18/2 - O Cafezinho DE HOJE

O Cafezinho


Posted: 18 Feb 2019 05:09 AM PST
– Um jornalista norte-americano, Tom Rogan, em artigo intitulado “O poder militar estadunidense se concentra silenciosamente perto da Venezuela”, traz a informação que dois porta-aviões foram posicionados estrategicamente de modo que possam ser deslocados com facilidade para águas caribenhas. São os porta-aviões Theodore Roosevelt e o USS Boxer, levando a bordo a 11ª Unidade Expedicionária da Marinha dos EUA.
– De forma absolutamente arbitrária, o Departamento de Estado dos Estados Unidos impôs restrições ao embaixador venezuelano na ONU e na OEA, Samuel Moncada. Foram retiradas suas credenciais diplomáticas frente aos dois órgãos. As restrições impostas ao diplomata incluem proibição de mobilidade para mais de 25 milhas além de Nova Iorque, o que o impede de ir fisicamente à sede da OEA em Washington. Em um discurso proferido na última sexta (15), no Conselho Permanente da OEA, Moncada acusou a administração Trump de tentar converter a Venezuela em uma colônia como Porto Rico e de ter roubado 30 milhões de dólares do país. Em declaração, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza disse: “le tienen miedo al verbo y a la verdade de Venezuela”. O chanceler disse ainda que os representantes do governo da Venezuela continuarão atuando nos dois órgãos.
– Há dois anos a Venezuela pediu sua retirada formal da OEA, mais o país ainda tem até o dia 27 de abril quando termina oficialmente a participação. Até lá, o governo de Maduro tem o direito de participar da entidade representando a Venezuela.
– No sábado (16), dois aviões da Força Aérea dos EUA partiram para Cúcuta na Colômbia para “entregar” um segundo lote da “ajuda humanitária”. A cidade é fronteiriça com a Venezuela e está concentrando militares norte-americanos e colombianos que pretendem entrar na Venezuela com o pretexto de “entregar ajuda humanitária”. Junto com os aviões, também chegaram a Cucuta o Senador dos EUA Marco Rubio (conhecido por suas conspirações contra Cuba e Venezuela), o deputado Mario Díaz-Balart e o embaixador dos EUA na OEA, Carlos Trujillo.
– O auto-intitulado e auto-proclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, trabalha com a data do dia 23 de fevereiro para a efetivação da invasão militar na Venezuela. Em um ato no último sábado (16), em que as pessoas vestiam branco e tinham capacetes brancos com cruzes azuis, Guaidó anunciou que já há 600 mil voluntários mobilizados para a “grande ação” do dia 23 de fevereiro.
– Eurodeputados de partidos da extrema direita, como o espanhol Esteban Gonzáles Pons (PPE), foram impedidos de ingressar na Venezuela neste final de semana. Eles iriam se encontrar com o autoproclamado presidente Juan Guaidó, mas já haviam sido advertidos pelo chanceler Jorge Arreaza que não seria permitida a entrada de uma delegação “que pretendia visitar o país com finalidades conspiratórias”.
– O Haiti ferve em uma forte crise política e bastante violenta. Fazem dezesseis meses que terminou a missão de paz da ONU no país, que o Brasil liderou, inclusive. Não param os protestos exigindo a renúncia de Jovenel Moise. Há mortos e feridos, mas nos jornais não se encontram as cifras. Semana passada a embaixada do Brasil no país emitiu nota aconselhando brasileiros a não viajarem para o país. Ao que estão no país foi orientado estocar alimentos, remédios e água ou “sair do país”. Os protestos começaram principalmente por desvios do fundo PetroCaribe (petróleo venezuelano subsidiado). US$ 2 bilhões podem ter sido desviados.
– Terminou ontem (17) a Conferência de Segurança de Munique. Em um discurso muito aplaudido, durante o evento, Merkel disse: “vemos que a arquitetura que define o mundo como o conhecemos é um quebra-cabeças que se desmontou em pequenos pedaços”. Ela defendeu o multilateralismo e parceria com a Rússia, especialmente no caso do gasoduto NordStream 2, que tem sido muito atacado por Trump. O discurso de Merkel foi sucedido pelo do vice-presidente dos EUA, Mike Pence. Na direção exatamente oposta à de Merkel, Pence em seu discurso citou Rússia, Irã e Venezuela para fazer ameaças e cobranças aos “nossos aliados da OTAN” para endurecer as relações com esses países.
– É cada vez mais provável a hipótese de um Brexit sem acordo no próximo dia 29 de março. Descrevendo um cenário do Brexit duro, o jornalista Walter Oppenheimer diz: “de um dia para outro a economia britânica deixara de fazer parte do mercado único e a união aduaneira europeia será regida pelas normas da OMC. Com isso, as exportações deverão pagar tarifas e submeter-se a controles de fronteira; produtos frescos enfrentarão controles sanitários para entra na UE; montadoras de veículos podem paralisar em questão de dias por falta de componentes; cidadãos do continente perderão direito de circular e trabalhar livremente pelo RU e vice-versa; empresas financeiras britânicas perderão o passaporte que agora lhes permite atuar em todos os países da UE e etc”. Além disso, será estabelecida a tão temida fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda. Theresa May continua sua peregrinação pela Europa para tentar cavar um acordo.
– Coletes amarelos realizaram no sábado (16) seu 14º. ato. Dados do Ministério do Interior da França informaram a presença de cerca de 41 mil pessoas nas ruas, sendo 5 mil em Paris.
– Para justificar seu apelo ao recurso de “decretar emergência” para construir um muro na fronteira com o México, Trump usou vários casos de presidentes americanos que utilizaram o mesmo método de declarar emergências nacionais. A Lei de Emergências Nacionais dos EUA foi aprovada em 1976. No entanto, em nenhum dos exemplos citados por Trump, o presidente americano usou o expediente da “emergência” para contornar uma clara decisão do Congresso americano, como no caso atual.
– Netanyahu renunciou a um de seus principais cargos, de Ministro das Relações Exteriores de Israel, no dia de ontem (17). O ministro da inteligência, Israel Katz, também do partido Likud, foi indicado como substituto. Ele estava no cargo desde 2015. Agora, além de premier, Netanyahu se mantém como ministro da Saúde e Defesa (desde novembro, quando renunciou Liberman). Israel vai passar por eleições parlamentares em 9 de abril, adiantadas pois seriam em novembro. O premier luta contra o tempo e contra seu desgaste após inúmeras acusações de corrupção. Ao todo ele dirige o país por 13 anos, de 1996 a 1999 e, atualmente, desde 2009.
– A saída de Netanyahu da chancelaria ocorre nos mesmos dias em que o primeiro ministro da Polonia, Mateusz Morawiecki, cancelou uma viagem programada a Israel, após declarações do premier israelense que sugeriam cumplicidade polaca no Holocausto, durante o regime nazista. Em solo polaco, Netanyahu participava da Conferencia puxada pelos EUA sobre o “oriente médio”, leia-se Irã, quando disse a frase: “digo-vos que os polacos colaboraram com os nazis e não conheço ninguém que tenha sido perseguido por uma tal declaração”. Durante a 2ª guerra, a Polônia foi dividida entre alemães e soviéticos e mais de cinco milhões de poloneses morreram, sendo três milhões de judeus.
– Está convocada para o próximo 26 de março uma grande mobilização camponesa no Paraguai. São reclamados subsídios às dívidas dos pequenos agricultores, acesso à terra, regularização dos assentamentos, reativação produtiva e respeito ao meio ambiente, segundo a Coordenadora Nacional Intersetorial. O governo de Abdo Benítez é acusado de cumplicidade com os violentos ataques sofridos pelas comunidades camponesas e indígenas por parte de agentes do agronegócio nos últimos meses de 2018. No Paraguai, ainda há muita disputada das terras “malhabidas” tomadas da população pela ditadura Stroessner.
– A economia boliviana continua nas manchetes dos principais jornais econômicos do mundo. Alguns dados principais: pobreza extrema foi reduzida de 38,2% em 2005, para 15,2% em 2018, o PIB per-capta aumentou de 1037 dólares para 3390 dólares. Há destaque também para o baixo endividamento do país. Em 2018 a Bolívia cresceu 4,7%.
– Com a chamada: “Autodeterminação não é delito”, cerca de 500 mil foram às ruas no último final de semana na Espanha em defesa da independência da Catalunha.
– O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, está fazendo uma série de mudanças na grade de cursos dos alunos do Instituto Rio Branco, futuros diplomatas do Brasil. Entre elas, está a retirada da matéria de história dos países da América Latina. Segundo o professor de Relações Internacionais, Dawisson Belém Lopes (UFMG), ouvido pela FSP, “o Itamaraty já vinha defasado em relação ao projeto pedagógico. Já havia um déficit substantivo e metodológico. A tendência é que a defasagem se aprofunde”.
– Araújo também foi às redes com um texto para defender o pai. Uma matéria sobre o fato do seu pai, enquanto procurador geral nos anos 70, ter negado a extradição de um nazista que estava no Brasil, circulou pelo mundo. Em resposta, o chanceler fez um texto-tributo ao pai e disse que o mesmo se prontificou a “pegar em armas contra Brizola” e que tentou barrar Lula ainda na época das greves do ABC paulista.
– O Chile trabalha com as chancelarias dos países da América do Sul para a criação de um bloco de integração que substitua a Unasul.
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Posted: 17 Feb 2019 02:31 PM PST
Cresce um novo olhar sobre a política de sanções dos Estados Unidos que significa uma forma mais de ataque que defesa contra nações adversárias. A maioria das sanções são apresentadas por razões políticas ou militares. Muitas vezes usando a questão dos direitos humanos.
Neste modelo, países diferentes como Coreia do Norte, Rússia, Venezuela ou Irã sofreriam sanções por estar em desacordo com políticas estadunidenses na seara da paz, perigo nuclear ou ameaça a aliados dos americanos do norte.
Mas diante da globalização crescente, tantas vezes colocada como note de uma economia de livre mercado, os EUA passaram a perder a disputa comercial para a China de Xi Jinping e também para processo acelerado de recuperação da Rússia com os anos de Vladimir Putin. Desta forma, a potência lançou olhos para uma arma aparentemente política, que na prática tem uso na defesa de sua indústria e tecnologia.
Em verdade Estados Unidos aplicam sanções unilaterais para retirar empresas de seus concorrentes diretos como Rússia e China de mercados próximos como da Europa. Se a política predatória é contra os asiáticos, prejudica concomitantemente os europeus ao priva-los de uma oferta mais ampla de produtos que poderia se refletir nos níveis de preços internos trazendo possibilidade de investimentos destas outras duas potências.
É um instrumento de concorrência desleal, forte e desonesta, já que os estadunidenses se vale dela para deslocar os mercados do seu fluxo normal de importação e exportação. Valendo-se do patamar de globalização e de um grau de subordinação da maioria dos países aos seus produtos bem como sua carteira de crédito, as sanções visam desestruturar a cadeia produtiva, rompendo com fornecimento de insumos ou produtos intermediários e encarecendo o custo financeiro com restrições de créditos.
O resultado deste controle é que os produtos da potência americanas são beneficiados por um cadeia de produção mais completa e um mercado continuo, ganha vantagens diante fornecedores que sofrem com retenções implantada pelo concorrente. Muitos produtos usam tecnologia intermediária estadunidense e incrementam suas vendas com instituições de financeira em seu controle. Perder estes dois pilares estrangula a produção enfraquecendo o concorrentes principalmente na Europa. Em suma, se o político e o bélico são as razões apresentadas, o objetivo principal é golpear o acesso ao adversário na seara econômica.
Ao longo dos anos ,pela quantidade crescente do uso pelos EUA, não seria razoável dizer que as sanções não causam nenhum dano. O prejuízo para o concorrente é demasiadamente largo e grave, em alguns casos assassinando democracias e governos eleitos. Este paradigma é possível pela razão que o sancionado tem um grau de integração e dependência com os EUA, maior que o da potência com sua economia.
Seguindo a cartilha estadunidense , seja por um acordo ou substituição do governo oponente, os acordos pós sanções sempre visam abrir mais mercados para suas empresas subindo o degrau de dependência do vencido.
Vinculados a estes fatos, o aspecto que cresce como forma de defesa é a “desdolarização” da economia . Este conceito caminha para redução da utilização do dólar entre nações que sofram com as sanções do detentor desta moeda, seja no comércio, serviço ou financiamento. Dentro de uma nova visão implantada propositalmente pelos EUA, qualquer operação com sua moeda é passível de bloqueio por ser um título da sua nação. Esta definição, tenta legitimar interferência do governo dos EUA em transação entre terceiros.
Este processo apesar de ser uma resposta à política de sanções dos EUA, não significa que o país renuncie totalmente ao dólar em pagamentos, disse ele. No entanto, vários países estão começando a considerar a possibilidade de renunciar ao dólar, uma vez que a política econômica dos EUA procura gerenciar com uma forte influência do protecionismo e das sanções.

Eliminar o dólar dos EUA das transações comerciais bilaterais e substituí-lo por suas próprias moedas nacionais não é a única opção. Seja para reserva ou troca, o uso do euro ou de uma cesta de moeda é plenamente possível e já se apresenta como uma realidade.

A gestão financeira é primordial para esta transição, nesse sentido os bancos centrais precisam realizar cálculos mútuos em moedas nacionais, para planejar médias diárias da de moeda moeda pelo fluxo de mercadorias e serviços. Isso significa dizer, que as estruturas bancárias de ambas as nações têm necessidade de se capacitar para implementar com sucesso e numa situação de deficit para algum lado, um crédito automático para não sobrevalorizar o câmbio no país superavitário.
Apesar do poder do dólar que fortifica as sanções estadunidenses, o rublo, o yan, a rupia, o rublo, e o rial, podem unidos e coordenadamente proceder uma grande independência de seus países perante os EUA. China com 12,24 trilhões (2017) de dólares em PIB, Índia com 2,6 trilhões, Rússia com 1,6 trilhão e o Irã com 500 bilhões podem ser um contraponto aos 20,66 trilhões dos EUA. Neste aspecto, se aproximação neste momento é forçada, no médio prazo pode acelerar a derrocada do dólar e sua substituição pelo yuan. Assim corroborando com a chegada dos chineses ao topo do PIB mundial num mundo globalizado, multipolar e portanto sem dono.
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