sexta-feira, 4 de agosto de 2017

4/8 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 04 Aug 2017 06:03 AM PDT



HÁ POUCO MENOS de um ano, um dos espetáculos políticos mais humilhantes que eu já vi aconteceu durante nove horas em Brasília. Na Câmara dos Deputados – casa cuja maioria dos membros estão envolvidos em investigações – um corrupto atrás do outro se postou diante das câmeras de televisão e declararam triunfalmente que sua consciência, sua religião, seu Deus, suas crianças, sua devoção a Jerusalém, a memória de suas mães, seus pastores, a pureza de suas almas, exigiam que eles punissem a corrupção retirando a Presidente eleita Dilma Rousseff de seu cargo.

Imagine a caricatura mais grosseira de um moralista em sua exuberante hipocrisia – um sacerdote que deixa a orgia semanal no prostíbulo de fé para ir diretamente à missa de domingo, ralhar contra os pecadores levantados do inferno – e você terá uma justa imagem da maioria dos que se pavoneavam ao púlpito naquele dia. O sebo que sai dos seus poros é palpável. Esses são os homens que anularam uma eleição nacional e agora governam o quinto país mais populoso do planeta.
Photo: Eraldo Peres/AP
Com um significado simbólico que não poderia ser imaginado por qualquer roteirista de cinema, aquele festival vulgar foi presidido pelo deputado Eduardo Cunha, um chefe de quadrilha do crime organizado atuando como legislador. Logo depois de ter planejado a queda de Dilma – que as elites da mídia nacional se unificaram para dizer que era baseada em uma legítima preocupação com a corrupção – Cunha foi preso, acusado de suborno, lavagem de dinheiro, intimidação de testemunhas e crime organizado.

Em resumo, a classe política e os barões da mídia – a nata da corrupção – destruíram o país, efetiva e deliberadamente revertendo o resultado das urnas de 2014, insistindo que sua alta ética e o solene respeito pela lei não tolerava os artifícios econômicos banais que Dilma empregou para fazer a economia parecer mais forte do que realmente era. Não existem palavras para descrever a envergadura da fraude que foi todo aquele espetáculo.

Mas agora – precisamente ontem – eles mesmos deixaram clara a verdadeira natureza de seus atos e seu caráter. A pessoa que eles promoveram para governar o país, o Vice-Presidente Michel Temer – um tecnocrata de carreira medíocre – está se afogando em escândalos de corrupção desde que assumiu. Há dois meses foram reveladas gravações de Temer endossando pagamentos de propina, feitos pelo magnata dos frigoríficos Joesley Batista, a inúmeras testemunhas, incluindo seu colega de legenda Eduardo Cunha, para comprar seu silêncio.

Pense sobre isso: no país que fingiu estar tão moralmente ofendido pela manobra orçamentária de Dilma que precisou simplesmente derrubá-la do cargo, todos puderam escutar o Presidente empossado aprovando o pagamento de propinas para garantir o silêncio de testemunhas. As gravações foram reproduzidas na televisão.

Todos escutaram Temer, em sua própria voz, há poucas semanas, participando em crimes flagrantes. Ele foi imediatamente indiciado por Rodrigo Janot, Procurador da República, tornando-se o primeiro Presidente a ser formalmente denunciado por crimes comuns no exercício do mandato.

Um mês depois, surgiram evidencias de que Temer recebeu pessoalmente fartas propinas, com a revelação de um vídeo onde um de seus aliados mais próximos corre com uma mala cheia de dinheiro, após Temer determinar o pagamento de propinas. Como pode um país – em especial onde a elite passou um ano fingindo estar escandalizada com pequenas manobras orçamentárias – continuar sendo liderado por alguém que foi visto e ouvido recebendo propinas e silenciando testemunhas?

EM BRASÍLIA, tudo é possível. Ontem, a mesma Câmara dos Deputados que no ano passado votou pelo impeachment de Dilma, teve que decidir se suspendia Temer e o levava a julgamento por corrupção. Por um placar de 263 a 227 votos, os deputados se recusaram a fazê-lo, assegurando que Temer permaneça no poder. A votação de ontem foi presidida pelo sucessor de Cunha, o deputado Rodrigo Maia, do DEM (Democratas); Maia, é claro, está fortemente envolvido nas investigações sobre a corrupção no país.

Os mesmos pomposos deputados de direita e de centro que doze meses atrás se disfarçaram, sem nenhum pudor, com os trajes da ética, da religião e da moralidade se juntaram para garantir que seu criminoso de estimação, que governa o país, não sofra qualquer consequência. Agora ele não poderá sofrer as acusações até que deixe o cargo.

Com um simbolismo quase tão potente quanto o de Cunha presidindo o impeachment de Dilma, os votos dos deputados foram comprados por Temerusando dinheiro público. O Presidente passou os últimos dois meses fisgando, um a um, os deputados para dentro do Jaburu para dar-lhes um banho de generosidade até que eles aceitassem bloquear qualquer investigação. Este é o homem para quem as elites da mídia, em nome da luta contra a corrupção, conscientemente deram o poder. A piada é tão clara quanto trágica.

Diferentemente do que aconteceu no ano passado, quando queriam ser o centro das atenções, dessa vez eles correram como baratas para se esconder sob os armários da cozinha. Sabendo que quase todo o país (com exceção das oligarquias) odeia Temer e quer que ele caia – ele tem literalmente 5% de aprovação – a maior parte dos deputados fez sua sujeira da maneira mais envergonhada e furtiva possível. Poucos se dispuseram a falar em defesa de Temer. Rastejavam ao microfone quando seus nomes eram chamados e davam seu voto de propina com a maior discrição possível.

Além de mostrar ao mundo a metástase que continua crescendo no coração da classe política brasileira – que tipo de elite política decide deixar no cargo um Presidente flagrado em gravações aprovando propinas? – a votação de ontem derrubou de uma vez por todas as máscaras dos reais motivos pelos quais Dilma foi afastada.

Ao contrário do roteiro enganoso criado e disseminado pelos bem-pagos propagandistas da elite da mídia, o impeachment tinha dois, e apenas dois, motivos: 1) proteger a classe política das investigações sobre a corrupção através do empoderamento das figuras mais corruptas, permitindo que eles estancassem a investigação, e 2) servir aos interesses dos plutocratas domésticos e dos financistas internacionais, “reformando” programas sociais voltados aos mais pobres em nome da “austeridade”.

O ASPECTO MAIS MARCANTE dos últimos dois dramáticos anos na política é que o áudio de Jucá – outro dos aliados mais próximos de Temer – no qual ele descreve claramente os reais motivos e objetivos do afastamento de Dilma, foi revelado em meio à crise do impeachment. Remover Dilma, disse Jucá pensando que falava em segredo, permitiria um “pacto nacional” – endossado pelo STF, a mídia corporativa e os militares – através do qual a investigação seria liquidada, e o país poderia seguir em frente.

Depois da revelação desta gravação comprometedora, Jucá teve que renunciar ao Ministério do Planejamento, que havia recebido de Temer; mas sua renúncia tece curta duração, porque todos – juízes, generais, e apresentadores dos telejornais – sabiam que o enredo que ele descreveu realmente era aquele que todos haviam assinado quando removeram Dilma. Logo depois, Jucá se tornou o líder do governo de Temer no Senado. E o enredo que ele descreveu tão perfeitamente – para liquidar as investigações e proteger e dar poder aos criminosos – tinha sido seguido à risca, culminando na votação de ontem para proteger o Criminoso Supremo.

Alguns meses atrás, o mesmo congresso que fingiu indignação com a manobra orçamentária de Dilma aprovou leis para enfraquecer as investigações sobre a corrupção, e agora há rumores de que políticos corruptos poderão processar o Procurador que os indiciou. Exatamente como nos Estados Unidos – onde as únicas pessoas que vão para a prisão por crimes de guerra são aquelas que os expõem – com raras exceções, as únicas pessoas que pagarão um preço pela corrupção sistêmica do Brasil são aqueles que a expuseram. Esse era o esquema em todo o percurso da remoção de Dilma, e ninguém sequer se incomoda em negar. Como podem?

Mas o prêmio maior de tudo isso – como sempre – é a recompensa aos oligarcas e a punição aos mais pobres do país. Em uma admissão notável literalmente ignorada pela mídia brasileira corporativa, Temer foi a Nova York em setembro e, falando a um grupo de investidores e a elite da política estrangeira, explicitamente admitiu que o motivo real do impeachment de Dilma foi sua resistência em aplicar uma maior austeridade.

Toda vez que Temer parece estar em risco, a moeda brasileira e o mercado de ações são punidos; quando parece que ele sobreviverá, eles se fortalecem. Isso é porque ele é o instrumento da austeridade. O Ministro da Fazenda de Temer não desperdiçou tempo depois da votação para anunciar que as “reformas” de austeridade que eles estão desesperados para impor serão novamente apresentadas, agora que Temer está a salvo.
Temer é a cria da classe oligárquica brasileira e sua mídia dominada. Ela esteve tão dedicada ao seu empoderamento – e também à coalização de direita que perdeu múltiplas eleições mas, apesar disso, magicamente passou a governar o país através de Temer – que uma de suas mais brilhantes estrelas, Eliane Cantanhêde, igualou a oposição a Temer à traição ao país, dizendo que “o esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil”.

Em certo sentido, há uma justiça do karma aqui: o Brasil tem a classe política, e seus líderes corruptos e manchados, que refletem perfeitamente o caráter da elite oligárquica que governou o país com punhos de ferro por décadas.

Mas em um sentido muito mais profundo, o que eles fizeram é uma tragédia difícil de engolir: milhões de seres humanos, nascidos em uma sociedade terrivelmente estratificada, que não tiveram qualquer perspectiva por gerações, finalmente tiveram, durante a última década, um lampejo de esperança, para agora vê-la sendo engolida e extinta pela mesma classe dominante de ladrões e mentirosos, os únicos responsáveis pela eterna situação de desigualdade e miséria para a maioria.

The Intercept Brasil


Posted: 04 Aug 2017 05:45 AM PDT

Lula: 'Vocês sabem o quanto sou atacado todos os dias. Quando a gente tem razão, nada nos deixa nervosos'


São Paulo – Com uma rápida referência à votação da véspera na Câmara, que preservou Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou ontem (3) à noite em "volta" ao poder, durante evento de movimentos de moradia. "Eu quero que eles saibam que nós vamos voltar", afirmou em uma superlotada quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na região central da cidade. "Quando eu digo 'nós', não é o Lula", acrescentou, "é o povo trabalhador deste país."

Ele disse que no próximo dia 17 inicia uma caravana que, durante 20 dias, percorrerá todos os estados da região Nordeste, começando pela Bahia e terminando no Maranhão. Mais adiante, percorrerá Sul, Centro-Oeste e a Amazônia. "Eu vou conversar com o nosso povo, com os trabalhadores, a dona de casa, com o pequeno empresário", disse o ex-presidente, que criticou a política fiscal "muito dura" do atual governo em relação a gastos sociais, mas o que não impediu, porém, de liberar recursos a deputados em busca de apoio a Temer.

Também fez referência a novo depoimento que deverá prestar ao juiz federal Sérgio Moro, em 13 de setembro, em Curitiba. "Vocês sabem o quanto eu sou atacado todos os dias. Quando a gente tem razão, nada nos deixa nervosos." E reafirmou que não há razões para sua condenação, pedindo que digam "que o Lula um dia pediu 10 centavos" a alguém. "Se quiserem me condenar, achem uma prova."

O ex-presidente participou da abertura do 14º Encontro de Moradia Popular, promovido pela União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e pela União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM) – que está completando 30 anos. Com aproximadamente mil delegados de 20 estados, o evento termina no domingo, com aprovação de uma agenda de lutas e definição da nova coordenação nacional. Também estavam na quadra, entre outros, o presidente estadual do PT, Luiz Marinho, o líder do partido na Câmara, Carlos Zarattini (SP), o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o coordenador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim.

Lula destacou o histórico déficit habitacional do país e afirmou que o objetivo do programa Minha Casa, Minha Vida, criado em seu governo, "era tratar o povo humilde com mais respeito e cumprir a Constituição". Isso significa, acrescentou, "que cabe ao Estado subsidiar aqueles que não têm condição de comprar uma casa". E criticou a atual política: segundo ele, o governo está "acabando com a possibilidade de o povo mais pobre ter acesso à casa".

Um dos coordenadores estaduais da UNMP, José de Abraão lembrou que o movimento em São Paulo surgiu a partir da Igreja e cresceu apesar das adversidades. "Tivemos de quebrar muitas barreiras, enfrentamos governos de extrema-direita, tomamos muita porrada da polícia, fomos criminalizados."

Marcos Cosmo, da coordenação nacional, destacou a importância dos movimentos para o governo Lula. "Temos clareza que o seu mandato foi construído com todas essas forças. Não vamos permitir que nenhum direito seja jogado na lata do lixo", afirmou, acrescentando que os "traidores" responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff voltaram a atuar na quarta-feira, desta vez em defesa de Temer. Cosmo disse ainda que Lula pode contar com todo apoio neste "momento difícil".



Rede Brasil Atual
Posted: 04 Aug 2017 05:33 AM PDT

A condenação e a caçada judicial contra Luiz Inácio Lula da Silva não foram suficientes para tirá-lo da liderança da corrida presidencial de 2018; nova pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 29 e 31 de julho, mostra que o ex-presidente Lula lidera as intenções de voto em todos os cenários pesquisados: contra Jair Bolsonaro (PEN-RJ) ou João Doria (PSDB-SP), Lula alcança 53% das intenções de voto; se os candidatos forem Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ou Marina Silva (Rede-AC), Lula bate ambos com 52% dos votos; para Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, vários dados pesquisa podem explicar porque Moro não acabou com as intenções de voto positivas no ex-presidente, como o fato de muitos eleitores julgarem que ele não conseguiu apresentar provas contra Lula no caso do triplex do Guarujá


247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue líder absoluto nas intenções de voto para o Planalto em 2018, apesar da caçada judicial de que tem sido vítima.

A nova rodada da pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 29 e 31 de julho, mostra que o ex-presidente Lula lidera as intenções de voto para presidência da República no segundo turno nos quatro cenários pesquisados: contra Jair Bolsonaro (PEN-RJ) ou João Doria (PSDB-SP), Lula alcança 53% das intenções de voto; se os candidatos forem Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ou Marina Silva (Rede-AC), Lula bate ambos com 52% dos votos.

Nesses cenários imaginados pela pesquisa, Bolsonaro teria 17% dos votos. Já Alckmin, Doria e Marina alcançariam, no máximo, 15% do total de votos, cada um.

A intenção de voto espontânea em Lula também aumentou depois que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente, sem nenhuma prova, por crime de corrupção passiva no caso do tríplex do Guarujá. Em junho, antes da sentença, 40% dos entrevistados disseram que votariam no ex-presidente. No fim de julho, o percentual aumentou para 42%.

Para Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, vários dados pesquisa podem explicar porque Moro não acabou com as intenções de voto positivas no ex-presidente.

“Um deles, muito importante, é que, para 42% dos entrevistados, Moro não provou a culpa de Lula no caso do tríplex do Guarujá. Para 32%, Moro provou e, outros, 27% não souberam ou não quiseram responder”.

Outros candidatos

No cenário em que os entrevistados não recebem cartela com nomes e citam espontaneamente em quem pretendem votar para presidente da República em 2018, o segundo colocado é Bolsonaro, com 8% das intenções de voto.

Marina vem em terceiro, com 2%; e, embolados com apenas 1% dos votos aparecem Moro (sem partido), Ciro Gomes (PDT-CE), Joaquim Barbosa (sem partido), Doria, Fernando Henrique e Alckmin.

Aécio Neves (PSDB-MG) zerou novamente, como havia zerado em junho, após as denúncias de corrupção feitas pela PGR – Procuradoria Geral da República.

Intenção de voto estimulada

No cenário em que a intenção de voto foi estimulada com Alckmin, o tucano atinge 6% das intenções de voto e Lula, 47%. Bolsonaro tem 13%, Marina, 7%, e Ciro, 3%.

Na estimulada com Doria, Lula tem 48% das intenções de voto, Bolsonaro manteve os 13%, Marina subiu para 8% e o prefeito de São Paulo empatou com Ciro Gomes, com 4%.

O pessimismo dos brasileiros com o momento econômico e político atual e o descrédito no governo Temer, aliados as lembranças de um passado recente de que a vida era melhor nos governos do PT, ajudam a explicar porque as intenções de voto no presidente Lula são as que mais crescem em todos os cenários da pesquisa”, analisa Coimbra.

Segundo ele, outros dados da pesquisa CUT-Vox, ajudam a entender essa tese. Um deles é o aumento de 49% para 55%, entre junho e julho deste ano, do percentual de entrevistados que apontam Lula como o melhor presidente que o Brasil já teve - o outro nome lembrado é o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), com 15%.

Além disso, 58% dos brasileiros consideram Lula um bom administrador, 65% dizem que ele é trabalhador e 61% afirmam que a vida melhorou nos 12 anos de governos do PT.

> Já o presidente da CUT, Vagner Freitas, ressalta que o pessimismo dos brasileiros com o governo Temer vem aumentando rapidamente mês a mês por causa do desemprego recorde – mais de 13,5 milhões de trabalhadores estão desempregados – e das medidas de arrocho salarial, previdenciário e social.

Para Vagner, isso explica dados da pesquisa como os de que, com Temer, a vida piorou para 61% dos entrevistados – em junho o percentual era de 52%.

Aumentou também o pessimismo e a descrença quanto a capacidade de Temer de controlar a inflação – em junho, 62% achavam que a inflação ia aumentar. Em julho, esse percentual pulou para 75%. Cresceu também o percentual dos que acham que vai aumentar o desemprego no Brasil - de 68% em junho para 72% em julho.

“O povo quer votar em quem tem compromisso com a classe trabalhadora tanto para voltar a ter uma vida melhor, quanto para reverter as medidas que Temer tomou para acabar com a CLT e a aposentadoria, entre tantas outras desgraças desta gestão golpista”, conclui Vagner.

A pesquisa UT/Vox Populi, realizada nos dias 29 e 31 de julho, entrevistou 1999 pessoas com mais de 16 anos, em 118 municípios, em áreas urbanas e rurais de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior.

A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%.


Brasil 24/7
Posted: 03 Aug 2017 08:39 PM PDT

Situação e Oposição concordam: não há o que comemorar com a vitória de Temer na Câmara - Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

Foi uma vitória considerada apertada. Por 263 votos contra 227, duas abstenções e 19 ausências, os deputados impediram o Supremo Tribunal Federal de apreciar a admissibilidade da denúncia do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra o Presidente da República, Michel Temer.


A denúncia de crime de corrupção passiva teve por base o conteúdo da colaboração (delação) premiada do empresário Joesley Batista, dono (junto com seu irmão, Wesley) do grupo J&F, controlador de várias empresas, entre as quais, o frigorífico JBS. Como determina a Constituição Federal, ao receber a denúncia de Rodrigo Janot, o Ministro Edson Fachin, do STF, encaminhou a mesma para a Câmara dos Deputados.

No parecer inicial, da Comissão de Constituição e Justiça, o relatório inicial do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) recomendando a admissibilidade pelo Supremo foi rejeitado. Um novo foi então produzido outro deputado, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), exatamente no sentido oposto. E foi esta visão que acabou prevalecendo.

A Sputnik Brasil ouviu parlamentares de ambos os lados, favorável e contrário à admissibilidade. Em comum, Pauderney Avelino e André Figueiredo manifestaram o mesmo entendimento, a de que o governo tem pouco ou quase nada a comemorar com este resultado.

Pauderney Avelino (DEM-AM), da base aliada de Michel Temer, afirmou:
“Não há o que comemorar em relação ao resultado de ontem na Câmara dos Deputados. De fato, o que o Presidente Michel Temer fez foi pular a fogueira ao afastar de si esta denúncia que, segundo os juristas, era frágil por ser inepta. Porém não se analisa nesse momento a questão jurídica mas sim, política. O presidente tem condições agora de retomar sua agenda positiva, com as reformas para o país, para que possamos trazer de volta a normalidade política e econômica que os brasileiros estão precisando urgentemente.”

Pauderney Avelino refutou as acusações de que o governo distribuiu verbas para os parlamentares com objetivo de assegurar sua vitória na Câmara:
“A distribuição de verbas é prevista no Orçamento da União e, além de previstas no Orçamento, está-se tratando de emendas impositivas que não foram destinadas apenas para os parlamentares da base do governo mas também para os deputados da Oposição, estes talvez em até maior número do que os deputados da base do governo. Então, o pagamento de emendas que são destinadas pelos parlamentares para os seus estados, para instituições e para municípios, e por estar previsto em lei, acredito que deverá continuar.”

O parlamentar amazonense também negou as informações de que uma reforma ministerial estaria sendo cogitada pelo Palácio do Planalto:
“Conversei hoje com o Presidente Michel Temer e não percebi nele qualquer intenção de mudar o ministério. E o Ministro Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, com quem também conversei nesta quinta-feira, assegurou que não haverá qualquer mudança ministerial.”

Já Deputado André Figueiredo (PDT-CE), contrário a Michel Temer, observou:
“O resultado de nós [da Oposição] não termos os 342 votos, ou seja, 2/3 do colegiado da Câmara dos Deputados, para aprovar a análise da admissibilidade pelo Supremo Tribunal Federal da denúncia pela Procuradoria Geral da República, era esperado. Nós sabíamos que não teríamos estes 342 votos. Mas também o governo contava em ter uma maioria muito mais folgada do que o resultado final da votação, 263 votos contra 227, depois de ter liberado recursos para emendas parlamentares da sua base, distribuído cargos, ameaçar parlamentares para que não votassem contra ele [governo]. Então, eu acho que a vitória foi da Oposição. Mesmo depois desta sessão tensa, nós víamos claramente, nos semblantes dos deputados ligados ao governo de Michel Temer, um certo olhar de decepção. Eles esperavam uma vitória mais folgada e isso nos deixa margem para que, na apresentação de uma segunda denúncia [contra o presidente], esperemos que o Temer não tenha o mesmo resultado que teve agora.”

André Figueiredo entende que o momento político exige grande movimentação da sociedade:
“Nós esperamos que, com a apresentação desta segunda denúncia pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, a população brasileira se mobilize contra a permanência de Michel Temer na Presidência da República. A população deve pressionar os parlamentares a votar de forma a cumprir sua obrigação. Não podemos deixar ninguém acima da lei. A lei deve valer para todos e nós não estamos votando essa admissibilidade condenando ou absolvendo. Nós estamos apenas delegando ao Supremo Tribunal Federal a possibilidade de ele analisar a denúncia. O Supremo então decide se arquiva ou se instaura o processo contra o Sr. Michel Temer.”

O parlamentar cearense tem dúvidas sobre o futuro do presidente:
“O governo Temer está moribundo. Não acredito que ele conseguirá aprovar nenhuma medida mais polêmica até porque este governo tem prazo de validade. Nós sabemos que existe uma movimentação muito grande da sociedade, da população brasileira, e isso reflete dentro do Parlamento. Nós temos um presidente que possui 95% de rejeição e que, portanto, não pode sair às ruas. Temos der levar isso em consideração e é por tudo isso que não sei se Michel Temer chegará ao final do seu mandato [em 31 de dezembro de 2018]”.

Sputnik Brasil
Posted: 03 Aug 2017 08:22 PM PDT



Votação da denúncia contra Temer. Encenado mais um ato da Farsa. Os mesmos tipos, mesmos votos constrangedores, a moeda de sempre.
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O processo do impeachment, aquele definido como "Tabajara" por Joaquim Barbosa, estabeleceu nova regra: o vale tudo.
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O que está em jogo é quem controla o Poder. Agora e a partir de 2018.
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Faltaram votos em 2014? Providenciou-se uma nova fórmula para chegar ao Poder. Essa que ai está, e que hoje teve mais um ato.
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Todos se lembram do escândalo chamado "mensalão". O do PT. O do PSDB, 19 anos depois segue virgem.
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O "mensalão do PT" escandalizou o Brasil. Espetáculo que se arrastou por 7 anos. No Supremo, sob a batuta do mesmo Barbosa, durou 1 ano e meio e 69 sessões.
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Capítulos decisivos transmitidos ao vivo, de 2 de agosto até a véspera da eleição municipal de 2012.
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Qual o crime denunciado naquele "mensalão"? Parlamentares sendo pagos para votar com o governo. O que se assiste nesse ato da Farsa agora?
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Parlamentares pagos, com emendas e demais moedas, para manter um presidente acusado de atos de corrupção pessoal.
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E o que foi o movimento, o início do caminho para a derrubada de Dilma, se visto por esse ângulo, digamos comercial, das compras e vendas?
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Recordemos: Yunes, 1ª amigo de Temer, revelou: foi usado como "mula" pelo ministro Eliseu Padilha. Quem contatou Yunes foi o doleiro Funaro, agora preso.
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O que disse o doleiro Funaro para Yunes? Que 140 deputados foram "financiados" para eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara.
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Cunha, e seus "milhões de Cunhas", comandaram o "impeachment Tabajara"... Deu nisso ai.
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Temer fica? Não vai dar o "Botafogo"? Ainda estão divididos, mas os que querem o Poder de qualquer forma ganharam mais uma.
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Já não há manifestações com camisas da CBF, e as panelas estão nos armários. Juntas devem ter sido escondidas a indignação com a corrupção e, especialmente, a memória.

Posted: 03 Aug 2017 05:28 PM PDT

"Quando a pluralidade da composição social e cultural brasileira for refletida na academia, teremos um ganho inestimável."


Eduardo Torres
Professor e pesquisador da UERJ

AFP/GETTY IMAGES "Pelos corredores, dentro e fora das salas de aula e nas ruas vamos continuar lutando e gritando: UERJ de cotas, de favelado, e quando luta, ninguém fica parado."


Muitos dizem que fazer ciência é uma arte. E nós, professores e pesquisadores, temos o privilégio de olhar a vida através da arte da ciência. Esta relação entre arte e ciência é um parâmetro para embasarmos este texto sobre o complexo momento que estamos vivendo no desenvolvimento cientifico e tecnológico brasileiro.


Sob o prisma das instituições fluminenses, e mais especificamente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), este cenário é ainda mais grave.

Tanto a ciência quanto a arte, geralmente, são vistas e executadas à distância de grande parte da população. Isso sempre foi uma escolha e só vamos conseguir mudar esse cenário com muita luta e enfrentamento.


Tanto a arte quanto a ciência são braços importantes para avançarmos em direção a uma sociedade soberana, independente e, ao mesmo tempo, internacionalista.

A predominância de determinadas classes sociais dentro das universidades traçou um perfil elitista e branco na tarefa de fazer ciência. Entretanto, nos últimos dez anos, mesmo distante do necessário, este perfil foi sendo mudado. Dentro da própria UERJ, hoje podemos observar a presença de professores de origem distinta da maioria dos que chefiam os "principais" grupos de pesquisa em diversas Universidades brasileiras.


Essa mudança de perfil estava impactando positivamente no desenvolvimento científico nacional. A pesquisa não está dissociada de uma visão pré-estabelecida pela história de vida do pesquisador ou pesquisadora. Quando a pluralidade da composição social e cultural brasileira for refletida na academia, teremos um ganho inestimável no potencial de se produzir conhecimento neste país.


Dentro da UERJ, é possível identificar diferenças sociais profundas entre jovens professores, alguns ex-alunos e bolsistas, e docentes que estão na academia há mais tempo. Essas diferenças criam importantes debates internos e amadurecem a reflexão sobre que universidade queremos construir.

Jovens pesquisadores, muitos ainda sem um centavo para investir em suas linhas de pesquisa, não dispõem sequer de mesa ou cadeira para produzir ciência dentro de várias instituições brasileiras. São estes jovens servidores que atualmente se encontram num processo desesperado de falta de perspectiva pessoal e profissional.

Existe uma concepção por trás do sucateamento da ciência nacional. Este é um projeto de estagnação da produção cientifica plural e com a cara do povo brasileiro. A dependência científica e tecnológica internacional é algo que as elites brasileiras sempre apoiaram e ainda apoiam.

A elite que sucateia as universidades públicas hoje, com o objetivo de não criar novas possibilidades de independência popular por meio da educação e da formação crítica, é a mesma que, no período colonial, enriquecia às custas do trabalho escravo e enviava seus filhos para estudar no velho continente.

O corte de bolsas na graduação e pós-graduação ataca cirurgicamente os mais dependentes deste apoio financeiro, que são estudantes negros e negras. Mais especificamente no Rio de Janeiro, os recentes dois anos de redução do investimento público na educação e ciência da UERJ, UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e UEZO (Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste) acarretará sequelas que levarão mais de dez anos para serem recuperadas.

A produção cientifica das universidades estaduais do Rio hoje ainda resiste com muita força. Continuamos formando estudantes com muita qualidade na graduação, pós-graduação e desenvolvendo nossos projetos de extensão com sangue nos olhos.

Nossos estudantes são formados com a marca da resistência e da pluralidade de uma das universidades mais "coloridas" deste país. O perfil dos servidores e os avanços tecnológicos nas ciências naturais e sociais, agregados à aquisição de equipamentos de ponta, permitem que as universidades estaduais do Rio disponham de um forte arsenal que atrai estudantes de todo o País, além das ricas colaborações internacionais.

Isso não significa que não estejamos sofrendo duramente as consequências do desfinanciamento, mas servidores e estudantes juntos conseguirão resistir e reagir aos duros ataques.

É preciso repensar a universidade, principalmente em relação à sua administração e ao seu financiamento, mas não sob uma perspectiva privatista. Precisamos construir um processo real de autonomia financeira com recursos públicos e investir internamente em horizontalidade administrativa, com verdadeira representação dos três segmentos (docentes, técnicos e estudantes) e da sociedade civil não acadêmica.

O Rio de Janeiro é um laboratório do processo de retrocesso científico e tecnológico, mas a UERJ pode ser uma das principais trincheiras para resistir a este modelo de universidade de elite e para elite. Pelos corredores, dentro e fora das salas de aula e nas ruas vamos continuar lutando e gritando: UERJ de cotas, de favelado, e quando luta, ninguém fica parado.

HuffPost Brasil
Posted: 03 Aug 2017 05:10 PM PDT

Hoje, fui surpreendido com a notícia de que o deputado Wladimir Costa não iria me processar pelas fotos que fiz dele ontem no plenário porque, segundo ele, foi tudo combinado e ele ainda teria pago R$ 500,00. Pois é, acreditem! Morri de rir quando soube!


Depois de 41 anos de fotojornalismo, sei que tem muito político que não gosta de mim. Desagradei vários, inclusive, presidentes da República. A ética e o respeito ao leitor são a minha base para fazer fotojornalismo. Eu sou os olhos do leitor e tenho compromisso com a verdade. A veracidade das minhas fotos nunca foi contestada.

“Excelência”, deixe de ser mentiroso. Eu jamais faria um serviço fotográfico desses, ainda mais para um deputado golpista, machão e bufão como você. Eu tenho respeito profissional e jamais aceitaria participar de uma armação fotográfica. “Vossa Excelência”, você não tem noção do valor de um profissional e acha que qualquer um se vende, como muitos deputados para salvar o presidente golpista? Fique sabendo que nem se me oferecesse os R$ 7 milhões em emendas que dizem que você recebeu, eu não aceitaria para fazer essas fotos. Quero respeito!

Diante do que o deputado falou ao site Poder 360, vou consultar meus advogados para um possível processo por calúnia e difamação. Não vou deixar minha imagem ser arranhada dessa forma.

Texto originalmente publicado no Facebook de Lula Marques

DCM
Posted: 03 Aug 2017 04:55 PM PDT


Colocamos uma estabilização naquilo que a Constituinte de 1988 já havia determinado, quando em disposição transitória, disse que a demarcação das terras indígenas seria feita em cinco anos. Passou-se o período de 30 anos sem que houvesse solução definitiva. Michel Temer, sobre o parecer da Advocacia Geral da União que “vende” os indígenas aos ruralistas, dificultando a demarcação de terras, na véspera da votação em que a bancada do latifúndio salvou o usurpador.

Governo abre mão de mais de R$ 10 bilhões com alívio de dívidas de ruralistas


Número foi confirmado pela Secretaria da Receita Federal. Benefício foi anunciado antes da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara.

Por Alexandro Martello, G1, Brasília

O governo federal vai abrir mão de mais de R$ 10 bilhões em arrecadação nos próximos anos com a medida provisória publicada pelo presidente Michel Temer que concedeu benefício a produtores rurais. O número foi confirmado pela Receita Federal.

A MP reduziu a alíquota da contribuição paga por produtores para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), usado para auxiliar no custeio da aposentadoria dos trabalhadores rurais, que é subsidiada pela União.

Além disso, a medida permite que produtores com atraso no pagamento das contribuições previdenciárias quitem as dívidas com descontos nas multas e de forma parcelada.

O acordo com a bancada ruralista no Congresso foi fechado antes da votação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer no plenário da Câmara, que acabou rejeitada pelos deputados.

Para a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Sindical), a medida retira recursos da Previdência em um momento em que o governo propõe mudanças nas regras de aposentaria para conter o déficit do INSS e vai beneficiar grandes empresas como a JBS.

Renúncia de arrecadação


Segundo números da Secretaria da Receita Federal, somente com o perdão de juros e multas a perda de arrecadação será de R$ 7,6 bilhões em 15 anos, prazo de parcelamento dos débitos.

Já com a redução da alíquota do Funrural, o governo deixará de receber R$ 4,36 bilhões entre 2018 e 2020. A Receita não divulgou estimativa da perda de arrecadação com a redução de alíquota para os próximos 15 anos.

Somadas, as perdas com perdão de juros e multas e com a redução da alíquota chegam a R$ 11,96 bilhões. Entretanto, esse valor pode ser maior se se considerar que a redução da alíquota deve vigorar além de 2020.

A medida provisória do Funrural era uma reivindicação da bancada ruralista desde abril, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu como constitucional o pagamento das contribuições previdenciárias.

Produtores rurais e associações que representam a categoria contestavam a contribuição na Justiça. Por isso, muitos deles interromperam ou atrasaram os pagamentos ao fundo.

Com a decisão do STF, a bancada ruralista passou a negociar com o governo uma medida provisória para redefinir as contribuições previdenciárias rurais.

Rombo da Previdência e benefício à JBS


A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Sindical) informou que vai pedir à Receita Federal explicações e pareceres técnicos sobre a medida provisória.

Segundo o diretor de Defesa Profissional e Assuntos Técnicos da Unafisco Nacional, Mauro Silva, a medida não foi feita para os pequenos produtores pois beneficia o adquirente de produtos rurais, como os grandes frigoríficos, e empresas de maior porte que compram leite e alimentos em geral.

“A JBS e os frigoríficos são altamente beneficiados com esse Refis. Não é produtor de leite, quem tem sítio, que vai ser beneficiado por isso. Ele foi feito para um outro público interessado”, disse Mauro Silva.

Ele observou ainda que empresas flagradas em sonegações e fraudes não estão impedidas de aderirem ao Refis – ao contrário do outro programa de parcelamento do governo que beneficia empresas em geral.

“Além disso, em um momento que se está falando em reforma da Previdência e de falta de recursos, essa medida provisória retira recursos da Previdência”, disse Silva. “Diminui em 40% a carga tributária dos grandes produtores”, declarou.

Formas de quitação da dívida


Poderão fazer parte do Programa de Regularização Rural as dívidas vencidas até 30 de abril de 2017. Para aderir, o produtor deve desistir das ações na Justiça que contestam a contribuição previdenciária.

Veja as condições de pagamento:

Modalidade produtor rural pessoa física


Entrada de 4% da dívida, em 4 parcelas com pagamento entre setembro a dezembro de 2017, calculada sobre o montante total da dívida, sem reduções;

O restante com redução de 25% nas multas e encargos legais e de 100% nos juros, em até 176 prestações equivalentes a 0,8% da receita bruta da comercialização rural;

Parcela mínima não pode ser inferior a R$ 100.

Modalidade do adquirente – dívidas até R$ 15 milhões


Entrada de 4% da dívida, em 4 parcelas com pagamento entre setembro a dezembro de 2017, calculada sobre o montante total da dívida, sem reduções;

O restante com redução de 25% nas multas e encargos legais e de 100% nos juros, em até 176 prestações equivalentes a 0,8% da média mensal da receita bruta proveniente da comercialização do ano civil anterior;

Parcela mínima não pode ser inferior a R$ 1000.

Modalidade do adquirente – dívidas acima de R$ 15 milhões


Entrada de 4% da dívida, em 4 parcelas com pagamento entre setembro a dezembro de 2017, calculada sobre o montante total da dívida, sem reduções;

O restante com redução de 25% nas multas e encargos legais e de 100% nos juros, em até 176 prestações;

Parcela mínima não pode ser inferior a R$ 1000.



Viomundo
Posted: 03 Aug 2017 04:24 PM PDT

(Se tiver problemas para ouvir o áudio, clique sobre a imagem e pressione “reativar o som”)


O que fizeram com o Brasil? Faltavam-nos a xenofobia e o anti islamismo da direita mais doente no mundo. Não faltam mais.

Um refugiado sírio foi agredido em Copacabana por um sujeito armado com dois pedaços de madeira.

Mohamed Ali estava vendendo esfihas e doces típicos. Sem qualquer resistência por parte dos circunstantes, o agressor dá gritos e o ameaça.

“Sai do meu país!”, diz.

“Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!”

Num determinado momento, ele clama pela intervenção do prefeito do Rio: “Cadê o Crivella aqui agora?”

Mohamed deixou seu depoimento no site da Mídia Independente Coletiva-MIC:

Eu, Mohamed, sou este rapaz que foi humilhado. Estou aqui vai fazer três anos. Vim pro Brasil porque eles abriram as portas pra todos os refugiados.

Todos os meus amigos estão trabalhando. Estamos trabalhando arduamente. Estou muito sentido porque nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo. Não me coloquei nessa situação porque essa guerra me fez vir pra cá.

Vim com amor porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz.

Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá lutando como eles fazem.

Obrigado a todos que ficaram do meu lado e tenho muitas esperanças no Brasil!

Moro no Brasil e aqui já é minha pátria. Espero que não aconteça isso com mais ninguém, de nenhuma nacionalidade, credo.

DCM
Posted: 03 Aug 2017 03:26 PM PDT

João Batista Lemos, presidente do PCdoB do Rio de Janeiro, tem acompanhado a repercussão na Alemanha e no Brasil sobre a colaboração da Volks com a ditadura militar brasileira. Metalúrgico, Batista trabalhou de 1977 a 1980 na empresa alemã. Foi demitido, teve a casa revirada e o nome incluído em uma lista preparada pela Volks para o Departamento de Ordem Política e Social (Dops).


Por Railídia Carvalho

O motivo da demissão era a atividade política na estruturação do sindicalismo no ABC paulista. Depois passou pela Mercedes mas não conseguiu mais emprego na região.

“É uma repercussão internacional importante. A Volks financiou o golpe de 64, e além de financiar, perseguiu trabalhadores articulando informações com o Dops e com os aparelhos de perseguição aos que resistiam à ditadura”, declarou ao Portal Vermelho o dirigente comunista.

Uma história pouco contada no Brasil, começa a ser desvendada na Alemanha. Um canal público de TV local lançou o documentário “Cúmplices? A Volkswagen e a ditadura militar no Brasil“.O filme conta a história do operário Lúcio Bellentani que, de acordo com depoimentos de trabalhadores à época, foi preso e torturado nas dependências da empresa.

Entre os depoimentos no documentário, está o do historiador contratado pela Volks, Christopher Kopper, que, ao contrário do que a contratante esperava, confirmou a parceria entre a empresa alemã e o regime brasileiro.

Mentalidade nazista


Batista foi demitido enquanto organizava as greves de 1980: “Tinha dois policiais me aguardando no vestuário afirmando que eu devia ir ao recrutamento. Fui demitido e me disseram que era porque participava do comando de greve”.

Anos depois ele soube que foi monitorado pelo Serviço Nacional de Informação (SNI), atual Abin, de 1977 a 1988. Anistiado em 2013 pelo Estado brasileiro, Batista ressaltou que tornar públicas as violações aos direitos humanos praticadas pela Volks no Brasil e na Alemanha “denuncia o recorte de classe do golpe de 64, que foi contra a classe trabalhadora, contra a soberania nacional e contra a democracia”.

Ele não conheceu Bellentani mas narrou o caso de um ex-operário da Volks, Amauri Dagnone, que foi entregue pela empresa ao Dops, onde foi torturado e anos depois morreu em consequência da violência física e psicológica. O operário contou um pouco de sua história a Batista.

“Amauri foi preso na Volks por policiais do Dops, ficou encarcerado três anos, foi torturado. Levaram ele na porta da Volks depois para entregar o pessoal que saía. Era tanta gente que ninguém parou para cumprimenta-lo achavam que ele ia entregar. Amauri contou que foi um momento dos mais difíceis. Ele ficou quase cego de um olho e também com problemas devido aos espancamentos. A Volks tinha a cultura nazista”, completou Batista.

Na opinião do dirigente, a repercussão na Alemanha também vem em um momento em que o Brasil passa por retrocessos em relação à reparação às vítimas da ditadura. Em entrevista ao portal Vermelho em julho, o advogado Egmar Oliveira confirmou que os projetos consolidades no governo Lula estão paralisados assim como os julgamentos de requerimentos de anistia.

“Por isso que a nossa primeira tarefa é conquistar a democracia e levar o povo para as ruas para derrubar o temer. De outro lado vamos desmascarando – inclusive para os trabalhadores da Alemanha - o papel da Volks apoiando a perseguição a seus trabalhadores”.

MPF apura violações contra trabalhadores na ditadura


Resultado dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que atuou entre 2012 e 2014, há um inquérito civil instalado no Ministério Público Federal par apurar essas violações contra os trabalhadores. A criação da iniciativa teve a participação ativa de um fórum de centrais sindicais.
Batista foi ouvido no ano passado pelo Ministério Público Federal em São Paulo.

Na ocasião do depoimento, em entrevista ao Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Batista declarou que o Estado brasileiro havia até aquele momento cumprido seu papel ao pedir perdão e fazer medidas de reparação aos que lutaram pela democracia.

“Agora cabe às forças armadas e às empresas que apoiaram e financiaram a ditadura fazer uma autocrítica e pedir perdão ao povo”.

No dia 9 de agosto, a Câmara Municipal de São Paulo vai exibir seguido de debate o documentário da TV Alemã , às 18h, no Salão Nobre da Casa.

Portal Vermelho
Posted: 03 Aug 2017 03:08 PM PDT


Dados do próprio governo, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, no mês de junho deste ano, mostram que 668 mil famílias estão vivendo abaixo da linha de pobreza.

Essas famílias foram selecionadas e estão cadastradas esperando que o governo Michel Temer libere o pagamento do Programa Bolsa Família (PBF). O programa Bolsa Família é um instrumento de combate a desnutrição infantil e adulta.

Os dados mostram que a miséria no Brasil voltou a aumentar e cerca de 143 mil famílias voltaram a fazer parte do Programa Bolsa Família (PBF) até o final do mês de junho de 2017. A política econômica em curso, o aumento do desemprego e da pobreza são apontados como o principal motivador. Vale lembrar que Michelzinho, o filho de 8 anos de Temer, tem R$ 2 milhões em imóveis.

A região Nordeste, pelos números apresentados, é a que mais sente o peso da crise, já que quatro de cada dez novos ingressantes no PBF são desta região. A região Sudeste, a mais populosa do país, concentra um terço dos novos ingressantes, seguida da região norte, com aproximadamente um em cada dez, e das regiões Sul e Centro-Oeste com número inferior a uma pessoa a cada dez. São Paulo, com 20.458 ingressantes, e Bahia, com 16.781, foram os estados com mais novos beneficiários do PBF. (Carta Campinas com informações de divulgação)



Carta Campinas
Posted: 03 Aug 2017 11:34 AM PDT

A MP 759, que dispõe sobre regularização fundiária rural e urbana e atende à pauta da bancada ruralista no Congresso, é um dos mais gritantes exemplos do grande retrocesso social imposto à população pelo governo Michel Temer



No dia 22 de dezembro de 2016, às vésperas do natal, o Executivo federal enviou ao Congresso Nacional a Medida Provisória (MP) 759, que veio a ser sancionada pelo presidente Michel Temer no dia 11 de julho deste ano. Conforme a descrição do próprio texto da MP (agora Lei n. 13.465), “dispõe sobre a regularização fundiária rural e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre a regularização fundiária no âmbito na Amazônia Legal, institui mecanismos para aprimorar a eficiência dos procedimentos de alienação de imóveis da União, e dá outras providências”.

Não à toa, foi apelidada como a MP da Grilagem.

A começar pelo rompimento dos regimes jurídicos de acesso à terra construídos com a participação popular, a MP deixa diversos itens para futuras regulamentações, que deverão ser disciplinadas por ‘atos’ do Poder Executivo. Em relação à regularização fundiária rural, estabelece a ampliação do prazo para a ‘regularização’ das invasões e grilagens das terras públicas, aceitando inclusive o desmatamento como prova de ocupação.

No que diz respeito à Amazônia, a MP 759 altera os critérios de regularização fundiária do Programa Terra Legal (Lei n. 11.952/2009) e passa a permitir a regularização de terras de proprietários com mais de um imóvel, bem como de ocupantes ao período posterior a 2004, sem cadeia possessória contínua. Outras medidas graves são a permissão da comercialização dos lotes da reforma agrária, medida essa que visa a ampliar – e aquecer – o mercado de terras, podendo gerar flutuações de preços com forte potencial gentrificador nos espaços rurais.

Está prevista ainda a desoneração do Incra das obrigações para com as famílias assentadas, por meio de alterações nas leis n. 8.629/1993 (Lei da Reforma Agrária) e n. 13.001/2014 (que trata dos créditos para assentados); e a transferência da seleção das famílias beneficiárias da reforma agrária para os municípios, enfraquecendo assim os movimentos sociais do campo e submetendo as populações rurais a pressões ainda maiores das oligarquias agrárias locais, adversárias históricas da política de reforma agrária.

No que se refere às áreas urbanas, a MP cria tratamento desigual entre ricos e pobres e flexibiliza a regularização de loteamentos e condomínios fechados de alto padrão. Extingue critérios de definição da condição de áreas de interesse social e desobriga o poder público do investimento prioritário em infraestrutura e requalificação urbanística nessas áreas, bem como revoga as obrigações de loteadores irregulares e grileiros de terras públicas de adotarem medidas corretivas, repassando o encargo ao Estado. Ver a carta de movimentos e organizações sobre a MP.

Qual o sentido da urgência para um conjunto de medidas e alterações legais tão radical? A construção de nossa política fundiária rural e urbana levou décadas e a aprovação de novos marcos legais esteve sempre acompanhada de amplos debates públicos. Foi assim com o Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/1964); com a Lei Agrária (Lei n. 8.629/1993), que regulamentou dispositivos constitucionais referentes à terra, sua função social e possibilidades de desapropriação; com a Lei n. 6.766/1979, conhecida como a lei do parcelamento do solo urbano, que abriu caminho para a regularização dos loteamentos populares das periferias urbanas; com o Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001), que regularizou o Capítulo da Política Urbana, da Constituição Federal de 1988; para citarmos somente algumas das legislações no campo fundiário.

Por que então uma proposta com conteúdos tão variados quanto drásticos via Medida Provisória – aprovada em menos de sete meses de tramitação no Congresso? Parece-nos que a resposta não pode ser outra que não avanço da agenda golpista no país. Cada vez mais, a caracterização golpista do processo de impeachment da presidenta Dilma torna-se mais evidente. O golpe está na mudança da agenda, na adoção do programa político derrotado nas urnas dos quatro últimos pleitos nacionais.

O caráter reacionário das contrarreformas propostas pelo novo governo e a forma avassaladora com que as mesmas tramitam no Congresso somente têm sido viáveis sob esta condição de exceção democrática na qual nos encontramos hoje. Nenhum governo eleito, com o mínimo de sensibilidade ou pretensão de reeleição, aceitaria impor tamanho retrocesso social à sua população. Vivemos uma situação em que o governo não apenas tolhe a discussão pública e democrática das contrarreformas, como parece ter perdido o pudor (ou o controle) em barganhá-las – aí sim, publicamente – com parlamentares em troca de sua sobrevivência política.

Nessa seara, a bancada ruralista, que compreende hoje mais de 200 deputados (são mais de 215 os integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária), tem sido a grande beneficiária desse processo. Há que se relembrar que naquele fatídico e patético 17 de abril de 2016, quando da votação do impeachment na Câmara, poucas foram as pautas políticas mobilizadas nos discursos favoráveis à saída da presidenta Dilma. A maior parte dos deputados evocou a população de seus estados e municípios, suas crenças, suas famílias e pets… mas o agro foi evocado, talvez a única pauta política – ao lado do discurso retórico do combate à corrupção.

De lá para cá, a atuação coesa da bancada ruralista tem lhes garantido a proposição e a aprovação de medidas há muito esperadas e de outras tantas que nem sequer estavam no horizonte dos ruralistas. Nos referimos aqui à própria MP 759, à lei da terceirização (que tem impactos sobre o trabalho a agricultura); à proposta de reforma da previdência, que, na prática, acaba com a previdência rural; à proposta de reforma trabalhista rural, que não teve constrangimento em autorizar a remuneração do trabalho na forma de habitação e comida; à extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário; ao indiciamento de mais de 120 pessoas no relatório final de maio/2017 da CPI Funai/Incra, dentre elas antropólogos e professores universitários (12); procuradores federais (16); advogados da União (2); membro da Igreja Católica, em especial do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) (14); servidores da Funai e do Incra (13); trabalhadores rurais (4).

O presidente Temer tem conseguido se sustentar, a despeito de sua (aparente) fragilidade. Fragilidade essa que contrasta enormemente com a força da agenda conservadora que ele tem se empenhado em fazer avançar. Não sem custos políticos e principalmente financeiros altíssimos, que serão pagos pela mesma população trabalhadora e batalhadora que é prejudicada pelas medidas e contrarreformas em curso. Não sem custos à soberania nacional, à segurança alimentar, hídrica e energética do país e a despeito do aumento da concentração das terras, da pobreza e da desigualdade.

Até onde isso vai dependerá em grande medida de nossa capacidade de mobilização nas ruas e de formulação e viabilização de alternativas.

Crédito da foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Brasil Debate
Posted: 03 Aug 2017 11:14 AM PDT
Sunita Devi diz que o agressor a deixou traumatizada

Mais de 50 mulheres do norte da Índia denunciaram que seus cabelos foram cortados à força quando estavam inconscientes, e a polícia ainda não conseguiu desvendar como os casos ocorreram ou quem está por trás deles, relata o repórter Vikas Pandey, da BBC.


"Vi um forte flash de luz que me deixou inconsciente. Uma hora depois, eu notei que meu cabelo tinha sido cortado", diz Sunita Devi, uma dona de casa de 53 anos do Estado de Haryana.

O ataque de sexta-feira a deixou traumatizada.

"Eu não conseguia dormir ou me concentrar em nada. Eu li sobre incidentes ocorrendo no (Estado do) Rajastão, mas nunca pensei que ocorreria comigo", acrescenta.

Notícias de "barbeiros fantasmas" começaram a surgir no início de julho no Rejastão, mas uma série de incidentes parecidos tem sido denunciados em Haryana e até na capital da Índia, Déli.

Sunita Devi vive em uma comunidade muito unida de comerciantes e fazendeiros. Alguns de seus vizinhos estão se revezando para lhe fazer companhia até que ela se recupere do choque.

A dona de casa diz que seu agressor era um idoso "vestido em roupas de cores vivas".

"Eu estava sozinha no primeiro andar da minha casa, e minha nora e neto estavam no andar de cima quando o agressor apareceu, por volta das 21h30", conta.

Eles não viram nem ouviram nada.

Munesh Devi diz que as pessoas estão amedrontadas em sua comunidade

Mais ataques


O mistério é maior quando eu pergunto se alguém mais viu o homem. A vizinha de Sunita, Devi Munesh, diz que a área com cerca de 20 casas está geralmente movimentada entre 21h e 22h.

"As pessoas se reúnem depois do jantar para conversar e relaxar. Na sexta-feira não foi diferente, mas ninguém viu nenhuma pessoa desconhecida indo ou vindo da casa de Sunita", conta ela.

E não termina aí. A poucos metros de distância, a dona de casa Asha Devi perdeu seu cabelo em um ataque parecido no dia seguinte. Mas neste caso uma mulher foi responsável pelo ato.

Após o incidente, o sogro dela, Suraj Pal, enviou Asha e outras mulheres de sua família para a casa de parentes no Estado de Uttar Pradesh.

"Elas estavam tão paranoicas depois do ataque que pensei que seria bom que se afastassem por algumas semanas. Há medo na comunidade", conta.

Pal diz que estava em casa quando ela saiu para fazer uma tarefa doméstica por volta de 22h.

"Como ela não voltou em 30 minutos, fui procurá-la. Nós a encontramos inconsciente em um banheiro. Seu cabelo tinha sido cortado e jogado no chão", conta.

EPA Mulher examina uma das vítimas em Déli, onde ataques também foram denunciados

Ele acrescenta que a nora recuperou a consciência depois de uma hora e contou-lhe que uma mulher a tinha atacado. "Ela me contou que tudo aconteceu em menos de dez segundos", lembra.

Encontrei casos parecidos em áreas rurais do distrito de Rewari - a cerca de 100 quilômetros da capital.

Reena Devi, de 28 anos, do vilarejo de Jonawasa, diz que foi agredida na quinta-feira.

"Estava fazendo minhas tarefas quando vi uma figura parecida com um gato. Então senti alguém me tocando nos ombros, e isso é a última coisa que eu lembro", relata.

Ela concorda que sua "história é difícil de acreditar". "Eu sei que parece impossível. Mas foi o que vi. Algumas pessoas dizem que eu cortei o meu cabelo, mas por que eu faria isso?"

Na região de Kharkharra, Sundar Devi, de 60 anos, está de cama desde que foi atacada no sábado.

"Estava indo para uma casa na vizinhança quando alguém bateu no meu ombro por trás. Quando olhei, não tinha ninguém. Isso é a última coisa da qual me lembro."

Casos bizarros


O porta-voz da polícia de Gurgaon, Ravinder Kumar, diz que as reclamações estão sendo investigadas.

"Esses casos são bizarros. Não encontramos pistas dos crimes no local, exames médicos das vítimas não mostram nada de anormal", afirma, acrescentando que ninguém viu os supostos agressores.

Kumar garante que os departamentos de polícia de diferentes distritos estão coordenando esforços para tentar entender esses incidentes.

"Só as vítimas dizem que viram ou sentiram a presença de agressores. Vamos resolver esses casos, mas até lá eu peço que as pessoas não acreditem em boatos."

Sundar Devi, de 60 anos, está de cama desde que foi atacada, no sábado


EPA Mulheres em partes de Deli têm usado imagens com deuses para atrair proteção

E os boatos vêm aos montes. Ao viajar de um vilarejo a outro, ouvi diferentes teorias para os ataques.

Em uma vila, um idoso me contou que uma gangue organizada estava envolvida. Outro disse que os tantriks, ou os chamados bruxos-médicos, estavam por trás dos ataques porque as pessoas buscaram por tratamentos nesses locais.

Uma mulher insistiu que "forças sobrenaturais" estavam envolvidas. Outros acusaram as "vítimas" de cortar o cabelo para chamar atenção.

'Histeria em massa'


O racionalista Sanal Edamaruku, que combate as superstições na Índia, afirmou à BBC que estes eram casos de "histeria em massa".

"Não há milagre ou força sobrenatural por trás disso. As mulheres que estão denunciando esses casos devem estar passando por algum conflito psicológico", afirma.

"Quando elas ouvem sobre tais incidentes, elas terminam os replicando, algumas vezes até inconscientemente."

Mas Reena Devi discorda.

"Eu passei anos deixando meu cabelo crescer, isso me fazia feliz. E agora ele se foi, você não pode imaginar a minha dor. É ridículo dizer que estamos cortando nosso próprio cabelo."


BBC Brasil
Posted: 03 Aug 2017 10:36 AM PDT

Foto: Sergio Lima/Poder 360

E, como era esperado, a Câmara dos Deputados salvou o pescoço de Michel Temer. A oposição não alcançou o número de 342 votos necessários para seu afastamento a fim de que seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal pela denúncia de corrupção passiva. Foram 227 votos contra Temer, 263 a favor, 18 ausências e duas abstenções.

Ainda levaremos um tempo para calcular quanto isso nos custou. Porque o apoio dos deputados foi garantido graças a um rio de dinheiro público despejado pelo governo Temer na forma de emendas parlamentares. Além, é claro, da promessa de cargos no poder executivo federal e de apoio na aprovação de medidas e leis polêmicas, como as apresentadas pelas bancadas ruralista, da segurança pública e do fundamentalismo religioso.

Porém, uma mudança fundamental já foi notada. Nos segundos reservados para que cada deputado federal fosse ao microfone e declarasse o seu voto, as ''dedicatórias'' foram diferentes daquelas proferidas na votação do impeachment de Dilma Rousseff, em abril do ano passado.

Saiu o Deus cristão e, no seu lugar, entrou o Deus-mercado – em nome do qual boa parte dos deputados salvou Temer.

O ''crescimento econômico'', o ''desenvolvimento do país'', a ''geração de empregos'', a ''situação financeira'' foram elencados como razões para manter Temer onde está.

Transmitida ao vivo pela maior emissora do país, a TV Globo, e em horário nobre (graças à oposição, que conseguiu postergar o seu início), a votação demandou dos apoiadores do governo federal alguns contorcionismos linguísticos para não fazer feio junto ao eleitorado.

Como as imagens devem ser usadas por opositores no ano que vem durante as eleições, escolher desculpas convincentes para salvar um governo tão impopular fez-se necessário. De acordo com a última pesquisa CNI/Ibope, Temer conta com aprovação de apenas 5% da população – número inferior aos pisos alcançados por José Sarney (7%) e pela própria Dilma Rousseff (9%).

Não sabemos se elas irão colar. Afinal de contas, a instabilidade política gerada pelo impeachment de Dilma certamente piorou a crise econômica. Mas isso não levou a muitos daqueles que, hoje votaram por Temer, a ponderar o mesmo na análise da saída dela.

Outra justificativa com cara de ter sido distribuída no grupo de WhatsApp dos parlamentares governistas: ''esse voto não foi a favor da corrupção, pois defendo que Michel Temer seja julgado quando deixar a Presidência da República em janeiro de 2019''. O motivo é que, segundo os deputados que disseram isso, afastá-lo, neste momento, iria criar mais instabilidade ao país.

Claro que esse discurso também não sobrevive a uma análise mesmo vagabunda. Afinal, detectado um crime, uma pessoa deve receber um salvo-conduto até que tenha terminado uma tarefa que interesse a um grupo poderoso e, só então, ser julgada? Tanto que não aguardaram que Dilma fosse julgada apenas ao final de seu mandato, o que teria evitado turbulência.

A impressão é de que os nobres deputados acham que o eleitor é bobo ou incapaz de perceber que boa parte dessas justificativas encobrem posicionamentos partidários, ideológicos ou fisiológicos (nesse caso, o já citado comércio a céu aberto em que se transformou Brasília nas últimas semanas pela operação de salvamento do governo).

Além de Deus, durante a decisão sobre o impeachment de Dilma, muitos deputados federais também citaram o nome da esposa, da mãe, dos filhos, do gato pelado, em abril do ano passado. Teve quem fizesse versinho, quem elogiasse torturador da ditadura. Dessa vez, os familiares desapareceram e as participações foram mais comedidas. Com exceção daqueles que já não se esperava muita coisa mesmo, como Wladimir Costa (sim, aquele que escreveu Temer em seu ombro direito). No impeachment, ele lançou confetes no plenário. Desta vez, o Homem da Tatuagem de Hena surtou ao microfone. E teve sincericídio, na figura do deputado Carlos Gaguim – que, ao votar pelo governo, pediu Temer levar recursos para o seu Tocantins.

É verdade que muitos que disseram sim para Temer fizeram isso de forma acanhada e constrangida. Outros faziam questão de citar apoio ao ''relatório do PSDB'', na CCJ, talvez para espezinhar os tucanos, que recomendaram voto contra. Mas houve quem defendesse o governo de forma orgulhosa, seja por que se considera em uma cruzada contra o ''comunismo'', ''a ideologia de gênero'' e ''a venezuelização do Brasil'', seja porque defende a continuidade das reformas tocadas por Temer – que reduzem a proteção social dos trabalhadores para aumentam a competitividade de empresas e do mercado. Nesses casos, pelo menos, agiram por consciência. Seja que tipo de consciência for essa que exclui a ética na vida pública.

O que importa, contudo, é o resultado final. Apesar de 81% da população defender que Temer seja afastado e julgado por corrupção, segundo outra pesquisa Ibope, os deputados ignoraram o povo. Vão, dessa forma, ampliando o abismo entre eles e seus eleitores. Provando que são bons em representar seus interesses e o de seus patrocinadores e em pedir votos para desinformados a cada quatro anos.

Ambas as votações, contra Dilma e Temer, deveriam ser assistidas de forma obrigatória por todo o eleitor antes das próximas eleições. Seria extremamente didático mostrar quem são as pessoas que discutem e constroem as leis justas e injustas que todos nós iremos seguir. Isso, é claro, se muitos dos eleitores não sentirem total empatia com aquele grande teatro – afinal de contas, não podemos esquecer que jabuti não sobe sozinho em poste, nós os colocamos lá.

O problema é que se a percepção de perda de representatividade, de corrosão das instituições e de descrédito com a política continuar crescendo, esse clima pode abrir caminho para algum ''salvador da pátria'', que não precisa de partidos, e promete botar ordem na casa sozinho, com a rigidez e o carinho de um Grande Pai. Que irá governar com um Congresso Nacional que pode ser igual ou pior do que esse que está aí. E, juntos, nos levar para algum lugar novo, longe da democracia. Afinal de contas, como já disse aqui, no fundo do poço, há sempre um alçapão.

Blog do Sakamoto


Posted: 03 Aug 2017 10:20 AM PDT


Por Carolina Goetten
Do Brasil de Fato

Políticos ligados à bancada religiosa tentam implementar localmente o projeto Escola sem Partido – também conhecido como Lei da Mordaça – por meio de leis municipais. Em Curitiba, no início de julho, os vereadores Ezequias Barros (PRP), Osias Moraes (PRB) e Thiago Ferro (PSDB) protocolaram um projeto de lei para instituir o Escola sem Partido no ensino da cidade – os três são ligados a igrejas evangélicas e levam em conta princípios religiosos em sua atuação política, ainda que o Brasil adote o modelo do Estado laico.

Outras tentativas de aprovar o projeto já foram barradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob o princípio da inconstitucionalidade. Em Paranaguá, litoral do Paraná, a lei municipal que proibia estudos de temas relacionados a gênero e orientação sexual foi derrubada em junho por determinação do ministro do STF, Luís Roberto Barroso. Segundo ele, proibir estudos e debates sobre gênero e orientação sexual na escola “contribui para a desinformação das crianças e dos jovens a respeito de tais temas, para a perpetuação de estigmas e do sofrimento que deles decorre”. Também em Alagoas, um projeto semelhante - que estabelecia punição para professores que praticassem ‘doutrinação ideológica’ em sala de aula - foi barrado em março pelo STF.

Vigilância e criminalização de professores


Para a professora da Universidade Federal do Paraná, Monica Ribeiro da Silva, Doutora em Educação pela PUC-SP, essa é uma tentativa de instituir nas escolas uma medida para fiscalizar o ensino dos professores. “Sob o pretexto de que ocorre doutrinação, podem-se vetar debates importantes à formação de uma criança ou de um jovem, como o combate ao preconceito”, explica. Ela afirma, ainda, que o critério para definir se um ensino é ou não doutrinário vem carregado de subjetividade e depende do ponto de vista de quem avalia. “Dependendo do modo como isso se opera, poderá haver a criminalização indevida de professores e impedir estudantes de ter acesso ao conhecimento, amplamente garantido na Constituição”, define.



Caros Amigos
Posted: 03 Aug 2017 10:06 AM PDT

Diversidade é o que havia na minha escola pública. O que temos hoje é desigualdade e cada um confinado ao seu gueto. Isso não é pós-moderno, é pré-antigo. Depois da tal reforma trabalhista, estou sentindo no lombo uma queimadura incômoda...



Quanta desigualdade pode suportar uma democracia? E quanta democracia pode suportar a desigualdade? Não, este artigo não vai enveredar por essa discussão que arrisca resumir-se na famosa charada Tostines: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Não, aqui vai uma reflexão mais subjetiva, feita de memória, em tempos de pouca memória.

Se nunca escutou, escute Lulu Santos cantando Minha Vida. Vale pelo balanço da balada tropical, mas vale também pelas tiradas. Uma das que mais gosto: “… Aí veio a adolescência e pintou a diferença… a garota mais bonita também era a mais rica”. Pois é. Ou melhor, assim era, hoje não é. Já houve tempo em que a mesma escola abrigava a garota rica e o garoto pobre. Lembro-me disso no meu curso ginasial no começo dos anos 60. I’m sorry, periferia, isto não existe mais.

Eu morava na Vila Leopoldina. Naquele que então era um bairro operário a 40 minutos da Lapa. Hoje é uma selva de prédios metidos a besta, as fábricas e casas operárias, construídas em finais de semana, foram “reurbanizadas”, ou seja, nadificadas. Naquele tempo dizia Jesus a seus apóstolos: uns e outros vão juntos para a escola. E iam. Eu tinha colegas que moravam na elegante City Lapa, palacetes ajardinados. Alguns dirigiam (mesmo sem idade para tanto) e fumavam Marlboro importado. Calça Lee, também importada. Mas frequentavam aquela escola e jogavam futebol na mesma quadra. Eu xingava a mãe deles e vice-versa. De vez em quando, uns socos trocados marcavam a convivência de pobres e não-pobres.

De vez em quando eu emprestava a bicicleta de meu tio, que estava suando no torno da fábrica, e ia para mais a oeste, em direção ao Jardim Piratininga e Rochdale, bairros de Osasco. Era a mancha urbana se espalhando, com ruas e casas ainda mais precárias. O eixo imaginário City Lapa- Piratininga era o máximo de estratificação que podia ver.

Dizia o jingle da TV: O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa. O Bamerindus afundou, mas as rendas de poupanças sobem, os salários estancam. O edifício social continua com dois andares, mas agora não há escada entre eles e nenhum espaço de convivência comum. Viva a diversidade? Não me venham com esta. Diversidade é o que havia na minha escola pública. O que temos hoje é desigualdade e cada um confinado ao seu gueto. Isso não é pós-moderno, é pré-antigo.

A menina mais rica já não vai atormentar Lulu, ela estuda em um colégio de 3 mil reais ao mês, mora em condomínio fechado, frequenta círculos seletos de seus iguais e passa férias em Miami ou algo assim. Não é o pessoal da Praia Grande nos finais de semana. Nem do churrasco na laje. Quando essa menina vê um desses espécimes da plebe tem um sentimento distinto – medo, repulsa, asco? Pessoas que têm cachorros de raça acabam ficando com o cérebro do cachorro, diz um jornalista espanhol. Faz sentido.

A confortável teoria do sacrifício temporário


Um economista antigo dizia que era assim, tinha que ser: o desenvolvimento inicialmente aumenta as diferenças, depois a riqueza dos de cima vai pingando para os de baixo e melhorando a vida da plebe. É só no começo, dizia ele, depois melhora. Diziam-nos isso nos anos fervilhantes do desenvolvimentismo dos anos 50. Depois repetiram a coisa no milagre dos 70: primeiro o bolo cresce, depois ele se espalha e se divide… Venderam-nos os tais “ajustes estruturais” do World Bank com a mesma ladainha. E agora… Volta a fábula, com palavras flamejantes: aprimoramento do mercado de trabalho, desengessamento, liberalização e meritocracia.

Um exemplar cético do pelotão de baixo pode ruminar: é conversa para boi dormir. E de fato os bois dormem. Um ou outro, porém, pode pensar e, quem sabe, murmurar: sai dessa, vaqueiro, sei bem que nós dois vamos pro mesmo churrasco, mas você vai mastigando e eu vou mastigado.

Mais uma vez com Lulu Santos: assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade. A boiada segue. Torço para ouvir o famoso “mas um dia me montei” do Vandré. Bem ou mal, faço o que posso para que a paisagem mude, porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente. Talvez seja diferente, mas, depois da tal reforma trabalhista, estou sentindo no lombo uma queimadura incômoda… E vejo nele a marca, o nome de nossos senhores. Sai Lulu, entra Stanislaw Ponte Preta: E foi proclamada a escravidão.

Crédito da foto: EBC



Brasil Debate
Posted: 03 Aug 2017 09:51 AM PDT

Para professora da Ufscar, presidente se fortalece no Congresso e pavimenta caminho de sua manutenção pelo menos até eleições de 2018. Para ela, "Temer comprou apoio, como fez FHC pela reeleição, em 1997"

por Eduardo Maretti, da RBA 

ANTONIO AUGUSTO/CÂMARA DOS DEPUTADOS Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, seria o substituto de Temer se peemedebista caísse


São Paulo – A vitória do presidente da República, Michel Temer, na votação da Câmara dos Deputados favorável ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), e contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República, significa mais um duro revés sofrido pelo regime democrático brasileiro, diz a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos. "Para a democracia do país é uma grande derrota".

Para ela, com a votação desta quarta-feira (2), Temer se fortalece no Congresso e pavimenta o caminho de sua manutenção pelo menos até as eleições de 2018. "Fortalece também as investidas do grupo que está no poder, para tentar continuar as reformas, principalmente a da Previdência, ou pelo menos algum tipo de reforma da Previdência."

A vitória de Temer já era esperada, já que sua base era muito superior aos 172 votos que lhe eram necessários. Até por saber que a votação estava assegurada a seu favor, parlamentares da base governista passaram o dia defendendo que ela fosse iniciada o mais rápido possível. Diante da derrota inevitável, a tentativa mais ambiciosa da oposição durante o dia foi o de conseguir postergar a decisão dos deputados até o horário nobre, para que uma parcela maior da população soubesse como votaram os parlamentares. "O resultado fortalece a base do governo, seus partidos e o próprio governo", avalia Maria do Socorro.

A ofensiva de Temer sobre os parlamentares em troca do voto favorável eliminou eventuais riscos que o presidente ainda pudesse correr na votação. "Alguns jornais falam em milhões, mas foram bilhões gastos para comprar apoio. Esse é outro aspecto terrível da qualidade da nossa democracia. Com a máquina nas mãos, eles se acham no direito de fazer o que fazem", diz a analista. "Temer comprou, como Fernando Henrique Cardoso comprou o voto pela reeleição em 1977. Temer compra agora sua permanência no cargo", diz.

"O que a gente espera de uma democracia é que, independentemente do cargo que a liderança ocupa, ela tem de ser realmente julgada por aquilo que está sendo denunciada. Em algum momento o Brasil precisará pensar em como inibir esse tipo de conduta dos nossos governantes". Do contrário, avalia, o país jamais atingirá algum nível de democracia realmente séria.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) postou nas redes sociais, ainda durante a tarde, que "Temer fez medida provisória dando R$ 5,4 bi de anistia pro agronegócio pelos votos da bancada ruralista". Segundo ele, os deputados negociavam hoje mesmo emendas "no meio do plenário em troca de votos".

O jornal O Estado de S. Paulo informou, em sua página na internet, que o ministro Antonio Imbassahy (PSDB-BA) "foi flagrado pelo Broadcast Político negociando a liberação de uma emenda com um deputado do DEM em troca do voto". Imbassahy foi exonerado da Secretaria de Governo para participar da votação, já que tem mandato de deputado.

Apesar da vitória de Temer, o posicionamento do PSDB na votação pode indicar problemas para ele em votações relativas a eventuais novas denúncias da Procuradoria-Geral da República que são esperadas contra. O PSDB não fechou questão a favor do presidente na votação de quarta-feira. Antes, o líder tucano na Câmara discursou dizendo que "há requisitos" para que a Câmara autorize o prosseguimento de investigação. Como líder, orientou sua bancada pela admissibilidade da denúncia.

Maria do Socorro diz ainda ser "importante destacar" a falta de manifestações populares em um dia politicamente importante como esta quarta-feira. "Quando você vê população nenhuma indo às ruas num dia como hoje, é que a indignação está no nível máximo e a população se sente impotente diante de uma classe política que se acha no direito de fazer tudo. Isso é muito triste."

Rede Brasil Atual
Posted: 03 Aug 2017 09:37 AM PDT

Estratégia da Oposição deu certo!




Conversa Afiada
Posted: 03 Aug 2017 09:24 AM PDT


Quantas vezes irão tentar matar Getúlio?
Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e do CREA-RJ


Getúlio foi assassinado em 24 de agosto de 1954.

Quem puxou o gatilho que lhe varou o coração foram seres abjetos, como Carlos Lacerda, os componentes da república do Galeão, além das aves de rapina denunciadas pelo próprio Getúlio em sua carta testamento.

Todos tinham o dedo no gatilho do revolver assassino.

Vira e mexe, ouvimos as investidas da elite excludente, querendo aumentar seus lucros com a pauperização dos indefesos.

Estes que tinham em Getúlio, seu defensor incondicional.

Quando Fidel Castro morreu, o jurista José Paulo Cavalcanti Filho escreveu um texto dizendo, basicamente, que existiram dois Fideis, sendo o primeiro aquele que libertou o povo cubano do déspota Fulgencio Batista, trouxe muitos benefícios para este povo e era companheiro de Che Guevara.

O segundo Fidel, dito de forma sumária, foi o ditador.

O escritor acrescentou: “Qual dos dois Fideis vai sobreviver? Eis a questão. É cedo para saber. Hitler recuperou uma Alemanha despedaçada; mas ficou, apenas, como um assassino frio de judeus. Enquanto Getúlio Vargas, que ascendeu ao poder numa espiral autoritária, permaneceu pelos compromissos com os trabalhadores. E por ser responsável pelas bases econômicas de um Brasil moderno.”

Resta saber também quem os “vencedores”, os que contam a história, querem que a lembrança perdure ou desapareça.

Muitas vezes, o culto à memória de um morto é incomodo para a elite dominante sob o ponto de vista político.

Portanto, os que se sentem mal com o culto tratam de matar o morto, o que seria sua segunda morte.

Como herói do nosso povo, Getúlio tem sido trazido do túmulo, frequentemente, ou para salvar a sociedade brasileira ou ser considerado culpado pelas mazelas que nos afligem. Na década de 90, falava-se até em “sepultar a era Vargas”.

Hoje, com a tranquilidade de quem é dono da mídia tradicional e, assim, pode transformar mentira em verdade, desmerecem a obra social de Getúlio para afastá-lo da memória coletiva como o “pai dos pobres”.

Ou seja, dedos apressados, querendo ganhar notoriedade, buscam também puxar o gatilho para, agora, matar o legado de Getúlio.

Chega-se a dizer absurdos como: a CLT não está atualizada e não beneficia o trabalhador porque proíbe mais contratações.

Ou seja, o desemprego não é causado pela recessão imposta, mas graças à CLT.

Em Filosofia, fala-se das duas mortes de um homem.

A primeira é a tão temida por todos e a segunda ocorre quando seu legado é esquecido.

A mitologia grega descreve o dilema de Aquiles, que poderia morrer jovem e ser lembrado por séculos pelos seus atos heroicos ou morrer de velhice com a família, porém desconhecido.

O plano para a chegada ao poder dos inimigos do povo inclui, objetivando o sucesso do intento, o compartilhamento do poder com outros grupos.

No caso atual, o Congresso está compartilhando o poder com o Judiciário, a mídia, a elite econômica e, provavelmente, com certo país estrangeiro.

Uma trama desta magnitude tem grande chance de enganar o povo, a ponto de ele vir a escolher caminhos que lhe são prejudiciais.

O triste povo precisa desenvolver defesas contra este plano maquiavélico de poder.

O maior e primordial passo deve ser buscar ter acesso a fontes de informações fidedignas.

Sobre o ato de se fazer justiça, principalmente, levando em consideração o princípio da presunção da inocência, é sugerido que o filme antigo “Doze homens e uma sentença” seja assistido.

O espectador verá que o juiz Moro não parece em nada com o jurado representado pelo ator Henry Fonda.

Principalmente, por este não ter ódio ao suposto criminoso, nem compromisso com ninguém para condená-lo.

Tenho esperança que não conseguirão assassinar, de novo, Getúlio, através de acusações a seu legado pela mídia tendenciosa, sem possibilidade de contraponto e sem racionalidade social!

Getúlio, em sua segunda carta testamento, a que foi manuscrita e é pouco conhecida, diz profeticamente: “A resposta do povo virá mais tarde …”

Podendo ser acrescentado: “Getúlio vive e viverá para sempre entre nós”.

Viomundo
Posted: 03 Aug 2017 09:11 AM PDT


Na manhã de quarta-feira, antes da votação da denúncia contra Temer por corrupção passiva, seus aliados projetavam uma vitória por cerca de 300 votos e antecipavam uma forte ofensiva na agenda de contrarreformas. Numa sessão que lembrava as xepas de fim de feira, com ministros negociando favores dentro do plenário, o governo ganhou com apenas 262 votos. A oposição, unida, obteve 227 votos, e como os partidos de esquerda têm apenas 100 deputados, cerca de 120 votos vieram de dissidentes da base governista. Partidos como o PPS e o PSB deram maioria de votos contra Temer, enquanto o PSDB rachou literalmente (22 contra, 21 a favor da denúncia). Ficou evidente que o governo não tem a maioria de 3/5 (308 votos) para aprovar emendas constitucionais, como a da reforma previdenciária e que o colosso da base trincou. O mercado, que também esperava vitória mais robusta, está analisando com lupa o mapa de votação.

- O presidente golpista Michel Temer encolheu. Apesar da vitória circunstancial, a mensagem que fica é a de que o governo, amplamente rejeitado pelo povo brasileiro, começa a perder força até entre seus apoiadores na Câmara. Eles não terão os 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência – avalia o deputado e ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-SP).

Esta conta é aritmética: a soma dos 262 votos que Temer obteve contra a denúncia, com os 19 ausentes e duas abstenções (supondo que sejam favoráveis à reforma) resulta em 283 votos, número inferior aos 308 necessários para aprovar emendas constitucionais. Esta correlação aponta para a hipótese de o governo ter que se contentar apenas com a fixação da idade mínima de 65 anos para aposentadoria, desistindo das muitas outras maldades propostas contra os direitos dos contribuintes.

Algumas consequências políticas da votação terão que ser enfrentadas agora pelo governo. Temer precisará de reacomodar os aliados no governo e nenhum governo consegue contentar a todos quando o assunto é cargos. Os deputados do chamado “centrão” irão para cima de Temer pedindo que lhes sejam destinados espaços ocupados pelo PSDB, que orientou voto contrário ao governo e lhe deu apenas o apoio de metade da bancada.

Por outro lado, Temer continuará precisando do PSDB para garantir votos a favor das reformas. Os tucanos que têm cargos, como os quatro ministros, vão brigar pela permanência no governo mas daqui para a frente o comportamento do PSDB será cada vez mais imprevisível. Uma estará ala de olho no eleitorado, e outra empenhada em realizar as reformas impopulares pelas mãos de Temer, que não tem nada a perder, pois sua popularidade vai se aprovando do zero. O PSDB, embora votando dividido, saiu marcado como o partido que salvou Temer, na medida em que quase todos os deputados, de um lado e de outro, votavam contra ou a favor do “parecer do deputado Abi-Ackel, do PSDB”. Houve defecções importantes, inclusive na bancada ruralista, apesar de todos os favores concedidos na véspera, com o Refis rural e outras medida.

- Daqui para a frente, o governo vai enfrentar uma instabilidade permanente na relação com seus aliados na Câmara e isso dificultará muito a aprovação da reforma previdenciária e de outras medidas que exijam quórum elevado – avalia outro ex-presidente da Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

É com a base encolhida e uma crescente preocupação dos deputados com o desgaste que Temer enfrentará uma segunda denúncia de Rodrigo Janot, e parece que ela vem, e será por formação de organização criminosa.

Mas nada do que houve ali foi novidade. O silêncio profundo do lado de fora do Congresso, onde não houve qualquer manifestação popular, apenas confirmou a indiferença do povo em relação ao que faz o Congresso. Como se o povo já soubesse que ali a maioria não está nenhum pouco interessada em representar seus sentimentos, desejos ou vontades. Uma indiferença perigosa para a democracia, que em algum momento encontrará sua tradução, nas urnas ou por outros meios.


Brasil 24/7

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