25/3 - Lava Jato destruiu 35% dos empregos na construção civil

O Cafezinho


Posted: 25 Mar 2019 12:39 PM PDT
O governo Bolsonaro tenta mostrar apenas o lado bom. “O ruim a gente esconde”, como ensinou uma velha raposa política.
Mas a verdade é que os bons números oficiais de geração de emprego, divulgados hoje, mostram um lado muito pequeno da história.
Segundo o governo, foram criados 173 mil empregos com carteira assinada em fevereiro deste ano. Isso representa o saldo entre o número de postos criados menos os que foram “desligados”.
Se olharmos para o histórico do estoque de emprego celetista (isto é, empregos com carteira assinada, ou CLT), ainda estamos muito longe de qualquer comemoração.
De março de 2014, quando tem início a operação Lava Jato e todo o processo de crise política e destruição econômica que irá lhe caracterizar, até fevereiro de 2019, foram destruídos exatamente 2,64 milhões de postos de trabalho. Em março de 2014, o país tinha 41,26 milhões de trabalhadores com carteira assinada; em fevereiro último, apenas 38,6 milhões.
Apenas no setor de indústria de transformação, o período de março de 2014 a fevereiro de 2019 assistiu à destruição de 1,17 milhão de empregos.
No setor de construção civil, o mesmo período testemunhou a destruição de mais de 1 milhão de postos de trabalho, uma queda de 35% no estoque de empregos.



No site da secretaria do Trabalho do Ministério da Economia
Caged: emprego formal gera 173.139 postos de trabalho em fevereiro
Saldo é o sexto melhor da série histórica, desde 1992. Estoque de emprego alcançou 38,6 milhões de postos de trabalho
Publicado: Segunda, 25 de Março de 2019, 14h03
Última atualização em Segunda, 25 de Março de 2019, 14h03

O Brasil registrou a abertura de 173.139 novos postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta segunda-feira (25) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. O saldo desse mês é o sexto melhor da série histórica do cadastro desde 1992.
Além disso, é o terceiro ano consecutivo de saldos positivos e crescentes após os anos de recessão, o que reflete a recuperação do contingente de empregos celetistas desde 2017. Em fevereiro, o estoque de empregos alcançou 38,6 milhões de postos de trabalho formais, um aumento de 0,45% em relação ao mês anterior e de 1,51% em relação ao mesmo período do ano passado.
O saldo do mês é mais que o dobro do registrado em fevereiro de 2018, quando foram gerados 61.188 postos. Em janeiro, o saldo foi de 34.313 empregos. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o saldo de 2019 chega a 207,4 mil, superior em 68,4 mil ao do mesmo período de 2018 (139 mil) e em 130,9 mil ao de 2017 (76,4 mil). Esse resultado representa um crescimento de 49,2% na abertura de postos de trabalho, em relação ao acumulado do mesmo período de 2018, e de 171,2%, em relação ao de 2017.
O resultado de fevereiro de 2019 está relacionado em boa parte à maior geração de empregos nos setores da Indústria de Transformação e Construção Civil, nos quais a retomada do crescimento se mostrava mais lenta que nos setores de Serviços e Comércio.
Emprego setorial — No mês, o saldo de emprego foi positivo em sete dos oito setores econômicos, com destaque para os setores de Serviços, que abriu 112.412 postos de trabalho e teve saldo positivo em todos os seis subsetores, com crescimento de 0,65%. A Indústria de Transformação também foi destaque, com 33.472 novos postos formais, saldo positivo em 11 dos 12 subsetores e expansão de 0,46%.
Outros setores de destaque foram a Administração Pública, que registrou uma expansão de 1,34%, com geração de 11.395 postos no mês, e a Construção Civil, que criou 11.097 postos, uma expansão de 0,56%. Além deles, o setor do Comércio registrou o primeiro saldo positivo para o mês de fevereiro desde 2015 (5.990 empregos) e teve expansão de 0,07%. O saldo foi negativo apenas na Agropecuária, com redução de 3.077 postos de trabalho, em razão do período de entressafra.
Em relação ao mesmo mês do ano passado, todos os setores apresentaram saldos ainda mais positivos em fevereiro de 2019, com destaque para a Construção Civil, com aumento de 407,7% (11,0 mil contra -3,6 mil), Indústria de Transformação, com aumento de 92,8% (33,4 mil contra 17,3 mil), e os Serviços, com elevação de 70,5% (112,4 mil contra 65,9 mil).
Emprego regional — Em âmbito regional, a melhora no emprego foi verificada em todas as regiões, à exceção do Nordeste. No Sudeste, a expansão foi de 0,51%, com geração de 101.649 vagas formais. Na sequência aparecem as regiões Sul (66.021), Centro-Oeste (14.316) e Norte (3.594). No Nordeste, o saldo foi negativo em 12.441 postos.
Entre os Estados, os maiores saldos ocorreram em São Paulo (62.339), Minas Gerais (26.016), Santa Catarina (25.104), Rio Grande do Sul (22.463) e Paraná (18.254). O maior recuo ocorreu em Pernambuco, influenciado pela queda sazonal do emprego na produção da cana de açúcar (-12.396 postos).
Modernização — Os dados de fevereiro apontam um saldo de 4.346 postos de trabalho na modalidade Intermitente e 3.404 na modalidade Parcial. As maiores gerações de vagas de trabalho intermitente ocorreram nos setores de Serviços (2.311) e Comércio (973). Na Indústria de Transformação foram geradas 656 vagas no mês. No Parcial, também o setor de Serviços foi destaque, com geração de 2.658 postos, seguido do Comércio, que criou 424 vagas no mês.
Os desligamentos por acordo entre as partes propiciaram 19.030 desligamentos no mês de fevereiro. A maioria dos desligamentos (8.930) ocorreu no setor de Serviços, seguido do comércio (4.722) e da Indústria da Transformação (3.305). Entre os estados, houve mais demissões por acordo em São Paulo (5.892), Paraná (2.273) e Rio Grande do Sul (1.739).
As ocupações de Vendedor de Comércio Varejista (977), Faxineiro (812) e Auxiliar de Escritório (681) foram as que tiveram mais acordos de desligamentos em fevereiro.
Os dados do Caged estão disponíveis em http://pdet.mte.gov.br/caged.
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Posted: 25 Mar 2019 09:46 AM PDT
Quem acompanha a política brasileira há algum tempo sabe que desde o fim da ditadura e o advento da nova república, temos experimentado uma longa e dolorosa crise, apenas pontuada por felizes, mas brevíssimos, momentos de calmaria.
E agora chegamos ao final do terceiro mês do governo Bolsonaro, e já podemos reconhecê-la, nossa velha e ranzinza amiga.
A Folha divulga que o governo se reúne nesta segunda-feira 25 de março, para discutir… a crise.
É sintomático.
O governo não vai discutir o desemprego, a desindustrialização, a queda abrupta na produção mineral, o risco de novos rompimentos de barragem, os novos conflitos no campo, o aumento da violência nas cidades, a deterioração do sistema prisional brasileiro.
Não, nada disso. O governo vai se reunir para discutir a “crise política”, cuja face atual (amanhã será outra coisa, naturalmente) é o desentendimento crescente entre o Executivo e o Legislativo. Até mesmo os deputados do partido do presidente, aqueles que se elegeram quase que exclusivamente na onda do 17, e que, supostamente, seriam absolutamente leais às determinações vindas do Planalto, estão agitados, insatisfeitos e dando declarações rebeldes.
As estimativas do “Termômetro da Previdência”, monitoramento diário feito pela consultoria Atlas Político, apontam que o governo tem hoje apenas 92 votos garantidos: precisa mais 216 votos para conseguir os 308 necessários para aprovação da PEC. A oposição à reforma, por sua vez, já tem 142 votos, e precisaria de mais 63 votos para derrotá-la.


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, perdeu a paciência com os desmiolados do Planalto, obcecados com pautas ideológicas com as quais, ele, Maia, assim como a maior parte dos liberais, nunca se identificou.
E agora não se sabe o que vai acontecer com a reforma da previdência, para desespero dos “operadores de mercado”, que olham para ela como se olhassem para uma pontuação num videogame.
O “mercado”, neste sentido, é o nosso equivalente do Estado Islâmico. Não está preocupado com possíveis vítimas de seus atos.
Seu objetivo é exclusivamente produzir um factoide midiático favorável a si mesmo, que gere picos especulativos e lucros instantâneos.
É claro que o dinheiro sai de algum lugar, e quando contemplamos o deserto da economia brasileira, com centenas de milhares de lojas fechadas nos últimos anos, dezenas de milhares de indústrias em concordata e mais de 60 milhões de nacionais com nome sujo na praça, a gente vê muito bem de onde saem os recursos que alimentam a ciranda financeira e os 100 mil pontos da bolsa de valores de São Paulo.
Ainda na imprensa de hoje, lemos que, em função das intrigas palacianas envolvendo a presença dos “olavetes” na pasta, os programas do ministério da Educação estão paralisados, atrapalhando a vida de milhares de escolas em todo país. É uma coisa irritante, porque o governo, além de não ter oferecido, até o momento, nenhuma proposta para melhorar a deficiente educação pública brasileira, ainda está atrapalhando o pouco que já temos.
Outra notícia de hoje é que o governo suspendeu, por dois anos, a avaliação nacional da alfabetização. A desculpa não poderia ser mais esfarrapada: o governo quer esperar a implementação de sua nova política de alfabetização, o que não me parece ter sentido nenhum, pois apenas será possível identificar futuros avanços no setor, e portanto, corrigir eventuais erros de rumo, se tivermos informações atualizadas e seguras sobre o grau de aprendizado das nossas crianças.
Uma das principais bandeiras do governo Bolsonaro era o foco no Ensino Básico, que, de fato, deixou muito a desejar nos últimos anos. No entanto, já eleito, o que o governo propõe? Até agora, a única notícia relevante na área foi a viralização de um vídeo, da titular da secretaria nacional de educação básica do ministério da educação, Ioleme Lima, anunciada como “número 2 do MEC” (já foi demitida), em que ela afirma que “a educação baseada em princípios é baseada na palavra em Deus”,  e “onde geografia, história, matemática” serão vistas sob “a ótica de Deus”.


Quando nos deparamos com esse tipo de coisa, é de se perguntar onde estão os tão falados “liberais”?
É um mundo estranho em que vivemos, em que a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, socialista, feminista e ambientalista, apressa-se para implementar leis de renda mínima, citando um dos fundadores do liberalismo moderno, John Stuart Mill, ao passo que o governo Bolsonaro, eleito por forças supostamente “liberais”, enche o governo de fundamentalistas, conservadores e antiliberais.
Lemos hoje que Bolsonaro tem estimulado os quarteis a celebrarem no 1º de abril, com o maior ruído possível, o aniversário do golpe de 64, enquanto os próprios militares, tentando não agravar o clima de polarização, até mesmo para não atrapalhar o governo, dão orientações para que haja manifestações discretas.
O presidente acaba de voltar do Chile, onde sua passagem provocou enorme desconforto no país, tanto pelas manifestações do próprio Bolsonaro, com sua propalada defesa da ditadura Pinochet, quanto de seu braço direito, Onyx Lorenzetti, que, numa entrevista a uma rádio gaúcha, falou no “banho de sangue” no Chile, feito pela ditadura chinela, como algo necessário à estabilização econômica daquele país.
O Chile é um caso interessante. Sua economia atrasada, desindustrializada, baseada na exportação de minérios, sobretudo cobre, cuja exploração é feita (ó ironia) em grande parte por uma estatal, a Codelco, criada por Salvador Allende, e mantida por Pinochet, tornou-se “modelo” para o pensamento neoliberal brasileiro. Sua previdência, implementada após o “banho de sangue” mencionado pelo ministro de Bolsonaro, e que hoje paga metade do salário mínimo do país a mais de 90% dos aposentados chilenos, é também considerada “modelo” para o que se deseja fazer no Brasil.
Aqui temos um ponto que merece atenção. A esquerda brasileira, ainda atordoada pela derrota eleitoral e pelas ações grotescas do governo, tornou-se em grande parte espectadora passiva das guerras culturais movidas pelo governo contra a imprensa tradicional, descrita esquizofrenicamente pelo governo como “esquerdista”.
E aí corremos o risco de cair no mesmo erro que nos levou até aqui. Parte importante da esquerda resume sua ação à defesa de “valores democráticos”, tentando desesperadamente obter apoio da própria mídia, e deixando de lado a crítica ao “modelo econômico” adotado pelo Brasil desde a redemocratização, baseado num processo acelerado de desindustrialização, concentração bancária e transferência de riqueza da produção para o sistema financeiro.
Muito se fala em “cortina de fumaça”, referindo-se aos constantes e fúteis escândalos oriundos do bolsonarismo, quase sempre envolvendo a agenda dos costumes, de que o infame tweet do presidente durante o carnaval, é um dos exemplos mais bizarros. Entretanto, a maior cortina de fumaça de todas é justamente essa divergência entre Bolsonaro e o “establishment” (cujo porta-voz principal é a mídia corporativa). Ora, a política econômica de Bolsonaro é rigorosamente a mesma política econômica do establishment, da Globo, da grande mídia. Em termos macro-econômicos mais gerais, Bolsonaro dá continuidade à mesma política adotada por FHC, Lula e Dilma. O contraponto a essa política também não é o “socialismo”, ou não precisa sê-lo, necessariamente, ou pelo menos não com esse nome, e sim um regime econômico próprio, criativo, organizado sob os parâmetros mais adequados ao nosso desenvolvimento. É esse regime novo que devemos defender, desde já.
Para isso, precisamos tomar cuidado para não repetirmos a mesma aliança nefasta que fomos, de certa maneira, obrigados a fazer nos últimos anos, entre os anseios democráticos e o receituário neoliberal, e que teve, como consequência, a criação de um sistema econômico profundamente dualista, em que uma parte da população tem direitos trabalhistas, salário, previdência social, e a outra parte vive na precariedade.
Não podemos derrotar Bolsonaro para eleger um João Dória em 2022. Precisamos de uma estratégia que nos faça mobilizar uma massa crítica contra Bolsonaro, sem nos levar para o colo de um neoliberalismo supostamente mais “democrático”, e que, no fundo, apenas perpetuará nossa miséria por mais algumas décadas.
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