28/3 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 28 Mar 2019 09:35 AM PDT
Posted: 27 Mar 2019 08:40 PM PDT
Por Art Jipson e Paul J. Becker, no blog Socialista Morena:

O recente massacre de 50 fiéis muçulmanos em duas mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, é a última confirmação de que a supremacia branca é um perigo às sociedades democráticas ao redor do planeta.

A despeito da insinuação do presidente Donald Trump de que o terrorismo nacionalista branco não é um problema grave, dados recentes das Nações Unidas, da Universidade de Chicago e de outras fontes mostram o contrário.

À medida que mais e mais pessoas abraçam uma perspectiva mundial xenófoba e anti-imigrantes, alimentam a hostilidade e a violência voltadas àquelas consideradas “forasteiras” –seja pela religião, cor da pele ou origem nacional.


A maior parte do mundo ocidental –da Suíça e Alemanha até os Estados Unidos, Escandinávia e Nova Zelândia– têm testemunhado uma forte tensão nacionalista que infecta a sociedade nos últimos anos.

Conduzidos pelo medo quanto à perda da primazia branca, nacionalistas brancos creem que a identidade branca deve ser o princípio organizador da sociedade ocidental.

“Todas as pessoas no mundo podem ter o seu próprio país, exceto as pessoas brancas,” disse William Daniel Johnson, do American Freedom Party (Partido da Liberdade Americana), ao Chicago Sun Times após o ataque na Nova Zelândia. “Deveríamos ter etno-estados brancos.”
No ano passado, nacionalistas brancos mataram pelo menos 50 pessoas nos EUA. Todos os perpetradores de violência extremista letal no país em 2018 tinham ligações com grupos nacionalistas brancos

Ao pesquisarmos para o nosso próximo livro sobre o extremismo –nossa área conjunta de especialização acadêmica– descobrimos que os crimes de ódio têm crescido lado a lado à propagação global do nacionalismo branco. Ataques racistas a refugiados, imigrantes, muçulmanos e judeus estão aumentando no mundo inteiro num nível alarmante.

Acadêmicos que estudam a internacionalização de crimes de ódio chamam este perigoso fenômeno de “transnacionalismo violento”.

Na Europa, a violência branca parece ter sido desencadeada pelo súbito aumento, em 2015, do número de refugiados que fugiam da guerra na Síria e em outras partes do Oriente Médio.

Ultranacionalistas em todo o continente –inclusive políticos nos mais altos escalões do poder– usaram a onda de migrações como evidência do iminente “genocídio cultural” das pessoas brancas.

Esta tendência internacional perturbadora, em sua encarnação moderna, nasceu nos Estados Unidos.
Desde os anos 1970, uma pequena facção vociferante de supremacistas brancos norte-americanos têm procurado exportar sua ideologia de ódio. Racistas confessos como o líder da Ku Klux Klan David Duke, o fundador da Aryan Nations (Nações Arianas) Richard Butler e o autor extremista William Pierce acreditam que a raça branca está sob ataque no mundo inteiro por uma invasão cultural de imigrantes e pessoas negras e mestiças.

Os Estados Unidos estão se diversificando, mas continuam a ser 77% brancos. Os supremacistas brancos, contudo, há muito argumentam que as mudanças demográficas do país levarão a um extermínio da raça e cultura brancas.

A “alt-right” (direita alternativa ou extrema-direita) –um termo abrangente que descreve o movimento supremacista branco moderno online– usa a mesma linguagem. E tem expandido esta perspectiva mundial xenofóbica do século 20 para caracterizar refugiados, muçulmanos e progressistas como uma ameaça, também.

Líderes da extrema-direita como Richard Spencer, Jared Taylor e o editor do site neonazista The Daily Stormer, Andrew Anglin, também usam as redes sociais para compartilhar sua ideologia e recrutar membros mundo afora.

Eles acharam uma plateia mundial de supremacistas brancos que, por sua vez, também usam a internet para compartilhar suas ideias, encorajar a violência e difundir seus crimes de ódio no mundo inteiro.

“O ódio que levou à violência em Pittsburgh e Charlottesville está encontrando novos adeptos ao redor do mundo,” disse Jonathan Greenblatt, da Anti-Defamation League (Liga Anti-Difamação), uma entidade de defesa das liberdades civis, ao USA Today após o ataque na Nova Zelândia. “De fato, parece que este ataque não teve apenas a Nova Zelândia em foco; houve a intenção de ter um impacto global.”

Sabemos que o ódio aos muçulmanos do alegado atirador das mesquitas na Nova Zelândia era inspirado pelo nacionalismo branco norte-americano – ele mesmo confirmou isso no twitter.O ódio que levou à violência em Pittsburgh e Charlottesville está encontrando novos adeptos ao redor do mundo. Parece que este ataque não teve apenas a Nova Zelândia em foco; houve a intenção de ter um impacto global

Seu “manifesto” online inclui referências a conflitos culturais que o autor acreditava que levariam, ao fim e ao cabo, os Estados Unidos a se dividir em orientações étnicas, políticas e raciais mais para a frente.

O alegado agressor também escreveu que apoia o presidente Donald Trump “como um símbolo da identidade branca renovada.”

Trump e outros políticos de extrema-direita, como a candidata à presidência da França Marine Le Pen e o líder da oposição holandesa Geert Wilders, têm colocado a culpa pelos problemas reais, próprios da vida moderna – progressiva instabilidade econômica, crescente desigualdade e decadência da indústria– nos imigrantes e negros.

Essa narrativa tem adicionado mais hostilidade à atual tendência de intolerância em sociedades cada vez mais multiculturais como os EUA. Crimes de ódio contra muçulmanos, imigrantes e negros vem crescendo nos EUA desde 2014.

Em 2015, o Southern Poverty Law Center documentou 892 crimes de ódio. No ano seguinte, foram 917 crimes de ódio. Em 2017 –o ano em que Trump assumiu o poder, alimentando o sentimento nacionalista com promessas de construir muros, deportar mexicanos e banir muçulmanos– os EUA assistiram a 954 ataques de supremacistas brancos.

Um deles foi um embate violento entre manifestantes e nacionalistas brancos acerca da retirada de uma estátua confederada em Charlottesville, Virginia. O protesto de 2017 “Unite the Right” (Unir a Direita), que matou uma pessoa e feriu dezenas delas, amplificou as ideias dos modernos nacionalistas brancos nacional e mundialmente.
Líderes da extrema-direita usam as mídias sociais para compartilhar sua ideologia e recrutar membros. Eles têm encontrado uma plateia mundial de supremacistas brancos que também usa a internet para compartilhar suas ideias, encorajar a violência e difundir crimes de ódio

No ano passado, nacionalistas brancos mataram pelo menos 50 pessoas nos Estados Unidos. Suas vítimas incluem 11 fiéis de uma sinagoga em Pittsburgh, dois consumidores idosos negros num estacionamento do supermercado Kroger no Kentucky e duas mulheres que praticavam ioga na Flórida.

Os anos de 2015, 2016 e 2018 foram os anos mais mortíferos dos Estados Unidos em relação à violência extremista desde 1970, segundo a Anti-Defamation League.

Todos os perpetradores de violência extremista letal nos EUA em 2018tinham ligações com grupos nacionalistas brancos. Isso transformou 2018 em “um ano particularmente ativo para assassinos extremistas de direita”, diz a Anti-Defamation League.

O terror nacionalista é um perigo à segurança interna dos EUA e, como mostram as evidências, uma ameaça de terror mundial que põe em risco a própria natureza da sociedade democrática global.
Art Jipson é professor associado de Sociologia na Universidade de Dayton; Paul J. Becker é professor Associado de Sociologia na Universidade de Dayton.

* Publicado originalmente no site The Conversation. Tradução de Maurício Búrigo.

*APOIE O TRADUTOR: Gostou da matéria? Contribua com o tradutor. Todas as doações para este post irão para o tradutor Maurício Búrigo. Se você preferir, pode depositar direto na conta dele: Maurício Búrigo Mendes Pinto, Banco do Brasil, agência 2881-9, conta corrente 11983-0, CPF 480.450.551-20. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.
Posted: 27 Mar 2019 08:39 PM PDT
Por Alexandre Andrada, no site The Intercept-Brasil:

A aula magna proferida pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo aos alunos do Instituto Rio Branco é uma das páginas mais vistosas da lisergia intelectual de nossa pátria, um documento a ser lido às gargalhadas durante os séculos por historiadores das ideias.

O diplomata, num acesso de empáfia digna do olavismo, afirma que muitas pessoas no Itamaraty “estavam no fundo da caverna, vendo as sombras, se relacionando com essas sombras”. Mas que ele e sua equipe estão “tentando puxar essas pessoas para fora”, para a “luz do dia”, numa alusão ao Mito das Cavernas de Platão.


Pois bem, vejamos o que disse o iluminado na aula magna. Araújo listou os “problemas” da diplomacia brasileira em sua intervenção:

A indiferença moral


Para o chanceler, o país pratica uma diplomacia sem “bússola moral”, desconhecendo que existe um “norte moral e um sul moral” – será que há um oeste imoral e um leste amoral?

Ou seja, existe o bem e o mal no mundo, materializado por estados e governos, bons e ruins. E que nós deveríamos nos relacionar apenas com os “bons”. Certamente o Brasil não deveria manter relações amistosas com regimes racistas – como o da África do Sul nos tempos de apartheid – ou genocidas. O problema é que, para além desses exemplos óbvios, as coisas se complicam.

O próprio chanceler se embananou todo quando afirmou que a Coreia do Norte não é tão ruim como a Venezuela. O que ele diria quando Benjamin Netanyahu diz que Israel é um estado apenas para os judeus? Qual a posição do chanceler em relação à Arábia Saudita, cujo governo assassinou um jornalista dissidente dentro de uma embaixada na Turquia?

Para onde aponta a bússola de Araújo nestes casos? Em qual aula do curso online de Olavo esses meandros são abordados? Não sabemos.

A indiferença civilizacional


Segundo o chanceler, nossa diplomacia não reconhece que “nós fazemos parte de uma determinada civilização, e que isso nos impõe um legado e uma responsabilidade”. Trata-se de um trecho vago, mas apoiando-se no ponto anterior, somos levados a concluir que existem civilizações boas e ruins, melhores e piores. Espero que não seja esse o caso, pois o ranqueamento de culturas, povos e tradições é algo que só gera racismo e violência. Coisas que certamente passam longe de nosso chanceler.

O comercialismo


Seria a “tendência de ver a política externa como política comercial”. Há uma tradição no Brasil de realizar trocas comerciais com os mais diversos países, colocando a busca por mercados acima de ideologias pessoais. Por exemplo, Médici e Geisel, dois militares inimigos do comunismo no Brasil, jamais tiveram pudores de fomentar as trocas entre o Brasil e os países do bloco soviético. Isso se chama “pragmatismo”.

Agora, na era Ernesto, para ser parceiro comercial do Brasil é preciso não apenas ter dólares para comprar nossos produtos, é preciso também ser bom, é preciso estar no “norte” (ou seria “sul”) moral do chanceler.

Conhecendo-se o pensamento de Olavo e de seu seguidor, isso é uma crítica às relações entre Brasil e China. A China não é “boa”, não é “ocidental”, então não é nosso parceiro preferencial. Especulo, apenas.

O nominalismo


Sua preocupação é com “caráter redondo da expressão”. O leitor me perdoe, mas não sou capaz de analisar essa afirmação.

Isolamento do Itamaraty em relação à sociedade brasileira

Araújo afirma que o “Itamaraty é um escritório da ONU no Brasil, com o papel de disciplinar essas massas ‘ignorantes’”. Conhecendo o pensamento de Olavo, sabemos o que Araújo entende por “sociedade brasileira”. Essa se resume àquela fração do Facebook, do Twitter e do WhatsApp que apoia de maneira tresloucada as ações do “Capitão” e seus amigos.

Araújo deveria saber que a sociedade brasileira depositou 57 milhões de votos em Bolsonaro, mas também 47 milhões em Fernando Haddad. E que atualmente 24% da sociedade julga o governo Bolsonaro ruim/péssimo, segundo pesquisa Ibope do dia 20 de março. Muito cuidado, então, quando falar em “sociedade brasileira” – ela está longe de ser o bloco homogêneo que o séquito olavista está acostumado a tratar.

Isolamento da política externa em relação às demais políticas nacionais


Novamente, Araújo fala do isolamento do Itamaraty em relação à mítica “sociedade”, ente jamais definido pelo chanceler. Talvez objetivo seja substituir o paradigma da P.E.I (Política Externa Independente) pela P.E.Z. (Política Externa do Zap).

Aqui o chanceler reclama da falta de “pensamento analógico” (?!?) no Itamaraty, e condena o que chamamos de “políticas de estado”, que são posições e defesas mantidas pelo ministério ao longo de todos os governos das últimas décadas. Por exemplo, a prioridade dada à integração regional ou o não reconhecimento do território obtido por Israel através de conquistas militares. Tudo isso seria lixo para o nosso ministro.

O tematismo


Termo que na definição de Araújo é, simplesmente, a chamada “especialização do trabalho”. Algo louvado por Adam Smith em 1776 e por Platão em 380 a.c. como crucial para o desenvolvimento das sociedades. É um problema para Araújo, que inclusive mudou a grade curricular do curso preparatório no Instituto Rio Branco. Tirou a cadeira que tratava da história da América Latina, e reduziu a carga de outras, como a de economia. Em troca, foram criadas as cadeiras de clássicos I e II. Essas duas últimas disciplinas incluem em suas ementas textos de autores como Homero, Tucídides, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Kant, Hobbes e Rousseau.

Os jovens diplomatas receberão salários de R$ 18 mil para lerem a Íliada, poema épico escrito no século 8 a.C.. Uma torre de marfim para ninguém botar defeito.

O objetivo da criação dessas disciplinas parece ser o de colocar em marcha o projeto de Olavo de Carvalho de defesa da “civilização ocidental”. Ou ainda, emular o conteúdo do “curso de filosofia” online do astrólogo da Virgínia, guru intelectual do chanceler. Não há dúvidas que o Itamaraty é formado, em sua esmagadora maioria, por indivíduos de grande inteligência e erudição.

O sonho do intelectual erudito completo, que entende desde metafísica até física quântica, é o desvario que faz com que Olavo de Carvalho se sinta capaz não só de discutir toda a filosofia, mas também tenha tempo para refutar as teorias de Einstein.

A agenda globalista


Araújo acha perniciosos os conceitos de universalismo e multilateralismo que são pilares da tradição do Itamaraty. O multilateralismo diz respeito à busca de soluções negociadas, baseadas no direito internacional, no debate, no consenso. O Brasil, há mais de século, busca participar ativamente dos fóruns internacionais. A definição de nossas fronteiras, desde o Tratado de Madri (1750) passando pela compra do Acre (1903), foi obra de diplomatas, não de militares.

O universalismo seria “a doutrina da indiferença, o apagamento das nossas identidades”, segundo Ernesto. Na sua visão, sem qualquer base real, o chanceler afirma que, no nosso caso, o “universalismo” significa que “pode tudo, menos cooperar com os Estados Unidos”.

Mas nessa cooperação com os EUA, Araújo fala explicitamente da questão venezuelana. O chanceler parece realmente disposto a apoiar uma aventura militar no país vizinho, liderada pelo insano presidente Trump, numa repetição tragicômica da episódio de 1965, quando o Brasil enviou tropas para apoiar os EUA na sua invasão à República Dominicana.

Araújo tem os atributos dos olavistas: adora conspirações e despreza a realidade concreta. O chanceler afirma que o Brasil errou na escolha de seus parceiros comerciais a partir dos 1950 e, principalmente, a partir dos anos 1970:

“…por causa dessa aposta equivocada é que talvez se explique que o Brasil, que foi o país que mais cresceu no mundo, mais ou menos 1900 e 1975, quando seu principal parceiro de desenvolvimento eram os EUA, depois estagnou, quando desprezou essa parceria e começou a buscar a Europa, ou uma integração latino-americana e mais recentemente a aposta no mundo pós-americano dos BRICS”.

Trata-se de um argumento tão surreal, tão sem base empírica, sem qualquer evidência ou teoria que o suporte, que alguém deveria ter tirado o microfone do chanceler neste momento, evitando que essa vergonha ficasse registrada nos anais da casa de Joaquim Nabuco.

O que parece evidente a partir desses episódios é que falta a Ernesto Araújo não só a experiência necessária como o preparo intelectual e acadêmico para servir em tão nobre e disputada função. Para evitar suas sandices em relação à Venezuela, General Mourão como colocado como sua babá na última cúpula de Lima.

O próximo passo seria devolver Araújo para o segundo escalão da burocracia do ministério, trazendo para o cargo alguém que saiba juntar lé com cré. Algo certamente facilmente encontrado nos corredores do Itamaraty.

Araújo, se tudo der certo, será lembrado como “o breve”.
Posted: 27 Mar 2019 08:21 PM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Uma juíza federal de Brasília deu prazo de cinco dias para Bolsonaro explicar determinação que deu aos militares para que comemorem o golpe de 31 de março de 1964 no próximo domingo. Se isso acontecer, se for gasto dinheiro público nesse festim diabólico, o presidente da República terá cometido crime de responsabilidade e poderá sofrer impeachment.





Em um de seus surtos de irresponsabilidade, Bolsonaro determinou aos chefes militares de todo país que os quarteis comemorem o golpe militar de 1964 no próximo domingo, aniversário da ruptura democrática no país.

Com a burrice que lhe é característica, Bolsonaro não percebeu a gravidade de seu ato nem o que causaria e colocou os descerebrados que servem ao seu governo para fazerem coro com seu desatino.

As consequências não tardaram. Imediatamente, órgãos ligados à defesa dos direitos do cidadão tomaram medidas para barrar esse desatino na Justiça. Na terça-feira (26), a Defensoria Pública da União anunciou que ajuizaria ação civil pública para impedir que o 31 de Março, data de início do movimento golpista, fosse comemorado nas unidades militares.



Em outra frente, Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, divulgou nota afirmando que “a utilização da estrutura pública para defender e celebrar crimes constitucionais e internacionais atentaria contra a administração pública e poderia caracterizar ato de improbidade administrativa.

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público Federal “recomendou” aos “comandos militares” que “não comemorem” o golpe de 1964




Além disso, uma ação popular foi aberta contra Bolsonaro por apologia aos crimes da ditadura, entre os quais figuram assassinatos, torturas e estupros envolvendo até crianças, religiosos, idosos…




Mas a consequência mais grave do ato de Bolsonaro será para ele mesmo.

Segundo a Defensoria Pública da União, “a postura do Presidente da República viola sua atribuição como Chefe de Governo – uma vez que atenta contra a moralidade administrativa – mas, também, viola sua atribuição como Chefe de Estado, já que o Brasil se comprometeu com o sistema regional interamericano de respeitar a prevalência dos direitos humanos”.

O uso de dinheiro público para comemorar um golpe que impediu os brasileiros de escolherem seus governantes durante 21 anos e que cometeu incontáveis crimes contra a vida e contra o patrimônio público será um claríssimo CRIME DE RESPONSABILIDADE do presidente da República, segundo constitucionalistas consultados pelo Blog da Cidadania.

Será que Bolsonaro vai pagar para ver sobretudo em um momento em que o Legislativo está abrindo uma guerra contra ele? No próximo domingo vamos saber.

Confira a reportagem em vídeo [aqui].
Posted: 27 Mar 2019 08:38 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O senhor Jair Bolsonaro não vai parar.

Mesmo diante das dificuldades em compor uma estrutura de governo minimamente eficaz, não controla o seu processo de radicalização, talvez na ilusão de que massas furiosas venham referendá-lo e fazer impor sua vontade.

Hoje, em entrevista a José Luiz Datena no programa Brasil Urgente, na TV Bandeirantes, disse que não houve ditadura no Brasil, mas apenas “uns probleminhas” semelhantes a desentendimentos de casal, que Augusto Pinochet “fez o que tinha que ser feito” ao produzir uma matança “porque dentro do Chile existiam mais de 30 mil cubanos, então tinha que ser de forma violenta pra reconquistar o seu país”, embora não se tenha notícia disso.

Partiu para cima da Folha de S. Paulo, a quem chamou de “toda a fonte do mal”.

Bolsonaro joga no confronto e na submissão do Legislativo e do Judiciário ao seu discurso tresloucado.

Se estes poderes, em nome de um “democratismo”, permanecerem apenas miando oposição a seus planos, mesmo sem apoio de massa, Bolsonaro estará a um passo de impor uma nova ditadura ao país.

Jair Bolsonaro, está se tornando evidente, é um caso de interdição.

O que não pode acontecer é que nós fiquemos discutindo o que sua ambiciosa loucura propõe.
Posted: 27 Mar 2019 08:35 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Durante muitas décadas o Brasil foi governado por bacharéis, personalidades formadas em direito que só conseguiam enxergar o país sob a ótica das leis – que quase nunca eram cumpridas, saliente-se. Vendiam o peixe que uma lei mudaria a realidade. Faziam nome sem apresentar um resultado concreto, e sem nenhuma capacidade de entender a realidade para, a partir dela, elaborar as leis.

É o caso do Ministro da Justiça Sérgio Moro. Como já enfatizou o governador do Distrito Federal, Moro não entende nada de segurança pública.

Nem se lhe indague sobre mapeamento de zonas de conflito, trabalho multidisciplinar com outros órgãos de Estado, ação articulada com outras polícias. Aparentemente, ele não domina o bê-a-bá da própria repressão ao crime organizado.

Tome-se sua última decisão, de estudar a redução dos impostos sobre cigarros para inibir a ação do comércio irregular.

De fato, há quadrilhas organizadas atuando em todo o país em cima de produtos muito tributados, dentre os quais os cigarros e os combustíveis. Já existe um vasto acervo na Polícia Federal sobre essas organizações. Elas foram alvos de inúmeras operações da Polícia Federal, mas sempre atuando topicamente, sem uma ação coordenada sobre a estrutura maior, sem um trabalho coordenado com as polícias estaduais.

Mais que isso, o fator Lava Jato e a falta de discernimento da repressão têm sido manobrados pelas próprias organizações criminosas contra o lado formal da economia valendo-se ou da cumplicidade ou da ignorância das autoridades públicas. Prova maior foi uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual do Paraná, prendendo funcionários de distribuidoras de combustíveis, acusados de atentar contra os princípios da livre concorrência. O caso mereceu amplíssima divulgação pela imprensa paranaense, seguindo o mesmo padrão de falta de discernimento da grande mídia.

O que os funcionários faziam era conferir se os postos da rede estavam vendendo combustível abaixo do preço de aquisição. Se estivessem, era óbvio tratar-se de combustível adulterado ou combustíveis com sonegação de impostos. A polícia gravou uma conversa entre um diretor regional de uma das distribuidoras e um dono de posto, no qual ele alertava que, se continuasse a vender combustível abaixo do preço de aquisição, o posto seria descredenciado.

Em vez de ir atrás dos criminosos, a PC e o MPE resolverem se aliar a eles contra os fiscais das redes distribuidoras, sob silencio geral – aqui no GGN fomos a única voz alertando para esse conluio. Tudo isso ao mesmo mesmo tempo em que a Refinaria de Manguinhos, considerada o ponto central do esquema de sonegação de combustíveis (pois não refina nada) inundava os jornais com publicidade.

Aliás, as denúncias que fiz em relação ao conluio de Eduardo Cunha e Manguinhos só provocou uma reação oficial: uma sentença do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, me condenando a indenizar Cunha pelo fato de ter difamado sua imagem, equiparando-o a sonegadores.

O caminho correto de qualquer Ministro da Justiça eficiente seria montar uma super-operação para desarticular as quadrilhas. Mas o brilhante Moro encontrou a solução bacharelesca: reduzir a tributação do cigarro para aumentar a competitividade da indústria em relação ao produto contrabandeado, “de pior qualidade”, salienta ele. Sua pretensão é que o brasileiro volte a consumir cigarros de boa qualidade produto das quadrilhas. Cáspite!

A tributação de cigarros têm impacto forte sobre a arrecadação fiscal. Além disso, o aumento do consumo de cigarros tem impacto direto na saúde pública. Não há a menor dúvida de que o cigarro foi o mal do século 20, responsável pela redução da expectativa de vida das populações, pela multiplicação das doenças coronárias, respiratórias, pelo câncer, pelo aumento dos custos da saúde. E o Ministro Moro, por absoluta incapacidade de organizar uma operação eficiente contra as quadrilhas, propõe a redução dos tributos do cigarro.

Comporta-se como qualquer administrador ímpeto: se não souber o que fazer, crie um grupo de trabalho em cima de uma bobagem qualquer.
Posted: 27 Mar 2019 08:28 PM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                 

Na tarde do dia em que Temer foi preso, deparei-me na TV com a entrevista coletiva dos rapazes e moças do Ministério Público, responsáveis pela acusação que levou à cadeia o ex-presidente golpista.

Por já conhecer a chatice dessas entrevistas, em geral laudatórias do papel dos meganhas da Lava Jato, não pretendia perder mais do que três minutinhos com ela. Acabei me detendo diante da TV praticamente ao longo de toda a sabatina dos repórteres aos procuradores e procuradoras.

Explicações cabais sobre os motivos da prisão de Temer e seus comparsas repletas de indícios robustos de prova? Não. Justificativas para a necessidade da operação espetaculosa? Também não. Exposição convincente sobre o enquadramento daquela prisão preventiva entre os casos previstos em lei? Tampouco. Quanto mais os jovens regiamente remunerados pelo erário falavam, mais fortalecia a minha convicção de que as prisões foram feitas ao arrepio da lei.

Subitamente, me veio à mente a seguinte indagação: a que tipo de concurso público são submetidos os pretendentes a uma vaga no Ministério Público, para ganhar um salário inicial de 30 mil reais? Aqui, cabe lembrar que maioria dos aprovados são filhos das classes média e alta, sem qualquer experiência anterior nas lides jurídicas.

Julgo-me no direito de suspeitar que das provas não constam questões sobre Constituição, Código Penal e Código de Processo Penal. E muito menos acerca de premissas constitucionais e iluministas, tais como devido processo legal, presunção de inocência e direito à ampla defesa e ao contraditório.

Abro parênteses: Temer não merece nenhuma solidariedade, pois trata-se de um golpista miserável e traidor. Homem de esquema, que faz política para amealhar dinheiro, Temer muito provavelmente é culpado de todas as acusações que pesam contra ele. Fecho parênteses.

É preciso ser o mais ingênuo dos seres humanos para não perceber que a prisão teve o claro objetivo de criar um fato político capaz de ofuscar as duas derrotas fragorosas sofridas pelo MP e pela Lava Jato no STF : a suspensão da fundação bilionária com dinheiro da Petrobras e a decisão de remeter à justiça eleitoral processos relacionados à caixa 2.

Fico a imaginar: como pode um veterano nas hostes da corrupção como Temer ser objeto de uma peça de acusação tão pobre como a apresentada pelo MP, que abusa de ilações, conjecturas, achismos, projeções e associações rudimentares de fatos ? Sem falar na defasagem de tempo dos delitos relatados e na brutal agressão ao estado de direito que significa alguém ser preso sem nem mesmo ser julgado em 1ª instância.

Os procuradores e o juiz Marcelo Bretas apontam 40 anos de crimes continuados perpetrados pela organização criminosa chefiada por Temer. Nada disso teve importância, porém, para a Lava Jato, quando a presidenta Dilma foi apunhalada pelas costas por um criminoso contumaz.

No entanto, o que mais evidenciou a fragilidade do punitivismo incompetente do MP foi a arguição dos jornalistas sobre o valor exato dos desvios da quadrilha, já que as cifras eram controversas até então, sendo que a última informação dada à imprensa apontava uma roubalheira da ordem 1 bilhão e 800 milhões de reais.

Pelo que entendi da confusa resposta dos procuradores, esse é o montante resultante de uma projeção feita com base numa regra de três simples : se em Angra 3 a gangue de Temer roubou X, em 40 anos embolsou, então, X multiplicado por 40. É esse o nível dos justiceiros da Lava Jato.

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