sexta-feira, 4 de agosto de 2017

4/8 - Pragmatismo Político DE 3/8

Pragmatismo Político


Posted: 03 Aug 2017 07:12 PM PDT
ataque hackers hbo pior vazamento sony lavagem de dinheiro eua
Quando as notícias sobre o hackeamento da HBO começaram a aparecer nessa semana, as especulações giravam em torno do vazamento do script do próximo episódio de Game of Thrones.
Um texto da revista norte-americana The Hollywood Reporter retrata como o ataque virtual em larga escala pode ser potencialmente significativo.
A crítica de cinema da revista, Tatiana Siegel, disse que os hackers usaram “vários pontos de invasão” nos dados do canal, o que parece revelar um alto nível de sofisticação, e divulgaram uma mensagem aleatória, não deixando clara a intenção do ataque.
(Fontes me contaram que o ataque à HBO foi sofisticado, com conteúdos e dados armazenados separadamente – por exemplo: diversos pontos de invasão).
A situação é tão séria que o FBI entrou no caso. Uma empresa de segurança virtual que ajudou a resolver o hackeamento da Sony Pictures em 2014 também está investigando a ocorrência.
Em comparação ao que a HBO está enfrentando, o ataque à Sony até parece simples. Como Siegel mencionou, os hackers podem ter roubado 1,5 terabytes de dados da HBO, mais do que sete vezes a quantidade roubada da Sony (200 gigabytes ou 0,2 terabytes), que resultou no desligamento da co-presidente Amy Pascal.
Os efeitos do ataque à HBO ainda devem ser medidos. A rede de televisão e as autoridades ainda tentam descobrir o que foi roubado. Certamente seria um grande problema para a emissora se mais scripts ou episódios de Game of Thrones fossem vazados, mas a grande questão é se os hackers conseguiram obter e-mails e dados financeiros. Foi através desses dados que hackers vazaram informações sobre lavagem de dinheiro da Sony em 2014.
A companhia norte-americana de telecomunicações AT&T acordou recentemente a compra da Time Warner, dona da HBO, e há possibilidade que um ataque desse nível tenha ramificações financeiras nessa parte da empresa também.
A Netflix também foi hackeada no início desse ano, com vazamento online de episódios de Orange is the New Black. Mas o hackeamento da HBO, pelo menos até o momento, parece ser muito mais sofisticado.
Maxwell Strachan, Huffington Post
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Posted: 03 Aug 2017 07:05 PM PDT
ministério publico arquiva investigação helicóptero matou filho alckmin
Thomaz Alckmin, filho de Alckmin, com os irmãos, Sophia e Geraldo (reprodução)
O inquérito sobre a queda do helicóptero que matou Thomaz Rodrigues Alckmin, filho do governador Geraldo Alckmin, foi arquivado, informou o Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo. A Justiça acatou pedido do MP de arquivamento das investigações sobre eventuais crimes relacionados à queda da aeronave. O acidente ocorreu em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo em 2 de abril de 2015,
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Aeronáutica, confirmou que componentes da aeronave estavam desconectados. Segundo o relatório, os controles flexíveis (ball types) e alavancas (bellcrancks), que são fundamentais para o piloto controlar a aeronave em voo, estavam desconectados antes da decolagem. Uma das hipóteses é que o mecânico a bordo tenha se distraído, sem perceber a intercorrência.
No entanto, o MP discordou das conclusões do Cenipa, afirmando que se o controle flexível estivesse completamente desconectado, o voo da aeronave seria impossível. A promotoria informou que sua análise contou com a colaboração de cinco assistentes técnicos admitidos pela Justiça.
De acordo com o MP, vídeos produzidos em uma simulação pelo fabricante da aeronave, a Airbus Helicopters, mostram que “não há probabilidade de a aeronave decolar com os componentes de outra forma que não a determinada no manual. Não há indícios de que tais elementos estivessem desconectados antes da decolagem”.
O documento do Cenipa apontou também falhas na organização de trabalho: “a rotina de trabalho dos profissionais da organização de manutenção era suscetível a interferências e interrupções que promoviam quebra na sequência das atividades desenvolvidas”.
O MP argumentou que, “ao contrário da investigação criminal [feita pela polícia civil ou MP], o Cenipa aponta meras hipóteses, não havendo compromisso com a descoberta da verdade real. Isto porque sua função é prevenir que outros acidentes ocorram, bastando, portanto, que sejam aventadas hipóteses para que sejam expedidas recomendações de segurança, ainda que não haja prova segura da ocorrência”.
A falta de preservação adequada dos destroços do helicóptero prejudicou a investigação criminal, indicaram as apurações da promotoria. “As evidências sofrem normalmente interferências pela sua manipulação entre o local da queda e o local dos exames. A desconexão de componentes da cadeia de comando pode ter ocorrido em razão disso”. Como exemplo, foi citada alteração em uma pá branca que estava presa ao rotor principal no momento da queda, mas foi apresentada separada dele durante as análises.
As investigações do MP mostraram também não conformidade de serviços prestados pela Helibrás, responsável pela manutenção nas pás do rotor principal, e que não foram seguidas todas as normas mandatórias do fabricante na execução. “No entanto, não foi possível apurar a ocorrência de danos em decorrência destas inadequações”, concluiu o MP.
Agência Brasil
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Posted: 03 Aug 2017 06:46 PM PDT
neymar psg dinheiro política esporte submundo
Luis Henrique Rolim, Huffpost Brasil
Fim da novela. Foi confirmada a transferência de Neymar Jr. para o Paris Saint Germain (PSG) por um valor astronômico que gira em torno de R$ 820 milhões (222 milhões de euros). A ida do craque brasileiro para França é um novo recorde no mundo da bola, dobrando a antiga cifra pertencente aos ingleses do Manchester United na contratação do meio-campista francês Paul Pogba no passado.
Para aqueles que analisam o esporte dentro das quatro-linhas, os motivos da transferência seriam a predileção tática de Neymar para favorecer a estrela principal do Barcelona, o argentino Lionel Messi. Indo para Paris, o ex-jogador do Santos torna-se a principal estrela da equipe tal qual ele é na seleção brasileira. Com isso, Neymar teria mais possibilidades de ganhar a bola de ouro e se tornar protagonista na seleção de melhor do mundo da FIFA (FIFA Ballon d’Or) ao lado do português Cristiano Ronaldo e do próprio Messi.
Mas o principal sobre toda essa transação está fora dos gramados. A transferência de Neymar para o PSG revela mais uma vez que esporte e política são indissociáveis. O brasileiro nesse caso é somente mais uma marionete financeira do Catar.
Para quem não sabe, o PSG foi comprado em 2012 pela Qatar Sports Investments (QSI), uma empresa de caráter semiprivado, subsidiada pelo governo do Catar e liderada pelo ex-jogador de tênis do país, Nasser Al-Khelaifi. A aquisição do PSG é parte de uma estratégia do governo do país da região do Golfo Pérsico para exercer estratégias sutis de influência política (do inglês soft-power) no mundo e na sua região.
Para exemplificar outros casos em que o governo catari usou essa estratégia, podemos lembrar que o país foi escolhido para ser sede da Copa do Mundo de Futebol em 2022; levando o megaevento para o Oriente Médio pela primeira vez na história, apesar da chuva de críticas com relação à temperatura e questões de direitos humanos na relação com trabalhadores.
E também o próprio Barcelona já foi alvo da política de influência catari em 2010 quando as empresas semi-privadas Qatar Foundation (ramo da educação) e Qatar Airways (ramo da aviação) estamparam pela primeira vez na história do clube catalão suas marcas na camisa blaugrana – o que nos leva a pensar que a contratação de Neymar em 2013 pelo Barça já foi subsidiada pelos árabes.
O fato é que a QSI é um braço do governo árabe para investir no esporte e consolidar relações político-econômicas para o Catar, que desde junho, está diplomaticamente “bloqueado” por outros países da região do Golfo acusado de subsidiar o terrorismo – alegações não confirmadas e que na verdade estão servindo para escancarar que a política de influência do Catar é efetiva e incomoda os líderes dos países vizinhos.
Assim, a ida de Neymar ao PSG é mais uma tacada política do governo catari para se colocar no centro das atenções no mundo e reforçar a ideia de um país pacífico com intenções globais.
Certamente parte do acordo entre PSG e Neymar inclui exames médicos no centro de excelência médico-esportiva “Aspetar” e contratos comerciais com empresas do Catar. Lembrando que a empresa de telefonia catari Ooredoo e o Banco Nacional do Catar (QNB) patrocina o clube francês.
Em meio a tudo isso, está o milionário craque brasileiro que ao aceitar a proposta do PSG-Catar entra para a lista de desafetos do clube catalão por revelar mais uma vez que o clichê de “amor a camiseta” não faz parte do futebol do século 21 (principalmente quando há milhões de euros envolvidos).
Com o fim da novela nos resta esperar pelo o novo capítulo da minissérie “Neymar e o fisco espanhol“. O PSG já está sendo acusado de fazer doping financeiro e terá que justificar o injustificável: que o dinheiro para levar o camisa dez da seleção brasileira, não é fruto dos cofres do governo do Catar.
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Posted: 03 Aug 2017 06:25 PM PDT
deputados mais votados do brasil Russomanno tiririca bolsonaro pastor feliciano
Celso Russomanno, Tiririca, Jair Bolsonaro e Marco Feliciano (Imagem: Pragmatismo Político)
Marcella Fernandes, HuffPost Brasil
Nas eleições de 2014, Celso Russomanno (PRB-SP), Tiririca (PR-SP), Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) foram os que tiveram mais votos, em números absolutos, no Brasil. Campeões nas urnas, eles têm o perfil que pode ser favorecido com a adoção do distritão, sistema eleitoral em discussão na Câmara dos Deputados.
A alteração é um dos pontos da reforma eleitoral, em discussão na Câmara e que precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até setembro para valer para 2018 (leia mais no fim do texto).
Integrantes de partidos da base, os quatro campeões de voto foram a favor da reforma trabalhista, com exceção de Tiririca. Na Proposta de Emenda à Constituição que estabeleceu o teto de gastos públicos, todos votaram pela aprovação.
Confira o desempenho de 2015 a julho de 2017 dos deputados com mais votos em 2014:

Celso Russomanno

Com 1.524.361 votos em 2014, o apresentador de televisão e especialista em Direito do Consumidor, Celso Russomanno se tornou o deputado federal mais votado do Brasil. O montante equivale a 7,26% dos eleitores de São Paulo, à época.
Em seu 5º mandato na Câmara, o parlamentar foi líder do PRB até fevereiro de 2016. De janeiro de 2015 a julho de 2017, gastou R$ 518.546,40 em cota parlamentar e não participou de qualquer missão oficial nesta legislatura.
Neste ano, foi a 58 de 60 sessões deliberativas (97% de presença). Em 2016, compareceu a 81 de 94 sessões (86%) e em 2015, 115 de 125 (92%).
O deputado é titular na Comissão de Defesa do Consumidor e de outras quatro comissões especiais. É suplente na Comissão de Relações Exteriores e em outras quatro comissões especiais. Foi suplente na Comissão de Segurança Pública.
Nesta legislatura, a única proposição em que é um dos autores transformada em norma jurídica foi o PL-4639/2016, que deu origem à Lei Ordinária 13269/2016. O texto autoriza a produção e o uso da fosfoetanolamina sintética aos pacientes com câncer.
Em março, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) suspendeu a inclusão de novos pacientes nos testes com a substância conhecida como a “pílula do câncer” porque os testes com 72 voluntários não mostraram evidências de que o produto seja eficiente para combater tumores.
Dos projetos de lei ainda em tramitação, Russomanno relatou, desde 2015, seis propostas, todas na Comissão de Defesa do Consumidor. Quatro foram aprovadas e duas aguardam deliberação.

Tiririca

Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido pelo nome artístico de Tiririca, foi o terceiro deputado federal mais votado em todas eleições do Brasil. Em 2014, ele só perdeu para Russomano, ficando com 1.016.796 de votos, o equivalente a 4,84% dos eleitores paulistas.
Desde 2015, compareceu a todas as 279 sessões deliberativas em plenário e nessa legislatura, é titular da Comissão de Cultura e da Comissão de Turismo. O parlamentar não integra outros colegiados nem como suplente.
No mandato atual, não relatou nem foi autor de qualquer projeto que tenha se tornado norma jurídica. No mandato anterior, de 2011 a 2015, a única proposta de sua relatoria que se tornou lei foi a que dá o título de “Capital Nacional do Antigomobilismo” ao município de Caçapava (SP).
Das propostas ainda em tramitação, Tiririca relatou, desde 2015, seis projetos de lei, todos na Comissão de Cultura. Os textos tratam de nomeações de viadutos, da criação do Dia Nacional do Condutor de Ambulância e do Dia Nacional do Zootecnista e do título de “Capital Nacional do Morango” ao município de Atibaia (SP).
De janeiro de 2015 a julho de 2017, gastou R$ 371.180,99 em cota parlamentar e não participou de qualquer missão oficial nesta legislatura.

Jair Bolsonaro

Campeão de votos no Rio, Jair Bolsonaro teve apoio de 464.572 (6,10% do total no estado). Desde fevereiro, foi a 49 de 60 sessões deliberativas (82% de presença). Em 2016, compareceu a 89 de 94 sessões (95%) e em 2015, 121 de 125 (97%).
Desde 2015, gastou R$ 807.101,61 de cota parlamentar. Ele está em seu sexto mandato na Câmara dos Deputados.
É titular da Comissão de Educação e da Comissão de Relações Exteriores, além da comissão para acompanhar a crise no Rio. Integrou também a Comissão de Direitos Humanos e a De Segurança Pública em 2015, além do colegiado que analisou o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
Atualmente, é suplente da Comissão de Segurança e de outros dois colegiados. Integrou ainda outras quatro comissões como suplente, incluindo a que discutiu a redução da maioridade penal e a CPI da Funai.
Nesta legislatura, não relatou qualquer proposta que tenha se transformando em lei. Assim como Russomanno, Bolsonaro é um dos autores do PL que liberou a “pílula do câncer”.
Dos PLs em tramitação, Bolsonaro relatou, desde 2015, três projetos de lei. Dois pareceres do parlamentar foram aprovados em comissões e um ainda não foi votado.

Marco Feliciano

Quarto deputado na lista dos com mais votos em 2014, Marco Feliciano foi a escolha de 398.087 eleitores no último pleito, o equivale a 1,90% dos que votaram no estado de São Paulo.
Desde 2015, foram R$ 1.017.199,08 gastos em cota parlamentar. Neste ano, esteve presente em 55 das 60 sessões deliberativas (92%). A assiduidade foi de 94% em 2016 e de 78% em 2015.
Feliciano está no segundo mandato na Câmara e de maio de 2016 a fevereiro de 2017 foi líder do PSC.
É titular da Comissão de Seguridade Social e a de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, além de outros quatro colegiados, sendo um que analisa proposta sobre ensino religioso – no qual é primeiro vice-presidente – e outro sobre aborto.
Também integrou como titular a comissão do impeachment de Dilma Rousseff, a do Estatuto da Família – na qual foi primeiro-vice-presidente -, além das comissões de Constituição e Justiça (CCJ), Direitos Humanos, Educação e de Cultura e quatro CPIs.
Como suplente, faz parte da CCJ e da Comissão de Ciência e Tecnologia e da que discute a Escola sem Partido. Também integrou como suplente as comissões da reforma trabalhista e da Previdência.
Nesta legislatura, não relatou qualquer projeto de lei que tenha se transformado em norma, tampouco é autor de qualquer proposta que tenha dado origem a uma lei.
Dos cinco PLs em tramitação em que foi designado relator nesta legislatura, os pareceres de dois foram aprovados, ambos sobre nomeação de viadutos.
Procurados, os deputados não quiseram comentar a atuação.
Distritão
No modelo atual, a disputa para Câmara dos Deputados e para os órgãos legislativos estaduais e municipais, é baseada no sistema proporcional, em que as vagas são distribuídas com base no quociente eleitoral, o que dá mais peso aos partidos e coligações.
Esse sistema resulta nos “puxadores de votos”, que ajudam a eleger colegas da mesma legenda ou coligação que não alcançaram o quociente eleitoral.
No distritão, acaba o quociente eleitoral, e as votações para deputados e vereadores migram do sistema proporcional para o majoritário, de modo que só os mais votados são eleitos.
O distritão é defendido pelo presidente Michel Temer e por deputados como Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), presidente da comissão especial da reforma política na Câmara. Ele foi o deputado com mais votos na Bahia em 2014, com 222 mil eleitores.
Os defensores alegam que o sistema é mais fácil para o eleitor entender e acaba com problemas do quociente eleitoral, como a não eleição de candidatos com número de eleitores expressivos, mas que não atingiram o teto necessário.
Um exemplo foi Luciana Genro (PSOL-RS), que obteve a oitava maior votação para uma vaga na Câmara dos Deputados na disputa eleitoral no Rio Grande do Sul em 2010, mas não se reelegeu porque não atingiu o quociente.
Por outro lado, o distritão enfraquece os partidos e aumenta a pressão para as legendas lançarem figuras populares, a fim de garantir vagas.
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Posted: 03 Aug 2017 06:11 PM PDT
denúncia contra temer mídia internacional
Os jornais e sites jornalísticos ao redor do mundo destacaram a votação que impediu que o presidente Michel Temer fosse investigado pelo crime de corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O britânico “The Guardian” destacou que o “presidente manteve o emprego” após a votação do Congresso.
“A credibilidade do congresso do Brasil foi deixada em trapos depois que a Câmara dos Deputados não aprovou a investigação por corrupção contra o presidente Michel Temer — mesmo que 81% dos cidadãos tenham dito em uma recente pesquisa que eles deveriam deixar investigar”, escreveu o jornal.
Já o “The New York Times” ressaltou que apesar de ter “salvado” seu mandato, “há mais problemas legais à frente e isso afetará claramente seu governo de coalizão”. “Então, Temer tem pouco tempo para comemorar”, ressalta.
O jornal lembrou os recentes gastos do governo com emendas de parlamentares, que atingiu cerca de R$ 2 bilhões de acordo com a ONG Contas Abertas. “Esta é uma quantia excepcionalmente alta, especialmente em um período de austeridade em que hospitais, universidades e departamentos de segurança tiveram seus orçamentos cortados”, ressalta.
O “Washington Post” publicou matéria com o título “Presidente Temer sobrevive à votação para suspendê-lo sob acusações de corrupção”, destacando que o processo aconteceu 15 meses após o impeachment de sua antecessora.
O espanhol “El Pais” destacou que o Congresso “salvou Temer e impediu que ele seja investigado”.
“Os mesmos deputados que deram luz verde para a saída de Dilma Rousseff do poder, mantém seu sucessor durante ao menos seis meses”, escreve o periódico. O jornal ainda destaca que a a “aliança de centro-direita que em abril de 2016 acabou com 13 anos de governo do esquerdista Partido dos Trabalhadores conseguiu o apoio necessário para impedir que o presidente seja processado”.
O também espanhol “El Mundo” diz que “Deputados salvam Temer de sentar-se no banco” e explica que o presidente brasileiro foi denunciado perante o Supremo por corrupção passiva, mas que a Câmara arquivou a denúncia, acrescentando que ele consegue se manter no cargo, mas que “a crise política continua”.
O “Le Monde” destacou a “indiferença quase geral” da população e diz que Temer “escapou” do julgamento no STF. Os franceses ainda lembraram que o presidente “prometeu favores” para se manter no cargo.
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Posted: 03 Aug 2017 05:50 PM PDT
racistas confundem foto ônibus vazio mulheres de burca muçulmanas
Jaime Rubio Hancock, ElPaís
O que vocês acham disto?”, perguntava um participante do grupo do Facebook norueguês Fredelandet Viktigst (“a pátria primeiro”), que é contra a imigração e conta com mais de 13.000 membros. Na foto se viam seis silhuetas escuras em um ônibus. “Trágico”, respondeu um, “Assustador. Não é possível saber se são homens ou mulheres (…) ou se portam armas e bombas”, dizia outro. “Achava que isso seria assim no ano 2050, mas está ocorrendo AGORA”, acrescenta um outro. No entanto, na foto não se veem seis mulheres cobertas com burca, como essas pessoas acreditam: são assentos vazios de um ônibus.
O usuário que publicou a imagem, Johan Slåttavik, afirma que fez isso de brincadeira: “Estava pensando na diferença entre a crítica legítima à imigração na Europa e o racismo cego e a xenofobia. Queria mostrar essas diferenças, algo que acho que consegui ao fazer essa piada e observar as reações”, afirma em declarações publicadas pelo órgão da mídia norueguesa Nettavisen. No entanto, ao rastrear a conta de Slåttavik no Twitter também encontramos mensagens contra os imigrantes.
Na realidade, como explica The Washington Post, a publicação viralizou quando foi compartilhada no Facebook por Sindre Beyer, um publicitário norueguês: “O que acontece quando se publica uma foto de um ônibus vazio em um grupo asqueroso do Facebook e quase todos acreditam ver um monte de burcas?”. Neste post há 23 capturas de tela com comentários indignados. Foi compartilhado mais de 1.700 vezes desde a sexta-feira 28 de julho.
Mas alguns dos membros do grupo se dão conta: “São bancos vazios de ônibus, mas dá medo”, comenta uma participante. “Vê-se que não há ninguém sentado”, acrescenta outro. Mas em seguida surgem novas mensagens alarmistas: “Não deveria ser legal”, “teria esperado o próximo ônibus”, “sacos de lixo sentadas”… E assim até uma trintena de comentários nas capturas, mas, segundo The Washington Post, teriam chegado à centena (o grupo é fechado, por isso não sabemos nem o número exato nem se a publicação foi apagada).

Com frequência vemos o que queremos

O dirigente da Antiraistisk Senter, uma organização antirracista norueguesa, Rune Berglund Steen, recorda em declarações à Nettavisem que “as pessoas veem o que querem ver, e o que elas querem ver são muçulmanos perigosos. De certo modo, é um teste interessante sobre a rapidez com que alguns podem encontrar a confirmação de suas próprias ilusões”. E afirma que essa não é uma cena típica de Oslo: “Os ônibus não andam cheios de islamistas inquietantes e tampouco costumam ter tantos assentos vazios”.
E é verdade. Não a questão dos assentos, pois isso não sabemos, mas o fato de vermos o que queremos ver. Ou, às vezes, o que tememos ver. O divulgador científico Michael Shermer explica em seu livro The Believing Brain que temos tendência a encontrar padrões tanto se os sinais que nos chegam têm significado como se não querem dizer nada. Isso nos ajuda a sobreviver: se escutamos um ruído no mato, é melhor pensar que se trata de um lobo, mesmo que nos enganemos. Assim, a única coisa que levamos é o susto. Mas se assumimos de cara que é o vento, é mais fácil que um predador nos acabe pegando desprevenidos.
Esta tendência a encontrar padrões explica, entre outras coisas, que uma mancha na parede nos pareça um rosto, que haja tantas teorias despropositadas sobre o assassinato de John Fitzgerald Kennedy ou que um monte de roupa em um quarto escuro nos faça pensar que um assassino em série tenha entrado em nossa casa com o objetivo de nos esquartejar. Claro, a probabilidade de que tal coisa aconteça é quase inexistente, mas, de novo, melhor levar um pequeno susto e estar prevenido. O que acontece com o grupo racista do Facebook é a mesma coisa, só que eles se assustam com a ideia de se depararem com seis mulheres com o rosto tampado em um ônibus. Cada um tem seus medos e suas obsessões.
Também entra em jogo a visão tendenciosa de confirmação: neste grupo do Facebook deram por certo que se tratava de burcas porque costumam entrar em contato com esse tipo de publicação e não dedicaram mais tempo a prestar atenção na foto. Além disso, os comentários indignados agiram como reforço.
Carlos J. Álvarez, professor de Psicologia na Universidade de La Laguna (Tenerife) explicou ao El País em outro artigo, sobre como os vieses nos traem, que “estamos continuamente filtrando informação. Temos um sistema limitado de processamento e por isso temos que selecionar os dados relevantes e não nos saturarmos com os irrelevantes”. O problema, claro, é que às vezes confundimos uns com os outros
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Posted: 03 Aug 2017 05:33 PM PDT
eua tirar nicolas maduro do poder trump
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, afirmou nesta quarta-feira (02/08) que seu país “está avaliando as opções” que levem à saída de Nicolás Maduro da Presidência da Venezuela.
Estamos avaliando todas as nossas opções de políticas para criar uma mudança de condições [na Venezuela], seja levando Maduro a concluir que não tem futuro e fazendo com que ele saia por vontade própria, ou nós podemos devolver os processos de governo à sua ordem constitucional“, afirmou Tillerson à imprensa.
O secretário de Estado disse também que os EUA tentaram “se aproximar” da Venezuela por meio de organismos como a OEA (Organização dos Estados Americanos). “O que queremos ver na Venezuela é o retorno a sua Constituição, a realização de eleições e que o povo venezuelano tenha voz em um governo que mereça”, disse.
Washington não reconhece a eleição realizada no último domingo (30/07) para a Assembleia Constituinte, na qual votaram mais de 8 milhões de venezuelanos, segundo o CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Tillerson disse que o pleito “aconteceu como esperávamos” e que os EUA estão “muito preocupados” com a possibilidade de novos episódios de violência no país.
O embaixador da Venezuela na OEA, Samuel Moncada, repercutiu, em seu Twitter, o comentário de Tillerson. Segundo ele, o secretário de Estado dos EUA “trabalha para derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro“: “CIA contra Venezuela: Secretário Tillerson impunemente trabalha para derrubar o presidente Maduro. Coalizão do mal arremete contra a democracia”.
O diplomata e ex-chanceler venezuelano classificou esta como “a mais descarada das ameaças dos EUA contra a Venezuela desde 1902”, chamando de “loucura do império”. Moncada lembrou também que Tillerson era chefe da petroleira norte-americana Exxon Mobil Corporation e que “agora usa o império para assaltar o petróleo do povo”, afirmou.
Desde meados de julho o governo de Donald Trump vinha ameaçando o governo Maduro com sanções em uma tentativa de pressionar o presidente venezuelano a suspender a eleição para a Constituinte. No dia seguinte à eleição, Washington impôs sanções contra Maduro, acrescentando-o a uma lista de 29 funcionários ou ex-funcionários de governos chavistas sancionados pelos EUA.
A sanção significa que todos os ativos do presidente venezuelano sujeitos à jurisdição dos EUA estão congelados e que todos os norte-americanos estão proibidos de fazer qualquer transação com Maduro.
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou em comunicado que “a eleição ilegítima de ontem [domingo] confirma que Maduro é um ditador que desconsidera a vontade do povo venezuelano”. “Ao sancionar Maduro, os EUA deixam clara nossa oposição às políticas deste regime e nosso apoio ao povo da Venezuela que busca devolver uma democracia plena e próspera a seu país”, acrescentou.
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Posted: 03 Aug 2017 05:12 PM PDT
salário professora da uerj extrato bancário zerado
Imagem: Pragmatismo Político
Leandro Machado, BBC Brasil
A professora Stela Guedes Caputo, de 50 anos, tomou um susto quando, na semana passada, checou sua conta bancária: estava vazia, zerada, sem nenhum tostão. Ela não tinha nem sequer um real para ajudar a pagar a passagem até a universidade pública onde dá aulas há cinco anos, a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
Não que Caputo tenha dificuldade para administrar suas contas. O problema é outro: o governo do Estado não paga o salário dos professores da Uerj há três meses. Governado por Luiz Fernando Pezão (PMDB), o Rio de Janeiro passa por uma crise financeira que afeta o pagamento de servidores públicos de vários setores.
A gestão diz reconhecer a importância da universidade e ter concentrado esforços para solucionar os problemas financeiros da instituição.
Caputo, que dá aula em cursos de graduação e pós na área de educação, decidiu publicar o extrato de sua conta zerada no Facebook. Junto, postou um texto de protesto contra os atrasos salariais. A publicação já teve mais de 1,5 mil compartilhamentos.
É como estar desempregada, só que trabalhando. Eu quis mostrar porque não sei se todo mundo entende o que estamos passando“, escreveu ela. “Ver aquela conta zerada, o que nunca tinha acontecido comigo, foi um soco no coração.”
Diante das “condições precárias da universidade“, em suas próprias palavras, o reitor da instituição, Ruy Garcia Marques, anunciou nesta segunda-feira a suspensão das aulas dos cerca de 30 mil alunos.
Ele justificou a suspensão, que não tem prazo de acabar, citando o drama dos professores: “O atraso salarial, cada vez maior, gera endividamento crescente, insegurança, angústia e situações de estresse incontroláveis, maximizadas naqueles que se veem impedidos até da simples compra de medicamentos para manutenção básica da saúde“.
Em entrevista à BBC Brasil, Caputo diz que tem passado por problemas como os citados pelo reitor. “Estou me sentindo humilhada por dar aulas, por trabalhar e não receber. O (governador) Pezão está roubando a dignidade dos professores da Uerj“, diz.
A universidade passa por uma crise financeira desde 2016. Há um ano, o governo estadual começou a pagar os salários dos 2,4 mil professores de forma fracionada. Em alguns meses, os vencimentos eram divididos em até cinco parcelas.
Desde outubro, no entanto, os atrasos começaram a ser constantes. A gestão ainda não pagou o 13º salário de 2016 e as férias de professores e funcionários. Também houve atrasos no pagamento de empresas terceirizadas de limpeza, vigilância e manutenção, contratadas por meio de licitações públicas. Neste ano, bolsas de docentes e alunos, inclusive cotistas, também não estão sendo depositadas.

Muitas cobranças

As contas de Caputo começaram a se acumular com os atrasos da universidade. O último salário que ela recebeu foi o de abril, pago também de forma fracionada.
Hoje, ela diz que deve quatro parcelas – R$ 2.7 mil cada – do financiamento do apartamento que comprou em 2012. “O que eu faço se a Caixa Econômica resolver tomar minha casa por falta de pagamento?“, questiona. O banco público já enviou cartas cobrando as prestações.
A professora também deve a fatura do cartão de crédito e cerca de R$ 20 mil para amigos e parentes que a socorreram em situações de emergência. Também desligou o telefone para não receber mais ligações de cobrança – sua luz já foi cortada.
Outro drama é manter as aulas, produção de pesquisas e participação em congressos acadêmicos sem receber salário.
No mês passado, Caputo viajou para um congresso em Maceió. Ganhou passagem e hospedagem, mas tinha apenas R$ 40 na conta para outras despesas. “É muito constrangedor quando você evita sair com seus colegas porque não tem dinheiro para pagar um jantar“, conta.

Greve e pagamento

Em junho, a Justiça do Rio intimou Pezão a cumprir uma liminar que obrigava o governo a pagar os salários dos servidores da Uerj em 48 horas. O governador disse que não tinha dinheiro para quitar a dívida.
Nesta segunda, o peemedebista pediu ao governo federal para ingressar no Regime de Recuperação Fiscal, uma espécie de socorro da União para ajudar a recuperar as finanças do Estado.
A adesão ao regime de recuperação fiscal permitirá o reequilíbrio financeiro do Estado, possibilitando a regularização do pagamento dos salários dos servidores ativos, inativos e pensionistas e do custeio das atividades fundamentais para prestação de serviços à população“, afirmou o governo estadual em nota à BBC Brasil. A gestão, porém, não deu prazos.
No início do ano, parte dos professores da Uerj iniciaram uma greve contra a falta de pagamento. Em março, Pezão ameaçou cortar os vencimentos dos grevistas em 30%.
O orçamento estadual previa um repasse de R$ 1,1 bilhão à universidade em 2016. No total, R$ 767,4 milhões foram enviados. Segundo o governo, a diferença ocorreu por causa da “crise finanças estaduais, provocada pela significativa queda na receita de tributos em consequência da depressão econômica do país, pelo recuo na arrecadação de royalties e a redução dos investimentos da Petrobras“.
Em relação ao pagamento de pessoal da Uerj, encontram-se em aberto os salário de maio e junho, assim como para demais categorias. No dia 14/7, foram pagos R$ 550 referentes ao salário de maio“, disse a gestão Pezão, sem mencionar os valores referentes a julho.
Enquanto não recebe os salários atrasados, Caputo vive como pode. Tem feitos alguns trabalhos esporádicos, pois, como é contratada em regime de dedicação exclusiva, não pode ter vínculo empregatício com outra empresa.
Na manhã desta terça, a professora foi até a caixa de correio de seu prédio. Achou que receberia outra cobrança. Dentro de um envelope, encontrou R$ 450 e uma carta anônima.
Fiquei emocionada. Não sei quem enviou a doação. A pessoa escreveu que admira a força dos professores da Uerj“, conta.
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Posted: 03 Aug 2017 04:11 PM PDT
entranhas do brasil exposta política horríveis corrupção ética moral
Carlos Fernandes, DCM
Michel Temer foi salvo na Câmara dos Deputados na votação que decidia sobre a permissibilidade de sua investigação por corrupção passiva pela mais alta Corte do país.
O arquivamento da denúncia na casa já era dado como favas contadas. Necessitando de apenas 172 votos entre “sim”, ausências e abstenções, a borda da pizza foi preenchida com o placar propriamente dito.
No Congresso Nacional mais corrupto e reacionário de nossa história, a maioria votou para que o presidente mais rejeitado de todos os tempos continuasse livremente a sua empreitada pela destruição do Brasil enquanto nação.
Aqui ainda não estamos no fundo do poço. O poço, aliás, não parece ter fundo.
Como absolutamente tudo nesse governo, o placar de 263 a favor do arquivamento contra 227 pela continuidade da investigação é uma mentira, o que torna as coisas ainda mais assustadoras.
É notório que se a quantidade de parlamentares inicialmente dispostos a votarem “não” fosse de fato esse, sequer votação haveria tido. Após garantida a retribuição pela farra das emendas, muitos assim votaram para não passarem pelo constrangimento público de defenderem abertamente o bandido Temer.
Ainda assim, a maioria daqueles que representam o povo brasileiro (e sim, nunca esteve tão claro que eles nos representam) não se resignou em mostrar para o país, em rede nacional, como de fato se faz política nessa terra de bananas.
Aos fatos.
Há pouco mais de um ano a presidenta Dilma Rousseff era defenestrada do cargo sob “crime” de “pedaladas fiscais”. Tida como uma presidente incapaz de negociar com o Parlamento, hoje os deputados mostraram a que tipo de “diálogo” são de fato condescendentes.
Por sua vez, acusado de favorecimento pessoal em cifras milionárias com toda sorte de provas inquestionáveis, Michel Temer foi gabaritado por seus comparsas no reality show da corrupção nossa de cada dia.
É a manifestação cristalina do que politicamente nesse país se entende por “justiça”.
Para piorar, uma vez que a nossa justiça, ela própria, é política, simplesmente não temos justiça, temos só política. E dessa qualidade.
Mas para que nem tudo seja leite derramado, queira ou não, na mixórdia desses tempos, a absolvição de Temer por essa gente é a mais gloriosa amostra da honestidade inquebrantável que acompanhou Dilma Rousseff durante todo esse período em que violentamente foi, em vão, cooptada a corromper-se.
Particularmente, nada me honraria mais do que ser considerado culpado se os que estivessem a me julgar fossem essa corja de corruptos.
Seja como for, acostumados a uma política sem lei numa lei sem justiça, está provado que somos um país com uma terrível vocação para a vassalagem.
Se por um lado é natural que a Casa Grande não queira perder seus privilégios, por outro é inconcebível que a senzala faça questão de querer permanecer senzala.
Por mais absurdo que possa parecer, a realidade de nossos dias comprova o quão subalternos somos enquanto povo. E não, os movimentos de esquerda não estão isentos de culpa.
É simplesmente inadmissível que num país de mais de 200 milhões de pessoas, num espaço tão curto de tempo, sem maiores contratempos para o governo, tenhamos perdido completamente a legitimidade democrática, os direitos trabalhistas, os investimentos em educação e saúde e a dignidade enquanto cidadãos.
É uma tragédia imensurável que exige uma análise sincera e aprofundada a respeito de quem deve realmente ser responsabilizado por tamanha ruína em conquistas sociais tão duramente conquistadas.
Do ponto de vista pragmático, Michel Temer não está errado em fazer o que faz. Na luta de classe, a sua posição é clara. Foi posto lá exatamente para isso.
É inútil esperar decência dos servos do capitalismo. No processo de acumulação de riqueza as coisas são como são. E não são belas.
Errados mesmo estão todos aqueles que ainda não perceberam a qual lado pertencem nessa guerra ou, sobretudo, o que se exige dessa contenda.
Na subserviência canina a leis injustas e sob a manipulação descarada dos grandes meios de comunicação, firmou-se uma massa de manobra gigantesca totalmente incapaz de questionar o seu verdadeiro papel na sociedade e completamente alheia ao seu enorme poder de mobilização e transformação.
De um lado ao outro, não há como negar que permanecemos à deriva de nossas próprias vontades.
Entre a falácia do combate à corrupção e a utopia de que a justiça social pode se dar sem uma profunda ruptura nas relações de poder estabelecidas, seguimos bovinamente para o destino de pobreza e humilhação que escolheram para todos nós.
Rasgaram à faca da traição a soberania desse país. Das entranhas expostas que restaram a nossa majestade, é triste perceber o quanto também é horrível a matéria de que essa nação é feita.
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Posted: 03 Aug 2017 12:29 PM PDT
michel temer ensina pt como se faz política brasil corrupção
Carlos Melo*, seu blog
No dia em que vieram a público as gravações de Joesley Batista, revelou-se que a política brasileira chegara ao limite de um poço, cujo fundo é de areia movediça. Ansiosos se apressaram em crer que o governo Temer ruiria como um Castelo de Cartas, House of Cards do Brasil. Escrevi que, no entanto, era ”cedo para dizer se a pinguela caíra ou não” (leia aqui); o sistema, afinal se protege, possui resiliência; há meios para prolongar sua agonia, pois não lhe falta lenha para alimentar a fornalha do fisiologismo.
Em virtude da força do Diário Oficial, o Executivo exerce descomunal ascendência sobre o Legislativo; o poder dispensa justificativas. Nem requer raciocínios complexos e sofisticados em sua defesa. Joga-se o jogo e ponto. Dilma Rousseff é que não soube se movimentar em campo, e, em razão da soma de erros que colecionou e da soberba que nunca conseguiu disfarçar, deu no que deu.
Nesse aspecto, Michel Temer ensina ao PT como se faz — pelo menos, nos parâmetros de determinados padrões éticos, os quais, esta análise, exime-se de comentar. Enfim, dependendo do critério, ponto para Temer. Mas, o resultado não foi de admirar e nem significa que o jogo tenha chegado ao fim.
Bem, na noite desta quarta-feira, o país tornou a assistir ao triste desfile de aberrações políticas. A fauna e a flora são exóticas até mesmo para o Brasil, comparado consigo mesmo num tempo não muito distante. A Câmara, que já teve Ulysses, Tancredo, Thales Ramalho, Carlos Lacerda, Jorge Amado, Marighela, Mário Covas, Florestan Fernandes é, agora no mais das vezes, o reino do baixo clero: deputados folclóricos e provincianos, mal articulando um voto ou uma desculpa.
Sem o glamour patético do impeachment — daqueles de quem chuta cachorro morto —, na maioria dos casos, parlamentares constrangidos diante das câmeras agarravam-se aos microfones do Plenário para desfilar argumentos frouxos, desconectados da sociedade — a política parlamentar resultou num fim em si mesmo. A favor ou contra Michel Temer, não importa, a vergonha alheia, transmitida ao vivo, foi mais uma vez a estrela da sessão.
Rei da moralidade, o PT, sem a imprescindível autocrítica, omitia o passado; rainha da virtude, a base governista tentava esconder o presente sob o tapete. Metamorfoses ambulantes, muitos dos mesmos parlamentares que votaram contra ou a favor de Dilma Rousseff se posicionavam a respeito de Michel Temer com sinais trocados. Poucos mantiveram coerência com os discursos de um ano atrás.
Igualmente desconcertante foi a forçada louvação da economia com que governistas buscavam justificar seus votos, como quem pede perdão. Estivesse a economia a minimamente resolvida, poder-se-ia — vá lá — admitir ser a verdade e ”seu dom de iludir”. Mas, no caso, nem verdade é. Pelo menos, não a verdade com a qual o país já possa se gabar.
Outra ironia que brotava era a que soava a cada vez em que os tucanos diziam ”não” ao parecer de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e seus colegas peemedebistas (e congêneres), com escárnio, assinalavam a defesa de Michel Temer, dizendo votar ”a favor do relatório do PSDB”. Os partidos ruíram junto com a lógica: a dor e a delícia de ser e não ser, ao mesmo tempo, o que se é.
Mas, assim como, no Joesley Day, era cedo para dizer se a pinguela caíra ou não, também agora é precipitado afirmar que a agonia de Michel Temer chegará ao fim. Primeiro, porque sua vitória não foi avassaladora, está abaixo do quórum constitucional de reformas; ficou aquém das expectativas despertadas pelo próprio governo; no mais, não condiz com o esforço de reuniões e a magnitude de liberações de cargos e recursos, flores do recesso.
O governo se protegeu, está no jogo; e segue o jogo. Só isso — por enquanto. Muito dependerá da repercussão da votação, da disputa de ”narrativas” nos próximos dias. Como se sabe, estão prometidos mais dois pedidos de autorização para investigar o presidente: um, por formação de quadrilha; outro, por lavagem de dinheiro. A oposição ao governo, não está exatamente no Congresso, mas no Ministério Público e na sociedade. Tudo dependerá de fatos novos, das flechas e bambus que Rodrigo Janot ainda pode ter guardado.
*Carlos Melo é cientista político e professor do Insper.
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