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Como foram as 9 horas de Lula fora da prisão para velório do neto

Ex-presidente conseguiu da Justiça Federal no Paraná autorização para ir ao velório e cerimônia de cremação do neto em São Bernardo do Campo, neste sábado (02); há um mês, Justiça inviabilizou pedido no caso do irmão Vavá.

2 MAR2019
22h36
atualizado às 22h55
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a prisão em Curitiba, no Paraná, na manhã deste sábado, por cerca de nove horas. Ele viajou a São Bernardo do Campo, em São Paulo, para o velório e a cerimônia de cremação de seu neto Arthur, de sete anos, que morreu no dia anterior vítima de meningite meningocócica.
Ex-presidente conseguiu da Justiça Federal no Paraná autorização para ir ao velório e cerimônia de cremação do neto em São Bernardo, neste sábado (02); há um mês, Justiça inviabilizou pedido no caso do irmão Vavá
Ex-presidente conseguiu da Justiça Federal no Paraná autorização para ir ao velório e cerimônia de cremação do neto em São Bernardo, neste sábado (02); há um mês, Justiça inviabilizou pedido no caso do irmão Vavá
Foto: EPA / BBC News Brasil
O pedido para que Lula pudesse participar do funeral foi feito por seus advogados com base no artigo 120 da Lei de Execução Penal, segundo o qual "os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão". O Ministério Público Federal (MPF) deu parecer favorável à saída temporária do ex-presidente e a viagem foi autorizada pela Justiça Federal, com escolta policial.
Ao todo, 275 policiais militares participaram da operação.
Lula está preso desde 7 de abril de 2018 em uma sala especial na Polícia Federal (PF) em Curitiba. Nesse período, Arthur foi visitá-lo duas vezes. O ex-presidente cumpre pena de 12 anos 1 mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, da Operação Lava Jato.
Segundo a Justiça, Lula recebeu propina da empreiteira OAS na forma de um apartamento no Guarujá, em troca de favores na Petrobras. A defesa do ex-presidente nega as acusações.
Essa foi a segunda vez que Lula deixou a prisão. Na primeira, em 14 de novembro do ano passado, ele saiu para prestar depoimento à juíza Gabriela Hardt, que substitui Sergio Moro nas ações da Operação Lava Jato que ainda correm na primeira instância.
Em janeiro deste ano, a defesa de Lula solicitou à Justiça que o ex-presidente deixasse à prisão para ir ao funeral de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em São Bernardo do Campo. Mas a juíza Carolina Lebbos - responsável por supervisionar o cumprimento da pena de Lula e autora da decisão que o liberou para o velório do neto - negou.
Na ocasião, a magistrada diz ter tomado a decisão com base em um parecer da Polícia Federal, segundo o qual não era possível, à época, garantir a segurança de Lula e das demais pessoas durante o trajeto até São Bernardo devido ao curto prazo.
Pouco antes do enterro de Vavá, no entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o ex-presidente a deixar a prisão. Mas Lula decidiu não ir - não havia mais tempo hábil.
Esta foi a segunda vez que Lula deixou a superintendência da Polícia Federal desde que chegou ao local, em 7 de abril de 2018. A primeira foi em novembro, quando saiu para prestar depoimento à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro na Vara de Curitiba
Esta foi a segunda vez que Lula deixou a superintendência da Polícia Federal desde que chegou ao local, em 7 de abril de 2018. A primeira foi em novembro, quando saiu para prestar depoimento à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro na Vara de Curitiba
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Confira abaixo a cronologia das quase 9 horas de Lula fora da prisão:

7h - Lula deixa a carceragem da PF em Curitiba de helicóptero
7h19 - Decola em um avião Cessna Grand Caravan de prefixo PP MMS, que pertence ao governo do Paraná, do aeroporto de Bacacheri.
8h31 - Pousa no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
10h25 - Embarca em helicóptero para São Bernardo do Campo.
11h - Chega ao velório em um carro da PF sob um forte esquema de segurança. O acesso ao funeral e à cerimônia de cremação foi restrito a familiares e amigos.
13h - Deixa o cemitério Jardim da Colina após a cerimônia de cremação.
13h20 - Volta para Congonhas em helicóptero da PM.
14h14 - Embarca de volta para Curitiba no mesmo avião que o levou a São Paulo.
15h30 - Pousa no aeroporto de Bacacheri.
15h45 - Retorna à carceragem da PF.
A ex-presidente Dilma compareceu ao velório e deixou o local sem falar com a imprensa
A ex-presidente Dilma compareceu ao velório e deixou o local sem falar com a imprensa
Foto: Reuters / BBC News Brasil

A morte e o velório de Arthur

Arthur Araújo Lula da Silva era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia.
O menino deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, às 7h20 da sexta-feira, com "quadro instável". Ele morreu às 12h11 "devido ao agravamento do quadro infeccioso", segundo a assessoria da Rede D'Or São Luiz, da qual o hospital faz parte.
A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por diversos agentes infecciosos (bactérias, vírus ou fungos). A meningocócica é uma meningite bacteriana e, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes da doença.
O corpo de Arthur foi cremado no cemitério Jardim da Colina, o mesmo a avó, Marisa Letícia, foi cremada em fevereiro de 2017.
A ex-presidente Dilma e o candidato à Presidência pelo PSOL em 2018, Guilherme Boulos, estão entre os que compareceram ao velório. Na entrada, centenas de militantes e apoiadores se concentraram e receberam Lula aos gritos.
Colaborou Felipe Souza, da BBC News Brasil em São Paulo

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