25/3 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 25 Mar 2019 06:32 AM PDT


Considerado o maior centro comercial da América Latina, a data de hoje marca o aniversário da conhecida Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo. Recentemente, o livro Mascates e Sacoleiros (Scortecci Editora, 158 páginas), de Lineu Francisco de Oliveira, publicado em 2010, afirma que o primeiro ofício de registro do local é de 1865, em substituição à Rua de Baixo. O novo nome foi escolhido em uma homenagem da Câmara Municipal e do Poder Executivo ao dia em que foi redigida a primeira Constituição brasileira de 1824, outorgada pelo imperador D. Pedro I.

Atualmente, a região, que passou por uma modernização, recebe um misto de consumidores, deste a sacoleira até a madame. Ali, encontram todo o tipo de produto: caro, barato, sofisticado, simples, nacional e importado, no varejo e atacado. Às vésperas de feriados importantes, o comércio da 25 de Março chega a receber 1 milhão de pessoas.

Enquanto muitos consumidores e comerciantes celebram as boas compras e vendas, por outro lado a 25 de Março sofre com alguns problemas desde seus primórdios. Um deles são as enchentes, um obstáculo registrado pela primeira vez em 1850 e que assola a região até os dias atuais. Também, desde os tempos mais antigos, a segurança do local não é das melhores e quem passa por ali sabe que tem que ficar de olhos bem atentos aos seus pertences. Atualmente, uma nova preocupação foi somada à área: os crimes contra a Fazenda Pública por causa do contrabando de mercadorias. Uma figura que simbolizou esta situação foi o chinês Law Kin Chong, multado em mais de R$ 2 milhões e preso em 2007.



HISTORY
Posted: 25 Mar 2019 06:32 AM PDT



O Globo

Manchete : Após crise, governo teme que reforma seja desidratada
Regra de transição, que garante economia de R$ 200 bilhões, é maior foco de preocupação

A crise entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aumentou o temor entre técnicos do governo de que a reforma da Previdência sofra muitas alterações no Congresso. A maior preocupação é com a regra de transição para quem já está no mercado de trabalho, que garante uma economia de R$ 200 bilhões. Como a proposta para os militares prevê uma transição mais suave, a regra para os civis deve ser alvo de críticas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em rede social que o Congresso no Brasil é forte e que “o presidente que não entende isso pode cair’.
Página 15

Decreto do governo cortará apenas 159 cargos
Medida que supostamente extinguida 21 mil cargos da União vai se restringir a eliminar adicionais que servidores recebem por funções exercidas além daquelas para as quais foram aprovados em concurso. Economia será de R$ 195 milhões por ano, valor considerado baixo por especialistas.
Página 4

Falabella
Em entrevista, ele fala sobre o desafio de reativar a esperança no Brasil
SEGUNDO CADERNO

Venezuela recebe militares e aviões russos (Página 19)

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O Estado de S. Paulo

Manchete : União dividirá com cidades e Estados R$ 17 bi do pré-sal
Equipe econômica decide socorrer entes federativos com verbas de fundo

Com a maioria dos Estados e municípios atravessando grave crise financeira, a União vai usar recursos do pré-sal para ajudar seus entes federativos. Conforme decisão da equipe econômica, parte de R$ 17 bilhões do Fundo Social abastecido com recursos do présal irá para cidades e Estados a partir de 2020. O fundo foi criado em 2010 para ser uma poupança do governo, que ajudaria a financiar o desenvolvimento do País quando o dinheiro do petróleo diminuísse. O valor do repasse é uma expectativa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para os recursos da exploração do óleo este ano, segundo o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior. Mas o fundo pode ter mais dinheiro, em função do leilão do petróleo da área da cessão onerosa e dos excedentes, cuja exploração deve criar receitas crescentes. O governo planeja leilão para 28 de outubro. As receitas do fundo pertencem 100% à União, mas a ideia é aumentar a parcela destinada aos demais entes até chegar a 70%.
ECONOMIA / PÁG. B1

Ajuda aos governos regionais
Mesmo sem a apresentação da PEC que tira as “amarras” do Orçamento, o Senado vai começar a articular ajuda para os Estados.
PÁG. B3

“O presidente precisa descer do palanque”, diz Pereira
Em forte recado ao governo, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (PRB-SP), diz que Jair Bolsonaro precisa “descer do palanque” e se colocar no papel de presidente da República. À frente do PRB com ascendência sobre a bancada, Pereira reclama da falta de atenção do Palácio do Planalto com os parlamentares, que não estão sendo recebidos nos ministérios. “O novo Brasil tem de começar de onde o Brasil estava dando certo, não do zero”, diz o dirigente partidário.
POLÍTICA / PÁG. A6

Líder ataca ‘velha política’
Após encontro com Bolsonaro, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, usa rede social para atacar a “velha política”.
PÁG. A6

Congressistas abrem mão de aposentadoria especial
Com a tarefa de aprovar mudanças na Previdência, a maioria dos deputados e quase a metade dos senadores escolheram abrir mão da aposentadoria especial que lhes permitiria receber até R$ 33,7 mil (salário parlamentar) a depender do tempo de contribuição, segundo mapeamento do Estado. Ao abrir mão do plano especial, o deputado ou senador fica sujeito às regras do INSS, ou ao regime dos servidores. Mas eles podem voltar a ter as benesses a qualquer momento.
POLÍTICA / PÁG. A4

Aviões russos desembarcam com militares na Venezuela
Ao menos dois aviões da Força Aérea Russa pousaram ontem no Aeroporto de Maiquetía, nos arredores de Caracas, com equipamentos e pessoal militar, em meio a ameaças do presidente Nicolás Maduro contra o líder opositor Juan Guaidó. Segundo diplomatas russos, a chegada do cargueiro e de um jato faz parte de acordos de cooperação militar assinados com a Venezuela. As autoridades locais não comentaram o assunto.
INTERNACIONAL / PÁG. A10

Risco de ruptura em barragem põe cidade sob vigília
Com risco de ruptura iminente do reservatório Sul Superior da Vale, que está em nível 3 de segurança desde sexta-feira, 6 mil moradores de Barão de Cocais estão sob ameaça de ter de abandonar suas casas.
METRÓPOLE / PÁG. A15

Droga vence antes de chegar a doentes (Metrópole / Pág. A16)

Cida Damasco
Está cada vez mais difícil ter uma luz dos rumos do governo do presidente Jair Bolsonaro.
ECONOMIA / PÁG. B4

Notas & Informações
A harmonia entre os Poderes

Para voltar ao trilho do desenvolvimento econômico e social, o País tem claras e imediatas necessidades. É preciso realizar reformas estruturantes, a começar pela reforma da Previdência. PÁG. A3

Persistência no erro petista

Nos governos do PT, adotou-se, com prejuízo para o País, a diplomacia Sul-Sul. PÁG. A3

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Folha de S. Paulo

Manchete : Disparam denúncias de tortura em prisões de SP
Osasco tem 66 registros até fevereiro; gestão Doria nega irregularidades

Denúncias de tortura em presídios paulistas dispararam em janeiro e fevereiro. Até o dia 12 de fevereiro, 73 foram registradas, sendo 66 referentes ao Centro de Detenção Provisória 2, em Osasco, na Grande SP.

Nos últimos dez anos, nenhum presídio teve tantas denúncias na ouvidoria da Secretaria de Administração Penitenciária. A recordista até então era a Penitenciária 1, de Potim, com 20 anotações em 2013.

O total de 73 já é superior à metade do volume de reclamações (142) feitas em 2018. O pico deste ano coincide com a véspera da remoção de líderes do PCC para presídios federais. No período da operação, todas as unidades do estado foram revistadas para tentar inibir eventuais rebeliões. Segundo familiares de presos, com muita violência.

Como no caso de Michael Jachson Araújo da Silva, 33, que não teria recebido assistência em Osasco após agressão e morreu. Para o secretário Nivaldo Restivo, ex-comandante da PM, as denúncias “não têm procedência”, (Cotidiano B1)

Programa Minha Casa Minha Vida chega aos 10 anos esvaziado (Mercado A22)

Olavo é chulo, diz ministro general ao rebater ofensa
O ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, reagiu a ofensas de Olavo de Carvalho, guru de Jair Bolsonaro (PSL). “Com linguajar chulo, palavrões, inconseqüente, o desequilíbrio fica evidente”, disse.

Tratado com deferência pelo presidente, Olavo afirmou, no último dia 16, que os militares do governo têm “mentalidade golpista” e são “cagões”. (Poder A10)

Após bate-boca, líder do governo na Câmara piora crise
Líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL GO) disse que Jair Bolsonaro (PSL) está “convicto” após bate-boca com Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, sobre a reforma da Previdência. Indicou que o presidente não negociará e criticou a “velha política”. (Mercado A20)
Leandro Colon
Presidente foge de culpa pelo eventual fracasso da reforma (Opinião A2)
Constituição, não Haiti, modernizou Exército brasileiro
Entrevista : Vinicius Carvalho

A longa missão no Haiti comanda pelo Brasil foi um marco na modernização do Exército, mas não sua causa, que está na Constituição de 1988, diz Vinicius Mariano de Carvalho, professorno King’s College, de Londres. (Entrevista da a. A18)

Sebastián Pinera - presidente do Chile 
Frases de Bolsonaro sobre ditadura são infelizes (Página A2)
Crise entre presidente e Maia leva investidor da Bolsa a pisar no freio (Página A19)

Investigação não vê conluio de Trump com a Rússia em eleição (Página A12)

Venezuela recebe aviões militares da Rússia com material e soldados (Página A14)

Editorial
Em suspenso

Sobre bloqueio de gastos e estado geral da economia.

Neurose ambiental

Acerca de conflitos acumulados por ministro da área. (Opinião A2)

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Mídia
Posted: 25 Mar 2019 02:25 AM PDT

REUTERS/KEVIN LAMARQUEImage captionSegundo relatório divulgado neste domingo, eleição de Trump não teve interferência do governo russo

A campanha do presidente americano Donald Trump não conspirou com a Rússia durante a eleição de 2016, segundo um resumo do relatório do procurador especial Robert Mueller, que foi apresentado ao Congresso americano neste domingo.


Há quase dois anos Mueller investigava a suposta interferência do governo russo na campanha que elegeu Trump.
'Temo que Bolsonaro acabe se colocando numa postura subalterna ao Trump', diz ex-embaixador nos EUA

O relatório não chegou a uma conclusão sobre se Trump tentou obstruir a Justiça durante a investigação, mas também não isentou o presidente da acusação.

"Embora este relatório não conclua que o presidente cometeu um crime, ele também não o isenta", Mueller escreveu em trecho divulgado neste domingo.

O documento foi resumido em uma carta do procurador-geral (o equivalente ao ministro da Justiça no Brasil) William Barr, enviada ao Congresso.

Depois das informações serem divulgadas, Trump tuítou: "Sem conluio, sem obstrução, completa e total absolvição."

Trump, que descreveu repetidamente a apuração de Mueller como uma caça às bruxas, disse neste domingo que "era uma pena que o país tivesse que passar por isso", descrevendo a investigação como uma "derrubada ilegal que fracassou".

Nos dois anos de trabalho de Mueller, alguns dos ex-assessores mais próximos do presidente foram processados e, em alguns casos, presos.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionMueller estava há dois anos investigando conexões entre a Rússia e pessoas do círculo íntimo de Trump

O que diz o resumo do relatório?


A carta-resumo de Barr descreve as conclusões da investigação sobre os esforços russos para influenciar as eleições presidenciais de 2016.

O procurador-geral concluiu: "O procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump conspirasse ou coordenasse intencionalmente com a Rússia".

A segunda parte da carta aborda a questão da obstrução da Justiça.

"Ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva", escreveram o procurador-geral e o vice-procurador geral, Rod Rosenstein.

Entre essas ações tomadas publicamente está a decisão de Trump, em 2017, de demitir o então diretor do FBI James Comey. Na época, Comey investigava as supostas interferências da Rússia nas eleições do ano anterior, o que depois foi assumido por Mueller.

Barr diz que as provas não foram suficientes para "estabelecer que o presidente cometeu o crime de obstrução da Justiça".

"O procurador especial, portanto, não chegou a uma conclusão - de um lado ou de outro - sobre se a conduta examinada constituía obstrução", continua o documento.

Barr termina sua carta ao Congresso dizendo que vai divulgar mais passagens do relatório, mas que parte do material está sujeita a restrições.

"Solicitei a assistência do procurador especial para identificar todas as informações contidas no relatório o mais rápido possível."

Direito de imagemMANDEL NGAN/AFP/GETTY IMAGESImage captionDurante investigações de Mueller, ex-advogado de Trump foi preso

Como foi a investigação?


Durante as investigações sobre a suposta interferência russa, várias reuniões entre membros sêniors da equipe de Trump e funcionários russos vieram à tona por meio de depoimentos de envolvidos no caso ao Congresso.

Além disso, Mueller fez acusações contra pessoas do círculo íntimo de Trump.

O ex-conselheiro do republicano Roger Stone foi acusado de mentir ao Congresso sobre seus contatos com o Wikileaks, que divulgou e-mails de funcionários democratas, supostamente hackeados por russos.

O ex-advogado de Trump, Michael Cohen, disse que o presidente sabia de antemão sobre a divulgação dos e-mails. Cohen admitiu mentir ao Congresso, violações de financiamento de campanha e evasão fiscal e recebeu uma sentença de 36 meses de prisão.

O ex-presidente da campanha, Paul Manafort, mentiu ao FBI sobre seu trabalho na Ucrânia, de acordo com Mueller, com o qual ele decidiu cooperar. Manafort foi preso por fraude bancária.

Direito de imagemREUTERS/LEONHARD FOEGERImage captionVárias reuniões entre funcionários do governo russo e membros da campanha de Trump foram identificadas ao longo das investigações

Qual foi a reação?


O congressista Jerry Nadler, presidente democrata do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, enfatizou que o procurador-geral não descartou que Trump possa ter obstruído a Justiça.

"Barr diz que o presidente pode ter agido para obstruir a Justiça, mas que, para uma condenação por obstrução, 'o governo precisaria provar, além de qualquer dúvida razoável, que uma pessoa, agindo com intenção de corromper, engajou-se em conduta obstrutiva'."

O senador democrata Richard Blumenthal, membro do Comitê Judiciário do Senado, disse que apesar da falta de evidências para apoiar "uma conspiração criminosa" digna de punição, restam dúvidas sobre o envolvimento de Trump.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, descreveu as conclusões do relatório como "uma total e completa exoneração do presidente".

O advogado de Trump, Rudy Giuliani, disse que o relatório é "melhor do que eu esperava".

Já o senador republicano Mitt Romney saudou a "boa notícia", tuitando que agora é "hora de o país avançar".






BBC News Brasil
Posted: 25 Mar 2019 02:17 AM PDT

Kauan Peixoto, menino de 12 anos morre após ser baleado por PM no RIO.

Por Marcelo Lima Jr*

Além de inteligência no combate ao crime, a fim de garantir a sobrevivência das crianças do Estado, falta empatia e compreensão em relação aos parentes das vítimas.

Kauan saiu para comprar um lanche na noite do dia 16 de março e terminou morto em um hospital, atingido por três tiros. Testemunhas, que estavam em um bar próximo do local, dizem que o primeiro disparo atingiu o menino na barriga. Depois, Kauan teria sido vítima de uma monstruosidade. Um policial se aproximou, deu um tiro na perna dele, algemou, arrastou e jogou o garoto dentro da viatura policial, segurando Kauan pela bermuda, como se fosse um saco de batatas. Outros policiais cataram as cápsulas do chão. Há detalhes demais nessa versão, cruéis e suficientes para que seja considerada em uma investigação séria. A origem do terceiro tiro, no pescoço, é um mistério para a família.

A polícia militar afirma que Kauan foi a única vítima de um confronto com criminosos. Ele estaria atrás das forças de segurança, por isso não poderia ter sido atingido por nenhum policial. É a versão da instituição que frequentemente está entre os suspeitos quando negros, pobres e favelados são assassinados e em 2015 matou Eduardo de Jesus, com 10 anos de idade, enquanto brincava de carrinho na porta de casa, no Complexo do Alemão. O policial que deu o tiro de fuzil que matou Eduardo ainda apontou a arma para a cabeça da mãe do menino, desesperada e revoltada por ver o filho morto.

Entrevistado pela TV Globo sobre a morte de Kauan, o porta-voz da polícia militar, coronel Mauro Fliess, preferiu lamentar primeiro o assassinato do sargento da PM Carlos José da Silva, morto durante uma tentativa de assalto no dia 17 de março. Atitude que ilustra como são tratadas as vítimas da violência: há sempre algo mais importante a ser dito ou resolvido primeiro, a tentativa de se esquivar da responsabilidade, a negação da culpa. A dor de quem perde seus filhos é tratada como mera fatalidade.

Embora com cada policial morto, mesmo de folga, seja destruída uma parte da autoridade e da ordem do Rio de Janeiro, antes de mais nada cabe ao Estado e aos policiais servir e proteger, conforme seu juramento, principalmente às crianças. O que não cabe é ironia e deboche.

Jenifer e Kauan foram as primeiras crianças mortas em 2019 no Rio. É fácil prever que mais crianças e adolescentes morrerão. Em 2018, o número de vítimas fatais da violência armada, com até 17 anos de idade, chegou a 46 pessoas, segundo o laboratório de dados Fogo Cruzado. O ano atual tem como agravantes um governador que incentiva o confronto armado, um presidente que tem na cabeceira a obra de um torturador e um eleitorado louco por sangue. As crianças do Rio de Janeiro são a razão para lutarmos contra a barbárie.

* Escritor Gonçalense

Portal Vermelho
Posted: 25 Mar 2019 02:12 AM PDT


Viola a Constituição a prisão temporária usada com a finalidade de compelir o réu a agir de forma contrária aos seus próprios interesses legítimos, no exercício de sua defesa. O entendimento foi aplicado pela desembargadora Simone Schreiber para determinar a soltura de dois presos na operação que resultou na prisão do ex-presidente Michel Temer.

Neste sábado (23/3), durante o plantão, a desembargadora utilizou o argumento para soltar Rodrigo Neves, sócio-administrador da EPS, empresa de engenharia e serviços. Neste domingo (24/3), a desembargadora estendeu a liminar para libertar Carlos Jorge Zimmermann, procurador e administrador da consultoria AF Consult.

“A prisão não pode ser utilizada como uma ferramenta de constrangimento do investigado, para interferir no conteúdo de seu interrogatório policial”, escreveu a desembargadora.

Simone Schreiber explicou que o caso dos dois difere dos de Temer e demais presos. Isso porque Neves e Zimmermann foram presos temporariamente, e os demais preventivamente. No caso das prisões preventivas os HCs serão analisados pela 1ª Turma Especializada do TRF-2 na quarta-feira (27/3).


ConJur 
Posted: 24 Mar 2019 03:27 PM PDT



por Conceição Lemes

Nesse sábado à noite (23/03), formandos e formandas de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Musicoterapia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) colaram grau em Curitiba.

Os oradores da turma foram Clau Lopes e Aline Ramos.

Eles fizeram um discurso antológico. Corajoso. Brilhante. Contundente. Emocionante.

Seguramente, precisa ser visto (acima) e lido (na íntegra, logo abaixo) pelo ex-presidente Lula.

TEXTO DOS ORADORES

Boa noite excelentíssima mesa diretiva da Unespar – Campus II (Faculdade de Artes do Paraná). Boa noite caras professoras, professores, mestras, mestres, doutoras e doutores e funcionários da instituição.

Boa noite colegas formandas e formandos de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Musicoterapia.

Caros pais, mães, amigas, amigos e familiares

Pensamos muito em como utilizar esse tempo e chegamos até a escrever um discurso para o cerimonial fofo, bonito, falando de cada um dos colegas. Mas, não é o caso!

Cursar Artes é muito mais do que lidar com expressão ou partituras. É lidar consigo mesmo em um nível de profundidade tão grande, que apenas o lado terapêutico de se fazer arte consegue alcançar.

A arte toca diretamente as almas. Tanto de quem faz, quanto de quem aprecia.

Podemos dizer que na FAP a alma artística se transforma grandemente.

E quando falo de alma, digo isso sem nenhum cunho religioso, mas no sentido de que não há nada além de muita alma e muito esforço colocados em nosso trabalho.

Bernard Shaw uma vez disse que “os espelhos são usados para ver o rosto, a arte para ver a alma”, e agora, depois de terminar o curso que tanto sonhamos, percebemos o quanto a arte, durante esse tempo, transformou nossas vidas.

Porque nesses quatro anos cada uma e cada um vivenciou as diferentes dimensões da arte, sofreu, sorriu, passou raiva, aprendeu e ensinou.

Certamente não somos os mesmos. Saímos, com certeza, maiores do que chegamos.

É pessoal, o que antes parecia uma missão impossível hoje finalmente se concretiza diante dos nossos olhos e diante desses tantos outros olhares aqui presentes.

Pensamos em começar esse texto com uma palavra que resumisse e definisse essas pessoas.

Se há uma palavra que resuma e defina a trajetória que cumprimos aqui, esta palavra é CORAGEM!

Coragem por termos escolhido nos formar nas áreas das artes num momento tão delicado desse país, diante do atual cenário político brasileiro.

Estamos nos formando em uma universidade pública, e precisamos usar esse espaço para lutar, gritar e pedir socorro.

Lutar contra a realidade de sucateamento de Estado, de privatizações, terceirizações dos serviços públicos e o crescente retrocessos nas políticas públicas de Educação, Arte e Cultura.

Quero pedir agora que vocês, por gentileza, fechem os olhos. Lembram-se quando vocês passaram no vestibular? Como foi? Onde estavam? O que estavam fazendo? (…)

Lembram-se, agora, do primeiro dia de aula? Lembram-se de toda a expectativa e todos os sonhos com relação à FAP? (….) “Talkey”, podem abrir os olhos.

Quero que vocês pensem em quantas expectativas foram quebradas. Formamo-nos, não é mesmo?

Formamo-nos sem algumas mestras e mestres que tiveram que abandonar seu cargo de professora e professor Temporário PSS, que foram fundamentais para a nossa formação e que ainda tinham tanto para nos ensinar.

Formamo-nos com muitos professoras e professores sobrecarregados, que mesmo desta forma precária e sucateada, faziam de tudo para estarem disponíveis.

Despertamos para a sensibilidade artística do corpo, para uma consciência de classe que nos tocou profundamente em meio a greves, paralisações e ocupações, movimentos justos que nos formaram para a cidadania.

Em suma, nossa alma é um misto de amor pela dedicação com que nossas professoras e professores nos guiaram até aqui, de decepção pela forma com que governos tratam a educação e de resistência de se estar e se fazer a luta pela garantia de nossos direitos.

Carregaremos os nomes de vocês professoras e professores em nossos corações.

Vocês tornaram-nos mais humanos, trouxeram à tona nosso melhor, coisas que nós mesmo desconhecíamos. Constituíram-nos artistas, professoras e professores.

Há quatro anos quando iniciamos o curso, tínhamos um governo democrático, popular e progressista no poder, com valorização da educação, da arte e da cultura. Com o estado máximo de atenção às demandas do povo brasileiro e, nós artistas, nos lembramos bem de como era o cenário nessa época…

As artes seriam o “pulo do gato” – afinal, Titãs tinha razão: “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte…”.

A arte é fundamental… Mas no decorrer do curso, vimos o Brasil passar por um golpe de Estado, orquestrado por parte do judiciário, parlamento e mídia, que colocou no poder um projeto de Estado não eleito nas urnas e com visão totalmente oposta à soberania nacional e voltada única e exclusivamente ao capital estrangeiro.

A partir daí tivemos a primeira lição sobre nossa profissão: lidamos com incertezas e as condições de trabalho nessa área estão sujeitas a contextos políticos que mudam sempre.

Por isso, parabenizamos aqui, a coragem daquelas que escolheram se tornar artistas, professoras e professores de Arte mesmo diante de tantos desafios e dentro de um cenário político que torna nosso trabalho ainda mais desafiador e – justamente por isso, ainda mais necessário.

Temos aqui, hoje sentadas e sentados, não mais jovens acadêmicas e acadêmicos, mas sim profissionais da Arte. Artistas a escrever História.

Coragem também define aquelas e aqueles que tiveram que superar várias barreiras para estar aqui, que se formaram conciliando trabalho e estudo, superando as dificuldades impostas por um sistema capitalista que arranca nossa solidariedade e impõe a competição.

Às minhas companheiras e aos meus companheiros de sala de aula e agora colegas de profissão: nunca deixem de acreditar em seu próprio potencial. Desejo a vocês toda a sorte do mundo.

Agradeço à Universidade Estadual do Paraná e desejo resistência na manutenção do ensino superior gratuito e de qualidade.

Principalmente agora que somos professoras, professores, artistas e “artivistas”, que criaremos conexões entre os ambientes escolares e os espaços culturais e que temos o importante papel de construirmos uma sociedade justa, plural e emancipadora.

É preciso lembrar que antes de sermos professoras, professores, artistas, somos humanos. É preciso olhar para lado, olhar para as pessoas oprimidas e marginalizadas e entender que nós somos sim privilegiadas e privilegiados por termos um teto, comida e, agora um diploma; Por termos estudado em uma universidade pública.

O nosso esforço individual contou, mas só isso não seria capaz de explicar a trajetória de muitos de nós.

Foi necessário um conjunto de políticas públicas – que estão sob ameaça neste momento – para que chegássemos aqui.

Qualquer discurso baseado na meritocracia, como querem nos vender os donos do capital, tira do Estado a responsabilidade de gestar políticas públicas que tornem a sociedade menos desigual.

A meritocracia individualiza e joga nos ombros das pessoas o peso da omissão e da falta de políticas públicas e que historicamente geraram os altos graus de desigualdades da sociedade brasileira.

É muito difícil que uma garota ou garoto que vive em condições precárias e que vive em lugares de riscos concorra em condições de equidade com as filhas e filhos das classes mais altas.

Daí a necessidade das políticas públicas, das ações afirmativas, das cotas, de mais escolas e universidades públicas…Então, minhas queridas e meus queridos colegas privilegiados façam a diferença neste mundo, ou melhor, sejam a diferença neste mundo.

Sejam a diferença na sociedade machista, em que a mulher é constantemente reduzida a papel secundário norteada pela opinião masculina, onde o estereótipo de macheza, violência e valentia são motivos de orgulho e ferida para ambos os lados.

Sejam, minhas amigas e amigos, a diferença em uma sociedade patriarcal onde as tarefas domésticas e as relações profissionais e sociais ainda são divididas por gêneros.

Nunca pensei que em pleno 2019 iríamos ter que voltar a discutir que cor não tem gênero, que meninos e meninas vestem o que quiser…

Que “ NOVA ERA” é essa?

Sejam a diferença em uma sociedade racista onde a cor da pele determina seu lugar nessa sociedade, onde o genocídio negro grita, onde mulheres e jovens negras e negros pedem socorro todos os dias, onde amar sua estética e sua ancestralidade é sinal de resistência.

Sejam, a diferença em uma sociedade LGBTIFÓBICA, onde um amor entre iguais incomoda mais que a violência, as mortes e a corrupção, onde a LGBTIFOBIA está institucionalizada e querem cada vez mais acabar com os direitos que foram conquistados em anos e anos de luta.

Sejam a diferença no país que mais mata travestis e transexuais no mundo, neste país onde as marginalizam e expulsam das escolas e das famílias, jogando-as nas ruas.
Sejam a diferença no país onde agentes do Estado que deveriam garantir a segurança confundem guarda-chuvas com fuzis, onde confundem furadeira e ferramenta de trabalho com armas, onde jovens negras e negros são mortos.

Principalmente sejam a diferença no país onde frases como “o erro da ditadura foi torturar e não matar” ou frases como “eu jamais vou estuprar você, porque você não merece”, ou até “prefiro ter um filho morto do que apareça com um bigodudo por aí”, onde pessoas que dizem essas frases, são aplaudidas e vistas por poucos como mito.

Sejam a diferença neste país. Enfim, sejam a diferença, no país que não abraça a diferença!

Que esses 4 anos tenham nos tornado mais sensíveis a isso tudo! Por isso, fica aqui o grito de milhares e milhares de excluídas e excluídos. Não sejamos indiferentes, porque arte é também resistência.

Então este é também um convite à resistência “pois o sinal pode estar fechado para nós, nós sabemos que há perigo na esquina” mas nós resistiremos, como mulheres, negras e negros e por toda comunidade LGBTI.

Resistiremos por Amarildos, Marieles, Andersons e Dandaras. Resistiremos por Anas, Marias, Marinas.

Resistiremos mesmo que queiram nos calar e nos matar e quanto mais assim o fizerem, mais resistiremos.

E, para deixar claro, uma frase que não podia faltar da cantora Pitty, “as mulheres não voltam pra cozinha e os negros não voltam para as senzalas e o gays não voltam pro armário, o choro e livre e nós também”.

Vai ter médica e médico negro atendendo no hospital particular sim!

Vai ter mulher negra sendo juíza, empresária comandando multinacional, liderando pesquisas científicas!

Vai ter mulher dirigindo caminhão, vai ter negro de terno e gravata sim!

Vai ter “viado” na rua sim, vai ter travesti fazendo mestrado e doutorado, vai ter transexual sendo professora e vai ter beijo gay sim.

Vai ter mulher, negra, negro, LGBTI onde elas e eles queiram estar porque ninguém, ninguém vai calar os corações.

Ninguém vai conseguir oprimir o amor, ninguém vai calar a nossa luta que sempre foi e sempre será legitima. Nós somos feitos de amor, de luta e de resistência e resistir, minhas queridas e queridos… Não é nada novo pra nós.

E vai ter professora e professor de arte fazendo escolas que são asas, pois como dizia Rubem Alves “escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar.”

Por fim e não seria menos importante:

Ele não. Ele nunca, ele jamais!!!

Ninguém solta a mão de ninguém.

Obrigada/Obrigado.




Viomundo

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