, adversárias históricas da política de reforma agrária.

No que se refere às áreas urbanas, a MP cria tratamento desigual entre ricos e pobres e flexibiliza a regularização de loteamentos e condomínios fechados de alto padrão. Extingue critérios de definição da condição de áreas de interesse social e desobriga o poder público do investimento prioritário em infraestrutura e requalificação urbanística nessas áreas, bem como revoga as obrigações de loteadores irregulares e grileiros de terras públicas de adotarem medidas corretivas, repassando o encargo ao Estado. Ver a cartade movimentos e organizações sobre a MP.

Qual o sentido da urgência para um conjunto de medidas e alterações legais tão radical? A construção de nossa política fundiária rural e urbana levou décadas e a aprovação de novos marcos legais esteve sempre acompanhada de amplos debates públicos. Foi assim com o Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/1964); com a Lei Agrária (Lei n. 8.629/1993), que regulamentou dispositivos constitucionais referentes à terra, sua função social e possibilidades de desapropriação; com a Lei n. 6.766/1979, conhecida como a lei do parcelamento do solo urbano, que abriu caminho para a regularização dos loteamentos populares das periferias urbanas; com o Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001), que regularizou o Capítulo da Política Urbana, da Constituição Federal de 1988; para citarmos somente algumas das legislações no campo fundiário.

Por que então uma proposta com conteúdos tão variados quanto drásticos via Medida Provisória – aprovada em menos de sete meses de tramitação no Congresso? Parece-nos que a resposta não pode ser outra que não avanço da agenda golpista no país. Cada vez mais, a caracterização golpista do processo de impeachment da presidenta Dilma torna-se mais evidente. O golpe está na mudança da agenda, na adoção do programa político derrotado nas urnas dos quatro últimos pleitos nacionais.

O caráter reacionário das contrarreformas propostas pelo novo governo e a forma avassaladora com que as mesmas tramitam no Congresso somente têm sido viáveis sob esta condição de exceção democrática na qual nos encontramos hoje. Nenhum governo eleito, com o mínimo de sensibilidade ou pretensão de reeleição, aceitaria impor tamanho retrocesso social à sua população. Vivemos uma situação em que o governo não apenas tolhe a discussão pública e democrática das contrarreformas, como parece ter perdido o pudor (ou o controle) em barganhá-las – aí sim, publicamente – com parlamentares em troca de sua sobrevivência política.

Nessa seara, a bancada ruralista, que compreende hoje mais de 200 deputados (são mais de 215 os integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária), tem sido a grande beneficiária desse processo. Há que se relembrar que naquele fatídico e patético 17 de abril de 2016, quando da votação do impeachment na Câmara, poucas foram as pautas políticas mobilizadas nos discursos favoráveis à saída da presidenta Dilma. A maior parte dos deputados evocou a população de seus estados e municípios, suas crenças, suas famílias e pets… mas o agro foi evocado, talvez a única pauta política – ao lado do discurso retórico do combate à corrupção.

De lá para cá, a atuação coesa da bancada ruralista tem lhes garantido a proposição e a aprovação de medidas há muito esperadas e de outras tantas que nem sequer estavam no horizonte dos ruralistas. Nos referimos aqui à própria MP 759, à lei da terceirização (que tem impactos sobre o trabalho a agricultura); à proposta de reforma da previdência, que, na prática, acaba com a previdência rural; à proposta de reforma trabalhista rural, que não teve constrangimento em autorizar a remuneração do trabalho na forma de habitação e comida; à extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário; ao indiciamento de mais de 120 pessoas no relatório final de maio/2017 da CPI Funai/Incra, dentre elas antropólogos e professores universitários (12); procuradores federais (16); advogados da União (2); membro da Igreja Católica, em especial do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) (14); servidores da Funai e do Incra (13); trabalhadores rurais (4).

O presidente Temer tem conseguido se sustentar, a despeito de sua (aparente) fragilidade. Fragilidade essa que contrasta enormemente com a força da agenda conservadora que ele tem se empenhado em fazer avançar. Não sem custos políticos e principalmente financeiros altíssimos, que serão pagos pela mesma população trabalhadora e batalhadora que é prejudicada pelas medidas e contrarreformas em curso. Não sem custos à soberania nacional, à segurança alimentar, hídrica e energética do país e a despeito do aumento da concentração das terras, da pobreza e da desigualdade.

Até onde isso vai dependerá em grande medida de nossa capacidade de mobilização nas ruas e de formulação e viabilização de alternativas.
Posted: 04 Aug 2017 05:59 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Os analistas da mídia, convertidos hoje em meros estafetas a serviços do golpe, terão trabalho extra com a vitória de Michel Temer, por isso devem estar bastante mal humorados.

Não serão eles, de qualquer forma, que poderão escrever sobre algumas consequências óbvias da votação de ontem, na qual o governo obteve uma vitória esmagadora, que não pode ser medida pelo placar de 263 votos a 227 votos em favor do governo.

Como a oposição precisava de 342 votos para autorizar a investigação e cassar o presidente, todos os deputados da direita com eleitorado de “opinião”, como são boa parte dos tucanos, além dos Bolsonaro, votaram “não”, ou seja, em favor da continuidade das investigações.

Mas foram votos notoriamente oportunistas, eleitoreiros, visto que todos os movimentos da cúpula do PSDB foram no sentido de ampliar (e não diminuir) o apoio do partido ao governo Temer.

Os Bolsonaro, por sua vez, ou pelo menos o patriarca, Jair, estão de mudança para o PEN, que é a legenda mais fiel a Temer no congresso. O PEN orientou o voto em favor do governo Temer (ou seja, no “sim”), e todos seus deputados seguiram fielmente a diretriz.

Não se pode esquecer isso, portanto, ao analisar o tamanho da vitória de Temer: ela foi maior do que o placar. Com isso, o caminho para aprovar mais reformas antissociais, sem aprovação popular, sem debate com a sociedade, está aberto.

Para entender os efeitos da votação de ontem, por outro lado, é preciso lembrar que inúmeros institutos de pesquisa detectaram que uma maioria esmagadora de brasileiros, quase a totalidade, desejava um resultado diferente, ou seja, que fosse autorizada a investigação.

Todas essas pessoas amanheceram com o gosto amargo da derrota na boca. O que acontece quando, numa democracia, a maioria perde?

Supõe-se que, ao rancor que as pessoas sentem em relação ao governo, venha se somar a frustração, a sensação de impotência, o desânimo.

Mas não se pode, jamais, subestimar a vontade e o espírito popular. Esses sentimentos são naturais e constituem uma defesa coletiva psicológica natural. Eles se transformam, rapidamente, em outra coisa, que ainda não sabemos, mas que será, provavelmente, qualquer coisa que seja oponha a Michel Temer. Será difícil para o PSDB e Bolsonaro convencerem a população de que não estão com Temer, se eles aparecem ao lado do governo na comemoração das “reformas” propostas e aprovadas.

Bolsonaro poderá tentar se descolar das reformas? Se for inteligente, sim, mas aí será atacado pela mídia. Por enquanto, a mídia deixa Bolsonaro, expulso do exército por terrorismo, livre, leve e solto, por entender que ele tem potencial de tirar votos de Lula, já que é óbvio que o deputado carioca já passou da fase em que tinha apoio apenas de setores autoritários e ignorantes da classe média, para começar a crescer também junto ao eleitorado mais pobre, cada vez mais assustado e confuso com o avanço das operações judiciais sobre tudo e sobre todos.

Quão diferente foi a votação de ontem, em Brasília movida por verbas e articulações obscuras, da eleição da Assembleia Constituinte na Venezuela? Esta última movimentou toda a população: a oposição não foi votar, mas isso foi uma participação política; e os favoráveis à Constituinte enfrentaram os riscos e os medos para elegerem seus candidatos. Lá, houve participação política e aprendizado. E aqui? A população assistiu atônita, impotente, os deputados apresentarem seus votos em favor de Temer com argumentos incrivelmente contraditórios.

O golpe – e a esta altura, não há dúvidas de que há uma articulação muito estruturada que une Lava Jato, Michel Temer e mídia – tentou evitar ao máximo a exposição dos deputados que votaram em favor de Temer. A votação foi realizada num dia semana, em horário de trabalho, não num domingo, como foi o impeachment de Dilma, e cuja repercussão negativa serviu de lição ao golpe, que não irá repetir o erro. Aos deputados foram dados apenas alguns segundos para se pronunciarem. Seguiu-se a lição maquiavélica, de que o poder, quando pretende fazer mal ao povo, deve ser rápido e brutal. Aliás, todas as ações do governo Temer tem seguido essa máxima: em poucos meses, o desmonte de tudo.

As pessoas reclamaram, com razão, da apatia das ruas, dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos partidos de esquerda, mas é preciso ponderar que estes setores vem protestando há meses. Este ano, foram dezenas de protestos, alguns bem grandes, incluindo duas greves gerais. Nada tem conseguido interromper a marcha do golpe, porque ele tem o judiciário, a Lava Jato e a mídia a seu lado. Não há uma ação do golpe, incluindo a votação de ontem, que não fosse acompanhada, de perto, pela Lava Jato. No dia da votação da cassação de Temer, Sergio Moro aceita outra denúncia contra Lula. No dia seguinte, em que e a vitória do governo poderia trincar a narrativa, outra etapa da operação é deflagrada.

Os deputados mais histericamente fieis a Temer, como o caricato Wladimir Costa (Solidariedade-PA), usavam o nome de Lula, ou tentavam surfar no antipetismo, como senha para jogar uma cortina de fumaça sobre a votação. Costa segurava um boneco do “pixuleco”, representando Lula em trajes de presidiário, o qual não parava de agir, durante toda a votação, seguindo de gritos contra Lula e o PT.

Com a votação de ontem, o governo ficou ainda mais refém dos setores mais retrógrados, conservadores e direitistas do parlamento.

A grande mídia, porém, é a principal culpada. No mesmo dia da votação, um editorial do Globo, embora fingisse apoiar, no título, a continuidade das investigações, cita Lula quatro vezes, o PT mais quatro vezes, e o “petrolão”, duas vezes, e elogia desbragadamente a “equipe econômica” e as reformas de Michel Temer. Ou seja, Wladimir Costa, em verdade, apenas traduziu para a linguagem do baixo parlamento o recado da Globo aos setores pretensamente (e só pretensamente!) mais esclarecidos das elites, sempre atentos às diretrizes emanadas pela direção central do golpe, que é a própria Globo.

O dilema da Globo é que ela, por mais que simule movimentos opostos, com uma tática diversionista que, infelizmente, ainda engana muitos incautos, está cada vez mais próxima de Michel Temer. E Michel Temer se torna, mais e mais, símbolo do golpe.
Posted: 04 Aug 2017 05:49 AM PDT
Editorial do jornal Brasil de Fato:

A reforma trabalhista (Lei nº 13.467/2017) foi aprovada em julho e sancionada pelo presidente golpista Michel Temer. Ela será aplicada em menos de quatro meses, no dia 13 de novembro.

Entre as medidas mais duras para os trabalhadores está a chance de negociar, de forma coletiva ou individual, em patamares abaixo do que garante a lei. Foi também criada uma série de problemas para que trabalhadores não consigam reparação na Justiça do Trabalho caso seus direitos sejam violados.

Pisos salariais rompidos e jornadas de trabalho fracionadas também serão comuns. Na história das leis brasileiras, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) já passou por dois momentos de retirada de direitos: um com o golpe militar de 1964 e outro nos anos 1990. A atual reforma é o terceiro e mais grave momento de enfraquecimento da proteção legal aos trabalhadores.

É preciso revogar esta reforma. No dia 1º de agosto, terça-feira, foi apresentado um projeto de lei no Senado com este objetivo. Mas sem pressão popular não conseguiremos reverter este quadro desastroso. Assim mesmo, é preciso organizar no dia a dia os colegas nos locais de trabalho, fortalecer a participação nos sindicatos e dizer não aos abusos dos empresários. Na crise, eles buscam reduzir salários e retirar direitos.
Posted: 04 Aug 2017 05:29 AM PDT
Por Bia Barbosa e Camila Nóbrega, na revista CartaCapital:

O que quer a Rede Globo ao direcionar todo o seu jornalismo para desgastar Temer ao mesmo tempo em que outros grandes veículos preferem a suposta estabilidade que o governo traria à economia?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares.

Desde as denúncias contra Michel Temer feitas pelos donos da JBS, em maio passado, uma das grandes questões que tem intrigado os que acompanham o noticiário político é por que o principal grupo de comunicação do país entrou de cabeça na derrubada do presidente enquanto outros parecem ainda apostar na sobrevivência da atual gestão.

Ninguém parece conseguir cravar uma resposta.

Mas uma análise da cobertura feita pela chamada grande mídia da votação realizada nesta quarta-feira 2 na Câmara dos Deputados pode dar algumas pistas.

É possível, por exemplo, afirmar que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) não foi suficiente para mexer de maneira significativa as peças do tabuleiro político.

Se, de um lado, a Globo e seus veículos usaram a votação no Congresso para fritar um pouco mais Temer, houve quem saísse quase que aliviado deste processo – mesmo que o resultado final, favorável ao Planalto, já estivesse previsto.

Como anunciado diversas vezes em sua programação, a TV Globo interrompeu sua programação normal para transmitir ao vivo, no canal aberto, a votação nominal dos deputados.

Foram quase quatro horas ininterruptas, que justificaram a não apresentação do Jornal Nacional e da novela Força do Querer, programas nobres da emissora, no período da noite.

A análise detalhada do resultado do plenário coube, então, ao “time de especialistas” - como gostam de se auto-denominar – do Jornal das Dez, na Globonews, canal pago da emissora.

Ao longo de uma hora de programa, eles fizeram questão de destacar como o Palácio jogou pesado para conseguir votos e como, apesar de ter barrado a continuidade das investigações, Temer não saiu vitorioso do processo.

“O governo trabalhou pesado, atendendo no atacado e no varejo, ao longo do dia, os pedidos de seus aliados. Até a última hora e durante a sessão, o Presidente trabalhou pessoalmente para barrar a investigação”, anunciou a âncora Renata Lo Prete.

“Havia expectativa de poucos encontros hoje no Palácio. Mas ao longo do dia, pelo menos 21 deputados foram recebidos por Temer, além dos governadoras do Rio Grande do Norte e Tocantins e dos ministros Gilberto Kassab e Blairo Maggi”, completou o repórter Murilo Salviano, ao vivo do Planalto.

A reportagem que veio na sequência contou sobre os 10 ministros e dois secretários de governo que reassumiram seus mandatos na Câmara para votar com Temer.

Para a comentarista Cristiana Lobo, foi uma vitória “magra”.

“Temer se apresentou para ser um Presidente reformista e o número de votos que obteve não é suficiente pra isso. Vai ter que repactuar toda a sua base, o que não é tarefa fácil. Chamo atenção para o número de votos contra. O cálculo dos governistas chegava no máximo a 200. Mas a oposição teve 227 votos. Temer foi igualmente ruim de norte a sul do Brasil”, criticou.

Para Merval Pereira, o governo conseguiu escapar usando “os mesmos métodos de Dilma”: “Só conseguiu porque tem mais história, é mais simpático e conhece melhor os deputados. Mas foi mais uma vitória do clientelismo e da politicagem do baixo clero. O resultado mostra que, apesar da luta contra a corrupção, a política continua sendo feita da mesma maneira”.

Mais tensão nas costas do peemedebista foi colocada pela Globo com a entrevista, ao vivo, do presidente da Câmara Rodrigo Maia, que afirmou categoricamente : “Para o futuro, foi um resultado ruim, porque, com 263 votos, não emendaremos a Constituição para fazer a Reforma da Previdência”.

Maia ainda atacou o Planalto, que o acusou de estar atuando contra Temer nos bastidores: “Sempre fui fiel ao governo e nunca esperei que o entorno do presidente fosse jogar tão baixo comigo”.

Vale lembrar: há poucas semanas, foi na casa de um alto executivo da Globo que Rodrigo Maia se reuniu com deputados aliados.

Merval Pereira sentenciou: “O governo queria transformar essa votação em vitória retumbante e Maia já saiu atacando. O deficit é imenso, a crise é gravíssima e o governo errou porque aumentou as despesas para obter essa vitória. Então vai ser uma parceria complicada”.

A mala e os áudios de Joesley

A GloboNews exibiu ainda uma matéria específica sobre as acusações da PGR, colocando novamente no ar as imagens da mala de dinheiro carregada por Rocha Loures e trechos da transcrição da conversa do Presidente com Joesley Batista.

Lembrou que ainda há duas possíveis denúncias contra Temer na fila: por formação de organização criminosa, em casos de fraude na Petrobras junto com o PMDB, e por obstrução da Justiça, no caso de Cunha.

E questionou: será que o governo tem cacife e orçamento para enfrentar as outras que vierem agora?

No telejornal do canal aberto, mais tarde, William Waack lembrou que, em seu pronunciamento, feito logo após da votação, “Temer falou muito da economia e pouco das acusações. Fez questão de reiterar que agora teria condições de fazer as reformas que, todos sabemos, pararam diante da crise. Mas não falou nada sobre as denúncias ou sobre a JBS”, afirmou o âncora.

Outro destaque dos analistas da GloboNews, repetido depois no Jornal da Globo, foi o racha do PSDB na votação e os prejuízos que daí virão para Temer.

A fala do líder tucano na Câmara, Ricardo Tripoli, orientando a bancada a votar pela investigação, foi repetida inúmeras vezes: “os brasileiros estão cansados de tanta suspeita sobre seus representantes”.

Segundo a correspondente Andrea Sadi, o chamado centrão já quer os cargos ocupados pelo PSDB hoje no governo. Tanto no Jornal da Dez quanto no Jornal da Globo, os canais mostraram as manifestações e panelaços que aconteceram em 15 estados da federação contra Temer.

Portanto, a linha defendida no editoral de O Globo neste dia 2 de agosto, assim como nas manchetes online do jornal após a votação (“Com 263 votos, Câmara ignora provas e barra denuncia contra Temer”; “Com sorriso no rosto, Temer diz que resultado não é vitória pessoal”, “Deputado preso em regime semiaberto vota a favor de presidente”, “Internautas promovem vomitaço em rede social de Michel Temer”), seguirá a todo vapor.

Com menos sangue nos olhos, mas também no campo de ataque ao governo – certamente em busca da aproximação com os 81% da população que defendem que Temer seja investigado – a Folha de S.Paulo estampou nesta quinta 3: “Temer usa máquina, demonstra força e barra denúncia".

Dentro, afirmou: “Balcão de negócios com o recurso público garante vitória governista", e trouxe duas páginas centrais sob o título "Placar da Denúncia", com fotos, nomes e partidos dos deputados e como cada um votou.

Na coluna de opinião, soltou o artigo de Bernardo Mello Franco com o título "Vitória da mala". “Ao blindá-lo, os deputados deixaram claro que provas não importam. O que mantém um presidente na cadeira é a sua capacidade de manter o Congresso no cabresto”, afirmou o colunista.

Em mais de uma reportagem, o jornal destacou o papel do ministro Antonio Imbassahy, flagrado negociando emendas no plenário da Câmara.

Na versão online, a Folha abriu espaço para o trabalho da Agência Lupa, que apurou quanto cada deputado recebeu de emendas nas duas últimas semanas. O Uol, do mesmo grupo, destacou: “Temer sobrevive” e “Em dia de votação de denúncia Governo libera R$ 658 mi para sete ministérios”.

Os aliados

Se saísse da Globo e mudasse de canal na TV, o telespectador teria encontrado uma cobertura bem mais favorável a Temer nas emissoras do Grupo Bandeirantes.

Uma das maiores beneficiadas pelo aumento de verbas publicitárias distribuídas pelo Planalto no último ano, a TV Bandeirantes tem dado pouco destaque à crise política em seu noticiário, e feito longas matérias em defesa da agenda das reformas.

Na noite desta quarta 2, não foi diferente. Encerrada a sessão na Câmara, a emissora logo mostrou a continuidade no alinhamento com presidente e a bancada governista. Colocações comedidas e até sorridentes deram o tom.

Ao vivo de Brasília, repórteres ressaltaram que a vitória de Temer foi muito comemorada nos bastidores. “Aqui no Planalto, o clima é de vida que segue, página virada”, dizia um dos repórteres, complementando que o pronunciamento do Presidente destacou a construção mais ampla da base aliada para a aprovação das reformas.

O Jornal da Noite, da Bandnews, destacou: “Mercado financeiro e empresários defendem continuidade de Michel Temer na Presidência”. Em seguida, uma longa reportagem ouviu empresários de diversos setores, especialmente da indústria (produção de aço, extração de petróleo, plástico, etc), dizendo o quão a permanência do Temer é bem vista porque as reformas vão continuar.

Em total alinhamento com as justificativas de voto dadas pouco tempo antes no plenário da Câmara, os entrevistados da Band declararam: “Essa instabilidade política atrapalha muito a economia”, a despeito da grave acusação ao Presidente.

Em toda a cobertura, quase nada se falou sobre a situação do país e o baixíssimo índice de aprovação do governo. Pós-discurso de Temer, a chamada foi: “Vitória é conquista do Estado Democrático de Direito”.

Aliado histórico da indústria paulista e do mercado financeiro, o jornal O Estado de S. Paulo também contribuiu para dar um ar de normalidade ao que se passou no Congresso.

Ao contrário da Globo – para quem “foi uma sessão inédita e histórica” –, o Estadão não deu qualquer destaque à denúncia em si da PGR.

Aliás, um leitor pouco informado teria dificuldades para entender as razões da consulta feita à Câmara.

Nenhuma menção direta ao fato de que Temer é acusado de destinatário de propina negociada entre o dono da JBS e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures.

Também não fizeram parte dos destaques matérias sobre as negociações e ofertas de recursos aos parlamentares para proteção do Presidente.

Quando o mínimo de votos necessários para barrar a denúncia foi atingido na Câmara, a chamada no site do Estadão era: “Temer já tem votos suficientes para barrar denúncia, acompanhe ao vivo”. Encerrada a votação, o destaque também foi o pronunciamento do Presidente: “Após barrar denúncia, Temer diz que é urgente pôr o país nos trilhos”.

Outras chamadas na capa compunham um cenário de apoio ao governo: “Em nome da economia, aliados votam para arquivar denúncia” e “Bolsa sobe 1% e volta ao nível de pré-crise política”.

O tom alinhado com o Planalto seguiu na versão online do jornal desta quinta 3: “Após vitória na Câmara, próxima batalha é a Previdência, diz Padilha”, em referência à reforma também apoiada pelo jornal. Já sumiu da página principal a matéria publicada na véspera, que dizia “Janot pede Temer, Padilha e Moreira Franco no quadrilhão do PMDB”. O texto principal de Opinião do site é “A política radical de Lula”.

Entender o jogo que a grande mídia tem feito não é tarefa, portanto, para principiantes.

O que importa todo leitor e telespectador considerar é que, nem de longe – assim como ocorreu com a cobertura do impeachment de Dilma Rousseff –, o que conduz a linha editorial dos veículos em relação a Temer se resume ao mero exercício do jornalismo.

Há muito mais por trás das câmeras, telas e páginas de jornal do que se pode imaginar.

Sigamos de olhos abertos.

* Bia Barbosa e Camila Nóbrega são jornalistas. Colaborou Cinthya Paiva, advogada. Todas integram o Intervozes.
Posted: 04 Aug 2017 05:08 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

“Entre um burro e um canalha, não passa o fio de uma navalha” - Millor Fernandes

Na abertura do 8o Congresso Nacional do Ministério Público, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, foi incisivo: o Ministério Público se orienta pela Constituição, e não se fala mais nisso.

Disse mais:
- Afirmo aos senhores e senhoras que uma instituição plural, democrática e altiva como é o Ministério Público brasileiro jamais estaria a reboque dos acontecimentos, de pessoas ou de interesses menores. Ao contrário, fomos moldados pelo constituinte para ser uma instituição de vanguarda, que dita o próprio caminho e que busca como norte apenas as leis e a Constituição.

Consta que, quando soube do teor das conversas de familiares de Lula, divulgadas pela força tarefa da Lava Jato com o seu consentimento, Janot teria reagido com uma gargalhada.

Não sei se procede. Mas sei que foi graças ao seu empenho pessoal, dos procuradores da Lava Jato, da adesão de procuradores por todo o país, que se conseguiu o feito de consolidar no comando do país uma organização criminosa.

O MPF se tornou uma instituição tão vanguardista que conseguiu bater a Operação Mãos Limpas. Na Itália foi necessário aguardar as eleições para chegar um Berlusconi. Por aqui, entregaram o país a seco para Temer, Padilha, Moreira e companhia.

Enquanto ocorria o banquete dos piratas no Congresso, o nobre Janot falava para a história:

- A resposta positiva da sociedade ao nosso trabalho na Lava-Jato, bem como o severo crivo pelo qual sempre passaram nossas investigações no Poder Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal, demonstra que aquilo que alguns poucos inconformados chamam, levianamente, de loucura é, de fato, apenas o cumprimento sério e honesto de um mandato constitucional.

Janot bradava aos seus a relevância do “nosso trabalho na Lava Jato”, enquanto o coordenador político do governo Temer era flagrado negociando emendas milionários, uma emenda de R$ 8 milhões aqui, outra de R$ 7 milhões acolá. E tudo devidamente legalizado pelo controle imposto pela quadrilha ao Executivo.

Os craques conseguiram. Primeiro, tiraram do poder uma presidenta eleita, pouco importa os erros cometidos na condução da política e da economia. Tiraram por um motivo fútil com a ajuda indispensável do MPF.

O que imaginaram com a quebra da ordem constitucional? Que sir Galahad desceria dos céus ungido pelo espírito anticorrupção emanado do MPF, e traria a paz, a bondade, a caridade e a honestidade para o Brasil? Que, depois de Dilma, tirariam Temer? O que fazer agora com a quadrilha que passou a utilizar até dinheiro das emendas parlamentares para compra de voto? Pergunte ao Janot.

Sem a onda a favor, que perdoava qualquer erro, minimizava qualquer abuso, Janot voltou à sua estatura normal. Sem noção de timing, pediu pela terceira vez a prisão de Aécio, enfraquecendo mais ainda sua posição junto ao Supremo. Agora, seus porta-vozes na mídia acenam com ações em massa contra os deputados quadrilheiros. E daí? Como manobrará os prazos, agora que entregaram ao comando da quadrilha? Como contornará o controle que impuseram ao Congresso, comprado a peso de ouro pelas emendas parlamentares?

No Twitter, uma brava procuradora buscava se consolar

“Alma quieta, espinha ereta, coração tranquilo. O @MPF_PGR fez a sua parte, dentro de suas atribuições constitucionais e legais. #orgulho

Ao que responde outro procurador, este do staff pessoal de Janot:

“Com certeza (...)! Tenho orgulho da nossa Instituição e da nossa missão de defesa da Ordem Constitucional”.

Que mané orgulho? Objetivamente, o que fizeram foi entregar o país ao comando do mais corrupto grupo da moderna história política do país. E fizeram de maneira calculada, sincronizando os eventos da Lava Jato em momentos fatais para a deflagração do impeachment, saindo as ruas em passeatas pró-impeachment, abrindo representações contra colegas que defendiam a ordem legal. Ou não sabiam que o poder conferido à quadrilha os tornaria quase imbatíveis? O que queriam era colocar no coldre a marca da derrubada de uma presidente da República.

E, agora, qual sua estratégia para avançar contra os bucaneiros que tomaram de assalto o Congresso? Montar uma nova lista de Janot?

Como diria Millor...
Posted: 04 Aug 2017 04:57 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:



O voto dos Bolsonaros Jair e Eduardo na Câmara a favor da denúncia contra Temer causou um curto circuito em seu eleitorado e uma debandada.

Antipetistas, anticomunistas, pouco inteligentes e sobretudo com pânico de Lula, fãs de Bolsonaro preferem manter um corrupto amigo como Michel Temer.

Bandidos de estimação, desde que à direita, estão liberados na utopia fascista.

A reação forçou pai e filho a dar explicações.

Eduardo fez um vídeo no carro, dirigindo (alô, autoridades do trânsito). Reclamou que lhe passaram um “atestado de trouxa”, que “tem vergonha na cara” e que é preciso “um cara decente na presidência”.

Seu genitor escreveu nas redes tentando explicar a diferença entre votos “sim” e “não” para sua galera de analfabetos políticos.

A verdade é que ambos colaboraram com a estratégia de Michel Temer.

Como lembrou Lauro Jardim no Globo, deram quórum, garantindo o início da sessão que deveria matar a primeira denúncia.

Na sequencia, votaram pelo encerramento das discussões, garantindo que a votação começasse o quanto antes e, com isso, se encerrasse também rapidamente.

A fragilidade do discurso moralista é facilmente desmoronável e cheia de buracos populistas.

Até 2018, muita água vai minar a candidatura da grande esperança branca da extrema direita, segundo colocado na pesquisas mais recentes.



Posted: 04 Aug 2017 04:43 AM PDT
Por Jeferson Miola

O trancamento da investigação do Michel Temer pela Câmara dos Deputados é a síntese perfeita do Brasil golpeado na sua democracia, na sua dignidade e na sua decência.

A Câmara dos deputados, batizada naquela sessão deplorável de 17/4/2016 pelo cronista político português Miguel Sousa Tavares como uma “assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”, não autorizou o STF investigar o “chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil” flagrado na prática de crime de corrupção ocorrida em encontro clandestino altas horas da noite com o empresário corruptor Joesley Batista em pleno Palácio Jaburu, a residência oficial.

O chefe do governo de ladrões integrado pelo PSDB, PMDB, PP, PR, PRB, PPS, PTB, PSB, PV, PSD, DEM, é a solução de consenso do establishment; é a opção que unifica e pacifica o bloco dominante.

A Câmara dos deputados simplesmente adotou, outra vez mais, as decisões impostas pelo sistema financeiro internacional e pelo grande capital nacional e estrangeiro, que tem no PSDB e na oligarquia paulista sua representação orgânica no sistema político brasileiro.

A salvação do Temer, para os donos do poder, é o fator mais favorável à estabilidade do pacto de dominação oligárquica para o aprofundamento da restauração ultra-liberal no Brasil. A contra-reforma trabalhista, que cria normas que submetem mulheres grávidas a condições sub-humanas de trabalho, inferiores inclusive às normas técnicas para a criação e para o abate do gado bovino, é a expressão mais cruel deste pacto escravocrata e patriarcal.

Temer, por isso, deverá seguir governando ilegitimamente o Brasil até 31 de dezembro de 2018. Nem mesmo a segunda denúncia que a procuradoria da República apresentará contra ele [por organização criminosa, obstrução da justiça e prevaricação] será autorizada pela Assembléia de Bandidos, uma Casa dominada pela mesma maioria corrupta que perpetrou o golpe contra a Presidente Dilma.

Temer, um dos mais ilegítimos e apodrecidos governantes em todo o mundo, paradoxalmente detém o poder de entregar às metrópoles imperiais a mais atraente e suculenta agenda da geopolítica mundial contemporânea: as riquezas nacionais, a renda pública, a soberania política e econômica, as terras, a cadeia de gás e petróleo, a Amazônia, a legislação ambiental, o Aqüífero Guarani, a soberania nuclear, a capacidade de lançamento de satélite, os direitos trabalhistas, a previdência e tantos outros valores da nona maior economia do planeta.

A decisão adotada pelos integrantes da Assembléia Geral de Bandidos não causa nenhuma estranheza. Presidida por um deputado denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro [apelidado de “botafogo” nas planilhas de propinas da Odebrecht]; e composta por uma maioria de deputados acusados por crimes variados – corrupção, improbidade administrativa, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, trabalho escravo e homicídio – a Assembléia de Bandidos jamais abandonaria um dos seus iguais ao relento.

Ao salvar Michel Temer, um dos seus integrantes mais notórios a ocupar o mais alto cargo de poder do país de maneira ilegítima e sem votos, a Assembléia Geral de Bandidos finalmente escreveu sua autobiografia.

O Brasil se cobre de vergonha. Os mesmos parlamentares corruptos que depuseram uma mulher honesta e digna com um impeachment fraudulento, mantêm na presidência do Brasil o notório criminoso que lidera uma turba de ladrões denunciados na justiça e protegidos pelo foro privilegiado.

O sentimento quase unânime da população, de 94%, que se manifesta ruidosamente nas pesquisas rejeitando Temer, não guarda correlação, todavia, com o silêncio abrumador nas ruas, onde se observa o declínio do movimento de massas orientado pelo “Fora Temer/Diretas já!”.

Isso não significa, entretanto, que não exista insatisfação popular, como tampouco significa que não esteja havendo ampliação da consciência acerca da piora da situação de vida depois do golpe, em comparação com os governos do Lula.

É realista a hipótese de que esta “consciência de reserva” possa ter expressão concreta e surpreendente em 2018, se ocorrerem eleições limpas e democráticas. Em função desta evidência, teses como a do parlamentarismo a partir de 2018, podem ganhar corpo no pacote de ofensiva da classe hegemônica. Tudo será feito para impedir o retorno do Lula.
Posted: 03 Aug 2017 06:19 PM PDT
Ontem (03/8) na Câmara dos Deputados. Foto: Lula Marques
Do site do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal:

Nós, jornalistas do Distrito Federal, viemos a público rechaçar a conduta antiética, misógina, machista e racista do deputado Wladimir Costa (SD-PA) contra a jornalista Basília Rodrigues, da CBN. Na noite do dia 1º de agosto, durante o exercício da profissão, Basília foi assediada sexual e moralmente pelo parlamentar.

A jornalista expôs o fato em sua página no facebook. O relato foi intitulando como “Um ensaio sobre a idiotice”. A repórter afirma que questionou se a tatuagem em homenagem ao presidente Michel Temer era de verdade e se o deputado poderia mostrar a imagem. Em resposta, Wladimir disse: “Pra você, só se for o corpo inteiro”.

Basília também relata que o deputado em questão, ao ser indagado novamente, fez outras colocações e até mesmo gestos, ambos muito desrespeitosos. Para além disso, os atos foram presenciados pelos jornalistas e deputados que estavam no local, colocando a profissional em uma situação bem delicada e vexatória (Confira o relato completo aqui).

Mesmo diante de um período questionável, do ponto de vista dos direitos e representações, faz-se necessário que situações como esta sejam expostas e veementemente combatidas. O teatro criado tendo personagens políticos bizarros como protagonistas não podem ultrapassar os limites mínimos para uma relação respeitosa, entre políticos e profissionais da imprensa.

As mulheres jornalistas, em especial as negras, já estão submetidas a uma série de desigualdade e violências, dentro e fora das redações, que demandam de toda a sociedade atenção redobrada, ainda mais quando se trata de uma cobertura política de interesse público. Solidarizamo-nos à jornalista, que tem uma atuação destacada na cobertura política em Brasília, e nos colocamos à disposição para dar suporte jurídico, caso ela assim o queira.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF

Coletivo das Mulheres Jornalistas do SJPDF

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF (Cojira-DF)

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