3/3 - Folha Diferenciada DE 2/3

Folha Diferenciada


Posted: 02 Mar 2019 05:17 PM PST
Os blocos têm estreita ligação com seus territórios de origem, e, por isso, seus desfiles só se justificam nesses lugares

Houve um tempo em que carnaval em São Paulo era sinônimo de cidade vazia, um ótimo momento para ir a cinemas, restaurantes ou sair do Tucuruvi e chegar em Interlagos sem pegar trânsito algum. Era bom. Blocos carnavalescos já existiam aqui e ali. Depois eles começaram a se multiplicar e se espalhar pela cidade, mas ainda de forma moderada. Curte rock? Pois o Originais do Punk estava lá para você aproveitar o carnaval ao som de Cólera. Também era bom.


Por Rodrigo Casarin, no blog Página Cinco
Hoje a cidade está empesteada deles. Desconfio de que chegará o momento em que cada habitante desta joça terá seu próprio bloco carnavalesco. Pior: esses blocos transformaram São Paulo num destino para turistas durante a folia de Momo e a cidade, que outrora se esvaziava, agora segue abarrotada de gente mesmo durante o feriadão. É impressionante como a combinação de música ensurdecedora, grandes aglomerações e cerveja cara, quente e quase sempre ruim faz tanto sucesso por aqui.

Apesar de tudo, um dia eu já curti esses rolês. Mesmo hoje, acho muito legal ver a cidade tomada por gente querendo se divertir. Se perdi a paciência com o furdunço, aprecio cada vez mais essa verve libertária e um tanto anárquica do carnaval de rua, que é mesmo feita para ser ocupada pela população. Aliás, se alguém deseja entender por que tantas vezes esses movimentos são apontados como exemplo do que há de democrático na sociedade, é bom ler Meu Bloco na Rua, de Rita Fernandes (Civilização Brasileira).

Rita é jornalista e uma das fundadoras do bloco carioca Imprensa que eu Gamo. No trabalho, fruto do seu mestrado na Fundação Getúlio Vargas, ela investiga como o carnaval de rua do Rio de Janeiro reviveu a partir da década de 1980, durante a redemocratização do país. Mergulhando na história de três grupos icônicos – Simpatia é Quase Amor, Barbas e Suvaco do Cristo (o nome é com “U” mesmo) –, mostra como esses movimentos podem ser encarados como uma espécie de resposta à ditadura militar que “ameaçava a livre manifestação e ao mesmo tempo continha a energia criativa da sociedade”.

“Durante o processo de redemocratização, que teve seu ápice com as Diretas Já, foram sendo construídas novas formas de participação da sociedade brasileira. As celebrações e as festas começavam a ocupar um lugar importante na cidade, traduzindo a vontade compartilhada de recuperar o espaço público, que tivera por tanto tempo seu acesso restrito. Nesse novo ambiente, nos anos 1980 os blocos de rua vão ser espaços possíveis de convivência política, mas, acima de tudo, de sociabilidade. Veremos, nos grupos desse carnaval ressurgente, sujeitos movidos por um profundo desejo de desfrutar novamente a liberdade”, registra.

A autora indica que esses blocos surgiram para que o “folião pudesse ser mais participativo, sem amarras, restrições, competições, brincar de forma mais livre, experimentar um carnaval mais participativo”, numa contraofensiva aos festejos fechados, do circuito oficial e das escolas de samba, cada vez mais megalomaníacas, espetaculosas, controladoras e, consequentemente, um tanto excludentes.

Dentre as razões para que apontemos os blocos de rua como grandes manifestações democráticas, segundo Rita, estão a abertura “à participação de qualquer pessoa, sem exigências de inscrições, pagamentos, fantasias, alas, camisetas, abadás, ou qualquer restrição à participação do folião, como cordas, carros ou áreas reservadas que possa impedir o livre ir e vir”; a “estreita ligação com seus territórios de origem, e, por isso, seus desfiles só se justificam nesses lugares, sem roteiros predeterminados pelo poder público”; e a maneira como “cantam, como em crônicas, as histórias da cidade, do país, em sambas autorais, muitas vezes pontuados pela crítica política ou social, ou por temas ligados à própria identidade”.

Por isso, mesmo ranzinzas como eu têm motivos para admirar os blocos, ainda que prefiram evitar a música alta, o fuzuê das grandes aglomerações e o purgante travestido de cerveja.





Portal Vermelho
Posted: 02 Mar 2019 05:07 PM PST
Louise Hidalgo
Da série "Witness", BBC
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionBeauvoir e Sartre na praia de Copacabana, no Rio; segundo escritora, eles eram tratados como 'estrelas de cinema'

A escritora Claudine Monteil é testemunha próxima de uma história de amor do século passado que move a imaginação das pessoas até hoje.


Trata-se da relação entre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, dois dos maiores intelectuais daquele tempo.

Fundadora de importantes movimentos feministas da França, Monteil conheceu o casal nos anos 1970, quando tinha 20 anos. Mais tarde, escreveu diversos livros sobre seus amigos.

Em entrevista ao programa Witness, da BBC, a escritora contou detalhes do cotidiano e das trocas intelectuais e afetivas deste par pouco convencional à época - além de nunca terem se casado, algo então escandaloso, eles tinham um relacionamento aberto, o que era ainda mais inesperado.
Image captionClaudine Monteil já escreveu alguns livros sobre o casal

"Hoje em dia, tendemos a esquecer quão glamurosos e famosos eram, tal qual estrelas do cinema", diz Monteil.

Na França dos anos 1970, "um escritor era um astro": "Eram recebidos pelo mundo como líderes de Estado".

BBC - A senhora conheceu Sartre em um protesto em Paris e teve um episódio envolvendo histórias em quadrinhos. O que aconteceu?

Claudine Monteil
- Foi extraordinário porque eu havia sonhado conhecer Sartre e ter uma reunião muito intelectual e séria com ele. Você sabe, coisas que você pensa quando é uma estudante de 20 anos, que vai conhecer um grande filósofo como ele.

Sartre me perguntou quais livros eu tinha comigo. Estava tão envergonhada de trazer aquelas leituras não intelectuais...Fiquei vermelha e quase chorei, mas tive que mostrar a ele.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionJean-Paul Sartre (1905-1980) é considerado o fundador do existencialismo

Então, de repente, Sartre abre um enorme sorriso e diz: "Você gosta de quadrinhos? Eu também!". Começamos a falar sobre isso, o quanto gostávamos dessas histórias, e no final ele declarou: "Você é uma jovem estudante muito interessante".

BBC - Com base nessa conversa, ele se ofereceu para apresentá-la a Simone de Beauvoir, que era sua heroína. E a senhora foi encontrá-la acompanhada de uma delegação de mulheres que faziam campanha para legalizar o aborto na França.

Monteil
- Fui à casa deles e éramos cerca de oito mulheres, todas pelo menos 10, 20 ou 30 anos mais velhas do que eu. Quando cheguei e sentei em frente a ela, estava esperando ouvi-la, mas ela me olhou e disse: "Qual é o seu ponto de vista e o que você sugere como uma estratégia para a campanha de legalização do aborto?"

Tive que responder logo e Hélène de Beauvoir, sua irmã, me disse depois: "Você fez a coisa certa respondendo. Caso não o fizesse, não existiria mais para ela (Simone de Beauvoir)".

BBC - Como eram Sartre e Beauvoir?

Monteil
- Ao conhecer Sartre, a primeira coisa que chamava a atenção era o quanto ele era mais feio pessoalmente do que nas fotos. Ele não era um homem atraente, por assim dizer. Mas tinha a voz mais extraordinária e quente que já ouvi. Quando ele falava, te fazia sentir como se fosse a única pessoa que interessava no mundo.

Simone de Beauvoir me tratou com dignidade quando eu era jovem... Eu diria que ela era uma pessoa muito direta.

E, para mim, eles eram o melhor casal do mundo: estavam unidos pela maneira de ver o mundo e pela escrita.

"Quando a conheci, tive a sensação de ter o melhor relacionamento que poderia ter com alguém", disse-me Sartre.

Era um relacionamento completo que implicava uma igualdade total.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSimone de Beauvoir (1908-1986) é até hoje um ícone do feminismo

BBC - Ela se tornou sua amiga e a Sra a visitava uma ou duas vezes por semana. Com base nessa proximidade, a Sra diz ter percebido que era difícil para ela dividir Sartre com as muitas outras mulheres de sua vida.

Monteil
- Ela aceitara o pacto segundo o qual eles compartilhavam o amor mais essencial de suas vidas, mas, ao mesmo tempo, tinham amantes.

Ela também teve amantes de que gostava muito, como o escritor americano Nelson Algren e o escritor francês Claude Lanzmann.

Mas, quando os conheci nos anos 1970, foi um choque porque Sartre tinha uma agenda de uma hora para essa mulher, uma hora para esta, e depois ele destinava refeições e noites para Simone de Beauvoir.

Esse não era meu ideal de relacionamento e pude ver que, na realidade, Simone de Beauvoir estava sofrendo.

BBC - Ele tentou te seduzir?

Monteil
- Ele nunca tentou me seduzir, mas uma vez ele me convidou para almoçarmos sozinhos. Então, alguém próximo a mim recomendou que eu não fosse, porque todos pensariam que eu estaria tentando seduzi-lo.

Assim, cancelei o almoço e Sartre entendeu muito bem. E, desde então, Simone de Beauvoir sabia que eu nunca tentaria seduzir Sartre. Isso criou um laço muito especial entre nós.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionIntelectuais tinham pacto segundo o qual compartilhavam o amor mais essencial de suas vidas, mas, ao mesmo tempo, tinham amantes

BBC - O casal compartilhava a paixão pelas ideias e pela escrita, mas ela podia ser uma crítica muito difícil, certo?

Monteil
- Quando Simone de Beauvoir lia um dos textos (de Sartre), era como uma professora rígida, mas ele adorava isso.

Sartre nunca publicou nada sem que Simone de Beauvoir lesse palavra por palavra. Uma vez, ele pediu que ela voltasse mais cedo dos Estados Unidos apenas para revisar um manuscrito.

Hélène de Beauvoir me contou que, certa tarde, Simone disse a Sartre: "Esse texto é muito pobre, você não pode publicá-lo". Ela rasgou os papéis. Ele estava acostumado com suas críticas, mas a essa altura estava perdendo a visão e escrever era muito difícil.

Ele retrucou: "Te odeio, castor" (como Sartre chamava-a, brincando com a semelhança entre o sobrenome dela e a palavra que remete ao animal em inglês, beaver).

Então, ela respondeu: "Sim, você me odeia hoje, mas amanhã de manhã você voltará ao seu manuscrito".

E tudo estava bem. Era amor.

BBC - Como eles eram juntos?

Monteil
- Simone de Beauvoir era mais alta do que Sartre e colocava a mão no ombro dele o tempo todo, era um gesto muito terno. E ele sempre olhava para ela, embora não conseguisse enxergar muito bem no final. Às vezes, também terminavam as frases um do outro.

Sartre contou-me que, na primeira vez que falou com ela, ficou fascinado por sua beleza e inteligência.

"Sempre achei que era bonita", ele me disse, "mesmo quando a conheci... e estava usando um chapéu muito feio!"

"A coisa maravilhosa sobre Simone de Beauvoir - afirmou ele - é que ela tem a inteligência de um homem (...) e a sensibilidade de uma mulher".

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionBeauvoir desmaiou e precisou ser hospitalizada após o funeral de Sartre

BBC - Sartre morreu em 15 de abril de 1980, quando tinha 74 anos de idade. Como foi a perda para ela?

Monteil
- Ele morreu logo depois que ela saiu do hospital. Isso partiu seu coração (de Beauvoir). Outra coisa que partiu o coração dela foi ter que organizar o funeral.

O governo francês ofereceu um cordão policial para acompanhar todo do trajeto do hospital ao cemitério, mas Simone de Beauvoir rejeitou tudo isso.

Ela disse: "Não, Sartre não queria reconhecimento oficial, só queria que as pessoas estivessem lá". E eu disse a ela: "Mas você não vai ter ninguém te protegendo e haverá milhares de pessoas".

E foi o que aconteceu: acho que o número oficial de comparecimento ao funeral foi de 50 mil pessoas.

Havia mais de 2 km de pessoas, ao longo de três avenidas (se dirigindo à homenagem).

Quando chegamos ao cemitério, não havia proteção ao redor do túmulo. Os jornalistas, especialmente os de televisão, começaram a me empurrar com as câmeras, buscando uma melhor imagem de Simone de Beauvoir.

Ela começou a perder a cor e depois desmaiou em casa. Ficou hospitalizada em estado de emergência por duas semanas.

Foi terrível. Chorava o tempo todo, mas o que salvou sua vida foi escrever: ela decidiu escrever a história dos últimos anos de Sartre.

Nesse mesmo livro, publicou 100 páginas de entrevistas com Sartre sobre assuntos que ele não pôde publicar. São discussões entre eles sobre a escrita, a vida e a noção de liberdade de Sartre, que são extremamente emocionantes e belas.

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionSartre y de Beauvoir, unidos aún después de la muerte.

Sartre e Beauvoir se conheceram em Paris, no ano de 1929. Eram dois jovens e brilhantes estudantes de filosofia.

Durante seus anos juntos, Sartre escreveu sobre filosofia, criou peças de teatro, romances e tratados.

Ele também ganhou o Nobel de Literatura em 1964, mas o rejeitou porque "consistentemente rechaçou todas as honras oficiais", segundo diz o próprio site do prêmio.

De Beauvoir escreveu sobre ética, filosofia e o lugar das mulheres no mundo, obras que inspiraram uma geração pós-guerra dominada pela cena intelectual francesa.


BBC News Brasil
Posted: 02 Mar 2019 04:33 PM PST

Peça 1 – os delatores da OAS

A delação da OAS foi central para a condenação de Lula. Agora, executivos da empresa revelam que houve pagamento de R$ 6 milhões para diretores que aceitaram combinar versões com a empresa. Quem definia as condições para a delação era a Lava Jato, procuradores e o juiz Sérgio Moro. E as versões invariavelmente foram no sentido de condenar Lula.

Lula se transformou no toque de Midas da Lava Jato, a condição para indulto plenário a qualquer abuso cometido e a qualquer suspeita levantada. A perseguição a ele teve alguma dose de motivação política pessoal da Lava Jato. Mais que isso, foi a oportunidade para, em um primeiro momento, garantir poder e projeção ao grupo. Em um segundo momento, para abrir mercados promissores.

Peça 2 – o negócio Lava Jato

Graças ao antilulismo, permitiram-se todos os abusos. E, como sempre ocorre com poderes exercidos de forma absoluta, criou-se uma larga cadeia improdutiva da Lava Jato, permitindo ganhos expressivos em várias modalidades de negócio.

Indústria da delação premiada



No início, os acusados recorreram a escritórios de advocacia reconhecidos nacionalmente. Em pouco tempo receberam sinais da Lava Jato, sobre a necessidade de relações de confiança dos advogados com os procuradores.

Da noite para o dia, advogados desconhecidos, sediados no Paraná, se tornaram milionários, tendo como único trunfo o bom relacionamento com os procuradores da Lava Jato e com o juiz Sérgio Moro.

O fato mais ostensivo foi a entrada no mercado de delações premiadas do advogado Marlus Arns. Marlus não tinha nenhuma experiencia no setor. Mas era parceiro de Rosângela Moro que, como diretora jurídica da APAE do Paraná, encaminhava para ele todas as ações das APAES do estado inteiro. As APAES foram presenteadas com verba de R$ 450 milhões, liberada pelo então Secretário de Educação do Paraná, Flávio Arns, o homem que nomeou Rosângela para o cargo de diretora jurídica. E um curso à distância da família Arns, preparatório para concursos para juizes e procuradores, tinha entre seus professores delegados e procuradores do grupo da Lava Jato.

O mercado de delações também foi acessado por irmão de procurador da Lava Jato.

O mercado de palestras

O discurso ideológico – e o medo – abriu para procuradores da Lava Jato e para o juiz Sérgio Moro, o mercado milionário de palestras. No caso de Moro, agenciado pela esposa Rosângela.

A maior parte dos eventos foi bancado por instituições financeiras. De um alto executivo da XP ouvi exclamações de espanto com a ganância de Deltan Dalagnol negociando o cachê.

Quando revelados seus ganhos, o notável procurador anunciou que o dinheiro seria para constituir uma fundação para promover o combate à corrupção. Até hoje nao se sabe do destino de tão benigna iniciativa.


Ao mesmo tempo vazavam informações de que o ex-Ministro da Fazenda Antonio Palocci decidira incluir o sistema financeiro em sua delação. Seja qual for a verdade, o fato é que sua delação foi rejeitada pela Lava Jato e por Sérgio Moro.

O princípio de que “à mulher de César não basta ser honesta: tem que parecer honesta” foi deixado de lado, tal o apoio recebido pela Lava Jato do público e dos grupos interessados em se apossar do poder.

O caso Zucolotto

O advogado Tacla Duran apresentou provas irrefutáveis de uma oferta do primeiro amigo de Sérgio Moro, Carlos Zucolotto, de reduzir a multa de US$ 15 milhões, proposta pela Lava Jato, para US$ 5 milhões, mediante o seguinte artifício: a Lava Jato imporia a multa de US$ 15 milhões a Tacla, mas relacionaria uma conta dele, no exterior, com saldo baixo, deixando de lado a conta principal. Não encontrando saldo, ele seria multado em US$ 5 milhões, salvando o restante. Da economia de US$ 10 milhões, metade, R$ 5 milhões, seria de honorários.



A proposta foi seguida de um e-mail da Lava Jato, no dia seguinte, com as condições prometidas por Zucolotto. Não havia apenas indícios, mas documentos periciados mostrando o arranjo.

Eram falsos? Eram verdadeiros? Fossem falsos, a própria Lava Jato exigiria nova perícia. Em plena campanha política, juiz e procuradores calaram-se, e a imprensa se calou.

Poderia ser uma caso de abuso de amigo. Mas, mesmo depois de revelada a manobra, o amigo continuou próximo a Moro, viajando juntos para Nova York, se associando a Rosangela no mercado de promoção de palestras e, agora, obtendo o status de lobista oficial, dividindo escritório com ela.

O caso Trafigura

A Lava Jato bateu no mega mercado de venda e transporte de combustíveis. Nele, operavam as empresas mais corruptas do planeta, Trafigura, Glencore, Vitol.



Deteve um membro do board mundial da Trafigura, Mariano Marcondes Ferraz, responsável pela megaoperação de suborno em Angola. A detenção foi noticiada pelos principais jornais do planeta, tal a fama e a dimensão da Trafigura, integrante da lista das 50 maiores empresas globais da Fortune.

Tendo à mão figura chave para desvendar um espaço de corrupção maior do que o das empreiteiras, a Lava Jato preferiu enquadra-lo em corrupção menor, de subornos para a Decal, empresa pequena (perto da Trafigura) que atuava em Suape. O caso foi levantado aqui pelo GGN. Só depois que blogs internacionais, ligados a ONGs, repercutiram a notícia, é que a Lava Jato voltou os olhos para as comercializadoras. Deu um ano de vantagem para a Trafigura apagar pistas e preparar a defesa.

Vezo político, de priorizar o que atingia Lula? Ou outra explicação? “À mulher de César não basta ser honesta”.

Peça 3 – marcando território e ampliando o poder

Com esse exercício amplo e irrestrito de poder e de blindagem, a Lava Jato passou a disputar cada quinhão das investigações.

A 13ª Vara de Curitiba, de Sérgio Moro, tirou do Ministério Público Estadual paulista o caso do triplex. E, agora, tirou de seus colegas do Ministério Público Federal de São Paulo o caso Paulo Preto, cuja corrupção foi praticada estritamente nos limites do estado de São Paulo.

Ao mesmo tempo, ampliou seu poder de vazamentos e fuzilamento de reputações. A Receita Federal tem uma tradição histórica de profissionalismo e sigilo, assim como o COAF (Conselho de Controle de Operações Financeiras), enquanto sob controle do Ministério da Fazenda. Bastou a notícia da mudança para o Ministério da Justiça para ocorrerem os primeiros vazamentos, coincidentemente contra adversários da Lava Jato. A operação foi atribuído a um fiscal ligado à Operação Calicute, da Lava Jato do Rio de Janeiro.

Peça 4 – a tacada de 2,5 bilhões de reais


E de ousadia em ousadia, de cumplicidade em cumplicidade, de blindagem dos centros de poder, mídia, Judiciário, em benefício do objetivo maior de anular Lula, a Lava Jato chega ao grande momento. Um acordo firmado entre procuradores regionais de 1ª instância (!), um juiz de primeira instância (!), permitiu a criação de uma fundação de direito privado, controlada por um procurador nomeado pelo procurador regional da República do Paraná, e convalidado pela 13ª Vara Federal, com recursos de R$ 2,5 bilhões (!) fornecidos pela Petrobras, dentro de um acordo de indenização.

O recurso, maior que o orçamento da própria Procuradoria Geral da República, será utilizado para cursos e campanha em defesa da ética e da moralidade, para avaliações periódicas de compliance de empresas.

Segundo o Código Civil:
Artigo 62. Para criar uma fundação, far-lhe-á o seu instituidor, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la”.
Ou seja, terá plena liberdade para contratar palestrantes, consultores, empresas de auditoria, universidades, cursos à distância, agências de publicidade etc. Bastará que justifique cada projeto como pedagogia contra a corrupção ou benefício social.

Questionada pelo GGN, a Procuradora Geral da República Raquel Dodge disse que nada teria a dizer. Não tem força para se opor à República de Curitiba. Espera-se que o STF e a mídia se dêem conta do absurdo dessa proposta e do caminho que abre para a corrupção institucionalizada.

Do Facebook de Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador que anunciou a aposentadoria para se dedicar ao mercado de compliance:




GGN
Posted: 02 Mar 2019 04:09 PM PST

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - O esquema de segurança montado para a viagem de Lula ao velório do neto, Artur, não foi tão rígido como a juíza Carolina Lebbos programou. Houve espaço e tempo para Lula ser filmado e fotografado no trajeto que fez a pé do automóvel em que estava até o crematório. A multidão o viu à distância. Políticos e amigos puderam abraçá-lo por algum tempo. As manifestações do público foram discretas. Gritos de "Lula livre" e "Lula guerreiro" ecoaram no campo santo. Nada além disso. Lula estava de terno, aparentava serenidade (ao menos em público) e segurava uma pequena garrafa de água mineral. Ficou em silêncio enquanto caminhou. Respondeu às manifestações de apoio apenas com uma saudação. Não houve incidentes. Foi auspicioso constatar que a liberdade de Lula, mesmo por algumas horas, não provoca nenhuma desordem, temor alegado para proibir a viagem ao velório do irmão, no ano passado. Ao contrário. A presença dele trouxe um clima de tranquilidade. Apenas por vê-lo bem as pessoas ficaram mais leves. A liberdade de Lula só faz bem ao Brasil.Liberdade de Lula faz bem ao Brasil

O esquema de segurança montado para a viagem de Lula ao velório do neto, Artur, não foi tão rígido como a juíza Carolina Lebbos programou. Houve espaço e tempo para Lula ser filmado e fotografado no trajeto que fez a pé do automóvel em que estava até o crematório. A multidão o viu à distância. Políticos e amigos puderam abraçá-lo por algum tempo. As manifestações do público foram discretas. Gritos de "Lula livre" e "Lula guerreiro" ecoaram no campo santo. Nada além disso. Lula estava de terno, aparentava serenidade (ao menos em público) e segurava uma pequena garrafa de água mineral. Ficou em silêncio enquanto caminhou. Respondeu às manifestações de apoio apenas com uma saudação. Não houve incidentes. Foi auspicioso constatar que a liberdade de Lula, mesmo por algumas horas, não provoca nenhuma desordem, temor alegado para proibir a viagem ao velório do irmão, no ano passado. Ao contrário. A presença dele trouxe um clima de tranquilidade. Apenas por vê-lo bem as pessoas ficaram mais leves. A liberdade de Lula faz bem ao Brasil.


Brasil 247
Posted: 02 Mar 2019 02:39 PM PST


Por Altamiro Borges



Nesta terça-feira (26), o “capetão” Jair Bolsonaro demonstrou mais uma vez que venera ditadores, torturadores e outros tipos de criminosos. Em um evento festivo na hidrelétrica de Itaipu (PR), ele elogiou os generais-presidentes do período da ditadura brasileira (1964-1985) e o facínora paraguaio Alfredo Stroessner – “um homem de visão, um estadista, que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia prosseguir, progredir, se tivesse energia. Aqui também a minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, afirmou o animado fascista nativo, que só perdeu o rebolado quando uma jornalista lhe perguntou sobre os “laranjas” do PSL, o seu partido de aluguel.



O entusiástico elogio “ao nosso general Alfredo Stroessner” mostra bem o caráter do capetão e talvez ajude a explicar o ódio doentio dos seus “pimpolhos” – como Eduardo Bolsonaro, “o larapio que vive posando de imbecil”. Para quem não conhece o facínora do Paraguai vale conferir a reportagem da revista Época – deixando de lado as baboseiras direitistas do “jornalista de guerra” Ariel Palacios.



*****



7 fatos sobre o ditador – e pedófilo em série – elogiado por Bolsonaro
Pedófilo, estimulador de narcotráfico, promoveu o contrabando de uísque, torturador, realizador de eleições fake...este é um brevíssimo curriculum vitae do ditador paraguaio Alfredo Stroessner

Por Ariel Palacios e Daniel Salgado – 27/02/2019

O encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente paraguaio Mario Abdo Benítez tinha tudo para ser um compromisso diplomático sem maiores repercussões. Ambos os líderes estiveram, na última terça-feira, em Itaipu para nomear os novos dirigentes da usina de mesmo nome da cidade. Isso até o discurso do brasileiro, que fez questão de chamar o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner de "estadista" e "homem de visão" por sua atuação na criação da Usina de Itaipu.

O mais longevo dos ditadores militares da América do Sul, Stroessner comandou o Paraguai entre 1954 e 1989 em um regime de corrupção, pedofilia, estupros, violações de direitos humanos e perseguição política. Como destaca Mauricio Santoro, cientista político e professor do departamento de relações internacionais da UERJ, o general paraguaio era uma figura diferente dos demais ditadores sul-americanos: se no Brasil e na Argentina, por exemplo, o poder era controlado de forma mais institucional pelas Forças Armadas, Stroessner borrou as linhas de divisão entre o Estado e si mesmo.

"Depois de décadas de ditadura, todos os altos funcionários paraguaios eram do partido Colorado de Stroessner. E o regime acabou por uma questão familiar: o genro de Stroessner deu um golpe nele", explica Santoro, que destaca que o regime chegava a gozar de reconhecimento internacional e foi um aliado importante do Brasil no contexto da Guerra Fria, como no caso da construção da usina em que Bolsonaro proferiu seu discurso.

Mas esse apoio veio com um preço: "a ditadura de Stroessner foi bastante corrupta, incluindo propinas que ele cobrou dos brasileiros para a construção de Itaipu. A gente pode discutir até que medida esse preço da aliança foi bom para o Brasil", explica. Para o professor, a declaração de Bolsonaro muito provavelmente veio sem uma análise maior da trajetória do ditador, baseando-se na identidade comum com os regimes análogos no Brasil, sustentados no militarismo e anticomunismo, e no desempenho de crescimento econômico da era Stroessner no Paraguai.

A declaração soa particularmente preocupante no momento atual da política latino-americana: em um momento de crise para a redemocratização da Venezuela, o elogio a ditaduras da região pode passar a mensagem errada. "Ao meu ver, foi uma declaração muito ruim. Brasil, Paraguai e outros países estão empenhados em redemocratizar a Venezuela, com eleições diretas e limpas. Um elogio à democracia venezuelana ao mesmo tempo que se cumprimenta um ditador enfraquece a posição brasileira. É uma fala ruim no pior momento para isso", argumenta Santoro.

Atualmente, o regime de Stroessner é investigado pelo governo paraguaio, inclusive pelo Departamento de Memória Histórica e Reparação do Ministério da Justiça. Entre os casos descobertos, analisados e trazidos a público sobre aquela ditadura estão gravíssimas violações dos direitos humanos, pedofilia em série e atuação próxima ao narco-tráfico, como podem ser conferidas abaixo.

1- Pedófilo em série, Stroessner ordenou a criação de um harém de meninas
Em 1954, o general Alfredo Stroessner deu início a uma ditadura militar que durou 35 anos. Ao longo do seu regime de terror, o autocrata agiu de maneira parecida com a do ugandês Idi Amin Dada, imperador Bokassa do Império Centro-Africano, o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo e o soviético Lavrenti Beria (chefe da KGB durante a ditadura de Josef Stálin): ele e parte de seus ministros e generais dedicavam-se, nas horas livres, a protagonizar estupros. Mais especificamente, a violar meninas virgens.

O principal protagonista dos abusos sexuais era o próprio ditador, que exigia que seus assessores mantivessem um fornecimento de garotas virgens para seu uso pessoal. O plantel, que era renovado constantemente, precisava - por ordem de Stroessner - ser composto por meninas que deveriam ter entre 10 e 15 anos de idade.

Segundo os investigadores do Departamento de Memória Histórica e Reparação do Ministério da Justiça em Assunção, Stroessner estuprava em média quatro meninas novas por mês. Isto é, como pedófilo em série, em três décadas e meia de ditadura, ele teria violado mais de 1.600 crianças.

2- O "chapeuzinho vermelho" de Stroessner
Os militares buscavam e sequestravam meninas da área rural de acordo com os "gostos" de Stroessner e seus ministros. Volta e meia os militares também faziam essa sombria "colheita" de meninas pelas ruas da própria capital, Assunção. Nesse caso, os oficiais utilizavam a "Chapeuzinho Vermelho", apelido - em alusão ao conto de fadas - dado ao Chevrolet Custom 10 vermelho utilizado nessa blitz sexual.

Um dos casos investigados pela Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai é o de Julia Ozorio. Ela tinha apenas 12 anos quando foi sequestrada da casa de seus pais no vilarejo de Nova Itália em 1968. O sequestro foi realizado pelo coronel Julián Mier, comandante do regimento encarregado da guarda pessoal de Stroessner. Julia foi levada à chácara onde estava o harém do ditador, e ali foi escrava sexual durante três anos.

Depois do ditador, a menina foi repassada a oficiais, suboficiais e soldados. Quando fez 15 anos, Ozorio foi considerada "velha demais" e solta. Ela mudou-se para a Argentina onde, em 2008, publicou suas memórias: "Uma rosa e mil soldados".

Os crimes da ditadura stroessnista - como torturas e assassinatos de civis opositores - estão sendo investigados na Justiça paraguaia desde meados dos anos 90. No entanto, os crimes sexuais somente começaram a ser investigados em 2016. As primeiras denúncias sobre os estupros sistemáticos do ditador paraguaio, porém, foram publicadas pelo jornal americano "The Washington Post" no distante ano de 1977, quando o regime estava em seu apogeu. O tradicional jornal da capital americana classificou Stroessner e seu entourage de altos oficiais de "depravados sexuais".

No caso desta versão paraguaia do conto da "chapeuzinho vermelho", o lobo foi quem triunfou, pois morreu impune em seu exílio brasileiro.

3- Stroessner acima de tudo (e em todos os lados)
Na vida cotidiana dos paraguaios, o pedófilo Stroessner estava por todos os lados. Nas repartições públicas as pessoas deparavam-se com retratos do general. As fotografias também estavam presentes em diversas residências privadas. Além disso, o governista partido Colorado imprimia diariamente um jornal de 6 páginas a cores com notícias exclusivas sobre Stroessner.

De quebra, a segunda maior cidade do país levava o nome do ditador: "Puerto Stroessner". Após a queda do regime em 1989 ela foi rebatizada como "Ciudad del Este".

Eram frequentes os grupos de pessoas que iam até os muros da residência presidencial, a "Mburuvicha Róga" (Casa do Líder, no idioma guarani), para fazer serenatas com melodias que o tratavam como uma espécie de "mito": "Para a frente, meu general" e "Parabéns, grande amigo" eram algumas delas.

4- Stroessner fez do Paraguai um "hub" sul-americano das drogas
Stroessner nunca se envergonhou do envolvimento ativo das Forças Armadas paraguaias no contrabando de drogas internacional. "Aaaahhh....mas esse é o preço da paz", costumava argumentar, indicando que, desta forma, mantinha seus militares satisfeitos com grandes lucros. Durante seu regime, o Paraguai tornou-se o “hub” latino do contrabando, movimento de cocaína a carros de luxo roubados. Nos anos 80, o país era o maior importador de uísque mundo, embora paradoxalmente fosse um de seus menores consumidores.

5- Stroessner e suas eleições fake (uma espécie de predecessor de Nicolás Maduro
O autocrata paraguaio mantinha uma ficção de "democracia". Em seu regime existia um parlamento sob controle, com seu partido, o Colorado, sempre vencedor de eleições fraudulentas.

A oposição, por sua vez, era censurada. Tal como na Venezuela de Nicolás Maduro, a oposição real havia sido exilada, presa ou debilitada. Stroessner permitia que só os líderes opositores de menor importância continuassem com (restritas) atividades políticas.

Esse período da chamada “democracia guiada” ficou conhecido como “O Stronato”. Stroessner sequer tentava disfarçar seu simulacro de democracia, pois às vezes era eleito com 90% dos votos nas eleições presidenciais (em 1958, por exemplo, venceu com 97,3%).

6- Apreço pela serra elétrica e pelo maçarico
Ao longo dos 35 anos da ditadura militar, o "stronato" assassinou entre 4 mil e 5 mil civis, além de provocar o exílio de centenas de milhares de paraguaios. A tortura era uma das modalidades de imposição do terror dessas três décadas e meia. Segundo a Comissão Verdade e Justiça, pelo menos 18.772 pessoas foram vítimas de torturas físicas, sexuais e psicológicas durante o regime.

Entre os torturadores, o mais emblemático foi Pastor Coronel. Volta e meia, quando torturava, ele telefonava a seu chefe e – em uma espécie de transmissão online telefônica – Stroessner ia ouvindo os grito do preso político torturado de plantão.

Pastor Coronel e Stroessner apreciavam o uso da serra elétrica e do maçarico para torturar. Vários opositores, dentre os quais Miguel Soler, foram cortados ao meio com a serra elétrica. Outros eram queimados lentamente, e de forma localizada, com um maçarico.

7- Pedófilo, estuprador geral, narco-traficante, torturador... e receptor de nazistas
Nos anos 50, o Paraguai acolheu centenas de criminosos de guerra nazistas, aos quais Stroessner - filho de um imigrante da Baviera - dava passaportes paraguaios.

Um dos mais famosos foi o médico Josef Mengele, o “Anjo da Morte”, que selecionava as vítimas de suas experiências médicas no campo de concentração de Auschwitz. Outro criminoso de guerra foi Eduard Roschmann, o “Açougueiro de Riga”, famoso pela execução de 30 mil judeus.

O próprio Stroessner teve um campo de concentração, com muros de 6 metros de altura, a 65 kms de Assunção, onde 528 prisioneiros se aglomeraram entre 1976 e 1978.


Altamiro Borges
Posted: 02 Mar 2019 12:21 PM PST

"O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur, eu vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, eu vou levando o meu diploma de inocente", disse Lula durante o velório neste sábado 2; "Vou provar quem é ladrão neste País e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você", disse ainda, segundo relataram pessoas presentes


247 - Durante o velório do neto Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu com 7 anos vítima de meningite meningocócica nesta sexta-feira 1, o ex-presidente Lula fez uma promessa, segundo relataram pessoas que estavam presentes na cerimônia que ocorreu no Cemitério da Colina, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

"O Arthur foi um menino que sofreu muito bullying na escola, porque era neto do Lula. Por isso, eu tenho um compromisso com você, Arthur, eu vou provar a minha inocência e quando eu for para o céu, eu vou levando o meu diploma de inocente", disse Lula.

"Vou provar quem é ladrão neste País e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você", disse ainda, conforme registro do jornalista Ricardo Galhardo.

Ainda de acordo com a reportagem, ao deixar o cemitério, Lula ouviu uma espécie de bronca de um dos agentes que o escoltava quando subiu no carro da Polícia Federal e acenou para seus apoiadores. Na hora que ele desceu, o delegado da PF disse: "O senhor sabe que não devia ter feito isso." "O senhor sabe que eu devia", respondeu Lula.

Confira o texto publicado no site de Lula:

Lula promete ao neto provar sua inocência

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no velório do seu neto Arthur Araújo Lula da Silva, que quando se encontrarem no céu ele vai levar o diploma de sua inocência, por todo o bullying que Arthur sofreu na escola pelo avô preso. Disse que vai provar que Moro e Dallagnol mentiram nas acusações feitas contra ele.

O ex-presidente chorou muito e teve dificuldade de conversar na cerimônia com parentes e amigos próximos. Lula disse que Arthur se encontrava hoje no céu com Dona Marisa, lembrou quanto o menino gostava de futebol, e a crueldade de três avós do pequeno Arthur ali, enterrando um neto, que isso não é a ordem natural das coisas.

Apoiadores do ex-presidente que cercaram o local acenaram para Lula na saída. Lula acenou de volta. A decisão judicial que permitiu sua ida ao velório do neto não permite que ele falasse com a população.






Brasil 247
Posted: 02 Mar 2019 12:07 PM PST


Terminadas as cerimônias fúnebres do neto de Lula – o menino Arthur, de apenas sete anos – fica a essência do que foi este episódio doloroso.

De um lado, dezenas (centenas?) de policiais dedicados a isolar um homem velho, de 73 anos, naturalmente incapaz de um arroubo fisico que o justificasse.

Uma juíza que determina que ele possa ficar apenas uma hora e meia no cemitério e que por isso o força a permancer sentado, só, num hangar, esperando até que o relógio o autorize a abraçar o filho e a nora que perderam seu filhote. A dor da senhora Carolina Lebbos é cronometrada e mesquinha.

Fanáticos que, diante da dor de um avô pela morte súbita de seu neto, não conseguem conter seu ódio e vociferam nas redes a sua podridão de sentimentos.

De outro, uma pessoa que, depois de décadas aprendendo a constuir a tolerância, amarga quase um ano de cárcere solitário, injusto e artificialmente fabricado, sem por isso desenvolver sentimentos de vingança.

Andou, digno e impávido, entre as fileiras de policiais e de ociosos fuzis que não se voltam para bandidos, mas para gente do povo, que ama seu país.

Nenhum incidente, nenhuma provocação, só muita dor e indignação.

Lula mostra, dia após dia, que não tem ódios (ainda que dele tenham), que não transgride a lei (ainda que a usem para injustiçá-lo), que não agride (ainda que mesmo nesta hora de dor seja agredido).

Lula tornou ridículos diante dos olhos de todos – exceto daqueles que os têm injetados de fúria insana – as restrições e o aparato bélico que se monta para conter um homem livre de alma.

Mais que isso. Sem dizer, faz evidente o medo que se tem dele, mesmo só, silencioso e massacrado pela dor da morte.

Sabem que, mesmo que o façam morrer na prisão, Lula está fadado a viver na História, enquanto eles, nos seus podres e miseráveis poderes, são lixo para ela.

Cenas como a de hoje, porém, trazem a história para os fatos, apresentam como ratos os que são ratos e mostram que quem é grande jamais será vencido por quem é minúscuilo..

Lula está preso, babacas, mas vocês estão muito mais presos do que ele, porque estão agrilhoados à sua insignificância de degradação humana,


TIJOLAÇO

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